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Posicionamento e Lesões Associadas Questões Comentadas lucassordimaier@gmail.com Seguem algumas dicas importantes antes de ler o conteúdo da apostila: Aproveite e boa prática • Nessa apostila apresentamos as questões comentadas dos últi- mos anos das provas do TEA e TSA. • Importante que todos os testes de múltipla escolha sejam res- pondidos e que através essa prática você melhore sua capacida- de de compreensão e de resposta. • Indicamos que sempre que você olhe o gabarito para saber se teve êxito, que você leia o comentário referente a questão. Muitas vezes é através dessa ferramenta que conseguimos fixar alguns conceitos fundamentais. • Por último, lembre-se que sempre é possível que algumas ques- tões caiam novamente nas provas. • Bons estudos e conte com a equipe para o que precisar. Dicas do Portal lucassordimaier@gmail.com 3 Perguntas 1. Sobre o posicionamento de cefalodeclive (Trendelemburg) acentuado em cirurgia robótica ginecológica com posição de litotomia, assinale a correta: A) A lesão do nervo ciático é complicação frequente. B) Alterações ventilatórias não são esperadas. C) A duração do procedimento não interfere no surgimento de complica- ções relacionadas ao posicionamento. D) Pode haver amaurose por aumento da sustentado da pressão intrao- cular. 2. Em relação a posição de litotomia, assinale a correta: A) A rotação externa das pernas estira o nervo fibular comum B) Estiramento do fibular comum ocorre em torno da cabeça da fíbula C) Pode ocorrer redução do retorno venoso D) Ocorre hipotensão pelo posicionamento 3. Sobre o uso da posição sentada em neurocirurgia: A) Não apresenta risco de embolia aérea B) Ocorre aumento do sangramento do campo cirúrgico C) Ocorre aumento da drenagem liquórica D) Não ocorre otimização dos parâmetros ventilatórios lucassordimaier@gmail.com 4 4. Cirurgia prolongada na coluna vertebral em posição supina é ocasionalmente seguida por cegueira pós-operatória. Sobre as causas: A) Oclusão da artéria retiniana central é a causa mais comum B) Oclusão da veia retiniana central nunca ocorre C) Cegueira cortical é mais comum D) Neuropatia óptica isquêmica anterior é causa mais comum 5. Sobre o posicionamento do paciente em decúbito lateral direito com tórax fechado, responda sobre as possíveis altera- ções: A) Aumento da pré-carga B) Efeito shunt no pulmão não dependente C) Diminui o retorno venoso D) Diminuição da perfusão no pulmão dependente 6. Sobre as lesões no plexo braquial, assinale a correta: A) Ocorrem por isquemia na maioria das vezes B) Plexo braquial é bem profundo, o que favorece as lesões C) Lesão pode cursar com queixa sensorial de ulnar D) Sintomatologia sensorial ulnar é mais comumente associada a abdu- ção do braço menor que 90 graus lucassordimaier@gmail.com 5 7. Sobre o posicionamento do paciente cirúrgico, assinale a correta: A) Lesões do nervo ulnar são raras B) Neuropatias de origem viral são as mais frequentes C) Neuropatia inflamatória pode não responder a corticoide D) Microvasculite pode ter relação com a lesão neural 8. Sobre o mecanismo de lesão neural no posicionamento do paciente cirúrgico, assinale a correta: A) Estiramento do tecido neural pode ser importante determinante B) É necessário mais de 50% de distensão de tecido neural para causar lesão C) Se a isquemia é prolongada, dano neural permanente não ocorre D) Pressão de qualquer tecido mole pode reduzir fluxo de sangue local mas sem causar isquemia. 