No contexto das organizações — sempre tendo em vista os conceitos de
burocratização e organização — afinal, os processos que instituem o discurso
competente como código, os cargos parecem ter autonomia em relação àqueles que
os ocupam. Em escala maior, é o que acontece em relação às ideias “particulares”,
ou seja, as que pertencem a uma “parte” da sociedade, mas que se instalam nessa
mesma sociedade como ideias “universais”, como se pertencessem a todas as
classes, num processo peculiar da ideologia como discurso de dominação. Como
efeito do que Chaui (2006) chama de razão administrativa ou administradora,
dirigentes e dirigidos parecem ser comandados pelos imperativos racionais do
movimento interno à organização, como se o poder existisse por ele mesmo, de forma
autônoma.
Tomando como referência todo o tópico sobre o “discurso competente”, qual das
opções abaixo sintetiza o argumento exposto neste enunciado:
Escolha uma opção:
a.
Se os indivíduos são divididos como “competentes” e “incompetentes” é porque os
primeiros souberam administrar melhor sua posição no interior das organizações e,
portanto, fariam jus a esse status.
b.
A burocratização é um processo que impõe ao trabalho, independentemente do
nível – direção, gerência e execução de um modo geral – uma dinâmica tal que tudo
em sua órbita (salários, cargos, regime de promoções, divisão de responsabilidades,
estabilidade geral no emprego etc.) gira conforme um princípio de status
socioeconômico
c.
É possível associar o enunciado da questão a uma crítica à sociedade de classes, já
que tal divisão é injusta, resultante do domínio de uma classe sobre a outra.
d.
O discurso competente, como discurso ideológico, no sentido de um instrumento a
serviço da dominação, nasce como forma de dissimular a divisão do trabalho entre
braçal e intelectual.
e.
O Estado e as organizações, de um modo geral, sob domínio da burocracia e da
administração, são submetidos a um poder transcendente que parece não se
originar de nenhuma parte.
Ed
há 2 meses
Vamos analisar as alternativas uma a uma, considerando o contexto do enunciado sobre burocratização, organização e o discurso competente. a) Se os indivíduos são divididos como “competentes” e “incompetentes” é porque os primeiros souberam administrar melhor sua posição no interior das organizações e, portanto, fariam jus a esse status. - Essa opção sugere uma meritocracia que não é o foco do enunciado. b) A burocratização é um processo que impõe ao trabalho, independentemente do nível – direção, gerência e execução de um modo geral – uma dinâmica tal que tudo em sua órbita (salários, cargos, regime de promoções, divisão de responsabilidades, estabilidade geral no emprego etc.) gira conforme um princípio de status socioeconômico. - Esta opção aborda a dinâmica da burocratização e como ela afeta as relações de trabalho, o que está alinhado com o tema. c) É possível associar o enunciado da questão a uma crítica à sociedade de classes, já que tal divisão é injusta, resultante do domínio de uma classe sobre a outra. - Embora a crítica à sociedade de classes seja relevante, não é o foco principal do enunciado. d) O discurso competente, como discurso ideológico, no sentido de um instrumento a serviço da dominação, nasce como forma de dissimular a divisão do trabalho entre braçal e intelectual. - Essa opção toca na ideologia e na divisão do trabalho, mas não abrange completamente o que o enunciado discute. e) O Estado e as organizações, de um modo geral, sob domínio da burocracia e da administração, são submetidos a um poder transcendente que parece não se originar de nenhuma parte. - Essa opção fala sobre um poder que parece autônomo, o que se relaciona com o enunciado, mas não sintetiza o argumento principal. Após essa análise, a alternativa que melhor sintetiza o argumento exposto no enunciado é a b), pois aborda diretamente a dinâmica da burocratização e suas implicações nas relações de trabalho.
Já tem uma conta?
Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade