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TREINAMENTO APLICADO
AOS ESPORTES COLETIVOS
Programa de Pós-Graduação EAD
UNIASSELVI-PÓS
Autoria: Antônio José Muller
CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito
Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC
Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090
Reitor: Prof. Hermínio Kloch
Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol
Coordenador da Pós-Graduação EAD: Profa. Cláudia Regina Pinto Michelli
Equipe Multidisciplinar da
Pós-Graduação EAD: Prof.ª Bárbara Pricila Franz
Prof.ª Cláudia Regina Pinto Michelli
Prof.ª Kelly Luana Molinari Corrêa
Prof. Ivan Tesck
Revisão de Conteúdo: Márcio Moisés Selhorst
Revisão Gramatical: Iara de Oliveira
Revisão Pedagógica: Bárbara Pricila Franz
Diagramação e Capa:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Copyright © UNIASSELVI 2016
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri
UNIASSELVI – Indaial.
796.4077
M958t Muller, Antônio José
Treinamento aplicado aos esportes coletivos / Antônio
José Muller. Indaial : UNIASSELVI, 2016.
182 p. : il.
ISBN 978-85-69910-23-7
1. Esportes Ensinamentos.
I. Centro Universitário Leonardo da Vinci
Antônio José Muller
Professor de Pós-graduação do Mestrado
em Educação e na Graduação e de nas áreas
da Educação Física e Educação. Experiência
como jogador e treinador de voleibol no Brasil,
EUA e Arábia Saudita. Doutor em Educação pela
University of Texas at El Paso, Especialista em
Treinamento Desportivo - Voleibol pela UNIG
(Universidade de Nova Iguaçu - RJ) e graduado
em Educação Física pela FURB (Universidade
Regional de Blumenau).
Sumário
APRESENTAÇÃO ......................................................................7
CAPÍTULO 1
Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados ..............................................................9
CAPÍTULO 2
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos ......................................................43
CAPÍTULO 3
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos .................................77
CAPÍTULO 4
Modelos de Organização e Treinamento das
Modalidades Coletivas: Basquetebol, Futebol,
Futsal, Handebol e Voleibol..............................................113
APRESENTAÇÃO
Caros Pós-Graduando(as),
O esporte talvez seja a maior das invenções humanas. Em nenhuma outra
atividade homens e mulheres, de qualquer nível social, raça, credo ou localização
geográfica, podem desfrutar dos benefícios físicos, lúdicos ou sociais que o esporte
proporciona. Pelo menos em sua essência o esporte é puro, no qual todos os
praticantes devem respeitar as mesmas normas e regras e têm o direito e a condição
de participar, até mesmo os considerados especiais. O esporte promove a inclusão,
desenvolve o espírito de equipe, a superação dos limites, além da condição de
ascensão social de pessoas desprivilegiadas ou com pouca oportunidade em outras
áreas humanas.
O esporte movimenta um trilhão de dólares por ano no mundo todo. Os
grandes atletas são respeitados, admirados pelo público e explorados pela mídia.
Dentro desse contexto, crianças de todo o mundo procuram o esporte como um meio
de vida, uma condição de ascensão econômica e social, e almejam atingir o mesmo
nível de excelência de seus ídolos. Contudo, o esporte de alto nível demanda anos
de prática, esforço físico sobre-humano, inúmeras repetições de gestos técnicos
específicos, além da pressão de obter resultados efetivos em uma carreira curta e
extremamente cansativa.
Veremos, aqui, como o treinamento deve respeitar vários princípios para que
o resultado seja efetivo. Assim, devemos conceituar e diferenciar esses princípios.
Viajaremos aqui nas modalidades coletivas mais populares no Brasil (Basquetebol,
Futsal, Futebol, Handebol e Voleibol), observaremos como estas são apresentadas
e as características com as quais poderemos distinguir, classificar e especificar cada
uma das modalidades e suas particularidades relacionadas ao treinamento. Iremos
discutir, ainda, as competências de um jogador em seus quatro aspectos: 1) físico; 2)
técnico; 3) tático; e 4) psicológico, para uma formação completa e o alto rendimento.
Assim, no primeiro capítulo exibimos alguns significados da nomenclatura
relacionada aos esportes coletivos, além de tópicos ligados ao treinamento
desportivo. No segundo capítulo, apresentamos a importância e o funcionamento
teórico e prático do treinamento das modalidades esportivas, bem como seus
métodos e modelos. No terceiro capítulo, expomos as competências do jogador nos
quatro aspectos fundamentais para a formação completa de um jogador para os
esportes coletivos. No quarto e último capítulo, damos sugestões de treinamento para
cada modalidade, observando suas características e particularidades, para que você
tenha um embasamento científico na utilização e aplicação prática de sua função de
treinador, respeitando as características de sua equipe e do esporte.
O autor.
CAPÍTULO 1
Esportes Coletivos: Conceitos
e Princípios Aplicados
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes
objetivos de aprendizagem:
Compreender os conceitos e princípios aplicados aos esportes coletivos.
Distinguir conceitos como aptidão esportiva, iniciação esportiva, fases do
desenvolvimento para os esportes, especialização precoce e jogos e esportes
coletivos.
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Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
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Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados Capítulo 1
ConteXtualização
O esporte talvez seja a maior das invenções humanas. Em nenhuma outra
atividade homens e mulheres, de qualquer nível social, raça, credo ou localização
geográfi ca, podem desfrutar dos benefícios físicos, lúdicos ou sociais que o es-
porte proporciona. Pelo menos em sua essência o esporte é puro, no qual todos
os praticantes devem respeitar as mesmas normas e regras e têm o direito e a
condição de participar, até mesmo os considerados especiais. O esporte promove
a inclusão, desenvolve o espírito de equipe, a superação dos limites, além da
condição de ascensão social de pessoas desprivilegiadas ou com pouca oportuni-
dade em outras áreas humanas.
O esporte movimenta um trilhão de dólares por ano no mundo todo.
Os grandes atletas são respeitados, admirados pelo público e explo-
rados pela mídia. Dentro desses contexto, crianças de todo o mundo
procuram o esporte como um meio de vida, uma condição de ascensão
econômica e social e almejam atingir o mesmo nível de excelência de
seus ídolos. Contudo, o esporte de alto nível demanda anos de prática,
esforço físico sobre-humano, inúmeras repetições de gestos técnicos
específi cos, além da pressão de obter resultados efetivos em uma car-
reira curta e extremamente cansativa. Devido à diversidade de opções
de práticas esportivas, pais e seus fi lhos podem fi car indecisos sobre
o que praticar, quando iniciar e quando competir. Existem pessoas as
quais acreditam que quanto mais cedo iniciar-se no esporte, melhor.
Este princípio não se aplica a todos, pois, ao contrário do que se imagina, o es-
porte precoce pode limitar a evolução e rendimento do atleta em categorias futu-
ras. Veremos, aqui, como o treinamento deve respeitar vários princípios para que
o resultado seja efetivo. Assim, devemos conceituar e diferenciar estes princípios.
Viajaremos aqui nas modalidades coletivas, como estas são apresentadas e as
características com as quais poderemos distinguir, classifi car e especifi car cada
uma dessas modalidades e as especifi cidades do treinamento.
Existe pessoas as quais acreditam que quanto mais cedo iniciar-
se no esporte, melhor. Porém, isso não é consenso para todos. Qual
a sua opinião a respeito?
Nesta primeira parte do Caderno de estudos, apresentaremos algumas
defi nições da terminologia relacionada ao treinamento e aos esportes. Conceitos
que devem ser aprendidos para, então,seguirmos rumo ao processo posterior,
mais complexo, no qual estes conceitos estarão aplicados aos esportes coletivos.
O esporte de alto
nível demanda
anos de prática,
esforço físico sobre-
humano, inúmeras
repetições de gestos
técnicos específi cos,
além da pressão
de obter resultados
efetivos em uma
carreira curta e
extremamente
cansativa.
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Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Aptidão Esportiva Geral
Todos os anos inúmeras crianças participam dos esportes
em caráter recreativo em praças, praias, ruas e terrenos baldios
ou em caráter competitivo em escolas, clubes e times ao redor do
mundo, contudo, apenas algumas atingirão alto nível ou um nível de
competição internacional. Não raramente atletas que se destacavam
pelo seu talento quando crianças ou adolescentes não conseguem
na idade adulta o mesmo nível de performance que demonstrava
nas categorias menores (BOJIKIAN, 2002). Essas contradição não é
de fácil explicação, mas alguns fatores auxiliam no entendimento do
fenômeno, pois interferem profundamente no processo evolutivo, como
segue.
Os componentes da motricidade humana auxiliam os treinadores a
perceberem a importância do desenvolvimento das habilidades motoras.
Mas, antes, precisamos defi nir o que são capacidades/qualidades e o que são
habilidades. Vejamos:
• Capacidades/Qualidades Físicas ou Motoras - são características
congênitas, as quais possuímos naturalmente em maior ou menor condição
e que são aprimoradas com o treinamento. As capacidades/qualidades
são: ritmo, equilíbrio, coordenação motora, força, resistência, fl exibilidade,
velocidade, agilidade e descontração.
• Habilidades Motoras - as habilidades motoras fundamentais, como: andar,
correr, saltar, equilibrar, vitais para o nosso desenvolvimento, são adquiridas
por meio das relações dos indivíduos com o entorno em que vivem e com as
tarefas da vida diária. Cada movimento requer uma habilidade ou um conjunto
de habilidades específi cas.
Devemos perceber que existem dois tipos de habilidades motoras, relacio-
nadas com a fi nalidade do movimento. Observe quais são elas:
• Habilidades Fechadas – são determinadas essencialmente pela qualidade e
efi ciência da execução do movimento (fi nalidade motora). Habilidade usada
quando o movimento é realizado de forma repetida e pouco variada como
uma corrida de 100 metros.
• Habilidades Abertas – têm fi nalidades tanto motoras quanto cognitivas,
pois consideram a seleção de habilidades motoras em situações específi cas
durante uma competição e, assim, podem existir várias opções para a mesma
Não raramente
atletas que se
destacavam
pelo seu talento
quando crianças
ou adolescentes
não conseguem
na idade adulta o
mesmo nível de
performance que
demonstrava nas
categorias menores
(BOJIKIAN, 2002).
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Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados Capítulo 1
habilidade, como, por exemplo, um saque no voleibol, realizado de diversas
formas e habilidades. Essas habilidades estão presentes nos esportes
coletivos nos quais existem várias técnicas de um mesmo fundamento e que
variam ainda pela condição de momento ou ambiente.
Atividades de Estudos:
1) Quais são as principais diferenças entre Capacidades e
Habilidades Motoras?
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2) Apresente as principais diferenças entre Habilidades Fechadas
e Habilidades Abertas?
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É fundamental entender que cada iniciante tem um histórico que expõe
as suas características motoras e que deve ser respeitado. A sugestão de
equiparação entre os modelos de aprendizagem teóricos deve coincidir com
uma prática ideal, visto que, de acordo com Freire (1994), cada conduta motora
tem uma história a ser considerada, e o conhecimento corporal, assim como o
intelectual, deve ser signifi cativo, ter correspondência na experiência concreta da
criança.
A história motora proporciona, então, a formação da aptidão física geral, que,
por sua vez, é infl uenciada por fatores biológicos e psicossociais. Esses fatores
estão relacionados na fi gura a seguir:
14
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Figura 1 – Fatores que infl uenciam na aptidão física geral
Fonte: Baseado em Dantas (1998).
Se você quiser conhecer mais sobre aptidão física, consulte
alguns destes livros que são referência no assunto.
DANTAS, Estelio. A prática da preparação física. 6. ed. Rio de
Janeiro: Rocca,, 2014.
GALLAHUE, D.; OZMUN, D. L. Compreendendo o
desenvolvimento motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos.
São Paulo: Phorte Editora, 2001.
Antes de aprender a jogar, a criança deve trabalhar as habilidades
motoras e capacidades físicas gerais. É unânime a opinião de autores
e bons treinadores sobre promover a iniciação desportiva por meio
do desenvolvimento das capacidades físicas gerais para, então, focar
em técnicas específi cas do jogo. A universalidade desportiva é atingida quando o
trabalho é orientado para o desenvolvimento da sensomotricidade, da motricidade
geral, e pode servir de base para um posterior treinamento das habilidades
esportivas específi cas (técnicas) (KRÖGER, 2006).
É unânime a opinião
de autores e bons
treinadores sobre
promover a iniciação
desportiva por meio
do desenvolvimento
das capacidades
físicas gerais para,
então, focar em
técnicas específi cas
do jogo.
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Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados Capítulo 1
Como qualquer atividade humana, alguns indivíduos têm maior capacidade
do que outros em aprender ou de apresentar rendimentos elevados. Esse fator
podem ser explicados por meio do potencial talento ou da herança genética que
a criança possui. É importante destacar, nesses contexto, que as capacidades
coordenativas provavelmente não são independentes do talento e da herança,
porém são altamente treináveis (KRÖGER, 2006). Agora que discutimos os
conceitos da aptidão física geral, vamos continuar a discussão sobre a iniciação
para o esporte, para a qual você deve transportar os conceitos de aptidão física,
visando a um melhor ensinamento e evolução para as modalidades.
A Iniciação para o Esporte
O aprendizado dos esportes, genericamente, deve apoiar-se nos princípios
básicos da formação do movimento e no desenvolvimento das capacidades
físicas gerais de forma gradual e planejada. Em seu livro “Escola da Bola”,
Kröger (2006) explica que, assim como o ABC, aprendido na escola básica para
que posteriormente a criança seja alfabetizada, ou melhor, letrada, para o futuro
acadêmico, acontece também no esporte, seguindo, da mesma forma, princípios
educativos. Kröger questiona “Como deve ser a creche esportiva dos iniciantes?”;
“Qual deve ser a forma de iniciação?” ou “Qual o caminho correto para poder
jogar e possivelmente ter uma carreira no esporte de alto nível?”. Você consegue
responder a estas questões? Elas são de difícil resposta, mas o próprio autor
sugere que, na busca por tais respostas, todo o iniciante deve seguir princípios
básicos, apoiados em três pilares, sendo eles:
A. Jogos orientados para a situação;
B. Orientação para as capacidades coordenativas;
C. Orientação para as habilidades.
Resumidamente, podemos descrever que o item A se constitui na utilização
das experiências que os iniciantes já trazem em sua “bagagem” dos jogos e
brincadeiras de rua, para um patamar elevado, de formarica e variada, de novas
experiências orientadas e de movimentos diferentes, em que jogar se aprende
jogando. No item B, o desenvolvimento das capacidades coordenativas se torna
aspecto fundamental na universalidade esportiva e deve-se explorar possibilidades
de incremento da sensomotricidade e da motricidade geral, que servem de base
para o treinamento posterior das técnicas exigidas em cada esporte. No item
C, a promoção de várias técnicas é, possivelmente, onde todas as habilidades
esportivas passam a ser incorporadas, sem que se busque um único esporte, e
que serve de construção de diversos movimentos (KRÖGER, 2006).
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Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Atividade de Estudo:
1) Levando em conta o parágrafo acima, como você descreve o
ABC da bola?
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O treinamento e desenvolvimento exigem estratégias em longo prazo,
objetivando a formação completa na busca do potencial máximo de performance,
quando exigidos, especialmente em alto rendimento. Para isso, Ehret et al.
(2002) sugerem que pontos cruciais devem ser respeitados em uma sequência
pedagógica e fortalecidos na iniciação para o esporte, conforme você verá a
seguir:
• Introdução de várias modalidades esportivas – O iniciante deve participar
diariamente de atividades esportivas, organizadas ou não, em clubes, escolas
ou mesmo em ambientes de lazer.
• Desenvolvimento das capacidades coordenativas – Exercícios de
aprimoramento das capacidades coordenativas essenciais ao rendimento.
• Oferta de um ensino-aprendizagem multidisciplinar e variado – Utilizar
competições de modalidades variadas, individuais e coletivas, com ou sem
bola. Posteriormente, utilizar um amplo repertório de técnicas específi cas,
exigidas pelo esporte em questão, deixando a criança experimentar o
movimento de várias formas.
• Promoção do jogo livre e criativo – Utilizar pequenos jogos introdutórios ao
esporte propriamente dito.
Apesar de inteligências diferenciadas, todas as crianças devem ser orientadas
a buscar a iniciação desportiva, para que tenham os benefícios físicos e sociais
que a atividade física proporciona, antes de qualquer objetivo de performance.
Para tanto, Kröger (2006) indica que na iniciação devem ser melhorados os
pré-requisitos e os condicionantes coordenativos relevantes para o rendimento
nos jogos coletivos, de forma precisa e breve, como uma busca de material de
construção para diferentes movimentos, construindo uma “caixa de habilidades”.
17
Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados Capítulo 1
Para saber mais sobre a “alfabetização” esportiva leia:
KRÖGER, Christian. Escola da Bola: Um ABC para iniciantes
nos jogos esportivos. Rio de Janeiro: Phorte,, 2006.
Você consegue responder aonde o iniciante irá chegar esporte,
apenas observando pela prática?
Para atingir o topo, o iniciante deve respeitar uma sequência
evolutiva e uma preparação planejada de vários anos. Ericsson (1993
apud FUCHSLOCHER; ROMANN; GULBIN, 2013) descreve que
para atingir o alto rendimento um atleta precisa de oito a dez anos e
10 mil horas de prática. Nessas trajetória, vários fatores internos e
externos contribuem ou atrapalham a evolução do futuro atleta de rendimento.
Tais fatores vão deste o biótipo ideal para determinada modalidade, medidas
corpóreas, a condição de ter um bom treinador, qualidades físicas inerentes,
alimentação, experiência, condição social e econômica, entre outros fatores.
Porém, o fator que mais interfere nas possibilidades futuras de qualquer iniciante,
para qualquer esporte, é o talento intrínseco. A questão deve ser o tamanho do
potencial a ser explorado e a projeção de onde cada um dos iniciantes pode
chegar. Simplesmente:: até aonde iremos com este iniciante? até onde ele pode
chegar? Outras questões sem respostas fáceis e precisas intrigam os treinadores,
tais como: Quais são os fatores na detecção de talentos que irão predizer uma
performance de sucesso no futuro? Qual a função da ciência do esporte e
da tecnologia que pode amplifi car a condição dos treinadores preparados a
condicionarem seus pupilos para um nível de excelência no esporte? Essas são
questões para melhor entender a iniciação esportiva.
Para atingir o alto
rendimento um
atleta precisa de oito
a dez anos e 10 mil
horas de prática.
Vários fatores
interferem no
desenvolvimento
do atleta.
Basicamente.Bsão
fatores motores,
cognitivos, sociais
e econômicos ou
motivacionais.
Vários fatores interferem no desenvolvimento do atleta.
Basicamente.Bsão fatores motores, cognitivos, sociais e econômicos
ou motivacionais, passando, também, pela especialização acelerada
e o treinamento inadequado em relação aos diferentes estágios de
crescimento e desenvolvimento. Esses fatores são determinantes na
evolução do atleta, na busca de seu ápice como jogador completo na
categoria adulta.
18
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
A evolução do jogador para o esporte dentro das condições ideais deve ser
a intenção de todos os professores de educação física e técnicos desportivos
pelo mundo afora. Contudo, algumas defi ciências são percebidas e que afetam
tremendamente o “produto fi nal”. De acordo com Mahlo (apud CORDEIRO, 1997),
as falhas constatadas na iniciação desportiva são: insufi ciência de motricidade
esportiva; subestimação dos esforços suportáveis por crianças; aparecimento
de graves lacunas, por ocasião da passagem para o ensino esportivo; falta de
unidade de ensino; insufi ciência na formação de professores por não serem
especialistas esportivos.
O desenvolvimento ideal de jogadores, muitas vezes, sofre ações positivas
e negativas de caráter direto e indireto. A obtenção de elevados níveis de
performance no auge do atleta irá depender da realização de um trabalho em
longo prazo, o qual articula de forma equilibrada os diferentes níveis da prática
esportiva (MESQUITA, 2005). Além disso, a boa e sólida formação deve ser a
preocupação inicial, e não a especialização, lembrando que quanto melhor for a
preparação de um atleta, por meio de uma base consistente, melhor será o seu
nível de rendimento nas fases posteriores e no alto nível.
Figura 2 - Necessário construir uma boa base de forma
equilibrada para o esporte (futebol) de alto desempenho
Fonte: Tega (2010).
A preocupação inicial está na elaboração de um planejamento adequado em
longo prazo que, junto com a infl uência do treinador, tem importância fundamental
no sucesso ou não do atleta. A elaboração de um plano ou planejamento de
evolução de atletas não garante a certeza de resultados positivos, mas serve
como instrumento de auxílio na busca da efi ciência, pois, segundo Borsari (2001),
é por meio da perfeita combinação dos fundamentos, sua técnica e aplicabilidade,
aliados ao trabalho sistemático (adequado à idade e ao nível), que se consegue
evoluir, atingindo naturalmente a efi ciência.
19
Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados Capítulo 1
Kröger (2006) explica que, assim como aprender a gramática, o ensinamento
dos esportes deve seguir a sequência lógica: aprender o “ABC”, as primeiras
palavras (habilidades e capacidades motoras), para depois, de forma garantida,
poder falar palavras mais complexas (fundamentos e técnicas específi cas)
e, então, “regras gramaticais” (competências táticas específi cas). Ou seja, o
bom entendimento do “ABC da bola” irá projetar a utilização ideal das técnicas
no emprego das exigências táticas. Os aspectos táticos serão discutidos
posteriormente neste Caderno. Agora, vamos debater sobre a idade ideal para se
iniciar no esporte coletivo.
a) Idade ideal para a iniciação das modalidades coletivas
Muitose pesquisa e se discute a respeito da idade ideal da criança
no esporte. A maioria dos autores concorda em respeitar as etapas de
desenvolvimento físico a que todas as pessoas estão naturalmente condicionadas.
O desenvolvimento motor acontece em paralelo com o desenvolvimento biológico
e exerce grande infl uência neste. É importante ressaltar que, antes de iniciar na
modalidade específi ca, a criança tenha inúmeras experiências motoras variadas,
desenvolvendo suas capacidades básicas.
Além dos aspectos físicos e experiências motoras, devemos
considerar os aspectos sociais e acadêmicos para, então, determinar a
idade inicial adequada. No Brasil, normalmente, as crianças começam
a praticar esportes coletivos a partir dos 11 anos, idade em que estão
estudando no 6ª ano do ensino fundamental e começam a participar
das modalidades principais nas aulas de educação física, as quais
seguem as diretrizes curriculares e que promovem os ensinamentos das técnicas
básicas dos esportes coletivos mais populares (Basquetebol, Futebol, Handebol
e Voleibol). Basicamente, na maioria dos casos, esta condição determina a idade
inicial e que alguns autores e treinadores preferem seguir.
Para Bojikian (1999), a oportunidade de ensino de novas
habilidades motoras nessas idade é ótima, pois é um momento de
reestruturação motora natural. Contudo, esses parâmetros não são
regras e o que deve se respeitar é o princípio da individualidade. Dessas
maneira, cada criança tem um desenvolvimento diferenciado, sendo
difícil mensurar habilidades e determinar se esta ou aquela criança está
ou não apta à iniciação aos esportes. Como sugere Bizzocchi (2004),
nem todas as crianças estarão em condições idênticas de prontidão por
apresentarem a mesma idade cronológica. O importante é adaptar o
trabalho aoao desenvolvimento motor e psicológico do iniciante.
Crianças mais novas terão maior difi culdade de executar gestos técnicos
apurados devido à pouca experiência motora e à falta de automatização do
No Brasil,
normalmente, as
crianças começam
a praticar esportes
coletivos a partir dos
11 anos.
Nem todas as
crianças estarão em
condições idênticas
de prontidão por
apresentarem
a mesma idade
cronológica. O
importante é adaptar
o trabalho aoao
desenvolvimento
motor e psicológico
do iniciante.
20
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
movimento, estando em uma fase ainda adaptativa ou de desenvolvimento básico.
Cabe destacar que movimentos simples exigem coordenação e habilidades
básicas, enquanto movimentos apurados exigem complexidade coordenativa e
habilidades motoras afi nadas.
Antes dos fundamentos técnicos, o fundamento mais importante para
as modalidades coletivas é o domínio da bola e a capacidade criativa de cada
indivíduo. Esta deve ser a prioridade dos treinamentos, especialmente nas idades
iniciais. Quando estes fundamentos estiverem dominados, o jogo se tornará
mais fácil, tanto para aprender como para ensinar. Os treinamentos devem ser
elaborados buscando facilitar o desenvolvimento das habilidades básicas de
deslocamentos e o ótimo controle da bola.
Para Fillin e Volkov (1998), a idade mínima para ingresso em
escolas esportivas para competir futuramente nos esportes coletivos
com bola se encaixa entre os 10 e 11 anos. A maturação da menina
acontece antes do menino, devido a isso, é muito comum que a menina
inicie no esporte a partir dos 10 anos de idade e os meninos a partir
dos 11 anos. Esta diferença de um ano entre os sexos se prolonga
até o adulto e muitas confederações classifi cam as categorias de idade
diferentes para o masculino e feminino.
A iniciação esportiva deve respeitar as faixas etárias e a especialização não
deve ser a preocupação dos treinadores para iniciantes. Nas idades iniciais a
preocupação está na aquisição das múltiplas habilidades motoras e, após este
estágio, já na fase de especialização, o treinador pode focar no desenvolvimento
específi co para determinado esporte. A especialização deve acontecer
posteriormente, com idade entre 14 a 16 anos, conforme o quadro a seguir.
Os treinamentos
devem ser
elaborados
buscando facilitar
o desenvolvimento
das habilidades
básicas de
deslocamentos e o
ótimo controle da
bola.
Quadro 1 - Modalidades e respectivas idades por fase
Modalidade Esportiva
Idade para iniciar a prática
do esporte
Idade para iniciar a
especialização
Idade para Alta
Performance
Basquetebol 10 - 12 14 - 16 22 - 28
Futebol 10 - 12 14 - 16 23 - 27
Handebol 10 - 12 14 - 16 22 - 28
Voleibol 10 - 12 15 - 16 22 - 26
Fonte: Adaptado de Bompa (2002).
O quadro 1 apresenta as divisões desde a iniciação até o alto nível e suas
idades correspondentes. Estas idades são referências e não se aplicam a todos
os casos. Agora que iniciamos no esporte, vamos perceber as fases que devemos
respeitar, bem como seus aspectos e os cuidados para uma formação total e ideal.
21
Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados Capítulo 1
Para saber mais, confi ra na federação da modalidade de seu
estado, quais são as categorias e as devidas faixas etárias para os
iniciantes e veja se existe relação com o que foi apresentado aqui em
relação à iniciação esportiva.
Fases do Desenvolvimento
Esportivo
Autores do mundo todo propõem que os atletas devem respeitar as fases
ou etapas de desenvolvimento de jogadores em longo prazo. Para os esportes
coletivos, os principais autores sugerem diferentes possibilidades e que estão
descritas no quadro a seguir, o qual trata das propostas de preparação desportiva
em longo prazo, com diversos autores (CAFRUNI, 2002):
Quadro 2 - Sugestões de preparação desportiva a longo prazo
Harre (1982)
• Treinamento de Jovens Atletas* Iniciantes e Avançados*
• Treinamento Competitivo
Weineck (1986)
• Treinamento das Esperanças* Iniciantes e Avançados*
• Treinamento de Alta Performance
Lima (1988)
• Iniciação*
• Orientação*
• Especialização*
Matveiev (1991)
• Preparação de Base*
• Preparação Preliminar e Especialização Inicial*
• Máxima Concretização das Possibilidades Desportivas*
• Pré-culminação*
• Resultados Máximos
• Longevidade Desportiva
• Conservação e Manutenção
Zakharov (1992)
• Preparação Preliminar*
• Especialização Inicial*
• Especialização Aprofundada*
• Resultados Superiores
• Manutenção dos Resultados
Marques (1993)
• Preparação Preliminar*
• Especialização Inicial*
• Especialização Aprofundada*
22
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Platonov (1994)
• Preparação Inicial*
• Preparação Preliminar de Base*
• Preparação Especializada de Base*
• Realização dos Máximos Resultados
• Manutenção dos Resultados
Fillin (1996)
• Preparação Preliminar*
• Especialização Desportiva Inicial*
• Aprofundamento do Treinamento*
• Aperfeiçoamento do Treinamento
Barbanti (1997)
• Preparação Básica*
• Preparação Específi ca*
• Preparação de Altos Rendimentos*
Martin (1999)
• Treino Geral*
• Treino Fundamental*
• Treino de Construção*
• Treino de Ligação*
Bompa (2000)
• Treinamento Generalizado*
• Iniciação e Formação Atlética*
• Treinamento Especializado*
• Especialização* e Alto Nível
* Etapas de formação
Fonte: Adaptado de Cafruni (2002).
Para o nosso propósito, utilizaremos o modelo para os esportes
coletivos sugerido por Greco (1997), composto por nove fases,
caracterizadas por curtos períodos de duração, que comportam
a aproximação com a evolução ontogenética (física), evitando-se
a especialização precoce. As nove fases seguem um “tempo” em
relação à idade do praticante e à duração, por isso são chamadas de
Estrutura Temporal. Para o nosso propósito, apresentaremos apenas
sete fases, uma vez que as duas últimas (8 - Recuperação/Readaptação e 9
- Recreação e Saúde) estão relacionadas à atividade física após o término da
carreira no esporte. As sete fases apresentam as seguintes propriedades:
a) Pré-Escolar: Inicia-se por volta de 2-3 anos e estende-se por um período de
4-5anos. O processo de ensino-aprendizagem-treinamento caracteriza-se na
unidade e complexidade do sistema de cognição-emoção-motivação. Deve-se
utilizar atividades básicas de deslocamento, equilíbrio, acoplamento, esquema-
corporal, relação espaço-temporal entre outras, e, preferencialmente, ser
apresentadas em formas jogadas, tipo jogo de imitação e perseguição
(GRECO, 1997).
As nove fases
seguem um “tempo”
em relação à idade
do praticante e à
duração, por isso
são chamadas de
Estrutura Temporal.
23
Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados Capítulo 1
b) Universal: Esta fase que se inicia por volta dos 5-6 anos, tem uma duração
de 3 a 6 anos. Nesta fase o desenvolvimento do universo motor da criança
deve ser explorado ao máximo. Deve-se promover as capacidades motoras
e principalmente as coordenativas, as quais deverão formar uma ampla e
variada gama de movimentações que ressaltam o aspecto lúdico. A chamada
fase da Iniciação Esportiva Universal "é uma alternativa pedagógica importante
para faixa etária entre os 4-6 anos aos 11-12 anos. O jogo como elemento
didático pedagógico deverá ser oferecido conforme as características
evolutivas da criança, especialmente no que se refere a sua maturidade e
evolução coordenativo-cognitiva" (GRECO, 1997, p. 19). Nesta fase a criança
já está apta a desenvolver os aspectos técnicos das modalidades, contudo
sem a preocupação com a especialização, e sim com a variação global dos
movimentos e aumento da bagagem motora. O fi nal desta fase, quando
trabalhada de forma adequada, já permite a iniciação tática, por volta dos 10-
12 anos de idade (GRECO, 1997).
c) Orientação: Inicia-se por volta de 12-14 anos, tendo um tempo de duração
de cerca de 2-4 anos. Devemos orientar a vivência das técnicas esportivas,
ressaltando que "não se deve realizar um treinamento técnico e sim uma
passagem pelas técnicas das diferentes disciplinas esportivas, vendo quais
são as exigências de cada uma destas". A cobrança e a correção dos
fundamentos deve ser dirigida somente a elementos "grossos", devendo
priorizar a variação das técnicas. Jogos de iniciação, pré-desportivos, grandes
jogos, jogos recreativos, etc., são indicados nesta fase. Uma consideração
interessante está relacionada à grande importância dada ao conteúdo de
informação teórica, assim como a forma de transmiti-la (GRECO, 1997).
d) Direção: Inicia-se por volta dos 14 anos de idade e tem duração de cerca
de 2 anos. Nesta fase, afunilam-se as vivências motoras, sendo indicada
a escolha de uma ou duas modalidades para o aperfeiçoamento e a
especialização técnica. É recomendado que o praticante participe de duas ou
três modalidades complementares, encaminhando o atleta para a otimização
do seu rendimento. Greco (1997) determina que a complexidade das ações
continue aumentando, a formação de uma base cognitiva se jamais elaborada
acerca da tática de jogo e haja otimização técnica do jovem praticante.
e) Especialização: Iniciando-se em torno dos 16 anos, a duração desta fase
varia de 2 a 4 anos. Incide no incremento das técnicas para um esporte em
especial. Deseja-se o aperfeiçoamento e a otimização do potencial físico,
técnico e tático, visando ao emprego futuro no alto nível. A participação em
competições aumenta consideravelmente e o praticante adquire o status de
atleta (GRECO, 1997).
24
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
f) Aproximação/Integração: Inicia-se por volta dos 18 anos de idade e
estende-se durante 4-5 anos. Fase de grande importância, pois pode ou não
transformar um praticante em um atleta preparado, uma vez que, conforme
Greco (1997, p. 25), "aqui devemos pensar nos grandes talentos que só fi cam
na promessa de ser grandes e que às vezes, ‘não chegaram’ por falta de uma
adequada estrutura de treinamento". Nesta fase, junto com o aperfeiçoamento
e otimização das capacidades técnicas, táticas e físicas, é importante
aperfeiçoar as capacidades psíquicas e sociais.
g) Alto Nível: Na fase adulta o objetivo está na estabilização, aprimoramento e
domínio técnico-tático-psíquico-social que foram promovidos na fase anterior.
Acontece um signifi cativo aumento das cargas de treinamento. Com relação
ao volume/ intensidade/ densidade há uma direção do "processo para a meta
de otimização dos processos cognitivos (em relação à situação esportista/
alto rendimento/ estilo de vida) e psicológicos (psicorregulação, motivação
intrínseca)” (GRECO, 1997, p. 25).
A partir dessas defi nições, Greco (1997) desenvolveu um quadro que
descreve as fases e níveis de rendimento esportivo de acordo com a duração
e a relação com a idade e a frequência de treinamento do praticante. O quadro
sugere que a evolução do atleta deve respeitar as fases e as características
etárias. Propõe, ainda, que nas fases iniciais a frequência de treinamento deva
ser menor (2 a 3 vezes por semana), enquanto nas fases mais aprimoradas a
frequência chega a ser de 6 a 10 vezes por semana. Como segue:
25
Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados Capítulo 1
Figura 3 - Fases e níveis do rendimento esportivo: duração e
relação com a idade e a frequência de treinamento
Fonte: Greco (1997, p. 24).
Criação de um
sistema de
treinamento
esportivo para o alto
nível.
A Figura 3 pode servir de referência aos treinadores para a
criação de um sistema de treinamento esportivo para o alto nível.
Pode, também, auxiliar na seleção de talentos ;no planejamento dos
treinamentos das equipes em relação à execução do treino, e, ainda, na
avaliação dos atletas e na preparação para competições.
Como se percebeu nesta parte do Caderno, devemos considerar as fases
do desenvolvimento esportivo. Esses processo exige paciência e muito trabalho
diário, por vários anos. Este é o assunto a seguir.
Treinamento em Longo Prazo (TLP)
Atualmente, muitos países têm os seus programas de desenvolvimento
de talentos em longo prazo, por meio do Treinamento em Longo Prazo (TLP),
baseados em federações específi cas ou em programas de governo. Em países
como o Canadá, Inglaterra, Estados Unidos, Escócia e Austrália existem
programas de desenvolvimento de atletas em longo prazo e são os chamados
Long Term Athletes Development (LTAD) (Desenvolvimento de Atletas em Longo
26
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Prazo). Mais do que um programa, é uma fi losofi a de evolução de atletas e de
promoção de esportes na qual o treinador respeita as fases de desenvolvimento
e as características etárias de seus atletas. Nesses países, o programa auxilia
treinadores, fornecendo detalhes essenciais e que devem ser executados em
treinamento, para que o iniciante possa atingir uma evolução no esporte. Na
Austrália, por exemplo, o programa abrange iniciantes, compreendendo as faixas
de idade de 12 a 21 anos e que não estão praticando o esporte em questão
(MŰLLER, 2016).
Nos países citados, essas metodologia está sendo utilizada por várias
instituições responsáveis pelo desenvolvimento do esporte, como a federação
ou a confederação de esportes, como a natação e o tênis na Austrália; o rúgbi
na Escócia e o futebol no Canadá, Inglaterra e Estados Unidos. O programa
LTAD tem em sua essência o uso da atividade apropriada de acordo com a
idade, a maturidade e a sua relação com a prática e a competição. Respeitando
a idade cronológica, o modelo leva em consideração variáveis como o estado
de maturidade e o impacto que isso pode ter em um grupo de jogadores com
habilidades mistas. De acordo com Müller (2016), o modelo compreende:
• O desenvolvimento específi co de acordo com a idade;
• Aumento da oportunidade de prática com qualidade do esporte;
• Ir ao encontro das necessidades individuais;
• Programação sazonal;
• O planejamento de longo prazo, periodização;
• Demanda progressiva;
• Reconhecer as principais fases;
• Maximizar o potencial.
