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locomotor problema 3

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você pode imaginar que a flexão do antebraço será mais rápida se, em vez de um peso de 7 kg, não houver nenhuma carga na mão. A relação entre a carga e a velocidade de contração de uma fibra muscular, determinada experimentalmente, está representada na FIGURA 12.21. A contração é mais rápida quando a carga sobre o músculo é zero. Quando a carga sobre o músculo se iguala à capacidade do músculo de gerar força, o músculo é incapaz de mover a carga, e a velocidade cai para zero. O músculo ainda pode contrair, mas a contração se torna isométrica, em vez de isotônica. Como a velocidade é uma função da carga e do tipo de fibra muscular, ela não pode ser regulada pelo corpo, exceto mediante o recrutamento de fibras musculares de tipos mais rápidos. Contudo, a organização dos músculos, dos ossos e das articulações permite que o corpo amplifique a velocidade, de modo que a regulação em nível celular se torna um fator menos importante.
proteção pelo otg e fusos 
O comprimento de repouso da fibra afeta a tensão
Em uma fibra muscular, a tensão desenvolvida durante uma contração depende diretamente do comprimento dos sarcômeros individuais antes do início da contração (FIG. 12.15). Cada sarcômero contrai, desenvolvendo a força máxima se estiver no seu comprimento ideal (nem muito alongado, nem muito encurtado) antes do início da contração. Felizmente, o comprimento normal dos músculos esqueléticos em repouso garante que os sarcômeros estejam em seu comprimento ideal ao iniciar uma contração. Em nível molecular, o comprimento do sarcômero reflete o grau de sobreposição entre os filamentos grossos e finos (Fig. 12.15). A teoria dos filamentos deslizantes diz que a tensão gerada por um músculo é diretamente proporcional ao número de ligações cruzadas entre os filamentos grossos e finos. Se as fibras iniciarem a contração com o sarcômero muito alongado, haverá pouca sobreposição entre os filamentos grossos e finos e, consequentemente, poucas ligações cruzadas (Fig. 12.15e). Isso significa que no início da contração haverá pouca interação entre os filamentos deslizantes, e, portanto, pouca geração de força. No comprimento ideal do sarcômero (Fig. 12.15c), os filamentos iniciam a contração com numerosas ligações cruzadas formadas entre os filamentos grossos e finos, permitindo que a fibra gere a força máxima durante aquele abalo. Se o sarcômero for mais curto do que o comprimento ideal no início da contração (Fig. 12.15b), os filamentos finos e grossos estarão demasiadamente sobrepostos antes de a contração iniciar. Consequentemente, os filamentos grossos só poderão movimentar os filamentos finos por uma distância muito curta, antes que os filamentos finos de cada uma das extremidades do sarcômero comecem a se sobrepor. Essa sobreposição impede a formação das ligações cruzadas. Se o sarcômero estiver tão encurtado a ponto de os filamentos grossos ficarem muito próximos aos discos Z (Fig. 12.15a), a miosina será incapaz de encontrar novos sítios de ligação para a formação das ligações cruzadas, e a tensão diminuirá rapidamente. Assim, o desenvolvimento de tensão de um único abalo muscular é uma propriedade passiva que depende do grau de sobreposição dos filamentos e do comprimento do sarcômero.
O órgão tendinoso de Golgi (OTG) é um tipo de receptor encontrado na junção dos tendões com as fibras musculares, posicionado em série com as fibras do músculo. Os OTGs respondem primariamente à tensão muscular criada durante a contração isométrica e são relativamente insensíveis ao estiramento muscular. Os órgãos tendinosos de Golgi são compostos por terminações nervosas livres que se entrelaçam entre as fibras de colágeno dentro de uma cápsula de tecido conectivo. Quando um músculo contrai, os seus tendões agem como um elemento elástico em série durante a fase de contração isométrica. A contração do músculo puxa as fibras de colágeno do OTG, comprimindo as terminações sensoriais dos neurônios aferentes, fazendo com que elas disparem potenciais. A visão clássica considerava os órgãos tendinosos de Golgi como parte de um reflexo de proteção iniciado pela contração muscular, terminando com o relaxamento muscular. Pesquisas têm mostrado, atualmente, que os órgãos tendinosos de Golgi fornecem informações sensoriais para os centros integradores doSNC. A informação sensorial dos OTGs combina-se com a retroalimentação dos fusos musculares e dos receptores articulares para permitir o controle motor ideal da postura e do movimento.
