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Professora: Márcia Virgínia Bezerra Ribeiro
Mestre em Saúde Coletiva pela UFPE
▪ A educação em saúde constitui um campo de conhecimento e de prática 
do setor saúde que tem a finalidade de promover saúde e atuar na 
prevenção de doenças.
▪ Tem como objetivo integrar os saberes científico e popular na tentativa de 
colaborar com o indivíduo para uma maior participação responsável e 
autônoma frente à saúde no cotidiano.
▪ A educação em saúde pode ser compreendida como um diálogo que se
estabelece entre as pessoas, com o objetivo de mobilizar forças e
motivação para mudanças, seja de comportamento, de atitude ou de
adaptações às novas situações de vida, contribuindo para a melhoria das
condições de saúde da população.
▪ A educação em saúde é parte da saúde pública e cada época reflete as
tendências dessa área e acaba reproduzindo suas concepções.
▪ A educação em saúde é um conceito modificado ao longo do tempo, com
base em conhecimentos populacionais e governamentais.
▪ Para entender a educação em saúde, faz-se necessário compreender a
história da implementação desses conceitos ao longo do tempo.
▪ Modelo em que as informações são passadas aos indivíduos de forma 
unilateral, em que o detentor do conhecimento repassa o que sabe, e o que 
considera verdadeiro, aos educandos.
▪ Esse modelo foi utilizado na segunda metade do século XIX, na Europa, 
em epidemias ocorridas, em que a população era “disciplinada” a seguir 
regras de higiene e conduta moral determinadas pelos governantes.
▪ No Brasil, no contexto da saúde pública, por volta de 1860, a exportação do 
café gerou um início conturbado para a educação em saúde, com a 
necessidade do saneamento dos espaços destinados à exportação das 
mercadorias.
▪ As epidemias de varíola, peste, febre amarela e tuberculose que 
acometeram a população dos centros urbanos no período, tiveram ações 
higienistas, em que as normas de prevenção às doenças e intervenções eram 
normatizadoras e impostas por meio de regras.
HIGIENISMO – final do século XIX e início do século XX
Evento(s) que influenciou(aram) a 
metodologia aplicada 
Teoria Microbiana das doenças.
Espaços de atuação Residências, ruas e locais públicos.
População-alvo Elite Urbana.
Quem era o educador Polícia Sanitária.
Atividades do educador Fiscalização.
Papel do educador Controlador.
Atividades desenvolvidas pelos 
profissionais da educação em saúde
Propaganda Sanitária.
Fiscalização Sanitária.
▪ Surge quando o Estado se viu em necessidade de maior atuação, devido ao 
aumento da população urbana, e são mantidas as ações de “Polícia 
Sanitária”, iniciadas no período anterior.
▪ Nesse momento, no Brasil, não há ensino, mas imposição de saberes sobre 
a sociedade, em que a intervenção curativa, fundada do biologicismo, eram 
trazidas à população de forma impositiva, unilateral e verticalizada, de 
modo que a população (receptora da informação) tinha pouca ou nenhuma 
interação ou participação na formação dos conhecimentos.
▪ O envolvimento dos indivíduos no processo educativo começou a ser 
desenvolvido e discutido a partir da década de 1940, com a criação da 
Fundação de Serviços Especiais de Saúde Pública (SESP), em convênio 
entre os governos brasileiro e norte-americano, quando iniciaram-se ações de 
medicina preventiva, utilizando novas técnicas educacionais na área de 
saúde.
EDUCAÇÃO SANITÁRIA – Anos de 1920
Evento(s) que influenciou(aram) a 
metodologia aplicada 
Primeira Reforma Sanitária brasileira.
Espaços de atuação Centros de Saúde, escolas e lares.
População-alvo Famílias e escolares.
Quem era o educador Educador Sanitário e professoras.
Atividades do educador Divulgar o saber médico higienista e 
convencer as camadas populares a 
seguirem certos padrões de 
comportamento.
Papel do educador Divulgador e comunicador.
Atividades desenvolvidas pelos 
profissionais da educação em saúde
Palestras, conferências e produção de 
impressos.
▪ Com a maior migração de pessoas do campo para a cidade e as modificações 
do modelo econômico das exportações de agronegócios para as indústrias de 
base, percebe-se a necessidade de relacionar o conceito de saúde ao 
homem produtivo, de modo a garantir a produção.
▪ A educação em saúde passou a ser voltada para o interesse das elites, em 
que as pessoas eram objetos de intervenção do Estado e a saúde era 
considerada um dever, pois sua finalidade era de manter a produtividade 
econômica.
EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE – Anos de 1950
Evento(s) que influenciou(aram) a 
metodologia aplicada 
Chegada da Fundação SESP ao Brasil e 
suas novas tecnologias educativas.
