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FISIOLOGIA RENAL VISÃO GERAL RINS Órgãos excretores e reguladores. Metabólitos: uréia (aminoacidos), ácido úrico (acido nucléico), creatinina (creatina muscular). Os rins estão localizados na cavidade retroperitoneal, abaixo do 12º par de costelas. Duas regiões importantes: córtex e medula renal. Glomérulo fica no córtex e túbulos adentram a medula renal, drenando para o cálice menor, cálice maior, pelve renal e ureter. Sangue depurado sai pela veia renal. FLUXO SANGUÍNEO RENAL (FSR) • Os rins são órgãos altamente vascularizados (baixa resistência ao fluxo sanguíneo). • Recebem cerca de 20% a 25% do débito cardíaco. • O FSR é 4 vezes maior que o do fígado ou músculos em exercício e 8 vezes maior que o coronário. • O córtex renal recebe 90% do FSR. O baixo FSR medular deve-se a alta resistência oferecida pelos vasos retos. Carolina Mota Arteríola → capilar → arteríola → capilar Se depois da artéria eferente vem vaso reto ou capilar peritubular, depende do néfron que tem depois. No néfron cortical, vem o capilar peritubular, no néfron justamedular, tem vasos retos também. O epitélio renal espelha a função de cada uma das partes dos túbulos. É um epitélio polarizado, com membrana luminal e membrana basolateral. FORMAÇÃO DE URINA PELOS RINS MANEJO RENAL DE SUBSTÂNCIAS As substâncias podem ser filtradas, reabsorvidas ou secretadas. O RAE volta a passar perto das arteríolas aferentes e eferentes, formando o aparelho justaglomerular. Entre as arteríolas tem células mesangiais que produzem substâncias. A mácula densa são células diferenciadas do RAE que estão bem no ponto de contato com as arteríolas. Há as células justaglomerulares ao redor das arteríolas e que produzem renina, sendo inervadas pelo SNS. 180 L/dia de plasma sendo filtrados pelos glomérulos. O fluido tem a mesma osmolaridade do plasma. O túbulo proximal tem reabsorçãr e secreção, predominando a primeira, reabsorvendo soluto e água, resultando em 54L/dia isosmóticos. Na alça de Henle, predomina reabsorção de água no ramo descendente e de solutos no ramo ascendente, resultando em 18/L por dias hiposmóticos. No túbulo distal tem tanto reabsorção quanto secreção, havendo uma regulação fina por hormônios até o ducto coletor, onde também há ambos os processos e a determinação final da reabsorção de água. ULTRAFILTRAÇÃO GLOMERULAR Ultrafiltrado glomerular = plasma (menos proteínas e células) O ultrafiltrado glomerular normalmente não contém células e proteínas e a concentração da maioria dos íons inorgânicos (Na+, K+, Cl-, etc) e solutos orgânicos de baixo peso molecular (glicose, aminoácidos) é a mesma do plasma (isosmótico em relação ao plasma). Os capilares são envolvidos por pedicelos emitidos por podócitos. MESÂNGIO • Se encontra entre os capilares; • Formado por células mesangiais e matriz mesangial; • As células mesangiais fornecem suporte estrutural para os capilares glomerulares, secretam a matriz extracelular, exibem atividade fagocitária, secretam prostaglandinas e citocinas; • Apresentam elementos contráteis, podendo influenciar o diâmetro dos capilares glomerulares (área de filtração) e consequentemente, a taxa de filtração glomerular; • Mesângio também é encontrado no aparelho justa-glomerular. BARREIRAS DE FILTRAÇÃO » Endotélio fenestrado (poros de 700 Å; glicoproteínas do glicocálix carregadas negativamente): permeável à água, pequenos solutos e à maior parte das