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será apresentado um texto de Antropologia, uma ciência “parceira” da 
Psicologia Social e que apresenta um conteúdo significativo tanto para a compreensão da 
velhice como do desenvolvimento humano considerado como um todo.
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UNIDADE 2 | DESENVOLVIMENTO HUMANO: UM ENFOQUE PSICOSSOCIAL
LEITURA COMPLEMENTAR
MATURIDADE E VELHICE DA PERSPECTIVA ANTROPOLÓGICA
N. M. M. de Gusmão
De modo geral, entre os antropólogos, afirma-se que a idade é uma 
construção social. Para Debert (1998, p. 51), a idade não é um dado da natureza, 
nem um princípio natural dos grupos sociais, nem um fator explicativo dos 
comportamentos humanos. O processo biológico que nos constitui, afirma a 
autora, resulta da elaboração simbólica que define fronteiras entre as idades pelas 
quais os indivíduos passam e que não são necessariamente as mesmas em todas 
as sociedades. De igual modo, Motta (1998, p. 227) observa que as sociedades, em 
diferentes momentos históricos, atribuem um significado específico às etapas do 
curso de vida dos indivíduos, conferindo-lhes papéis e funções. Assim, alguém 
pode ser socialmente velho sem estar biologicamente velho ou vice-versa, ou, 
ainda, um fato pode corresponder ao outro.
Tais circunstâncias exigem que se olhe para determinadas realidades 
empíricas, a fim de fazer-lhes uma leitura que revele o lugar do velho e da velhice. 
Uma leitura que mostre alternativas de inserção social do velho, que rompa com 
papéis previstos e prescritos, impondo uma rebeldia que inove, conteste e mostre 
ser possível à velhice atitudes e comportamentos marcados por ações e iniciativas 
inteiramente outras e, portanto, transformadoras.
FONTE: Gusmão, (2001. p. 123)
UNI
O texto anterior deixa claro que a velhice, assim como as demais fases do 
desenvolvimento humano, não passa de construções sociais, logo é passível de mudanças 
e não se revela enquanto uma resposta direta à idade cronológica pura e simplesmente. No 
grupo indígena suyá, estudado por Seeger (apud GUSMÃO, 2001), os velhos são tomados 
por absoluta irreverência e têm atitudes cômicas, inclusive em relação a temas considerados 
privados ou pouco falados como a sexualidade. Espera-se que o comportamento do velho 
ou da velha seja o oposto daquele que o suyá moralmente correto deve ter. Além de 
representar o divertimento e a comédia, são respeitados e prestigiados ao adentrar à “classe 
de idade dos velhos”. 
Diante de uma realidade bastante diferente da nossa, podemos perceber que a velhice na 
nossa sociedade acaba tendo contornos bastante diferentes e característicos. A velhice e o 
envelhecimento em nossa sociedade fazem parte de um processo contraditório, no qual o 
velho transita entre ser e não ser parte integrante das relações sociais, ter e não ter um lugar 
e um papel que diga de si e diga de sua experiência consolidada pela maturidade. Se a velhice 
deveria ser o momento em que se coroa toda uma existência, no cotidiano percebemos que 
estamos longe disso.
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RESUMO DO TÓPICO 4
Dentre as várias informações levantadas neste tópico, em relação à idade 
adulta e à velhice, destacam-se as seguintes:
• Por muito tempo o desenvolvimento humano se resumiu ao estudo do 
desenvolvimento infantil, em contramão à ideia de processo que se dá do 
nascimento à morte.
• A palavra maturidade prevê um estado em que há amadurecimento. Tanto a 
idade adulta quanto a velhice se enquadram nessa categoria.
• A idade adulta pode ser caracterizada como um período de estabilidade, por 
um lado, em que normalmente tem-se um lar, uma profissão, uma família. Por 
outro lado, juntamente surge uma carga de responsabilidades e a emergência 
de múltiplos papéis, algo até então inusitado.
• A velhice pode ser considerada um período de involução, no qual, além das 
limitações físicas, econtram-se outras de ordem psicológica e social.