9. Sobre os procedimentos que visam evitar lesões durante o posicionamento do paciente cirúrgico, assinale a correta: A) Reduzir os pontos de pressão com coxins B) Coxins de espuma são os melhores C) Coxins de silicone não são tão eficientes D) Objetivo dos coxins é proteger somente os tecidos nervosos lucassordimaier@gmail.com 6 10. Sobre o posicionamento do paciente cirúrgico em posição supina, assinale a alternativa correta: A) Posicão supina é isenta de lesões B) Articulações do quadril toleram longos períodos do paciente acordado C) Deve-se evitar o contato da pele com partes metálicas da mesa D) Nervo mediano pode ser lesado 11. Sobre a posição de Trendelemburg, assinale a correta: A) Provoca aumento do retorno venoso B) Provoca diminuição do débito cardíaco C) Provoca redução da pressão intracraniana D) Não causa efeitos pulmonares 12. Sobre a posição de Trendelemburg, assinale a incorreta: A) Cuidados devem ser tomados para impedir que os pacientes escorre- guem na mesa cirúrgica. B) Cuidados devem ser tomados para evitar compressão do plexo bra- quial contra o tronco na altura da cintura escapular C) Ocorre aumento da capacidade residual funcional D) Ocorre diminuição da complacência pulmonar lucassordimaier@gmail.com 7 13. Sobre a posição de Trendelemburg, assinale a incorreta: A) Posicionamento da cabeça para baixo não traz alterações B) Inchaço de face e conjuntiva pode ocorrer C) Edema de vias aéreas pode prejudicar a extubação D) Períodos prolongados aumentam o risco dos edemas de face e vais aéreas superiores 14. Sobre o posicionamento em cefaloaclive do paciente cirúr- gico, assinale a correta: A) Provoca aumento do retorno venoso B) Provoca aumento do débito cardíaco C) Provoca aumento da pressão intracraniana D) Não causa efeitos pulmonares deletérios 15. Sobre o posicionamento em cefaloaclive do paciente cirúr- gico, assinale a incorreta: A) A função pulmonar é otimizada B) Ocorre redução da formação de atelectasias C) Ocorre aumento do shunt D) Ocorre aumento da capacidade residual funcional 16. Sobre o posicionamento em litotomia, assinale correta: A) Os quadris são flexionados de 30 a 60 graus sobre o tronco B) Não há chance de lesão C) As pernas são abduzidas de 30 a 45 graus da linha média D) Não ocorre flexão dos joelhos lucassordimaier@gmail.com 8 17. Sobre o posicionamento em litotomia, assinale correta: A) A lesão do nervo fibular comum é a neuropatia mais frequente B) O nervo Fibular comum é ramo medial do ciático C) A lesão é mais comum em pacientes obesos e tabagistas D) As parestesias na distribuição dos nervos obturador, cutâneo femoral lateral e ciático não ocorrem 18. Sobre as lesões oculares durante a anestesia, assinale a in- correta: A) Abrasão de córnea é rara B) Abrasão de córnea pode ser causada por trauma direto C) Abrasão de córnea também pode estar associada com a diminuição da produção de lágrimas ou inchaço do olho em pacientes na posição prona D) Os pacientes com abrasão de córnea se queixam de dor associada a uma sensação de corpo estranho no olho ao acordar de uma cirurgia. 19. Sobre os fatores de risco para perda visual após cirurgia de coluna devido a neuropatia isquêmica do nervo óptico, exce- to: A) Grande perda de sangue B) Uso de coloides C) Tempo de cirurgia curto D) Hipotensão persistente lucassordimaier@gmail.com 9 20. Sobre as lesões do nervo ulnar durante a anestesia, a in- correta: A) A causa da paralisia do nervo ulnar é multifatorial B) Pacientes muito magros apresentam maiores riscos C) Pacientes muito obesos apresentam maiores riscos D) Diabéticos estão isentos dessa complicação lucassordimaier@gmail.com 10 Respostas Questão 1: Resposta D A posição de cefalodeclive (Trendelemburg) acentuado, definida como 30°- 40°, é recomendada durante cirurgia robótica ginecológica, para maximizar a exposição cirúrgica pélvica e pode ser associada à litotomia. A lesão do nervo fibular comum é complicação comum frequentemente descrita na posição de litotomia. Repercussões