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1 Disciplina: Avaliação Educacional Autora: D.ra Jezuina Kohls Schwanz Revisão de Conteúdos: M.e Leandra Martins Designer Instrucional: Sérgio Antonio Zanvettor Júnior Revisão Ortográfica: Esp. Juliano de Paula Neitzki Ano: 2019 Copyright © - É expressamente proibida a reprodução do conteúdo deste material integral ou de suas páginas em qualquer meio de comunicação sem autorização escrita da equipe da Assessoria de Marketing da Faculdade UNINA. O não cumprimento destas solicitações poderá acarretar em cobrança de direitos autorais. 2 Jezuina Kohls Schwanz Avaliação educacional 1ª Edição 2019 Curitiba, PR Faculdade UNINA 3 Faculdade UNINA Rua Cláudio Chatagnier, 112 Curitiba – Paraná – 82520-590 Fone: (41) 3123-9000 Coordenador Técnico Editorial Marcelo Alvino da Silva Conselho Editorial D.r Alex de Britto Rodrigues / D.ra Diana Cristina de Abreu / D.r Eduardo Soncini Miranda / D.ra Gilian Cristina Barros / D.r João Paulo de Souza da Silva / D.ra Marli Pereira de Barros Dias / D.ra Rosi Terezinha Ferrarini Gevaerd / D.ra Wilma de Lara Bueno / D.ra Yara Rodrigues de La Iglesia Revisão de Conteúdos Leandra Martins Designer Instrucional Sérgio Antonio Zanvettor Júnior Revisão Ortográfica Juliano de Paula Neitzki Desenvolvimento Iconográfico Juliana Emy Akiyoshi Eleutério FICHA CATALOGRÁFICA SCHWANZ, Jezuina Kohls. Avaliação educacional / Jezuina Kohls Schwanz. – Curitiba: Faculdade UNINA, 2019. 93 p. ISBN: 978-65-86092-10-3 1. Avaliação. 2. Pedagogia Tradicional. 3. Taxonomia de Bloom. Material didático da disciplina de Avaliação Educacional – Faculdade UNINA, 2019. Natália Figueiredo Martins – CRB 9/1870 4 PALAVRA DA INSTITUIÇÃO Caro(a) aluno(a), Seja bem-vindo(a) à Faculdade UNINA! Nossa faculdade está localizada em Curitiba, na Rua Cláudio Chatagnier, n. 112, no Bairro Bacacheri, criada e credenciada pela Portaria n. 299 de 27 de dezembro 2012, oferece cursos de Graduação, Pós-Graduação e Extensão Universitária. A Faculdade assume o compromisso com seus alunos, professores e comunidade de estar sempre sintonizada no objetivo de participar do desenvolvimento do País e de formar não somente bons profissionais, mas também brasileiros conscientes de sua cidadania. Nossos cursos são desenvolvidos por uma equipe multidisciplinar comprometida com a qualidade do conteúdo oferecido, assim como com as ferramentas de aprendizagem: interatividades pedagógicas, avaliações, plantão de dúvidas via telefone, atendimento via internet, emprego de redes sociais e grupos de estudos, o que proporciona excelente integração entre professores e estudantes. Bons estudos e conte sempre conosco! Faculdade UNINA 5 Sumário Prefácio........................................................................................................ 08 Aula 1 – A avaliação do processo de ensino-aprendizagem ........................ 09 Apresentação da Aula 1 ............................................................................... 09 1.1 - Avaliação: natureza, concepções e procedimentos ...................... 09 1.2 - O que é avaliação? ....................................................................... 10 1.3 - Conceitos de avaliação ................................................................. 13 1.4 - A avaliação e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 14 Conclusão da aula 1 .................................................................................... 17 Aula 2 – A Avaliação da aprendizagem ao longo da história ........................ 18 Apresentação da aula 2 ............................................................................... 18 2.1 - Breve história da avaliação educacional ....................................... 18 2.2 - Avaliação educacional no Brasil: breve histórico ........................... 22 2.3 - Avaliação educacional: contextos atuais ....................................... 25 Conclusão da aula 2 .................................................................................... 26 Aula 3 – Tipos de avaliação de aprendizagem ............................................. 27 Apresentação da aula 3 ............................................................................... 27 3.1 - Retomando a discussão sobre avaliação ..................................... 27 3.2 - A avaliação ao longo da história, avaliação tradicional ................ 28 3.3 - Avaliação Escolanovista ............................................................... 29 3.4 - Avaliação Tecnicista ..................................................................... 30 3.5 - Tipos de avaliação ........................................................................ 31 3.5.1 - Avaliação Diagnóstica ............................................................... 31 3.5.2 - Avaliação Formativa .................................................................. 34 3.5.3 - Mas o que é avaliação formativa emancipatória? ...................... 35 3.5.4 - Avaliação Somativa ................................................................... 36 Conclusão da aula 3 .................................................................................... 38 Aula 4 – Procedimentos e instrumentos técnico-metodológicos em educação ..................................................................................................... 39 Apresentação da aula 4 ............................................................................... 39 4.1 - Reflexões sobre os instrumentos avaliativos ................................ 39 4.2 - A pedagogia dos testes no Brasil .................................................. 41 4.3 - Provas dissertativas, objetivas ou orais ........................................ 42 4.4 - Trabalho em grupo ....................................................................... 42 4.5 - Relatório (individual ou em grupo) e ensaios ................................ 43 6 4.6 - Aula expositiva dialogada ............................................................. 44 4.7 - Seminário e portfólio ..................................................................... 44 4.8 - Autoavaliação ............................................................................... 46 4.9 - Discussão por meios informatizados: redes sociais, Blogs, Chats 46 Conclusão da aula 4 .................................................................................... 47 Aula 5 – Sistemas de avaliação da educação no Brasil ............................... 48 Apresentação da aula 5 ............................................................................... 48 5.1 - Para que avaliar a educação? ...................................................... 48 5.2 - Níveis sociológicos da avaliação .................................................. 49 5.3 - Avaliação institucional da escola .................................................. 50 5.4 - Abordagens teórico-metodológicas da autoavaliação da escola 53 5.5 - Como se dá o processo de autoavaliação da escola? ................... 54 Conclusão da aula 5 .................................................................................... 56 Aula 6 – Avaliações externas ou avaliações em larga escala ...................... 57 Apresentação da aula 6 ............................................................................... 57 6.1 - Avaliação em larga escala retrospectiva ....................................... 57 6.2 - O Sistema deAvaliação da Educação Básica (SAEB) .................. 59 6.3 - Participação do Brasil em sistemas internacionais de avaliação 51 6.4 - O Plano Nacional de Educação (PNE) .......................................... 64 Conclusão da aula 6 .................................................................................... 67 Aula 7 – O Exame Nacional do Ensino Médio - ENEM ................................. 68 Apresentação da aula 7 ............................................................................... 68 7.1 - Exame Nacional do Ensino Médio: contexto histórico ................... 68 7.2 - Das provas .................................................................................... 70 7.3 - Reestruturação necessária ........................................................... 73 7.4 - Os reflexos do ENEM na Educação Básica ................................... 76 Conclusão da aula 7 .................................................................................... 77 Aula 8- A avaliação como ferramenta para a melhoria da educação ............ 78 Apresentação da aula 8 ............................................................................... 78 8.1 - O diagnóstico não é garantia de uma educação de qualidade .... 78 8.2 - Mas afinal, em que estamos errando? .......................................... 80 8.3 - A influência da mídia e a divulgação dos resultados ..................... 81 8.4 - Qualidade educacional X resultados ............................................. 84 8.5 - Como mudar essa realidade? ....................................................... 86 8.6 - O papel do professor em meio às mudanças ................................ 87 Conclusão da aula 8 .................................................................................... 88 7 Índice Remissivo ......................................................................................... 89 Referências ................................................................................................. 92 8 Prefácio Estamos dando início à disciplina de Avaliação Educacional, na qual, por intermédio de nossos encontros virtuais, buscaremos estabelecer uma relação dialógica (com o texto), com a convicção de que a educação a distância tem se apresentado como uma modalidade de ensino capaz de levar uma educação de qualidade a um número cada vez maior de pessoas. Dessa forma, você terá, ao longo desta disciplina, contato com diferentes autores e conceitos a respeito da Avaliação Educacional. 9 Aula 1 – A avaliação do processo de ensino-aprendizagem Apresentação da aula 1 Olá, alunos! Esta é a nossa primeira aula da disciplina de Avaliação Educacional, em que vamos estudar o conceito de avaliação, como ela pode auxiliar nos processos de ensino e aprendizagem e quais são seus objetivos, nos ajudando a compreender sua importância na formação dos sujeitos e na prática dos professores, para que possam acompanhar os processos de construção do conhecimento dos seus educandos. Vamos lá! 1.1 Avaliação: natureza, concepções e procedimentos O ser humano está condenado a escolher. Nossa ação fundamenta-se em juízos de valor sobre o mundo que nos cerca: a natureza, a sociedade em que vivemos o futuro a ser vivido, as relações com as pessoas, as vivências. Assumimos posições. Aceitamos e lutamos por alguma coisa quando a avaliamos positivamente, assim como rejeitamos outra, quando atribuímos a ela um valor negativo. O ser humano é um ser que avalia. Em todos os instantes da sua vida (dos mais simples aos mais complexos) ele está tomando posição, manifestando-se como não neutro (LUCKESI, 2003, p.106). A avaliação educacional compõe uma parte importante dos processos de ensino-aprendizagem nos sistemas educacionais, já que ajuda na investigação dos aprendizados dos estudantes e também na prática do professor, que por meio dela pode realizar a análise do seu trabalho docente. É sobre a avaliação educacional que vamos estudar agora. Primeiro vamos discutir o que é avaliação e para que ela serve. Para isso, vamos pensar a partir de sua história e principais perspectivas dentro das correntes teóricas da educação. Depois, vamos estudar algumas concepções a partir dos conceitos mais utilizados pelos autores que estudam as práticas avaliativas e a educação. Em seguida, vamos analisar os procedimentos mais comuns que são utilizados para a realização da avaliação educacional. 10 1.2 O que é avaliação? Avaliação Fonte: https://colegioarquimedes.com.br/wp-content/uploads/2018/05/test-926x480.jpg Vamos começar a pensar sobre a avaliação educacional a partir da pergunta: o que é avaliação? A avaliação educacional é uma das partes que compõem processos de ensino-aprendizagem dos estudantes, já que é por intermédio dela que o professor pode realizar uma análise dos conteúdos, os quais ele trabalhou em sua disciplina. É uma das tarefas didáticas que se faz necessária e que é permanente para o trabalho do professor e também para o desenvolvimento do conhecimento dos estudantes. Sendo assim, é a partir das avaliações que os resultados podem ser medidos, comparados e recuperados no decorrer dos trabalhos durante a execução da matéria, em conjunto com professores e alunos, considerando-se quais são os objetivos propostos, os avanços, dificuldades e, dessa forma, orientar e organizar o trabalho para que se façam as correções necessárias. Existe uma forte concepção valorativa na palavra “avaliação” que determina toda ação do sistema educacional. Conforme Casali (2007, p.10), a avaliação: [...] de modo geral, como saber situar cotidianamente, em umacerta ordem hierárquica, o valor de algo enquanto meio (mediação) para a realização da vida do(s) sujeitos(s) em questão, no contexto dos valores culturais e, no limite, dos valores universais. Outra função importante da avaliação educacional é a de ajudar os professores nos processos de reflexão sobre a prática pedagógica. Segundo Tardif (2002), os professores, no exercício de suas funções e na prática de sua 11 profissão, desenvolvem saberes específicos baseados em seu trabalho cotidiano e no conhecimento de seu meio. As experiências proporcionam novos saberes à formação docente e os conhecimentos adquiridos nesse contexto são parâmetros para julgar sua formação. Os saberes constituem a cultura docente, pois poderão se transformar em estilo de ensino, até mesmo parte da personalidade profissional, e se manifestam por meio de um “saber fazer” e de um “saber ser”, pessoais e profissionais legitimados pelo trabalho cotidiano. Nesse sentido, a avaliação educacional entra como uma importante ferramenta para a formação dos professores, de suas práticas e como fundamental mecanismo de reflexão dos docentes sobre sua ação profissional, podendo fazer com que eles possam desenvolver suas ou outras habilidades que podem contribuir para uma melhoria do seu papel enquanto formador. Quando pensamos o que é avaliação, ainda realizamos a analogia com as provas, notas e reprovações dos alunos. Mas de onde vem a palavra avaliar? Vocabulário Avaliar: significa calcular ou determinar o valor, o preço ou o merecimento de; reconhecer a intensidade, a força de; fazer o cômputo de; calcular, computar, orçar; supor previamente; julgar segundo certas probabilidades; pressupor, presumir. A palavra “avaliar” tem sua origem no latim; com a junção de “a + valare” temos “avalere”, que significa "dar valor a". Já o conceito "avaliação" pode ter o significado de "atribuição de um valor ou qualidadea alguma coisa", podendo ter sentido de “posicionamento positivo ou negativo em relação ao objeto, ato ou curso de ação avaliado”. A seguir, podemos ver o que diz Libâneo (1994) a respeito da avaliação: [...] um componente do processo de ensino que visa, por meio da verificação e qualificação dos resultados obtidos, determinar a correspondência destes com os objetivos propostos e, daí, orientar a tomada de decisões em relação às atividades didáticas seguintes (LIBÂNEO, 1994, s/p). 12 Avaliar exige critérios estabelecidos e objetivos bem definidos, e dessa forma ela poderá ser direcionada para um processo ou um resultado de uma situação, atividade ou um dado específico, levando em consideração o contexto em que ela será realizada. É nesse sentido que a avaliação educacional deve estar inserida. A avaliação educacional exige um exercício de olhar o passado para compreender o presente, nesse sentido, conforme diz Luckesi (1995, p. 43): “enfim, terá de ser o instrumento do reconhecimento dos caminhos percorridos e da identificação dos caminhos a serem perseguidos”. Os professores precisam compreender que, como parte do processo de ensino-aprendizagem, a avaliação deve ser realizada continuamente, de maneira sistemática na escola, a fim de diagnosticar o nível de aprendizado dos discentes, como eles se relacionam com os conteúdos desenvolvidos que fazem parte dos currículos e das disciplinas, assim como a investigação, o questionamento e a busca das possíveis dificuldades que os educandos podem apresentar no decorrer das aulas. Nos processos de avaliação, podemos considerar que existem duas figuras principais: professores e estudantes. Os professores precisam identificar exatamente o que os alunos querem, colocando-se no lugar de parceria, abrindo possibilidade para que exista discussão dos critérios de avaliação coletivamente, o que pode fazer com que os resultados nos processos avaliativos sejam melhores, podendo fazer com que a aprendizagem seja realizada de maneira mais eficaz. Saiba mais Luckesi, em entrevista à Revista Nova Escola, em janeiro de 2009, lembra que a boa avaliação envolve três passos: saber o nível atual de desempenho do aluno (etapa também conhecida como diagnóstico); comparar essa informação com aquilo que é necessário ensinar no processo educativo (qualificação); tomar as decisões que possibilitem atingir os resultados esperados (planejar atividades, sequências didáticas ou projetos de ensino, com os respectivos instrumentos avaliativos para cada etapa). Disponível no link: https://nova escola.org.br/conteudo/356/a-avaliacao-deve-orientar-a-aprendizagem 13 1.3 Conceitos de Avaliação Agora que já falamos um pouco sobre o que é avaliação e para que ela deve servir, vamos conhecer alguns conceitos importantes dos principais estudiosos do tema. Para Pedro Demo (1999): Refletir é também avaliar, e avaliar é também planejar, estabelecer objetivos etc. Daí os critérios de avaliação, que condicionam seus resultados estejam sempre subordinados a finalidades e objetivos previamente estabelecidos para qualquer prática, seja ela educativa, social, política ou outra (DEMO, 1999, p.01). Já Libâneo (1994), nos diz que a avaliação é: Uma tarefa didática necessária e permanente do trabalho docente, que deve acompanhar passo a passo o processo de ensino-aprendizagem. Por meio dela, os resultados que vão sendo obtidos no decorrer do trabalho conjunto do professor e dos alunos são comparados com os objetivos propostos, a fim de constatar progressos, dificuldades, e reorientar o trabalho para as correções necessárias. A avaliação é uma reflexão sobre o nível de qualidade do trabalho escolar tanto do professor como dos alunos. Os dados coletados no decurso do processo de ensino, quantitativos ou qualitativos, são interpretados em relação a um padrão de desempenho e expressos em juízos de valor (muito bom, bom, satisfatório etc.) acerca do aproveitamento escolar. A avaliação é uma tarefa complexa que não se resume a realização de provas e atribuição de notas. A mensuração apenas proporciona dados que devem ser submetidos a uma apreciação qualitativa. A avaliação, assim, cumpre funções pedagógico-didáticas, de diagnóstico e de controle em relação às quais se recorrem a instrumentos de verificação do rendimento escolar (LIBÂNEO, 1994, p. 195). Conforme Sordi (1995), a avaliação deve ser dinâmica, fazendo com que o professor e estudante assumam seus papéis de maneira cooparticipativa, pelo diálogo e o respeito, estando ambos comprometidos com a construção dos conhecimentos e com a formação profissional de qualidade, sendo esse um ato político que expressa as concepções de homem-mundo-educação. Nesse sentido, Paulo Freire (2001, s/p) diz que: A avaliação é a mediação entre o ensino do professor e as aprendizagens do professor e as aprendizagens do aluno, é o fio da comunicação entre formas de ensinar e formas de aprender. É preciso considerar que os alunos aprendem diferentemente porque têm histórias de vida diferentes, são sujeitos históricos, e isso condiciona sua relação com o mundo e influencia sua forma de aprender. Avaliar, então é também buscar informações sobre o aluno, sua vida, sua comunidade, sua família, seus sonhos [...], é conhecer o sujeito e seu jeito de aprender. 14 Moacir Gadotti (1990) nos diz que a avaliação é essencial às práticas educacionais, sendo inerente e indissociável enquanto concebida como problematização, questionamento, reflexão, sobre a ação, fazendo-se necessária para que se possa refletir, questionar e transformar, ou apenas, formar o fazer pedagógico. Já Jussara Hoffmann (1993), nos mostra que as avaliações são ações provocativas do professor, desafiando o estudante a refletir sobre as suas experiências de vida, formulando e reformulando hipóteses, fazendo com que a partir desse processo ele seja direcionado para um saber enriquecido. O objetivo da avaliação deve principalmente alcançar uma aprendizagem que seja significativa para os estudantes e que seja capaz de promover seu desenvolvimento integral. A avaliação deve ser baseada em aspectos que ultrapassem os conceitos puramente científicos, fazendo com que a construção do conhecimento dos estudantes vá além de apenas uma classificação em categorias conceituais, buscando sempre pela qualidade de formação cidadã dos educandos. Sendo assim, as aprendizagens exigem uma permanente e sistemática reorientação das atividades docentes e de suas práticas avaliativas, buscando qualificar o processo, garantindo, para além de um padrão válido, um elemento que visa construir o conhecimento. Nesse sentido, Luckesi (1998) nos diz que: A avaliação só pode funcionar efetivamente em um trabalho educativo com estas características. Sem esta perspectiva dinâmica de aprendizagem para o desenvolvimento, a avaliação não terá espaço; terá espaço, sim, a verificação, desde que ela só dimensione o fenômeno sem encaminhar decisões. A avaliação implica a retomada do curso de ação, se ele não tiver sido satisfatório, ou a sua reorientação, caso esteja se desviando (LUCKESI, 1998, p.80). 1.4 A Avaliação e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Já sabemos alguns dos principais conceitos de avaliação, agora vamos pensar o que a lei nos diz sobre como realizá-la. Para isso, vamos utilizar a Lei de Diretrizes de Bases da Educação Nacional, LDB 9394/96. Vale lembrar que a LDB é uma lei que determina as diretrizes que as escolas e a educação devem seguir para se orientar, sendo assim, ela é geral e não dá conta das diferentes realidades que encontramos nos sistemas 15 educacionais brasileiros, que são muito variados, de acordo com as regiões e os contextos sociais de cada uma delas. Dessa forma, a LBD trata as questões da educação de uma maneira ampla e queas peculiaridades e detalhamentos dos sistemas de ensino são objeto para a resolução de pareceres, decretos, portarias e resoluções, que dão orientação de maneira mais específica. Dito isso, a LBD traz uma discussão sobre o que é a avaliação. No Artigo 13, ela aponta: Os docentes incumbir-se-ão de: I – participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino; II – elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino; III - zelar pela aprendizagem dos alunos; IV – estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento; V – ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento profissional; VI – colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade. (LDB, 9394/96). Das atribuições previstas aos professores, destacamos duas delas que são: III - zelar pela aprendizagem dos alunos e IV - estabelecer estratégias de recuperação para os entudantes com menos rendimento. Pensando a partir dessas atribuições, a Lei contribui para que possam existir novos olhares sobre os princípios e as maneiras de avaliar os processos de ensino e aprendizagem, o que se confirma no que está disposto no Artigo 24, que versa sobre a educação básica. No artigo 24, que dispõe sobre a educação básica nos níveis fundamentais e médio, temos as seguintes regras a respeito da classificação por séries ou etapa, que devem ser feitas mediante: II - A classificação em qualquer série ou etapa, exceto a primeira do ensino fundamental, pode ser feita: a) por promoção, para alunos que cursaram, com aproveitamento, a série ou fase anterior, na própria escola; b) por transferência, para candidatos procedentes de outras escolas; 16 c) independentemente de escolarização anterior, mediante avaliação feita pela escola, que defina o grau de desenvolvimento e experiência do candidato e permita sua inscrição na série ou etapa adequada, conforme regulamentação do respectivo sistema de ensino (LDB, 9394/96). Nos parágrafos III e IV, ainda a respeito das avaliações segue a resolução: III - nos estabelecimentos que adotam a progressão regular por série, o regimento escolar pode admitir formas de progressão parcial, desde que preservada a sequência do currículo, observadas as normas do respectivo sistema de ensino; IV - poderão organizar-se classes, ou turmas, com alunos de séries distintas, com níveis equivalentes de adiantamento na matéria, para o ensino de línguas estrangeiras, artes, ou outros componentes curriculares; (LDB, 9394/96). Conforme podemos observar, a LDB aponta alguns caminhos a serem seguidos por cada estabelecimento educacional, desde que sigam alguns critérios pré-estabelecidos na legislação. O Parágrafo V traz os critérios que devem ser observados para a verificação do rendimento escolar dos estudantes, são eles: a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais; b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar; c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado; d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito; e) obrigatoriedade de estudos de recuperação, de preferência paralelos ao período letivo, para os casos de baixo rendimento escolar, a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos; (LDB, 9394/96). Pensando a partir das colocações da LDB, podemos considerar que a participação dos professores, de maneira efetiva, nas escolas, engloba a organização dos projetos escolares e também da organização da gestão da escola, como a participação na construção dos Projetos Políticos Pedagógicos, já que esse documento também vai prever as concepções de educação da 17 instituição, e assim qual a função que a avaliação deve cumprir. Nesse sentido, Luckesi nos diz que: A avaliação da aprendizagem escolar adquire seu sentido na medida em que se articula com um projeto pedagógico e com seu projeto de ensino. No caso que nos interessa, a avaliação subsidia decisões a respeito da aprendizagem dos educandos, tendo em vista garantir a qualidade do resultado que estamos construindo. Por isso, não pode ser estudada, definida e delineada sem um projeto que a articule (LUCKESI, 1998, p. 1). Luckesi (1998) aponta para um fator de extrema relevância quando o assunto é a avaliação da aprendizagem: que tipo de aprendizagem estamos buscando e o que queremos com a avaliação dos estudantes. Nesse sentido é de fundamental importância que essas questões sejam amplamente debatidas na construção do Projeto Político-Pedagógico de cada instituição, a fim de que todos possam colaborar para a construção do conhecimento. Reflita De acordo com o que estudamos até o final da primeira aula, qual seria um conceito de avaliação adequado em sua opinião? Mídias Para saber mais sobre avaliação da aprendizagem, sugiro o vídeo Cipriano Luckesi: Avaliação da aprendizagem escolar - componente do ato pedagógico, disponível no endereço: https://www.youtube.com/watch?v=RhkPt52tSUI Conclusão da aula 1 Chegamos ao final da nossa primeira aula e podemos perceber que existem várias perspectivas sobre a avaliação educacional. Cada autor elaborou um conceito sobre o que significa avaliação e como deve ser esse processo. Para os trabalhadores em educação, em especial os professores, é necessário saber qual o objetivo a ser atingido ao final da aprendizagem dos estudantes https://www.youtube.com/watch?v=RhkPt52tSUI 18 para poder saber como será realizada a avaliação, que será tanto dos seus estudantes, como também de sua própria prática. Atividade de aprendizagem Considerando nossos estudos a partir da aula 1, cite 3 objetivos que a avaliação da aprendizagem deve levar em conta. Justifique sua escolha. Aula 2 – A Avaliação da aprendizagem ao longo da história Apresentação da aula 2 Olá, aluno! Nesta aula, vamos estudar qual a história dos processos avaliativos na educação e como chegamos a alguns conceitos já estudados na primeira aula, ou seja, como eles se desenvolveram historicamente, acompanhando as transformações dos sistemas educacionais até a atualidade. 2.1 Breve história da avaliação educacional A nossa sociedade passou e ainda passa por muitas transformações. Nos modos de pensar, de conviver, de educar e também de avaliar. Desde o início dos tempos, em algumas sociedades ou tribos, os jovens, por exemplo, só passaram a ser considerados adultos depois de serem aprovados em alguma avaliação, teste ou prova sobre os seus conhecimentos, usos e costumes (SOEIRO; AVELINE, 1982). 19 Acertos e erros Fonte: https://petpedufba.files.wordpress.com/2015/11/216.jpg Chineses e gregos, há muitos anos, já estabeleciam critérios para escolher as pessoas que assumiriam determinados trabalhos ou papéis na sociedade. Na China, por exemplo, em função desses sistemas de seleção, qualquer cidadão poderia alcançar um posto de poder e destaque, isso em 360 antes de Cristo. Sócrates, na Grécia, dizia: “conhece-te a ti mesmo”, como requisito para se chegar à verdade. Já nas Universidades da Idade Média, o objetivo era formar professores, sendo assim, os estudantes precisavam ser aprovados em um exame para poder ensinar. E para serem doutores precisavam defender uma tese (SOEIRO; AVELINE, 1982). Esses aspectos avaliativos ainda hoje são observados em grande parte das Universidades espalhadas pelo mundo. As avaliações, como os exames escolares, da maneira que conhecemos nos dias de hoje, começaram a ser organizadas em meados doSéculo XVI. Já em meados do século XVII, os jesuítas escreveram um documento que foi chamado de Ratio atque Institutio Studiorum Societatis Jesu (Ordenamento e Institucionalização dos Estudos na Sociedade de Jesus). Tal documento foi publicado em 1599 e ficou conhecido por Ratio Studiorum. Ele orientava como as escolas jesuítas deveriam administrar suas práticas pedagógicas, e dentre 20 outras orientações instruía como os estudantes deveriam ser avaliados ao final de cada ano. De acordo com Luckesi (1998), esse documento descreve as normas de como devem ser realizadas as provas: Os alunos não poderão pedir ajuda aos seus colegas nem ao professor; Não poderão sentar-se juntos, para evitar cópia das respostas; A prova terá um tempo pré-estabelecido; Não será estendido esse tempo. Reflita Vocês não acham essas normas dos jesuítas parecidas com o que ainda vimos nas nossas escolas e universidades? Comenius, um bispo protestante no século XVII, publicou um livro chamado Didática Magna: tratado da arte Universal de ensinar tudo a todos. Na pedagogia de Comenius, ele insiste que a ação do professor deve ser o centro da educação, e o uso de exames deve ser um meio para estimular o aprendizado dos alunos, bem como sua produção intelectual. Na sua Didática Magna, argumentava que: [...] o aluno não deixaria de se preparar para exames finais do curso superior se soubesse que o exame para colação de grau seria pra valer. E que o medo é um excelente fator para manter a atenção dos alunos; então eles aprendiam facilmente, sem fadiga e em menos tempo. Nesse cenário, conforme Luckesi (1998), foi dado o início do uso da verificação das aprendizagens como recuso de castigos e medo para que os estudantes prestassem atenção aos ensinamentos em sala de aula. Também diz que as avaliações dos alunos e alunas são feitas por meio de provas, tanto escritas como orais, temas para casa, exercícios e que estes possuem uma cobrança excessiva e muitas vezes com punição como consequência. Geralmente valorizando a memorização, o que faz com que a aprendizagem se 21 torne superficial, com objetivo de ganhar nota valorizando a competição entre os estudantes, que são submetidos a um sistema de classificação. Nesse contexto histórico brevemente apresentado, podemos refletir que ao longo da história da educação, sempre que pensamos em avaliação da aprendizagem, ligamos esse ato ao da aprovação ou reprovação dos alunos e alunas. No século XVIII, as escolas modernas começam a tomar forma, a utilização de exames para a avaliação ficou associada a essa ideia acima, de controle, atribuição de notas e evidentemente aos resultados alcançados. No ano de 1934, Tyler foi o primeiro a utilizar o termo “avaliação educacional”, na mesma época em que a educação começou a formular objetivos que precisavam ser cumpridos e também verificados. Os testes de Tyler eram chamados de “avaliação da aprendizagem” e tinham por objetivo saber se os negros americanos apresentavam desempenho menor em função das deficiências da educação que recebiam. Assim, em 1965, a avaliação começa a fazer parte da metodologia de disciplinas, como a antropologia e a filosofia, utilizando abordagens qualitativas. Importante Existe uma diferença básica entre exame e avaliação da aprendizagem: o primeiro estava relacionado a todo o tipo de procedimento sistemático e avaliativo com o advento do período moderno. Já avaliação da aprendizagem surge nos anos 1930, utilizado por Ralph Tyler, um tecnicista, para explicar um cuidado necessário dos professores para com os alunos. Nesse mesmo ano, os Estados Unidos promulgaram a Lei sobre a Educação Primária e Secundária, em que a avaliação de programas especiais para alunos de origem familiar pobre e marginal passa a ser obrigatória, como propôs o senador Robert Kennedy. Pouco tempo depois, todos os programas educativos e sociais dos Estados Unidos adotaram as avaliações de maneira obrigatória. Na mesma época, o país passava pela chamada profissionalização, que se estendeu até o início da década de 80. Nesse contexto, diferentes autores 22 utilizaram vários enfoques para os sistemas avaliativos, valorizado os métodos qualitativos e indicando uma visão democrática das avaliações. De acordo com Dias (2002), os anos 80 do século XX trouxeram um novo rumo no campo da avaliação, principalmente nos Estados Unidos e Inglaterra. O neoliberalismo avança e as crises econômicas fazem os Estados tornarem-se controladores e fiscalizadores, tendo como consequências dessas transformações o papel fundamental das avaliações para que os governos implementassem uma cultura gerencialista e fiscalizadora. Nesse cenário, a educação precisa dar conta das exigências dos mercados e as universidades começam a ser cobradas como se fossem empresas ou outra organização competitiva. Este breve relato dos fatos históricos pode nos ajudar a compreender a origem das avaliações e suas transformações ao longo da história da educação, em que sua função vai se modificando conforme os objetivos educacionais mudam. A avaliação educacional é tema de estudo de vários autores na atualidade e que pretendem discutir, analisar, conhecer e sugerir mudanças nas práticas avaliativas. Jussara Hoffman, Cipriano Luckesi e José Carlos Libâneo estão entre os autores que podemos destacar. Já conhecemos seus conceitos na nossa primeira aula, e eles vão nos acompanhar nos nossos estudos sobre avaliação educacional. Agora que já sabemos um pouco dessa história, no próximo item iremos abordar como a avaliação tem se delineado no contexto brasileiro. 2.2 Avaliação educacional no Brasil: breve histórico Como já vimos anteriormente, os sistemas de avaliação não são procedimentos tão recentes na história. No Brasil, a chegada dos portugueses ao nosso país data de 1500, e os primeiros sinais de um sistema de avaliação da aprendizagem por aqui são a partir de 1549, com o ensino jesuítico, caracterizado pela postura tradicional, em que o professor era o único detentor do conhecimento. Ao chegarem ao Brasil, os Jesuítas começaram a educar os índios, fazendo com que eles participassem do processo de catequização, para que 23 assim o sentimento de educação fosse instalado na colônia. Conforme afirma Libâneo (1994), o ensino baseado nos princípios jesuítas tem: Os objetivos, explícitos ou implícitos, referem-se à formação de um aluno ideal desvinculado com a sua realidade concreta. O professor tende a encaixar o aluno em um modelo idealizado de homem que nada tem a ver com a vida presente e futura. A matéria de ensino é tratada separadamente, isto é, desvinculada dos interesses dos alunos e dos problemas reais da sociedade e da vida (LIBÂNEO, 1994, p. 64). Mesmo que o ensino jesuítico não tivesse um sistema avaliativo oficial, o ensino era focado em práticas de memorização em que os estudantes acabavam sendo obrigados a decorar os conteúdos, conforme Aranha (1989) nos mostra na citação a seguir: O ensino jesuítico possuía uma metodologia própria baseada em exercícios de fixação por meio de repetição, com objetivo de serem memorizados. Os melhores alunos auxiliavam os professores a tomar lições de cor dos outros, recolhendo exercícios e tomando nota dos erros dos outros e faltas diversas que eram chamadas de decuriões. As classes inferiores repetiam lições da semana todo sábado. Daí a expressão “sabatina” utilizada por muito tempo para indicar formas de avaliação (ARANHA, 1989, p. 51). Esse tipo de ensino permaneceu no Brasil por aproximadamente 200 anos, e até hoje ainda existem algumas escolas jesuítas que estão em funcionamento. A educação dos padres jesuítas e as formas como eles transmitiam o conhecimento influenciaram a constituição da nossa educação e os processos avaliativos.Pensando na avaliação das aprendizagens, o Brasil republicano trouxe uma forma mais sistêmica para o sistema educacional. Os alunos passaram a ser testados constantemente sobre seus aprendizados, por meio da realização de provas, tanto escritas como orais. Práticas e avaliações restringiam-se à aprovação e reprovação dos estudantes. Dessa maneira, a partir de 1904, a avaliação que já estava sendo organizada de uma forma mais sistemática passa a contar com um sistema de notas que iam de 0 a 5. Em 1920, com a primeira república, as discussões sobre as formas do ensino começaram a ser debatidas, já que a educação formal tradicional era destinada às elites. Anísio Teixeira, em 1932, começa a lutar por uma escola que fosse mais democrática e que contemplasse toda a população, ganhando força principalmente a partir do Manifesto Pioneiro, do qual foi um dos idealizadores. 24 A partir da década de 1930, pode-se estabelecer uma linha do tempo que demonstra como a avaliação educacional foi se modificando na educação brasileira. Segundo Albuquerque (2012), podemos dividir da seguinte forma: 1930: amplia-se a ideia de mensuração por meio de testes padronizados. Os conceitos de avaliação e mensuração estão intimamente ligados; 1940: impacto dos estudos de Tyler e Smith, que incluíam vários procedimentos de avaliação, tais como: testes, registros de comportamento e escalas; 1950/1960/1970: ampla divulgação da obra de Taylor. Incorporação da avaliação por objetivos. Concepções diagnósticas, formativas e somativas; 1980: processo de redemocratização do país à avaliação começa a romper com o positivismo e fundamenta-se em uma perspectiva crítica; 1990: aprofundamento dos estudos sobre currículos. As avaliações começam a ter um sentido de emancipação. Tendo como ponto de partida a linha do tempo proposta por Albuquerque (2012), temos a partir da década de 90 a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei 9394/96, que já vimos algumas orientações quanto às avaliações na nossa aula 1, que você pode retomar. Além da LDB 9394/96, os Parâmetros Curriculares Nacionais, PCNs (BRASIL, 1997) trazem uma perspectiva que pretende superar a visão tradicional de avaliação. Dessa forma, compreende-se avaliação como parte integrante e intrínseca dos processos educativos. Conforme os Parâmetros Curriculares Nacionais: [...] a avaliação das aprendizagens só poderá acontecer se forem relacionadas com as oportunidades oferecidas, isto é, analisando a adequação das situações didáticas propostas aos conhecimentos prévios dos alunos e aos desafios que estão em condições de enfrentar. (BRASIL, 1997). 25 Agora que já sabemos um pouco mais da história da avaliação e como ela foi se desenvolvendo e se transformando no mundo e no Brasil, vamos falar um pouco das atuais concepções de avaliação educacional. 