Que ardor não devemos ter por esta fé na qual todo bem tem seu fundamento e encontra sua firmeza! Mas se a fé é a origem de todo o bem, o conhecimento é sua consumação e perfeição. Lancemo-nos, pois, em direção à perfeição e, por toda a série de progressos possíveis, avancemos apressadamente da fé para o conhecimento. Façamos todos os esforços possíveis para compreender aquilo que cremos (ut intelligamus quaod credimus). Pensemos no ardor dos filósofos profanos quanto ao estudo de Deus, nos progressos que fizeram. E envergonhemo-nos de nos mostrar, nesse ponto, inferiores a eles. [...] E nós, que fazemos nós, que, desde o berço, recebemos a tradição da verdadeira fé? O amor da verdade deve ser em nós mais eficaz que neles o amor da vaidade! Será preciso que, nessas questões, nos mostremos mais capazes, nós que somos dirigidos pela fé, arrastados pela esperança, impelidos pela caridade! Devemos julgar ainda insuficiente ter sobre Deus, pela fé, ideias corretas e verdadeiras. Esforcemo-nos, como dizíamos, por compreender o que cremos (quae credimus intelligere). Empenhemo-nos sempre, nos limites do ilícito e do possível, por captar pela razão aquilo de que estamos convencidos pela fé (comprehendere ratione quod tenemus ex fide). Aliás, é de se admirar se diante das profundezas divinas nossa inteligência se obscureça, ela que é, quase a todo o momento, envolvida pela poeira dos pensamentos terrenos? "Sacode a poeira, virgem, filha de Sião" (Is 52, 2). Se somos filhos de Sião, erijamos aquela sublime escada da contemplação. Como águias, tomemos asas (cf. Is 40, 31), para podermos plainar acima das realidades terrestres e nos elevar às celestes. [...] Elevemo-nos, pois, pelo espírito (spiritualiter), elevemo-nos pela inteligência (intellectualiter) lá, onde, entretempos, a ascensão com o corpo (corporaliter) não nos é ainda possível. [...]. Pois é para o céu que somos levados pelo Espírito, que nos levanta, todas as vezes que a graça da contemplação nos faz alcançar a inteligência do eterno. Deve-nos, pois, parece