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TREINAMENTO APLICADO 
AOS ESPORTES COLETIVOS
Programa de Pós-Graduação EAD
UNIASSELVI-PÓS
Autoria: Antônio José Muller
CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito
Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC
Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090
Reitor: Prof. Hermínio Kloch
Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol
Coordenador da Pós-Graduação EAD: Profa. Cláudia Regina Pinto Michelli
Equipe Multidisciplinar da 
Pós-Graduação EAD: Prof.ª Bárbara Pricila Franz
 Prof.ª Cláudia Regina Pinto Michelli
 Prof.ª Kelly Luana Molinari Corrêa
 Prof. Ivan Tesck
Revisão de Conteúdo: Márcio Moisés Selhorst
Revisão Gramatical: Iara de Oliveira
Revisão Pedagógica: Bárbara Pricila Franz
Diagramação e Capa: 
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Copyright © UNIASSELVI 2016
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri
 UNIASSELVI – Indaial.
796.4077
M958t Muller, Antônio José
Treinamento aplicado aos esportes coletivos / Antônio 
José Muller. Indaial : UNIASSELVI, 2016.
 
182 p. : il.
ISBN 978-85-69910-23-7
1. Esportes Ensinamentos.
 I. Centro Universitário Leonardo da Vinci
Antônio José Muller
Professor de Pós-graduação do Mestrado 
em Educação e na Graduação e de nas áreas 
da Educação Física e Educação. Experiência 
como jogador e treinador de voleibol no Brasil, 
EUA e Arábia Saudita. Doutor em Educação pela 
University of Texas at El Paso, Especialista em 
Treinamento Desportivo - Voleibol pela UNIG 
(Universidade de Nova Iguaçu - RJ) e graduado 
em Educação Física pela FURB (Universidade 
Regional de Blumenau).
Sumário
APRESENTAÇÃO ......................................................................7
CAPÍTULO 1
Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados ..............................................................9
CAPÍTULO 2
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos ......................................................43
CAPÍTULO 3
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos .................................77
CAPÍTULO 4
Modelos de Organização e Treinamento das
Modalidades Coletivas: Basquetebol, Futebol,
Futsal, Handebol e Voleibol..............................................113
APRESENTAÇÃO
Caros Pós-Graduando(as),
O esporte talvez seja a maior das invenções humanas. Em nenhuma outra 
atividade homens e mulheres, de qualquer nível social, raça, credo ou localização 
geográfica, podem desfrutar dos benefícios físicos, lúdicos ou sociais que o esporte 
proporciona. Pelo menos em sua essência o esporte é puro, no qual todos os 
praticantes devem respeitar as mesmas normas e regras e têm o direito e a condição 
de participar, até mesmo os considerados especiais. O esporte promove a inclusão, 
desenvolve o espírito de equipe, a superação dos limites, além da condição de 
ascensão social de pessoas desprivilegiadas ou com pouca oportunidade em outras 
áreas humanas. 
 O esporte movimenta um trilhão de dólares por ano no mundo todo. Os 
grandes atletas são respeitados, admirados pelo público e explorados pela mídia. 
Dentro desse contexto, crianças de todo o mundo procuram o esporte como um meio 
de vida, uma condição de ascensão econômica e social, e almejam atingir o mesmo 
nível de excelência de seus ídolos. Contudo, o esporte de alto nível demanda anos 
de prática, esforço físico sobre-humano, inúmeras repetições de gestos técnicos 
específicos, além da pressão de obter resultados efetivos em uma carreira curta e 
extremamente cansativa.
 Veremos, aqui, como o treinamento deve respeitar vários princípios para que 
o resultado seja efetivo. Assim, devemos conceituar e diferenciar esses princípios. 
Viajaremos aqui nas modalidades coletivas mais populares no Brasil (Basquetebol, 
Futsal, Futebol, Handebol e Voleibol), observaremos como estas são apresentadas 
e as características com as quais poderemos distinguir, classificar e especificar cada 
uma das modalidades e suas particularidades relacionadas ao treinamento. Iremos 
discutir, ainda, as competências de um jogador em seus quatro aspectos: 1) físico; 2) 
técnico; 3) tático; e 4) psicológico, para uma formação completa e o alto rendimento.
Assim, no primeiro capítulo exibimos alguns significados da nomenclatura 
relacionada aos esportes coletivos, além de tópicos ligados ao treinamento 
desportivo. No segundo capítulo, apresentamos a importância e o funcionamento 
teórico e prático do treinamento das modalidades esportivas, bem como seus 
métodos e modelos. No terceiro capítulo, expomos as competências do jogador nos 
quatro aspectos fundamentais para a formação completa de um jogador para os 
esportes coletivos. No quarto e último capítulo, damos sugestões de treinamento para 
cada modalidade, observando suas características e particularidades, para que você 
tenha um embasamento científico na utilização e aplicação prática de sua função de 
treinador, respeitando as características de sua equipe e do esporte. 
O autor.
CAPÍTULO 1
Esportes Coletivos: Conceitos 
e Princípios Aplicados
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
 Compreender os conceitos e princípios aplicados aos esportes coletivos.
 Distinguir conceitos como aptidão esportiva, iniciação esportiva, fases do 
desenvolvimento para os esportes, especialização precoce e jogos e esportes 
coletivos.
10
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
11
Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados Capítulo 1 
ConteXtualização
O esporte talvez seja a maior das invenções humanas. Em nenhuma outra 
atividade homens e mulheres, de qualquer nível social, raça, credo ou localização 
geográfi ca, podem desfrutar dos benefícios físicos, lúdicos ou sociais que o es-
porte proporciona. Pelo menos em sua essência o esporte é puro, no qual todos 
os praticantes devem respeitar as mesmas normas e regras e têm o direito e a 
condição de participar, até mesmo os considerados especiais. O esporte promove 
a inclusão, desenvolve o espírito de equipe, a superação dos limites, além da 
condição de ascensão social de pessoas desprivilegiadas ou com pouca oportuni-
dade em outras áreas humanas. 
O esporte movimenta um trilhão de dólares por ano no mundo todo. 
Os grandes atletas são respeitados, admirados pelo público e explo-
rados pela mídia. Dentro desses contexto, crianças de todo o mundo 
procuram o esporte como um meio de vida, uma condição de ascensão 
econômica e social e almejam atingir o mesmo nível de excelência de 
seus ídolos. Contudo, o esporte de alto nível demanda anos de prática, 
esforço físico sobre-humano, inúmeras repetições de gestos técnicos 
específi cos, além da pressão de obter resultados efetivos em uma car-
reira curta e extremamente cansativa. Devido à diversidade de opções 
de práticas esportivas, pais e seus fi lhos podem fi car indecisos sobre 
o que praticar, quando iniciar e quando competir. Existem pessoas as 
quais acreditam que quanto mais cedo iniciar-se no esporte, melhor. 
Este princípio não se aplica a todos, pois, ao contrário do que se imagina, o es-
porte precoce pode limitar a evolução e rendimento do atleta em categorias futu-
ras. Veremos, aqui, como o treinamento deve respeitar vários princípios para que 
o resultado seja efetivo. Assim, devemos conceituar e diferenciar estes princípios. 
Viajaremos aqui nas modalidades coletivas, como estas são apresentadas e as 
características com as quais poderemos distinguir, classifi car e especifi car cada 
uma dessas modalidades e as especifi cidades do treinamento.
Existe pessoas as quais acreditam que quanto mais cedo iniciar-
se no esporte, melhor. Porém, isso não é consenso para todos. Qual 
a sua opinião a respeito?
Nesta primeira parte do Caderno de estudos, apresentaremos algumas 
defi nições da terminologia relacionada ao treinamento e aos esportes. Conceitos 
que devem ser aprendidos para, então,seguirmos rumo ao processo posterior, 
mais complexo, no qual estes conceitos estarão aplicados aos esportes coletivos.
O esporte de alto 
nível demanda 
anos de prática, 
esforço físico sobre-
humano, inúmeras 
repetições de gestos 
técnicos específi cos, 
além da pressão 
de obter resultados 
efetivos em uma 
carreira curta e 
extremamente 
cansativa.
12
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Aptidão Esportiva Geral
Todos os anos inúmeras crianças participam dos esportes 
em caráter recreativo em praças, praias, ruas e terrenos baldios 
ou em caráter competitivo em escolas, clubes e times ao redor do 
mundo, contudo, apenas algumas atingirão alto nível ou um nível de 
competição internacional. Não raramente atletas que se destacavam 
pelo seu talento quando crianças ou adolescentes não conseguem 
na idade adulta o mesmo nível de performance que demonstrava 
nas categorias menores (BOJIKIAN, 2002). Essas contradição não é 
de fácil explicação, mas alguns fatores auxiliam no entendimento do 
fenômeno, pois interferem profundamente no processo evolutivo, como 
segue.
Os componentes da motricidade humana auxiliam os treinadores a 
perceberem a importância do desenvolvimento das habilidades motoras. 
Mas, antes, precisamos defi nir o que são capacidades/qualidades e o que são 
habilidades. Vejamos:
• Capacidades/Qualidades Físicas ou Motoras - são características 
congênitas, as quais possuímos naturalmente em maior ou menor condição 
e que são aprimoradas com o treinamento. As capacidades/qualidades 
são: ritmo, equilíbrio, coordenação motora, força, resistência, fl exibilidade, 
velocidade, agilidade e descontração.
• Habilidades Motoras - as habilidades motoras fundamentais, como: andar, 
correr, saltar, equilibrar, vitais para o nosso desenvolvimento, são adquiridas 
por meio das relações dos indivíduos com o entorno em que vivem e com as 
tarefas da vida diária. Cada movimento requer uma habilidade ou um conjunto 
de habilidades específi cas. 
Devemos perceber que existem dois tipos de habilidades motoras, relacio-
nadas com a fi nalidade do movimento. Observe quais são elas:
• Habilidades Fechadas – são determinadas essencialmente pela qualidade e 
efi ciência da execução do movimento (fi nalidade motora). Habilidade usada 
quando o movimento é realizado de forma repetida e pouco variada como 
uma corrida de 100 metros.
• Habilidades Abertas – têm fi nalidades tanto motoras quanto cognitivas, 
pois consideram a seleção de habilidades motoras em situações específi cas 
durante uma competição e, assim, podem existir várias opções para a mesma 
Não raramente 
atletas que se 
destacavam 
pelo seu talento 
quando crianças 
ou adolescentes 
não conseguem 
na idade adulta o 
mesmo nível de 
performance que 
demonstrava nas 
categorias menores 
(BOJIKIAN, 2002).
13
Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados Capítulo 1 
habilidade, como, por exemplo, um saque no voleibol, realizado de diversas 
formas e habilidades. Essas habilidades estão presentes nos esportes 
coletivos nos quais existem várias técnicas de um mesmo fundamento e que 
variam ainda pela condição de momento ou ambiente. 
Atividades de Estudos:
 1) Quais são as principais diferenças entre Capacidades e 
Habilidades Motoras?
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 2) Apresente as principais diferenças entre Habilidades Fechadas 
e Habilidades Abertas?
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
É fundamental entender que cada iniciante tem um histórico que expõe 
as suas características motoras e que deve ser respeitado. A sugestão de 
equiparação entre os modelos de aprendizagem teóricos deve coincidir com 
uma prática ideal, visto que, de acordo com Freire (1994), cada conduta motora 
tem uma história a ser considerada, e o conhecimento corporal, assim como o 
intelectual, deve ser signifi cativo, ter correspondência na experiência concreta da 
criança.
A história motora proporciona, então, a formação da aptidão física geral, que, 
por sua vez, é infl uenciada por fatores biológicos e psicossociais. Esses fatores 
estão relacionados na fi gura a seguir:
14
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Figura 1 – Fatores que infl uenciam na aptidão física geral
Fonte: Baseado em Dantas (1998).
Se você quiser conhecer mais sobre aptidão física, consulte 
alguns destes livros que são referência no assunto.
DANTAS, Estelio. A prática da preparação física. 6. ed. Rio de 
Janeiro: Rocca,, 2014.
GALLAHUE, D.; OZMUN, D. L. Compreendendo o 
desenvolvimento motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos. 
São Paulo: Phorte Editora, 2001.
Antes de aprender a jogar, a criança deve trabalhar as habilidades 
motoras e capacidades físicas gerais. É unânime a opinião de autores 
e bons treinadores sobre promover a iniciação desportiva por meio 
do desenvolvimento das capacidades físicas gerais para, então, focar 
em técnicas específi cas do jogo. A universalidade desportiva é atingida quando o 
trabalho é orientado para o desenvolvimento da sensomotricidade, da motricidade 
geral, e pode servir de base para um posterior treinamento das habilidades 
esportivas específi cas (técnicas) (KRÖGER, 2006). 
É unânime a opinião 
de autores e bons 
treinadores sobre 
promover a iniciação 
desportiva por meio 
do desenvolvimento 
das capacidades 
físicas gerais para, 
então, focar em 
técnicas específi cas 
do jogo.
15
Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados Capítulo 1 
Como qualquer atividade humana, alguns indivíduos têm maior capacidade 
do que outros em aprender ou de apresentar rendimentos elevados. Esse fator 
podem ser explicados por meio do potencial talento ou da herança genética que 
a criança possui. É importante destacar, nesses contexto, que as capacidades 
coordenativas provavelmente não são independentes do talento e da herança, 
porém são altamente treináveis (KRÖGER, 2006). Agora que discutimos os 
conceitos da aptidão física geral, vamos continuar a discussão sobre a iniciação 
para o esporte, para a qual você deve transportar os conceitos de aptidão física, 
visando a um melhor ensinamento e evolução para as modalidades. 
A Iniciação para o Esporte 
O aprendizado dos esportes, genericamente, deve apoiar-se nos princípios 
básicos da formação do movimento e no desenvolvimento das capacidades 
físicas gerais de forma gradual e planejada. Em seu livro “Escola da Bola”, 
Kröger (2006) explica que, assim como o ABC, aprendido na escola básica para 
que posteriormente a criança seja alfabetizada, ou melhor, letrada, para o futuro 
acadêmico, acontece também no esporte, seguindo, da mesma forma, princípios 
educativos. Kröger questiona “Como deve ser a creche esportiva dos iniciantes?”; 
“Qual deve ser a forma de iniciação?” ou “Qual o caminho correto para poder 
jogar e possivelmente ter uma carreira no esporte de alto nível?”. Você consegue 
responder a estas questões? Elas são de difícil resposta, mas o próprio autor 
sugere que, na busca por tais respostas, todo o iniciante deve seguir princípios 
básicos, apoiados em três pilares, sendo eles:
A. Jogos orientados para a situação;
B. Orientação para as capacidades coordenativas;
C. Orientação para as habilidades.
Resumidamente, podemos descrever que o item A se constitui na utilização 
das experiências que os iniciantes já trazem em sua “bagagem” dos jogos e 
brincadeiras de rua, para um patamar elevado, de formarica e variada, de novas 
experiências orientadas e de movimentos diferentes, em que jogar se aprende 
jogando. No item B, o desenvolvimento das capacidades coordenativas se torna 
aspecto fundamental na universalidade esportiva e deve-se explorar possibilidades 
de incremento da sensomotricidade e da motricidade geral, que servem de base 
para o treinamento posterior das técnicas exigidas em cada esporte. No item 
C, a promoção de várias técnicas é, possivelmente, onde todas as habilidades 
esportivas passam a ser incorporadas, sem que se busque um único esporte, e 
que serve de construção de diversos movimentos (KRÖGER, 2006).
16
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Atividade de Estudo:
 1) Levando em conta o parágrafo acima, como você descreve o 
ABC da bola?
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
O treinamento e desenvolvimento exigem estratégias em longo prazo, 
objetivando a formação completa na busca do potencial máximo de performance, 
quando exigidos, especialmente em alto rendimento. Para isso, Ehret et al. 
(2002) sugerem que pontos cruciais devem ser respeitados em uma sequência 
pedagógica e fortalecidos na iniciação para o esporte, conforme você verá a 
seguir:
• Introdução de várias modalidades esportivas – O iniciante deve participar 
diariamente de atividades esportivas, organizadas ou não, em clubes, escolas 
ou mesmo em ambientes de lazer.
• Desenvolvimento das capacidades coordenativas – Exercícios de 
aprimoramento das capacidades coordenativas essenciais ao rendimento.
• Oferta de um ensino-aprendizagem multidisciplinar e variado – Utilizar 
competições de modalidades variadas, individuais e coletivas, com ou sem 
bola. Posteriormente, utilizar um amplo repertório de técnicas específi cas, 
exigidas pelo esporte em questão, deixando a criança experimentar o 
movimento de várias formas.
• Promoção do jogo livre e criativo – Utilizar pequenos jogos introdutórios ao 
esporte propriamente dito.
Apesar de inteligências diferenciadas, todas as crianças devem ser orientadas 
a buscar a iniciação desportiva, para que tenham os benefícios físicos e sociais 
que a atividade física proporciona, antes de qualquer objetivo de performance. 
Para tanto, Kröger (2006) indica que na iniciação devem ser melhorados os 
pré-requisitos e os condicionantes coordenativos relevantes para o rendimento 
nos jogos coletivos, de forma precisa e breve, como uma busca de material de 
construção para diferentes movimentos, construindo uma “caixa de habilidades”.
17
Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados Capítulo 1 
Para saber mais sobre a “alfabetização” esportiva leia:
KRÖGER, Christian. Escola da Bola: Um ABC para iniciantes 
nos jogos esportivos. Rio de Janeiro: Phorte,, 2006. 
Você consegue responder aonde o iniciante irá chegar esporte, 
apenas observando pela prática?
Para atingir o topo, o iniciante deve respeitar uma sequência 
evolutiva e uma preparação planejada de vários anos. Ericsson (1993 
apud FUCHSLOCHER; ROMANN; GULBIN, 2013) descreve que 
para atingir o alto rendimento um atleta precisa de oito a dez anos e 
10 mil horas de prática. Nessas trajetória, vários fatores internos e 
externos contribuem ou atrapalham a evolução do futuro atleta de rendimento. 
Tais fatores vão deste o biótipo ideal para determinada modalidade, medidas 
corpóreas, a condição de ter um bom treinador, qualidades físicas inerentes, 
alimentação, experiência, condição social e econômica, entre outros fatores. 
Porém, o fator que mais interfere nas possibilidades futuras de qualquer iniciante, 
para qualquer esporte, é o talento intrínseco. A questão deve ser o tamanho do 
potencial a ser explorado e a projeção de onde cada um dos iniciantes pode 
chegar. Simplesmente:: até aonde iremos com este iniciante? até onde ele pode 
chegar? Outras questões sem respostas fáceis e precisas intrigam os treinadores, 
tais como: Quais são os fatores na detecção de talentos que irão predizer uma 
performance de sucesso no futuro? Qual a função da ciência do esporte e 
da tecnologia que pode amplifi car a condição dos treinadores preparados a 
condicionarem seus pupilos para um nível de excelência no esporte? Essas são 
questões para melhor entender a iniciação esportiva.
Para atingir o alto 
rendimento um 
atleta precisa de oito 
a dez anos e 10 mil 
horas de prática.
Vários fatores 
interferem no 
desenvolvimento 
do atleta. 
Basicamente.Bsão 
fatores motores, 
cognitivos, sociais 
e econômicos ou 
motivacionais.
Vários fatores interferem no desenvolvimento do atleta. 
Basicamente.Bsão fatores motores, cognitivos, sociais e econômicos 
ou motivacionais, passando, também, pela especialização acelerada 
e o treinamento inadequado em relação aos diferentes estágios de 
crescimento e desenvolvimento. Esses fatores são determinantes na 
evolução do atleta, na busca de seu ápice como jogador completo na 
categoria adulta. 
18
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
A evolução do jogador para o esporte dentro das condições ideais deve ser 
a intenção de todos os professores de educação física e técnicos desportivos 
pelo mundo afora. Contudo, algumas defi ciências são percebidas e que afetam 
tremendamente o “produto fi nal”. De acordo com Mahlo (apud CORDEIRO, 1997), 
as falhas constatadas na iniciação desportiva são: insufi ciência de motricidade 
esportiva; subestimação dos esforços suportáveis por crianças; aparecimento 
de graves lacunas, por ocasião da passagem para o ensino esportivo; falta de 
unidade de ensino; insufi ciência na formação de professores por não serem 
especialistas esportivos. 
O desenvolvimento ideal de jogadores, muitas vezes, sofre ações positivas 
e negativas de caráter direto e indireto. A obtenção de elevados níveis de 
performance no auge do atleta irá depender da realização de um trabalho em 
longo prazo, o qual articula de forma equilibrada os diferentes níveis da prática 
esportiva (MESQUITA, 2005). Além disso, a boa e sólida formação deve ser a 
preocupação inicial, e não a especialização, lembrando que quanto melhor for a 
preparação de um atleta, por meio de uma base consistente, melhor será o seu 
nível de rendimento nas fases posteriores e no alto nível. 
Figura 2 - Necessário construir uma boa base de forma 
equilibrada para o esporte (futebol) de alto desempenho
Fonte: Tega (2010).
A preocupação inicial está na elaboração de um planejamento adequado em 
longo prazo que, junto com a infl uência do treinador, tem importância fundamental 
no sucesso ou não do atleta. A elaboração de um plano ou planejamento de 
evolução de atletas não garante a certeza de resultados positivos, mas serve 
como instrumento de auxílio na busca da efi ciência, pois, segundo Borsari (2001), 
é por meio da perfeita combinação dos fundamentos, sua técnica e aplicabilidade, 
aliados ao trabalho sistemático (adequado à idade e ao nível), que se consegue 
evoluir, atingindo naturalmente a efi ciência.
19
Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados Capítulo 1 
Kröger (2006) explica que, assim como aprender a gramática, o ensinamento 
dos esportes deve seguir a sequência lógica: aprender o “ABC”, as primeiras 
palavras (habilidades e capacidades motoras), para depois, de forma garantida, 
poder falar palavras mais complexas (fundamentos e técnicas específi cas) 
e, então, “regras gramaticais” (competências táticas específi cas). Ou seja, o 
bom entendimento do “ABC da bola” irá projetar a utilização ideal das técnicas 
no emprego das exigências táticas. Os aspectos táticos serão discutidos 
posteriormente neste Caderno. Agora, vamos debater sobre a idade ideal para se 
iniciar no esporte coletivo.
a) Idade ideal para a iniciação das modalidades coletivas
Muitose pesquisa e se discute a respeito da idade ideal da criança 
no esporte. A maioria dos autores concorda em respeitar as etapas de 
desenvolvimento físico a que todas as pessoas estão naturalmente condicionadas. 
O desenvolvimento motor acontece em paralelo com o desenvolvimento biológico 
e exerce grande infl uência neste. É importante ressaltar que, antes de iniciar na 
modalidade específi ca, a criança tenha inúmeras experiências motoras variadas, 
desenvolvendo suas capacidades básicas. 
Além dos aspectos físicos e experiências motoras, devemos 
considerar os aspectos sociais e acadêmicos para, então, determinar a 
idade inicial adequada. No Brasil, normalmente, as crianças começam 
a praticar esportes coletivos a partir dos 11 anos, idade em que estão 
estudando no 6ª ano do ensino fundamental e começam a participar 
das modalidades principais nas aulas de educação física, as quais 
seguem as diretrizes curriculares e que promovem os ensinamentos das técnicas 
básicas dos esportes coletivos mais populares (Basquetebol, Futebol, Handebol 
e Voleibol). Basicamente, na maioria dos casos, esta condição determina a idade 
inicial e que alguns autores e treinadores preferem seguir.
Para Bojikian (1999), a oportunidade de ensino de novas 
habilidades motoras nessas idade é ótima, pois é um momento de 
reestruturação motora natural. Contudo, esses parâmetros não são 
regras e o que deve se respeitar é o princípio da individualidade. Dessas 
maneira, cada criança tem um desenvolvimento diferenciado, sendo 
difícil mensurar habilidades e determinar se esta ou aquela criança está 
ou não apta à iniciação aos esportes. Como sugere Bizzocchi (2004), 
nem todas as crianças estarão em condições idênticas de prontidão por 
apresentarem a mesma idade cronológica. O importante é adaptar o 
trabalho aoao desenvolvimento motor e psicológico do iniciante. 
Crianças mais novas terão maior difi culdade de executar gestos técnicos 
apurados devido à pouca experiência motora e à falta de automatização do 
No Brasil, 
normalmente, as 
crianças começam 
a praticar esportes 
coletivos a partir dos 
11 anos.
Nem todas as 
crianças estarão em 
condições idênticas 
de prontidão por 
apresentarem 
a mesma idade 
cronológica. O 
importante é adaptar 
o trabalho aoao 
desenvolvimento 
motor e psicológico 
do iniciante.
20
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
movimento, estando em uma fase ainda adaptativa ou de desenvolvimento básico. 
Cabe destacar que movimentos simples exigem coordenação e habilidades 
básicas, enquanto movimentos apurados exigem complexidade coordenativa e 
habilidades motoras afi nadas. 
Antes dos fundamentos técnicos, o fundamento mais importante para 
as modalidades coletivas é o domínio da bola e a capacidade criativa de cada 
indivíduo. Esta deve ser a prioridade dos treinamentos, especialmente nas idades 
iniciais. Quando estes fundamentos estiverem dominados, o jogo se tornará 
mais fácil, tanto para aprender como para ensinar. Os treinamentos devem ser 
elaborados buscando facilitar o desenvolvimento das habilidades básicas de 
deslocamentos e o ótimo controle da bola.
Para Fillin e Volkov (1998), a idade mínima para ingresso em 
escolas esportivas para competir futuramente nos esportes coletivos 
com bola se encaixa entre os 10 e 11 anos. A maturação da menina 
acontece antes do menino, devido a isso, é muito comum que a menina 
inicie no esporte a partir dos 10 anos de idade e os meninos a partir 
dos 11 anos. Esta diferença de um ano entre os sexos se prolonga 
até o adulto e muitas confederações classifi cam as categorias de idade 
diferentes para o masculino e feminino. 
A iniciação esportiva deve respeitar as faixas etárias e a especialização não 
deve ser a preocupação dos treinadores para iniciantes. Nas idades iniciais a 
preocupação está na aquisição das múltiplas habilidades motoras e, após este 
estágio, já na fase de especialização, o treinador pode focar no desenvolvimento 
específi co para determinado esporte. A especialização deve acontecer 
posteriormente, com idade entre 14 a 16 anos, conforme o quadro a seguir.
Os treinamentos 
devem ser 
elaborados 
buscando facilitar 
o desenvolvimento 
das habilidades 
básicas de 
deslocamentos e o 
ótimo controle da 
bola.
Quadro 1 - Modalidades e respectivas idades por fase
Modalidade Esportiva
Idade para iniciar a prática 
do esporte
Idade para iniciar a 
especialização
Idade para Alta 
Performance
Basquetebol 10 - 12 14 - 16 22 - 28
Futebol 10 - 12 14 - 16 23 - 27
Handebol 10 - 12 14 - 16 22 - 28
Voleibol 10 - 12 15 - 16 22 - 26
Fonte: Adaptado de Bompa (2002).
O quadro 1 apresenta as divisões desde a iniciação até o alto nível e suas 
idades correspondentes. Estas idades são referências e não se aplicam a todos 
os casos. Agora que iniciamos no esporte, vamos perceber as fases que devemos 
respeitar, bem como seus aspectos e os cuidados para uma formação total e ideal.
21
Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados Capítulo 1 
Para saber mais, confi ra na federação da modalidade de seu 
estado, quais são as categorias e as devidas faixas etárias para os 
iniciantes e veja se existe relação com o que foi apresentado aqui em 
relação à iniciação esportiva. 
Fases do Desenvolvimento 
Esportivo
Autores do mundo todo propõem que os atletas devem respeitar as fases 
ou etapas de desenvolvimento de jogadores em longo prazo. Para os esportes 
coletivos, os principais autores sugerem diferentes possibilidades e que estão 
descritas no quadro a seguir, o qual trata das propostas de preparação desportiva 
em longo prazo, com diversos autores (CAFRUNI, 2002):
Quadro 2 - Sugestões de preparação desportiva a longo prazo
Harre (1982)
• Treinamento de Jovens Atletas* Iniciantes e Avançados*
• Treinamento Competitivo 
Weineck (1986)
• Treinamento das Esperanças* Iniciantes e Avançados*
• Treinamento de Alta Performance
Lima (1988) 
• Iniciação*
• Orientação*
• Especialização*
Matveiev (1991)
• Preparação de Base*
• Preparação Preliminar e Especialização Inicial*
• Máxima Concretização das Possibilidades Desportivas* 
• Pré-culminação*
• Resultados Máximos
• Longevidade Desportiva
• Conservação e Manutenção
Zakharov (1992)
• Preparação Preliminar*
• Especialização Inicial*
• Especialização Aprofundada*
• Resultados Superiores
• Manutenção dos Resultados
Marques (1993)
• Preparação Preliminar*
• Especialização Inicial*
• Especialização Aprofundada*
22
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Platonov (1994)
• Preparação Inicial*
• Preparação Preliminar de Base*
• Preparação Especializada de Base*
• Realização dos Máximos Resultados
• Manutenção dos Resultados
Fillin (1996)
• Preparação Preliminar*
• Especialização Desportiva Inicial*
• Aprofundamento do Treinamento*
• Aperfeiçoamento do Treinamento
Barbanti (1997)
• Preparação Básica*
• Preparação Específi ca*
• Preparação de Altos Rendimentos*
Martin (1999)
• Treino Geral*
• Treino Fundamental*
• Treino de Construção*
• Treino de Ligação*
Bompa (2000)
• Treinamento Generalizado*
• Iniciação e Formação Atlética*
• Treinamento Especializado*
• Especialização* e Alto Nível
* Etapas de formação 
Fonte: Adaptado de Cafruni (2002).
Para o nosso propósito, utilizaremos o modelo para os esportes 
coletivos sugerido por Greco (1997), composto por nove fases, 
caracterizadas por curtos períodos de duração, que comportam 
a aproximação com a evolução ontogenética (física), evitando-se 
a especialização precoce. As nove fases seguem um “tempo” em 
relação à idade do praticante e à duração, por isso são chamadas de 
Estrutura Temporal. Para o nosso propósito, apresentaremos apenas 
sete fases, uma vez que as duas últimas (8 - Recuperação/Readaptação e 9 
- Recreação e Saúde) estão relacionadas à atividade física após o término da 
carreira no esporte. As sete fases apresentam as seguintes propriedades:
a) Pré-Escolar: Inicia-se por volta de 2-3 anos e estende-se por um período de 
4-5anos. O processo de ensino-aprendizagem-treinamento caracteriza-se na 
unidade e complexidade do sistema de cognição-emoção-motivação. Deve-se 
utilizar atividades básicas de deslocamento, equilíbrio, acoplamento, esquema-
corporal, relação espaço-temporal entre outras, e, preferencialmente, ser 
apresentadas em formas jogadas, tipo jogo de imitação e perseguição 
(GRECO, 1997).
As nove fases 
seguem um “tempo” 
em relação à idade 
do praticante e à 
duração, por isso 
são chamadas de 
Estrutura Temporal.
23
Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados Capítulo 1 
b) Universal: Esta fase que se inicia por volta dos 5-6 anos, tem uma duração 
de 3 a 6 anos. Nesta fase o desenvolvimento do universo motor da criança 
deve ser explorado ao máximo. Deve-se promover as capacidades motoras 
e principalmente as coordenativas, as quais deverão formar uma ampla e 
variada gama de movimentações que ressaltam o aspecto lúdico. A chamada 
fase da Iniciação Esportiva Universal "é uma alternativa pedagógica importante 
para faixa etária entre os 4-6 anos aos 11-12 anos. O jogo como elemento 
didático pedagógico deverá ser oferecido conforme as características 
evolutivas da criança, especialmente no que se refere a sua maturidade e 
evolução coordenativo-cognitiva" (GRECO, 1997, p. 19). Nesta fase a criança 
já está apta a desenvolver os aspectos técnicos das modalidades, contudo 
sem a preocupação com a especialização, e sim com a variação global dos 
movimentos e aumento da bagagem motora. O fi nal desta fase, quando 
trabalhada de forma adequada, já permite a iniciação tática, por volta dos 10-
12 anos de idade (GRECO, 1997).
c) Orientação: Inicia-se por volta de 12-14 anos, tendo um tempo de duração 
de cerca de 2-4 anos. Devemos orientar a vivência das técnicas esportivas, 
ressaltando que "não se deve realizar um treinamento técnico e sim uma 
passagem pelas técnicas das diferentes disciplinas esportivas, vendo quais 
são as exigências de cada uma destas". A cobrança e a correção dos 
fundamentos deve ser dirigida somente a elementos "grossos", devendo 
priorizar a variação das técnicas. Jogos de iniciação, pré-desportivos, grandes 
jogos, jogos recreativos, etc., são indicados nesta fase. Uma consideração 
interessante está relacionada à grande importância dada ao conteúdo de 
informação teórica, assim como a forma de transmiti-la (GRECO, 1997). 
d) Direção: Inicia-se por volta dos 14 anos de idade e tem duração de cerca 
de 2 anos. Nesta fase, afunilam-se as vivências motoras, sendo indicada 
a escolha de uma ou duas modalidades para o aperfeiçoamento e a 
especialização técnica. É recomendado que o praticante participe de duas ou 
três modalidades complementares, encaminhando o atleta para a otimização 
do seu rendimento. Greco (1997) determina que a complexidade das ações 
continue aumentando, a formação de uma base cognitiva se jamais elaborada 
acerca da tática de jogo e haja otimização técnica do jovem praticante.
e) Especialização: Iniciando-se em torno dos 16 anos, a duração desta fase 
varia de 2 a 4 anos. Incide no incremento das técnicas para um esporte em 
especial. Deseja-se o aperfeiçoamento e a otimização do potencial físico, 
técnico e tático, visando ao emprego futuro no alto nível. A participação em 
competições aumenta consideravelmente e o praticante adquire o status de 
atleta (GRECO, 1997). 
24
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
f) Aproximação/Integração: Inicia-se por volta dos 18 anos de idade e 
estende-se durante 4-5 anos. Fase de grande importância, pois pode ou não 
transformar um praticante em um atleta preparado, uma vez que, conforme 
Greco (1997, p. 25), "aqui devemos pensar nos grandes talentos que só fi cam 
na promessa de ser grandes e que às vezes, ‘não chegaram’ por falta de uma 
adequada estrutura de treinamento". Nesta fase, junto com o aperfeiçoamento 
e otimização das capacidades técnicas, táticas e físicas, é importante 
aperfeiçoar as capacidades psíquicas e sociais. 
g) Alto Nível: Na fase adulta o objetivo está na estabilização, aprimoramento e 
domínio técnico-tático-psíquico-social que foram promovidos na fase anterior. 
Acontece um signifi cativo aumento das cargas de treinamento. Com relação 
ao volume/ intensidade/ densidade há uma direção do "processo para a meta 
de otimização dos processos cognitivos (em relação à situação esportista/ 
alto rendimento/ estilo de vida) e psicológicos (psicorregulação, motivação 
intrínseca)” (GRECO, 1997, p. 25).
A partir dessas defi nições, Greco (1997) desenvolveu um quadro que 
descreve as fases e níveis de rendimento esportivo de acordo com a duração 
e a relação com a idade e a frequência de treinamento do praticante. O quadro 
sugere que a evolução do atleta deve respeitar as fases e as características 
etárias. Propõe, ainda, que nas fases iniciais a frequência de treinamento deva 
ser menor (2 a 3 vezes por semana), enquanto nas fases mais aprimoradas a 
frequência chega a ser de 6 a 10 vezes por semana. Como segue:
25
Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados Capítulo 1 
Figura 3 - Fases e níveis do rendimento esportivo: duração e 
relação com a idade e a frequência de treinamento
Fonte: Greco (1997, p. 24).
Criação de um 
sistema de 
treinamento 
esportivo para o alto 
nível.
A Figura 3 pode servir de referência aos treinadores para a 
criação de um sistema de treinamento esportivo para o alto nível. 
Pode, também, auxiliar na seleção de talentos ;no planejamento dos 
treinamentos das equipes em relação à execução do treino, e, ainda, na 
avaliação dos atletas e na preparação para competições. 
Como se percebeu nesta parte do Caderno, devemos considerar as fases 
do desenvolvimento esportivo. Esses processo exige paciência e muito trabalho 
diário, por vários anos. Este é o assunto a seguir.
Treinamento em Longo Prazo (TLP)
Atualmente, muitos países têm os seus programas de desenvolvimento 
de talentos em longo prazo, por meio do Treinamento em Longo Prazo (TLP), 
baseados em federações específi cas ou em programas de governo. Em países 
como o Canadá, Inglaterra, Estados Unidos, Escócia e Austrália existem 
programas de desenvolvimento de atletas em longo prazo e são os chamados 
Long Term Athletes Development (LTAD) (Desenvolvimento de Atletas em Longo 
26
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Prazo). Mais do que um programa, é uma fi losofi a de evolução de atletas e de 
promoção de esportes na qual o treinador respeita as fases de desenvolvimento 
e as características etárias de seus atletas. Nesses países, o programa auxilia 
treinadores, fornecendo detalhes essenciais e que devem ser executados em 
treinamento, para que o iniciante possa atingir uma evolução no esporte. Na 
Austrália, por exemplo, o programa abrange iniciantes, compreendendo as faixas 
de idade de 12 a 21 anos e que não estão praticando o esporte em questão 
(MŰLLER, 2016).
Nos países citados, essas metodologia está sendo utilizada por várias 
instituições responsáveis pelo desenvolvimento do esporte, como a federação 
ou a confederação de esportes, como a natação e o tênis na Austrália; o rúgbi 
na Escócia e o futebol no Canadá, Inglaterra e Estados Unidos. O programa 
LTAD tem em sua essência o uso da atividade apropriada de acordo com a 
idade, a maturidade e a sua relação com a prática e a competição. Respeitando 
a idade cronológica, o modelo leva em consideração variáveis como o estado 
de maturidade e o impacto que isso pode ter em um grupo de jogadores com 
habilidades mistas. De acordo com Müller (2016), o modelo compreende:
• O desenvolvimento específi co de acordo com a idade;
• Aumento da oportunidade de prática com qualidade do esporte;
• Ir ao encontro das necessidades individuais;
• Programação sazonal;
• O planejamento de longo prazo, periodização;
• Demanda progressiva;
• Reconhecer as principais fases;
• Maximizar o potencial.
