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Do ponto de vista estilístico,as palavras sábia e sabia provoca que efeito de sentido?


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Lucas

Há mais de um mês

Do ponto de vista estilístico,as palavras sábia e sabia provoca que efeito de sentido?

Do ponto de vista estilístico,as palavras sábia e sabia provoca que efeito de sentido?

O teu professor está coberto de razão: sabia, sábia e sabiá não podem ser considerados acentos diferenciais. O acento diferencial é um acento especial, casuístico (isto é, foi estabelecido caso a caso, e não por regra geral), que distingue visualmente dois vocábulos que poderiam (na concepção de nossos ortógrafos) ser lidos erroneamente. Um exemplo que NÃO é diferencial: fábrica é marcado por acento gráfico por causa da regra das proparoxítonas; ele não foi colocado ali casuisticamente, e o fato de servir para distinguir de fabrica (do verbo fabricar) é mera coincidência. Acento diferencial é pôde (o pretérito de poder), que não receberia acento por regra alguma, já que é uma das palavras-padrão do Português (paroxítona terminada em –e, como parede, rede, sobe e milhares de outras). Aqui, sim, o acento aqui foi instituído com a finalidade específica de evitar a confusão com pode (presente do indicativo).

Exatamente por serem acentos atribuídos fora do sistema de regras, os diferenciais são listáveis (e não passam de um punhado de casos); formam o que se chama, em Direito, de numerus clausus (uma série fechada, finita e determinada). Bem ao contrário, a regra das oxítonas, por exemplo, se aplica a todas as palavras que existem e aos milhares que vão surgir: ela é de aplicação infinita.

O adjetivo sábia é acentuado pela regra das paroxítonas terminadas em ditongo crescente, como glória, história; sabiá é acentuado pela regra das oxítonas, como aliás e vatapásabia, por sua vez, assim como fobia e covardia, é outro final-padrão e, portanto, não-acentuado. Aqui não há “deslocamento” da sílaba tônica. Trata-se de três vocábulos completamente diversos, cada um com a tônica recaindo em sílaba diferente (-bia; sa-BI-a; sa-bi-Á); submetidos ao nosso sistema de acentuação gráfica, dois deles ganharam acento, e o outro não.

O deslocamento da sílaba tônica (pelo menos no nível das gramáticas escolares, como o Bechara, o Celso Cunha, o Said Ali, o Luft; nos mestrados e doutorados, já é outra coisa, mas não interessa ao teu caso) é muito raro, pois se refere a um vocábulo que tem a sua tônica mudada de lugar. Vais encontrar poucos exemplos nas gramáticas. O mais conhecido é o de caRÁ(c)ter, que passaria, no plural, a caracTEres — aqui sim, a tônica se desloca. Portanto, minha cara Sandra, teu professor está correto, e tu, errada. Dá o bracinho a torcer; espero que, ao menos nisso, não sejas tão insistente. Um abraço, e continua minha leitora. Um dia desses vou escrever, na seção de Curiosidades, algo sobre a expressão “a mulher do piolho” —


Do ponto de vista estilístico,as palavras sábia e sabia provoca que efeito de sentido?

Do ponto de vista estilístico,as palavras sábia e sabia provoca que efeito de sentido?

O teu professor está coberto de razão: sabia, sábia e sabiá não podem ser considerados acentos diferenciais. O acento diferencial é um acento especial, casuístico (isto é, foi estabelecido caso a caso, e não por regra geral), que distingue visualmente dois vocábulos que poderiam (na concepção de nossos ortógrafos) ser lidos erroneamente. Um exemplo que NÃO é diferencial: fábrica é marcado por acento gráfico por causa da regra das proparoxítonas; ele não foi colocado ali casuisticamente, e o fato de servir para distinguir de fabrica (do verbo fabricar) é mera coincidência. Acento diferencial é pôde (o pretérito de poder), que não receberia acento por regra alguma, já que é uma das palavras-padrão do Português (paroxítona terminada em –e, como parede, rede, sobe e milhares de outras). Aqui, sim, o acento aqui foi instituído com a finalidade específica de evitar a confusão com pode (presente do indicativo).

Exatamente por serem acentos atribuídos fora do sistema de regras, os diferenciais são listáveis (e não passam de um punhado de casos); formam o que se chama, em Direito, de numerus clausus (uma série fechada, finita e determinada). Bem ao contrário, a regra das oxítonas, por exemplo, se aplica a todas as palavras que existem e aos milhares que vão surgir: ela é de aplicação infinita.

O adjetivo sábia é acentuado pela regra das paroxítonas terminadas em ditongo crescente, como glória, história; sabiá é acentuado pela regra das oxítonas, como aliás e vatapásabia, por sua vez, assim como fobia e covardia, é outro final-padrão e, portanto, não-acentuado. Aqui não há “deslocamento” da sílaba tônica. Trata-se de três vocábulos completamente diversos, cada um com a tônica recaindo em sílaba diferente (-bia; sa-BI-a; sa-bi-Á); submetidos ao nosso sistema de acentuação gráfica, dois deles ganharam acento, e o outro não.

O deslocamento da sílaba tônica (pelo menos no nível das gramáticas escolares, como o Bechara, o Celso Cunha, o Said Ali, o Luft; nos mestrados e doutorados, já é outra coisa, mas não interessa ao teu caso) é muito raro, pois se refere a um vocábulo que tem a sua tônica mudada de lugar. Vais encontrar poucos exemplos nas gramáticas. O mais conhecido é o de caRÁ(c)ter, que passaria, no plural, a caracTEres — aqui sim, a tônica se desloca. Portanto, minha cara Sandra, teu professor está correto, e tu, errada. Dá o bracinho a torcer; espero que, ao menos nisso, não sejas tão insistente. Um abraço, e continua minha leitora. Um dia desses vou escrever, na seção de Curiosidades, algo sobre a expressão “a mulher do piolho” —


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