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Resumo da Obra Os intelectuais na Idade Média.
Autor: LE GOFF
Produzido por Ana Gabriela Vasconcelos Cavalcante
 Licencianda em História pela UFRPE
- Prefácio e Introdução 
Quem é e como surge o intelectual medieval? Qual o lugar social que ocupa e qual ofício exerce?
Estes são alguns dos pontos apresentados pelo medievalista Jacques Le Goff, ao explorar a
intencionalidade historiográfica de sua obra. Destacando que uma das características marcantes
a partir do século XII foi a circulação da intelectualidade no espaço urbano, não mais estando
restrita apenas ao mundo monástico, o que impactou a organização social, como assinala “a
evolução escolar se inscreve na revolução urbana’ (p.9), situando o papel sociopolítico dos
intelectuais na produção econômica do medievo. E, dada a relação simbiótica entre os
intelectuais, o poder político e a Igreja, passa a florescer uma nova atmosfera cultural para a
cristandade, a qual o autor objetiva também se debruçar. 
- O século XII: Renascimento Urbano e Nascimento dos intelectuais 
O intelectual da Idade Média, enquanto homem de ofício, surge juntamente ao renascimento das
cidades, o que assinala um novo modo de divisão de trabalho, como inicialmente destaca Le Goff,
frisando que o processo de ressurgimento urbano não foi abrupto, mas processual. Este
historiador defende a ideia de que o renascimento carolíngio foi um movimento para a elite, que
ao invés de semear a cultura e a intelectualidade, a entesouram, e o longo tempo e o esmero
dedicado na produção de manuscritos luxuosos evidenciam a baixa circulação das obras, o que
reiteram tal questão. Desse modo, a efervescência intelectual e cultural, características do século
XII, impulsionam a circulação dos conhecimentos científicos. 
Os tradutores, a quem Le Goff chama de pesquisadores intelectuais especializados, exerceram
um papel fundamental neste cenário, sendo os pioneiros deste processo. Uma vez que
permitiram o acesso à cultura-intelectual greco-árabe, com a tradução de obras das áreas da
medicina, botânica, aritmética e agronomia. Outrossim, o medievalista destaca a cidade de Paris
como centro intelectual de destaque, evidenciado a importância dos Goliardos, intelectuais
pobres que usavam a poesia como ferramenta de crítica social, embora tenham sido
marginalizados do movimento intelectual, sendo Abelardo, a quem o autor destaca, um destes
intelectuais. 
Le Goff explana, ademais, o centro científico Chartriano, cujo pensamento racionalista prezava
pela curiosidade, observação, investigação, exaltando personalidades do passado simbólicas pela
sua sabedoria. Além de evocar a cultura antiga, tal corrente propõe uma racionalização e
dessacralização da natureza, colocando o ser humano como centro da criação. O autor aborda,
por fim, a ligação entre ensino e ciência nesse contexto, onde os intelectuais surgiam como
artesãos do espírito, e apesar das diferenças que possuíam, comungavam no apreço aos livros
como ferramenta científica. Le Goff evidencia a importância das escolas, afirmando que dessas
corporações de mestres e estudantes surgiram as universidades. 
 
- O século XIII: A maturidade e seus problemas 
O cenário do século XIII, é conceituado por Le Goff como sendo das universidades e corporações,
que se consolidavam e ganhavam espaço e influência, a partir da reivindicação coletiva. No caso
das universidades, apenas conquistam certa autonomia, através de muitos conflitos e luta contra
a jurisdição do poderio eclesiástico e dos leigos (poder real e comunal). E, muito embora
recebessem o apoio do papado, que reconhecia o valor e a importância da intelectualidade, este
não era livre de interesses, era uma forma de favorecimento da Santa Sé, em detrimento da
domesticação dos intelectuais, tornando-os ‘agentes pontifícios’, como enfatiza o autor. 
Entretanto, à medida que a universidade vai conquistando autonomia jurisdicional, os
estatutos vão se organizando para estabelecer uma dinâmica institucional, definindo um
programa para organizar os estudos, estipulando idades e graus de formação, bem como
os ritos e festividades, formais ou não. E, como ferramenta fundamental para o ensino e
as ciências, acham-se os livros, que diferente do cenário carolíngio, estão em um novo
contexto técnico, social e econômico. 
E como sustentava-se o intelectual? Bem, poderiam ser pagos pelos mecenas, pelos
poderes civis, ou pelos estudantes. Contudo, a Igreja proclamou um princípio de
gratuidade do ensino, considerando os estudantes pobres, o que levou muitos mestres a
se submeterem a jurisdição do clero, para obterem benefícios, o que acabava afastando
os intelectuais do laicato. 
Como campo de instrumentalização do saber surge a escolástica, que mediatizava a
relação entre a palavra, o conceito e o ser. Le Goff explora o embate entre os regulares e
seculares, pela adesão da ordem dos mendicantes na universidade, uma vez que estes
eram distantes das reivindicações de ordem material dos universitários. Por fim aponta
os desafios das tentativas em equilibrar a fé e a razão dentro das universidades. 
 
- Do universitário ao humanista 
No último fragmento Le Goff se debruça, a princípio, sobre o declínio do medievo,
destacando que se tratou de um cenário de mudanças nas estruturas sociais e
econômicas do Ocidente, marcado pela fome, pelas guerras e pela peste, agravadas pelo
aumento populacional. E, desse modo, as classes burguesas superiores mantiveram-se
por meio de um sistema de atividades conceituado como pré-capitalista, pelo autor. 
Nesse cenário o intelectual do medievo desaparece, passando por uma metamorfose
provocada pelos processos de negação, segundo o autor. Surgindo o humanista, e os
universitários passam a ocupar um lugar privilegiado na sociedade, sem abandonar,
porém os recursos obtidos com a cobrança aos estudantes, o que leva à um declínio
rápido do quantitativo de estudantes pobres nas universidades. Segundo Le Goff, os
mestres tornam-se cada vez mais ricos, proprietários e até usurários, embora decline o
nível de intelectualidade. 
A hereditariedade passa a ser, uma forma de recrutamento para obtenção de títulos,
formando uma oligarquia universitária, tornando a ciência um instrumento aristocrático
de poder. E, em consonância com o conceituado historiador Bloch, o autor pontua que os
universitários passaram a levar um estilo de vida nobre. Além disso, Le Goff explora a
adesão da escolástica ao anti-intelectualismo, valorizando a ‘santa ignorância’. Bem
como aborda os aspectos da ruptura entre teoria e prática, ciência e técnica, a fé e a razão
e principalmente entre ensino e ciência. As universidades vão ganhando nova geografia,
perdendo seu caráter internacional, se nacionalizando e se regionalizando e, adaptando-
se aos moldes políticos, ganham nova roupagem. Por fim, são exploradas as diferenças
entre o intelectual medieval e o humanista do renascimento, sendo este último um anti-
intelectualista, que vai retornando aos campos, onde graças às suas riquezas constroem
palácios e casas de campos, são os eruditos solitários do renascimento, como os chama
Le Goff. 
 
 
Referência Bibliográfica principal:
LE GOFF, J. Os intelectuais na Idade Média. Rio de Janeiro: José Olympio, 2006.

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