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Mecanismo do parto 
O trajeto, ou canal da parturição, estende-se do útero à fenda vulvar. Constituído por formações de diversas 
naturezas, partes moles do canal do parto (segmento inferior, cérvice, vagina, região vulvoperineal), o canal 
da parturição é sustentado por cintura óssea, também chamada de pequena pelve, pequena bacia ou escavação. 
No seu transcurso através do canal parturitivo, impulsionado pela contratilidade uterina e pelos músculos da 
parede abdominal, o feto é compelido a executar certo número de movimentos, denominados mecanismo do 
parto. São movimentos puramente passivos e procuram adaptar o feto às exiguidades e às diferenças de forma 
do canal. Com esses movimentos, os diâmetros fetais se reduzem e se acomodam aos pélvicos. 
Será abordado apenas o mecanismo do parto fisiológico: apresentação cefálica fletida em bacia ginecoide. 
Tempos 
1. Insinuação 
A insinuação (ou encaixamento) é a passagem da 
maior circunferência da apresentação através do anel 
do estreito superior. Nessas condições, e pelo geral, 
está o ponto mais baixo da apresentação à altura das 
espinhas ciáticas (plano “O” de DeLee). Tem como 
tempo preliminar a redução dos diâmetros, o que, nas 
apresentações cefálicas, é conseguido por flexão 
(apresentação de vértice) ou deflexão (apresentação 
de face). Na apresentação pélvica, a redução dos 
diâmetros é obtida aconchegando-se os membros 
inferiores sobre o tronco ou desdobrando-se os 
mesmos para baixo ou para cima. 
Nas apresentações córmicas, a insinuação não ocorre 
com feto de tamanho normal, em decorrência da 
grande dimensão dos diâmetros. Por isso, o parto pela via vaginal é impossível. Mecanismos atípicos que 
promovem o parto transpélvico espontâneo podem ser processados somente nos fetos mortos, ou de pequenas 
dimensões. Para que se processe a insinuação, é necessário haver redução dos diâmetros da cabeça, o que será 
obtido pela orientação de diâmetros e por flexão. 
No início dessa fase, a cabeça fetal encontra-se acima do estreito superior da bacia, em flexão moderada, com 
a sutura sagital orientada no sentido do diâmetro oblíquo esquerdo ou do transverso e com a pequena fontanela 
(fontanela lambdoide) voltada para esquerda, 
Os autores franceses, que têm sido seguidos pelos demais latinos, consideram a variedade de posição mais 
frequente (60%) a occipitoesquerda anterior (OEA), que designam de primeira posição. Seguem-se, em ordem 
decrescente de frequência, a occipitodireita posterior (ODP) (32%), segunda posição; a occipitoesquerda 
posterior (OEP) (6%); e, bem rara, a occipitodireita anterior (ODA) (1%). 
A atitude de moderada flexão (atitude indiferente), em que se encontra a cabeça no início do mecanismo do 
parto, apresenta ao estreito superior da bacia o diâmetro occipitofrontal, maior do que o 
suboccipitobregmático, que mede 9,5 cm. Para apresentar esse último diâmetro, mais favorável, a cabeça sofre 
um 1o movimento de flexão. O eixo maior do ovoide cefálico toma a direção do eixo do canal. Reduzindo os 
seus diâmetros, a cabeça fetal transpõe o estreito superior da bacia. 
A insinuação ocorre por dois processos diferentes: 
Saúde da mulher 
Por: ANA CLARA MELO 
Insinuação estática, processada na gravidez, em mais de 50% das primigestas. Flexão por aconchego no 
segmento inferior e na descida, conjuntamente com o útero, por tração dos ligamentos sustentadores do órgão 
e pressão das paredes abdominais 
Insinuação dinâmica, que surge no fim da dilatação cervical ou no início do período expulsivo nas multíparas. 
Flexão por contato com o estreito superior da bacia e descida à custa das contrações expulsivas. 
2. Descida 
Completando a insinuação, a cabeça migra até as proximidades do assoalho pélvico, onde começa o cotovelo 
do canal. Até aí mantém a mesma atitude e conserva o mesmo sentido, apenas exagerando um pouco a flexão. 
O ápice do ovoide cefálico atinge o assoalho pélvico, e a circunferência máxima encontra-se na altura do 
estreito médio da bacia. 
A descida, na realidade, ocorre desde o início do trabalho de parto e só termina com a expulsão total do feto. 
Seu estudo, como tempo autônomo, tem apenas propósito didático, facilitando a descrição. Durante esse 
mecanismo do parto, o movimento da cabeça é turbinal: à medida que o polo cefálico roda, vai progredindo 
no seu trajeto descendente. 
Rotação interna da cabeça 
Uma vez que a extremidade cefálica distenda e dilate, o conjunto musculoaponeurótico que compõe o 
diafragma pélvico sofre movimento de rotação, que levará a sutura sagital a se orientar no sentido 
anteroposterior da saída do canal. O assoalho pélvico, principalmente depois de distendido pela cabeça fetal, 
é côncavo para cima e para diante, escavado em forma de goteira. Apresenta planos inclinados laterais por 
onde o feto desliza ao nascer. A fenda vulvar, limitada em cima pelo arco inferior do púbis e para os lados e 
para baixo pelo diafragma pélvico, apresenta forma ovalar, com o eixo maior no sentido anteroposterior, 
quando totalmente distendida. Ao forçar a distensão do assoalho pélvico, a cabeça fetal desliza nas paredes 
laterais (planos inclinados) e roda para acomodar seus maiores diâmetros aos mais amplos da fenda vulvar. 
