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A IMPORTÂNCIA DA ÉTICA NO EXERCÍCIO DA PROFISSÃO DE ENFERMAGEM1 Lucilene Barboza de Brito² Resumo A ética é a ciência é a ciência que estuda a conduta dos profissionais lhes assegurando direitos e deveres a serem cumpridos regularmente; definiu-se como objetivo geral desta pesquisa: compreender a importância da ética no exercício da profissão de enfermagem. Assim, dos objetivos específicos definem-se: apresentar o conceito de ética segundo a contribuição de alguns autores que discutem sobre o assunto; enunciar algum ponto necessário sobre o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem; e, discorrer sobre a importância de uma conduta ética no exercício da profissão de Enfermagem para com os pacientes e a equipe de colaboradores prestadores de serviço da saúde. Dessa forma, a pergunta norteadora deste estudo pode ser definida como: quais contribuições a ética traz no exercício da profissão de enfermagem? Assim, alguns pesquisadores que selecionamos trouxeram-nos suas contribuições para o enriquecimento desta pesquisa. Por conseguinte, podemos destacar alguns autores tais como: Correia e Melo (2019); Cavalcante (2015); Barbosa et al (2017); Martins e Gabriel (2012); Silva et al (2017); dentre outros autores. Assim, esta pesquisa é apenas bibliográfica, e alcançamos os objetivos deste estudo tendo em vista o acervo bibliográfico escolhido entre os anos de 2002 e 2019. O enfermeiro é um profissional que cuida da saúde e bem estar das demais pessoas que necessitam de serviços voltados para a restauração de sua saúde. Dessa forma, este profissional que carrega valores e princípios próprios, deve respeitar as diferenças e limitações de qualquer pessoa próxima ou atendida por ele, apresentando sempre uma conduta ética não apenas com seus clientes/pacientes, mas com toda a sua equipe de profissionais e colaboradores. Com o desenvolvimento e conclusão deste estudo, espera-se melhorar a minha prática profissional enquanto exercer a profissão de enfermeira, e que este estudo contribua na formação de demais profissionais da saúde. Palavras-chave: Ética. Enfermagem. Código de Ética. Conduta. INTRODUÇÃO A ética é de fundamental importância no exercício de qualquer profissão. A ética conduz a uma conduta correta aos envolvidos no processo de atendimento ao paciente/cliente. Dessa forma, neste estudo discutiremos a importância de uma conduta ética ao exercer a enfermagem. Para Silva et al (2017, p. 309) a “ética é o conjunto de princípios morais, valores, que regulamentam os direitos e deveres de cada cidadão e que são estabelecidos e aceitos por um povo em determinado tempo”. Para tanto, foi criado o Código de Ética dos 1 Artigo apresentado a Faculdade JK como obtenção de nota para a disciplina de Ética sobre orientação da Faculdade JK. 2 Acadêmica em Enfermagem pela Faculdade JK. Profissionais de Enfermagem para nortear a prática de tais profissionais, assim, de tempos em tempos, o código de ética precisa ser atualizado e reformulado. Todo profissional precisa ter uma conduta ética tanto no estabelecimento profissional, quanto na vida pessoal, em que Koerich e Edmann (2010, p. 19) enfatizam que a ética é “uma necessidade de toda a humanidade para permitir a convivência, o viver junto”, entretanto, no âmbito profissional, carrega uma responsabilidade maior. Segundo Silva et al (2011) todas as profissões regulamentadas possui um Código de Ética para nortear a conduta do profissional, com orientações para com seus direitos, deveres, responsabilidades, princípios, proibições e penalidades. Com o enfermeiro não é diferente, este profissional precisa ter uma conduta ética que norteia sua tomada de decisões, bem como seu atendimento aos pacientes, ou seja, a ética deve influenciar em todo o exercício da profissão do enfermeiro. Oliveira (2012) apresenta que ainda na adolescência pode-se escolher qual profissão vamos seguir, entretanto, todas as profissões possui direitos e deveres que devem ser cumpridos. Dessa forma, deve-se pensar muito qual profissão escolher, pois os deveres são obrigatórios, não são optativos, e deixar de fazer seu dever é um ato antiético, por mais simples que seja essa atividade. O enfermeiro carrega em sua profissão uma função muito importante que é a de cuidar, zelar pelo paciente para que este se recupere e saia dos hospitais ou Unidade Básica de Saúde com a sua saúde restaurada. Isso acarreta uma responsabilidade e afeto para o bem do outro, na qual estes resultados deixarão marcas em toda a vida do paciente, tudo isso envolve uma conduta ética que deve ser desenvolvida pelo enfermeiro em todo o exercício de sua profissão. Para França e Pacheco (2011) o enfermeiro é um profissional que cuida da saúde e bem