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DEFINIÇÃO: A hepatoesplenomegalia é um diagnóstico sindrômico caracterizado pelo aumento do volume do fígado e baço provocado geralmente por uma grande atividade de defesa imunológica do organismo. Geralmente indica a existência de uma hepatopatia (doença do fígado) grave, porém, muitos indivíduos com hepatopatia podem apresentar um fígado de tamanho normal ou mesmo menor do que o normal, fato não tão frequente assim quando tratamos do baço. De forma mais prática, é fato que a hepatomegalia é o aumento do fígado e que por isso toda hepatomegalia é palpável, mas é fato também que nem todo fígado palpável está aumentado de volume. Por isso que o exame físico tem que ser feito de forma atenciosa e completa. Às vezes, os danos do fígado podem se manifestar sob a forma de um aumento do órgão. A borda inferior do fígado normalmente chega apenas até a margem costal do lado direito. Essa borda do fígado é fina e firme e não pode ser sentida pela ponta dos dedos sob a borda das costelas, quando da palpação, exceto quando se efetua uma respiração profunda. O fígado aumentado de volume pode ser sentido abaixo das costelas durante o exame feito por um médico. A hepatomegalia costuma ser assintomática (não produz sintomas), pelo menos no princípio. O fígado não envia qualquer sinal ao cérebro, sob a forma de impulsos e, por isso, a princípio não gera sintomas. Apenas quando ele se torna anormalmente grande que pode causar desconforto abdominal. Se o aumento de volume do fígado ocorre muito rapidamente, ele pode também tornar-se sensível à palpação. A esplenomegalia pode ser causada por várias doenças e isso termina por interromper as suas funções. Esse é o principal problema de saúde associado ao baço. Podem resultar num alargamento do órgão enfermidades como calazar, anemia, linfoma, malária, lúpus sistêmico, leucemia, doenças hepáticas como a cirrose e infecções diversas. O aumento de tamanho é consequência da concentração de glóbulos e plaquetas, o que pode aumentar o risco de outras doenças e infecções. Há muitas condições que podem fazer o baço humano aumentar de volume e se encher de sangue. Se a condição subjacente for tratada, o baço poderá voltar, em muitos casos, ao tamanho normal. O aumento significativo no tamanho do baço também pode ser consequência de uma ruptura do órgão, que provavelmente vai demandar cirurgia para remover uma parte dele ou até mesmo o baço inteiro. Embora ele execute diversas funções importantes, o baço não é considerado um órgão vital e os seres humanos podem sobreviver após a sua remoção, em casos como os mencionados acima. Quando acontece a remoção cirúrgica do órgão inteiro, a maior parte das funções do baço é absorvida pelo fígado, gânglios linfáticos e outros órgãos do corpo. Se a remoção for apenas parcial, no entanto, o órgão pode se regenerar. A esplenomegalia normalmente é diagnosticada no exame físico, através de palpação ou percussão, ou através de USG. As principais causas da esplenomegalia podem ser vistas na tabela a seguir. ETIOLOGIA Infecciosa A hepatite viral aguda é uma infecção sistêmica que afeta predominantemente o fígado e quase todos os casos de hepatite viral aguda são causados por um destes cinco agentes virais: vírus da hepatite A (HAV), vírus da hepatite B (HBV), vírus da hepatite C (HCV), o agente delta associado ao HBV ou vírus da hepatite D (HDV) e vírus da hepatite E (HEV). Todos os vírus das hepatites humanas são vírus de RNA, exceto o da hepatite B, um vírus de DNA, mas que se replica como um retrovírus. Esses agentes podem ser diferenciados por suas propriedades moleculares e antigênicas, porém todos os tipos de hepatite viral produzem doenças clinicamente semelhantes. Variam, por um lado, desde infecções assintomáticas até infecções agudas