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O psiquiatra Van Den Berg é expoente da psiquiatria fenomenológica existencial, conhecedor profundo da Daseinsanalyse de Binswanger. Leia a seguir sua afirmação a respeito da atitude fenomenológica do psiquiatra: “O paciente deprimido descreve um mundo que se tornou escuro e sinistro. As flores perderam a cor, o sol perdeu o brilho, tudo parece sombrio e morto. Um dos meus pacientes chegou ao ponto de comprar lâmpadas mais fortes, porque a luz em seu quarto lhe parecia menos brilhante. Por outro lado, o paciente que sofre de mania acha as coisas mais cheias de cor e de beleza, como jamais vira antes. O paciente esquizofrênico enxerga, ouve e cheira indícios de um desastre mundial.” (VAN DEN BERG, J. O Paciente Psiquiátrico – Esboço de uma Psicopatologia Fenomenológica. São Paulo: Ed. Psy2, 1994, p. 47) Considere as afirmativas a seguir e indique as que descrevem corretamente a leitura fenomenológica dos fenômenos psicopatológicos: I – O paciente tem uma percepção equivocada e errônea: ele projetou nas coisas de seu mundo, aspectos de sua doença. II – Quando o paciente psiquiátrico conta como seu mundo lhe parece, está a descrever, sem rodeios e sem enganos, o que ele mesmo é. III – Com base na fenomenologia, de um ponto de vista psicoterapêutico, achamos incorreto que se diga ao paciente que ele está se iludindo no que concerne a observação das coisas no seu mundo. Mesmo que seu delírio seja evidente, como por exemplo, “julgar-se Deus”, não devemos tentar convencê-lo, pelo uso da lógica, do contrário. IV – Mesmo com um quadro grave de delírio e alucinações, não podemos considerar que o que o paciente fala e descreve sobre o seu mundo está errado. Estão corretas somente:

a. I e II.
b. II e III.
c. III e IV.
d. I, II e III.
e. II, III e IV.
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PsiEstudando

há 2 anos

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há 2 anos

Vamos analisar cada afirmativa: I – O paciente tem uma percepção equivocada e errônea: ele projetou nas coisas de seu mundo, aspectos de sua doença. Falso. A abordagem fenomenológica não considera a percepção do paciente como meramente equivocada; ela busca entender a experiência do paciente em seu contexto. II – Quando o paciente psiquiátrico conta como seu mundo lhe parece, está a descrever, sem rodeios e sem enganos, o que ele mesmo é. Verdadeiro. Essa afirmativa está correta, pois a fenomenologia valoriza a descrição da experiência subjetiva do paciente. III – Com base na fenomenologia, de um ponto de vista psicoterapêutico, achamos incorreto que se diga ao paciente que ele está se iludindo no que concerne a observação das coisas no seu mundo. Mesmo que seu delírio seja evidente, como por exemplo, “julgar-se Deus”, não devemos tentar convencê-lo, pelo uso da lógica, do contrário. Verdadeiro. Essa afirmativa está correta, pois a fenomenologia não busca desqualificar a experiência do paciente. IV – Mesmo com um quadro grave de delírio e alucinações, não podemos considerar que o que o paciente fala e descreve sobre o seu mundo está errado. Verdadeiro. Essa afirmativa também está correta, pois a fenomenologia busca compreender a experiência do paciente sem julgá-la como errada. Com base nas análises, as afirmativas II, III e IV estão corretas. Portanto, a alternativa correta é: e) II, III e IV.

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A Fenomenologia, segundo Heidegger, não é algo para ser contemplado, algo impessoal, alheio, que eu possa repetir como um aprendizado. Ela só acontece no compromisso vivo de alguém que a torna presente na maneira como o dito ou o feito é “re-dito” ou “re-feito”. Ou seja, o inacabamento essencial da Fenomenologia diz respeito ao apelo, à presença daquele que a vai encarnar. Sem este gesto de compromisso pessoal ela não acontece, e, simultaneamente, é por ele que se torna habitável para outros. A Fenomenologia considera que o pensamento tem origem:

a. Na capacidade de articular raciocínios lógicos a respeito das coisas.
b. No corpo, pois as ideias são causadas pelo cérebro do ser-no-mundo.
c. No ambiente, pois as ideias são provocadas pelas coisas.
d. Na busca de adquirir controle sobre a vida, que é basicamente insegura.
e. Na própria vida de cada homem, que existe e para quem ser está sempre em questão.