Insinuação das espáduas 
Simultaneamente à rotação interna da cabeça e à sua progressão no canal, verifica-se penetração das espáduas 
através do estreito superior da bacia. O diâmetro biacromial, que mede 12 cm, é incompatível com os 
diâmetros do estreito superior; porém, no período expulsivo, sofre redução apreciável porque os ombros se 
aconchegam, forçados pela constrição do canal, e se orienta no sentido de um dos diâmetros oblíquos ou do 
transverso daquele estreito. À medida que a cabeça progride, as espáduas descem até o assoalho pélvico. 
3. Desprendimento 
Terminado o movimento de rotação, o suboccipital coloca-se sob a arcada púbica; a sutura sagital orienta-se 
em sentido anteroposterior. 
Dada a curvatura inferior do canal do parto, o desprendimento ocorre por movimento de deflexão. A nuca do 
feto apoia-se na arcada púbica; e a cabeça oscila em torno desse ponto, em um movimento de bisagra. Com o 
maior diâmetro do ovoide cefálico (occipitomentoniano) continuando orientado no sentido do eixo do canal, 
a passagem da cabeça através do anel vulvar deve ser feita pelos diâmetros anteroposteriores, de menores 
dimensões, originados do suboccipital. Essa região acomoda-se, assim, à arcada inferior da sínfise, em redor 
da qual a cabeça vai bascular para o desprendimento. Com o movimento de deflexão, estando o suboccipital 
colocado sob a arcada púbica, liberta-se o diâmetro suboccipitobregmático, seguido pelo suboccipitofrontal, 
suboccipitonasal e assim por diante, até o completo desprendimento. 
Rotação externa da cabeça 
Imediatamente após desvencilhar-se, livre agora no exterior, a cabeça sofre novo e ligeiro movimento de 
flexão pelo seu próprio peso e executa rotação de 1/4 a 1/8 de circunferência, voltando o occipital para o lado 
onde se encontrava na bacia. É um movimento simultâneo à rotação interna das espáduas, por ela causado, e 
conhecido como restituição (faz restituir o occipital à orientação primitiva). 
Rotação interna das espáduas 
Desde sua passagem pelo estreito superior da bacia, as espáduas estão com o biacromial orientado no sentido 
do oblíquo direito ou do transverso da bacia. Ao chegarem ao assoalho pélvico, e por motivos idênticos aos 
que causaram a rotação interna da cabeça, as espáduas também sofrem movimento de rotação, até orientarem 
o biacromial na direção anteroposterior da saída do canal. O ombro anterior coloca-se sobre a arcada púbica; 
o posterior, em relação com o assoalho pélvico, impelindo para trás o cóccix materno. 
Desprendimento das espáduas 
Nessa altura, tendo o feto os braços cruzados para diante do tórax, a espádua anterior transpõe a arcada púbica 
e aparece através do orifício vulvar, onde ainda se encontraparcialmente recoberta pelas partes moles. Para 
libertar o ombro posterior, e tendo de acompanhar a curvatura do canal, o tronco sofre movimento de flexão 
lateral, pois o facilimum de flexão desse segmento é no sentido lateral do corpo. Continuando a progredir em 
direção à saída, com o tronco fletido lateralmente, desprende-se a espádua posterior. 
O restante do feto não oferece resistência para o nascimento, embora possa obedecer ao mesmo mecanismo 
dos primeiros segmentos fetais. 
Insinuação cefálica pelos diâmetros transversos da bacia 
Com base em dados radiológicos, a incidência de insinuação pelos diâmetros transversos da bacia e por 
movimentos de assinclitismo foi estimada em 60 a 70%. A cabeça, antes da insinuação, é observada em 
posição transversa, com o parietal posterior apresentando-se sobre a região anterior da pelve (obliquidade de 
Litzmann). A sutura sagital permanece horizontalmente sobre a sínfise, ligeiramente por detrás dela. A 
insinuação ocorre por mecanismo de alavanca: flexão lateral da cabeça para o lado oposto, ficando a sutura 
sagital no diâmetro transverso da bacia (sinclitismo). Simultaneamente, começa a descida, e logo a 
apresentação do parietal posterior, no estreito superior, é substituída pela apresentação do parietal anterior, na 
escavação (obliquidade de Nägele). A superfície lateral do parietal posterior fica quase paralela à superfície 
anterior do sacro. A descida ulterior, até o plano sacrococcígeo, ocorre ao longo de uma linha dirigida para 
baixo e para trás, e mais ou menos paralela à superfície anterior do sacro. A cabeça permanece em posição 
transversa até as espinhas ciáticas ou um pouco acima, com o parietal anterior apresentado. O vértice continua 
a mover-se para trás, na direção do plano sacrococcígeo. Ocorre aí a flexão lateral que precede a rotação 
interna. Então, a bossa do parietal posterior choca-se com a espinha ciática esquerda. O occipital roda para a 
frente, ao longo da discreta curvatura do ramo isquiopubiano, em ângulo de 90°. A descida ulterior dá-se 
durante a rotação, permanecendo a cabeça fortemente fletida. Finalmente, a extensão do occipital começa 
debaixo das espinhas ciáticas e é seguida do movimento de expulsão. As posições transversas persistentes no 
estreito superior não apresentam inconvenientes, transformadas ou não em oblíquas anteriores, ao penetrarem 
a bacia. Em plena escavação, o significado dessas posições é diverso. Se, a despeito de contrações satisfatórias, 
não houver progressão, irá se constituir a distocia genuína, distocia de rotação.

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