fulminantes e fatais comuns a todos os tipos, e, por outro lado, desde infecções subclínicas persistentes até doença hepática crônica rapidamente progressiva com cirrose e até mesmo carcinoma hepatocelular, comuns a todos os tipos hematogênicos (HBV, HCV e HDV). Somado a esses tipos de vírus, infecções pelo vírus da Varicela, da Rubéola, do HIV, do Epstein Barr (EBV) e do Citomegalovírus (CMV) também podem se enquadrar dentro do conjunto de etiologias virais. Além dessas etiologias virais, ainda podem ser causa de hepatoesplenomegalia infecções bacterianas por Treponema pallidum (Sífilis), Leptospira (Leptospirose) e Mycobacterium (ou micobactéria, que é um gênero de bactérias de actinobactérias causadora de lepra, tuberculose, linfadenite e outras doenças cutâneas). Dentro da classe dos fungos, temos que nos atentar à candidemia sistêmica e infecções oportunistas pelo HIV, enquanto que por protozoários, devemos nos atentar a acometimentos pelo Toxoplasma gondii (Toxoplasmose) e pelos agentes da Malária, que são os P. vivax, P. falciparum e P. malariae. Além desses, a hepatoesplenomegalia pode ser causa também dos mais diversos tipos de infecções helmínticas. Neoplásica Dentro das neoplasias, diversas são aquelas que podem cursar com aumento de fígado e do baço, sobretudo àquelas que possuem tropismo à esses órgãos, independente se possui caráter benigno ou maligno. Dentro dessa categoria e falando agora em termos de epidemiologia, o carcinoma hepatocelular (CHC) é o principal de acordo com as consequências e o mais comum. Além desses, os hemangiomas também possuem tropismo significativo ao fígado e normalmente possui caráter benigno. Na tabela a seguir podemos observar quais são as neoplasias mais bem relacionadas com o que foi explicado. Reacional Dentro desse ramo, algumas situações podem por si só gerar a hepatoesplenomegalia como consequência do próprio processo, como acontece com a disfunção orgânica e o uso de alguns medicamentos ou drogas que são hepatotóxicas. São exemplos dessas drogas: Amoxicilina-clavulanato, Flucloxacilina, Eritromicina, Diclofenaco, Cotrimoxazol, Isoniazida, Dissulfiram e Ibuprofeno. Vascular Acerca dos acometimentos vasculares, a trombose de veia cava, como já explicado anteriormente, é uma das principais causas com esse efeito negativo e pode ser causada por compressão extrínseca do vaso, invasão tumoral, trombose ou por dificuldade do retorno venoso ao coração secundária a doenças intra-atriais ou intraluminais. Além disso, pacientes que possuem diagnóstico anterior de ICC podem evoluir com uma hepatomegalia congestiva, já que a insuficiência cardíaca direita moderada ou grave aumenta a pressão venosa central, que é transmitida ao fígado por veia cava inferior e veias hepáticas e essa congestão crônica provoca atrofia de hepatócitos, distensão sinusoidal e fibrose centrolobular, que, se intensa, pode produzir cirrose (cirrose cardíaca). A base para a morte celular hepática é provavelmente a trombose sinusoidal que se propaga para as veias centrais e ramos da veia porta, causando isquemia. Aqueles que possuem também o diagnóstico de Síndrome de Budd-Chiari também podem cursar com hepatoesplenomegalia. A síndrome de Budd-Chiari geralmente ocorre quando o coágulo estenosa ou obstrui as veias hepáticas, que transportam o sangue para fora do fígado. Como o fluxo sanguíneo para fora do fígado está impedido, o sangue se acumula no órgão, fazendo com que ele aumente de tamanho, e o baço também pode aumentar. Esse acúmulo de sangue (congestão) provoca aumento da pressão sanguínea na veia porta (que transporta o sangue do fígado para os intestinos). Essa pressão aumentada, denominada hipertensão portal, pode resultar em veias dilatadas e retorcidas (varicosas) no esôfago (varizes esofágicas). Hepatopatia Dentro das hepatopatias, como