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Pós Gatos - Cap2

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CARDIOLOGIA, DOENÇAS 
MUSCULOESQUELÉTICAS, 
NEUROLOGIA, TOXICOLOGIA, 
DOENÇAS INFECCIOSAS E 
ZOONOSES
Elaboração
Renée Cristine Carvalho
Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO ...................................................................................................................................................................................... 4
ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA ................................................................................................. 5
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................................................. 7
UNIDADE I
DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA ..................................................................................................................................... 9
CAPÍTULO 1
DOENÇAS BACTERIANAS, PARASITÁRIAS E FÚNGICAS .................................................................................................................... 9
CAPÍTULO 2
DOENÇAS VIRAIS ................................................................................................................................................................................................ 27
CAPÍTULO 3
TOXICOLOGIA ....................................................................................................................................................................................................... 57
UNIDADE II
DOENÇAS NEUROLÓGICAS, MUSCULOESQUELÉTICAS E CARDIOLÓGICAS .......................................................................................... 71
CAPÍTULO 1
DOENÇAS NEUROLÓGICAS ............................................................................................................................................................................. 71
CAPÍTULO 2
DOENÇAS MUSCULOESQUELÉTICAS ....................................................................................................................................................... 89
CAPÍTULO 3
CARDIOLOGIA E DOENÇAS DO CORAÇÃO ............................................................................................................................................ 109
REFERÊNCIAS ...................................................................................................................................................................................... 126
4
APRESENTAÇÃO
Caro aluno
A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se 
entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. 
Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como 
pela interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia 
da Educação a Distância – EaD.
Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos 
conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos 
da área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém ao profissional 
que busca a formação continuada para vencer os desafios que a evolução científico-
tecnológica impõe ao mundo contemporâneo.
Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo 
a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na 
profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira.
Conselho Editorial
5
ORGANIZAÇÃO DO CADERNO 
DE ESTUDOS E PESQUISA
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em 
capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de 
textos básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam 
tornar sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta 
para aprofundar seus estudos com leituras e pesquisas complementares.
A seguir, apresentamos uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos 
Cadernos de Estudos e Pesquisa.
Provocação
Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto 
antes mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para 
o autor conteudista.
Para refletir
Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma 
pausa e reflita sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em 
seu raciocínio. É importante que ele verifique seus conhecimentos, suas 
experiências e seus sentimentos. As reflexões são o ponto de partida para 
a construção de suas conclusões.
Sugestão de estudo complementar
Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do 
estudo, discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.
Atenção
Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam 
para a síntese/conclusão do assunto abordado.
6
ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA
Saiba mais
Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/
conclusões sobre o assunto abordado.
Sintetizando
Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando 
o entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.
Para (não) finalizar
Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a 
aprendizagem ou estimula ponderações complementares sobre o módulo 
estudado.
7
INTRODUÇÃO
A medicina de felinos tem se difundido mundialmente, e muitos estudos têm sido 
realizados sobre a espécie à guisa da popularização da espécie. Ao longo dos últimos 
anos, com a mudança na rotina dos seres humanos, o gato tem crescido em popularidade 
entre os animais domésticos, ultrapassando os cães em diversos países ao redor do 
mundo. 
Já é clássica a afirmação de que “o gato não é um cão pequeno”, o que é uma verdade 
questionável, uma vez que a anatomia, a fisiologia e as patologias que envolvem as duas 
espécies diferem em diversos pontos. Por esse motivo, dentro da clínica de pequenos 
animais, criou-se a especialidade de felinos para melhor compreender e atender às 
necessidades do gato doméstico e seus peculiares tutores.
Nesta disciplina, veremos os seguintes tópicos: doenças infecciosas e zoonoses, 
toxicologia, neurologia, doenças musculoesqueléticas e cardiologia. São muitos assuntos 
para pouco tempo, mas procuramos enfatizar os pontos mais importantes e que 
levantam mais dúvidas entre os veterinários. Esperamos, com isso, desmistificar o 
paciente felino que, apesar de ser bem diferente do paciente canino, não é um ser de 
outro mundo.
Objetivos
 » Apresentar as principais doenças infecciosas de felinos e doenças com 
potencial zoonótico transmitidas pelo gato.
 » Identificar as principais plantas tóxicas e substâncias nocivas para o gato.
 » Estudar as alterações neurológicas, musculoesqueléticas e cardiológicas mais 
comuns que acometem os gatos domésticos.
 » Discutir métodos diagnósticos e os tratamentos mais atuais empregados na 
medicina de felinos.
9
UNIDADE I
DOENÇAS 
INFECCIOSAS, 
ZOONOSES E 
TOXICOLOGIA
CAPÍTULO 1
Doenças bacterianas, parasitárias e 
fúngicas
Esporotricose
A esporotricose se tornou endêmica no Rio de Janeiro. Por esse motivo, a Fundação 
Oswaldo Cruz (Fiocruz), que possui ampla pesquisa sobre a doença, publicou 
em seu site diversas informações e documentários para ajudar a população a 
conhecer mais sobre a doença e suas formas de transmissão, buscando reduzir, 
assim, o número de abandonos e consequente agravamento da disseminação. O 
site é aberto a todos e pode ser uma ótima forma de ajudar os donos de gatos 
portadores a conhecer e lidar com a situação.
Disponível em: https://portal.fiocruz.br/esporotricose.
A esporotricose é uma doença fúngica sistêmica que pode acometer humanos e animais, 
causada pela família de fungos Sporothrix sp., tendo por representante mais conhecido 
o Sporothrix schenkii. É uma zoonoseamplamente disseminada na Região Sudeste, 
especialmente no Rio de Janeiro, apresentando também disseminação mundial, porém, 
em ocorrências muito menores. O fungo é saprófito, sobrevivendo em matéria orgânica 
no solo, como vegetação morta, terra e plantas. A esporotricose era conhecida como 
“doença do jardineiro”, tendo em vista que essa profissão, por lidar com terra e plantas 
como roseiras que facilmente perfuram a pele com seus espinhos, era mais acometida 
do que qualquer outra. 
Os gatos, por realizarem sua eliminação na terra e utilizarem troncos de árvores para 
afiar as unhas, são muito suscetíveis. Além disso, a transmissão entre os animais fez 
com que gatos errantes se tornassem ainda mais vulneráveis. 
10
UNIDADE I | DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA
Infelizmente, o fato de muitas pessoas, ao verem o animal tomado por lesões cutâneas, 
abandonarem os gatos em locais longe de sua residência espalhou ainda mais a doença, 
causando um quadro de epidemia no estado do Rio de Janeiro e espalhando para outros 
estados fronteiriços.
A infecção se dá após a inoculação do fungo no organismo por meio de punção, 
mordida ou arranhão. A característica dimórfica do micro-organismo faz com que ele 
sofra mutação para a fase de levedura no organismo. O fungo passa por um período 
de incubação de cerca de um mês para, então, se manifestar clinicamente.
Há três síndromes clínicas de esporotricose conhecidas em gatos:
 » cutânea localizada;
 » linfocutânea;
 » multifocal disseminada.
As lesões são mais comumente observadas em face, pontas de ouvidos, plano nasal e 
membros, podendo ser solitárias ou múltiplas. As lesões têm início como ferimentos 
puntiformes com secreção que podem se assemelhar a abscessos de origem bacteriana. 
Quando a lesão se inicia em plano nasal, pode-se confundir com criptococose, pois o 
nariz do animal incha, ficando com aspecto de “nariz de palhaço”. É possível, com a 
evolução da doença, observar proliferação tecidual na parte interna das narinas. As 
lesões podem, então, ulcerar e disseminar-se pelo corpo. Assim, a forma localizada pode 
evoluir para a forma linfocutânea, acometendo o subcutâneo e os linfonodos regionais. 
Quando o animal não recebe o tratamento adequado, a doença pode ser disseminada 
e alcançar órgãos internos, especialmente fígado e pulmões. A presença de miíase é 
bastante frequente, uma vez que as feridas ulceradas liberam secreções e sangue.
Figura 1. Animal portador de esporotricose.
Fonte: arquivo pessoal.
11
DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA | UNIDADE I
Diagnóstico
O diagnóstico da esporotricose é feito por exame citológico das lesões, embora muitas 
vezes a levedura não seja encontrada devido à presença de contaminação bacteriana 
secundária. Por isso, aconselha-se higienizar a região e escarificar a lesão para que se 
tenha acesso ao fungo localizado no tecido subcutâneo. O diagnóstico definitivo é 
dado por cultura fúngica. A histopatologia não é um exame confiável para esse tipo 
de infecção.
Figura 2. Citologia apresentando leveduras de Sporothrix spp.
Fonte: arquivo pessoal.
Tratamento
O tratamento de escolha para esporotricose é o antifúngico itraconazol. Muito se 
discute sobre dose, frequência, duração, apresentação e associações. Há inúmeros 
estudos publicados, porém, muitas vezes, o que acaba prevalecendo é a experiência do 
clínico. A literatura nacional recomenda a utilização de itraconazol na dose de 100 mg 
por gato. Essa dose pode ser reduzida pela metade quando o animal é muito pequeno 
ou está muito debilitado. 
Deve-se ter em mente que o itraconazol é uma molécula altamente instável, sendo 
recomendado administrar a droga sem abrir a cápsula, embora muitas vezes isso seja 
necessário. 
A farmacologia recomenda que, na primeira semana, a dose seja feita a cada 12 horas, 
pois a substância não fica circulante durante 24 horas nos primeiros dias. Entretanto, 
é necessário avaliar o estado geral do animal e seu escore corporal, pois o itraconazol, 
apesar de ser o antifúngico mais seguro para uso em gatos, requer metabolização 
hepática, ou seja, animais debilitados ou com baixo escore de condição corporal podem 
sofrer lesão hepática. 