proteínas; impermeável à células e a proteínas aniônicas muito grandes; » Membrana basal: matriz porosa formada por proteínas carregadas negativamente (ex, colágeno tipo IV, laminina); importante barreira para proteínas plasmáticas (possuem cargas negativas); » Fendas de filtração (espaço entre os processos dos podócitos): recobertas por diafragmas, os quais contém poros (40 a 140 Å) e também apresentam proteínas carregadas negativamente. FLUXO SANGUÍNEO RENAL (FSR) E FLUXO PLASMÁTICO RENAL (FPR) FSR ~ 1.1 L/min (20 a 25% do débito cardíaco) → inclui plasma e células. FPR = 0.55 (plasma) x 1.1 L/min = 600 mL/min (hematócrito de 0.45 – volume ocupado por hemácias é descontado) TAXA DE FILTRAÇÃO GLOMERULAR (TFG) Volume de ultrafiltrado formado por unidade de tempo; • Aproximadamente 180 L/dia (125 mL/min); • Os rins filtram todo o plasma do corpo (3L) 60 vezes no dia; • A elevada TFG permitem aos rins excretar uma grande quantidade de metabólitos e regular a composição do meio interno com precisão. Apenas 20% do plasma que chega aos glomérulos é filtrado - Fração de Filtração (FF) PRESSÃO DE ULTRAFILTRAÇÃO A pressão oncótica do espaço de Bowman (πeb) é zero (muito pouca proteína é filtrada). A pressão hidrostática ao longo do capilar glomerular é relativamente constante enquanto que a pressão oncótica aumenta (concentração de proteínas a medida que água é filtrada). Portanto, a pressão de ultrafiltração diminui ao longo dos capilares glomerulares, mas não o suficiente para parar a filtração. COEFICIENTE DE ULTRAFILTRAÇÃO (Kf) CONTROLE DA TFG E FSR CONDIÇÕES PATOLÓGICAS QUE PODEM AFETAR TFG AUTO-REGULAÇÃO DO FSR E TDG • O FSR e a TFG se mantém constantes frente a mudanças na pressão arterial média. Como?? Mudanças na resistência da arteríola aferente (mecanismo miogênico) • A auto-regulação do FSR e TFG protege os capilares glomerulares, assim como alterações na excreção de solutos e água que acompanhariam variações na TFG. Auto-regulação da TFG: retroalimentação túbulo glomerular CLEARANCE RENAL O conceito de clearance renal é baseado no princípio de Fick da conservação de massas. FPR: fluxo plasmático renal. mL/s x g/mL = g/s V → fluxo urinário [V] → veia renal DEPURAÇÃO (CLEARANCE) RENAL https://www.youtube.com/watch?v=JRXM9pPG_Bg&ab_channel=JoaquimProcopio https://www.youtube.com/watch?v=HQ4Wn45wiqI&ab_channel=JoaquimProcopio Volume virtual de plasma depurado (limpo) de uma determinada substância por minuto. C = clearance (mL/min) U = concentração da substância da urina (mg/mL) V = fluxo urinário (mL/min) P = concentração da substância no plasma (mg/mL) A glicose é filtrada, mas totalmente reabsorvida. Clearance da glicose = 0. A ureia é depurada, mas nem toda é reabsorvida, parte e excretada. A penicilina é depurada, mas nem toda é reabsorvida e ainda há secreção. Se o clearance de uma molécula é 0, ou ela não é filtrada, ou ela é filtrada e totalmente reabsorvida. Se o clearance é menor que a taxa de filtração, ela é filtrada mas absorvida parcialmente. Se o clearance é maior que a taxa de filtração, ela é reabsorvida e secretada. Se o clearance é igual a taxa de filtração, a substância é apenas filtrada. CLEARANCE DA INULINA É IGUAL A TFG A inulina é apenas filtrada NÃO é reabsorvida NÃO é secretada - Inulina não é endógena, ou seja, precisa ser infundida - [U]inulina x V = carga excretada - TFG não muda com a [P]inulina. Um aumento na [P]inulina não diminui a TFG pois, quando [P]inulina aumenta, a quantidade de inulina filtrada aumenta (carga filtrada) (numerador e denominador aumentam na mesma proporção). - TFG não muda com o V. Quando V aumenta, a [U]inulina diminui por diluição ([U]inulina x V não muda) https://www.youtube.com/watch?v=JRXM9pPG_Bg&ab_channel=JoaquimProcopio https://www.youtube.com/watch?v=HQ4Wn45wiqI&ab_channel=JoaquimProcopio Inulina foi perfundida para a obtenção de uma [P]inulina constante no valor de 4 mg/L. O volume de urina coletado noperíodo de 1 hora foi de 0.1 L e a [U]inulina foi de 300 mg/L. O CLEARANCE DO PAH É IGUAL AO FPR Para-aminohipurato (PAH) é completamente removido do sangue arterial pelos processos de filtração e secreção. Não é metabolizado e nem sintetizado pelos rins e não afeta o FPR. NA CLÍNICA, O CLEARANCE DA CREATININA É USADO PARA ESTIMAR A TFG 1) Em um período de 24 horas são coletados 1.44 L de urina de um homem que recebeu uma infusão de inulina. A concentração urinária de inulina foi de 150 mg/mL e de Na+200 mEq/L. A concentração plasmática de inulina foi de 1mg/mL e de Na+ de 140 mEq/L. Calcule as depurações renais de inulina e de Na+. O que pode ser concluído o manejo renal de Na+? [U] inulina =150 mg/mL [U] de Na+ = 200mEq/L [A] de inulina = 1mg/mL [A] de Na+ = 140 mEq/L V= 1,44L em 24 h V em min = 0,001 L/min ou 1 mL/min C inulina = [U] x V / [A] → (150 mg/mL x 1 mL/min) / 1 mg/mL → Ci = 150 mL/min C Na+ = (200 mEq/L x 0,001 L/min) / 140 mEq/L → 0,001428 L/min → C Na+= 1,428 mL/min Conclusão: 150mL/min (Ci) é a TFG. O sódio é filtrado e reabsorvido, então, porque o clearance dele é menor que o TFG. 2) Calcule o fluxo plasmático renal (FPR) de um paciente cujo fluxo urinário é de 1 mL/min e as concentrações de para-aminohipurato (PAH) urinária e plasmática são de 600 mg % e 1 mg%, respectivamente. • V = 1 ml/min; C = (U x [V])/ [P] = FPR → Pois, Clearance do PAH = FPR. • [U] = 600mg/ml; FPR = (600 x 1)/ 1 = 600mL/min. • [P] = 1mg/ml; Para-aminohipurato (PAH) é completamente removido do sangue arterial pelos processos de filtração e secreção. Não é metabolizado e nem sintetizado pelos rins e não afeta o FPR. 3) Em um sujeito, participante de uma pesquisa científica, foi infundido inulina para medir a TFG. Durante o experimento, o fluxo urinário (V) foi intencionalmente modificado pela ingestão de água (sobrecarga hídrica). A concentração plasmática de inulina (Pi) foi mantida constante em 1 mg/mL pela infusão. O fluxo urinário (V) e a concentração de inulina na urina (Ui) após e antes da sobrecarga hídrica foram: - antes da sobrecarga: Ui = 100 mg/mL, V = 1mL/min; após sobrecarga: Ui = 20 mg/mL, V = 5 mL/min. Calcule a TFG antes e após a sobrecarga hídrica. A inulina é apenas filtrada, não é reabsorvida nem secretada, então ela é usada para medir TFG. O Clearance (Volume virtual de plasma depurado (limpo) de uma determinada substância por minuto) da inulina é igual a TFG. TFG x [P] = V x [U] [U] = concentração da substância na urina V = fluxo urinário [P] = concentração da substância no plasma O TFG (inerente ao glomérulo renal) não muda com o aumento de V, pois quando V aumenta, a [U]i diminui por diluição. TFGantes = (100 mg/mL x 1 mL/min) / 1mg/mL TFGantes = 100 mL/min TFGdepois = (20 mg/mL x 5 mL/min) / 1mg/mL TFGdepois = 100 mL/min FUNÇÃO TUBULAR Epitélio tubular é formado por células polarizadas e há mecanismos distintos de transporte de solutos nas membranas luminal e basolateral. MECANISMOS