estar das demais pessoas que necessitam de serviços voltados para a restauração de sua saúde. Dessa forma, este profissional que carrega valores e princípios próprios, deve respeitar as diferenças e limitações de qualquer pessoa próxima ou atendida por ele, apresentando sempre uma conduta ética não apenas com seus clientes/pacientes, mas com toda a sua equipe de profissionais e colaboradores. Dessa forma, a pergunta norteadora deste estudo pode ser definida como: quais contribuições a ética traz no exercício da profissão de enfermagem? Assim, alguns pesquisadores que selecionamos trouxeram-nos suas contribuições para o enriquecimento desta pesquisa. Assim, podemos destacar alguns autores tais como: Correia e Melo (2019); Cavalcante (2015); Barbosa et al (2017); Martins e Gabriel (2012); Silva et al (2017); dentre outros autores. Para desenvolver este estudo definiu-se como objetivo geral: compreender a importância da ética no exercício da profissão de enfermagem. Assim, dos objetivos específicos definem-se: apresentar o conceito de ética segundo a contribuição de alguns autores que discutem sobre o assunto; enunciar algum ponto necessário sobre o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem; e, discorrer sobre a importância de uma conduta ética no exercício da profissão de Enfermagem para com os pacientes e a equipe de colaboradores prestadores de serviço da saúde. Assim, para alcançar os objetivos propostos neste estudo, utilizou-se como instrumento de pesquisa o recurso bibliográfico. A pesquisa bibliográfica é fundamental em qualquer estudo científico, entretanto há alguns que se fundamentam apenas neste instrumento metodológico, como é o caso deste estudo. Segundo Gil (2008, p. 50) “[...] a pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos”. Assim, neste estudo utilizamos artigos científicos e uma tese de doutorado. Portanto, do material analisado que utilizamos totalizam 16 trabalhos científicos, dos quais estão incluídos Trabalhos de Conclusão de Curso, artigos científicos, tese de doutorado, e mais o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Assim, este material bibliográfico foi publicado entre os anos de 2002 e 2019, portanto temos um importante acervo, já que são materiais encontrados ao longo de 17 anos de discussão sobre o tema - ética na enfermagem. Das palavras chaves encontradas nestes trabalhos científicos, destacam-se com predominância nos artigos as palavras: Ética, Enfermagem, ética de enfermagem, cuidados de enfermagem e Código de Ética. O que percebemos estar de acordo com a discussão abordada nesta pesquisa. Dessa forma, este estudo segue estruturado da seguinte forma, no primeiro capítulo irá ser discutido o conceito de ética segundo a ótica de diversos autores que se dedicam ao assunto. No segundo capítulo iremos discutir sobre o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, na qual selecionamos alguns pontos a serem discutidos relacionados aos direitos e deveres do profissional de enfermagem, assim como os princípios que norteiam esta profissão tão importante para a restauração da saúde do paciente. O terceiro capítulo diz respeito a importância do profissional de enfermagem ter uma condutaética no exercício da profissão, sendo a ética o alicerce da Enfermagem. Em seguida, teremos algumas considerações deste estudo, e por fim, as referências bibliográficas que norteiam esta pesquisa. 1 CONCEITO DE ÉTICA Segundo Correia e Melo (2019, p. 06) “a ética pressupõe a capacidade de decisão, baseada em valores, crenças e normas da sociedade. A ética pode ser entendida como o estudo dos aspectos positivos e negativos de qualquer ação humana, levando à discussão do agir humano”. De acordo com tais autores, compreende-se que a ética diz respeito ao agir do homem, quando este toma decisões para o bem dos que o cercam sua atitude foi ética, entretanto, quando o homem toma decisões que prejudicam algo ou alguém sua atitude é considerada antiética; dessa forma, pode-se ver que a ética é de grande importância para uma convivência tanto no espaço de trabalho, quanto na sociedade em geral. Para Barbosa et al (2017) a ética tem como função orientar as ações do homem, com base em princípios e valores da sociedade. No que diz respeito ao tratamento da saúde pública, os autores apresentam que uma atitude ética deve nortear todas as ações do profissional em enfermagem para com seus clientes, respeitando e valorizando os seus direitos. Nascimento et al (2015, p. 122) nos trazem uma importante definição sobre a ética na qual apresentam que A ética está diretamente relacionada aos padrões de conduta moral, isto é, padrões de comportamentos relativos ao paciente, aos colegas de trabalho e com qualquer pessoa que seja. É saber o que é certo e o