12
UNIDADE I | DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA
Não há qualquer recomendação de associação com protetores gástricos ou corticosteroides, 
uma vez que interferem na absorção e metabolização do itraconazol. Alguns médicos 
veterinários utilizam protetores hepáticos. Entretanto, se o animal tem o fígado em 
ótimo funcionamento, essa associação também não é necessária e pode acabar sendo 
mais estressante para o animal e para o tutor. É importante lembrar que, em se tratando 
de gatos, menos é mais. Também não há indicação de uso de outros antifúngicos, como 
cetoconazol e fluconazol, devido à alta ocorrência de efeitos colaterais.
Também é frequente vermos situações em que o animal não responde de imediato ao 
tratamento com itraconazol. Por isso, alguns clínicos orientam a associação com iodeto 
de potássio devido à “resistência fúngica ao itraconazol”. Vale ressaltar que resistência 
fúngica não é comum como ocorre com as bactérias, pois a célula fúngica é eucariota, 
enquanto as bactérias são procariotas e, em muitos casos, possuem flagelos que podem 
passar entre os micro-organismos a informação do tratamento com antibiótico, o que 
não ocorre com os fungos. Assim, antes de se afirmar que o fungo está resistente ao 
medicamento, deve-se realizar cultura com antifungigrama para confirmar a resistência. 
Caso isso não seja observado no exame, o que se sugere é que se busquem causas na 
administração e/ou armazenamento da droga e, em seguida, que se tente trocar o 
laboratório da droga. 
Figura 3. Animal com esporotricose nasal.
Fonte: arquivo pessoal.
Caso haja, de fato, resistência ao itraconazol, a droga de eleição para associar ao 
tratamento é o iodeto de potássio, que deve ser feito na dose inicial de 2,5 mg/kg, a 
cada 24 horas, aumentado gradualmente a cada 5-10 dias, até alcançar a dose de 20 mg/
13
DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA | UNIDADE I
kg a cada 24 horas. É preciso monitorar a função hepática, pois o iodeto de potássio 
apresenta maior potencial hepatotóxico.
De forma geral, a esporotricose apresenta resposta rápida ao tratamento, embora possa 
levar meses até alcançar a cura completa. Recomenda-se, ainda, que, após a completa 
remissão das lesões, o tratamento seja continuado por, pelo menos, 30 dias, e não seja 
interrompido abruptamente. Ou seja, antes de finalizar o tratamento, é recomendado 
realizar desmame da droga para ver se as lesões retornarão. Caso retornem, o tratamento 
diário deve ser retomado.
Alguns estudos têm relatado o uso da anfotericina B, intralesional, especialmente em 
casos de esporotricose nasal. Entretanto, além de ainda não haver um estudo definitivo 
que garanta a eficácia do tratamento tópico, a anfotericina B é uma droga nefrotóxica 
que pode causar alto risco de efeitos adversos em gatos. Por isso, é preciso ter cautela 
ao buscar a utilização dessa droga. 
É importante orientar o tutor com relação aos cuidados com o animal em tratamento:
 » Não há qualquer indicação de dar banho no animal. 
 » Não há indicação de utilização de medicações tópicas.
 » O tutor deve manipular o animal com luvas quando for medicá-lo.
 » O animal não deve ter acesso à rua durante o tratamento.
 » Não há indicação de eutanásia, a menos que a infecção seja sistêmica e o 
animal esteja em sofrimento.
 » O ambiente em que o animal vive deve ser limpo, especialmente se houver 
secreções.
 » Em caso de óbito, o animal não deve ser enterrado, pois ocorrerá contaminação 
do solo.
 » Caso o tutor seja arranhado, deve lavar o local com água, sabão e, se possível, 
limpar com álcool iodado. A pessoa deve observar se aparecerá algum nódulo 
pruriginoso ou dolorido nas próximas semanas. Caso algo suspeito apareça, 
deve-se procurar um médico especialista.
 » O álcool iodado não deve ser usadono animal.
14
UNIDADE I | DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA
Não há um período específico para o tratamento completo. Alguns animais se recuperam 
completamente em poucos meses, outros podem levar até um ano. Por isso, muitas 
vezes a colaboração do tutor pode ser difícil, mas é preciso esclarecer que, apesar de ser 
de fato uma zoonose, a esporotricose tem cura, tanto em humanos quanto nos animais.
Casos clínicos
Felina Preta, SRD, 2 anos (aproximadamente, pois foi adotada da rua já adulta), 
não castrada, com lesões nasais ulceradas e com secreção, não pruriginosas, 
diagnóstico de esporotricose feito por outro colega, fazendo tratamento há quase 
um ano com: itraconazol, iodeto de potássio, cefalexina, omeprazol, polivitamínico, 
S-adenosilmetionina e silimarina. 
Clinicamente, a gata apresentava, além das lesões de esporotricose, abdômen 
intensamente abaulado com veias bastante proeminentes. Nenhum outro sinal clínico 
foi reportado pela tutora ou observado na avaliação física. A temperatura do animal 
estava normal, a palpação foi bastante dificultada pelo tamanho do abdômen, mas o 
animal não parecia apresentar sinais de dor, mucosas normocoradas, hidratação normal 
e ausculta também sem alteração.
Devido ao tamanho do abdômen e à aparência das veias, suspeitou-se de piometra 
fechada, pois também não havia secreção vaginal. O animal foi encaminhado para 
ultrassonografia, que não mostrou qualquer alteração em nenhum órgão. Os exames 
laboratoriais não apresentaram alterações relevantes. 
De posse dos resultados dos exames laboratoriais, foi sugerido o seguinte manejo: 
suspensão de todas as medicações e retorno ao consultório após três semanas para coleta 
de material da lesão para cultura e antifungigrama. O resultado do antifungigrama 
não mostrou resistência fúngica. Assim, reiniciou-se o tratamento apenas com 
itraconazol. Nenhuma outra medicação foi utilizada. Uma semana depois, a ferida já 
estava completamente seca. O abdômen reduziu drasticamente de tamanho em menos 
de um mês sem as medicações.
O animal foi acompanhado durante todo o tratamento e não apresentou alteração hepática 
em nenhum momento. Em menos de seis meses, a lesão nasal fechou completamente, 
e foi realizado o desmame do itraconazol. Não houve recidiva.
Felino Sombra Macho, SRD, 1 ano, não castrado. O animal apresentava lesão única 
ulcerada em região de flanco direito, pruriginosa, sem secreção, não sugestiva de 
15
DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA | UNIDADE I
esporotricose. Foi realizada uma primeira citologia que voltou com laudo de lesão 
inflamatória com presença de bactérias do tipo cocos. Foi realizado tratamento com 
cefalexina, meloxicam, limpeza da região com soro fisiológico e clorexidina spray. O 
tutor foi orientado a utilizar luvas e a não entrar em contato direto com a lesão. Após 
uma semana, o animal retornou para reavaliação após duas semanas, sem melhora 
clínica, e foi coletada nova amostra para exame citológico. A coleta para cultura não 
foi realizada devido a restrições financeiras do tutor. Novamente, o resultado mostrou 
lesão inflamatória com infecção por bactérias tipo cocos. O tratamento foi mantido 
por mais duas semanas. Após o período estipulado, o animal retornou para uma nova 
avaliação. A ferida permanecia com o mesmo aspecto e sem reduzir de tamanho, porém, 
sem aumentar e sem disseminação. Dessa vez, foi coletado material para realização 
de cultura e antifungigrama, que, após três semanas, mostrou crescimento de fungos 
do gênero Sporothrix. Foi então iniciado o tratamento com itraconazol, e os demais 
medicamentos foram suspensos. Após o primeiro mês de tratamento, houve redução 
da lesão pela metade. O tratamento completo teve duração de seis meses. Não houve 
recidiva.
Bartonelose
As bactérias do gênero Bartonella têm sido alvo de atenção crescente, tanto na medicina 
veterinária como na medicina humana. Isso porque elas são os agentes responsáveis 
pelo desenvolvimento da “doença da arranhadura do gato”. O principal representante 
de espécie causadora da doença é a Bartonella henselae. No Brasil, essa doença recebeu 
muita atenção há alguns anos, quando um jornalista fez uma publicação sensacionalista 
em um jornal de grande circulação, dizendo que o gato era responsável pela transmissão 
de uma doença fatal para humanos, no caso, a doença da arranhadura do gato. A notícia 
rapidamente se espalhou nas redes sociais, e, novamente, o gato foi alvo de preconceito 
e críticas de pessoas leigas.
Justamente por não ser uma zoonose tão grave quanto foi relatada na reportagem, 
muitos veterinários desconhecem a doença e não possuem embasamento para explicar 
à população como ocorre a patologia. 
As Bartonella sp. são bactérias gram-negativas, de tamanho diminuto, que fazem 
replicação intracelular. Seus hospedeiros são os mamíferos, seu tropismo é por células 
endoteliais vasculares e eritrócitos, e sua disseminação no organismo ocorre pela 
infecção de macrófagos. Essas bactérias são carreadas entre os hospedeiros por meio de 
16
UNIDADE I | DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA
uma série de vetores, sendo o principal deles as pulgas. Dessa forma, gatos infestados 
por pulgas fazem parte do grupo de risco, assim como seus tutores.
Os gatos podem contrair a bactéria por meio de vetores ou por meio de mordeduras 
ou arranhaduras de outros animais contaminados. A bactéria é transmitida a humanos 
pela mordida ou pela arranhadura de um gato contaminado. As bactérias costumam 
ser encontradas nas fezes das pulgas, que podem estar sob as garras dos gatos ou na 
boca, tendo em vista o hábito de auto-higiene dos felinos.
Ao penetrar o organismo do gato, as bactérias invadem eritrócitos e células endoteliais 
a salvo do sistema imune. Uma vez dentro dos eritrócitos, a disseminação para outros 
tecidos é simples, assim como para os vetores. A bacteremia em animais cronicamente 
infectados pode ser evidenciada em consequência de eventos estressores. Quando isso 
ocorre, é possível observar febre transitória. Outros sinais são incomuns na infecção 
natural. A presença de leucemia felina (FeLV) pode favorecer a infecção com Bartonella.