2.3 Avaliação Educacional: contextos atuais Historicamente, percebemos que a avaliação é um fenômeno que vai assumindo diferentes objetivos e funções ao longo dos anos, porém o termo ainda vem sendo utilizado de maneira relacionada à prática tradicional de ensino. A relação com as provas, notas, aprovação, parecer, reprovação ainda é feita por muitos educadores, como nos diz Jussara Hoffmann (1994). Conforme já estudamos, a avaliação faz parte dos processos de ensino- aprendizagem e na atualidade ganham muito espaço, já que além das avaliações realizadas nas escolas, temos as avaliações nacionais e internacionais, que chamamos de avaliações de larga escala e que também vamos estudar mais adiante. A avaliação, de acordo com Luckesi (2002), deve ser assumida, preferencialmente, como um instrumento para mensurar a qualidade dos processos educativos em que seja possível perceber o desenvolvimento dos alunos e alunas, fazendo com que os professores possam perceber e acompanhar os estágios em que os estudantes se encontram, conseguindo estabelecer um vínculo entre sua prática, o ensino e a qualidade das suas abordagens didáticas em sala de aula. Atualmente os educadores estão mais receptivos a refletirem sobre suas práticas avaliativas e seus objetivos para avaliar seus estudantes, modificando sua percepção sobre o papel da avaliação e considerando os diferentes contextos dos quais participam e as diferentes realidades das quais seus alunos e alunas fazem parte. Mesmo assim, a avaliação ainda se configura como o meio de obter resultados, objetivo da aprendizagem escolar. Considerando nossos estudos até aqui, podemos dizer que, como nos mostra Perrenoud (1999), estamos em um momento de reestruturação interna das escolas e das suas práticas de avaliação, que devem ser realizadas de maneira contínua, formativa e pensadas para o desenvolvimento integral dos estudantes, superando as ideias de punição e castigo. 26 É importante que, a partir das avaliações, seja possível identificar as possíveis causas das dificuldades, para que com uma reflexão os processos de ensino-aprendizagem e das práticas adotadas se possa qualificar cada vez mais os processos educativos, já que a avaliação é um processo de aprendizagem, compreensão e troca de conhecimentos, e não de exclusão. Reflita Quais os desafios históricos que os processos de avaliação e as práticas profissionais dos professores precisam superar nos dias de hoje? Saiba mais A polêmica que envolve a avaliação educacional e escolar é discutida neste programa. Avaliar ou não avaliar? Quais são os objetivos da escola ao avaliar os alunos? Para entender essas questões, ouvimos pesquisadores e professores de escolas públicas de São Paulo. Disponível no link: https://www.youtube. com/watch?v=sJeGDLfv4LA Conclusão da aula 2 Chegamos ao final da nossa segunda aula e podemos concluir que os processos de avaliação educacional vêm se transformando ao longo da história da educação, sendo utilizados de acordo com os objetivos de cada momento histórico. Assim, desde a antiguidade, os processos de aprendizagem passam por instrumentos avaliativos, mesmo quando estes não eram sistematizados. Atualmente, existem diversas maneiras de se realizar a avaliação das aprendizagens, sendo que ainda precisamos superar algumas ideias tradicionais que utilizam os processos avaliativos como forma de punição e não como uma ferramenta de reflexão sobre a prática e a construção do conhecimento dos estudantes. Atividade de aprendizagem Considerando nossos estudos, qual é o papel da avaliação educacional atualmente? 27 Aula 3- Tipos de avaliação de aprendizagem Apresentação da aula 3 Olá, alunos! Nesta aula, falaremos dos Tipos de avaliação de aprendizagem, dentre eles, a avaliação diagnóstica, a formativa e a somativa. As inúmeras formas de avaliação escolar, da escola e do sistema de ensino, historicamente têm sido motivo de polêmica entre os educadores, educandos e gestores. O simples ato de pensarmos o aprendizado como sendo mensurável já é por si só controverso. Então, como avaliar, de acordo com um parâmetro único crianças e adultos com diferentes vivências e diferentes estágios de conhecimento? 3.1 Retomando a discussão sobre avaliação Conforme os conceitos trabalhados nas aulas anteriores, em que refletimos sobre a avaliação, bem como os teóricos que vêm discutindo esta temática, devemos lembrar que a avaliação constitui-se como um processo longo e amplo. Sob o ponto de vista prático, podemos destacar as vertentes que levam em conta os aspectos quantitativos e os que consideram os qualitativos. Para que o sistema avaliativo possua uma eficiência, devem ser considerados os dois princípios sem privilegiar nenhum. Para Luckesi, o sistema de ensino brasileiro está centrado nos princípios avaliativos voltados ao regime de provas e exames. As notas dos estudantes passam a ser imprescindíveis paracompor os índices e curvas estatísticas que estimulam o processo de “promoção” e não as séries de escolaridade. Vivemos no Brasil uma “Pedagogia do exame” que provoca consequências desastrosas; sob o ponto de vista pedagógico, pois não contribui para a melhoria do aprendizado; sob aspectos psicológicos ao estimular a constituição de estudantes submissos e consequências sociológicas por não estimular a reflexão dos estudantes (LUCKESI, 1998, p. 18). Segundo ele, para a elaboração de mecanismos avaliativos é preciso compreender o nível de desempenho dos estudantes, ou seja, perceber a sua 28 realidade e, a partir disso, construir relação com o que é realmente importante no processo educativo (LUCKESI, 1998, p. 23) Assim, é essencial que os critérios avaliativos estejam bem definidos, mas principalmente em consonância com o que é trabalhado e desenvolvido pelo professor ao longo do ano. Dessa forma, não faz sentido exigir do estudante técnicas e compreensões além do que foi experienciado por ele ao longo dos encontros. Entretanto, muitas vezes o educador solicita uma reflexão lógica, quando exercitou apenas a memorização. Para que haja a ponte entre memorização e reflexão, no processo de ensino-aprendizagem, é preciso assegurar a aprendizagem significativa, construindo uma conexão com o que o estudante já sabe. Essas pontes ligam os diferentes conhecimentos, montando uma estrutura cognitiva; esta cognição vai diferenciar o que é memorização mecânica do pensar crítico. Compreendemos que a avaliação deve alcançar uma aprendizagem que seja significativa para os alunos e capaz de promover o seu pleno desenvolvimento. Dessa forma, a avaliação deve ultrapassar os conceitos meramente científicos, mas manter-se preocupada com a formação como um todo, como uma estratégia que impulsione a formação para a cidadania. Sem esse propósito claro, a avaliação dará lugar a apenas uma verificação dos conteúdos, sem uma ponderação tanto por parte dos estudantes quanto do próprio fazer pedagógico. Entretanto, é bastante complicado fugir das armadilhas da avaliação classificatória que verifica a aprendizagem por meio das medidas, pois tem sido utilizada na maioria das instituições escolares. O grande problema instalado nessa perspectiva é considerar que os indivíduos adquirem conhecimento da mesma forma e do mesmo modo. 3.2 A avaliação ao longo da História, avaliação tradicional A definição pedagógica proposta pela escola tradicional tem suas origens na Idade Média. Entretanto foi a partir do século XIX até a década de 1930 que essa pedagogia se firmou no Brasil. Com fundamentação eclesiástica, caracterizava-se pela falta de criticidade e enfrentamento, com um sistema 29 educacional burocratizado e centrado em gestores com um poder inquestionável. Aqui, o professor cumpre um papel de detentor do conhecimento. O ensino prima por um saber fragmentado que valoriza a memorização e a repetição. Mesmo assim é importante salientar que até os dias atuais vemos resquícios dessa pedagogia tradicional nas diferentes escolas do país, sendo difícil afirmar que essa proposta tradicionalista tenha terminado realmente nos anos de 1930. A metodologia utilizada é a didático-dedutiva, que parte do geral para as particularidades. Inserida nessa perspectiva, a avaliação não está focada nos princípios formativos, mas ao contrário disso, está centrada em testes e exames classificatórios e excludentes. O estudante não questiona, apenas obedece às ordens. Tanto Saviani quanto Luckesi concordam que a avaliação tradicional está “centrada no intelecto na transmissão de conteúdo e na pessoa do professor” (SAVIANI apud LUCKESI, 1998, p. 30). 3.3 Avaliação escolanovista Nascida a partir dos anos de 1930 e centrada no Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, de 1932 (SAVIANI, 2013, p. 241-257), baseava-se nos princípios da Educação pragmática, centrada na solidariedade, serviço social e cooperação. A proposta do sistema educacional tinha três temas: a educação como essencialmente pública, escola laica, gratuidade e obrigatoriedade do ensino (SAVIANI, 2013, p. 249). A Escola Nova teria por base atividades espontâneas, “alegre(s) e fecunda(s), dirigida(s) à satisfação das necessidades do próprio indivíduo” (MANIFESTO, 1932). A centralidade está no sujeito, sendo ele o protagonista principal do processo de ensino-aprendizagem. Fortemente influenciados pela psicologia, defendiam que além de aprender é preciso aprender a aprender, nesse ponto cabe ao professor ser um provocador e estimulador nesse processo. A avaliação passa a ter natureza qualitativa, havendo a participação dos alunos e o seu crescimento subjetivo na construção da sua aprendizagem, a partir de processos avaliativos do conhecimento e experiência dos educandos. O fazer avaliativo é compreendido como uma etapa válida para o estudante e 30 deve ser apenas uma parcela do caminho da aprendizagem. Dessa forma, não se pode visar só aos aspectos intelectuais, mas, sim, às atitudes e à aquisição de habilidades. 3.4 Avaliação tecnicista A partir dos anos 1960 a 1970, cresce, no Brasil, a perspectiva tecnicista da pedagogia e com ela os sistemas avaliativos presentes nesse período. Vale lembrar que nesse momento histórico o país passava por uma Ditadura Militar e essa pedagogia integrava-se totalmente à perspectiva política repressora, por não valorizar a educação crítica. A avaliação tecnicista procurava medir a aprendizagem, tentando utilizar como parâmetro de análise os instrumentos de racionalidade propostos pelo Positivismo. Em consonância com essa perspectiva, as respostas de aprendizagem são sistematizadas a partir de dados. Neste período ditatorial, as escolas passaram por uma intensa reorganização, voltadas para a burocratização do ensino (SAVIANI, 2013). De acordo com Saviani: Se na pedagogia tradicional a iniciativa cabia ao professor, que era, ao mesmo tempo, sujeito do processo, o elemento decisivo e decisório; e se na pedagogia nova a iniciativa se desloca para o aluno, situando-se o nervo da ação educativa na relação professor-aluno, portanto, relação interpessoal e intersubjetiva: na pedagogia tecnicista o elemento principal passa a ser a organização racional dos meios, ocupando o professor e o aluno posição secundária, relegados que são a condição de executores de um processo cuja a concepção, planejamento, coordenação e controle ficam a cargo de especialistas supostamente habilitados, neutros, objetivos, imparciais (SAVIANI, 2013, p. 382). A concepção de avaliação tecnicista procurou ao longo da sua formação teórica a neutralidade da ciência. Conforme aponta Caldeira: A Pedagogia Tecnicista [...] sempre buscou adquirir o “status” de ciência, libertando-se da introspecção e fundamentando-se na lógica científica dominante que lhe garantisse a objetividade das ciências da natureza. Seu principal foco de preocupação são as mudanças comportamentais que possam ser cientificamente observadas, portanto, quantificadas (CALDEIRA, 2000, p. 53). 31 Entretanto, os críticos da metodologia avaliativa tecnicista alertaram que o processo avaliativo da aprendizagem não constitui-se como um fazer neutro, ou seja, o educador não está isento de intencionalidade e por conta disso está comprometido politicamente e epistemologicamente, tratando-se de uma atividade que envolve intencionalidade e ação. Não se trata de um procedimento meramente técnico. 3.5 Tipos de avaliação Neste item, iremos abordar diferentes tipos de avaliação, entre eles a avaliação diagnóstica, a avaliação somativa e a avaliação formativa, para que você possa conhecer e entender como esses diferentes tipos podem ter abordagens distintas no contexto educacional. 3.5.1 Avaliação diagnóstica As discussões sobresistema avaliativo na escola iniciaram nos Estados Unidos e foram influenciadas por diferentes teóricos como: Ralph Tyler, Popham, Bloom, Gronlund, Ebel e Ausubel. A maioria das pesquisas possui relação com os estudos e índices de reprovação, aprovação e evasão escolar. Influenciados pelas ciências exatas, essas análises tentavam criar critérios para classificar os estudantes com a menor margem de erro. O primeiro autor a defender o uso dos termos “avalição diagnóstica”, “formativa” e “somativa” foi Benjamin Bloom, que definiu a avaliação diagnóstica como um dos mais importantes marcadores da prática avaliativa. Em a Taxonomia dos Objetivos Educacionais, conhecida também como Taxonomia de Bloom, realizou um estudo desenvolvido por vários pesquisadores, os quais estabeleceram três domínios para a aprendizagem, sendo eles o cognitivo, o afetivo e o psicomotor. O que nos importa aqui está no domínio do cognitivo, é nessa área que se encontra, segundo o autor, o conhecimento, a compreensão e o pensar. É no cognitivo também que avaliação se situa como forma de julgar. Para Bloom, a avaliação percorre um processo contínuo capaz de verificar a eficácia dos 32 objetivos educacionais, tendo também a função de retroalimentação e diagnóstico (BLOOM apud SILVA, 1991). Luckesi discorda de Bloom, no sentido de que qualquer prática avaliativa pode ser considerada diagnóstica, sendo assim não se trata de limitá-la a apenas a uma etapa da avaliação. De acordo com esse autor, a prática avaliativa tem dois pontos básicos: Investigar sobre o desempenho de alguma coisa, projeto, instituição ou pessoa (o que está ocorrendo e as razões pelas quais o que está ocorrendo, está ocorrendo), atribuindo-lhe uma qualidade, e, em segundo lugar, proceder uma intervenção, tendo em vista o redirecionamento da ação, instituição ou pessoa (se necessário) e, consequentemente, a obtenção dos resultados colimados. Se efetivamente construímos os resultados, ao longo de nossa ação, eles sempre serão satisfatórios, na medida em que foram construídos. Assim sendo, os resultados a que chegamos pela nossa ação serão os "somativos" (para usar a linguagem de Bloom) e, consequentemente, base para uma nova ação (LUCKESI, 2005, s/p.). Os apontamentos de Luckesi sobre avaliação diagnóstica foram amplamente utilizados a partir dos anos 1980, período de redemocratização política no país. Estimulado pelo momento político do Brasil, o autor falou da avaliação diagnóstica como um processo sistemático e efetivamente democrático. Mas foi nos anos de 1990 que suas teorias foram relativizadas pelas teorias da Psicologia Cognitiva, Construtivistas da Aprendizagem (ALBUQUERQUE, 2009, p. 102) Para Kraemer, a avaliação diagnóstica consiste na averiguação dos conteúdos propostos de forma a mapear as dificuldades futuras do estudante, permitindo, dessa forma, resolver questões do presente. A avaliação diagnóstica pretende averiguar a posição do aluno face a novas aprendizagens que lhe vão ser propostas e a aprendizagens anteriores que servem de base àquelas, no sentido de obviar as dificuldades futuras e, em certos casos, de resolver situações presentes (KRAEMER, 2005, p. 7). Dessa forma, o papel da avaliação diagnóstica é identificar os conhecimentos que alicerçam a aprendizagem, propiciando assim assimilar conteúdos que serão partilhados durante o caminhar desse educando. Para que isso ocorra de forma a contribuir para a avaliação formativa, é preciso que essas duas etapas não estejam tão separadas, muito pelo contrário. 33 Conforme mencionado anteriormente, Luckesi salientou que não se trata de modelos avaliativos separados, já que a avaliação formativa não deixa de ser um diagnóstico da etapa de conhecimento em que se encontra o estudante. Sendo assim, quando a avaliação é conduzida pelos caminhos do diagnóstico formativo, são observados: Um estímulo ao crescimento e ao fortalecimento das dinâmicas do professor e do aluno; um processo na busca do equilíbrio sem censuras, repressões e punições; uma segurança na caminhada pedagógica; uma garantia dos interesses e do direito das pessoas e das instituições; um meio para superar limitações sem traumas; uma ajuda para o aluno saber tomar decisões, a aprender a aprender por causa da transitoriedade dos conhecimentos (MACHADO, 1995, p. 33). Para que haja um pleno desenvolvimento da aprendizagem, a avaliação diagnóstica deve promover uma reflexão com o objetivo de reformular o plano de ação dos educadores. Sendo assim, se torna essencial que a cada ciclo sejam realizadas análises, pois a variável “tempo” pode ser um fator decisivo e favorecer ou prejudicar o percurso formativo, caso não seja realizada uma ponderação constante, crítica e participativa. Reflita Como a avaliação diagnóstica ocorre nas escolas? Será que na prática se trata de um método utilizado pelos professores? A escola é um espaço burocrático e formal, com o intuito de desenvolver a formação integral do educando, conduzindo-o para um posicionamento crítico e emancipatório. Se partirmos do princípio que inserido nesse contexto a prática avaliativa está no centro da relação entre professor e aluno, na qual o poder do educador se estabelece, a dialética atrelada ao processo de aquisição de conhecimento dá lugar a uma relação assimétrica. Nesta mesma lógica é aplicada a avaliação diagnóstica, na qual ocorre a averiguação do conhecimento por parte do professor, que estabelece níveis e patamares ocupados por cada indivíduo, para que seja possível alcançar o nível seguinte. 34 O ritual avaliativo é carregado de um simbolismo que causa terror nos alunos e constitui-se como uma porta que levaria à felicidade da próxima etapa educativa. A grande armadilha da qual o professor deve escapar é a do “rótulo” que é atribuído a cada estudante, pois a cada diagnóstico são estabelecidos aqueles que devem passar para o próximo estágio e os que precisarão de mais tempo. Transcender a essa “rotulação” configura-se como um dos principais desafios almejados pelos educadores. 3.5.2 Avaliação formativa A avaliação formativa pode ser interpretada como um conjunto de práticas de avaliação contínua e objetiva necessárias ao desenvolvimento da aprendizagem. Diferentes autores têm dissertado sobre o que seria a avaliação formativa. No Brasil, essas divergências teóricas são levantadas principalmente pela utilização das Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Tanto no texto da LDB, Lei n. 5.692/71 (BRASIL, 1971) quanto na Lei n. 9.394/96 (art. 23) pouco se alterou o pressuposto que define a avaliação formativa como uma “verificação do rendimento escolar” (BRASIL, 1996). No percurso dos anos 1980, houve uma preocupação sociocultural nos conceitos que fundamentavam a avaliação formativa, os quais levavam em consideração os aspectos sociais que influenciaram o rendimento do educando. Nesse período ganha espaço a avaliação qualitativa e formativa de crítica às metodologias de avaliação tecnicista. De acordo com Cardinet, Allal e Perrenoud, existe uma distância conceitual entre a avaliação tradicional e a que propõe uma orientação do aluno “quanto ao trabalho escolar, procurando localizar as suas dificuldades para o ajudar a descobrir os processos que lhe permitirão progredir na sua aprendizagem”. Nesse enfoque, a avaliação formativa está em oposição à somativa, a qual constrói apenas um “balanço parcial” (1986, p. 14). Nesse sentido: [...] avaliação formativa opõe-se à avaliação somativa que constitui um balanço parcial ou total de um conjunto de aprendizagens. A avaliação formativa se distingue ainda da avaliação de diagnóstico por uma conotação menos patológica, não considerando o aluno como um caso a tratar, considera os erros como normais e característicos de um 35 determinado nívelde desenvolvimento na aprendizagem (CARDINET, 1986, p.14). O autor salienta que o termo “diagnóstico” imprime uma carga patológica de modalidade avaliativa. Dessa forma, aquele que fosse identificado com uma dificuldade de aprendizagem receberia uma diferente abordagem no ciclo escolar. A caminhada formativa pressupõe uma evolução sistemática do educando. Na formativa, esse acompanhamento pedagógico seria constantemente. Deve-se levar em conta que a escolaridade dividida em ciclos é propícia, uma evolução contínua e progressiva. Nessa perspectiva, todos aqueles indivíduos que necessitam de um acompanhamento mais próximo recebem respaldo, pois nessa modalidade qualquer exclusão, classificação ou rejeição são execradas. Mas será que todos aprendem de forma igual? Nós sabemos que a perspectiva de uma sala de aula composta de um grupo homogêneo em que todos aprendem da mesma forma e no mesmo ritmo é deveras uma utopia. Nessa caminhada formativa, a autoavaliação da instituição e do educador é essencial, partindo do seu fazer até a análise do próprio projeto político- pedagógico da escola. 