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Caso Clinico... Bioquimica Clinica

CASO C) Sra. Joana V.S, 72 anos, foi admitida no pronto-socorro do Hospital Universitário com mal estar generalizado e dispneia. Familiares relataram que el apresentava deambulação há dias, se queixava de dor muscular há algumas semanas e

urina amarronzada. Apresentou piora progressiva nos últimos dias. Estava em uso de:

glimepirida 6mg/d, acarbose 50mg 2x/d, 12UI de insulina NPH humana à noite,

indapamida 2,5mg/d, atenolol 50mg/d, amlodipina 10mg/d e sinvastatina 80mg/d. A

estatina foi usada por 2 anos na dose 20mg/d e havia sido aumentada há 6 meses para

40mg/d, pois o LDL-colesterol permanecia com valores entre 190 e 220mg/dL Como o

LDL permanecia alto e a paciente tinha aterosclerose difusa, a sinvastatina foi novamente

aumentada de 40 para 80mg há cerca de 40 dias. Na emergência foram realizados exames

complementares e comparados com exames prévios da paciente.

Exames prévios à admissão: uréia: 26,2mg/dL, creatinina: 0,97mg/dL, glicose:

133mg/dL, colesterol: 171mg/dL, triglicerídios: 103mg/dL. Uma dosagem de CPK de

283U/L havia sido feita há 40 dias da admissão.

Exames realizados na admissão: ureia: 406mg/dL, creatinina: 8,98mg/dL, glicose:

180mg/dL, CK-MB: 429U/L, CPK: 13.000U/L, gama-GT: 175U/L, pH: 7,36.

Definiu-se a rabdomiólise por sinvastatina com quadro de insuficiência renal aguda como

hipótese diagnóstica, com progressão para insuficiência respiratória e cardíaca não

responsiva a drogas. Houve tentativa de marca-passo cardíaco sem sucesso. Evoluiu com

parada cárdio-respiratória, sendo reanimada 4 vezes, mas permanecia com instabilidade

hemodinâmica apesar do uso de drogas vasoativas, indo a óbito 4 horas após o

atendimento inicial. A família não autorizou a necrópsia.

Sobre o caso, responda:

a) Comente sobre o mecanismo de ação da sinvastatina e correlacione altas

doses com a rabdomiólise.

R:

b) Explique, considerando os processos citocromiais hepáticos de metabolização

de drogas, por que a alta dosagem de sinvastatina tende a induzir rabdomiólise

quando em uso concomitante regular com outras drogas.

c) Explique os resultados de CPK (creatina fosfo kinase) aumentados na

comparação de exames prévios e atual, justificando a análise de CK-MB.

d) Justifique os aumentos de ureia e de creatinina no sangue da paciente,

correlacionando com o quadro.


3 resposta(s) - Contém resposta de Especialista

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Há mais de um mês

Importante mencionar que com relação à síndromes de miopatia associadas ao uso de estatinas, ocorre variação de mialgias simples até as chamadas rabdomiólise atreladas à insuficiência renal de forma aguda.

Ademais, sabe-se que o diagnóstico de rabdomiólise utiliza como base o aumento das enzimas musculares. Assim sendo, a CPK pode estar bastante elevada, isto é, quando está acima de 100.000 IU/L. (3,24). Desta maneira, a chamada elevação sérica das aminotransferases em razão do dano muscular é de caráter frequente e pode acontecer em torno de 0,5 a 2% dos casos, sendo dose dependente (24).

Além do mais, em 58% dos pacientes que tiveram evolução da insuficiência renal apresentaram CPK superior a 16.000UI/L, se comparados com 11 % das que não relacionarem-se com lesão renal.

A creatinina e derivada da creatina cuja taxa elevada presente no sangue indica a insuficiência renal. O aumento da ureia também está relacionado ao caso, já que quando os rins deixam de funcionam, não ocorre a eliminação da ureia, que estaria presente na urina. Assim, há o seu aumento no sangue.

Importante mencionar que com relação à síndromes de miopatia associadas ao uso de estatinas, ocorre variação de mialgias simples até as chamadas rabdomiólise atreladas à insuficiência renal de forma aguda.

Ademais, sabe-se que o diagnóstico de rabdomiólise utiliza como base o aumento das enzimas musculares. Assim sendo, a CPK pode estar bastante elevada, isto é, quando está acima de 100.000 IU/L. (3,24). Desta maneira, a chamada elevação sérica das aminotransferases em razão do dano muscular é de caráter frequente e pode acontecer em torno de 0,5 a 2% dos casos, sendo dose dependente (24).

Além do mais, em 58% dos pacientes que tiveram evolução da insuficiência renal apresentaram CPK superior a 16.000UI/L, se comparados com 11 % das que não relacionarem-se com lesão renal.

A creatinina e derivada da creatina cuja taxa elevada presente no sangue indica a insuficiência renal. O aumento da ureia também está relacionado ao caso, já que quando os rins deixam de funcionam, não ocorre a eliminação da ureia, que estaria presente na urina. Assim, há o seu aumento no sangue.

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos especialistas