Em humanos, em geral, a doença é autolimitante em indivíduos imunocompetentes, 
porém, em presença de baixa imunidade, os sintomas podem ser mais graves, e, 
raramente, o indivíduo pode ir a óbito. Alguns dos sintomas mais frequentes são 
linfadenomegalia, peliose bacilar e angiomatose.
Diagnóstico
O diagnóstico não é simples de ser feito. A sintomatologia é inespecífica e não auxilia 
na investigação. Também não é comum encontrar o micro-organismo em esfregaço 
sanguíneo, não sendo considerado um diagnóstico viável. A sorologia também não é 
fidedigna, pois o teste detecta a presença de anticorpos, e esses podem permanecer no 
organismo por muito tempo após a eliminação da infecção, além de não comprovar 
a eliminação do micro-organismo.
O diagnóstico definitivo deve ser feito por cultura e/ou PCR de amostras sanguíneas, 
porém, um único exame não é suficiente. É necessário realizar diversos testes, pois a 
bacteremia é intermitente. A PCR é mais rápida que a cultura, no entanto, não é mais 
sensível e não comprova a viabilidade da bactéria. Assim, o ideal é realizar mais de 
um tipo de exame e mais de um exame de cada tipo.
17
DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA | UNIDADE I
Tratamento
O tratamento é quase tão difícil quanto o diagnóstico, uma vez que a bacteremia 
é transitória e pode ocorrer resistência bacteriana quando o tratamento é feito na 
ausência de sintomatologia clínica. 
Não há um esquema ideal de tratamento. O que é recomendado atualmente é fazer 
uso de doxiciclina ou amoxicilina com ácido clavulânico. Em caso de não haver 
resposta após sete dias de tratamento, sugere-se substituir a base para azitromicina 
ou fluoroquinolonas, por pelo menos um mês.
Profilaxia
A melhor forma de evitar a infecção é adotar medidas profiláticas nos animais e no 
ambiente. Os animais devemestar livres de pulgas e não devem ter contato com outros 
animais desconhecidos que possam estar contaminados. Ao ter contato com fezes de 
pulga, deve-se lavar bem as mãos. Caso o tutor seja arranhado ou mordido pelo gato, 
a região deve ser imediatamente lavada com água e sabão. Recomenda-se o uso de 
álcool 70° na lesão.
Diversos produtos pulgicidas estão disponíveis no mercado. Assim, a prevenção não 
é difícil.
Em 2006, a American Association of Feline Practioners publicou um guia sobre 
Bartonella spp. e zoonoses associadas. Vale a leitura! 
Disponível em: https://catvets.com/guidelines/practice-guidelines/bartonella-
fuidelines.
Toxoplasmose
A toxoplasmose é uma doença amplamente divulgada, porém, muito pouco conhecida 
por pessoas leigas. Ainda nos dias de hoje, o gato aparece como vilão, no entanto, é 
uma doença que dificilmente é transmitida ao homem pelo gato.
O Toxoplasma gondii, um protozoário coccídio que parasita o meio intracelular pode 
acometer a maioria das espécies de sangue quente. A participação do gato se dá pelo 
fato de essa espécie ser o único hospedeiro definitivo, ou seja, é nos felídeos que o 
parasita realiza a fase sexual do seu ciclo. Entretanto, inúmeros vertebrados podem 
ser hospedeiros intermediários e fonte de infecção para humanos.
18
UNIDADE I | DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA
Existem três estágios efetivamente infectantes no ciclo de vida do parasita: 
 » taquizoítos, formas de rápida multiplicação; 
 » bradizoítos, formas de multiplicação lenta; 
 » esporozoítos, presentes nos oocistos. 
Os esporozoítos são as únicas formas presentes exclusivamente nas fezes dos gatos.
Para que o gato se infecte, é necessário que ele ingira uma das três formas infectantes, o 
que pode ocorrer quando ele ingere uma presa infectada ou quando há contaminação de 
outros tipos de alimento ou vegetais. Uma vez no organismo, os bradizoítos se tornam 
taquizoítos, ocorrendo disseminação, dessa forma, do parasita pelo intestino, tecido 
linfoide, sistema linfático, sistema vascular e macrófagos contaminados, alcançando 
outros órgãos.
Os taquizoítos são destruídos pelo sistema imune, porém, os bradizoítos que não se 
tornaram taquizoítos se confinam em cistos de parede elástica no citoplasma das células 
dos hospedeiros e não são atacados pelas células do sistema imune, permanecendo 
viáveis no organismo durante anos, em estado latente. 
Além desse ciclo, comum entre as diversas espécies, o gato apresenta, ainda, o ciclo 
sexuado nos intestinos, chamado enteroepitelial. Ao ingerir a presa infectada, os 
sucos gástricos dissolvem a parede elástica que envolve os bradizoítos. Esses, então, 
invadem as células epiteliais do intestino delgado, dando origem às gerações sexuadas, 
com gametas femininos e masculinos. Com a fecundação, formam-se os oocistos. 
Esses oocistos são eliminados nas fezes e não são infectantes durante cerca de três 
dias, quando, então, começam a esporular. São os esporos que, caso sejam ingeridos, 
podem causar a doença em outras espécies.
Formas e tipos de infecção
Há três formas principais de infecção, transplacentária, ingestão de alimentos ou água 
contaminados com oocistos esporulados e ingestão de carne crua infectada com cistos 
teciduais. Dessa forma, entende-se que o papel do gato na transmissão da toxoplasmose 
está relacionado à eliminação de oocistos nas fezes, mantendo o protozoário no ambiente. 
Para que o oocisto seja infectante, no entanto, é necessário que esporule, o que ocorre 
cerca de três dias após a eliminação. Os oocistos podem se manter viáveis no ambiente 
por até dois anos. Após sete a 14 dias, no entanto, o animal deixa de eliminar oocistos 
19
DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA | UNIDADE I
nas fezes e não volta a eliminá-los, pois desenvolve imunidade que pode durar até seis 
anos no organismo. Animais com hábito de caça costumam manter a imunidade ativa. 
O gato pode voltar a eliminar oocistos, caso apresente quadro de imunossupressão. 
No entanto, a carga eliminada é muito menor do que na primeira infecção.
A infecção humana por contato direto com o gato é, portanto, praticamente inviável, 
mesmo que a pessoa tenha contato direto com as fezes frescas do animal. Por ter hábitos 
de higiene meticulosos, a contaminação do pelo com fezes é incomum, especialmente 
durante diversos dias. Assim, o contato mais próximo com o animal continua sendo 
bastante seguro no que diz respeito à infecção por toxoplasma. A infecção em humanos, 
em geral, ocorre por ingestão de alimentos mal cozidos, principalmente carnes, além 
de vegetais mal lavados ou água contaminada.
Outras fontes importantes de infecção são os vetores mecânicos, como baratas e 
moscas, que podem contaminar os alimentos diretamente e preservar a contaminação 
de ratos, gatos e cães, que os caçam.
As consequências da infecção pelo toxoplasma em humanos são diversas e dependem da 
espécie do hospedeiro, além da fonte de infecção. Em geral, a infecção passa despercebida 
ou é autolimitante em indivíduos imunocompetentes. Em indivíduos imunossuprimidos, 
no entanto, a doença pode ser bastante grave ou até fatal. Nesses, é possível observar 
febre, linadenopatia transitória, dores musculares e de cabeça. Também se encontra 
alteração ocular, eventualmente culminando em diminuição ou perda da visão.
Mulheres grávidas infectadas pela primeira vez podem sofrer abortos, natimortos, 
sequelas neurológicas no bebê e alterações oculares. A mãe cronicamente infectada 
antes da gestação não transmite doença para o feto. A mulher grávida não precisa se 
desfazer de seu gato doméstico, pois, como foi dito anteriormente, a possibilidade de 
se adquirir toxoplasmose pelo gato é muito remota. Entretanto, recomenda-se maior 
cuidado ao realizar a limpeza da caixa de areia. O uso de pás é sempre recomendado 
para não haver contato direto com urina e fezes, além de lavar bem as mãos após o 
procedimento. A caixa de areia deve ser limpa diariamente para evitar acúmulo de fezes. 
Quando o indivíduo está gestante ou imunossuprimido, recomenda-se não realizar a 
higienização da caixa (solicitar que outra pessoa o faça) ou, ainda, utilizar luvas para 
realizar a limpeza da caixa de areia do gato.
O título sorológico positivo, seja na mulher, seja no gato, não confirma a presença da 
doença, mas pode indicar que o indivíduo está imune, pois adquiriu anticorpos contra 
o toxoplasma. Em geral, a presença de anticorpos no soro do felino indica que ele já 
20
UNIDADE I | DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA
eliminou oocistos. Assim, gatos saudáveis soropositivos são mais seguros, uma vez 
que dificilmente voltarão a eliminar oocistos. No caso da mulher, o ideal é realizar 
testes sorológicos anterior e durante a gravidez. Um aumento no título de anticorpos 
pode indicar infecção ativa.
A titulação sorológica negativa, tanto em humanos como em gatos, indica que não 
houve exposição ao parasita.
Algumas recomendações são feitas para evitar a infecção de humanos e gatos:
 » cozinhar os produtos cárneos em temperatura adequada;
 » beber água de fontes limpas, filtradas ou fervidas;
 » higienizar a caixa de areia diariamente;
 » descartar as fezes de gatos em lixo que não passe por terrenos onde pode 
haver contaminação do solo e do lençol freático;
 » não fazer compostagem com fezes de gatos;
 » lavar bem as mãos após limpar a caixa de areia;
 » manter os gatos domiciliados;
 » alimentar os gatos com rações comerciais ou carnes bem cozidas;
 » realizar o teste sorológico na mulher antes da gravidez.
Infelizmente, ainda não há vacina contra toxoplasmose.
Tratamento
O tratamento envolve suporte e antibioticoterapia, mas somente deve ser instaurado 
na presença de sinais clínicos.
O antibiótico de escolha é a clindamicina, na dose de 10-12,5 mg/kg, por via oral ou 
intravenosa, a cada 12 horas. A dose é mais alta do que a de uso geral. Também se 
sugere o uso de azitromicina na dose de 10 mg/kg, por via oral, a cada 24 horas, por 
pelo menosquatro semanas.