3.5.3 Mas o que é avaliação formativa emancipatória? Os primeiros teóricos a discutir sobre avaliação emancipatória foram Saul (1988), Hadji (2001) e Perrenoud (1999). Considerado como um rompimento para avaliação tradicional, a avaliação emancipatória foi cunhada primeiramente por Saul, que a definiu como um processo pelo qual uma dada realidade pode ser transformada. Segue uma proposta libertadora ao estimular o sujeito a construir a sua própria história e romper com o determinismo (SAUL, 1988, p.61). Entre seus principais objetivos, está tornar o sujeito autodeterminado; promover uma educação crítica que usa a avaliação como um mecanismo de transformação; o “processo pode permitir que o homem, por meio da consciência crítica, imprima uma direção às suas ações nos contextos em que se situa” (SAUL, 1988, p.61). 36 Os princípios teóricos que alicerçam a avaliação emancipatória são: Avaliação democrática; Crítica Institucional e criação coletiva; Pesquisa participante. Sendo assim, a avaliação se torna um espaço democrático, em que o estudante deve ser estimulado à reflexão, ação e transformação. Partindo de uma reflexão, imprime-se uma ação que resultará em transformação. Dessa forma, avaliar não é medir, é promover. 3.5.4 Avaliação somativa A avaliação somativa é um importante processo quando o educador deseja constatar o fracasso ou sucesso de um determinado projeto, entretanto, recomenda-se que a avaliação formativa esteja em primeiro lugar, já que suas informações são subsídios para reelaboração dos procedimentos pedagógicos. Ela vem de uma raiz tradicional, em que a proposta de educação está centrada no professor, com averiguação do desempenho do estudante, mirando sempre nos conteúdos e no planejamento de aula. Seus instrumentos avaliativos resumem-se a provas e testes de memorização. Para Kraemer (2006), a avaliação somativa descobre o nível de rendimento mostrado apenas no final de um ciclo de aprendizagem, ou seja, se trata de uma informação determinista. Conforme Miras e Solé: Determinar o grau de domínio do aluno em uma área de aprendizagem, o que permite outorgar uma qualificação que, por sua vez, pode ser utilizada como um sinal de credibilidade da aprendizagem realizada. Pode ser chamada também de função creditativa. Também tem o propósito de classificar os alunos ao final de um período de aprendizagem, de acordo com os níveis de aproveitamento (MIRAS, SOLÉ apud KRAEMER). Com relação à perspectiva somativa, Azzi ressalta que tem sido a mais utilizada nas escolas, pois é a que mais se adequa aos sistemas de educação no Brasil, por objetivar a classificação: 37 A avaliação que acontece ao final nos dá uma dimensão do significado e da relevância do trabalho realizado. Difundida nos meios educacionais com a denominação de somativa, é sempre associada à ideia de classificação, aprovação e reprovação. Tal associação tem sentido e não é errada em uma proposta que tenha esses objetivos. Em uma proposta que vise à inclusão do aluno, a avaliação final necessita ser redimensionada, sem perder seu caráter de seriedade e rigor (AZZI, 2001, p. 19). Azzi aponta, ainda, que a avaliação somativa, na maioria das vezes, está em oposição à continuada, já que a segunda abre mais espaço para a observação pedagógica mais focada no estudante, e não apenas nas metas. A educação contínua ainda possui a vantagem de respeitar o tempo do aluno, pois não existe um limite tão demarcado como no ano letivo. Em comparação, podemos dizer que a avaliação continuada trata o processo de aprendizagem com outro enfoque teórico e metodológico, respeitando as diferenças entre os tempos do transcurso cognitivo. A avaliação continuada permite que os procedimentos técnicos do professor realcem o perfil do educando, para que assim seja possível reformular o trabalho do professor. Vamos conhecer as diferentes abordagens sobre os tipos de avaliação? Autor Diagnostica(ar) Formativa/controlar Somativa/classificar Haidt 1995 (Bloom) Conhecer o aluno: bagagem cognitiva, habilidades; Identificar dificuldades de aprendizagem (causas). Verificar se os objetivos foram atingidos. Informar sobre progressos e dificuldades; Retroalimentação; Objetivo: aperfeiçoar o processo e dar condições de êxito. Promover o aluno: classifica segundo nível de aproveitamento; Caráter seletivo e competitivo. SanfAnna 1995 (Bloom) Determinar a presença ou ausência de conhecimentos, habilidades, pré- requisitos; Sondagem da situação do desenvolvimento do aluno. Ver o que aprendeu e o que não aprendeu; Objetivo: reajustar a ação. Localizar as deficiências na organização do ensino; Indicar como os alunos estão se modificando; Objetivo: tomar decisões. Classificar segundo nível de aproveitamento, segundo rendimento. 38 Lian Sousa in Souza 1993 (com base em vários autores, inclusive Bloom) Caracterizar o aluno quanto a interesses, necessidades e habilidades; Identificar causas das dificuldades de aprender; Objetivo: replanejar o trabalho Favorecer o desenvolvimento individual, estimular crescimento e capacidade de auto avaliar-se; Controlar a eficácia dos planos e eficiência dos métodos. Verificar alcance dos objetivos; Objetivo: tomada de decisões. Classificar o aluno de acordo com nível de aproveitamento (no final). Diniz 1982 (Bloom) Determinar as habilidades iniciais, requisitos prévios, caracterizar interesses, personalidade, atividades; Descobrir causas e deficiências da aprendizagem; Objetivo: tomar medidas terapêuticas. Avaliação sistemática para precisar o grau de domínio da aprendizagem; Feedback contínuo, alerta; Verificar falhas (sem notas); Recuperação imediata, imprescindível. Classificar o aluno segundo o nível de aprovação expresso em notas. Modalidade/função da avaliação Fonte: elaborado pelo autor (2019), adaptado pelo DI (2020). Saiba mais Para que você possa aprofundar seus conhecimentos na área de avaliação educacional, sugiro a leitura do livro de Cipriano Luckesi “Avaliação da Aprendizagem Escolar”. Boa leitura! Mídias O filme A Sociedade dos poetas mortos se passa em 1959, na escola preparatória Welton Academy, conhecida por seu método de ensino rigoroso e autoritário, que muda apenas com a presença do professor de Literatura Inglesa, Sr Keating. Nesse filme tente analisar os métodos avaliativos classificatórios presentes em uma escola tradicional com o Welton Academy. Disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=bOukvR5ZydQ Conclusão da aula 3 Ao longo desta aula, discutimos as diferentes abordagens apresentadas por distintos autores sobre avaliaçãodiagnóstica, formativa e somativa. Percebemos ao longo das nossas leituras o quanto é importante debatermos 39 sobre a avaliação, seu significado e o seu uso dentro do sistema de ensino. Sem uma avaliação de qualidade, centrada nos seus reais objetivos, não é possível analisar o quanto o educando progrediu ou regrediu durante o ciclo educacional. Atividade de aprendizagem A partir das leituras e do filme sugerido, disserte sobre o que você compreendeu a respeito dos diferentes tipos de avaliação. Aula 4 – Procedimentos e instrumentos técnico-metodológicos em educação Apresentação da aula 4 Olá, caro estudante! Nesta aula, falaremos sobre Procedimentos e instrumentos técnico-metodológicos em educação. Serão discutidos os instrumentos mais utilizados pelos educadores nas escolas. Discussões a respeito da avaliação escolar tornaram-se frequentes no cenário educacional, gerando polêmica entre professores, estudantes e gestores. Mas por que esse assunto preocupa tanto? A resposta a essa pergunta é simples: porque nunca se debateu tanto a respeito dos problemas educacionais, e a avaliação é um dos itens que mais preocupam os educadores. A partir do exposto, traremos distintas reflexões sobre os instrumentos avaliativos disponíveis, para que você, a partir desses referenciais, possa escolher aqueles que mais se enquadrem em sua futura prática. 4.1 Reflexões sobre os instrumentos avaliativos Agora que conhecemos alguns tipos de avaliação, vamos explorar os principais instrumentos avaliativos utilizados pelos professores. Para isso, 40 fizemos uma lista com sugestões e trouxemos as possibilidades de uso de cada um deles. Educação Fonte: http://mineiros.com/go/ensino-educacao/ Para pensar em um instrumento de avaliação que dê conta de compreender as etapas de produção do conhecimento, os professores precisam ter claros os objetivos, competências e habilidades que seus alunos precisam desenvolver. Dessa forma, como salienta Barbosa, é necessário saber qual concepção de educação o professor utiliza. Nesse sentido: É preciso ressaltar, no entanto, que a avaliação da aprendizagem precisa ser coerente com a forma de ensinar. Se a abordagem no ensino foi dentro dos princípios da construção do conhecimento, a avaliação da aprendizagem seguirá a mesma orientação (BARBOSA, 2011, p.164). Assim, para a prática é importante também que o professor conheça diferentes instrumentos de avaliação e que saiba as melhores formas de utilizá- los para alcançar os objetivos propostos, sendo assim, conforme diz Moretto: A aprendizagem é um processo interior ao aluno, do qual temos acesso por meio de indicadores externos; os indicadores (palavras, gestos, figuras, textos) são interpretados pelo professor e nem sempre a interpretação corresponde ao que o aluno pensa; o conhecimento é um conjunto de relações estabelecidas entre os componentes de um universo simbólico (MORETTO, 2002, p. 96). O professor tem um papel decisivo no processo de formação do indivíduo, dito isso, essas etapas de aprendizagem só terão sucesso se os recursos 41 didáticos forem utilizados de forma adequada. Para isso, é prudente que o educador não utilize apenas um instrumento de avaliação, mas uma variedade de técnicas, para que nem o estudante nem o educador sejam reféns de uma só metodologia. Sobre isso, Haydt (1988) salienta que quanto mais instrumentos avaliativos forem utilizados, mais válidos serão os dados. De acordo com Luckesi, os instrumentos de avaliação não devem ser elencados pelos educadores de forma aleatória e arbitrária, muito pelo contrário, devem ser minuciosamente escolhidos, para que: Sejam adequados ao tipo de conduta e de habilidade que estamos avaliando (informação, compreensão, análise, síntese, aplicação); Sejam adequados aos conteúdos essenciais planejados e, de fato, realizados no processo de ensino (o instrumento necessita cobrir todos os conteúdos que são considerados essenciais em uma determinada unidade de ensino-aprendizagem); Adequados na linguagem, na clareza e a precisão da comunicação (importa que o educador compreenda exatamente o que se está pedindo dele); Adequados ao processo de aprendizagem do educando (um instrumento não deve dificultar a aprendizagem do educando, mas, ao contrário, servir-lhe de reforço do que já aprendeu). Responder as perguntas significativas significa aprofundar as aprendizagens já realizadas (LUCKESI, 2000, p. 10). Sendo assim, é essencial que o educador saiba o que deseja mensurar com cada tipo de instrumento avaliativo, bem como que domine as ferramentas que serão utilizadas. Dito isso, o próximo item abordará a pedagogia dos testes utilizada no Brasil. 4.2 A pedagogia dos testes no Brasil Para que possamos entender os mecanismos que ainda hoje fundamentam os sistemas avaliativos baseados em provas e exames, é necessário compreender como isso ocorreu na História. Conforme já estudado anteriormente, na educação jesuítica, no Brasil, o ensino tinha como base teórica o Ratio Studiorum, o qual estabelecia como pilares da aprendizagem a preparação, aplicação, generalização, simbolização e abstração. A simbolização referia-se ao que foi apreendido pelo estudante em forma de memorização. O plano de conduta seguia uma rígida hierarquia institucional, estabelecendo “as regras da prova escrita e da atribuição de prêmios”. O processo educacional era fundado na exposição do conteúdo pelo professor e 42 não no diálogo. O sistema de repetição estava voltado para comunicação linguística e preparava o aluno para oralidade (SAVIANI, 2013, p. 55). O sistema de ensino, o qual exige o cumprimento de metas de aprovação, tem propiciado uma educação baseada em provas e exames dissertativos ou objetivos. Mesmo com o passar dos anos, a escola permanece voltada a uma metodologia tradicional, com avaliações pretensamente neutras, com ideias positivistas. Além disso, a valorização excessiva dos testes induz o estudante a memorizar, como um processo repetitivo e pouco crítico. O sistema de ensino passa a valorizar aspectos que são facilmente avaliáveis, como: de fórmulas, regras práticas, propriedades, nomes, datas, com o treino de exercícios diretos. Embora as provas e exames forneçam dados sobre o educando, é preciso relativizar essas informações, pois por conta de seus princípios metodológicos possuem limitações, já que não fornecem dados sobre o conjunto de aspectos necessários para o processo cognitivo da aprendizagem. 4.3 Provas dissertativas, objetivas ou orais No momento atual, o método de ensinar está centrado no ato de apreender, dessa forma, o educando precisa assimilar tanto o conteúdo quanto o processo, embora se deseje uma avaliação formativa que forneça dados mais profundos sobre a aprendizagem do aluno e não apenas notas e índices de aprovação. De acordo com Luckesi, “os pais das crianças e dos jovens, em geral, estão na expectativa das notas de seus filhos” (LUCKESI, 1998, p. 19). O importante é que sejam aprovados, não se trata de compreenderem os conteúdos, mas de vencerem uma etapa. Outro fator importante que precisa ser relativizado é a prova como um elemento de negociação e ameaça. Na pedagogia dos exames, os educandos estão constantemente na iminência de serem aprovados ou reprovados. 4.4 Trabalho em grupo As atividades em grupo vêm sendo uma estratégia muito utilizada pelos educadores, para dinamizar e para estimular a participação e cooperação dos 43 alunos no processo de aprendizagem. Este método tem a intenção de promover a interação entre os membros, beneficiando, com isso, a relação entre aprendizado e desenvolvimento. Trata-se da produção realizada em conjunto. Nesta forma avaliativa, o compartilhamento do conhecimento estimulaa sociabilidade. Entretanto, o educador deve atentar-se à diferença entre trabalharem agrupados ou de forma cooperada. Para isso, é preciso lembrar que se trata de uma atividade que requer planejamento e estratégia. Os pontos positivos dessa estratégia são a negociação de ideia, o debate a dinâmica que é estabelecida nessa relação mais próxima entre os alunos, que precisam respeitar o momento de cada um expor sua posição, e, além disso, defendê-la por meio de argumentos coerentes. Entretanto, é preciso que todos participem igualitariamente, com metas tangíveis, e cabe ao educador traçar objetivos claros para a atividade. Sobre a importância da sociabilidade, Vygotsky alerta: O ser humano, por sua origem e natureza, não pode nem existir nem conhecer o desenvolvimento próprio de sua espécie como uma mônada isolada: ele tem, necessariamente, seu prolongamento nos outros; tomado em si, ele não é um ser completo (VYGOTSKY apud COELHO, 2010, p. 16). No próximo item, iremos dissertar a respeito dos relatórios e ensaios como importantes instrumentos avaliativos e que, se bem explorados, podem resultar em ótimas ferramentas de aprendizagem. 4.5 Relatório (individual ou em grupo) e ensaios Trata-se do registro escrito, de imagens, gráficos ou mapas realizados a partir das informações e resultados obtidos por pesquisa ou atividade prática. Por conta disso, a utilização dos relatórios como recurso didático é muito significativo e útil para aprendizagem. Entretanto, é essencial que os relatórios sejam bem estruturados e que estimulem o aluno a participar das aulas. Entretanto, é preciso ter cuidado para que o texto não limite-se a uma simples descrição da experiência de pesquisa ou prática. Dessa forma, é fundamental que o estudante se dedique a 44 desenvolver um relatório que tenha uma análise mais científica e menos pessoal. Para a melhor organização do texto, é prudente dividi-lo em: introdução, objetivos, metodologia, conclusão e bibliografia. 4.6 Aula expositiva dialogada É preciso observar atentamente o desempenho do aluno nos temas abordados na sala de aula. Esse espaço constitui-se como um lugar de troca de conhecimento, entretanto, para que essa interação aconteça é preciso que exista o envolvimento do aluno. Quando o estudante é estimulado, ele aproveita plenamente o tempo que está nas aulas, dessa forma, apreende os conteúdos de forma plena e satisfatória. O diálogo é extremamente importante para a relação professor- estudante, tanto no fator psicológico quanto nas ações concretas. O aspecto positivo dessa atividade é que o educador consegue acompanhar os processos evolutivos do educando, e da participação do estudante emergem suas compreensões e questionamentos sobre os conteúdos. Entretanto, é preciso ficar atento, para que o professor não utilize neste instrumento avaliativo generalizações, julgamentos apressados e muito subjetivos. Avaliar por meio de vários instrumentos é conhecer o processo de aprendizagem do estudante, o que é mais adequado para cada turma, cada grupo, cada perfil de aluno, reformulando sempre que necessário as orientações didáticas e as atividades a serem realizadas. Normalmente a participação do estudante ocorre a partir de questionamentos instigantes e que despertem a curiosidade do aluno, estimulando as respostas e comentários. 4.7 Seminário e portfólio O seminário consiste em uma exposição oral, individual ou coletiva que permite divulgar ao grupo de colega a pesquisa realizada. Tem como objetivo a aprendizagem tanto de quem elaborou a pesquisa quanto do ouvinte que observa a apresentação. Exige do estudante uma organização e planejamento de tempo e conteúdo a ser exposto ao público. 45 Para que esta atividade tenha pleno desenvolvimento, é necessária a mediação do educador, que deve estimular a criticidade quanto aos temas apresentados. Entretanto, é preciso que o professor tenha cuidado para que não utilize critério excessivamente subjetivo na avaliação. Devemos lembrar que o seminário pode constituir-se como uma avaliação formativa, à medida que proporciona uma avaliação dinâmica e colaborativa, a qual torna possível o feedback. Segundo Masetto (2010): O seminário (cuja etimologia está ligada a semente, sementeira, vida nova, ideias novas) é uma técnica riquíssima de aprendizagem que permite ao aluno desenvolver sua capacidade de pesquisa, de produção de conhecimento, de comunicação, de organização e fundamentação de ideias, de elaboração de relatório de pesquisa, de forma coletiva (MASETTO, 2010, p. 111). O portfólio é constituído de uma pasta ou arquivo correspondente ao que foi trabalhado ao longo de uma disciplina e como essa contribuiu para a formação de seu conhecimento. Existem alguns teóricos que defendem que o portfólio é mais que um instrumento de avaliação, mas uma modalidade avaliativa (ALBUQUERQUE, 2009). Neste documento, o estudante deve reunir trabalhos em grupo, relatórios, ensaios, autorreflexão e reflexões que tenha realizado junto aos colegas. Além disso, é essencial que sejam anexados os apontamentos do próprio professor, sendo possível que o aluno utilize esses apontamentos para aperfeiçoar os trabalhos antes da entrega do portfólio. O fato de o estudante ter a oportunidade de refazer os trabalhos oportuniza uma nova reflexão sobre os mesmos temas, bem como um espaço para estreitar relações com o docente e resolver dúvidas pendentes. A organização do professor e dos alunos é bastante importante; por parte do professor, por estabelecer este critério de avaliação no início do ciclo educacional e por parte do estudante, que precisará guardar, reunir e organizar os documentos que farão parte do portfólio. A utilização de portfólios como instrumento de avaliação não é uma tarefa fácil, “principalmente se levarmos em conta as condições de trabalho da maioria dos professores, no Brasil, porém, os frutos pedagógicos dessa” metodologia/instrumento/modalidade “são tão significativos para a formação 46 plena do aluno e da aluna, que vale a pena investir” (OLIVEIRA; ALBUQUERQUE, 2009, p. 199). 