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FACULDADE DE DIREITO DE SÃO BERNARDO DO CAMPO CURSO DE DIREITO LUANA BRAGUEROLI MASSI RA 22260 LUIZ MÁRIO LEDNIK LÚCIO RA 22502 MATEUS ROSSI SILVA RA 23733 MURILO SPARAPANI RA 19670 ROBERTA ROSSI RA 22578 Trabalho de Avaliação do Curso de Direito Penal para obtenção da nota de Avaliação do 1° bimestre da Faculdade de São Bernardo do Campo. TESE SOBRE UM HOMICÍDIO Professor Tailson Pires Costa São Bernardo do Campo 2021 SUMÁRIO 1.0 RESUMO DO FILME ............................................................................................................ 03 2.0 HOMICÍDIO ......................................................................................................................... 05 2.1 HOMICÍDIO QUALIFICADO............................................................................................. 05 2.2 FEMINICÍDIO.................................................................................................................. 06 2.3 HOMICÍDIO CULPOSO ................................................................................................... 06 3.0 PONTOS IMPORTANTES ...................................................................................................... 07 4.0 DEVIDO PROCESSO LEGAL ................................................................................................... 10 5.0 AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO .................................................................................... 11 5.1 APLICAÇÃO NO PROCESSO PENAL .......................................................................... 11 6.0 DISCURSO ARGUMENTATIVO X DEMONSTRATIVO.............................................................. 12 7.0 TRIBUNAL ESPECIAL DO JURI ............................................................................................... 12 8.0 RESENHA CRÍTICA ................................................................................................................ 13 1.0 RESUMO DO FILME Roberto Bermudez, advogado criminal, leciona para uma turma de pós- graduação na Universidade de Buenos Aires. É na faculdade onde conhece Gonzalo Ruiz, um de seus novos alunos e filho de um antigo amigo, Gonzalo, durante o lançamento do livro do professor, apresenta a ele sua tese sobre o sistema judicial: nada acontece com quem mata uma borboleta, mas, se alguém destrói um exemplar de alguém rico e poderoso colecionador deste inseto, é preso. O sistema, portanto, não está posto para proteger a borboleta (o povo), e sim, para que os poderosos não sejam prejudicados. Certo dia, enquanto dava aula, Roberto começa a se incomodar com o alto barulho de sirenes que estão vindo do estacionamento da faculdade, quando os alunos vão até a janela para ver o que aconteceu, se chocam com uma mulher morta, estuprada e mutilada estirada no chão do estacionamento. Bermudez se interessa pelo caso, ele aparentemente é fissurado por detalhes, e não consegue lidar com a ideia de que um crime como esse aconteceu logo embaixo de sua vista. Ao começar a investigar, descobre que a moça usava um pingente de borboleta, e que ele foi colocado após ela ter sido asfixiada, já que não existia marcas da corrente no pescoço da vítima, o professor então, passa a desconfiar que Gonzalo, tendo plena convicção de que ele é o assassino e está deixando pistas para que o professor consiga incrimina-lo. A partir de então, o professor Roberto, tenta desenfreadamente descobrir a verdade, não demorando a encontrar novas pistas indicando Gonzalo como autor do crime, assim como indícios de que ele quer ser descoberto, e tal afirmação parece ficar mais evidente após uma conversa de Gonzalo com seu professor, onde ele revela que pretende usar o crime que aconteceu no campus da faculdade como tema de sua monografia. A teoria de Roberto, onde seu aluno tenta provocá-lo com os detalhes do caso ficam ainda mais concreta para o professor, depois que ele encontra Gonzalo em uma exposição de Picasso, e o aluno explica a complexidade e sentido de uma das obras do pintor com uma visão e opinião um tanto assustadora, citando sacrifícios e “exemplos” que precisam ficar postos. Valeria de Natale, não tinha muitos recursos e trabalhava como garçonete para sustentar o pequeno apartamento que dividia com a irmã, Laura, enquanto isso, Gonzalo vem de uma família rica e é filho de um poderoso advogado, além de ser, ele mesmo, um advogado competente. Nessa situação, se fosse pego, Gonzalo facilmente conseguiria uma pena reduzida ou mesmo se livrar completamente das suspeitas, beneficiando-se do sistema que tanto critica, e confirmando então sua tese sobre a borboleta. O professor Roberto começa a se perder nessa investigação, ficando realmente paranóico, a ponto de invadir a casa de Gonzalo para buscar evidências que o incriminam e provem que ele é o responsável pelo crime. Em