O filósofo Stegmüller (1997) resume a concepção de consciência da fenomenologia de Husserl da seguinte maneira: [...] a consciência como o entrelaçamento das vivências psíquicas empiricamente verificáveis numa unidade de fluxo de vivência; como a percepção interna dessas próprias vivências e como designação que resume todas as vivências intencionais. (Stegmüller, 1997). Sobre essa concepção de consciência, peculiar à Fenomenologia, está correto afirmar:

a. I e II.
b. III e IV.
c. I, II e III.
d. II e III.
e. II e IV.

Heidegger, em Ser e Tempo (1927), desenvolve uma Analítica do Dasein que servirá de fundamento para a prática terapêutica Daseinsanalítica desenvolvida por Binswanger e Medard Boss. À luz desse contexto teórico, considere as afirmacoes abaixo e indique as corretas. I – Heidegger preocupa-se com a questão sobre o sentido do ser e com isso identifica um modo de pensar ocidental que ele denomina por pensamento metafísico, um modo de pensar que objetiva, substancializa o ser dos entes. II – O pensamento metafísico caracteriza-se por pensar o ser como abertura de possibilidades. III – Heidegger, preocupado com a questão sobre o sentido do ser, refere-se ao homem com o termo Dasein, ressaltando que o “da” do “Dasein” (o “aí” do ser-aí) é o âmbito onde o ser se dá. IV – Heidegger entende que a questão sobre o ser e seu sentido ficou esquecida pelo pensamento metafísico. V – Heidegger deu continuidade às preocupações de Husserl em relação à busca das essências, ou seja, a uma fenomenologia eidética, visando as evidências apodíticas (demonstráveis). Estão corretas somente:

a. I, II, III e IV.
b. I, III e V.
c. I, III e IV.
d. I e IV.
e. III e IV.

Heidegger indica a questão do ser como a mais importante de todas, assumindo-a como sua tarefa. (DASTUR & CABESTAN, 2015). Para investigar o ser, é preciso saber quem é que propõe a pergunta sobre o sentido do ser. Assim, na obra, faz-se uma analítica existencial sobre o Dasein. Sobre este termo está INCORRETO afirmar:

a. O Dasein não apenas é, mas percebe que é, ou seja, é abertura para si mesmo.
b. O Dasein nunca está acabado, pois é possibilidade. Ou seja, é ser-possível.
c. A característica ôntica do Dasein consiste em que ele é ontologicamente.
d. O Dasein é próprio e é necessário que ele se aproprie de si.
e. O Dasein é ser-aí, ser-lançado, portanto, não possui a liberdade de assumir o próprio ser como seu, já que as possibilidades de ser ou não ele mesmo, já lhe são dadas independentemente de suas escolhas.

Heidegger define como essência da existência o ser-Cuidado. Para a analítica existencial heideggeriana, cuidado (Sorge) significa:

a. Que Dasein pode cuidar de sua vida; ou pode não cuidar de sua vida, aceitando passivamente o que vem do mundo e das outras pessoas.
b. Refletir antes de agir, evitando assim consequências prejudiciais que ações descuidadas podem causar.
c. Que o ser do Dasein se dá no lidar com as coisas e no relacionar-se com os outros e consigo mesmo.
d. Que Dasein precisa que inicialmente cuidem dele, para então ele aprender a cuidar de si.
e. Que a existência é frágil, necessitando de cuidados para se evitar o ser-para-a-morte.

Através do método “redução fenomenológica” Husserl aborda a questão da consciência. Assinale a alternativa que corresponde corretamente a estas noções de consciência e método para Husserl:

a. A redução fenomenológica é o momento em que devem ser trazidas todas as preconcepções acerca do objeto para a consciência.
b. Husserl descarta a ideia de uma existência intencional do objeto na consciência.
c. Para Husserl, não existe correlação entre consciência e objeto.
d. Ideias oriundas senso comum, da filosofia e da religião auxiliam o homem a aproximar-se do fenômeno.
e. O mundo é em primeiro lugar o que aparece à consciência. Na redução fenomenológica, o objeto é percebido tal como a consciência vive antes de toda elaboração conceitual.