O programa LTAD tem uma relação com o modelo de desenvolvimentoem quatro aspectos, que são: físico, técnico, tático e social. Os três exemplos
mostrados a seguir apoiam-se em uma descrição lógica de uma base adequada
para o progresso das crianças que estão começando a experimentar LTAD.
a) Aquisição de competências - As fases são entrelaçadas assim:
• Desenvolvimento da técnica - dominar a bola;
• O desenvolvimento físico - movimento atlético;
• Execução efi caz e combinada da técnica correta, o movimento e a decisão
ideal a ser tomada em cada situação;
• A transferência desses componentes efetivamente em jogos.
b) Para o treinador em um contexto de iniciação esportiva dois fatores a
evitar são "Ansiedade e Tédio".
27
Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados Capítulo 1
• A ansiedade pode ocorrer principalmente quando o treinador espera muito de
jovens jogadores;
• Tédio pode ocorrer quando o treinador espera muito pouco.
c) As prioridades para os jogadores:
• Desfrutar de sua experiência no esporte e melhorar as suas técnicas;
• Desenvolver o seu movimento e descobrir os benefícios da aprendizagem.
Na Suíça foi desenvolvido um instrumento de seleção de talentos em nível
nacional, chamado de PISTE, sendo:
• Prognósticos orientados com vistas ao desempenho futuro no nível de elite,
em relação ao desempenho atual;
• Integração de vários fatores que são relevantes para o futuro desempenho;
• Sistematização e métodos padronizados;
• Treinadores, contando com treinadores (formadores) como a principal fonte
de conhecimento;
• Evaluations, usando avaliação realizada por treinadores como um método
efi caz de cálculo do desempenho.
Esse método inclui seis critérios de avaliação principais, e critérios
subcomponentes, os quais estão classifi cados como mais ou menos importantes,
de acordo com cada critério. Estes componentes e sua contribuição para um perfi l
de seleção universal estão resumidos no Quadro 3 e no texto abaixo:
Quadro 3 - Critérios de avaliação para a seleção de jovens atletas suíços e uma
estimativa de validade de prognóstico em termos de sucesso em performance em
Critérios de
avaliação Subcritérios
Validade estimada
de prognóstico
Métodos de avaliação
recomendados
Performance em
competições
Desempenho como atleta
infantil
Desempenho como atleta
juvenil
*
****
Resultados nas com-
petições, avaliação do
treinador.
Resultados nas com-
petições, avaliação do
treinador.
Testes de
Performance
Testes de desempenho
para o esporte específi co
Testes de habilidades
motoras gerais
****
*
Testes diretos, avaliação
do treinador.
Testes diretos.
28
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Nota: Adaptações específi cas do esporte são necessárias para todos os critérios. Duas a
três avaliações ('dinâmicas') devem ocorrer por ano. “Validade estimada de prognóstico”
refere-se ao sucesso de atletas adultos em desempenho no esporte de elite. “Validade
estimada de prognóstico” é baseada na literatura científi ca e em entrevistas com
especialistas. (* Insufi ciente; ** Fraco; *** Médio; **** Bom; ***** Excelente).
Fonte: Fuchslocher, Romann e Gulbin (2013).
Desenvolvimento
da performance
Competições e testes de
desempenho
****
Desempenho nas
competições, testes de
desempenho ao longo do
tempo.
Fatores
psicológicos
Alta motivação
Lidando com a pressão
****
Avaliação do treinador,
questionários.
Biografi a do
atleta
Resiliência
Ambiente (pais, escola)
Biótipo e antropometria
Nível de esforço
Tempo de treino (anos)
****
***
***
**
**
Avaliação do treinador,
questionários.
Questionários.
Medidas corporais.
Questionários.
Questionários.
Desenvolvimento
biológico
Maturação
Idade relativa
**
**
Medidas tamanho
corporal.
Mês de nascimento.
O quadro mostra os critérios que infl uenciam de forma complexa
o desenvolvimento de talentos. Nesses paradigma, acredita-se que a
busca do desenvolvimento do talento é mais provável de ser alcançado
por meio de um planejamento adequado e relacionado com a qualidade
de treinamento, suporte técnico, estratégias de desenvolvimento
individualizado, e a estratifi cação cuidadosa dos serviços de
ciência esportiva e medicina esportiva. Em particular, a melhoria da
probabilidade de se prever o potencial do indivíduo para atuar em
alto rendimento no futuro exigirá uma avaliação cuidadosa de muitos
elementos, incluindo o desenvolvimento biológico, as capacidades
físicas, habilidades psicológicas, das quais o sucesso depende.
Nós, treinadores, buscamos resultado e treinamos em busca
do sucesso. Contudo, o sucesso não pode deixar de considerar
aspectos fundamentais como a prática consciente e o respeito ao ser
humano. Assim, apresentaremos agora um tópico muito importante:
a especialização precoce, a qual devemos considerar quando trabalhamos com
crianças, pois dependendo da nossa ânsia pelo sucesso, podemos queimar
etapas no processo evolutivo e limitar o potencial de nossos atletas.
A busca do
desenvolvimento
do talento é mais
provável de ser
alcançado por meio
de um planejamento
adequado e
relacionado com
a qualidade de
treinamento, suporte
técnico, estratégias
de desenvolvimento
individualizado,
e a estratifi cação
cuidadosa dos
serviços de ciência
esportiva e medicina
esportiva.
29
Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados Capítulo 1
Especialização Precoce
A criança deve iniciar-se no esporte de maneira lúdica e divertida.
Infelizmente, hoje, não se brinca nas ruas como outras gerações o faziam.
A pelada de rua, um tanto esquecida pelas crianças, faz falta à iniciação, pois
oferece inúmeras possibilidades no desenvolvimento de habilidades motoras e
das capacidades físicas essenciais aos esportes. As experiências cinestésicas e
sociais vividas sem compromissos na rua, parques ou mesmo dentro de casa,
possibilitarão à criança desenvolver habilidades essenciais à prática da maioria
dos esportes, universalizando, assim, o aprendiz para o esporte.
A criança que brincar em diferentes tipos de terrenos (piso, grama, terra,
madeira), com diferentes objetos (bolas, raquetes, tacos), em vários tamanhos
e pesos, pratica jogos de pegar, saltar, rolar, ou, ainda, esportes com bola que
usem as mãos, os pés, ou ambos, terão uma experiência variada e completa,
essenciais a formação física e futura formação técnica para os esportes, além
de levar a descontração e a criatividade dos jogos e brincadeiras de rua para o
treinamento regular. Traduzindo esses fatores, na fase inicial desportiva, mais do
que executar o gesto técnico perfeito, é necessário conhecer o maior número de
movimentos e saber como aplicá-los nas situações vivenciadas posteriormente
(GRECO et al., 1997).
Alguns autores (FILIN, 1996; BOMPA, 2000; COELHO, 2000) reconhecem
que o alcance de altos resultados na idade infantil e juvenil não são garantia de
resultados futuros e afi rmam que é mais provável ocorrer o contrário. Nagorni (apud
BOMPA, 2000), em um estudo longitudinal realizado com atletas da antiga União
Soviética, concluiu que os atletas que obtiveram suas melhores performances em
categoria júnior realizaram uma especialização em idades muito baixas. Essas
performances nunca foram repetidas quando eles se tornaram seniores (acima de
18 anos), pois a maioria se retirou do esporte antes desta idade. Destes, apenas
uma minoria estaria apta a melhorar a performance em idades superiores. Por
outro lado, os atletas que se destacaram em categoria adultas no âmbito nacional
e internacional nunca foram campeões nacionais quando menores.
Uma vez que a criança não brinca mais na rua como
antigamente, por questões de segurança e falta de locais adequados,
qual seria a sua solução para este problema?
30
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
A preocupação em ensinar um esporte específi co em idades menores (5 aos
12 anos) limita o desenvolvimento ideal do iniciante, pois as crianças não são por
natureza especialistas; elas sãogeneralistas (KRÖGER, 2006). Bojikian (2002)
vai além, quando afi rma que a especialização precoce tende a levar à formação
de atletas sem chances de desenvolver todas as suas potencialidades e de obter
um ótimo aperfeiçoamento técnico-tático. Ele comenta sobre a especialização.
Usando o voleibol como exemplo, sendo este comentário aplicado em qualquer
modalidade, ele escreve:: “a prática exclusiva do voleibol na infância, difi cilmente
formará um acervo motor condizente com a prática de um voleibol de alto nível, em
que situações problema complexas são constantes e exigem a atuação de atletas
portadores de arsenais técnicos vastíssimos e de pronta utilização” (BOJIKIAN,
2002, p. 123).
No treinamento de categorias iniciantes se percebe um exagero em relação
ao treinamento precoce altamente especializado com atletas com o objetivo
de sucesso imediato. Isso promove vitórias, mas sequelas irreversíveis, como
expõem Ehret et al. (2002, p. 2):
A experiência prática mostra um quadro totalmente
diferente. Por um lado existe uma elevação da
performance, extremamente rápida e crescente, nas
categorias iniciais, porém tão rápido quanto é esta
ascensão, ocorre uma estagnação da performance,
o mais tardar, na fase de transição para a categoria
adulta. Um ótimo desenvolvimento da performance não
é alcançado, e não raramente, por causa de problemas
de motivação; jovens talentos encerram de forma
abrupta a carreira esportiva.
A especialização precoce é desaconselhada, pois acarreta uma série
de consequências negativas aos praticantes, como redução do repertório
motor; aumento da incidência de lesões (BOMPA, 2000); prejuízos gerais ao
desenvolvimento da criança (SEABRA; CATELA, 1998); manifestação de efeitos
psicológicos negativos como o “burnout” (Queima de etapas) (WATTS, 2002);
desmotivação (COELHO, 1988) e prejuízos à formação escolar (WEINECK,
1999).
Em alguns casos, o ensino dos esportes segue o modelo utilizado em adultos
e este processo de ensino-aprendizado-treinamento pode apresentar desarmonias
de desenvolvimento, acompanhadas do abandono do esporte prematuramente.
De acordo com Fillin e Volkov (1991), a preparação “forçada” do atleta quando
jovem e a ascensão prematura às categorias superiores geralmente conduzem ao
esgotamento físico e mental e ao abandono também prematuro do esporte.
31
Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados Capítulo 1
A especialização precoce deve ser evitada, pois prejudica enormemente o
desenvolvimento humano, além de causar estresse físico e mental à criança, que
não dispõe, como os adultos, de condições de suportar tamanha exigência do
treinamento de alto rendimento direcionado à perfeição técnica (GRECO, 1997).
Há vários exemplos de “estrelas mirins” que nunca conseguiram atingir o
alto rendimento, apesar do talento privilegiado. A causa dessas quebra pode ser
explicada pelo complexo processo de aprendizado que deve respeitar inúmeros
fatores, principalmente os de caráter genético e psicológico. A precocidade causa
inúmeras desvantagens, pois apesar de resultados imediatos, não produz ou não
leva a melhores resultados, ou aos níveis de rendimento superior no futuro.
Em resumo, para as modalidades coletivas mais populares, até cerca dos
12 anos, as crianças devem experimentar inúmeras situações diferenciadas
em vários esportes e atividades, na busca pela aquisição de acervos motores
preparatórios a serem utilizados posteriormente nas habilidades motoras
específi cas para atuarem no esporte escolhido. Até os doze anos os fundamentos
básicos dos esportes podem ser ensinados sem muitas exigências técnicas e com
um grande número de repetições.
Agora, vamos defi nir e distinguir os jogos desportivos em relação aos
esportes coletivos.
Você já percebeu algumas estrelas mirins que não se tornaram
atletas de rendimento?
O Jogo Desportivo Coletivo (JEC) e
os Esportes Coletivos (EC)
Segundo o dicionário Michaelis (2009), Jogo signifi ca: Brincadeira,
divertimento, folguedo e ou divertimento ou exercício de crianças, em
que elas fazem prova da sua habilidade, destreza ou astúcia.
O jogo desportivo coletivo representa uma forma de atividade
social organizada, uma forma específi ca de manifestação e de
prática, com caráter lúdico e processual, do exercício físico, na qual
os participantes (jogadores) estão agrupados em duas equipes numa
Jogo signifi ca:
Brincadeira,
divertimento,
folguedo e ou
divertimento
ou exercício de
crianças, em que
elas fazem prova
da sua habilidade,
destreza ou astúcia.
32
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
relação de adversidade típica não hostil (rivalidade desportiva) –
relação determinada pela disputa por meio de luta com vista à obtenção
da vitória desportiva, com a ajuda da bola (ou de outro objetivo
de jogo), manobrada de acordo com as regras preestabelecidas
(TEODORESCU, 2003, p. 23).
De acordo com o dicionário Michaelis (2009), Esporte signifi ca:
Prática metódica de exercícios físicos, que consistem geralmente em
jogos competitivos entre pessoas, ou grupos de pessoas, organizados
em partidos; desporto. Existe por parte de vários autores e professores
um confl ito de denominações entre Jogos e Esportes, sendo que estas defi nições
se repetem ou se assemelham extremamente. Para o proposito deste Caderno de
estudos, deveremos utilizar a denominação de Esportes Coletivos, uma vez que,
como explica o dicionário, é uma “prática metódica e de caráter competitivo”.
Atividade de Estudos:
1) Você consegue descrever dois exemplos de Jogos e dois
exemplos de Esportes?
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
Esporte signifi ca:
Prática metódica de
exercícios físicos,
que consistem
geralmente em
jogos competitivos
entre pessoas, ou
grupos de pessoas,
organizados em
partidos.
Como qualquer modalidade de esporte, o coletivo apresenta características
que lhe são próprias. Segundo Bayer (1994 apud DAOLIO, 2002), todas as
modalidades esportivas coletivas possuem seis características em comum, que
permitem observar semelhanças nas estruturas dos jogos. São elas: a bola, um
espaço de jogo, companheiros de equipe, adversários, as regras específi cas e o
alvo ou meta a ser atacado. Dentre elas, a fundamental é a imprevisibilidade de
ações que há na modalidade (GRECO,1995). Greco e Benda (1998) indicam os
parâmetros que são comuns aos jogos esportivos coletivos, quais sejam:
a) A bola (velocidade, direção, altura, etc.);
b) O espaço (local na quadra, áreas permitidas,
33
Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados Capítulo 1
proibidas, distribuição no campo);
c) O objetivo do jogo (gol, ponto, etc.);
d) O regulamento, com parâmetros, como: tempo
de jogo, espaço de jogo ou delimitações do campo,
número de jogadores, formas de jogar a bola (permitido
e não permitido), características da bola, formas de
comportamento perante o adversário, punições e
penalidades;
e) Colegas (posição, deslocamento, ação, função);
f) Adversário (intenções táticas etc.);
g) Público;
h) A situação: este parâmetro é fundamental, pois as
ações dos atletas mudam conforme a situação ambiental
inter-relacionada com os objetivos do jogo (GRECO,
1998, p.53).
Outras defi nições sobre esportes coletivos são relevantes, pois envolvem
a estrutura técnica e tática, além do desenvolvimento e entendimento do EC.
Reverdito e Scaglia (2007) descrevem que o esporte coletivo faz parte de um
sistema caracterizado por fatores como: equilíbrio e desequilíbrio, ordem e
desordem, organização e interação, imprevisibilidade e aleatoriedade, que, dentro
do jogo, fazem com que uma equipe tente evitar a progressão dasações da
adversária e vice-versa.
Em relação aos aspectos técnicos e táticos, Paes e Balbino (2009) apontam
que os elementos técnico-táticos correspondem aos componentes estruturais
do jogo, envolvendo movimentos, princípios táticos, estratégias de ensino e
aprendizagem dos fundamentos básicos, os quais são defi nidos pelos autores,
como domínio de bola, passe, domínio de corpo, fi nalização, drible, domínio
espaço-temporal e ações táticas ofensivas, defensivas e de transição.
Outra característica dos EC está na relação do praticante com seu
desenvolvimento socioafetivo. Galatti e Paes (2006) expõem que a prática desses
tipos de jogos proporciona à criança noções de coletividade, companheirismo,
relacionamento com jogadores da equipe e com adversários e, principalmente, que
a habilidade individual se torna mais útil e importante se for aplicada em benefício
do coletivo. Garganta (1995) destaca o desenvolvimento da cooperação, uma
vez que esta é fundamental para jogadores de uma mesma equipe conquistarem
seus objetivos, e da inteligência, já que as modalidades coletivas colocam
seus praticantes em situações diferentes a cada momento, desenvolvendo a
capacidade de interpretação e resolução de problemas durante o jogo.
Gonzalez (2004) expõe um sistema de classifi cação dos esportes
desenvolvido de acordo com a interação ou não com o companheiro(s) e a relação
de oposição com o adversário. As categorias estão assim apresentadas:
34
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
• Esportes individuais em que não há interação com o oponente: são
atividades motoras em que a atuação do sujeito não é condicionada
diretamente pela necessidade de colaboração do colega nem pela ação direta
do oponente.
• Esportes coletivos em que não há interação com o oponente: são
atividades que requerem a colaboração de dois ou mais atletas, mas que não
implicam a interferência do adversário na atuação motora.
• Esportes individuais em que há interação com o oponente: são aqueles
em que os sujeitos se enfrentam diretamente, tentando em cada ato alcançar
os objetivos do jogo, evitando, concomitantemente, que o adversário o faça,
porém sem a colaboração de um companheiro.
• Esportes coletivos em que há interação com o oponente: são atividades
nas quais os sujeitos, colaborando com seus companheiros de equipe de
forma combinada, enfrentam-se diretamente com a equipe adversária,
tentando em cada ato atingir os objetivos do jogo, evitando, ao mesmo tempo,
que os adversários o façam.
A partir dessas classifi cação, podemos caracterizar e exemplifi car os EC com
e sem interação. Assim, o quadro abaixo nos mostra alguns exemplos de esportes
com e sem interação com o adversário.
Quadro 4 - Classifi cação em função da relação de
cooperação e oposição em esportes coletivos
Com interação com o adversário Sem interação com o adversário
Basquetebol
Futebol
Handebol
Voleibol
Ginástica rítmica (conjunto)
Nado sincronizado
Remo
Fonte: Gonzalez (2004).
A partir da classifi cação com ou sem interação, podemos, ainda, classifi car
os JEC com interação e criarmos categorias dentro de cada esporte em relação
a Invasão, Rede/Parede ou de Campo/Rebatida. A ideia está em agrupar as
modalidades em função da semelhança dos princípios táticos básicos e da
natureza dos problemas do jogo (ALMOND, 1986 apud GRIFFIN; MITCHELL;
OSLIN, 1997).
35
Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados Capítulo 1
Quadro 5 - Categorias dos JEC com interação
Invasão Rede/Parede Campo/Rebater
Basquetebol
Handebol
Polo Aquático
Futebol
Hóquei
Rúgbi
Futebol Americano
Voleibol
Badminton
Tênis
Tênis de Mesa
Squash
Beisebol
Softball
Críquete
Fonte: Almond (1986 apud GRIFFIN; MITCHELL; OSLIN, 1997).
As modalidades esportivas coletivas como o basquete, o vôlei ou o futsal,
podem ser entendidas como um confronto entre duas equipes que se dispõem
pelo terreno de jogo e se movimentam de forma particular, com o objetivo de
vencer, alternando-se em situações de ataque e defesa (GARGANTA, 1998).
Todos os EC possuem denominadores em comum, que são: um objeto esférico,
geralmente uma bola, que pode ser lançada pelos jogadores com a mão ou com
o pé, ou através de um instrumento; um terreno delimitado, maior ou menor, onde
acontece o jogo; uma meta a atacar ou defender (baliza, cesta, por exemplo);
companheiros de equipe, que impulsionam o avanço da bola; adversários, aos
que há de vencer e regras, que se deve respeitar (BAYER, 1986). Os jogadores
têm que se integrar e confrontar-se ativa e constantemente com todos esses
componentes (HARRE apud TAVARES; FARIA, 1996). Moreno (1994) apresenta
uma classifi cação em relação aos esportes de cooperação/oposição, na qual
estão os Jogos Esportivos Coletivos. O autor divide os esportes em níveis de
Espaço e Participação, levando em conta os Companheiros de equipe, Adversário
e o Meio onde se joga a modalidade, conforme a fi gura a seguir.
36
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Figura 4 - Classifi cação dos esportes de cooperação/oposição
Fonte: Moreno (1994, p. 30).
Atividade de Estudos:
1) A partir da Figura 4, classifi que o basquetebol e o vôlei em
relação ao espaço e participação.
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
Bayer (1994) avalia os sistemas defensivos, ofensivos e de transição, quando
diz que as principais características do sistema defensivo são: a) a proteção
do próprio campo e do alvo, b) a recuperação da bola, e c) o impedimento da
progressão dos adversários e da bola para o próprio alvo. Em relação ao sistema
37
Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados Capítulo 1
ofensivo, o autor descreve que este sistema tem como princípios básicos: a) a
manutenção da posse de bola, b) a progressão dos companheiros e da bola em
direção ao alvo adversário, e c) o ataque ao alvo adversário com o objetivo de
fazer um ponto ou gol. Em relação ao sistema de transição, descrito como a união
dos sistemas defensivo e ofensivo, observa-se que ocorre quando uma equipe
perde a bola e passa a proteger seu alvo, impedindo a progressão dos jogadores
adversários e tentando recuperar a posse da bola. Com a recuperação da bola, a
equipe passa por uma transição de defensiva para ofensiva, progredindo para o
campo adversário com o objetivo de conservar a posse da bola e marcar o ponto
ou gol.
As ações de jogo realizam-se sempre em cooperação direta com os
companheiros de equipe e em oposição aos adversários (TAVARES; FARIA,
1996). Nessa situação de oposição e cooperação, surge o problema fundamental
dos EC, de acordo com Gréhaigne e Guillon (1995): coordenar as ações com a
fi nalidade de recuperar, conservar e fazer progredir a bola, tendo como objetivo
criar situações de fi nalização e marcar gol ou ponto. A relação de oposição é
estabelecida pelas situações de ataque e defesa. Cada princípio de ataque
encontra oposição num princípio de defesa (Quadro 6).
Quadro 6 - Ações de ataque e defesa
Fonte: Gréhaigne e Guillon (1995).
38
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Atividade de Estudos:
1) A partir do quadro acima, você consegue descrever quais são
os momentos de ataque e defesa relacionados ao seu esporte?
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
As características e considerações de Ataque e Defesa serão discutidas
posteriormente neste Caderno. Nesse momento apresentaremosa Tática
como componente fundamental na preparação e direção de equipes e atletas,
considerando também as particularidades de cada esporte coletivo.
Algumas ConsideraçÕes
Você percebeu, neste capítulo, que o talento esportivo é
infl uenciado por vários fatores, internos e externos. Esses fatores
contribuem ou prejudicam o iniciante. Você notou, também, que,
para o iniciante ter uma carreira positiva e duradoura, é necessário
um planejamento em longo prazo, de 8 a 10 anos de trabalho constante, com
10 mil horas de prática para que este jogador tenha condições de atingir o alto
rendimento. Você aprendeu, ainda, que a idade de iniciação para os esportes
coletivos está entre os 10 e 12 anos e as fases de desenvolvimento devem ser
respeitadas pelos treinadores para que a especialização precoce não limite e
prejudique a evolução ideal dos jogadores.
Percebeu, igualmente, que os Esportes Coletivos têm características
técnicas, táticas e socioafetivas e podem ser com ou sem interação com o
adversário.
8 a 10 anos de
trabalho constante,
com 10 mil horas de
prática.
39
Esportes Coletivos: Conceitos e
Princípios Aplicados Capítulo 1
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CAPÍTULO 2
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes
objetivosde aprendizagem:
Conhecer o funcionamento teórico e prático do treinamento para as modalidades
esportivas relacionadas;
Classifi car o funcionamento do treinamento aplicado aos esportes relacionados.
44
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
45
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2
ConteXtualização
O sucesso não vem por acaso. A expressão está relacionada ao trabalho
árduo e correto com que muitos atletas, por meio de vários anos de prática,
constroem as suas carreiras de sucesso. Para atingir o sucesso, muito trabalho
deve ser considerado, mas este deve ser correto e planejado para que o sucesso
venha como consequência e não por um acaso.
Muitas pessoas descrevem que o atleta tem o dom para praticar esportes
com qualidade. Inegavelmente, o dom (ou o talento) é vital para a performance
esportiva, contudo, o que realmente diferencia a equipe vencedora é o treinamento
e as formas de trabalho que o treinador planejará. O planejamento, por meio da
periodização, é a ferramenta encontrada para que a preparação física, técnica,
tática e psicológica aconteça dentro de princípios, na busca de uma melhora em
todos os aspectos de um atleta e de uma equipe. A periodização deve ser realizada
para que esta evolução aconteça por princípios científi cos, e não por outros
aspectos eventuais, e que todo o potencial do atleta e da equipe seja explorado
em sua plenitude. Assim, este capítulo discute a importância e o funcionamento
do treinamento para esportes coletivos.
A ImportÂncia da Prática Desportiva
A prática regular de esportes, por meio do treinamento em longo prazo, exerce
papel fundamental no desenvolvimento e na formação, não apenas de atletas,
mas também de cidadãos, pois conduzem à formação integral em seus aspectos
físicos, sociais e emocionais. Mesquita (2005) descreve que o treinamento e a
participação de competições esportivas auxiliam no desenvolvimento do indivíduo
uma vez que:
• Faz parte do processo educativo e formativo da criança e contribui para o seu
desenvolvimento integral;
• Promove a vivência de situações que conduzem a obtenção de valores
essenciais do “saber ser” (autodisciplina, autocontrole, perseverança,
humildade) e do “saber estar” (civismo, companheirismo, respeito mútuo,
lealdade, etc.);
• Permite o desenvolvimento das capacidades e habilidades motoras do
indivíduo, inerentes ao “saber fazer” (aquisição de uma bagagem motora
ampliada, etc.);
• Contribui para o equilíbrio do indivíduo, pois permite a diminuição do estresse
diário, comum à sociedade atual.
46
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Para que isso possa acontecer, o treinador deve proporcionar e considerar
todos os fatores que interferem na formação do jogador e da equipe, por meio do
treinamento coletivo regular e evolutivo. Bompa (2005) explica que as fases de
aperfeiçoamento do treinamento técnico-tático dividem-se em 3 partes principais:
• Aperfeiçoamento dos elementos e componentes técnicos: no qual se
busca o refi namento progressivo destes em todos os fundamentos de jogo,
ajudando a construir a fase seguinte:
• Aperfeiçoamento do sistema (inclui todas as habilidades), que deve buscar
se aproximar ao máximo dos padrões da competição;
• Estabilização e adaptação do sistema a diferentes características de jogo.
Em outras palavras, você deve treinar primeiramente a técnica, dos
fundamentos simples aos mais complexos, buscando o aprimoramento
técnico e a execução ideal. Posteriormente, você deve escolher e
treinar o(s) sistema(s) de jogo, ataque e defesa e de acordo com os
jogadores disponíveis, que irá utilizar para atingir o objetivo esperado
e, por fi m, irá unir a técnica desejada com o sistema escolhido para
cada circunstância do jogo ou de acordo com a ação do adversário.
O Treinamento Desportivo
A base do treinamento dos esportes coletivos segue os conceitos e princípios
do treinamento desportivo (TD) e demanda um grande conhecimento
dos aspectos científi cos relacionados a esta área. A organização do
trabalho, seu planejamento e a sua periodização respeitam estes
conceitos. O objetivo do treinamento esportivo nada mais é do que
atingir o ápice do atleta ou da equipe no momento certo, ou seja,
durante as competições principais.
O treinamento desportivo tem várias defi nições. Para Dantas
(2003, p. 28),
[...] é conjunto de procedimentos e meios utilizados para
se conduzir um atleta a sua plenitude física, técnica e
psicológica dentro de um planejamento racional, visando
executar uma performance máxima num período
determinado.
Perez (2000) utiliza uma defi nição pedagógica do treinamento, quando
escreve que é um processo composto por várias etapas, o qual se inicia sempre
da mais simples para a mais complexa, até chegar à especialização, que visa à
melhoria de algo, sendo essa uma característica nata dos seres humanos. Para
Mantivéiev (1986, p. 32),
Você deve treinar
primeiramente a
técnica.
E treinar o(s)
sistema(s) de jogo.
E, por fi m, irá unir
a técnica desejada
com o sistema
escolhido
O objetivo do
treinamento
esportivo nada mais
é do que atingir
o ápice do atleta
ou da equipe no
momento certo,
ou seja, durante
as competições
principais.
47
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2
[...] é a forma básica de preparação do atleta. É a
preparação sistematicamente organizada por meio
de exercícios que de fato constitui um processo
pedagogicamente estruturado de condução de
desenvolvimento do atleta [...].
Já para Carl (apud WEINECK 1999, p. 10), treinamento esportivo é defi nido
como “o processo ativo complexo regular planifi cado e orientado para melhoria do
aproveitamento e desempenho esportivo”.
Mais do que defi nir o TD, precisamos saber como utilizá-lo em benefício
da equipe e dos jogadores. Assim, devemos entender os Princípios do TD e as
suas aplicações em situações distintas, em treinamento e nas competições. Estas
situações são de caráter altamente científi co, pois de acordo com Dantas (2003),
os Princípios do TD são os aspectos cuja observância irá diferenciar o trabalho
feito à base de ensaios-e-erros, do científi co.
Já para Greco (2000), o alto nível de rendimento esportivo desejado é
alcançado pelos atletas/equipes em situações de treinamento e competição
como produto de uma série multifatorial e complexa de variáveis condicionantes,
que atuam e interagem, tanto em conjunto quanto isoladamente. O processo de
treinamento dirigido à obtenção e melhoria dos diferentes níveis de desempenho
de uma equipe deve, portanto, contemplar um adequado planejamento,
sistematização, estruturação, execução, regulação e controle científi co das
diferentes habilidades e capacidades que constituem a modalidade em questão.
Diferente dos esportes individuais, o treinamento para equipes coletivas tem
características únicas e que devem ser observadas quando do planejamento do
treinamento. Weineck (1999) descreve que este planejamento para equipes deve
compreender:
• Informações sobre o grupo e período de treinamento;
• Apresentação dos objetivos para cada competição;
• Objetivos intermediários a serem controlados após um determinado número
de sessões de treinos ou período de tempo;
• Informações sobre a periodização e o seu acompanhamento;
• Difi culdades da formação esportiva caracterizada pela intensidade do estímulo
e processos de ensino-aprendizagem;
• Procedimentos do treinamento principal e seus programas, métodos e
organização.
Como já vimos as defi nições sobre o treinamento desportivo, agora,
precisamos apresentar estas defi nições voltadas aos métodos e, mais ainda, aos
esportes coletivos.
48
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Métodos de Treinamento Desportivo
para Modalidades Coletivas
Métodos são modelos que você pode utilizar na organização e execução
do seu treinamento e interferem no sucessoda equipe. Para Gonzalez e
Fernsterseifer (2005, p. 274), método de ensino refere-se “[...] aos procedimentos
para atingir um objetivo na ação educativa”. De acordo com Bompa (2005),
o método é o processo de criação de modelos de treinamento a ser usado e
deve levar em conta as características de sua equipe, objetivos e adversários.
Outro fator determinante diz respeito ao planejamento ou programação, utilizado
para atingir seus objetivos de resultados em curto, médio e longo prazo. No
planejamento devem estar os objetivos técnicos, táticos, físicos e psicológicos
para os seus jogadores e a equipe como um todo. Esse planejamento é chamado
de periodização e deve ser preparada com antecedência, no início da temporada
e com objetivos determinados para o ano todo.
O método escolhido ou desenvolvido deve ter sempre o conceito
de ensino-aprendizagem para os esportes coletivos, ou seja, ensinar
e aprender os aspectos técnicos, táticos, físicos e psicológicos do
esporte, mas, indo muito além, quando desenvolve a criatividade, a
motivação, o entendimento do jogo e a autonomia do jogador. Para
que isso aconteça, devemos seguir um método didático-pedagógico
(alguns métodos serão apresentados a seguir) de valorização do atleta
e o desenvolvimento de suas competências. Garganta (2000, p. 55)
descreve “as competências que transcendam a execução propriamente dita e se
centrem na assimilação de ações e princípios do jogo”.
Os métodos a serem utilizados na preparação das equipes devem levar em
consideração as características de cada esporte e, ainda, as características dos
esportes em grupo ou coletivos. De acordo com Casagrande e Campos (2014), as
principais características são:
a os esportes coletivos se caracterizam pela interação entre companheiros de
time e adversário, marcado pela imprevisibilidade das ações no momento do
jogo;
b) os treinamentos de esportes coletivos devem ter características peculiares da
realidade do jogo;
c) o professor e/ou técnico deve possuir um referencial metodológico;
d) não há um único método de ensino efi caz que sobreponha a outro método;
e) uma metodologia efi caz é aquela que conjuga uma somatória de métodos de
ensino.
Esse planejamento
é chamado de
periodização e deve
ser preparada com
antecedência, no
início da temporada
e com objetivos
determinados para o
ano todo.
49
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2
A partir desta discussão, podemos sugerir métodos nos quais estas
características devem ser consideradas e que possam auxiliar-nos na montagem
do programa de treinos. A seguir, vermos os modelos mais comuns e utilizados
nos esportes coletivos.
a) Modelo de Simulação (BOMPA, 2005)
Como o nome já diz, o método reproduz ou imita em treinamento situações
reais que são encontradas durante o jogo com o objetivo de aprimorar o potencial
da equipe. Existem alguns modelos de simulação:
• Simulação tática da equipe – Considera aspectos táticos da equipe, tanto para
o ataque quanto para a defesa. Ex.: Sistema tático de recepção de saque nas
seis posições do voleibol;
• Simulação da cooperação de dois ou mais jogadores – Esquemas táticos
considerando a relação entre os jogadores. Ex.: Jogada combinada de ataque
a partir do escanteio no futebol;
• Simulação das ações táticas individuais – Específi cas da posição e das
exigências da função do jogador dentro do modelo da equipe ou daqueles que
têm grande liberdade para atuar na partida. Ex.: Escolha do tipo de saque no
voleibol;
• Simulação das habilidades técnicas – Usadas pelos jogadores dentro de um
determinado esquema e situação de jogo. Ex.: Passe por trás do corpo no
handebol;
• Simulação das qualidades físicas – Necessárias para aplicação tática ou
técnica no jogo. Ex.: Salto de rebote no basquetebol;
• Simulação dos sinais – Usados durante a partida para combinar ou alterar
uma jogada tática pré-determinada. Ex.: Símbolo utilizado pelo armador para
combinar a jogada a ser utilizada em um ataque no basquetebol.
Se você quiser conhecer mais sobre periodização no treinamento
desportivo, leia estes livros sobre o assunto:
DANTAS, E. H. M. A prática da preparação física. 5. ed. Rio
de Janeiro: Shape, 2003.
GOMES, Antonio Carlos. Treinamento Desportivo:
Estruturação e Periodização. Porto Alegre: Artmed, 2009.
50
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Lembrando que o objetivo do modelo de simulação é defi nir os esquemas
técnicos e táticos específi cos a serem usados pela equipe, treiná-los arduamente
e padronizá-los para, então, utilizar em determinados momentos da partida,
aumentando, assim, a efi cácia dos jogadores e a efi ciência da equipe.
b) Modelo de Jogo (BOMPA, 2005)
O modelo de jogo é a base do programa global da equipe, sendo o mais
utilizado e importante para o sucesso da equipe, uma vez que determina
“como” a equipe irá atuar. Este modelo incorpora todas as teorias e métodos
de treinamento aplicados por você durante o ano todo nos aspectos técnicos,
táticos, físicos e psicológicos. No Quadro 7, a seguir, Bompa (2005) apresenta a
sequência do modelo de jogo que você irá utilizar na criação do seu planejamento
de treinamentos e preparação para as competições:
Quadro 7 - O Modelo de Jogo (de cima para baixo)
• Modelo de jogo integrado
• Objetivos de performance
• Modelo de jogo: formações/posições
• Modelo Tático:
− Ataque: - Sistemas a serem empregados
Contra-ataques
Ataques posicionais
Flexibilidade em adaptar o modelo ao sistema de jogo da equipe adversária
− Defesa: - sistemas a serem empregados
Contra-ataque intervalos rápidos
Contra-ataques posicionais
Situações de jogo especiais
• Modelo Técnico
− Habilidades necessárias para aplicar o modelo tático
− Habilidades predominantes usadas:
− No ataque
− Na defesa
• Estabeleça o modelo da exigência física do jogo:
− Modelo da própria equipe
− Modelo da equipe adversária
51
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2
• Estabeleça o modelo do ambiente social do jogo:
− Público hostil
− Estratégias de intimidação usadas pela equipe local
• Modele o conhecimento teórico dos jogadores:
− Tática da equipe
− Habilidades psicológicas a serem usadas durante o jogo
• Modelo do ambiente do jogo:
− Fatores adversos
− Condições de jogo, instalações, equipamentos
• Modele a organização e as condições de jogo esperadas
− Horário do jogo
− Qualidade da arbitragem
• Monitoramento/análise
• Avalie o modelo de jogo
Fonte: Adaptado de Bompa (2005).