que é errado, e como agir diante das situações para chegar ao equilíbrio. A ética pode ajudar a fazer escolhas justificadas com lógica e racionalidade, mas, para isso, é necessário reconhecer valores e refletir sobre eles, levando em conta que todas as normas e princípios orientadores devem estar bem fixados na consciência (NASCIMENTO ET AL, 2015, p. 122). Através da ética, o profissional em enfermagem tem conhecimento sobre uma conduta correta não apenas com seu paciente, mas em todos os seus relacionamentos. A ética é imprescindível em qualquer profissão, pois ela norteia as decisões e ações do profissional na tomada de decisões para o bem de todos, e como os autores apresentam, um dos fatores que uma conduta ética auxilia é no equilíbrio, algo que beneficie a todos os envolvidos em determinada situação. Leite et al (2009) também nos trazem uma importante reflexão sobre a ética, pois afirmam que [...] a ética é compreendida como uma ciência que está direcionada à reflexão crítica sobre o comportamento humano, na qual interpreta, discute, problematiza, investiga os valores, princípios e o comportamento moral, à procura do bem-estar da vida em sociedade. [...] a ética procura ter como princípio fundamental o respeito ao ser humano, o qual deve ser considerado como um indivíduo autônomo, participativo, devendo ser garantida sua condição de sujeito (LEITE et al, 2009, p. 173). A ética está voltada diretamente para o regimento da sociedade, isso quer dizer que ela se preocupa com o bem estar da sociedade em geral, de modo que o enfermeiro atenda com qualidade e eficiência o seu paciente. Para que chegue ao objetivo final que é garantir o bem estar do cliente, está incluído, um excelente atendimento às necessidades do cliente, respeitando seus valores e princípios. No que diz respeito às diferenças, valores e princípios, Oliveira (2012) nos traz a seguinte contribuição: Precisamos respeitar as diferenças individuais da humanidade, na família, na escola e no ambiente profissional, buscando a reeducação dos valores morais, éticos e humanos, estimulando nas novas gerações o sentimento para convívio social e contribuindo para a melhoria e desenvolvimento de todo o país, na luta por uma realidade melhor para todos, na reconstrução da cidadania (OLIVEIRA; 2012, p. 39). Ao atender um paciente, o que deve ser levado em consideração é o estado de saúde em que ele se encontra, seus princípios, valores, não devem ser questionados, a menos que tenha ferido ou prejudicado seu estado de saúde, o enfermeiro deve alertar seu cliente sobre os riscos que está correndo. Mas, jamais interferir ou forçar qualquer decisão de seu paciente. Martins e Gabriel (2012) nos apresentam uma importante contribuição sobre ética, pois, tais autores afirmam que “no mercado de trabalho brasileiro, a ética parece ser mais falada do que vivida. Há necessidade de profissionais líderes, que saibam influenciar seus colegas, chefes e gerentes com naturalidade, com inteligência, para que os valores morais se sobreponham” (MARTINS; GABRIEL, 2012, p. 19). Uma atitude ética deve ser realizada de forma que todos vejam transparência e de forma natural, pois quando o profissional age com outras intenções, isso é perceptível pelos demais colegas da equipe, e dessa forma, o profissional perde sua moral por agir dessa forma. Além disso, atitudes éticas com transparência influencia positivamente toda a equipe de profissionais. Oliveira (2012) também enfatiza que independente de elogios e reconhecimentos deve-se sempre tomar a decisão correta. Mesmo que não seja visto ou percebido pela sua equipe de colaboradores, deve-se sempre tomar uma decisão correta, isso também faz parte de uma conduta ética. Uma atitude ética é exigida em todas as relações sociais, desde a amizade, relacionamentos familiares, relações profissionais, em suma, ser ético diz respeito à atitudes corretas que não ferem o outro, nem as suas decisões. Devemos ser éticos em todos os lugares e em qualquer situação do cotidiano, como por exemplo, ao nos comunicarmos com os demais colegas de trabalho ou com um paciente, respeitar sua variação linguística por falta de escolaridade ou por “sotaque”, por exemplo, que acontece por diferença de região (KOERICH; EDMANN, 2010). Nos últimos anos a Enfermagem tem se preocupado com os serviços prestados pelos seus profissionais, o que tem desencadeado uma série de estudos e pesquisas relacionadas ao tema, trazendo reflexões e questionamentos, de modo a despertar o pensamento crítico em como melhorar a prestação de serviços dos profissionais de enfermagem. O trabalho de enfermagem inclui o paciente ou cliente, a família; portanto, deve-se desenvolver atividades de pesquisa, assistência, participação no planejamento da saúde, com