O programa LTAD tem uma relação com o modelo de desenvolvimentoem quatro aspectos, que são: físico, técnico, tático e social. Os três exemplos 
mostrados a seguir apoiam-se em uma descrição lógica de uma base adequada 
para o progresso das crianças que estão começando a experimentar LTAD.
a) Aquisição de competências - As fases são entrelaçadas assim:
• Desenvolvimento da técnica - dominar a bola;
• O desenvolvimento físico - movimento atlético;
• Execução efi caz e combinada da técnica correta, o movimento e a decisão 
ideal a ser tomada em cada situação;
• A transferência desses componentes efetivamente em jogos.
b) Para o treinador em um contexto de iniciação esportiva dois fatores a 
evitar são "Ansiedade e Tédio".
27
Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados Capítulo 1 
• A ansiedade pode ocorrer principalmente quando o treinador espera muito de 
jovens jogadores;
• Tédio pode ocorrer quando o treinador espera muito pouco.
c) As prioridades para os jogadores:
• Desfrutar de sua experiência no esporte e melhorar as suas técnicas;
• Desenvolver o seu movimento e descobrir os benefícios da aprendizagem.
Na Suíça foi desenvolvido um instrumento de seleção de talentos em nível 
nacional, chamado de PISTE, sendo:
• Prognósticos orientados com vistas ao desempenho futuro no nível de elite, 
em relação ao desempenho atual;
• Integração de vários fatores que são relevantes para o futuro desempenho;
• Sistematização e métodos padronizados;
• Treinadores, contando com treinadores (formadores) como a principal fonte 
de conhecimento;
• Evaluations, usando avaliação realizada por treinadores como um método 
efi caz de cálculo do desempenho.
Esse método inclui seis critérios de avaliação principais, e critérios 
subcomponentes, os quais estão classifi cados como mais ou menos importantes, 
de acordo com cada critério. Estes componentes e sua contribuição para um perfi l 
de seleção universal estão resumidos no Quadro 3 e no texto abaixo:
Quadro 3 - Critérios de avaliação para a seleção de jovens atletas suíços e uma 
estimativa de validade de prognóstico em termos de sucesso em performance em 
Critérios de
avaliação Subcritérios
Validade estimada 
de prognóstico
Métodos de avaliação 
recomendados
Performance em 
competições
Desempenho como atleta 
infantil
Desempenho como atleta 
juvenil
*
****
Resultados nas com-
petições, avaliação do 
treinador.
Resultados nas com-
petições, avaliação do 
treinador.
Testes de
Performance
Testes de desempenho 
para o esporte específi co
Testes de habilidades 
motoras gerais
****
*
Testes diretos, avaliação 
do treinador.
Testes diretos.
28
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Nota: Adaptações específi cas do esporte são necessárias para todos os critérios. Duas a 
três avaliações ('dinâmicas') devem ocorrer por ano. “Validade estimada de prognóstico” 
refere-se ao sucesso de atletas adultos em desempenho no esporte de elite. “Validade 
estimada de prognóstico” é baseada na literatura científi ca e em entrevistas com 
especialistas. (* Insufi ciente; ** Fraco; *** Médio; **** Bom; ***** Excelente).
Fonte: Fuchslocher, Romann e Gulbin (2013).
Desenvolvimento 
da performance
Competições e testes de 
desempenho
****
Desempenho nas 
competições, testes de 
desempenho ao longo do 
tempo.
Fatores
psicológicos
Alta motivação 
Lidando com a pressão
****
Avaliação do treinador, 
questionários.
Biografi a do 
atleta
Resiliência
Ambiente (pais, escola)
Biótipo e antropometria
Nível de esforço 
Tempo de treino (anos)
****
***
***
**
**
Avaliação do treinador, 
questionários.
Questionários.
Medidas corporais.
Questionários.
Questionários.
Desenvolvimento 
biológico
Maturação
Idade relativa
**
**
Medidas tamanho 
corporal.
Mês de nascimento.
O quadro mostra os critérios que infl uenciam de forma complexa 
o desenvolvimento de talentos. Nesses paradigma, acredita-se que a 
busca do desenvolvimento do talento é mais provável de ser alcançado 
por meio de um planejamento adequado e relacionado com a qualidade 
de treinamento, suporte técnico, estratégias de desenvolvimento 
individualizado, e a estratifi cação cuidadosa dos serviços de 
ciência esportiva e medicina esportiva. Em particular, a melhoria da 
probabilidade de se prever o potencial do indivíduo para atuar em 
alto rendimento no futuro exigirá uma avaliação cuidadosa de muitos 
elementos, incluindo o desenvolvimento biológico, as capacidades 
físicas, habilidades psicológicas, das quais o sucesso depende. 
Nós, treinadores, buscamos resultado e treinamos em busca 
do sucesso. Contudo, o sucesso não pode deixar de considerar 
aspectos fundamentais como a prática consciente e o respeito ao ser 
humano. Assim, apresentaremos agora um tópico muito importante: 
a especialização precoce, a qual devemos considerar quando trabalhamos com 
crianças, pois dependendo da nossa ânsia pelo sucesso, podemos queimar 
etapas no processo evolutivo e limitar o potencial de nossos atletas.
A busca do 
desenvolvimento 
do talento é mais 
provável de ser 
alcançado por meio 
de um planejamento 
adequado e 
relacionado com 
a qualidade de 
treinamento, suporte 
técnico, estratégias 
de desenvolvimento 
individualizado, 
e a estratifi cação 
cuidadosa dos 
serviços de ciência 
esportiva e medicina 
esportiva.
29
Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados Capítulo 1 
Especialização Precoce
A criança deve iniciar-se no esporte de maneira lúdica e divertida. 
Infelizmente, hoje, não se brinca nas ruas como outras gerações o faziam. 
A pelada de rua, um tanto esquecida pelas crianças, faz falta à iniciação, pois 
oferece inúmeras possibilidades no desenvolvimento de habilidades motoras e 
das capacidades físicas essenciais aos esportes. As experiências cinestésicas e 
sociais vividas sem compromissos na rua, parques ou mesmo dentro de casa, 
possibilitarão à criança desenvolver habilidades essenciais à prática da maioria 
dos esportes, universalizando, assim, o aprendiz para o esporte. 
A criança que brincar em diferentes tipos de terrenos (piso, grama, terra, 
madeira), com diferentes objetos (bolas, raquetes, tacos), em vários tamanhos 
e pesos, pratica jogos de pegar, saltar, rolar, ou, ainda, esportes com bola que 
usem as mãos, os pés, ou ambos, terão uma experiência variada e completa, 
essenciais a formação física e futura formação técnica para os esportes, além 
de levar a descontração e a criatividade dos jogos e brincadeiras de rua para o 
treinamento regular. Traduzindo esses fatores, na fase inicial desportiva, mais do 
que executar o gesto técnico perfeito, é necessário conhecer o maior número de 
movimentos e saber como aplicá-los nas situações vivenciadas posteriormente 
(GRECO et al., 1997).
Alguns autores (FILIN, 1996; BOMPA, 2000; COELHO, 2000) reconhecem 
que o alcance de altos resultados na idade infantil e juvenil não são garantia de 
resultados futuros e afi rmam que é mais provável ocorrer o contrário. Nagorni (apud 
BOMPA, 2000), em um estudo longitudinal realizado com atletas da antiga União 
Soviética, concluiu que os atletas que obtiveram suas melhores performances em 
categoria júnior realizaram uma especialização em idades muito baixas. Essas 
performances nunca foram repetidas quando eles se tornaram seniores (acima de 
18 anos), pois a maioria se retirou do esporte antes desta idade. Destes, apenas 
uma minoria estaria apta a melhorar a performance em idades superiores. Por 
outro lado, os atletas que se destacaram em categoria adultas no âmbito nacional 
e internacional nunca foram campeões nacionais quando menores. 
Uma vez que a criança não brinca mais na rua como 
antigamente, por questões de segurança e falta de locais adequados, 
qual seria a sua solução para este problema?
30
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
A preocupação em ensinar um esporte específi co em idades menores (5 aos 
12 anos) limita o desenvolvimento ideal do iniciante, pois as crianças não são por 
natureza especialistas; elas sãogeneralistas (KRÖGER, 2006). Bojikian (2002) 
vai além, quando afi rma que a especialização precoce tende a levar à formação 
de atletas sem chances de desenvolver todas as suas potencialidades e de obter 
um ótimo aperfeiçoamento técnico-tático. Ele comenta sobre a especialização. 
Usando o voleibol como exemplo, sendo este comentário aplicado em qualquer 
modalidade, ele escreve:: “a prática exclusiva do voleibol na infância, difi cilmente 
formará um acervo motor condizente com a prática de um voleibol de alto nível, em 
que situações problema complexas são constantes e exigem a atuação de atletas 
portadores de arsenais técnicos vastíssimos e de pronta utilização” (BOJIKIAN, 
2002, p. 123).
No treinamento de categorias iniciantes se percebe um exagero em relação 
ao treinamento precoce altamente especializado com atletas com o objetivo 
de sucesso imediato. Isso promove vitórias, mas sequelas irreversíveis, como 
expõem Ehret et al. (2002, p. 2):
A experiência prática mostra um quadro totalmente 
diferente. Por um lado existe uma elevação da 
performance, extremamente rápida e crescente, nas 
categorias iniciais, porém tão rápido quanto é esta 
ascensão, ocorre uma estagnação da performance, 
o mais tardar, na fase de transição para a categoria 
adulta. Um ótimo desenvolvimento da performance não 
é alcançado, e não raramente, por causa de problemas 
de motivação; jovens talentos encerram de forma 
abrupta a carreira esportiva.
A especialização precoce é desaconselhada, pois acarreta uma série 
de consequências negativas aos praticantes, como redução do repertório 
motor; aumento da incidência de lesões (BOMPA, 2000); prejuízos gerais ao 
desenvolvimento da criança (SEABRA; CATELA, 1998); manifestação de efeitos 
psicológicos negativos como o “burnout” (Queima de etapas) (WATTS, 2002); 
desmotivação (COELHO, 1988) e prejuízos à formação escolar (WEINECK, 
1999).
Em alguns casos, o ensino dos esportes segue o modelo utilizado em adultos 
e este processo de ensino-aprendizado-treinamento pode apresentar desarmonias 
de desenvolvimento, acompanhadas do abandono do esporte prematuramente. 
De acordo com Fillin e Volkov (1991), a preparação “forçada” do atleta quando 
jovem e a ascensão prematura às categorias superiores geralmente conduzem ao 
esgotamento físico e mental e ao abandono também prematuro do esporte.
31
Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados Capítulo 1 
A especialização precoce deve ser evitada, pois prejudica enormemente o 
desenvolvimento humano, além de causar estresse físico e mental à criança, que 
não dispõe, como os adultos, de condições de suportar tamanha exigência do 
treinamento de alto rendimento direcionado à perfeição técnica (GRECO, 1997). 
Há vários exemplos de “estrelas mirins” que nunca conseguiram atingir o 
alto rendimento, apesar do talento privilegiado. A causa dessas quebra pode ser 
explicada pelo complexo processo de aprendizado que deve respeitar inúmeros 
fatores, principalmente os de caráter genético e psicológico. A precocidade causa 
inúmeras desvantagens, pois apesar de resultados imediatos, não produz ou não 
leva a melhores resultados, ou aos níveis de rendimento superior no futuro. 
Em resumo, para as modalidades coletivas mais populares, até cerca dos 
12 anos, as crianças devem experimentar inúmeras situações diferenciadas 
em vários esportes e atividades, na busca pela aquisição de acervos motores 
preparatórios a serem utilizados posteriormente nas habilidades motoras 
específi cas para atuarem no esporte escolhido. Até os doze anos os fundamentos 
básicos dos esportes podem ser ensinados sem muitas exigências técnicas e com 
um grande número de repetições.
Agora, vamos defi nir e distinguir os jogos desportivos em relação aos 
esportes coletivos. 
Você já percebeu algumas estrelas mirins que não se tornaram 
atletas de rendimento?
O Jogo Desportivo Coletivo (JEC) e 
os Esportes Coletivos (EC)
Segundo o dicionário Michaelis (2009), Jogo signifi ca: Brincadeira, 
divertimento, folguedo e ou divertimento ou exercício de crianças, em 
que elas fazem prova da sua habilidade, destreza ou astúcia.
O jogo desportivo coletivo representa uma forma de atividade 
social organizada, uma forma específi ca de manifestação e de 
prática, com caráter lúdico e processual, do exercício físico, na qual 
os participantes (jogadores) estão agrupados em duas equipes numa 
Jogo signifi ca: 
Brincadeira, 
divertimento, 
folguedo e ou 
divertimento 
ou exercício de 
crianças, em que 
elas fazem prova 
da sua habilidade, 
destreza ou astúcia.
32
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
relação de adversidade típica não hostil (rivalidade desportiva) – 
relação determinada pela disputa por meio de luta com vista à obtenção 
da vitória desportiva, com a ajuda da bola (ou de outro objetivo 
de jogo), manobrada de acordo com as regras preestabelecidas 
(TEODORESCU, 2003, p. 23).
De acordo com o dicionário Michaelis (2009), Esporte signifi ca: 
Prática metódica de exercícios físicos, que consistem geralmente em 
jogos competitivos entre pessoas, ou grupos de pessoas, organizados 
em partidos; desporto. Existe por parte de vários autores e professores 
um confl ito de denominações entre Jogos e Esportes, sendo que estas defi nições 
se repetem ou se assemelham extremamente. Para o proposito deste Caderno de 
estudos, deveremos utilizar a denominação de Esportes Coletivos, uma vez que, 
como explica o dicionário, é uma “prática metódica e de caráter competitivo”.
Atividade de Estudos:
 1) Você consegue descrever dois exemplos de Jogos e dois 
exemplos de Esportes?
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
Esporte signifi ca: 
Prática metódica de 
exercícios físicos, 
que consistem 
geralmente em 
jogos competitivos 
entre pessoas, ou 
grupos de pessoas, 
organizados em 
partidos.
Como qualquer modalidade de esporte, o coletivo apresenta características 
que lhe são próprias. Segundo Bayer (1994 apud DAOLIO, 2002), todas as 
modalidades esportivas coletivas possuem seis características em comum, que 
permitem observar semelhanças nas estruturas dos jogos. São elas: a bola, um 
espaço de jogo, companheiros de equipe, adversários, as regras específi cas e o 
alvo ou meta a ser atacado. Dentre elas, a fundamental é a imprevisibilidade de 
ações que há na modalidade (GRECO,1995). Greco e Benda (1998) indicam os 
parâmetros que são comuns aos jogos esportivos coletivos, quais sejam:
a) A bola (velocidade, direção, altura, etc.); 
b) O espaço (local na quadra, áreas permitidas, 
33
Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados Capítulo 1 
proibidas, distribuição no campo); 
c) O objetivo do jogo (gol, ponto, etc.); 
d) O regulamento, com parâmetros, como: tempo 
de jogo, espaço de jogo ou delimitações do campo, 
número de jogadores, formas de jogar a bola (permitido 
e não permitido), características da bola, formas de 
comportamento perante o adversário, punições e 
penalidades; 
e) Colegas (posição, deslocamento, ação, função); 
f) Adversário (intenções táticas etc.); 
g) Público; 
h) A situação: este parâmetro é fundamental, pois as 
ações dos atletas mudam conforme a situação ambiental 
inter-relacionada com os objetivos do jogo (GRECO, 
1998, p.53).
Outras defi nições sobre esportes coletivos são relevantes, pois envolvem 
a estrutura técnica e tática, além do desenvolvimento e entendimento do EC. 
Reverdito e Scaglia (2007) descrevem que o esporte coletivo faz parte de um 
sistema caracterizado por fatores como: equilíbrio e desequilíbrio, ordem e 
desordem, organização e interação, imprevisibilidade e aleatoriedade, que, dentro 
do jogo, fazem com que uma equipe tente evitar a progressão dasações da 
adversária e vice-versa.
Em relação aos aspectos técnicos e táticos, Paes e Balbino (2009) apontam 
que os elementos técnico-táticos correspondem aos componentes estruturais 
do jogo, envolvendo movimentos, princípios táticos, estratégias de ensino e 
aprendizagem dos fundamentos básicos, os quais são defi nidos pelos autores, 
como domínio de bola, passe, domínio de corpo, fi nalização, drible, domínio 
espaço-temporal e ações táticas ofensivas, defensivas e de transição.
Outra característica dos EC está na relação do praticante com seu 
desenvolvimento socioafetivo. Galatti e Paes (2006) expõem que a prática desses 
tipos de jogos proporciona à criança noções de coletividade, companheirismo, 
relacionamento com jogadores da equipe e com adversários e, principalmente, que 
a habilidade individual se torna mais útil e importante se for aplicada em benefício 
do coletivo. Garganta (1995) destaca o desenvolvimento da cooperação, uma 
vez que esta é fundamental para jogadores de uma mesma equipe conquistarem 
seus objetivos, e da inteligência, já que as modalidades coletivas colocam 
seus praticantes em situações diferentes a cada momento, desenvolvendo a 
capacidade de interpretação e resolução de problemas durante o jogo.
Gonzalez (2004) expõe um sistema de classifi cação dos esportes 
desenvolvido de acordo com a interação ou não com o companheiro(s) e a relação 
de oposição com o adversário. As categorias estão assim apresentadas:
34
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
• Esportes individuais em que não há interação com o oponente: são 
atividades motoras em que a atuação do sujeito não é condicionada 
diretamente pela necessidade de colaboração do colega nem pela ação direta 
do oponente.
• Esportes coletivos em que não há interação com o oponente: são 
atividades que requerem a colaboração de dois ou mais atletas, mas que não 
implicam a interferência do adversário na atuação motora.
• Esportes individuais em que há interação com o oponente: são aqueles 
em que os sujeitos se enfrentam diretamente, tentando em cada ato alcançar 
os objetivos do jogo, evitando, concomitantemente, que o adversário o faça, 
porém sem a colaboração de um companheiro.
• Esportes coletivos em que há interação com o oponente: são atividades 
nas quais os sujeitos, colaborando com seus companheiros de equipe de 
forma combinada, enfrentam-se diretamente com a equipe adversária, 
tentando em cada ato atingir os objetivos do jogo, evitando, ao mesmo tempo, 
que os adversários o façam.
A partir dessas classifi cação, podemos caracterizar e exemplifi car os EC com 
e sem interação. Assim, o quadro abaixo nos mostra alguns exemplos de esportes 
com e sem interação com o adversário.
Quadro 4 - Classifi cação em função da relação de 
cooperação e oposição em esportes coletivos
Com interação com o adversário Sem interação com o adversário
Basquetebol
Futebol
Handebol
Voleibol
Ginástica rítmica (conjunto)
Nado sincronizado
Remo
Fonte: Gonzalez (2004).
A partir da classifi cação com ou sem interação, podemos, ainda, classifi car 
os JEC com interação e criarmos categorias dentro de cada esporte em relação 
a Invasão, Rede/Parede ou de Campo/Rebatida. A ideia está em agrupar as 
modalidades em função da semelhança dos princípios táticos básicos e da 
natureza dos problemas do jogo (ALMOND, 1986 apud GRIFFIN; MITCHELL; 
OSLIN, 1997).
35
Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados Capítulo 1 
Quadro 5 - Categorias dos JEC com interação
Invasão Rede/Parede Campo/Rebater
Basquetebol
Handebol
Polo Aquático
Futebol
Hóquei
Rúgbi
Futebol Americano
Voleibol
Badminton
Tênis
Tênis de Mesa
Squash
Beisebol
Softball
Críquete
Fonte: Almond (1986 apud GRIFFIN; MITCHELL; OSLIN, 1997).
As modalidades esportivas coletivas como o basquete, o vôlei ou o futsal, 
podem ser entendidas como um confronto entre duas equipes que se dispõem 
pelo terreno de jogo e se movimentam de forma particular, com o objetivo de 
vencer, alternando-se em situações de ataque e defesa (GARGANTA, 1998). 
Todos os EC possuem denominadores em comum, que são: um objeto esférico, 
geralmente uma bola, que pode ser lançada pelos jogadores com a mão ou com 
o pé, ou através de um instrumento; um terreno delimitado, maior ou menor, onde 
acontece o jogo; uma meta a atacar ou defender (baliza, cesta, por exemplo); 
companheiros de equipe, que impulsionam o avanço da bola; adversários, aos 
que há de vencer e regras, que se deve respeitar (BAYER, 1986). Os jogadores 
têm que se integrar e confrontar-se ativa e constantemente com todos esses 
componentes (HARRE apud TAVARES; FARIA, 1996). Moreno (1994) apresenta 
uma classifi cação em relação aos esportes de cooperação/oposição, na qual 
estão os Jogos Esportivos Coletivos. O autor divide os esportes em níveis de 
Espaço e Participação, levando em conta os Companheiros de equipe, Adversário 
e o Meio onde se joga a modalidade, conforme a fi gura a seguir.
36
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Figura 4 - Classifi cação dos esportes de cooperação/oposição
Fonte: Moreno (1994, p. 30).
Atividade de Estudos:
 1) A partir da Figura 4, classifi que o basquetebol e o vôlei em 
relação ao espaço e participação.
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
Bayer (1994) avalia os sistemas defensivos, ofensivos e de transição, quando 
diz que as principais características do sistema defensivo são: a) a proteção 
do próprio campo e do alvo, b) a recuperação da bola, e c) o impedimento da 
progressão dos adversários e da bola para o próprio alvo. Em relação ao sistema 
37
Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados Capítulo 1 
ofensivo, o autor descreve que este sistema tem como princípios básicos: a) a 
manutenção da posse de bola, b) a progressão dos companheiros e da bola em 
direção ao alvo adversário, e c) o ataque ao alvo adversário com o objetivo de 
fazer um ponto ou gol. Em relação ao sistema de transição, descrito como a união 
dos sistemas defensivo e ofensivo, observa-se que ocorre quando uma equipe 
perde a bola e passa a proteger seu alvo, impedindo a progressão dos jogadores 
adversários e tentando recuperar a posse da bola. Com a recuperação da bola, a 
equipe passa por uma transição de defensiva para ofensiva, progredindo para o 
campo adversário com o objetivo de conservar a posse da bola e marcar o ponto 
ou gol.
As ações de jogo realizam-se sempre em cooperação direta com os 
companheiros de equipe e em oposição aos adversários (TAVARES; FARIA, 
1996). Nessa situação de oposição e cooperação, surge o problema fundamental 
dos EC, de acordo com Gréhaigne e Guillon (1995): coordenar as ações com a 
fi nalidade de recuperar, conservar e fazer progredir a bola, tendo como objetivo 
criar situações de fi nalização e marcar gol ou ponto. A relação de oposição é 
estabelecida pelas situações de ataque e defesa. Cada princípio de ataque 
encontra oposição num princípio de defesa (Quadro 6).
Quadro 6 - Ações de ataque e defesa
Fonte: Gréhaigne e Guillon (1995).
38
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Atividade de Estudos:
 1) A partir do quadro acima, você consegue descrever quais são 
os momentos de ataque e defesa relacionados ao seu esporte?
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
As características e considerações de Ataque e Defesa serão discutidas 
posteriormente neste Caderno. Nesse momento apresentaremosa Tática 
como componente fundamental na preparação e direção de equipes e atletas, 
considerando também as particularidades de cada esporte coletivo.
Algumas ConsideraçÕes
Você percebeu, neste capítulo, que o talento esportivo é 
infl uenciado por vários fatores, internos e externos. Esses fatores 
contribuem ou prejudicam o iniciante. Você notou, também, que, 
para o iniciante ter uma carreira positiva e duradoura, é necessário 
um planejamento em longo prazo, de 8 a 10 anos de trabalho constante, com 
10 mil horas de prática para que este jogador tenha condições de atingir o alto 
rendimento. Você aprendeu, ainda, que a idade de iniciação para os esportes 
coletivos está entre os 10 e 12 anos e as fases de desenvolvimento devem ser 
respeitadas pelos treinadores para que a especialização precoce não limite e 
prejudique a evolução ideal dos jogadores.
Percebeu, igualmente, que os Esportes Coletivos têm características 
técnicas, táticas e socioafetivas e podem ser com ou sem interação com o 
adversário.
8 a 10 anos de 
trabalho constante, 
com 10 mil horas de 
prática.
39
Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados Capítulo 1 
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 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
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CAPÍTULO 2
O Funcionamento do Treinamento 
dos Esportes Coletivos
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivosde aprendizagem:
 Conhecer o funcionamento teórico e prático do treinamento para as modalidades 
esportivas relacionadas;
 Classifi car o funcionamento do treinamento aplicado aos esportes relacionados. 
44
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
45
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2 
ConteXtualização
O sucesso não vem por acaso. A expressão está relacionada ao trabalho 
árduo e correto com que muitos atletas, por meio de vários anos de prática, 
constroem as suas carreiras de sucesso. Para atingir o sucesso, muito trabalho 
deve ser considerado, mas este deve ser correto e planejado para que o sucesso 
venha como consequência e não por um acaso.
Muitas pessoas descrevem que o atleta tem o dom para praticar esportes 
com qualidade. Inegavelmente, o dom (ou o talento) é vital para a performance 
esportiva, contudo, o que realmente diferencia a equipe vencedora é o treinamento 
e as formas de trabalho que o treinador planejará. O planejamento, por meio da 
periodização, é a ferramenta encontrada para que a preparação física, técnica, 
tática e psicológica aconteça dentro de princípios, na busca de uma melhora em 
todos os aspectos de um atleta e de uma equipe. A periodização deve ser realizada 
para que esta evolução aconteça por princípios científi cos, e não por outros 
aspectos eventuais, e que todo o potencial do atleta e da equipe seja explorado 
em sua plenitude. Assim, este capítulo discute a importância e o funcionamento 
do treinamento para esportes coletivos.
A ImportÂncia da Prática Desportiva
A prática regular de esportes, por meio do treinamento em longo prazo, exerce 
papel fundamental no desenvolvimento e na formação, não apenas de atletas, 
mas também de cidadãos, pois conduzem à formação integral em seus aspectos 
físicos, sociais e emocionais. Mesquita (2005) descreve que o treinamento e a 
participação de competições esportivas auxiliam no desenvolvimento do indivíduo 
uma vez que:
• Faz parte do processo educativo e formativo da criança e contribui para o seu 
desenvolvimento integral;
• Promove a vivência de situações que conduzem a obtenção de valores 
essenciais do “saber ser” (autodisciplina, autocontrole, perseverança, 
humildade) e do “saber estar” (civismo, companheirismo, respeito mútuo, 
lealdade, etc.);
• Permite o desenvolvimento das capacidades e habilidades motoras do 
indivíduo, inerentes ao “saber fazer” (aquisição de uma bagagem motora 
ampliada, etc.);
• Contribui para o equilíbrio do indivíduo, pois permite a diminuição do estresse 
diário, comum à sociedade atual.
46
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Para que isso possa acontecer, o treinador deve proporcionar e considerar 
todos os fatores que interferem na formação do jogador e da equipe, por meio do 
treinamento coletivo regular e evolutivo. Bompa (2005) explica que as fases de 
aperfeiçoamento do treinamento técnico-tático dividem-se em 3 partes principais:
• Aperfeiçoamento dos elementos e componentes técnicos: no qual se 
busca o refi namento progressivo destes em todos os fundamentos de jogo, 
ajudando a construir a fase seguinte:
• Aperfeiçoamento do sistema (inclui todas as habilidades), que deve buscar 
se aproximar ao máximo dos padrões da competição;
• Estabilização e adaptação do sistema a diferentes características de jogo.
Em outras palavras, você deve treinar primeiramente a técnica, dos 
fundamentos simples aos mais complexos, buscando o aprimoramento 
técnico e a execução ideal. Posteriormente, você deve escolher e 
treinar o(s) sistema(s) de jogo, ataque e defesa e de acordo com os 
jogadores disponíveis, que irá utilizar para atingir o objetivo esperado 
e, por fi m, irá unir a técnica desejada com o sistema escolhido para 
cada circunstância do jogo ou de acordo com a ação do adversário.
O Treinamento Desportivo
A base do treinamento dos esportes coletivos segue os conceitos e princípios 
do treinamento desportivo (TD) e demanda um grande conhecimento 
dos aspectos científi cos relacionados a esta área. A organização do 
trabalho, seu planejamento e a sua periodização respeitam estes 
conceitos. O objetivo do treinamento esportivo nada mais é do que 
atingir o ápice do atleta ou da equipe no momento certo, ou seja, 
durante as competições principais. 
O treinamento desportivo tem várias defi nições. Para Dantas 
(2003, p. 28),
[...] é conjunto de procedimentos e meios utilizados para 
se conduzir um atleta a sua plenitude física, técnica e 
psicológica dentro de um planejamento racional, visando 
executar uma performance máxima num período 
determinado. 
Perez (2000) utiliza uma defi nição pedagógica do treinamento, quando 
escreve que é um processo composto por várias etapas, o qual se inicia sempre 
da mais simples para a mais complexa, até chegar à especialização, que visa à 
melhoria de algo, sendo essa uma característica nata dos seres humanos. Para 
Mantivéiev (1986, p. 32), 
Você deve treinar 
primeiramente a 
técnica.
E treinar o(s) 
sistema(s) de jogo.
E, por fi m, irá unir 
a técnica desejada 
com o sistema 
escolhido
O objetivo do 
treinamento 
esportivo nada mais 
é do que atingir 
o ápice do atleta 
ou da equipe no 
momento certo, 
ou seja, durante 
as competições 
principais.
47
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2 
[...] é a forma básica de preparação do atleta. É a 
preparação sistematicamente organizada por meio 
de exercícios que de fato constitui um processo 
pedagogicamente estruturado de condução de 
desenvolvimento do atleta [...].
Já para Carl (apud WEINECK 1999, p. 10), treinamento esportivo é defi nido 
como “o processo ativo complexo regular planifi cado e orientado para melhoria do 
aproveitamento e desempenho esportivo”.
Mais do que defi nir o TD, precisamos saber como utilizá-lo em benefício 
da equipe e dos jogadores. Assim, devemos entender os Princípios do TD e as 
suas aplicações em situações distintas, em treinamento e nas competições. Estas 
situações são de caráter altamente científi co, pois de acordo com Dantas (2003), 
os Princípios do TD são os aspectos cuja observância irá diferenciar o trabalho 
feito à base de ensaios-e-erros, do científi co. 
Já para Greco (2000), o alto nível de rendimento esportivo desejado é 
alcançado pelos atletas/equipes em situações de treinamento e competição 
como produto de uma série multifatorial e complexa de variáveis condicionantes, 
que atuam e interagem, tanto em conjunto quanto isoladamente. O processo de 
treinamento dirigido à obtenção e melhoria dos diferentes níveis de desempenho 
de uma equipe deve, portanto, contemplar um adequado planejamento, 
sistematização, estruturação, execução, regulação e controle científi co das 
diferentes habilidades e capacidades que constituem a modalidade em questão.
Diferente dos esportes individuais, o treinamento para equipes coletivas tem 
características únicas e que devem ser observadas quando do planejamento do 
treinamento. Weineck (1999) descreve que este planejamento para equipes deve 
compreender:
• Informações sobre o grupo e período de treinamento;
• Apresentação dos objetivos para cada competição;
• Objetivos intermediários a serem controlados após um determinado número 
de sessões de treinos ou período de tempo;
• Informações sobre a periodização e o seu acompanhamento;
• Difi culdades da formação esportiva caracterizada pela intensidade do estímulo 
e processos de ensino-aprendizagem;
• Procedimentos do treinamento principal e seus programas, métodos e 
organização.
Como já vimos as defi nições sobre o treinamento desportivo, agora, 
precisamos apresentar estas defi nições voltadas aos métodos e, mais ainda, aos 
esportes coletivos.
48
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Métodos de Treinamento Desportivo 
para Modalidades Coletivas
Métodos são modelos que você pode utilizar na organização e execução 
do seu treinamento e interferem no sucessoda equipe. Para Gonzalez e 
Fernsterseifer (2005, p. 274), método de ensino refere-se “[...] aos procedimentos 
para atingir um objetivo na ação educativa”. De acordo com Bompa (2005), 
o método é o processo de criação de modelos de treinamento a ser usado e 
deve levar em conta as características de sua equipe, objetivos e adversários. 
Outro fator determinante diz respeito ao planejamento ou programação, utilizado 
para atingir seus objetivos de resultados em curto, médio e longo prazo. No 
planejamento devem estar os objetivos técnicos, táticos, físicos e psicológicos 
para os seus jogadores e a equipe como um todo. Esse planejamento é chamado 
de periodização e deve ser preparada com antecedência, no início da temporada 
e com objetivos determinados para o ano todo.
 O método escolhido ou desenvolvido deve ter sempre o conceito 
de ensino-aprendizagem para os esportes coletivos, ou seja, ensinar 
e aprender os aspectos técnicos, táticos, físicos e psicológicos do 
esporte, mas, indo muito além, quando desenvolve a criatividade, a 
motivação, o entendimento do jogo e a autonomia do jogador. Para 
que isso aconteça, devemos seguir um método didático-pedagógico 
(alguns métodos serão apresentados a seguir) de valorização do atleta 
e o desenvolvimento de suas competências. Garganta (2000, p. 55) 
descreve “as competências que transcendam a execução propriamente dita e se 
centrem na assimilação de ações e princípios do jogo”. 
Os métodos a serem utilizados na preparação das equipes devem levar em 
consideração as características de cada esporte e, ainda, as características dos 
esportes em grupo ou coletivos. De acordo com Casagrande e Campos (2014), as 
principais características são: 
a os esportes coletivos se caracterizam pela interação entre companheiros de 
time e adversário, marcado pela imprevisibilidade das ações no momento do 
jogo; 
b) os treinamentos de esportes coletivos devem ter características peculiares da 
realidade do jogo; 
c) o professor e/ou técnico deve possuir um referencial metodológico; 
d) não há um único método de ensino efi caz que sobreponha a outro método; 
e) uma metodologia efi caz é aquela que conjuga uma somatória de métodos de 
ensino. 
Esse planejamento 
é chamado de 
periodização e deve 
ser preparada com 
antecedência, no 
início da temporada 
e com objetivos 
determinados para o 
ano todo.
49
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2 
A partir desta discussão, podemos sugerir métodos nos quais estas 
características devem ser consideradas e que possam auxiliar-nos na montagem 
do programa de treinos. A seguir, vermos os modelos mais comuns e utilizados 
nos esportes coletivos.
a) Modelo de Simulação (BOMPA, 2005)
Como o nome já diz, o método reproduz ou imita em treinamento situações 
reais que são encontradas durante o jogo com o objetivo de aprimorar o potencial 
da equipe. Existem alguns modelos de simulação:
• Simulação tática da equipe – Considera aspectos táticos da equipe, tanto para 
o ataque quanto para a defesa. Ex.: Sistema tático de recepção de saque nas 
seis posições do voleibol;
• Simulação da cooperação de dois ou mais jogadores – Esquemas táticos 
considerando a relação entre os jogadores. Ex.: Jogada combinada de ataque 
a partir do escanteio no futebol;
• Simulação das ações táticas individuais – Específi cas da posição e das 
exigências da função do jogador dentro do modelo da equipe ou daqueles que 
têm grande liberdade para atuar na partida. Ex.: Escolha do tipo de saque no 
voleibol;
• Simulação das habilidades técnicas – Usadas pelos jogadores dentro de um 
determinado esquema e situação de jogo. Ex.: Passe por trás do corpo no 
handebol;
• Simulação das qualidades físicas – Necessárias para aplicação tática ou 
técnica no jogo. Ex.: Salto de rebote no basquetebol;
• Simulação dos sinais – Usados durante a partida para combinar ou alterar 
uma jogada tática pré-determinada. Ex.: Símbolo utilizado pelo armador para 
combinar a jogada a ser utilizada em um ataque no basquetebol.
Se você quiser conhecer mais sobre periodização no treinamento 
desportivo, leia estes livros sobre o assunto:
DANTAS, E. H. M. A prática da preparação física. 5. ed. Rio 
de Janeiro: Shape, 2003.
GOMES, Antonio Carlos. Treinamento Desportivo: 
Estruturação e Periodização. Porto Alegre: Artmed, 2009.
50
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Lembrando que o objetivo do modelo de simulação é defi nir os esquemas 
técnicos e táticos específi cos a serem usados pela equipe, treiná-los arduamente 
e padronizá-los para, então, utilizar em determinados momentos da partida, 
aumentando, assim, a efi cácia dos jogadores e a efi ciência da equipe.
b) Modelo de Jogo (BOMPA, 2005)
O modelo de jogo é a base do programa global da equipe, sendo o mais 
utilizado e importante para o sucesso da equipe, uma vez que determina 
“como” a equipe irá atuar. Este modelo incorpora todas as teorias e métodos 
de treinamento aplicados por você durante o ano todo nos aspectos técnicos, 
táticos, físicos e psicológicos. No Quadro 7, a seguir, Bompa (2005) apresenta a 
sequência do modelo de jogo que você irá utilizar na criação do seu planejamento 
de treinamentos e preparação para as competições:
Quadro 7 - O Modelo de Jogo (de cima para baixo)
• Modelo de jogo integrado
• Objetivos de performance
• Modelo de jogo: formações/posições
• Modelo Tático:
− Ataque: - Sistemas a serem empregados
 Contra-ataques
 Ataques posicionais
 Flexibilidade em adaptar o modelo ao sistema de jogo da equipe adversária
− Defesa: - sistemas a serem empregados
 Contra-ataque intervalos rápidos
 Contra-ataques posicionais
 Situações de jogo especiais
• Modelo Técnico
− Habilidades necessárias para aplicar o modelo tático
− Habilidades predominantes usadas:
− No ataque
− Na defesa
• Estabeleça o modelo da exigência física do jogo:
− Modelo da própria equipe
− Modelo da equipe adversária
51
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2 
• Estabeleça o modelo do ambiente social do jogo:
− Público hostil
− Estratégias de intimidação usadas pela equipe local
• Modele o conhecimento teórico dos jogadores:
− Tática da equipe
− Habilidades psicológicas a serem usadas durante o jogo
• Modelo do ambiente do jogo:
− Fatores adversos
− Condições de jogo, instalações, equipamentos
• Modele a organização e as condições de jogo esperadas
− Horário do jogo
− Qualidade da arbitragem
• Monitoramento/análise
• Avalie o modelo de jogo
Fonte: Adaptado de Bompa (2005).