um momento de bebedeira e desespero, o professor vê fotos antigas que mostram os pais de Gonzalo na companhia de Roberto. Sua mãe, com quem ele tivera um caso, aparece nas imagens com o mesmo cabelo curto da irmã de Laura (mesmo perfil de um outro caso que Gonzalo cita em uma conversa de bar com o professor), o professor lembra que existia um bilhete no cena do crime dizia que 'murte a las mujeres como ella” (morte a mulheres como ela), e aí então que roberto lembra de uma conversa de bar onde Gonzalo diz a ele que aos 15 anos seu amigo juiz exigirá um exame de DNA do filho e que os dois supostamente nunca voltaram para buscar o resultado. O professor Roberto, apresenta a Gonzalo, Laura, irmã da vítima e que ele vem prestando assistência durante todo o decorrer das investigações fazendo questão que ela use o pingente de borboleta que sua irmã usava quando foi encontrada morta na faculdade e os dois logo se aproximam, já completamente perdido em teorias e tentando provar sua veracidade, Roberto tem que certeza que, Gonzalo quer fazer de Laura s seu próximo alvo. Uma certa noite o professor segue gonzalo e laura e nota que ela passa a noite em sua casa, ele passa a noite no bar que fica a frente a casa de seu aluno e no dia seguinte ele chama laura a sua casa, contando sua teoria e dizendo que ela deve ser a próxima vítima. Laura acaba surtando e presta queixa dos dois, tanto o aluno quanto o professor, Roberto assiste o depoimento de Gonzalo, onde ele diz acreditar que o assassino tem em casa uma prova do crime. Desconfiado de que Gonzalo o incriminou, Roberto, revira seu apartamento e não encontra um punhal que servia para abrir facas, presente que recebeu de um velho amigo, e que é pai de Gonzalo, entre por este mesmo no primeiro dia de aula. Roberto vai até uma festa onde seus alunos fariam uma comemoração, onde sabe que pode encontrar o casal, e na confusão do ambiente, ele supostamente assiste Gonzalo sacar o punhal (que pertenceu ao professor) contra Laura. O professor corre atrás do aluno e o espanca na frente de todos. Preso, Roberto recebe a visita de um velho amigo e delegado responsável pelo caso, com informações que desmentem suas possíveis provas, desde o caso que havia similaridade e foi cometido em Portugal até um recibo de compras de uma farmácia onde Gonzalo teria comprado materiais úteis na execução do crime. Somente o punhal, abridor de cartas, continua sem explicações. A última cena do filme mostra Roberto recordando- se de uma caldeira na entrada do local da festa, lugar perfeito para descartar o abridor de cartas. 2.0 HOMICÍDIO O crime de homicídio está localizado no artigo 121 do Código Penal: Homicídio simples Art. 121. Matar alguem: Pena - reclusão, de seis a vinte anos. Caso de diminuição de pena § 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor socialou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço. 2.1 HOMICÍDIO QUALIFICADO § 2° Se o homicídio é cometido: I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe; II - por motivo futil; III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum; IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossivel a defesa do ofendido; V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime: Pena - reclusão, de doze a trinta anos. 2.2 FEMINICÍDIO (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015) VI - contra a mulher por razões da condição de sexo feminino: (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015) VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição: (Incluído pela Lei nº 13.142, de 2015) VIII - (VETADO): (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) Pena - reclusão, de doze a trinta anos. § 2o-A Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve: (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015) I - violência doméstica e familiar; (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015) II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher. (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015) 2.3 HOMICÍDIO CULPOSO § 3º Se o homicídio é culposo: (Vide Lei nº 4.611, de 1965) Pena - detenção, de um a três anos. Aumento de pena § 4o No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as conseqüências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos. (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003) § 5º - Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as conseqüências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária. (Incluído pela Lei nº 6.416, de 24.5.1977) http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13104.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13104.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13104.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art142 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art144 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art144 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13142.