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Ablação total do conduto auditivo com osteotomia lateral da bula timpânica em seis cães

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO 
PRO-REITORIA DE ENSINO DE PÓS-GRADUAÇÃO 
PROGRAMA DE RESIDÊNCIA UNIPROFISSIONAL 
EM MEDICINA VETERINÁRIA 
 
 
 
José Léo Queiroz da Silva Júnior 
 
 
 
 
Ablação total do conduto auditivo com osteotomia lateral da bula timpânica em 
seis cães 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cuiabá-MT 
Fevereiro/2016 
José Léo Queiroz da Silva Júnior 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ablação total do conduto auditivo com osteotomia lateral da bula timpânica em 
seis cães 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado 
ao Curso de Pós-graduação de Medicina 
Veterinária da Universidade Federal de Mato 
Grosso, como requisito para obtenção do título 
de Residência Uniprofissional em Clínica 
Cirúrgica em Animais de Companhia. 
 
 
Orientador: Prof(a). Dr(a). Alexandre Pinto Ribeiro 
 
 
Cuiabá-MT 
Fevereiro/2016 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
José Léo Queiroz da Silva Júnior 
 
 
 
 
 
 
 
Ablação total do conduto auditivo com osteotomia lateral da bula timpânica em 
seis cães 
 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Pós-graduação de 
Medicina Veterinária da Universidade Federal de Mato Grosso, como requisito 
para obtenção do título de Residência Uniprofissional em Clínica Cirúrgica em 
Animais de Companhia. 
 
 
BANCA EXAMINADORA 
 
Aprovada: 29 de Fevereiro de 2016 
 
 
 
Prof. Dr. Alexandre Pinto Ribeiro 
Presidente da Banca - UFMT 
 
 
Prof. Dr. Roberto Lopes de Souza 
Membro da Banca - UFMT 
 
 
MSc. Matias Bassinello Stocco 
Membro da Banca - UFMT 
 
 
 
I. Residente do Programa Uniprofissional em Medicina Veterinária – Universidade Federal de Mato 
Grosso – UFMT – Cuiabá, MT. 
II. Departamento de Clínica Médica Veterinária, FAVET, UFMT, Av. Fernando Corrêa da Costa, nº 
2367, 78060-900, Boa Esperança, Cuiabá, MT, Brasil - *autor para correspondência: 
alexandre.aleribs@gmail.com 
III. Pós-graduanda do curso de Ciências Veterinárias, FAVET, UFMT. 
IV. M. V., Msc., PhD, Oftalmologista Veterinário, Carrera, nº20 – 182-35, Colômbia, Código Postal 
110141. 
V. M. V., Msc., Centro Veterinário da Universidade Federal de Roraima, CVET-UFRR. 
 
 
Ablação total do canal auditivo com osteotomia lateral da bula timpânica em seis cães 
 
Total ear canal ablation with lateral osteotomy of the tympanic bulla in six dogs 
 
Ablación quirúrgica del canal auditivo con oteotomía lateral de la bulla timpánica en seis 
caninos 
 
José Léo Queiroz da Silva Júnior 
I
, Alexandre Pinto Ribeiro 
II*
, Tatiana de Andrade Paula 
I
, João Vitor 
Amorim Galceran 
I
, Miguel Ladino Silva 
IV
, Paulo Roberto Spiller 
V 
 
RESUMO 
 
Objetivou-se reportar seis casos, nos quais foi realizada a ablação total do canal auditivo com 
osteotomia lateral da bula timpânica em virtude da estenose decorrente de otite crônica, pólipos, 
neoplasia ou ambos. Os procedimentos cirúrgicos foram curativos nos 6 casos reportados. Esse 
procedimento pode apresentar complicações já descritas na literatura, sendo as principais: ptose 
palpebral e labial, hemorragias trans-cirúrgica, síndrome vestibular e deiscência, contudo os 
presentes autores não observaram deiscência de sutura devido a permanência de infecção da bula 
timpânica em nenhum dos casos. Admite-se que a ruptura acidental da veia retroarticular foi a 
complicação trans-cirúrgica mais observada e que pode ser manejada com cera óssea. As 
complicações relativas à lesão do nervo facial foram descritas em todos os casos, porém não 
representaram grande preocupação, pois houve recuperação dentro de 7 a 14 dias. 
Palavras Chave: otite crônica, estenose, procedimento cirúrgico otológico. 
 