Além de contribuir para o planejamento e preparação para os jogos, este
quadro pode servir como uma linha de atuação na qual, a partir do nível dos
jogadores e dos resultados anteriores, você pode determinar quais os objetivos de
performance reais e possíveis sua equipe pode alcançar. O quadro também pode
ser usado na construção de um padrão de jogo e segue a lógica da evolução dos
aspectos relacionados à técnica, à tática, à preparação física e psicológica.
Este modelo deve determinar quais são os objetivos de performance de sua
equipe. Objetivos que devem desafi ar os jogadores a fazer o máximo para atingir
os objetivos mais difíceis. O modelo deve respeitar e considerar a qualidade dos
jogadores para cada posição, o sistema de jogo a ser utilizado, os subsistemas
(defesa, ataque, contra-ataque, etc.), e, assim, modelar o treinamento dos
aspectos técnicos e táticos (BOMPA, 2005).
Muitos treinadores utilizam o processo de ensino-aprendizagem em que
tudo se integra no conceito de “aprender jogando”, ou seja, aprender pela ação
de jogar (GRECO, 2012). Nesse caso, o professor e/ou técnico deverá sempre
ter esclarecido o fato de que as ações pedagógicas realizadas deverão estar
próximas ao movimento técnico, tático e estratégico do jogo, ou seja, as ações
treinadas devem ser desenvolvidas similarmente às desenvolvidas no momento
do jogo.
52
Treinamento Aplicadoaos Esportes Coletivos
c) Modelo de Equipe (BOMPA, 2005)
Neste modelo, você prepara a sua equipe dentro de uma estrutura que
respeita os seguintes passos:
• Estruturar a equipe de modo funcional e exemplar, composta por seus
melhores jogadores, com a maior efi cácia possível;
• Prever quais as alterações podem ser feitas durante a partida de acordo com
a situação particular do momento do jogo. Para maior efi ciência, as alterações
devem ser bem treinadas e não adaptadas, de caráter experimental ou de
improviso;
• Defi nir as posições de cada jogador e suas funções de ataque ou defesa, com
duas ou três variantes para cada posição ou situação;
• Decidir qual o sistema de jogo será utilizado e suas combinações de acordo
com o momento e situação do jogo;
• Selecionar e preparar os jogadores reservas para cada posição ou função na
equipe ou situação do jogo;
• Decidir as responsabilidades táticas para cada posição e jogador;
• Defi nir quais as estratégias de colaboração entre os jogadores.
Devemos perceber que cada um dos tópicos citados devem ser treinados de
forma exaustiva e consciente para que os objetivos sejam alcançados. Lembrando
que estas sugestões têm relação com o planejamento do treinamento em longo
prazo e não de resultado imediato.
d) Modelo Tático (BOMPA, 2005)
O modelo tático é tão importante quanto os modelos físicos e técnicos, e deve
ser baseado nas habilidades e capacidades técnicas e táticas dos seus jogadores.
Podemos considerar que para realizar uma técnica precisamos da condição física
e para escolher qual decisão tomar devemos construir a nossa ação tática.
As modalidades coletivas proporcionam situações diversas e imprevistas,
sendo esta uma de suas características mais importantes, e deixa o esporte
ainda mais atraente, uma vez que cada ação é única e variada. Por outro lado,
Garganta (1998) afi rma existir os possíveis previsíveis, o que justifi ca e dá sentido
aos processos de preparação e treinamento. De acordo com Greco (1998), os
possíveis previsíveis passam pela capacidade de recepção de informações, pela
capacidade de armazenamento de informações e a capacidade de elaboração
de informações, por isso, o termo utilizado por Garganta (1998) signifi ca criar
e automatizar uma série de situações e vivências motoras que facilitarão as
tomadas de decisão e de ação motora.
53
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2
Bompa (2005) sugere que o modelo tático deve considerar os elementos de
ataque e de defesa. Os elementos a considerar:
Para o Ataque:
• Formas e princípios que são a base do sistema de jogo e a sua aplicação no
plano de jogo e suas variáveis;
• Cooperação entre os jogadores/posições/setores, com ou sem bola;
• Promoção do jogo efi ciente pelos responsáveis táticos da equipe, como os
armadores ou levantadores e suas escolhas em relação ao melhor atacante
nas melhores posições ou situações para fazer o ponto/gol;
• Desenvolvimento do jogo de quem está com a bola e também a movimentação
dos outros jogadores para uma fi nalização efi ciente;
• Toda a ação ofensiva deve ser acompanhada e apoiada pelos outros jogadores
da equipe;
• Tempo sufi ciente para treinar os atacantes mais efi cientes e as possíveis
combinações com maior probabilidade de sucesso;
• Caso a combinação não dê certo, quais as alternativas;
• Empregar ritmos diferentes de jogo, todos devidamente treinados;
• Respeitar e seguir uma combinação até o fi m e com a participação de todos;
• Aumentar o tempo de posse de bola (futsal, handebol), quanto maior o
tempo de posse da bola maiores as chances de combinações de ataque e,
consequentemente, de pontuação.
Para a Defesa:
• Táticas e sistemas de jogo e suas variantes para a defesa;
• Cooperação entre os jogadores por posição/função;
• Elementos táticos individuais para neutralizar o ataque adversário. Marcação
especial aos principais jogadores ou aos responsáveis pela armação;
• Elementos técnicos e táticos usados na estratégia de defesa, como marcação
individual, por zona, pressão, etc.;
• Dar valor a defesa tanto quanto ao ataque (coisa difícil de ser percebida por
alguns jogadores).
e) Modelo de Treinamento (BOMPA, 2005)
De acordo com Bompa (2005), o modelo de treinamento deve ser um guia
baseado no modelo de jogo (Quadro 6). Este guia é o modelo geral que você irá
seguir e ditar as regras do treinamento de sua equipe. O autor sugere que, a partir
do Quadro 1 (Capítulo 1), você decida o modelo da equipe para, então, analisar
54
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
os componentes do treinamento, utilizando o Quadro 8, a seguir. O
Quadro deve ser organizado de forma que no lado esquerdo você
coloque os objetivos do treinamento para, então, resultar no programa
e elaboração do treino. Do lado direito, você coloca os métodos e os
recursos de que necessita para executar o modelo.
Quadro 8 - Modelo de treinamento desenvolvido de acordo com o modelo de jogo
Modelo de Treinamento
• Objetivos do treinamento
• Programas de treinamento – para a equipe e
para cada jogador
• Métodos de treinamento
• Métodos de implementação
• Recursos
• Treinamento tático:
• Modelos/sistemas
• Ações individuais
• Combinações de dois ou mais jogadores
• Táticas da equipe: princípios de circulação
da bola e dos jogadores
• Aprender a corrigir e aperfeiçoar as habilida-
des/manobras táticas
• Habilidades táticas individuais
• Tática de equipe
• Modelos para:
− Distribuição uniforme de energia para toda a
partida
− Início rápido/agressivo
− Final de jogo forte
• Treinamento técnico:
• Habilidades básicas
• Habilidades especifi cas da posição
• Habilidades que visam os objetivos táticos
• Aprender a corrigir/aperfeiçoar as habilida-
des
• Seleções das habilidades a serem usadas no
treinamento tático
• Habilidades especifi cas da posição
• Habilidades de acordo com o potencial físico
dos jogadores
• Habilidades complexas a serem usadas em
táticas de equipe
• Treinamento físico:
• Capacidades físicas, sistemas energéticos,
velocidade, potência e agilidade
• Desenvolvimento específi co para a posição
• Exigido pelos modelos técnicos e táticos
• Treinamento físico para uniformizar o potencial
funcional dos jogadores
• Treinamento específi co para cada posição
• Sistemas de energia: rotinas específi cas para
cada sistema
• Treinamento físico para se encaixar ao modelo
tático
• Treinamento por meio de brincadeiras/pro-
blemas:
• Modelo tático
• Habilidades táticas/submodelos
• Experiência de jogo
• Ataque/defesa
• Transição
• Situações especiais de jogo
• Flexibilidade para mudar de modelo
• Brincadeiras durante o treino
• Jogos amistosos
• Jogos ofi ciais
• Coletivos
Modelos de
treinamento onde
você utiliza o tipo
de treinamento da
coluna esquerda,
com o método
sugerido a direita.
55
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2
• Psicológico/teórico:
• Combatividade, motivação, tolerância à dor
e ao cansaço, concentração, visualização,
compreensão técnica das táticas do time
• Modelo do estado emocional específi co do jogo
• Rotinas para tolerar a dor e o cansaço
• Rotinas de alta intensidade sob condições de
alta fadiga
• Concentração máxima em toda a duração do
treino, especialmente no fi nal
• Avaliar a efi cácia do modelo
• Melhorar o modelo
• Testar/monitorar
• O jogo valida o modelo
Fonte: Adaptado de Bompa (2005).
Para melhor entender o Quadro 8, vamos a um exemplo:
1. Na coluna da esquerda, pegue o treinamento tático, liste os modelos táticos,
sistemas e suas combinações que serão usadas em sua equipe.
2. Na coluna da direita, especifi que os métodos a serem aplicados para atingir os
seus objetivos táticos, levando em conta desde os elementos do treinamento
tático da equipe até o perfi l fi siológico do jogo, como ter uma distribuição
uniforme de energia durante o jogo ou treinar a equipe para estar apta a
aplicar um começo agressivo e um fortefi nal de jogo.
3. Esses dois aspectos do modelo de treinamento devem especifi car as
habilidades técnicas correspondentes necessárias para alcançar o modelo
tático (sistema de jogo de ataque ou de defesa), as quais devem ser
específi cas para cada posição e relacionadas com o potencial físico de cada
jogador (combinações/jogadas individuais e coletivas).
f) Modelo de Capacidade Física
Nesta hora, os componentes relacionados ao treinamento físico devem ser
treinados de acordo com os sistemas de energia exigidos pelo modelo tático e
o plano de jogo. Lembrando que todo treino técnico ou tático é também físico,
portanto, as rotinas e os exercícios escolhidos devem considerar as capacidades
físicas imprescindíveis ao esporte especifi co, além das características físicas de
cada jogador e a sua função no jogo por posição.
O modelo de capacidade física deve considerar:
• A compleição física, as particularidades do desenvolvimento físico do jogador;
• A demanda fi siológica, os sistemas de energia e as habilidades motoras
exigidas para a execução do modelo de jogo e os sistemas táticos escolhidos;
56
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
• As capacidades físicas devem ser treinadas de acordo com as características
do desporto e de cada posição;
• Quando decidido o sistema de jogo, o modelo de capacidade física deve
ser treinado antecipa e arduamente para que dê suporte físico aos modelos
escolhidos.
Todos os modelos vistos aqui são de extrema importância, mas nada é mais
importante do que a infl uência e conhecimento do treinador. O bom treinador
saberá distinguir os métodos e utilizar quais são os que mais podem ser úteis
dentro da realidade de cada equipe ou partida. Assim, veremos a seguir algumas
considerações para a boa formação e atuação do treinador.
O Treinador Esportivo
O treinador é responsável pela organização dos treinos de
sua equipe. Esta organização demanda conhecimento e aplicação
sistemática dos princípios do treinamento desportivo e dos processos
de ensino-aprendizagem na busca de resultados positivos. O
planejamento dos treinos segue um processo longo e metódico, em
que cada treino é uma fatia do planejamento maior. Cada treino deve
servir na evolução metódica e ordenada da equipe nos aspectos
técnicos, táticos, físicos ou psicológicos, e não algo desconectado do
objetivo maior.
O processo depende de uma relação de cumplicidade de quem
ensina (treinador) com quem aprende (jogador), consubstanciada na matéria
de treino (conteúdo da prática). Assim, cabe ao treinador organizar e dirigir o
treino por meio da aplicação de situações permanentes e variadas de ensino-
aprendizagem, entendendo que:
• A difi culdade de aprendizagem do jogador pode estar relacionada com a forma
como o treinador ensina ou com os exercícios que seleciona;
• Os jogadores são diferentes e têm os próprios ritmos de aprendizagem e
talentos;
• As características e especifi cidades de cada faixa etária devem estar
presentes;
• O bom treinamento também deve considerar o desenvolvimento consciente e
criativo do jogador, fomentando a autonomia e a responsabilidade individual e
coletiva (MESQUITA, 2005).
O treinador exerce uma infl uência muito importante em todas as fases da
formação de atletas. Essa importância é ainda maior nas idades iniciais. Quanto
Demanda
conhecimento
e aplicação
sistemática dos
princípios do
treinamento
desportivo e
dos processos
de ensino-
aprendizagem na
busca de resultados
positivos.
57
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2
mais novo é o atleta, mais importância e infl uência o treinador exerce. Mais do
que buscar resultados, o treinador tem uma outra função, bem mais profunda e às
vezes desvalorizada, mas acima de tudo ele(a) é um educador, pessoa importante
na formação da personalidade e do caráter de seus pupilos, tanto esportiva quanto
de cidadania, e suas atitudes refl etem em seus atletas (COSTA, 2003).
Portanto, é de sua responsabilidade encorajar os novos jogadores e fazer
com que cada um deles, dentro do princípio da individualidade, desenvolva um
processo evolutivo gradual. Para isso, o treinador deve ter conhecimento das
particularidades de cada fase. Cardinal (1995, p. 85) resume:
O sucesso em alto nível demanda um grande número
de repetições concretas de um gesto técnico/tático,
supervisionadas pelo treinador. Para se alcançar um
nível de performance elevado, o atleta sofre a infl uência
direta do treinador.
Uma condição para que o iniciante se torne um jogador completo depende
essencialmente do fator motivacional. A motivação do iniciante pode aumentar
ainda mais pela intervenção correta do treinador. Por meio de atividades
interessantes e estímulos, o treinador deve oportunizar a todos os iniciantes a
condição de aprender corretamente uma técnica, de evoluir fi sicamente e de
entender o jogo taticamente para, então, poder atingir seu potencial total.
A evolução do jogador deve ser oportunizada pelo treinador. Muitos
jogadores talentosos não alcançam o alto rendimento pois não tiveram o seu
potencial explorado totalmente por treinadores limitadores. O treinador deve servir
de plataforma de lançamento para o futuro jogador. A “base de lançamento” deve
servir para a preparação de uma carreira em que o lançamento será estudado
e correto, durante os anos anteriores, para, então, proporcionar uma carreira
vencedora. O treinador deve dar a oportunidade ao iniciante de conhecer as
técnicas ideais, de ser orientado em como enfrentar situações decorrentes do jogo,
de buscar atingir as capacidades físicas para os esportes, tudo isso dentro de um
ambiente de treinamento e relacionamento respeitável e motivador, oportunizando
uma carreira ao seu atleta.
A vontade de vencer sempre será fonte motivadora que auxilia as crianças e
jovens a desenvolverem-se física, psicológica e socialmente, sendo este o objetivo
fundamental e vital da iniciação desportiva, e que deve ser usado na promoção da
alegria, no desenvolvimento das habilidades necessárias, sem os estresses de
vencer sempre e a qualquer custo.
Alguns detalhes devem ser levados em consideração na iniciação esportiva:
58
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
• Para crianças, antes dos 10 anos, os esportes não são coletivos. Nesta idade
não se joga o esporte, e sim tentativas de execução de algumas técnicas
do jogo. Para tanto, as crianças em idades inferiores aos 10 anos devem
unicamente ter contato com a bola de forma individual, para adquirirem
um relacionamento de confi ança e de conforto com ela. Nesta idade, as
crianças devem jogar para aprender e gostar do esporte, sem objetivos
táticos ou técnicos. Assim, devem participar de jogos pré-desportivos ao jogo
propriamente dito.
• Assim como na educação moderna e transformadora, treinadores devem
entender que o processo de ensino-aprendizagem acontece tendo o aluno/
atleta no centro deste processo e não o professor/treinador. Isso quer dizer
que o atleta deve ter sempre o respeito, a paciência e ser constantemente
estimulado na sua criatividade e na busca da confi ança necessária.
O desenvolvimento das qualidades técnicas necessárias à
formação ideal deve ser realizado de forma desafi adora e divertida. A
competição causa estresse e deve ser evitada em troca da diversidade
de movimentos. A ideia é que a referida prática – sem compromisso com
a exatidão da performance motora e sem a presença dos mecanismos
de pressão inerentes à competição – possibilite à criança a aquisição
dos mecanismos e o desenvolvimento das capacidades coordenativas
inerentes a cada uma das modalidades praticadas (BOJIKIAN, 2002). Esta
perspectiva de evolução deverá ser fator que domina a formação inicial, sendo
feita de forma positiva, eliminando qualquer interferência negativa ou frustrante.
Treinadores devem guiar os seus atletas com objetivos em longo prazo.
Muitos treinadores não estãocientes do principal objetivo do desporto juvenil e
da importância de dar condições favoráveis necessárias aos atletas de atingirem
o nível internacional (FILLIN,1996). Situações nas quais o refi namento técnico,
tático ou físico na preparação e formação dos jogadores têm importância relevante
desde que não se exagere no fator da “obrigação”, e sim promovam a atividade
de caráter estimulante, de modo que o desenvolvimento dos atletas seja positivo
e interessante.
A iniciação desportiva deve acontecer de um modo simples. O
nível de exigência deve ser compatível com o nível de capacidade
inicial do atleta. Os treinadores devem promover a iniciação seguindo
conceitos recreativos, para que a seja prazerosa, deixando o voleibol
muito mais divertido e atraente de ser praticado. Suvorov e Grishin
(1990) sugerem que a fi nalidade essencial na iniciação desportiva para crianças
é adaptar gradualmente o nível de exigência em determinada técnica do esporte,
de acordo com a capacidade individual e, principalmente, de acordo com as
O desenvolvimento
das qualidades
técnicas necessárias
à formação
ideal deve ser
realizado de forma
desafi adora e
divertida.
O nível de exigência
deve ser compatível
com o nível de
capacidade inicial do
atleta.
59
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2
idades apropriadas. O desenvolvimento e a evolução dos jogadores devem ser
guiados por meio de um entendimento das fases naturais de evolução. Para isso,
o treinador deve fazer uso da formação lúdica e a utilização de pequenos jogos,
como meios de educação esportiva relativamente simples e que podem auxiliar o
ensino esportivo na execução de suas missões instrutivas e educativas pela sua
força atrativa e sua complexidade psicomotora.
Treinadores têm a oportunidade de criar e desenvolver sistemas de jogo de
acordo com as qualidades e limitações de seus jogadores. A dúvida é como os
jogadores devem ser adaptados ao sistema escolhido ou qual sistema escolher
de acordo com as características da equipe. Alguns treinadores utilizam um
sistema específi co porque é este o mais utilizado em equipes de alto nível, ou pela
seleção nacional. Contudo, o treinador deve considerar e comparar a qualidade
dos jogadores que possui.
Talvez o grande desafi o em transformar uma equipe regular em uma equipe
vencedora seja a criatividade e habilidade do treinador em explorar e adaptar os
sistemas de jogo disponíveis ao nível real dos jogadores de que dispõe.
a) As funções principais do treinador
A importância do treinador na vida de seus atletas é gigantesca.
Geralmente, as crianças e adolescentes no esporte veem seus
treinadores com profunda admiração e carinho, respeitando e seguindo
suas instruções e orientações. Mesmo sem se dar conta disso, alguns
treinadores estão diariamente em contato com seus atletas, por oito,
dez ou mais anos de vida, normalmente no período de formação física,
humana e cidadã de crianças e adolescentes. O processo causa um
impacto enorme, uma vez que o contato entre ambos se torna algo mais
profundo do que um simples trabalho de formação. O envolvimento de
ambos atinge um status de convivência no grau de importância familiar.
Não raramente, os treinadores fazem a “função” de pais ou professores,
alguns até estão em maior contato com seus atletas do que os próprios pais. Os
professores regulares têm a mesma importância social e tendem a ter este tipo
de contato longo, mas difi cilmente ultrapassam dois ou três anos com o mesmo
aluno. Dessa feita, é conselho que os treinadores usem desta qualidade na busca
da formação ideal de seus atletas, para o esporte ou não. Para isso, alguns
aspectos de relacionamento humano e no desenvolvimento da personalidade
estão divididos em pontos fundamentais.
Sendo a evolução um processo extremamente individual, o treinador deve
perceber as difi culdades que cada jogador está enfrentando para, então, ajustar
Talvez o grande
desafi o em
transformar uma
equipe regular
em uma equipe
vencedora seja
a criatividade e
habilidade do
treinador em
explorar e adaptar
os sistemas de jogo
disponíveis ao nível
real dos jogadores
de que dispõe.
60
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
este processo de aprendizagem do esporte de forma apropriada, de acordo com
as características do esporte e a velocidade evolutiva de cada pessoa. Para um
melhor auxílio no desenvolvimento completo dos jogadores, o treinador deve:
• Auxiliar os jogadores na preparação mental, auxiliando na performance
durante os jogos e treinos;
• Controlar e ajustar as exigências técnicas, táticas e físicas, com o
desenvolvimento psicológico;
• Desenvolver métodos para o controle emocional dos atletas;
• Promover o programa esportivo, estimulando a participação de todos, dentro
dos princípios de amizade, respeito e ética;
• Fazer uso de métodos motivadores, ao invés de métodos monótonos e
estressantes, até mesmo para os adultos;
• Criar uma atmosfera positiva entre todos os componentes da equipe,
buscando os resultados desejados.
Você pode acessar o Manual do Treinador de Voleibol da
Federação Internacional de Volleyball:
FIVB. Coaches Manual. 2011. Disponível em <http://www.fi vb.
org/EN/Programmes/didactic/coaches_manual_i/FIVB_Coaches_
Manual_I_Chapter_03.pdf>. Acesso em: 6 mar. 2016.
O Manual do Treinador de Voleibol da Federação Internacional de Volleyball
(FIVB, 2011) determina funções principais que o treinador de voleibol deve
estar atento em cumprir. Tais funções são perfeitamente adequadas aos outros
esportes ou a qualquer treinador de esportes coletivos. Essas funções não estão
apenas articuladas nos aspectos de rendimento dos atletas, mas essencialmente
na formação completa da personalidade, na busca da cidadania
para dentro e fora do esporte. O quadro a seguir, contudo, aponta as
principais funções técnicas que o treinador deve cumprir na busca de
um planejamento ideal e que deve considerar:
Tais funções são
perfeitamente
adequadas a
qualquer esporte
coletivo.
61
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2
Quadro 9 - Funções do treinador de esportes coletivos
Fonte: Adaptado FIVB (2011).
62
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Os treinadores devem usar suas percepções para promover os jogadores
para o alto nível de rendimento. Contudo, a percepção deve seguir também
conceitos científi cos. O treinador pode considerar o avanço acelerado de
um jogador de uma fase para outra. Em alguns casos, o que determina esta
precocidade é o conhecimento e experiência do treinador em perceber a boa
condição técnica e psicológica dos seus jogadores. A utilização de jogadores em
competições em idades superiores pode contribuir com o progresso do jogador
em termos de experiência, porém a mesma utilização sem a correta preparação
pode limitar as performances futuras, uma vez que extrapola o nível de harmonia
natural entre a exigência e o resultado de acordo com as idades.
Hora de PlaneJar o Treino
Como foi visto anteriormente neste capítulo, o treinamento deve
seguir o planejamento maior, elaborado para o ano todo (Macrociclo
(periodização)) e dividido em meses (Mesociclo), semanas (Microciclo)
e dias (Treino), chamado de periodização. A menor unidade da
periodização é também a mais importante, pois é nesta hora que a teoria se
apresenta na prática e todo o trabalho acontece. A união de cada sessão de treino
forma a periodização ou o macrociclo.
Um bom planejamento pode fazer toda a diferença para a segurança,
motivação e sucesso de uma sessão. Planejamento é particularmente importante
quando você ensina grandes grupos, grupos com idades ou habilidades variadas,
ainda para atletas com os quais você não está familiarizado. É também vital
planejar quando o seu acesso aos recursos, equipamentos e espaço são limitados.
A boa gestão do tempo de treino ajuda você a aproveitarao máximo o seu tempo
de ensino e impede que ele seja desperdiçado em atividades irrelevantes.
O planejamento do treino deve considerar também os fatores que interferem
na sua efi cácia e de responsabilidade do treinador, como o domínio do conteúdo
do treino, a seleção da prática e a sua intervenção na correção ou motivação,
conforme a fi gura abaixo:
Macrociclo
(periodização),
(Mesociclo),
(Microciclo), (Treino)
63
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2
Figura 5 - Fatores do domínio do treinador concorrentes
para o aumento da qualidade de treino
Fonte: Mesquita (2005).
Assim, os fatores que determinam a efi cácia do treino, segundo Mesquita
(2005), são:
a) Gestão do treino
Conjunto de medidas e procedimentos que o treinador deve utilizar para
manter o treino em um clima propício à aprendizagem. Para que isso aconteça,
quatro aspectos devem ser considerados:
1. Organização das situações logísticas de treino e competição
i. Utilizar a lista de presença e controle de dados dos atletas;
ii. Evitar que alguém interrompa o treino, como pais, dirigentes, etc.;
iii. Organizar os dados para inscrição para os campeonatos.
2. Estabelecimento de regras e normas de conduta – Regras essenciais para
o bom funcionamento e organização dos treinamentos, determinadas pelo
treinador no início da temporada, tais como:
i. Horário de início e fi m de treino a ser respeitado por todos;
ii. Normas para os intervalos durante os treinos ou quando for mudar o exercício
e fazer correções;
iii. Normas como transporte de materiais ou outras tarefas determinando os
responsáveis ou a rotação destes.
3. Regulação e sanções de comportamentos incorretos – O treinador deve
64
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
dar autonomia aos seus comandados, porém deve cobrar os comportamentos
apropriados. Sendo várias pessoas em um mesmo grupo, não deve haver
favoritos e o treinador deve exigir que as normas sejam respeitadas por todos
para que todos se sintam respeitados. Para que isso aconteça, o treinador
pode utilizar algumas estratégias:
i. Ser claro e específi co quando indica aos jogadores os comportamentos a
modifi car e a importância desta mudança para o grupo;
ii. Corrigir o atleta em momentos separados e não ao mesmo tempo,
apresentando motivos consistentes e com convicção.
4. Supervisão e controle da atividade no decorrer do treino – Para melhor
gerenciar o treino, o treinador deve desenvolver algumas competências para
uma gestão efi caz em relação à supervisão e ao controle das atividades no
transcorrer do treino, que são:
i. Interromper o exercício apenas por motivo válido, sabendo exatamente o que
deve dizer ou fazer.
ii. Posicionar-se em um espaço onde todos possam ver e ouvir em alto e bom
tom;
iii. Colocar-se em um espaço onde possa ver todos na execução dos exercícios;
iv. Utilizar sinais próprios para aumentar a atenção e organização do treino;
v. Adotar medidas de intervenção de acordo com o tipo de exercício, sem que
cause atrasos ou perda da atenção dos atletas;
vi. Manter os atletas motivados e empenhados nos exercícios por meio da
manutenção dos objetivos a serem alcançados em cada atividade.
b) Gestão do tempo de treino
A gestão do tempo de treinamento é parte fundamental ao treinador, uma
vez que determina a utilização ideal do tempo disponível na obtenção dos
objetivos pretendidos. Existe a premissa de que em alto rendimento, a quantidade
é que irá melhorar a qualidade. Este tópico se torna extremamente importante
em situações de volume e intensidade em que cada repetição é importante, ou,
ainda, cada segundo é contado. Algumas estratégias são sugeridas para o melhor
aproveitamento do tempo de treino:
1. Aumentar o tempo útil de treino
i. Através da pontualidade;
ii. Arrumar os materiais com antecedência;
iii. Reduzir as interrupções.
2. Aumentar o tempo disponível para a prática
i. Reduzir os períodos de troca de exercícios ou intervalos;
ii. Utilizar explicações claras e precisas na organização do exercício;
65
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2
iii. Disponibilizar o material de forma rápida e de fácil acesso;
iv. Dividir os grupos ou locais de prática e a sequência dos exercícios;
v. Utilizar sinais (apito) para reunir, trocar ou interromper alguma atividade.
3. Aumentar o tempo potencial de aprendizagem
i. Escolher cuidadosamente os exercícios (fácil organização e motivadores),
número de repetições ou o tempo gasto para cada atividade;
ii. Ajustar o número de atletas envolvidos nos exercícios às características deste
(divisão em pequenos, médios ou grandes grupos);
iii. Adequar o grau de difi culdade dos exercícios ao nível de prestação dos
atletas, isto é, situados num patamar superior de difi culdade àquele em que o
atleta se encontra;
iv. Formar grupos de aprendizagem de acordo com os objetivos e características
dos exercícios;
v. Selecionar os exercícios para manter o máximo de jogadores atuando
simultaneamente;
vi. Comunicar-se com os atletas através de feedbacks durante a prática;
vii. Criar um clima positivo no treino e, assim, buscar a melhor execução e
aprimoramento.
O Plano de Treino
É importante você incluir variedade em suas sessões e dividi-las
em partes, por exemplo: aquecimento 5 minutos, o conteúdo principal
20 minutos, resfriamento de 5 minutos. Isso irá ajudá-lo a planejar o
tempo de forma efi caz e previne que aspectos importantes da sessão
sejam perdidos devido à falta de tempo. Assim, para planejar uma
sessão de treino, você deve responder às seguintes questões:
• Quem estará presente no treino (quantos atletas e suas posições)?
• Quais são os objetivos da sessão?
• Como é que as sessões devem começar?
• Que atividades deveriam ser incluídas?
• Como podem as sessões ser mais seguras?
• Como é que as sessões vão terminar?
O planejamento de uma sessão de treino deve ser feito em três partes. A
parte preparatória, a parte principal e parte fi nal. Cada parte deve considerar o
objetivo específi co e, assim, atingir o objetivo principal do treino. Weineck (1999)
apresenta, no quadro a seguir, as três partes de uma sessão de treinamento.
• Quem estará
presente no treino
(quantos atletas e
suas posições)?
• Quais são os
objetivos da
sessão?
• Como é que as
sessões devem
começar?
• Que atividades
deveriam ser
incluídas?
• Como podem as
sessões ser mais
seguras?
• Como é que
as sessões vão
terminar?
66
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Quadro 10 - Possível forma de uma sessão de treinamento
Parte Preparatória Parte Principal Parte Final
Determinação
dos Objetivos,
Tarefas,
Programas
- Criar um clima de
aprendizagem
- Preparar o organismo
(aquecimento)
- Despertar a disposi-
ção para os exercícios
- Melhoria do estado
de treinamento
- Treinar e determinar a
sequência de movi-
mentos
- Preparação para
competições
- Tranquilizar ou aquecer
novamente o organismo
- Avaliar os sucessos
obtidos (incentivos)
- Concluir o aprendizado
- Métodos
- Indicações
- Escolha dos
exercícios
- Controle do vestuário
e da aparelhagem
- Inicio pontual dos
exercícios
- Determinação dos
objetivos
- Exercícios diversos e
variados
- Transição para a
próxima etapa
- Transmissão, apro-
priação e fi xação de
conhecimentos, capa-
cidades e aptidões
- Execução das tarefas
pré-determinadas e
dos objetivos parciais
- Convém estar atento
às cargas e às ativi-
dades
- Estímulo à autocor-
reção
- Exercícios com função
lúdica
- Resfriar o organismo
após as atividades
- Organização dos mate-
riais e instalações
- Avaliação dos exercí-
cios e do treinamento
- Finalização do treina-
mento
Estímulos Crescentes Elevados Decrescentes
Duração* 15-20 minutos 45-90 minutos 10-15 minutos
Atenção: A relação temporal entre as sessões depende sobretudo dos objetivos deste.
Assim, a harmonia das sessões de treino fi ca garantida.
*Dependendo dadisponibilidade total de tempo para o treino.
Fonte: Adaptado de Weineck (1999).
Atividades de Estudos:
1) Considerando as questões acima, sobre o planejamento dos
treinos, responda a cada uma delas, de acordo com a realidade
de sua equipe:
a) Quem estará presente no treino (quantos atletas e suas
posições)?
____________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
67
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2
__________________________________________________
__________________________________________________
b) Quais são os objetivos da sessão?
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
c) Como é que as sessões devem começar?
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
d) Que atividades deveriam ser incluídas?
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
e) Como podem as sessões ser mais seguras?
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
f) Como é que as sessões vão terminar?
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
O Processo de Ensino-Aprendizagem
nos Esportes Coletivos
Depois que entendemos como organizar o planejamento do treinamento,
precisamos construir a prática nos aspectos necessários para a evolução do
jogador e da equipe. O treino, seja de caráter técnico, seja de caráter físico, seja
68
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
de caráter tático, deve seguir a condição ideal de aprendizagem para
que aconteça a transferência do conhecimento ou da intenção de
aprimoramento do treinador para o jogador.
Mesquita (2005) propõe que o processo de ensino-aprendizagem
nos esportes siga uma sequência de três fases de evolução progressiva
de aprendizagem da técnica, em que: na 1ª Fase o jogador adquire
a compreensão e coordenação grossa do movimento; na 2ª Fase o
jogador aperfeiçoa o movimento com a coordenação fi na do gesto; e
na 3ª Fase o jogador tem amplo domínio da técnica. Lembrando que a
autora aqui não trata de coordenação motora como capacidade física,
e sim como um gesto técnico específi co. Assim:
Figura 6 - Fases de aprendizagem da técnica
Fonte: Mesquita (2005).
1ª Fase o
jogador adquire
a compreensão e
coordenação grossa
do movimento; na
2ª Fase o jogador
aperfeiçoa o
movimento com a
coordenação fi na do
gesto; e na 3ª Fase
o jogador tem amplo
domínio da técnica.
Na 1ª Fase, de coordenação global do movimento, é fundamental que o
praticante compreenda mentalmente a nova execução motora do movimento.
Lembrando que a demonstração do gesto pelo treinador e as explicações
relacionadas à boa execução técnica e às vantagens do movimento correto
irão infl uenciar sobremaneira para a primeira execução e para a absorção
do gesto corretamente. O processo deve ser o mais correto possível para que
a transferência da aprendizagem seja positiva. Esta absorção correta deverá
estar presente no início do gesto para evitar futuras correções básicas, ou o
reaprendizado demorado das técnicas posteriormente. Em outras palavras,
quando se aprende de forma correta na primeira execução, provavelmente o
jogador repetirá de forma correta depois. Caso o aprendizado seja negativo, o
jogador irá executar errado posteriormente e a correção terá que ser muito mais
demorada e desgastante, atrapalhando no desenvolvimento técnico e na obtenção
69
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2
de outra técnica apurada a partir da técnica básica. Por exemplo: Um aprendiz no
handebol quando aprende o gesto de arremessar a bola, mas arremessa com
o cotovelo abaixo do ombro. Este aprendiz terá difi culdade para um posterior
arremesso sobre a defesa alta adversária, uma vez que não terá um lançamento
com o braço o mais estendido possível, ganhando altura e velocidade de braço
necessários a um bom arremesso.
Na 2ª Fase, coordenação fi na do movimento, o jogador aperfeiçoa a
execução do gesto em harmonia crescente e com qualidade. Aqui o praticante
repete sistematicamente com correções e ajustes, mas sem um grande número
de repetições, para que o gesto seja automatizado corretamente.
Na 3ª Fase, domínio do movimento, consideram-se as variações da técnica
as quais o praticante irá executar ou escolher a opção dentro de um repertório
motor adquirido para diversas situações que acontecem nos esportes coletivos.
Ou seja, não apenas a execução correta do gesto, mas também a escolha de qual
movimento irá utilizar em relação a situação-problema (decisão tática individual)
enfrentada. Por exemplo, um jogador de handebol, quando for tentar fi nalizar ao
gol, deve escolher qual o tipo de arremesso, com apoio ou em suspensão, em
relação à posição da defesa adversária.
Atividade de Estudos:
1) Quais são as características de cada fase de aprendizagem da
técnica, sugerida por Mesquita (2005):
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
Dentro do processo de ensino-aprendizagem, o treinador deve
utilizar uma metodologia de treino. Mesquita (2005) sugere que o
treinador utilize sete passos metodológicos para que o aprendizado
aconteça de forma clara e marcante. Os sete passos são:
1º Passo – apresentar a nova técnica por meio de uma explicação sintética das
suas partes fundamentais e da importância da boa utilização no jogo, seguida
de uma demonstração;
Utilize sete passos
metodológicos para
que o aprendizado
aconteça de forma
clara e marcante.
70
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
2º Passo – Permitir que os atletas experimentem várias vezes a realização da
nova habilidade técnica antes de intervir. Desse modo, os atletas realizam
uma primeira avaliação das suas capacidades e o treinador retira informações
acerca das palavras-chave que deve utilizar.
3º Passo – O treinador demonstra a habilidade técnica (de preferência efetuada
por um atleta que seja um bom modelo), levando os atletas a focalizarem a
sua atenção num determinado aspecto.