já é de se imaginar, a hepatopatia crônica e a cirrose são os principais elementos do conjunto dessas doenças que representam a hepatomegalia. Além desse conjunto de doenças, vale a pena ressaltar a doença de Wilson, que temcomo principal consequência a formação do processo cirrótico. Essa doença, que se define pelo acúmulo de cobre pode ser explicado inicialmente pelo defeito hepático, uma vez que o fígado não excreta o excesso de cobre e o cobre se acumula no fígado, o que causa danos e dá origem à cirrose. O fígado lesionado libera o cobre diretamente na corrente sanguínea, levando-o para outros órgãos, como o cérebro, rins e os olhos, onde também se acumula. Hematológica Dentro das doenças hematológicas, as leucemias e linfomas podem, de forma bem comum, virem cursando também com uma hepatomegalia, essa, associada ou não a uma esplenomegalia. A principal dessas é a Leucemia Linfocítica Crônica (LLC). Este tipo de leucemia atinge quase que exclusivamente pacientes adultos, sendo considerada o tipo mais comum nesta faixa etária nos países Ocidentais. A média de idade dos pacientes acometidos é de 60 anos com uma discreta predominância no gênero masculino. Frequentemente este tipo de leucemia é assintomático, sendo detectada em exames de sangue de rotina. Em alguns casos os pacientes podem apresentar anorexia, perda de peso, linfadenopatia, hepatomegalia e esplenomegalia. Metabólica Acerca das doenças metabólicas, a mucopolissacaridose (MPS), a amiloidose, as colagenoses e as doenças infiltrativas são as que mais comumente cursam com hepatoesplenomegalia. As colagenoses formam o grupo de doenças conhecidas como lúpus, poliarterite nodosa, esclerodermia sistêmica e dermatomiosite e que cursam com diversos sintomas, mas é fato que as lesões do coração, pulmões, rins e aparelho digestivo são muito frequentes. No paciente com MPS, os lisossomos não conseguem cumprir corretamente sua função, que é digerir grandes moléculas para serem utilizadas ou reutilizadas. No caso desta doença, tais moléculas mal digeridas são os glicosaminoglicanos (GAGs), responsáveis pela lubrificação e união entre os tecidos. Daí uma consistência mucoide, viscosa. A seguir, os principais comprometimentos da doença: ossos e articulações, vias respiratórias, sistema cardiovascular e das funções cognitivas. Pode haver ainda o engrossamento progressivo das feições, a opacificação das córneas, aumento de fígado e baço, acometimento das válvulas cardíacas, rigidez nas articulações e alteração no crescimento. LEISHMANIA VISCERAL A infecção é adquirida quando uma fêmea de flebotomíneo inocula promastigotas em uma área exposta da pele, que pode formar um nódulo cutâneo, úlcera ou não ter nada (maioria dos casos). Os parasitas se convertem em promastigotas e se multiplicam no interior de fagócitos mononucleares e se disseminam através dos vasos linfáticos e do sistema vascular para outros fagócitos ao longo de todo o sistema reticuloendotelial. A maioria das infecções serão assintomáticas e autolimitadas, e a menor parte evolui para a leishmaniose visceral clássica (ou calazar). Alguns estudos acreditam que esta susceptibilidade é por uma associação genética entre a leishmania e o gene SLC11A1 (regula a atividade do macrófago); assim como o polimorfismo da IL-4. Sendo que o tipo de resposta imune montada contra o patógeno determina as consequências da infecção: Resposta Th1 consegue conter o processo infeccioso de forma mais adequada, pois eles ativam os macrófagos através de citocinas como IL-12, IFN- gama e TNF-alfa, levando a destruição das formas amastigotas intracelulares. Entretanto, pacientes que secretam IL-10 tem uma resposta Th1 frustrada, evoluindo com uma multiplicação desenfreada do parasita, compondo o quadro clínico no calazar. O parasita parece ter diversos mecanismos adaptativos para impedir o combate efetivo do organismo do hospedeiro contra ele. A Leishmania reduz a ativação das células T CD4+, reduzindo a reação inflamatória contra a infecção. Além disso, para serem capazes de sobreviverem e se reproduzirem dentro dos macrófagos, as amastigotas impedem a produção de superóxido por parte do macrófago, bem como reduz a produção do óxido nítrico, importantes mecanismos de exposição à radicais livres para combate a microorganismos invasores. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS LEISHMANIOSE VISCERAL: Estudos indicam que cerca que a maioria dos pacientes infectados pelo L. Infantum são assintomáticos (proporção de 4:1), sendo descobertos apenas através de testes sorológicos. No caso de pacientes sintomáticos, alguns autores dividem em: forma aguda e forma crônica. Basicamente, diz respeito ao tempo de evolução da doença. Na forma aguda, os sintomas mais comuns apresentados pelos pacientes são febre alta, calafrios, diarreia (pode ser do tipo disenteria) e esplenomegalia até 5 cm do rebordo costal esquerdo (RCE). A forma crônica é a mais comum, conhecida como calazar clássico, cujas manifestações podem ser encontrada na tabela 1. Esses pacientes apresentam sintomas com início insidioso no decorrer de meses, normalmente apresentando fadiga, febre, perda ponderal e esplenomegalia, que pode ser acompanhada por hepatomegalia – normalmente menos significativa que a esplenomegalia. Esses pacientes podem apresentar dor abdominal em virtude da distensão da cápsula esplênica, principalmente em casos de evolução mais rápida. Com a progressão da doença, os pacientes podem se apresentar anêmicos (e hipocorados ao exame físico), emagrecidos, com ascite em virtude de hipoalbuminemia, podem apresentar até mesmo disfunção hepática, e como consequência, icterícia. Raramente, pacientes apresentam também acometimento do intestino, apresentando diarreia crônica. Em estágios tardios, esses pacientes também podem apresentar complicações hemorrágicas (hemoptise, sangramento gengival) em virtude de plaquetopenia e redução dos fatores de coagulação. Cerca de 40% dos pacientes com LV apresentam algum grau de comprometimento renal, sendo o achado mais comum a presença de proteinú- ria aumentada. Em uma pequena porção dos pacientes, é detectada também redução da taxa de filtração glomerular. Essas lesões parecem estar relacionadas a uma nefrite intersticial por imunocomplexos. Esse quadro costuma apresentar melhora espontânea com o tratamento da LV. Além disso, há associação entre a presença de LV e imunossupressão, com coinfecções bacterianas complicando o quadro clínico. O quadro da LV apresenta alta mortalidade, chegando a 10% mesmo com tratamento adequado, apresentando mortalidade ainda maior em pacientes imunossupressos, principalmente aqueles com HIV, que representam cerca de 6% dos pacientes com LV no Brasil. Em virtude da alta prevalência desse achado nos pacientes com LV, a esplenomegalia é um dos principais sintomas para guiar o médico no raciocínio diagnóstico, pensando no diagnóstico diferencial das condições que causam esplenomegalia. DIAGNÓSTICO Apesar de não ser utilizado para fins diagnósticos, o teste intradérmico de Montenegro é usado para triagem. Ele é realizado com extrato de antígenos da Leishmania (é semelhante ao PPD), que se baseia na “memória imunológica” dos linfócitos Th1. O teste permanece positivo por anos, mesmo após a resolução do quadro. Entretanto, ele não é reativo em pessoas com Leishmaniose visceral. Possui melhor resultado na Leishmania tegumentar. Leishmania visceral: Faz-se uma suspeita diagnóstica presuntiva com base na clínica do paciente, sendo mais difícil na fase inicial e em pacientes com AIDS, que apresentam quadro clínico atípico. Ou seja, pensar sempre em calazar se: Febre associada