vista a melhorar cada vez mais seus serviços (ROSENSTOCK et al, 2011). Segundo Leite et al (2009) a enfermagem brasileira dividiu a categoria de profissionais da enfermagem em três, sendo eles: enfermeiros, técnicos em enfermagem e auxiliar de enfermagem. Cada um exerce suas atividades específicas, assim, quando usarmos a expressão profissionais de enfermagem estaremos nos referindo a estas três categorias de profissionais. O ato de ensinar ética se inicia ainda no curso de formação, na qual Koerich e Edmann (2010) apresentam que isso é um desafio, frente ao mercado de trabalho que está cada vez mais exigente, em que um dos fatores se dá pelo fato da população que utiliza dos serviços de saúde estar cada vez mais informada e atualizada sobre seus direitos. Após o término do curso de Enfermagem é esperado que tais profissionais estejam preparados para atuar em seus respectivos locais de trabalho, sendo profissionais éticos e capacitados para um atendimento humanizado e digno. França e Pacheco (2011, p. 03) reafirmam esta ideia ao enfatizar que “a sociedade dos nossos dias espera dos enfermeiros cuidados de saúde seguros e com qualidade”. Estamos vivendo um momento em que a sociedade exige cada vez mais serviços de qualidade. Isso requer dos profissionais que prestam serviço ao público maior comprometimento com seu setor. Entretanto, cabe ressaltar que a qualidade no atendimento e serviço prestado só alcança a excelência quando toda a equipe de colaboradores se dedica e se compromete a área profissional. Para Garzin e Melleiro (2013, p. 431) o ato de “acolher e atentar às preocupações do usuário é tãoimportante quanto ter competência técnica”. Ou seja, o acolher e a competência devem caminhar juntos para alcançar a satisfação de quem procura tais serviços de saúde, sejam eles públicos ou privados. Oliveira (2012) parte da ideia de que o profissional ético faz o bem, para que ele também receba o bem, isso quer dizer que o profissional conhece sobre as decisões certas e erradas, e que suas escolhas lhe trarão uma consequência. Tal autor enfatiza ainda que o profissional ético sempre vai buscar o melhor caminho, e sempre vai buscar melhorias para os pacientes que precisam de seus cuidados. Quando se fala em ética na enfermagem, é necessário discutir também sobre ética profissional, ética nas relações profissionais e Código de Ética na Enfermagem que discutiremos na seção seguinte. Por ética profissional entende-se um conjunto de normas, direitos e deveres dos profissionais da saúde, por exemplo, que estes devem seguir em seu local de trabalho. Estas regras contribuem para uma boa conduta no exercício da profissão, ajudando a manter a ordem, o respeito, e uma boa convivência entre os colaboradores, resultando assim, em excelência na prestação de serviços da equipe. Segundo Rosenstock et al (2011, p. 728) afirmam que A ética profissional é uma parte da ciência moral e tem como função detectar os fatores que, numa determinada sociedade, são capazes de alienar a atividade profissional; portanto, é tarefa da ética profissional realizar uma reflexão crítica, e questionadora, que tenha por finalidade salvar e dar segurança à sociedade no que diz respeito à atividade profissional. A ética profissional engloba todas as ações do profissional no seu local de trabalho, portanto, sua função é contribuir para que o enfermeiro, técnico em enfermagem, ou auxiliar, exerçam com equidade a profissão. Rosenstock et al (2011) enfatizam ainda que a ética não é fácil de ser exercida uma vez que envolve valores distintos, sendo eles sociais, culturais e religiosos. Segundo Cavalcante (2015) uma atitude ética baseada em princípios e valores que regem a sociedade, contribuem para que haja transparência do profissional para com seu público. Neste contexto, a ética profissional é voltada apenas para as atitudes do profissional no seu local de trabalho, esta ética busca trazer melhorias para o ambiente de trabalho por meio de reflexões críticas contínuas de como é possível melhorar a prática profissional. Já Martins e Gabriel (2012) conceituam ética profissional sendo a ciência que trata sobre os direitos e deveres do profissional no seu ambiente de trabalho. Dessa forma, a ética profissional está interligada ao Código de Ética das profissões, pois este trata destes assuntos, assim como as proibições e infrações cometidas pelo profissional. Pois, cabe lembrar que o Código de Ética juntamente com o conhecimento técnico forma o alicerce para que o profissional exerça sua função com excelência. 