Além de contribuir para o planejamento e preparação para os jogos, este 
quadro pode servir como uma linha de atuação na qual, a partir do nível dos 
jogadores e dos resultados anteriores, você pode determinar quais os objetivos de 
performance reais e possíveis sua equipe pode alcançar. O quadro também pode 
ser usado na construção de um padrão de jogo e segue a lógica da evolução dos 
aspectos relacionados à técnica, à tática, à preparação física e psicológica.
Este modelo deve determinar quais são os objetivos de performance de sua 
equipe. Objetivos que devem desafi ar os jogadores a fazer o máximo para atingir 
os objetivos mais difíceis. O modelo deve respeitar e considerar a qualidade dos 
jogadores para cada posição, o sistema de jogo a ser utilizado, os subsistemas 
(defesa, ataque, contra-ataque, etc.), e, assim, modelar o treinamento dos 
aspectos técnicos e táticos (BOMPA, 2005). 
Muitos treinadores utilizam o processo de ensino-aprendizagem em que 
tudo se integra no conceito de “aprender jogando”, ou seja, aprender pela ação 
de jogar (GRECO, 2012). Nesse caso, o professor e/ou técnico deverá sempre 
ter esclarecido o fato de que as ações pedagógicas realizadas deverão estar 
próximas ao movimento técnico, tático e estratégico do jogo, ou seja, as ações 
treinadas devem ser desenvolvidas similarmente às desenvolvidas no momento 
do jogo. 
52
 Treinamento Aplicadoaos Esportes Coletivos
c) Modelo de Equipe (BOMPA, 2005)
 Neste modelo, você prepara a sua equipe dentro de uma estrutura que 
respeita os seguintes passos:
• Estruturar a equipe de modo funcional e exemplar, composta por seus 
melhores jogadores, com a maior efi cácia possível;
• Prever quais as alterações podem ser feitas durante a partida de acordo com 
a situação particular do momento do jogo. Para maior efi ciência, as alterações 
devem ser bem treinadas e não adaptadas, de caráter experimental ou de 
improviso;
• Defi nir as posições de cada jogador e suas funções de ataque ou defesa, com 
duas ou três variantes para cada posição ou situação;
• Decidir qual o sistema de jogo será utilizado e suas combinações de acordo 
com o momento e situação do jogo;
• Selecionar e preparar os jogadores reservas para cada posição ou função na 
equipe ou situação do jogo;
• Decidir as responsabilidades táticas para cada posição e jogador;
• Defi nir quais as estratégias de colaboração entre os jogadores.
Devemos perceber que cada um dos tópicos citados devem ser treinados de 
forma exaustiva e consciente para que os objetivos sejam alcançados. Lembrando 
que estas sugestões têm relação com o planejamento do treinamento em longo 
prazo e não de resultado imediato.
d) Modelo Tático (BOMPA, 2005)
O modelo tático é tão importante quanto os modelos físicos e técnicos, e deve 
ser baseado nas habilidades e capacidades técnicas e táticas dos seus jogadores. 
Podemos considerar que para realizar uma técnica precisamos da condição física 
e para escolher qual decisão tomar devemos construir a nossa ação tática. 
As modalidades coletivas proporcionam situações diversas e imprevistas, 
sendo esta uma de suas características mais importantes, e deixa o esporte 
ainda mais atraente, uma vez que cada ação é única e variada. Por outro lado, 
Garganta (1998) afi rma existir os possíveis previsíveis, o que justifi ca e dá sentido 
aos processos de preparação e treinamento. De acordo com Greco (1998), os 
possíveis previsíveis passam pela capacidade de recepção de informações, pela 
capacidade de armazenamento de informações e a capacidade de elaboração 
de informações, por isso, o termo utilizado por Garganta (1998) signifi ca criar 
e automatizar uma série de situações e vivências motoras que facilitarão as 
tomadas de decisão e de ação motora.
53
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2 
Bompa (2005) sugere que o modelo tático deve considerar os elementos de 
ataque e de defesa. Os elementos a considerar:
Para o Ataque:
• Formas e princípios que são a base do sistema de jogo e a sua aplicação no 
plano de jogo e suas variáveis;
• Cooperação entre os jogadores/posições/setores, com ou sem bola;
• Promoção do jogo efi ciente pelos responsáveis táticos da equipe, como os 
armadores ou levantadores e suas escolhas em relação ao melhor atacante 
nas melhores posições ou situações para fazer o ponto/gol;
• Desenvolvimento do jogo de quem está com a bola e também a movimentação 
dos outros jogadores para uma fi nalização efi ciente;
• Toda a ação ofensiva deve ser acompanhada e apoiada pelos outros jogadores 
da equipe;
• Tempo sufi ciente para treinar os atacantes mais efi cientes e as possíveis 
combinações com maior probabilidade de sucesso;
• Caso a combinação não dê certo, quais as alternativas;
• Empregar ritmos diferentes de jogo, todos devidamente treinados;
• Respeitar e seguir uma combinação até o fi m e com a participação de todos;
• Aumentar o tempo de posse de bola (futsal, handebol), quanto maior o 
tempo de posse da bola maiores as chances de combinações de ataque e, 
consequentemente, de pontuação.
Para a Defesa:
• Táticas e sistemas de jogo e suas variantes para a defesa;
• Cooperação entre os jogadores por posição/função;
• Elementos táticos individuais para neutralizar o ataque adversário. Marcação 
especial aos principais jogadores ou aos responsáveis pela armação;
• Elementos técnicos e táticos usados na estratégia de defesa, como marcação 
individual, por zona, pressão, etc.;
• Dar valor a defesa tanto quanto ao ataque (coisa difícil de ser percebida por 
alguns jogadores).
e) Modelo de Treinamento (BOMPA, 2005)
 De acordo com Bompa (2005), o modelo de treinamento deve ser um guia 
baseado no modelo de jogo (Quadro 6). Este guia é o modelo geral que você irá 
seguir e ditar as regras do treinamento de sua equipe. O autor sugere que, a partir 
do Quadro 1 (Capítulo 1), você decida o modelo da equipe para, então, analisar 
54
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
os componentes do treinamento, utilizando o Quadro 8, a seguir. O 
Quadro deve ser organizado de forma que no lado esquerdo você 
coloque os objetivos do treinamento para, então, resultar no programa 
e elaboração do treino. Do lado direito, você coloca os métodos e os 
recursos de que necessita para executar o modelo. 
Quadro 8 - Modelo de treinamento desenvolvido de acordo com o modelo de jogo
Modelo de Treinamento 
• Objetivos do treinamento
• Programas de treinamento – para a equipe e 
para cada jogador
• Métodos de treinamento
• Métodos de implementação
• Recursos
• Treinamento tático:
• Modelos/sistemas
• Ações individuais
• Combinações de dois ou mais jogadores
• Táticas da equipe: princípios de circulação 
da bola e dos jogadores
• Aprender a corrigir e aperfeiçoar as habilida-
des/manobras táticas
• Habilidades táticas individuais
• Tática de equipe
• Modelos para:
− Distribuição uniforme de energia para toda a 
partida
− Início rápido/agressivo
− Final de jogo forte
• Treinamento técnico:
• Habilidades básicas
• Habilidades especifi cas da posição
• Habilidades que visam os objetivos táticos
• Aprender a corrigir/aperfeiçoar as habilida-
des
• Seleções das habilidades a serem usadas no 
treinamento tático
• Habilidades especifi cas da posição
• Habilidades de acordo com o potencial físico 
dos jogadores
• Habilidades complexas a serem usadas em 
táticas de equipe
• Treinamento físico:
• Capacidades físicas, sistemas energéticos, 
velocidade, potência e agilidade
• Desenvolvimento específi co para a posição
• Exigido pelos modelos técnicos e táticos
• Treinamento físico para uniformizar o potencial 
funcional dos jogadores
• Treinamento específi co para cada posição
• Sistemas de energia: rotinas específi cas para 
cada sistema
• Treinamento físico para se encaixar ao modelo 
tático
• Treinamento por meio de brincadeiras/pro-
blemas:
• Modelo tático
• Habilidades táticas/submodelos
• Experiência de jogo
• Ataque/defesa
• Transição
• Situações especiais de jogo
• Flexibilidade para mudar de modelo
• Brincadeiras durante o treino
• Jogos amistosos
• Jogos ofi ciais
• Coletivos 
Modelos de 
treinamento onde 
você utiliza o tipo 
de treinamento da 
coluna esquerda, 
com o método 
sugerido a direita.
55
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2 
• Psicológico/teórico:
• Combatividade, motivação, tolerância à dor 
e ao cansaço, concentração, visualização, 
compreensão técnica das táticas do time
• Modelo do estado emocional específi co do jogo
• Rotinas para tolerar a dor e o cansaço
• Rotinas de alta intensidade sob condições de 
alta fadiga
• Concentração máxima em toda a duração do 
treino, especialmente no fi nal
• Avaliar a efi cácia do modelo
• Melhorar o modelo
• Testar/monitorar
• O jogo valida o modelo
Fonte: Adaptado de Bompa (2005).
Para melhor entender o Quadro 8, vamos a um exemplo:
1. Na coluna da esquerda, pegue o treinamento tático, liste os modelos táticos, 
sistemas e suas combinações que serão usadas em sua equipe.
2. Na coluna da direita, especifi que os métodos a serem aplicados para atingir os 
seus objetivos táticos, levando em conta desde os elementos do treinamento 
tático da equipe até o perfi l fi siológico do jogo, como ter uma distribuição 
uniforme de energia durante o jogo ou treinar a equipe para estar apta a 
aplicar um começo agressivo e um fortefi nal de jogo. 
3. Esses dois aspectos do modelo de treinamento devem especifi car as 
habilidades técnicas correspondentes necessárias para alcançar o modelo 
tático (sistema de jogo de ataque ou de defesa), as quais devem ser 
específi cas para cada posição e relacionadas com o potencial físico de cada 
jogador (combinações/jogadas individuais e coletivas).
f) Modelo de Capacidade Física
Nesta hora, os componentes relacionados ao treinamento físico devem ser 
treinados de acordo com os sistemas de energia exigidos pelo modelo tático e 
o plano de jogo. Lembrando que todo treino técnico ou tático é também físico, 
portanto, as rotinas e os exercícios escolhidos devem considerar as capacidades 
físicas imprescindíveis ao esporte especifi co, além das características físicas de 
cada jogador e a sua função no jogo por posição.
O modelo de capacidade física deve considerar:
• A compleição física, as particularidades do desenvolvimento físico do jogador;
• A demanda fi siológica, os sistemas de energia e as habilidades motoras 
exigidas para a execução do modelo de jogo e os sistemas táticos escolhidos;
56
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
• As capacidades físicas devem ser treinadas de acordo com as características 
do desporto e de cada posição;
• Quando decidido o sistema de jogo, o modelo de capacidade física deve 
ser treinado antecipa e arduamente para que dê suporte físico aos modelos 
escolhidos.
Todos os modelos vistos aqui são de extrema importância, mas nada é mais 
importante do que a infl uência e conhecimento do treinador. O bom treinador 
saberá distinguir os métodos e utilizar quais são os que mais podem ser úteis 
dentro da realidade de cada equipe ou partida. Assim, veremos a seguir algumas 
considerações para a boa formação e atuação do treinador.
O Treinador Esportivo
O treinador é responsável pela organização dos treinos de 
sua equipe. Esta organização demanda conhecimento e aplicação 
sistemática dos princípios do treinamento desportivo e dos processos 
de ensino-aprendizagem na busca de resultados positivos. O 
planejamento dos treinos segue um processo longo e metódico, em 
que cada treino é uma fatia do planejamento maior. Cada treino deve 
servir na evolução metódica e ordenada da equipe nos aspectos 
técnicos, táticos, físicos ou psicológicos, e não algo desconectado do 
objetivo maior. 
O processo depende de uma relação de cumplicidade de quem 
ensina (treinador) com quem aprende (jogador), consubstanciada na matéria 
de treino (conteúdo da prática). Assim, cabe ao treinador organizar e dirigir o 
treino por meio da aplicação de situações permanentes e variadas de ensino-
aprendizagem, entendendo que:
• A difi culdade de aprendizagem do jogador pode estar relacionada com a forma 
como o treinador ensina ou com os exercícios que seleciona;
• Os jogadores são diferentes e têm os próprios ritmos de aprendizagem e 
talentos;
• As características e especifi cidades de cada faixa etária devem estar 
presentes;
• O bom treinamento também deve considerar o desenvolvimento consciente e 
criativo do jogador, fomentando a autonomia e a responsabilidade individual e 
coletiva (MESQUITA, 2005).
O treinador exerce uma infl uência muito importante em todas as fases da 
formação de atletas. Essa importância é ainda maior nas idades iniciais. Quanto 
Demanda 
conhecimento 
e aplicação 
sistemática dos 
princípios do 
treinamento 
desportivo e 
dos processos 
de ensino-
aprendizagem na 
busca de resultados 
positivos.
57
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2 
mais novo é o atleta, mais importância e infl uência o treinador exerce. Mais do 
que buscar resultados, o treinador tem uma outra função, bem mais profunda e às 
vezes desvalorizada, mas acima de tudo ele(a) é um educador, pessoa importante 
na formação da personalidade e do caráter de seus pupilos, tanto esportiva quanto 
de cidadania, e suas atitudes refl etem em seus atletas (COSTA, 2003). 
Portanto, é de sua responsabilidade encorajar os novos jogadores e fazer 
com que cada um deles, dentro do princípio da individualidade, desenvolva um 
processo evolutivo gradual. Para isso, o treinador deve ter conhecimento das 
particularidades de cada fase. Cardinal (1995, p. 85) resume:
O sucesso em alto nível demanda um grande número 
de repetições concretas de um gesto técnico/tático, 
supervisionadas pelo treinador. Para se alcançar um 
nível de performance elevado, o atleta sofre a infl uência 
direta do treinador.
Uma condição para que o iniciante se torne um jogador completo depende 
essencialmente do fator motivacional. A motivação do iniciante pode aumentar 
ainda mais pela intervenção correta do treinador. Por meio de atividades 
interessantes e estímulos, o treinador deve oportunizar a todos os iniciantes a 
condição de aprender corretamente uma técnica, de evoluir fi sicamente e de 
entender o jogo taticamente para, então, poder atingir seu potencial total. 
A evolução do jogador deve ser oportunizada pelo treinador. Muitos 
jogadores talentosos não alcançam o alto rendimento pois não tiveram o seu 
potencial explorado totalmente por treinadores limitadores. O treinador deve servir 
de plataforma de lançamento para o futuro jogador. A “base de lançamento” deve 
servir para a preparação de uma carreira em que o lançamento será estudado 
e correto, durante os anos anteriores, para, então, proporcionar uma carreira 
vencedora. O treinador deve dar a oportunidade ao iniciante de conhecer as 
técnicas ideais, de ser orientado em como enfrentar situações decorrentes do jogo, 
de buscar atingir as capacidades físicas para os esportes, tudo isso dentro de um 
ambiente de treinamento e relacionamento respeitável e motivador, oportunizando 
uma carreira ao seu atleta. 
A vontade de vencer sempre será fonte motivadora que auxilia as crianças e 
jovens a desenvolverem-se física, psicológica e socialmente, sendo este o objetivo 
fundamental e vital da iniciação desportiva, e que deve ser usado na promoção da 
alegria, no desenvolvimento das habilidades necessárias, sem os estresses de 
vencer sempre e a qualquer custo. 
Alguns detalhes devem ser levados em consideração na iniciação esportiva:
58
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
• Para crianças, antes dos 10 anos, os esportes não são coletivos. Nesta idade 
não se joga o esporte, e sim tentativas de execução de algumas técnicas 
do jogo. Para tanto, as crianças em idades inferiores aos 10 anos devem 
unicamente ter contato com a bola de forma individual, para adquirirem 
um relacionamento de confi ança e de conforto com ela. Nesta idade, as 
crianças devem jogar para aprender e gostar do esporte, sem objetivos 
táticos ou técnicos. Assim, devem participar de jogos pré-desportivos ao jogo 
propriamente dito.
• Assim como na educação moderna e transformadora, treinadores devem 
entender que o processo de ensino-aprendizagem acontece tendo o aluno/
atleta no centro deste processo e não o professor/treinador. Isso quer dizer 
que o atleta deve ter sempre o respeito, a paciência e ser constantemente 
estimulado na sua criatividade e na busca da confi ança necessária.
O desenvolvimento das qualidades técnicas necessárias à 
formação ideal deve ser realizado de forma desafi adora e divertida. A 
competição causa estresse e deve ser evitada em troca da diversidade 
de movimentos. A ideia é que a referida prática – sem compromisso com 
a exatidão da performance motora e sem a presença dos mecanismos 
de pressão inerentes à competição – possibilite à criança a aquisição 
dos mecanismos e o desenvolvimento das capacidades coordenativas 
inerentes a cada uma das modalidades praticadas (BOJIKIAN, 2002). Esta 
perspectiva de evolução deverá ser fator que domina a formação inicial, sendo 
feita de forma positiva, eliminando qualquer interferência negativa ou frustrante.
Treinadores devem guiar os seus atletas com objetivos em longo prazo. 
Muitos treinadores não estãocientes do principal objetivo do desporto juvenil e 
da importância de dar condições favoráveis necessárias aos atletas de atingirem 
o nível internacional (FILLIN,1996). Situações nas quais o refi namento técnico, 
tático ou físico na preparação e formação dos jogadores têm importância relevante 
desde que não se exagere no fator da “obrigação”, e sim promovam a atividade 
de caráter estimulante, de modo que o desenvolvimento dos atletas seja positivo 
e interessante.
A iniciação desportiva deve acontecer de um modo simples. O 
nível de exigência deve ser compatível com o nível de capacidade 
inicial do atleta. Os treinadores devem promover a iniciação seguindo 
conceitos recreativos, para que a seja prazerosa, deixando o voleibol 
muito mais divertido e atraente de ser praticado. Suvorov e Grishin 
(1990) sugerem que a fi nalidade essencial na iniciação desportiva para crianças 
é adaptar gradualmente o nível de exigência em determinada técnica do esporte, 
de acordo com a capacidade individual e, principalmente, de acordo com as 
O desenvolvimento 
das qualidades 
técnicas necessárias 
à formação 
ideal deve ser 
realizado de forma 
desafi adora e 
divertida.
O nível de exigência 
deve ser compatível 
com o nível de 
capacidade inicial do 
atleta.
59
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2 
idades apropriadas. O desenvolvimento e a evolução dos jogadores devem ser 
guiados por meio de um entendimento das fases naturais de evolução. Para isso, 
o treinador deve fazer uso da formação lúdica e a utilização de pequenos jogos, 
como meios de educação esportiva relativamente simples e que podem auxiliar o 
ensino esportivo na execução de suas missões instrutivas e educativas pela sua 
força atrativa e sua complexidade psicomotora.
Treinadores têm a oportunidade de criar e desenvolver sistemas de jogo de 
acordo com as qualidades e limitações de seus jogadores. A dúvida é como os 
jogadores devem ser adaptados ao sistema escolhido ou qual sistema escolher 
de acordo com as características da equipe. Alguns treinadores utilizam um 
sistema específi co porque é este o mais utilizado em equipes de alto nível, ou pela 
seleção nacional. Contudo, o treinador deve considerar e comparar a qualidade 
dos jogadores que possui. 
Talvez o grande desafi o em transformar uma equipe regular em uma equipe 
vencedora seja a criatividade e habilidade do treinador em explorar e adaptar os 
sistemas de jogo disponíveis ao nível real dos jogadores de que dispõe.
a) As funções principais do treinador
A importância do treinador na vida de seus atletas é gigantesca. 
Geralmente, as crianças e adolescentes no esporte veem seus 
treinadores com profunda admiração e carinho, respeitando e seguindo 
suas instruções e orientações. Mesmo sem se dar conta disso, alguns 
treinadores estão diariamente em contato com seus atletas, por oito, 
dez ou mais anos de vida, normalmente no período de formação física, 
humana e cidadã de crianças e adolescentes. O processo causa um 
impacto enorme, uma vez que o contato entre ambos se torna algo mais 
profundo do que um simples trabalho de formação. O envolvimento de 
ambos atinge um status de convivência no grau de importância familiar. 
Não raramente, os treinadores fazem a “função” de pais ou professores, 
alguns até estão em maior contato com seus atletas do que os próprios pais. Os 
professores regulares têm a mesma importância social e tendem a ter este tipo 
de contato longo, mas difi cilmente ultrapassam dois ou três anos com o mesmo 
aluno. Dessa feita, é conselho que os treinadores usem desta qualidade na busca 
da formação ideal de seus atletas, para o esporte ou não. Para isso, alguns 
aspectos de relacionamento humano e no desenvolvimento da personalidade 
estão divididos em pontos fundamentais. 
Sendo a evolução um processo extremamente individual, o treinador deve 
perceber as difi culdades que cada jogador está enfrentando para, então, ajustar 
Talvez o grande 
desafi o em 
transformar uma 
equipe regular 
em uma equipe 
vencedora seja 
a criatividade e 
habilidade do 
treinador em 
explorar e adaptar 
os sistemas de jogo 
disponíveis ao nível 
real dos jogadores 
de que dispõe.
60
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
este processo de aprendizagem do esporte de forma apropriada, de acordo com 
as características do esporte e a velocidade evolutiva de cada pessoa. Para um 
melhor auxílio no desenvolvimento completo dos jogadores, o treinador deve:
• Auxiliar os jogadores na preparação mental, auxiliando na performance 
durante os jogos e treinos;
• Controlar e ajustar as exigências técnicas, táticas e físicas, com o 
desenvolvimento psicológico;
• Desenvolver métodos para o controle emocional dos atletas;
• Promover o programa esportivo, estimulando a participação de todos, dentro 
dos princípios de amizade, respeito e ética;
• Fazer uso de métodos motivadores, ao invés de métodos monótonos e 
estressantes, até mesmo para os adultos;
• Criar uma atmosfera positiva entre todos os componentes da equipe, 
buscando os resultados desejados.
Você pode acessar o Manual do Treinador de Voleibol da 
Federação Internacional de Volleyball:
FIVB. Coaches Manual. 2011. Disponível em <http://www.fi vb.
org/EN/Programmes/didactic/coaches_manual_i/FIVB_Coaches_
Manual_I_Chapter_03.pdf>. Acesso em: 6 mar. 2016.
O Manual do Treinador de Voleibol da Federação Internacional de Volleyball 
(FIVB, 2011) determina funções principais que o treinador de voleibol deve 
estar atento em cumprir. Tais funções são perfeitamente adequadas aos outros 
esportes ou a qualquer treinador de esportes coletivos. Essas funções não estão 
apenas articuladas nos aspectos de rendimento dos atletas, mas essencialmente 
na formação completa da personalidade, na busca da cidadania 
para dentro e fora do esporte. O quadro a seguir, contudo, aponta as 
principais funções técnicas que o treinador deve cumprir na busca de 
um planejamento ideal e que deve considerar:
Tais funções são 
perfeitamente 
adequadas a 
qualquer esporte 
coletivo.
61
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2 
Quadro 9 - Funções do treinador de esportes coletivos
Fonte: Adaptado FIVB (2011).
62
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Os treinadores devem usar suas percepções para promover os jogadores 
para o alto nível de rendimento. Contudo, a percepção deve seguir também 
conceitos científi cos. O treinador pode considerar o avanço acelerado de 
um jogador de uma fase para outra. Em alguns casos, o que determina esta 
precocidade é o conhecimento e experiência do treinador em perceber a boa 
condição técnica e psicológica dos seus jogadores. A utilização de jogadores em 
competições em idades superiores pode contribuir com o progresso do jogador 
em termos de experiência, porém a mesma utilização sem a correta preparação 
pode limitar as performances futuras, uma vez que extrapola o nível de harmonia 
natural entre a exigência e o resultado de acordo com as idades. 
Hora de PlaneJar o Treino
Como foi visto anteriormente neste capítulo, o treinamento deve 
seguir o planejamento maior, elaborado para o ano todo (Macrociclo 
(periodização)) e dividido em meses (Mesociclo), semanas (Microciclo) 
e dias (Treino), chamado de periodização. A menor unidade da 
periodização é também a mais importante, pois é nesta hora que a teoria se 
apresenta na prática e todo o trabalho acontece. A união de cada sessão de treino 
forma a periodização ou o macrociclo.
Um bom planejamento pode fazer toda a diferença para a segurança, 
motivação e sucesso de uma sessão. Planejamento é particularmente importante 
quando você ensina grandes grupos, grupos com idades ou habilidades variadas, 
ainda para atletas com os quais você não está familiarizado. É também vital 
planejar quando o seu acesso aos recursos, equipamentos e espaço são limitados. 
A boa gestão do tempo de treino ajuda você a aproveitarao máximo o seu tempo 
de ensino e impede que ele seja desperdiçado em atividades irrelevantes.
O planejamento do treino deve considerar também os fatores que interferem 
na sua efi cácia e de responsabilidade do treinador, como o domínio do conteúdo 
do treino, a seleção da prática e a sua intervenção na correção ou motivação, 
conforme a fi gura abaixo:
Macrociclo 
(periodização), 
(Mesociclo), 
(Microciclo), (Treino)
63
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2 
Figura 5 - Fatores do domínio do treinador concorrentes 
para o aumento da qualidade de treino
Fonte: Mesquita (2005).
Assim, os fatores que determinam a efi cácia do treino, segundo Mesquita 
(2005), são:
a) Gestão do treino
Conjunto de medidas e procedimentos que o treinador deve utilizar para 
manter o treino em um clima propício à aprendizagem. Para que isso aconteça, 
quatro aspectos devem ser considerados:
1. Organização das situações logísticas de treino e competição
i. Utilizar a lista de presença e controle de dados dos atletas;
ii. Evitar que alguém interrompa o treino, como pais, dirigentes, etc.;
iii. Organizar os dados para inscrição para os campeonatos.
2. Estabelecimento de regras e normas de conduta – Regras essenciais para 
o bom funcionamento e organização dos treinamentos, determinadas pelo 
treinador no início da temporada, tais como:
i. Horário de início e fi m de treino a ser respeitado por todos;
ii. Normas para os intervalos durante os treinos ou quando for mudar o exercício 
e fazer correções;
iii. Normas como transporte de materiais ou outras tarefas determinando os 
responsáveis ou a rotação destes.
3. Regulação e sanções de comportamentos incorretos – O treinador deve 
64
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
dar autonomia aos seus comandados, porém deve cobrar os comportamentos 
apropriados. Sendo várias pessoas em um mesmo grupo, não deve haver 
favoritos e o treinador deve exigir que as normas sejam respeitadas por todos 
para que todos se sintam respeitados. Para que isso aconteça, o treinador 
pode utilizar algumas estratégias:
i. Ser claro e específi co quando indica aos jogadores os comportamentos a 
modifi car e a importância desta mudança para o grupo;
ii. Corrigir o atleta em momentos separados e não ao mesmo tempo, 
apresentando motivos consistentes e com convicção.
4. Supervisão e controle da atividade no decorrer do treino – Para melhor 
gerenciar o treino, o treinador deve desenvolver algumas competências para 
uma gestão efi caz em relação à supervisão e ao controle das atividades no 
transcorrer do treino, que são:
i. Interromper o exercício apenas por motivo válido, sabendo exatamente o que 
deve dizer ou fazer. 
ii. Posicionar-se em um espaço onde todos possam ver e ouvir em alto e bom 
tom;
iii. Colocar-se em um espaço onde possa ver todos na execução dos exercícios;
iv. Utilizar sinais próprios para aumentar a atenção e organização do treino;
v. Adotar medidas de intervenção de acordo com o tipo de exercício, sem que 
cause atrasos ou perda da atenção dos atletas;
vi. Manter os atletas motivados e empenhados nos exercícios por meio da 
manutenção dos objetivos a serem alcançados em cada atividade.
b) Gestão do tempo de treino
A gestão do tempo de treinamento é parte fundamental ao treinador, uma 
vez que determina a utilização ideal do tempo disponível na obtenção dos 
objetivos pretendidos. Existe a premissa de que em alto rendimento, a quantidade 
é que irá melhorar a qualidade. Este tópico se torna extremamente importante 
em situações de volume e intensidade em que cada repetição é importante, ou, 
ainda, cada segundo é contado. Algumas estratégias são sugeridas para o melhor 
aproveitamento do tempo de treino:
1. Aumentar o tempo útil de treino 
i. Através da pontualidade;
ii. Arrumar os materiais com antecedência;
iii. Reduzir as interrupções.
2. Aumentar o tempo disponível para a prática 
i. Reduzir os períodos de troca de exercícios ou intervalos;
ii. Utilizar explicações claras e precisas na organização do exercício;
65
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2 
iii. Disponibilizar o material de forma rápida e de fácil acesso;
iv. Dividir os grupos ou locais de prática e a sequência dos exercícios;
v. Utilizar sinais (apito) para reunir, trocar ou interromper alguma atividade.
3. Aumentar o tempo potencial de aprendizagem
i. Escolher cuidadosamente os exercícios (fácil organização e motivadores), 
número de repetições ou o tempo gasto para cada atividade;
ii. Ajustar o número de atletas envolvidos nos exercícios às características deste 
(divisão em pequenos, médios ou grandes grupos);
iii. Adequar o grau de difi culdade dos exercícios ao nível de prestação dos 
atletas, isto é, situados num patamar superior de difi culdade àquele em que o 
atleta se encontra;
iv. Formar grupos de aprendizagem de acordo com os objetivos e características 
dos exercícios;
v. Selecionar os exercícios para manter o máximo de jogadores atuando 
simultaneamente;
vi. Comunicar-se com os atletas através de feedbacks durante a prática;
vii. Criar um clima positivo no treino e, assim, buscar a melhor execução e 
aprimoramento.
O Plano de Treino
É importante você incluir variedade em suas sessões e dividi-las 
em partes, por exemplo: aquecimento 5 minutos, o conteúdo principal 
20 minutos, resfriamento de 5 minutos. Isso irá ajudá-lo a planejar o 
tempo de forma efi caz e previne que aspectos importantes da sessão 
sejam perdidos devido à falta de tempo. Assim, para planejar uma 
sessão de treino, você deve responder às seguintes questões:
• Quem estará presente no treino (quantos atletas e suas posições)?
• Quais são os objetivos da sessão?
• Como é que as sessões devem começar?
• Que atividades deveriam ser incluídas?
• Como podem as sessões ser mais seguras?
• Como é que as sessões vão terminar?
O planejamento de uma sessão de treino deve ser feito em três partes. A 
parte preparatória, a parte principal e parte fi nal. Cada parte deve considerar o 
objetivo específi co e, assim, atingir o objetivo principal do treino. Weineck (1999) 
apresenta, no quadro a seguir, as três partes de uma sessão de treinamento.
• Quem estará 
presente no treino 
(quantos atletas e 
suas posições)?
• Quais são os 
objetivos da 
sessão?
• Como é que as 
sessões devem 
começar?
• Que atividades 
deveriam ser 
incluídas?
• Como podem as 
sessões ser mais 
seguras?
• Como é que 
as sessões vão 
terminar?
66
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Quadro 10 - Possível forma de uma sessão de treinamento
Parte Preparatória Parte Principal Parte Final
Determinação 
dos Objetivos,
Tarefas,
Programas
- Criar um clima de 
aprendizagem
- Preparar o organismo 
(aquecimento)
- Despertar a disposi-
ção para os exercícios
- Melhoria do estado 
de treinamento
- Treinar e determinar a 
sequência de movi-
mentos
- Preparação para 
competições
- Tranquilizar ou aquecer 
novamente o organismo
- Avaliar os sucessos 
obtidos (incentivos)
- Concluir o aprendizado
- Métodos
- Indicações
- Escolha dos 
exercícios
- Controle do vestuário 
e da aparelhagem
- Inicio pontual dos 
exercícios
- Determinação dos 
objetivos
- Exercícios diversos e 
variados 
- Transição para a 
próxima etapa
- Transmissão, apro-
priação e fi xação de 
conhecimentos, capa-
cidades e aptidões
- Execução das tarefas 
pré-determinadas e 
dos objetivos parciais
- Convém estar atento 
às cargas e às ativi-
dades
- Estímulo à autocor-
reção
- Exercícios com função 
lúdica
- Resfriar o organismo 
após as atividades
- Organização dos mate-
riais e instalações
- Avaliação dos exercí-
cios e do treinamento
- Finalização do treina-
mento
Estímulos Crescentes Elevados Decrescentes
Duração* 15-20 minutos 45-90 minutos 10-15 minutos
Atenção: A relação temporal entre as sessões depende sobretudo dos objetivos deste. 
Assim, a harmonia das sessões de treino fi ca garantida.
*Dependendo dadisponibilidade total de tempo para o treino.
Fonte: Adaptado de Weineck (1999).
Atividades de Estudos:
 1) Considerando as questões acima, sobre o planejamento dos 
treinos, responda a cada uma delas, de acordo com a realidade 
de sua equipe:
 a) Quem estará presente no treino (quantos atletas e suas 
posições)?
 ____________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
67
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2 
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 b) Quais são os objetivos da sessão?
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 c) Como é que as sessões devem começar?
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 d) Que atividades deveriam ser incluídas?
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 e) Como podem as sessões ser mais seguras?
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 f) Como é que as sessões vão terminar?
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
O Processo de Ensino-Aprendizagem 
nos Esportes Coletivos
 Depois que entendemos como organizar o planejamento do treinamento, 
precisamos construir a prática nos aspectos necessários para a evolução do 
jogador e da equipe. O treino, seja de caráter técnico, seja de caráter físico, seja 
68
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
de caráter tático, deve seguir a condição ideal de aprendizagem para 
que aconteça a transferência do conhecimento ou da intenção de 
aprimoramento do treinador para o jogador.
Mesquita (2005) propõe que o processo de ensino-aprendizagem 
nos esportes siga uma sequência de três fases de evolução progressiva 
de aprendizagem da técnica, em que: na 1ª Fase o jogador adquire 
a compreensão e coordenação grossa do movimento; na 2ª Fase o 
jogador aperfeiçoa o movimento com a coordenação fi na do gesto; e 
na 3ª Fase o jogador tem amplo domínio da técnica. Lembrando que a 
autora aqui não trata de coordenação motora como capacidade física, 
e sim como um gesto técnico específi co. Assim:
Figura 6 - Fases de aprendizagem da técnica
Fonte: Mesquita (2005).
1ª Fase o 
jogador adquire 
a compreensão e 
coordenação grossa 
do movimento; na 
2ª Fase o jogador 
aperfeiçoa o 
movimento com a 
coordenação fi na do 
gesto; e na 3ª Fase 
o jogador tem amplo 
domínio da técnica.
Na 1ª Fase, de coordenação global do movimento, é fundamental que o 
praticante compreenda mentalmente a nova execução motora do movimento. 
Lembrando que a demonstração do gesto pelo treinador e as explicações 
relacionadas à boa execução técnica e às vantagens do movimento correto 
irão infl uenciar sobremaneira para a primeira execução e para a absorção 
do gesto corretamente. O processo deve ser o mais correto possível para que 
a transferência da aprendizagem seja positiva. Esta absorção correta deverá 
estar presente no início do gesto para evitar futuras correções básicas, ou o 
reaprendizado demorado das técnicas posteriormente. Em outras palavras, 
quando se aprende de forma correta na primeira execução, provavelmente o 
jogador repetirá de forma correta depois. Caso o aprendizado seja negativo, o 
jogador irá executar errado posteriormente e a correção terá que ser muito mais 
demorada e desgastante, atrapalhando no desenvolvimento técnico e na obtenção 
69
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2 
de outra técnica apurada a partir da técnica básica. Por exemplo: Um aprendiz no 
handebol quando aprende o gesto de arremessar a bola, mas arremessa com 
o cotovelo abaixo do ombro. Este aprendiz terá difi culdade para um posterior 
arremesso sobre a defesa alta adversária, uma vez que não terá um lançamento 
com o braço o mais estendido possível, ganhando altura e velocidade de braço 
necessários a um bom arremesso. 
Na 2ª Fase, coordenação fi na do movimento, o jogador aperfeiçoa a 
execução do gesto em harmonia crescente e com qualidade. Aqui o praticante 
repete sistematicamente com correções e ajustes, mas sem um grande número 
de repetições, para que o gesto seja automatizado corretamente.
Na 3ª Fase, domínio do movimento, consideram-se as variações da técnica 
as quais o praticante irá executar ou escolher a opção dentro de um repertório 
motor adquirido para diversas situações que acontecem nos esportes coletivos. 
Ou seja, não apenas a execução correta do gesto, mas também a escolha de qual 
movimento irá utilizar em relação a situação-problema (decisão tática individual) 
enfrentada. Por exemplo, um jogador de handebol, quando for tentar fi nalizar ao 
gol, deve escolher qual o tipo de arremesso, com apoio ou em suspensão, em 
relação à posição da defesa adversária.
Atividade de Estudos:
 1) Quais são as características de cada fase de aprendizagem da 
técnica, sugerida por Mesquita (2005):
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
Dentro do processo de ensino-aprendizagem, o treinador deve 
utilizar uma metodologia de treino. Mesquita (2005) sugere que o 
treinador utilize sete passos metodológicos para que o aprendizado 
aconteça de forma clara e marcante. Os sete passos são:
1º Passo – apresentar a nova técnica por meio de uma explicação sintética das 
suas partes fundamentais e da importância da boa utilização no jogo, seguida 
de uma demonstração;
Utilize sete passos 
metodológicos para 
que o aprendizado 
aconteça de forma 
clara e marcante.
70
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
2º Passo – Permitir que os atletas experimentem várias vezes a realização da 
nova habilidade técnica antes de intervir. Desse modo, os atletas realizam 
uma primeira avaliação das suas capacidades e o treinador retira informações 
acerca das palavras-chave que deve utilizar.
3º Passo – O treinador demonstra a habilidade técnica (de preferência efetuada 
por um atleta que seja um bom modelo), levando os atletas a focalizarem a 
sua atenção num determinado aspecto.