BÁSICOS ENVOLVIDOS NA REABSORÇÃO E SECREÇÃO TUBULAR • Difusão simples • Difusão facilitada • Transporte ativo primário, secundário • Endocitose (proteínas) • Osmose • Arraste por solvente: o movimento de água (“solvente"), gerado por uma diferença de osmolaridade, que arrasta solutos dissolvidos nela. Ocorre em epitélios que apresentam junções fechadas mais permeáveis (leaky). TÚBULO PROXIMAL • 65% do que foi filtrado já é reabsorvido • Borda em escova: maior área de contato para reabsorção • Muitas mitocôndrias devido ao alto gasto energético • Secreção de ácidos orgânicos, bases, prótons O que chegar ao TP é o plasma, menos proteínas e células. 65% é reabsorvido e isso é feito de forma isosmótica, sendo que o que sobra, 35%, tem a mesma osmolaridade do plasma, só sendo um volume menor. É como se cada sódio reabsorvido, uma água também seria. • Solutos são reabsorvidos juntamente com o Na+, utilizando o gradiente de Na+ gerado pela bomba de Na+/K+ da membrana basolateral; • Os ânions reabsorvidos junto com o Na+são o HCO3- (segmentos mais iniciais) e Cl- (segmentos mais distais); • 100% de reabsorção de glicose, aminoácidos e vitaminas em cotransporte com Na+. A bomba de sódio e potássio gera o gradiente de sódio e na membrana luminar tem o SGLT (1 nas partes próximas, 2 nas partes distais). A glicose está indo contra o gradiente de concentração por transporte ativo secundário. A glicose sai por GLUT 2 nos segmentos proximais ou GLUT 1 nos distais, por difusão facilitada. Se a quantidade de glicose filtrada ultrapassa a capacidade dos transportadores de glicose de todos os néfrons, como no diabetes melito, glicose é excretada na urina (glicosúria). Glicemia < 150 mg/100ml: não há glicose na urina Gicemia > 200 mg/100 ml: glicose excretada na urina O túbulo proximal reabsorve 65% da água filtrada A reabsorção de Na+ acoplada a solutos aumenta a osmolaridade no interstício. Com isso, água flui da luz tubular para o interstício por osmose (via transcelular e paracelular). Para cada soluto transportado, uma molécula de água é reabsorvida. Devido a elevada permeabilidade á água do TP, pequenas diferenças de osmolaridade entre o lúmen e o interstício geram grandes fluxos de água. No túbulo proximal, o fluxo de água ocorre em maior proporção pela via transcelular (aquaporinas). ALÇA DE HENLE O ramo descendente e permeável à água e o ramo ascendente espesso é impermeável. Reabsorção O próprio sal reabsorvido no ramo ascendente aumenta a osmolaridade do interstício, o que atrai a água do ramo descendente. Maior reabsorção de solutos do que água (25% do NaCl e 15% de água): fluido que deixa a alça é hiposmótico (segmento diluidor). Furosemida – diurético: inibe o transportador de sódio e cloreto, consequentemente, inibindo a reabsorção de água. TÚBULO CONTORCIDO DISTAL, SEGMENTO DE CONEXÃO E DUCTO COLETOR O túbulo distal e o ducto coletor reabsorvem cerca de 8% do NaCl filtrado, secretam quantidades variáveis de K+ e H+ e reabsorvem de 8% a 17% da água filtrada. Começam os controles mais finos da reabsorção. Células principais e células intercaladas aparecem no ducto coletor. Túbulo distal inicial Tiazídicos – diuréticos: inibição do transportador sódio e cloreto e consequentemente, inibe reabsorção de água no ducto coletor. Reabsorção de sódio e secreção de potássio pelas células principais Mecanismo celular da secreção de potássio O ducto coletor cortical reabsorve e secreta K+ Ingesta aumentada