2 CÓDIGO DE ÉTICA DOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM Após análise no Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem elencamos alguns pontos para discussão. Este código de ética está organizado em cinco capítulos, dos quais dizem respeito aos direitos, deveres, proibições, infrações, e por último, aplicação das penalidades. Tal Código de Ética considera a Enfermagem uma ciência de grande relevância para a saúde, sendo indispensável para o bom funcionamento dos espaços hospitalares, Unidades Básicas de Saúde, dentre outros (COFEN, 2017). Para Oliveira (2012) os Códigos de ética têm como função preservar a integridade, os valores e princípios, de quem presta e de quem recebe os serviços de saúde; esses valores englobam as três esferas da sociedade, sendo valores pessoais, coletivo e institucional ou órgão público. Por profissão, entende-se uma atividade contínua cujo objetivo é auxiliar ou beneficiar a outra pessoa que precisa de determinados serviços, nesse caso, serviços para restauração da saúde do cliente. No primeiro capítulo do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, diz respeito aos direitos do enfermeiro, o Art. 6º discute sobre a formação contínua, em que diz assim: “Aprimorar seus conhecimentos técnico-científicos, ético-políticos, socioeducativos, históricos e culturais que dão sustentação à prática profissional” (p. 4). Assim, em concordância com a importância de uma formação contínua, Nascimento et al (2015, p. 129) enfatizam que “a capacitação contínua da equipe de saúde é fundamental, pois é através da mesma que há o aprimoramento dos profissionais, podendo assim diminuir os erros técnicos e danos prejudiciais aos pacientes”. Uma equipe atualizada, preparada e capacitada traz resultados positivos e benefícios não só a quem é atendido; o profissional que se dedica a sua formação possui uma visão mais ampla, pensamento crítico, que lhe proporciona mais vivências e experiências em seu trabalho tendo um reconhecimento profissional, e uma remuneração digna. Por outro lado, o cliente se sentirá mais seguro e confiante ao ser atendido, pois os riscos de danos técnicos consequentemente serão menores. Segundo Martins e Gabriel (2012) antigamente os profissionais desenvolviam quase que as mesmas atividades, entretanto, atualmente, cada profissional desempenha a sua função, e aqueles que querem se destacar como um profissional competente, qualificado e ético busca se atualizar constantemente, para trazer melhorias ao seu local de trabalho, e também para ter uma remuneração melhor. Atualmente, os profissionais de qualquer área devem estar sempre buscando mais conhecimento e melhorando a sua prática, pois o mercado está cada vez mais competitivo, e em busca de profissionais cada vez mais preparados e capacitados para exercitarem a profissão com eficácia, justiça, e ética. Martins e Gabriel (2012, p. 10) apresentam que o trabalhador de nosso século deve apresentar algumas características, das quais citam ser “um cidadão intelectual, ético e comprometido com a construção de uma nova sociedade, com visão ampla e transformadora do meio em que vive”. Quanto mais conhecimento o profissional buscar e adquirir, mais ele vai deixar de “ser comum” e “parar de pensar dentro da caixa”, este profissional, vai obter pensamento crítico com soluções éticas para todos, transformando o seu meio. O segundo capítulo do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem diz respeito aos deveres do profissional em Enfermagem, assim, destacamos os artigos 24, 25 e 26, na qual apresentam Art. 24 Exercer a profissão com justiça, compromisso, equidade, resolutividade, dignidade, competência, responsabilidade, honestidade e lealdade. Art. 25 Fundamentar suas relações no direito, na prudência, no respeito, na solidariedade e na diversidade de opinião e posição ideológica. Art. 26 Conhecer, cumprir e fazer cumprir o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem e demais normativos do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem. Além de ter uma conduta ética é exigido que os profissionais que executam a enfermagem tenham conhecimento também sobre o código de ética fazendo-o cumprir diariamente em sua prática profissional. Os enfermeiros, técnico em enfermagem, devem agir com responsabilidade, compromisso, dignidade, dentre outras competências, apresentando eficiência e capacitação ao exercer sua profissão. Já os artigos 39 a 41, e art. 43 apresentam que é dever do profissional em enfermagem esclarecer ao paciente, família ou acompanhante a situação em que o seu cliente se encontra, os procedimentos a serem feitos nesta situação, deixando-os cientes dos riscos e benefícios que o cliente está correndo, para que em qualquer situação, não haja desentendimentos. Em casos mais específicos, deve haver uma orientação à família no que diz respeito aos cuidados a serem tomados, durante o período de atendimento, no operatório, e pós-operatório. É dever do enfermeiro, transmitir