4º Passo – Os atletas executam de novo a habilidade técnica. Em simultâneo, o 
treinador fornece feedbacks centrados no aspecto realçado na demonstração 
anterior.
5º Passo – Demonstrar a mesma habilidade técnica, mas agora centrando a 
atenção dos atletas noutro aspecto.
6º Passo – Fazer com que o atleta execute de novo a habilidade técnica, emitindo 
feedbacks acerca da prestação dos atletas, centrando a informação no novo 
aspecto que pretende que seja executado.
7º Passo – Repetir integralmente este processo até que os aspectos essenciais 
(pontos-chave) da execução da habilidade técnica tenham sido referenciados 
pelo treinador e executados pelos atletas.
Devemos cuidar para que não ultrapassemos quatro pontos chave de 
execução, evitando, assim, que o processo de aprendizagem seja confuso, 
difi cultando a sua compreensão e assimilação (MESQUITA, 2005).
a) O processo de análise e correção do movimento
Um fator determinante no processo de ensino e aprendizagem estána correta 
observação feita pelo avaliador da execução do movimento aprendido. Isso deve 
ser feito dentro de conceitos qualitativos e quantitativos, contudo, a observação 
visual da execução do fundamento também deve ser levada em consideração pela 
experiência e conceitos que o avaliador considera como modelo de referência.
 Durante a avaliação técnica, o treinador deve estar ciente de que a forma 
ideal de execução de uma técnica pode ser atingida posteriormente. A ausência 
da forma ideal de execução de um determinado tipo de fundamento executado 
pelo atleta iniciante pode ser compensada depois por meio do treinamento, força 
e velocidade de movimento (KNUDSON; MORRISON, 2001). 
A avaliação corretiva de um jogador para a equipe deve seguir princípios de 
análise dos movimentos, sejam eles de habilidade técnica, sejam de habilidade 
motora. A Figura 7, a seguir, utiliza o modelo qualitativo de um salto em altura, 
relevante a vários esportes coletivos que utilizam os saltos, como o basquete, 
o handebol e o voleibol. A fi gura utiliza o salto em altura em seus detalhes 
perceptíveis para que sirva de exemplo de análise de um movimento complexo 
71
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2 
Figura 7 - Exemplo de análise dos aspectos qualitativos em um salto em altura
Fonte: Baseado em Knudson e Morrison (2001).
Na análise podem ser percebidos erros de execução que têm características 
distintas e que podem ser diagnosticados qualitativamente. A análise qualitativa 
do movimento deve considerar aspectos técnicos, motores e perceptivos aqui 
sugeridos:
Figura 8 - Tipos de erros de desempenho a serem 
considerados para uma abordagem qualitativa
Fonte: Hoffmann (1983 apud KNUDSON; MORRISON, 2001).
e que possui etapas distintas, apesar de integradas, e que irão infl uenciar na 
execução da forma ideal. 
72
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
O Quadro 11, a seguir, é um exemplo de avaliação por meio de observação 
que o treinador pode elaborar de acordo com seus conceitos e necessidades. O 
quadro utiliza o exemplo de avaliação técnica e de correção do saque por cima no 
voleibol. Posteriormente, terá maior controle em relação ao problema observado, 
podendo, assim, promover a correção ideal para cada fundamento e atleta:
Quadro 11 - Sugestão de quadro avaliativo do fundamento: avaliação 
técnica e correção: Fundamento: Voleibol - saque por cima
Etapas da execução Correto (+) Incorreto (X) Problema Correção
Posição dos pés X Muito afastados Demonstração
Distância da linha +
Equilíbrio +
Lançamento da bola X Lançamento atrás Extensão cotovelo
Movimento do braço +
Contato com a bola X Atrás cabeça Correção técnica lança-
mento
Continuação movimento +
Resultado Geral X 20%
Fonte: Baseado em Scott (2001).
Atividade de Estudos:
 1) Depois de observar o Quadro 11, pratique a avaliação e a 
correção com os seus atletas em seu esporte. O desafi o está na 
análise das etapas de:
 1) Execução do fundamento escolhido; 
 2) Na boa ou má execução; 
 3) Na observação do problema; 
 4) Na sugestão de como corrigir o problema apresentado.
 FUNDAMENTO:___________________
73
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2 
Etapas da execução
Correto (+) 
Incorreto (X)
Problema Correção
Avaliação do Treino
Como qualquer processo pedagógico, o treino deve ser avaliado. A avaliação 
permitirá uma refl exão e um controle de todo o processo, no sentido de melhorar 
sua prática como treinador e, também, o nível de evolução da equipe e de cada 
jogador. Mesquita (2005) apresenta, no quadro a seguir, os diferentes elementos 
que devem ser percebidos na avaliação do processo de ensino-aprendizagem, 
contextualizada no processo de treino. 
Quadro 12 - Elementos da avaliação do processo de ensino-aprendizagem
Objetivos
- Controlar a atividade dos atletas e do treinador
- Reajustar estratégias
- Informar o atleta de seu percurso evolutivo
Componentes
ATLETAS
- Prestação motora
- Relação com os outros
- Características de personalidade
TREINADOR
- Metodologias
- Estratégias
- Concretização dos objetivos
Momentos
- No fi nal de cada treino
- No início de cada bloco de trabalho
- Após a conclusão de um bloco de trabalho
- No fi nal de cada jogo
- No fi nal da temporada
74
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Meios
- Registro em fi chas
- Relatórios de jogos 
- Scouts
Condições 
- Situações normais de treino
- Situações criadas no treino para observar comportamentos específi cos
- Observação no jogo
- Observar pós-jogo
Fonte. Adaptado de Fonseca (2005).
Weineck (2005) recomenda, ainda, que a avaliação, seja ela imediata ou não-
imediata, permite esclarecer questões relacionadas ao planejamento, ao sistema 
de jogo, à evolução dos jogadores e da equipe como um todo, aos materiais e 
condições do espaço, se os exercícios foram bem escolhidos, entre outros, afi m 
de direcionar ou redirecionar o treinamento na busca dos objetivos propostos.
Algumas ConsideraçÕes
O treinamento desportivo nos certifi ca de como trabalhar dentro de uma 
metodologia científi ca para que a nossa equipe atinja o máximo potencial físico, 
técnico, tático e psicológico. O planejamento deve ser dividido em períodos, do 
maior (Macrociclo) para o menor (Microciclo ou Treino). Por meio do treino as 
tarefas e ajustes são construídos na busca do objetivo maior que é a melhora da 
performance da equipe. É pelo treino que se chega à preparação ideal no mais 
alto nível e na época certa, e isso é chamado de periodização.
É extremamente importante que o treinador respeite as fases evolutivas dos 
seus comandados, assim como ensine os fundamentos do jogo em um processo 
crescente, interessante e paulatino. Isso é simples, mas muitos treinadores deixam 
de observar e respeitar este detalhe e, assim, muitos talentos são desprezados ou 
não atingem o potencial máximo de performance.
ReFerÊncias
BOMPA. Tudor. Treinando atletas de desporto coletivo. São Paulo: Phorte. 
2005.
CASAGRANDE, C.G.; CAMPOS, L.A.S.; Esportes coletivos: análise na utilização 
dos métodos de ensino e treinamento no contexto da prática da educação física. 
75
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2 
Coleção Pesquisa em Educação Física, Várzea Paulista, v. 13, n. 1, p. 77-86, 
2014.
DANTAS, E. H. M. A prática da preparação física. 5. ed. Rio de Janeiro: Shape, 
2003.
FIVB. Coaches Manual. 2011. Disponível em <http://www.fi vb.org/EN/
Programmes/didactic/coaches_manual_i/FIVB_Coaches_Manual_I_Chapter_03.
pdf). Acesso em: 06 mar. 2016.
GARGANTA, Júlio. O ensino dos jogos desportivos colectivos. Perspectivas e 
tendências. Movimento, Porto Alegre, ano 4, v. 1, n.8, p. 19-26, jan./jun.1998.
_____. O treino da táctica e da estratégia nos jogos desportivos. In: GARGANTA, 
J. (Ed.). Horizonte e órbitas no treino dos jogos desportivos. Porto: Converge 
Artes Gráfi cas, 2000. p. 51-61.
GONZALEZ, F. J.; FERNSTERSEIFER, P. E. (Org.). Dicionário crítico de 
educação física. Ijuí: Ed. Ijuí, 2005.
GRECO, P. J. (Org.). Caderno de Rendimento do Atleta de Handebol. Belo
Horizonte: Healthy, 2000. 
_____. A Educação Física Escolar e o ensino dos jogos esportivos coletivos na 
escola: das refl exões à práxis. In: TANI, Go et al. Celebrar Lusofonia. Ensaios 
e estudos em Desporto e Educação Física. Belo Horizonte: Casa da Educação 
Física, 2012. p. 443-460.
KNUDSON, D.V.; MORRISON, C.S. Análise qualitativa do movimento 
humano. São Paulo: Manole, 2001.
MANTIVÉIEV. C. P. Horizontes da cultura física fundamentos do treino 
desportivo. Lisboa: Livros Horizontes, 1986.
MESQUITA, I. A pedagogia do treino: a formação em jogos desportivos 
colectivos. Lisboa: Livros Horizonte, 2005.
PEREZ, A. J. Quem são os atletas e os não-atletas no processo de treinamento. 
Revista Brasileira de Ciência do Esporte. [s.l.], p. 129-132, jan./maio 2000.
SCOTT, TONY. Physical education for Edexcel. Oxford:Heinemann. 2001.
WEINECK, J. Treinamento ideal. Tradução de Beatriz Maria Romano Carvalho. 
São Paulo: Manole, 1999.
76
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
CAPÍTULO 3
A Preparação Física, Técnica, Tática 
e Psicológica dos Esportes
Coletivos
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
 Compreender a importância da preparação física, técnica, tática 
e psicológica para atletas das modalidades coletivas;
 Planejar o treinamento de acordo com as competências dos jogadores dos 
esportes coletivos em seus aspectos físicos, técnicos, táticos e psicológicos.
78
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
79
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3 
ConteXtualização
Este capítulo determina as competências do jogador nos quatro aspectos 
fundamentais para a formação completa de um jogador para os esportes coletivos. 
Neste momento acontece um aprofundamento detalhado das competências 
física, técnica, tática e psicológica e suas particularidades, dentro de sugestões 
ordenadas para cada competência. Na proposta deste Caderno, veremos as 
quatro competências de maneira distinta e resumida. 
Fatores de evolução física, técnica, tática e psicológica são discutidos aqui, 
lembrando que cada fator tem infl uência no seguinte, sendo um complemento 
ou compensação do outro de acordo com as necessidades de evolução para o 
esporte ou em situações específi cas de jogo.
CompetÊncias do Jogador de 
Esportes Coletivos
Para atingir o alto nível esportivo, o jogador demanda vários anos de prática, 
inúmeras repetições de um fundamento, grande capacidade criativa e inteligência 
tática, além de ter o biotipo adequado à função em quadra ou campo. Deve ter 
tido um bom treinador, apoio da família, condições educacionais e fi nanceiras. 
Aspectos sociais, como a interação, o trabalho em grupo e obtenção de 
performance em união, também são exigências de personalidade dos melhores 
atletas. 
O jogador completo deve ter a sua formação baseada na relação 
ideal de quatro competências (Competências Técnicas, Táticas, 
Físicas e Psicológicas). Cada um destes fatores abrange situações 
que infl uenciam no aprendizado e desenvolvimento completo do 
jogador. Essas exigências estão determinadas e divididas propriamente 
no auxílio do entendimento de cada passo a ser adquirido e observado para a 
consolidação de uma preparação completa e ideal. 
Para entender, de forma visual, quais são as competências dos jogadores de 
esportes coletivos, defi nimos os quatro aspectos que devem ser considerados na 
formação. A fi gura a seguir exemplifi ca as funções e competências básicas de um 
jogador completo:
Competências 
Técnicas, 
Táticas, Físicas e 
Psicológicas.
80
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Figura 9 - Competências básicas de um jogador
Fonte: O autor.
Todos os aspectos da formação (física, técnica, tática e psicológica) são 
importantes, e a falta de aprofundamento em um deles poderá rotular o jogador 
como despreparado ou limitado em sua carreira futura. Essas competências 
estarão melhor defi nidas na sequência deste capítulo. Para entender a fi gura 
9, você precisa defi nir quais as características de cada esporte e, assim, as 
competências dos jogadores para o esporte. 
Atividade de Estudos:
 1) Considerando a fi gura anterior, sobre as competências do 
jogador completo, preencha a fi gura abaixo de acordo com o 
seu esporte e as quatro competências presentes no esporte 
escolhido. 
 Instruções de preenchimento - Identifi que e classifi que na fi gura 
a seguir as: 1) competências físicas (Capacidades físicas mais 
importantes); 2) as táticas individuais e coletivas apresentadas 
(caracterizadas no seu esporte); 3) os fundamentos do esporte; 
81
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3 
4) os aspectos psicológicos mais relevantes para um jogador 
completo para o seu esporte. Assim, preencha os espaços:
A Preparação Física para os 
Esportes Coletivos
A preparação física é a parte mais importante do treinamento desportivo, 
pois desenvolve as capacidades físicas necessárias e inerentes aos esportes 
e pode transformar jogadores comuns em grandes atletas. A preparação física 
serve de base para a evolução dos atletas, uma vez que dá condição para 
o desenvolvimento das capacidades físicas que interferem diretamente no 
progresso das habilidades técnicas, consciência tática e segurança psicológica 
que o atleta deve possuir para competir com efi ciência e efi cácia. 
A evolução técnica depende da condição física do jogador. Quanto mais 
apurado seja o nível em que se atua, mais importante será a elevação de sua 
82
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
condição física. A falta de condição física ideal interfere na execução dos 
fundamentos, na manutenção do nível técnico e tático alto durante os treinamentos 
e partidas, e diminui o poder de atenção e percepção. 
Capacidades motoras são as primeiras a serem trabalhadas nos iniciantes. 
Exercícios variados, inicialmente sem a bola, que desenvolvam a agilidade, 
os deslocamentos, são importantes na postura básica do jogador e no 
desenvolvimento posterior da posição de expectativa e de outros fundamentos do 
jogo. Nas idades iniciais, os exercícios com objetivos de promover a capacidade 
orgânica não precisam ser necessariamente cansativos ou monótonos. Pelo 
contrário, o treinador deve fazer uso de jogos e atividades recreativas com e sem 
bola para desenvolver a qualidade física de maneira natural e interessante para o 
iniciante. 
Nas fases iniciais de desenvolvimento, a preparação física é importante, 
porém menos signifi cante do que nas fases de adulto ou alto rendimento. A 
maioria das equipes menores tem um tempo semanal reduzido de treinamentos 
e procura utilizá-lo essencialmente na preparação técnica e tática, deixando em 
segundo plano a preparação física. Esta é uma decisão inteligente, uma vez 
que normalmente as partidas das categorias menores são disputadas em menor 
tempo. O jogo é mais lento e pausado, não exigindo enormes esforços. Algumas 
federações estabelecem em regra que as equipes devem utilizar vários jogadores 
durante a partida. Esta rotatividade oportuniza o esporte para mais crianças e, ao 
mesmo tempo, descansa outras (MÜLLER, 2009).
Os atletas dos esportes coletivos utilizam várias capacidades 
físicas, de acordo com as características de cada esporte. Weineck 
(1999) divide as capacidades em coordenativas ou condicionais, sendo 
as capacidades condicionais referentes aos processos energéticos 
e as coordenativas se referem às reguladoras do sistema nervoso 
central (SNC). O autor ainda aponta que a capacidade de desempenho 
esportivo se manifesta por meio de uma sequência de movimentos, 
signifi cando que a qualidade está relacionada aos aspectos 
coordenativos (SNC) e a quantidade está relacionada aos aspectos 
condicionais (sistema energético). 
A Figura 10, a seguir, apresenta um resumo das capacidades 
condicionais e coordenativas na visão de Gundlach (1968), Weineck 
(1999) e Dantas (2003).
Capacidades em 
coordenativas ou 
condicionais.
Qualidade está 
relacionada 
aos aspectos 
coordenativos (SNC) 
e a quantidade 
está relacionada 
aos aspectos 
condicionais 
(sistema 
energético).
83
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3 
Figura 10 - Capacidades condicionais e coordenativas
Fonte: Adaptado de Gundlach (1968), Weineck (1999) e Dantas (2003).
Diferente de esportes em que existe apenas uma capacidade predominante, 
como a velocidade na prova de 100 metros do atletismo, ou a resistência 
aeróbica como predominante na maratona, os esportes coletivos agregam várias 
capacidades, tanto coordenativas quanto condicionais.
84
 TreinamentoAplicado aos Esportes Coletivos
Para treinar uma equipe, você deve conhecer as exigências físicas específi cas 
do seu esporte e da posição de cada jogador. Para que alcance este patamar, o 
esporte em questão deve ser analisado e as capacidades físicas entendidas em 
mais ou menos importantes e inclui-las na periodização. 
Dentro da periodização, você pode dividir o treinamento físico em fases 
distintas, na busca de um resultado aprimorado ao longo da temporada. Para 
Plantonov e Bulatova (2003), a preparação física se divide da seguinte forma:
• Preparação física geral: Abrange as qualidades motoras essenciais, tais 
como: aumentar os níveis de resistência, força, aprimorar a velocidade, 
melhorar a fl exibilidade e a coordenação, obtendo, assim, um desenvolvimento 
integral para a modalidade em questão.
• Preparação física específi ca: Procura desenvolver as qualidades específi cas 
de acordo com as exigências intervenientes da modalidade, como, por 
exemplo: tempo de reação, equilíbrio, aumento da massa muscular, força 
específi ca como potência, resistência muscular, entre outras.
Assim, a preparação geral melhora os níveis cardiopulmonar e neuromuscular, 
enquanto a preparação específi ca ajuda o jogador a condicionar-se às exigências 
impostas durante o jogo, além de manter ou melhorar os níveis de habilidades 
técnicas/táticas. 
Para entendermos um pouco mais sobre as características/capacidades de 
cada esporte e, ainda, de cada posição, devemos utilizar ferramentas que nos 
ajudem a melhor compreender o esporte. Essas ferramentas estão disponíveis 
na forma de testes e avaliações, além da observação da modalidade escolhida. 
Bompa (2005) indica que para perceber quais capacidades devem ser treinadas, 
o treinador deve avaliar o esporte em questão por meio de padrões de análise, 
que devem considerar:
a) Análise do tempo-movimento – analisar as características 
predominantes do esporte, como os deslocamentos, corridas lentas 
ou velozes, saltos, quedas e, em especial, os fundamentos técnicos 
de cada posição ou do esporte como um todo. A partir disso, entender 
quais são as exigências maiores em relação ao consumo energético, 
ou a Ergogênese (colapso energético). Por exemplo: Qual o sistema 
energético predominante em cada modalidade como um todo e para 
cada posição em campo ou quadra?
A partir disso, 
entender quais 
são as exigências 
maiores em relação 
ao consumo 
energético, ou 
a Ergogênese 
(colapso 
energético).
85
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3 
Tabela 1 - A ergogênese dos esportes coletivos em percentual de utilização
ERGOGÊNESE PROPORÇÃO DE UTILIZAÇÃO DOS SISTEMAS DE ENERGIA EM PERCENTUAL (%)
Sistema Energético/
Desporto Sistema Alático 
Sistema 
Lático Sistema Aeróbico
Basquetebol 30% 40% 30%
Futebol 15% 15% 70%
Futsal 30% 30% 40%
Handebol 20% 30% 50%
Voleibol 40% 10% 50%
Fonte: Adaptado de Bompa (2005).
A Tabela 1 apresenta uma noção global da utilização energética nos esportes 
coletivos. Como exemplo e melhor entendimento, a Tabela 1 considera o futebol 
como um esporte de predominância aeróbica, devido a duração longa de uma 
partida e, também, um esporte de características anaeróbicas láticas, devido a 
momentos de intensidade alta e de curta duração, como um contra-ataque. 
Já o Quadro 13 apresenta as características por posição, no qual os jogadores 
têm algumas características em comum, mas também existem particularidades 
que devem ser treinadas de forma específi ca.
Quadro 13 - O sistema de energia dominante por posição no futebol
POSIÇÃO ATP/CP Ácido Lático Oxigênio
Goleiro X
Defensor X X
Meio-campista X X
Atacante X X X
Fonte: Bompa (2005).
b) A distância percorrida por jogo – Específi ca por posição e pelas 
características de cada esporte. Bompa (2005) continua no futebol, como 
exemplo, e descreve que um meio-campista irá correr de 10km a 15km 
por jogo, enquanto um zagueiro difi cilmente irá correr mais do que 8km, 
passando pelo goleiro para o qual correr não é uma característica da posição. 
86
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
No basquete, o pivô irá correr maiores distâncias entre as extremidades da 
quadra, em que deve defender e atacar “dentro” do garrafão, enquanto o 
armador irá correr no centro da quadra em distâncias totais menores. 
c) A intensidade do jogo – Este fator está ligado às qualifi cações dos jogadores. 
Quanto mais alto o nível da competição, maior a intensidade do jogo. O ritmo 
do jogo, o nível de condicionamento dos jogadores, a temperatura, a altitude 
e a umidade do ar são fatores que interferem no estresse fi siológico. A alta 
intensidade do jogo é percebida pela perda de peso dos atletas (de 1 a 2kg), a 
frequência cardíaca excedendo a 180bpm e a concentração de ácido lático no 
sangue em níveis de 8 a 12mmol. 
d) Fontes de energia – Na maioria dos esportes coletivos utilizamos as três 
fontes de energia, o aeróbico (intensidade leve ou moderada, com longa 
duração) e o anaeróbico, que se divide em alático (intenso e muito curto, até 
cerca de 20 segundos de execução e não tendo a produção de ácido lático 
como produto fi nal) e o lático (intenso e curto, de 10 segundos até 2 minutos, 
tendo a produção de ácido lático como produto fi nal). Em situações de 
intensidade máxima e pouco tempo de execução, como um salto, utilizamos 
o sistema alático ou fosfogênio. Quando a intensidade é submáxima e a 
duração maior, de 30 segundos a 2 minutos (um longo rali no vôlei, utilizamos 
o sistema anaeróbico lático, com grande presença de ácido lático, que causa 
fadiga acentuada, mas que tem recuperação rápida). Quando mantemos o 
movimento prolongado, de forma contínua e com baixa ou média intensidade, 
aumentamos o consumo de oxigênio e, portanto, utilizamos o sistema 
aeróbico.
e) Capacidades físicas dominantes – Além das capacidades aeróbicas 
e anaeróbicas, os jogadores de esportes coletivos utilizam e devem 
desenvolver capacidades físicas inerentes à sua prática. Essas capacidades, 
também chamadas de intervenientes, devem ser defi nidas e separadas 
para o treinamento diário, de acordo com as necessidades de cada esporte. 
Resta a você determinar quais capacidades o seu esporte exige de forma 
imprescindível e como e quando se deve treiná-las. Posteriormente, neste 
capítulo, apresentaremos as capacidades intervenientes para melhor 
entendimento.
É importante percebermos que todos os sistemas energéticos ou as 
qualidades físicas dominantes podem ser treinadas, tanto dentro da periodização, 
na fase de preparação física de forma geral, como também na fase de preparação 
específi ca.
87
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3 
As Capacidades Físicas 
Intervenientes
Os esportes coletivos possuem características em comum em relação 
às qualidades ou capacidades físicas e que devemos catalogar. Para o nosso 
propósito, devemos defi nir quais são as principais CF mais presentes nos esportes 
coletivos. Assim, Dantas (2003) relaciona e defi ne as principais encontradas em 
comum nas modalidades como futsal, futebol, handebol, basquetebol e o voleibol, 
que são:
• Agilidade – Qualidade física que permite a mudança de direção do movimento 
ou a posição do corpo em menor tempo possível. 
• Velocidade – Capacidade de executar uma ação no menor tempo possível. 
Velocidade nos esportes coletivos é necessária em ambas as formas: 
Velocidade ou Tempo de Reação compreende a resposta a um estímulo e 
a Velocidade de Movimento compreende a rapidez de execução de uma 
contração muscular.
• RML – A Resistência Muscular Localizada refere-se à capacidade de um 
músculo ou grupo muscular de suportar repetidas contrações. 
• Resistência Anaeróbica – Capacidade que possibilita o organismo a 
exercícios de alta intensidade em pequena duração. Alta intensidade física 
entre saltos e deslocamentos em um tempo curto e que raramente ultrapassama 40 segundos de duração. 
• Resistência Aeróbica – Capacidade que possibilita o organismo a exercícios 
de intensidade baixa ou moderada em um longo tempo de duração. 
• Força Explosiva – Força é a principal exigência física do atleta no voleibol 
moderno. Força é uma qualidade que permite o músculo ou grupo muscular 
de opor-se a uma resistência. Força Explosiva é a combinação entre força e 
velocidade. 
Ótimos livros sobre preparação física nos esportes coletivos:
BOMPA. T. Treinando atletas de desporto coletivo. São 
Paulo: Phorte. 2005.
WEINECK, J. Treinamento ideal. Tradução de Beatriz Maria 
Romano Carvalho. São Paulo: Manole. 1999.
88
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
• Equilíbrio – Capacidade de manutenção da projeção do centro de gravidade 
dentro da área de superfície de apoio. Equilíbrio Dinâmico é aquele mantido 
durante o movimento (O deslocamento da passada de ataque) e o Equilíbrio 
Recuperado é o que se situa no ponto que ocorre a transição entre o repouso 
e o movimento ou vice- versa.
• Flexibilidade – Qualidade física expressa pela maior amplitude possível do 
movimento voluntário de uma articulação ou articulações num determinado 
sentido. 
Quando treinamos um esporte, devemos considerar quais são 
as qualidades ou capacidades físicas (CF) com que devemos nos 
preocupar e treinar de forma mais específi ca e quais não devemos 
considerar. Dantas (2003) descreve que para cada esporte temos 
as CF que são Imprescindíveis (IP), Importantes (IM), Secundárias 
(S) ou, ainda, Não Participa (NP). Resta a nós relacionarmos quais das CF do 
esporte em que atuamos irão interferir na performance de forma IP (devo treiná-
las em maior volume e intensidade), de forma IM (devo treiná-las, mas sem muita 
intensidade ou dependendo da necessidade do grupo de atletas disponíveis) e 
de forma S (não devo me preocupar com estas capacidades). Exemplifi cando 
de modo simples e sem considerar o nível dos jogadores disponíveis: Se o 
meu esporte coletivo, como o futsal, possui características de gasto energético 
predominantemente aeróbico, mas com momentos anaeróbicos, além de várias 
repetições de um movimento (corridas ou passes), devo considerar a Resistencia 
Aeróbica/Anaeróbica e a Resistência Muscular Localizada (RML) dos membros 
inferiores e prepará-los para o alto número de repetições, como imprescindíveis. 
Posso trabalhar a Força Explosiva como Importante, para melhora do chute e não 
preciso trabalhar o Ritmo, considerado, neste exemplo, como uma CF Secundária.
A partir da avaliação precisa de quais CF serão treinadas de forma IP, IM 
ou S, devemos considerar a proporção de tempo para cada uma delas. Nesta 
parte, devemos, ainda, determinar a localização exata do gesto desportivo 
principal, segmento corporal ou grupo muscular, no desporto considerado, para, 
então, preparar uma série de treinos para este segmento, respeitando, assim, o 
princípio da especifi cidade no treinamento desportivo. Dantas (2003) demonstra 
a importância do estudo detalhado do desporto no planejamento da preparação 
física por meio do seguinte esquema:
Imprescindíveis (IP), 
Importantes (IM), 
Secundárias (S) ou, 
ainda, Não Participa 
(NP).
89
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3 
Figura 11 - Estudo detalhado do desporto como base 
do planejamento da preparação física
Fonte: Dantas (2003).
As CF intervenientes podem ser percebidas pela avaliação e conhecimento 
do esporte. Além disso, podemos utilizar uma tabela para classifi car as CF do 
esporte em forma de scout. Dantas (2003) sugere que se faça um controle por 
meio de uma tabela, preenchendo-a com as CF a serem treinadas. No Quadro 
14, a seguir, há uma sugestão de identifi cação das CP utilizando o Polo Aquático 
como exemplo:
Quadro 14 - Identifi cação das qualidades físicas intervenientes no Polo Aquático
CAPACIDADES FISICAS Membros 
Superiores
Membros 
Inferiores
Tronco Geral
Forma
Física Preparação
Neuromuscular
 Flexibilidade
 Força
 Dinâmica
Força 
Estática
Força
Explosiva
IM IP
RML IP IP
90
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Habilidade
Motora
 Velocidade 
 Movimento
IP IP
 Velocidade 
 Membros
IP
Velocidade 
Reação 
IP
Agilidade IP
Equilíbrio S
Descontração S
Coordenação IP
 (IM) Imprescindível (IP) Importante (S) Secundaria
Fonte: Dantas (2003).
Assim, levando em conta o exemplo acima, o treinador deverá treinar de 
forma mais consistente a capacidade anaeróbica e a força explosiva de membros 
superiores. Também deverá treinar de forma prioritária as três velocidades, a 
agilidade, a RML e a coordenação. E deverá treinar, mas sem muita ênfase, o 
equilíbrio e a descontração.
Atividade de Estudos:
 1) Diante do que foi estudado sobre diagnóstico das CP para os 
esportes, preencha o quadro abaixo de acordo com o seu esporte 
e as qualidades físicas intervenientes.
 
 Instruções de preenchimento – Fazendo um estudo detalhado 
do seu esporte, identifi que e assinale no quadro abaixo a 
correspondência das CP e a sua importância no esporte que você 
escolheu. Assinale “IM” para as CP Imprescindíveis, “IM” para 
as CP Importantes, “S” para as Secundárias e “NP” para as 
Não Participa:
PREPARACAO FÍSICA
CAPACIDADES FÍSICAS Membros
Superiores
Membros
Inferiores
Tronco
Flexibilidade
Força
Dinâmica
91
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3 
Habilidade
Motora
Velocidade
Movimento
Velocidade
Membros
Velocidade
Reação 
Agilidade
Equilíbrio
Descontração
Coordenação
Forma
Física
Preparação
Neuromuscular
Força
Estática
Força
Explosiva
RML
Preparação
Cardiopulmonar
Resistência
Anaeróbica
Resistência
Aeróbica
A própria característica dos treinamentos com bola, que exigem uma 
demanda física de atletas, pode ser enquadrada como parte da preparação física, 
fi cando a critério dos treinadores o controle de seu volume e intensidade, de 
acordo com as fases de preparação defi nidas na periodização da equipe. 
Por outro lado, na musculação podem-se criar exercícios com carga que 
repetem o gesto técnico exigido, que além de trabalharem os grupos musculares 
específi cos, contribuem na melhora da própria técnica necessária, uma vez que 
são executados dentro de uma cinesiologia ideal. 
92
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Na musculação igualmente se pode trabalhar o fortalecimento muscular para 
grupos musculares específi cos com o intuito da prevenção às lesões de over 
use (lesões de fadiga causadas por excessos de repetição) ou na recuperação 
articular e muscular individual, tão comum aos atletas de handebol, futebol, 
basquetebol e voleibol, como ombros, cotovelos, coluna, joelhos e tornozelos. O 
fator preventivo é considerado imprescindível na busca da formação de jogadores 
em longo prazo.
Over use é o excesso de movimento realizado pelo mesmo 
grupo muscular e que pode levar à fadiga.
Outra preocupação importante é a segurança em treinamentos físicos ou 
técnicos para proteger os atletas das lesões por acidente ou por over use. Para 
tanto, é prudente utilizar-se de meios de análise e acompanhamento corretivos. 
Por exemplo, quando da postura na execução de um exercício na musculação 
(ergonomia), a análise do movimento (cinesiologia) na educação ou reeducação 
do gesto desportivo para preservar uma ou várias articulações.
Além dos detalhes citados acima, é dever do treinador proteger seus 
atletas com aconselhamentos da importância da proteção para o esporte (tênis 
adequados e proteções como tornozeleiras, joelheiras, munhequeiras) ou com 
a utilização dos espaços e materiais adequados para os trabalhos técnicos ou 
físicos, como o piso apropriado, tapetes para saltos, boa iluminação, ventilação e 
limpeza. 
Os esportes coletivos solicitam esforços repetitivos e a boa dosagem destes 
pode preservar aspectos físicos e psicológicos dos jovens atletas.É coerente 
respeitar a evolução física do jogador e pensar em longo prazo. Com a intenção de 
melhorar suas equipes, alguns treinadores e preparadores físicos extrapolam nos 
conceitos fundamentais do treinamento desportivo, ultrapassando os limites da 
condição física. Nas fases iniciais, o trabalho físico mal orientado ou descomedido 
pode levar à fadiga, ao over training e ao consequente desinteresse do jovem 
jogador pelo esporte. Muitos jovens talentos têm seu futuro comprometido e até 
interrompido pela precocidade das sobrecargas nos treinamentos (CORDEIRO, 
1997).
93
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3 
Over training é o excesso de treinamento que pode causar 
lesões e estresse mental.
Vimos, aqui, que a preparação física pretende aprimorar os aspectos físicos, 
essenciais ao desempenho esportivo, mas sempre dentro dos limites de cada 
ser humano, para que tenhamos sucesso em longo prazo e não abreviarmos 
as carreiras em virtude dos excessos cometidos devido ao over training. Agora 
que vimos detalhes fundamentais sobre a preparação física, iremos destacar os 
aspectos técnicos no próximo assunto.
A preparação Técnica para os 
Esportes Coletivos
Os fundamentos dos esportes são executados de forma a respeitar 
uma técnica específi ca. Assim, a técnica é a maneira pela qual uma 
habilidade é desempenhada e a qualidade deste desempenho tem 
se relaciona com a efi ciência do jogador e da equipe. Bompa (2005) 
determina que a técnica diferencia um jogador de outro, além de ser 
um conjunto de procedimentos que, por meio de forma e conteúdo, 
assegura e facilita o movimento para determinada função ou utilização 
no esporte.
De acordo com Cordeiro (1996), técnica é uma conduta objetiva e 
econômica para obtenção de um alto rendimento. Mais do que isso, a 
técnica, na busca de um modelo considerado ideal, deve ser objetivo 
principal no treinamento de futuros jogadores e no aperfeiçoamento 
contínuo de jogadores mesmo em alto nível. Os iniciantes devem 
entender isso como um princípio de treinamento evolutivo e terem a 
condição de perceber a execução de suas técnicas condicionadas a um 
padrão ideal para uma correção posterior. Não raramente jogadores de 
alto rendimento percebem seus defeitos técnicos logo após a execução 
de uma determinada ação, sem a necessidade da intervenção do treinador. 
Esse princípio deve ser explorado na iniciação sempre que possível, para que 
o jogador entenda desde cedo a importância do gesto técnico bem executado e 
suas variáveis. O conhecimento técnico deve ser discutido com os jogadores para 
que se transforme num hábito na busca da autocorreção, viabilizando a evolução 
e o entendimento do jogo.
A técnica é a 
maneira pela qual 
uma habilidade é 
desempenhada e 
a qualidade deste 
desempenho tem 
se relaciona com a 
efi ciência do jogador 
e da equipe.
A técnica, na busca 
de um modelo 
considerado 
ideal, deve ser 
objetivo principal 
no treinamento de 
futuros jogadores e 
no aperfeiçoamento 
contínuo de 
jogadores mesmo 
em alto nível.
94
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Os detalhes técnicos de determinado fundamento devem ser ensinados 
após a execução básica deste. Por exemplo, inicialmente o jogador de futsal 
deve executar um domínio da bola com o pé, após o passe próximo de maneira 
ideal, para, depois, aumentar a distância do passe e executar o domínio e, assim, 
sucessivamente, até realizar o domínio com outras partes do corpo com a bola 
recebida no chão, a meia altura ou alta.
Bompa (2005) explica que a técnica de jogo pode ser utilizada como um 
sistema de movimentos e habilidades integrados e automatizados, usado para 
atingir um objetivo técnico, tanto ofensivo quanto defensivo. 
Para melhor entender a técnica, sua importância e utilização nos esportes, 
devemos primeiramente defi nir alguns termos relacionados à técnica, a partir de 
Bompa (2005):
• Elementos Técnicos – partes fundamentais que constituem toda a técnica 
usada nos esportes e dentro das regras. Exemplo: driblar, chutar, roubar a 
bola;
• Procedimentos Técnicos – são as diversas maneiras de executar um 
elemento técnico. Por exemplo: o arremesso do basquete é um elemento 
técnico, porém o arremesso com salto e a bandeja são procedimentos técnicos 
derivados de um elemento técnico. Os procedimentos técnicos podem ser 
divididos em ações motoras simples ou complexas:
 – Procedimentos técnicos simples – Procedimentos de aprendizado e 
execução simples, como o lance livre no basquete, o pênalti no futebol ou 
a rebatida no beisebol, e têm em comum três partes distintas: 1) posição 
inicial; 2) ação técnica e 3) posição fi nal;
 – Procedimentos técnicos complexos – combinam vários fatores e 
movimentos dentro de uma técnica. São mais difíceis de aprender e 
executar, pois envolvem variáveis como o adve rsário, a velocidade da 
bola, etc. Exemplo: driblar, chutar em deslocamento;
• Habilidades de velocidade baixa – realizadas lentamente na busca de uma 
melhor solução tática, para uma posterior velocidade alta;
• Habilidades de velocidade alta – realizadas com baixa amplitude, mas 
grande explosão, especialmente para surpreender o adversário. Esta 
habilidade depende taticamente: 1) do tempo e percepção espacial; 2) rapidez 
e 3) domínio da habilidade;
• Fintas – habilidades técnicas individuais usadas com a intenção de enganar 
ou confundir o adversário, tanto no ataque quanto na defesa. Usadas para 
superar uma marcação e podem ser realizadas com bola ou sem bola.
95
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3 
Cardinal (1995 apud CORDEIRO, 1997) determina que os ensinamentos 
técnicos devem seguir um esquema operacional no qual as etapas de 
treinamento, seus conteúdos, condições, meios e exigências de tarefas de cada 
etapa respeitem uma proposta sequencial para o desenvolvimento dos jogadores 
para a competição, sugerindo nesta ordem:
• Ensino da mecânica de um fundamento;
• Estabilização de um fundamento;
• Desenvolvimento da inteligência tática;
• Integração do jogador / utilização do fundamento no sistema de jogo;
• Monitorização da efi ciência do fundamento na competição (scout).