4.8 Autoavaliação O instrumento de avaliação que estimula o estudante ao autoconhecimento se trata de uma estratégia utilizada para desenvolver os aspectos analíticos do indivíduo. Contudo, possibilita que seja feito um percurso no processo de aprendizagem, com o intuito de refletir sobre a maturidade na construção do conhecimento. Na maioria das vezes, é realizado individualmente, mas pode ser feito em grupo, sempre sob a orientação do professor, que precisa apenas conduzir à realização da tarefa. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), a avaliação não pode estar unicamente nas mãos do educador, muito pelo contrário, deve ser parte do cotidiano do estudante. Já que: Delega-las aos alunos, em determinados momentos, é uma condição didática necessária para construção de instrumentos de auto regulação para as diferentes aprendizagens. [...] Além de esse aprendizado ser, em si, importante, porque é central para a construção da autonomia dos alunos (BRASIL, 1997). O memorial descritivo também configura-se como uma autoavaliação, pois se trata de um texto detalhado e autobiográfico, caracteriza-se por relato das aprendizagens a partir das experiências vividas. É importante que a autoavaliação também seja utilizada pelo próprio educador, que tem a oportunidade de rever suas estratégias didáticas e instrumentos avaliativos. 4.9 Discussão por meios informatizados: redes sociais, blogs, chats A geração que nasceu após os anos de 1980 possui uma relação forte com os meios digitais e eletrônicos, sendo considerado como Net Generation, Digital Natives, ou seja, nascidos/nativos no mundo digital. Siemens desenvolveu e fundamentou uma novateoria de aprendizagem no texto intitulado “Conectivismo”. Um conjunto de conceitos que criticam as 47 ideias Construtivistas e defendem que “a aprendizagem pode residir fora do indivíduo de modo que, em muitos casos somos impelidos a agir sem antes ter o domínio de determinado assunto” (SIEMENS, 2010, p. 1). Para o autor, as teorias de aprendizagem não dão conta das características do aprendente dos anos 2000. Por conta das mudanças dos instrumentos utilizados como meios de obtenção de informação e conhecimento, esse teórico da educação percebeu a necessidade de mudança dos métodos didáticos utilizados na escola como recursos de ensino-aprendizagem. Essas teorias têm inspirado professores que passaram a buscar nos meios digitais uma maior participação dos educandos nas atividades. Dessa forma, aproveitar-se deste mundo digital como recurso se torna urgente e necessário. A posição do professor quanto à avaliação das intervenções dos estudantes é essencial, principalmente ao acompanhar as participações, a qualidade dos textos e intervenções, pertinência com os conteúdos e questionamentos elaborados como elementos norteadores das discussões. Conclusão da aula 4 Podemos concluir ao final desta aula que existem diversos instrumentos que podem ser utilizados para a realização da avaliação da aprendizagem escolar. A utilização depende do tipo de enfoque e quais objetivos que desejamos alcançar. Todos os instrumentos podem ser utilizados, e seus resultados dependem da perspectiva nas quais forem aplicados. Atividade de aprendizagem A partir do que foi trabalhado nesta aula e de suas reflexões, descreva como a autoavaliação pode contribuir para a realização da proposta pedagógica da escola, para melhoria real das práticas pedagógicas/avaliativas e para aprendizagem dos educandos. 48 Aula 5 – Sistemas de avaliação da educação no Brasil Apresentação da aula 5 Há muito tempo que a avaliação educacional deixou de ser um problema somente da escola, permeando diferentes aspectos da sociedade. Temos a avaliação de rendimentos, avaliação de desempenho, avaliação de cursos, avaliação institucional, entre outras. Isso é reflexo de uma sociedade que, ciente de suas carências na área educacional, busca respostas, por meio de avaliações, a fim de sanar os principais problemas da educação brasileira. Avaliação de aprendizagem Fonte: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn%3AANd9GcR0UYjNYajMr4d Rc8aV8Rtlv4Xb3PG6Jm9yGGwphldCkg2xOM14 5.1 Para que avaliar a educação? Esta visão simplista do sistema educacional acarretou em um atraso na educação brasileira. Foi aí que despontou no cenário mundial a percepção de que o sistema de ensino também poderia ser o responsável pelo fracasso escolar (LUCKESI, 2000). Nesse período, passou-se a pensar para além da avaliação da aprendizagem em sala de aula, resultando em diferentes práticas de avaliação institucional e de larga escala. Os resultados que passaram a ser obtidos nos 49 primeiros sistemas de avaliação em larga escala, ainda no final do século XX, trouxeram uma nova compreensão sobre a qualidade da aprendizagem do educando. Essas discussões revelaram que o Brasil deixou de acreditar que somente os estudantes são os responsáveis pelo seu sucesso ou fracasso escolar, mas o sistema também pode fracassar. Nesse sentido, os dados obtidos nas avaliações institucionais e em larga escala são necessários para que se possa pensar em novos investimentos, tanto financeiros quanto de pessoal, para que se possa alcançar dados mais satisfatórios no âmbito educacional. Dentro dessa lógica, a avaliação é necessária nos três níveis trabalhados em nossas aulas: A avaliação da aprendizagem; A avaliação institucional; A avaliação do sistema nacional de ensino. 5.2 Níveis sociológicos da avaliação De acordo com Afonso (2003), a avaliação educacional pode ser vista em uma perspectiva sociológica dividida em quatro níveis: micro, meso, macro e mega. Ainda conforme o autor, temos uma escola que é perpassada por dimensões éticas, políticas, simbólicas, pedagógicas e sociais, que necessariamente devem ser levadas em conta no processo de avaliação institucional. O primeiro nível que abordaremos é o microssociológico da avaliação, que ocorre na esfera da sala de aula. Nesse sentido, aborda a avaliação da aprendizagem, que é de responsabilidade do professor, isto é, diz respeito ao docente e aos alunos. Essa avaliação deve ser contínua e baseada em uma ampla reflexão a respeito do processo de ensino-aprendizagem. O segundo nível citado por Afonso (2003) é o mesossociológico da avaliação, correspondendo à análise de uma instituição escolar em sua totalidade, em que os componentes do processo educativo devem ser levados em conta. Dentre esses componentes, destaco as questões relativas à gestão e organização da escola, ao processo de ensino-aprendizagem, ao currículo, à 50 qualificação docente, bem como à infraestrutura escolar, aos resultados educacionais, ao perfil socioeconômico dos alunos, entre outros. O nível macrossociológico da avaliação é desenvolvido na esfera nacional, por mecanismos externos à instituição escolar, tendo como função avaliar a qualidade do ensino e da educação no país. Esse tipo de avaliação em larga escala vai ser trabalhado mais detalhadamente a partir dos próximos itens. Entre os institutos que coordenam esses processos, temos o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP). Como exemplos de avaliações macrossociológicas, temos a Prova Brasil e o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). O último dos quatro níveis citados por Afonso (2003) é o nível megassociológico da avaliação, desenvolvido por organismos internacionais que visam estabelecer padrões de desempenho e de referência para a criação de metas e diretrizes para os sistemas educacionais em nível global. Como exemplo de avaliação megassociológica, temos o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), coordenado pela Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). 5.3 Avaliação institucional da escola Taxa de alfabetização Fonte: http://www.construirnoticias.com.br/wp-content/uploads/2016/07/avaliar02.jpg 51 A avaliação no nível institucional da escola básica ainda não é amplamente difundida e aplicada no contexto brasileiro, ou seja, a avaliação interna é pouco realizada nas escolas, portanto não configura-se como uma análise sistemática da instituição com o intuito de identificar possíveis falhas e potencialidades. De acordo com pesquisas realizadas na área, esse problema deve-se muito ao fato dos profissionais da educação (professores, servidores e demais gestores) não possuírem uma formação adequada quando o assunto é avaliação institucional. Tomando a instituição escolar como um conjunto de processos e relações que são frutos do seu cotidiano pelos sujeitos educativos, nesse sentido a avaliação institucional crítica é aquela capaz de captar o movimento institucional presente nas relações de cada instituição. Em uma avaliação institucional é necessário que se identifiquem aspectos formais e informais, explícitos ou não, internos e externos, que viabilizam a realização dos objetivos e fins propostos em um projeto institucional. Sendo assim, a avaliação institucional tem sempre um caráter formativo, voltado para a compreensão e promoção da autoconsciência de cada instituição. Apesar de a avaliação institucional necessitar de uma reflexão interna e de todos os critérios que precisam ser abordados para que cumpra sua função, a abordagem de avaliação institucional apresentada nas escolas tem como propósito ações ordenadas de normas impostas pelo Estado, transformando o que deveria ser uma avaliação interna em umprocesso avaliador externo. O Estado por sua vez tem o papel de controlar, monitorar, credenciar e oferecer indicadores de desempenho para as escolas e para os sistemas de ensino. Assim sendo, a avaliação externa é aquela cujo processo avaliativo é realizado por agentes externos à escola. Já a autoavaliação institucional ou avaliação interna da escola é um tipo de avaliação que ainda precisa de maior aprofundamento teórico e metodológico. Esse tipo de avaliação é produto da integração dos processos de avaliação externa e interna. Esse tipo de avaliação escolar é uma tarefa bastante complexa, pois envolve diferentes atores educativos. De acordo com Guerra (2003), é necessário que haja uma coavaliação, que consiste na combinação do processo 52 de avaliação externa, voltado aos resultados do processo educativo, e de avaliação interna, com foco na melhoria dos processos internos do trabalho educativo. Recapitulando: Avaliação externa de iniciativa externa (organismos oficiais); Avaliação externa de iniciativa interna (da própria escola); Avaliação interna de iniciativa interna. Os constantes debates em torno da avaliação da escola têm demonstrado a necessidade de se discutir a importância da avaliação institucional como um processo de aprimoramento da gestão escolar, assim como a possibilidade de institucionalização de práticas avaliativas combinadas a uma política de mudança e desenvolvimento da qualidade em educação. Na autoavaliação da escola, o processo é conduzido e realizado por membros da comunidade educativa, professores, pais, estudantes, funcionários e gestores. Pode ser caracterizada como uma análise sistemática da escola, com o intuito de identificar os seus pontos fracos e fortes, além de possibilitar a elaboração de planos de intervenção e de melhorias. Dentro desse contexto de avaliação interna da escola, muitas vezes ela acontece a fim de subsidiar o Projeto Político-Pedagógico (PPP), no quadro de uma dinâmica de desenvolvimento organizacional e institucional. Quando a avaliação está inserida nas diversas ações desenvolvidas na escola, pode funcionar como mediadora do crescimento da comunidade escolar. Sendo assim, o Projeto Político-Pedagógico e a avaliação institucional estão profundamente relacionados. Logo: [...] o projeto pedagógico e a avaliação institucional estão intimamente relacionados. A não existência de um desses processos ou a separação deles trará danos para a própria escola, Sem um projeto pedagógico que delimite a intencionalidade da ação educativa e ofereça horizontes para que a escola possa projetar seu futuro, faltará sempre à referência de todo o trabalho e suas concepções básicas (FERNANDES, 2002, p.58). No próximo item, abordaremos as questões teóricas metodológicas que envolvem a autoavaliação da escola a partir de uma abordagem naturalista e ou racionalista. 53 5.4 Abordagens teórico-metodológicas da autoavaliação da escola Fonte: https://escolassustentaveis.files.wordpress.com/2011/06/escola-sustentc3a1vel- 4-colorida7.jpg?w=300&h=210 Uma das questões mais importantes a serem definidas antes de se iniciar um processo de avaliação da escola com certeza é a escolha de uma concepção de análise, bem como seu total entendimento. Ao longo dos anos, duas abordagens epistemológicas de avaliação ganharam destaque: A concepção racionalista de origem positivista, também chamada de quantitativa; A concepção naturalista de origem construtivista, denominada qualitativa. Essas duas teorias são utilizadas para a avaliação das escolas, definindo a estrutura científica, a visão de mundo e a filosofia por meio das quais guiarão a leitura da realidade social que se quer avaliar. Na abordagem quantitativa, a educação é vista como um processo tecnológico, nesse sentido a avaliação é feita de forma objetiva, com o foco nos números, sendo um método hipotético-dedutivo. Valorizando-se os resultados em detrimento aos processos da educação, nesse sentido a avaliação tem como finalidade o controle e se atribui mais valor ao caráter estável do que ao caráter dinâmico da realidade educacional. 54 Na abordagem qualitativa, temos a educação vista a partir dos valores a ela ligados, problematizando a objetividade da avaliação. Nessa abordagem utilizam-se métodos mais qualitativos e compreensivos, valorizando os processos mais que os resultados da educação, priorizando mais o caráter dinâmico e subjetivo da realidade educacional. Após apresentarmos as duas perspectivas avaliativas, é importante salientar que ambas têm seus pontos fortes e fracos. A quantitativa busca interpretar a realidade escolar em números e medidas, correndo o risco de ter uma visão simplista dos fatos. Isso se dá, pois, muitas vezes, desvaloriza o contexto, rico em significados. Já a abordagem naturalista ou qualitativa, apesar de ser considerada a melhor para o estudo dos fenômenos educacionais, pode pender para o subjetivismo e assim gerar interpretações distorcidas da realidade educacional. Fernandes (2002) ressalta que a junção dessas duas abordagens seria o ideal para a leitura correta dos fenômenos educativos, na sua totalidade. 5.5 Como se dá o processo de autoavaliação da escola? Para entender como desenvolver um processo de autoavaliação, cada instituição escolar poderá construir seu próprio processo interno. Para tanto, é necessário que se façam algumas escolhas, por exemplo: O que avaliar? Quais dimensões? (objetos de análise ou de avaliação da escola); Quem pode avaliar a escola? (sujeitos, grupo de trabalho); Qual a intencionalidade? (objetivos); Qual o enfoque? (concepções e tipos de avaliação: interna/externa); Como, quando, em que e com quais recursos? (metodologia, fontes, instrumentos; coleta, organização e análise dos dados; cronograma); Popularização dos resultados? Propostas de melhorias? (planos de intervenção). 55 De acordo com Fernandes (2002), pode-se optar por trabalhar com três etapas distintas que são: preparação, implementação e síntese. A etapa 1 é a de preparação e consiste das ações anteriores à implementação do processo avaliativo. Uma fase importante da etapa de preparação é a constituição da equipe que atuará no processo. É nessa etapa que o projeto é definido. É importante destacar que é na etapa 2, de implementação, que acontece as ações de elaboração e aplicação das ferramentas de coleta de dados, organização, bem como a análise propriamente dita. A terceira etapa é a síntese de todo o projeto e compreende informações que foram organizadas nas etapas anteriores, servindo de norte para as ações a serem desenvolvidas pela escola a partir da análise de resultados. Nesse estágio pode-se fazer revisão e ajustes no processo avaliativo, elaborar relatórios para assim partir para os encaminhamentos finais. Lembrando que nesse tipo de avaliação é necessário que se faça a publicação dos dados. Para que se dê início ao processo de autoavaliação, a escola deverá estabelecer um referencial teórico que fundamente a prática avaliativa, levando em consideração o Projeto Político-Pedagógico da instituição. Depois deve-se partir para a definição das categorias de análise dos dados e os indicadores que serão avaliados. As categorias de análise são os pontos fundamentais dos indicadores que se deseja avaliar; os indicadores são pontos que levarão as perguntas em cada uma das categorias de análise. De acordo com Gonçalves (2003), existem diferentes dimensões da autoavaliação: A primeira está relacionada ao contexto externo, essas variáveis apresentadas pelo contexto externo não são flexíveis, podendo ser compostas pelas categorias de análise, como: a caracterização social, econômica e cultural das famílias e alunos; pressão para a qualidadena perspectiva do contexto externo; A segunda dimensão relaciona-se ao contexto interno e corresponde à história da instituição escolar, aos recursos físicos, ao corpo docente, administrativo e discente; 56 A terceira dimensão corresponde à organização e gestão e diz respeito à proposta pedagógica da escola e à sua execução e avaliação; A quarta dimensão corresponde ao ensino-aprendizagem e converge para o trabalho realizado em sala de aula; A quinta dimensão relaciona-se à cultura escolar, como a identidade institucional, a ênfase no ensino-aprendizagem, a participação nos processos de decisão, expectativas com relação aos alunos, entre outras; A sexta e última dimensão versa sobre os resultados educacionais, podendo ser composta pelas categorias que medem a qualidade do sucesso e cumprimento da escolaridade. De acordo com Alaiz, Góis e Gonçalves (2003), a avaliação da escola é uma das melhores formas de conhecê-la. Para os autores é necessário que se domine os instrumentos avaliativos, salientando ainda que dependendo da natureza da informação que se deseja é possível optar por um método de avaliação específico, sejam eles qualitativos ou quantitativos. Os resultados devem ser interpretados, pois os dados por si só não revelam grande coisa. Essa interpretação deve ser feita com cautela e, na medida do possível, com certa neutralidade. Após essa fase, é necessária a divulgação dos resultados à comunidade escolar. Mídias Para saber mais a respeito do tema “avaliação”, assista à Teleconferência de Jussara Hoffmann e Cipriano Luckesi em Avaliação: caminhos para a aprendizagem parte 01. Disponível no link: https://youtu.be/ln7pcf1Th3M Conclusão da aula 5 Para concluir mais esta aula, gostaria de enfatizar que a autoavaliação da escola é um processo indispensável para a compreensão da dinâmica institucional e deve ser útil para a escola na medida em que colabore para a 57 melhoria de processos qualitativos de cada instituição. Os dados obtidos por meio desse processo podem ser utilizados na elaboração de planos de ação para o desenvolvimento institucional. Atividade de aprendizagem A autoavaliação da escola constitui-se em uma importante ferramenta para a melhoria da educação ofertada. Em um pequeno texto, justifique essa afirmativa. Aula 6 – Avaliações externas ou avaliações em larga escala Apresentação da aula 6 A Educação a Distância tem se tornado uma modalidade de educação indispensável na última década. Seja na modalidade presencial ou em EaD, os processos avaliativos, sejam eles internos ou externos, são fundamentais no sentido que agregam informações necessárias para a melhoria da qualidade de ensino. Além de todas as avaliações já estudadas, existe a avaliação da escola. Esses exames são feitos por órgãos externos, ligados à educação, com o objetivo de verificar a qualidade do processo de ensino-aprendizagem nas escolas, com um olhar “de fora para dentro”. E é sobre isso que iremos tratar nesta aula. 6.1 Avaliação em larga escala retrospectiva A avaliação da educação básica em larga escala tem início no Brasil a partir de 1988, por meio de reformulações importantes que estão em vigor até hoje. Neste ano, o Ministério da Educação (MEC) fez uma aplicação piloto do Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Público (SAEP) de 1º grau, em dois estados: Paraná e Rio Grande do Norte. É importante salientar que nesse 58 período o Banco Mundial exercia grande pressão nos países para que estabelecessem processos avaliativos a fim de medir o impacto de iniciativas que aconteceram nos anos anteriores. Prova Brasil Fonte: https://www.educacaoetransformacao.com.br/wp-content/uploads/2017/09/simu lados-prova-brasil.png De acordo com Bonamino (2002), os sistemas de avaliação criados a partir dali estavam permeados por interesses por parte dos agentes internos aos sistemas, o que gerou uma espécie de paternalismo no processo. No ano de 1990, dá-se início ao 1º ciclo Sistema de Avaliação Educacional do Ensino Público (SAEP), que passou a ser desenvolvido em alguns estados e municípios da federação. Passando a contar com o apoio de professores e técnicos das Secretarias de Educação entre os anos de 1990 e 1993. Mas foi a partir de 1992 que a avaliação em larga escala passa a ser responsabilidade do Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais Anísio Teixeira (INEP). De acordo com Bonamino (2002), paralelamente a essas ações têm início as primeiras avaliações em nível estadual. O segundo ciclo SAEP aconteceu em 1993, nessa fase passa a contar com especialistas em Gestão Escolar, Currículo e Docência de Universidades brasileiras, a fim de aprimorar o sistema de avaliação e obter um reconhecimento social. 