ABSTRACT 
This study aimed to report six cases in which was held the total removal of the ear canal with lateral 
osteotomy of the tympanic bulla because of stenosis due to chronic otitis, polyps, cancer or both. 
Surgical procedures were curative in 6 cases reported. This procedure can have complications 
described in the literature, the main ones being: eyelid and lip ptosis, trans-surgical bleeding, 
vestibular syndrome and dehiscence, however the present authors observed no suture dehiscence 
due to the tympanic bulla infection remain in any case . It is assumed that the accidental breakage of 
retroarticular vein was cross-surgical complication most observed and can be managed with bone 
wax. Complications related to facial nerve injury have been described in all cases, but is not 
represented great concern because there recovery within 7 to 14 days, as well as previously 
described in the literature. 
Key words: chronic otitis, stenosis, otologic surgical procedures. 
 
RESUMEN 
El estudio tiene como objetivo presentar seis casos en los que se realizó la extracción total del 
conducto auditivo externo con osteotomía lateral de la bulla timpánica debido a estenosis por otitis 
crónica, pólipos, neoplasias o ambos. Los procedimientos quirúrgicos resultaron curativos en todos 
los casos. Esta cirugía puede tener varias complicaciones, ya descritas, entre las más importantes se 
reportan la ptosis palpebral y labial, hemorragias transquirúrgicas, síndrome vestivular y dehiscencia. 
Los autores no reportan dehiscencia de sutura por permanencia de infección de la bulla timpânica. 
Se reporta que la rotura accidental de la vena retroarticular fue la complicación quirúrgica más 
observada y se manejo aplicando cera osea. Las complicaciones relacionadas con lesión del nervio 
facial estuvieron presentes en todos los pacientes, más, no represento gran complicación, los 
animales fueron recuperados de 7 a 14 días. 
Palabras Clave: otitis crónica, estenosis, procedimentos quirúrgicos otológicos.
 
 
2 
 
INTRODUÇÃO 
A ablação total do canal auditivo (ATCA) é indicada em pacientes com otite externa crônica 
irresponsiva ao tratamento clínico apropriado 
1
 e em casos de otite média grave e proliferação e/ou 
calcificação irreversível das cartilagens auriculares horizontal e vertical 
2
. Trauma auricular, neoplasia 
e malformações congênitas, que obstruem a drenagem adequada do canal auditivo, também são 
indicações para a intervenção cirúrgica de ATCA 
3
, ou quando hiperplasia epitelial grave se estender 
além do pavilhão auricular ou do canal auditivo vertical 
1
. 
A prevalência de otite externa em cães é de 10 a 20% e, em gatos, 2 a 10% 
4
. A otite 
externa crônica pode causar estenose ou oclusão do canal auditivo em decorrência de hiperplasia 
tecidual e depósitos de cálcio doloros 
5
, que impedem a limpeza do meato e a aplicação de 
preparações tópicas utilizadas como forma de tratamento médico 
6
. A maioria dos pacientes com otite 
externa crônica grave apresenta otite média concomitante. A remoção da via de drenagem do 
material exsudativo pela realização de ATCA sem a remoção da fonte infecciosa é desastrosa. Nesse 
contexto, a taxa de complicações relativamente a remoção da infecção reduz consideravelmente 
quando a ATCA for combinada com curetagem cirúrgica do revestimento da bula timpânica e 
osteotomia lateral da bula (OLBT) 
3
. A osteotomia lateral da bula expõe a cavidade timpânica 
tornando possível a remoção do exsudato e do epitélio secretor, melhorando a drenagem 
1
. Com a 
combinação de ambos os procedimentos é possível remover grande parte dos tecidos infecciosos do 
canal auditivo resultantes de otite externa crônica 
3
. 
Admite-se que a principal complicação observada no trans-operatório é a hemorragia, 
principalmente quando se rompe inadvertidamente a viea retroarticular e a artéria carótida interna. Já 
no período pós-cirúrgico, podem ocorrer complicações agudas, como deiscência de pontos, necrose 
do pavilhão e fistulação crônica, além de complicações neurológicas como déficit dos nervos facial, 
hipoglosso, síndrome vestibular periférica e perda de audição. Em muitos casos, tais complicações 
são temporárias, e com o tratamento adequado, não há sequelas 
3
. 
Desconhecem-sepublicações relativas ao acompanhamento pós-operatório de casos 
submetidos à ablação do canal auditivo e osteotomia lateral da bula timpânica no Brasil. Dessa forma 
nos pareceu oportuno avaliar, as complicações desses procedimentos em 6 cães com 
acompanhamento pós operatório que variou de dois a 6 meses. 
 