Por outro lado, Weineck (1999) sugere que o aprendizado das técnicas 
esportivas seja dividido em quatro fases distintas:
1. Fase de Informação e Aquisição – Fase inicial em que o jogador tem o 
primeiro contato com a técnica a ser aprendida e desenvolve os requisitos 
básicos para a execução. A boa aquisição da técnica é infl uenciada por:
a. Sua experiência motora anterior (repertório motor);
b. Seu nível inicial de coordenação motora; 
c. Sua capacidade de observação, compreensão e correção do movimento.
2. Fase da Coordenação Grosseira – Fase na qual acontece a experiência 
inicial da execução prática e por informações verbais simples. Ao fi nal desta 
fase, o jogador deve absorver o movimento, pelo menos de forma ampla 
ou grosseira. Os principais erros percebidos nesta fase e que demandam 
correção importante para o desenvolvimento da técnica são:
a. Emprego excessivo da força;
b. Problemas rítmicos;
c. Execução não fl uente (aos trancos);
d. Movimentos insufi cientemente abrangentes;
e. Velocidade não adequada (demasiadamente lento ou muito rápido);
f. Falta de precisão.
3. Fase da Coordenação Fina – Fase onde se busca a melhoria da técnica 
executada com precisão. Maior compreensão das informações verbais e o 
aumento da precisão dos movimentos. Os principais fenômenos observados 
são:
a. Mobilização adequada da força;
b. Ritmo e abrangência adequados;
c. Fluência dos movimentos.
4. Fase de Fixação, Complementação e Disposição dos Movimentos – Fase 
onde a utilização das técnicas é feita com perfeição e em situações pouco 
96
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
habituais. O movimento é realizado com:
a. Precisão;
b. Constância;
c. Harmonia.
A preparação técnica segue asfases de desenvolvimento que foram 
sugeridas aqui por meio dos cuidados com o aprendizado de forma pedagógica, 
ou seja, do simples ao mais complexo. Estas fases também foram apresentadas 
no capítulo 1 deste Caderno e devem ser revistas. Continuamos o assunto, 
destacando a formação de jogadores para os esportes coletivos, só que agora em 
seus aspectos táticos.
A Preparação Tática para os 
Esportes Coletivos
Tática é uma das capacidades fundamentais dos jogadores dos 
esportes coletivos e parte importante das características do próprio 
esporte, merecendo defi nições a seu respeito. Tática é a capacidade 
que um jogador deve ter na aplicação de suas funções e atribuições, 
nas variáveis situações que acontecem em uma partida. Greco (1998) 
explica que o desenvolvimento das capacidades táticas serve de 
base ao atleta na busca de soluções para as tarefas-problemas que a 
situação do jogo exige, sendo que a capacidade de solucionar situações-problema 
depende das capacidades coordenativas. A tática pode ser defi nida também como 
o repertório de ações ou recursos que o jogador utiliza e possui. Quanto maior 
o repertório de ações e mais recursos, maiores serão suas chances de sucesso 
(BOJIKIAN, 2002). 
Com a combinação entre as habilidades técnicas, físicas, táticas e 
psicológicas, o jogador terá a condição de “ver” e “ler”, em uma percepção 
completa, ilimitada e criativa, as opções que o jogo proporciona. Ele pode 
perceber e antecipar situações específi cas e isso só é possível devido à avançada 
inteligência tática dos jogadores.
Tática é a 
capacidade que 
um jogador deve 
ter na aplicação 
de suas funções 
e atribuições, nas 
variáveis situações 
que acontecem em 
uma partida.
“Ver” detalhes para “ler” o que irá acontecer e antecipar.
97
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3 
Existe a tática coletiva e a tática individual. Ambas devem ser 
assimiladas pela equipe e por cada componente dela. Por exemplo: 
Um jogador de voleibol, em um ataque, utiliza a técnica da cortada, 
que exige capacidades físicas, como força explosiva para saltar e 
para atacar a bola com velocidade de membros. Porém este jogador deve ter a 
condição de decidir “onde”, “como” e “por que” irá atacar. Para tomar a decisão 
este jogador precisa ter desenvolvido sua capacidade tática individual. A situação 
leva em consideração a ação adversária (bloqueio e posição de defesa) e a 
decisão se torna tática e não apenas física ou técnica. Por sua vez, a equipe está 
utilizando um sistema coletivo (recepção e ataque) para que o atacante possa 
atacar com maiores chances de sucesso. Esta condição está relacionada com a 
tática coletiva.
Durante a partida, a aplicação do plano de jogo depende de componentes 
táticos de defesa e de ataque. Colibaba e Bota (1997 apud BOMPA, 2005) 
sugerem que o treinamento do plano de jogo seja feito:
a) Para o Ataque (alguns conceitos são gerais para todos os esportes e 
outros são específi cos para os esportes de invasão):
Jogador deve ter a 
condição de decidir 
“onde”, “como” e 
“por que” irá atacar.
98
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Figura 12 - Componentes do treinamento tatico no ataque
Fonte: Colibaba e Bota (1997 apud BOMPA, 2005).
b) Para a Defesa (alguns conceitos são gerais para todos os esportes e 
outros são específi cos para os esportes de invasão):
99
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3 
Figura 13 - Componentes do treinamento tático na defesa
Fonte: Colibaba e Bota (1997 apud BOMPA, 2005).
Como foi visto aqui, a tática está muito presente e tem grande importância 
nos esportes coletivos. Contudo, e apesar de estarmos discutindo os esportes 
praticados em equipe, as ações e as decisões dos jogadores acontecem de forma 
individual. Portando, devemos discutir agora a formação da tática individual.
a) Tática Individual
100
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Entende-se como tática individual a análise, a decisão e a resposta de um 
jogador a uma situação de jogo, visando à obtenção do melhor resultado em um 
tempo disponível (CORDEIRO, 1996). 
Por meio dos treinamentos e competições, os jogadores são 
capazes de desenvolver uma boa e rápida compreensão da situação 
real do jogo (O que está acontecendo?) e buscar uma solução 
adequada (O que eu devo fazer?). Por outro lado, os treinadores 
devem perceber os fatores que infl uenciam na solução mental para 
os problemas táticos que são mais comuns, e os jogadores devem 
estar preparados a solucioná-los. De acordo com Cardinal (1995), tais 
problemas se baseiam em:
• A velocidade de execução limita o tempo disponível para tomar a decisão 
apropriada;
• A qualidade da percepção afeta a leitura rápida das circunstâncias em 
situações táticas específi cas;
• O conhecimento tático e o alto número de repetições afetam o resultado;
• A memória, as lembranças de soluções efi cientes para problemas táticos 
parecidos, incrementam as habilidades táticas;
• O estado psicológico do jogador afeta a solução tática escolhida. 
A qualidade de ações táticas de um jogador vai depender não somente de 
seu nível técnico, físico e psicológico, mas também da capacidade cognitiva, 
da compreensão de elementos básicos do jogo, do grau de experiência, da 
velocidade de reação e da condição de cooperação e sacrifício.
A combinação da habilidade tática será enfatizada quando o jogador obtiver 
um grande repertório de habilidades motoras. O atleta adulto tem o seu repertório 
de soluções muito infl uenciado pela vivência motora experimentada na infância 
e pela intensidade com que as capacidades coordenativas foram desenvolvidas, 
quer em quantidade, quer em qualidade (BOJIKIAN, 2002). O jogador com boa 
habilidade motora irá utilizar esta qualidade em situações específi cas do jogo e 
a aplicação correta dessa habilidade é o alicerce de um time efi ciente (MAHLO 
apud CARDINAL, 1995). 
Nos esportes coletivos, a sequência de habilidades motoras é utilizada 
baseada em situações que envolvam soluções de habilidades táticas. Para atingir 
um nível de soluções táticas, o jogador deve seguir uma sequência de habilidades 
motoras que envolvem:
Percepção do problema ou situação tática. Isso é possível por meio da 
“leitura” de uma situação específi ca que indica intenções de ações por parte dos 
colegas de equipe e jogadores do time adversário.
Por meio dos 
treinamentos e 
competições, 
os jogadores 
são capazes de 
desenvolver uma boa 
e rápida compreensão 
da situação real do 
jogo (O que está 
acontecendo?) e 
buscar uma solução 
adequada (O que eu 
devo fazer?).
101
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3 
• Solução mental para resolver o problema tático e escolha da habilidade 
motora adequada para a situação.
• Execução perfeita da técnica requerida. Toda a jogada cria um problema tático 
para o time e o jogador envolvido na ação. 
Como consequência, a situação tática é o resultado de cada jogada e a 
resposta tática para resolver um problema tático temporário irá provocar novas 
e sucessivas variáveis, caracterizadas pelas ações com a bola (BAACKE, 1994).
Na prática, treinadores devem criar situações similares às encontradas em 
partidas ofi ciais. Para isso, devem:
• Desenvolver a autonomia do jogador;
• Utilizar exercícios e atividades que promovam efi ciência com menor esforço;
• Desenvolver a percepção do jogador;
• Controlar as incertezas dos jogadores;
• Utilizar exercícios dos mais simples aos mais complexos, com e sem 
oponentes;
• Modifi car as alternativas do jogo. 
A inteligência tática é adquirida por meio de execução e entendimento de 
exercícios e suas aplicações no jogo. Atividades devem seguir os princípios 
básicos, das simples para as mais complexas. 
O treinador é responsável pela melhora das habilidades de seus atletas com 
o incrementogradual de difi culdades nos treinamentos programados. 
Para desenvolver a inteligência tática, o treinador deve criar exercícios 
nos quais o jogador é desafi ado a resolver um ou vários problemas de 
jogo dentro de um processo de tomada de decisão (MÜLLER, 2009).
A inteligência tática é fator crucial que afeta a performance dos 
jogadores. É função do treinador assegurar-se de que o jogador consiga 
um nível elevado de desempenho. Para isso, deve ser competente na escolha 
e elaboração de exercícios que estimulem a inteligência tática. Deve, também, 
perceber erros táticos e corrigi-los, infl uenciando, assim, no desenvolvimento 
tático ideal do jogador. 
A defi nição da resposta motora ideal, feita pelo jogador, deve estar de 
acordo com a sua utilização em situação de jogo específi ca, e precisa levar em 
consideração a “leitura” de “pistas” importantes, demonstradas durante o jogo. De 
acordo com a apropriada relação de funções entre os jogadores de sua equipe 
e a boa leitura dos jogadores adversários, o bom jogador pode tomar a melhor 
decisão em resposta a uma situação específi ca enfrentada no jogo.
O treinador é 
responsável pela 
melhora das 
habilidades de 
seus atletas com o 
incremento gradual 
de difi culdades 
nos treinamentos 
programados.
102
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Quanto maior a inteligência tática, maiores as chances de ler e 
perceber as ações de defesa e ataque.
Greco (1995) relaciona a estreita semelhança entre as capacidades táticas 
e os processos cognitivos, exemplifi cando processos cognitivos envolvidos na 
execução de uma ação: percepção para elaborar as informações, seleção de sinais 
relevantes, reconhecimento para localizá-las, recordação para compará-las com as 
já gravadas na memória, representação para poder imaginar e antecipar a futura 
ação, conceituação da escolha da ação e a continuidade do gesto motor.
b) Tática Coletiva
A importância da tática individual deve ser aperfeiçoada e bem desenvolvida pela 
tática coletiva na busca da formação completa do jogador. Como estamos tratando 
dos esportes coletivos e não individuais, o grande desafi o do treinador é moldar os 
jogadores individuais em uma equipe efi ciente. O objetivo fi nal é uma união coesa, 
que pode orquestrar os talentos coletivos a serviço da equipe contra um oponente. 
O sucesso de uma equipe esportiva está relacionado com a habilidade dela em se 
ajustar e reagir às situações espontâneas assim que elas ocorram (NEVILLE, 1990).
Na fase de trabalho de equipe, o jogador deve buscar um bom relacionamento 
com os outros membros, em respeito às táticas de equipe e sistemas de jogo 
adotados por ela, uma vez que, de acordo com Baacke (1994), o sistema de jogo 
é usado na distribuição de funções, posições e áreas muitas bem defi nidas pelo 
treinador para todos os jogadores em todas as formações, nas fases ofensivas e 
defensivas, com o objetivo de facilitar as ações do jogo. Além disso, existem vários 
subsistemas de ataque, defesa e outros, dentro um sistema principal.
Os jogadores devem entender as formações e combinações táticas da equipe 
para confrontar as situações e as tendências de jogo com competência. As ações 
nos esportes demandam uma boa interdependência entre os jogadores. Mesmo o 
único fundamento técnico independente do jogo, realizado sem a infl uência direta 
de colegas e adversários, o saque, possui uma continuidade tática a qual, de acordo 
com a sua execução, irá antecipar ou determinar uma ação específi ca de bloqueio e 
defesa da equipe sacadora.
Cada ação de jogo, seja ofensiva, seja defensiva, requer uma boa relação entre 
todos os jogadores da equipe, afetando no resultado da ação enfrentada. Sendo 
assim, é função do treinador decidir qual é o melhor sistema de jogo a ser usado de 
acordo com as condições técnicas, táticas, físicas e psicológicas de seu grupo de 
jogadores.
103
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3 
Quanto maior a inteligência tática, maiores as chances de ler e 
perceber as ações de defesa e ataque.
c) Desenvolvimento da Inteligência Tática
A inteligência tática tem grande importância não só em situação específi ca do 
jogo, como também na evolução dos jogadores. O jogador completo deve possuir 
técnica refi nada, capacidade física privilegiada e controle mental excelente e, em 
momentos cruciais do jogo, deve igualmente ter as habilidades táticas para fazer 
decisões apropriadas. As limitações das habilidades táticas trarão complicações 
na busca do máximo nível de realização das técnicas necessárias, transformando 
o jogador em previsível.
O conceito de desenvolvimento ideal da tática do jogador deve levar 
em consideração a maneira como isso é transmitido ao iniciante. Tanto 
em aulas de Educação Física quanto no treinamento propriamente dito, 
o atleta iniciante deve buscar respostas de “o que fazer?” e “quando 
fazer?” ao invés de somente “como fazer?”. Geralmente os treinadores 
ensinam o “como?” antes do “por quê?”. É reconhecidamente bem maior o 
interesse do iniciante quando este é auxiliado e encorajado a tomar decisões 
corretas, baseado na consciência e no conhecimento tático que possui do jogo 
(BUNKER; THORPE, 1986). Neste momento, a criança começa a perceber a 
importância da tomada da melhor decisão na solução de um problema tático, a 
relevância da decisão e a escolha da técnica ou habilidade ideal que a situação 
apresentada requer. Essa percepção pode ser ensinada pelo professor/treinador 
na busca de um nível de performance elevado. Cada criança deve ser capaz de 
participar no processo de tomada de decisão, baseando-se no conhecimento 
tático, aumentando seu interesse e envolvimento pelo jogo. 
Esse processo didático, denominado de modelo de currículo para o 
ensinando do “teaching to understanding” (entendimento do jogo), foi sugerido 
em um estudo realizado por Bunker e Thorpe (1986), no qual o jogo é o objetivo 
inicial e, ao mesmo tempo, fi nal do processo de aprendizado, passando pela vital 
etapa de tomada de decisão, como exposto abaixo. Observe que o “Aprendiz” é 
colocado como central no processo ensino-aprendizado e deve ter toda a atenção 
individual pelo treinador/professor. Outro ponto importante é a mão-dupla entre a 
execução técnica e a tomada de decisão (tática). Este conceito ambíguo não se 
caracteriza em retroceder o processo evolutivo, mas sim a constante busca da 
escolha do gesto técnico ideal que se busca aperfeiçoar e a melhor decisão de 
como utilizá-lo taticamente.
Atleta iniciante deve 
buscar respostas 
de “o que fazer?” e 
“quando fazer?” ao 
invés de somente 
“como fazer?”.
104
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Figura 14 - O modelo de currículo de ensinamento do jogo
Fonte: Bunker e Thorpe (1986).
De acordo com o estudo de Bunker e Thorpe (1986), estas seis 
etapas de aprendizado do currículo do jogo envolvem aspectos cruciais 
na formação de atletas taticamente preparados. Cada etapa deve ser 
cumprida, avaliada e recomeçada como uma possibilidade cíclica, a 
saber:
1 – JOGO – A criança em processo inicial de aprendizado deve 
experimentar inúmeras variações do jogo, respeitando a sua idade 
e limitações. Basicamente diminuindo o tamanho da quadra, a altura 
da rede/tabela e o peso da bola, aumentando o tamanho do gol e 
mostrando os espaços da quadra/campo adversária, bem como 
diminuindo os espaços da sua quadra. A utilização dos jogos pré-
desportivos se torna imprescindível para crianças entre 10 e 12 anos, 
pois carrega uma semelhança próxima à versão adulta do jogo e se 
pode trabalhar conceitos de ataque e defesa, com alvos distintos, de 
acordo com a posição da bola e as posições dos jogadores do time e 
do time adversário.
2 – APRECIAÇÃO PELO JOGO – O “gosto” pelo esporte deve ser 
preparado por meio do conhecimento e entendimento das regras 
básicas do jogo pelo iniciante. Pelo mesmo princípio anterior de se usar 
os jogos pré-desportivos,a criança deve buscar o jogo de forma prazerosa, 
Seis etapas de 
aprendizado 
do currículo do 
jogo envolvem 
aspectos cruciais 
na formação de 
atletas taticamente 
preparados.
O jogo de forma 
prazerosa.
Diminuindo o 
tamanho da quadra, 
a altura da rede/
tabela e o peso da 
bola, aumentando 
o tamanho do 
gol e mostrando 
os espaços da 
quadra/campo 
adversária, bem 
como diminuindo 
os espaços da sua 
quadra.
xxxxx
105
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3 
em que as difi culdades sejam amenizadas. Nesse sentido, a bola deve estar 
em jogo o maior tempo possível, possibilitando a repetição dos fundamentos, 
a leitura tática do iniciante e estimulando o interesse pelo esporte. Não 
raramente, regras são alteradas para que este repertório tático e o interesse 
aumentem ainda mais. A alteração da regra também pode ser utilizada no 
estímulo de soluções táticas dos jogadores.
3 – CONSCIÊNCIA TÁTICA – O entendimento das regras deve ser 
então adicionado ao conhecimento ou à consciência tática por meio 
do conhecimento do jogador de suas virtudes e limitações, de sua 
equipe e da equipe oposta. A escolha do tipo de ação, da opção 
de ataque, da armação do jogo para um ou outro atacante, entre 
outros, deve seguir o princípio da melhor opção de acordo com a 
situação do jogo. Essa consciência é trabalhada individualmente para, então, 
seguir para o coletivo, e deve ser estimulada pelo treinador e não apenas 
respondida por ele. Primeiramente, o jogador completo deve ter a condição de 
solucionar os problemas de forma unilateral e poder reconhecer se a decisão 
tomada foi ou não a melhor escolha e por quê.
4 – TOMADA DE DECISÃO – Os esportes coletivos são de prática 
extremamente rápida e exigem de seus praticantes soluções 
imediatas para problemas diversos. Esse processo decisório pode 
ser considerado o grande fator de distinção na formação de atletas 
de ponta ou atletas ordinários. O jogador e o treinador devem 
entender as diferenças entre o “o que fazer?” e o “como fazer?” 
para reconhecer defeitos e virtudes na escolha da opção. 
4.1. “O que fazer?” – Por meio da consciência tática, o atleta 
deve buscar a solução do problema aparente e buscar a 
tomada de decisão ideal de acordo com (1) as “pistas” que 
são perceptíveis, (2) antecipar a situação-problema e (3) 
prever os resultados possíveis. Por exemplo, no basquete, o 
armador arrisca em uma assistência mais difícil, que apesar 
dos riscos, poderá promover um ataque mais efi ciente em 
relação ao posicionamento da defesa adversária.
4.2. “Como fazer?” – Tomada a decisão de “o que fazer?”, o 
jogador deve, então, ter a condição de realizar o fundamento da melhor 
maneira, sendo que esta escolha interfere criticamente na resposta 
apropriada. Por exemplo: O goleiro, no handebol, percebendo a intenção 
do atacante adversário de executar o ataque no lado esquerdo, abre 
esta possibilidade, dando espaço ao atacante e, depois, movimenta os 
braços no sentido do ataque, “fechando” a opção primeira. 
Solucionar os 
problemas de forma 
unilateral e poder 
reconhecer se a 
decisão tomada foi 
ou não a melhor 
escolha e por quê.
Buscar a tomada 
de decisão ideal 
de acordo com (1) 
as “pistas” que são 
perceptíveis, (2) 
antecipar a situação-
problema e (3) 
prever os resultados 
possíveis.
Tomada a decisão 
de “o que fazer?”, 
o jogador deve, 
então, ter a 
condição de realizar 
o fundamento da 
melhor maneira, 
sendo que esta 
escolha interfere 
criticamente na 
resposta apropriada.
106
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
5 – HABILIDADE TÉCNICA – A execução da habilidade técnica 
depende do nível do atleta e do “leque” de técnicas que ele(a) possui. 
Deve incluir aspectos qualitativos entre a efi ciência mecânica do 
movimento e a sua relevância de escolha em uma situação particular 
do jogo. 
6 – PERFORMANCE – O grau de performance deve ser observado por 
meio dos resultados medidos em comparação de critérios considerados 
ideais ou de alto rendimento e depende de cada aprendiz. Em níveis 
de performance (que variam entre escolar e internacional) pode-se 
classifi car iniciantes como bons ou maus jogadores e deve ser medida 
de acordo com a conveniência da resposta, assim como a efi ciência da 
técnica efetuada.
Resumindo esta parte, podemos exemplifi car em um quadro cada etapa 
do aprendizado para os esportes. Então, utilizaremos o voleibol como esporte 
modelo para a iniciação:
Efi ciência mecânica 
do movimento e a 
sua relevância de 
escolha em uma 
situação particular 
do jogo. 
Resultados medidos 
em comparação 
de critérios 
considerados 
ideais ou de alto 
rendimento e 
depende de cada 
aprendiz.
Quadro 15 – Etapas do aprendizado para os esportes
ETAPAS DO APRENDIZADO EXEMPLO
1. JOGO Minivolei (Pré-desportivo em trios)
2. APRECIAÇÃO PELO JOGO
Disputa em minijogos, sets de apenas 5 pontos e 
quem vence continua na quadra
3.CONSCIÊNCIA TÁTICA “Ace” vale 2 pontos
4. TOMADA DE DECISÃO
Modifi car a recepção adversária para que o 
sacador encontre os espaços vazios
5. HABILIDADE TÉCNICA Saque sem erro efetivo
6. PERFORMANCE
Qual trio se manteve maior tempo jogando?
Discussão ao fi nal do treino.
Fonte: O Autor.
Atividade de Estudos:
 1) Você aprendeu sobre o currículo tático de um jogador. Agora 
para descrever cada uma das etapas e exemplos, você deve 
utilizar as características do seu esporte para, então, completar o 
quadro:
ETAPAS DO APRENDIZADO EXEMPLO
1. JOGO
2. APRECIAÇÃO PELO JOGO
3.CONSCIÊNCIA TÁTICA
4. TOMADA DE DECISÃO
107
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3 
Outros conceitos táticos são importantes e devem também ser usados 
como referência na base quando se busca desenvolver o entendimento tático 
dos jogadores. Entre eles estão: Autonomia, Efi ciência e Efi cácia, Percepção e 
Alternâncias:
• Autonomia –é um importante fator no desenvolvimento tático dos jogadores, 
uma vez que constitui a capacidade do indivíduo de tomar uma decisão 
racional e assumir a responsabilidade por suas ações. O jogador deve seguir 
um planejamento estratégico e as orientações determinadas pelo treinador. 
Contudo, deve, também, ter a condição de jogar livremente e tomar decisões 
constantes para um melhor rendimento tático. 
 Quando se fala em autonomia se pensa em independência, liberdade. O 
jogador deve ter esta liberdade para criar e tomar decisões em situações táticas 
que o jogo oferece constantemente, tomando decisões de maior ou menor risco. 
Como ele pode sair de uma situação complicada e tomar uma decisão positiva, 
irá depender de sua autonomia de melhor escolha. Não podemos confundir 
autonomia com excesso de liberdade na escolha da melhor opção. Nesse sentido, 
fatores como experiência, habilidade técnica e a condição física determinarão e 
infl uenciarão na decisão. 
• Efi ciência/Efi cácia – Efi ciência é o adjetivo ao atleta que se encaixa na 
postura de estar realizando o seu trabalho de maneira capaz e hábil. Já 
Efi cácia é o adjetivo ao atleta que produz o resultado esperado. Acertar 
simplesmente um saque se enquadra na ação técnica do jogador efi ciente, 
enquanto fazer um “ace” se encaixa no exemplo de efi cácia. A combinação 
dos dois adjetivos deve ser o objetivo maior de todos os atletas e a efi cácia 
depende basicamente da efi ciência.
• Percepção – A palavra percepção se encaixa na defi nição de que o jogador 
se torna ciente de um pensamento ou de uma sensação que ele antecipa de 
acordo com pistas em relação aos dados que uma ação proporciona (TANI 
et al., 2004). A altura e a trajetória da bola em relação ao deslocamento ou 
ao uso de uma técnica específi ca, o gesto técnico do adversário, as falhas 
de posicionamento, entre outros, são casos onde a percepção pode fazer a 
diferença na execução de uma decisão tática.
• Alternâncias – O bom jogador de voleibol tem a característica de buscar 
novasopções de adaptação ao jogo de acordo com as exigências de um 
dado fundamento ou momento da partida. Um exemplo clássico que podemos 
5. HABILIDADE TÉCNICA
6. PERFORMANCE
108
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
usar é quando o atacante, no voleibol, utiliza diferentes tipos de ataques (fortes, 
fracos, largadas, colocados, explorando, paralela, diagonal, etc.), confundindo o 
bloqueio e defesa adversário. As alternâncias são importantes no alto rendimento 
em momentos de defi nição dos sets. Um jogador com uma capacidade de 
alternar nestes momentos provavelmente será o escolhido para defi nir a partida 
em um saque ou ataque decisivo. No caso do levantador, a alternância tem 
importância ainda maior por se tratar de um regente da atuação da equipe e 
de seus atacantes. Cabe a ele alternar os levantamentos, evitando o bloqueio 
marcado na maioria das situações. Alternar as bolas rápidas com bolas altas, 
combinar jogadas de ataque de rede e de fundo de quadra, além de promover 
a melhor opção de ataque contra uma defi ciência de bloqueio adversário, é o 
trabalho tático condicionado ao levantador completo.
Os treinamentos destes aspectos táticos devem ser incorporados ao treinamento 
diário de acordo com os objetivos específi cos de cada treino. O treinamento 
tático deve estar conectado com o treinamento técnico. O primeiro proporciona o 
“conhecimento” do jogo. O segundo proporciona a “condição” de executar uma ação 
específi ca durante o jogo. Contudo, a maioria dos treinadores gasta mais tempo 
e energia treinando e aprimorando aspectos técnicos e a minoria usa o tempo de 
treinamento aperfeiçoando seus atletas na busca de melhores performances nas 
táticas dos esportes.
Quando pensamos sobre esportes, devemos incluir a tática como 
fator fundamental no desenvolvimento de atletas completos. Não podemos 
desenvolver atletas competitivos levando em conta apenas aspectos 
técnicos, físicos ou psicológicos. Jogadores devem ser “formados” com 
a aquisição de todas as capacidades e aspectos com o mesmo grau de 
importância. A união de todas essas capacidades em um nível de utilização elevado 
irá classifi car o atleta como completo ou limitado.
A tática compreende vários aspectos de caráter individual e coletivo. Além disso, 
para cada tipo de ação envolve o entendimento do jogo, respeito as regras e uma 
conduta ideal.
Devemos incluir a 
tática como fator 
fundamental no 
desenvolvimento de 
atletas completos.
Na sua prática como treinador, escolha alguns de seus 
jogadores e pergunte a eles sobre situações que envolvam decisões 
táticas para determinada ação no jogo. Assim, você pode conhecer 
melhor as decisões e o nível de inteligência tática de seus jogadores.
Por exemplo, questione o porquê: 
• De preferir chutar a gol ao invés de passar a bola ao colega 
melhor colocado?
109
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3 
A Preparação Psicológica para os 
Esportes Coletivos
O trabalho psicológico deve ser feito por especialistas nesta área difícil do 
desenvolvimento humano. Treinadores, contudo, fazem uma parte fundamental na 
função de estimular seus comandados na busca de um maior rendimento. Em muitos 
casos, não dispomos de um psicólogo do esporte para nos auxiliar na construção 
psíquica de nossos atletas. Mesmo assim, podemos, com o treinamento, aprimorar 
as faculdades cognitivas, emocionais ou sociais, por meio do treinamento técnico, 
físico e, principalmente, tático da equipe.
O esporte abre as portas para inseguranças, medos, ansiedades, estresses, 
agressões humanas e somatizações. Por essas e por outras, o atleta vive na fronteira 
do desequilíbrio emocional. O trabalho do psicólogo é fazer com que o atleta busque 
o equilíbrio, tanto físico quanto mental. O psicólogo do esporte trabalha no sentido 
de desenvolver no atleta maior percepção de seu corpo e mente. Os resultados 
são muitos, como aumento da concentração durante jogos, diminuição do estresse, 
automatização de cuidados básicos, velocidade de raciocínio para melhores 
respostas durante o jogo, entre outras (ANDRADE, 2010).
A preparação psicológica é tão importante quanto a preparação física, técnica ou 
tática dos jogadores. A maioria dos erros dos jogadores durante as partidas acontece 
por questões de desatenção, ansiedade ou descontrole psicológico. Na busca da 
formação completa do jogador, não podemos esquecer deste fator que, por muitas 
vezes, faz a diferença entre a evolução total do atleta ou sua limitação, por meio da 
motivação necessária ou desmotivação limitadora. 
O trabalho do treinador deve ser de transformar a motivação de seus atletas 
iniciantes em resultado na busca da melhoria das condições gerais para o esporte, 
além de voltar-se às técnicas de treinamento na busca da própria motivação. Para 
isso, o treinador deve fazer uso de uma práxis consciente, na qual o iniciante sofra o 
estímulo e esteja preparado para outro, mantendo sempre o seu nível motivacional 
alto. É vital ao técnico promover treinamentos em que estimule o nível de atenção 
e de concentração do atleta, além de deixar claro quais são os objetivos gerais e 
específi cos do trabalho a ser realizado.
Para os jogadores, aspectos da formação psicossocial contribuirão na 
construção de um atleta formado para o esporte. Esses aspectos fundamentais são:
• De ter sacado em determinada posição?
• De não arremessar de três pontos?
• De ....?
110
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
• Percepção - Ato, efeito ou faculdade de perceber; recepção, pelos centros 
nervosos, de impressões colhidas pelos sentidos. É a faculdade de perceber 
pelos sentidos, pela consciência, que é dada imediatamente após as percepções 
adquiridas e suas consequentes deduções imediatas (MICHAELIS, 2016).
• Concentração – Capacidade com a qual o indivíduo foca e seleciona estímulos. 
No esporte, vários estímulos acontecem ao mesmo tempo, como a bola, os 
companheiros, o adversário, o público, a arbitragem, entre outros. Nesse caso, a 
concentração irá defi nir qual estímulo é o mais importante. O nível de concentração 
depende do grau de solicitação e atuação do estímulo, levando a uma melhor 
focalização da fonte estimuladora. Depende da capacidade motivacional e da 
condição física do atleta. 
• Imaginação – De acordo com o dicionário Michaelis (2016), e traduzido para 
a linguagem de interesse do assunto deste livro, imaginação tem utilização 
construtiva, embora não necessariamente de feição criadora, de experiências 
perceptivas anteriores; reorganização de elementos dessa espécie. No caso do 
jogador de voleibol, a imaginação irá depender, portanto, da experiência anterior. 
Estas experiências, se positivas ou criativas, irão estimular o desenvolvimento total 
ou ideal do poder criativo e imaginário do jogador.
• Motivação - Nada mais importante ao esporte do que a motivação, uma vez que 
esta determina a razão da própria prática. Segundo Green (1994), motivação é 
uma espécie de energia psicológica ou tensão que põe em movimento o organismo 
humano, determinando um dado comportamento. Além disso, é o processo de 
caráter social em que acontece a iniciação de uma ação consciente e voluntária. 
Green (1994) completa dizendo que a motivação se refere à iniciação, à direção, à 
intensidade e à persistência no comportamento humano. Dentro disso, percebe-se 
que a iniciação, a progressão e a manutenção esportiva dependem primeiramente 
do nível motivacional do jogador.
Os aspectos psicológicos são tão ou mais importantes do que os outros aspectos 
para o desenvolvimento e melhora da performance dos jogadores dos esportes 
coletivos. Outras características estão explicadas no capítulo 4 deste caderno, que 
apresenta aspectos de preparação psicológica antes, durante e depois dos jogos.
Algumas ConsideraçÕes
Toda a aprendizagem motora deve seguir uma sequência pedagógica e 
hierárquica. O aprendizado e fi xação de um gesto técnico deveser positivo para, então, 
criar variações e difi culdades adicionais. A aquisição das habilidades pelo jogador é 
de responsabilidade do treinador e compõem um processo hierárquico que se inicia 
na elaboração da prática (planejamento e defi nição dos objetivos), na apresentação 
da prática (instruções e orientações a serem seguidas pelos atletas), na estrutura da 
prática (como será o treinamento propriamente dito), assim como a correção da prática, 
por meio do feedback.
111
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3 
O jogador deve ter a sua formação baseada na relação ideal de quatro 
competências (Competências Técnicas, Táticas, Físicas e Psicológicas). Cada um 
destes fatores abrange situações que infl uenciam no aprendizado e desenvolvimento 
completo do jogador. Essas exigências estão determinadas e divididas propriamente 
no auxílio do entendimento de cada passo a ser adquirido e observado para a 
consolidação de uma preparação completa e ideal. 
Cada competência tem a sua importância e somente a boa relação entre elas, 
em sua plenitude, dará a perspectiva de determinar a condição de um jogador estar 
ou não apto a atuar em alto nível ou na categoria adulta. Cada fator tem infl uência no 
seguinte. Um complementa ou compensa o outro, de acordo com as necessidades 
de evolução para o esporte ou em situações específi cas de jogo.
É vital ao progresso dos jogadores que cada fundamento, treinado 
individualmente, tenha progressão em uma atividade que o combine com a realidade 
do jogo. Muitos treinadores preparam seu treinamento de passe, por exemplo, e 
trabalham este fundamento por vários minutos, com a intenção de aprimorá-lo ou 
corrigi-lo. Contudo, após o treinamento técnico, acontece o treinamento com o jogo 
ou a simulação do jogo. Neste momento, aquele determinado fundamento, passe, 
deve estar em evidência, promovendo, assim, uma progressão de importância e a 
manutenção do nível de atenção e correção do atleta. Alguns treinadores, quando 
entram na parte principal do treinamento, não exigem ou não progridem neste 
conceito, limitando, desse modo, a evolução do fundamento proposto. Em outras 
palavras, apesar de vários minutos e repetições na busca de uma correção e 
aprimoramento do fundamento, é na situação real do jogo que aquela correção deve 
aparecer e ser entendida como evolutiva para o atleta e para a equipe como um todo.
ReFerÊncias
ANDRADE. Ana. Psicologia Desportiva. 2010. Disponível em: <http://
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WEINECK, J. Treinamento ideal. Tradução de Beatriz Maria Romano Carvalho. São 
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CAPÍTULO 4
Modelos de Organização e 
Treinamento das Modalidades 
Coletivas: Basquetebol, Futebol, 
Futsal, Handebol e Voleibol
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
 Identifi car os modelos e organização para cada modalidade relacionada;
 Aplicar os modelos de organização e treinamento para cada modalidade 
coletiva.
114
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
115
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
ConteXtualização
Agora que já vimos os aspectos teóricos relacionados às modalidades 
coletivas, vamos focar, neste capítulo, na parte prática da preparação da equipe. 
Discutiremos as características dos esportes por ordem alfabética (basquetebol, 
futebol, futsal, handebol e voleibol). Dentro de cada modalidade, apresentaremos a 
preparação física, técnica e tática, dentro de suas características e particularidades. 
Contudo, a preparação psicológica considera todos os esportes, uma vez que este 
tipo de preparação está vinculado ao comportamento dos jogadores em situações 
de jogo com a bola, companheiros de equipe e adversários. Essas situações são 
comuns a todos os esportes coletivos. 
As modalidades citadas estão consideradas na divisão das competências a 
serem treinadas, com sugestões e estratégias de como melhorar cada uma delas. 
Sugerimos, agora, um planejamento resumido de preparação para a equipe, de 
acordo com a faixa etária ou nível técnico dos atletas. Lembramos que o objetivo 
deste caderno não é apresentar receitas, e sim sugestões e defi nições das 
modalidades e de suas práticas. Você pode alterar e melhorar de acordo com a 
sua necessidade e interesse, além de buscar outros autores sobre o assunto.
Basquetebol
O basquetebol é um dos desportos mais conhecidos e praticados no mundo. 
Tem o objetivo claro, a cesta, o que auxilia na compreensão do jogo e, assim, 
exerce grande infl uência nas crianças. 
González et al. (2014) descrevem que, ao analisar a lógica interna do 
basquetebol, é possível compreender, devido à necessidade de cooperar com os 
companheiros para marcar cestas, que ele é extremamente coletivo. Como as 
ações de ambas as equipes estão relacionadas a interferir e sofrer interferência 
do ou pelo adversário, a modalidade é classifi cada como com interação entre 
adversários. Os autores discorrem, ainda, que, quanto ao tipo de esporte, o 
basquetebol faz parte do grupo das modalidades de invasão. Caracteriza-se pela 
necessidade constante de solução de problemas, nas diversas situações em que 
ocorrem e são típicos durante o jogo. Trata-se de um rápido processo cognitivo em 
que o jogador precisa perceber todas as informações relevantes para sua ação, 
escolher o que fazer entre as várias opções existentes e, fi nalmente, executar os 
movimentos para solucionar as difi culdades de forma efetiva naquele momento 
específi co e em um momento muito curto, às vezes, em menos de um segundo 
(GONZÁLEZ et al., 2014).