Os fusos musculares são receptores de estiramento que enviam informações para a medula espinal e o encéfalo sobre o comprimento muscular e suas alterações. Eles são estruturas pequenas, alongadas, distribuídas entre as fibras musculares contráteis extrafusais e em paralelo a essas fibras. Com exceção de um músculo da mandíbula, cada músculo esquelético do corpo possui muitos fusos musculares. Por exemplo, um pequeno músculo do dedo indicador de um ser humano recém-nascido tem, em média, cerca de 50 fusos. Cada fuso muscular consiste em uma cápsula de tecido conectivo que engloba um conjunto de pequenas fibras musculares, denominadas fibras intrafusais. As fibras musculares intrafusais são diferenciadas, de modo que seus polos são contráteis, mas a região central não possui miofibrilas. A região central não contrátil é envolvida por terminações nervosas sensoriais que são estimuladas pelo estiramento. As extremidades contráteis das fibras intrafusais têm a sua própria inervação pelos neurônios motores gama. Quando um músculo está no seu comprimento de repouso, a região central de cada fuso muscular é estirada o suficiente para ativar as fibras sensoriais. Desse modo, os neurônios sensoriais dos fusos mantêm-se tonicamente ativos, enviando um fluxo constante de potenciais de ação à medula espinal. Os neurônios sensoriais fazem sinapse diretamente com neurônios motores alfa que inervam o músculo no qual estes fusos se encontram, gerando um reflexo monossináptico. Os neurônios sensoriais tonicamente ativos levam a uma atividade tônica dos neurônios motores alfa que mantêm a contração muscular. Com isso, mesmo um músculo em repouso apresenta um certo nível de tensão, denominada tônus muscular. Os fusos musculares são ancorados em paralelo às fibras musculares extrafusais. Qualquer movimento que aumenta o comprimento do músculo também estende os fusos musculares e faz suas fibras sensoriais dispararem com maior frequência. O estiramento do músculo e do fuso gera uma contração muscular reflexa para evitar danos por estiramento excessivo . A via reflexa na qual o estiramento muscular inicia uma resposta de contração é conhecida como reflexo de estiramento.
O estiramento muscular ativa os fusos musculares. Mas o que acontece com a atividade do fuso quando um músculo em repouso contrai e encurta? Você poderia prever que a redução da tensão no centro das fibras intrafusais, na ausência de atividade dos neurônios motores gama, diminuiria a frequência de disparo das fibras aferentes do fuso. No entanto, a presença de neurônios motores gama em um músculo normal mantém os fusos musculares ativos, não importando o comprimento do músculo. Quando os neurônios motores alfa disparam, o músculo encurta, diminuindo a tensão na cápsula do fuso muscular. Para manter o fuso funcionado normalmente, os neurônios motores gama, que inervam as extremidades contráteis do fuso muscular, também disparam ao mesmo tempo . Os neurônios motores gama fazem as fibras dos fusos intrafusais contraírem e encurtarem. Essa contração alonga a região central do fuso e mantém o estiramento nas terminações nervosas sensoriais. Como resultado, o fuso permanece ativo mesmo quando o músculo contrai. A excitação simultânea dos neurônios motores gama e dos neurônios motores alfa é um processo conhecido como coativação alfa-gama.
tipos de fibras 
As fibras musculares esqueléticas têm sido tradicionalmente classificadas com base na velocidade de contração e na resistência à fadiga decorrente da estimulação repetida. Todavia, como ocorre frequentemente em fisiologia,

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