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239 A partir do fragmento, é correto afirmar que a) a maior mudança ocorrida na África, após a imposição do colonialismo ibérico, esteve relacionada com a passa- gem da mercantilização do trabalho compulsório para for- mas mais brandas de exploração da escravidão, com o avanço de direitos para os africanos convertidos ao cristia- nismo. b) a chegada do colonialismo europeu na África subsaari- ana foi fundamental para o desenvolvimento do continente, em razão da organização do tráfico intercontinental de es- cravos, permitindo que a maior parte das rendas advindas dessa atividade ficasse no próprio continente. c) a existência da escravidão na África negra era desconhe- cida até a chegada dos primeiros exploradores coloniais, caso dos portugueses, que impuseram essa forma de orga- nização do trabalho, condição necessária para a posterior acumulação de capitais entre as elites regionais africanas. d) as práticas de utilização do trabalho compulsório em todo o território africano, até a chegada dos exploradores euro- peus, estavam articuladas com a essência da religiosidade do continente, caracterizada pela concepção de que os sa- crifícios materiais levavam os homens à graça divina. e) a escravidão existente no continente africano, antes da expansão marítima, tinha uma multiplicidade de caracterís- ticas, sendo inclusive doméstica, e o tráfico de escravos, para atender aos interesses mercantilistas europeus, trouxe decisivas transformações para as inúmeras regiões da África. 970. (IFMG/2016) Leia estes trechos: I. “Sabido é, que dormindo este Patriarca (Noé) com me- nos decência descoberto, vendo Cam, e zombando desta desnudez, a foi publicar logo a seus irmãos; e em castigo deste abominável atrevimento foi amaldiçoada do Pai toda a sua descendência, que no sentir de mui- tos é a mesma geração dos pretos que nos servem; e aprovando Deus esta maldição, foi condenada à escra- vidão e cativeiro.” BENCI, Jorge. Economia Cristã dos Senhores no Governo dos Es- cravos .1705 (adaptado). II. A força sem piedade, com que as raças superiores escravizaram ou exterminaram sempre as inferiores […] essa lei da concorrência animal, que na zoologia produz pela seleção os tipos superiores e na história as civilizações, provocará sempre terríveis protestos. […,] e abundam os documentos que nos mostram no negro um tipo antropologicamente inferior, não raro próximo do antropoide, e bem pouco digno do nome de ho- mem.” OLIVEIRA MARTINS, J.P. O Brasil e as colônias portuguesas, 1887 (adaptado). A partir da leitura dos trechos, podemos afirmar que: a) A evolução da ciência no decorrer do século XIX compro- vou as teorias religiosas de inferioridade racial defendidas por Benci (trecho I), embasando-se em evidências científi- cas produzidas por antropólogos e cientistas sociais (trecho II). b) Entre os dois trechos há mudança de enfoque da justifi- cativa para a escravidão, pois, o discurso científico refutou as teses de inferioridade racial, comprovando a inexistência de um ancestral comum entre povos bíblicos e os negros. c) O discurso religioso (trecho I), que legitimou a escravidão africana, paulatinamente, foi substituído por um discurso pretensamente científico de base racista (trecho II), utili- zado para justificar a manutenção da dominação europeia. d) Os dois trechos fazem parte do esforço europeu para se legitimar especificamente a conquista do Novo Mundo, uti- lizando-se tanto o discurso religioso cristão como as desco- bertas científicas produzidas pelo darwinismo social. 971. “A Coroa portuguesa e outros Estados europeus devastaram a África, marcando para sempre sua histó- ria. Estimularam guerras internas e praticaram o es- cambo de manufaturados, aguardente, fumo e tecidos por cativos de tribos rivais. Até o século XIX milhões de africanos foram retirados do continente e encaminha- dos para as plantations americanas, em torno de 5 mi- lhões só para a América portuguesa.” CAMPOS, F.; MIRANDA, R. G. A escrita da história. Sobre o comércio de escravos no continente africano, é incorreto afirmar: a) Na África, o comércio de escravos teve início, possivel- mente, por volta do século II a. C., quando o faraó Snefru retornou da região da Núbia com milhares de prisioneiros de guerra que se tornaram escravos no Egito Antigo. b) O tráfico negreiro moderno ocasionou transformações na sociedade africana, pois o aumento ou a diminuição da es- cravidão interna (na África) estava relacionado (a) com a maior ou a menor demanda externa (para a América). c) Com a conquista árabe de parte da África, no século XII, principalmente no norte do continente, o tráfico de escravos e o número de pessoas escravizadas na África diminuíram consideravelmente, voltando a aumentar apenas após a chegada dos europeus ao continente. d) As pessoas tornavam-se escravas na África principal- mente em razão das guerras entre tribos rivais, sendo os capturados reduzidos à condição de cativos. As guerras ocorriam entre os diversos reinos africanos e também entre as diferentes etnias do continente. 972. (FUVEST) África vive (...) prisioneira de um pas- sado inventado por outros. Mia Couto, Um retrato sem moldura, in Leila Hernandez, A África na sala de aula. São Paulo: Selo Negro, p.11, 2005. A frase acima se justifica porque a) os movimentos de independência na África foram patro- cinados pelos países imperialistas, com o objetivo de ga- rantir a exploração econômica do continente. b) os distintos povos da África preferem negar suas origens étnicas e culturais, pois não há espaço, no mundo de hoje, para a defesa da identidade cultural africana. c) a colonização britânica do litoral atlântico da África pro- vocou a definitiva associação do continente à escravidão e sua submissão aos projetos de hegemonia europeia. d) os atuais conflitos dentro do continente são comandados por potências estrangeiras, interessadas em dividir a África para explorar mais facilmente suas riquezas. e) a maioria das divisões políticas da África definidas pelos colonizadores se manteve, em linhas gerais, mesmo após os movimentos de independência.