4º Passo – Os atletas executam de novo a habilidade técnica. Em simultâneo, o
treinador fornece feedbacks centrados no aspecto realçado na demonstração
anterior.
5º Passo – Demonstrar a mesma habilidade técnica, mas agora centrando a
atenção dos atletas noutro aspecto.
6º Passo – Fazer com que o atleta execute de novo a habilidade técnica, emitindo
feedbacks acerca da prestação dos atletas, centrando a informação no novo
aspecto que pretende que seja executado.
7º Passo – Repetir integralmente este processo até que os aspectos essenciais
(pontos-chave) da execução da habilidade técnica tenham sido referenciados
pelo treinador e executados pelos atletas.
Devemos cuidar para que não ultrapassemos quatro pontos chave de
execução, evitando, assim, que o processo de aprendizagem seja confuso,
difi cultando a sua compreensão e assimilação (MESQUITA, 2005).
a) O processo de análise e correção do movimento
Um fator determinante no processo de ensino e aprendizagem estána correta
observação feita pelo avaliador da execução do movimento aprendido. Isso deve
ser feito dentro de conceitos qualitativos e quantitativos, contudo, a observação
visual da execução do fundamento também deve ser levada em consideração pela
experiência e conceitos que o avaliador considera como modelo de referência.
Durante a avaliação técnica, o treinador deve estar ciente de que a forma
ideal de execução de uma técnica pode ser atingida posteriormente. A ausência
da forma ideal de execução de um determinado tipo de fundamento executado
pelo atleta iniciante pode ser compensada depois por meio do treinamento, força
e velocidade de movimento (KNUDSON; MORRISON, 2001).
A avaliação corretiva de um jogador para a equipe deve seguir princípios de
análise dos movimentos, sejam eles de habilidade técnica, sejam de habilidade
motora. A Figura 7, a seguir, utiliza o modelo qualitativo de um salto em altura,
relevante a vários esportes coletivos que utilizam os saltos, como o basquete,
o handebol e o voleibol. A fi gura utiliza o salto em altura em seus detalhes
perceptíveis para que sirva de exemplo de análise de um movimento complexo
71
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2
Figura 7 - Exemplo de análise dos aspectos qualitativos em um salto em altura
Fonte: Baseado em Knudson e Morrison (2001).
Na análise podem ser percebidos erros de execução que têm características
distintas e que podem ser diagnosticados qualitativamente. A análise qualitativa
do movimento deve considerar aspectos técnicos, motores e perceptivos aqui
sugeridos:
Figura 8 - Tipos de erros de desempenho a serem
considerados para uma abordagem qualitativa
Fonte: Hoffmann (1983 apud KNUDSON; MORRISON, 2001).
e que possui etapas distintas, apesar de integradas, e que irão infl uenciar na
execução da forma ideal.
72
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
O Quadro 11, a seguir, é um exemplo de avaliação por meio de observação
que o treinador pode elaborar de acordo com seus conceitos e necessidades. O
quadro utiliza o exemplo de avaliação técnica e de correção do saque por cima no
voleibol. Posteriormente, terá maior controle em relação ao problema observado,
podendo, assim, promover a correção ideal para cada fundamento e atleta:
Quadro 11 - Sugestão de quadro avaliativo do fundamento: avaliação
técnica e correção: Fundamento: Voleibol - saque por cima
Etapas da execução Correto (+) Incorreto (X) Problema Correção
Posição dos pés X Muito afastados Demonstração
Distância da linha +
Equilíbrio +
Lançamento da bola X Lançamento atrás Extensão cotovelo
Movimento do braço +
Contato com a bola X Atrás cabeça Correção técnica lança-
mento
Continuação movimento +
Resultado Geral X 20%
Fonte: Baseado em Scott (2001).
Atividade de Estudos:
1) Depois de observar o Quadro 11, pratique a avaliação e a
correção com os seus atletas em seu esporte. O desafi o está na
análise das etapas de:
1) Execução do fundamento escolhido;
2) Na boa ou má execução;
3) Na observação do problema;
4) Na sugestão de como corrigir o problema apresentado.
FUNDAMENTO:___________________
73
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2
Etapas da execução
Correto (+)
Incorreto (X)
Problema Correção
Avaliação do Treino
Como qualquer processo pedagógico, o treino deve ser avaliado. A avaliação
permitirá uma refl exão e um controle de todo o processo, no sentido de melhorar
sua prática como treinador e, também, o nível de evolução da equipe e de cada
jogador. Mesquita (2005) apresenta, no quadro a seguir, os diferentes elementos
que devem ser percebidos na avaliação do processo de ensino-aprendizagem,
contextualizada no processo de treino.
Quadro 12 - Elementos da avaliação do processo de ensino-aprendizagem
Objetivos
- Controlar a atividade dos atletas e do treinador
- Reajustar estratégias
- Informar o atleta de seu percurso evolutivo
Componentes
ATLETAS
- Prestação motora
- Relação com os outros
- Características de personalidade
TREINADOR
- Metodologias
- Estratégias
- Concretização dos objetivos
Momentos
- No fi nal de cada treino
- No início de cada bloco de trabalho
- Após a conclusão de um bloco de trabalho
- No fi nal de cada jogo
- No fi nal da temporada
74
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Meios
- Registro em fi chas
- Relatórios de jogos
- Scouts
Condições
- Situações normais de treino
- Situações criadas no treino para observar comportamentos específi cos
- Observação no jogo
- Observar pós-jogo
Fonte. Adaptado de Fonseca (2005).
Weineck (2005) recomenda, ainda, que a avaliação, seja ela imediata ou não-
imediata, permite esclarecer questões relacionadas ao planejamento, ao sistema
de jogo, à evolução dos jogadores e da equipe como um todo, aos materiais e
condições do espaço, se os exercícios foram bem escolhidos, entre outros, afi m
de direcionar ou redirecionar o treinamento na busca dos objetivos propostos.
Algumas ConsideraçÕes
O treinamento desportivo nos certifi ca de como trabalhar dentro de uma
metodologia científi ca para que a nossa equipe atinja o máximo potencial físico,
técnico, tático e psicológico. O planejamento deve ser dividido em períodos, do
maior (Macrociclo) para o menor (Microciclo ou Treino). Por meio do treino as
tarefas e ajustes são construídos na busca do objetivo maior que é a melhora da
performance da equipe. É pelo treino que se chega à preparação ideal no mais
alto nível e na época certa, e isso é chamado de periodização.
É extremamente importante que o treinador respeite as fases evolutivas dos
seus comandados, assim como ensine os fundamentos do jogo em um processo
crescente, interessante e paulatino. Isso é simples, mas muitos treinadores deixam
de observar e respeitar este detalhe e, assim, muitos talentos são desprezados ou
não atingem o potencial máximo de performance.
ReFerÊncias
BOMPA. Tudor. Treinando atletas de desporto coletivo. São Paulo: Phorte.
2005.
CASAGRANDE, C.G.; CAMPOS, L.A.S.; Esportes coletivos: análise na utilização
dos métodos de ensino e treinamento no contexto da prática da educação física.
75
O Funcionamento do Treinamento
dos Esportes Coletivos Capítulo 2
Coleção Pesquisa em Educação Física, Várzea Paulista, v. 13, n. 1, p. 77-86,
2014.
DANTAS, E. H. M. A prática da preparação física. 5. ed. Rio de Janeiro: Shape,
2003.
FIVB. Coaches Manual. 2011. Disponível em <http://www.fi vb.org/EN/
Programmes/didactic/coaches_manual_i/FIVB_Coaches_Manual_I_Chapter_03.
pdf). Acesso em: 06 mar. 2016.
GARGANTA, Júlio. O ensino dos jogos desportivos colectivos. Perspectivas e
tendências. Movimento, Porto Alegre, ano 4, v. 1, n.8, p. 19-26, jan./jun.1998.
_____. O treino da táctica e da estratégia nos jogos desportivos. In: GARGANTA,
J. (Ed.). Horizonte e órbitas no treino dos jogos desportivos. Porto: Converge
Artes Gráfi cas, 2000. p. 51-61.
GONZALEZ, F. J.; FERNSTERSEIFER, P. E. (Org.). Dicionário crítico de
educação física. Ijuí: Ed. Ijuí, 2005.
GRECO, P. J. (Org.). Caderno de Rendimento do Atleta de Handebol. Belo
Horizonte: Healthy, 2000.
_____. A Educação Física Escolar e o ensino dos jogos esportivos coletivos na
escola: das refl exões à práxis. In: TANI, Go et al. Celebrar Lusofonia. Ensaios
e estudos em Desporto e Educação Física. Belo Horizonte: Casa da Educação
Física, 2012. p. 443-460.
KNUDSON, D.V.; MORRISON, C.S. Análise qualitativa do movimento
humano. São Paulo: Manole, 2001.
MANTIVÉIEV. C. P. Horizontes da cultura física fundamentos do treino
desportivo. Lisboa: Livros Horizontes, 1986.
MESQUITA, I. A pedagogia do treino: a formação em jogos desportivos
colectivos. Lisboa: Livros Horizonte, 2005.
PEREZ, A. J. Quem são os atletas e os não-atletas no processo de treinamento.
Revista Brasileira de Ciência do Esporte. [s.l.], p. 129-132, jan./maio 2000.
SCOTT, TONY. Physical education for Edexcel. Oxford:Heinemann. 2001.
WEINECK, J. Treinamento ideal. Tradução de Beatriz Maria Romano Carvalho.
São Paulo: Manole, 1999.
76
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
CAPÍTULO 3
A Preparação Física, Técnica, Tática
e Psicológica dos Esportes
Coletivos
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes
objetivos de aprendizagem:
Compreender a importância da preparação física, técnica, tática
e psicológica para atletas das modalidades coletivas;
Planejar o treinamento de acordo com as competências dos jogadores dos
esportes coletivos em seus aspectos físicos, técnicos, táticos e psicológicos.
78
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
79
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3
ConteXtualização
Este capítulo determina as competências do jogador nos quatro aspectos
fundamentais para a formação completa de um jogador para os esportes coletivos.
Neste momento acontece um aprofundamento detalhado das competências
física, técnica, tática e psicológica e suas particularidades, dentro de sugestões
ordenadas para cada competência. Na proposta deste Caderno, veremos as
quatro competências de maneira distinta e resumida.
Fatores de evolução física, técnica, tática e psicológica são discutidos aqui,
lembrando que cada fator tem infl uência no seguinte, sendo um complemento
ou compensação do outro de acordo com as necessidades de evolução para o
esporte ou em situações específi cas de jogo.
CompetÊncias do Jogador de
Esportes Coletivos
Para atingir o alto nível esportivo, o jogador demanda vários anos de prática,
inúmeras repetições de um fundamento, grande capacidade criativa e inteligência
tática, além de ter o biotipo adequado à função em quadra ou campo. Deve ter
tido um bom treinador, apoio da família, condições educacionais e fi nanceiras.
Aspectos sociais, como a interação, o trabalho em grupo e obtenção de
performance em união, também são exigências de personalidade dos melhores
atletas.
O jogador completo deve ter a sua formação baseada na relação
ideal de quatro competências (Competências Técnicas, Táticas,
Físicas e Psicológicas). Cada um destes fatores abrange situações
que infl uenciam no aprendizado e desenvolvimento completo do
jogador. Essas exigências estão determinadas e divididas propriamente
no auxílio do entendimento de cada passo a ser adquirido e observado para a
consolidação de uma preparação completa e ideal.
Para entender, de forma visual, quais são as competências dos jogadores de
esportes coletivos, defi nimos os quatro aspectos que devem ser considerados na
formação. A fi gura a seguir exemplifi ca as funções e competências básicas de um
jogador completo:
Competências
Técnicas,
Táticas, Físicas e
Psicológicas.
80
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Figura 9 - Competências básicas de um jogador
Fonte: O autor.
Todos os aspectos da formação (física, técnica, tática e psicológica) são
importantes, e a falta de aprofundamento em um deles poderá rotular o jogador
como despreparado ou limitado em sua carreira futura. Essas competências
estarão melhor defi nidas na sequência deste capítulo. Para entender a fi gura
9, você precisa defi nir quais as características de cada esporte e, assim, as
competências dos jogadores para o esporte.
Atividade de Estudos:
1) Considerando a fi gura anterior, sobre as competências do
jogador completo, preencha a fi gura abaixo de acordo com o
seu esporte e as quatro competências presentes no esporte
escolhido.
Instruções de preenchimento - Identifi que e classifi que na fi gura
a seguir as: 1) competências físicas (Capacidades físicas mais
importantes); 2) as táticas individuais e coletivas apresentadas
(caracterizadas no seu esporte); 3) os fundamentos do esporte;
81
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3
4) os aspectos psicológicos mais relevantes para um jogador
completo para o seu esporte. Assim, preencha os espaços:
A Preparação Física para os
Esportes Coletivos
A preparação física é a parte mais importante do treinamento desportivo,
pois desenvolve as capacidades físicas necessárias e inerentes aos esportes
e pode transformar jogadores comuns em grandes atletas. A preparação física
serve de base para a evolução dos atletas, uma vez que dá condição para
o desenvolvimento das capacidades físicas que interferem diretamente no
progresso das habilidades técnicas, consciência tática e segurança psicológica
que o atleta deve possuir para competir com efi ciência e efi cácia.
A evolução técnica depende da condição física do jogador. Quanto mais
apurado seja o nível em que se atua, mais importante será a elevação de sua
82
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
condição física. A falta de condição física ideal interfere na execução dos
fundamentos, na manutenção do nível técnico e tático alto durante os treinamentos
e partidas, e diminui o poder de atenção e percepção.
Capacidades motoras são as primeiras a serem trabalhadas nos iniciantes.
Exercícios variados, inicialmente sem a bola, que desenvolvam a agilidade,
os deslocamentos, são importantes na postura básica do jogador e no
desenvolvimento posterior da posição de expectativa e de outros fundamentos do
jogo. Nas idades iniciais, os exercícios com objetivos de promover a capacidade
orgânica não precisam ser necessariamente cansativos ou monótonos. Pelo
contrário, o treinador deve fazer uso de jogos e atividades recreativas com e sem
bola para desenvolver a qualidade física de maneira natural e interessante para o
iniciante.
Nas fases iniciais de desenvolvimento, a preparação física é importante,
porém menos signifi cante do que nas fases de adulto ou alto rendimento. A
maioria das equipes menores tem um tempo semanal reduzido de treinamentos
e procura utilizá-lo essencialmente na preparação técnica e tática, deixando em
segundo plano a preparação física. Esta é uma decisão inteligente, uma vez
que normalmente as partidas das categorias menores são disputadas em menor
tempo. O jogo é mais lento e pausado, não exigindo enormes esforços. Algumas
federações estabelecem em regra que as equipes devem utilizar vários jogadores
durante a partida. Esta rotatividade oportuniza o esporte para mais crianças e, ao
mesmo tempo, descansa outras (MÜLLER, 2009).
Os atletas dos esportes coletivos utilizam várias capacidades
físicas, de acordo com as características de cada esporte. Weineck
(1999) divide as capacidades em coordenativas ou condicionais, sendo
as capacidades condicionais referentes aos processos energéticos
e as coordenativas se referem às reguladoras do sistema nervoso
central (SNC). O autor ainda aponta que a capacidade de desempenho
esportivo se manifesta por meio de uma sequência de movimentos,
signifi cando que a qualidade está relacionada aos aspectos
coordenativos (SNC) e a quantidade está relacionada aos aspectos
condicionais (sistema energético).
A Figura 10, a seguir, apresenta um resumo das capacidades
condicionais e coordenativas na visão de Gundlach (1968), Weineck
(1999) e Dantas (2003).
Capacidades em
coordenativas ou
condicionais.
Qualidade está
relacionada
aos aspectos
coordenativos (SNC)
e a quantidade
está relacionada
aos aspectos
condicionais
(sistema
energético).
83
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3
Figura 10 - Capacidades condicionais e coordenativas
Fonte: Adaptado de Gundlach (1968), Weineck (1999) e Dantas (2003).
Diferente de esportes em que existe apenas uma capacidade predominante,
como a velocidade na prova de 100 metros do atletismo, ou a resistência
aeróbica como predominante na maratona, os esportes coletivos agregam várias
capacidades, tanto coordenativas quanto condicionais.
84
TreinamentoAplicado aos Esportes Coletivos
Para treinar uma equipe, você deve conhecer as exigências físicas específi cas
do seu esporte e da posição de cada jogador. Para que alcance este patamar, o
esporte em questão deve ser analisado e as capacidades físicas entendidas em
mais ou menos importantes e inclui-las na periodização.
Dentro da periodização, você pode dividir o treinamento físico em fases
distintas, na busca de um resultado aprimorado ao longo da temporada. Para
Plantonov e Bulatova (2003), a preparação física se divide da seguinte forma:
• Preparação física geral: Abrange as qualidades motoras essenciais, tais
como: aumentar os níveis de resistência, força, aprimorar a velocidade,
melhorar a fl exibilidade e a coordenação, obtendo, assim, um desenvolvimento
integral para a modalidade em questão.
• Preparação física específi ca: Procura desenvolver as qualidades específi cas
de acordo com as exigências intervenientes da modalidade, como, por
exemplo: tempo de reação, equilíbrio, aumento da massa muscular, força
específi ca como potência, resistência muscular, entre outras.
Assim, a preparação geral melhora os níveis cardiopulmonar e neuromuscular,
enquanto a preparação específi ca ajuda o jogador a condicionar-se às exigências
impostas durante o jogo, além de manter ou melhorar os níveis de habilidades
técnicas/táticas.
Para entendermos um pouco mais sobre as características/capacidades de
cada esporte e, ainda, de cada posição, devemos utilizar ferramentas que nos
ajudem a melhor compreender o esporte. Essas ferramentas estão disponíveis
na forma de testes e avaliações, além da observação da modalidade escolhida.
Bompa (2005) indica que para perceber quais capacidades devem ser treinadas,
o treinador deve avaliar o esporte em questão por meio de padrões de análise,
que devem considerar:
a) Análise do tempo-movimento – analisar as características
predominantes do esporte, como os deslocamentos, corridas lentas
ou velozes, saltos, quedas e, em especial, os fundamentos técnicos
de cada posição ou do esporte como um todo. A partir disso, entender
quais são as exigências maiores em relação ao consumo energético,
ou a Ergogênese (colapso energético). Por exemplo: Qual o sistema
energético predominante em cada modalidade como um todo e para
cada posição em campo ou quadra?
A partir disso,
entender quais
são as exigências
maiores em relação
ao consumo
energético, ou
a Ergogênese
(colapso
energético).
85
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3
Tabela 1 - A ergogênese dos esportes coletivos em percentual de utilização
ERGOGÊNESE PROPORÇÃO DE UTILIZAÇÃO DOS SISTEMAS DE ENERGIA EM PERCENTUAL (%)
Sistema Energético/
Desporto Sistema Alático
Sistema
Lático Sistema Aeróbico
Basquetebol 30% 40% 30%
Futebol 15% 15% 70%
Futsal 30% 30% 40%
Handebol 20% 30% 50%
Voleibol 40% 10% 50%
Fonte: Adaptado de Bompa (2005).
A Tabela 1 apresenta uma noção global da utilização energética nos esportes
coletivos. Como exemplo e melhor entendimento, a Tabela 1 considera o futebol
como um esporte de predominância aeróbica, devido a duração longa de uma
partida e, também, um esporte de características anaeróbicas láticas, devido a
momentos de intensidade alta e de curta duração, como um contra-ataque.
Já o Quadro 13 apresenta as características por posição, no qual os jogadores
têm algumas características em comum, mas também existem particularidades
que devem ser treinadas de forma específi ca.
Quadro 13 - O sistema de energia dominante por posição no futebol
POSIÇÃO ATP/CP Ácido Lático Oxigênio
Goleiro X
Defensor X X
Meio-campista X X
Atacante X X X
Fonte: Bompa (2005).
b) A distância percorrida por jogo – Específi ca por posição e pelas
características de cada esporte. Bompa (2005) continua no futebol, como
exemplo, e descreve que um meio-campista irá correr de 10km a 15km
por jogo, enquanto um zagueiro difi cilmente irá correr mais do que 8km,
passando pelo goleiro para o qual correr não é uma característica da posição.
86
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
No basquete, o pivô irá correr maiores distâncias entre as extremidades da
quadra, em que deve defender e atacar “dentro” do garrafão, enquanto o
armador irá correr no centro da quadra em distâncias totais menores.
c) A intensidade do jogo – Este fator está ligado às qualifi cações dos jogadores.
Quanto mais alto o nível da competição, maior a intensidade do jogo. O ritmo
do jogo, o nível de condicionamento dos jogadores, a temperatura, a altitude
e a umidade do ar são fatores que interferem no estresse fi siológico. A alta
intensidade do jogo é percebida pela perda de peso dos atletas (de 1 a 2kg), a
frequência cardíaca excedendo a 180bpm e a concentração de ácido lático no
sangue em níveis de 8 a 12mmol.
d) Fontes de energia – Na maioria dos esportes coletivos utilizamos as três
fontes de energia, o aeróbico (intensidade leve ou moderada, com longa
duração) e o anaeróbico, que se divide em alático (intenso e muito curto, até
cerca de 20 segundos de execução e não tendo a produção de ácido lático
como produto fi nal) e o lático (intenso e curto, de 10 segundos até 2 minutos,
tendo a produção de ácido lático como produto fi nal). Em situações de
intensidade máxima e pouco tempo de execução, como um salto, utilizamos
o sistema alático ou fosfogênio. Quando a intensidade é submáxima e a
duração maior, de 30 segundos a 2 minutos (um longo rali no vôlei, utilizamos
o sistema anaeróbico lático, com grande presença de ácido lático, que causa
fadiga acentuada, mas que tem recuperação rápida). Quando mantemos o
movimento prolongado, de forma contínua e com baixa ou média intensidade,
aumentamos o consumo de oxigênio e, portanto, utilizamos o sistema
aeróbico.
e) Capacidades físicas dominantes – Além das capacidades aeróbicas
e anaeróbicas, os jogadores de esportes coletivos utilizam e devem
desenvolver capacidades físicas inerentes à sua prática. Essas capacidades,
também chamadas de intervenientes, devem ser defi nidas e separadas
para o treinamento diário, de acordo com as necessidades de cada esporte.
Resta a você determinar quais capacidades o seu esporte exige de forma
imprescindível e como e quando se deve treiná-las. Posteriormente, neste
capítulo, apresentaremos as capacidades intervenientes para melhor
entendimento.
É importante percebermos que todos os sistemas energéticos ou as
qualidades físicas dominantes podem ser treinadas, tanto dentro da periodização,
na fase de preparação física de forma geral, como também na fase de preparação
específi ca.
87
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3
As Capacidades Físicas
Intervenientes
Os esportes coletivos possuem características em comum em relação
às qualidades ou capacidades físicas e que devemos catalogar. Para o nosso
propósito, devemos defi nir quais são as principais CF mais presentes nos esportes
coletivos. Assim, Dantas (2003) relaciona e defi ne as principais encontradas em
comum nas modalidades como futsal, futebol, handebol, basquetebol e o voleibol,
que são:
• Agilidade – Qualidade física que permite a mudança de direção do movimento
ou a posição do corpo em menor tempo possível.
• Velocidade – Capacidade de executar uma ação no menor tempo possível.
Velocidade nos esportes coletivos é necessária em ambas as formas:
Velocidade ou Tempo de Reação compreende a resposta a um estímulo e
a Velocidade de Movimento compreende a rapidez de execução de uma
contração muscular.
• RML – A Resistência Muscular Localizada refere-se à capacidade de um
músculo ou grupo muscular de suportar repetidas contrações.
• Resistência Anaeróbica – Capacidade que possibilita o organismo a
exercícios de alta intensidade em pequena duração. Alta intensidade física
entre saltos e deslocamentos em um tempo curto e que raramente ultrapassama 40 segundos de duração.
• Resistência Aeróbica – Capacidade que possibilita o organismo a exercícios
de intensidade baixa ou moderada em um longo tempo de duração.
• Força Explosiva – Força é a principal exigência física do atleta no voleibol
moderno. Força é uma qualidade que permite o músculo ou grupo muscular
de opor-se a uma resistência. Força Explosiva é a combinação entre força e
velocidade.
Ótimos livros sobre preparação física nos esportes coletivos:
BOMPA. T. Treinando atletas de desporto coletivo. São
Paulo: Phorte. 2005.
WEINECK, J. Treinamento ideal. Tradução de Beatriz Maria
Romano Carvalho. São Paulo: Manole. 1999.
88
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
• Equilíbrio – Capacidade de manutenção da projeção do centro de gravidade
dentro da área de superfície de apoio. Equilíbrio Dinâmico é aquele mantido
durante o movimento (O deslocamento da passada de ataque) e o Equilíbrio
Recuperado é o que se situa no ponto que ocorre a transição entre o repouso
e o movimento ou vice- versa.
• Flexibilidade – Qualidade física expressa pela maior amplitude possível do
movimento voluntário de uma articulação ou articulações num determinado
sentido.
Quando treinamos um esporte, devemos considerar quais são
as qualidades ou capacidades físicas (CF) com que devemos nos
preocupar e treinar de forma mais específi ca e quais não devemos
considerar. Dantas (2003) descreve que para cada esporte temos
as CF que são Imprescindíveis (IP), Importantes (IM), Secundárias
(S) ou, ainda, Não Participa (NP). Resta a nós relacionarmos quais das CF do
esporte em que atuamos irão interferir na performance de forma IP (devo treiná-
las em maior volume e intensidade), de forma IM (devo treiná-las, mas sem muita
intensidade ou dependendo da necessidade do grupo de atletas disponíveis) e
de forma S (não devo me preocupar com estas capacidades). Exemplifi cando
de modo simples e sem considerar o nível dos jogadores disponíveis: Se o
meu esporte coletivo, como o futsal, possui características de gasto energético
predominantemente aeróbico, mas com momentos anaeróbicos, além de várias
repetições de um movimento (corridas ou passes), devo considerar a Resistencia
Aeróbica/Anaeróbica e a Resistência Muscular Localizada (RML) dos membros
inferiores e prepará-los para o alto número de repetições, como imprescindíveis.
Posso trabalhar a Força Explosiva como Importante, para melhora do chute e não
preciso trabalhar o Ritmo, considerado, neste exemplo, como uma CF Secundária.
A partir da avaliação precisa de quais CF serão treinadas de forma IP, IM
ou S, devemos considerar a proporção de tempo para cada uma delas. Nesta
parte, devemos, ainda, determinar a localização exata do gesto desportivo
principal, segmento corporal ou grupo muscular, no desporto considerado, para,
então, preparar uma série de treinos para este segmento, respeitando, assim, o
princípio da especifi cidade no treinamento desportivo. Dantas (2003) demonstra
a importância do estudo detalhado do desporto no planejamento da preparação
física por meio do seguinte esquema:
Imprescindíveis (IP),
Importantes (IM),
Secundárias (S) ou,
ainda, Não Participa
(NP).
89
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3
Figura 11 - Estudo detalhado do desporto como base
do planejamento da preparação física
Fonte: Dantas (2003).
As CF intervenientes podem ser percebidas pela avaliação e conhecimento
do esporte. Além disso, podemos utilizar uma tabela para classifi car as CF do
esporte em forma de scout. Dantas (2003) sugere que se faça um controle por
meio de uma tabela, preenchendo-a com as CF a serem treinadas. No Quadro
14, a seguir, há uma sugestão de identifi cação das CP utilizando o Polo Aquático
como exemplo:
Quadro 14 - Identifi cação das qualidades físicas intervenientes no Polo Aquático
CAPACIDADES FISICAS Membros
Superiores
Membros
Inferiores
Tronco Geral
Forma
Física Preparação
Neuromuscular
Flexibilidade
Força
Dinâmica
Força
Estática
Força
Explosiva
IM IP
RML IP IP
90
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Habilidade
Motora
Velocidade
Movimento
IP IP
Velocidade
Membros
IP
Velocidade
Reação
IP
Agilidade IP
Equilíbrio S
Descontração S
Coordenação IP
(IM) Imprescindível (IP) Importante (S) Secundaria
Fonte: Dantas (2003).
Assim, levando em conta o exemplo acima, o treinador deverá treinar de
forma mais consistente a capacidade anaeróbica e a força explosiva de membros
superiores. Também deverá treinar de forma prioritária as três velocidades, a
agilidade, a RML e a coordenação. E deverá treinar, mas sem muita ênfase, o
equilíbrio e a descontração.
Atividade de Estudos:
1) Diante do que foi estudado sobre diagnóstico das CP para os
esportes, preencha o quadro abaixo de acordo com o seu esporte
e as qualidades físicas intervenientes.
Instruções de preenchimento – Fazendo um estudo detalhado
do seu esporte, identifi que e assinale no quadro abaixo a
correspondência das CP e a sua importância no esporte que você
escolheu. Assinale “IM” para as CP Imprescindíveis, “IM” para
as CP Importantes, “S” para as Secundárias e “NP” para as
Não Participa:
PREPARACAO FÍSICA
CAPACIDADES FÍSICAS Membros
Superiores
Membros
Inferiores
Tronco
Flexibilidade
Força
Dinâmica
91
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3
Habilidade
Motora
Velocidade
Movimento
Velocidade
Membros
Velocidade
Reação
Agilidade
Equilíbrio
Descontração
Coordenação
Forma
Física
Preparação
Neuromuscular
Força
Estática
Força
Explosiva
RML
Preparação
Cardiopulmonar
Resistência
Anaeróbica
Resistência
Aeróbica
A própria característica dos treinamentos com bola, que exigem uma
demanda física de atletas, pode ser enquadrada como parte da preparação física,
fi cando a critério dos treinadores o controle de seu volume e intensidade, de
acordo com as fases de preparação defi nidas na periodização da equipe.
Por outro lado, na musculação podem-se criar exercícios com carga que
repetem o gesto técnico exigido, que além de trabalharem os grupos musculares
específi cos, contribuem na melhora da própria técnica necessária, uma vez que
são executados dentro de uma cinesiologia ideal.
92
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Na musculação igualmente se pode trabalhar o fortalecimento muscular para
grupos musculares específi cos com o intuito da prevenção às lesões de over
use (lesões de fadiga causadas por excessos de repetição) ou na recuperação
articular e muscular individual, tão comum aos atletas de handebol, futebol,
basquetebol e voleibol, como ombros, cotovelos, coluna, joelhos e tornozelos. O
fator preventivo é considerado imprescindível na busca da formação de jogadores
em longo prazo.
Over use é o excesso de movimento realizado pelo mesmo
grupo muscular e que pode levar à fadiga.
Outra preocupação importante é a segurança em treinamentos físicos ou
técnicos para proteger os atletas das lesões por acidente ou por over use. Para
tanto, é prudente utilizar-se de meios de análise e acompanhamento corretivos.
Por exemplo, quando da postura na execução de um exercício na musculação
(ergonomia), a análise do movimento (cinesiologia) na educação ou reeducação
do gesto desportivo para preservar uma ou várias articulações.
Além dos detalhes citados acima, é dever do treinador proteger seus
atletas com aconselhamentos da importância da proteção para o esporte (tênis
adequados e proteções como tornozeleiras, joelheiras, munhequeiras) ou com
a utilização dos espaços e materiais adequados para os trabalhos técnicos ou
físicos, como o piso apropriado, tapetes para saltos, boa iluminação, ventilação e
limpeza.
Os esportes coletivos solicitam esforços repetitivos e a boa dosagem destes
pode preservar aspectos físicos e psicológicos dos jovens atletas.É coerente
respeitar a evolução física do jogador e pensar em longo prazo. Com a intenção de
melhorar suas equipes, alguns treinadores e preparadores físicos extrapolam nos
conceitos fundamentais do treinamento desportivo, ultrapassando os limites da
condição física. Nas fases iniciais, o trabalho físico mal orientado ou descomedido
pode levar à fadiga, ao over training e ao consequente desinteresse do jovem
jogador pelo esporte. Muitos jovens talentos têm seu futuro comprometido e até
interrompido pela precocidade das sobrecargas nos treinamentos (CORDEIRO,
1997).
93
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3
Over training é o excesso de treinamento que pode causar
lesões e estresse mental.
Vimos, aqui, que a preparação física pretende aprimorar os aspectos físicos,
essenciais ao desempenho esportivo, mas sempre dentro dos limites de cada
ser humano, para que tenhamos sucesso em longo prazo e não abreviarmos
as carreiras em virtude dos excessos cometidos devido ao over training. Agora
que vimos detalhes fundamentais sobre a preparação física, iremos destacar os
aspectos técnicos no próximo assunto.
A preparação Técnica para os
Esportes Coletivos
Os fundamentos dos esportes são executados de forma a respeitar
uma técnica específi ca. Assim, a técnica é a maneira pela qual uma
habilidade é desempenhada e a qualidade deste desempenho tem
se relaciona com a efi ciência do jogador e da equipe. Bompa (2005)
determina que a técnica diferencia um jogador de outro, além de ser
um conjunto de procedimentos que, por meio de forma e conteúdo,
assegura e facilita o movimento para determinada função ou utilização
no esporte.
De acordo com Cordeiro (1996), técnica é uma conduta objetiva e
econômica para obtenção de um alto rendimento. Mais do que isso, a
técnica, na busca de um modelo considerado ideal, deve ser objetivo
principal no treinamento de futuros jogadores e no aperfeiçoamento
contínuo de jogadores mesmo em alto nível. Os iniciantes devem
entender isso como um princípio de treinamento evolutivo e terem a
condição de perceber a execução de suas técnicas condicionadas a um
padrão ideal para uma correção posterior. Não raramente jogadores de
alto rendimento percebem seus defeitos técnicos logo após a execução
de uma determinada ação, sem a necessidade da intervenção do treinador.
Esse princípio deve ser explorado na iniciação sempre que possível, para que
o jogador entenda desde cedo a importância do gesto técnico bem executado e
suas variáveis. O conhecimento técnico deve ser discutido com os jogadores para
que se transforme num hábito na busca da autocorreção, viabilizando a evolução
e o entendimento do jogo.
A técnica é a
maneira pela qual
uma habilidade é
desempenhada e
a qualidade deste
desempenho tem
se relaciona com a
efi ciência do jogador
e da equipe.
A técnica, na busca
de um modelo
considerado
ideal, deve ser
objetivo principal
no treinamento de
futuros jogadores e
no aperfeiçoamento
contínuo de
jogadores mesmo
em alto nível.
94
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Os detalhes técnicos de determinado fundamento devem ser ensinados
após a execução básica deste. Por exemplo, inicialmente o jogador de futsal
deve executar um domínio da bola com o pé, após o passe próximo de maneira
ideal, para, depois, aumentar a distância do passe e executar o domínio e, assim,
sucessivamente, até realizar o domínio com outras partes do corpo com a bola
recebida no chão, a meia altura ou alta.
Bompa (2005) explica que a técnica de jogo pode ser utilizada como um
sistema de movimentos e habilidades integrados e automatizados, usado para
atingir um objetivo técnico, tanto ofensivo quanto defensivo.
Para melhor entender a técnica, sua importância e utilização nos esportes,
devemos primeiramente defi nir alguns termos relacionados à técnica, a partir de
Bompa (2005):
• Elementos Técnicos – partes fundamentais que constituem toda a técnica
usada nos esportes e dentro das regras. Exemplo: driblar, chutar, roubar a
bola;
• Procedimentos Técnicos – são as diversas maneiras de executar um
elemento técnico. Por exemplo: o arremesso do basquete é um elemento
técnico, porém o arremesso com salto e a bandeja são procedimentos técnicos
derivados de um elemento técnico. Os procedimentos técnicos podem ser
divididos em ações motoras simples ou complexas:
– Procedimentos técnicos simples – Procedimentos de aprendizado e
execução simples, como o lance livre no basquete, o pênalti no futebol ou
a rebatida no beisebol, e têm em comum três partes distintas: 1) posição
inicial; 2) ação técnica e 3) posição fi nal;
– Procedimentos técnicos complexos – combinam vários fatores e
movimentos dentro de uma técnica. São mais difíceis de aprender e
executar, pois envolvem variáveis como o adve rsário, a velocidade da
bola, etc. Exemplo: driblar, chutar em deslocamento;
• Habilidades de velocidade baixa – realizadas lentamente na busca de uma
melhor solução tática, para uma posterior velocidade alta;
• Habilidades de velocidade alta – realizadas com baixa amplitude, mas
grande explosão, especialmente para surpreender o adversário. Esta
habilidade depende taticamente: 1) do tempo e percepção espacial; 2) rapidez
e 3) domínio da habilidade;
• Fintas – habilidades técnicas individuais usadas com a intenção de enganar
ou confundir o adversário, tanto no ataque quanto na defesa. Usadas para
superar uma marcação e podem ser realizadas com bola ou sem bola.
95
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3
Cardinal (1995 apud CORDEIRO, 1997) determina que os ensinamentos
técnicos devem seguir um esquema operacional no qual as etapas de
treinamento, seus conteúdos, condições, meios e exigências de tarefas de cada
etapa respeitem uma proposta sequencial para o desenvolvimento dos jogadores
para a competição, sugerindo nesta ordem:
• Ensino da mecânica de um fundamento;
• Estabilização de um fundamento;
• Desenvolvimento da inteligência tática;
• Integração do jogador / utilização do fundamento no sistema de jogo;
• Monitorização da efi ciência do fundamento na competição (scout).
