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Este capítulo tem por objetivo analisar o currículo escolar a partir da implementação da Lei nº 11.645/2008, com ênfase nos saberes, na ancestralidade e nas práticas pedagógicas indígenas no contexto amazônico. Reconhecemos a relevância histórica e política dos movimentos afro‑brasileiros na constituição dessa legislação e na luta pela descolonização do currículo; contudo, sem desconsiderar a densidade dessas contribuições, este estudo se volta às especificidades indígenas, compreendendo que suas cosmologias, ontologias e modos de existência demandam um tratamento analítico próprio, capaz de tensionar os limites da racionalidade moderna. A discussão parte do arcabouço legal e histórico da legislação, entendida não apenas como um dispositivo normativo, mas como um acontecimento político que emerge da resistência dos povos originários frente a séculos de violência epistêmica, territorial e ontológica. A lei, nesse sentido, não é apenas uma conquista jurídica: ela é um gesto de insurgência contra o apagamento sistemático das populações indígenas no projeto educacional brasileiro. Tal apagamento, como problematizado por Quijano (2000), inscreve-se na colonialidade do saber, que institui hierarquias epistêmicas e define quais formas de conhecimento são autorizadas a existir no espaço escolar. Assim, compreender o currículo como campo de disputa implica reconhecer que ele é também um território de confrontação ontopolítica, onde se decide quais mundos podem ou não ser pensados. Nesse percurso, aprofundamos o exame conceitual de ancestralidade e de saberes étnico‑culturais indígenas, compreendidos como epistemologias vivas que desafiam a lógica eurocêntrica e propõem outras racionalidades possíveis para a produção de conhecimento. Em diálogo com as epistemologias do Sul propostas por Santos (2010), entendemos que tais saberes não são resquícios de um passado remoto, mas modos de existência que se atualizam continuamente. Como argumenta Walsh (2009), a ancestralidade opera como princípio ontológico e pedagógico, orient
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Kelly Lopes De Carvalho

há 2 semanas

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há 2 semanas

A implementação da Lei nº 11.645/2008 no currículo escolar visa garantir o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena, valorizando saberes ancestrais e práticas pedagógicas específicas, especialmente no contexto amazônico. Essa lei representa uma conquista política que combate o apagamento histórico e epistemológico dos povos indígenas, desafiando a colonialidade do saber que privilegia a racionalidade eurocêntrica. O currículo, portanto, torna-se um espaço de disputa ontopolítica, onde se decide quais conhecimentos e mundos são legitimados. Reconhecer a ancestralidade e os saberes étnico-culturais indígenas como epistemologias vivas implica valorizar modos de existência e produção de conhecimento que se atualizam continuamente, promovendo uma educação descolonizadora e plural.

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