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AULA DE SAÚDE MENTAL ENF.ª YLLANE REIS TEMA DE HOJE HISTÓRIA DA SAÚDE MENTAL - Analisar a evolução histórica, as políticas públicas e os princípios que regem a assistência à saúde mental; - Identificar os diferentes significados atribuídos à saúde mental em diferentes momentos da história; - Identificar os principais marcos da saúde mental. O QUE É SAÚDE? A Organização Mundial da Saúde define saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social. Essa definição enfatiza a saúde como um estado positivo de bem-estar. Pessoas em condição de bem-estar emocional, físico e social cumprem suas responsabilidades, desempenham um papel eficaz na sua rotina diária e satisfazem-se com suas relações interpessoais e consigo mesmas. SAÚDE MENTAL X DOENÇA MENTAL Entende-se como Saúde Mental uma condição de bem-estar emocional, psicológico e social, evidenciada por relações interpessoais satisfatórias, comportamento e enfrentamento eficazes, autoconceito positivo e estabilidade emocional. Já a Doença Mental é caracterizada pela incapacidade ou falha do indivíduo de suportar as frustrações e conflitos, buscando como solução mecanismos de defesa negativos, gerando um comportamento inadequado as expectativas da sociedade. ESTÁ TUDO CLARO? Fique à vontade para fazer deste um debate aberto à perguntas e esclarecimentos antes de prosseguirmos. PERGUNTAS? PERÍODO NEOLÍTICO (8000 A.C. A 5000 A.C.) Acreditava-se que as questões mentais estavam frequentemente associadas como o resultado de crenças de que causas sobrenaturais como possessões demoníacas, maldições, feitiçaria e até mesmo deuses vingativos, estariam por trás dos sintomas. Descobertas antropológicas mostraram evidências de que os humanos do período neolítico acreditavam que a abertura de um buraco no crânio permitiria que o espírito maligno que habitava a cabeça dos enfermos mentais fosse libertado, curando-os assim de suas aflições. Os médicos-sacerdotes usavam rituais baseados em religião e superstição, pois acreditavam também que a possessão demoníaca era a razão por trás dos distúrbios mentais. Tais rituais incluiam orações, exorcismos, encantamentos e outras formas de expressões tribais da espiritualidade. Os xamãs, por outro lado, recorreriam a ameaças e até punições caso os métodos ritualísticos não tivessem sucesso. EGÍPCIOS (3100 A.C.) Foram os antigos egípcios que tiveram as ideias mais progressistas da época sobre como tratar as pessoas que entre eles aparentavam ter dificuldades envolvendo a saúde mental. Os curandeiros do Nilo recomendavam que os pacientes se envolvessem em atividades recreativas, como a música, a dança ou a pintura, na tentativa de que se aliviassem seus sintomas, trabalhando para que houvesse alguma retomada de “normalidade”. GREGOS (500 A.C. – 146 A.C.) Acreditavam que a dificuldade mental tinha origem divina, geralmente como resultado de uma deusa ou deus raivoso. As pessoas dessa civilização acreditavam que uma vítima ou um grupo de pessoas havia, de alguma forma, transgredido contra sua divindade e estariam sendo punidas como consequência disso. O médico grego Hipócrates rejeitou a ideia de que a instabilidade mental era o resultado da ira sobrenatural. Sobretudo, impressionantemente, ele teria escrito que os desequilíbrios no pensamento e no comportamento seriam elementos de “ocorrência natural do corpo”, em particular, vindos do cérebro. Aristóteles tentou relacionar os transtornos mentais a distúrbios físicos, desenvolvendo a teoria de que a quantidade de sangue, de água e de bile amarela e negra no corpo controlava as emoções. Essas quatro substâncias correspondiam a alegria, calma, raiva e tristeza. Acreditava-se que o desequilíbrio entre esses humores causava transtornos mentais; o tratamento, assim, buscava restaurar o equilíbrio por meio de sangria, inanição e purgação. IDADE MÉDIA (SÉCULO V – XV) Os médicos dessa época faziam uso de laxantes, eméticos e sanguessugas na tentativa de restaurar as proporções de “equilíbrio do corpo” de seus pacientes. Atribuíam-se as doenças, mais uma vez, a demónios, e o individuo mentalmente doente era considerado possuído. Padres realizavam exorcismos para expulsar maus espiritos. Quando não tinham êxito, tentavam medidas mais severas e cruéis, como encarceramento em calabouços, açoite e inanição. As famílias que possuíam a guarda de portadores de alguma dificuldade mental eram vistas como fontes de vergonha e humilhação; muitas recorreriam a esconder seus entes em porões, delegando-os aos cuidados dos empregados ou abandonando-os, deixando-os nas ruas. Exceção só surge com os Árabes: constroem hospitais psiquiátricos. RENASCIMENTO Nesse mesmo período, nas colônias (mais tarde, Estados Unidos), considerava-se o doente mental maléfico ou possuído, devendo ser punido. Durante o Renascimento, doentes mentais viviam separados dos criminosos. Permitia-se que os inofensivos vagassem pelo interior do país, ou morassem em comunidades rurais, mas os "lunáticos" mais "perigosos" eram lançados em prisões, acorrentados e submetidos à inanição. Havia caça às bruxas; as transgressoras eram presas a estacas e queimadas. O PERÍODO DO ILUMINISMO E A CRIAÇÃO DE INSTITUIÇÕES PARA TRATAMENTO MENTAL (SÉCULO XIX) Na década de 1790, teve início um período de