59 Em 1995, o sistema de avaliação ganha um novo perfil a partir de empréstimos conseguidos junto ao Banco Mundial (BM), bem como pela terceirização das operações técnicas. Nesse momento o SAEP passa a se chamar Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB). 6.2 O Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) No ano de 1995, ocorre nova reestruturação no sistema de avaliação em larga escala da educação básica, no sentido de centralizar as decisões na União, o que resultou em um afastamento da participação dos Estados. A avaliação passa a acontecer bianualmente, com foco em dois componentes curriculares: português (leitura) e matemática (solução de problemas). O SAEB é uma avaliação amostral de 4ª e 8ª séries do Ensino Fundamental e de 3º ano do Ensino Médio, e envolve estudantes das redes pública e privada de ensino, de zonas urbanas e rurais. No ano de 1996, a partir da promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a avaliação externa do sistema passa a ser reafirmada, instituindo-se a Década da Educação: [...] § 3º Cada Município e, supletivamente, o Estado e a União, deverá: [...] IV - integrar todos os estabelecimentos de ensino fundamental do seu território ao sistema nacional de avaliação do rendimento escolar (BRASIL, 1996). Nesse mesmo ano os financiamentos da Educação Básica são ampliados, assegurando condições para a qualidade da educação e o provimento de insumos, pela Emenda Constitucional 14 (BRASIL, 1996 a), que instituiu o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (FUNDEF). O FUNDEF foi implementado em 1998 e vigorou até 2006. O fundo visava garantir um valor por aluno, correspondente a um padrão mínimo de qualidade de ensino, definido nacionalmente. Também assegurava recursos para a complementação do pagamento de professores em efetivo exercício no magistério no ensino fundamental. Em 2006, a partir da Emenda Constitucional n. 53, é criado o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB), regulamentado pela Lei n. 11.494 60 (BRASIL, 2007) e pelo Decreto n. 6.253 (BRASIL, 2007), com vigência de 2007 até 2020 (BRASIL, 2006). Reflita Mas qual a importância de saber sobre esses decretos e recursos nessa disciplina de avaliação? Ora, esses mecanismos de financiamento serviram para assegurar o cumprimento da obrigatoriedade e melhoria da qualidade do ensino, a qualificação da Educação Básica, um valor por aluno e incremento da remuneração docente. Pontos importantes levantados a partir das avaliações. Voltando ao sistema de avaliação, este veio se desenvolvendo durante toda a década de 1990, no intuito de contribuir para sua consolidação dos mecanismos de financiamentos. Nesse cenário temos diferentes abordagens da avaliação em larga escala. A avaliação da Educação Básica, por meio do SAEB, que tinha como foco avaliar as competências em leitura e matemática. O disfarce dos bichos, exemplode prova SAEB Você já tentou pegar um galhinho seco e ele virou bicho, abriu asas e voou? Se isso aconteceu é porque o graveto era um inseto conhecido como "bicho- pau". Ele é tão parecido com o galhinho, que pode ser confundido com o graveto. Existem lagartas que se parecem com raminhos de plantas. E há grilos que imitam folhas. Muitos animais ficam com a cor e a forma dos lugares em que estão. Eles fazem isso para se defender dos inimigos ou capturar outros bichos que servem de alimento. Esses truques são chamados de mimetismo, isto é, imitação. O cientista inglês Henry Walter Bates foi quem descobriu o mimetismo. Ele passou 11 anos na selva amazônica estudando os animais. Questão 1- O bicho-pau se parece com: (A) florzinha seca. (B) folhinha verde. (C) galhinho seco. (D) raminho de planta. Prova do 5º ano do Ensino Fundamental- Língua Portuguesa. Extraída da página do INEP. Disponível no link: http://portal.inep.gov.br/web/guest/ educacao-basica/saeb/instrumentos-de-avaliacao 61 Posteriormente, em 1998, o sistema educacional passa a ter um novo instrumento, a fim de verificar o rendimento dos estudantes concluintes do Ensino Médio, por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Devido à complexidade do Sistema ENEM, iremos abordá-lo na posteriormente. Saiba mais O INEP possui uma página em que podemos encontrar muitas informações a respeito dos sistemas de avaliação que estamos abordando, bem como outros dados interessantes sobre a educação brasileira. Para aprofundar seus estudos, sugiro que visite o site do INEP, pelo qual você poderá optar por saber mais a respeito do SAEB, as últimas avaliações, rendimento dos estudantes, entre outros assuntos. Disponível no link: http://portal.inep.gov.br/educacao- basica/saeb A partir de 1999, o SAEB passa avaliar, além das competências em Leitura e Matemática, dois outros componentes curriculares: a História e a Geografia. As avaliações contavam também, além das provas, com questionários envolvendo a escola, gestão e perfil docente. 6.3 Participação do Brasil em sistemas internacionais de avaliação Entre os anos de 1997 e 1998, o Brasil passa a participar de projetos internacionais de avaliação em larga escala, sob a coordenação da UNESCO, o que deu início a uma nova fase da avaliação em Educação Básica. Nos anos 2000, o país passa a integrar o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), criado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Saiba mais A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) atua nos âmbitos internacional e intergovernamental e reúne os países mais industrializados do mundo e alguns países emergentes, como México, Chile, Coreia do Sul e Turquia. No âmbito da Organização, os representantes efetuam o intercâmbio de informações e alinham políticas, com o objetivo de potencializar 62 seu crescimento econômico e colaborar para o desenvolvimento de todos os demais países membros. A OCDE, com sede em Paris, França, é um organismo composto por 34 membros. A Organização foi fundada em 14 de dezembro de 1961, sucedendo a Organização para a Cooperação Econômica Europeia, criada em 16 de abril de 1948. Desde 1º de junho de 2006, seu Secretário-Geral é o mexicano José Ángel Gurría Treviño (BRASIL, 2017). Disponível no link: http://www.sain.fazenda.gov.br/assuntos/politicas-institucionais-economico-fina nceiras-e-cooperacao-internacional/ocde O Sistema PISA realizado no Brasil trianualmente é uma avaliação que mensura o nível educacional de estudantes de 15 anos de idade, por meio de exames de Leitura, Matemática e Ciências. O sistema tem como objetivo principal a produção de indicadores que possam contribuir para a ampliação dos debates da qualidade em educação básica, com o intuito de subsidiar políticas nacionais em prol da melhoria em educação. A participação do Brasil no PISA é feita por meio do INEP, o qual é responsável pela aplicação das provas em todo o território nacional. Saiba mais Essa participação tem o intuito de situar o desempenho dos alunos brasileiros no contexto da realidade educacional internacional, além de possibilitar o acompanhamento das discussões sobre as áreas de conhecimento avaliadas pelo Pisa em fóruns internacionais de especialistas. A participação nesse processo de avaliação internacional leva, ainda, à apropriação de conhecimentos e metodologias na área de avaliação educacional. O Inep dissemina informações (resultados, conceitos e metodologias) geradas pelo Pisa aos diversos autores do sistema educacional brasileiro. Participaram do Pisa 2006 57 países. Além dos membros da OCDE, foram convidados 27 países. Disponível no link: http://portal.inep.gov.br/artigo/- /asset_publisher/B4AQV9zFY7Bv/content/o-que-e-o-pisa/21206 Com a aplicação trianual, o PISA possui um foco distinto em cada aplicação: no ano 2000, o foco recaiu na leitura; no ano de 2003, nas habilidades matemáticas; em 2006, o enfoque foi às ciências; em 2009, novamente na leitura, e assim por diante. O foco em determinada área significa que essa será abordada em maior profundidade do que as outras. De acordo com Amaral (2008, p.38): “O PISA não objetiva [...] medir o alcance da formação geral moderna ou delinear o perfil de um currículo internacional”. 63 É importante enfatizar que o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) é o indicador que estabelece os objetivos para o cumprimento de metas do compromisso “Todos pela Educação”, criado pelo Ministério da Educação e de acordo com o nível de qualidade educacional médio dos países membros da OCDE. O IDEB tem como intuito alcançar a média 6,0 até 2022. Para que isso ocorra, diferentes segmentos da área educacional devem evoluir em pontos distintos, a fim de minimizar a desigualdade educacional. Essa meta foi traçada a partir da comparação internacional, sendo possível devido à compatibilização entre a distribuição das proficiências observadas no Pisa e no Saeb. LÍQUEN, exemplo prova PISA Como resultado do aquecimento da Terra, algumas geleiras estão derretendo. Doze anos depois do desaparecimento das geleiras, pequenas plantas chamadas líquens começam a crescer nas pedras. Cada LÍQUEN cresce em forma mais ou menos circular. A relação entre o diâmetro deste círculo e a idade do LÍQUEN pode ser calculada, aproximadamente, por meio da fórmula: d 7.0 t 12 para t 12 em que d representa o diâmetro do LÍQUEN em milímetros, e t representa o número de anos passados depois do desaparecimento das geleiras. LÍQUEN - QUESTÃO 1- Aplicando a fórmula, calcule o diâmetro do LÍQUEN 16 anos depois do derretimento do gelo. LÍQUEN - CORREÇÃO 1- OBJETIVO DA QUESTÃO: Verificar a capacidade do estudante de aplicar uma fórmula dada. Nota 1: Valores corretos usados na fórmula. Ex. d = 7 x (16 - 12) = 14 ou outra forma simplificada e correta Nota 0. Como já mencionado anteriormente, a partir dos anos de 1990, os processos de avaliação em larga escala passaram a operar em sistemas educativos de inúmeros países. A partir de 1995, a avaliação ganhou um reforço extra ao ser terceirizada, passando aos cuidados do poder público federal. Mesmo com o processo de centralização das avaliações em larga escala pelo INEP, os Estados passaram a fomentar modalidades de avaliação próprias. No item a seguir, iremos abordar a expansão das avaliações em larga escala a partir do surgimento do Plano Nacional de Educação (PNE), que por meio de metas específicas para a Educação Básica prevê a melhoria da qualidade da educação no Brasil. 64 6.4 O Plano Nacional de Educação (PNE) PNE Fonte: https://www.unifal-mg.edu.br/comunicacao/sites/default/files/images/20152603 113241.jpeg Em 2001, foi criado o Plano Nacional de Educação (PNE) por meio da Lei n. 10.172 (BRASIL, 2001), sendo elaborado coma participação da sociedade, de associações e entidades de educadores por um processo democrático. Esse plano evidenciou a importância da avaliação educacional em diferentes níveis de ensino, pois é por intermédio dela que o Brasil poderá traçar metas e prioridades para o desenvolvimento educacional. Com relação ao Ensino Fundamental, o plano salienta a necessidade de aperfeiçoamento do Censo Escolar e do Saeb. Para isso prevê a criação de sistemas complementares nos estados e municípios que articulem as atuais funções de supervisão e inspeção no sistema de avaliação. O PNE salienta que estados e municípios não devem medir esforços para assegurar o aumento progressivo do nível de desempenho dos estudantes, por meio da implementação de um programa de acompanhamento que utilize como referencial os indicadores do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica. 65 Para o Ensino Médio, o PNE dispõe sobre a necessidade do acompanhamento de resultados dos sistemas de avaliação, apontando para a importância do Saeb e do ENEM para a melhoria da qualidade do Ensino Médio. Com relação ao Ensino Superior, o PNE estipulou metas referentes à sua expansão, recomendando a institucionalização de um sistema de avaliação. Prevendo a criação de programas de fomento para que as IES constituam seus sistemas de avaliação institucional e de cursos, a fim de elevar os padrões de qualidade do ensino, da extensão e da pesquisa (BRASIL, 2011, s/p). O Plano Nacional de Educação reforçou a necessidade dos mecanismos de avaliação, indicando novos objetivos e metas a serem cumpridas em um prazo determinado. Uma das metas e objetivos do PNE foi com relação à formação e valorização de professores, para isso destacou a importância da “avaliação do desempenho dos professores” (BRASIL, 2001) na conformação da carreira docente, incluindo a promoção de avaliações periódicas da qualidade da atuação desses docentes, a fim de oferecer subsídios que possam orientar programas de formação continuada. Com relação à Gestão e Financiamento da Educação, a avaliação, em todos os níveis, passaria pelo aprimoramento dos sistemas de informação, dos processos de coleta e armazenamento de dados, bem como pela a melhoria das bases de dados da educação. Sendo assim, teríamos um sistema de avaliação com o intuito de verificar a eficácia das políticas públicas educacionais. O PNE aponta que é necessário estabelecer programas de formação de pessoal técnico para os setores de informação, de estatísticas educacionais, de planejamento e de avaliação (BRASIL, 2001), além de aperfeiçoar o SAEB e o censo escolar. Entre as metas e objetivos do PNE, pode-se destacar: Para os Estados: cinco anos para criação de um programa de avaliação de desempenho que atinja, pelo menos, todas as escalas de mais de 50 alunos do ensino fundamental e Médio; 66 Para os Municípios: cinco anos, para a implementação de programas de acompanhamento e avaliação dos estabelecimentos de educação infantil (BRASIL, 2001). Nesse sentido, de acordo com Brasil (2001, s/p), a avaliação deve valer- se de: [...] dados e análises qualitativas e quantitativas fornecidos pelo sistema de avaliação já operado pelo Ministério da Educação, nos diferentes níveis, como os do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB); do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM); do Sistema de Avaliação do Ensino Superior (Comissão de Especialistas, Exame Nacional de Cursos, Comissão de Autorização e Reconhecimento), avaliação conduzida pela Fundação/Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). É importante salientarmos o caráter democrático do Plano, que prevê a participação da sociedade civil e dos grupos diretamente interessados e responsáveis pelos direitos da criança e do adolescente, em todos os níveis de implementação. O que anteriormente não ocorria. Nesse sentido temos, por meio do PNE, uma valorização nos processos de avaliação em todos os níveis. A articulação com a sociedade civil como mecanismo para acompanhamento e avaliação do PNE fez surgir organizações não governamentais (ONGs) e outros tipos de organizações da sociedade civil envolvidas com a educação com o intuito de lutar pela melhoria na educação. Uma das iniciativas da sociedade civil na educação é o movimento Todos Pela Educação, que articula representantes da sociedade civil, da iniciativa privada, organizações sociais, educadores e gestores da educação pública, com a proposta de garantir Educação Básica de qualidade para todos os brasileiros até 2022. Saiba mais O movimento em questão teve início em 2005 e contou com o apoio de diferentes figuras do mundo empresarial, definindo cinco metas para a educação a serem alcançadas até o ano de 2022. Entre elas: Toda criança e jovem de 4 a 17 anos estará na escola; até 2010, 80% e, até 2022, 100% das crianças de 8 anos de idade deverão estar plenamente alfabetizadas; 67 Todo aluno aprenderá o que é apropriado para a sua série; Todo aluno concluirá o Ensino Fundamental até os 16 anos de idade e o Ensino Médio até os 19 anos; O investimento em educação deve ser garantido e gerido de forma eficiente e ética. Disponível no link: https://www.todospelaeducacao.org.br/ A partir da análise de especialistas em avaliação educacional, o movimento Todos Pela Educação definiu a: [...] pontuação mínima considerada adequada às séries: 4ª série EF - Língua Portuguesa: acima de 200 pontos. Matemática: acima de 225 pontos; 8ª série EF - Língua Portuguesa: acima de 275 pontos. Matemática: acima de 300 pontos; 3ª série EM - Língua Portuguesa: acima de 300 pontos. Matemática: acima de 350 pontos” (TODOS PELA EDUCAÇÃO, 2010). De acordo com o exposto nesta aula, você pôde observar que, nas últimas décadas, o Brasil vem avançando no campo educacional, em diferentes níveis e contextos, isso deve-se muito às avaliações em larga escala. Mídias Para dar continuidade ao seu aprendizado, assista à parte dois da teleconferência com Cipriano Luckesi e Jussara Hofmann, Avaliação: caminho para a aprendizagem. Vídeo 02 disponível no link: https://youtu.be/UhutqhCxBrM Conclusão da Aula 6 A avaliação em larga escala, no Brasil, desde seu surgimento, vem trilhando um caminho de avanços e tropeços, mas certamente avançamos. A democratização dos sistemas de avaliação e a participação da sociedade civil e organizada vem demonstrando que todos somos responsáveis pela melhoria da educação brasileira. Atividade de aprendizagem A avaliação em larga escala surge no Brasil em um período de redemocratização do ensino, fortalecendo-se nos anos 2000. Pesquise a respeito desse período da história do nosso país, procurando relacioná-lo com a história da educação nesse cenário de mudanças. 68 Aula 7 – O Exame Nacional do Ensino Médio - ENEM Apresentação da aula 7 O ENEM é uma avaliação externa em larga escala e que tem tido muita evidência nos últimos anos. A sociedade tomou conhecimento desse processo avaliativo a partir dos diferentes enfoques dados pela grande mídia. Esse tipo de exposição provocou uma série de debates com relação à qualidade da educação que vem sendo ofertada no país, bem como questões voltadas para o próprio ENEM. Foi criado em 1988 pelo governo federal, com o intuito de avaliar as habilidades e competências dos concluintes do Ensino Médio, sem uma pretensa classificação para o ensino superior, finalidade que mudou nos últimos anos. 7.1 Exame Nacional do Ensino Médio: contexto histórico Exame Nacional do Ensino Médio Fonte: https://cdn.abcdoabc.com.br/enem_68a0c723.jpg Retrocedendo um pouco na história da educação no Brasil, a reforma no Sistema de Educação Superior que aconteceu no final dos anos de 1960 fez com que a universidade brasileira passasse a adotar o vestibularcomo sistema de acesso às universidades. 