de potássio = aumento na secreção pela ação da aldosterona. Depleção de potássio = diminui secreção por ação da aldosterona, por consequência, a reabsorção que já acontecia é percebida. Ducto coletor medular Reabsorção de NaCl, água se tiver ADH, Ureia e bicarbonato, com secreção de H+ → importante para equilíbrio ácido básico. Reabsorção de água pelo ducto coletor O ciclo da ureia gera um interstício com alta osmolaridade também, além do que já é gerado pela reabsorção do NaCl. Essa maior osmolaridade promove a reabsorção de água pelo ducto coletor, desde que haja a presença do ADH. DIURÉTICOS PRODUÇÃO DE URINA CONCENTRADA E DILUÍDA Em condições normais, a perda de água é igual ao ganho, resultante da regulação da perda urinária (0,4L/dia - deserto; até 25 L/ dia - ingestão excessiva de água). Os rins controlam a excreção de água independentemente do controle da excreção de solutos. Essa independência é fundamental para a sobrevivência, porque permite aos rins realizarem o balanço da água sem prejudicar suasoutras funções homeostáticas. BALANÇO DE ÁGUA Sede: repõe água. Estímulos → hiperosmolaridade plasmática (mais potente), redução do volume sanguíneo e PA. Rins: conservam água. Reabsorção no TP e no ducto coletor – reabsorção de água (na presença de ADH) e solutos de forma separada. Determina a osmolaridade urinária. SECREÇÃO DE ADH PELA NEURO-HIPÓFISE Produzido em corpos celulares no hipotálamo, sendo secretado na neurohipófise. A secreção de ADH (vasopressina) é estimulada pelo aumento da osmolaridade plasmática (1%), detectado por osmorreceptores hipotalâmicos, e ou pelaredução do volume plasmático (5 a 10%), detectados pelos barorreceptores da aorta e carótida. Resposta à privação de água (anti-diurese) Resposta ao aporte de água (diurese) volume mínimo para diluir os solutos da urina. Para a reabsorção de água pelo ducto coletor (urina diluída ou concentrada) ocorrer se faz necessário: (1) um gradiente de osmolaridade (interstício medular hipertônico) e (2) permeabilidade à água (ADH). A osmolaridade do interstício córtico-medular é irregular, sendo maior quanto mais próximo da pelve renal. A multiplicação desse gradiente é gerado por um mecanismo devido à alça de Henle. Geração do interstício medular hiperosmótico: sistema multiplicador por contra-corrente (1) Anatomia em contracorrente da alça de Henle dos néfrons justamedulares; os fluxos nos ramos descendente e ascendentes são opostos (fluxos por contra-corrente) – rearranjo em paralelo; (2) Reabsorção de NaCl no ramo ascendente da alça de Henle sem reabsorção de água; (3) Retenção de uréia na medula (ciclo da uréia); (4) Alças dos vasos retos em forma de grampo de cabelo para minimizar o arrasto da medula hiperosmótica – impede a dissipação do gradiente hiperosmótico. Sempre tem uma diferença de 200mmol entre o interstício e o ramo ascendente, sendo devido à reabsorção de NaCl sem água. Já o ramo descendente equilibra com o ducto coletor e com o interstício, porque neles tem a reabsorção de água. 1400 é a osmolaridade máxima da urina se tivermos ADH. Sem ADH, a osmolaridade será de 300, porque não vai haver reabsorção de água e equiparação com o interstício. Quanto mais longa a alça, maior o volume de osmolaridade e mais ainda concentrada a urina → mecanismo de defesa em animais do deserto, por exemplo. RESUMO A diferença de osmolaridade de 200 mOsM em cada nível horizontal é “multiplicada” a medida que o líquido