116
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
a) A preparação física no basquetebolDe acordo com Bompa (2005), o basquetebol depende essencialmente dos 
sistemas aeróbico e anaeróbico lático e possui as seguintes características físicas:
• Sistema de energia dominante: aeróbico-lático
• Ergogênese: alático - 20%; lático – 40%; aeróbico – 40%
 – Alta queima de energia, intercalada com cerca de 40 tipos de saltos 
variados, com curtos períodos de recuperação;
 – Altas acelerações/desacelerações e outras variações de corrida (de 5 
a 7km por jogo), seguidas por uma média de 280 mudanças rápidas de 
direção por jogo.
• Batimentos cardíacos: média de 167 bpm, 25% do tempo acima de 180bpm.
• Fatores limitantes de performance: potência de aceleração e desaceleração, 
potência de salto, agilidade, coordenação e domínio de bola, velocidade de 
reação e tempo de movimento.
• Objetivos de treinamento:
 – Desenvolvimento dos três sistemas de energia (QF Imprescindível (IM)) 
com meios de treinamento específi cos para o jogo. Uma boa resistência 
aeróbica ajudará na efi ciência dos jogadores, principalmente no segundo 
tempo. Uma boa recuperação pós-jogo e entre os exercícios depende de 
uma boa base aeróbica.
 – Desenvolvimento da força máxima (QF Imprescindível (IM)), base do 
aperfeiçoamento da potência, da aceleração, da desaceleração, das 
mudanças rápidas de direção e do trabalho rápido e altamente coordenado 
de pés.
 – Desenvolvimento da resistência muscular localizada (QF Imprescindível 
(IM)) e da resistência de força, ou a habilidade de realizar repetidas ações 
de potência durante todo o jogo.
 – Desenvolvimento da velocidade (QF Imprescindível (IM)) máxima, 
realizada com boa técnica.
Dantas (2003) destaca que os jogadores de basquete, na fase básica de 
preparação, devem adquirir níveis básicos de fl exibilidade, RML, força dinâmica, 
resistência aeróbica e velocidade de movimentos. Na fase específi ca, devem 
aprimorar os níveis de força explosiva e resistência anaeróbica e, no período de 
competição, devem aperfeiçoar as capacidades adquiridas. 
A partir dessa composição, Dantas (2003) sugere que os métodos a serem 
utilizados na preparação física do basquetebol durante a temporada podem ser 
assim distribuídos:
117
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
Quadro 16 - Métodos a serem utilizados na preparação física do basquetebol
QUALIDADES
FÍSICAS
PERÍODO PREPARATÓRIO PERÍODO DE 
COMPETIÇÃO
PERÍODO DE 
TRANSIÇÃOFASE
BÁSICA
FASE
ESPECIFÍCA
RML e 
Força Dinâmica Musculação Circuito Circuito Calestenia
Força Explosiva - Power Training Power Training ou Circuito -
Res. Aeróbica Fartleck Fartleck Corrida continua Cross Promenade
Res. Anaeróbica - Circuito Circuito -
Velocidade Métodos Intervalados Circuito Circuito -
Flexibilidade 3S 3S 3S Métodos Passivos
Fonte: Dantas (2003).
Lembrando que existem outros autores, outras sugestões e outros métodos 
de treinamento que podem ser utilizados na periodização da preparação física do 
basquetebol.
b) A preparação técnica no basquetebol
De acordo com Gonzáles et al. (2014), a “técnica” no basquetebol vincula–se 
à forma de executar os movimentos de passes, arremessos, dribles, etc. Os tipos 
de passe peculiares dessa modalidade são: de peito, quicado, gancho, de ombro, 
com uma mão e por cima da cabeça. Os tipos de arremessos: bandeja, jump, 
gancho e com uma das mãos, de curta, media ou longa distâncias. Os tipos de 
drible, basicamente, são: de proteção e de progressão. 
É importante compreender que os fundamentos técnicos mencionados antes 
correspondem à última parte de um complexo processo cognitivo o qual permite ao 
jogador ler e tomar decisões em relação ao jogo. Desse modo, os movimentos são 
oriundos da “dimensão tática”. Logo, dos elementos do desempenho esportivo, a 
“tática individual” precisa ser o foco central do ensino, não sendo conveniente o 
ensino das habilidades técnicas de forma isolada (GONZÁLEZ et al., 2014).
• Fundamentos do Basquetebol
 – Drible (COUTINHO, 2003 apud JOSGRILBERG, 2007):
 Drible Alto ou de Velocidade: utilizado para deslocar-se pela quadra sem 
marcação mais severa. A bola, normalmente, sobe até a altura da cintura do 
jogador, quando é novamente impulsionada ao solo;
 Drible Baixo ou de Proteção: utilizado quando o jogador, de posse da bola, 
118
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
sofre uma marcação mais próxima. A bola, normalmente, sobe até a altura do 
joelho do jogador, quando é novamente impulsionada ao solo. Deve-se utilizar 
o braço e a perna opostos à mão que impulsiona a bola para proteção desta.
 – Passe - Ferreira e De Rose Jr. (2003 apud JOSGRILBERG, 2007) 
destacaram diversas formas de realização do passe:
 Passe de Peito: Realizado com as duas mãos, em que a bola realiza uma 
trajetória em linha reta até o receptor. A bola parte da altura do peito daquele 
que executa o movimento. Utilizado para curtas distâncias.
 Passe Picado: Realizado com uma ou duas mãos, em que a bola em sua 
trajetória toca o solo antes de chegar ao receptor. Utilizado para desviar a bola 
dos defensores.
 Passe de Ombro: Realizado com uma das mãos, em que a bola realiza uma 
trajetória em linha reta até o receptor. A bola parte de cima do ombro daquele 
que executa o movimento. Utilizado para longas distâncias.
 Passe por cima da Cabeça: Realizado com as duas mãos, em que a bola 
realiza uma trajetória em linha reta até o receptor. A bola parte de cima da 
cabeça daquele que executa o movimento. Utilizado para passar a bola para 
jogadores mais altos.
 Passe de Gancho: Realizado com uma das mãos, em que a bola realiza 
uma trajetória parabólica até o receptor. O movimento do braço daquele que 
executa o passe é similar a um gancho. Utilizado para longas distâncias com 
a presença de defensores.
 – Arremessos - Ferreira e De Rose Jr. (2003 apud JOSGRILBERG, 2007) 
caracterizaram as diversas formas de arremesso no jogo de basquete: 
 Com uma das mãos: Realizado sem salto. Utilizado na cobrança dos lances-
livres.
 Jump: Similar ao arremesso com uma das mãos apenas com a inclusão do 
salto. Utilizado para médias e longas distâncias. 
 Bandeja: Caracterizado por dois tempos rítmicos ou passos. Utilizado nos 
contra-ataques e nas infi ltrações após aproximação da cesta.
 De gancho: Arremesso em que o braço que lança a bola realiza trajetória 
similar à de um gancho. Utilizado pelos pivôs.
 Enterrada: Caracterizada pelo jogador “prensar” a bola para dentro da cesta. 
Utilizada por jogadores altos ou com grande impulsão.
 – Rebotes – Deve-se considerar (COUTINHO, 2003 apud JOSGRILBERG, 
2007):
 –
 Ofensivo - localização da bola – por meio de visualização; sair do bloqueio do 
defensor – tentar se aproximar da cesta; salto e recuperação da bola - saltar 
119
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
e agarrar a bola com as duas mãos; aterrissagem – de forma equilibrada; 
fi nalização – novo arremesso ou passe para um companheiro; 
 Defensivo - antecipar-se ao adversário - estando concentrado para qualquer 
movimentação; bloqueio do adversário - impedindo que o atacante se 
aproxime da cesta e posicionando entre o atacante e a cesta, de frente para 
esta por meio de um giro; localização da bola – por meio de visualização; salto 
e recuperação da bola - esperar a bola tocar no aro para saltar e agarrar a bola 
com as duas mãos; aterrissagem – de forma equilibrada; fi nalização – sair 
pela lateral da quadra, driblando ou passando a bola para um companheiro.
c) A preparação tática no basquetebol
O basquetebol é um dos esportes em que as combinações táticas 
ocorrem com frequência. Praticamente em todo ataque é possível observá-las. 
Combinações táticas como passar e seguir, bloqueio indireto, bloqueio direto 
dinâmico e bloqueio direto estático, são exemplos dessas ações combinadas. 
Os sistemas de jogo, por suavez, correspondem à distribuição dos jogadores na 
quadra (GONZÁLEZ et al., 2014) e a estratégia que a equipe utilizará, tanto para 
defender quanto para atacar.
• Sistemas Ofensivos no Basquetebol
Os sistemas de ataque consistem em movimentações táticas que 
apresentam como principal objetivo a obtenção dos pontos/cesta. Contudo, por 
apresentar inúmeras opções de ataque, os sistemas ofensivos não apresentam 
uma categorização bem defi nida. Ferreira e De Rose Júnior (2003) descrevem 
que para defi nir qual o sistema de ataque que será utilizado contra defesa 
individual ou qualquer outro tipo de sistema defensivo, deve-se considerar quais 
os movimentos escolhidos, e não as posições ou a distribuição dos atacantes em 
quadra. Portanto, podemos classifi car os sistemas de ataque de acordo com 
a defesa contra a qual se irá atuar, associados a três fatores, como referência 
(PENHA et al., 2014):
 – O primeiro referencial é o número de pivôs que o sistema ofensivo utiliza, 
independente das movimentações aplicadas para o seu desenvolvimento. 
 – O segundo referencial diz respeito à rotatividade, pois neste 
sistema os praticantes não têm um posicionamento fi xo, 
atuando, assim, em todas as posições. 
 – O terceiro referencial baseia-se na associação do 
posicionamento inicial dos atacantes, que considera a função 
inicial de cada membro da equipe e classifi ca o ataque de forma 
numérica.
Os sistemas de 
ataque de acordo 
com a defesa contra 
a qual se irá atuar.
Número de pivôs.
120
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Para que os pontos sejam obtidos, a equipe atacante defi ne 
alguns princípios táticos, relacionados às funções de cada jogador. De 
acordo com Reis (2005), o ataque no basquetebol permite realizar três 
situações distintas: 
 – Primeiro, a manutenção da posse de bola pelo maior tempo 
possível (dentro do que a regra permite),
 – Segundo, o desequilíbrio da defesa adversária, e 
 – Terceiro, a fi nalização. 
Já para González et al. (2014), o sistema ofensivo posicional 
é um dos mais utilizados. Quando a equipe está defendendo e parte 
para o ataque, pode utilizar contra-ataque direto e sustentado. A equipe 
pode atacar com 1 armador, 1 ala armador, 1 ala, 1 ala pivô e 1 pivô. 
Ou pode jogar com 2 pivôs, por exemplo (pontuação fi nal).
Rotatividade.
Posicionamento 
inicial dos atacantes.
A manutenção da 
posse de bola.
O desequilíbrio da 
defesa adversária.
Sistema ofensivo 
posicional.
A fi nalização
LOZANA, Claudio. Basquetebol uma Aprendizagem Através 
da Metodologia dos Jogos. Rio de Janeiro: Sprint, 2007.
• Sistemas Defensivos no Basquetebol 
Quando a equipe está defendendo, poderá escolher entre os sistemas de 
defesa por zona: 2:1:2, 1:2:2, 2:2:1, 2:3, 3:2, 1:3:1; defesa individual; defesa 
individual pressão-meia-quadra; defesa individual pressão quadra toda; defesa 
individual com fl utuação; sistema de defesa misto, entre outros. Obviamente, a 
escolha do sistema passa pela característica dos jogadores da equipe adversária 
(‘chutadores’ de 3 pontos, 1 ou 2 pivôs, jogadores com características de drible, 
etc.). A escolha do sistema no ataque, depende essencialmente do tipo de defesa 
que o oponente está utilizando (GONZÁLEZ et al., 2014).
 – Sistema Defensivo Zona – Marca a bola com relação à posição dos 
adversários. Os defensores estão sempre focados na bola (MARONEZE, 
2015).
 Características:
o A responsabilidade dos defensores é por setores;
o Cada defensor é responsável por um espaço da formação defensiva 
escolhida;
121
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
o Para escolher a formação, devemos considerar as características dos 
nossos defensores e as habilidades ofensivas das equipes opostas;
o Os critérios em determinar quais defensores irão marcar à frente devem 
ser para os jogadores mais velozes, devido às maiores distâncias a serem 
percorridas para as coberturas; e nas áreas de trás devem defender os 
jogadores mais altos e com maior capacidade de rebote defensivo;
o A defesa se movimentará de acordo com a bola e o responsável pelo setor 
irá bloquear com o seu corpo a linha de passagem do adversário para a 
cesta. Os demais irão se aproximar desta linha nos limites de seus setores 
ou outras sugestões de marcação determinadas pelo treinador.
 Vantagens:
o O posicionamento prévio dos defensores facilita a obtenção do rebote 
defensivo;
o Diminuição da efi ciência das jogadas de corta-luz feitas pelos adversários;
o Recomendada contra equipes com baixo percentual de acerto de 
arremessos de longas distâncias;
o Favorece a organização do contra-ataque;
o Indicado contra equipes que não realizam bons passes;
o Permite melhor aproveitamento dos jogadores mais lentos na defesa.
 Desvantagens:
o Os deslocamentos de defesa podem não acompanhar a velocidade do 
ataque adversário;
o Não funciona contra equipes com bons arremessadores “de fora”;
 o Sofre para cobrir as sobrecargas quando o ataque posiciona mais 
um atacante no mesmo setor de marcação de um defensor. 
Figura 15 - Sistemas defensivos mais utilizados 
no Basquetebol e algumas variações
122
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Fonte: Oliveira (2002).
123
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
 – Sistema Defensivo Individual – Marca os adversários com relação à 
posição da bola. Cada defensor estará focado no adversário que lhe cabe 
marcar (MARONEZE, 2015). 
 Características: 
o A responsabilidade defensiva está clara individualmente;
o Para determinar as marcações, o treinador deve utilizar critérios para 
que haja a equiparação e/ou superação dos seus jogadores com as 
características dos adversários;
o Os critérios são biotipo, qualidade técnica, qualidade física (velocidade, 
força, etc.) e psicológica;
o A escolha do tipo de defesa individual levara em conta as qualidades 
e possibilidades dos nossos jogadores e a fraqueza dos jogadores 
adversários.
 Vantagens:
o É fácil de ensinar e aprender;
o Podem-se explorar as condições físicas e técnicas individuais dos 
adversários e dos nossos jogadores;
o Iguala qualquer estratégia ofensiva adversária;
o Difi culta os arremessos de média distância;
o Exige maiores recursos técnicos e físicos dos adversários.
 Desvantagens:
o Aumento da difi culdade de organizar o contra-ataque, pois não há garantia 
de posições na obtenção do rebote defensivo;
o Difi culta a antecipação de passes;
o Aumenta a probabilidade de cometer faltas;
o Dá margem às penetrações;
o Exige maior atenção no rebote (Faltava pontuação fi nal).
 Variações:
o Existem duas grandes variáveis no sistema defensivo individual e a 
escolha deve ser determinada de acordo com a competência da defesa 
que se pretende utilizar:
124
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Quadro 17 - Variáveis no sistema defensivo individual
Primeira Variável Segunda Variável
QUADRA ADVERSÁRIO
Quadra toda (inteira) Com marca defi nida
Três quartos de quadra Por proximidade
Meia quadra Com possibilidade de troca
Um quarto de quadra (recuado) Sem possibilidade de troca
Fonte: Maroneze (2015).
 – Sistema Defensivo Misto – Une uma das variações do sistema zona com 
uma das variações do sistema individual (MARONEZE, 2015).
 Características:
o A responsabilidade defensiva será dividida em dois sistemas;
o Maiores variações por setor ou por posição;
o Maiores variações e possibilidades de acordo com as necessidades ou 
característica dos jogadores.
 Vantagens:
o Aprendizagem rápida desde que os sistemas anteriores tenham sido 
ensinados e aprendidos com qualidade;
o As marcas individuais irão exigir maior desempenho técnico e físico dos 
atacantes;
o Pode desorganizar a equipe adversária quando depende de um ou dois 
atacantes;
 Desvantagens:
o Alto desgastefísico quando da marcação individual;
o Trocas individuais difi cultadas;
o Maior vulnerabilidade dos setores.
 – Sistema Defensivo Pressão – provoca situações de dois defensores ou 
mais contra o atacante de posse da bola (MARONEZE, 2015).
 Características:
o As situações de 2x1 acontecem especialmente quando o jogador de posse 
da bola está com restrição de espaço, como nos cantos da quadra;
o Pode ser por setor ou individual;
125
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
o Pode ser aplicado na quadra toda ou meia-quadra, um quarto da quadra, 
etc.
 Vantagens:
o Grandes possibilidades de “roubar” a bola e marcar pontos em espaço de 
tempo reduzido;
o Pode obrigar o adversário a mudar as características normais de jogo, 
fazendo-o errar mais;
o Difi culta ao adversário cruzar a linha central, o que atrapalha a organização 
ofensiva e a equipe pode ser penalizada nos 8 segundos caso não 
ultrapasse a linha central.
 Desvantagens:
o Alto grau de risco, quando o adversário consegue se desvincular da defesa 
2x1, aumentando as suas chances de pontuar com jogadores “livres”; 
o Desgaste físico;
o Aumenta os índices de faltas;
o Existem saídas de pressão que geram contra-ataques.
d) Sugestão de modelo de treinamento para o Basquetebol
Após termos apresentado as características físicas, técnicas, táticas do 
basquetebol, sugerimos agora um planejamento resumido de preparação para a 
equipe, de acordo com a faixa etária dos atletas. 
Quadro 18 - A preparação dos jogadores de basquetebol na etapa 
de treinamento especializado - Sugestões para o desenvolvimento 
das capacidades físicas e o aperfeiçoamento da técnica e tática
FASES IDADE CAPACIDADES FÍSICAS TÉCNICA TÁTICA
Treinamento 
Especializado 
(Nível I)
15 a 17
Resistência de 
força, resistência 
aeróbica, início 
da força explosiva 
máxima
Aperfeiçoamento 
dos fundamentos 
individuais de grupo 
e coletivo
Aperfeiçoamento 
nas funções especí-
fi cas e nos sistemas 
de ataque e defesa
Treinamento 
Especializado 
(Nível II)
18 a 20
Desenvolvimento 
da força máxima, 
velocidade máxima, 
resistência anaeró-
bia máxima
Aprofundamento 
dos conteúdos 
individuais de grupo 
e coletivo
Aprofundamen-
to nas funções 
específi cas e nos 
sistemas defensivos 
e ofensivos
126
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Treinamento 
Especializado 
(Nível III)
Acima de 
20
Melhores resultados 
da força máxima, 
velocidade máxima, 
resistência aeróbia 
e anaeróbia máxima
Perfeição máxi-
ma na execução 
dos fundamentos 
individuais de grupo 
e coletivo
Capacidades 
ótimas de decisão: 
individual, em grupo 
e coletivamente sem 
necessidade de ter 
jogadas pré-deter-
minadas
Fonte: Oliveira (2002).
Atividade de Estudos:
 1) Você viu os aspectos relacionados à preparação para o 
basquetebol. Para levar esta teoria para a prática, elabore, agora, 
a partir do modelo abaixo, um treinamento para o basquetebol de 
uma equipe com jogadores entre 15 a 17 anos, em seus aspectos 
físicos, técnicos e táticos, no período de preparação básica. O 
quadro apresenta uma sugestão para a segunda-feira e você 
deve preencher com as suas sugestões de treinos para toda a 
semana:
 CATEGORIA__________________________.
 Prof._______________________.
 PERÍODO:_____/_____ a _____/_____.
 MICROCICLO: ___________________.
SEGUNDA TERÇA QUARTA QUINTA SEXTA SEXTA 
OB
JE
TI
VO
Aperfeiçoar 
a resistência 
aeróbica, os 
fundamentos 
de passe e 
bandeja e 
sistema de 
defesa (zona)
TE
CN
IC
O
Fundamentos:
Passe peito, 
quicado;
Bandeja
(20min).
127
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
TA
TI
CO
Sistema de 
Defesa:
Defesa por 
zona
Alternando 
equipes de 
ataque e 
defesa
(35min)
FI
SI
CO
Aquecimento:
Alongamento 
e Pega-Pega 
(15min)
Res. Aeróbica:
Fartleck.
(30min).
TO
TA
L
1h e 40 min.
Futebol
O futebol é a modalidade esportiva mais popular no mundo e está presente 
de forma intensa na história e cultura do Brasil. Os grandes jogadores são ídolos 
e a mídia explora esta modalidade de forma incessante. Assim, as crianças são 
incentivadas pelos pais ou por este apelo da mídia à prática do esporte. 
De acordo com Borges e Rechenchosky (2014), o futebol se caracteriza por 
ser de oposição com o adversário, é considerado um esporte com interação e de 
invasão, pois as ações de uma equipe estão vinculadas ao oponente. Sobre o tipo 
de esporte, faz parte do grupo das modalidades de invasão – invadir o espaço 
defendido pelo adversário para colocar a bola na meta. 
O futebol é constituído por diversos elementos do desempenho esportivo. 
A totalidade desses elementos, uns em maior grau do que outros, dependendo 
128
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
da situação, infl uenciam na atuação dos jogadores e da equipe, ao passo que 
determinam os resultados dos jogos. Assim, a capacidade física, o sistema de jogo, 
a estratégia, as combinações táticas, a capacidade volitiva, a habilidade técnica 
e a tática individual são os elementos envolvidos (BORGES; RECHENCHOSKY, 
2014).
a) A preparação física no futebol
De acordo com Bompa (2005), as principais características físicas do futebol 
são:
• Sistema de energia dominante: lático e aeróbico
• Ergogênese: alático - 15%; lático – 15%; aeróbico – 70%
 – Altas demandas energéticas para ambos os períodos, intercalados com 
fortes acelerações e desacelerações e mudanças rápidas de direção;
 – Os períodos de recuperação ocorrem durante as interrupções de jogo de 
5 a 15 segundos, como também para as posições de defesa imediata ou 
ataque, quando o jogo está sendo feito no campo adversário.
• Fatores limitantes de performance: potência de aceleração e desaceleração, 
agilidade na forma de trabalho rápido de pés, mudanças rápidas de direção, 
velocidade de reação e tempo de movimento.
• Objetivos de treinamento:
 – Desenvolver todos os sistemas energéticos (QF Imprescindível (IM)) 
sobre uma boa e específi ca condição aeróbica;
 – Desenvolver pernas e tronco potentes como base para a alta aceleração/
desaceleração e mudanças de direção;
 – Desenvolver força de saída (arrancada) e potência (QF Imprescindível 
(IM)) de salto;
 – Desenvolver a agilidade (QF Imprescindível (IM)) específi ca para o 
complexo trabalho de pé, a velocidade de reação e o tempo de movimento.
Dantas (2003) descreve que o jogador de futebol deve, na fase básica, adquirir 
níveis mínimos de condicionamento para as resistências aeróbicas e anaeróbicas, 
RML e fl exibilidade. Já na fase específi ca, treinar a velocidade de movimento e de 
força explosiva. Para o período de competição, as CP imprescindíveis devem ser 
aperfeiçoadas.
129
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
A partir dessa composição, Dantas (2003) sugere que os métodos a serem 
utilizados na preparação física do futebol durante a temporada podem ser assim 
distribuídos:
Quadro 19 - Métodos a serem utilizados na preparação física do futebol
QUALIDADES
FÍSICAS
PERÍODO PREPARATÓRIO
PERÍODO DE 
COMPETIÇÃO
PERÍODO DE 
TRANSIÇÃOFASE
BÁSICA
FASE
ESPECÍFICA
Res. Aeróbica Fartleck Corrida continua Corrida continua Cross Promenade
Res. Anaeróbica 
e Velocidade
Interval 
Training
Interval Training - -
RML e 
Força Dinâmica
Musculação
Musculação ou 
Circuito
Circuito Calestenia
Força Explosiva - Power Training Power Trainng -
Flexibilidade 3S 3S 3S Insistência Passiva
Fonte: Dantas (2003).
Novamente, lembramos que existem outras sugestões e outros métodos de 
treinamento que podem ser utilizados na periodização da preparação física do 
futebol.
b) Preparação técnica no futebol
A técnica no futebol corresponde à forma de executar os movimentos de 
passes, fi nalizações, cabeceios,entre outros. O passe com a parte interna do pé 
é o gesto motor mais utilizado em um jogo, não sendo o único. Lançamentos com 
o peito do pé são comuns, ao contrário de chutes de “três dedos” ou “trivela”, que 
são menos usuais (BORGES; RECHENCHOSKY, 2014).
• Fundamentos do futebol – Os principais fundamentos do futebol são 
(FRISSELLI; MANTOVANI, 1999):
1. Recepção – primeiro contato com a bola, realizado de acordo com a 
regra e da posição do corpo em relação à bola. A partir desse contato, acontece a 
recepção;
130
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
1.1. Quanto à trajetória – Rasteira, Meia-altura, Parabólica, Alta;
1.2. Quanto à execução –
o Recepção rasteira – faces interna, externa e solado do pé;
o Recepção à meia-altura – faces interna e externa do pé; coxa;
o Recepções parabólicas – cabeça, peito, coxa, dorso e solado do pé, coxa, 
dorso e solado do pé;
o Recepções altas – cabeça e peito.
2. Condução - é o ato de se locomover com a bola por meio de toques 
sucessivos.
2.1. Classifi cação –
o Quanto à velocidade - Lenta (andando / trotando) e Rápida (velocidade).
o Quanto à trajetória – Retilínea e Sinuosa.
o Quanto a execução – Bolas rasteiras – com a planta do pé, com o dorso 
do pé, com a parte interna do pé, com a parte externa do pé; e Bolas 
suspensas – com o dorso do pé, com a coxa e com a cabeça.
3. Passe - transferência da posse de bola para o outro membro da equipe. A 
execução desse fundamento pode ser realizada com várias partes do corpo: pés, 
coxa, peito, cabeça, etc. 
3.1. Condições importantes para realização de um bom passe: Equilíbrio, 
Visão, Precisão, Intenção e Objetivo.
3.2. Classifi cação –
o Quanto à distância – Curto, Médio e Longo;
o Quanto à trajetória - Passe rasteiro, Passe de meia altura, Passe 
parabólico e Passe alto; 
o Quanto à execução do contato com o pé - Parte interna do pé, Parte 
externa do pé, Parte anterior do pé (bico), Solado do pé, Dorso do pé e 
Calcanhar;
o Quanto ao espaço de realização do jogo – Lateral, Diagonal e Paralelo;
o Quanto à habilidade - Passe com a coxa, Passe de peito, Passe de 
cabeça e Passe de ombro;
o Quanto à execução - Rasteira – parte interna, externa e solado; Meia 
altura – parte interna, externa e coxa; Parabólica – cabeça, peito, dorso e 
solado; e Alta – cabeça e peito.
131
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
4. Drible - toques sucessivos na bola com a fi nalidade de ultrapassar o 
oponente, adquirir espaço para dar seguimento à jogada, podendo fi nalizá-la ou 
não.
4.1. Quanto ao objetivo - Ofensivo – visa à meta adversária; Defensivo – 
manter a posse de bola com segurança.
4.2. Quanto ao tipo - Simples – puxadas e saídas laterais; Solado, faces 
interna e externa dos pés; Complexos – associados a uma fi nta; e Clássicos – 
dorso do pé (chapéu), elástico, meia-lua, bola entre as pernas do adversário.
5. Finta – movimento realizado pelo jogador com ou sem posse de bola, 
objetivando ultrapassar o adversário ou criar espaço para a realização do passe 
ou fi nalização da jogada.
5.1. Quanto ao objetivo - Ofensiva – desmarcar-se do adversário para 
receber a bola de um companheiro; Defensiva – quando se encurta a marcação 
para difi cultar a linha do passe ou ocorre a aproximação do atacante adversário, 
tentando tirar a bola de seu controle.
6. Chute - é caracterizado pela fi nalização de uma jogada que tem a 
fi nalidade de fazer o gol.
6.1. Efi ciência - Pé de apoio – ao lado da bola (chute baixo); atrás (trajetória 
elevada); a frente (inadequado); Pé de toque – bola: abaixo do eixo (eleva); no 
eixo (reto); tangencialmente (em curva), no eixo (reto); tangencialmente (em 
curva). Equilíbrio corporal e Velocidade. 
6.2. Classifi cação – 
o Quanto à trajetória - Rasteiro – contato com o solo; Meia altura; Alto.
o Quanto à execução - Dorso do pé (peito); Parte interna do pé; Parte 
externa do pé; Parte anterior do pé (bico).
7. Cabeceio – ato de golpear a bola com a cabeça.
7.1. Classifi cação –
o Quanto ao objetivo – Ofensivo; Defensivo.
o Quanto à execução – Frontal; lateral; parado; com saltos; em corrida; 
lateral; para trás; e em mergulho.
8. Goleiro – defende a meta, participa com os pés na armação e também 
reinicia o jogo.
132
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
8.1. Tipos de Pegadas – Bola rasteira – Na altura do pé; Com os joelhos 
fl exionados; Fora da direção do goleiro; Bola na altura do tronco; Bola alta; Bola 
alta na altura do canto da meta; Desvios; Mão trocada; Rebatida com os punhos; 
Defesa com os pés; Saídas nas bolas altas; Colocação da barreira; Defesa de 
pênaltis e faltas. 
Figura 16 - Técnica e treinamento para o futebol
Fonte: Bauer (1994).
c) Preparação tática no futebol
Dos elementos, a tática individual precisa ser a dimensão central do 
ensino, uma vez que – costumeiramente – as difi culdades de atuação dos 
jogadores se vinculam a ela. Nesse elemento, há a necessidade de optar por 
uma entre as diversas alternativas, levando em consideração todo o contexto 
(adversários, companheiros, espaço de jogo, local da bola, etc.). As combinações 
táticas ocorrem constantemente nesse esporte. O overlap, passar e seguir e o 
cruzamento no “segundo pau” são exemplos desse elemento do desempenho 
esportivo (BORGES; RECHENCHOSKY, 2014).
133
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
O sistema de jogo mais utilizado no futebol é o 4-4-2, apesar de não ser 
único. Atualmente, nota-se a utilização dos: 3-5-2, 4-3-3 e 4-3-2-1, havendo outras 
variações que são possíveis, alterando o posicionamento de apenas um jogador. 
Diversas equipes utilizam um sistema de jogo para atacar e outro para defender. 
Por exemplo, quando a equipe está no ataque é usado o 4-3-3, no momento em 
que perde a posse da bola, dois atacantes recuam, compondo a marcação no 
sistema e 4-3-2-1 (BORGES; RECHENCHOSKY, 2014).
As estratégias utilizadas no futebol são as mais diversas, de acordo com o 
objetivo daquela partida ou da fase do campeonato. Nesse sentido, utilizar três 
volantes quando se joga “fora de casa”; usar atacantes rápidos para jogar no 
contra-ataque; diminuir o número de volantes e aumentar a quantidade de meias 
ou atacantes quando se joga “em casa”, são exemplos de defi nições estratégicas 
no futebol (BORGES; RECHENCHOSKY, 2014).
A imagem a seguir apresenta os sistemas de jogo que as seleções utilizaram 
na Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Como se percebe, a maioria das equipes 
utilizaram o sistema 4-2-3-1, com um atacante. Contudo, as equipes que fi zeram 
a fi nal, Alemanha e Argentina, utilizaram o sistema 4-3-3, priorizando o meio de 
campo.
Figura 17 - Esquemas usados pelas 32 seleções 
que disputam a Copa do Mundo 2014
134
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Fonte: Lima (2014).
A partir dos esquemas táticos apresentados na fi gura acima, 
descreva qual o sistema mais utilizado pelas equipes no Campeonato 
Brasileiro de Futebol em 2015. Exemplo: Sistema mais utilizado foi o 
3-5-2.
d) Sugestão de Montagem do Treinamento para o Futebol
Como foi descrito anteriormente, não daremos modelos prontos para 
treinamento, e sim sugestões de práticas e de cuidados na preparação e variarão 
de acordo com as habilidades técnicas e os objetivos de cada equipe, assim como 
com as capacidades dos treinadores. Roth (1993 apud MATTA; GRECO, 1996) 
entende que o processo de treinamento técnico no futebol está ligado a quatro 
parâmetros básicos de relação. São eles:
a) Objetivo do movimento;
b) Condições do movimento (regras do esporte);
c) Atributos do movimento;
d) Condições de execução do movimento meio ambiente.
135
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
 Roth (1993 apudMATTA; GRECO, 1996) também apresenta cinco 
possibilidades táticas de simplifi cação da tarefa, de acordo com os parâmetros 
básicos relacionados anteriormente. Eles serão citados a seguir com um exercício 
aplicado ao futebol para melhor entendimento:
a) Simplifi cação dos objetivos do movimento - o executante, ao realizar a 
técnica do cabeceio, terá como objetivo atingir um local com dimensões 
superiores ao normal. Assim sendo, o alcance do objetivo por meio do 
cabeceio será facilitado.
b) Simplifi cação das regras - durante uma partida de futebol só será permitido 
converter gol por meio de uma cabeçada.
c) Redução da ação do adversário - o executante vai desenvolver o exercício 
dentro da grande área, na qual terá como objetivo cabecear a bola para 
dentro do gol. Dentro da área estarão posicionados, de maneira passiva, 
companheiros que farão o papel do adversário. O executante vai se deslocar 
em direção à bola, desviando de seus companheiros, e executar a cabeçada.
d) Redução da ação do colega - a dinâmica deste exercício é a mesma do 
princípio anterior, entretanto, será somado ao exercício um companheiro, que 
fará o papel de jogador de sua equipe. O objetivo neste exercício é: após 
desviar dos agentes passivos que estão posicionados dentro da grande área 
e alcançar a bola, o executante tentará, por meio de uma cabeçada, alcançar 
seu companheiro de equipe.
e) Simplifi cação do meio ambiente onde se executa a técnica - um exercício 
que pode retratar este princípio é o jogo de futebol em que as dimensões do 
campo sejam menores e as balizas (gols) maiores. Durante esse jogo só será 
permitido consignar gols por meio de cabeçadas.
Estes cinco princípios representam, também, um guia para a elaboração 
do processo de ensino-aprendizagem-treinamento, conforme a defi ciência que o 
atleta acusa.
Atividade de Estudos:
 1) Você viu os aspectos relacionados à preparação para o 
futebol. Para levar esta teoria para a prática, elabore, agora, a 
partir do modelo abaixo, um treinamento para o futebol de uma 
equipe com jogadores entre 19 a 21 anos, em seus aspectos 
136
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
físicos, técnicos e táticos, no período de preparação específi ca. 
O quadro apresenta uma sugestão para a segunda-feira e você 
deve preencher com as suas sugestões de treinos para toda a 
semana:
 CATEGORIA:___________________. 
 Prof._______________________
 PERÍODO:_____/_____ a _____/_____.
 MICROCICLO: ___________________
SEGUNDA TERÇA QUARTA QUINTA SEXTA SEXTA 
OB
JE
TI
VO
Aperfeiçoar 
a resistência 
anaeróbica, os 
fundamentos 
de drible e 
fi nalização e 
sistema de 
ataque
TE
CN
IC
O
Fundamentos:
Dribles e fi nali-
zações, contra 
marcador
(30min).
TA
TI
CO
Sistema de 
Ataque:
Ataque (3 
jogadores) 
contra defesa 
(4 jogadores)
Alternando 
equipes de 
ataque e 
defesa
(50min)
137
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
FI
SI
CO
Aquecimento:
Alongamento 
e exercícios 
(10min)
Res. Anaeró-
bica:
Interval Trai-
ning. (45min).
TO
TA
L
2 h e 15 min.
Futsal
O futsal, assim como outros esportes de invasão, caracteriza-se pela 
necessidade constante de solucionar problemas surgidos durante o jogo. Para 
resolver tais entraves, os jogadores precisam escolher gestos motores, utilizando-
os nos momentos adequados, conforme a necessidade de cada situação. Nesse 
sentido, essa modalidade possui características que precisam ser consideradas 
quando se propõe seu ensino. Um aspecto importante é a necessidade de 
cooperar com os companheiros para marcar gols, sendo considerado um esporte 
coletivo. Quanto à relação de oposição com o adversário, o futsal é um esporte 
com interação entre adversários, uma vez que as ações de uma equipe estão 
atreladas – dependem e condicionam – as ações da outra. No que se refere ao 
tipo de esporte, pertence ao grupo das modalidades de invasão, pois seu objetivo 
é invadir o espaço defendido pelo adversário para colocar a bola na meta. Nesse 
conjunto, faz parte da mesma família do futebol americano e do rúgbi, apesar do 
fato desse dois serem praticados – prioritariamente – com as mãos (BORGES; 
AMORIM, 2014). 
a) A preparação física no futsal
O futsal apresenta uma gama de ações motoras semelhantes ao futebol. 
O futsal é caracterizado por Gomes e Silva (2002) como um jogo atlético com 
elevada atividade motora. Nesse esporte, os atletas realizam uma sucessão 
de esforços intensos e breves em ritmos diferentes, com um nível de exigência 
funcional muscular muito alto, como nas corridas, nos saltos, nas movimentações 
táticas e na técnica de condução de bola, solicitando desses atletas a mobilização 
máxima de suas capacidades funcionais, velocidade e força (GOMES; SILVA, 
2002). 
 
138
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Os diferentes tipos de deslocamento, com grandes acelerações, 
desacelerações, mudanças de direção, chutes, passes, fi ntas, desarmes, saltos, 
etc., proporcionam uma signifi cativa adaptação neuromuscular, favorecendo a 
potência e a agilidade (QF Imprescindível (IM)), permitindo, assim, uma rápida 
aceleração e mudança de direção em espaços reduzidos e compartilhados por 
adversários e companheiros de equipe (RÉ; BARBANTI, 2006). A proximidade dos 
adversários faz com que as ações tenham que ocorrer de forma rápida e, muitas 
vezes, inesperada, motivo pelo qual os movimentos automatizados e infl exíveis 
limitam as possibilidades de desempenho (RÉ; BARBANTI, 2006). Considerando 
as exigências motoras, durante uma partida de futsal ocorrem os esforços 
intensos realizados por curto período de tempo e a alternância com períodos 
de baixa intensidade. Medina et al. (2002) indicam que a demanda metabólica 
seja suprida pelos três sistemas energéticos (aeróbio, anaeróbio lático e 
anaeróbio alático) (QF Imprescindível (IM)). Devido ao pequeno espaço de jogo, 
essas capacidades podem ser consideradas decisivas para o resultado de uma 
partida (RÉ; BARBANTI, 2006).
