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Sociologia da Comunicação (Georg Simmel, Guy Debord, Jean Baudrillard, Michel Maffesoli e Erving Goffman)

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Em “A metrópole e a vida mental”, Georg Simmel propõe uma análise das
formas como a personalidade se acomoda às forças externas das grandes cidades e
as condições psicológicas que as metrópoles nos proporcionam.
As imagens nos banners convergem rapidamente, o barulho dos carros nas
avenidas, as pessoas correndo apressadas pelas ruas, contrastam-se com a vida
rural, que seria mais calma, com poucos estímulos sensoriais, a qual era habitada
até por menos pessoas, o que favorecia o estado bucólico.
Com o êxodo rural, as metrópoles passaram a exigir de seus novos
habitantes uma sensibilidade a todos esses estímulos, inexistentes anteriormente na
zona campestre, e uma mudança de psicológico que fosse capaz de adequar as
pessoas à velocidade e divergência de estímulos que estas apresentam.
“A metrópole extrai do homem, enquanto criatura que procede a
discriminações, uma quantidade de consciência diferente da que a vida rural
extrai. Nesta, o ritmo da vida e do conjunto sensorial de imagens mentais flui
mais lentamente, de modo mais habitual e mais uniforme. É precisamente
nesta conexão que o caráter sofisticado da vida psíquica metropolitana se
torna compreensível – enquanto oposição à vida da pequena cidade, que
descansa mais sobre relacionamentos profundamente sentidos e
emocionais.” - Georg Simmel
Seguindo essa visão, Simmel expõe que na zona urbana, a predominância da
razão sobre as emoções era uma das principais características do habitante da
metrópole. Assim, impondo aos cidadãos da cidade uma certa inteligência, até
mesmo desconfiança, pois não se conhece os outros habitantes, como em uma
sociedade rural, então se cria uma precaução perante o outro indivíduo, como forma
de proteção de sua integridade física e psicológica.
Para o sociólogo, esses fatores resultam na atitude blasé, que seria a
indiferença pela novidade que a cidade nos proporciona todo dia, o indivíduo que já
se familiarizou pelo excesso de impulsos, fazendo o que deve comover não nos
tocar, como uma película protetora. Demonstra apatia em relação a tudo a sua volta.
Aquele que vive sua vida a partir de buscas desenfreadas por prazeres, do
excesso de estímulos (sensoriais, e/ou afetivos, intelectuais etc.) tornou-se
insensível ou indiferente a eles, causado pela agitação psicológica até um ponto que
suas reações se anestesiam, culminando na falta de respostas aos estímulos
nervosos.
Na vida urbana, mesmo estando vivendo a vista de todos, ninguém sabe
quem você é, o que faz, onde vai, desta forma, você se torna invisível numa
sociedade cheia de habitantes, como a metrópole, chegando até a um certo conforto
de não ser julgado, não estar aos holofotes, sendo uniforme a interpretação dos
outros.
É uma liberdade controlada, mas ainda é liberdade, você pode ser quem
quiser, mas se o senso comum não concordar, precisará esconder seu verdadeiro
“eu”. A metrópole oferece um grau de liberdade que não pode ser visto na área rural,
se tornando uma das características preferidas do metropolitano, que é apenas mais
um em meio à multidão, sendo indiferentes e é apagando seus traços pessoais.
Guy Debord escreveu “A sociedade do espetáculo” em 1967 e é
essencialmente uma crítica radical ao capitalismo, sua dominação e a alienação da
sociedade de consumo. O autor afirma que pelas imagens e mensagens dos meios
de comunicação de massa, os indivíduos “esquecem” da dura realidade, e passam a
viver pelas aparências e consumo de fatos, notícias, produtos e mercadorias.
“O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre
pessoas, mediada por imagens. (...) No mundo realmente reinvertido, o
verdadeiro é um momento do falso” - Guy Debord
Jean Baudrillard se inspirou nas obras de Guy Debord e escreveu “Simulacro
e simulação” e segundo o livro, a realidade não existe mais, desse modo, passamos
a viver em um retrato da realidade criada pela mídia; também defende que a
sociedade dá mais valor e credibilidade aos símbolos do que para a própria
realidade.
“Quanto mais distante, mais se tem uma idéia do real, mais se imagina o que
é o real, menos clareza se tem do que é a realidade. É como se houvesse
uma transformação das coisas em algo parecido com sua forma original” -
Baudrillard
O autor afirma que cada pessoa atribui um julgamento sobre as imagens e
dão a elas um referente real. O real é subjetivo.
Simular é fingir, criar uma imagem que não corresponde com a realidade. O
simulacro distorce e mistura-se com o real. Segundo Baudrillard, o real não é
apenas o que pode ser reproduzido, mas também o que está sempre reproduzido,
portanto, a realidade e a simulação são a mesma coisa, resultando o simulacro.
Michel Maffesoli (1944), estuda principalmente esses fatos, afirma que existe
uma união entre o arcaico e o desenvolvimento tecnológico. Com as novas
tecnologias, cria-se novas formas de ser, transformando a estrutura do vínculo
social. O prazer lúdico substitui a mera funcionalidade.
Ele cria uma expressão para melhor explicar tudo isso, a noção das "tribos
urbanas". Essa expressão é para designar o encontro de pessoas em torno de um
mesmo conjunto de imagens.
A origem da ação não está no indivíduo, mas sim, no coletivo, na tribo. O
indivíduo deixa a lógica da identidade para a da identificação (pessoas com
máscaras variáveis, com várias identificações).
Erving Goffman (1922 - 1982) pode ajudar a compreensão com seus estudos
sobre o Estigma Social, característica que designa o seu portador como
desqualificado, menos valorizado ou pelas palavras do autor: “a situação do
indivíduo que está inabilitado para aceitação social plena”. Atribuir um estigma está
relacionado com os preconceitos, os estereótipos tidos como “normais” e o medo do
desconhecido, que geralmente temos.