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RESUMO – GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA | GUILHERME GOMES (@GUI.GS) VULVOVAGINITES Vulvovaginites e Vaginoses são as causas mais comuns de corrimento vaginal patológico e acometem o epitélio estratificado da vulva e/ou vagina. Os agentes etiológicos mais frequentes são fungos, bactérias anaeróbicas em número aumentado, tricomonas (protozoário) e até mesmo um aumento exacerbado dos lactobacilos. As principais queixas são: • Fluxo vaginal aumentado (leucorreia); • Prurido; • Cheiro desagradável; • Desconforto intenso. O diagnóstico pode ser feito através da anamnese, exame pélvico e exame macroscópico do fluxo vaginal e o tratamento varia de acordo com o possível agente etiológico, como detalharemos mais adiante. FISIOPATOLOGIA DA VULVOVAGINITES: A secreção vaginal fisiológica é variável de mulher para mulher e pode sofrer interferência de fatores hormonais, orgânicos ou psíquicos. Essa secreção tem as seguintes características, fundamentais para diferenciar entre a secreção fisiológica ou patológica: • Secreção sebácea, esfoliação vaginal e cervical, secreção das glândulas de Bartholin e Skene; • Aspecto pode variar conforme a fase do ciclo menstrual; • pH normal < 4,5; • Microscopia normal: menos de 1 leucócito por campo e algumas clue cells; • Fluxo é branco e fluido. Na microbiota vaginal normal há predominância de lactobacilos com algumas bactérias, já nas vulvovaginites o número de lactobacilos é pequeno ou inexistente e o número de leucócitos e bactérias aumenta. Cerca de 10% das pacientes podem apresentar mucorreia, que é quando a secreção vaginal está acima do normal. O exame especular pode mostrar ausência de inflamação e áreas de epitélio endocervical secretando muco claro e límpido. Para esses casos, a conduta é orientar a paciente que as secreções são normais e fazem parte da fisiologia e podem sofrer variações de acordo com alterações hormonais e da idade. 1. VAGINOSE BACTERIANA: A vaginose bacteriana é uma síndrome clínica caracterizada por ausência de lactobacilos, crescimento excessivo de anaeróbios facultativos e proliferação de microbiota mista composta por: • Peptostreptococcus; • Prevotella sp; • Bacterioides; • Mobiluncus; • Gardnerella vaginallis (cocobacilos); • Mycoplasma hominis (alguns casos). É responsável por 40% dos casos de vulvovaginites em mulheres em idade reprodutiva e cerca de 70% são assintomáticas. A presença de vaginose bacteriana é fator de risco para salpingites, peritonites, infecções após procedimentos cirúrgicos ginecológicos e endometrites pós-parto ou cesariana. Está associada a multiplicidade de parceiros e pode facilitar a aquisição de DST, embora não seja uma DST. FATORES DE RISCO: QUADRO CLÍNICO: Seu corrimento possui característica: branco- acinzentado (consistência hialina), de aspecto homogêneo, odor fétido (mas acentuadas pós coito e no período menstrual) e moderada intensidade. DIAGNÓSTICO: Diagnosticada com pelo menos 3 critérios de Amsel: • pH vaginal > 4,5; • Leucorreia: cremosa, homogênea, cinzenta e aderida às paredes vaginais e colo; • Teste das aminas / Whiff-test: adicionar 1 a 2 gotas de hidróxido de potássio (KOH) a 10% na secreção vaginal e depositar em uma lâmina. Surgimento de odor desagradável (peixe em putrefação) é característico à TESTE POSITIVO; • Exame a fresco (microscopia): presença de clue cells (células epiteliais vaginais cobertas de gardnerella vaginalis). Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce RESUMO – GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA | GUILHERME GOMES (@GUI.GS) OBS: O diagnóstico também pode ser feito através do método de gram da secreção vaginal e do citopatológico (clue cells). TRATAMENTO: O tratamento deve ser feito para as sintomáticas e as assintomáticas só devem ser tratadas as que forem realizar procedimentos ginecológicos. • Metronidazol (comprimido 250 mg ou 400 mg) 400-500 mg 12/12 h 7 dias; • Metronidazol gel 0,75% 1 aplicador (5 g) à noite 5-7 dias; • Clindamicina creme 2% 1 aplicador (5 g) à noite 5-7 dias. OBS: Não se considera uma IST. OBS: Metronidazol: não deve ingerido junto com álcool, podendo gerar efeitos antabuse (“ressaca mais acentuada”) – enjoo, vômitos e cefaleia, além de gosto metálico na boca. 2. CANDIDÍASE VULVOVAGINAL: A candidíase vulvovaginal raramente ocorre antes da menarca e tem seu pico próximo aos 20 anos de idade. As manifestações variam desde uma colonização assintomática até sintomas muito severos. OBS: A candidíase vulvovaginal não deve ser considerada uma DST. O principal agente etiológico é a Candida albicans, que corresponde a cerca de 90% dos casos e pode ser encontrada na microbiota normal sem causar sintomas. Alguns fatores de risco podem levar ao desequilíbrio desencadeando o quadro. Fatores de risco da candidíase: • Gestação; • Diabetes; • Contato oral-genital; • Uso de estrogênios em altas doses; • Anticoncepcionais orais (principalmente, combinado); • Antibióticos; • Espermicidas; • DIU. QUADRO CLÍNICO: Seu corrimento possui uma característica: mais grumosa (como se fosse um queijo Cottage) bem aderido às paredes vaginais, sem odor, acompanhada de intenso prurido vulvar. Além de um quadro de inflamação vulvovaginal. DIAGNÓSTICO: Sintomatologia: • Prurido intenso; • Hiperemia e edema de vulva e/ou vagina; • Secreção esbranquiçada, espessa e grumosa (leite coalhado); • Disúria terminal (quando a urina passa na vulva); Para o diagnóstico deve-se levar em consideração sintomatologia, exame físico e fatores de risco da paciente. A confirmação pode ser feita através do exame microscópico a fresco ou a coloração de Gram demonstrando a presença de hifas e pseudo-hifas. pH < 4,5. CLASSIFICAÇÃO: TRATAMENTO: • Fluconazol 150 mg, VO dose única ou • Itraconazol 200 mg, VO 12/12h, 1 dia, ou • Cetoconazol 200mg, VO 12/12h, 5 dias. Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce RESUMO – GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA | GUILHERME GOMES (@GUI.GS) OBS: O tratamento do parceiro deve ser feito somente nos sintomáticos (balanite: áreas eritematosas na glande associadas a prurido). 3. TRICOMONÍASE:A tricomoníase é uma IST causada pelo protozoário flagelado, Trichomonas vaginalis, com período de incubação entre 4 e 28 dias. Possui alto poder infectante e pode ser identificada em 30 a 40% dos parceiros masculinos de pacientes infectadas, embora a infecção nos homens seja autolimitada e transitória. QUADRO CLÍNICO: Seu corrimento possui um aspecto: amarelo-esverdeado; bolhoso; odor fétido; acompanhado de prurido vulvar; e, em alguns casos, dispareunia. DIAGNÓSTICO: Sintomatologia: • Secreção vaginal abundante e bolhosa, de coloração amarelo-esverdeada; • Prurido vulvar intenso; • Hiperemia e edema de vulva e vagina; • Exame clínico: colo em aspecto de morango. Raramente a cultura de tricomonas é indicada. O teste mais utilizado é o exame a fresco, com gota do conteúdo vaginal e soro fisiológico, observando o parasita no microscópio. pH > 4,5. TRATAMENTO: • Metronidazol 2 g, VO, em dose única (1ª escolha); • Tinidazol 2g, VO, em dose única. OBS: Tratamento tópico pode ter falha de até 50%, não sendo recomendado. Recomendações durante o tratamento da Tricomaníase: • Abstinência sexual; • Bebidas alcoólicas deve ser evitada durante 24 horas nos regimes em dose única com metronidazol; • O(s) parceiro(s) deve(m) ser tratado(s), recebendo o mesmo esquema terapêutico, já que a tricomoníase é uma IST. Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce Usuario Realce RESUMO – GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA | GUILHERME GOMES (@GUI.GS)