21
DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA | UNIDADE I
O tratamento de suporte inclui fluidoterapia intravenosa, com suplementação de potássio, 
oxigenioterapia, estimulantes do apetite, suplementação nutricional, alimentação forçada 
(ou colocação de sonda, caso o animal rejeite a alimentação forçada) e monitoramento.
Em 2013, foram publicadas as diretrizes de prevenção e manejo da toxoplasmose 
em gatos pela American Association of Feline Practioners e pela International Society 
of Feline Medicine. A publicação está disponível em: https://pdfs.semanticscholar.
org/954a/73d59d97e96d2e0079fd688aed66e6248e9e.pdf.
Recomenda-se, ainda, a leitura do painel desenvolvido pela European Advisory 
Board on Cat Diseases, disponível em: http://www.abcdcatsvets.org/wp-content/
uploads/2017/02/Toxoplasmosis.pdf.
Criptococose
O Cryptococcus é um fungo sistêmico que acomete gatos de todas as idades. Ele apresenta 
formato arredondado, é circundado por uma cápsula heteropolissacarídica que oferece 
resistência ao ressecamento e confere virulência. O fungo se multiplica por brotamento, 
e seu esporo, o basidiosporo, dispersa-se no ar, aderindo ao epitélio respiratório, 
causando infecção.
Duas são as principais espécies de criptococos que causam doença em humanos e 
animais, Cryptococcus neoformans e Cryptococcus gatti. O micro-organismo pode ser 
isolado de diversas substâncias, dependendo da região geográfica do organismo e da 
espécie. O C. neoformans, por exemplo, é encontrado em fezes de pombos, no solo 
contendo fezes secas de aves e, em menor escala, em leite, sucos de frutas fermentados, 
ar, ninhos de vespas ou marimbondos, poeira, grama e insetos. O C. gatti, por sua vez, 
é mais comumente encontrado na parte oca de troncos de árvores. Assim, um dos 
fatores de risco são habitações próximas a madeireiras ou outras regiões em que ocorra 
exploração do solo ou em que o animal tenha acesso a árvores, como jardins botânicos, 
hortos e áreas de preservação. O micro-organismo permanece viável em fezes por até 
dois anos em ambientes úmidos. Ambientes secos e/ou com luz ultravioleta diminuem 
sua sobrevida.
O mecanismo exato da transmissão não é totalmente elucidado, porém, sugere-se que 
ocorra, na maioria das vezes, por inalação da levedura ou dos basidiosporos. Uma vez 
captado pelas vias aéreas, o fungo se adere à mucosa, causando rinite micótica. Não é 
frequente observar infecção de vias respiratórias inferiores devido ao tamanho do micro-
organismo, porém, há relatos de alguns casos, especialmente em humanos. Pode ocorrer 
infecção localizada em outras regiões secundárias a ferimento penetrante na pele.
22
UNIDADE I | DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA
Sinais clínicos
Os sinais podem variar com a localização da infecção, porém, na maior parte das vezes, 
envolvem a cavidade nasal, pele, subcutâneo, SNC e linfonodos regionais. A rinite 
micótica da cavidade nasal é o achado mais frequente, com a apresentação clínica mais 
conhecida como “nariz de palhaço”. Eventualmente, pode ocorrer ulceração da lesão. 
Acompanhando o inchaço da cavidade nasal, ocorrem coriza, sibilação e corrimento 
nasal uni ou bilateral. Os sinais são muito semelhantes aos observados na esporotricose 
com acometimento de cavidade nasal. Caso haja acometimento de nasofaringe, pode 
ocorrer meningite, devido à disseminação para a lâmina cribriforme.
Outros sinais respiratórios são dispneia, estertor espessamento e inflamação da mucosa 
nasal ou granulomas nasais, que podem causar obstrução. Pneumonia micótica e 
linfadenomegalia não são frequentes. Foram relatadas lesões em cavidade oral, com 
ulceração em língua, gengiva e palato. Com a evolução do quadro, pode ocorrer 
disseminação da doença pela lâmina cribriforme, causando acometimento do SNC, 
o que pode causar, além da meningite já mencionada, cegueira, alterações pupilares, 
ataxia, prostração e alterações de comportamento.
Não há predisposição etária. A média de idade dos gatos acometidos pela criptococose 
é de 6 anos. Estudos sugerem uma predisposição sexual, apontando machos como mais 
suscetíveis que fêmeas à infecção. Algumas raças parecem ser mais acometidas, como 
abissínios, siameses, ragdolls e birmaneses. O acesso à rua e a presença de retroviroses 
não são considerados fatores de risco.
Diagnóstico
O diagnóstico conclusivo depende de cultura de material infectado, porém, o resultado 
desse exame pode demorar até seis semanas para ser concluído, pois o fungo costuma 
demorar para crescer em meios de cultivo. Para auxiliar no diagnóstico, pode ser 
realizada citologia de swab ou lavado nasal e de líquido vítreo ou sub-retiniano. Sugere-
se utilizar corantes Wright Giemsa ou azul de metileno para observação do micro-
organismo na lâmina. Também é possível diagnosticar a doença por histopatologia 
ou, ainda, por sorologia.
Tratamento e prognóstico
O tratamento preconizado é com itraconazol, que pode ser administrado na dose de 
10 mg/kg, por via oral, a cada 24 horas. O tratamento pode ser longo e durar até cerca 
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DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA | UNIDADE I
de um ano. Após a resolução do quadro clínico, o tratamento deve ser continuado por, 
pelo menos, mais um mês, a fim de garantir que não haja recidiva. É importante que o 
tutor tenha ciência da necessidade de um tratamento assíduo. Há relatos de utilização 
de anfotericina B com sucesso, porém, conforme foi dito na sessão de esporotricose, 
é necessário ter cuidado com lesões renais.
A criptococose não é transmitida para humanos pelo gato. O prognóstico, em geral, 
é bom quando não há acometimento do SNC, e o tutor é fiel ao tratamento.
Caso clínico
Felino Trovão, macho, SRD, 5 anos. Animal foi levado para atendimento clínico com 
lesão ulcerada em região de plano nasal e pontas de orelha e dificuldade respiratória. 
Havia sido atendido por outro colega que, apenas com a avaliação física, diagnosticou 
esporotricose e prescreveu itraconazol, na dose de 80 mg. O tratamento foi feito durante 
dois meses, sem resposta. A tutora o levou novamente para atendimento, dessa vez 
com outro colega, que suspendeu a medicação e solicitou exames de citologia e cultura 
e antifungigrama após três semanas sem a medicação. Coletou-se, ainda, material para 
hemograma e bioquímica sérica, cujos resultados não mostraram qualquer alteração. 
O resultado dos exames de citologia e cultura mostraram infecção por Criptococcus 
neoformans, e o tratamento foi reinstituído com itraconazol 100 mg e nebulização com 
soro fisiológico a cada 24 horas. Após a primeira semana de tratamento, a melhora já 
foi observada. O tratamento foi mantido e, após um mês, foram realizados exames de 
acompanhamento que mostraram que o animal não apresentava alterações hepáticas, 
além de ter sido constatado que o animal havia ganhado 700 g de peso. Após mais 15 
dias, a tutora relatou que não estava mais observando melhora. Poucos dias depois, 
novas feridas começaram a abrir. Ao ser questionada, a tutora disse que estava diluindo o 
conteúdo das cápsulas de itraconazol no líquido do alimento úmido do gato, pois estava 
tendo dificuldades de administrar a cápsula. Assim, a médica veterinária responsável 
solicitou que a droga fosse, então, manipulada em farmácia veterinária em apresentação 
líquida, pois, mesmo não sendo a melhor opção terapêutica, a droga manipulada 
consegue permanecer mais estável, desde que armazenada corretamente, do que diluir 
o conteúdo da cápsula. Uma semana após o início do novo medicamento, o animal 
voltou a apresentar melhora clínica. Ele ainda está em tratamento.
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UNIDADE I | DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA
Figura 4. Felino Trovão, com criptococose, no dia do primeiro atendimento e um mês após o início do tratamento, 
respectivamente.
 
Fonte: arquivo pessoal.
Dermatofitose
Geralmente causada pelo fungo Microsporum canis, a dermatofitose é uma zoonose, e o 
gato pode se infectar por meio de outro animal doente ou por contaminação ambiental.A dermatofitose é observada em felinos de qualquer idade, mas aqueles indivíduos 
imunocomprometidos muito jovens e muito velhos são mais suscetíveis.
Sinais clínicos
Os sinais clínicos variam muito. Por isso, a dermatofitose deve ser considerada um 
diagnóstico diferencial para todas as doenças dermatológicas do gato. Em geral, 
observa-se prurido, alopecia com crostas e inchaço circular ou de formato irregular, 
lesões focais, multifocais ou difusas, eritema variável, pelame opaco e quebradiço, 
granuloma fúngico.
Figura 5. Animal portador de dermatofitose.
Fonte: arquivo pessoal.
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DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA | UNIDADE I
Diagnóstico
Histórico e avaliação dermatológica podem levantar suspeita do diagnóstico de 
dermatofitose, especialmente se outros animais do ambiente estiverem infectados ou 
se os tutores apresentarem lesões. A lâmpada de Wood pode mostrar fluorescências 
na pele do animal que confirmam a suspeita, porém, a ausência de fluorescência não 
descarta a doença, pois apenas 50% dos isolados de M. canis fluorescem. O tricograma 
pode mostrar esporos nos fios, embora possam ser difíceis de identificar quando não 
se tem experiência. O resultado pode ser confirmado por meio de cultura fúngica de 
pelos e crostas.
Tratamento
Em animais saudáveis, a dermatofitose é autolimitante e desaparecerá espontaneamente 
em alguns meses, mas, por ser uma zoonose, os animais devem ser tratados. Em caso 
de ambientes multigatos, os animais devem ser separados, e os que não apresentarem 
sinais clínicos devem permanecer em quarentena. Todos os animais devem ter amostras 
de pelos retiradas para realização de cultura fúngica. Os positivos devem ser tratados 
mesmo que não apresentem sinais clínicos.
