Em relação as barreiras do preconceito é incorreta: a) historicamente, as pessoas que apresentam diferenças muito acentuadas em relação à maioria das pessoas constituem-se alvo das mais diversas estratégias de violência simbólica. Um dos segmentos populacionais reiteradamente colocados nessa posição tem sido o composto de pessoas com deficiências físicas, mentais, sensoriais ou múltiplas, além daquelas que apresentam outros transtornos de desenvolvimento (Mazzotta; D"antino, 2011, p. 379). b) diante da violência simbólica e dessa invisibilidade, as pessoas com deficiência foram negligenciadas pela sociedade, pelo Estado e pelo mercado durante anos, principalmente devido à imagem construída sobre elas, de inativas e improdutivas. [...] as pessoas com deficiência foram marcadas pela negligência, omissão e segregação, o que interiorizou em nossa sociedade o preconceito e as atitudes discriminatórias. A sociedade, até então, tende a perceber a deficiência como uma doença crônica, e o "deficiente" como inválido e incapaz, uma vez que ele pouco pode contribuir para a economia e para a sociedade. Nesse sentido perpetuou-se por longo tempo o "ciclo da invisibilidade". (Oliveira; Resende, 2017, p. 296) c) o ciclo de indivisibilidade reforça e amplia paradigmas, preconceitos e tabus referentes à deficiência, uma vez que essa população fica no isolamento, não é lembrada e nem incluída nos diversos espaços de discussão política; logo, percebemos que as pessoas com deficiência não conseguem sair de casa; logo, não são vistas. Desse modo, como não são vistas, não são reconhecidas como membros da comunidade e, com isso, a falta de acesso não é um problema que provoque a reflexão social por melhorias. Sem acesso a bens e serviços, não há como serem incluídas e, assim, continuam invisíveis e alvos de discriminação. d) a situação tem, no entanto, melhorado, ao longo dos anos e após muitos avanços na legislação sobre garantia de direitos das pessoas com deficiência. Todavia, ainda há um grande distanciamento entre as leis e a sua efetividade. Outro ponto relevante a ser destacado é que as políticas públicas e as leis, apesar de representarem progressos na garantia de direitos, não mais possuem limitações vinculadas à acessibilidade e à autonomia da população com deficiência. Assim, para se transpor a barreira do preconceito, não se é possível com políticas e ações, mas com leis que visem dar visibilidade, autonomia e acessibilidade à pessoa com deficiência, tratando-a de fato como cidadã de direitos, ou seja, é essencial que se promova a inclusão das pessoas com deficiência nos diversos espaços públicos de debate e poder, a fim de que sejam ouvidas suas demandas e que elas sejam tratadas de acordo com as suas especificidades.