sobre o glaucoma, com aumento da pressão intraocular e risco de déficit visual permanente, que podem ocorrer em posição de Trendelemburg prolongada, e piora da condição ventilatória induzida pelo pneumoperitôneo. Há relatos de amaurose por aumento sustentado da pressão intraocular na posição de Trendelemburg acentuada. Procedimentos de menor duração diminuem o risco de complicações associadas ao posicionamento, seja por compressãoneuromuscular, re- percussões cardiovasculares, respiratórias e centrais, como o aumento da pressão intraocular e perda visual, por isquemia do nervo óptico. Referência: Miller RD, editor. Miller’s Anethesia. 8ª ed. Philadelphia: Elsevier; 2015. Questão 2: Resposta B Na posição de litotomia, a rotação interna das pernas estira o nervo fibu- lar comum em torno da cabeça da fíbula, aumentando a probabilidade de uma paralisia nervosa. A estabilidade dinâmica é preservada, pois as lucassordimaier@gmail.com 11 pernas são elevadas acima do coração, promovendo aumento do retorno venoso e débito cardíaco adequado. Referência: Longnecker DE, et al., eds. Anesthesiology, 2nd ed. New York: McGraw- -Hill, 2012. 363-5. Questão 3: Resposta C A posição sentada, embora raramente usada por causa do risco de embo- lia aérea venosa e paradoxal, oferece vantagens nas cirurgias de coluna cervical posterior e de fossa posterior. As principais vantagens da posição sentada sobre a posição prona para procedimentos neurocirúrgicos da coluna cervical são a excelente exposição cirúrgica, diminuição de san- gue no campo operatório, aumento da drenagem liquórica e redução da perda de sangue no perioperatório. As principais vantagens para o anes- tesiologista são o acesso as vias aéreas, redução do inchaço facial, e me- lhor ventilação, particularmente em pacientes que são obesos. Referência: Longnecker DE, et al., eds. Anesthesiology, 2nd ed. New York: McGraw- -Hill, 2012. 362-3. Questão 4: Resposta D Todas as causas listadas de cegueira têm sido associadas a uma cirurgia prolongada da coluna vertebral na posição supina, porém a neuropatia óptica isquêmica anterior é a etiologia mais comum. lucassordimaier@gmail.com 12 Referência: Longnecker DE, et al., eds. Anesthesiology, 2nd ed. New York: McGrawHill, 2012. 895-6. Questão 5: Resposta C O posicionamento do paciente pode influenciar a de forma significativa as funções cardiovascular e respiratória. O posicionamento em decúbito lateral direito com o tórax fechado provoca a compressão da veia cava su- perior, diminuindo o retorno venoso e o débito cardíaco. Ocorrem efeito shunt e aumento da perfusão no pulmão dependente. Referência: Roizen MF, Fleisher LA – Patiente positioning and associated risks, em: Miller, RD - Miller’s Anesthesia. 8th Ed., Philadelphia, Elsevier, 2015. Questão 6: Resposta C O plexo braquial é suscetível a estiramento por causa de seu curso super- ficial ao longo do pescoço até o braço através da axila, com dois pontos de fixação nas vértebras cervicais e na fáscia axilar. Os nervos do plexo braquial sob a clavícula são, portanto, variavelmente estirados pela movi- mentação excessiva do braço ou rotação contralateral da cabeça. Os ner- vos são vuneráveis à compressão à medida que passam entre a clavícula e a primeira costela por causa da proximidade e mobilidade da clavícula e do úmero. Após a lesão do plexo braquial, muitas vezes o paciente se queixa de déficit sensorial na distribuição do nervo ulnar. lucassordimaier@gmail.com 13 Este sintoma é mais comumente associado a abdução do braço intra- operatório maior que 90 graus, rotação lateral da cabeça, retração assi- métrica do esterno para dissecção de artéria mamária interna durante a cirurgia cardíaca, trauma direto ou compressão. Para evitar lesões, os pacientes devem ser idealmente posicionados com linha da cabeça em posição neutra, braços mantidos nas laterais, os cotovelos levemente fle- xionados e os antebraços supinados, sem pressão sobre os ombros ou a axila. Referência: Longnecker DE, et al., eds. Anesthesiology, 2nd ed. New York: McGrawHill, 2012. 