segurança e confiabilidade aos seus clientes e familiares deste. Sendo proibido também o profissionalde enfermagem apresentar qualquer tipo de preconceito, se do contrário, o profissional apresentar conduta preconceituosa, poderá sofrer advertência e punição. Art. 39 Esclarecer à pessoa, família e coletividade, a respeito dos direitos, riscos, benefícios e intercorrências acerca da assistência de Enfermagem. Art. 40 Orientar à pessoa e família sobre preparo, benefícios, riscos e consequências decorrentes de exames e de outros procedimentos, respeitando o direito de recusa da pessoa ou de seu representante legal. Art. 41 Prestar assistência de Enfermagem sem discriminação de qualquer natureza. (p. 06) Art. 43 Respeitar o pudor, a privacidade e a intimidade da pessoa, em todo seu ciclo vital e nas situações de morte e pós-morte (p. 07). No que diz respeito aos cuidados na hora da morte, e após a morte, Marques e Vieira (2007) apresentam que o paciente necessita de uma morte digna, com cuidados essenciais até o último suspiro. Neste caso, o doente tem o direito de estar apresentável, e com a sua higiene bem preservada, na qual o enfermeiro contribui significativamente para mantê-las. Tais autores enfatizam que o doente tem o direito de morrer em paz e de forma digna, na qual estes cuidados essenciais apresentados devem ser demonstrados quando em vida. O Código de Ética deve ser discutido em todos os cursos de formação superior, com vista a formar profissionais competentes e qualificados para exercerem sua profissão no mercado de trabalho (KOERICH; EDMANN, 2010). Já Correia e Melo (2019, p. 07) enfatizam que “para nortear a ação dos profissionais, são elaborados os Códigos de Ética. Esses códigos oferecem elementos para o pensar e agir do profissional diante de si e do outro”. Todo profissional deve ter conhecimento sobre o Código de Ética de sua profissão, pois este, é indispensável para que o profissional tenha conhecimento sobre seus direitos e deveres para com sua equipe de colaboradores, assim como ao atender seus pacientes; o Código de Ética norteia as ações, tomadas de decisões, e até mesmo suas reflexões sobre determinada situação. De acordo com Correia e Melo (2019) o Código de Ética dos Profissionais da Enfermagem foi aprovado pela primeira vez no ano de 1958, entretanto sofreu algumas reformulações nos anos de 1975, 1993, 2000, 2007, e sua última versão no ano de 2017. Todas essas adaptações no decorrer desses anos contribuíram para uma melhor prestação de serviços por parte do profissional em enfermagem, orientando sua conduta no ambiente de trabalho. Dessa forma, torna-se se obrigatório todo enfermeiro (a) ter conhecimento e contribuir para sua efetivação nos hospitais, postos de saúde, e Unidade Básica de Saúde. Qualquer profissional que infringir o Código de Ética dos Profissionais da Enfermagem está sujeito às penalidades, que são consideradas infração leve, moderada, grave e gravíssima. As infrações leves e moderadas são consideradas aquelas que trazem algum dano financeiro ou ao patrimônio, que ofendem a integridade física ou moral, e inclui também difamações a organizações e instituições. Já as infrações graves incluem também os danos morais, patrimoniais e financeiros, entretanto, acrescentam ações que ocasionam risco de morte, perca de membro ou dos sentidos e danos morais irreparáveis (CORREIA, MELO, 2019). E, por fim, as infrações gravíssimas que provocam danos irreparáveis, e até morte. Quanto às penalidades no que diz respeito às infrações de leve a gravíssima, são: advertência verbal, multa, suspensão do exercício da profissão por tempo determinado e até mesmo cassação do direito ao exercício da profissão por até 30 anos (CORREIA, MELO, 2019). O Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem além de ser muito importante para nortear o relacionamento com o cliente/paciente, mas também para orientar um relacionamento de confiança, seguridade e responsabilidade com a família do paciente e demais colegas da equipe de profissionais do seu local de trabalho. Ter uma conduta ética não é fácil de ser aplicada, mas requer esforço de todos os envolvidos no processo de atendimento, para que se alcance a excelência (BARBOSA et al, 2017). Segundo Barbosa et al (2017) o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem surgiu para aperfeiçoar, melhorar cada vez mais a prática profissional do enfermeiro, técnico em enfermagem, e auxiliar de enfermagem, tendo como norte uma conduta ética que não prejudique, nem denigra, ou maltrate qualquer pessoa, seja paciente, ou colega de trabalho. Dessa forma, tais profissionais devem estar constantemente se atualizando e mantendo-se informados sobre o código de ética que rege a sua profissão. 