Pacientes 
Incluíram-se no relato, seis cães apresentando queixa de secreção mucopurulenta e prurido 
auricular atendidos no Hospital Veterinário da Universidade Federal de Mato Grosso (HOVET-UFMT). 
Os 6 pacientes não apresentaram alterações na auscultação cardiopulmonar, temperatura, turgor 
cutâneo, tempo de preenchimento capilar e exame de mucosas. Os canals auditivos foram 
examinados com auxílio de otoscopia, onde se constatou estenose do canal auditivo, decorrente de 
causas distintas. Avaliação hematológica completa e dosagem sérica de albumina, alanina 
aminotransferase uréia e creatinina não revelaram alterações dignas de nota em 5/6 pacientes, 
exceto o paciente 6, que era insuficiente renal crônico. 
Em todos os casos já havia sedo realizado o tratamento tópico com soluções otológicas a 
base de Tiabendazol, Sulfato de Neomicina, Dexametasona e Cloridrato de Lidocaína 
A, 
a intervalos 
regulares de 12 horas por períodos de 20-60 dias. Tratamento sistêmico a base de amoxicilina 
B
 na 
dose de 25 mg/kg a cada 12 horas durante 21 dias e meloxicam 
C
 na dose de 0,2mg/kg a cada 24 
horas, durante 5 dias também foi instituído. 
 
Procedimentos 
Em todos os seis casos, os cães foram submetidos à ablação total do canal auditivo, com 
curetagem e osteotomia da bula timpânica. 
Os 6 pacientes receberam medicação pré-anestésica (MPA), que consistiu em cetamina 
D
 
na dose de 10mg/kg via intramuscular, midazolam 
E
 na dose de 0,5mg/kg via intramuscular e morfina 
F
 na dose de 0,5mg/kg via intramuscular. A indução anestésica foi realizada com propofol 
G
, na dose 
de 5mg/kg via endovenosa; e para manutenção, foi utilizado sevoflurano 
H
 ao efeito. Vinte minutos 
antes da indução, administraram-se meloxicam 
C
, na dose de 0,2 mg/kg via subcutânea e cefalotina 
I
 
na dose de 30 mg/kg via endovenosa, repetindo-se a dose do segundo a cada 60 minutos, quando 
necessário. Para reforço da analgesia trans-operatória, utilizou-se cloridrato de fentanila 
J
 na dose de 
2 μg/kg pela via endovenosa. 
Após a aplicação da MPA, realizou-se a tricotomia de todo o lado da face, orelha e regiões 
adjacentes, correspondentes à orelha a ser operada. Após indução anestésica e intubação com 
sonda orotraqueal correspondente ao tamanho do paciente, os canals auditivos foram lavados com 
solução de de iodo povidine (PVPI) na diluição de 1:40. Ato contínuo, procedeu-se a antissepsia 
 