69 O vestibular, surgido em um contexto de ditadura militar, passou a ser uma ferramenta que mede o grau de conhecimento dos estudantes em áreas como: Língua Portuguesa; Matemática; Física; Química; Biologia; História; Geografia; Língua Estrangeira. De acordo com Andriola (2011, p.113): [...] a partir de meados dos anos 1990, com o advento da Sociedade da Informação, o conhecimento passou a ser um elemento secundário para o exercício profissional, visto ser um sensível às rápidas mudanças científicas e aos avanços tecnológicos. Ademais, adquiriu uma característica adicional: a portabilidade individual. Cabe aclarar, neste momento, por oportuno: qualquer cidadão pode portar consigo os conhecimentos da humanidade e as últimas descobertas científicas, desde que tenha acesso às novas tecnologias. Nesse cenário surge a figura do vestibulando, sujeito que deve usar a inteligência e a criatividade, além de dominar uma quantidade de informações e uma excelente capacidade de solucionar problemas. Mas junto com o vestibular e os vestibulandos veio uma série de questionamentos envolvendo os processos seletivos. Por exemplo: A educação pública no Brasil oferece as condições necessárias para que o estudante possa competir em pé de igualdade com os alunos oriundos de escolas privadas? O sujeito que não vai bem no vestibular estaria fadado ao fracasso? Conforme já vimos anteriormente, a virada do século XX para o século XXI apresentou inúmeras mudanças no campo educacional, tanto no que diz 70 respeito às novas tecnologias quanto ao mercado de trabalho, tornando-se um grande desafio para a área da educação. Nesse cenário, a universidade brasileira passa a contar com políticas públicas educacionais que resultaram em um novo modelo de Financiamento do Sistema Federal de Educação Superior. As Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) passaram a ser localizadas longe dos grandes centros urbanos, com o intuito de suprir as novas demandas da sociedade brasileira. Em 2007, surge o Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), criando uma configuração para o ensino superior. Nesse momento, a ordem é democratizar o acesso à educação superior, ampliando assim o número de vagas. De acordo com Andriola (2011), nesse contexto o ENEM muda de configuração. Criado no ano de 1998 pelo Ministério da Educação (MEC), tinha como propósito avaliar o desempenho dos estudantes ao término do Ensino Médio, a fim de mensurar as competências e habilidades necessárias ao exercício pleno da cidadania. O Exame Nacional do Ensino Médio era facultativo, exercendo a função de auxiliar a escola na construção do conhecimento do estudante, “[...] desenvolvendo capacidades de aprender, criar, formular, ao invés do simples exercício de memorização [...]” (BRASIL, 2000, p. 5). Em 2005 e nos anos que se sucederam o exame, passa a ser utilizado como critério de seleção para os estudantes que pretendem concorrer a uma bolsa do PROUNI. O Programa Universidade para Todos (PROUNI) foi criado em 2005 a partir da Lei n. 11.096/2005, com a finalidade de oferecer bolsas de estudo em instituições privadas de ensino superior. Atualmente mais de 1.117 de IES públicas e privadas utilizam seu resultado como critério para o ingresso no ensino superior, exclusivamente ou em conjunto com o vestibular. 7.2 Das provas O caderno de provas do Enem, até o ano de 2007, era composto de sessenta e três (63) questões interdisciplinares de múltipla escolha, elaboradas 71 a partir de uma matriz composta de vinte e uma habilidades. Além das questões, a prova contava com uma redação. ENEM Fonte: https://www.tnh1.com.br/fileadmin/_processed_/8/d/csm_Enem_Prova_8f922a8 651.jpg De acordo com Andriola (2011), o Enem tinha como objetivo avaliar o desempenho do estudante ao fim do Ensino Médio, funcionando como um exame diagnóstico e, além disso, possibilitar a utilização da nota do exame como um ganho na média final. A partir do ano de 2009, as questões de múltipla escolha passaram a ser estruturadas em quatro matrizes distintas, uma para cada área de conhecimento, cada uma das áreas composta de quarenta e cinco (45) questões. Nesse momento a prova passa a ser dividida em dois cadernos, aplicada em dois dias. Além das questões, tem-se ainda a proposta de produção de texto (redação). A partir de 2010, o MEC faz uma nova reformulação no ENEM, que passa a ser utilizado como forma de seleção unificada nos processos seletivos dos Institutos Federais de Ensino Superior (IFES). Este novo ENEM inclui provas divididas em quatro áreas do conhecimento: Linguagens, códigos e suas tecnologias (incluindo redação); Ciências humanas e suas tecnologias; 72 Ciências da natureza e suas tecnologias; Matemática e suas tecnologias. Cada uma das áreas compostas por 45 questões de múltipla escolha, a serem realizadas em dois dias, totalizando assim 180 questões. Conforme Andriola (2011), a redação deverá ser realizada em Língua Portuguesa, na forma de texto em prosa, do tipo dissertativo-argumentativo, partindo de um tema de ordem social, científica, cultural e ou política. Número de estudantes participantes do ENEM até 2011 Fonte: https://www.infoenem.com.br/wp-content/uploads/2011/10/grafico_inscritos.png Hoje a prova do ENEM é de ordem interdisciplinar e contextualizada, visando oferecer ao estudante situações complexas para avaliar como ele se sai em determinadas situações que englobam a aplicação de conceitos. É importante salientar que os IFES têm autonomia, podendo escolher entre as quatro formas de utilizar o ENEM, de acordo com Andriola (2011, p.16): Fase única, com o sistema de seleção unificada, informatizado/on- line; Como primeira fase; Como combinado com o vestibular da instituição; Como fase única para as vagas remanescentes do vestibular. 73 Em 2008 é criado o Sistema de Seleção Unificada (SISU), um sistema informatizado sob o gerenciamento do MEC. Por meio dele, os IFES que optarem por participar do sistema selecionarão os estudantes exclusivamente pela nota obtida no Enem de 2009. Essas mudanças na estrutura do ENEM visavam, de acordo com o MEC, uma redemocratização do acesso à universidade. A esse respeito: Foram implementadas mudanças no Exame que contribuem para a democratização das oportunidades de acesso às vagas oferecidas por Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), para a mobilidade acadêmica e para induzir a reestruturação dos currículos do ensino médio (Brasil, 2005). Como você pode observar até aqui, o ENEM vem ao longo dos anos passando por mudanças conceituais e pragmáticas. 7.3 Reestruturação necessária Para além de uma simples avaliação, o ENEM representa uma possibilidade de mudança na estrutura curricular do Ensino Médio. As constantes transformações sociais ocorridas no setor político-econômico tornaram essa reestruturação uma necessidade. Apesar de, nos últimos anos, a educação brasileira ter passado por inúmeras reformas curriculares, por meio de políticas públicas que visam qualidade e equidade para o ensino público, muito ainda temos a aprimorar. A partir dos anos de 1990, essas reformas ganharam fôlego alavancadas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1996, lei essa que garantiu a ampliação da educação básica e o estabelecimento de novas condições de ensino. Essas mudanças trouxeram a necessidade de criação das avaliações públicas devido à necessidade de buscar melhorias na qualidade da educação brasileira. Sendo assim, a avaliação nacional da educação, em diferentes níveis, se constituiu como política reguladora para os diferentes níveis de ensino(LAUTÉRIO; NEHRING, 2012). A LDB nos dispõe sobre a diversidade curricular, dando ênfase às características sociais e culturais de cada escola, defendendo o princípio da 74 igualdade para o acesso e conhecimento escolar, conquistando avanços na educação ao ampliar a obrigatoriedade do Ensino Médio, tornando-o assim parte fundamental correspondente à educação básica brasileira. Apesar desses avanços, foi a partir da Publicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (PCNEM-1999) que tivemos um real avanço no setor. Para você saber mais a respeito das disposições legais sobre o Ensino Médio na LBD de Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, leia o recorte a seguir: [...] Seção IV Do Ensino Médio Art. 35. O ensino médio, etapa final da educação básica, com duração mínima de três anos, terá como finalidades: I - a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos; II - a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores; III - o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico; IV - a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina. Art. 36. O currículo do ensino médio observará o disposto na Seção I deste Capítulo e as seguintes diretrizes: I - destacará a educação tecnológica básica, a compreensão do significado da ciência, das letras e das artes; o processo histórico de transformação da sociedade e da cultura; a língua portuguesa como instrumento de comunicação, acesso ao conhecimento e exercício da cidadania; II - adotará metodologias de ensino e de avaliação que estimulem a iniciativa dos estudantes; III - será incluída uma língua estrangeira moderna, como disciplina obrigatória, escolhida pela comunidade escolar, e uma segunda, em caráter optativo, dentro das disponibilidades da instituição. § 1º. Os conteúdos, as metodologias e as formas de avaliação serão organizadas de tal forma que ao final do ensino médio o educando demonstre: I - domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção moderna; II - conhecimento das formas contemporâneas de linguagem; III - domínio dos conhecimentos de Filosofia e de Sociologia necessários ao exercício da cidadania. § 2º. O ensino médio, atendida a formação geral do educando, poderá prepará- lo para o exercício de profissões técnicas. 75 § 3º. Os cursos do ensino médio terão equivalência legal e habilitarão ao prosseguimento de estudos. § 4º. A preparação geral para o trabalho e, facultativamente, a habilitação profissional, poderão ser desenvolvidas nos próprios estabelecimentos de ensino médio ou em cooperação com instituições especializadas em educação profissional. Trecho extraído dos Parâmetros Curriculares Nacionais Ensino Médio/2000. Disponível no link: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/blegais.pdf Fonte: (BRASIL, De acordo com os eixos estruturadores da educação previstos pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), e que devem constar nas bases curriculares do Novo Ensino Médio, temos: Aprender a conhecer; Aprender a fazer; Aprender a viver; Aprender a ser. Pensar um novo currículo para o Ensino Médio coloca em presença estes dois fatores: as mudanças estruturais que decorrem da chamada “revolução do conhecimento”, alterando o modo de organização do trabalho e as relações sociais; e a expansão crescente da rede pública, que deverá atender a padrões de qualidade que se coadunem com as exigências desta sociedade (BRASIL, 2000, p.7). Nesse sentido, temos uma concepção interdisciplinar de educação, já utilizada nas provas do ENEM, mas bem pouco explorada no Ensino Médio. Temos prevista pelos PCNs a Base Nacional Curricular, assim disposta (BRASIL, 2000): Linguagens, códigos e suas tecnologias; Ciências da natureza, matemática e suas tecnologias; Ciências humanas e suas tecnologias. É importante observar, que, em todas as áreas acima citadas temos a componente tecnologia, lembrando que nas últimas décadas as tecnologias passaram a fazer parte da vida das pessoas em larga escala, esse fator prevê o 76 conhecimento científico e tecnológico como base para a evolução tecnológica. Nesse sentido: A Base Nacional Comum também traz em si a dimensão de preparação para o trabalho. Esta dimensão tem que apontar para que aquele mesmo algoritmo seja um instrumento para a solução de um problema concreto, que pode dar conta da etapa de planejamento, gestão ou produção de um bem. E, indicando e relacionando os diversos contextos e práticas sociais, além do trabalho, requer, por exemplo, que a Biologia dê os fundamentos para a análise do impacto ambiental, de uma solução tecnológica ou para a prevenção de uma doença profissional. Enfim, aponta que não há solução tecnológica sem uma base científica e que, por outro lado, soluções tecnológicas podem propiciar a produção de um novo conhecimento científico (BRASIL, 2000, p. 18). Sendo assim, temos como bases para a melhoria do Ensino Médio o currículo, a formação de professores, a gestão em educação e a educação para o trabalho. 7.4 Os reflexos do ENEM na Educação Básica Neste item, faremos uma breve reflexão a respeito dos reflexos do Exame Nacional do Ensino Médio na Educação Básica. As novas políticas públicas em educação implementadas nos últimos anos têm utilizado as avaliações em larga escala como parâmetro para a melhoria da qualidade em educação. De acordo com Castro e Tiezzi (2005, p.133), o ENEM pode ser considerado como uma ferramenta de mudanças, no sentido que “[...] expressa no que é avaliado aquilo que deveria ter sido ensinado”. Esse cenário criado pelo sistema ENEM tende a reorientar a prática docente, refletindo assim em mudanças significativas na maneira de dar aula e de conceber o conhecer. Pode-se observar que o exame vem impactando cada vez mais no PPP das escolas. Nesse sentido: [...] o que as políticas públicas pedem que eles façam; como as novas atuações se comparam às atuais e anteriores; quais mudanças devem ser feitas, dentre as atividades que já realizam; quais atividades devem manter; quando e como realizarão as mudanças pretendidas/projetadas; o que seus colegas fazem e o que os administradores e pais esperam que eles façam, por exemplo (MIZUKAMIETAL, 2000, p.77). 77 É importante salientar que, para que as mudanças e adaptações necessárias da prática docente e do currículo escolar aconteçam, educadores, gestores e sociedade em geral devem repensar a educação e os conhecimentos adquiridos. Mudanças demandam tempo e disponibilidade. O docente deve, em sua prática pedagógica, mobilizar diferentes saberes que correspondam às expectativas das políticas públicas, que têm o ENEM como um modelo a alcançar. Nesse sentido, o ENEM deve deixar de ser o “bicho-papão” temido por educadores e educandos, passando a ser utilizado como aliado na construção de uma educação que valorize o estudante em suas distintas competências e prepare-o para mundo do trabalho e para as situações do cotidiano de forma interdisciplinar. Mídias A presidente do Inep, Maria Inês Fini, falou ao Educação no Ar sobre a preparação para as provas do ENEM. Para saber mais a respeito disso, assista ao vídeo concedido à TV do MEC. Disponível no link: https://youtu.be/CvgT50C b95U Saiba mais Para saber mais a respeito das questões impostas em nossas aulas, sugiro a leitura do livro Avaliação em Larga Escala: foco na escola,de Flavia Obino Corrêa Werle. Conclusão da aula 7 O Exame Nacional do Ensino Médio traz em si uma proposta de mudança. Como você pôde observar, seu percurso até aqui tem gerado bastante controvérsia entre educadores, estudantes e sociedade civil. O fato que não se pode negar é que mudanças são necessárias no atual cenário da Educação Básica brasileira. Existem questões que precisam ser problematizadas com 78 relação à elaboração e aplicação do sistema, a fim de que se torne uma ferramenta mais justa de avaliação do ensino e de ingresso à universidade. Atividade de aprendizagem De acordo com o exposto em nossa aula, sabemos que avaliação proposta no sistema ENEM passou por mudanças ao longo dos anos. Muitas delas têm causado controvérsia. Pesquise a respeito dos principais debates em torno da Prova ENEM e aponte os principais pontos positivos e negativos, se existirem. Aula 8- A avaliação como ferramenta para a melhoria da educação Apresentação da aula 8 Para que as políticas públicas na área educacional possam ser pensadas e implementadas, não se pode prescindir de diagnóstico, para tanto, um sistema de informação e avaliação é instrumento fundamental para o conhecimento das características e dos atributos dos diferentes atores educacionais (escolas, alunos, professores, entre outros), como também dos relacionamentos entre eles. É pensando nisso que nesta aula iremos discutir sobre a importância dos sistemas de avaliação para a melhoria da educação no nosso país. 8.1 O diagnóstico não é garantia de uma educação de qualidade Os sistemas de avaliação da escola e em larga escala tornaram-se indicadores para a criação de novas políticas públicas educacionais. Mas a ênfase no rendimento escolar como resultado de qualidade da educação tem sido bastante simplista. Isso quer dizer que o diagnóstico a partir desses sistemas não vem garantindo uma educação de qualidade, pois isso depende de inúmeros fatores alheios às avaliações. 79 Programa Internacional de Avaliação de Alunos Fonte: https://3diassociates.files.wordpress.com/2014/04/pisa-1.jpg?w=584 Além de reavaliarmos o sistema de avaliação, deve-se criar uma ampla rede de discussões entre educadores, educandos, governo e sociedade civil sobre o real sentido desses exames, levando em consideração todo um processo de planejamento, gastos consideráveis do dinheiro público, sem mencionar a perspectiva de padronização dos saberes em um país multicultural. Portanto, se as avaliações em larga escala conseguissem, sozinhas, uma melhoria na qualidade de educação, certamente o Brasil seria o país com um dos melhores desempenhos dos estudantes no mundo. O número de avaliações da educação a nível municipal, estadual e federal no país supõe que temos indicadores suficientes para a melhoria de qualidade na área educacional, como a avaliação dos gestores, da escola, dos professores, dos estudantes, da realidade socioeconômica e assim por diante. Se retrocedermos um pouco mais no tempo, vamos constatar que já na década de 1970, tínhamos uma avaliação externa que visava determinar os níveis de escolaridade e o rendimento escolar, realizada pelo Programa de Estudos Conjuntos de Integração Econômica Latino-Americana. Conforme vimos anteriormente, desde o ano de 1988, o MEC vem realizando distintas formas de avaliação do sistema de ensino. Desde essa época são feitas análises estatísticas que comprovam que temos problemas sérios a enfrentar no campo educacional, ou seja, todos esses dados coletados em décadas deveriam estar resultando em políticas de melhoria da Educação Básica. Que de acordo com Werle, Luckesi e outros autores correspondem aos maiores problemas do campo no país. 80 Nesse sentido parece que estamos desperdiçando tempo e dinheiro em iniciativas que não geram resultado algum. Se, ano após ano, os resultados obtidos em diferentes sistemas de avaliação do ensino demonstram que o rendimento escolar dos estudantes continua abaixo do esperado, é sinal que estamos indo na direção errada. 