Espaços de atuação Escolas, locais de trabalho e 
comunidades rurais.
População-alvo População urbana e rural de todas as 
idades.
Quem era o educador Educador Sanitário e profissionais de 
saúde.
Atividades do educador Práticas de intervenção social, informar e 
planejar modos de modificar o 
comportamento e gerar mudanças 
culturais.
Papel do educador Interventor.
Atividades desenvolvidas pelos 
profissionais da educação em saúde
Educação de grupos e trabalhos em 
equipe. Incentivo à participação 
comunitária para suprir carências do 
governo.
▪ A década de 1960 é marcada por contradições em relação a educação em 
saúde, no início da década tem-se o surgimento da Medicina Comunitária, 
que apresentava um discurso de busca por maior participação da população 
nas soluções de problemas, porém ainda permanecia um discurso de 
culpabilidade pela existência desses problemas, indicando que tais culpas 
iniciam dos indivíduos e se seguiam às questões coletivas.
▪ Já na Ditadura Militar Brasileira, observou-se uma discreta modificação 
do padrão impositivo de normas e condutas com o surgimento da 
educação em saúde pública, também conhecida pelos nomes de educação 
em saúde e/ou educação para a saúde.
EDUCAÇÃO EM SAÚDE PÚBLICA – Anos de 1960 e 1970
Evento(s) que influenciou(aram) a 
metodologia aplicada 
Golpe Militar no Brasil, Conferência 
de Alma-Ata, projetos de medicina 
comunitária e cuidados primários de 
saúde.
Espaços de atuação Serviços de saúde e escolas.
População-alvo Escolares e grupos específicos.
Quem era o educador Equipes de saúde multiprofissionais.
Atividades do educador Capacitar o educando para o 
autocuidado.
Papel do educador Treinador.
Atividades desenvolvidas pelos 
profissionais da educação em saúde
Metodologia Centrada no educador ou 
profissional, que passa informações 
sobre o autocuidado à população.
▪ Com a maior abertura política nas décadas de 1970 e 1980, e por meio da 
influência das concepções de educação promovidas por Paulo Freire, 
iniciou-se um maior diálogo sobre a educação em saúde por meio da 
participação popular.
▪ O Movimento da Educação Popular em Saúde, que buscava o rompimento 
da autoritariedade do conhecimento, partindo para ações educativas e 
participativas, com interação de saberes técnicos e populares por meio do 
diálogo, ganhou destaque.
▪ Foi a partir da década de 1980 que os referenciais de Paulo Freire em 
relação à educação passaram a fazer parte da educação em saúde, 
trazendo à tona a relevância necessária para a reflexão crítica e o 
desenvolvimento de uma consciência, também crítica, que fosse capaz de 
promover a melhoria das condições de saúde a partir da participação 
comunitária.
▪ A partir da década de 1990, com a implementação do SUS, surge o 
Programa de Saúde da Família, marco importante para a educação em 
saúde, pois surge como uma ferramenta para a reorientação de práticas 
diretamente dentro das comunidades assistidas pelas unidades de saúde, 
representando uma mudança significativa na atenção em saúde, uma vez que 
integrava o enfermeiro, o paciente, a família e a comunidade em que este 
se inseria.
EDUCAÇÃO EM SAÚDE E EDUCAÇÃO POPULAR EM SAÚDE – A partir dos 
anos de 1980
Evento(s) que influenciou(aram) a 
metodologia aplicada 
VIII Conferência Nacional de Saúde e 
consolidação da Constituição cidadã.
Espaçosde atuação UBS, escolas, conselhos e espaços 
comunitários.
População-alvo Toda a população.
Quem era o educador Todos os envolvidos, incluindo a 
população.
Atividades do educador Buscar junto com a população 
propostas de solução dos problemas.
Papel do educador Mediador.
Atividades desenvolvidas pelos 
profissionais da educação em saúde
A educação tradicional ainda é 
hegemônica, mas a metodologia 
participativa, baseada no diálogo com 
as classes populares, ganha espaço 
formal nas universidades e políticas de 
saúde.
▪Você observa mudanças da prática de educação
tradicional nas ações de educação em saúde
realizadas atualmente pelos profissionais nas unidades
básicas?
▪ Educação em saúde [recurso eletrônico] / Camila Pinno... [et al.] ; [revisão 
técnica: Adriana Flavia Braga Marques, Bruno Vilas Boas Dias] – Porto 
Alegre: SAGAH, 2019. Unidade 1. Processos e fundamentos históricos da 
educação em saúde. 
▪ SOUZA, I. P. M. A. de; JACOBINA, R. R. Educação em Saúde e suas Versões
na História Brasileira. Revista Baiana de Saúde Pública. v.33, n.4, p.618-
627 out./dez. 2009.

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