Por outro lado, Weineck (1999) sugere que o aprendizado das técnicas
esportivas seja dividido em quatro fases distintas:
1. Fase de Informação e Aquisição – Fase inicial em que o jogador tem o
primeiro contato com a técnica a ser aprendida e desenvolve os requisitos
básicos para a execução. A boa aquisição da técnica é infl uenciada por:
a. Sua experiência motora anterior (repertório motor);
b. Seu nível inicial de coordenação motora;
c. Sua capacidade de observação, compreensão e correção do movimento.
2. Fase da Coordenação Grosseira – Fase na qual acontece a experiência
inicial da execução prática e por informações verbais simples. Ao fi nal desta
fase, o jogador deve absorver o movimento, pelo menos de forma ampla
ou grosseira. Os principais erros percebidos nesta fase e que demandam
correção importante para o desenvolvimento da técnica são:
a. Emprego excessivo da força;
b. Problemas rítmicos;
c. Execução não fl uente (aos trancos);
d. Movimentos insufi cientemente abrangentes;
e. Velocidade não adequada (demasiadamente lento ou muito rápido);
f. Falta de precisão.
3. Fase da Coordenação Fina – Fase onde se busca a melhoria da técnica
executada com precisão. Maior compreensão das informações verbais e o
aumento da precisão dos movimentos. Os principais fenômenos observados
são:
a. Mobilização adequada da força;
b. Ritmo e abrangência adequados;
c. Fluência dos movimentos.
4. Fase de Fixação, Complementação e Disposição dos Movimentos – Fase
onde a utilização das técnicas é feita com perfeição e em situações pouco
96
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
habituais. O movimento é realizado com:
a. Precisão;
b. Constância;
c. Harmonia.
A preparação técnica segue asfases de desenvolvimento que foram
sugeridas aqui por meio dos cuidados com o aprendizado de forma pedagógica,
ou seja, do simples ao mais complexo. Estas fases também foram apresentadas
no capítulo 1 deste Caderno e devem ser revistas. Continuamos o assunto,
destacando a formação de jogadores para os esportes coletivos, só que agora em
seus aspectos táticos.
A Preparação Tática para os
Esportes Coletivos
Tática é uma das capacidades fundamentais dos jogadores dos
esportes coletivos e parte importante das características do próprio
esporte, merecendo defi nições a seu respeito. Tática é a capacidade
que um jogador deve ter na aplicação de suas funções e atribuições,
nas variáveis situações que acontecem em uma partida. Greco (1998)
explica que o desenvolvimento das capacidades táticas serve de
base ao atleta na busca de soluções para as tarefas-problemas que a
situação do jogo exige, sendo que a capacidade de solucionar situações-problema
depende das capacidades coordenativas. A tática pode ser defi nida também como
o repertório de ações ou recursos que o jogador utiliza e possui. Quanto maior
o repertório de ações e mais recursos, maiores serão suas chances de sucesso
(BOJIKIAN, 2002).
Com a combinação entre as habilidades técnicas, físicas, táticas e
psicológicas, o jogador terá a condição de “ver” e “ler”, em uma percepção
completa, ilimitada e criativa, as opções que o jogo proporciona. Ele pode
perceber e antecipar situações específi cas e isso só é possível devido à avançada
inteligência tática dos jogadores.
Tática é a
capacidade que
um jogador deve
ter na aplicação
de suas funções
e atribuições, nas
variáveis situações
que acontecem em
uma partida.
“Ver” detalhes para “ler” o que irá acontecer e antecipar.
97
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3
Existe a tática coletiva e a tática individual. Ambas devem ser
assimiladas pela equipe e por cada componente dela. Por exemplo:
Um jogador de voleibol, em um ataque, utiliza a técnica da cortada,
que exige capacidades físicas, como força explosiva para saltar e
para atacar a bola com velocidade de membros. Porém este jogador deve ter a
condição de decidir “onde”, “como” e “por que” irá atacar. Para tomar a decisão
este jogador precisa ter desenvolvido sua capacidade tática individual. A situação
leva em consideração a ação adversária (bloqueio e posição de defesa) e a
decisão se torna tática e não apenas física ou técnica. Por sua vez, a equipe está
utilizando um sistema coletivo (recepção e ataque) para que o atacante possa
atacar com maiores chances de sucesso. Esta condição está relacionada com a
tática coletiva.
Durante a partida, a aplicação do plano de jogo depende de componentes
táticos de defesa e de ataque. Colibaba e Bota (1997 apud BOMPA, 2005)
sugerem que o treinamento do plano de jogo seja feito:
a) Para o Ataque (alguns conceitos são gerais para todos os esportes e
outros são específi cos para os esportes de invasão):
Jogador deve ter a
condição de decidir
“onde”, “como” e
“por que” irá atacar.
98
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Figura 12 - Componentes do treinamento tatico no ataque
Fonte: Colibaba e Bota (1997 apud BOMPA, 2005).
b) Para a Defesa (alguns conceitos são gerais para todos os esportes e
outros são específi cos para os esportes de invasão):
99
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3
Figura 13 - Componentes do treinamento tático na defesa
Fonte: Colibaba e Bota (1997 apud BOMPA, 2005).
Como foi visto aqui, a tática está muito presente e tem grande importância
nos esportes coletivos. Contudo, e apesar de estarmos discutindo os esportes
praticados em equipe, as ações e as decisões dos jogadores acontecem de forma
individual. Portando, devemos discutir agora a formação da tática individual.
a) Tática Individual
100
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Entende-se como tática individual a análise, a decisão e a resposta de um
jogador a uma situação de jogo, visando à obtenção do melhor resultado em um
tempo disponível (CORDEIRO, 1996).
Por meio dos treinamentos e competições, os jogadores são
capazes de desenvolver uma boa e rápida compreensão da situação
real do jogo (O que está acontecendo?) e buscar uma solução
adequada (O que eu devo fazer?). Por outro lado, os treinadores
devem perceber os fatores que infl uenciam na solução mental para
os problemas táticos que são mais comuns, e os jogadores devem
estar preparados a solucioná-los. De acordo com Cardinal (1995), tais
problemas se baseiam em:
• A velocidade de execução limita o tempo disponível para tomar a decisão
apropriada;
• A qualidade da percepção afeta a leitura rápida das circunstâncias em
situações táticas específi cas;
• O conhecimento tático e o alto número de repetições afetam o resultado;
• A memória, as lembranças de soluções efi cientes para problemas táticos
parecidos, incrementam as habilidades táticas;
• O estado psicológico do jogador afeta a solução tática escolhida.
A qualidade de ações táticas de um jogador vai depender não somente de
seu nível técnico, físico e psicológico, mas também da capacidade cognitiva,
da compreensão de elementos básicos do jogo, do grau de experiência, da
velocidade de reação e da condição de cooperação e sacrifício.
A combinação da habilidade tática será enfatizada quando o jogador obtiver
um grande repertório de habilidades motoras. O atleta adulto tem o seu repertório
de soluções muito infl uenciado pela vivência motora experimentada na infância
e pela intensidade com que as capacidades coordenativas foram desenvolvidas,
quer em quantidade, quer em qualidade (BOJIKIAN, 2002). O jogador com boa
habilidade motora irá utilizar esta qualidade em situações específi cas do jogo e
a aplicação correta dessa habilidade é o alicerce de um time efi ciente (MAHLO
apud CARDINAL, 1995).
Nos esportes coletivos, a sequência de habilidades motoras é utilizada
baseada em situações que envolvam soluções de habilidades táticas. Para atingir
um nível de soluções táticas, o jogador deve seguir uma sequência de habilidades
motoras que envolvem:
Percepção do problema ou situação tática. Isso é possível por meio da
“leitura” de uma situação específi ca que indica intenções de ações por parte dos
colegas de equipe e jogadores do time adversário.
Por meio dos
treinamentos e
competições,
os jogadores
são capazes de
desenvolver uma boa
e rápida compreensão
da situação real do
jogo (O que está
acontecendo?) e
buscar uma solução
adequada (O que eu
devo fazer?).
101
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3
• Solução mental para resolver o problema tático e escolha da habilidade
motora adequada para a situação.
• Execução perfeita da técnica requerida. Toda a jogada cria um problema tático
para o time e o jogador envolvido na ação.
Como consequência, a situação tática é o resultado de cada jogada e a
resposta tática para resolver um problema tático temporário irá provocar novas
e sucessivas variáveis, caracterizadas pelas ações com a bola (BAACKE, 1994).
Na prática, treinadores devem criar situações similares às encontradas em
partidas ofi ciais. Para isso, devem:
• Desenvolver a autonomia do jogador;
• Utilizar exercícios e atividades que promovam efi ciência com menor esforço;
• Desenvolver a percepção do jogador;
• Controlar as incertezas dos jogadores;
• Utilizar exercícios dos mais simples aos mais complexos, com e sem
oponentes;
• Modifi car as alternativas do jogo.
A inteligência tática é adquirida por meio de execução e entendimento de
exercícios e suas aplicações no jogo. Atividades devem seguir os princípios
básicos, das simples para as mais complexas.
O treinador é responsável pela melhora das habilidades de seus atletas com
o incrementogradual de difi culdades nos treinamentos programados.
Para desenvolver a inteligência tática, o treinador deve criar exercícios
nos quais o jogador é desafi ado a resolver um ou vários problemas de
jogo dentro de um processo de tomada de decisão (MÜLLER, 2009).
A inteligência tática é fator crucial que afeta a performance dos
jogadores. É função do treinador assegurar-se de que o jogador consiga
um nível elevado de desempenho. Para isso, deve ser competente na escolha
e elaboração de exercícios que estimulem a inteligência tática. Deve, também,
perceber erros táticos e corrigi-los, infl uenciando, assim, no desenvolvimento
tático ideal do jogador.
A defi nição da resposta motora ideal, feita pelo jogador, deve estar de
acordo com a sua utilização em situação de jogo específi ca, e precisa levar em
consideração a “leitura” de “pistas” importantes, demonstradas durante o jogo. De
acordo com a apropriada relação de funções entre os jogadores de sua equipe
e a boa leitura dos jogadores adversários, o bom jogador pode tomar a melhor
decisão em resposta a uma situação específi ca enfrentada no jogo.
O treinador é
responsável pela
melhora das
habilidades de
seus atletas com o
incremento gradual
de difi culdades
nos treinamentos
programados.
102
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Quanto maior a inteligência tática, maiores as chances de ler e
perceber as ações de defesa e ataque.
Greco (1995) relaciona a estreita semelhança entre as capacidades táticas
e os processos cognitivos, exemplifi cando processos cognitivos envolvidos na
execução de uma ação: percepção para elaborar as informações, seleção de sinais
relevantes, reconhecimento para localizá-las, recordação para compará-las com as
já gravadas na memória, representação para poder imaginar e antecipar a futura
ação, conceituação da escolha da ação e a continuidade do gesto motor.
b) Tática Coletiva
A importância da tática individual deve ser aperfeiçoada e bem desenvolvida pela
tática coletiva na busca da formação completa do jogador. Como estamos tratando
dos esportes coletivos e não individuais, o grande desafi o do treinador é moldar os
jogadores individuais em uma equipe efi ciente. O objetivo fi nal é uma união coesa,
que pode orquestrar os talentos coletivos a serviço da equipe contra um oponente.
O sucesso de uma equipe esportiva está relacionado com a habilidade dela em se
ajustar e reagir às situações espontâneas assim que elas ocorram (NEVILLE, 1990).
Na fase de trabalho de equipe, o jogador deve buscar um bom relacionamento
com os outros membros, em respeito às táticas de equipe e sistemas de jogo
adotados por ela, uma vez que, de acordo com Baacke (1994), o sistema de jogo
é usado na distribuição de funções, posições e áreas muitas bem defi nidas pelo
treinador para todos os jogadores em todas as formações, nas fases ofensivas e
defensivas, com o objetivo de facilitar as ações do jogo. Além disso, existem vários
subsistemas de ataque, defesa e outros, dentro um sistema principal.
Os jogadores devem entender as formações e combinações táticas da equipe
para confrontar as situações e as tendências de jogo com competência. As ações
nos esportes demandam uma boa interdependência entre os jogadores. Mesmo o
único fundamento técnico independente do jogo, realizado sem a infl uência direta
de colegas e adversários, o saque, possui uma continuidade tática a qual, de acordo
com a sua execução, irá antecipar ou determinar uma ação específi ca de bloqueio e
defesa da equipe sacadora.
Cada ação de jogo, seja ofensiva, seja defensiva, requer uma boa relação entre
todos os jogadores da equipe, afetando no resultado da ação enfrentada. Sendo
assim, é função do treinador decidir qual é o melhor sistema de jogo a ser usado de
acordo com as condições técnicas, táticas, físicas e psicológicas de seu grupo de
jogadores.
103
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3
Quanto maior a inteligência tática, maiores as chances de ler e
perceber as ações de defesa e ataque.
c) Desenvolvimento da Inteligência Tática
A inteligência tática tem grande importância não só em situação específi ca do
jogo, como também na evolução dos jogadores. O jogador completo deve possuir
técnica refi nada, capacidade física privilegiada e controle mental excelente e, em
momentos cruciais do jogo, deve igualmente ter as habilidades táticas para fazer
decisões apropriadas. As limitações das habilidades táticas trarão complicações
na busca do máximo nível de realização das técnicas necessárias, transformando
o jogador em previsível.
O conceito de desenvolvimento ideal da tática do jogador deve levar
em consideração a maneira como isso é transmitido ao iniciante. Tanto
em aulas de Educação Física quanto no treinamento propriamente dito,
o atleta iniciante deve buscar respostas de “o que fazer?” e “quando
fazer?” ao invés de somente “como fazer?”. Geralmente os treinadores
ensinam o “como?” antes do “por quê?”. É reconhecidamente bem maior o
interesse do iniciante quando este é auxiliado e encorajado a tomar decisões
corretas, baseado na consciência e no conhecimento tático que possui do jogo
(BUNKER; THORPE, 1986). Neste momento, a criança começa a perceber a
importância da tomada da melhor decisão na solução de um problema tático, a
relevância da decisão e a escolha da técnica ou habilidade ideal que a situação
apresentada requer. Essa percepção pode ser ensinada pelo professor/treinador
na busca de um nível de performance elevado. Cada criança deve ser capaz de
participar no processo de tomada de decisão, baseando-se no conhecimento
tático, aumentando seu interesse e envolvimento pelo jogo.
Esse processo didático, denominado de modelo de currículo para o
ensinando do “teaching to understanding” (entendimento do jogo), foi sugerido
em um estudo realizado por Bunker e Thorpe (1986), no qual o jogo é o objetivo
inicial e, ao mesmo tempo, fi nal do processo de aprendizado, passando pela vital
etapa de tomada de decisão, como exposto abaixo. Observe que o “Aprendiz” é
colocado como central no processo ensino-aprendizado e deve ter toda a atenção
individual pelo treinador/professor. Outro ponto importante é a mão-dupla entre a
execução técnica e a tomada de decisão (tática). Este conceito ambíguo não se
caracteriza em retroceder o processo evolutivo, mas sim a constante busca da
escolha do gesto técnico ideal que se busca aperfeiçoar e a melhor decisão de
como utilizá-lo taticamente.
Atleta iniciante deve
buscar respostas
de “o que fazer?” e
“quando fazer?” ao
invés de somente
“como fazer?”.
104
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Figura 14 - O modelo de currículo de ensinamento do jogo
Fonte: Bunker e Thorpe (1986).
De acordo com o estudo de Bunker e Thorpe (1986), estas seis
etapas de aprendizado do currículo do jogo envolvem aspectos cruciais
na formação de atletas taticamente preparados. Cada etapa deve ser
cumprida, avaliada e recomeçada como uma possibilidade cíclica, a
saber:
1 – JOGO – A criança em processo inicial de aprendizado deve
experimentar inúmeras variações do jogo, respeitando a sua idade
e limitações. Basicamente diminuindo o tamanho da quadra, a altura
da rede/tabela e o peso da bola, aumentando o tamanho do gol e
mostrando os espaços da quadra/campo adversária, bem como
diminuindo os espaços da sua quadra. A utilização dos jogos pré-
desportivos se torna imprescindível para crianças entre 10 e 12 anos,
pois carrega uma semelhança próxima à versão adulta do jogo e se
pode trabalhar conceitos de ataque e defesa, com alvos distintos, de
acordo com a posição da bola e as posições dos jogadores do time e
do time adversário.
2 – APRECIAÇÃO PELO JOGO – O “gosto” pelo esporte deve ser
preparado por meio do conhecimento e entendimento das regras
básicas do jogo pelo iniciante. Pelo mesmo princípio anterior de se usar
os jogos pré-desportivos,a criança deve buscar o jogo de forma prazerosa,
Seis etapas de
aprendizado
do currículo do
jogo envolvem
aspectos cruciais
na formação de
atletas taticamente
preparados.
O jogo de forma
prazerosa.
Diminuindo o
tamanho da quadra,
a altura da rede/
tabela e o peso da
bola, aumentando
o tamanho do
gol e mostrando
os espaços da
quadra/campo
adversária, bem
como diminuindo
os espaços da sua
quadra.
xxxxx
105
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3
em que as difi culdades sejam amenizadas. Nesse sentido, a bola deve estar
em jogo o maior tempo possível, possibilitando a repetição dos fundamentos,
a leitura tática do iniciante e estimulando o interesse pelo esporte. Não
raramente, regras são alteradas para que este repertório tático e o interesse
aumentem ainda mais. A alteração da regra também pode ser utilizada no
estímulo de soluções táticas dos jogadores.
3 – CONSCIÊNCIA TÁTICA – O entendimento das regras deve ser
então adicionado ao conhecimento ou à consciência tática por meio
do conhecimento do jogador de suas virtudes e limitações, de sua
equipe e da equipe oposta. A escolha do tipo de ação, da opção
de ataque, da armação do jogo para um ou outro atacante, entre
outros, deve seguir o princípio da melhor opção de acordo com a
situação do jogo. Essa consciência é trabalhada individualmente para, então,
seguir para o coletivo, e deve ser estimulada pelo treinador e não apenas
respondida por ele. Primeiramente, o jogador completo deve ter a condição de
solucionar os problemas de forma unilateral e poder reconhecer se a decisão
tomada foi ou não a melhor escolha e por quê.
4 – TOMADA DE DECISÃO – Os esportes coletivos são de prática
extremamente rápida e exigem de seus praticantes soluções
imediatas para problemas diversos. Esse processo decisório pode
ser considerado o grande fator de distinção na formação de atletas
de ponta ou atletas ordinários. O jogador e o treinador devem
entender as diferenças entre o “o que fazer?” e o “como fazer?”
para reconhecer defeitos e virtudes na escolha da opção.
4.1. “O que fazer?” – Por meio da consciência tática, o atleta
deve buscar a solução do problema aparente e buscar a
tomada de decisão ideal de acordo com (1) as “pistas” que
são perceptíveis, (2) antecipar a situação-problema e (3)
prever os resultados possíveis. Por exemplo, no basquete, o
armador arrisca em uma assistência mais difícil, que apesar
dos riscos, poderá promover um ataque mais efi ciente em
relação ao posicionamento da defesa adversária.
4.2. “Como fazer?” – Tomada a decisão de “o que fazer?”, o
jogador deve, então, ter a condição de realizar o fundamento da melhor
maneira, sendo que esta escolha interfere criticamente na resposta
apropriada. Por exemplo: O goleiro, no handebol, percebendo a intenção
do atacante adversário de executar o ataque no lado esquerdo, abre
esta possibilidade, dando espaço ao atacante e, depois, movimenta os
braços no sentido do ataque, “fechando” a opção primeira.
Solucionar os
problemas de forma
unilateral e poder
reconhecer se a
decisão tomada foi
ou não a melhor
escolha e por quê.
Buscar a tomada
de decisão ideal
de acordo com (1)
as “pistas” que são
perceptíveis, (2)
antecipar a situação-
problema e (3)
prever os resultados
possíveis.
Tomada a decisão
de “o que fazer?”,
o jogador deve,
então, ter a
condição de realizar
o fundamento da
melhor maneira,
sendo que esta
escolha interfere
criticamente na
resposta apropriada.
106
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
5 – HABILIDADE TÉCNICA – A execução da habilidade técnica
depende do nível do atleta e do “leque” de técnicas que ele(a) possui.
Deve incluir aspectos qualitativos entre a efi ciência mecânica do
movimento e a sua relevância de escolha em uma situação particular
do jogo.
6 – PERFORMANCE – O grau de performance deve ser observado por
meio dos resultados medidos em comparação de critérios considerados
ideais ou de alto rendimento e depende de cada aprendiz. Em níveis
de performance (que variam entre escolar e internacional) pode-se
classifi car iniciantes como bons ou maus jogadores e deve ser medida
de acordo com a conveniência da resposta, assim como a efi ciência da
técnica efetuada.
Resumindo esta parte, podemos exemplifi car em um quadro cada etapa
do aprendizado para os esportes. Então, utilizaremos o voleibol como esporte
modelo para a iniciação:
Efi ciência mecânica
do movimento e a
sua relevância de
escolha em uma
situação particular
do jogo.
Resultados medidos
em comparação
de critérios
considerados
ideais ou de alto
rendimento e
depende de cada
aprendiz.
Quadro 15 – Etapas do aprendizado para os esportes
ETAPAS DO APRENDIZADO EXEMPLO
1. JOGO Minivolei (Pré-desportivo em trios)
2. APRECIAÇÃO PELO JOGO
Disputa em minijogos, sets de apenas 5 pontos e
quem vence continua na quadra
3.CONSCIÊNCIA TÁTICA “Ace” vale 2 pontos
4. TOMADA DE DECISÃO
Modifi car a recepção adversária para que o
sacador encontre os espaços vazios
5. HABILIDADE TÉCNICA Saque sem erro efetivo
6. PERFORMANCE
Qual trio se manteve maior tempo jogando?
Discussão ao fi nal do treino.
Fonte: O Autor.
Atividade de Estudos:
1) Você aprendeu sobre o currículo tático de um jogador. Agora
para descrever cada uma das etapas e exemplos, você deve
utilizar as características do seu esporte para, então, completar o
quadro:
ETAPAS DO APRENDIZADO EXEMPLO
1. JOGO
2. APRECIAÇÃO PELO JOGO
3.CONSCIÊNCIA TÁTICA
4. TOMADA DE DECISÃO
107
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3
Outros conceitos táticos são importantes e devem também ser usados
como referência na base quando se busca desenvolver o entendimento tático
dos jogadores. Entre eles estão: Autonomia, Efi ciência e Efi cácia, Percepção e
Alternâncias:
• Autonomia –é um importante fator no desenvolvimento tático dos jogadores,
uma vez que constitui a capacidade do indivíduo de tomar uma decisão
racional e assumir a responsabilidade por suas ações. O jogador deve seguir
um planejamento estratégico e as orientações determinadas pelo treinador.
Contudo, deve, também, ter a condição de jogar livremente e tomar decisões
constantes para um melhor rendimento tático.
Quando se fala em autonomia se pensa em independência, liberdade. O
jogador deve ter esta liberdade para criar e tomar decisões em situações táticas
que o jogo oferece constantemente, tomando decisões de maior ou menor risco.
Como ele pode sair de uma situação complicada e tomar uma decisão positiva,
irá depender de sua autonomia de melhor escolha. Não podemos confundir
autonomia com excesso de liberdade na escolha da melhor opção. Nesse sentido,
fatores como experiência, habilidade técnica e a condição física determinarão e
infl uenciarão na decisão.
• Efi ciência/Efi cácia – Efi ciência é o adjetivo ao atleta que se encaixa na
postura de estar realizando o seu trabalho de maneira capaz e hábil. Já
Efi cácia é o adjetivo ao atleta que produz o resultado esperado. Acertar
simplesmente um saque se enquadra na ação técnica do jogador efi ciente,
enquanto fazer um “ace” se encaixa no exemplo de efi cácia. A combinação
dos dois adjetivos deve ser o objetivo maior de todos os atletas e a efi cácia
depende basicamente da efi ciência.
• Percepção – A palavra percepção se encaixa na defi nição de que o jogador
se torna ciente de um pensamento ou de uma sensação que ele antecipa de
acordo com pistas em relação aos dados que uma ação proporciona (TANI
et al., 2004). A altura e a trajetória da bola em relação ao deslocamento ou
ao uso de uma técnica específi ca, o gesto técnico do adversário, as falhas
de posicionamento, entre outros, são casos onde a percepção pode fazer a
diferença na execução de uma decisão tática.
• Alternâncias – O bom jogador de voleibol tem a característica de buscar
novasopções de adaptação ao jogo de acordo com as exigências de um
dado fundamento ou momento da partida. Um exemplo clássico que podemos
5. HABILIDADE TÉCNICA
6. PERFORMANCE
108
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
usar é quando o atacante, no voleibol, utiliza diferentes tipos de ataques (fortes,
fracos, largadas, colocados, explorando, paralela, diagonal, etc.), confundindo o
bloqueio e defesa adversário. As alternâncias são importantes no alto rendimento
em momentos de defi nição dos sets. Um jogador com uma capacidade de
alternar nestes momentos provavelmente será o escolhido para defi nir a partida
em um saque ou ataque decisivo. No caso do levantador, a alternância tem
importância ainda maior por se tratar de um regente da atuação da equipe e
de seus atacantes. Cabe a ele alternar os levantamentos, evitando o bloqueio
marcado na maioria das situações. Alternar as bolas rápidas com bolas altas,
combinar jogadas de ataque de rede e de fundo de quadra, além de promover
a melhor opção de ataque contra uma defi ciência de bloqueio adversário, é o
trabalho tático condicionado ao levantador completo.
Os treinamentos destes aspectos táticos devem ser incorporados ao treinamento
diário de acordo com os objetivos específi cos de cada treino. O treinamento
tático deve estar conectado com o treinamento técnico. O primeiro proporciona o
“conhecimento” do jogo. O segundo proporciona a “condição” de executar uma ação
específi ca durante o jogo. Contudo, a maioria dos treinadores gasta mais tempo
e energia treinando e aprimorando aspectos técnicos e a minoria usa o tempo de
treinamento aperfeiçoando seus atletas na busca de melhores performances nas
táticas dos esportes.
Quando pensamos sobre esportes, devemos incluir a tática como
fator fundamental no desenvolvimento de atletas completos. Não podemos
desenvolver atletas competitivos levando em conta apenas aspectos
técnicos, físicos ou psicológicos. Jogadores devem ser “formados” com
a aquisição de todas as capacidades e aspectos com o mesmo grau de
importância. A união de todas essas capacidades em um nível de utilização elevado
irá classifi car o atleta como completo ou limitado.
A tática compreende vários aspectos de caráter individual e coletivo. Além disso,
para cada tipo de ação envolve o entendimento do jogo, respeito as regras e uma
conduta ideal.
Devemos incluir a
tática como fator
fundamental no
desenvolvimento de
atletas completos.
Na sua prática como treinador, escolha alguns de seus
jogadores e pergunte a eles sobre situações que envolvam decisões
táticas para determinada ação no jogo. Assim, você pode conhecer
melhor as decisões e o nível de inteligência tática de seus jogadores.
Por exemplo, questione o porquê:
• De preferir chutar a gol ao invés de passar a bola ao colega
melhor colocado?
109
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3
A Preparação Psicológica para os
Esportes Coletivos
O trabalho psicológico deve ser feito por especialistas nesta área difícil do
desenvolvimento humano. Treinadores, contudo, fazem uma parte fundamental na
função de estimular seus comandados na busca de um maior rendimento. Em muitos
casos, não dispomos de um psicólogo do esporte para nos auxiliar na construção
psíquica de nossos atletas. Mesmo assim, podemos, com o treinamento, aprimorar
as faculdades cognitivas, emocionais ou sociais, por meio do treinamento técnico,
físico e, principalmente, tático da equipe.
O esporte abre as portas para inseguranças, medos, ansiedades, estresses,
agressões humanas e somatizações. Por essas e por outras, o atleta vive na fronteira
do desequilíbrio emocional. O trabalho do psicólogo é fazer com que o atleta busque
o equilíbrio, tanto físico quanto mental. O psicólogo do esporte trabalha no sentido
de desenvolver no atleta maior percepção de seu corpo e mente. Os resultados
são muitos, como aumento da concentração durante jogos, diminuição do estresse,
automatização de cuidados básicos, velocidade de raciocínio para melhores
respostas durante o jogo, entre outras (ANDRADE, 2010).
A preparação psicológica é tão importante quanto a preparação física, técnica ou
tática dos jogadores. A maioria dos erros dos jogadores durante as partidas acontece
por questões de desatenção, ansiedade ou descontrole psicológico. Na busca da
formação completa do jogador, não podemos esquecer deste fator que, por muitas
vezes, faz a diferença entre a evolução total do atleta ou sua limitação, por meio da
motivação necessária ou desmotivação limitadora.
O trabalho do treinador deve ser de transformar a motivação de seus atletas
iniciantes em resultado na busca da melhoria das condições gerais para o esporte,
além de voltar-se às técnicas de treinamento na busca da própria motivação. Para
isso, o treinador deve fazer uso de uma práxis consciente, na qual o iniciante sofra o
estímulo e esteja preparado para outro, mantendo sempre o seu nível motivacional
alto. É vital ao técnico promover treinamentos em que estimule o nível de atenção
e de concentração do atleta, além de deixar claro quais são os objetivos gerais e
específi cos do trabalho a ser realizado.
Para os jogadores, aspectos da formação psicossocial contribuirão na
construção de um atleta formado para o esporte. Esses aspectos fundamentais são:
• De ter sacado em determinada posição?
• De não arremessar de três pontos?
• De ....?
110
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
• Percepção - Ato, efeito ou faculdade de perceber; recepção, pelos centros
nervosos, de impressões colhidas pelos sentidos. É a faculdade de perceber
pelos sentidos, pela consciência, que é dada imediatamente após as percepções
adquiridas e suas consequentes deduções imediatas (MICHAELIS, 2016).
• Concentração – Capacidade com a qual o indivíduo foca e seleciona estímulos.
No esporte, vários estímulos acontecem ao mesmo tempo, como a bola, os
companheiros, o adversário, o público, a arbitragem, entre outros. Nesse caso, a
concentração irá defi nir qual estímulo é o mais importante. O nível de concentração
depende do grau de solicitação e atuação do estímulo, levando a uma melhor
focalização da fonte estimuladora. Depende da capacidade motivacional e da
condição física do atleta.
• Imaginação – De acordo com o dicionário Michaelis (2016), e traduzido para
a linguagem de interesse do assunto deste livro, imaginação tem utilização
construtiva, embora não necessariamente de feição criadora, de experiências
perceptivas anteriores; reorganização de elementos dessa espécie. No caso do
jogador de voleibol, a imaginação irá depender, portanto, da experiência anterior.
Estas experiências, se positivas ou criativas, irão estimular o desenvolvimento total
ou ideal do poder criativo e imaginário do jogador.
• Motivação - Nada mais importante ao esporte do que a motivação, uma vez que
esta determina a razão da própria prática. Segundo Green (1994), motivação é
uma espécie de energia psicológica ou tensão que põe em movimento o organismo
humano, determinando um dado comportamento. Além disso, é o processo de
caráter social em que acontece a iniciação de uma ação consciente e voluntária.
Green (1994) completa dizendo que a motivação se refere à iniciação, à direção, à
intensidade e à persistência no comportamento humano. Dentro disso, percebe-se
que a iniciação, a progressão e a manutenção esportiva dependem primeiramente
do nível motivacional do jogador.
Os aspectos psicológicos são tão ou mais importantes do que os outros aspectos
para o desenvolvimento e melhora da performance dos jogadores dos esportes
coletivos. Outras características estão explicadas no capítulo 4 deste caderno, que
apresenta aspectos de preparação psicológica antes, durante e depois dos jogos.
Algumas ConsideraçÕes
Toda a aprendizagem motora deve seguir uma sequência pedagógica e
hierárquica. O aprendizado e fi xação de um gesto técnico deveser positivo para, então,
criar variações e difi culdades adicionais. A aquisição das habilidades pelo jogador é
de responsabilidade do treinador e compõem um processo hierárquico que se inicia
na elaboração da prática (planejamento e defi nição dos objetivos), na apresentação
da prática (instruções e orientações a serem seguidas pelos atletas), na estrutura da
prática (como será o treinamento propriamente dito), assim como a correção da prática,
por meio do feedback.
111
A Preparação Física, Técnica, Tática e
Psicológica dos Esportes Coletivos Capítulo 3
O jogador deve ter a sua formação baseada na relação ideal de quatro
competências (Competências Técnicas, Táticas, Físicas e Psicológicas). Cada um
destes fatores abrange situações que infl uenciam no aprendizado e desenvolvimento
completo do jogador. Essas exigências estão determinadas e divididas propriamente
no auxílio do entendimento de cada passo a ser adquirido e observado para a
consolidação de uma preparação completa e ideal.
Cada competência tem a sua importância e somente a boa relação entre elas,
em sua plenitude, dará a perspectiva de determinar a condição de um jogador estar
ou não apto a atuar em alto nível ou na categoria adulta. Cada fator tem infl uência no
seguinte. Um complementa ou compensa o outro, de acordo com as necessidades
de evolução para o esporte ou em situações específi cas de jogo.
É vital ao progresso dos jogadores que cada fundamento, treinado
individualmente, tenha progressão em uma atividade que o combine com a realidade
do jogo. Muitos treinadores preparam seu treinamento de passe, por exemplo, e
trabalham este fundamento por vários minutos, com a intenção de aprimorá-lo ou
corrigi-lo. Contudo, após o treinamento técnico, acontece o treinamento com o jogo
ou a simulação do jogo. Neste momento, aquele determinado fundamento, passe,
deve estar em evidência, promovendo, assim, uma progressão de importância e a
manutenção do nível de atenção e correção do atleta. Alguns treinadores, quando
entram na parte principal do treinamento, não exigem ou não progridem neste
conceito, limitando, desse modo, a evolução do fundamento proposto. Em outras
palavras, apesar de vários minutos e repetições na busca de uma correção e
aprimoramento do fundamento, é na situação real do jogo que aquela correção deve
aparecer e ser entendida como evolutiva para o atleta e para a equipe como um todo.
ReFerÊncias
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WEINECK, J. Treinamento ideal. Tradução de Beatriz Maria Romano Carvalho. São
Paulo: Manole, 1999.
CAPÍTULO 4
Modelos de Organização e
Treinamento das Modalidades
Coletivas: Basquetebol, Futebol,
Futsal, Handebol e Voleibol
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes
objetivos de aprendizagem:
Identifi car os modelos e organização para cada modalidade relacionada;
Aplicar os modelos de organização e treinamento para cada modalidade
coletiva.
114
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
115
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
ConteXtualização
Agora que já vimos os aspectos teóricos relacionados às modalidades
coletivas, vamos focar, neste capítulo, na parte prática da preparação da equipe.
Discutiremos as características dos esportes por ordem alfabética (basquetebol,
futebol, futsal, handebol e voleibol). Dentro de cada modalidade, apresentaremos a
preparação física, técnica e tática, dentro de suas características e particularidades.
Contudo, a preparação psicológica considera todos os esportes, uma vez que este
tipo de preparação está vinculado ao comportamento dos jogadores em situações
de jogo com a bola, companheiros de equipe e adversários. Essas situações são
comuns a todos os esportes coletivos.
As modalidades citadas estão consideradas na divisão das competências a
serem treinadas, com sugestões e estratégias de como melhorar cada uma delas.
Sugerimos, agora, um planejamento resumido de preparação para a equipe, de
acordo com a faixa etária ou nível técnico dos atletas. Lembramos que o objetivo
deste caderno não é apresentar receitas, e sim sugestões e defi nições das
modalidades e de suas práticas. Você pode alterar e melhorar de acordo com a
sua necessidade e interesse, além de buscar outros autores sobre o assunto.
Basquetebol
O basquetebol é um dos desportos mais conhecidos e praticados no mundo.
Tem o objetivo claro, a cesta, o que auxilia na compreensão do jogo e, assim,
exerce grande infl uência nas crianças.
González et al. (2014) descrevem que, ao analisar a lógica interna do
basquetebol, é possível compreender, devido à necessidade de cooperar com os
companheiros para marcar cestas, que ele é extremamente coletivo. Como as
ações de ambas as equipes estão relacionadas a interferir e sofrer interferência
do ou pelo adversário, a modalidade é classifi cada como com interação entre
adversários. Os autores discorrem, ainda, que, quanto ao tipo de esporte, o
basquetebol faz parte do grupo das modalidades de invasão. Caracteriza-se pela
necessidade constante de solução de problemas, nas diversas situações em que
ocorrem e são típicos durante o jogo. Trata-se de um rápido processo cognitivo em
que o jogador precisa perceber todas as informações relevantes para sua ação,
escolher o que fazer entre as várias opções existentes e, fi nalmente, executar os
movimentos para solucionar as difi culdades de forma efetiva naquele momento
específi co e em um momento muito curto, às vezes, em menos de um segundo
(GONZÁLEZ et al., 2014).
116
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
a) A preparação física no basquetebolDe acordo com Bompa (2005), o basquetebol depende essencialmente dos
sistemas aeróbico e anaeróbico lático e possui as seguintes características físicas:
• Sistema de energia dominante: aeróbico-lático
• Ergogênese: alático - 20%; lático – 40%; aeróbico – 40%
– Alta queima de energia, intercalada com cerca de 40 tipos de saltos
variados, com curtos períodos de recuperação;
– Altas acelerações/desacelerações e outras variações de corrida (de 5
a 7km por jogo), seguidas por uma média de 280 mudanças rápidas de
direção por jogo.
• Batimentos cardíacos: média de 167 bpm, 25% do tempo acima de 180bpm.
• Fatores limitantes de performance: potência de aceleração e desaceleração,
potência de salto, agilidade, coordenação e domínio de bola, velocidade de
reação e tempo de movimento.
• Objetivos de treinamento:
– Desenvolvimento dos três sistemas de energia (QF Imprescindível (IM))
com meios de treinamento específi cos para o jogo. Uma boa resistência
aeróbica ajudará na efi ciência dos jogadores, principalmente no segundo
tempo. Uma boa recuperação pós-jogo e entre os exercícios depende de
uma boa base aeróbica.
– Desenvolvimento da força máxima (QF Imprescindível (IM)), base do
aperfeiçoamento da potência, da aceleração, da desaceleração, das
mudanças rápidas de direção e do trabalho rápido e altamente coordenado
de pés.
– Desenvolvimento da resistência muscular localizada (QF Imprescindível
(IM)) e da resistência de força, ou a habilidade de realizar repetidas ações
de potência durante todo o jogo.
– Desenvolvimento da velocidade (QF Imprescindível (IM)) máxima,
realizada com boa técnica.
Dantas (2003) destaca que os jogadores de basquete, na fase básica de
preparação, devem adquirir níveis básicos de fl exibilidade, RML, força dinâmica,
resistência aeróbica e velocidade de movimentos. Na fase específi ca, devem
aprimorar os níveis de força explosiva e resistência anaeróbica e, no período de
competição, devem aperfeiçoar as capacidades adquiridas.
A partir dessa composição, Dantas (2003) sugere que os métodos a serem
utilizados na preparação física do basquetebol durante a temporada podem ser
assim distribuídos:
117
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
Quadro 16 - Métodos a serem utilizados na preparação física do basquetebol
QUALIDADES
FÍSICAS
PERÍODO PREPARATÓRIO PERÍODO DE
COMPETIÇÃO
PERÍODO DE
TRANSIÇÃOFASE
BÁSICA
FASE
ESPECIFÍCA
RML e
Força Dinâmica Musculação Circuito Circuito Calestenia
Força Explosiva - Power Training Power Training ou Circuito -
Res. Aeróbica Fartleck Fartleck Corrida continua Cross Promenade
Res. Anaeróbica - Circuito Circuito -
Velocidade Métodos Intervalados Circuito Circuito -
Flexibilidade 3S 3S 3S Métodos Passivos
Fonte: Dantas (2003).
Lembrando que existem outros autores, outras sugestões e outros métodos
de treinamento que podem ser utilizados na periodização da preparação física do
basquetebol.
b) A preparação técnica no basquetebol
De acordo com Gonzáles et al. (2014), a “técnica” no basquetebol vincula–se
à forma de executar os movimentos de passes, arremessos, dribles, etc. Os tipos
de passe peculiares dessa modalidade são: de peito, quicado, gancho, de ombro,
com uma mão e por cima da cabeça. Os tipos de arremessos: bandeja, jump,
gancho e com uma das mãos, de curta, media ou longa distâncias. Os tipos de
drible, basicamente, são: de proteção e de progressão.
É importante compreender que os fundamentos técnicos mencionados antes
correspondem à última parte de um complexo processo cognitivo o qual permite ao
jogador ler e tomar decisões em relação ao jogo. Desse modo, os movimentos são
oriundos da “dimensão tática”. Logo, dos elementos do desempenho esportivo, a
“tática individual” precisa ser o foco central do ensino, não sendo conveniente o
ensino das habilidades técnicas de forma isolada (GONZÁLEZ et al., 2014).
• Fundamentos do Basquetebol
– Drible (COUTINHO, 2003 apud JOSGRILBERG, 2007):
Drible Alto ou de Velocidade: utilizado para deslocar-se pela quadra sem
marcação mais severa. A bola, normalmente, sobe até a altura da cintura do
jogador, quando é novamente impulsionada ao solo;
Drible Baixo ou de Proteção: utilizado quando o jogador, de posse da bola,
118
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
sofre uma marcação mais próxima. A bola, normalmente, sobe até a altura do
joelho do jogador, quando é novamente impulsionada ao solo. Deve-se utilizar
o braço e a perna opostos à mão que impulsiona a bola para proteção desta.
– Passe - Ferreira e De Rose Jr. (2003 apud JOSGRILBERG, 2007)
destacaram diversas formas de realização do passe:
Passe de Peito: Realizado com as duas mãos, em que a bola realiza uma
trajetória em linha reta até o receptor. A bola parte da altura do peito daquele
que executa o movimento. Utilizado para curtas distâncias.
Passe Picado: Realizado com uma ou duas mãos, em que a bola em sua
trajetória toca o solo antes de chegar ao receptor. Utilizado para desviar a bola
dos defensores.
Passe de Ombro: Realizado com uma das mãos, em que a bola realiza uma
trajetória em linha reta até o receptor. A bola parte de cima do ombro daquele
que executa o movimento. Utilizado para longas distâncias.
Passe por cima da Cabeça: Realizado com as duas mãos, em que a bola
realiza uma trajetória em linha reta até o receptor. A bola parte de cima da
cabeça daquele que executa o movimento. Utilizado para passar a bola para
jogadores mais altos.
Passe de Gancho: Realizado com uma das mãos, em que a bola realiza
uma trajetória parabólica até o receptor. O movimento do braço daquele que
executa o passe é similar a um gancho. Utilizado para longas distâncias com
a presença de defensores.
– Arremessos - Ferreira e De Rose Jr. (2003 apud JOSGRILBERG, 2007)
caracterizaram as diversas formas de arremesso no jogo de basquete:
Com uma das mãos: Realizado sem salto. Utilizado na cobrança dos lances-
livres.
Jump: Similar ao arremesso com uma das mãos apenas com a inclusão do
salto. Utilizado para médias e longas distâncias.
Bandeja: Caracterizado por dois tempos rítmicos ou passos. Utilizado nos
contra-ataques e nas infi ltrações após aproximação da cesta.
De gancho: Arremesso em que o braço que lança a bola realiza trajetória
similar à de um gancho. Utilizado pelos pivôs.
Enterrada: Caracterizada pelo jogador “prensar” a bola para dentro da cesta.
Utilizada por jogadores altos ou com grande impulsão.
– Rebotes – Deve-se considerar (COUTINHO, 2003 apud JOSGRILBERG,
2007):
–
Ofensivo - localização da bola – por meio de visualização; sair do bloqueio do
defensor – tentar se aproximar da cesta; salto e recuperação da bola - saltar
119
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
e agarrar a bola com as duas mãos; aterrissagem – de forma equilibrada;
fi nalização – novo arremesso ou passe para um companheiro;
Defensivo - antecipar-se ao adversário - estando concentrado para qualquer
movimentação; bloqueio do adversário - impedindo que o atacante se
aproxime da cesta e posicionando entre o atacante e a cesta, de frente para
esta por meio de um giro; localização da bola – por meio de visualização; salto
e recuperação da bola - esperar a bola tocar no aro para saltar e agarrar a bola
com as duas mãos; aterrissagem – de forma equilibrada; fi nalização – sair
pela lateral da quadra, driblando ou passando a bola para um companheiro.
c) A preparação tática no basquetebol
O basquetebol é um dos esportes em que as combinações táticas
ocorrem com frequência. Praticamente em todo ataque é possível observá-las.
Combinações táticas como passar e seguir, bloqueio indireto, bloqueio direto
dinâmico e bloqueio direto estático, são exemplos dessas ações combinadas.
Os sistemas de jogo, por suavez, correspondem à distribuição dos jogadores na
quadra (GONZÁLEZ et al., 2014) e a estratégia que a equipe utilizará, tanto para
defender quanto para atacar.
• Sistemas Ofensivos no Basquetebol
Os sistemas de ataque consistem em movimentações táticas que
apresentam como principal objetivo a obtenção dos pontos/cesta. Contudo, por
apresentar inúmeras opções de ataque, os sistemas ofensivos não apresentam
uma categorização bem defi nida. Ferreira e De Rose Júnior (2003) descrevem
que para defi nir qual o sistema de ataque que será utilizado contra defesa
individual ou qualquer outro tipo de sistema defensivo, deve-se considerar quais
os movimentos escolhidos, e não as posições ou a distribuição dos atacantes em
quadra. Portanto, podemos classifi car os sistemas de ataque de acordo com
a defesa contra a qual se irá atuar, associados a três fatores, como referência
(PENHA et al., 2014):
– O primeiro referencial é o número de pivôs que o sistema ofensivo utiliza,
independente das movimentações aplicadas para o seu desenvolvimento.
– O segundo referencial diz respeito à rotatividade, pois neste
sistema os praticantes não têm um posicionamento fi xo,
atuando, assim, em todas as posições.
– O terceiro referencial baseia-se na associação do
posicionamento inicial dos atacantes, que considera a função
inicial de cada membro da equipe e classifi ca o ataque de forma
numérica.
Os sistemas de
ataque de acordo
com a defesa contra
a qual se irá atuar.
Número de pivôs.
120
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Para que os pontos sejam obtidos, a equipe atacante defi ne
alguns princípios táticos, relacionados às funções de cada jogador. De
acordo com Reis (2005), o ataque no basquetebol permite realizar três
situações distintas:
– Primeiro, a manutenção da posse de bola pelo maior tempo
possível (dentro do que a regra permite),
– Segundo, o desequilíbrio da defesa adversária, e
– Terceiro, a fi nalização.
Já para González et al. (2014), o sistema ofensivo posicional
é um dos mais utilizados. Quando a equipe está defendendo e parte
para o ataque, pode utilizar contra-ataque direto e sustentado. A equipe
pode atacar com 1 armador, 1 ala armador, 1 ala, 1 ala pivô e 1 pivô.
Ou pode jogar com 2 pivôs, por exemplo (pontuação fi nal).
Rotatividade.
Posicionamento
inicial dos atacantes.
A manutenção da
posse de bola.
O desequilíbrio da
defesa adversária.
Sistema ofensivo
posicional.
A fi nalização
LOZANA, Claudio. Basquetebol uma Aprendizagem Através
da Metodologia dos Jogos. Rio de Janeiro: Sprint, 2007.
• Sistemas Defensivos no Basquetebol
Quando a equipe está defendendo, poderá escolher entre os sistemas de
defesa por zona: 2:1:2, 1:2:2, 2:2:1, 2:3, 3:2, 1:3:1; defesa individual; defesa
individual pressão-meia-quadra; defesa individual pressão quadra toda; defesa
individual com fl utuação; sistema de defesa misto, entre outros. Obviamente, a
escolha do sistema passa pela característica dos jogadores da equipe adversária
(‘chutadores’ de 3 pontos, 1 ou 2 pivôs, jogadores com características de drible,
etc.). A escolha do sistema no ataque, depende essencialmente do tipo de defesa
que o oponente está utilizando (GONZÁLEZ et al., 2014).
– Sistema Defensivo Zona – Marca a bola com relação à posição dos
adversários. Os defensores estão sempre focados na bola (MARONEZE,
2015).
Características:
o A responsabilidade dos defensores é por setores;
o Cada defensor é responsável por um espaço da formação defensiva
escolhida;
121
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
o Para escolher a formação, devemos considerar as características dos
nossos defensores e as habilidades ofensivas das equipes opostas;
o Os critérios em determinar quais defensores irão marcar à frente devem
ser para os jogadores mais velozes, devido às maiores distâncias a serem
percorridas para as coberturas; e nas áreas de trás devem defender os
jogadores mais altos e com maior capacidade de rebote defensivo;
o A defesa se movimentará de acordo com a bola e o responsável pelo setor
irá bloquear com o seu corpo a linha de passagem do adversário para a
cesta. Os demais irão se aproximar desta linha nos limites de seus setores
ou outras sugestões de marcação determinadas pelo treinador.
Vantagens:
o O posicionamento prévio dos defensores facilita a obtenção do rebote
defensivo;
o Diminuição da efi ciência das jogadas de corta-luz feitas pelos adversários;
o Recomendada contra equipes com baixo percentual de acerto de
arremessos de longas distâncias;
o Favorece a organização do contra-ataque;
o Indicado contra equipes que não realizam bons passes;
o Permite melhor aproveitamento dos jogadores mais lentos na defesa.
Desvantagens:
o Os deslocamentos de defesa podem não acompanhar a velocidade do
ataque adversário;
o Não funciona contra equipes com bons arremessadores “de fora”;
o Sofre para cobrir as sobrecargas quando o ataque posiciona mais
um atacante no mesmo setor de marcação de um defensor.
Figura 15 - Sistemas defensivos mais utilizados
no Basquetebol e algumas variações
122
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Fonte: Oliveira (2002).
123
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
– Sistema Defensivo Individual – Marca os adversários com relação à
posição da bola. Cada defensor estará focado no adversário que lhe cabe
marcar (MARONEZE, 2015).
Características:
o A responsabilidade defensiva está clara individualmente;
o Para determinar as marcações, o treinador deve utilizar critérios para
que haja a equiparação e/ou superação dos seus jogadores com as
características dos adversários;
o Os critérios são biotipo, qualidade técnica, qualidade física (velocidade,
força, etc.) e psicológica;
o A escolha do tipo de defesa individual levara em conta as qualidades
e possibilidades dos nossos jogadores e a fraqueza dos jogadores
adversários.
Vantagens:
o É fácil de ensinar e aprender;
o Podem-se explorar as condições físicas e técnicas individuais dos
adversários e dos nossos jogadores;
o Iguala qualquer estratégia ofensiva adversária;
o Difi culta os arremessos de média distância;
o Exige maiores recursos técnicos e físicos dos adversários.
Desvantagens:
o Aumento da difi culdade de organizar o contra-ataque, pois não há garantia
de posições na obtenção do rebote defensivo;
o Difi culta a antecipação de passes;
o Aumenta a probabilidade de cometer faltas;
o Dá margem às penetrações;
o Exige maior atenção no rebote (Faltava pontuação fi nal).
Variações:
o Existem duas grandes variáveis no sistema defensivo individual e a
escolha deve ser determinada de acordo com a competência da defesa
que se pretende utilizar:
124
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Quadro 17 - Variáveis no sistema defensivo individual
Primeira Variável Segunda Variável
QUADRA ADVERSÁRIO
Quadra toda (inteira) Com marca defi nida
Três quartos de quadra Por proximidade
Meia quadra Com possibilidade de troca
Um quarto de quadra (recuado) Sem possibilidade de troca
Fonte: Maroneze (2015).
– Sistema Defensivo Misto – Une uma das variações do sistema zona com
uma das variações do sistema individual (MARONEZE, 2015).
Características:
o A responsabilidade defensiva será dividida em dois sistemas;
o Maiores variações por setor ou por posição;
o Maiores variações e possibilidades de acordo com as necessidades ou
característica dos jogadores.
Vantagens:
o Aprendizagem rápida desde que os sistemas anteriores tenham sido
ensinados e aprendidos com qualidade;
o As marcas individuais irão exigir maior desempenho técnico e físico dos
atacantes;
o Pode desorganizar a equipe adversária quando depende de um ou dois
atacantes;
Desvantagens:
o Alto desgastefísico quando da marcação individual;
o Trocas individuais difi cultadas;
o Maior vulnerabilidade dos setores.
– Sistema Defensivo Pressão – provoca situações de dois defensores ou
mais contra o atacante de posse da bola (MARONEZE, 2015).
Características:
o As situações de 2x1 acontecem especialmente quando o jogador de posse
da bola está com restrição de espaço, como nos cantos da quadra;
o Pode ser por setor ou individual;
125
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
o Pode ser aplicado na quadra toda ou meia-quadra, um quarto da quadra,
etc.
Vantagens:
o Grandes possibilidades de “roubar” a bola e marcar pontos em espaço de
tempo reduzido;
o Pode obrigar o adversário a mudar as características normais de jogo,
fazendo-o errar mais;
o Difi culta ao adversário cruzar a linha central, o que atrapalha a organização
ofensiva e a equipe pode ser penalizada nos 8 segundos caso não
ultrapasse a linha central.
Desvantagens:
o Alto grau de risco, quando o adversário consegue se desvincular da defesa
2x1, aumentando as suas chances de pontuar com jogadores “livres”;
o Desgaste físico;
o Aumenta os índices de faltas;
o Existem saídas de pressão que geram contra-ataques.
d) Sugestão de modelo de treinamento para o Basquetebol
Após termos apresentado as características físicas, técnicas, táticas do
basquetebol, sugerimos agora um planejamento resumido de preparação para a
equipe, de acordo com a faixa etária dos atletas.
Quadro 18 - A preparação dos jogadores de basquetebol na etapa
de treinamento especializado - Sugestões para o desenvolvimento
das capacidades físicas e o aperfeiçoamento da técnica e tática
FASES IDADE CAPACIDADES FÍSICAS TÉCNICA TÁTICA
Treinamento
Especializado
(Nível I)
15 a 17
Resistência de
força, resistência
aeróbica, início
da força explosiva
máxima
Aperfeiçoamento
dos fundamentos
individuais de grupo
e coletivo
Aperfeiçoamento
nas funções especí-
fi cas e nos sistemas
de ataque e defesa
Treinamento
Especializado
(Nível II)
18 a 20
Desenvolvimento
da força máxima,
velocidade máxima,
resistência anaeró-
bia máxima
Aprofundamento
dos conteúdos
individuais de grupo
e coletivo
Aprofundamen-
to nas funções
específi cas e nos
sistemas defensivos
e ofensivos
126
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Treinamento
Especializado
(Nível III)
Acima de
20
Melhores resultados
da força máxima,
velocidade máxima,
resistência aeróbia
e anaeróbia máxima
Perfeição máxi-
ma na execução
dos fundamentos
individuais de grupo
e coletivo
Capacidades
ótimas de decisão:
individual, em grupo
e coletivamente sem
necessidade de ter
jogadas pré-deter-
minadas
Fonte: Oliveira (2002).
Atividade de Estudos:
1) Você viu os aspectos relacionados à preparação para o
basquetebol. Para levar esta teoria para a prática, elabore, agora,
a partir do modelo abaixo, um treinamento para o basquetebol de
uma equipe com jogadores entre 15 a 17 anos, em seus aspectos
físicos, técnicos e táticos, no período de preparação básica. O
quadro apresenta uma sugestão para a segunda-feira e você
deve preencher com as suas sugestões de treinos para toda a
semana:
CATEGORIA__________________________.
Prof._______________________.
PERÍODO:_____/_____ a _____/_____.
MICROCICLO: ___________________.
SEGUNDA TERÇA QUARTA QUINTA SEXTA SEXTA
OB
JE
TI
VO
Aperfeiçoar
a resistência
aeróbica, os
fundamentos
de passe e
bandeja e
sistema de
defesa (zona)
TE
CN
IC
O
Fundamentos:
Passe peito,
quicado;
Bandeja
(20min).
127
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
TA
TI
CO
Sistema de
Defesa:
Defesa por
zona
Alternando
equipes de
ataque e
defesa
(35min)
FI
SI
CO
Aquecimento:
Alongamento
e Pega-Pega
(15min)
Res. Aeróbica:
Fartleck.
(30min).
TO
TA
L
1h e 40 min.
Futebol
O futebol é a modalidade esportiva mais popular no mundo e está presente
de forma intensa na história e cultura do Brasil. Os grandes jogadores são ídolos
e a mídia explora esta modalidade de forma incessante. Assim, as crianças são
incentivadas pelos pais ou por este apelo da mídia à prática do esporte.
De acordo com Borges e Rechenchosky (2014), o futebol se caracteriza por
ser de oposição com o adversário, é considerado um esporte com interação e de
invasão, pois as ações de uma equipe estão vinculadas ao oponente. Sobre o tipo
de esporte, faz parte do grupo das modalidades de invasão – invadir o espaço
defendido pelo adversário para colocar a bola na meta.
O futebol é constituído por diversos elementos do desempenho esportivo.
A totalidade desses elementos, uns em maior grau do que outros, dependendo
128
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
da situação, infl uenciam na atuação dos jogadores e da equipe, ao passo que
determinam os resultados dos jogos. Assim, a capacidade física, o sistema de jogo,
a estratégia, as combinações táticas, a capacidade volitiva, a habilidade técnica
e a tática individual são os elementos envolvidos (BORGES; RECHENCHOSKY,
2014).
a) A preparação física no futebol
De acordo com Bompa (2005), as principais características físicas do futebol
são:
• Sistema de energia dominante: lático e aeróbico
• Ergogênese: alático - 15%; lático – 15%; aeróbico – 70%
– Altas demandas energéticas para ambos os períodos, intercalados com
fortes acelerações e desacelerações e mudanças rápidas de direção;
– Os períodos de recuperação ocorrem durante as interrupções de jogo de
5 a 15 segundos, como também para as posições de defesa imediata ou
ataque, quando o jogo está sendo feito no campo adversário.
• Fatores limitantes de performance: potência de aceleração e desaceleração,
agilidade na forma de trabalho rápido de pés, mudanças rápidas de direção,
velocidade de reação e tempo de movimento.
• Objetivos de treinamento:
– Desenvolver todos os sistemas energéticos (QF Imprescindível (IM))
sobre uma boa e específi ca condição aeróbica;
– Desenvolver pernas e tronco potentes como base para a alta aceleração/
desaceleração e mudanças de direção;
– Desenvolver força de saída (arrancada) e potência (QF Imprescindível
(IM)) de salto;
– Desenvolver a agilidade (QF Imprescindível (IM)) específi ca para o
complexo trabalho de pé, a velocidade de reação e o tempo de movimento.
Dantas (2003) descreve que o jogador de futebol deve, na fase básica, adquirir
níveis mínimos de condicionamento para as resistências aeróbicas e anaeróbicas,
RML e fl exibilidade. Já na fase específi ca, treinar a velocidade de movimento e de
força explosiva. Para o período de competição, as CP imprescindíveis devem ser
aperfeiçoadas.
129
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
A partir dessa composição, Dantas (2003) sugere que os métodos a serem
utilizados na preparação física do futebol durante a temporada podem ser assim
distribuídos:
Quadro 19 - Métodos a serem utilizados na preparação física do futebol
QUALIDADES
FÍSICAS
PERÍODO PREPARATÓRIO
PERÍODO DE
COMPETIÇÃO
PERÍODO DE
TRANSIÇÃOFASE
BÁSICA
FASE
ESPECÍFICA
Res. Aeróbica Fartleck Corrida continua Corrida continua Cross Promenade
Res. Anaeróbica
e Velocidade
Interval
Training
Interval Training - -
RML e
Força Dinâmica
Musculação
Musculação ou
Circuito
Circuito Calestenia
Força Explosiva - Power Training Power Trainng -
Flexibilidade 3S 3S 3S Insistência Passiva
Fonte: Dantas (2003).
Novamente, lembramos que existem outras sugestões e outros métodos de
treinamento que podem ser utilizados na periodização da preparação física do
futebol.
b) Preparação técnica no futebol
A técnica no futebol corresponde à forma de executar os movimentos de
passes, fi nalizações, cabeceios,entre outros. O passe com a parte interna do pé
é o gesto motor mais utilizado em um jogo, não sendo o único. Lançamentos com
o peito do pé são comuns, ao contrário de chutes de “três dedos” ou “trivela”, que
são menos usuais (BORGES; RECHENCHOSKY, 2014).
• Fundamentos do futebol – Os principais fundamentos do futebol são
(FRISSELLI; MANTOVANI, 1999):
1. Recepção – primeiro contato com a bola, realizado de acordo com a
regra e da posição do corpo em relação à bola. A partir desse contato, acontece a
recepção;
130
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
1.1. Quanto à trajetória – Rasteira, Meia-altura, Parabólica, Alta;
1.2. Quanto à execução –
o Recepção rasteira – faces interna, externa e solado do pé;
o Recepção à meia-altura – faces interna e externa do pé; coxa;
o Recepções parabólicas – cabeça, peito, coxa, dorso e solado do pé, coxa,
dorso e solado do pé;
o Recepções altas – cabeça e peito.
2. Condução - é o ato de se locomover com a bola por meio de toques
sucessivos.
2.1. Classifi cação –
o Quanto à velocidade - Lenta (andando / trotando) e Rápida (velocidade).
o Quanto à trajetória – Retilínea e Sinuosa.
o Quanto a execução – Bolas rasteiras – com a planta do pé, com o dorso
do pé, com a parte interna do pé, com a parte externa do pé; e Bolas
suspensas – com o dorso do pé, com a coxa e com a cabeça.
3. Passe - transferência da posse de bola para o outro membro da equipe. A
execução desse fundamento pode ser realizada com várias partes do corpo: pés,
coxa, peito, cabeça, etc.
3.1. Condições importantes para realização de um bom passe: Equilíbrio,
Visão, Precisão, Intenção e Objetivo.
3.2. Classifi cação –
o Quanto à distância – Curto, Médio e Longo;
o Quanto à trajetória - Passe rasteiro, Passe de meia altura, Passe
parabólico e Passe alto;
o Quanto à execução do contato com o pé - Parte interna do pé, Parte
externa do pé, Parte anterior do pé (bico), Solado do pé, Dorso do pé e
Calcanhar;
o Quanto ao espaço de realização do jogo – Lateral, Diagonal e Paralelo;
o Quanto à habilidade - Passe com a coxa, Passe de peito, Passe de
cabeça e Passe de ombro;
o Quanto à execução - Rasteira – parte interna, externa e solado; Meia
altura – parte interna, externa e coxa; Parabólica – cabeça, peito, dorso e
solado; e Alta – cabeça e peito.
131
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
4. Drible - toques sucessivos na bola com a fi nalidade de ultrapassar o
oponente, adquirir espaço para dar seguimento à jogada, podendo fi nalizá-la ou
não.
4.1. Quanto ao objetivo - Ofensivo – visa à meta adversária; Defensivo –
manter a posse de bola com segurança.
4.2. Quanto ao tipo - Simples – puxadas e saídas laterais; Solado, faces
interna e externa dos pés; Complexos – associados a uma fi nta; e Clássicos –
dorso do pé (chapéu), elástico, meia-lua, bola entre as pernas do adversário.
5. Finta – movimento realizado pelo jogador com ou sem posse de bola,
objetivando ultrapassar o adversário ou criar espaço para a realização do passe
ou fi nalização da jogada.
5.1. Quanto ao objetivo - Ofensiva – desmarcar-se do adversário para
receber a bola de um companheiro; Defensiva – quando se encurta a marcação
para difi cultar a linha do passe ou ocorre a aproximação do atacante adversário,
tentando tirar a bola de seu controle.
6. Chute - é caracterizado pela fi nalização de uma jogada que tem a
fi nalidade de fazer o gol.
6.1. Efi ciência - Pé de apoio – ao lado da bola (chute baixo); atrás (trajetória
elevada); a frente (inadequado); Pé de toque – bola: abaixo do eixo (eleva); no
eixo (reto); tangencialmente (em curva), no eixo (reto); tangencialmente (em
curva). Equilíbrio corporal e Velocidade.
6.2. Classifi cação –
o Quanto à trajetória - Rasteiro – contato com o solo; Meia altura; Alto.
o Quanto à execução - Dorso do pé (peito); Parte interna do pé; Parte
externa do pé; Parte anterior do pé (bico).
7. Cabeceio – ato de golpear a bola com a cabeça.
7.1. Classifi cação –
o Quanto ao objetivo – Ofensivo; Defensivo.
o Quanto à execução – Frontal; lateral; parado; com saltos; em corrida;
lateral; para trás; e em mergulho.
8. Goleiro – defende a meta, participa com os pés na armação e também
reinicia o jogo.
132
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
8.1. Tipos de Pegadas – Bola rasteira – Na altura do pé; Com os joelhos
fl exionados; Fora da direção do goleiro; Bola na altura do tronco; Bola alta; Bola
alta na altura do canto da meta; Desvios; Mão trocada; Rebatida com os punhos;
Defesa com os pés; Saídas nas bolas altas; Colocação da barreira; Defesa de
pênaltis e faltas.
Figura 16 - Técnica e treinamento para o futebol
Fonte: Bauer (1994).
c) Preparação tática no futebol
Dos elementos, a tática individual precisa ser a dimensão central do
ensino, uma vez que – costumeiramente – as difi culdades de atuação dos
jogadores se vinculam a ela. Nesse elemento, há a necessidade de optar por
uma entre as diversas alternativas, levando em consideração todo o contexto
(adversários, companheiros, espaço de jogo, local da bola, etc.). As combinações
táticas ocorrem constantemente nesse esporte. O overlap, passar e seguir e o
cruzamento no “segundo pau” são exemplos desse elemento do desempenho
esportivo (BORGES; RECHENCHOSKY, 2014).
133
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
O sistema de jogo mais utilizado no futebol é o 4-4-2, apesar de não ser
único. Atualmente, nota-se a utilização dos: 3-5-2, 4-3-3 e 4-3-2-1, havendo outras
variações que são possíveis, alterando o posicionamento de apenas um jogador.
Diversas equipes utilizam um sistema de jogo para atacar e outro para defender.
Por exemplo, quando a equipe está no ataque é usado o 4-3-3, no momento em
que perde a posse da bola, dois atacantes recuam, compondo a marcação no
sistema e 4-3-2-1 (BORGES; RECHENCHOSKY, 2014).
As estratégias utilizadas no futebol são as mais diversas, de acordo com o
objetivo daquela partida ou da fase do campeonato. Nesse sentido, utilizar três
volantes quando se joga “fora de casa”; usar atacantes rápidos para jogar no
contra-ataque; diminuir o número de volantes e aumentar a quantidade de meias
ou atacantes quando se joga “em casa”, são exemplos de defi nições estratégicas
no futebol (BORGES; RECHENCHOSKY, 2014).
A imagem a seguir apresenta os sistemas de jogo que as seleções utilizaram
na Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Como se percebe, a maioria das equipes
utilizaram o sistema 4-2-3-1, com um atacante. Contudo, as equipes que fi zeram
a fi nal, Alemanha e Argentina, utilizaram o sistema 4-3-3, priorizando o meio de
campo.
Figura 17 - Esquemas usados pelas 32 seleções
que disputam a Copa do Mundo 2014
134
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Fonte: Lima (2014).
A partir dos esquemas táticos apresentados na fi gura acima,
descreva qual o sistema mais utilizado pelas equipes no Campeonato
Brasileiro de Futebol em 2015. Exemplo: Sistema mais utilizado foi o
3-5-2.
d) Sugestão de Montagem do Treinamento para o Futebol
Como foi descrito anteriormente, não daremos modelos prontos para
treinamento, e sim sugestões de práticas e de cuidados na preparação e variarão
de acordo com as habilidades técnicas e os objetivos de cada equipe, assim como
com as capacidades dos treinadores. Roth (1993 apud MATTA; GRECO, 1996)
entende que o processo de treinamento técnico no futebol está ligado a quatro
parâmetros básicos de relação. São eles:
a) Objetivo do movimento;
b) Condições do movimento (regras do esporte);
c) Atributos do movimento;
d) Condições de execução do movimento meio ambiente.
135
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
Roth (1993 apudMATTA; GRECO, 1996) também apresenta cinco
possibilidades táticas de simplifi cação da tarefa, de acordo com os parâmetros
básicos relacionados anteriormente. Eles serão citados a seguir com um exercício
aplicado ao futebol para melhor entendimento:
a) Simplifi cação dos objetivos do movimento - o executante, ao realizar a
técnica do cabeceio, terá como objetivo atingir um local com dimensões
superiores ao normal. Assim sendo, o alcance do objetivo por meio do
cabeceio será facilitado.
b) Simplifi cação das regras - durante uma partida de futebol só será permitido
converter gol por meio de uma cabeçada.
c) Redução da ação do adversário - o executante vai desenvolver o exercício
dentro da grande área, na qual terá como objetivo cabecear a bola para
dentro do gol. Dentro da área estarão posicionados, de maneira passiva,
companheiros que farão o papel do adversário. O executante vai se deslocar
em direção à bola, desviando de seus companheiros, e executar a cabeçada.
d) Redução da ação do colega - a dinâmica deste exercício é a mesma do
princípio anterior, entretanto, será somado ao exercício um companheiro, que
fará o papel de jogador de sua equipe. O objetivo neste exercício é: após
desviar dos agentes passivos que estão posicionados dentro da grande área
e alcançar a bola, o executante tentará, por meio de uma cabeçada, alcançar
seu companheiro de equipe.
e) Simplifi cação do meio ambiente onde se executa a técnica - um exercício
que pode retratar este princípio é o jogo de futebol em que as dimensões do
campo sejam menores e as balizas (gols) maiores. Durante esse jogo só será
permitido consignar gols por meio de cabeçadas.
Estes cinco princípios representam, também, um guia para a elaboração
do processo de ensino-aprendizagem-treinamento, conforme a defi ciência que o
atleta acusa.
Atividade de Estudos:
1) Você viu os aspectos relacionados à preparação para o
futebol. Para levar esta teoria para a prática, elabore, agora, a
partir do modelo abaixo, um treinamento para o futebol de uma
equipe com jogadores entre 19 a 21 anos, em seus aspectos
136
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
físicos, técnicos e táticos, no período de preparação específi ca.
O quadro apresenta uma sugestão para a segunda-feira e você
deve preencher com as suas sugestões de treinos para toda a
semana:
CATEGORIA:___________________.
Prof._______________________
PERÍODO:_____/_____ a _____/_____.
MICROCICLO: ___________________
SEGUNDA TERÇA QUARTA QUINTA SEXTA SEXTA
OB
JE
TI
VO
Aperfeiçoar
a resistência
anaeróbica, os
fundamentos
de drible e
fi nalização e
sistema de
ataque
TE
CN
IC
O
Fundamentos:
Dribles e fi nali-
zações, contra
marcador
(30min).
TA
TI
CO
Sistema de
Ataque:
Ataque (3
jogadores)
contra defesa
(4 jogadores)
Alternando
equipes de
ataque e
defesa
(50min)
137
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
FI
SI
CO
Aquecimento:
Alongamento
e exercícios
(10min)
Res. Anaeró-
bica:
Interval Trai-
ning. (45min).
TO
TA
L
2 h e 15 min.
Futsal
O futsal, assim como outros esportes de invasão, caracteriza-se pela
necessidade constante de solucionar problemas surgidos durante o jogo. Para
resolver tais entraves, os jogadores precisam escolher gestos motores, utilizando-
os nos momentos adequados, conforme a necessidade de cada situação. Nesse
sentido, essa modalidade possui características que precisam ser consideradas
quando se propõe seu ensino. Um aspecto importante é a necessidade de
cooperar com os companheiros para marcar gols, sendo considerado um esporte
coletivo. Quanto à relação de oposição com o adversário, o futsal é um esporte
com interação entre adversários, uma vez que as ações de uma equipe estão
atreladas – dependem e condicionam – as ações da outra. No que se refere ao
tipo de esporte, pertence ao grupo das modalidades de invasão, pois seu objetivo
é invadir o espaço defendido pelo adversário para colocar a bola na meta. Nesse
conjunto, faz parte da mesma família do futebol americano e do rúgbi, apesar do
fato desse dois serem praticados – prioritariamente – com as mãos (BORGES;
AMORIM, 2014).
a) A preparação física no futsal
O futsal apresenta uma gama de ações motoras semelhantes ao futebol.
O futsal é caracterizado por Gomes e Silva (2002) como um jogo atlético com
elevada atividade motora. Nesse esporte, os atletas realizam uma sucessão
de esforços intensos e breves em ritmos diferentes, com um nível de exigência
funcional muscular muito alto, como nas corridas, nos saltos, nas movimentações
táticas e na técnica de condução de bola, solicitando desses atletas a mobilização
máxima de suas capacidades funcionais, velocidade e força (GOMES; SILVA,
2002).
138
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Os diferentes tipos de deslocamento, com grandes acelerações,
desacelerações, mudanças de direção, chutes, passes, fi ntas, desarmes, saltos,
etc., proporcionam uma signifi cativa adaptação neuromuscular, favorecendo a
potência e a agilidade (QF Imprescindível (IM)), permitindo, assim, uma rápida
aceleração e mudança de direção em espaços reduzidos e compartilhados por
adversários e companheiros de equipe (RÉ; BARBANTI, 2006). A proximidade dos
adversários faz com que as ações tenham que ocorrer de forma rápida e, muitas
vezes, inesperada, motivo pelo qual os movimentos automatizados e infl exíveis
limitam as possibilidades de desempenho (RÉ; BARBANTI, 2006). Considerando
as exigências motoras, durante uma partida de futsal ocorrem os esforços
intensos realizados por curto período de tempo e a alternância com períodos
de baixa intensidade. Medina et al. (2002) indicam que a demanda metabólica
seja suprida pelos três sistemas energéticos (aeróbio, anaeróbio lático e
anaeróbio alático) (QF Imprescindível (IM)). Devido ao pequeno espaço de jogo,
essas capacidades podem ser consideradas decisivas para o resultado de uma
partida (RÉ; BARBANTI, 2006).