8.2 Mas afinal, em que estamos errando? Reflita Mas onde está o erro? No tipo de exame? Nas amostragens? Na leitura de dados? Na escola? Nos professores? Na falta de investimentos por parte do governo, ou nos alunos? Na falta de incentivo ao professor? Na falta de qualificação de gestores e professores? Na imagem a seguir, temos um raio X das escolas do país com relação à infraestrutura básica que as escolas da Educação Básica devem ter, a partir de pesquisa do censo escolar, tabulada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Esse é apenas um ponto que tem colaborado para os baixos índices de rendimento dos estudantes. Escolas que não possuem banheiro, ou não funcionam, sem bibliotecas básicas, sem refeitório e assim por diante. Raio X das escolas brasileiras Fonte: http://especiais.g1.globo.com/educacao/2015/censo-escolar-2014/assets/lousa- raio-x-das-escolas-do-pais.png 81 É importante observarmos que esses índices são uma média do país, em algumas regiões essas taxas são ainda mais alarmantes. Um dos fatores que agravam esses problemas é a descontinuidade nos planos de ação que resultariam em políticas públicas, ou seja, de um governo para o outro muda-se o foco de investimentos e de planos de ações, isso em uma perspectiva macro. As escolas também passam por processos semelhantes com a constante troca de professores. Todos esses fatores vêm dificultando o desenvolvimento de um processo educativo mais integrado e sequencial, impedindo a identificação de gestores e professores com o resultado da escola. Nessa linha de raciocínio, apesar de termos consciência que algumas ações de políticas públicas foram conduzidas pelos resultados dessas avaliações, é necessário pensarmos no que se passa no interior das redes e das próprias escolas. Portanto temos aqui três importantes aspectos a considerar: O descaso para com as avaliações; A descontinuidade de políticas; E os problemas intrínsecos às escolas (gestão, ensino- aprendizagem, entre outros). Os resultados educacionais abaixo da média e uma população desprovida de instrumentos básicos do conhecimento para que possa pensar em uma melhoria na sua qualidade de vida. 8.3 A influência da mídia e a divulgação dos resultados Como já visto anteriormente, todo sistema de avaliação deve ter em seu planejamento a previsão da publicação dos resultados obtidos para as escolas, estudantes e sociedade civil. Mas o que vemos é a imprensa agindo de forma estereotipada e sensacionalista, focando em pontos controversos da aplicação das provas, dos estudantes que atrasaram e perderam a chance de realizar os exames e assim por diante. A maioria da população acaba se contentando com esse tipo de informação que nada agrega a uma discussão necessária sobre os reais 82 problemas do sistema de ensino. A divulgação nas redes não é planejada, e a maneira que se apresenta os dados não é de fácil compreensão para o público leigo. As páginas responsáveis pela publicação de resultados e pela leitura de dados, como é o caso da página do INEP, não produzem informações de fácil entendimento para todos. Temos nesse cenário caótico mais de 60 milhões de estudantes matriculados na Educação Básica e que necessitam de transparência e de ações efetivas em prol da melhoria da qualidade do ensino. A qualidade educacional não se traduz apenas por resultados em sistemas avaliativos, pois passa por questões como a existência de uma filosofia educacional, assim como pela consciência do papel social da educação. Sendo assim, passa por elementos formativos que extrapolam a simples aquisição de conhecimentos. A qualidade em educação passa pela redefinição dos papéis da educaçãono cenário atual, bem como pela equidade nos processos educacionais. Nesse sentido: [...] Isso conduz à rediscussão do papel da educação em qualquer processo de harmonização social, bem como à conciliação de estratégias educacionais que contenham uma linha de ação de forte conteúdo democrático. Em outras palavras, a educação não seria nem muito centralizada, nem teria de ser regulada unicamente pelo mercado. Haveria um tácito reconhecimento do outro e negociação de formas de trabalho comuns. O papel a defendermos define-se pela capacidade de organizar a conciliação, colocar todas as informações necessárias na mesa de negociações, avaliar resultados, atuar onde necessário e garantir o respeito às regras do jogo aceitas por todos (INEP, 2000, p.22). Igualdade de direitos para todos os cidadãos deveria ser uma premissa básica em educação, o que não tem ocorrido. Os índices de analfabetismo das pessoas com mais de 15 anos de idade diminuíram nas últimas décadas, mas ainda continuam alarmantes. Temos em média 12% de analfabetos no país, a segunda maior média do continente. Importa observar que esses índices variam de região para região, sendo em torno de 7% nas áreas urbanas das Regiões Sudeste e Sul e 40% na região do Nordeste rural. Com relação à Educação Infantil e ao Ensino Médio, temos uma demanda bem maior que a oferta em grande parte das regiões brasileiras. Apesar de 83 termos um ingresso maior dos estudantes no Ensino Básico, as constantes reprovações comprovam que existe uma defasagem com relação à idade/série, de acordo com dados apresentados pelo INEP. Essa questão da permanência dos estudantes nas escolas merece a atenção especial dos nossos gestores e do Estado, pois esse percurso nos vários anos de escolarização é um importante indicador de qualidade na educação. Questões de evasão e abandono devem ser tratadas como prioridade, bem como a sequência do nível fundamental para o médio, a fim de que o gargalo da educação, que afunila do ensino fundamental até chegar à universidade, possa se tornar mais igualitário. IDEB - Resultados e Metas Fonte: http://ideb.inep.gov.br/resultado/resultado/resultadoBrasil.seam?cid=276738 Os índices apontam para avanços no que se refere ao aumento de vagas no sistema educacional, mas com relação à permanência ainda temos muito que avançar, a fim de buscar melhor adequação do percurso desses estudantes nas séries escolares, primando pela qualidade do ensino ofertado. 84 Para que a educação brasileira atinja a qualidade esperada, algumas políticas e ações públicas precisam ser repensadas, resultando em iniciativas concretas em relação ao desenvolvimento do currículo em sala de aula. 8.4 Qualidade educacional X resultados De acordo com Sousa (2013, p.413), temos a seguinte noção de qualidade da educação: A educação de qualidade visa à emancipação dos sujeitos sociais e não guarda em si mesma um conjunto de critérios que a delimite. É a partir da concepção de mundo, sociedade e educação que a escola procura desenvolver conhecimentos, habilidades e atitudes para encaminhar a forma pela qual o indivíduo vai se relacionar com a sociedade, com a natureza e consigo mesmo. A “educação de qualidade” é aquela que contribui com a formação dos estudantes nos aspectos culturais, antropológicos, econômicos e políticos (SOUZA, p. 413). No sentido descrito por Souza (2014), o ensino de qualidade está intrinsecamente ligado à transformação da realidade. De acordo com o documento Conferência Nacional de Educação/2014, do CONAE, temos indicações específicas com relação à avaliação: Garantir, por meio do PNE e do SNE, condições para que as políticas educacionais, concebidas e implementadas de forma articulada entre os sistemas de ensino, promovam a “efetivação de uma avaliação educacional emancipatória para a melhoria da qualidade dos processos educativos e formativos”. Acompanhamento, monitoramento e avaliação de políticas e planos nacionais, estaduais e municipais de educação, com ampla, efetiva e democrática participação da comunidade escolar e da sociedade. Criação do sistema nacional de avaliação da educação básica e consolidação do sistema nacional de avaliação da educação superior e pós-graduação, visando à melhoria da aprendizagem, dos processos formativos e de gestão, respeitando a singularidade e as especificidades das modalidades, dos públicos e de cada região. A avaliação precisa abranger não apenas da aprendizagem, mas também os fatores que a viabilizam, tais como: políticas, programas, ações, de modo que a avaliação da educação esteja embasada por uma concepção de avaliação formativa que considere os diferentes espaços e atores, envolvendo o desenvolvimento institucional e profissional, articulada com indicadores de qualidade. A avaliação deve considerar não só o rendimento escolar, mas precisa analisar todo o processo educativo, levando em consideração as variáveis que contribuem para a aprendizagem, tais como: os impactos da desigualdade social e regional nas práticas pedagógicas; os contextos culturais nos quais se realizam os processos de ensino-aprendizagem; a qualificação, os salários e a carreira dos/das professores/as; as condições físicas e equipamentos das instituições educativas; o tempo diário de 85 permanência do/da estudante na instituição; a gestão democrática; os projetos político-pedagógicos e planos de desenvolvimento institucionais construídos coletivamente; o atendimento extra turno aos/às estudantes; e o número de estudantes por professor/a na educação em todos os níveis, etapas e modalidades, nas esferas pública ou privada. Induzir processo contínuo de autoavaliação institucional (SOUZA, 2014, p.414). Todas essas propostas estão pautadas na busca de uma educação de qualidade e apontam para uma avaliação que de acordo com Souza (2014, p. 415): Permita o julgamento da realidade educacional, em sua diversidade, além de apoiar políticas e programas em todos os níveis; Resulte em dados capazes de demarcar iniciativas das diversas instâncias governamentais; Abarque indicadores relativos ao acesso, aos insumos, processos e resultados; Analise os determinantes intra e extra-institucionais que condicionam a qualidade da educação; Resulte no estabelecimento de relações compartilhadas, dando centralidade ao controle social da qualidade da educação. Nesse sentido, tem-se o desafio de implementar um processo de avaliação que vise à democratização da educação, possibilitando: uma ampla análise da implementação das políticas na área educacional; A participação das escolas na definição de prioridades e encaminhamentos de decisões que visem à melhoria do seu trabalho. 86 Todas essas considerações devem servir para complementar a visão de qualidade da educação, em conjunto com os dados obtidos nos diversos sistemas de avaliação disponíveis no país. Aliados a um conjunto de fatores que ampliam a perspectiva sobre a dinâmica dos sistemas avaliativos, contribuindo para uma participação mais efetiva da escola. Importante As questões aqui levantadas servem para que você, estudante, possa refletir sobre o real papel da avaliação da educação no cenário atual. Nosso intuito não é desqualificar nenhum deles, mas aumentar o debate com relação à efetividade dos diferentes sistemas. 8.5 Como mudar essa realidade? Os sistemas avaliativos consolidados nos últimos anos têm gerado dados relacionados a diferentes segmentos da educação, mas eles não têm sido trabalhados e discutidos de maneira satisfatória. Fato este que resulta em uma visão simplificada da qualidade em educação, reduzindo-a apenas ao rendimento dos estudantes. Tudo isso, além de apontar para algumas falhas nesses sistemas, aponta para a necessidade de aperfeiçoamento desses processosavaliativos, pois estes se configuram como importantes instrumentos para definição e redefinição de políticas e propostas no campo educacional. Todo o sistema de avaliação, seja ele ENEM, ENADE, Prova Brasil ou outro, deve ter um referencial claro como ponto de partida, buscando um consenso entre educadores, avaliadores e sociedade civil. O que requer transparência em todo o processo. As avaliações não devem ser guiadas por interesses partidários, devendo ter como foco subsidiar novas ações e alternativas para problemas reais, além de colaborar para a tomada de decisões no campo educacional. De acordo com Souza (2014, p. 416): Quando um processo de avaliação não tem nenhuma consequência ele perde todo o sentido, perde em credibilidade, perdendo-se oportunidades de mudar situações, melhorar condições etc. As 87 avaliações não têm sido tomadas como suporte para políticas coerentes nos três níveis da gestão escolar. Também avaliações educacionais não podem ser condenatórias, classificatórias, se seu escopo é verdadeiramente educacional, verdadeiramente educativo. No item a seguir você irá entender como o professor tem reagido ao desafio de mudar a sua prática em sala de aula em função dos sistemas de avaliação em larga escala. 8.6 O papel do professor em meio às mudanças A metodologia e os conteúdos utilizados nas avaliações nem sempre condizem com a realidade das escolas. A interdisciplinaridade, por exemplo, nem sempre é trabalhada em sala de aula, pois então como associar essas “habilidades” enunciadas com o trabalho cotidiano do ensino, com os processos envolvidos nas aprendizagens? É necessário, pois, que haja por parte dos educadores, uma apropriação desses resultados a fim de que, se necessário, possam mudar a sua prática. Claro que isso não é uma tarefa tão simples assim. Para que isso aconteça, em primeiro lugar os especialistas pela interpretação e publicação dos dados devem traduzi-los de forma que todos possam compreender com o que estão lidando. Nesse sentido, a interpretação clara dos dados obtidos e uma discussão a respeito da metodologia e dos conteúdos utilizados nos exames devem resultar em ações a serem implementadas no cotidiano escolar. Quando os professores perceberem, por meio de orientação adequada, que os dados obtidos nesses processos podem auxiliá-los em sua prática, certamente teremos uma melhoria da qualidade do ensino ofertado. Mas se continuarmos com dados fragmentados que resultam em divulgações gerais e com uma interpretação pedagógica deficitária, pouco sentido didático haverá para esse professor aprimorar. Mídias A Finlândia é um dos países com melhor rendimento na avaliação do Sistema PISA nos últimos anos. Para que você possa entender um pouco a respeito do sucesso desse país assista ao vídeo O que podemos aprender com o sistema 88 de educação da Finlândia? (Conexão Futura) Canal Futura. Disponível no link: https://youtu.be/dQPE9Y_VSAI Conclusão da aula 8 De acordo com o exposto nesta última aula, percebe-se que é necessário envolver mais a população, em geral, e os pais dos estudantes, gestores e professore na compreensão e discussão desses resultados. Para os educadores das redes, resta o desafio de certo esforço para compreensão dos dados divulgados. As escolas deverão ter um suporte pedagógico para, a partir dos dados obtidos, incorporá-los como elementos orientadores de suas ações. Atividade de avaliação O sistema educacional brasileiro não pode prescindir da avaliação em seus diferentes níveis. Por meio de um pequeno texto, comente a afirmativa. https://youtu.be/dQPE9Y_VSAI 89 Índice Remissivo A avaliação ao longo da História, avaliação tradicional ............................... (Didática dedutiva; fundamentação eclesiástica; pedagogia tradicional) 28 A avaliação como ferramenta para a melhoria da educação ....................... (Diagnóstico; fundamental avaliar; sistema educacional) 78 A Avaliação da aprendizagem ao longo da história ..................................... (Conceitos; desenvolvimento histórico; processos avaliativos) 18 A avaliação do processo de ensino-aprendizagem ..................................... (Auxiliar; conceito de avaliação; ensino-aprendizagem) 09 A Avaliação e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional ............... (Avaliação contínua; caminhos e critérios; orientação) 14 A influência da mídia e a divulgação dos resultados .................................... (Abandono e evasão; índices de analfabetismo; resultados e metas) 81 A Pedagogia dos testes no Brasil ................................................................ (Metas de aprovação; metodologia tradicional; Ratio Studiorum) 41 Abordagens teórico-metodológicas da autoavaliação da escola ................. (Fenômenos educativos; qualitativa; quantitativa) 53 Aula expositiva dialogada ........................................................................... (Atividades realizadas; conhecimento; diálogo) 44 Autoavaliação ............................................................................................. (Autoconhecimento; experiências vividas; Parâmetros Curriculares Nacionais) 46 Avaliação Diagnóstica ................................................................................ (Psicologia Cognitiva; rotulação; Taxonomia de Bloom) 31 Avaliação educacional no Brasil: breve histórico ......................................... (Jesuítas; Manifesto Pioneiro; metodologia própria) 22 Avaliação Educacional: contextos atuais .................................................... (Avaliar; processos de ensino; objetivos e funções) 25 Avaliação em larga escala retrospectiva ..................................................... (INEP; Prova Brasil; SAEP) 57 Avaliação Escolanovista ............................................................................. (Aspectos intelectuais; educação pragmática; Manifesto dos pioneiros) 29 Avaliação Formativa ................................................................................... (Autoavaliação; práticas de avaliação; verificação do rendimento) 34 Avaliação institucional da escola ................................................................. 50 90 (Autoavaliação; coavaliação; PPP) Avaliação Somativa .................................................................................... (Diagnosticar; controlar; raiz tradicional) 36 Avaliação Tecnicista ................................................................................... (Epistemologicamente; pedagogia nova; perspectiva tecnicista) 30 Avaliação: natureza, concepções procedimentos ...................................... (Aceitar e lutar; assumir posição; práticas avaliativas) 09 Avaliações externas ou avaliações em larga escala .................................... (Ensino-aprendizagem; processo avaliativo; qualidade processual) 57 Breve história da avaliação educacional ..................................................... (Acertos e erros; avaliação de aprendizagem; sistemas de seleção) 18 Como mudar essa realidade? ..................................................................... (ENADE; ENEM; Prova Brasil) 86 Como se dá o processo de autoavaliação da escola? ................................. (Implementação; preparação; síntese) 54 Conceitos de Avaliação ............................................................................... (Dinâmica; planejar; referir) 13 Das provas .................................................................................................. (Avaliar o desempenho; IFES; SISU) 70 Discussão por meios informatizados: redes sociais, Blogs, Chats .............. (Conectivismo; Net Generation; Siemens)46 Exame Nacional do Ensino Médio: contexto histórico ................................. (Conhecimento; inteligência e criatividade; PROUNI) 68 Mas afinal, em que estamos errando? ........................................................ (Censo escolar; INEP; resultados educacionais) 80 Mas o que é avaliação formativa emancipatória? ........................................ (Avaliação democrática; crítica institucional; pesquisa participante) 35 Níveis sociológicos da avaliação ................................................................. (Macrossociológico; mesossociológicos; microssociológicos) 49 O diagnóstico não é garantia de uma educação de qualidade ..................... (Educação básica; melhoria na educação; OECD) 78 O Exame Nacional do Ensino Médio - ENEM .............................................. (Avaliação externa; habilidades e competências; qualidade da educação) 68 O papel do professor em meio às mudanças ............................................... (Apropriar-se dos resultados; metodologia e conteúdo; mudança) 87 O Plano Nacional de Educação (PNE) ........................................................ (Censo Escolar; gestão; qualidade) 64 91 O que é avaliação? ..................................................................................... (Avaliar; critérios e objetivos; prática pedagógica) 10 O Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) ................................ (ENEM; FUNDEB; SAEB) 59 Os reflexos do ENEM na Educação Básica ................................................. (Avaliação em larga escala; Educação Básica; novas políticas públicas) 76 Para que avaliar a educação? ..................................................................... (Âmbito educacional; níveis de avaliação; visão simplista) 48 Participação do Brasil em sistemas internacionais de avaliação ................. (Educação básica; IDEB; OCDE) 51 Procedimentos e instrumentos técnico-metodológicos em Educação ........ (Avaliação escolar; instrumentos avaliativos; problemas educacionais) 39 Provas dissertativas, objetivas ou orais ...................................................... (Assimilação; índices de aprovação; pedagogia dos exames) 42 Qualidade educacional X resultados ........................................................... (Ampla análise; CONAE; participação das escolas) 84 Reestruturação necessária ......................................................................... (Ensino público; qualidade e equidade; UNESCO) 73 Reflexões sobre os instrumentos avaliativos .............................................. (Diferentes instrumentos de avaliação; formação do indivíduo; pedagogia dos testes) 39 Relatório (individual ou em grupo) e ensaios ............................................... (Atividade prática; recurso didático; relatórios) 43 Retomando a discussão sobre avaliação .................................................... (Ensino-aprendizagem; fazer pedagógico; pedagogia do exame) 27 Seminário e Portfólio ................................................................................... (Estimular a criatividade; exposição; modalidade avaliativa) 44 Sistemas de Avaliação da Educação no Brasil ............................................ (Avaliação de desempenho; avaliação institucional; avaliação rendimentos) 48 Tipos de avaliação ...................................................................................... (Diagnóstica; formativa; somativa) 31 Tipos de avaliação de aprendizagem .......................................................... (Avaliação diagnóstica; como avaliar; sistema de ensino) 27 Trabalho em Grupo ..................................................................................... (Dinamizar; estimular; metas tangíveis) 42 92 Referências ALBUQUERQUE, T. de S.; Trajetória da avaliação educacional e da aprendizagem no Brasil: fundamentos e práticas. In: ALBUQUERQUE, T. de S.; OLIVEIRA, E. da S. G.; Avaliação Educacional. Curitiba: IESDE Brasil S. A., p. 85-105, 2009. AFONSO, A.; Avaliar a escola e a gestão escolar: elementos para uma reflexão crítica. In: ESTEBAN, M. T. (Org.). Escola, currículo e avaliação. São Paulo: Cortez, 2003. ALLAL, L.; CARDINET, J.; PERRENOUD, P.; A avaliação formativa num ensino diferenciado. Coimbra: Livraria Almedina, 1986. ANDRIOLA, W. B.; Doze motivos favoráveis à adoção do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pelas Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes). Ensaio: avaliação e políticas públicas em Educação. [on-line]. 2011, vol.19, n.70. 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