a esplenomegalia. A confirmação é feita pela presença dos amastigotas em tecidos ou com o isolamento de promastigotas em cultura. O aspirado do tecido pode ser realizado no baço (padrão ouro), medula óssea (menos sensível: 70%), fígado e linfonodos (quando aumentados). Para a cultura o meio mais utilizado é o NNN, Schneider e LIT, sendo que leva cerca de 5-15 dias para as formas promastigotas se proliferaram e o exame positivar(sensibilidade de 60%). Pode-se eventualmente visualizar a Leishmania no esfregaço de sangue periférico, porém é pouco sensível (30%). Os testes sorológicos são úteis para triagem e apesar de muito sensíveis, são pouco específicos, ou seja, sempre deve-se confirmar o resultado positivo com a pesquisa direta do parasita. Os testes sorológicos se tornam menos sensíveis naqueles pacientes que apresentam imunodeficiências primárias ou adquiridas. Testes moleculares também são utilizados, detectando o DNA da Leishmania, apresentando como vantagem o fato de identificar pacientes imunosupressos. Como foi descrito no quadro clínico, diversas alterações decorrentes da progressão da LV, causam alterações de diversos exames laboratoriais, como anemia normocítica e normocrômica, neutropenia, eosinopenia, trombicitopenia, elevação de transaminases, hipoalbuminemia e elevação de bilirrubina. TRATAMENTO A anfotericina B lisossomal é a droga que apresenta maior eficácia e segurança terapêutica como monoterapia no tratamento da LV. Há ainda a opção de uso da anfotericina B desoxicolato, no entanto, essa opção apresenta mais efeitos colaterais, com destaque para a nefrotoxicidade. A ação clássica da anfotericina B é através da toxicidade contra a membrana celular fúngica, particularmente contra o ergosterol, uma molécula semelhante ao colesterol que compõe a parede celular fúngica. No entanto, no caso da ação da anfotericina B contra a leishmaniose, isso ocorre através de outros mecanismos de ação. Estudos in vitro indicam que a anfotericina B apresenta capacidade deinibir a respiração celular dependente de oxigênio da forma amastigota, aumento da permeabilidade da membrana celular da leishmania causando perda de moléculas importantes para o seu metabolismo. A anfotericina interfere, ainda, com o funcionamento do transporte ativo de substâncias importantes para o metabolismo do protozoário, causando efeitos importantes como redução da eficácia do transporte de glicose do meio extracelular para o meio intracelular. Através desse conjunto de ações, a anfotericina B é uma droga que apresenta alta eficácia no tratamento da leishmaniose. Drogas pentavalentes antimoniais como o glucantime e pentostan foram usadas por muito tempo como a primeira linha de tratamento para Leishmaniose, no entanto, devido amenor toxicidade da anfotericina, o papel dessas drogas como primeira escolha na monoterapia tem caído. Efeitos colaterais importantes dessa droga é a alta incidência de flebite e até mesmo de trombose, problema este que é atenuado, mas não solucionado com a diluição da droga. O uso de acessos venosos centrais também não é suficiente para evitar o desenvolvimento de flebite. Além disso, há risco aumentado de desenvolvimento de pancreatite aguda, existindo indicação de dosagens 2 vezes por semana da amilase sérica e interrupção do uso dos antimoniais em caso de elevação da amilase acima de 4 vezes o valor de referência. Alguns autores indicam ainda o uso de monitorização eletrocardiográfica durante a infusão da droga, em virtude do risco de arritmias cardíacas, que normalmente são rapidamente revertidas com a interrupção da administração dos antimoniais. Outros efeitos colaterais comuns, no entanto menos graves, são náuseas, dor muscular, astenia e cefaleia. Outras drogas aprovadas para uso na leishmaniose são a paromomicina, miltefosina e isetionato de