Angela Bello, importante teórica da fenomenologia husserliana, enfatiza a crítica desse método filosófico em relação ao positivismo. Diz ela: A mentalidade positivista está ainda muito presente em nossos dias, ainda que não a chamemos de positivista. (...) O que as ciências podem responder diante da pergunta “o que é a verdade?”. Faz-se tentativas para se aproximar dela, mas a verdade, do ponto de vista humano, reside no sentido, não no fato. Até agora somente as ciências físicas responderam o que é a natureza. No entanto, basta a ciência física para resolver essa questão? Bastam as Ciências Humanas para dizer o que é o ser humano? Não bastam. (Introdução à Fenomenologia, p.25) Sobre essa crítica, são afirmacoes corretas todas, exceto: (assinale a alternativa falsa)

a. O Positivismo é um modelo de conhecimento da realidade que enfatiza a observação e elaboração das leis gerais que determinam os fenômenos observáveis. O método científico-natural de investigação concretiza o ideal positivista de conhecimento.
b. Husserl é crítico ao Positivismo. O modelo positivista lida com a realidade como existente em si, dependente da relação com o sujeito cognoscente.
c. A fenomenologia de Husserl inspira uma “atitude fenomenológica” nos pesquisadores das diversas ciências. Trata-se de uma postura que reconhece os limites do conhecimento produzido por elas.
d. Em busca de tornar-se científica, a Psicologia do século XIX recorre ao Positivismo. Para isso, adota o modelo-científico natural de investigação do humano.
e. As ciências positivas não se interessam e muitas vezes desconhecem a concepção de realidade que fundamenta suas investigações. A fenomenologia surge como um esforço de fundamentação das ciências.

O livro Ser e Tempo de Heidegger (1927) traz como epígrafe a citação de Platão, transcrita abaixo: ... pois é evidente que de há muito sabeis o que propriamente quereis designar quando empregais a expressão ‘ente’. Outrora, também nós julgávamos saber, agora, porém, caímos em aporia. [aporia = “caminho inexpugnável, sem saída”, “dificuldade”] Essa epígrafe está articulada com o projeto de Heidegger nesse livro. Considere as afirmações abaixo, indicando as corretas. I – Heidegger visa resgatar a questão sobre o sentido do ser, que ele considera que foi esquecida pela filosofia. II – Heidegger propõe-se a responder o que significa ‘ser’, encerrando esse debate filosófico. III – No desenvolvimento da questão do ser, Heidegger se depara com vários ‘tipos’ de ser: o ser racional, ser irracional, ser existente, ser afetivo. IV – Para recolocar a questão do ser, Heidegger precisa desvelar o ser do ente para quem perguntar é uma possibilidade. V – As considerações de Heidegger em Ser e Tempo influenciam as psicologias de Binswanger e Boss, que fundam a Daseinsanalyse. Estão corretas:

a. I, II e V, apenas.
b. II, IV e V, apenas.
c. I, IV e V, apenas.
d. I, II e III, apenas.
e. I, III, IV e V, apenas.

Leia a citação de Critelli (2012) e a tira de Fabio Moon e Gabriel Sá ( Folha de São Paulo, 19/09/09). “Somos criaturas que existem e sabem que existem. Podemos nos distinguir de tudo o que nos rodeia e, o mais extraordinário, podemos nos distinguir de nós mesmos. [...] Talvez por isso mesmo sejamos incapazes de existir se não obtivermos resposta para três fundamentais questões existenciais: Quem sou eu? Qual o sentido da vida? Que sentido eu faço nela?” (CRITELLI, 2012, p. 11) Recorrendo à historiobiografia e ao quadrinho, responda: O que é ser protagonista da própria vida, isto é, “ser narrador de si mesmo”? Considere as respostas a seguir e indique a incorreta.

a. Ser protagonista da própria existência é ser ator e autor dela.
b. Na existência cotidiana se está imerso nas ocupações, de modo a perder de vista o sentido que costura os atos e intenções da existência. No quadrinho, isso aparece como o entregar-se à sensação de que o tempo está passando.
c. A historiobiografia propõe que, refletindo com base na história pessoal e na sua interpretação, é possível redescobrir os nexos através dos quais interligamos os acontecimentos da existência e o sentido de ser já realizado.
d. É possível conhecer os nexos biográficos, nas não realinhar o destino de uma existência.
e. A afirmação da abelha – “o seu tempo também está passando” – é um chamado para assumir a autoria da vida.

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