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A palavra maturidade pode se referir tanto à vida adulta quanto à velhice, 
já que normalmente é compreendida como sinônimo de idade madura, estado 
em que há maturação, amadurecimento. Os dicionários trazem também outros 
aspectos como precisão, exatidão, prudência, perfeição, primor. Diante destes 
aspectos presentes na maturidade, fica evidente a mesma enquanto um rol de 
qualidades tanto objetivas como subjetivas. A maturidade, portanto, envolve 
várias dimensões: social, cultural, biológica, psicológica, dentre outras. No 
entanto, o desafio não está em definir o que é maturidade para entendê-la como 
uma época ou fase específica da vida, já que como afirma Iturra (apud GUSMÃO, 
2001, p. 117), “[...] a maturidade tanto pode chegar aos 14 anos como aos 40, como 
aos 80, nada tem a ver com a idade, tem a ver com o entendimento do real [...]”. 
Dessa forma, o desenvolvimento da personalidade adulta depende 
menos da idade e mais de eventos importantes da vida, como: o casamento, a 
vida profissional, o nascimento dos filhos, dentre outros bastante significativos. 
Lidz (apud MOSQUERA, 1978) afirma que se compararmos a vida com uma peça 
teatral, a adultez é o período no qual se chega ao ponto culminante do drama. 
Todas as personagens já apareceram em cena, já que se apresentou o tema e, ao 
findar o terceiro ato, chega-se ao desenlace que conduzirá à conclusão da peça no 
quarto ato. Na vida adulta, diferente da adolescência, que é repleta de alterações 
corporais e exigências das mais diversas, aparentemente, atinge-se certo grau 
de estabilidade. Nessa fase, normalmente, tem-se uma profissão, um lar, uma 
família, o que garante um novo lugar, uma nova relação até então não vivenciada 
pelo jovem. Por outro lado, como apresentado por Papalia, Olds e Feldman (2006), 
a idade adulta acaba sendo um período movimentado e, às vezes, até estressante, 
por ser repleta de muitas responsabilidades e se ter a emergência de múltiplos 
papéis, como: administrar o lar, departamentos ou empresas, ter filhos ou lidar 
com a independência dos mesmos, talvez cuidar de pais idosos e ainda iniciar 
novas carreiras. 
Embora seja perigoso e, muitas vezes pouco interessante, é necessário 
buscar estabelecer uma certa padronização de comportamentos por faixa etária 
e se ter consciência disso. Isso pode nos ser útil para buscarmos pensar sobre 
algumas questões comuns e presentes na vida de muitas pessoas. Para Mosquera 
(1978), o adulto que tem por volta de trinta anos desfruta de certa estabilização, 
como citado no parágrafo anterior, por ter no âmbito pessoal e profissional mais 
certezas do que indefinições. Com quarenta anos de idade, chega-se ao auge de 
uma busca de consolidação, em que se colhem os frutos do esforço de uma vida 
repleta de buscas e de superação de desafios. Nesse momento, fica claro o que 
é realizável e o que agora já é visto como inalcançável ou inatingível, o que só 
é evidente ao se atingir uma certa maturidade. Com cinquenta anos de idade, a 
capacidade física decresce e começam a ser abandonadas atividades que antes 
faziam parte do repertório de comportamentos rotineiros. Tarefas sedentárias e 
contemplativas substituem gradativamente as atividades anteriormente bastante 
intensas. Com sessenta anos, o adulto aproxima-se da velhice, na qual se prepara 
para receber sua aposentadoria e, mais importante do que isso, de encerrar sua 
vida profissional, deixando esta a cargo de pessoas mais jovens. 
TÓPICO 4 | IDADE ADULTA E velhice
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Para Erikson, o funcionamento psicológico saudável na fase adulta 
depende do êxito na resolução da chamada crise de geratividade versus estagnação. 