362-3. Questão 7: Resposta D Alguns estudos revelam neuropatias inflamatórias em pacientes que apresentaram neuropatias periféricas pós-cirúrgicas graves, sendo que a maioria envolvia o nervo ulnar. Surpreendentemente, a maioria destes pacientes tinha neuropatias por microvasculite e muitos responderam a modulação imunológica com altas doses de corticosteroides. A resposta inflamatória pode ser dramaticamente alterada no período pós-operató- rio e neuropatia por microvasculite parece ser uma causa não reconheci- da da neuropatia periférica. Referência: Roizen MF, Fleisher LA – Patiente positioning and associated risks, em: Miller, RD - Miller’s Anesthesia. 8th Ed., Philadelphia, Elsevier, 2015. lucassordimaier@gmail.com 14 Questão 8: Resposta A Estiramento de tecido neural pode ser um fator importante no desen- volvimento de neuropatias periféricas e centrais. Estiramento de tecido neural 5% maior do que o seu comprimento de repouso pode levar à is- quemia, reduzindo tanto o fluxo sanguíneo arterial quanto o venoso. Se a isquemia é prolongada, pode resultar em dano neural permanente. O im- pacto de estiramento em outros tecidos moles é bem menos documen- tado e seria dependente do tipo de tecido e grau de estiramento. Pressão de qualquer tecido mole pode reduzir fluxo de sangue local e causar is- quemia. Referência: Roizen MF, Fleisher LA – Patiente positioning and associated risks, em: Miller, RD - Miller’s Anesthesia. 8th Ed., Philadelphia, Elsevier, 2015. Questão 9: Resposta A Há muitas maneiras de reduzir os pontos de pressão, sendo os mais co- muns os coxins. Pode haver diferenças nas propriedades mecânicas de vários materiais - gel, espuma, tecidos - mas nenhum se mostrou signifi- cativamente melhor do que os outros em reduzir a frequência ou a seve- ridade de danos a nervos ou nos tecidos moles no perioperatório. O prin- cípio básico é a utilização de qualquer um destes materiais para proteger os nervos e os tecidos moles nos pontos de pressão. Referência: Roizen MF, Fleisher LA – Patiente positioning and associated risks, em: Miller, RD - Miller’s Anesthesia. 8th Ed., Philadelphia, Elsevier, 2015. lucassordimaier@gmail.com 15 Questão 10: Resposta C Na posição supina tradicional, o paciente encontra-se com o dorso e a coluna vertebral sobre a mesa cirúrgica com um pequeno travesseiro sob a cabeça. Os braços são dispostos ao lado do tronco ou descansam em braçadeiras acolchoadas. Embora a postura supina horizontal tenha uma longa história de uso, as articulações do quadril e joelho não tole- ram períodos prolongados em um paciente acordado. Os braços podem ser estendidos e os antebraços fixados ventralmente a braçadeiras, de tal modo que a perfusão da mão não seja comprometida e não haja contato da pele com partes metálicas existentes, que podem causar queimadu- ras elétricas se um eletrocautério for usado. A mão e antebraço são man- tidos numa posição neutra ou supinada para reduzir a pressão externa na região de pressão sobre o nervo ulnar para evitar a sua lesão. Referência: Roizen MF, Fleisher LA – Patiente positioning and associated risks, em: Miller, RD - Miller’s Anesthesia. 8th Ed., Philadelphia, Elsevier, 2015. Questão 11: Resposta A A posição de Trendelenburg aumenta o retorno venoso, o débito cardía- co, a pressão intracraniana e intraocular e pode ter significativas conse- quências cardiovasculares e respiratórias. Posicionamento íngreme de 30 a 45 graus com a cabeça para baixo é frequentemente utilizado para cirurgias robóticas de próstata e ginecológicas. Referência: Roizen MF, Fleisher LA – Patiente positioning and associated risks, em: lucassordimaier@gmail.com 16 Miller, RD - Miller’s Anesthesia. 