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O que seria realmente ser cidadão nos dias de hoje? e como a escola pode contribuir neste processo?

PERGUNTA REFERENTE À DISCIPLINA FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA.


3 resposta(s)

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Alexandra Garcia da Cruz

Há mais de um mês

Pensemos, Priscila , num primeiro momento nas circunstâncias no qual esse cidadão está inserido.

A circunstância é parte constitutiva do ser do homem, logo, as diferenças de circunstâncias implicam diferenças no ser humano. Sendo assim, uma ação educativa que não esteja, em seus valores e objetivos, profundamente comprometida com a circunstância em que vive o ser humano a que ela se refere, será uma ação alienada e abstrata, por não ter suas raízes afundadas no solo da circunstância em que ela se insere;,mas será também uma ação alienante e ideológica, por afastar o homem a que ela se refere de sua circunstância, afastando-o assim de si mesmo, visto que sua circunstância é parte constitutiva de seu ser.

Podemos dizer que a circunstância do homem brasileiro é a própria América Latina, visto que, enquanto país latino-americano, o Brasil participa da mesma circunstância de opressão, exploração, exclusão e inferiorização em que se encontram os países latino-americanos frente aos países desenvolvidos. Num sentido restrito, que não exclui o sentido amplo, a circunstância deste homem é o próprio Brasil, país tão abaixo de suas potencialidades, com enormes injustiças e desigualdades, com um fosso enorme entre uma minoria rica e opressora e a imensa maioria empobrecida, oprimida, carente de cultura, de participação política, de saúde, de moradia, de comunicação social, de escolhas livres, etc.

Ora, se, pelo menos a princípio, a meta geral de toda educação é o desenvolvimento ou a promoção do ser humano, discutir educação para o homem que se forma nestas circunstâncias, implica perguntar-se quais deveriam ser os valores e objetivos de uma educação que o levasse a superar essas circunstâncias, que lhe negam na plenitude de seu direito de ter uma vida digna, com casa, comida e cultura, participando nas decisões que definem os rumos da sociedade da qual ele faz parte, podendo criar, escolher, decidir e sonhar, para si, os projetos de sua própria existência.
Caso contrário, uma ação educativa para este homem, que tenha os seus valores e objetivos definidos à revelia da ircunstância (política, econômica, cultura e, sobretudo, social) na qual ele se constitui, confirma o ser (empobrecido, oprimido e arginalizado) que nesta circunstância se forma, afirmando sua negação que, com isso, perpetua-se. E, assim, mais uma vez, o que se tem é uma educação que, ao invés de promover o ser humano a partir da circunstância concreta em que ele se encontra, simplesmente reproduz o estado de fato (Status quo), confirmando e conservando as coisas como estão e os homens como as
fizeram.

Espero ter ajudado.

Abraços e bons estudos!

Pensemos, Priscila , num primeiro momento nas circunstâncias no qual esse cidadão está inserido.

A circunstância é parte constitutiva do ser do homem, logo, as diferenças de circunstâncias implicam diferenças no ser humano. Sendo assim, uma ação educativa que não esteja, em seus valores e objetivos, profundamente comprometida com a circunstância em que vive o ser humano a que ela se refere, será uma ação alienada e abstrata, por não ter suas raízes afundadas no solo da circunstância em que ela se insere;,mas será também uma ação alienante e ideológica, por afastar o homem a que ela se refere de sua circunstância, afastando-o assim de si mesmo, visto que sua circunstância é parte constitutiva de seu ser.

Podemos dizer que a circunstância do homem brasileiro é a própria América Latina, visto que, enquanto país latino-americano, o Brasil participa da mesma circunstância de opressão, exploração, exclusão e inferiorização em que se encontram os países latino-americanos frente aos países desenvolvidos. Num sentido restrito, que não exclui o sentido amplo, a circunstância deste homem é o próprio Brasil, país tão abaixo de suas potencialidades, com enormes injustiças e desigualdades, com um fosso enorme entre uma minoria rica e opressora e a imensa maioria empobrecida, oprimida, carente de cultura, de participação política, de saúde, de moradia, de comunicação social, de escolhas livres, etc.

Ora, se, pelo menos a princípio, a meta geral de toda educação é o desenvolvimento ou a promoção do ser humano, discutir educação para o homem que se forma nestas circunstâncias, implica perguntar-se quais deveriam ser os valores e objetivos de uma educação que o levasse a superar essas circunstâncias, que lhe negam na plenitude de seu direito de ter uma vida digna, com casa, comida e cultura, participando nas decisões que definem os rumos da sociedade da qual ele faz parte, podendo criar, escolher, decidir e sonhar, para si, os projetos de sua própria existência.
Caso contrário, uma ação educativa para este homem, que tenha os seus valores e objetivos definidos à revelia da ircunstância (política, econômica, cultura e, sobretudo, social) na qual ele se constitui, confirma o ser (empobrecido, oprimido e arginalizado) que nesta circunstância se forma, afirmando sua negação que, com isso, perpetua-se. E, assim, mais uma vez, o que se tem é uma educação que, ao invés de promover o ser humano a partir da circunstância concreta em que ele se encontra, simplesmente reproduz o estado de fato (Status quo), confirmando e conservando as coisas como estão e os homens como as
fizeram.

Espero ter ajudado.

Abraços e bons estudos!

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Fernanda Santos

Há mais de um mês

"A educação é definida como processo de transmissão de cultura, está presente em todas as intituições, Entretanto em sociedades como a nossa há uma instituição cuja função é a transmissão da cultura e esta instituição é a escola. Ela é o espaço de transmissão sistemática do saber historicamente acumulado pela sociedade, com o objetivo de formar os indivíduos, capacitando-os a participar como agentes na construção dessa sociedade." (Terezinha Azerêdo Rios- ética e competência, pag. 37)

Recomendo a leitura do livro "Ética e competência" da filósofa Terezinha Azerêdo Rios,  esse livro é tese de mestrado da autora que também é doutora em educação pela USP.

Tem tudo a ver com sua pergunta, livro excelente.

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Mozão Lucco

Há mais de um mês

Se, no campo do direito, somos todos cidadãos, na prática, isso ocorre? Em outras palavras, sobre o benefício do uso do espaço entre os nossos direitos, somos todos cidadãos? Infelizmente, nem todos. Existem muitos indivíduos que legalmente possuem cidadania, mas que não dispõem de condições sociais, estruturais e materiais para exercê-la.

Existem muitos autores no âmbito da Filosofia e das Ciências Sociais, como Henri Lefebvre, Theodor Adorno e muitos outros, que se portam de maneira crítica sob a pretensa ideia de que todos os indivíduos são cidadãos. Primeiramente, muitos são excluídos socialmente em função das desigualdades geradas pelo sistema capitalista de produção. Em segundo lugar, ocorre, muitas vezes, a reificação – isto é, a coisificação, a transformação do ser em mercadoria – da figura do cidadão na sociedade contemporânea.

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos estudantes