 
3 
 
prévia da orelha e regiões adjacentes com álcool etílico a 70% e solução degermante a base de 
PVPI, seguida pela antissepsia definitiva, com álcool etílico a 70% e PVPI tópico. 
Os pacientes foram então posicionados em decúbito lateral esquerdo ou direito, e sua 
cabeça mantida elevada (Figura 1A). Em seguida, realizou-se uma incisão transversal, logo abaixo 
da borda superior do trago, para então, dar início a incisão vertical, que se estendeu do ponto médio 
da incisão transversal até imediatamente após o canal horizontal, confeccionando-se ao final, uma 
incisão em formato de T. Os retalhos cutâneos foram retraídos e o tecido conjuntivo frouxo foi 
rebatido, dessa forma o canal vertical foi exposto. Utilizando uma lâmina de bisturi, deu-se 
continuidade à incisão horizontal ao redor da abertura do canal auditivo vertical e utilizando uma 
tesoura de Mayo, realizou-se a dissecção dos músculos escutulares ao redor dos aspectos proximal e 
medial do canal vertical (Figura 1B). A hemostasia de todos os vasos foi realizada, sempre 
permanecendo o mais próximo possível da cartilagem do canal auditivo para evitar danos ao nervo 
facial, e também sempre cuidando para não danificar a veia retroarticular, na face medial do canal 
vertical. 
Após identificação do nervo facial e hemostasia da veia retroarticular, a dissecção do meato 
acústico cartilaginoso horizontal prosseguiu até o meato acústico externo ósseo (Figura 1C). A 
excisão do canal auditivo foi realizada na intersecção entre a porção horizontal do meato acústico 
externo cartilaginoso e ósseo utilizando um cinzel e um martelo cirúrgico, evitando lesões ao nervo 
facial, e foi feita a remoção de todo o canal auditivo. Em seguida, foi realizada a osteotomia bular 
lateral parcial, através da dissecação do tecido do aspecto lateral da bula. A excisão óssea foi 
estendida, com auxílio de um cinzel e um martelo cirúrgico até que o conteúdo da cavidade timpânica 
fosse visualizado totalmente. Posteriormente, realizou-se a curetagem ventral da bula timpânica, com 
o intuíto de remover todo o tecido secretor aderido e a cavidade timpânica irrigada diversas vezes 
com solução salina, assim como toda a área cirúrgica, para remoção de fragmentos remanescentes 
(Figura 1D). 
O tecido subcutâneo foi aproximado com polidioxanona 
K
 2.0, e a dermorrafia realizada com 
suturas em padrão simples separados, distribuídas em formato de T com mononylon 
L
 2.0 (Figura 
1E). Em todos os casos, fez-se uso de dreno passivo fenestrado, confeccionado com sonda uretral 
M
 
6-9. Sua fixação foi feita através do ponto de sapatilha, utilizando mononylon 
L
 (Figura 2). 
Todos os 6 pacientes ficaram internados de três a quatro dias e no pós-operatório imediato, 
5/6 receberam infusão de fentanila 
J
. Posteriormente a analgesia foi feita com tramadol na dose de 4 
mg/kg, via subcutânea, a cada 8 horas e meloxicam 
C
 na dose de 0,1mg/kg via subcutânea, a cada 
24 horas, ambos os fármacos foram administrados por 4 dias. Em todos os casos, além da terapia 
sistêmica prescrita para o controle da dor, infundiu-se pelo dreno 2ml de lidocaína 
N
, a intervalos de 
12 horas, por 2 a 3 dias, após o a cirurgia. 
Durante a internação, os pacientes também receberam cefalotina 
I
 na dose de 30 mg/kg, via 
intramuscular. Os drenos eram lavados todos os dias com solução salina estéril, mais infusão de 
lidocaína 
N
 e foram removidos, com 3 a 4 dias do procedimento cirúrgico, quando os pacientes 
recebiam alta. Em todos os casos, foi prescrito cefalexina 
O
 na dose de 20mg/kg por via oral a cada 8 
horas durante 5 dias. Os pontos foram removidos decorridos 10 dias do procedimento cirúrgico e foi 
feito contato telefônico com os proprietários, 6 meses após as cirurgias. Em um dos casos descritos, 
o proprietário foi contactado 2 anos após a cirurgia e, o mesmo relatou que o procedimento fora 
curativo, não havendo nenhuma queixa relativa a orelha operada (Figura 1F). 
 