esclarecimento em relação a indivíduos com doença mental. Phillippe Pinel, na França, e William Tukes, na Inglaterra, formularam o conceito de asilo como um abrigo ou refúgio seguro, que oferecia proteção. Com esse movimento, começou o tratamento moral do doente mental. Esse tratamento evitava os tratamentos médicos tradicionais comumente encontrados nos manicômios, como a sangria e as agressões físicas, em vez disso, concentrava-se em tornar os asilos mais parecidos com um “lar estrito e bem administrado”. Esse período teve curta duração. No século XX, historiadores e médicos argumentaram que o método moral não era funcional como parecia ser. SIGMUND FREUD E O TRATAMENTO DOS TRANSTORNOS MENTAIS Sua teoria, baseando-se no diálogo e na livre associação dos elementos surgidos, encorajava seus pacientes a falarem sobre o que quer que aparecesse em suas mentes, analisando através de seus estudos as atividade psicológicas destas pessoas. A teoria de Freud era de que as vias de conversa, os sonhos, abririam uma porta para a mente inconsciente do paciente, concedendo acesso a qualquer tipo de pensamentos e sentimentos reprimidos que poderiam ter forçado ou tido influência em sua instabilidade mental. Mesmo com as críticas históricas aos seus métodos, ainda podemos ver a influência da teoria freudiana na psicologia, na psicanálise contemporânea e em muitos dos tratamentos ainda hoje desenvolvidos. ELEMENTOS FORMADORES DA PERSONALIDADE (SIGMUND FREUD) PESQUISEM A TEORIA DA PERSONALIDADE DESENVOLVIDA POR FREUD E SEUS ELEMENTOS (ID, EGO, SUPEREGO), COMO ELES TRABALHAM EM CONJUNTO O QUE SÃO OS MECANISMOS DE DEFESA E FALE SOBRE CADA UM DELES. Surge a visão do homem como um todo (físico-mente) e a história da vida deste homem como o fator preponderante nos transtornos mentais; A assistência de enfermagem, porém, continua centrada na vigilância, restrição, assistência nos tratamentos; Em 1952 surge a CLORPROMAZINA – dando grande impulso ao tratamento medicamentoso; a atitude da doença passa a ser positiva; doenças consideradas crônicas melhoram; surge a possibilidade de tratar o doente em casa; HILDEGARD PEPLEAU (mãe da enfermagem psiquiátrica) – preconiza o relacionamento terapêutico enfermeira-paciente como instrumento básico da assistência de enfermagem psiquiátrica. SAÚDE MENTAL NO MUNDO CONTEMPORÂNEO – (SÉCULO XX E XXI) Peplau desenvolveu o conceito da relação terapêutica enfermeiro-paciente, que inclui quatro fases: ORIENTAÇÃO, IDENTIFICAÇÃO, EXPLORAÇÃO e RESOLUÇÃO. Durante essas fases, o cliente realiza tarefas e promove mudanças de relacionamento que ajudam no processo de cura. HILDEGARD PEPLAU: A RELAÇÃO TERAPÊUTICA ENFERMEIRO-PACIENTE HILDEGARD PEPLAU: A RELAÇÃO TERAPÊUTICA ENFERMEIRO-PACIENTEAtualmente, apesar da prevalência dos ainda altos índices de prescrição de medicações psicofarmacológicas, vemos um novo processo de renovação nos tratamentos da saúde mental acontecendo. Seja por meio da retomada de práticas antigas como a meditação e a yoga, até pelo uso de novas formas de terapia focadas no indivíduo, da música e da arte, cada vez mais nos aproximamos de abordagens melhores, mais saudáveis e que buscam, genuinamente, a autonomia e o bem-estar dos indivíduos. A terapia, o autoconhecimento e as novas abordagens terapêuticas pegaram o bastão de tratamento para o século XXI, ajudando milhares de pessoas a conquistarem sua recuperação e saúde mental de volta. A evolução e os avanços nessa área sugerem que as melhorias de hoje são infinitamente melhores que as melhorias de ontem. CONSIDERAÇÕES FINAIS Em 1852 foi inaugurado o Hospício D. Pedro II. A prática da assistência aos doentes era realizada na maioria das vezes por religiosas. Tratava-se de uma atividade predominantemente assistencial e filantrópica. Em 1890 foi criada a primeira escola de enfermagem psiquiátrica. Os médicos alienistas passam a cuidar dos alienados, alegando necessidade de lhes dar tratamento adequado. Em 1898 foi inaugurado o Asilo-colônia do Juqueri. Em 1903, aparecem os documentos que darão origem à primeira legislação para atendimento a alienados. HISTÓRIA DA SAÚDE MENTAL NO BRASIL Consagra-se a ideia de que o tratamento dos alienados deve ser feito pelo médico alienista e pela equipe de enfermagem; A psiquiatria é regulamentada como especialidade médica autônoma; Hospitais eram construídos no Campo, longe das cidades; Todas as penitenciárias deveriam ter psiquiatras ou psicólogos; Em 1966, foi criado o INPS, havendo uma centralização dos recursos da Saúde; No final da década de 60, começa a surgir um forte movimento social no Brasil, questionando a internação em instituições hospitalares, principalmente com características manicomiais; Em 1980 concretiza-se a crise da saúde mental; Entre os anos de 1989 e 1995 aparece na saúde mental uma política de redução de leitos e desinstitucionalização; Lei nº 10.216, de 6 de Abril 2001: Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. HISTÓRIA DA SAÚDE MENTAL NO BRASIL TRABALHO EM GRUPO Formem grupos; Leiam e discutam a Lei 10216; Leiam e discutam sobre a Reforma Psiquiátrica, a Luta Antimanicomial e a sua importância para o tratamento das pessoas com transtorno mental nos dias atuais; Apresentação livre e parte escrita para o dia 15 e 16. A T É OBRIGADA POR UMA ÓTIMA AULA enf.yllanereis@hotmail.com