O tratamento sistêmico é feito com itraconazol na dose de 5 mg/kg, por via oral, a 
cada 24 horas, durante 7 dias. Em seguida, suspende-se a medicação por 7 dias. Os 
ciclos devem se repetir por, pelo menos, 3 vezes. Pode ser necessário fazer mais ciclos.
Devido ao potencial hepatotóxico, os animais devem ser monitorados, e exames de 
bioquímica hepática devem ser realizados periodicamente. Caso o animal se torne 
anoréxico ou perca peso, o tratamento deve ser descontinuado.
Sugere-se tratamento tópico com xampu à base de clorexidina 2% e miconazol 2%, 
duas vezes na semana. O tratamento tópico pode não ser recomendável para todos os 
pacientes devido ao estresse que causa na maioria dos gatos.
Eliminar o micro-organismo do ambiente é um desafio. O principal ponto é retirar 
todo o pelo do ambiente com aspirador de pó. As superfícies devem ser desinfetadas 
com produto alvejante, e os panos destruídos. 
O acompanhamento com cultura deve ser realizado a cada 4 semanas com amostras de 
pelo ou crostas. Caso não haja mais lesões visíveis, pode-se usar a técnica da escova-
de-dente de Mackenzie, que consiste na utilização de uma escova-de-dentes nova 
ou esterilizada para escovação da pelagem por 30 a 60 segundos e coleta de pelos e 
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UNIDADE I | DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA
escamas para cultura. Deve-se dar especial atenção às regiões com lesões, ainda que 
pequenas. O tratamento deve ser mantido por, pelo menos, duas semanas após o 
resultado negativo da cultura.
Em 2019, foi publicado o Zoonoses Guidelines American Association of Feline 
Practioners e pela International Society of Feline Medicine. A publicação 
está disponível para download em: https://journals.sagepub.com/doi/
pdf/10.1177/1098612X19880436.
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CAPÍTULO 2
Doenças virais
Peritonite Infecciosa Felina (PIF)
Felino, fêmea, SRD, 2 anos, castrada. Iniciou quadro de espirros com secreção. 
Foi levada ao veterinário, que realizou exames laboratoriais que evidenciaram 
linfopenia e discreta anemia. Após iniciar o tratamento com antibioticoterapia, 
imunomodulador e polivitamínico, o animal não apresentou qualquer melhora. Foi 
realizado novo exame de sangue, com perfil bioquímico apresentando alteração 
apenas em relação albumina-globulina. O antibiótico foi trocado, novamente sem 
resposta. Após cerca de duas semanas, o animal começou a desenvolver quadro 
neurológico de andar em círculos e ataxia. O que você pensaria? O que você faria?
A peritonite infecciosa felina (PIF) é uma síndrome que resulta de uma infiltração 
disseminada dos órgãos internos com tecido inflamatório chamado piogranuloma.
O surgimento da PIF no organismo é discutido, embora a teoria mais aceita na atualidade 
envolva o coronavirus felino (FCoV) e uma resposta humoral imprópria ao vírus, 
levando-o a sofrer mutação. Acredita-se que cerca de 10% dos gatos portadores de 
coronavírus desenvolvam o vírus da PIF e que tanto fatores genéticos como virais 
desempenhem um papel.
O FCoV faz parte da família Coronaviridae, que possui outros vírus que acometem 
diversas outras espécies mamíferas. O coronavírus felino possui um envelope com 
algumas proteínas embutidas sob a forma de peplômeros, que contribuem com a 
ligação do vírus à célula do hospedeiro e sua estabilidade no ambiente. O FCoV pode 
sobreviver no ambiente por até 7 semanas, porém, é facilmente eliminado com o uso 
de desinfetantes e detergentes comuns.
O genoma do FCoV é composto de RNA monofilamentar, com elevada taxa de 
mutação, e dois sorotipos antigenicamente distintos de FCoV. A virulência da cepa, 
que caracteriza os biotipos virais, pode variar, sendo um fator importante para o 
desenvolvimento da doença. Em gatos, o biotipo mais comumente encontrado é o 
coronavírus entérico felino (FCEV), que causa doença branda ou nenhuma doença. 
Já o biotipo associado ao desenvolvimento da PIF (PIFV) ocorre em uma pequena 
parcela da população de gatos.
Uma alteração fenotípica no vírus associada ao desenvolvimento da PIF parece ser a 
grande capacidade de replicação em monócitos e macrófagos. Apesar de o FCoV possuir 
28
UNIDADE I | DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA
tropismo por enterócitos e baixa capacidade de replicação em monócitos e macrófagos, 
o vírus da PIF se espalha pelo organismo por meio dessas células, supostamente, graças 
à presença de uma proteína espiculada no envelope viral.
O coronavírus felino se dissemina pelo contato feco-oral, pois o vírus é eliminado 
principalmente pelas fezes, embora possa ser encontrado em muito menor escala em 
saliva e outras secreções corporais. Em ambientes multigatos, filhotes com menos de seis 
semanas são mais vulneráveis, sendo a idade um dos principais fatores de risco para o 
desenvolvimento da PIF. Além da idade, consideram-se fatores de risco, ainda, o título 
individual de coronavírus, a genética do animal, desmame precoce, superpopulação, 
estresse, caixa de areia compartilhada.
Vale ressaltar que o coronavírus é altamente infeccioso, embora muito pouco patogênico, 
ao passo que o vírus da PIF, muito patogênico, possui pouca ou quase nenhuma 
capacidade de disseminação horizontal. Nos gatos que desenvolvem PIF, observa-se 
intensa resposta humoral, com produção de anticorpos ineficaz, o que contribui para a 
doença imunomediada. Observa-se, ainda, uma diminuição de linfócitos, favorecendo 
a replicação do vírus no organismo.
Há duas formas de apresentação clínica da PIF: efusiva (ou úmida) e não efusiva (ou 
seca). Ambas são muito agressivas e fatais, diferenciando-se pela presença ou não 
de efusão – que pode ser abdominal ou torácica. O animal que desenvolve PIF pode 
apresentar apenas um dos tipos, pode iniciar a doença com um dos tipos e evoluir para 
o outro ou pode ter uma associação.
A PIF é uma doença de caráter imunomediado, com lesões que se distribuem ao longo 
da vasculatura, causando vasculite nas duas formas de apresentação da doença. Respostas 
inflamatórias podem ocorrer por todo o organismo devido à migração dos macrófagos 
e monócitos infectados, causando, na forma efusiva, aumento da permeabilidade 
vascular e lesões piogranulomatosas extensas, ou lesões focais, na forma não efusiva.
Figura 6. Necrose vascular e extensas lesões piogranulomatosas em gato com PIF.Fonte: arquivo pessoal.
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DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA | UNIDADE I
Sinais clínicos
O período de incubação é desconhecido, mas acredita-se que pode variar de semanas a 
meses, podendo chegar, em alguns casos, a anos. O animal doente costuma apresentar 
sintomas inespecíficos, como perda de peso, perda de apetite e febre. A febre, no 
entanto, costuma ser arresponsiva a antibióticos. Em grande parte dos animais doentes, 
observa-se a presença de icterícia, tanto na forma úmida como na seca. A palpação 
abdominal pode evidenciar espessamento de alças intestinais, aumento de linfonodos 
mesentéricos e, eventualmente, renomegalia. Gatos com a forma efusiva da doença 
podem apresentar ascite, dispneia, respiração com a boca aberta, ausculta pulmonar 
e/ou cardíaca abafadas, e o saco pericárdico pode ser acometido, o que pode fazer com 
que alguns animais apresentem cianose.
Outras alterações clínicas relacionadas à PIF são pneumonia, tosse produtiva com 
eliminação de muco, diarreia e vômito, eventualmente contendo sangue e muco, 
alterações em olhos em decorrência das lesões granulomatosas, como irite, pupila 
irregular e uveíte com hifema, hipópio, cogestão aquosa, miose e precipitados ceráticos. 
As lesões ainda podem acometer o sistema nervoso central e causar convulsões, ataxia, 
nistagmo, alterações de comportamento, marcha em círculos e oscilação de cabeça, 
entre outros.
Figura 7. Animal com uveíte, portador de PIF seca. O animal em questão, originalmente, tinha olhos azuis
Fonte: arquivo pessoal.
Diagnóstico
Diagnosticar PIF não é uma tarefa simples. Não há um teste definitivo ou um sinal 
clínico patognomônico. A forma efusiva é mais fácil de diagnosticar, mas apenas 50% 
dos gatos com efusão apresentam PIF, de forma que é preciso ter muita cautela ao 
dizer que um animal está com PIF. Os únicos exames que fecham o diagnóstico são 
histopatologia e imuno-histoquímica, porém, a forma ideal para se coletar uma amostra 
tecidual é por laparotomia exploratória, o que muitas vezes não é recomendado, 
30
UNIDADE I | DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA
devido ao estado geral do animal doente. É possível realizar coleta por punção por 
agulha fina, guiada por ultrassonografia, no entanto, há o risco de não se coletar uma 
amostra representativa. 
Assim, o diagnóstico de PIF deve sempre começar com uma boa anamnese e coleta 
de histórico completo. A maioria dos casos ocorre em animais jovens, que vivem em 
casas multigatos e que passaram por algum evento estressante nas últimas semanas. 
Note-se que, para gatos, um evento estressante pode ser bastante sutil, e o tutor pode 
não se dar conta do ocorrido. Animais portadores de coronavírus e positivos para 
leucemia felina possuem seis vezes mais chances de desenvolver PIF. 