 
 
4 
 
 
Figura 1. (A) Observa-se estenose do canal auditivo e pólipos auriculares; (B) Canal auditivo vertical 
circundado; (C) Canal auditivo vertical rebatido ventralmente; (D) Cavidade timpânica, após osteotomia 
lateral da bula timpânica; (E) Pós-operatório (6º dia); (F) Pós-operatório decorridos 2 anos do 
procedimento. 
 
 
 
 
5 
 
 
Figura 2. Cadela do caso 2, no período pós-operatório 
imediato, demonstrando a a ferida (seta tracejada) após 
dermorrafia e a posição do dreno passivo (seta preta). 
 
Relatos de casos 
O primeiro caso refere-se a um cão, doberman pinscher, com 9 anos de idade, pesando 4,3kg 
que apresentava otite crônica bilateral não resolvida com tratamento clínico e nem ao procedimento 
de aeração bilateral. Cerca de um ano após a aeração, retornou em decorrência de secreção 
piosanguinolenta bilateral e apresentando fechamento do canal auditivo esquerdo, cuja cultura da 
amostra otológica demonstrou que a infecção fora causada por Pseudomonas aeruginosa (ambas as 
orelhas), Sthaphylococcus aureus (ambas as orelhas) e Streptococcus sp. (somente na orelha 
esquerda). Uma amostra do canal auditivo removido foi enviada para exame histopatológico. 
O segundo caso refere-se a uma cadela, american pitbull terrier, com 15 anos de idade, 
pesando32 kg, que apresentava fechamento do canal auditivo decorrente de uma neoformação na 
orelha direita, a qual foi submetida ao exame histopatológico (Figura 3). No terceiro caso, uma cadela 
da raça fila brasileira, com 6 anos de idade, pesando 40 kg, apresentava otite crônica na orelha 
direita, não resolvida com tratamento clínico. A paciente havia sido previamente tratada 
cirurgicamente pela técnica da aeração do canal auditivo, porém decorridos quatro meses 
desenvolveu abscesso abaixo do canal vertical remanescente. 
No quarto caso, uma cadela sem raça definida (SRD), com 2 anos de idade, pesando 12,4kg, 
apresentava otite crônica bilateral, não responsiva ao tratamento clínico, resultando em hiperplasia e 
fechamento dos canais bilaterais. Inicialmente, foi realizada a ATCA na orelha direita e não houveram 
intercorrências após a remoção dos pontos. Decorridos dois meses da primeira cirurgia , a cadela foi 
submetida a cirurgia do canal auditivo esquerdo. 
O quinto caso, cão, SRD, com 9 anos de idade, pesando 12kg, apresentava otite crônica e 
pólipos que resultaram em fechamento do canal auditivo esquerdo. As neoformações foram 
submetidas ao exame histopatológico (Figura 3). O sexto caso, referiu-se a uma cadela, poodle, com 
12 anos de idade, pesando 8kg, apresentou otite crônica não responsiva ao tratamento clínico e uma 
massa que envolvia o meato acústico cartilaginoso vertical, que resultaram no fechamento do canal 
auditivo direito. 
A principal complicação observada relativamente ao procedimento cirúrgico foi a ruptura 
inadvertida da veia retroarticular. Mesmo sendo isolada e ligada, ocorreu hemorragia nos primeiro, 
quarto , quinto e sexto caso, logo após a osteotomia para remoção do meato acústico cartilaginoso 
(casos 1, 5 e 6) ou no momento da realização da OLBT (caso 4) (Figura 4). No caso 4, a contenção 
da hemorragia se deu por meio de ligadura, em todos os outros casos, a hemostasia da veia 
retroarticular foi feita com cera óssea 
P
. 
No primeiro, segundo, terceiro e quinto caso, os pacientes receberam alta, com 10 dias pós-
operatório e não foi relatado nenhuma intercorrência decorridos 6 meses do procedimento. No quarto 
caso, a paciente veio a óbito em decorrência de pneumonia aspirativa um dia após o procedimento, 
devido ao descumprimento das recomendações pré-operatórias relativas ao jejum, pois a mesma 
apresentou êmese trans-operatória. No sexto caso, a cadela apresentou hemorragia aguda no 
período pós operatório imediato, que gerou deiscência de pontos um dia após a cirurgia. A mesma 
paciente, 48 horas após a cirurgia, apresentou necrose de aproximadamente metade do pavilhão 
auricular. Nessa paciente, o dreno foi removido e a ferida foi tratada por segunda intenção com 
pomada a base de sulfadiazina de prata
Q
, a cada 12 horas, observando-se cicatrização completa da 
ferida 45 dias após a cirurgia. Decorridos 60 dias do procedimento, a ferida não aprentou sinais de 
 
