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1 SINDY GABRIELLE SILVA INÁCIO CAIRES REDAÇÃO NOTA 1000 TEMA: A inclusão educacional e profissional do portador de Síndrome de Down A Síndrome de Down, descoberta pelo francês Jénôme Lejune no final dos anos de 1950, é uma alteração genética na qual o portador possui um cromossomo a mais no par 21 e, atualmente, afeta cerca de 300 mil brasileiros, segundo dados do IGBE. Entretanto, apesar dessa realidade, os portadores da Trissomia 21 ainda possuem seus direitos negligenciados, fato que afeta o seu desenvolvimento tanto no meio escolar quanto no profissional. Diante desse cenário, torna-se fundamental analisar o preconceito e a deficiência dos órgãos públicos e particulares nessa questão. Primeiramente, é importante salientar que, apesar da existência do Plano Nacional de Ensino -o qual garante a disponibilização de salas multifuncionais, do apoio psicopedagógico e outros fatores essenciais para o desenvolvimento educacional desses indivíduos- os portadores da Síndrome de Down enfrentam diversos empecilhos no ramo educacional. Nesse sentido, a recusa das escolas particulares em matricular tais cidadãos configura-se como um dos principais fatores que ocasionam essa realidade, de modo que tal ação contribui para a perpetuação de uma postura discriminatória em relação a esses indivíduos. Ademais, o despreparo da rede pública dificulta a ocorrência de um ensino inclusivo, uma vez que a maioria dos professores não são preparados para realizarem um acompanhamento adequado desses alunos e, além disso, o currículo escolar dificilmente atende às demandas dos portadores da Trissomia 21. Diante disso, assim como revelam os dados do jornal Gama, 70% das escolas urbanas não possuem uma estrutura especializada adequada. Outrossim, esse desafio também configura-se no ambiente profissional, especialmente devido ao preconceito presente nesse meio. Diante disso, semelhante ao que é retratado no filme "O filho eterno", de Cristóvão Tezza, a descrença na capacidade laboral, mesmo diante de pessoas alfabetizadas, e a pressão pelo ganho de produtividade em um mundo utilitarista são responsáveis pela exclusão dos portadores dessa síndrome no mercado de trabalho. Além disso, a ausência de projetos inclusivos nesse setor dificulta ainda mais que esses cidadãos consigam desenvolver-se profissionalmente. Dessa forma, partindo do pensamento kantiano de que o trabalho contribui para o desenvolvimento social do indivíduo, tal exclusão, infelizmente, afeta o processo de integração social dessas pessoas e, assim, prejudica também a sua saúde mental. Portanto, é imprescindível que o Ministério da Educação -responsável pelo desenvolvimento educacional da população- juntamente com a Secretaria do Trabalho, promova uma realidade mais igualitária e inclusiva -por meio da criação de redes de apoio entre crianças, pais e escola, de projetos que garantam a participação dos portadores da Trissomia 21 no meio profissional e da fiscalização em tal ambiente- a fim de concretizar o Plano Nacional de Ensino e de evitar a exclusão profissional desses indivíduos, garantindo o seu maior desenvolvimento social.