Quadro 20 - Métodos a serem utilizados na preparação física do futsal
QUALIDADES
FÍSICAS
PERÍODO PREPARATÓRIO
PERÍODO DE 
COMPETIÇÃO
PERÍODO DE 
TRANSIÇÃOFASE
BÁSICA
FASE
ESPECÍFICA
Res. Aeróbica Fartleck Corrida continua Corrida continua Cross Promenade
Res. Anaeróbica 
e Velocidade
Interval 
Training
Interval Training - -
RML e 
Força Dinâmica
Musculação
Musculação ou 
Circuito
Circuito Musculação
Força Explosiva - Power Training Power Trainng -
Flexibilidade 3S 3S 3S _
Fonte: Adaptado de Dantas (2003).
b) Preparação técnica no futsal
Alguns contatos com a bola são característicos do futsal. Para dominar a 
bola, a forma mais utilizada é pisando nela com a parte debaixo (sola) do pé. Já 
os passes, em sua maioria, são efetuados com a parte interna do pé (os toques 
de peito de pé, gancho/cavadinha e a “pisada” – escorada – para um companheiro 
ocorrem com menos frequência). Para fi nalizar na meta, além dos contatos já 
139
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
mencionados no passe, que podem ser utilizados também na fi nalização, o toque 
na bola com bico do pé é bastante comum no futsal (BORGES; AMORIM, 2014).
• Fundamentos do Futsal 
Voser e Giusti (2002) defi nem técnica como sendo todo gesto ou movimento 
realizado pelo atleta que lhe permite dar continuidade e desenvolvimento ao jogo. 
As técnicas esportivas do futsal são: passe, domínio, condução, chute, drible, 
fi nta, marcação, cabeceio. Lembrando que os fundamentos do futebol podem ser 
considerados também para o futsal, levando-se em consideração as similaridades 
e diferenças de ambos os esportes. Voser e Giusti (2002) determinam que os 
principais fundamentos do futsal são:
1. Passe: É a ação de interligar-se com os integrantes de uma equipe. É o 
fundamento técnico mais importante e que mais acontece,pode sair um passe 
com a cabeça, com o peito, a coxa, o ombro. O passe pode ser classifi cado, de 
acordo com: 
1.1. Distância: curto (até 4m), médio (de 4m a 10m), longo (acima de 10m).
1.2. Trajetória: rasteiro, meia altura, parabólico.
1.3. Execução: interna, externa, bico, solado, dorso.
1.4. Espaço de Jogo: lateral, diagonal, paralelo.
1.5. Passes de Habilidades: coxa, peito, cabeça, calcanhar, ombro, etc.
1.6. Domínio: Ação consciente que ocorre a partir do recebimento da bola, 
muitas vezes entregue por um companheiro de equipe, em mantê-la sob controle 
e, assim, poder realizar movimentos técnicos, a fi m de dar sequência à jogada. 
Essa ação poderá ser feita com qualquer parte do corpo, exceto com aquelas não 
permitidas pela regra.
1.7. Condução: É o movimento de levar a bola próximo aos pés, de maneira 
que ela esteja sempre ao alcance do condutor.
1.8. Chute: Ação de golpear a bola parada ou em movimento visando desvia-
la ou dar-lhe trajetória. É o fundamento que precede o gol.
1.9. Drible: Trata-se de uma série de movimentos e ações que culmina 
com a superação do adversário e a sequência da jogada com a posse da bola. A 
principal diferença entre o drible e a fi nta reside no fato de que no primeiro há o 
controle da bola, enquanto no segundo a bola não está presente.
140
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
1.10. Finta: É uma ação de inteligência motora e cognitiva que ocorre no 
espaço e no tempo apropriado. Seu objetivo maior é o de levar o adversário a 
pensar que quem faz a fi nta irá para um lugar quando este vai para outro.
1.11. Marcação: Trata-se da ação de evitar que o adversário receba a bola 
ou, quando este a possui, impedir ou difi cultar suas ações técnicas de condução, 
passe, chute ou drible.
c) Preparação tática no futsal
No futsal os elementos do desempenho esportivo são determinantes nos 
desempenhos dos jogadores e equipes, infl uenciando nos resultados dos jogos. 
Por se tratar de um esporte coletivo com interação entre adversários, demanda 
todos os elementos na sua prática. Desses, a tática individual assume o papel 
central no ensino, utilizando a técnica como suporte motor para cada situação 
do jogo. Desse modo, “o que” e “quando fazer” antecedem o “como fazer”. 
Por exemplo, ao receber a bola o jogador precisar optar – entre tantas outras 
possibilidades – se passa, dribla, fi naliza ou conduz a bola, e o momento em 
que fará a ação para, somente depois, executar o movimento. Isso signifi ca 
compreender o futsal como um processo constante de tomada de decisões, em 
que os gestos motores correspondem à materialização das repostas escolhidas 
para cada situação do jogo (BORGES; AMORIM, 2014).
As combinações táticas se constituem como outro elemento importante no 
futsal. O encadeamento de movimentos entre os jogadores permite levar vantagem 
sobre os adversários. Ações como passar e seguir, rodízio em oito, fi nalização de 
2° trave e escorada de pivô, são exemplos de combinações táticas. Os sistemas 
de jogo no futsal são diversos, possibilitando distintas formas de posicionamentos 
dos atletas em quadra. Como exemplo desses sistemas, citamos: o 2-2, que 
é utilizado, costumeiramente, por equipes iniciantes e categorias menores; 
o losango ou 1-2-1, que é constituído de um jogador denominado fi xo, um ala 
pela esquerda, outro ala pela direita e um pivô; o sistema 4-0, que, por sua vez, 
apresenta uma ampla movimentação dos jogadores em quadra, não havendo 
posições fi xas. Essas formas de disposição dos jogadores podem ser alteradas, 
mudando a função de apenas um jogador ou de toda a equipe, como é o caso 
quando se utilizam as marcações: meia quadra, pressão e mista (BORGES; 
AMORIM, 2014).
Em relação aos sistemas táticos, é difícil determinar um sistema fi xo, pois a 
troca de posições é constante, fato que exige uma elevada taxa de movimentação 
(RÉ et al., 2003). Para o nosso propósito, veremos os principais sistemas de jogo:
• Sistemas Ofensivos no Futsal (Baseado em MACHADO, 2010)
141
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
1. Sistema 2 - 2:
 – Esse sistema utiliza dois jogadores e dois no ataque. É o sistema de jogo 
mais simples que uma equipe pode adotar. Por essa razão, é o sistema 
mais utilizado nas categorias menores, pelos principiantes e pelas equipes 
de menor condição técnica.
 – Esse sistema pode ser considerado a causa primária do sistema 3 - 1 e 
1 - 3, pois a formação 2 - 2 se dá tanto quando a equipe ataca como 
quando defende. Quando um dos atacantes recua para dar mais estrutura 
à defesa ou um defensor apoia o ataque tem início o sistema 3 - 1 e 1 - 3.
 – O sistema 2 - 2 não oferece muitas opções de jogadas em razão da 
colocação dos jogadores em quadra, o que torna tanto o ataque como 
a defesa defi cientes ou carentes de mais apoio. No entanto, apesar das 
limitações, podem-se conseguir bons resultados, principalmente em 
quadras menores.
Figura 18 - Sistema 2 - 2
Legenda: F – Fixo; AD - Ala Direito; AE – Ala Esquerdo; P – Pivô.
Fonte: Machado (2010).
2. Sistema 3 - 1:
 – Esse sistema se caracteriza pela existência de um jogador fi xo na defesa, 
dois alas que fazem o vaivém de defesa e ataque, e um pivô, que joga 
sempre mais adiantado, tanto quando ataca como quando defende. É um 
sistema em a equipe ataca e defende com três jogadores.
142
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
 – A formação 3 - 1 se dá quando a equipe inicia suas manobras ofensivas no 
seu setor defensivo com três jogadores, que se movimentam procurando 
um espaço para receber e tocar a bola até o pivô; quando se defende, 
cabe ao fi xo vigiar a zona central da defesa e aos dois alas, as duas 
zonas laterais da quadra. O pivô deve se colocar no centro da quadra, 
tendo como função o primeiro combate ao adversário em qualquer setor 
da quadra. Nessa formação inicial de defesa podem ocorrer variações de 
cobertura ou de combate.
 – Por sua vez, a formação 1 - 3 se verifi ca quando a equipe está no ataque, 
ou seja, a bola foi tocada para o pivô e os alas avançam para a meia 
quadra adversária com a fi nalidade de realizar manobras ofensivas na 
tentativa de chute a gol. O fi xo só deverá ir ao setor ofensivo em casos 
excepcionais e, quando acontecer, deverá haver cobertura naquele setor.
 – Esse sistema oferece uma gama de opções no que diz respeito a ações 
ofensivas, e é mais utilizado pelas equipes que possuem jogadores de 
maior gabarito técnico.
Figura 19 - Sistema 3 - 1
3. Sistemas 1 - 2 - 1 e 2 - 1 – 1:
 – Esses sistemas de jogo são mais utilizados nos lances de saída de bola 
no tiro de meta, em que os jogadores se posicionam com o intuito de 
provocar uma reação na marcação da equipe adversária, e, logo, realizam 
Legenda: F – Fixo; AD - Ala Direito; AE – Ala Esquerdo; P – Pivô.
Fonte: Machado (2010).
143
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
Figura 20 - Sistema 2-1-1 e Sistema 1-2-1 
Legenda: F – Fixo; AD - Ala Direito; AE – Ala Esquerdo; P – Pivô.
Fonte: Machado (2010).
movimentações para confundir seus dispositivos defensivos e conseguir 
executar suas jogadas sem que a equipe defensora consiga neutralizar o 
lance. Esses sistemas podem ser considerados como variantes de outros 
sistemas como o 2 - 2, 3 - 1 e 4 - 0.
4. Sistema 4 – 0
 – O sistema 4 - 0 é o mais moderno posicionamento utilizado no futsal e 
caracteriza-se pela colocação de 4 jogadores no setor defensivo na 
armação das jogadas. É também conhecido como 4 em linha e exige uma 
constante movimentação dos jogadores. 
 – É muito utilizado quando as dimensões das quadras são de 40 x 20 
metros, o que ocorre na maioria dos casos.
 – Sistema que possibilita uma grande combinação de movimentos e uma 
alternância de posicionamento que difi cultam muito a marcação adversária. 
 – O sistema4 x 0 também oferece amplas opções de jogadas, por esta 
razão, é hoje um dos mais utilizados pelas equipes de alto rendimento.
144
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Figura 21 - Sistema 4 - 0
Legenda: F – Fixo; AD - Ala Direito; AE – Ala Esquerdo; P – Pivô.
Fonte: Machado (2010).
5. Sistemas 1 – 2 - 2 ou 1 - 4
 – Com as modifi cações realizadas nas regras ofi ciais do futsal, um novo 
sistema de jogo foi criado. Falamos da permissão do goleiro atuar fora 
da área de meta, o que possibilitou a opção de um novo posicionamento 
dos jogadores para atacar a equipe defensora, procurando estabelecer 
uma superioridade numérica, a fi m de facilitar a posse de bola e, 
consequentemente, a fi nalização das jogadas.
 – É bastante utilizado nos fi nais de partidas em que uma equipe necessita 
de um resultado. 
 – Pode ser usado com o goleiro ou mesmo um jogador de linha na posição 
com objetivo de melhorar o passe e a situação ofensiva.
Figura 22 - Sistema 1 - 2 - 2 ou 1 - 4
Legenda: G – Goleiro; F – Fixo; AD - Ala Direito; AE – Ala Esquerdo; P – Pivô.
Fonte: Machado (2010).
145
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
• Sistemas Defensivos no Futsal (Marcação) - “Disposição dos jogadores na 
quadra, com o objetivo de impedir uma ação ofensiva do adversário” (MUTTI, 
1994 apud MORATO, 2004). A marcação pode ser: Pressão (Total ou parcial) 
e Meia Quadra:
1. Zona (pressão total ou parcial e meia quadra) - É pouco recomendada, 
pois no Futsal atual, em que os jogadores se deslocam constantemente sem 
posições fi xas, facilmente o ataque se colocará em vantagem numérica sobre 
a defesa em determinados setores da quadra. A marcação por Zona é sempre 
realizada na meia-quadra defensiva e apresenta duas variações no futsal - 
Losango (3-1) ou Quadrado (2-2) (MUTTI, 1994 apud MORATO, 2004). As 
descrições dos sistemas, suas vantagens e desvantagens são baseadas em 
Morato (2004).
1.1. Vantagens:
o Pouco desgaste físico, pois cada jogador mantém a sua posição;
o Facilita a cobertura e a recuperação no caso do drible;
o Menor desgaste físico dos defensores;
o Proporciona perigosos contra-ataques;
o Impossibilita as "bolas nas costas";
o Fecha o meio de quadra.
1.2. Desvantagens:
o Se não for bem treinada facilita o erro, possibilita ao adversário utilizar dois 
jogadores em um setor;
o Possibilita o chute de longa distância;
o Aumenta o tempo de posse de bola do adversário;
o Encobre parcialmente a visão do goleiro.
2. Individual (pressão total ou parcial e meia quadra) - É a mais utilizada 
no Futsal atual, na qual cada jogador da defesa marca um oponente do ataque 
por toda a quadra de jogo, isto é, o defensor desloca-se com seu oponente por 
toda a quadra.
2.1. Vantagens:
o Contra equipes de pouca condição física; recomendada para equipes 
iniciantes; facilita identifi car o erro.
o Diminui a opção do passe, forçando o erro adversário;
o Maior desgaste físico dos adversários pela necessidade de maior 
146
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
movimentação em busca de espaços;
o Difi culta o chute de longa distância;
o Reduz o tempo de posse de bola do adversário;
o Diminui o tempo de reação do adversário para refl etir sobre a jogada.
2.2. Desvantagens:
o Compromete o sistema de cobertura; facilita o adversário utilizar o 
bloqueio; a equipe deve ter ótima condição física;
o Grande desgaste físico dos defensores, proporcional à movimentação dos 
atacantes;
o Abre o meio da quadra, facilitando lançamentos, infi ltrações e "bolas nas 
costas";
o Dá maiores possibilidades de vantagem numérica ao adversário, na 
ocorrência de um drible, difi cultando a recuperação e a cobertura.
3. Mista (pressão total ou parcial e meia quadra) - Muito utilizada no Futsal 
de alto nível, exige muito a coordenação nos movimentos pelos praticantes. Neste 
tipo de marcação, onde há uma variação entre a marcação por zona e a marcação 
individual, há uma troca de marcadores em determinados setores da quadra.
3.1. Vantagens:
o Facilita o sistema de cobertura e diminui o desgaste físico.
3.2. Desvantagens:
o Contraindicado para iniciantes; erro de coordenação na troca de marcação 
coloca o adversário em superioridade numérica.
• Tipos de marcação mais utilizadas (MUTTI, 1994 apud MORATO, 2004).
1. Marcação Diagonal ou “gangorra” (3 x 1) - Pode ser com marcação 
total ou parcial. Consiste em tirar espaços do homem de posse da bola, e os 
defensores formam uma linha diagonal atrás do jogador que marca o adversário 
com bola. Este tipo de marcação também é conhecido como “Gangorra”, isto é, 
no momento em que a bola é passada de um atacante para o outro, a defesa irá 
aproximar-se para a marcação, quando o atacante estiver com a bola a frente 
de sua área de meta os defensores devem posicionar-se atrás do marcador do 
atacante com a posse de bola, formando um triângulo entre os defensores na 
quadra de ataque.
Esta marcação também é conhecida como marcação no homem de posse de 
bola, pois a característica principal é efetiva marcação pressão no jogador que, 
147
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
no momento, estiver com a posse de bola, evitando qualquer ação de ataque 
daquele atleta.
2. Marcação de faltas (formação de barreiras) - É muito importante um 
sistema de defesa pré-determinado para que o adversário não tenha êxito na 
cobrança de uma falta. Devemos primeiramente saber como montarmos a barreira 
e, após, onde posicionaremos os homens da sobra (aqueles que não fi carão na 
barreira). Para formar a barreira e a sobra, devemos primeiro considerar o local 
da quadra em que a falta será cobrada e, depois, posicionarmos a barreira com o 
número necessário de jogadores. Recomenda-se utilizar as seguintes formações 
de barreira, com os respectivos jogadores na sobra.
BELLO, Nicolino; ALVES, Ubiratan Silva. Futsal – Conceitos 
Modernos. São Paulo: Phorte, 2007.
d) Sugestão de modelo de treinamento para o Futsal
O futsal pode absorver os modelos das técnicas do futebol, com as devidas 
adaptações em relação ao tamanho da quadra, ao tipo de bola e as posições 
táticas do futsal. 
Quadro 21 - Relação dos conteúdos com os respetivos níveis de desempenho
CONTEÚDOS BÁSICO ELEMENTAR INTERMEDIÁRIO ESPECIALIZAÇÃO
Relação com 
a bola
Relação 
com a bola 
Controle da 
bola Passe 
X recepção 
Condução 
Remate 
Posição 
defensiva 
Controlo da bola 
Passe X recepção 
Condução Remate 
Drible/Finta Po-
sição defensiva 
Intercepção/
desarme 
Controlo da bola 
Passe X recep-
ção Condução 
Remate Drible/
Finta Posição de-
fensiva Intercep-
ção/desarme 
Controlo da bola 
Passe X recepção 
Condução Remate 
Drible/Finta Posição 
defensiva Intercep-
ção/desarme
Princípios 
ofensivos 
Penetração 
Cobertura 
ofensiva 
Penetração Co-
bertura ofensiva 
Penetração 
Cobertura ofen-
siva Mobilidade 
Espaço 
Penetração Cobertu-
ra ofensiva Mobilida-
de Espaço 
148
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Princípios 
defensivos 
Contenção 
Contenção Cober-
tura defensiva 
Contenção 
Cobertura defen-
siva Equilíbrio 
Concentração 
Contenção Cobertu-
ra defensiva Equilí-
brio Concentração
Atividade de Estudos:
 1) Você viu os aspectos relacionados à preparação para o 
FUTSAL. Para levar esta teoria para a prática, elabore, agora, 
a partir do modelo abaixo, um treinamento para o futsal de 
uma equipe com jogadores adultos, em seus aspectos físicos, 
técnicos e táticos, no período básico. O quadro apresenta uma 
sugestão para a segunda-feira e você deve preencher com as 
suas sugestões de treinos para toda a semana:
 CATEGORIA:___________________. 
 Prof._______________________
 PERÍODO:_____/_____ a _____/_____.
 MICROCICLO: ___________________
SEGUNDA TERÇA QUARTA QUINTA SEXTA SEXTA 
OB
JE
TI
VO
Aperfeiçoar 
a resistência 
muscularlocalizada, os 
fundamentos 
de condução e 
chute e siste-
ma de ataque 
e defesa
TE
CN
IC
O
Fundamentos:
Condução de 
bola e fi nali-
zação
(30min).
149
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
TA
TI
CO
Sistema de 
Ataque e 
Defesa:
Ataque 4-0 
contra Defesa 
por zona
Alternando 
equipes de 
ataque e 
defesa
(50min)
FI
SI
CO
Aquecimento:
Alongamento 
Res. Muscular 
Localizada:
Musculação 
(60min).
TO
TA
L
2 h e 20 min.
Para saber mais sobre o planejamento dos treinos no futsal, 
acesse os conteúdos a seguir: 
BRAZ, Jorge; MENDES José Luís; PALAS, Pedro. Etapas de 
Formação do Jogador de Futsal. Federação Portuguesa de Futsal. 
2013. Disponível em <http://www.fpf.pt/Portals/0/Documentos/
Noticias/Livros/Etapas_Formacao_Jogador_Futsal.pdf>. 
ALMEIDA, Alexandre Gomes de; ARRUDA, Miguel; MARIA 
Thiago Santi. Futsal: Treinamento de alto rendimento. Rio de 
Janeiro: Phorte, 2009.
150
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Acesse a página “Treino Futsal” através do link: <http://
treinofutsal.webnode.pt/>, para ter acesso a outras formas de 
planejamento do treino de futsal. 
Handebol
O handebol é bastante popular nas escolas e muito conhecido no país, apesar 
de pouco se ver a prática desse esporte como hábito em momentos de lazer e as 
emissoras de televisão, com canais abertos, normalmente não transmitirem jogos. 
A aula de Educação Física é a principal fonte de promoção do handebol no país 
(GONZÁLEZ; BORGES; IMPOLCETTO, 2014). Tem bastante prática nas escolas, 
pois é o esporte coletivo mais fácil de ensinar e de aprender por reunir movimentos 
básicos como corrida, salto e arremesso. Sua simplicidade permite que o iniciante 
domine em pouco tempo a dinâmica funcional do jogo, constituindo-se em um 
meio acessível para a educação do movimento, da sua percepção e da relação 
entre os indivíduos (SHIGUNOV; PEREIRA, 1993).
No que se refere à lógica interna, por se tratar de um “esporte coletivo 
de cooperação e de invasão”, a modalidade se caracteriza pela tentativa das 
equipes em ocupar o setor da quadra defendido pelo adversário para marcar 
gols, protegendo simultaneamente sua própria meta. Portanto, as ações de uma 
equipe durante a partida estão relacionadas ao oponente, interferindo e sofrendo 
interferência do adversário, o que constitui o handebol como uma “modalidade 
esportiva com interação” (GONZÁLEZ; BORGES; IMPOLCETTO, 2014). 
No handebol, a cada ataque, os jogadores efetuam um grande número de 
passes. É por meio dessas trocas de passes e dribles, realizadas em grande 
velocidade, que tentam penetrar na defesa adversária, necessitando muita 
efi ciência para não perder a posse da bola e gerar contra-ataques. Nessa 
ação, é possível perceber que o handebol demanda a necessidade de uma alta 
velocidade na capacidade de tomada de decisão dos jogadores. Assim, é um 
esporte que requer muita inteligência dos participantes, pois as opções de ação 
são várias e, muitas vezes, precisam ser processadas em milésimos de segundos. 
Por exemplo, arremessar, driblar, passar ou realizar uma combinação tática, são 
algumas das alternativas que precisam ser levadas em conta para o êxito da ação 
(GONZÁLEZ; BORGES; IMPOLCETTO, 2014).
a) A preparação física no handebol
151
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
Para Bompa (2005), as características físicas do handebol estão baseadas 
em:
• Sistema de energia dominante: lático e aeróbico
• Ergogênese: alático - 20%; lático – 30%; aeróbico – 50%
 – Jogo rápido e potente, com altas queimas de energia, repetidas de 20 a 40 
vezes por jogo;
 – Curtos períodos de recuperação, de 3 a 7 segundos, devido às pausas.
• Fatores limitantes de performance: aceleração e desaceleração, mudanças 
de direção, potência de arremesso, agilidade e alta coordenação coma bola 
(manejo de bola).
• Objetivos de treinamento:
 – Desenvolver todos os sistemas energéticos (QF Imprescindível (IM)) 
sobre uma boa e específi ca condição aeróbica para sustentar o ritmo 
consistente e rápido durante o jogo todo;
 – Desenvolver pernas e tronco potentes, como base para a alta aceleração/
desaceleração e mudanças de direção;
 – Desenvolver a potência (QF Imprescindível (IM)) de salto (vertical e 
horizontal) e de arremesso;
 – Desenvolver a agilidade e a coordenação (QF Imprescindível (IM)) entre 
pé e mão (manejo da bola).
Dantas (2003) sugere que no handebol sejam treinadas, na fase básica, 
fl exibilidade, RML, força dinâmica, resistência aeróbica e velocidade de 
movimentos. Na fase específi ca, devem-se aprimorar os níveis de força explosiva 
e resistência anaeróbica e, no período de competição, aperfeiçoam-se as 
capacidades imprescindíveis adquiridas.
Quadro 22 - Métodos a serem utilizados na preparação física do handebol
QUALIDADES
FÍSICAS
PERÍODO PREPARATÓRIO PERÍODO DE 
COMPETIÇÃO
PERÍODO DE 
TRANSIÇÃOFASE
BÁSICA
FASE
ESPECÍFICA
RML e 
Força Dinâmica
Musculação Circuito Circuito Calestenia
Força Explosiva - Power Training Power Training -
Res. Aeróbica Fartleck Fartleck Corrida continua Cross Promenade
Res. Anaeróbica - Circuito Circuito
152
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Lembrando que existem outros autores e outros métodos de treinamento os 
quais podem ser utilizados na periodização da preparação física do handebol.
b) Preparação técnica no handebol
 
A técnica empregada nessa modalidade requer muita precisão e efi ciência, 
tanto nas fi nalizações quanto nos passes. A coordenação na execução dos 
movimentos é essencial no deslocamento com a bola. O ato de arremesso 
em deslocamento, realizando uma sequência de passos antes da fi nalização, 
evidencia essa necessidade. Um atleta de alto nível dessa modalidade é capaz 
de realizar até oito contatos no solo em uma mesma jogada, após receber a 
bola. Isso permite percorrer uma distância considerável com a posse do móvel 
(GONZÁLEZ; BORGES; IMPOLCETTO, 2014).
De acordo com Reis (2006), os conteúdos específi cos do handebol podem 
ser classifi cados em: progressões, fundamentos, táticas individuais ofensivas, 
táticas individuais defensivas, táticas coletivas ofensivas, táticas coletivas 
defensivas, os postos específi cos ofensivos e os postos específi cos defensivos. 
Assim, as progressões têm as características de (REIS, 2006):
Velocidade
Métodos 
Intervalados
Circuito Circuito -
Flexibilidade 3S 3S 3S Métodos Passivos
Fonte: Adaptado de Dantas (2003).
Progressões - são quase todos os deslocamentos feitos com 
ou sem a posse da bola. Com a posse da bola o deslocamento pode 
ser realizado através de um, dois ou no máximo três passos em 
qualquer direção ou mesmo sem deslocamento. 
• Os fundamentos do handebol - São movimentos fundamentais do handebol, 
executados segundo um determinado gesto técnico, que é a forma "correta" 
de execução de um movimento específi co, descrito de modo biomecânico. Os 
principais fundamentos do handebol são (REIS, 2006):
153
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
1. Empunhadura - é a forma de empunhar a bola de handebol com uma das 
mãos. Ela deve ser segurada com as falanges distais dos cinco dedos abertos 
e com a palma da mão em uma posição ligeiramente côncava. Observações: 
os dedos devem abarcar a maior superfície possível da bola, os dedos devem 
exercer uma certa força (pressão) na bola para que ela esteja bem segura. 
2. Recepção - Deve ser feita sempre com as duas mãos paralelas e 
ligeiramente côncavas voltadas para frente. Recentemente os atletas utilizam-se 
também da recepção com uma das mãos. Então, apesar da literatura específi ca 
sobre o método parcial haver considerado esse uso habitual recente como um 
erro, a prática atual e sua efi ciência em diversassituações têm nos dado os 
elementos necessários para indicarmos o ensino e treinamento da recepção 
com uma das mãos como um elemento necessário para o jogo de handebol. A 
recepção pode ser classifi cada em: alta, média e baixa, dependendo da altura 
com que a bola seja recepcionada.
3. Passes - São movimentos que permitem a bola ir de um jogador a outro 
Dessa forma, ele necessita sempre da interdependência de no mínimo duas 
pessoas. Os tipos de passes podem ser classifi cados da seguinte maneira:
3.1. Passes acima do ombro: podem ser realizados em função da trajetória 
da bola para frente ou oblíquo, sendo que ambos podem ser: retifi cado ou 
bombeado.
3.2. Passes em pronação: lateral e para trás.
3.3. Passes por de trás da cabeça: lateral e diagonal.
3.4. Passes por de trás do corpo: lateral e diagonal.
3.5. Passe para trás: na altura da cabeça com extensão do pulso.
3.6. Passe quicado: quando a bola toca o solo uma vez antes de ser 
recepcionada pelo companheiro. Nesse tipo de passe a bola é atirada ao solo em 
trajetória diagonal.
4. Arremesso - É um fundamento realizado sempre em direção ao gol. A 
maioria dos arremessos pode ser denominada "de ombro" e segue basicamente 
a mesma descrição de movimento a seguir - a bola deve ser empunhada, palma 
da mão voltada para frente, cotovelo ligeiramente acima da linha do ombro, a bola 
deve ser levada na linha posterior a da cabeça e no momento do arremesso ser 
empurrada para frente com um movimento de rotação do úmero. Os arremessos 
podem ser classifi cados em função da forma de execução:
154
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
4.1. Com apoio - signifi ca que um dos pés do arremessador ou ambos 
está(ão) em contato com o solo.
4.2. Em suspensão - signifi ca que no momento do arremesso não há apoio 
de nenhum tipo do arremessador com o solo.
4.3. Com queda - signifi ca que após a bola ter deixado a mão do arremessador, 
ele realiza uma queda, que normalmente se dá dentro da área adversária e de 
frente - arremesso bastante comum entre os pivôs e eventualmente entre os 
pontas.
4.4. Com rolamento - signifi ca que após a bola ter deixado a mão do 
arremessador, ele realiza um rolamento, na maioria das vezes um rolamento de 
ombro. Este tipo de arremesso é mais comum entre os pontas e eventualmente 
por pivôs.
4.5. Condições importantes para um bom arremesso (ZAMBERLAN, 
1999):
o Oportunidade: procurar a melhor posição e momento oportuno para a 
fi nalização, ou seja, quando o jogador está livre de marcação;
o Velocidade de reação: o arremesso deve ser feito com rapidez para 
surpreender o adversário, não dando tempo para que os defensores se 
organizem na defesa;
o Precisão (direção): o êxito do arremesso está diretamente ligado à 
direção da bola. Procurar arremessos nos pontos de maior difi culdade 
para o goleiro;
o Força explosiva: essa força faz com que a bola chegue ao local pretendido 
o mais rapidamente possível e com força necessária, difi cultando a ação 
de defesa do goleiro;
o Variedade de arremesso: o jogador deve dominar vários tipos de 
arremesso para aplicá-los em cada situação específi ca de jogo. A variação 
de tipos de arremesso e as posições diferentes facilitam a obtenção de um 
gol;
o Habilidade na execução (técnica correta): execução correta da 
técnica do arremesso, procurando a utilização correta de cada segmento 
envolvido.
5. Drible - É o movimento de bater na bola contra o solo com uma das mãos 
estando o jogador parado ou em movimento.
6. Ritmo Trifásico - (conhecido entre os atletas como "3 passadas") é 
considerado pela literatura específi ca do método parcial como um fundamento no 
155
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
qual o jogador dá três passos à frente e em direção à meta adversária com a 
posse da bola.
7. Duplo Ritmo Trifásico - (conhecido entre os atletas como "dupla passada") 
é considerado pela literatura específi ca do método parcial como um fundamento 
em que o jogador dá "sete" passos com a posse da bola, sendo obrigatoriamente 
realizados à frente, da seguinte forma: os três primeiros passos são dados com 
a posse da bola imediatamente após tê-la recebido, e simultaneamente na 
execução do quarto passo o jogador terá que quicar a bola no solo uma vez, 
tornar a empunhá-la e dar mais três passos com a bola dominada. Ao fi nal do 
sétimo passo ele terá obrigatoriamente que passar ou arremessar a bola, com a 
perna contrária ao braço que realizará o arremesso.
Para saber um pouco mais sobre o treinamento do handebol, 
acesse o artigo: O ensino do handebol utilizando-se do método 
parcial, texto escrito por Heloisa Helena Baldy dos Reis, em 2006. 
Disponível em: <http://www.efdeportes.com/efd93/handebol.htm>.
c) Preparação tática no handebol
É sempre importante ressaltar que, como em outros esportes com interação 
entre adversários, os gestos motores somente acontecem após um intrincado 
processo cognitivo de leitura do jogo e tomada de decisão. Desse modo, é 
importante que a execução dos movimentos ocorra sempre em função da tática 
individual, que precisa ser o cerne do ensino dos esportes com interação, em 
virtude das próprias características de lógica interna e estrutura funcional que a 
modalidade apresenta, particularmente nas etapas de iniciação. Diversas são as 
“intenções táticas” que podem ser identifi cadas para cada um dos “subpapéis”. No 
handebol, as “combinações táticas” ocorrem com bastante frequência. Em todo 
ataque é possível observar a presença desse importante e decisivo elemento do 
desempenho esportivo. São exemplos de combinações táticas: passar e seguir, 
engajamento, cruzamento, bloqueios diretos e indireto, estáticos e dinâmicos.
Outro importante elemento é o sistema de jogo, que diz respeito à organização 
dos jogadores na quadra. Nessa modalidade são utilizados diversos sistemas 
para defender e para atacar. Ainda a respeito dos sistemas de jogo, é sempre 
bom lembrar que são ensinados em etapas de ensino avançadas da modalidade. 
No princípio, a marcação individual, em que cada aluno é responsável por marcar 
um adversário direto, deve ser priorizada nas primeiras etapas.
156
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
• Sistemas Ofensivos do Handebol (PORTAL SÃO FRANCISCO)
1. Sistema Ofensivo 5-1
 – É um sistema com cinco jogadores atuando à frente da área de tiro livre, 
equidistantes, e um infi ltrador (pivô) próximo da área de gol, ocupando a 
faixa central da baliza onde o ângulo de arremesso é maior.
 – Os cinco jogadores que atuam fora da área de tiro livre devem receber a 
função de armação das jogadas, utilizando nisto três jogadores, enquanto 
os outros dois, jogando nas laterais, tentam a penetração ou combinação 
de fi ntas e fi nalizações com o pivô.
 – O pivô deve se movimentar em relação à bola, acompanhando para o lado 
onde está sendo armada a jogada, procurando facilitar o recebimento, 
só sair para o lado proposto ao da jogada quando quiser criar o vazio ou 
possibilitar a tabela com quem está penetrando. Sua movimentação será 
junto à linha do goleiro para facilitar a execução dos arremessos especiais, 
saindo somente se necessário para facilitar o recebimento da bola. É um 
sistema com aplicação contra defesa nos sistemas 6-0, 4-2, 3-3 e 3-2-1.
2. Sistema Ofensivo 6:0
 – É um sistema com seis jogadores atuando à frente da área de tiro livre, 
equidistantes, procurando ocupar toda a frente da área. Os jogadores 
procuram trocar passes na tentativa de conseguirem penetrar ou obter 
condições vantajosas para executar os arremessos de longa distância. 
 – É o sistema mais simples, sendo indicado para a ofensiva, continuando na 
mesma faixa de campo, dando aos alunos noção de ataque organizado 
sem perder a estrutura defensiva, importante quando perder a posse da 
bola. Essa formação ofensiva não prevê o emprego de pivô, e as jogadas 
são armadas fora da área de tirolivre, prevalecendo os arremessos de 
longa distância e as penetrações laterais.
 – Deve-se orientar os armadores para fazerem a armação das jogadas 
pelas laterais, trazendo a defesa mais para um dos lados e conseguindo 
a possibilidade de penetração pelo lado contrário com o ponta. Caso 
a armação seja feita no centro da quadra, deve-se dar a orientação de 
que troquem passes mais perto do meio do campo, evitando, com isso, 
embolar o jogo e facilitar o corte dos passes pelos defensores.
157
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
 – No handebol, quando praticado em nível elevado, com jogadores de 
grande habilidade, o mesmo sistema ofensivo volta a ser empregado. 
Os jogadores se colocam bem abertos, procurando tirar a defesa da sua 
colocação junto à área do goleiro, abrindo e possibilitando o emprego de 
um pivô móvel.
 – Quando as jogadas são armadas por uma das laterais, o ponta do lado 
contrário penetra pelo meio, ocupando a posição do pivô. Sua penetração 
é feita pelas costas dos defensores centrais, difi cultando o trabalho 
destes: por estar em movimento, fi ca com maiores condições de receber 
os passes; caso não consiga receber a bola ou a jogada mude de lado, ele 
volta para sua posição, dando ao ponta do lado contrário a possibilidade 
de penetrar e ocultar a posição do pivô. É um sistema com aplicação 
contra defesa nos sistemas 6-0, 5-1, 3-3, e 3-2-1.
• Sistemas Defensivos do Handebol
1. Sistema Defensivo 6-0
 – É um sistema que se caracteriza por apenas uma linha de defesa com os 
seis jogadores atuando próximos a linha dos seis metros. Eles se deslocam 
de acordo com a trajetória da bola, para a direita e para a esquerda, para 
frente e com retorno em diagonal para linha dos seis metros.
 – As posições defensivas neste sistema são: ponta esquerda, meia-
esquerda, central esquerdo, ponta direita, meia-direita, central direito.
 – Utiliza-se contra equipes em cujo coletivo se encontre um grande 
número de jogadores de seis metros de elevado nível e as quais faltem, 
contudo, bons especialistas em arremessos de meia distância. A defesa 
é vulnerável aos arremessos de meia distância e pressupõe um goleiro 
acima da média. O sistema 6-0 pode aplicar-se também ofensivamente, o 
que, porém, não é vulgar.
1.1. Vantagens
 – É muito ampla, diminuindo, assim, os espaços junto à área de gol, 
difi cultando o trabalho de alas e pivôs;
 – As tarefas dos defensores são claras, compreensíveis e modifi cam-se 
pouco durante o jogo;
 – Defensores extremos podem partir tranquilos para contra-ataque, pois a 
área da baliza é sufi cientemente coberta pelas demais;
 – Dá boa margem à cobertura;
158
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
 – Não permite arremesso de curta distância e penetrações próximo a área 
de gol.
1.2. Desvantagens
 – Frágil nos arremessos de meia distância,
 – Perturba-se pouco a liberdade de movimentação do adversário,
 – Pouco efi caz para roubar a bola;
 – Permite arremessos de média e longa distância e não permite contra-
ataques rápidos.