 
6 
 
fistulação, mas a paciente veio a óbito devido a complicações renais (Figura 5). Complicações 
diversas ocorridas no período pós-operatório encontram-se listadas (Figura 6). 
 
Figura 3. Classificação das neofomações encontradas em três dos casos realizadas a partir de 
exame histopatológico. 
Casos Neoformação 
Caso 1 Hamartoma colagenoso 
Caso 2 Carcinoma epidermóide 
Caso 3 - 
Caso 4 - 
Caso 5 Adenoma de glândula sebácea 
Caso 6 - 
 
 
Figura 4. Intercorrências do transoperatório da ATCA com OLBT. 
Casos Hemorragia Êmese 
Caso 1 Sim Não 
Caso 2 Não Não 
Caso 3 Não Não 
Caso 4 Sim Sim 
Caso 5 Sim Não 
Caso 6 Sim Não 
 
 
 
 
Figura 5. (A) Paciente do sexto caso, decorridos dois dias da cirurgia. Observa-se que foi necessário o 
desbridamento cirúrgico de quase a metade do pavilhão auricular. (B) Aparência da orelha desbridada 
30 dias após a cirurgia. 
 
 
 
 
7 
 
Figura 6. Sequelas ocorridas no período pós-operatório. 
Casos Síndrome 
de 
Horner 
Síndrome 
vestibular 
Ptose 
palpebral 
Ptose 
labial 
Necrose 
de Pina 
Deiscência 
Caso 1 Sim Não Sim Sim Não Não 
Caso 2 Não Não Sim Sim Não Não 
Caso 3 Não Não Sim Sim Não Não 
Caso 4 Não Sim Sim Sim Não Não 
Caso 5 Não Não Sim Sim Não Não 
Caso 6 Não Não Sim Sim Sim Sim 
 