pentamidina. Essas drogas são menos utilizadas do que a anfotericina B e que os pentavalentes antimoniais. A combinação de drogas pode ser necessária em casos de Leishmania resistente, o que não é comum no nosso meio. ESQUITOSSOMOSE: A esquistossomose, também conhecida como barriga d’água ou doença do caramujo, é uma infecção causada por parasitas do gênero Schistosoma. Existem seis espécies de Schistosoma, a saber: S. mansoni, S. hematobium, S. intercalatum, S. japonicum, S. malayensis e S. mekongi. Neste texto vamos nos ater apenas ao Schistosoma mansoni (S. mansoni), já que das seis espécies esta é a única presente no continente americano. Segundo o Ministério da Saúde, estima-se que cerca de duzentos milhões de pessoas em todo mundo estejam infectadas pelo Schistosoma mansoni, que é encontrado em 54 países da África, Ásia e América do Sul. Nas Américas, registra-se área endêmica na Venezuela, nas ilhas do Caribe e no Brasil. No Brasil, estima-se que aproximadamente 25 milhões de pessoas sob risco de contrair a doença e que até 6 milhões já se encontram infectadas. A esquistossomose é endêmica nos Estados de Alagoas, Maranhão, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Sergipe, Espírito Santo e Minas Gerais. No resto do país a transmissão é pequena, não atingindo grandes áreas. SINTOMAS Infecção inicial Os primeiros sintomas da infecção pelo Schistosoma podem ocorrer imediatamente após a invasão da pele pelo parasita. A penetração da pele por cercárias pode provocar a chamada “coceira do nadador”. Trata-se de uma ou mais lesões, tipicamente nas pernas ou pés, em forma de pápulas vermelhas que causam intenso comichão. Nem todas as pessoas infectadas pelas cercárias apresentam esta lesão de pele. Quando ela ocorre, um formigamento imediato e um comichão no local de entrada podem surgir, seguidos por uma erupção papular pruriginosa (veja foto ao lado) que aparece dentro de 12-24 horas, podendo durar mais de uma semana. É importante salientar que a coceira do nadador também pode ser causada por outras espécias de Schistosomas, que infectam aves e outros mamíferos, não sendo capazes de infectar o ser humano. Nestes casos a cercária invade a pele mas é eliminada pelo organismo após algumas horas sem causar maiores consequências. No continente americano apenas as cercárias do S.mansoni são capazes de sobreviver e causar esquistossomose em humanos. A maioria das pessoas que vivem em regiões endêmicas do S.mansoni são contaminadas ainda na infância e permanecem com o parasita em seus sistema digestivo silenciosamente por muitos anos. Às vezes, os sintomas inicias são pouco importantes e acabam sendo confundidos com algumas doenças comuns da infância. Esquistossomose hepatoesplênica Pacientes contaminados com uma grande carga de parasitas são mais propensos a produzir a doença no fígado. Os ovos do parasita tendem a migrar e se depositar na veia porta, causando inflamação e obstrução a passagem do sangue por fibrose. Como todo o sangue vindo sistema gastrointestinal passa pela veia porta antes de chagar ao figado e ir em direção ao resto do corpo, uma obstrução nesta região causa um imenso “engarrafamento” de sangue, que leva ao que chamamos de hipertensão portal. Se o sangue não chega ao fígado ele tem que arranjar outras vias para chegar ao resto do corpo, formando uma circulação colateral (veja foto ao lado). A hipertensão portal é a responsável pelas complicações da forma hepatoesplênica da esquistossomose, entre elas, ascite (barriga d’água – leia: ASCITE | Causas e tratamento), esplenomegalia (aumento do baço) e varizes do esôfago. As varizes do esôfago são uma complicação temida da hipertensão porta, pois podem romper-se causando grave hemorragia digestiva e vômitos sanguinolentos. DIAGNÓSTICO Como muitos pacientes contaminados pelo S. mansoni