[...] dizemos que as Meditações são um trabalho epistemológico ou de teoria do conhecimento, tratado no interior do qual aparece, como parte da reflexão, a metafísica ou ontologia cartesiana. Descartes se pergunta pela base firme e indestrutível das ciências, pelos fundamentos do conhecimento. E, ao se perguntar de forma tão radical, ele não pode simplesmente apontá-los nem procurá-los diretamente. Por isso, procede por via negativa: toda via positiva poderá garantir que tais resultados sejam os únicos possíveis e que sejam definitivos. A via negativa tem essa vantagem, embora corra o risco de trazer uma resposta cética e absolutamente destrutiva.
BATTISTI, César augusto. Meditando com Descartes: da dúvida ao fundamento. In: Antologia de textos filosóficos. Jairo Marçal (org.). – Curitiba: SEED – Pr. 2009, p.147
Uma das principais características da metafísica cartesiana, que fazem Descartes ser considerado como o pai da filosofia moderna, é a inversão da questão sobre os primeiros princípios para a questão do conhecimento dos primeiros princípios. Desse modo, mais importante do que descrever tais princípios, Descartes dedicou-se a compreender como seria possível ao entendimento humano a alcança-los, dedicando parte da sua obra a desenvolver um método seguro para orientar o pensamento em direção à verdade.
Elaborado pelo professor, 2023.
O texto apresenta uma parte crucial da busca de Descartes, que se dá por uma via negativa. Esta via negativa, refere-se:
Alternativas
Alternativa 1:
Às quatro regras do método cartesiano, em especial a ideia de que os pensamentos devem ser ordenados dos mais simples aos mais complexos, para que a razão não se confunda.
Alternativa 2:
À crença na existência de verdades ou princípios universais que poderiam ser conhecidos pelos sentidos, tais como as propriedades primárias como a cor, cheiro e a textura dos objetos.
Alternativa 3:
À utilização da dúvida como método, por meio do qual todos os conhecimentos passíveis de incertezas pudessem ser abandonados, restando apenas uma primeira verdade, que para Descartes seria a existência do pensamento, o cogito.
Alternativa 4:
O argumento da vontade mal dirigida, que procura demonstrar a origem dos erros dos sentidos e da consciência e a primazia da razão como instrumento por meio do qual a filosofia e as ciências poderiam ser dirigidos em direção ao conhecimento verdadeiro e absoluto.
Alternativa 5:
À prova ontológica da existência de Deus, que permitiu a Descartes reaver as certezas no mundo exterior que haviam sido abandonados durante as primeiras meditações através do argumento do sonho e do gênio maligno, bem como o argumento da falibilidade dos sentidos.
Ed
há 2 anos
Para entender a "via negativa" proposta por Descartes, é importante considerar que ele utiliza a dúvida como um método para questionar e descartar tudo que não é absolutamente certo, até chegar a uma verdade indubitável. Essa abordagem é central em sua obra, especialmente nas "Meditações". Vamos analisar as alternativas: Alternativa 1: Fala sobre as quatro regras do método cartesiano, mas não aborda diretamente a ideia da via negativa. Alternativa 2: Refere-se a verdades conhecidas pelos sentidos, o que não se alinha com a abordagem cética de Descartes. Alternativa 3: Esta alternativa menciona a utilização da dúvida como método, que é exatamente o que caracteriza a via negativa de Descartes, onde ele descarta tudo que pode ser duvidoso até encontrar a certeza do "cogito". Alternativa 4: Foca no argumento da vontade mal dirigida, que é relevante, mas não é o cerne da via negativa. Alternativa 5: Trata da prova ontológica da existência de Deus, que é uma parte importante do pensamento cartesiano, mas não se refere diretamente à via negativa. A alternativa que melhor representa a "via negativa" de Descartes é a Alternativa 3, pois ela descreve a utilização da dúvida como método para chegar a uma verdade indubitável.
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