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13104.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13104.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13104.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13104.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1950-1969/L4611.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.741.htm#art121%C2%A74 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.741.htm#art121%C2%A74 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6416.htm#art121%C2%A75 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6416.htm#art121%C2%A75 § 6o A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado por milícia privada, sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo de extermínio. (Incluído pela Lei nº 12.720, de 2012) § 7o A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado: (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015) I - durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto; (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015) II - contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60 (sessenta) anos, com deficiência ou portadora de doenças degenerativas que acarretem condição limitante ou de vulnerabilidade física ou mental; (Redação dada pela Lei nº 13.771, de 2018) III - na presença física ou virtual de descendente ou de ascendente da vítima; (Redação dada pela Lei nº 13.771, de 2018) IV - em descumprimento das medidas protetivas de urgência previstas nos incisos I, II e III do caput do art. 22 da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. (Incluído pela Lei nº 13.771, de 2018) 3.0 PONTOS IMPORTANTES CORRELACIONADOS COM O FILME EM QUESTÃO Como já dito no prevê resumo do filme feito acima, a vítima Valéria foi assassinada, retalhada e assassinada pelo agente indefinido, esses crimes possuem previsão legal no Código Penal Brasileiro e com eles uma penalidade para aqueles que os realizam. Seguindo a linha de acontecimento dos fatos, a vítima foi estuprada pelo agente criminoso, esse crime é considerado um tipo penal e, portanto, possui previsão legal no CP brasileiro em seu art. 213 que diz “Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: PENA- reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos.”, como o caso resultou em morte há circunstâncias agravantes que aumentam a pena do indivíduo, no mesmo art. §2º que diz “Se da conduta resulta morte: Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos”. A vítima também foi retalhada pelo agressor, ou seja, Valéria foi friamente cortada por todo seu corpo por diversas vezes, fato que caracteriza o crime de http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12720.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13104.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13104.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13104.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13771.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13771.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13771.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm#art22i http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm#art22ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm#art22iii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm#art22iii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13771.htm#art1 lesão corporal ao indivíduo, expresso no art. 129 do CP que esclarece que aquele que ofende a integridade corporal ou a saúde de outrem merece ser punido. Como no caso envolvendo Valéria e o criminoso ensejou em morte da vítima e não sabemos as reais intenções do agente agressor (até porque não sabemos quem de fato é o criminoso), o crime também pode se enquadrar no art. 129, §3º que diz que quando a agressão resulta em morte a pena de reclusão será de 4 a 10 anos. Também foi encontrado na cena do crime um bilhete com a seguinte frase “Morte as mulheres como ela”, esse fato corresponde a um crime também tipificado pelo código penal que seria o crime de feminicídio que corresponde a matar uma mulher pelo fato de ser mulher, os motivos o levaram por aquela vítima ser do sexo feminino. O crime de feminicídio está previsto no art. 121, §2º inciso VI do CP e especificamente a mulher possui proteção contra casos de violência na Lei 11.340/2006 – “Lei Maria da Penha” que o legislador reconheceu a necessidade de haveressa proteção a mais as mulheres. Por fim a vítima, Valéria foi assassinada pelo autor do crime, no laudo pericial foi diagnosticado que a causa da morte foi asfixia que significa que a vítima morreu por impossibilidade de respirar, ou seja, o autor provocou um estrangulamento das vias áreas superiores ocasionando a morte da vítima. O fato penal típico possui precisão legal na lei penal brasileira e é caracterizado como um homicídio qualificado. Inicialmente é