2. Sistema Defensivo 5-1
 – Formado por duas linhas de defesa, uma com cinco jogadores próximos 
a linha de seis metros e a segunda com um jogador sobre a linha dos 
nove metros. O jogador avançado deve ser rápido, ágil e resistente, não 
tendo muita importância a sua estatura. As suas tarefas são: não permitir 
arremessos de longa distância (zona central da baliza); evitar que seja feito 
um passe para o pivô; perturbar o jogo dos atacantes nos arremessos de 
longa distância e interceptar passes; auxiliar especialmente os defensores 
laterais esquerdo e direito na luta contra os armadores; iniciar o contra-
ataque.
 – Utiliza-se este sistema contra equipes com bons jogadores de seis metros 
e um bom passador e especialista em remate de meia distância. Este 
sistema tem muitas facetas na sua aplicação, uma vez que pode utilizar-se 
tanto de maneira muito ofensiva como muito defensiva.
o Defensiva: os defensores saem pouco, até os armadores se limitam mais 
aos bloqueios de longa distância.
o Ofensiva: laterais esquerdo e direito saem até a linha dos nove metros e 
atacam o adversário com a bola. Com este comportamento ofensivo nasce 
uma defesa estática, com profundidade e largura, que passa de uma 
defesa 5 - 1 para uma 3 - 2 - 1 ou 3 - 3 e volta para 5 - 1.
2.1. Vantagens:
 – Não permite arremessos de média e longa distância e possui um contra-
ataque rápido do jogador que está adiantado;
 – Tem amplitude e em relação ao ataque tem profundidade, especialmente 
na zona central de defesa;
 – Efi ciente contra arremessos de média e longa distância;
 – Perturba o ataque;
159
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
 – O pivô pode ser bem marcado;
 – Dá boa margem de cobertura.
2.2. Desvantagens:
 – Permite arremesso de curta distância;
 – Permite infi ltrações;
 – Fraca quando há dois pivôs.
3. Sistema Defensivo 4-2
 – Sistema composto por duas linhas laterais. A primeira linha é composta 
por dois jogadores próximos à linha de nove metros e a segunda linha 
é composta por quatro jogadores próximos à linha de seis metros. Os 
defensores da primeira linha utilizarão movimentos laterais, impedindo 
as infi ltrações dos atacantes. Os defensores da segunda linha utilizarão 
movimentos laterais, para frente e parta trás e diagonais, evitando 
arremessos de longa e média distância e, ainda, procurarão interceptar 
passes ou difi cultar a execução destes.
 – Geralmente é utilizado contra-ataque com dois pivôs e dois bons 
armadores.
 – Utiliza-se este sistema contra equipes com dois especialistas em 
arremessos de meia distância e cujos jogadores de seis metros não têm 
quaisquer capacidades especiais no jogo.
3.1. Vantagens:
 – Pode ser bem utilizado contra um ataque com dois pivôs;
 – Forte na zona central;
 – Tem amplitude e profundidade;
 – Difi culta arremessos de curta e longa distância;
 – Difi culta passes.
3.2. Desvantagens:
 – Fraco contra-ataque 3-3;
 – Facilita os ataques dos pivôs;
 – Cobre bem a zona central da defesa com sua amplitude e profundidade.
4. Sistema Defensivo 3-3
160
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
 – É um sistema com três jogadores atuando à frente da área do tiro livre e 
três infi ltradores (pivôs) dentro da área, colocados equidistantes, próximos 
à linha da área do goleiro. É um dos sistemas mais ofensivos em termos 
de agressividade.
 – É considerado o mais arriscado de todos os sistemas por zona, formado 
por duas linhas de defesa: uma com três jogadores próximos à linha dos 
seis metros, outra com três jogadores sobre a linha dos nove metros. 
Sofre mudanças constantes na sua estrutura, variando para 4-2, 3-2-1 e 
5-1. Tem por objetivo neutralizar as investidas das equipes que se utilizem 
de arremessos de nove metros.
4.1. Vantagens
 – Oferece boas possibilidades de contra-ataque;
 – Difi culta arremessos de nove metros.
4.2. Desvantagens:
 – Inefi ciente contra equipes bem organizadas;
 – Facilita as infi ltrações;
 – Difi culta a cobertura.
5. Sistema Defensivo 3-2-1
 – É formado por três linhas de defesa: uma com três jogadores sobre a linha 
de seis metros, outra com dois em uma linha intermediária entre seis e 
nove metros e a terceira linha sobre os nove metros com um jogador.
 – A designação 3-2-1 é resultante da ordenação dos jogadores num 
momento particular que coincide com a fase em que a bola se encontra no 
atacante central.
 – Trata-se de uma defesa universal, isto é, uma defesa que é, ao mesmo 
tempo, zonal, individual e combinada. De acordo com o sistema ofensivo 
que se enfrenta, reage para converter-se em outro sistema defensivo. É 
o sistema que melhor proporciona contra-ataques, devido às posições 
escalonadas e mais adiantadas dos jogadores.
 – Objetivo – Neutralizar completamentea movimentação adversária, 
antecipando-se no central atacante, impedindo-o de executar o passe 
para a infi ltração no bloqueio defensivo. 
5.1. Vantagens:
161
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
 – Pode adaptar-se facilmente quando o adversário muda sua forma de 
ataque, em princípio, sem modifi car-se;
 – Jogador de posse de bola está constantemente vigiado por dois 
defensores;
 – Tem amplitude e profundidade, jogada ofensivamente perturba o jogo dos 
atacantes na zona de arremesso de meia distância;
 – Oferece boas possibilidades para contra-ataque.
5.2. Desvantagens:
 – Só pode ser efi ciente com muito movimento (desgaste físico);
 – Fraco contra um jogo bem organizado com dois pivôs e bons extremos.
d) Sugestão de modelo de treinamento para o Handebol
Aqui não usamos modelos, mas sim as noções complementares importantes 
que o treinador de handebol deve perceber para preparar os treinos e atingir os 
objetivos propostos no planejamento (ZAMBERLAN, 1999):
• Posição na quadra: a posição específi ca na quadra deve ser utilizada nos 
seis ou nove metros;
• Executor da ação técnica ou tática: armador, ponta, pivô;
• Metodologia de trabalho – melhor forma de aplicação e tipo de exercício a 
ser utilizado, tanto na iniciação (quando o jogador não tem nenhum domínio 
sobre a técnica) como no treinamento (após o jogador já dominar o gesto);
• Teoria da técnica – conhecimento e domínio da teoria sobre cada técnica ou 
ação tática, além de conhecer biomecânica para transmitir ao jogador a melhor 
maneira de executar um gesto, tendo o aproveitamento ideal na execução. Os 
segmentos estudados deverão ser: braço/antebraço, mão, tronco e pernas;
• Saber demonstrar na prática – ter condições de demonstrar, na prática, as 
técnicas e ações táticas do Handebol, por partes ou de forma integral (gesto 
completo), para a visualização do jogador;
• Percepção (observação) – conhecimento e capacidade para detectar os 
principais erros cometidos durante a execução de técnicas, ação tática e 
sistema de jogo, para corrigi-los. É a capacidade que o professor tem de 
formar uma ideia, por meio da observação, e entender a atitude do aprendiz 
durante a execução de uma técnica;
• Capacidade para corrigir os erros – Capacidade do técnico ou do professor 
em criar situações momentâneas durante o treinamento para modifi car um 
exercício ou a conduta do jogador. A correção dos erros poderá ser feita por 
meio da demonstração prática ou de exercícios para tal fi m. Se o erro for 
tático, deverá haver a paralisação e demonstrar o movimento correto. 
162
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Atividade de Estudos:
 1) Você viu os aspectos relacionados à preparação para o 
Handebol. Para levar esta teoria para a prática, elabore, agora, 
a partir do modelo abaixo, um treinamento para o handebol de 
uma equipe com jogadores adultos, em seus aspectos físicos, 
técnicos e táticos, no período competitivo. O quadro apresenta 
uma sugestão para a segunda-feira e você deve preencher com 
as suas sugestões de treinos para toda a semana:
 CATEGORIA:___________________. 
 Prof._______________________
 PERÍODO:_____/_____ a _____/_____.
 MICROCICLO: ___________________
SEGUNDA TERÇA QUARTA QUINTA SEXTA SEXTA 
OB
JE
TI
VO
Aperfeiço-
ar a forca 
explosiva, os 
fundamentos 
de passe e 
arremesso 
e sistema 
de ataque e 
defesa
TE
CN
IC
O Fundamentos:
Passes e 
Arremessos
(30min).
163
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
TA
TI
CO
Sistema de 
Ataque e 
Defesa:
Ataque 5-1 
contra Defesa 
5-1
Alternando 
equipes de 
ataque e 
defesa
(50min)
FI
SI
CO
Aquecimento:
Corrida e mo-
vimentos For-
ça Explosiva: 
Power Training 
(50min).
TO
TA
L
2h e 10 min.
Voleibol
O voleibol, hoje, ocupa um lugar proeminente no cenário esportivo nacional 
e internacional. Uma grande quantidade de participantes faz dele um dos 
três esportes mais praticados em todo o mundo. O voleibol é um esporte com 
características únicas. Diferente dos outros esportes apresentados neste caderno, 
não é um esporte de invasão, mas sim de interação, com espaços separados e 
participação alternada, conforme o Capítulo 1 deste caderno.
Os jogadores devem respeitar as posições e para cada posição são 
necessárias uma postura e uma demanda técnica e física diferentes e que exigem 
extrema habilidade. Durante um rali, os jogadores de ambas as equipes executam 
ou estão preparados para executarem funções de ataque e defesa de acordo com 
as posições dos jogadores, da velocidade da bola e da formação tática, tudo isso 
dentro de um ambiente de mudanças constantes e rápidas. Isso transforma o jogo 
em uma atividade de desafi os permanentes e únicos, uma vez que não existem 
164
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
momentos de descontração ou relaxamento durante o rali, para jogadores de 
ambas as equipes (MÜLLER, 2009).
O contato com a bola é feito de maneira breve e deve respeitar a regra, 
fazendo com que o jogador execute os deslocamentos precisos antes de tocar a 
bola. Estas e outras características do jogo deixam o voleibol como um esporte 
atrativo e belo na sua plasticidade. As mesmas características e suas difi culdades 
técnicas, contudo, transformam o ensino deste esporte em uma tarefa árdua e 
paciente para seus treinadores (MÜLLER, 2009).
a) A preparação física no voleibol
Bompa (2005) descreve as características físicas do voleibol:
• Sistema de energia dominante: alático e aeróbico.
• Ergogênese: alático - 40%; lático – 10%; aeróbico – 50%
 – Jogo rápido, com saltos para o bloqueio e cortadas potentes, agilidade 
apurada com quedas e defesas com mergulho;
 – Períodos de recuperação curtos, 9 segundos entre dois ralis, ou tempos 
mais longos durante as pausas.
• Fatores limitantes de performance: potência de salto, força reativa, 
resistência de força e agilidade.
• Objetivos de treinamento:
 – Desenvolver a força máxima (QF Imprescindível (IM)) como base para 
aumentar o salto e o poder de ataque e de bloqueio;
 – Desenvolver a resistência de força para sustentar a potência de salto e 
cortada (QF Imprescindível (IM)) durante todo o jogo;
 – Desenvolver a agilidade, velocidade de reação (QF Imprescindível (IM)) 
e o tempo de movimento.
 
O voleibol é um esporte que exige capacidades físicas específi cas, com 
intensidade de moderada a alta. Essencialmente, é um esporte de características 
anaeróbicas aláticas, pelas condições Velocidade de Movimento, compreendendo 
a rapidez de execução de uma contração muscular (Velocidade de braço em 
um ataque). Mais especifi cadamente, o voleibol necessita de qualidades físicas 
intervenientes, de características tanto de preparação neuromuscular como de 
preparação cardiopulmonar, além de habilidades motoras imprescindíveis. 
165
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
Para Dantas (1998), o voleibol exige essencialmente do jogador em seu 
aspecto físico:
• Agilidade – Essencial em praticamente todos os fundamentos técnicos 
exigidos, como um mergulho para efetuar uma defesa.
• Velocidade – Necessária em ambas as formas: Velocidade ou Tempo de 
Reação compreende a resposta a um estímulo (Escolha de uma defesa acima 
da cabeça após o desvio da bola no bloqueio) e a aterrissagem ideal (após o 
salto de um bloqueio).
• Flexibilidade – Maior amplitude possível do movimento voluntário de uma 
articulação ou articulações num determinado sentido (Amplitude da passada 
de ataque).
• RML – Um exemplo comum da importância da RML para o voleibol, seria a 
manutenção da mesma qualidade de salto ou de velocidade de braço do início 
ao fi nal de um jogo longo e que o jogador execute estes gestos inúmeras 
vezes com amesma propriedade física e qualidade técnica.
• Resistência Anaeróbica – Os ralis do voleibol possuem exatamente esta 
característica anaeróbica. Alta intensidade física entre saltos e deslocamentos 
em um tempo curto e que raramente ultrapassam a 40 segundos de duração. 
• Resistência Aeróbica – A continuidade dos jogos em períodos de vários 
minutos e até algumas horas são exemplos da necessidade e da importância 
da boa capacidade aeróbica de um jogador de voleibol.
• Força Explosiva – Um jogador que executar um salto para um ataque feito de 
forma rápida (velocidade) atingirá uma impulsão vertical (potência) maior do 
que quando executar de forma lenta.
• Equilíbrio – Equilíbrio Dinâmico é aquele mantido durante o movimento (o 
deslocamento da passada de ataque) e o Equilíbrio Recuperado é o que se 
situa no ponto em que ocorre a transição entre o repouso e o movimento ou 
vice-versa (observadas em um rali intenso e curto, com recuperação ativa 
entre eles, e aeróbico, devido ao tempo médio de duração de uma partida ou 
treinamentos, que podem variar de uma a quatro horas). 
De acordo com Barbanti (1986 apud MÜLLER, 2009), o voleibol se caracteriza 
por seu trabalho físico dinâmico de intensidade variável, em que ocorrem períodos 
de atividade muscular signifi cante, alternando com períodos de relaxamento ativo. 
166
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
O voleibol moderno deposita suas tendências na preparação física, baseada 
na força muscular. A força explosiva unida com a resistência aeróbica e anaeróbica 
são as qualidades físicas mais importantes para a prática desportiva (DANTAS, 
2003). O jogador de voleibol deve fazer uso da musculação para desenvolver a 
força, RML e a velocidade. Para otimizar o treinamento, a fl exibilidade deve ser 
usada para enfatizar os movimentos de maneira lenta e estudada. A pliometria, ou 
a execução de exercícios de forma explosiva, é importante no treinamento, pois 
repete vários movimentos utilizados no voleibol (BERTUCCI, 1992 apud MULLER, 
2009).
Assim, os métodos utilizados no desenvolvimento das capacidades físicas 
dos jogadores de voleibol são desenvolvidos com a aplicação do power training, 
pliometria ou circuito (RML e Força), e, principalmente, na musculação, na qual o 
controle do volume e intensidade se torna mais preciso em corridas ou atividades 
contínuas (resistência aeróbica) e no interval training (resistência anaeróbica). 
Para a fl exibilidade, o método “3S”, e para o equilíbrio, pouco trabalhado, pode-
se executar sequências acrobáticas derivadas da ginástica artística, por exemplo. 
Contudo, vários outros métodos são utilizados como ferramentas para a busca da 
preparação física ideal dos jogadores. 
Quadro 23 - Métodos a serem utilizados na preparação física do voleibol
QUALIDADES
FÍSICAS
PERÍODO PREPARATÓRIO
PERÍODO DE 
COMPETIÇÃO
PERÍODO DE 
TRANSIÇÃOFASE
BÁSICA
FASE
ESPECÍFICA
RML e 
Força Dinâmica
Musculação Circuito Circuito Calestenia
Força Explosiva -
Power Training 
ou musculação 
ou circuito
Circuito -
Res. Aeróbica
Corrida 
Contínua
Circuito - Cross Promenade
Res. Anaeróbica
Interval 
Training
Interval Training 
ou Circuito
Circuito -
Flexibilidade 3S 3S 3S Métodos Passivos
Fonte: Dantas (2003).
Um princípio importante é o de usar a própria característica do jogo para o 
condicionamento físico dos atletas. Ao invés de percorrer um percurso longo em 
167
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
uma corrida contínua, como padrão de desenvolvimento da capacidade aeróbica, 
é aconselhável estimular seus atletas com uma simulação dos deslocamentos e 
movimentações característicos do voleibol. Essa ideia pode motivar os atletas a 
fazerem a tão importante e, ao mesmo tempo, sacrifi cante preparação física de 
forma atraente e prazerosa. 
a) A preparação técnica no voleibol
O controle da preparação técnica dos atletas constitui uma condição 
importante do aperfeiçoamento da técnica. Há dois grupos de princípios: 
quantitativos (volume da técnica, diversidade da técnica) e qualitativos (efi ciência, 
economicidade, estética, estabilidade e outros) (ZAKHAROV, 1992 apud VILAS 
BÔAS, 2008). Para Matsudaira, Toyoda e Saito (1972 apud VILAS BÔAS, 2008), 
as técnicas podem ser subdivididas em: 
• Técnicas: (domínio e perfeição);
• Técnicas fundamentais: toque de bola, levantada, cortada, bloqueio, defesa e 
saque; 
• Técnicas aplicadas (técnica em grupo): 
a) formação inicial (posições) 
b) formação para saque e recepção 
c) formação para ataque e defesa 
d) formação do ataque 
e) formação para bloqueio e cobertura
• Compreensão e domínio das táticas;
• Partida sumulada para iniciar o jogo; 
• Prática do jogo (aperfeiçoamento da técnica e da tática).
• Os Fundamentos do Voleibol (BARROS, 1993)
1. Saque - O saque ou serviço marca o início de uma disputa de pontos no 
voleibol. Seu principal objetivo consiste em difi cultar a recepção de seu oponente, 
controlando a aceleração e a trajetória da bola. No voleibol contemporâneo, foram 
desenvolvidos muitos tipos diferentes de saques:
1.1. Saque por baixo - o jogador acerta a bola por baixo, no nível da cintura, 
muito utilizado na iniciação;
1.2.Tipo Tênis - primeiro lança-a no ar para depois acertá-la acima do nível 
do ombro;
168
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
1.3. Saque com efeito - denominado em inglês "spin serve", trata-se de um 
saque em que a bola ganha velocidade ao longo da trajetória, ao invés de perdê-
la, graças a um efeito produzido dobrando-se o pulso no momento do contato.
1.4. Saque fl utuante ou Saque sem peso - saque em que a bola é tocada 
apenas de leve no momento de contato, o que faz com que ela perca velocidade 
repentinamente e sua trajetória se torne imprevisível.
1.5. Viagem - saque em que o jogador lança a bola, faz a aproximação 
em passadas, como no momento do ataque, e acerta-a com força em direção à 
quadra adversária.
2. Passe - Também chamado recepção, o passe é o primeiro contato com 
a bola por parte do time que não está sacando e consiste em tentativa de evitar 
que a bola toque a sua quadra, o que permite que o adversário marque um 
ponto. O fundamento do passe envolve basicamente duas técnicas específi cas: 
a "manchete", em que o jogador empurra a bola com a parte interna dos braços 
estendidos, usualmente com as pernas fl exionadas e abaixo da linha da cintura; 
e o "toque", em que a bola é manipulada com as pontas dos dedos acima da 
cabeça.
3. Levantamento - O levantamento é normalmente o segundo contato de 
um time com a bola. Seu principal objetivo consiste em posicioná-la de forma a 
permitir uma ação ofensiva por parte da equipe, ou seja, um ataque. Pode ser 
realizado de toque, de manchete, com uma das mãos, de costas, saltando, etc.
4. Ataque - O ataque é, em geral, o terceiro contato de um time com a bola. 
O objetivo deste fundamento é fazer a bola aterrissar na quadra adversária, 
conquistando, desse modo, o ponto em disputa. Para realizar o ataque, o jogador 
dá uma série de passos contados ("passada"), salta e, então, projeta seu corpo 
para a frente, transferindo, desse modo, sua força para a bola no momento do 
contato. O voleibol contemporâneo envolve diversas técnicas individuais de 
ataque:
4.1. Cortada: refere-se a um ataque em que a bola é acertada com força, 
com o objetivo de fazê-la tocar o mais rápido possível na quadra adversária. 
4.2. Largada: refere-se a um ataque em que jogador não acerta a bola com 
força, mas antes toca-a levemente, procurando direcioná-la para uma região da 
quadra adversária que não esteja bem coberta pela defesa.
4.3. Ataque sem força: o jogador acerta a bola, mas reduz a força e, 
consequentemente, sua aceleração, numa tentativa de confundir a defesa 
adversária.
169
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal,Handebol e Voleibol
5. Bloqueio - O bloqueio refere-se às ações executadas pelos jogadores que 
ocupam a parte frontal da quadra (posições 2-3-4) e que têm por objetivo impedir 
ou difi cultar o ataque da equipe adversária. 
 – Bloqueio também é classifi cado, de acordo com o número de jogadores 
envolvidos, em "simples", "duplo" e "triplo".
5.1. Bloqueio ofensivo - quando os jogadores têm por objetivo interceptar 
completamente o ataque, fazendo a bola permanecer na quadra adversária. 
5.2. Boqueio defensivo - tem por objetivo apenas tocar a bola e, desse 
modo, diminuir a sua velocidade, para que ela possa ser melhor defendida pelos 
jogadores que se situam no fundo da quadra. Para a execução do bloqueio 
defensivo, o jogador reduz o ângulo de penetração dos braços na quadra 
adversária e procura manter as palmas das mãos voltadas em direção à sua 
própria quadra.
6. Defesa - A defesa consiste em um conjunto de técnicas que têm por 
objetivo evitar que a bola toque a quadra após o ataque adversário. Além da 
manchete e do toque, algumas das ações específi cas que se aplicam a este 
fundamento são:
6.1. Peixinho: o jogador atira-se no ar, como se estivesse mergulhando, para 
interceptar uma bola.
6.2. Rolamento: o jogador rola lateralmente sobre o próprio corpo após ter 
feito contato com a bola.
6.3. Machadinha/manchete invertida: o jogador acerta a bola com as duas 
mãos fechadas sobre si mesmas, como numa oração. Esta técnica é empregada, 
especialmente, para interceptar a trajetória de bolas que se encontram a uma 
altura que não permite o emprego da manchete, mas para as quais o uso do toque 
não é adequado, pois a velocidade é grande demais para a correta manipulação 
com as pontas dos dedos.
6.4. Com os pés – defesa de recurso realizada com os pês, em situações 
em que não há tempo de executar outra técnica.
170
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Atividade de Estudos:
Fundamentos X Ações de jogo
 1) Como fi cou claro no texto acima, no voleibol existem os 
fundamentos que se relacionam com as ações nas quais estes 
são utilizados. Por exemplo, o peixinho está relacionado com a 
defesa. Agora que você viu os fundamentos do voleibol, relacione-
os com as devidas ações de jogo:
Fundamentos Ações
a) A preparação tática do voleibol
Com a combinação entre as habilidades técnicas, físicas, táticas e 
psicológicas o jogador terá a condição de “ver” e “ler” em uma percepção completa, 
ilimitada e criativa as opções que o jogo proporciona. Ele/ela pode perceber e 
antecipar situações específi cas. Pode atacar nos espaços da quadra; bloquear um 
atacante habilidoso; defender bolas incríveis; conseguir “aces” com frequência ou 
fazer um levantamento, deixando seus companheiros sem marcação de bloqueio 
adversário. Todos estes exemplos só acontecem devido à avançada inteligência 
tática dos jogadores.
No voleibol, para cada fundamento do jogo existem elementos táticos que 
são perceptíveis e absolutamente treináveis. Em uma situação exemplo de saque, 
o jogador taticamente preparado decidirá qual o tipo de saque que efetuará, 
não apenas de acordo com a sua capacidade técnica, mas também pelas pistas 
perceptíveis na equipe adversária. 
Greco (1998 apud MÜLLER, 2009) sugere, no quadro a seguir, quais 
elementos devem ser observados pelo treinador na aplicação do treinamento 
tático de seus comandados e, posteriormente, percebidos pelo jogador dentro de 
sua qualidade tática individual autônoma.
171
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
Quadro 24 - Elementos a serem observados na aplicação 
do treinamento da tática individual no voleibol
FUNDAMENTO O QUE PERCEBER TOMADA DE DECISÃO
Saque
 Armação de recepção adversária
 Posição do levantador
 Espaços vazios na quadra
 Melhores e piores passadores
 Jogadores que participam do 
ataque
 Placar (favorável ou não, Final 
de set)
• Retorno do pedido de tempo
o Tipo de saque/local
o Variações:
1. Velocidade 
2. Altura
3. Distância
4. Direção
5. Posição
Recepção
 Posição do sacador
 Características do sacador (posi-
ção do corpo e movimento do braço)
 Direcionamento do passe de 
acordo com a posição do levantador 
de sua equipe
 Tipo de jogada combinada pelo 
levantador
• Tipo de saque executado (distância, 
altura, velocidade e direção)
o Deslocamento de acordo com o 
saque
o Técnica utilizada (manchete, 
toque, com queda, etc.)
o Após o passe se preparar para 
efetuar a cobertura.
Levantamento
 Bloqueadores (posições, altura, 
características, efi cácia)
 Atacantes (posições e caracterís-
ticas)
 Jogadas combinadas
 Placar
• Tipo de passe recebido.
o Tipo de levantamento a ser 
realizado 
o Qual atacante acionar (seguran-
ça ou arriscar. A melhor opção de 
ataque em relação ao pior bloqueio 
adversário)
o Efetuar a cobertura após o levan-
tamento.
Ataque
 Características dos bloqueadores 
e posições
• Posição da defesa adversária e 
suas virtudes e defi ciências
• Tipo de recepção efetuada
• Tipo de levantamento efetuado 
(marcação com o levantador, altura 
da bola, distância da rede)
• Quantidade de bloqueadores e 
espaços no bloqueio
o Tipo de ataque a realizar (forte, 
dirigido, largada)
o Direção (paralela, diagonal, curto 
longo)
o Se não acionado, auxiliar na 
cobertura de ataque.
172
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Bloqueio
 Características dos atacantes 
(tendências e pistas)
 Opções de ataque de rede e de 
fundo de quadra
 Posição do levantador 
 Características do levantador 
(tendências e pistas)
• Movimentação dos atacantes 
(corrida de aproximação e posição 
do corpo)
• Tipos de levantamentos efetuados 
(altura e distância da bola)
o Participar ou não do bloqueio
o Momento do salto
o Tipo de bloqueio (ofensivo ou 
defensivo)
o Composição (simples, duplo ou 
triplo)
o Área a proteger (paralela ou 
diagonal)
Defesa
 Posição do levantador adversário 
(características e tendências)
 Posição dos atacantes adversá-
rios (características e tendências de 
cada um deles)
 Características dos bloqueadores
• Tipo de passe (distância da rede)
• Quais atacantes serão provavel-
mente acionados
• Tipo de levantamentos possíveis
• Tipo de ataque executado (forte, 
meia força, largada)
o Posicionamento de acordo com o 
levantamento executado
o Distância da bola da rede
o Deslocamento e posição do corpo 
do atacante (movimento de braço)
o Se a bola vai dentro ou fora
o Se tocou ou não no bloqueio
o Deslocar-se ou não?
o Tipo de técnica a utilizar (defesa 
alta, baixa ou com queda)
Legenda:  - análise antecipada (ambiental).  - análise 
situacional,  - tomada de decisão.
Fonte: Baseado em Greco (1998 apud MULLER, 2009).
Um exemplo de como utilizar o quadro seria: o atacante deve perceber o 
posicionamento do bloqueio adversário para, então, tomar a melhor decisão: ele 
irá atacar na diagonal quando o bloqueador estiver protegendo a paralela e vice-
versa. Ainda, o passador deve mover-se e antecipar o passe de acordo com o 
movimento ou a velocidade de braço do sacador adversário. O defensor deve 
colocar-se para a provável defesa, levando em consideração a posição do corpo 
do atacante adversário, e, assim, sucessivamente. 
A tática compreende vários aspectos de caráter individual e coletivo. Além 
disso, cada tipo de ação envolve o entendimento do jogo, respeito às regras e 
uma conduta ideal. No voleibol este complexo envolvimento de caráter tático está 
determinado na fi gura abaixo: 
173
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
Figura 23 - Componentes da Tática no Voleibol
Fonte: Baseado em Cordeiro (1997 apud MULLER, 2009).
BIZZOCCHI, Carlos. O Voleibol de Alto Nível: da Iniciação à 
Competição. 4. ed. São Paulo: Manole, 2013.
d) Sugestão de modelo de treinamento para o Voleibol
A formação dos jovens voleibolistasno caminho para o alto rendimento 
tem que respeitar as fases e etapas de desenvolvimento desportivo específi cas 
para o voleibol, tornando-se imprescindível basear todo o trabalho num modelo-
exemplo, cientifi camente sustentado e exequível. Amado (2013) sugere 6 
modelos, relacionados com etapas de desenvolvimento. Para o nosso propósito, 
apresentaremos o modelo da etapa 5, relacionada a atletas de 17 – 19 Anos 
(Masculino – Júnior) e 17 – 25 Anos (Feminino - Júnior e Sénior).
174
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Quadro 25 - Modelo de etapa de aperfeiçoamento no voleibol
Etapa de Aperfeiçoamento Desportivo – Estado de Consolidação Especializada
Idade /
Categoria
17 – 19 Anos (Masculino) / Júnior e 17 – 25 Anos (Feminino) / Júnior e Sénior
Material
Bolas; marcações móveis; apitos, material construído para o efeito e próprio 
da modalidade, material de treino funcional
Objetivo
A etapa fi nal desse processo passa pela competência de converter um 
adolescente capaz de performances elevadas em um atleta de elite, sendo 
este o decurso mais complicado, mesmo que este decorra com atletas que já 
alcançaram sucesso desportivo a alto nível internacional, na sua faixa etária.
Componentes
Física Técnica Tática Psicológica
Refi nar as 
capacidades 
físicas com 
programas 
individuais 
de treino
Aperfeiçoamento 
das ações técnico-
-táticas individuais 
e coletivas.
Ensaios e repeti-
ções de jogadas 
isoladas.
Exercícios 
completos de 
competição.
Aperfeiçoamento 
das
ações táticas 
individuais e 
coletivas.
Exercícios de 
competição (siste-
mas de ataque e 
defesa).
Movimentações 
táticas individuais 
e coletivas.
Instigação durável 
da vontade de 
vencer.
Consolidação 
psicológica à 
competição
prolongada.
Progresso da 
atitude face às 
pressões, compe-
tições e objetivos 
a desenvolver.
Fonte: Adaptado de Amado (2013).
Atividade de Estudos:
 1) Você viu os aspectos relacionados à preparação para o 
Voleibol. Para levar esta teoria para a prática, elabore, agora, 
a partir do modelo abaixo, um treinamento para o voleibol de 
uma equipe com jogadores adultos, em seus aspectos físicos, 
técnicos e táticos, no período competitivo. O quadro apresenta 
uma sugestão para a segunda-feira e você deve preencher com 
as suas sugestões de treinos para toda a semana:
 CATEGORIA:___________________. 
 Prof._______________________
175
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
 PERÍODO:_____/_____ a _____/_____.
 MICROCICLO: ___________________
SEGUNDA TERÇA QUARTA QUINTA SEXTA SEXTA 
OB
JE
TI
VO
Aperfeiço-
ar a forca 
explosiva, os 
fundamentos 
de bloqueio 
e defesa e 
sistema de 
defesa
TE
CN
IC
O Fundamentos:
Bloqueio e 
defesa
(40min).
TA
TI
CO
Sistema de 
Bloqueio e 
Defesa:
Bloqueio e 
Defesa 5-1,
alternando 
equipes de 
ataque e 
defesa
(55min)
FI
SI
CO
Aquecimento:
Alongamento 
Força Explo-
siva: Circuito 
(25min).
TO
TA
L
2h
176
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Acesse os outros modelos de Amado (2013): Proposta de 
modelo de formação desportiva em voleibol, disponível em: 
<https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/25125/1/Proposta%20
de%20Mode lo%20de%20Forma%C3%A7%C3%A3o%20
Desportiva%20em%20Voleibol.pdf>.
OrientaçÕes Didáticas a Todas as 
Modalidades Coletivas
Para auxiliar no desenvolvimento dos treinos, descrevemos aqui alguns 
cuidados e dicas para que o resultado seja melhor na prática contínua. Outra 
dica é você utilizar as defi nições dos outros capítulos para planejar seu trabalho 
(GONZÁLEZ et al., 2014):
a) A verbalização dos conceitos táticos é uma ferramenta importante para 
o desenvolvimento da compreensão dos jogos. Oportunizar ao atleta falar 
sobre o que ele precisa fazer ou não em determinada situação deveria ser uma 
preocupação constante do treinador. Oportunizar que os atletas tenham clareza 
sobre os critérios de observação, daquilo que eles devem olhar no jogo. 
b) Faça intervenções quando achar necessário, mesmo durante o jogo.
c) As equipes precisam estar equilibradas, com nível semelhante de 
desempenho dos jogadores.
d) O tempo das atividades para cada exercício não deve ser extenso (por 
uma questão básica e de motivação dos atletas). Recomendamos em torno de 8, 
10 minutos.
e) Durante a conscientização tática, é necessária perspicácia para aproveitar 
as respostas dos atletas, visando à sequência do diálogo. No surgimento de 
respostas que não são as mais adequadas, é preciso valorizá-las, conduzindo os 
atletas à refl exão para alcançar respostas corretas (GONZÁLEZ et al., 2014).
177
 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
A Preparação Psicológica Aplicada 
aos Esportes Coletivos
 
Você pode estar pensando que o treinamento psicológico não é de sua 
alçada, pois não tem conhecimento e formação para isso. Porém, o treinador está 
presente no dia a dia da equipe. Ele conhece a equipe como ninguém e utiliza-se 
de fatores de estímulo para um melhor resultado geral. Este trabalho de estímulo 
é um exemplo de trabalho psicológico que devemos desenvolver em nossos 
treinamentos, tanto para melhorar a parte física quanto técnica ou tática, pois, 
como diz Bompa (2005, p. 48), “em qualquer treinamento existem componentes 
psicológicos”. 
Bompa (2005) traduz esse tipo de intervenção psicológica do treinador em 
situações de jogo, em que vários fatores interferem no comportamento psicológico 
antes, durante e depois das partidas, a saber:
a) Componentes das capacidades psicológicas em relação às 
características do jogo e treinamentos
• Cognitivos: memória, atenção, pensamentos, imaginação, criatividade, etc.;
• Emocionais: ansiedade, reações espontâneas (linguagem utilizada, controle 
ou falta de controle do nervosismo, exibicionismo, apatia), frustração, 
exaltação depois do sucesso, etc.;
• Volitivos: agressividade, determinação, tendência a assumir riscos, 
enfrentamento da fadiga e do estresse, perseverança, etc.;
• Relação psicossocial com os colegas de equipe: cooperação para atingir 
os objetivos da equipe, etc.
b) Comportamento psicológico antes do jogo:
• Estado ótimo para atingir uma boa performance: autoconfi ança e confi ança 
na capacidade dos colegas, desejo de jogar para vencer e cooperar com os 
colegas;
• Estado ótimo antes do início do jogo: prontidão para o jogo, desejo de lutar, 
autocontrole, força de vontade, determinação, autoconfi ança, disposição para 
arriscar no jogo, etc.;
• Estado negativo: apatia, pânico, atitude de não-combate, medo pela derrota 
ou por jogar mal, falta de confi ança em si ou na equipe, etc.
c) Comportamento psicológico durante o jogo
• Aqui, o treinador tem papel fundamental em como induzir os seus jogadores 
178
 Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
a atuarem melhor e neutralizar as ações negativas. A equipe deve ser 
preparada ao combate psicológico, em que fatores contribuem para que os 
jogadores diminuam a sua confi ança e poder de lutar, além de métodos dos 
quais os adversários irão utilizar e que vão desde torcida hostil, jogo violento, 
arbitragem falha, insultos verbais e gestuais, até o comportamento indevido 
do treinador adversário.
d) Comportamento psicológico depois do jogo
• Depois de uma derrota: perda da autoconfi ança, dúvidas sobre as decisões 
táticas e técnicas do treinador e sua liderança, apatia, pânico, frustração, 
sensação de cansaço contínuo, falta de motivação para treinar e jogar, 
receio em relação ao próximo jogo, ansiedade, perda de apetite, insônia, 
autoisolamento, dúvidas sobre vitórias futuras, etc.
• Depois de uma vitória: excesso de confi ança, exaltação, grande vontade 
de treinar e jogar, otimismo, determinação para o sucesso contínuo, 
alta motivação durante os treinos, camaradagem com os companheiros, 
comportamento social e em treinos positivos,etc.
Atividade de Estudos:
 1) Você percebeu que vários aspectos devem ser considerados 
no planejamento e execução dos treinos e direção da equipe. 
Portanto, chegou a hora de pensar: 
 a) Como você pretende construir e desenvolver seu trabalho?
 b) Como você pode melhorar a sua equipe antes, durante e 
depois das competições?
 c) Como você pode melhorar a sua atuação como treinador antes, 
durante e depois das competições?
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 Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
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Algumas Consideracoes
Este capítulo apresentou as competências dos jogadores dentro das 
características de cada esporte coletivo em seus aspectos físicos, técnicos e 
táticos. Apresentou, ainda, os aspectos psicológicos que podem ser aplicados a 
qualquer esporte. 
Novamente, algumas sugestões são apresentadas, mas devemos considerar 
que existem muito mais a buscar nas bibliografi as específi cas e que este capítulo 
apenas introduz e defi ne vários conceitos de cada esporte. Para aprimorar 
a sua pratica e o seu desenvolvimento como treinador, sugerimos que utilize 
estas considerações e busque novas possibilidades dentro das condições e 
competências de seus atletas. 
Lembramos, ainda, que a sua experiência e criatividade, além dos aspectos 
humanos, deve estar presente na preparação de sua equipe e que os frutos serão 
colhidos pelos mais competentes e determinados.
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