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instituto da busca e apreensão no processo penal é procedimento de natureza eminentemente 
cautelar, com previsão na Constituição Federal e no Código de Processo Penal, sendo medida 
restritiva de direitos individuais com o objetivo de acautelamento: i) de material probatório ne-
cessário à prova da infração ou à defesa do réu; ii) de coisa, de animais e até de pessoas que não 
estejam ao alcance espontâneo da justiça� A doutrina ainda considera a natureza jurídica da busca 
e apreensão como meio de prova, por constar no Título VII, Capítulo XI, do CPP, motivo pelo 
qual alguns também a consideram o instituto de natureza jurídica mista� É medida excepcional 
por implicar tanto a quebra da inviolabilidade do domicílio, quanto a inviolabilidade pessoal, em 
face das garantias constitucionais previstas no art� 5�º, incisos e X e XI, da Constituição Federal� 
(Art� 5�º, X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegu-
rado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; XI – a casa 
é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, 
salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por de-
terminação judicial)� Tal característica, ou seja, a excepcionalidade, em face das garantias cons-
titucionais em comento, traz em consequência a jurisdicionalidade, que impõe seja a medida 
analisada previamente pelo Poder Judiciário, podendo ser realizada em fase inquisitorial, antes 
ou durante o inquérito e em fase processual, ou seja, durante a instrução do processo� Nos termos 
do art� 240 e seguintes do Código de Processo Penal, a busca poderá ser domiciliar ou pessoal, 
entendendo-se a primeira como aquela realizada em residência, bem como em qualquer compar-
timento habitado, ou aposento ocupado de habitação coletiva ou em compartimento não aberto 
ao público, no qual alguém exerça profissão ou atividade� A busca pessoal é aquela realizada na 
própria pessoa, em contato direto com o corpo humano ou pertences íntimos ou exclusivos do 
indivíduo, como bolsas, malas e veículos�
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Lei do Direito Autoral nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998: Proíbe a reprodução total ou parcial desse material ou divulgação com 
fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na Internet, sem autorização do AlfaCon Concursos Públicos.
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2) Os requisitos indispensáveis para a execução da busca domiciliar são: a) Ordem judicial escrita e 
fundamentada; b) Indicação precisa do local, dos motivos e da finalidade da diligência; c) Cum-
primento da diligência durante o dia, salvo se o morador consentir que seja realizada à noite; 
d) A qualquer hora do dia ou da noite, independentemente de mandado judicial ou consenti-
mento do morador, por ocasião de flagrante delito� Já a busca pessoal não depende de autoriza-
ção judicial para o seu cumprimento, mas apresenta como requisito essencial e indispensável a 
fundada suspeita de que o indivíduo porte consigo ou em seus pertences armas, instrumentos do 
crime, objetos necessários à prova do fato delituoso, entre outros� É também legalmente autoriza-
da quando determinada no curso da busca domiciliar (art� 244 do CPP)�
3) Em se tratando de busca pessoal e havendo fundadas razões para a execução da diligência, esta 
poderá ser realizada a qualquer hora do dia ou da noite, porquanto independe de autorização 
judicial nesse sentido; todavia, tratando-se de busca domiciliar, esta somente se dará no horário 
noturno se for consentida pelo morador� Não havendo consentimento deste, a diligência somente 
poderá ser executada durante o dia�
4) Conforme dito alhures, no decorrer da busca e apreensão domiciliar, a legislação processual penal 
autoriza a busca pessoal, independentemente de ordem judicial, o que se estende aos objetos perten-
centes à pessoa, a exemplo de bolsas e veículos (automóvel, bicicleta, motocicleta etc�)� Se a medida 
mais gravosa, que é a violação do domicílio, conta com a ordem judicial, seria de todo improcedente 
que o exequente da ordem não pudesse revistar as pessoas e os seus pertences encontrados no local�
 → Obs.: Artigos de lei ou do CPP não citados neste padrão de resposta poderão ser considerados para fins 
argumentativos da questão, desde que não contrariem o quanto exigido pela Banca Examinadora�
Proposta 2
João foi indiciado em inquérito policial (IP), e, no curso deste, o juiz competente, de ofício, 
decretou a prisão temporária do dito indiciado� Para defender seus interesses, João constituiu um 
advogado que, na primeira oportunidade, requereu ao delegado de polícia responsável acesso a todos 
os elementos de prova no curso do IP, para permitir a ampla defesa de seu cliente, de modo a se 
garantir, assim, o devido processo legal�
Acerca da situação hipotética acima apresentada e do IP, redija um texto dissertativo que atenda, 
de modo fundamentado, às determinações e aos questionamentos seguintes�
1) Apresente o conceito e a finalidade do IP� [valor: 2,00 pontos]
2) Descreva as características do IP� [valor: 4,00 pontos]
3) Comente sobre o valor probatório do IP� [valor: 2,00 pontos]
4) A instauração de IP é indispensável? [valor: 2,00 pontos]
5) Na situação considerada, a prisão temporária de João, nos moldes em que foi decretada — de 
ofício — foi legal? [valor: 4,00 pontos]
6) Na situação considerada, há fundamento legal para o direito de acesso do defensor de João aos 
elementos de prova no curso do IP? Em sua resposta, destaque o entendimento do Supremo 
Tribunal Federal a respeito� [valor: 5,00 pontos]
Padrão de Resposta
1) Conceito e finalidade do inquérito policial (IP): é o conjunto de diligências realizadas pela polícia 
judiciária para a apuração de uma infração penal e de sua autoria, a fim de que o titular da ação 
penal possa ingressar em juízo� (art� 4�º do CPP: “A polícia judiciária será exercida pelas auto-
ridades policiais no território de suas respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das 
infrações penais e da sua autoria”)� O IP é, portanto, procedimento administrativo inquisitório 
e preparatório que consiste no referido conjunto de diligências� A finalidade do IP é a apuração 
de fato que configure infração penal e a respectiva autoria para servir de base à ação penal ou às 
providências cautelares, ou seja, possibilitar que o titular da ação penal possa ingressar em juízo�
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2) Características do IP: o IP é procedimento escrito, sigiloso e inquisitivo, marcado pela oficia-
lidade, oficiosidade, autoritariedade e indisponibilidade� Outras características que podem ser 
apontadas são sua discricionariedade e temporariedade�
3) Valor probatório do IP: o IP tem conteúdo informativo e valor probatório relativo, haja vista que os 
elementos de informação não são colhidos sob a égide do contraditório e da ampla defesa� (artigo 155 
do CPP: “O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório 
judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos 
na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas”)�
4) Indispensabilidade do IP: o IP não é uma fase obrigatória da persecução penal, podendo ser dis-
pensado se já houver informações sobre o fato e a autoria, indicando o tempo, o lugar e os elemen-
tos de convicção (artigo 12 do CPP: “O inquérito policial acompanhará a denúncia ou queixa, 
sempre que servir de base a uma ou outra; Art� 27� Qualquer pessoa do povo poderá provocar 
a iniciativa do Ministério Público, nos casos em que caiba a ação pública, fornecendo-lhe, por 
escrito, informações sobre o fato e a autoria e indicando