3 ÉTICA NA ENFERMAGEM O profissional de enfermagem deve estar preparado para lidar com cada cliente/paciente a ser atendido, pois cada um carrega as suas individualidades, cada paciente é único, dessa forma, é como se para cada paciente houvesse um atendimento personalizado, pois o enfermeiro precisa acolher a todos os seus pacientes com ética, cuidado, respeito e zelo, atendendo suas respectivas necessidades. Não há uma regra definida para atender aos pacientes, assim, norteado pelo código de ética, o enfermeiro terá uma conduta ética, que possivelmente satisfará os envolvidos nessa relação (FRANÇA, PACHECO, 2011). Leite et al (2009) também apresentam que os enfermeiros devem respeitar a individualidade de cada paciente, tendo em vista o respeito aos seus direitos, atendendo cada qual da melhor maneira possível, como enfatizam tais autores. A enfermagem é uma ciência especial, pois, cuida da recuperação, dando assistência contínua no viver, e em outros casos na morte. Em todas as circunstâncias, seus valores e crenças devem ser respeitados. Em conjunto com os conhecimentos teóricos postos em prática, a ética deve ser o alicerce do profissional em enfermagem. França e Pacheco (2011, p. 4) afirmam que “é fundamental que sejam capazes de prestar cuidados personalizados e apropriados em cada caso particular, ou seja, de gerir os mesmos de modo a que tenham qualidade, sejam eficazes e conduzam à satisfação dos clientes, das famílias e da sociedade em geral”. Tais autores nos trazem ainda uma reflexão importante quanto ao termo cliente, acima citado. Neste caso, os autores apresentam cliente não como alguém que compra um serviço, mas, como uma pessoa que troca algo com outro, experiências, cuidados, dentre outros. Além disso, é necessário que o enfermeiro esteja preparado para lidar com seu cliente em qualquer situação ou momento, e o ensino de ética no curso de enfermagem é responsável pelo sucesso deste profissional, pois esta disciplina é incumbida de preparar o profissional de enfermagem para o mercado de trabalho, sendo ético e competente para prestar seus serviços a saúde pública ou privada, dessa forma, o ensino de ética não pode acontecer de forma apenas teórica, decorada, mas deve acontecer de forma contextualizada com o cotidiano e a realidade deste futuro profissional, e além disso, tais autores abordam que o processo ensino aprendizagem deve ser construído em conjunto: professor e aluno (FRANÇA, PACHECO, 2011). Leite et al (2009) apresentam que o ensino da ética na enfermagem nasceu junto com a criação do curso de Enfermagem, no ano de 1923, no estado do Rio de Janeiro. Na época, isso se deu na Escola de Enfermeiros do Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP), hoje conhecida como Escola Ana Néri. Atualmente, a ética é uma disciplina do curso de enfermagem, que deveria ser obrigatória, entretanto, em alguns cursos, ela ainda é optativa. Pois, a ética contribui para que o enfermeiro tenha uma conduta correta, envolvida de responsabilidade, e comprometimento com seus clientes. Para França e Pacheco (2011) a atuação do enfermeiro envolve três esferas, da qual eles apresentam: prática profissional ética e legal; prestação e gestão de cuidados; e, desenvolvimento profissional. A primeira diz respeito às responsabilidades do enfermeiro, se este presta seusserviços com comprometimento, ética e boa conduta. A segunda esfera diz respeito ao atendimento do enfermeiro ao seu cliente, e também com seus demais colegas de trabalho, ou seja, sua equipe; e a terceira esfera diz respeito à formação do enfermeiro, uma formação continuada, que trarão melhorias ao serviço prestado, ou seja, esta esfera diz respeito à valorização que o enfermeiro dá a sua formação. O paciente em algum momento se sente submisso ao enfermeiro (a), pois necessita de seus cuidados básicos de higiene zelados, assim, por não ter condições físicas de zelar por si mesmo, o enfermeiro (a) presta este serviço ao paciente. Em alguns casos, o paciente sente constrangimento, vergonha, entretanto, compreende a situação em que se encontra. Em casos assim, a situação é delicada, e é necessário respeito, uma conduta ética para com o paciente, para que este não se sinta desrespeitado e nem sua intimidade violada (PUPULIM, SAWADA, 2002). De acordo com Pupulim e Sawada (2002) a enfermagem busca preservar a intimidade do paciente tampando partes do corpo que não é necessário ficar expostas. Para tais autores atitudes assim são de “respeito à individualidade, humildade, tolerância, tranquilidade e solidariedade que podem minimizar o estresse pela doença e internação” (p. 435). Para Marques e Vieira (2007, p. 46) a “atuação dos profissionais de saúde e nomeadamente dos enfermeiros, deve ter sempre por finalidade a proteção da