O hemograma pode não apresentar nenhuma alteração ou pode mostrar anemia, 
linfopenia, neutrofilia com desvio (em casos de infecções secundárias). A bioquímica 
sérica pode ou não apresentar alterações nas enzimas transaminases, hiperbilirrubinemia, 
azotemia, no entanto, uma das alterações mais comumente observadas e que pode 
colaborar com o diagnóstico quando já há uma forte suspeita é hiperproteinemia, 
acompanhada de hiperglobulinemia e hipoalbuminemia, resultando em uma baixa 
relação albumina-globulina (RAG). Atualmente, sugere-se que uma RAG sérica abaixo 
de 0,4g/dl seja sugestiva de PIF. 
A avaliação do líquido cavitário também pode ser bastante esclarecedora. A efusão 
encontrada geralmente é um exsudato asséptico, cor palha a amarelo-dourada, turva, 
espumosa quando agitada, pode conter flocos de fibrina, densidade alta (1,017 a 1,047), 
celularidade moderada e relação albumina-globulina menor que 0,81g/dl. Um teste 
que pode ser realizado para confirmar ou descartar o diagnóstico é o teste de Rivalta. 
Colocam-se 8 ml de água destilada em um tubo estéril, em seguida acrescenta-se uma 
gota de ácido acético a 98% e uma gota da efusão. Caso a gota se dissipe, o teste é 
negativo, caso ela se mantenha, é positivo, e o animal provavelmente apresenta PIF. 
É um teste bastante confiável, com valor preditivo positivo entre 56-86% e negativo 
entre 94-97%.
Os testes sorológicos não são confiáveis para fechar o diagnóstico de PIF, uma vez que 
eles são testes para detecção de anticorpo específico anticoronavírus ou para detecção 
do próprio coronavírus. Nenhum deles possui a capacidade de detectar a mutação ou 
o biotipo do vírus. O que se sugere é que altas titulações sejam mais consistentes com 
a PIF. No entanto, é possível encontrar gatos com altas titulações que não possuem 
PIF, animais com baixas titulações que possuem e animais sem titulação alguma, porém 
portadores do coronavírus. Essa última situação pode ocorrer quando altos índices 
31
DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA | UNIDADE I
virais se conjugam a anticorpos, tornando-se indetectáveis no exame. Portanto, não é 
aconselhável fazer diagnóstico de PIF com base apenas em exames sorológicos. E vale 
ainda ressaltar que, infelizmente, muitos laboratórios comerciais utilizam a denominação 
incorreta de “teste para PIF”, o que pode induzir o clínico ao erro.
Felino, fêmea, SRD, 4 anos, castrada. Animal foi levado ao veterinário para 
realização de check-up anual. O veterinário solicitou hemograma, painel bioquímico, 
sorologia para retroviroses e sorologia para coronavírus. Nos resultados, apenas 
a sorologia de corona mostrou alteração que foi sugestiva de PIF. O veterinário 
sugeriu eutanásia do animal, pois não há cura para PIF. Inconformada com a 
orientação do profissional, a tutora optou por buscar uma segunda opinião. De 
posse dos exames e com encaminhamento do médico veterinário, procurou outro 
colega, que, ao avaliar o animal, viu que esse não apresentava qualquer alteração 
clínica. Os exames laboratoriais também não mostravam alteração, além da já 
citada. O que você acha? O animal estava com PIF? O que você faria?
A histopatologia e a imuno-hitoquímica são os testes-ouro para diagnóstico de PIF, 
pois detectam o antígeno viral (imuno-histoquímica) e o ácido nucleico (hibridização 
in situ) em células infectadas, o que é confirmatório. Além disso, esses testes detectam, 
ainda, as lesões piogranulomatosas vasculares e perivasculares, composição celular de 
macrófagos e monócitos e raros linfócitos T.
Alguns autores sugerem, ainda, que a sorologia para coronavírus realizada com líquido 
cefalorraquidiano, pode também ser usada como método diagnóstico, uma vez que as 
partículas virais do FCoV só apareceriam na medula em caso de PIF.
Como é, em geral, uma doença que leva o animal a óbito, a necropsia também pode 
fechar o diagnóstico, uma vez que é possível observar as alterações vasculares, necrose 
tecidual e lesões piogranulomatosas, especialmente nas alças intestinais.
Figura 8. Lesões piogranulomatosas em baço e intestinos de animal com PIF.
Fonte: arquivo pessoal.
32
UNIDADE I | DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA
Tratamento
Recentemente, estudos têm sido desenvolvidos para encontrar uma cura para a PIF. 
Algumas drogas que agem sobre a replicação viral, usadas em geral para tratar doenças 
humanas, como HIV, hepatite C e ebola, têm se mostrado promissoras no tratamento 
da PIF. Existem duas abordagens sugeridas: a modificação da resposta imune do animal 
ao FCoV e a inibição direta da replicação viral.
O uso de citocinas tem sido sugerido para modificar a resposta imune com sucesso 
limitado. O interferon, tanto felino quanto recombinante humano, não mostrou efeito 
positivo em gatos com PIF. O uso do imunoestimulante poliprenil para aumentar a 
resposta de linfócitos T apresentou sucesso variável. O mecanismo de ação dessas 
drogas ainda é incerto.
Por outro lado, o tratamento voltado para a replicação viral do FCoV tem se mostrado 
bastante promissor. O uso de drogas antivirais tem por objetivo alcançar o patógeno 
sem afetar células não infectadas. Dessa forma, proteases virais responsáveis pelo 
processamento de proteínasque são necessárias na maturação da estrutura viral são 
ótimas candidatas para impactar a replicação viral.
Alguns compostos análogos de nucleosídeos têm sido utilizados experimentalmente e 
apresentado boas respostas, até cura em alguns casos. O GC376 inibe o desenvolvimento 
da doença e já curou alguns animais. Boas respostas também foram observadas 
com o GS5734 e GS441524. Todas as substâncias, no entanto, ainda estão em fase 
de experimentação e não estão disponíveis comercialmente. É possível encontrar 
ilegalmente no mercado negro, porém, como o tratamento ainda está em estudo, não 
há garantias de que funcione com todos os animais e em todas as fases da doença.
Por ser uma doença imunomediada, recomenda-se o uso de imunossupressores, como 
corticoides, ciclosporina e ciclofosfamida para diminuir a evolução da doença. O 
corticoide deve ser feito em dose imunossupressora e não anti-inflamatória (prednisolona 
3-4mg/kg). O uso de antibióticos não se justifica, a menos que haja infecção secundária 
ou netropenia pelo uso de fármacos citotóxicos (como a ciclofosfamida). 
Sugere-se o uso de medicação para melhorar a circulação em tecidos lesionados 
pelos piogranulomas, como a pentoxifilina. Pode-se usar furosemida para ajudar na 
eliminação do líquido cavitário, mas quando o volume é elevado, a recomendação é 
realizar a drenagem manual, usando o diurético apenas para manutenção. Deve-se ter 
cuidado com desidratação. O suporte nutricional é muito importante. Eventualmente, 
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DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA | UNIDADE I
pode ser necessário administrar estimulantes do apetite, além de nutracêuticos para 
repor as perdas do animal.
A prevenção da PIF, assim como seu diagnóstico, é um desafio, pois é muito difícil 
evitar a contaminação do animal com coronavírus. 
O que se orienta é evitar superpopulação, evitar introduzir filhotes com menos de seis 
semanas no ambiente com outros gatos, higienizar as caixas de areia regularmente e 
lavá-las com desinfetante pelo menos uma vez por semana. Caso um animal vá a óbito 
por PIF, provavelmente os demais gatos do grupo são portadores de coronavírus. 
Quando um animal, único residente da casa, vai a óbito por PIF, recomenda-se deixar 
o ambiente sem outro animal por três meses. 
Outros meios de controle envolvem a detecção do vírus por PCR. Para isso, uma vez 
que os animais podem eliminar o vírus de forma intermitente, é preciso testar pelo 
menos duas amostras fecais (de preferência mais de duas), coletadas com intervalo de 
semanas a meses. Sugere-se coletar três amostras diariamente, seguidas por mais três 
amostras diárias um mês depois.
A sorologia preventiva pode ser útil, porém, é necessário realizar mais de um teste, 
pois o animal pode ser falso negativo, conforme explicado anteriormente.
Há disponível no mercado uma vacina intranasal contra o coronavírus felino. Ela 
possui um vírus mutante sensível à temperatura no trato respiratório, porém, não 
sistemicamente. Assim, o vírus mutante não sobrevive à temperatura corporal, 
impedindo uma infecção. A vacina é administrada em duas doses, com intervalo de 
três semanas, e deve ser aplicada no animal com mais de 16 semanas de idade, o que 
exclui o principal grupo de risco, que são os filhotes de até seis semanas de idade. A 
eficácia da vacina, no entanto é questionada por vários estudos, de forma que muitos 
clínicos não a utilizam, e ela não faz parte das vacinas recomendadas. Essa vacina não 
está disponível no Brasil.
Panleucopenia felina
Apesar de alguns clínicos afirmarem que não existe mais panleucopenia felina, essa 
doença ainda é uma preocupação, especialmente porque o vírus pode ser adquirido 
pelo cão.
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UNIDADE I | DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA
A panleucopenia felina é causada pelo parvovírus felino (FPV), porém variantes do 
parvovírus canino (CPV), especialmente CPV-2a, CPV-2b e CPV-2c, possuem a 
capacidade de infectar gatos. Estudiosos acreditam que ambos os vírus compartilhem 
um ancestral comum, o que justificaria essa capacidade. As variantes do CPV foram 
identificadas na Ásia, na Europa, na América do Sul e nos EUA. Por isso, devemos 
ter em mente que, quando falamos em panleucopenia felina, o agente infectante pode 
ter origem felina ou canina.
Os parvovírus são vírus pequenos, com envoltório e genoma DNA monofilamentar. 
Apesar de possuir envoltório, ele é muito resistente no ambiente, podendo sobreviver 
durante meses no ambiente e até anos em matéria orgânica. Apesar de seu genoma 
ser DNA, eles apresentam alta taxa de mutação, similar aos vírus RNA. Acredita-se, 
no entanto, que o FPV esteja em estase evolutiva.