• O grande dilema presente no idoso é a mudança e o abandono brusco de seu 
padrão de vida anterior. A aposentadoria é um exemplo disso. Compreendido 
como aquele que não “rende” mais, o grande desafio parece ser encontrar 
objetivos que deem sentido à sua vida.
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1 Depois de lido este tópico, faça uma síntese dos aspectos psicossociais mais 
importantes presentes na idade adulta e velhice.
AUTOATIVIDADE
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TÓPICO 5
COMPORTAMENTO ANTISSOCIAL E PRÓ-SOCIAL
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Em se tratando de desenvolvimento humano, além do estudo de 
características gerais decorrentes das chamadas fases ou ciclos de desenvolvimento, 
há também outras possibilidades de análise. Neste tópico trataremos do 
comportamento antissocial, mais especificamente da agressão, assim como o seu 
oposto, o comportamento pró-social, denominado altruísmo.
Por estarmos tratando de desenvolvimento humano a partir da perspectiva 
da Psicologia social, este tópico se faz relevante por serem foco da nossa análise 
os comportamentos a “favor” ou “contra” a coletividade, comportamentos estes 
que se dão nas relações sociais e com implicação direta aos que nos rodeiam.
2 O COMPORTAMENTO ANTISSOCIAL: AGRESSÃO
Talvez um dos temas mais presentes nos mais diversos meios de 
comunicação seja o da agressão e o da violência. Inúmeros casos são apresentados, 
casos estes que revelam a capacidade do homem em ocasionar danos aos demais, 
muitas vezes de forma bastante fria e gratuita. Este passa a ser um fenômeno 
contemporâneo, universal, tendência não seguida por algumas comunidades 
isoladas do alcance da tecnologia e do progresso. Você já pensou nisso? Não 
seria o homem primitivo menos agressivo? Estas e outras questões nos fazem 
pensar sobre o rumo equivocado que estamos tomando e na capacidade ou não 
de mudarmos isso.
É alarmante a constatação de que, ao mesmo tempo em que vivenciamos 
intenso progresso e desenvolvimento construído pelo homem, somos tomados por 
atos até então nunca imaginados, atos que se contrapõem ao adjetivo “racional”. 
Pegando como exemplo o assassinato, temos a seguinte colocação que nos faz 
refletir exatamente sobre isso. “O assassinato dentro da própria espécie, seja em 
escala individual ou coletiva, é um fenômeno desconhecido no reino animal, 
exceto pelo homem e por algumas variedades de ratos e formigas”. (KOESTLER, 
apud RODRIGUES; ASSMAR; JABLONSKI, 1999, p. 203).
Mesmo que tenhamos consciência de que principalmente a Psicologia 
busca analisar este fenômeno por um viés individual, e algumas abordagens 
inclusive defendem uma propensão natural dos homens para agredir (instinto), 
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UNIDADE 2 | DESENVOLVIMENTO HUMANO: UM ENFOQUE PSICOSSOCIAL
nossa intenção é refletir a respeito da construção desta problemática, visto que 
as ações humanas destrutivas parecem ter características e incidências diferentes 
através do tempo. Isolar estes fenômenos ou simplesmente responsabilizar os 
sujeitos envolvidos é irmos contra o enfoque psicossocial, enfoque este inclusive 
que ganha força e predomina atualmente na Psicologia.
Rodrigues, Assmar e Jablonski (1999, p. 206) definem agressão como 
“qualquer comportamento que tem a intenção de causar danos, físicos ou 
psicológicos, em outro organismo ou objeto”. É importante destacar nesta 
definição a intencionalidade da ação por parte do agente da agressão. Só se 
caracteriza como agressivo o ato que deliberadamente se propõe a infligir um 
dano a alguém. Para Morais (1981), se refere a tudo o que é capaz de imprimir 
sofrimento ou destruição ao corpo do homem, bem como o que pode degradar 
ou causar transtornos à sua integridade psíquica. Sendo o ser humano uma 
integração entre físico e psíquico, o que está implícito neste conceito é a afronta 
à dignidade. 
NOTA
Vale a ressalva de que não é tão simples a questão da intencionalidade ou não 
em se referindo à agressão. No Brasil isso fica evidente no incidente onde jovens de classe 
média em Brasília incendiaram um índio pataxó que dormia na