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Didática 
 
Material de Apoio 
 
 
 1
ATIVIDADE 08 – Tendências Pedagógicas 
 
OBJETIVOS: 
- Conscientizar o profissional dos Saberes necessários à prática Educativa 
 
 
TEXTO: 
Recortes: PEDAGOGIA DA AUTONOMIA 
 
 
Saberes necessários à prática Educativa 
Paulo Freire 
 
NÃO HÁ DOCÊNCIA SEM DISCÊNCIA 
 
A reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação Teoria/Prática sem a 
qual a teoria pode ir virando blablablá e a prática, ativismo. É alinhar e discutir alguns saberes fundamentais 
à prática educativo-crítica ou progressista e que, por isso mesmo, devem ser conteúdos obrigatórios à 
organização programática da formação docente. 
O professor, assumindo-se como sujeito também da produção do saber, convença-se 
definitivamente de que ensinar não é transferir conhecimentos, mas criar as possibilidades para a sua 
produção ou a sua construção. 
Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. 
Ensinar inexiste sem aprender, e vice-versa, e foi aprendendo socialmente que, 
historicamente, mulheres e homens descobriram que era possível ensinar. Foi assim, socialmente 
aprendendo, que, ao longo dos tempos, mulheres e homens perceberam que era possível - depois, preciso 
- trabalhar maneiras, caminhos, métodos de ensinar. 
Quando vivemos a autenticidade exigida pela prática de ensinar-aprender, participamos 
de uma experiência total, diretiva, política, ideológica, gnosiológica (valor do conhecimento), pedagógica, 
estética e ética, em que a boniteza deve achar-se de mãos dadas com a decência e com a seriedade. 
Quanto mais criticamente se exerça a capacidade de aprender, tanto mais se constrói e 
se desenvolve o que venho chamando de "curiosidade epistemológica", sem a qual não alcançamos o 
conhecimento cabal do objeto. 
É a força criadora do aprender, de que fazem parte a comparação, a repetição, a 
constatação, a dúvida rebelde, a curiosidade não facilmente satisfeita, que supera os efeitos negativos do 
falso ensinar. 
Didática 
 
Referente a vídeo aula IV 
 
 
 2 
A importância do papel do educador é o mérito da paz com que viva a certeza de que faz 
parte de sua tarefa docente não apenas ensinar os conteúdos, mas também ensinar a pensar certo. 
Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. 
Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para 
constatar, constatando, intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não 
conheço e comunicar ou anunciar a novidade. 
Por que não estabelecer uma "intimidade" entre os saberes curriculares fundamentais 
aos alunos e a experiência social que eles têm como indivíduos? Por que não discutir as implicações 
políticas e ideológicas de um tal descaso dos dominantes pelas áreas pobres da cidade? A ética de classe 
embutida neste descaso? Porque, dirá um educador reacionariamente pragmático, a escola não tem nada 
que ver com isso. A escola não é partido. Ela tem que ensinar os conteúdos, transferi-los aos alunos. 
Aprendidos, estes operam por si mesmos. 
A curiosidade como inquietação indagadora, como inclinação ao desvelamento de algo, 
como pergunta verbalizada ou não, como procura de esclarecimento, como sinal de atenção que sugere a 
alerta faz parte integrante do fenômeno vital. 
Transformar a experiência educativa em puro treinamento técnico é amesquinhar o que 
há de fundamentalmente humano no exercício educativo: o seu caráter formador. 
Educar é substantivamente formar. Divinizar ou diabolizar a tecnologia ou a ciência é 
uma forma altamente negativa e perigosa de pensar errado. 
 
 
 
 
Bibliografia 
 
LIBÂNEO, José Carlos – Democratização da Escola Pública. São Paulo Loyola 1990 
LIBÂNEO, José Carlos - Didática – São Paulo – Cortez – 2007 
SAVIANI, Dermeval. Escola e Democracia. 36ª edição. Campinas. SP. Autores Associados. 2003 
 
Link do site: http://www.ufsm.br/lec/01_00/DeLcioL&C3htm

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