A doença causada pelas variantes do CPV é semelhante àquela das cepas iniciais, com 
vômitos, diarreia sanguinolenta e leucopenia, com alta taxa de mortalidade.
A infecção se dá principalmente por meio de contato feco-oral, pois, apesar de o FPV 
ser eliminado em todas as secreções corporais durante a fase ativa da doença, sua maior 
concentração está nas fezes. Gatos que se recuperam da doença podem eliminar o vírus 
na urina e nas fezes por até seis semanas.
A primeira replicação do vírus se dá no tecido linfoide palatino, disseminando-se, em 
seguida, pelas circulações linfática e sanguínea. A replicação viral leva à lise celular 
nas células em replicação ativa, como as células das criptas intestinais e da medula 
óssea. Essa destruição causa os sinais comumente observados na clínica animal, como 
leucopenia grave, anemia.
Sinais clínicos
Além dos sinais já citados, observam-se anorexia, apatia, febre. Eventualmente, também 
estão presentes vômito e diarreia, o que pode levar rapidamente à desidratação e à 
hipotermia, evoluindo rapidamente para óbito. A infecção de fetos no terço final 
da gestação e neonatos pode causar destruição do miocárdio e do cerebelo. Quando 
o cerebelo é afetado, o filhote desenvolve uma síndrome caracterizada por ataxia 
permanente e tremores.
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DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA | UNIDADE I
Existem inúmeros vídeos de gatos com hipoplasia cerebelar na internet. Alguns 
com teor cômico, outros para alertar os tutores sobre a gravidade do problema 
e para ajudar veterinários a identificarem o problema. Um dos vídeos que pode 
ser útil para reconhecer o quadro está disponível em: https://www.youtube.com/
watch?v=SeyeunG44ws. 
Diagnóstico 
O diagnóstico tem como base a apresentação clínica, a presença de leucopenia grave 
no exame laboratorial e na detecção do vírus por meio de teste ELISA, que pode 
ser realizado no próprio consultório com o kit de teste fecal de parvovírus canino. 
Outras opções são a microscopia eletrônica para visualizar o vírus em amostras fecais 
e a PCR. A primeira opção é dificilmente encontrada na rotina, sendo mais comum 
em laboratórios de pesquisa acadêmica, enquanto a última necessita de informações 
com relação ao histórico vacinal, uma vez que é bastante sensível e pode detectar 
vírus vacinais. Há, ainda, a possibilidade de realizar isolamento viral, histopatologia 
e imuno-histoquímica post-mortem. 
Tratamento e profilaxia
O tratamento é, principalmente, de suporte: hidratação, reposição eletrolítica e reposição 
de complexo B por via parenteral, devido à reduzida ingestão alimentar e perdas pela 
urina. A alimentação forçada deve ser evitada inicialmente, até que os quadros de 
vômito sejam controlados. Pode ser necessário o uso de medicações antieméticas. A 
leucopenia intensa pode levar ao surgimento de infecções bacterianas. Assim, sugere-se 
o uso de antibióticos injetáveis. Tão logo o vômito seja controlado, deve-se restituir 
a alimentação enteral.
Para controle viral, foi proposto o uso da droga antiviral oseltamivir em cães. Sua 
eficácia e sua segurança em gatos, no entanto, não foram avaliadas, de forma que seu 
uso não é recomendado nessa espécie. 
A higienização do ambiente deve ser muito meticulosa, uma vez que o vírus é bastante 
resistente. Recomenda-se a utilização de produtos com atividade oxidante, comohipoclorito de sódio a 6% e peroximonossulfato de potássio. O vírus é resistente a 
álcool 70° e compostos de amônia quaternária.
Tendo em vista a dificuldade em se alcançar a cura de animais panleucopênicos e 
de eliminar o vírus do ambiente, a principal forma de evitar a doença é por meio de 
prevenção. Essa se dá por meio de vacinação. 
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UNIDADE I | DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA
Com relação à vacinação, as diretrizes atuais orientam iniciar a vacinação de filhotes de 
gatos com 8-9 semanas, aplicar o primeiro reforço após três semanas e novamente após 
mais três semanas. Após, deve-se realizar o primeiro reforço anual e, depois, apenas a 
cada três anos. Em casos de surtos, pode-se vacinar os filhotes a partir de 4 semanas de 
idade. Todas as vacinas felinas previnem contra o FPV. A vacina é elaborada com vírus 
vivo modificado, o que garante resposta mais rápida. Não se aconselha vacinar fêmeas 
prenhes ou filhotes com menos de 4 semanas com vacina de vírus vivo modificado, 
sob o risco de causar infecção e produzir lesões nos fetos ou neonatos. A imunidade 
após recuperação é vitalícia.
Raiva
A raiva é uma doença que foi quase considerada erradicada, porém que tem voltado 
a aparecer no Brasil nos últimos anos. 
Ela é causada por um vírus da família Rhabdoviridae, do gênero Lyssavirus. É um vírus 
RNA monofilamentar e apresenta envoltório, portanto, sensível no ambiente, sendo 
inativado por desinfetantes comuns e por exposição a calor e luz ultravioleta. Todos os 
animais de sangue quente são suscetíveis, porém, os mamíferos são os únicos vetores 
e reservatórios conhecidos. Em geral, animais mais jovens são mais vulneráveis.
Em muitos países, inclusive europeus, os programas de vacinação colaboraram com a 
erradicação da doença. No Brasil, anualmente ocorrem campanhas de vacinação, pois 
a raiva ainda é uma preocupação. Recentemente, foram relatados casos de óbito de 
animais e humanos por contaminação com o vírus da raiva. Em 2017, uma mulher 
foi a óbito após levar uma mordida no peito de um gato infectado, no estado de São 
Paulo. A raiva em pequenos animais e animais de produção apresenta, atualmente, 
baixa incidência, porém, os donos desses animais não devem se descuidar. A vacina 
antirrábica é obrigatória e deve ser aplicada anualmente, independentemente da região 
onde o animal vive.
Em todo o mundo, a maior parte dos casos de raiva humana é causada em decorrência 
de mordidas de cães contaminados. Embora existam diversos tipos distintos de vírus 
da raiva em espécies distintas, a transmissão interespecífica é comum. Assim, o vírus 
encontrado em morcegos frugívoros pode ser transmitido para cães e gatos, por 
exemplo. A transmissão ocorre quando os vírus presentes na saliva do animal infectado 
entram em contato com a pele ou mucosa do outro indivíduo. A alta concentração 
viral em glândulas salivares justifica a infecção por meio de mordeduras, lambeduras 
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DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA | UNIDADE I
ou arranhaduras contaminadas. Entretanto, a transmissão indireta – via fômites, por 
exemplo – é rara, e os animais infectados não transmitem o vírus por via sanguínea.
O vírus da raiva apresenta tropismo pelo SNC, seguindo rapidamente para o tecido 
nervoso após a infecção. A eliminação do vírus na saliva tem início antes do surgimento 
dos sintomas, o que pode ser um grande risco para contactantes. Após a exposição, 
pode haver um período de incubação que varia de semanas a meses, mas, a partir do 
momento em que os sintomas têm início, a morte se dá em poucos dias. Em gatos, o 
período de incubação costuma variar de duas a 24 semanas. Ao invadir o SNC, o vírus 
se espalha para os nervos periféricos, sensoriais e motores, chegando às glândulas 
salivares via nervos cranianos. É possível ocorrer acometimento de outros tecidos, 
mas não é frequente.
Um Guidelines sobre a raiva em felinos foi publicado em 2009. Em 2018, houve 
uma atualização, e novas informações podem ser encontradas no site http://www.
abcdcatsvets.org/rabies/. Há, inclusive, um vídeo do médico veterinário Tadeusz 
Frymus, professor da Warsaw University of Life Sciences, na Polônia, e pesquisador 
de doenças infecciosas de pequenos e grandes animais.
Sinais clínicos e tratamento
Comumente, classifica-se a raiva em duas formas: furiosa e paralítica. Entretanto, 
sinais atípicos são frequentes. Em geral, a evolução se dá da seguinte forma: o período 
prodrômico dura cerca de dois dias e é caracterizado por alterações comportamentais, 
picos febris e hábitos errantes. Aqueles animais que desenvolvem a forma furiosa, 
apresentam também agressividade, inquietação, tremores musculares e ataxia. A 
forma paralítica que se segue ocorre devido à lesão aos neurônios motores inferiores. 
A paralisia progressiva e ascendente leva à morte em cerca de três a quatro dias. Não 
há tratamento. O animal com doença confirmada deve ser submetido à eutanásia.
Animais clinicamente saudáveis, porém, com suspeita de contato com o vírus, devem 
ser colocados em quarentena, conforme orientação da autoridade local. 
Acompanhe o caso clínico de um gato diagnosticado com o vírus da raiva aos 
oito meses de idade. O vídeo está disponível em: https://www.youtube.com/
watch?v=H8fbAFOMTp4. 
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UNIDADE I | DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA
Orientações no Brasil para animais não vacinados
Observação durante 180 dias, acompanhada pelo veterinário da prefeitura. Tal 
acompanhamento pode ser feito no próprio Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) 
ou na residência do animal, mediante termo de responsabilidade assinado pelo tutor. 
Aplicar três doses da vacina antirrábica nos dias 0 (zero), 7 (sete) e 30 (trinta). 
Caso o animal silvestre suspeito de ser a fonte do vírus seja negativo, após o período 
de quarentena, o animal pode ser liberado.
Caso o animal silvestre suspeito de ser a fonte do vírus seja positivo ou não seja 
encontrado, o animal em quarentena deve ser eutanasiado.
Orientações no Brasil para animais vacinados
 » Observação durante 180 dias, acompanhada pelo veterinário da prefeitura. Tal 
acompanhamento pode ser feito no próprio Centro de Controle de Zoonoses 
(CCZ) ou na residência do animal, mediante termo de responsabilidade 
assinado pelo tutor. 
 » Aplicar duas doses da vacina antirrábica nos dias 0 (zero) e 30 (trinta). 