DISCUSSÃO 
Nos seis casos relatados, os cães apresentavam estenose ou fechamento do canal auditivo 
causado por otite externa crônica, neoformações de orelha ou ambos. Pólipos inflamatórios uni ou 
bilaterais podem ocorrer em associação com otite externa e média. A remoção cirúrgica de pólipos 
aurais tem um bom prognóstico 
7
. Geralmente, o prognóstico para os animais submetidos à ATCA 
com OLBT decorrente de otite externa e média crônica é favorável 
3
. Na série de casos aqui 
apresentados, observou-se, que a despeito das complicações descritas no caso 6, que os 
procedimentos resultaram em cura de todos os casos e não houve recorrência após a remoção 
cirúrgica dos pólipos, decorridos 6 meses das cirurgias nos casos 1-5; e de dois meses no caso 6 
(devido ao óbito). 
É rara a ocorrência de hemorragia grave durante a cirurgia, mas que ela pode resultar na 
morte do paciente se não controlada 
8
. Em muitos casos, a hemorragia é insignificante clinicamente, 
mas prejudica a capacidade do cirurgião para visualizar o local cirúrgico. São possíveis fontes de 
hemorragia significativa durante o procedimento, ruptura da veia retroarticular, da artéria carótida 
externa, da veia maxilar e da artéria carótida interna. O cirurgião deve evitar dissecção ou curetagem 
brusca do aspecto rostral do canal auditivo ósseo, para reduzir o risco de dano a veia retroarticular 
1,3
. 
Em nosso relato, observou-se hemorragia significativa devido a ruptura inadvertida da veia 
retroarticular, principalmente durante a realização da OLBT. Ademais, observou-se que a 
recomendação da literatura relativa a administração de cera óssea no forame retroarticular, foi capaz 
de resolver o quadro de hemorragia em 3 dos quatro casos e em um deles, a ligadura conseguiu 
resolver o problema 
8
. Admite-se que a deiscência observada no sexto caso, se deveu a hemorragia 
aguda, logo após o pós-operatório, por traumatismo direto do dreno ou por despregamento da cera 
óssea do forame. 
Cinco dos seis casos operados, apresentavam otite crônica irresponsiva e dois deles já 
haviam passado por cirurgia prévia de aeração do canal auditivo, a qual não foi suficiente para a 
resolução do problema. Um estudo relatou que em 66 cães submetidos a essa técnica, que o 
procedimento de aeração pode resolver apenas 45% dos casos de otite crônica 
9
. Nesses casos, o 
procedimento de ATCA com OLBT foi curativo. Reportou-se que mesmo após a lavagem da cavidade 
timpânica após realização da ATCA com OLBT, que bactérias permanecem na cavidade timpânica. 
Os mesmos pesquisadores, também observaram que a cefazolina é um antibiótico de baixa eficácia 
em pacientes acometidos por otite crônica submetidos a esse procedimento 
10
. Em todos os 6 casos, 
a região ventral da bula timpânica foi curetada e lavagem coupiosa dos fragmentos foi realizada e os 
pacientes receberam cefalotina (que também é uma cefalosporina de primeira geração) no período 
que ficaram hospitalizados. A despeito da ausência de antibiograma realizado no trans-operatório, em 
nossos relatos, não se correlacionou falha do procedimento (deiscência de suturas), relativamente 
infecções que possam não ter sido curadas pela cefalotina 
10
. 
A formação de fístula, pode ocorrer dois ou mais anos após a cirurgia e, geralmente está 
associada à remoção incompleta de cartilagem, epitélio, ou detritos da orelha externa ou média e otite 
média recorrente 
10
. No presente relato, houve acompanhamento no pós-operatório por apenas 2 a 
6 meses e, por isso, não foi possível constatar tal intercorrência. 
 Admite-se que em cães, a ATCA com OLBT resulta em dor significativa no período pós-
operatório. Reportou-se que a infusão contínua de bupivacaína, não incrementa o grau de analgesia8 
 
