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Dois meses após internação por COVID-19, paciente de 32 anos relata persistência de sintomas. Durante a hospitalização, não necessitou de cuidados em Unidade de Terapia Intensiva, mas fez uso de oxigênio de alto fluxo e Dexametasona. Não havia sido vacinada previamente e acredita estar imunologicamente protegida após a infecção, motivo pelo qual optou por não se vacinar posteriormente. O sumário de alta descreve Pneumonia viral, com presença de opacidades em vidro fosco à Tomografia Computadorizada (TC). Sem comorbidades prévias e previamente hígida, apresentou melhora do quadro respiratório. No entanto, evoluiu com sintomas persistentes, incluindo ansiedade, dor muscular difusa sem sinais de artrite e fadiga intensa e prolongada, sem melhora há vários meses, sem febre. No exame físico, não são observadas alterações significativas. Exames laboratoriais recentes mostram provas de função hepática e renal dentro da normalidade, assim como radiografia de tórax sem alterações. Diante do quadro, levanta-se a hipótese de condição pós-COVID-19 (COVID-longa). Como orientar essa pessoa no contexto da Atenção Primária à Saúde (APS)? a) Deve ser iniciado o uso de corticoides (Prednisona ou Dexametasona), por, no máximo, 10 dias, para alívio dos sintomas. Para além desse período, a retirada deverá ser por diminuição progressiva das doses. b) Iniciar o uso de anti-inflamatórios não esteroides, por duas semanas, caso o corticoide oral não traga benefícios, ou até melhora dos sintomas. c) A Radiografia de Tórax deve ser solicitada, dado a alta incidência de Pneumonias no curso da COVID-longa. d) Com exames normais e sem sinais de gravidade deve ser oferecido ajuda psicológica e de apoio, para tranquilizar a paciente, já que a maioria dos sintomas deverão melhorar em algumas semanas, além de recomendar vacinar-se contra a COVID-19 e a Influenza. e) A observação é constante, uma vez que os casos críticos aparecem quando maior for o tempo de evolução dos sintomas; a vacinação, nesse momento, deve ser evitada, dada a chance de efeitos colaterais se mesclaram com a COVID-longa.
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Cinthia Carvalho Gonzatto

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