pessoa e a defesa e promoção da sua dignidade”. A enfermagem carrega um zelo, uma responsabilidade pelo cuidado para com o paciente em todos os momentos em que o paciente estiver doentio e até o fim da vida deste, quando em estado terminal. Em concordância com tal afirmação Rosenstock et al (2011) apresentam que [...] Os cuidados de Enfermagem devem ser desenvolvidos com base no respeito pela vida, dignidade e direitos humanos, garantindo a liberdade da pessoa humana e evocando a qualidade da assistência à saúde. A dimensão ética assume grande relevância no processo de tomada de decisão; sua utilização por parte dos enfermeiros nos seus comportamentos profissionais torna-se imprescindível (ROSENSTOCK et al, 2011, p. 730). Muitas das vezes é exigido deste profissional tomada de decisões para intervir no tratamento do doente. Neste momento, o enfermeiro deve ser norteado por princípios éticos que regem sua conduta profissional. Em alguns casos, é o enfermeiro que precisa decidir pela vida do doente que se comprometeu a cuidar, decidir entre mais horas de vida de seu paciente, ou morrer com dignidade, como apresentam Marques e Vieira (2007). Assim como enfatizam também França e Pacheco (2011, p.7) ao afirmarem que “a enfermagem é intensamente íntima e toca as pessoas nos momentos das suas vidas em que estão mais vulneráveis”. Em estudo realizado foi apresentado que boa parte das pessoas internadas possui faixa etária de idade ativa, ou seja, possuem responsabilidades, compromissos financeiros, muitos são genitores, pais de família, assim, dependendo do tempo de internamento, seu estado de saúde afeta ou atrapalha seus compromissos deixando-o ainda mais em situação de vulnerabilidade. Dessa forma, o relacionamento do enfermeiro com seu paciente nessa situação, podem contribuir significativamente para que o doente tenha uma boa recuperação voltando a assumir seus compromissos na sociedade (NASCIMENTO et al, 2015). O processo de internação, assim como o ambiente hospitalar é motivo de muito estresse para o paciente, principalmente porque ele se sente incapaz, e para a restauração de sua saúde depende dos cuidados de outra pessoa, que muitas das vezes é um desconhecido. A internação é um momento de fragilidade do doente, e para tanto, requer cuidados essenciais por parte do profissional em enfermagem, devendo ter respeito, e competências éticas para com seu paciente, demonstrando zelo e importância para que este restaure sua saúde. Dessa forma, vê-se uma grande exigência para com o enfermeiro, que deve exercer sua profissão com o máximo de excelência, embora não seja fácil, por lidar com um público diversificado na qual cada paciente é único (COSTA et al, 2014). Além destes aspectos, Nascimento et al (2015) enfatizam que com o decorrer dos anos tivemos uma grande evolução tecnológica que beneficiou significativamente a área da saúde, pois esta área teve muitos avanços, principalmente no que diz respeito a alguns tratamentos. Dentre alguns avanços que tivemos com a evolução tecnológica tais autores apresentam “transplante de órgãos, inseminação artificial in vitro, terapia genética”, para tanto, uma conduta ética deve levar também ao pensamento crítico de levar o profissional a pensar até onde isso é aceitável (NASCIMENTO et al, 2015, p. 125). Uma conduta ética deve ser exercida em todo e qualquer momento do exercício da profissão, independente da situação em que o paciente se encontrar. O agir ético contribui para que o doente tenha um atendimento digno, o que é direito de todo cidadão. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao término deste estudo podemos averiguar que os objetivos deste estudo foram alcançados. Pois, abordamos de forma clara e objetiva o conceito de ética e a importância desta na sociedade e no exercício da profissão. Dessa forma, pode-se afirmar que a ética é de fundamental importância para a nossa sociedade. Pois, contribui para que tenhamos uma conduta correta, baseada em valores e princípios da sociedade. Por meio deste estudo, espera-se melhorar a minha prática profissional enquanto exercer a profissão de enfermeira, e que este estudo contribua na formação de demais profissionais. Esclarecendo com base no Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, os princípios e valores da nossa sociedade que regem uma boa conduta profissional. E assim, que cada vez, mais estudos possam ser desenvolvidos sobre esta temática incentivando as melhorias e a excelência na prestação de serviços na área da saúde. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARBOSA, Mayara Lima. Et al. Conhecimento de profissionais de enfermagem sobre o código de ética que rege a profissão. Rev. Baiana de enferm. 2017. 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