importante denominar o homicídio, esse fato típico é a destruição da vida extrauterina de outrem/ da vítima, também chamado de assassinato. No caso de Valéria houve um homicídio qualificado, ou seja, este é um crime premeditado e intencional, no qual o agente aparentemente quis provocar a morte da vítima, a asfixia, o formol utilizado para a conservação do corpo, revelam um comportamento premeditado do agente, que já possuía interesse em interromper a vida daquela mulher. O Código Penal descreve no seu art. 121 o homicídio e suas possibilidades, em especial no §2º o legislador classifica o Homicídio Qualificado e as derivações que levaram o agente ter aquela conduta, são elas: motivo torpe, matar alguém por interesses próprios ou de alguém; motivo fútil, matar alguém por um motivo banal; matar alguém com um alto grau de periculosidade por parte do agente; matar as testemunhas ou aqueles que possam facilitar a incriminação do agente. Esses são agravantes do crime de homicídio e causam o aumento da pena do agente criminoso que nessas circunstâncias passam a ser a reclusão de 12 a 30 anos. Além disso, cabe ressaltar que, durante todo o filme foi possível identificar os crimes de furto (no momento em que o professor Roberto furtou o colar de borboleta encontrado no corpo da vítima), invasão domiciliar (uma vez que Bermudez invade a casa de seu aluno para encontrar supostas evidências), agressão física (no momento em que Roberto agride seu aluno, Gonzalo, em uma festa) e perseguição (em vista que Roberto fica obcecado por Gonzalo e começa a persegui-lo de diversas maneiras) Todos esses crimes estão mencionados no Código Penal (conforme segue respectivamente): Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. Art. 150 – Entrar ou permanecer, clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade expressa ou tácita de quem de direito, em casa alheia ou em suas dependências: Pena – detenção, de 1 (um) a 3 (três) meses, ou multa. Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano. Art. 149-B. Perseguir ou assediar outra pessoa, de forma reiterada, por meio físico, eletrônico ou por qualquer meio, direta ou indiretamente, de forma a provocar-lhe medo ou inquietação ou a prejudicar a sua liberdade de ação ou de opinião. Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa. 4.0 DEVIDO PROCESSO LEGAL Ao observar o art. 5º, incisos LIV e LV, da Constituição Federal, nota-se que o devido processo legal nada mais é que uma gramática contra o exercício abusivo do poder. Decorre da supremacia absoluta da lei, sendo um dos princípios estruturantes e mais importantes de toda ordem jurídica, assegurando a todos o direito a um processo com todas as etapas previstas em lei e todas as garantias constitucionais. Aplica-se a todos os tipos de processo, cujas regras devem estar previamente estabelecidas, sendo assim, se no processo não forem observadas as regras básicas, ele se tornará nulo. Além dos incisos LIV e LV do art. 5º da CF, há outros pontos que também são importantes ser observados em relação a garantias judiciais, estabelecidas na Carta Magna, a saber: “ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante”, “inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra, da casa, da correspondência, das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas e da imagem das pessoas”, “não haverá juízo ou tribunal de exceção”, “não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal”, “a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu”, “nenhuma pena passará da pessoa do acusado”, “individualização da pena”, “ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente”, “inadmissibilidade, no processo, das provas obtidas por meio ilícitos”, “não culpabilidade até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”, “publicidade dos atos processuais”, “direito ao silêncio”, etc. Elementos básicos do devido processo legal: -Acesso à justiça -Juiz Imparcial -Ampla Defesa e Contraditório -Busca da Verdade -Solução em Tempo Razoável 5.0 AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO Constitui-se em um dos princípios basilares do processo, seja civil ou penal, contido na Constituição Federal entre os direitos e garantias fundamentais. Art. 5º, inciso LV da Constituição Federal- “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. O contraditório nada mais é que uma oportunidade de falar. A ampla defesa seria o direito de se defender das acusações com todos os meios possíveis (provas e mecanismos). Todo acusado terá o direito de resposta contra a acusação que lhe foi feita, utilizando, para tanto, todos os meios de defesa admitidos em direito. 