A gestão democrática da educação não se limita à participação formal nos processos decisórios escolares. Ela está intrinsecamente ligada à efetivação do direito à educação como um bem público, social e subjetivo. Em um país marcado por desigualdades históricas e sociais, como o Brasil, a democratização da escola exige mais do que o acesso físico ao espaço escolar: requer permanência com qualidade, equidade no tratamento dos sujeitos e compromisso com a transformação social. Essa gestão deve ser orientada por princípios constitucionais como a transparência, a impessoalidade, a autonomia e a participação, e deve se materializar no projeto político-pedagógico da escola. No entanto, a efetivação desses princípios enfrenta desafios concretos, como a burocratização das práticas escolares, a fragmentação dos conselhos e a resistência à mudança por parte de alguns atores institucionais. Assim, a gestão democrática é uma prática política e pedagógica que exige compromisso ético e competência técnica.
Com base no texto e nos pressupostos da gestão democrática da educação, uma contradição recorrente entre o discurso legal e a prática cotidiana nas escolas públicas brasileiras é identificada na frase:
A
A gestão democrática é garantida pela existência de conselhos escolares, que asseguram a participação efetiva de todos os segmentos da comunidade.
B
A eleição de diretores é suficiente para garantir a ruptura com práticas autoritárias e clientelistas nas escolas públicas.
C
A elaboração coletiva do projeto político-pedagógico é um dos caminhos para a efetivação da gestão democrática, mas enfrenta obstáculos e a burocratização dos processos.
D
A gestão democrática é incompatível com a liderança do gestor escolar, pois esta representa uma forma de centralização do poder.
Ed
há 3 meses
A contradição recorrente entre o discurso legal e a prática cotidiana nas escolas públicas brasileiras está na opção B: "A eleição de diretores é suficiente para garantir a ruptura com práticas autoritárias e clientelistas nas escolas públicas." Essa afirmação é problemática porque a simples eleição de diretores não garante, por si só, uma mudança efetiva nas práticas de gestão, que muitas vezes ainda podem ser influenciadas por estruturas autoritárias e clientelistas. A gestão democrática requer um conjunto mais amplo de ações e compromissos para ser efetiva.