tubular atinge níveis mais profundos na medula. Quando o líquido alcança a curva na alça, a osmolaridade no líquido tubular e interstício foram “multiplicadas” para uma osmolaridade bem mais alta, podendo atingir 1400 mOsM (as osmolaridades na alça descendente e interstício são iguais - equilíbrio). Na alça ascendente, ocorre o oposto: a medida que o fluido "sobe” a alça, a osmolaridade do fluido tubular é reduzida, dada pela reabsorção de NaCl (gradiente de 200 mOsM entre o fluido e o interstício). Ao deixar a alça de Henle, o líquido tubular é 100 mOsM (mais diluído que o plasma). No túbulo distal, a reabsorção de NaCl e a impermeabilidade à água contribuem para uma redução adicional da osmolaridade do líquido tubular. A partir do ducto coletor, sob a ação do ADH, o epitélio torna- se permeável a água. A reabsorção de água ocorre até o equilíbrio entre a osmolaridade do líquido tubular e a do interstício. No ducto coletor medular, o líquido tubular se equilibra com o interstício, passando a apresentar uma osmolaridade de 300 mOsM. A medida que o fluido “desce” o ducto coletor, o fluido tubular se torna cada vez mais hiperosmótico (se equilibra com osmolaridades mais elevadas no interstício). No final, a urina pode atingir uma osmolaridade máxima de 1400 mOsM. DIABETES INSIPIDUS DI Central: queda de produção de ADH. DI Nefrogênico: rim não responde ao ADH. SÍNDROME DA SECREÇÃO INAPROPRIADA DE ADH • Secreção elevada de ADH, resultando em aumento da osmolaridade urinária, hiponatremia (diluição do Na+), aumento de peso (retenção líquida) e hipertensão; • Causas: câncer de pulmão ou doenças pulmonares (células que secretam ADH), lesão no hipotálamo e ou hipófise, infecção (meningite); medicamentos; • Sintomas: anorexia, náusea, vômito, irritabilidade, confusão, halucinações, convulsão CONTROLE DA EXCREÇÃO DE NACL Em condições normais, a perda de NaCl é igual ao ganho, e não ocorre nenhuma alteração efetiva no conteúdo corporal de NaCl. O equilíbrio de entre a perda e ganho resulta principalmente da regulação da perda urinária, que pode variar dentro de uma faixa extremamente ampla (ingestão de 20 a 25 g a 0,05 g de NaCl por dia). Mecanismo compensatório que alterou o volume plasmático, também alterou a excreção renal de sódio. Mudanças no balanço de NaCl resultam em alterações no volume do plasma e não na sua osmolaridade. Portanto, a excreção renal de NaCl é modificada frente a variações do volume plasmático, mais especificamente do volume circulante efetivo. Excreção alterada vai ajustar o volume plasmático. A excreção renal de NaCl em resposta às mudanças no volume circulante efetivo é uma resposta adaptativa que possibilita a manutenção de uma perfusão tecidual adequada. Portanto, em um indivíduo normal, o balanço de NaCl determina o volume circulante efetivo, o volume do LEC e o volume vascular. Consequentemente, o balanço de NaCl influencia a pressão arterial e o débito cardíaco. MANEJO RENAL DE NaCl Em condições de euvolemia (volume plasmático constante), o ducto coletor é o principal segmento onde a reabsorção de Na+ é ajustada para manter a excreção em equilíbrio com a ingestão. A reabsorção de Na+ pelos TP, AH e túbulo distal é controlada (relativamente constantes) para assegurar que uma fração constante de Na+ (4%) seja entregue ao ducto coletor (capacidade limitada de reabsorção) e ele não é sobrecarregado. Redução do volume circulante detectada pelos barorreceptores e outros