8th Ed., Philadelphia, Elsevier, 2015. Questão 12: Resposta C Por causa dos efeitos aumentados da gravidade, cuidados devem ser tomados para impedir que os pacientes escorreguem na mesa cirúrgica e para evitar compressão do plexo braquial contra o tronco na altura da cintura escapular. O movimento cefálico de vísceras abdominais contra o diafragma tam- bém diminui capacidade residual funcional e a complacência pulmonar. Essa compressão das bases pode predispor a formação de atelectasias e shunt, prejudicando as relações de ventilação-perfusão pulmonares. Em pacientes que estão em ventilação espontânea,o trabalho da respiração aumenta. Em pacientes que estão sob ventilação mecânica, pressões das vias aéreas devem ser maiores para assegurar a ventilação adequada. Adição de PEEP pode prevenir a formação de atelectasia e shunt. Referência: Roizen MF, Fleisher LA – Patiente positioning and associated risks, em: Miller, RD - Miller’s Anesthesia. 8th Ed., Philadelphia, Elsevier, 2015. Questão 13: Resposta A O posicionamento da cabeça para baixo por períodos prolongados tam- bém pode levar a inchaço da face, conjuntiva, laringe, língua e com um aumento potencial de obstrução de vias aéreas superiores no pós-opera- tório. lucassordimaier@gmail.com 17 Devido ao risco de edema da traqueia e das mucosas das vias aéreas durante as cirurgias prolongadas com o paciente na posição de Trende- lenburg deve-se verificar se há fuga de ar ao desinflar o cuff ou fazer a visualização direta da laringe antes da extubação. Referência: Roizen MF, Fleisher LA – Patiente positioning and associated risks, em: Miller, RD - Miller’s Anesthesia. 8th Ed., Philadelphia, Elsevier, 2015. Questão 14: Resposta D A posição de cefaloaclive diminui o retorno venoso, o débito cardíaco, a pressão intracraniana e intraocular e pode ter significativas consequên- cias cardiovasculares. A função pulmonar é favorecida nesse posiciona- mento através do aumento da capacidade residual funcional. Referência: Roizen MF, Fleisher LA – Patiente positioning and associated risks, em: Miller, RD - Miller’s Anesthesia. 8th Ed., Philadelphia, Elsevier, 2015. Questão 15: Resposta C A função pulmonar é otimizada na posição de cefaloaclive, pois as vís- ceras são deslocadas em sentido caudal e deixam de comprimir o dia- fragma. Ocorre melhor expansão pulmonar, com melhora da capacidade residual funcional e diminuição da formação de atelectasias de base, diminuindo o shunt. lucassordimaier@gmail.com 18 Referência: Roizen MF, Fleisher LA – Patiente positioning and associated risks, em: Miller, RD - Miller’s Anesthesia. 8th Ed., Philadelphia, Elsevier, 2015. Questão 16: Resposta C A posição clássica de litotomia é frequentemente utilizada durante cirur- gias ginecológica, anorretal e urológica. Os quadris são flexionados de 80 a 100 graus sobre o tronco, e as pernas são abduzidas de 30 a 45 graus da linha média. Os joelhos são flexionados até que as pernas fiquem para- lelas ao tronco e algum tipo de suporte segura as pernas. Lesões podem ocorrer devido a essa posição. Referência: Roizen MF, Fleisher LA – Patiente positioning and associated risks, em: Miller, RD - Miller’s Anesthesia. 