Quadro 20 - Métodos a serem utilizados na preparação física do futsal
QUALIDADES
FÍSICAS
PERÍODO PREPARATÓRIO
PERÍODO DE
COMPETIÇÃO
PERÍODO DE
TRANSIÇÃOFASE
BÁSICA
FASE
ESPECÍFICA
Res. Aeróbica Fartleck Corrida continua Corrida continua Cross Promenade
Res. Anaeróbica
e Velocidade
Interval
Training
Interval Training - -
RML e
Força Dinâmica
Musculação
Musculação ou
Circuito
Circuito Musculação
Força Explosiva - Power Training Power Trainng -
Flexibilidade 3S 3S 3S _
Fonte: Adaptado de Dantas (2003).
b) Preparação técnica no futsal
Alguns contatos com a bola são característicos do futsal. Para dominar a
bola, a forma mais utilizada é pisando nela com a parte debaixo (sola) do pé. Já
os passes, em sua maioria, são efetuados com a parte interna do pé (os toques
de peito de pé, gancho/cavadinha e a “pisada” – escorada – para um companheiro
ocorrem com menos frequência). Para fi nalizar na meta, além dos contatos já
139
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
mencionados no passe, que podem ser utilizados também na fi nalização, o toque
na bola com bico do pé é bastante comum no futsal (BORGES; AMORIM, 2014).
• Fundamentos do Futsal
Voser e Giusti (2002) defi nem técnica como sendo todo gesto ou movimento
realizado pelo atleta que lhe permite dar continuidade e desenvolvimento ao jogo.
As técnicas esportivas do futsal são: passe, domínio, condução, chute, drible,
fi nta, marcação, cabeceio. Lembrando que os fundamentos do futebol podem ser
considerados também para o futsal, levando-se em consideração as similaridades
e diferenças de ambos os esportes. Voser e Giusti (2002) determinam que os
principais fundamentos do futsal são:
1. Passe: É a ação de interligar-se com os integrantes de uma equipe. É o
fundamento técnico mais importante e que mais acontece,pode sair um passe
com a cabeça, com o peito, a coxa, o ombro. O passe pode ser classifi cado, de
acordo com:
1.1. Distância: curto (até 4m), médio (de 4m a 10m), longo (acima de 10m).
1.2. Trajetória: rasteiro, meia altura, parabólico.
1.3. Execução: interna, externa, bico, solado, dorso.
1.4. Espaço de Jogo: lateral, diagonal, paralelo.
1.5. Passes de Habilidades: coxa, peito, cabeça, calcanhar, ombro, etc.
1.6. Domínio: Ação consciente que ocorre a partir do recebimento da bola,
muitas vezes entregue por um companheiro de equipe, em mantê-la sob controle
e, assim, poder realizar movimentos técnicos, a fi m de dar sequência à jogada.
Essa ação poderá ser feita com qualquer parte do corpo, exceto com aquelas não
permitidas pela regra.
1.7. Condução: É o movimento de levar a bola próximo aos pés, de maneira
que ela esteja sempre ao alcance do condutor.
1.8. Chute: Ação de golpear a bola parada ou em movimento visando desvia-
la ou dar-lhe trajetória. É o fundamento que precede o gol.
1.9. Drible: Trata-se de uma série de movimentos e ações que culmina
com a superação do adversário e a sequência da jogada com a posse da bola. A
principal diferença entre o drible e a fi nta reside no fato de que no primeiro há o
controle da bola, enquanto no segundo a bola não está presente.
140
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
1.10. Finta: É uma ação de inteligência motora e cognitiva que ocorre no
espaço e no tempo apropriado. Seu objetivo maior é o de levar o adversário a
pensar que quem faz a fi nta irá para um lugar quando este vai para outro.
1.11. Marcação: Trata-se da ação de evitar que o adversário receba a bola
ou, quando este a possui, impedir ou difi cultar suas ações técnicas de condução,
passe, chute ou drible.
c) Preparação tática no futsal
No futsal os elementos do desempenho esportivo são determinantes nos
desempenhos dos jogadores e equipes, infl uenciando nos resultados dos jogos.
Por se tratar de um esporte coletivo com interação entre adversários, demanda
todos os elementos na sua prática. Desses, a tática individual assume o papel
central no ensino, utilizando a técnica como suporte motor para cada situação
do jogo. Desse modo, “o que” e “quando fazer” antecedem o “como fazer”.
Por exemplo, ao receber a bola o jogador precisar optar – entre tantas outras
possibilidades – se passa, dribla, fi naliza ou conduz a bola, e o momento em
que fará a ação para, somente depois, executar o movimento. Isso signifi ca
compreender o futsal como um processo constante de tomada de decisões, em
que os gestos motores correspondem à materialização das repostas escolhidas
para cada situação do jogo (BORGES; AMORIM, 2014).
As combinações táticas se constituem como outro elemento importante no
futsal. O encadeamento de movimentos entre os jogadores permite levar vantagem
sobre os adversários. Ações como passar e seguir, rodízio em oito, fi nalização de
2° trave e escorada de pivô, são exemplos de combinações táticas. Os sistemas
de jogo no futsal são diversos, possibilitando distintas formas de posicionamentos
dos atletas em quadra. Como exemplo desses sistemas, citamos: o 2-2, que
é utilizado, costumeiramente, por equipes iniciantes e categorias menores;
o losango ou 1-2-1, que é constituído de um jogador denominado fi xo, um ala
pela esquerda, outro ala pela direita e um pivô; o sistema 4-0, que, por sua vez,
apresenta uma ampla movimentação dos jogadores em quadra, não havendo
posições fi xas. Essas formas de disposição dos jogadores podem ser alteradas,
mudando a função de apenas um jogador ou de toda a equipe, como é o caso
quando se utilizam as marcações: meia quadra, pressão e mista (BORGES;
AMORIM, 2014).
Em relação aos sistemas táticos, é difícil determinar um sistema fi xo, pois a
troca de posições é constante, fato que exige uma elevada taxa de movimentação
(RÉ et al., 2003). Para o nosso propósito, veremos os principais sistemas de jogo:
• Sistemas Ofensivos no Futsal (Baseado em MACHADO, 2010)
141
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
1. Sistema 2 - 2:
– Esse sistema utiliza dois jogadores e dois no ataque. É o sistema de jogo
mais simples que uma equipe pode adotar. Por essa razão, é o sistema
mais utilizado nas categorias menores, pelos principiantes e pelas equipes
de menor condição técnica.
– Esse sistema pode ser considerado a causa primária do sistema 3 - 1 e
1 - 3, pois a formação 2 - 2 se dá tanto quando a equipe ataca como
quando defende. Quando um dos atacantes recua para dar mais estrutura
à defesa ou um defensor apoia o ataque tem início o sistema 3 - 1 e 1 - 3.
– O sistema 2 - 2 não oferece muitas opções de jogadas em razão da
colocação dos jogadores em quadra, o que torna tanto o ataque como
a defesa defi cientes ou carentes de mais apoio. No entanto, apesar das
limitações, podem-se conseguir bons resultados, principalmente em
quadras menores.
Figura 18 - Sistema 2 - 2
Legenda: F – Fixo; AD - Ala Direito; AE – Ala Esquerdo; P – Pivô.
Fonte: Machado (2010).
2. Sistema 3 - 1:
– Esse sistema se caracteriza pela existência de um jogador fi xo na defesa,
dois alas que fazem o vaivém de defesa e ataque, e um pivô, que joga
sempre mais adiantado, tanto quando ataca como quando defende. É um
sistema em a equipe ataca e defende com três jogadores.
142
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
– A formação 3 - 1 se dá quando a equipe inicia suas manobras ofensivas no
seu setor defensivo com três jogadores, que se movimentam procurando
um espaço para receber e tocar a bola até o pivô; quando se defende,
cabe ao fi xo vigiar a zona central da defesa e aos dois alas, as duas
zonas laterais da quadra. O pivô deve se colocar no centro da quadra,
tendo como função o primeiro combate ao adversário em qualquer setor
da quadra. Nessa formação inicial de defesa podem ocorrer variações de
cobertura ou de combate.
– Por sua vez, a formação 1 - 3 se verifi ca quando a equipe está no ataque,
ou seja, a bola foi tocada para o pivô e os alas avançam para a meia
quadra adversária com a fi nalidade de realizar manobras ofensivas na
tentativa de chute a gol. O fi xo só deverá ir ao setor ofensivo em casos
excepcionais e, quando acontecer, deverá haver cobertura naquele setor.
– Esse sistema oferece uma gama de opções no que diz respeito a ações
ofensivas, e é mais utilizado pelas equipes que possuem jogadores de
maior gabarito técnico.
Figura 19 - Sistema 3 - 1
3. Sistemas 1 - 2 - 1 e 2 - 1 – 1:
– Esses sistemas de jogo são mais utilizados nos lances de saída de bola
no tiro de meta, em que os jogadores se posicionam com o intuito de
provocar uma reação na marcação da equipe adversária, e, logo, realizam
Legenda: F – Fixo; AD - Ala Direito; AE – Ala Esquerdo; P – Pivô.
Fonte: Machado (2010).
143
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
Figura 20 - Sistema 2-1-1 e Sistema 1-2-1
Legenda: F – Fixo; AD - Ala Direito; AE – Ala Esquerdo; P – Pivô.
Fonte: Machado (2010).
movimentações para confundir seus dispositivos defensivos e conseguir
executar suas jogadas sem que a equipe defensora consiga neutralizar o
lance. Esses sistemas podem ser considerados como variantes de outros
sistemas como o 2 - 2, 3 - 1 e 4 - 0.
4. Sistema 4 – 0
– O sistema 4 - 0 é o mais moderno posicionamento utilizado no futsal e
caracteriza-se pela colocação de 4 jogadores no setor defensivo na
armação das jogadas. É também conhecido como 4 em linha e exige uma
constante movimentação dos jogadores.
– É muito utilizado quando as dimensões das quadras são de 40 x 20
metros, o que ocorre na maioria dos casos.
– Sistema que possibilita uma grande combinação de movimentos e uma
alternância de posicionamento que difi cultam muito a marcação adversária.
– O sistema4 x 0 também oferece amplas opções de jogadas, por esta
razão, é hoje um dos mais utilizados pelas equipes de alto rendimento.
144
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Figura 21 - Sistema 4 - 0
Legenda: F – Fixo; AD - Ala Direito; AE – Ala Esquerdo; P – Pivô.
Fonte: Machado (2010).
5. Sistemas 1 – 2 - 2 ou 1 - 4
– Com as modifi cações realizadas nas regras ofi ciais do futsal, um novo
sistema de jogo foi criado. Falamos da permissão do goleiro atuar fora
da área de meta, o que possibilitou a opção de um novo posicionamento
dos jogadores para atacar a equipe defensora, procurando estabelecer
uma superioridade numérica, a fi m de facilitar a posse de bola e,
consequentemente, a fi nalização das jogadas.
– É bastante utilizado nos fi nais de partidas em que uma equipe necessita
de um resultado.
– Pode ser usado com o goleiro ou mesmo um jogador de linha na posição
com objetivo de melhorar o passe e a situação ofensiva.
Figura 22 - Sistema 1 - 2 - 2 ou 1 - 4
Legenda: G – Goleiro; F – Fixo; AD - Ala Direito; AE – Ala Esquerdo; P – Pivô.
Fonte: Machado (2010).
145
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
• Sistemas Defensivos no Futsal (Marcação) - “Disposição dos jogadores na
quadra, com o objetivo de impedir uma ação ofensiva do adversário” (MUTTI,
1994 apud MORATO, 2004). A marcação pode ser: Pressão (Total ou parcial)
e Meia Quadra:
1. Zona (pressão total ou parcial e meia quadra) - É pouco recomendada,
pois no Futsal atual, em que os jogadores se deslocam constantemente sem
posições fi xas, facilmente o ataque se colocará em vantagem numérica sobre
a defesa em determinados setores da quadra. A marcação por Zona é sempre
realizada na meia-quadra defensiva e apresenta duas variações no futsal -
Losango (3-1) ou Quadrado (2-2) (MUTTI, 1994 apud MORATO, 2004). As
descrições dos sistemas, suas vantagens e desvantagens são baseadas em
Morato (2004).
1.1. Vantagens:
o Pouco desgaste físico, pois cada jogador mantém a sua posição;
o Facilita a cobertura e a recuperação no caso do drible;
o Menor desgaste físico dos defensores;
o Proporciona perigosos contra-ataques;
o Impossibilita as "bolas nas costas";
o Fecha o meio de quadra.
1.2. Desvantagens:
o Se não for bem treinada facilita o erro, possibilita ao adversário utilizar dois
jogadores em um setor;
o Possibilita o chute de longa distância;
o Aumenta o tempo de posse de bola do adversário;
o Encobre parcialmente a visão do goleiro.
2. Individual (pressão total ou parcial e meia quadra) - É a mais utilizada
no Futsal atual, na qual cada jogador da defesa marca um oponente do ataque
por toda a quadra de jogo, isto é, o defensor desloca-se com seu oponente por
toda a quadra.
2.1. Vantagens:
o Contra equipes de pouca condição física; recomendada para equipes
iniciantes; facilita identifi car o erro.
o Diminui a opção do passe, forçando o erro adversário;
o Maior desgaste físico dos adversários pela necessidade de maior
146
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
movimentação em busca de espaços;
o Difi culta o chute de longa distância;
o Reduz o tempo de posse de bola do adversário;
o Diminui o tempo de reação do adversário para refl etir sobre a jogada.
2.2. Desvantagens:
o Compromete o sistema de cobertura; facilita o adversário utilizar o
bloqueio; a equipe deve ter ótima condição física;
o Grande desgaste físico dos defensores, proporcional à movimentação dos
atacantes;
o Abre o meio da quadra, facilitando lançamentos, infi ltrações e "bolas nas
costas";
o Dá maiores possibilidades de vantagem numérica ao adversário, na
ocorrência de um drible, difi cultando a recuperação e a cobertura.
3. Mista (pressão total ou parcial e meia quadra) - Muito utilizada no Futsal
de alto nível, exige muito a coordenação nos movimentos pelos praticantes. Neste
tipo de marcação, onde há uma variação entre a marcação por zona e a marcação
individual, há uma troca de marcadores em determinados setores da quadra.
3.1. Vantagens:
o Facilita o sistema de cobertura e diminui o desgaste físico.
3.2. Desvantagens:
o Contraindicado para iniciantes; erro de coordenação na troca de marcação
coloca o adversário em superioridade numérica.
• Tipos de marcação mais utilizadas (MUTTI, 1994 apud MORATO, 2004).
1. Marcação Diagonal ou “gangorra” (3 x 1) - Pode ser com marcação
total ou parcial. Consiste em tirar espaços do homem de posse da bola, e os
defensores formam uma linha diagonal atrás do jogador que marca o adversário
com bola. Este tipo de marcação também é conhecido como “Gangorra”, isto é,
no momento em que a bola é passada de um atacante para o outro, a defesa irá
aproximar-se para a marcação, quando o atacante estiver com a bola a frente
de sua área de meta os defensores devem posicionar-se atrás do marcador do
atacante com a posse de bola, formando um triângulo entre os defensores na
quadra de ataque.
Esta marcação também é conhecida como marcação no homem de posse de
bola, pois a característica principal é efetiva marcação pressão no jogador que,
147
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
no momento, estiver com a posse de bola, evitando qualquer ação de ataque
daquele atleta.
2. Marcação de faltas (formação de barreiras) - É muito importante um
sistema de defesa pré-determinado para que o adversário não tenha êxito na
cobrança de uma falta. Devemos primeiramente saber como montarmos a barreira
e, após, onde posicionaremos os homens da sobra (aqueles que não fi carão na
barreira). Para formar a barreira e a sobra, devemos primeiro considerar o local
da quadra em que a falta será cobrada e, depois, posicionarmos a barreira com o
número necessário de jogadores. Recomenda-se utilizar as seguintes formações
de barreira, com os respectivos jogadores na sobra.
BELLO, Nicolino; ALVES, Ubiratan Silva. Futsal – Conceitos
Modernos. São Paulo: Phorte, 2007.
d) Sugestão de modelo de treinamento para o Futsal
O futsal pode absorver os modelos das técnicas do futebol, com as devidas
adaptações em relação ao tamanho da quadra, ao tipo de bola e as posições
táticas do futsal.
Quadro 21 - Relação dos conteúdos com os respetivos níveis de desempenho
CONTEÚDOS BÁSICO ELEMENTAR INTERMEDIÁRIO ESPECIALIZAÇÃO
Relação com
a bola
Relação
com a bola
Controle da
bola Passe
X recepção
Condução
Remate
Posição
defensiva
Controlo da bola
Passe X recepção
Condução Remate
Drible/Finta Po-
sição defensiva
Intercepção/
desarme
Controlo da bola
Passe X recep-
ção Condução
Remate Drible/
Finta Posição de-
fensiva Intercep-
ção/desarme
Controlo da bola
Passe X recepção
Condução Remate
Drible/Finta Posição
defensiva Intercep-
ção/desarme
Princípios
ofensivos
Penetração
Cobertura
ofensiva
Penetração Co-
bertura ofensiva
Penetração
Cobertura ofen-
siva Mobilidade
Espaço
Penetração Cobertu-
ra ofensiva Mobilida-
de Espaço
148
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Princípios
defensivos
Contenção
Contenção Cober-
tura defensiva
Contenção
Cobertura defen-
siva Equilíbrio
Concentração
Contenção Cobertu-
ra defensiva Equilí-
brio Concentração
Atividade de Estudos:
1) Você viu os aspectos relacionados à preparação para o
FUTSAL. Para levar esta teoria para a prática, elabore, agora,
a partir do modelo abaixo, um treinamento para o futsal de
uma equipe com jogadores adultos, em seus aspectos físicos,
técnicos e táticos, no período básico. O quadro apresenta uma
sugestão para a segunda-feira e você deve preencher com as
suas sugestões de treinos para toda a semana:
CATEGORIA:___________________.
Prof._______________________
PERÍODO:_____/_____ a _____/_____.
MICROCICLO: ___________________
SEGUNDA TERÇA QUARTA QUINTA SEXTA SEXTA
OB
JE
TI
VO
Aperfeiçoar
a resistência
muscularlocalizada, os
fundamentos
de condução e
chute e siste-
ma de ataque
e defesa
TE
CN
IC
O
Fundamentos:
Condução de
bola e fi nali-
zação
(30min).
149
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
TA
TI
CO
Sistema de
Ataque e
Defesa:
Ataque 4-0
contra Defesa
por zona
Alternando
equipes de
ataque e
defesa
(50min)
FI
SI
CO
Aquecimento:
Alongamento
Res. Muscular
Localizada:
Musculação
(60min).
TO
TA
L
2 h e 20 min.
Para saber mais sobre o planejamento dos treinos no futsal,
acesse os conteúdos a seguir:
BRAZ, Jorge; MENDES José Luís; PALAS, Pedro. Etapas de
Formação do Jogador de Futsal. Federação Portuguesa de Futsal.
2013. Disponível em <http://www.fpf.pt/Portals/0/Documentos/
Noticias/Livros/Etapas_Formacao_Jogador_Futsal.pdf>.
ALMEIDA, Alexandre Gomes de; ARRUDA, Miguel; MARIA
Thiago Santi. Futsal: Treinamento de alto rendimento. Rio de
Janeiro: Phorte, 2009.
150
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Acesse a página “Treino Futsal” através do link: <http://
treinofutsal.webnode.pt/>, para ter acesso a outras formas de
planejamento do treino de futsal.
Handebol
O handebol é bastante popular nas escolas e muito conhecido no país, apesar
de pouco se ver a prática desse esporte como hábito em momentos de lazer e as
emissoras de televisão, com canais abertos, normalmente não transmitirem jogos.
A aula de Educação Física é a principal fonte de promoção do handebol no país
(GONZÁLEZ; BORGES; IMPOLCETTO, 2014). Tem bastante prática nas escolas,
pois é o esporte coletivo mais fácil de ensinar e de aprender por reunir movimentos
básicos como corrida, salto e arremesso. Sua simplicidade permite que o iniciante
domine em pouco tempo a dinâmica funcional do jogo, constituindo-se em um
meio acessível para a educação do movimento, da sua percepção e da relação
entre os indivíduos (SHIGUNOV; PEREIRA, 1993).
No que se refere à lógica interna, por se tratar de um “esporte coletivo
de cooperação e de invasão”, a modalidade se caracteriza pela tentativa das
equipes em ocupar o setor da quadra defendido pelo adversário para marcar
gols, protegendo simultaneamente sua própria meta. Portanto, as ações de uma
equipe durante a partida estão relacionadas ao oponente, interferindo e sofrendo
interferência do adversário, o que constitui o handebol como uma “modalidade
esportiva com interação” (GONZÁLEZ; BORGES; IMPOLCETTO, 2014).
No handebol, a cada ataque, os jogadores efetuam um grande número de
passes. É por meio dessas trocas de passes e dribles, realizadas em grande
velocidade, que tentam penetrar na defesa adversária, necessitando muita
efi ciência para não perder a posse da bola e gerar contra-ataques. Nessa
ação, é possível perceber que o handebol demanda a necessidade de uma alta
velocidade na capacidade de tomada de decisão dos jogadores. Assim, é um
esporte que requer muita inteligência dos participantes, pois as opções de ação
são várias e, muitas vezes, precisam ser processadas em milésimos de segundos.
Por exemplo, arremessar, driblar, passar ou realizar uma combinação tática, são
algumas das alternativas que precisam ser levadas em conta para o êxito da ação
(GONZÁLEZ; BORGES; IMPOLCETTO, 2014).
a) A preparação física no handebol
151
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
Para Bompa (2005), as características físicas do handebol estão baseadas
em:
• Sistema de energia dominante: lático e aeróbico
• Ergogênese: alático - 20%; lático – 30%; aeróbico – 50%
– Jogo rápido e potente, com altas queimas de energia, repetidas de 20 a 40
vezes por jogo;
– Curtos períodos de recuperação, de 3 a 7 segundos, devido às pausas.
• Fatores limitantes de performance: aceleração e desaceleração, mudanças
de direção, potência de arremesso, agilidade e alta coordenação coma bola
(manejo de bola).
• Objetivos de treinamento:
– Desenvolver todos os sistemas energéticos (QF Imprescindível (IM))
sobre uma boa e específi ca condição aeróbica para sustentar o ritmo
consistente e rápido durante o jogo todo;
– Desenvolver pernas e tronco potentes, como base para a alta aceleração/
desaceleração e mudanças de direção;
– Desenvolver a potência (QF Imprescindível (IM)) de salto (vertical e
horizontal) e de arremesso;
– Desenvolver a agilidade e a coordenação (QF Imprescindível (IM)) entre
pé e mão (manejo da bola).
Dantas (2003) sugere que no handebol sejam treinadas, na fase básica,
fl exibilidade, RML, força dinâmica, resistência aeróbica e velocidade de
movimentos. Na fase específi ca, devem-se aprimorar os níveis de força explosiva
e resistência anaeróbica e, no período de competição, aperfeiçoam-se as
capacidades imprescindíveis adquiridas.
Quadro 22 - Métodos a serem utilizados na preparação física do handebol
QUALIDADES
FÍSICAS
PERÍODO PREPARATÓRIO PERÍODO DE
COMPETIÇÃO
PERÍODO DE
TRANSIÇÃOFASE
BÁSICA
FASE
ESPECÍFICA
RML e
Força Dinâmica
Musculação Circuito Circuito Calestenia
Força Explosiva - Power Training Power Training -
Res. Aeróbica Fartleck Fartleck Corrida continua Cross Promenade
Res. Anaeróbica - Circuito Circuito
152
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Lembrando que existem outros autores e outros métodos de treinamento os
quais podem ser utilizados na periodização da preparação física do handebol.
b) Preparação técnica no handebol
A técnica empregada nessa modalidade requer muita precisão e efi ciência,
tanto nas fi nalizações quanto nos passes. A coordenação na execução dos
movimentos é essencial no deslocamento com a bola. O ato de arremesso
em deslocamento, realizando uma sequência de passos antes da fi nalização,
evidencia essa necessidade. Um atleta de alto nível dessa modalidade é capaz
de realizar até oito contatos no solo em uma mesma jogada, após receber a
bola. Isso permite percorrer uma distância considerável com a posse do móvel
(GONZÁLEZ; BORGES; IMPOLCETTO, 2014).
De acordo com Reis (2006), os conteúdos específi cos do handebol podem
ser classifi cados em: progressões, fundamentos, táticas individuais ofensivas,
táticas individuais defensivas, táticas coletivas ofensivas, táticas coletivas
defensivas, os postos específi cos ofensivos e os postos específi cos defensivos.
Assim, as progressões têm as características de (REIS, 2006):
Velocidade
Métodos
Intervalados
Circuito Circuito -
Flexibilidade 3S 3S 3S Métodos Passivos
Fonte: Adaptado de Dantas (2003).
Progressões - são quase todos os deslocamentos feitos com
ou sem a posse da bola. Com a posse da bola o deslocamento pode
ser realizado através de um, dois ou no máximo três passos em
qualquer direção ou mesmo sem deslocamento.
• Os fundamentos do handebol - São movimentos fundamentais do handebol,
executados segundo um determinado gesto técnico, que é a forma "correta"
de execução de um movimento específi co, descrito de modo biomecânico. Os
principais fundamentos do handebol são (REIS, 2006):
153
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
1. Empunhadura - é a forma de empunhar a bola de handebol com uma das
mãos. Ela deve ser segurada com as falanges distais dos cinco dedos abertos
e com a palma da mão em uma posição ligeiramente côncava. Observações:
os dedos devem abarcar a maior superfície possível da bola, os dedos devem
exercer uma certa força (pressão) na bola para que ela esteja bem segura.
2. Recepção - Deve ser feita sempre com as duas mãos paralelas e
ligeiramente côncavas voltadas para frente. Recentemente os atletas utilizam-se
também da recepção com uma das mãos. Então, apesar da literatura específi ca
sobre o método parcial haver considerado esse uso habitual recente como um
erro, a prática atual e sua efi ciência em diversassituações têm nos dado os
elementos necessários para indicarmos o ensino e treinamento da recepção
com uma das mãos como um elemento necessário para o jogo de handebol. A
recepção pode ser classifi cada em: alta, média e baixa, dependendo da altura
com que a bola seja recepcionada.
3. Passes - São movimentos que permitem a bola ir de um jogador a outro
Dessa forma, ele necessita sempre da interdependência de no mínimo duas
pessoas. Os tipos de passes podem ser classifi cados da seguinte maneira:
3.1. Passes acima do ombro: podem ser realizados em função da trajetória
da bola para frente ou oblíquo, sendo que ambos podem ser: retifi cado ou
bombeado.
3.2. Passes em pronação: lateral e para trás.
3.3. Passes por de trás da cabeça: lateral e diagonal.
3.4. Passes por de trás do corpo: lateral e diagonal.
3.5. Passe para trás: na altura da cabeça com extensão do pulso.
3.6. Passe quicado: quando a bola toca o solo uma vez antes de ser
recepcionada pelo companheiro. Nesse tipo de passe a bola é atirada ao solo em
trajetória diagonal.
4. Arremesso - É um fundamento realizado sempre em direção ao gol. A
maioria dos arremessos pode ser denominada "de ombro" e segue basicamente
a mesma descrição de movimento a seguir - a bola deve ser empunhada, palma
da mão voltada para frente, cotovelo ligeiramente acima da linha do ombro, a bola
deve ser levada na linha posterior a da cabeça e no momento do arremesso ser
empurrada para frente com um movimento de rotação do úmero. Os arremessos
podem ser classifi cados em função da forma de execução:
154
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
4.1. Com apoio - signifi ca que um dos pés do arremessador ou ambos
está(ão) em contato com o solo.
4.2. Em suspensão - signifi ca que no momento do arremesso não há apoio
de nenhum tipo do arremessador com o solo.
4.3. Com queda - signifi ca que após a bola ter deixado a mão do arremessador,
ele realiza uma queda, que normalmente se dá dentro da área adversária e de
frente - arremesso bastante comum entre os pivôs e eventualmente entre os
pontas.
4.4. Com rolamento - signifi ca que após a bola ter deixado a mão do
arremessador, ele realiza um rolamento, na maioria das vezes um rolamento de
ombro. Este tipo de arremesso é mais comum entre os pontas e eventualmente
por pivôs.
4.5. Condições importantes para um bom arremesso (ZAMBERLAN,
1999):
o Oportunidade: procurar a melhor posição e momento oportuno para a
fi nalização, ou seja, quando o jogador está livre de marcação;
o Velocidade de reação: o arremesso deve ser feito com rapidez para
surpreender o adversário, não dando tempo para que os defensores se
organizem na defesa;
o Precisão (direção): o êxito do arremesso está diretamente ligado à
direção da bola. Procurar arremessos nos pontos de maior difi culdade
para o goleiro;
o Força explosiva: essa força faz com que a bola chegue ao local pretendido
o mais rapidamente possível e com força necessária, difi cultando a ação
de defesa do goleiro;
o Variedade de arremesso: o jogador deve dominar vários tipos de
arremesso para aplicá-los em cada situação específi ca de jogo. A variação
de tipos de arremesso e as posições diferentes facilitam a obtenção de um
gol;
o Habilidade na execução (técnica correta): execução correta da
técnica do arremesso, procurando a utilização correta de cada segmento
envolvido.
5. Drible - É o movimento de bater na bola contra o solo com uma das mãos
estando o jogador parado ou em movimento.
6. Ritmo Trifásico - (conhecido entre os atletas como "3 passadas") é
considerado pela literatura específi ca do método parcial como um fundamento no
155
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
qual o jogador dá três passos à frente e em direção à meta adversária com a
posse da bola.
7. Duplo Ritmo Trifásico - (conhecido entre os atletas como "dupla passada")
é considerado pela literatura específi ca do método parcial como um fundamento
em que o jogador dá "sete" passos com a posse da bola, sendo obrigatoriamente
realizados à frente, da seguinte forma: os três primeiros passos são dados com
a posse da bola imediatamente após tê-la recebido, e simultaneamente na
execução do quarto passo o jogador terá que quicar a bola no solo uma vez,
tornar a empunhá-la e dar mais três passos com a bola dominada. Ao fi nal do
sétimo passo ele terá obrigatoriamente que passar ou arremessar a bola, com a
perna contrária ao braço que realizará o arremesso.
Para saber um pouco mais sobre o treinamento do handebol,
acesse o artigo: O ensino do handebol utilizando-se do método
parcial, texto escrito por Heloisa Helena Baldy dos Reis, em 2006.
Disponível em: <http://www.efdeportes.com/efd93/handebol.htm>.
c) Preparação tática no handebol
É sempre importante ressaltar que, como em outros esportes com interação
entre adversários, os gestos motores somente acontecem após um intrincado
processo cognitivo de leitura do jogo e tomada de decisão. Desse modo, é
importante que a execução dos movimentos ocorra sempre em função da tática
individual, que precisa ser o cerne do ensino dos esportes com interação, em
virtude das próprias características de lógica interna e estrutura funcional que a
modalidade apresenta, particularmente nas etapas de iniciação. Diversas são as
“intenções táticas” que podem ser identifi cadas para cada um dos “subpapéis”. No
handebol, as “combinações táticas” ocorrem com bastante frequência. Em todo
ataque é possível observar a presença desse importante e decisivo elemento do
desempenho esportivo. São exemplos de combinações táticas: passar e seguir,
engajamento, cruzamento, bloqueios diretos e indireto, estáticos e dinâmicos.
Outro importante elemento é o sistema de jogo, que diz respeito à organização
dos jogadores na quadra. Nessa modalidade são utilizados diversos sistemas
para defender e para atacar. Ainda a respeito dos sistemas de jogo, é sempre
bom lembrar que são ensinados em etapas de ensino avançadas da modalidade.
No princípio, a marcação individual, em que cada aluno é responsável por marcar
um adversário direto, deve ser priorizada nas primeiras etapas.
156
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
• Sistemas Ofensivos do Handebol (PORTAL SÃO FRANCISCO)
1. Sistema Ofensivo 5-1
– É um sistema com cinco jogadores atuando à frente da área de tiro livre,
equidistantes, e um infi ltrador (pivô) próximo da área de gol, ocupando a
faixa central da baliza onde o ângulo de arremesso é maior.
– Os cinco jogadores que atuam fora da área de tiro livre devem receber a
função de armação das jogadas, utilizando nisto três jogadores, enquanto
os outros dois, jogando nas laterais, tentam a penetração ou combinação
de fi ntas e fi nalizações com o pivô.
– O pivô deve se movimentar em relação à bola, acompanhando para o lado
onde está sendo armada a jogada, procurando facilitar o recebimento,
só sair para o lado proposto ao da jogada quando quiser criar o vazio ou
possibilitar a tabela com quem está penetrando. Sua movimentação será
junto à linha do goleiro para facilitar a execução dos arremessos especiais,
saindo somente se necessário para facilitar o recebimento da bola. É um
sistema com aplicação contra defesa nos sistemas 6-0, 4-2, 3-3 e 3-2-1.
2. Sistema Ofensivo 6:0
– É um sistema com seis jogadores atuando à frente da área de tiro livre,
equidistantes, procurando ocupar toda a frente da área. Os jogadores
procuram trocar passes na tentativa de conseguirem penetrar ou obter
condições vantajosas para executar os arremessos de longa distância.
– É o sistema mais simples, sendo indicado para a ofensiva, continuando na
mesma faixa de campo, dando aos alunos noção de ataque organizado
sem perder a estrutura defensiva, importante quando perder a posse da
bola. Essa formação ofensiva não prevê o emprego de pivô, e as jogadas
são armadas fora da área de tirolivre, prevalecendo os arremessos de
longa distância e as penetrações laterais.
– Deve-se orientar os armadores para fazerem a armação das jogadas
pelas laterais, trazendo a defesa mais para um dos lados e conseguindo
a possibilidade de penetração pelo lado contrário com o ponta. Caso
a armação seja feita no centro da quadra, deve-se dar a orientação de
que troquem passes mais perto do meio do campo, evitando, com isso,
embolar o jogo e facilitar o corte dos passes pelos defensores.
157
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
– No handebol, quando praticado em nível elevado, com jogadores de
grande habilidade, o mesmo sistema ofensivo volta a ser empregado.
Os jogadores se colocam bem abertos, procurando tirar a defesa da sua
colocação junto à área do goleiro, abrindo e possibilitando o emprego de
um pivô móvel.
– Quando as jogadas são armadas por uma das laterais, o ponta do lado
contrário penetra pelo meio, ocupando a posição do pivô. Sua penetração
é feita pelas costas dos defensores centrais, difi cultando o trabalho
destes: por estar em movimento, fi ca com maiores condições de receber
os passes; caso não consiga receber a bola ou a jogada mude de lado, ele
volta para sua posição, dando ao ponta do lado contrário a possibilidade
de penetrar e ocultar a posição do pivô. É um sistema com aplicação
contra defesa nos sistemas 6-0, 5-1, 3-3, e 3-2-1.
• Sistemas Defensivos do Handebol
1. Sistema Defensivo 6-0
– É um sistema que se caracteriza por apenas uma linha de defesa com os
seis jogadores atuando próximos a linha dos seis metros. Eles se deslocam
de acordo com a trajetória da bola, para a direita e para a esquerda, para
frente e com retorno em diagonal para linha dos seis metros.
– As posições defensivas neste sistema são: ponta esquerda, meia-
esquerda, central esquerdo, ponta direita, meia-direita, central direito.
– Utiliza-se contra equipes em cujo coletivo se encontre um grande
número de jogadores de seis metros de elevado nível e as quais faltem,
contudo, bons especialistas em arremessos de meia distância. A defesa
é vulnerável aos arremessos de meia distância e pressupõe um goleiro
acima da média. O sistema 6-0 pode aplicar-se também ofensivamente, o
que, porém, não é vulgar.
1.1. Vantagens
– É muito ampla, diminuindo, assim, os espaços junto à área de gol,
difi cultando o trabalho de alas e pivôs;
– As tarefas dos defensores são claras, compreensíveis e modifi cam-se
pouco durante o jogo;
– Defensores extremos podem partir tranquilos para contra-ataque, pois a
área da baliza é sufi cientemente coberta pelas demais;
– Dá boa margem à cobertura;
158
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
– Não permite arremesso de curta distância e penetrações próximo a área
de gol.
1.2. Desvantagens
– Frágil nos arremessos de meia distância,
– Perturba-se pouco a liberdade de movimentação do adversário,
– Pouco efi caz para roubar a bola;
– Permite arremessos de média e longa distância e não permite contra-
ataques rápidos.
