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A partir do fragmento, é correto afirmar que 
a) a maior mudança ocorrida na África, após a imposição 
do colonialismo ibérico, esteve relacionada com a passa-
gem da mercantilização do trabalho compulsório para for-
mas mais brandas de exploração da escravidão, com o 
avanço de direitos para os africanos convertidos ao cristia-
nismo. 
b) a chegada do colonialismo europeu na África subsaari-
ana foi fundamental para o desenvolvimento do continente, 
em razão da organização do tráfico intercontinental de es-
cravos, permitindo que a maior parte das rendas advindas 
dessa atividade ficasse no próprio continente. 
c) a existência da escravidão na África negra era desconhe-
cida até a chegada dos primeiros exploradores coloniais, 
caso dos portugueses, que impuseram essa forma de orga-
nização do trabalho, condição necessária para a posterior 
acumulação de capitais entre as elites regionais africanas. 
d) as práticas de utilização do trabalho compulsório em todo 
o território africano, até a chegada dos exploradores euro-
peus, estavam articuladas com a essência da religiosidade 
do continente, caracterizada pela concepção de que os sa-
crifícios materiais levavam os homens à graça divina. 
e) a escravidão existente no continente africano, antes da 
expansão marítima, tinha uma multiplicidade de caracterís-
ticas, sendo inclusive doméstica, e o tráfico de escravos, 
para atender aos interesses mercantilistas europeus, trouxe 
decisivas transformações para as inúmeras regiões da 
África. 
 
970. (IFMG/2016) Leia estes trechos: 
 
I. “Sabido é, que dormindo este Patriarca (Noé) com me-
nos decência descoberto, vendo Cam, e zombando 
desta desnudez, a foi publicar logo a seus irmãos; e em 
castigo deste abominável atrevimento foi amaldiçoada 
do Pai toda a sua descendência, que no sentir de mui-
tos é a mesma geração dos pretos que nos servem; e 
aprovando Deus esta maldição, foi condenada à escra-
vidão e cativeiro.” 
BENCI, Jorge. Economia Cristã dos Senhores no Governo dos Es-
cravos .1705 (adaptado). 
 
II. A força sem piedade, com que as raças superiores 
escravizaram ou exterminaram sempre as inferiores 
[…] essa lei da concorrência animal, que na zoologia 
produz pela seleção os tipos superiores e na história as 
civilizações, provocará sempre terríveis protestos. […,] 
e abundam os documentos que nos mostram no negro 
um tipo antropologicamente inferior, não raro próximo 
do antropoide, e bem pouco digno do nome de ho-
mem.” 
OLIVEIRA MARTINS, J.P. 
O Brasil e as colônias portuguesas, 1887 (adaptado). 
 
A partir da leitura dos trechos, podemos afirmar que: 
a) A evolução da ciência no decorrer do século XIX compro-
vou as teorias religiosas de inferioridade racial defendidas 
por Benci (trecho I), embasando-se em evidências científi-
cas produzidas por antropólogos e cientistas sociais (trecho 
II). 
b) Entre os dois trechos há mudança de enfoque da justifi-
cativa para a escravidão, pois, o discurso científico refutou 
as teses de inferioridade racial, comprovando a inexistência 
de um ancestral comum entre povos bíblicos e os negros. 
c) O discurso religioso (trecho I), que legitimou a escravidão 
africana, paulatinamente, foi substituído por um discurso 
pretensamente científico de base racista (trecho II), utili-
zado para justificar a manutenção da dominação europeia. 
d) Os dois trechos fazem parte do esforço europeu para se 
legitimar especificamente a conquista do Novo Mundo, uti-
lizando-se tanto o discurso religioso cristão como as desco-
bertas científicas produzidas pelo darwinismo social. 
971. “A Coroa portuguesa e outros Estados europeus 
devastaram a África, marcando para sempre sua histó-
ria. Estimularam guerras internas e praticaram o es-
cambo de manufaturados, aguardente, fumo e tecidos 
por cativos de tribos rivais. Até o século XIX milhões de 
africanos foram retirados do continente e encaminha-
dos para as plantations americanas, em torno de 5 mi-
lhões só para a América portuguesa.” 
CAMPOS, F.; MIRANDA, R. G. A escrita da história. 
 
Sobre o comércio de escravos no continente africano, 
é incorreto afirmar: 
a) Na África, o comércio de escravos teve início, possivel-
mente, por volta do século II a. C., quando o faraó Snefru 
retornou da região da Núbia com milhares de prisioneiros 
de guerra que se tornaram escravos no Egito Antigo. 
b) O tráfico negreiro moderno ocasionou transformações na 
sociedade africana, pois o aumento ou a diminuição da es-
cravidão interna (na África) estava relacionado (a) com a 
maior ou a menor demanda externa (para a América). 
c) Com a conquista árabe de parte da África, no século XII, 
principalmente no norte do continente, o tráfico de escravos 
e o número de pessoas escravizadas na África diminuíram 
consideravelmente, voltando a aumentar apenas após a 
chegada dos europeus ao continente. 
d) As pessoas tornavam-se escravas na África principal-
mente em razão das guerras entre tribos rivais, sendo os 
capturados reduzidos à condição de cativos. As guerras 
ocorriam entre os diversos reinos africanos e também entre 
as diferentes etnias do continente. 
 
972. (FUVEST) África vive (...) prisioneira de um pas-
sado inventado por outros. 
Mia Couto, Um retrato sem moldura, in Leila Hernandez, A África na 
sala de aula. São Paulo: Selo Negro, p.11, 2005. 
 
A frase acima se justifica porque 
a) os movimentos de independência na África foram patro-
cinados pelos países imperialistas, com o objetivo de ga-
rantir a exploração econômica do continente. 
b) os distintos povos da África preferem negar suas origens 
étnicas e culturais, pois não há espaço, no mundo de hoje, 
para a defesa da identidade cultural africana. 
c) a colonização britânica do litoral atlântico da África pro-
vocou a definitiva associação do continente à escravidão e 
sua submissão aos projetos de hegemonia europeia. 
d) os atuais conflitos dentro do continente são comandados 
por potências estrangeiras, interessadas em dividir a África 
para explorar mais facilmente suas riquezas. 
e) a maioria das divisões políticas da África definidas pelos 
colonizadores se manteve, em linhas gerais, mesmo após 
os movimentos de independência.