8th Ed., Philadelphia, Elsevier, 2015. Questão 17: Resposta A Quando ocorre alguma neuropatia associa a posição de litotomia, a lesão do nervo fibular comum é a neuropatia motora de extremidade inferior mais frequente. Esse nervo é ramo lateral do ciático e tem origem acima da fossa poplítea, cruzando a cabeça lateral da fíbula, com risco de com- pressão contra os apoios de perna. Indica-se posicionamento adequado nas perneiras e acolchoamento para evitar que haja pressão nesse ponto. A lesão é mais comum em pacientes magros, tabagistas ou em cirurgia de duração prolongada. As parestesias na distribuição dos nervos obtu- rador, cutâneo femoral lateral e ciático também podem ocorrer e estão lucassordimaier@gmail.com 19 relacionadas quase sempre às cirurgias com duração superior a 2 horas. Referência: Roizen MF, Fleisher LA – Patiente positioning and associated risks, em: Miller, RD - Miller’s Anesthesia. 8th Ed., Philadelphia, Elsevier, 2015. Questão 18: Resposta A Abrasão de córnea continua a ser o tipo mais comum de lesão periope- ratória no olho e está associada com trauma direto da córnea por más- caras, campos cirúrgicos ou outros objetos estranhos. Abrasão da córnea também pode estar associada com a diminuição da produção de lágri- mas ou inchaço do olho em pacientes na posição prona. Os pacientes se queixam de dor associada a uma sensação de corpo estranho no olho ao acordar de uma cirurgia. Os sintomas são geralmente transitórios e o tratamento é feito de cuidados de suporte e pomada antibiótica para prevenir a infecção bacteriana. Para a maioria dos pacientes, os sintomas são resolvidos dentro de 2 meses sem complicações. No entanto, 1% dos pacientes necessitaram de cuidados posteriores. Para reduzir a incidên- cia de abrasão corneana, deve ser feito o fechamento cuidadoso das pál- pebras após a indução da anestesia. Referência: Roizen MF, Fleisher LA – Patiente positioning and associated risks, em: Miller, RD - Miller’s Anesthesia. 8th Ed., Philadelphia, Elsevier, 2015. lucassordimaier@gmail.com 20 Questão 19: Resposta C O posicionamento em prona nas cirurgias para coluna vertebral pode estar relacionado a cegueira no pós-operatório. Fatores perioperatórios associados com um risco aumentado de neuropatia isquêmica óptica incluem hipotensão grave e prolongada, cirurgia de longa duração, espe- cialmente na posição prona, grande perda de sangue, grande uso de cris- taloide, anemia ou hemodiluição e aumento pressão intraocular venosa na posição prona. Referência: Cassorla L, Lee JW. Perioperative Visual Loss, em: Miller RD, Cohen NH, Eriksson LI, et al. Miller’s Anesthesia. 8th Ed, Philadelphia, Elsevier Saunders, 2015. Questão 20: Resposta D O consenso atual é que a causa da paralisia do nervo ulnar é multifato- rial e nem sempre evitável. O início dos sintomas ocorre mais de 24 horas do pós-operatório, sendo que 70% dos pacientes acometidos eram ho- mens e 9% apresentaram sintomas bilaterais. Pacientes muito magros ou muito obesos eram de maior risco, assim como aqueles com pós-ope- ratório prolongado. Nenhuma associação com a posição do paciente no intraoperatório ou técnica anestésica foi confirmada. Embora a maioria dos casos fossem associados com anestesia geral, também ocorreu com anestesia regional de extremidade inferior. A grande predominância de lesão ulnar em homens possivelmente pode ser explicada pelas diferen- ças anatômicas. Outros fatores de risco são a diabetes mellitus, a defici- lucassordimaier@gmail.com 21 ência de vitamina, alcoolismo e tabagismo. Paralisia do nervo ulnar no pós-operatório pode ocorrer sem causa aparente, mesmo quando prote- ção e posicionamento do braço do paciente foram cuidadosamente che- cados e documentados no registro anestésico. Referência: Cassorla L, Lee JW. Perioperative Visual Loss, em: Miller RD, Cohen NH, Eriksson LI, et al. Miller’s Anesthesia. 8th Ed, Philadelphia, Elsevier Saun- ders, 2015. lucassordimaier@gmail.com /portalanestesia /portal_anestesia Portal Anestesia Portal Anestesia lucassordimaier@gmail.com