em cães submetidos a esse procedimento 
11
. Todos os pacientes receberam infusão de lidocaína no 
dreno. Os autores do presente relato, não avaliaram o grau de analgesia, mas admite-se que, os 
procedimentos utilizados foram suficientes para controlar a dor pós-operatória. 
Fora a deiscência de pontos, que é descrita como uma complicação aguda, outras 
complicações tardias comumente observadas após a cirurgia são de curto prazo e incluem 
neuropraxia do nervo facial, síndrome vestibular periférica, hemorragia 
3, 12
. Em quatro dos seis 
casos, houve a ocorrência de hemorragia no trans-operatório, em um caso houve vestibulopatia e em 
todos os casos houve lesão do nervo facial, sendo que em todos os casos houve recuperação dos 
déficits após dias ou semanas. 
Relata-se que as complicações neurológicas, incluem exacerbação de déficits pré-operatórios 
3, 8
. Nenhum dos cães do presente relato apresentava qualquer déficit no período pré-operatório, logo, 
nenhuma complicação observada após o procedimento pode ser considerada uma exacerbação de 
qualquer déficit prévio. No paciente do quarto caso, não se observou vestibulopatia periférica no pós-
operatório imediato, após a primeira cirurgia; todavia, essa alteração foi observada logo após a 
segunda cirurgia. Admite-se que tal alteração, possa ter ocorrido por lesão acidental do nervo 
vestíbulo coclear durante o segundo procedimento. Porém, não foi possível acompanhar a evolução 
da alteração, devido ao óbito do paciente. 
A lesão do nervo facial e manifestada clinicamente por ptose palpebral e labial, sendo a 
complicação neurológica mais comum após ATCA com OLBT (13 a 36 % dos pacientes operados). A 
síndrome de Horner é raramente, ou nunca, encontrada. A maioria dos déficits do nervo facial são 
temporários se resolvem totalmente dentro de algumas semanas 
8
. Porém, a paralisia do nervo facial 
e a síndrome de Horner podem ser causadas por otite média e interna e, por isso, deve-se ter 
atenção à existência dessas anormalidades antes da cirurgia, para que as mesmas não sejam 
consideradas complicações cirúrgicas 
1, 7
. Ptose labial e palpebral foram observadas em todos os 6 
cães operados e se resolveram entre 7 a 14 dias após o procedimento. Em apenas um caso, se 
observou Síndrome de Horner (ptose palpebral aliada à miose), que se resolveu em 7 dias. Em 
decorrência da ptose palpebral, em todos os casos foram utilizados lubrificantes oftálmicos no 
período pós-operatório, que tiveram o uso suspenso após a recuperação dos déficits. 
 
Considerações Finais 
A ablação total do canal auditivo com osteotomia lateral da bula foi curativa nos 6 casos 
reportados. Porém, pode apresentar complicações já descritas na literatura, mas os presentes 
autores não observaram deiscência de sutura devido a permanência de infecção da bula timpânica. 
Admite-se que a ruptura acidental da veia retroarticular foi a complicação trans-cirúrgica mais 
observada e que pode ser manejada com cera óssea. As complicações relativas à lesão do nervo 
facial se recuperarm dentro de 7 a 14 dias, como descrito previamente na literatura. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9 
 
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PRODUTOS UTILIZADOS 
A. Otodem plus®, CEVA, Paulínia – São Paulo. 
B. Amoxil®, Medley, Campinas – São Paulo. 
C. Maxicam®, Ouro Fino, Cravinhos – São Paulo. 
D. Quetamina®, Vetnil, Louveira – São Paulo. 
E. Dormonid®, Roche Brasil, São Paulo – São Paulo. 
F. Dimorf®, Cristália, Itapira – São Paulo. 
G. Diprivan®, AstraZeneca Brasil, Cotia – São Paulo. 
H. Sevorane®, Abbott Brasil, Barueri – São Paulo. 
I. Cefalotil®, União Química, São Paulo – São Paulo. 
J. Fentanil®, Janssen Brasil, São José dos Campos – São Paulo. 
K. Shalon Suturas®, Shalon Fios Cirúrgicos LTDA, São Luís de Montes Belos – Goiás. 
L. Technofio®, ACE Indústria e Comércio Ltda, Goiânia – Goiás. 
M. MarkMed®, Bragança Paulista – São Paulo. 
N. Xylocaína Spray 10%®, AstraZeneca Brasil, Cotia – São Paulo. 
O. Keforal®, Medley, Campinas – São Paulo. 
P. Polysuture
®
, São Sebastião do Paraíso – Minas Gerais. 
Q. Prati-Donaduzzi, Toledo – Paraná. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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