permanecem assintomáticos, a suspeita da infecção muitas vezes surge por acaso através de exames rotineiros de sangue. No hemograma é possível detectar anemia e aumento dos eosinófilos (leia nosso texto sobre hemograma para entender mais estes resultado: HEMOGRAMA | Entenda os seus resultados.), dois dados que falam a favor de uma infecção por parasitas. O diagnóstico é feito através do exame parasitológico de fezes (leia: VERMES | EXAME PARASITOLÓGICO DE FEZES), que é capaz de detectar os ovos do Schistosoma. O parasitológico, porém, só costuma detectar ovos após seis semanas de contaminação. Se a https://www.mdsaude.com/gastroenterologia/ascite/https://www.mdsaude.com/exames-complementares/hemograma/ https://www.mdsaude.com/doencas-infecciosas/parasitoses/verminose-exame-parasitologico-de-fezes/ https://www.mdsaude.com/doencas-infecciosas/parasitoses/verminose-exame-parasitologico-de-fezes/ suspeita de esquistossomose for grande, mas o exame de fezes for negativo, a biópsia do reto (porção final do intestino logo antes do ânus) pode detectar os ovos. Nos pacientes com sinais clínicos de hipertensão portal, a ultrassonografia pode ser útil em identificar a fibrose na veia porta causada pela deposição dos ovos do Schistossoma. A sorologia contra o S. mansoni pode ser uma opção quando a suspeita diagnóstica é forte, mas não conseguimos detectar o ovo nas fezes. TRATAMENTO O Praziquantel é o medicamento de escolha contra a esquistossomose. A dosagem recomendada é de 60 mg/kg para crianças até 15 anos e 50 mg/kg para adultos, ambos em dose única. O medicamento é apresentado em comprimidos de 600 mg, divisível em duas partes iguais, de modo a facilitar a adequação da dose. Uma alternativa ao Praziquantel é o Oxamniquine, recomendado na dosagem de 15 mg/kg para adultos e 20 mg/kg para crianças até 15 anos, ambos também em dose única. Existem duas apresentações: cápsulas de 250 mg ou suspensão contendo 50 mg por cada ml. DENGUE INTRODUÇÃO O dengue é em termos de morbidade e mortalidade1 , a mais importante arbovirose que afeta o homem, sendo responsável por mais de 100 milhões de casos / ano em mais de 61 países tropicais do mundo. Os vírus do dengue são arbovírus, pertencentes à família Flaviridae, gênero Flavivírus, constituído por 4 sorotipos, denominados pelos número. A doença é transmitida por mosquitos do gênero Aedes, sobretudo o Aedes aegypti. QUADRO CLÍNICO As manifestações clínicas observadas durante a infecção pelo vírus do dengue ocorrem após um período de incubação de dois a oito dias e são muito variáveis, indo desde quadros assintomáticos até extremamente graves, como, por exemplo, a síndrome do choque hemorrágico. No dengue clássico a grande maioria dos casos tem curso benigno, embora variando quanto ao tipo e intensidade de sintomas de acordo com o subtipo viral e a população acometida. O quadro cursa com febre, cefaléia, mialgia, artralgia, vômito e diarréia. Um exantema morbiliforme centrífugo pode surgir no terceiro ou quarto dia de doença, bem como, em alguns casos, fenômenos hemorrágicos discretos (epistaxe, petéquias, gengivorragias). Ao exame físico pode-se observar micropoliadenopatia e, com menor frequência, hepatomegalia. A febre costuma ceder em até seis dias, iniciando o período de convalescença, que pode durar semanas, cursando com astenia. Quanto ao exame hematológico, observa-se leucopenia com linfocitopenia após o segundo dia de doença. O número de plaquetas encontra-se normal ou levemente diminuído. Pode haver elevação discreta das aminotransferases. Já no dengue hemorrágico o quadro costuma iniciar-se de maneira semelhante ao dengue clássico, com os fenômenos hemorrágicos surgindo no segundo ou terceiro dia de doença, com petéquias na face, véu palatino, axilas e extremidades. Podem ocorrer púrpuras e equimoses na