5.1 APLICAÇÃO NO PROCESSO PENAL O princípio atinge uma dimensão mais ampla no processo penal. Neste tem é muito importante a liberdade de locomoção do indivíduo, ainda que o acusado não queira apresentar defesa, a ele será dada obrigatoriamente defesa técnica. Nesse sentido, o artigo 261 do Código de Processo Penal (CPP) determina que “Nenhum acusado, ainda que ausente ou foragido, será processado ou julgado sem defensor.” O réu tem o direito-dever de participação, que acontece mesmo que ele permaneça inerte. Não há que se dizer, desse modo, em direito de participar, mas em obrigatoriedade de participação. A importância aumenta sobremaneira aqui, chegando-se à possibilidade de destituição do defensor no Tribunal do Juri caso o acusado seja considerado indefeso, ainda que ele tenha defesa (art. 497, V, CPP). 6.0 DISCURSO ARGUMENTATIVO X DEMONSTRATIVO Salienta-se que, o discurso demonstrativo não se dirige a um auditório, assenta em axiomas que não carecem de discussão (são considerados evidentes), usa termos sem qualquer tipo de ambiguidade, definidos de forma rigorosa, usa linguagens formalizadas, com regras estabelecidas para além de qualquer dúvida, estabelece verdades que têm o estatuto de evidência e, por fim, é “imune” ao contexto comunicativo, diferente do discurso argumentativo que dirige-se a um auditório, não assenta em axiomas: tudo está em discussão, mesmo as premissas mais importantes, usa a linguagem natural, por isso está sujeita a ambiguidades e a equívocos, lida com verdades que não ultrapassam o horizonte do provável, depende do contexto comunicativo, o comportamento do orador é decisivo, a estratégia seguida na argumentação tem uma grande importância no que se refere à adesão do auditório. Destarte, é nítido que o discurso preponderante utilizado no filme é o discurso argumentativo, visto que, Roberto tenta a todo custo mostrar evidências, convencer o juiz e o delegado de que o culpado pelo crime cometido foi o seu aluno, Gonzalo (o próprio Bermudez tenta convencer o delegado de prender seu aluno por presunção de inocência). 7.0 TRIBUNAL ESPECIAL DO JURI Conforme o art. 5º, XXXVIII, da Constituição Federal, é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurada “a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida”. Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XXXVIII - e reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados: a) a plenitude de defesa; b) o sigilo das votações; c) a soberania dos veredictos; d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida; Conforme o art. 74, § 1º, do Código de Processo Penal, com redação de 1948, diz que compete ao tribunal do júri o julgamento dos crimes de homicídio (simples, qualificado ou com causa de diminuição da pena), induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio, infanticídio e aborto (provocado pela gestante, com seu consentimento ou provocado por terceiro). Art. 74. A competência pela natureza da infração será regulada pelas leis de organização judiciária, salvo a competência privativa do Tribunal do Júri. § 1º Compete ao Tribunal do Júri o julgamento dos crimes previstos nos arts. 121, §§ 1º e 2º, 122, parágrafo único, 123, 124, 125, 126 e 127 do Código Penal, consumados ou tentados. (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) O Supremo Tribunal Federal tem entendimento de que “a competência para apreciar os crimes conexos aos dolosos contra a vida é do tribunal do júri e é diretamente estabelecida pelo reconhecimento desta” (HC 122287, Relator: Min. Gilmar Mendes, Segunda Turma, julgado em 05/08/2014). Desse modo, conforme todo o exposto podemos concluir que o Tribunal Especial do Juri tem competência para julgar o crime exposto no filme em questão, seja ele, tese sobre um homicídio. 8.0 RESENHA CRÍTICA Conforme todo o exposto, é nítido que o filme abrange vários crimes, mas tudo se baseia em torno de uma Tese Sobre um Homicídio onde Roberto Bermudez investiga o caso ocorrido na faculdade e com poucas provas e pouca investigação direta, acusa seu aluno, Gonzalo, e acaba escolhendo somente as pistas que lhe convêm. O filme em si possui uma falta de compreensão acerca da vida passada dos personagens principais e também, não revelam informações de quem é o assassino da borboleta? O professor tem razão em desconfiar do aluno ou está novamente equivocado como no caso Latorre, citado muitas vezes ao longo do filme? Poderia ter sido a irmã da vítima a assassina? O texto propõe uma obra aberta onde o personagem principal que é o centro do mundo se desmorona num quadro obsessivo. O autor não está interessado em mostrar quem foi o assassino e sim o desafio entre o mestre/aluno e as motivações que os dois possuem (numa rivalidade masculina e sexual, envolvendo a conquista de Laura). Caso o autor quisesse mostrar quem foi o assassino poderia ter apresentado o resultado de um exame sexológico do cadáver, o que apontaria se de fato foi a vítima estuprada. A coleta de material vaginal também ajudaria na elucidação do caso, já que o confronto deste, com o DNA de contato da luva e com amostras do suspeito (Gonzales) traria relevante materialidade à Tese Sobre um Homicídio!