2. Sistema Defensivo 5-1
– Formado por duas linhas de defesa, uma com cinco jogadores próximos
a linha de seis metros e a segunda com um jogador sobre a linha dos
nove metros. O jogador avançado deve ser rápido, ágil e resistente, não
tendo muita importância a sua estatura. As suas tarefas são: não permitir
arremessos de longa distância (zona central da baliza); evitar que seja feito
um passe para o pivô; perturbar o jogo dos atacantes nos arremessos de
longa distância e interceptar passes; auxiliar especialmente os defensores
laterais esquerdo e direito na luta contra os armadores; iniciar o contra-
ataque.
– Utiliza-se este sistema contra equipes com bons jogadores de seis metros
e um bom passador e especialista em remate de meia distância. Este
sistema tem muitas facetas na sua aplicação, uma vez que pode utilizar-se
tanto de maneira muito ofensiva como muito defensiva.
o Defensiva: os defensores saem pouco, até os armadores se limitam mais
aos bloqueios de longa distância.
o Ofensiva: laterais esquerdo e direito saem até a linha dos nove metros e
atacam o adversário com a bola. Com este comportamento ofensivo nasce
uma defesa estática, com profundidade e largura, que passa de uma
defesa 5 - 1 para uma 3 - 2 - 1 ou 3 - 3 e volta para 5 - 1.
2.1. Vantagens:
– Não permite arremessos de média e longa distância e possui um contra-
ataque rápido do jogador que está adiantado;
– Tem amplitude e em relação ao ataque tem profundidade, especialmente
na zona central de defesa;
– Efi ciente contra arremessos de média e longa distância;
– Perturba o ataque;
159
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
– O pivô pode ser bem marcado;
– Dá boa margem de cobertura.
2.2. Desvantagens:
– Permite arremesso de curta distância;
– Permite infi ltrações;
– Fraca quando há dois pivôs.
3. Sistema Defensivo 4-2
– Sistema composto por duas linhas laterais. A primeira linha é composta
por dois jogadores próximos à linha de nove metros e a segunda linha
é composta por quatro jogadores próximos à linha de seis metros. Os
defensores da primeira linha utilizarão movimentos laterais, impedindo
as infi ltrações dos atacantes. Os defensores da segunda linha utilizarão
movimentos laterais, para frente e parta trás e diagonais, evitando
arremessos de longa e média distância e, ainda, procurarão interceptar
passes ou difi cultar a execução destes.
– Geralmente é utilizado contra-ataque com dois pivôs e dois bons
armadores.
– Utiliza-se este sistema contra equipes com dois especialistas em
arremessos de meia distância e cujos jogadores de seis metros não têm
quaisquer capacidades especiais no jogo.
3.1. Vantagens:
– Pode ser bem utilizado contra um ataque com dois pivôs;
– Forte na zona central;
– Tem amplitude e profundidade;
– Difi culta arremessos de curta e longa distância;
– Difi culta passes.
3.2. Desvantagens:
– Fraco contra-ataque 3-3;
– Facilita os ataques dos pivôs;
– Cobre bem a zona central da defesa com sua amplitude e profundidade.
4. Sistema Defensivo 3-3
160
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
– É um sistema com três jogadores atuando à frente da área do tiro livre e
três infi ltradores (pivôs) dentro da área, colocados equidistantes, próximos
à linha da área do goleiro. É um dos sistemas mais ofensivos em termos
de agressividade.
– É considerado o mais arriscado de todos os sistemas por zona, formado
por duas linhas de defesa: uma com três jogadores próximos à linha dos
seis metros, outra com três jogadores sobre a linha dos nove metros.
Sofre mudanças constantes na sua estrutura, variando para 4-2, 3-2-1 e
5-1. Tem por objetivo neutralizar as investidas das equipes que se utilizem
de arremessos de nove metros.
4.1. Vantagens
– Oferece boas possibilidades de contra-ataque;
– Difi culta arremessos de nove metros.
4.2. Desvantagens:
– Inefi ciente contra equipes bem organizadas;
– Facilita as infi ltrações;
– Difi culta a cobertura.
5. Sistema Defensivo 3-2-1
– É formado por três linhas de defesa: uma com três jogadores sobre a linha
de seis metros, outra com dois em uma linha intermediária entre seis e
nove metros e a terceira linha sobre os nove metros com um jogador.
– A designação 3-2-1 é resultante da ordenação dos jogadores num
momento particular que coincide com a fase em que a bola se encontra no
atacante central.
– Trata-se de uma defesa universal, isto é, uma defesa que é, ao mesmo
tempo, zonal, individual e combinada. De acordo com o sistema ofensivo
que se enfrenta, reage para converter-se em outro sistema defensivo. É
o sistema que melhor proporciona contra-ataques, devido às posições
escalonadas e mais adiantadas dos jogadores.
– Objetivo – Neutralizar completamentea movimentação adversária,
antecipando-se no central atacante, impedindo-o de executar o passe
para a infi ltração no bloqueio defensivo.
5.1. Vantagens:
161
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
– Pode adaptar-se facilmente quando o adversário muda sua forma de
ataque, em princípio, sem modifi car-se;
– Jogador de posse de bola está constantemente vigiado por dois
defensores;
– Tem amplitude e profundidade, jogada ofensivamente perturba o jogo dos
atacantes na zona de arremesso de meia distância;
– Oferece boas possibilidades para contra-ataque.
5.2. Desvantagens:
– Só pode ser efi ciente com muito movimento (desgaste físico);
– Fraco contra um jogo bem organizado com dois pivôs e bons extremos.
d) Sugestão de modelo de treinamento para o Handebol
Aqui não usamos modelos, mas sim as noções complementares importantes
que o treinador de handebol deve perceber para preparar os treinos e atingir os
objetivos propostos no planejamento (ZAMBERLAN, 1999):
• Posição na quadra: a posição específi ca na quadra deve ser utilizada nos
seis ou nove metros;
• Executor da ação técnica ou tática: armador, ponta, pivô;
• Metodologia de trabalho – melhor forma de aplicação e tipo de exercício a
ser utilizado, tanto na iniciação (quando o jogador não tem nenhum domínio
sobre a técnica) como no treinamento (após o jogador já dominar o gesto);
• Teoria da técnica – conhecimento e domínio da teoria sobre cada técnica ou
ação tática, além de conhecer biomecânica para transmitir ao jogador a melhor
maneira de executar um gesto, tendo o aproveitamento ideal na execução. Os
segmentos estudados deverão ser: braço/antebraço, mão, tronco e pernas;
• Saber demonstrar na prática – ter condições de demonstrar, na prática, as
técnicas e ações táticas do Handebol, por partes ou de forma integral (gesto
completo), para a visualização do jogador;
• Percepção (observação) – conhecimento e capacidade para detectar os
principais erros cometidos durante a execução de técnicas, ação tática e
sistema de jogo, para corrigi-los. É a capacidade que o professor tem de
formar uma ideia, por meio da observação, e entender a atitude do aprendiz
durante a execução de uma técnica;
• Capacidade para corrigir os erros – Capacidade do técnico ou do professor
em criar situações momentâneas durante o treinamento para modifi car um
exercício ou a conduta do jogador. A correção dos erros poderá ser feita por
meio da demonstração prática ou de exercícios para tal fi m. Se o erro for
tático, deverá haver a paralisação e demonstrar o movimento correto.
162
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Atividade de Estudos:
1) Você viu os aspectos relacionados à preparação para o
Handebol. Para levar esta teoria para a prática, elabore, agora,
a partir do modelo abaixo, um treinamento para o handebol de
uma equipe com jogadores adultos, em seus aspectos físicos,
técnicos e táticos, no período competitivo. O quadro apresenta
uma sugestão para a segunda-feira e você deve preencher com
as suas sugestões de treinos para toda a semana:
CATEGORIA:___________________.
Prof._______________________
PERÍODO:_____/_____ a _____/_____.
MICROCICLO: ___________________
SEGUNDA TERÇA QUARTA QUINTA SEXTA SEXTA
OB
JE
TI
VO
Aperfeiço-
ar a forca
explosiva, os
fundamentos
de passe e
arremesso
e sistema
de ataque e
defesa
TE
CN
IC
O Fundamentos:
Passes e
Arremessos
(30min).
163
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
TA
TI
CO
Sistema de
Ataque e
Defesa:
Ataque 5-1
contra Defesa
5-1
Alternando
equipes de
ataque e
defesa
(50min)
FI
SI
CO
Aquecimento:
Corrida e mo-
vimentos For-
ça Explosiva:
Power Training
(50min).
TO
TA
L
2h e 10 min.
Voleibol
O voleibol, hoje, ocupa um lugar proeminente no cenário esportivo nacional
e internacional. Uma grande quantidade de participantes faz dele um dos
três esportes mais praticados em todo o mundo. O voleibol é um esporte com
características únicas. Diferente dos outros esportes apresentados neste caderno,
não é um esporte de invasão, mas sim de interação, com espaços separados e
participação alternada, conforme o Capítulo 1 deste caderno.
Os jogadores devem respeitar as posições e para cada posição são
necessárias uma postura e uma demanda técnica e física diferentes e que exigem
extrema habilidade. Durante um rali, os jogadores de ambas as equipes executam
ou estão preparados para executarem funções de ataque e defesa de acordo com
as posições dos jogadores, da velocidade da bola e da formação tática, tudo isso
dentro de um ambiente de mudanças constantes e rápidas. Isso transforma o jogo
em uma atividade de desafi os permanentes e únicos, uma vez que não existem
164
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
momentos de descontração ou relaxamento durante o rali, para jogadores de
ambas as equipes (MÜLLER, 2009).
O contato com a bola é feito de maneira breve e deve respeitar a regra,
fazendo com que o jogador execute os deslocamentos precisos antes de tocar a
bola. Estas e outras características do jogo deixam o voleibol como um esporte
atrativo e belo na sua plasticidade. As mesmas características e suas difi culdades
técnicas, contudo, transformam o ensino deste esporte em uma tarefa árdua e
paciente para seus treinadores (MÜLLER, 2009).
a) A preparação física no voleibol
Bompa (2005) descreve as características físicas do voleibol:
• Sistema de energia dominante: alático e aeróbico.
• Ergogênese: alático - 40%; lático – 10%; aeróbico – 50%
– Jogo rápido, com saltos para o bloqueio e cortadas potentes, agilidade
apurada com quedas e defesas com mergulho;
– Períodos de recuperação curtos, 9 segundos entre dois ralis, ou tempos
mais longos durante as pausas.
• Fatores limitantes de performance: potência de salto, força reativa,
resistência de força e agilidade.
• Objetivos de treinamento:
– Desenvolver a força máxima (QF Imprescindível (IM)) como base para
aumentar o salto e o poder de ataque e de bloqueio;
– Desenvolver a resistência de força para sustentar a potência de salto e
cortada (QF Imprescindível (IM)) durante todo o jogo;
– Desenvolver a agilidade, velocidade de reação (QF Imprescindível (IM))
e o tempo de movimento.
O voleibol é um esporte que exige capacidades físicas específi cas, com
intensidade de moderada a alta. Essencialmente, é um esporte de características
anaeróbicas aláticas, pelas condições Velocidade de Movimento, compreendendo
a rapidez de execução de uma contração muscular (Velocidade de braço em
um ataque). Mais especifi cadamente, o voleibol necessita de qualidades físicas
intervenientes, de características tanto de preparação neuromuscular como de
preparação cardiopulmonar, além de habilidades motoras imprescindíveis.
165
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
Para Dantas (1998), o voleibol exige essencialmente do jogador em seu
aspecto físico:
• Agilidade – Essencial em praticamente todos os fundamentos técnicos
exigidos, como um mergulho para efetuar uma defesa.
• Velocidade – Necessária em ambas as formas: Velocidade ou Tempo de
Reação compreende a resposta a um estímulo (Escolha de uma defesa acima
da cabeça após o desvio da bola no bloqueio) e a aterrissagem ideal (após o
salto de um bloqueio).
• Flexibilidade – Maior amplitude possível do movimento voluntário de uma
articulação ou articulações num determinado sentido (Amplitude da passada
de ataque).
• RML – Um exemplo comum da importância da RML para o voleibol, seria a
manutenção da mesma qualidade de salto ou de velocidade de braço do início
ao fi nal de um jogo longo e que o jogador execute estes gestos inúmeras
vezes com amesma propriedade física e qualidade técnica.
• Resistência Anaeróbica – Os ralis do voleibol possuem exatamente esta
característica anaeróbica. Alta intensidade física entre saltos e deslocamentos
em um tempo curto e que raramente ultrapassam a 40 segundos de duração.
• Resistência Aeróbica – A continuidade dos jogos em períodos de vários
minutos e até algumas horas são exemplos da necessidade e da importância
da boa capacidade aeróbica de um jogador de voleibol.
• Força Explosiva – Um jogador que executar um salto para um ataque feito de
forma rápida (velocidade) atingirá uma impulsão vertical (potência) maior do
que quando executar de forma lenta.
• Equilíbrio – Equilíbrio Dinâmico é aquele mantido durante o movimento (o
deslocamento da passada de ataque) e o Equilíbrio Recuperado é o que se
situa no ponto em que ocorre a transição entre o repouso e o movimento ou
vice-versa (observadas em um rali intenso e curto, com recuperação ativa
entre eles, e aeróbico, devido ao tempo médio de duração de uma partida ou
treinamentos, que podem variar de uma a quatro horas).
De acordo com Barbanti (1986 apud MÜLLER, 2009), o voleibol se caracteriza
por seu trabalho físico dinâmico de intensidade variável, em que ocorrem períodos
de atividade muscular signifi cante, alternando com períodos de relaxamento ativo.
166
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
O voleibol moderno deposita suas tendências na preparação física, baseada
na força muscular. A força explosiva unida com a resistência aeróbica e anaeróbica
são as qualidades físicas mais importantes para a prática desportiva (DANTAS,
2003). O jogador de voleibol deve fazer uso da musculação para desenvolver a
força, RML e a velocidade. Para otimizar o treinamento, a fl exibilidade deve ser
usada para enfatizar os movimentos de maneira lenta e estudada. A pliometria, ou
a execução de exercícios de forma explosiva, é importante no treinamento, pois
repete vários movimentos utilizados no voleibol (BERTUCCI, 1992 apud MULLER,
2009).
Assim, os métodos utilizados no desenvolvimento das capacidades físicas
dos jogadores de voleibol são desenvolvidos com a aplicação do power training,
pliometria ou circuito (RML e Força), e, principalmente, na musculação, na qual o
controle do volume e intensidade se torna mais preciso em corridas ou atividades
contínuas (resistência aeróbica) e no interval training (resistência anaeróbica).
Para a fl exibilidade, o método “3S”, e para o equilíbrio, pouco trabalhado, pode-
se executar sequências acrobáticas derivadas da ginástica artística, por exemplo.
Contudo, vários outros métodos são utilizados como ferramentas para a busca da
preparação física ideal dos jogadores.
Quadro 23 - Métodos a serem utilizados na preparação física do voleibol
QUALIDADES
FÍSICAS
PERÍODO PREPARATÓRIO
PERÍODO DE
COMPETIÇÃO
PERÍODO DE
TRANSIÇÃOFASE
BÁSICA
FASE
ESPECÍFICA
RML e
Força Dinâmica
Musculação Circuito Circuito Calestenia
Força Explosiva -
Power Training
ou musculação
ou circuito
Circuito -
Res. Aeróbica
Corrida
Contínua
Circuito - Cross Promenade
Res. Anaeróbica
Interval
Training
Interval Training
ou Circuito
Circuito -
Flexibilidade 3S 3S 3S Métodos Passivos
Fonte: Dantas (2003).
Um princípio importante é o de usar a própria característica do jogo para o
condicionamento físico dos atletas. Ao invés de percorrer um percurso longo em
167
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
uma corrida contínua, como padrão de desenvolvimento da capacidade aeróbica,
é aconselhável estimular seus atletas com uma simulação dos deslocamentos e
movimentações característicos do voleibol. Essa ideia pode motivar os atletas a
fazerem a tão importante e, ao mesmo tempo, sacrifi cante preparação física de
forma atraente e prazerosa.
a) A preparação técnica no voleibol
O controle da preparação técnica dos atletas constitui uma condição
importante do aperfeiçoamento da técnica. Há dois grupos de princípios:
quantitativos (volume da técnica, diversidade da técnica) e qualitativos (efi ciência,
economicidade, estética, estabilidade e outros) (ZAKHAROV, 1992 apud VILAS
BÔAS, 2008). Para Matsudaira, Toyoda e Saito (1972 apud VILAS BÔAS, 2008),
as técnicas podem ser subdivididas em:
• Técnicas: (domínio e perfeição);
• Técnicas fundamentais: toque de bola, levantada, cortada, bloqueio, defesa e
saque;
• Técnicas aplicadas (técnica em grupo):
a) formação inicial (posições)
b) formação para saque e recepção
c) formação para ataque e defesa
d) formação do ataque
e) formação para bloqueio e cobertura
• Compreensão e domínio das táticas;
• Partida sumulada para iniciar o jogo;
• Prática do jogo (aperfeiçoamento da técnica e da tática).
• Os Fundamentos do Voleibol (BARROS, 1993)
1. Saque - O saque ou serviço marca o início de uma disputa de pontos no
voleibol. Seu principal objetivo consiste em difi cultar a recepção de seu oponente,
controlando a aceleração e a trajetória da bola. No voleibol contemporâneo, foram
desenvolvidos muitos tipos diferentes de saques:
1.1. Saque por baixo - o jogador acerta a bola por baixo, no nível da cintura,
muito utilizado na iniciação;
1.2.Tipo Tênis - primeiro lança-a no ar para depois acertá-la acima do nível
do ombro;
168
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
1.3. Saque com efeito - denominado em inglês "spin serve", trata-se de um
saque em que a bola ganha velocidade ao longo da trajetória, ao invés de perdê-
la, graças a um efeito produzido dobrando-se o pulso no momento do contato.
1.4. Saque fl utuante ou Saque sem peso - saque em que a bola é tocada
apenas de leve no momento de contato, o que faz com que ela perca velocidade
repentinamente e sua trajetória se torne imprevisível.
1.5. Viagem - saque em que o jogador lança a bola, faz a aproximação
em passadas, como no momento do ataque, e acerta-a com força em direção à
quadra adversária.
2. Passe - Também chamado recepção, o passe é o primeiro contato com
a bola por parte do time que não está sacando e consiste em tentativa de evitar
que a bola toque a sua quadra, o que permite que o adversário marque um
ponto. O fundamento do passe envolve basicamente duas técnicas específi cas:
a "manchete", em que o jogador empurra a bola com a parte interna dos braços
estendidos, usualmente com as pernas fl exionadas e abaixo da linha da cintura;
e o "toque", em que a bola é manipulada com as pontas dos dedos acima da
cabeça.
3. Levantamento - O levantamento é normalmente o segundo contato de
um time com a bola. Seu principal objetivo consiste em posicioná-la de forma a
permitir uma ação ofensiva por parte da equipe, ou seja, um ataque. Pode ser
realizado de toque, de manchete, com uma das mãos, de costas, saltando, etc.
4. Ataque - O ataque é, em geral, o terceiro contato de um time com a bola.
O objetivo deste fundamento é fazer a bola aterrissar na quadra adversária,
conquistando, desse modo, o ponto em disputa. Para realizar o ataque, o jogador
dá uma série de passos contados ("passada"), salta e, então, projeta seu corpo
para a frente, transferindo, desse modo, sua força para a bola no momento do
contato. O voleibol contemporâneo envolve diversas técnicas individuais de
ataque:
4.1. Cortada: refere-se a um ataque em que a bola é acertada com força,
com o objetivo de fazê-la tocar o mais rápido possível na quadra adversária.
4.2. Largada: refere-se a um ataque em que jogador não acerta a bola com
força, mas antes toca-a levemente, procurando direcioná-la para uma região da
quadra adversária que não esteja bem coberta pela defesa.
4.3. Ataque sem força: o jogador acerta a bola, mas reduz a força e,
consequentemente, sua aceleração, numa tentativa de confundir a defesa
adversária.
169
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal,Handebol e Voleibol
5. Bloqueio - O bloqueio refere-se às ações executadas pelos jogadores que
ocupam a parte frontal da quadra (posições 2-3-4) e que têm por objetivo impedir
ou difi cultar o ataque da equipe adversária.
– Bloqueio também é classifi cado, de acordo com o número de jogadores
envolvidos, em "simples", "duplo" e "triplo".
5.1. Bloqueio ofensivo - quando os jogadores têm por objetivo interceptar
completamente o ataque, fazendo a bola permanecer na quadra adversária.
5.2. Boqueio defensivo - tem por objetivo apenas tocar a bola e, desse
modo, diminuir a sua velocidade, para que ela possa ser melhor defendida pelos
jogadores que se situam no fundo da quadra. Para a execução do bloqueio
defensivo, o jogador reduz o ângulo de penetração dos braços na quadra
adversária e procura manter as palmas das mãos voltadas em direção à sua
própria quadra.
6. Defesa - A defesa consiste em um conjunto de técnicas que têm por
objetivo evitar que a bola toque a quadra após o ataque adversário. Além da
manchete e do toque, algumas das ações específi cas que se aplicam a este
fundamento são:
6.1. Peixinho: o jogador atira-se no ar, como se estivesse mergulhando, para
interceptar uma bola.
6.2. Rolamento: o jogador rola lateralmente sobre o próprio corpo após ter
feito contato com a bola.
6.3. Machadinha/manchete invertida: o jogador acerta a bola com as duas
mãos fechadas sobre si mesmas, como numa oração. Esta técnica é empregada,
especialmente, para interceptar a trajetória de bolas que se encontram a uma
altura que não permite o emprego da manchete, mas para as quais o uso do toque
não é adequado, pois a velocidade é grande demais para a correta manipulação
com as pontas dos dedos.
6.4. Com os pés – defesa de recurso realizada com os pês, em situações
em que não há tempo de executar outra técnica.
170
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Atividade de Estudos:
Fundamentos X Ações de jogo
1) Como fi cou claro no texto acima, no voleibol existem os
fundamentos que se relacionam com as ações nas quais estes
são utilizados. Por exemplo, o peixinho está relacionado com a
defesa. Agora que você viu os fundamentos do voleibol, relacione-
os com as devidas ações de jogo:
Fundamentos Ações
a) A preparação tática do voleibol
Com a combinação entre as habilidades técnicas, físicas, táticas e
psicológicas o jogador terá a condição de “ver” e “ler” em uma percepção completa,
ilimitada e criativa as opções que o jogo proporciona. Ele/ela pode perceber e
antecipar situações específi cas. Pode atacar nos espaços da quadra; bloquear um
atacante habilidoso; defender bolas incríveis; conseguir “aces” com frequência ou
fazer um levantamento, deixando seus companheiros sem marcação de bloqueio
adversário. Todos estes exemplos só acontecem devido à avançada inteligência
tática dos jogadores.
No voleibol, para cada fundamento do jogo existem elementos táticos que
são perceptíveis e absolutamente treináveis. Em uma situação exemplo de saque,
o jogador taticamente preparado decidirá qual o tipo de saque que efetuará,
não apenas de acordo com a sua capacidade técnica, mas também pelas pistas
perceptíveis na equipe adversária.
Greco (1998 apud MÜLLER, 2009) sugere, no quadro a seguir, quais
elementos devem ser observados pelo treinador na aplicação do treinamento
tático de seus comandados e, posteriormente, percebidos pelo jogador dentro de
sua qualidade tática individual autônoma.
171
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
Quadro 24 - Elementos a serem observados na aplicação
do treinamento da tática individual no voleibol
FUNDAMENTO O QUE PERCEBER TOMADA DE DECISÃO
Saque
Armação de recepção adversária
Posição do levantador
Espaços vazios na quadra
Melhores e piores passadores
Jogadores que participam do
ataque
Placar (favorável ou não, Final
de set)
• Retorno do pedido de tempo
o Tipo de saque/local
o Variações:
1. Velocidade
2. Altura
3. Distância
4. Direção
5. Posição
Recepção
Posição do sacador
Características do sacador (posi-
ção do corpo e movimento do braço)
Direcionamento do passe de
acordo com a posição do levantador
de sua equipe
Tipo de jogada combinada pelo
levantador
• Tipo de saque executado (distância,
altura, velocidade e direção)
o Deslocamento de acordo com o
saque
o Técnica utilizada (manchete,
toque, com queda, etc.)
o Após o passe se preparar para
efetuar a cobertura.
Levantamento
Bloqueadores (posições, altura,
características, efi cácia)
Atacantes (posições e caracterís-
ticas)
Jogadas combinadas
Placar
• Tipo de passe recebido.
o Tipo de levantamento a ser
realizado
o Qual atacante acionar (seguran-
ça ou arriscar. A melhor opção de
ataque em relação ao pior bloqueio
adversário)
o Efetuar a cobertura após o levan-
tamento.
Ataque
Características dos bloqueadores
e posições
• Posição da defesa adversária e
suas virtudes e defi ciências
• Tipo de recepção efetuada
• Tipo de levantamento efetuado
(marcação com o levantador, altura
da bola, distância da rede)
• Quantidade de bloqueadores e
espaços no bloqueio
o Tipo de ataque a realizar (forte,
dirigido, largada)
o Direção (paralela, diagonal, curto
longo)
o Se não acionado, auxiliar na
cobertura de ataque.
172
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Bloqueio
Características dos atacantes
(tendências e pistas)
Opções de ataque de rede e de
fundo de quadra
Posição do levantador
Características do levantador
(tendências e pistas)
• Movimentação dos atacantes
(corrida de aproximação e posição
do corpo)
• Tipos de levantamentos efetuados
(altura e distância da bola)
o Participar ou não do bloqueio
o Momento do salto
o Tipo de bloqueio (ofensivo ou
defensivo)
o Composição (simples, duplo ou
triplo)
o Área a proteger (paralela ou
diagonal)
Defesa
Posição do levantador adversário
(características e tendências)
Posição dos atacantes adversá-
rios (características e tendências de
cada um deles)
Características dos bloqueadores
• Tipo de passe (distância da rede)
• Quais atacantes serão provavel-
mente acionados
• Tipo de levantamentos possíveis
• Tipo de ataque executado (forte,
meia força, largada)
o Posicionamento de acordo com o
levantamento executado
o Distância da bola da rede
o Deslocamento e posição do corpo
do atacante (movimento de braço)
o Se a bola vai dentro ou fora
o Se tocou ou não no bloqueio
o Deslocar-se ou não?
o Tipo de técnica a utilizar (defesa
alta, baixa ou com queda)
Legenda: - análise antecipada (ambiental). - análise
situacional, - tomada de decisão.
Fonte: Baseado em Greco (1998 apud MULLER, 2009).
Um exemplo de como utilizar o quadro seria: o atacante deve perceber o
posicionamento do bloqueio adversário para, então, tomar a melhor decisão: ele
irá atacar na diagonal quando o bloqueador estiver protegendo a paralela e vice-
versa. Ainda, o passador deve mover-se e antecipar o passe de acordo com o
movimento ou a velocidade de braço do sacador adversário. O defensor deve
colocar-se para a provável defesa, levando em consideração a posição do corpo
do atacante adversário, e, assim, sucessivamente.
A tática compreende vários aspectos de caráter individual e coletivo. Além
disso, cada tipo de ação envolve o entendimento do jogo, respeito às regras e
uma conduta ideal. No voleibol este complexo envolvimento de caráter tático está
determinado na fi gura abaixo:
173
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
Figura 23 - Componentes da Tática no Voleibol
Fonte: Baseado em Cordeiro (1997 apud MULLER, 2009).
BIZZOCCHI, Carlos. O Voleibol de Alto Nível: da Iniciação à
Competição. 4. ed. São Paulo: Manole, 2013.
d) Sugestão de modelo de treinamento para o Voleibol
A formação dos jovens voleibolistasno caminho para o alto rendimento
tem que respeitar as fases e etapas de desenvolvimento desportivo específi cas
para o voleibol, tornando-se imprescindível basear todo o trabalho num modelo-
exemplo, cientifi camente sustentado e exequível. Amado (2013) sugere 6
modelos, relacionados com etapas de desenvolvimento. Para o nosso propósito,
apresentaremos o modelo da etapa 5, relacionada a atletas de 17 – 19 Anos
(Masculino – Júnior) e 17 – 25 Anos (Feminino - Júnior e Sénior).
174
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Quadro 25 - Modelo de etapa de aperfeiçoamento no voleibol
Etapa de Aperfeiçoamento Desportivo – Estado de Consolidação Especializada
Idade /
Categoria
17 – 19 Anos (Masculino) / Júnior e 17 – 25 Anos (Feminino) / Júnior e Sénior
Material
Bolas; marcações móveis; apitos, material construído para o efeito e próprio
da modalidade, material de treino funcional
Objetivo
A etapa fi nal desse processo passa pela competência de converter um
adolescente capaz de performances elevadas em um atleta de elite, sendo
este o decurso mais complicado, mesmo que este decorra com atletas que já
alcançaram sucesso desportivo a alto nível internacional, na sua faixa etária.
Componentes
Física Técnica Tática Psicológica
Refi nar as
capacidades
físicas com
programas
individuais
de treino
Aperfeiçoamento
das ações técnico-
-táticas individuais
e coletivas.
Ensaios e repeti-
ções de jogadas
isoladas.
Exercícios
completos de
competição.
Aperfeiçoamento
das
ações táticas
individuais e
coletivas.
Exercícios de
competição (siste-
mas de ataque e
defesa).
Movimentações
táticas individuais
e coletivas.
Instigação durável
da vontade de
vencer.
Consolidação
psicológica à
competição
prolongada.
Progresso da
atitude face às
pressões, compe-
tições e objetivos
a desenvolver.
Fonte: Adaptado de Amado (2013).
Atividade de Estudos:
1) Você viu os aspectos relacionados à preparação para o
Voleibol. Para levar esta teoria para a prática, elabore, agora,
a partir do modelo abaixo, um treinamento para o voleibol de
uma equipe com jogadores adultos, em seus aspectos físicos,
técnicos e táticos, no período competitivo. O quadro apresenta
uma sugestão para a segunda-feira e você deve preencher com
as suas sugestões de treinos para toda a semana:
CATEGORIA:___________________.
Prof._______________________
175
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
PERÍODO:_____/_____ a _____/_____.
MICROCICLO: ___________________
SEGUNDA TERÇA QUARTA QUINTA SEXTA SEXTA
OB
JE
TI
VO
Aperfeiço-
ar a forca
explosiva, os
fundamentos
de bloqueio
e defesa e
sistema de
defesa
TE
CN
IC
O Fundamentos:
Bloqueio e
defesa
(40min).
TA
TI
CO
Sistema de
Bloqueio e
Defesa:
Bloqueio e
Defesa 5-1,
alternando
equipes de
ataque e
defesa
(55min)
FI
SI
CO
Aquecimento:
Alongamento
Força Explo-
siva: Circuito
(25min).
TO
TA
L
2h
176
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
Acesse os outros modelos de Amado (2013): Proposta de
modelo de formação desportiva em voleibol, disponível em:
<https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/25125/1/Proposta%20
de%20Mode lo%20de%20Forma%C3%A7%C3%A3o%20
Desportiva%20em%20Voleibol.pdf>.
OrientaçÕes Didáticas a Todas as
Modalidades Coletivas
Para auxiliar no desenvolvimento dos treinos, descrevemos aqui alguns
cuidados e dicas para que o resultado seja melhor na prática contínua. Outra
dica é você utilizar as defi nições dos outros capítulos para planejar seu trabalho
(GONZÁLEZ et al., 2014):
a) A verbalização dos conceitos táticos é uma ferramenta importante para
o desenvolvimento da compreensão dos jogos. Oportunizar ao atleta falar
sobre o que ele precisa fazer ou não em determinada situação deveria ser uma
preocupação constante do treinador. Oportunizar que os atletas tenham clareza
sobre os critérios de observação, daquilo que eles devem olhar no jogo.
b) Faça intervenções quando achar necessário, mesmo durante o jogo.
c) As equipes precisam estar equilibradas, com nível semelhante de
desempenho dos jogadores.
d) O tempo das atividades para cada exercício não deve ser extenso (por
uma questão básica e de motivação dos atletas). Recomendamos em torno de 8,
10 minutos.
e) Durante a conscientização tática, é necessária perspicácia para aproveitar
as respostas dos atletas, visando à sequência do diálogo. No surgimento de
respostas que não são as mais adequadas, é preciso valorizá-las, conduzindo os
atletas à refl exão para alcançar respostas corretas (GONZÁLEZ et al., 2014).
177
Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
A Preparação Psicológica Aplicada
aos Esportes Coletivos
Você pode estar pensando que o treinamento psicológico não é de sua
alçada, pois não tem conhecimento e formação para isso. Porém, o treinador está
presente no dia a dia da equipe. Ele conhece a equipe como ninguém e utiliza-se
de fatores de estímulo para um melhor resultado geral. Este trabalho de estímulo
é um exemplo de trabalho psicológico que devemos desenvolver em nossos
treinamentos, tanto para melhorar a parte física quanto técnica ou tática, pois,
como diz Bompa (2005, p. 48), “em qualquer treinamento existem componentes
psicológicos”.
Bompa (2005) traduz esse tipo de intervenção psicológica do treinador em
situações de jogo, em que vários fatores interferem no comportamento psicológico
antes, durante e depois das partidas, a saber:
a) Componentes das capacidades psicológicas em relação às
características do jogo e treinamentos
• Cognitivos: memória, atenção, pensamentos, imaginação, criatividade, etc.;
• Emocionais: ansiedade, reações espontâneas (linguagem utilizada, controle
ou falta de controle do nervosismo, exibicionismo, apatia), frustração,
exaltação depois do sucesso, etc.;
• Volitivos: agressividade, determinação, tendência a assumir riscos,
enfrentamento da fadiga e do estresse, perseverança, etc.;
• Relação psicossocial com os colegas de equipe: cooperação para atingir
os objetivos da equipe, etc.
b) Comportamento psicológico antes do jogo:
• Estado ótimo para atingir uma boa performance: autoconfi ança e confi ança
na capacidade dos colegas, desejo de jogar para vencer e cooperar com os
colegas;
• Estado ótimo antes do início do jogo: prontidão para o jogo, desejo de lutar,
autocontrole, força de vontade, determinação, autoconfi ança, disposição para
arriscar no jogo, etc.;
• Estado negativo: apatia, pânico, atitude de não-combate, medo pela derrota
ou por jogar mal, falta de confi ança em si ou na equipe, etc.
c) Comportamento psicológico durante o jogo
• Aqui, o treinador tem papel fundamental em como induzir os seus jogadores
178
Treinamento Aplicado aos Esportes Coletivos
a atuarem melhor e neutralizar as ações negativas. A equipe deve ser
preparada ao combate psicológico, em que fatores contribuem para que os
jogadores diminuam a sua confi ança e poder de lutar, além de métodos dos
quais os adversários irão utilizar e que vão desde torcida hostil, jogo violento,
arbitragem falha, insultos verbais e gestuais, até o comportamento indevido
do treinador adversário.
d) Comportamento psicológico depois do jogo
• Depois de uma derrota: perda da autoconfi ança, dúvidas sobre as decisões
táticas e técnicas do treinador e sua liderança, apatia, pânico, frustração,
sensação de cansaço contínuo, falta de motivação para treinar e jogar,
receio em relação ao próximo jogo, ansiedade, perda de apetite, insônia,
autoisolamento, dúvidas sobre vitórias futuras, etc.
• Depois de uma vitória: excesso de confi ança, exaltação, grande vontade
de treinar e jogar, otimismo, determinação para o sucesso contínuo,
alta motivação durante os treinos, camaradagem com os companheiros,
comportamento social e em treinos positivos,etc.
Atividade de Estudos:
1) Você percebeu que vários aspectos devem ser considerados
no planejamento e execução dos treinos e direção da equipe.
Portanto, chegou a hora de pensar:
a) Como você pretende construir e desenvolver seu trabalho?
b) Como você pode melhorar a sua equipe antes, durante e
depois das competições?
c) Como você pode melhorar a sua atuação como treinador antes,
durante e depois das competições?
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
____________________________________________________
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__________________________________________________
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Capítulo 4 Modelos de Organização e Treinamento das ModalidadesColetivas: Basquetebol, Futebol, Futsal, Handebol e Voleibol
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
Algumas Consideracoes
Este capítulo apresentou as competências dos jogadores dentro das
características de cada esporte coletivo em seus aspectos físicos, técnicos e
táticos. Apresentou, ainda, os aspectos psicológicos que podem ser aplicados a
qualquer esporte.
Novamente, algumas sugestões são apresentadas, mas devemos considerar
que existem muito mais a buscar nas bibliografi as específi cas e que este capítulo
apenas introduz e defi ne vários conceitos de cada esporte. Para aprimorar
a sua pratica e o seu desenvolvimento como treinador, sugerimos que utilize
estas considerações e busque novas possibilidades dentro das condições e
competências de seus atletas.
Lembramos, ainda, que a sua experiência e criatividade, além dos aspectos
humanos, deve estar presente na preparação de sua equipe e que os frutos serão
colhidos pelos mais competentes e determinados.
ReFerÊncias
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