quimiorreceptores de vários locais, sinalizando ao SNC, ativando o SNS e à secreção de ADH. SNS → reduz excreção de sódio. ADH → aumenta a reabsorção de água. Nos átrios, miócitos que secretam ANP são inibidos e há redução de excreção de sódio. Nos rins, TFG cai e isso é detectado pelo aparelho justaglomerular, que responde secretando renina → angiotensina I → angiotensina II → aldosterona → reduz excreção de sódio. SISTEMA RENINA ANGIOTENSINA ALDOSTERONA (SRAA) O SRAA permite que um indivíduo consuma quantidades variáveis de sal sem alterar a volemia e a pressão arterial. Em condições normais, uma redução da ingesta de sal a 1/10 da normal ou um aumento em 10 a 15 vezes pouco modifica a PAM. Ativação simpática renal aumenta a reabsorção renal de Na+ • Redução do volume efetivo circulante - barorreceptores – ativação simpática; • Ações diretas: vasoconstricção renal (AA e AE) e aumento da reabsorção de Na+ pelas células tubulares; • Efeito indireto: estimula as células granulares a secretarem renina. Em condições normais, a ativação simpática tem uma ação modesta sobre os rins. Entretanto, torna-se importante quando variações muito grandes no volume circulante efetivo ocorrem (hemorragia). O PAN também inibe a secreção de renina e ADH. Controle da excreção de Na+ e água em resposta à sudorese Suor → tem mais água do que solutos → desidratação. EQULÍBRIO ÁCIDO-BASE Objetivo: manter o pH arterial na faixa da normalidade. Por que? • Proteínas são sensíveis ao pH - alteração daconformação; • SNC é sensível ao pH: » acidose (pH<7,35) - neurônios menos excitáveis, depressão do SNC (centro respiratório); » alcalose (pH>7,45) - neurônios mais excitáveis, tremores, paralisia dos músculos respiratórios. Como manter o pH? 1) Tampões: amortecem variações de pH, tem ação imediata; 2) Pulmões: eliminam CO2, tem ação rápida; 3) Rins: secretam H+, reabsorvem e geram novo bicarbonato, tem ação lenta. TAMPÕES FISIOLÓGICOS Tampões do líquido extracelular (LEC) • Bicarbonato: • Fosfato: Tampões do líquido intracelular (LIC) • Fosfatos orgânicos: ATP, ADP, AMP, glicose-1-fosfato, 2,3- difosfoglicerato • Proteínas: grupamentos COOH/COO- e NH3+/NH2 • Hemoglobina TAMPÃO FOSFATO O poder de tamponamento é uma unidade acima e uma unidade abaixo. TAMPÃO BICARBONATO Forma ácida não volátil → não pode ser eliminada por respiração. EQUAÇÃO DE HENDERSON-HASSELBACH Pela fórmula, concentração do ânion igual do ácido dá log de 1, que é zero, portanto: pH = pK. A homeostase do pH tende a manter a proporção: bicarbonato 20x a concentração de CO2. → pH fatal = 2ª linha de defesa é respiratória! REGULAÇÃO PULMONAR DO EQUILÍBRIO ÁCIDO-BASE Tanto a frequência respiratória quanto a profundidade dos movimentos respiratórios são controlado de modo a manter a PCO2 em torno de 40 mmHg. • Compensação respiratória à acidose: Aumento da FR e amplitude da respiração • Compensação respiratória à alcalose: Redução da FR e amplitude da respiração REGULAÇÃO RENAL DO EQUILÍBRIO ÁCIDO-BASE • Compensação renal à alcalose: aumento na excreção (redução da reabsorção) de HCO3- (é apenas excretado em condições de alcalose). URINA ALCALINA. • Compensação renal à acidose: aumento na secreção de H+ e na reabsorção e geração de HCO3-. URINA ÁCIDA. DISTÚRBIOS ÁCIDO BASE ACIDOSE METABÓLICA gasometria arterial para avaliação das concentrações. ALCALOSE METABÓLICA Pulmão é a causa do distúrbio. Alcalose → hiperventilação. Acidose → hipoventilação.