pele, epistaxes, gengivorragias, metrorragias e hemorragias digestivas. Ao exame físico observa-se hepatomegalia dolorosa e, em alguns casos, esplenomegalia. A presença de hepatomegalia, hematêmese e dor abdominal indicam prognóstico, com provável evolução para o choque. A síndrome de choque do dengue costuma surgir entre o terceiro e sétimo dia de doença, mantendo-se neste estado crítico por 12 a 24 horas. Inicialmente os pacientes referem dor abdominal, para depois se tornarem letárgicos, afebris e com sinais de insuficiência circulatória e choque. Instala-se acidose metabólica e coagulação intravascular disseminada (CIVD). Sem tratamento o óbito costuma ocorrer dentro de quatro a seis horas. Faz-se o diagnóstico laboratorial utilizando-se dois importantes parâmetros: o hematócrito, que se eleva 20% ou mais do nível habitual do paciente (a hemoconcentração ocorre em metade dos casos), e as plaquetas séricas, que diminuem para níveis abaixo de 100.000/mm3 (plaquetopenia é observada em 70 a 80% dos casos). Outras alterações laboratoriais incluem hipoproteinemia, elevação dos níveis séricos de transaminases e de uréia, hiponatremia e redução da fração C3 do complemento. Nos casos com CIVD, reduzem- se os fatores V, VII, IX e X da coagulação, prolonga-se o tempo de protrombina e de tromboplastina parcial e elevam-se os produtos de degradação da fibrina. A OMS classifica o dengue hemorrágico em quatro graus de gravidade, localizando, nos dois primeiros, formas mais benignas, apenas com febre hemorrágica; e, nos dois últimos, os quadros graves, com falência circulatória: Grau I - Febre e sintomas inespecíficos, tendo como única manifestação hemorrágica o teste do torniquete positivo. Grau II - Presença de fenômenos hemorrágicos espontâneos. Grau III - Insuficiência circulatória manifesta por pulso fraco e rápido, hipotensão, pele pegajosa e fria, agitação. Grau IV - Choque profundo caracterizado por ausência de pulso e pressão arterial. Há também as formas clínicas menos frequentes do dengue, vistas mais frequentemente em países asiáticos onde há maior circulação viral, inclusive do sorotipo 3. Há descrição de quadros que acometem o sistema nervoso central, como encefalites e polineuropatias (síndromes de Reye e Guillain-Barré), quadros renais como nefrites, síndrome nefrótica e insuficiência renal, quadros pancreáticos como pancreatites e quadros hepáticos, estes mais usuais, como hepatites e insuficiência hepática fulminante. TRATAMENTO Já que não existe até o momento tratamento medicamentoso, profilaxia ou vacinas específicas e eficazes contra o vírus do dengue, o tratamento é baseado em medidas de suporte (hidratação, analgesia, antitérmicos) de acordo com o tipo de dengue (clássica ou hemorrágica) e com as manifestações clínicas. Linfoma de Hodgkin clássico: - 4 subtipos: 1. Esclerose nodular: 60-80% nos países desenvolvidos adolescentes e adultos jovens sexo feminino igual ou superior mediastino 2. Celularidade mista: 15-30% qualquer idade envolvimento abdominal 3. Depleção de linfócitos: menos comum: < 1% idoso, HIV+ abdômen (baço, fígado) medula óssea sem linfonodos periféricos geralmente estadio avançado 4. Rico em linfócitos: 6% dos casos fase inicial pacientes mais velhos predomínio em homens Características clínica e diagnóstico: - Aumento de volume ganglionar 60-70%: região cervical ou supraclavicular - 2/3 dos pacientes: envolvimento intratorácico Sensação de pressão, tosse, congestão venosa, dispneia - Hepatoesplenomegalia - Sintomas relativos ao órgão envolvido - Sintomas B: febre acima de 38° sudorese noturna perda de peso de mais de 10% em 6 meses - Dor após a ingesta de álcool, prurido e fadiga - Exame físico: Palpação de todas as cadeias linfáticas, coluna vertebral, fígado e baço e ausculta torácica - Histologia: biópsia do gânglio ou massa