Propõe a ideia de que saúde e doença são sinônimos de geratividade e estagnação 
e esta resolução ocorre nos relacionamentos sociais a partir do desempenho de 
vários papéis. A geratividade é fundamental para um ajustamento psicossocial 
bem-sucedido. Nesse sentido, a geratividade é algo que surge na idade adulta 
e pode ser definida como o interesse em guiar a geração seguinte. É mais do 
que a paternidade e a maternidade, embora esses processos sejam bons exemplos 
de geratividade e representem momentos cruciais do desenvolvimento afetivo 
humano. De forma geral, geratividade pode ser entendida como uma capacidade 
de cuidado e implica em responsabilidade para com os outros. Essa consciência 
gerativa se estrutura com o desenvolvimento e a maturidade do adulto e traz ao 
mesmo a noção de responsabilidade social, um sentimento de grande valia para 
o crescimento pessoal.
IMPORTANT
E
O conceito de geratividade traz a noção de cuidado e atendimento e isso 
permite pensarmos em adultos gerativos, que se dispõem a “cuidar” de outros adultos. 
Profissões como a do médico, psicoterapeuta e a do professor podem ser exemplos típicos 
de geratividade.
Dentro da idade adulta, frequentemente, há ainda a necessidade de 
se distinguirem vários momentos, dentre eles a meia-idade, período entre 
as idades de 40 a 65 anos, aproximadamente. Outro critério de definição é o 
contexto da família. Nesse sentido, uma pessoa de meia-idade seria aquela que 
possui filhos crescidos e/ou pais idosos. Segundo Chazaud (1986), após os 40 
anos, aproximadamente, temos um período de involução, no qual se verificam 
diferenças individuais significativas tanto na velocidade quanto na sua conotação 
mais ou menos patológica. Segundo Papalia, Olds e Feldman (2006), a meia-idade 
é um período importante por ser uma época em que se olha tanto para frente 
quanto para trás, os anos já vividos e os anos que virão. Nesse momento é feito 
um balanço do que já foi vivido, com o intuito de reavaliar objetivos e aspirações 
e decidir os caminhos a serem percorridos desse momento em diante. 
Esse período ímpar é chamado por muitos de crise da meia-idade, 
caracterizada por uma crise de identidade, que tem outro aspecto importante 
presente: a consciência da mortalidade. “Muitas pessoas nessa época percebem 
que não serão capazes de realizar os sonhos de sua juventude ou que a realização 
de seus sonhos não trouxe a satisfação que esperavam. Sabem que, se quiserem 
mudar de direção, precisam agir rapidamente” (PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 
2006, p, 630).
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UNIDADE 2 | DESENVOLVIMENTO HUMANO: UM ENFOQUE PSICOSSOCIAL
Em suma, as dificuldades e/ou características da vida adulta estão longe 
de se limitar a questões sexuais e reprodutoras. A inserção na vida produtiva 
(trabalho) e nas diferentes formas de vida associativa repercutirão fortemente na 
construção da subjetividade do adulto. Se de um lado temos uma tendência à 
aquisição de certa estabilidade, por outro, a idade adulta começa a apresentar 
dados novos e inquietadores: passa-se por uma crise muito diferente da vivenciada 
pelo adolescente. Na idade adulta começam a ser percebidos indicativos de um 
gradual declínio físico e da capacidade de desempenho. Inicia-se, nesse momento, 
o envelhecimento propriamente dito, ou melhor, a perda de algumas habilidades 
e potencialidades, algo inusitado e causador de uma justificável angústia.
3 VELHICE
Se algumas sociedades tradicionais tinham a velhice como sinônimo de 
sabedoria, em que o ancião, por ter acumulado experiência, saber e ter algo a 
transmitir, era altamente respeitado e requisitado, entretanto, infelizmente, hoje 
é vista como sinônimo de afastamento e dificuldades das mais diversas.
Lidz (apud MOSQUERA, 1978) afirma ser algo um tanto arbitrário a 
proposição de que a velhice principia em torno dos sessenta e cinco anos de idade. 
Segundo ele, critério mais interessante é a aposentadoria, o que aprofundaremos 
em breve. Segundo Beauvoir (1990), é muito difícil precisar quando exatamente 
começa a decadência senil, visto que são muitos os fatores que acabam interferindo 
no envelhecer humano. Um destes é a classe a qual se pertence. Um mineiro, aos 
50 anos, será um homem “acabado”, ao passo que