 » Caso o animal silvestre suspeito de ser a fonte do vírus seja negativo, após 
o período de quarentena, o animal pode ser liberado.
 » Caso o animal silvestre suspeito de ser a fonte do vírus seja positivo ou não 
seja encontrado, o animal em quarentena deve ser eutanasiado.
Considerações finais 
Muitas outras doenças causam alterações neurológicas. Assim, a raiva deve ser sempre 
considerada um dos diagnósticos diferenciais para animais que sejam levados ao 
consultório com alterações neurológicas, especialmente se o animal for semidomiciliado 
ou tiver histórico de contato com animais silvestres, como morcegos e gambás.
O diagnóstico é feito pela detecção de antígeno no teste de anticorpo fluorescente em 
tecido cerebral. Por isso, quando o animal for a óbito com suspeita de raiva, deve-se 
refrigerar o cérebro do animal. O transporte deve ser feito segundo especificações do 
laboratório.
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DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA | UNIDADE I
A prevenção é bastante eficaz por meio de vacinação. Atualmente, recomenda-se a 
aplicação da vacina antirrábica em animais a partir de 12 semanas de idade. A vacina 
está disponível em Centros de Controle de Zoonoses e, uma vez ao ano, ocorrem 
campanhas por todo território nacional.
A American Association of Feline Practioners desenvolveu, em 2003, um Guidelines 
sobre zoonoses. Apesar de já ter muitos anos, vale a pena a leitura para conhecimento 
das principais zoonoses e sua forma de manejo. Após a leitura do manual, sugere-se 
complementar o estudo com a leitura de artigos mais recentes. O Guidelines está 
disponível para download em: https://catvets.com/guidelines/practice-guidelines/zoonoses-guidelines.
Leucemia viral felina (FeLV)
 O vírus da leucemia felina (FeLV), responsável pela leucemia viral felina, faz parte 
da família dos retrovírus, do gênero Gammaretrovirus, que pode ser dos subtipos A, 
B, C ou T. Ele é um vírus oncogênico, envelopado, com genoma RNA fita simples, 
que codifica alguns grupos principais de proteínas, como a gag (codifica antígenos 
grupos-específicos), a pol (enzima transcriptase reversa) e a env (envelope). A enzima 
transcriptase reversa transcreve o RNA viral em um DNA pró-viral que se liga ao DNA 
do hospedeiro. A partir dessa ligação, o vírus se perpetua no organismo.
Subgrupos do FeLV
 » A: única forma transmissível horizontalmente. Pouco patogênico. Pode 
causar neoplasia hematopoiética. Acompanha os demais subtipos, pois é o 
único que penetra nas células.
 » B: surge por mutação do subtipo A ou por ligação desse ao retrovírus 
endógeno. Responsável pelo desenvolvimento de linfomas, doenças 
mieloproliferativas ou mielossupressoras.
 » C: surge por mutação do subtipo A. Causa anemia arregenerativa, mielose 
eritrêmica.
 » T: variante do subtipo A. Surge por alterações nos aminoácidos e nas 
proteínas do envelope, que o tornam mais patogênico. Altamente citopático, 
possui tropismo por células T, causando depleção linfoide e imunodeficiência.
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UNIDADE I | DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA
O FeLV pode infectar gatos domésticos e selvagens, apresenta distribuição mundial, 
acomete animais de qualquer gênero e idade. Parece haver relação entre a idade da 
infecção e o desenvolvimento de doença. Animais que se infectam na idade adulta, 
muitas vezes conseguem manter a imunidade controlada e não desenvolver viremia 
durante anos. Já animais que contraem o vírus durante a infância ou nascem infectados 
costumam desenvolver doença e ir a óbito ainda jovens. 
Tipos de infecção
 » Infecção progressiva: caracterizada por alta carga viral, por incapacidade 
do organismo em desenvolver resposta imune eficaz. Ocorre disseminação 
viral por tecidos linfoides e medula óssea. Há presença do vírus em tecidos 
glandulares e mucosa, causando eliminação viral por saliva (cerca de um 
milhão de partículas virais por 1mL de saliva) e outras secreções corporais, 
sendo fonte de infecção para outros gatos. O acometimento da medula óssea 
leva à viremia secundária, em que leucócitos e plaquetas possuem alta carga 
viral. Animais com esse tipo de infecção testam sempre positivo devido à 
presença da proteína gag p27 circulante e estão sob o risco de desenvolver 
doença associada ao FeLV.
 » Infecção regressiva: caracterizada por uma resposta imune forte que inibe a 
carga pró-viral, resultando em antigenemia ausente ou transitória. O risco 
de desenvolvimento de doenças associadas ao FeLV é muito pequeno. Gatos 
com infecção regressiva não eliminam vírus, não sendo fonte de infecção 
para outros gatos, exceto em casos de doação de sangue, pois o DNA pró-
viral, apesar de mínimo, ainda está presente na circulação. É possível que a 
infecção regressiva se torne progressiva em algum momento.
 » Infecção abortiva: caracterizada por resposta imune precoce e eficaz que 
impede a replicação viral e elimina as células infectadas. 
 » Infecção focal (atípica): esse tipo de infecção foi observado em cerca de 10% 
dos animais avaliados experimentalmente, porém, é considerada rara em 
situações naturais. Nesses animais, o vírus da FeLV fica sequestrado em alguns 
tecidos, como as glândulas mamárias, bexiga, olhos, baço, linfonodos ou 
intestino delgado, nos quais uma replicação local atípica ocorre. A produção 
e liberação de antígeno p27 na circulação pode ser intermitente ou em baixa 
escala, ocorrendo resultados discordantes nos testes diagnósticos. Dessa 
forma, é possível encontrar resultados positivos ou negativos nos testes 
rápidos, mas resultado negativo na PCR. 
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DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA | UNIDADE I
Sinais clínicos
Os sinais clínicos do FeLV são inúmeros, e a maior parte inespecífica. No primeiro 
pico virêmico, os gatos podem apresentar febre, apatia, anorexia ou não ter qualquer 
alteração clínica. Nos casos de gatos com infecção persistente, essa fase é seguida por 
um período de infecção assintomática, que pode durar meses ou anos até que ocorre 
um novo pico virêmico, e o animal desenvolve doença clínica. Entre as alterações mais 
frequentes estão: anorexia, perda de peso, vômitos, diarreia, dispneia, febre, apatia. 
As doenças relacionadas aos retrovírus são:
 » Doenças hematológicas: anemia (em geral, arregenerativa), neutropenia, 
linfopenia, trombocitopenia.
 » Linfoma: alimentar (mais comum no Brasil), mediastinal, multicêntrico, 
extranodal.
 » Mielopatia: distúrbios neurológicos (anisocoria, ataxia, tetraparesia, mudanças 
de comportamento), vocalização, hiperestesia.
Algumas infecções secundárias são frequentes em gatos portadores de retrovírus:
 » Infecções sistêmicas: toxoplasmose, criptococose, micoplasmose, PIF.
 » Gastrointestinais: complexo gengivite-estomatite (mais comum em 
gatos FIV, porém também pode acometer gatos FeLV), parasitismos 
(giardíase, coccidiose, criptosporidiose), infecções bacterianas (salmonelose, 
campilobacteriose), diarreia crônica.
 » Dermatológicas: demodicose.
 » Respiratórias/oculares: ceratite herpética, uveítes, infecções respiratórias, 
coriorretinite, síndrome da pupila espástica (mais comum em gatos FeLV).
 » Trato urinário: pielonefrite, cistite bacteriana.
Diagnóstico
O diagnóstico pode ser feito de maneira rápida, no consultório, por meio de testes de 
ELISA ou imunocromatográfico, que detectam a presença da proteína de envelope 
gag p27. Esse teste, no entanto, pode dar um resultado negativo nos casos de infecções 
regressiva, latente ou abortiva. Para a infecção progressiva, no entanto, esses testes 
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UNIDADE I | DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA
são bastante sensíveis e específicos. No caso de exposições muito recentes ao vírus, 
o teste pode não detectar a proteína, pois essa pode não estar circulante. Por esse 
motivo, geralmente recomenda-se realizar o primeiro teste e, após 90 dias, realizar 
um novo teste. Uma vez que esses testes detectam a presença de proteína de envelope 
do antígeno, não há interferência da vacina nos resultados.
Figura 9. Teste rápido imunocromatográfico positivo para FeLV e negativo para FIV
Fonte: arquivo pessoal.
A PCR (Polimerase Chain Reaction) é um teste bastante sensível, mas também muito 
suscetível a erros técnicos, como contaminação durante a colheita e manipulação das 
amostras. A PCR pode ser realizada em amostras de sangue, aspirado de medula óssea 
e tecidos. Devido à sua alta sensibilidade, recomenda-se realizar teste de PCR em 
todos os gatos doadores de sangue e tecidos. A PCR também não sofre interferência 
da vacina contra FeLV.
Outro teste utilizado para detecção do vírus é a imunofluorescência indireta (IFI), que 
também detecta a presença da proteína p27 associada à célula (neutrófilos e plaquetas). 
Esse teste costuma ser utilizado para confirmar o resultado do teste inicial. Resultado 
positivo no IFI indica que o animal apresenta viremia persistente originada na medula.
A discordância entre os resultados pode ser devido a estágio da infecção, variabilidade 
da resposta do hospedeiro ou problemas técnicos com o próprio teste. Gatos com 
resultados discordantes devem ser considerados fontes de infecção para outros.
Existem, ainda, outros testes, usados com menos frequência, como isolamento viral 
e testes de anticorpos neutralizantes.
Tratamento
O manejo do gato positivo para FeLV vai variar com seu estado clínico. Para gatos 
assintomáticos, sem alterações em exames laboratoriais, recomenda-se avaliação 
semestral, com exames laboratoriais completos (hemograma, bioquímica e urinálise), 
para detecção precoce de qualquer alteração. 
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DOENÇAS INFECCIOSAS, ZOONOSES E TOXICOLOGIA | UNIDADE I
O tutor deve ser orientado com relação ao manejo alimentar e ambiental, que

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