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DJi - Direito (s)

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uma ação que o assegura (Art. 75 do CC-Antigo); ou,
ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei (Art.5º, II, da CF). 3.
Direito no sentido do justo: o operário tem direito de participar nos lucros da empresa. 4. Direito no
sentido de ciência: cabe ao Direito o estudo da posse e da propriedade.
 Portanto, as definições abaixo referem-se ao direito objetivo: "Sistema de normas de conduta que
coordenam e regulam as relações de convivência de uma comunidade humana, e que se caracterizam por
um poder de obrigatoriedade igualmente extensivo ao grupo e aos indivíduos que o formam" (Joaquim
Pimenta). "Conjunto de relações entre homens que a sociedade estabelece como necessárias" (Jaime
Guasp). "Vinculação bilateral imperativo-atributiva da conduta humana para a realização ordenada dos
valores de convivência" (Miguel Reale).
 Se, contudo, definirmos o direito como "A autorização da norma jurídica para o exercício de uma
pretensão", ou como "A possibilidade de agir tutelada pela lei", estaremos nos referindo ao direito
subjetivo.
 A palavra direito pode se referir, também, a direito público, ou direito privado. Conforme doutrina o
Prof. Caio Mário da Silva Pereira, embora o direito constitua uma unidade conceitual no plano filosófico,
uma unidade orgânica no plano científico e uma unidade teleológica no plano social, os princípios jurídicos
acham-se agrupados em duas categorias: direito público e direito privado.
 Em Roma, o direito público seria o direito do Estado romano; o direito privado seria o conjunto de
normas, disciplinadoras dos cidadãos (cives).
 Não podemos imaginar, contudo, o direito público e o direito privado como duas categorias estanques,
impermeáveis, estabelecendo-se uma separação total e absoluta entre as normas públicas e as normas
privadas. Na verdade, todas elas se intercomunicam freqüentemente. Enfim, direito público seria o direito
que rege as relações dos Estados entre si ou do Estado como tal e os particulares; direito privado seria o
direito destinado a regular as relações entre os indivíduos, como tais, entre os particulares.
 Quanto às relações entre o Direito e o Estado, surgem duas teorias principais: a) teoria dualística, pela
qual o Estado e o Direito são duas realidades distintas, não relacionadas, como dois mundos separados
que se ignoram mutuamente; b) teoria monística, que reduz o Estado e o Direito a uma só entidade, sendo
ambos unum et idem. Esta teoria se biparte em outras duas, conforme seja o Direito considerado criador
do Estado, como um prius deste, ou como criação do Estado, como um posterius deste.
 Um grande jurista italiano, Santi Romano, afirmou a existência de uma pluralidade de ordens jurídicas,
de um pluralismo jurídico. O Direito, diz Santi Romano, deve ser considerado não como um produto
exclusivamente estatal, mas como um fenômeno verificável em todas as organizações sociais, as quais,
como o próprio Estado, são verdadeiros centros de produção de normas, mesmo porque ubi societas ibi
jus (onde houver sociedade haverá direito). Para Santi Romano, portanto, onde houver qualquer
sociedade haverá, sempre, direito. Qualquer instituição, diz ele, qualquer organização estável e
individuada tem o seu ordenamento jurídico próprio e, portanto, assim como ao lado do Estado existe
uma pluralidade de outras instituições mais amplas ou mais restritas, assim também ao lado do direito
positivo ou estatal se encontram o Direito Canônico ou Eclesiástico, os estatutos da Máfia ou de qualquer
outro bando organizado fora da lei. Então, prossegue Santi Romano, não só o Estado, mas qualquer
grupo social, é fonte de direito, e se o direito estatal é direito, nem por isso o direito deve ser sempre e
necessariamente estatal. Poder-se-ia acrescentar à tese de Santi Romano que o Estado somente aparece
depois de um lento processo evolutivo, ao passo que formas primitivas do Direito já regulavam a
sociedade primitiva. O Estado surgiria tão-somente para servir e manter o Direito, portanto é o Direito
que atribui e limita ao Estado seu poder de império. Depreende-se, da teoria de Santi Romano, que
podem coexistir várias ordens jurídicas: uma estatal, uma infra-estatal (sociedades civis e comerciais),
uma supra-estatal (ONU, OEA) e uma paraestatal (indiferente ou contrária ao Estado).
 Enfim, para a corrente pluralista, o Estado cria uma espécie de direito, o direito positivo, que,
entretanto, não abrange a integralidade das manifestações jurídicas. Não há, diz Santi Romano, "um único
direito positivo, mas uma pluralidade de ordenações, cada qual correspondente a uma instituição" (Curso
de Direito Constitucional, p. 3). O Estado cria o seu direito, mas não cria todo o direito, e nem sequer é
ponto de referência para a avaliação da juridicidade das ordenações dos outros grupos sociais, assim o
Prof. Goffredo Telles Jr. sintetiza o pensamento pluralista (A Criação do Direito, São Paulo, 1953, p.
513).
Contra a doutrina de Romano se posiciona a teoria monística, esposada, entre outros, por Hans Kelsen e
Alessandro Groppali.
 Hans Kelsen, um dos grandes juristas do século XX, autor da obra clássica intitulada Teoria Pura do
Direito, afirma, desde logo, que Direito e Estado se confundem. O estudo do Direito e do Estado deve
ser depurado, purificado - daí o título de sua obra - de toda contaminação emocional, ideológica,
metafísica, sociológica ou política. Ora, um conhecimento ideologicamente livre, portanto desembaraçado
de toda metafísica, não pode reconhecer a essência do Estado a não ser como uma ordem coercitiva de
normas. Ora, se o Estado é um sistema normativo, não pode ser outra coisa que a própria ordem jurídica
positiva (imposta), já é impossível admitir a validade simultânea de várias ordens normativas igualmente
coercitivas. O Estado vem a ser, com efeito, a personalização da ordem jurídica.
 Poderíamos complementar tal pensamento deduzindo o seguinte: a) O Direito da sociedade arcaica,
diluído no costume, se achava tão distante das formas claras, distintas e acabadas do Direito atual, como
sua organização estava longe do Estado moderno. b) O Direito é elaborado seguindo um roteiro traçado
pelo Estado, ou, pelo menos, reconhecido por este (processo de elaboração das leis e processo judicial).
Então, fora do Estado não pode haver Direito. c) A coercibilidade do Direito depende da atuação do
Estado e, portanto, a atuação do Direito depende do Estado. d) A formação originária do Direito nos
tratados confederativos e na revolução triunfante, tem por base os Estados em que se impôs um novo
regime político. Logo, tais fenômenos jurídicos supõem a existência do Estado.
 Também para Alessandro Groppali, fora do Estado não pode haver Direito. As normas que qualquer
outra sociedade expedir para sua própria organização e funcionamento são normas de caráter meramente
social, e somente se tornam jurídicas quando reconhecidas pelo Estado ou admitidas na ordem jurídica
estatal. Os grupos sociais menores que existem no Estado, diz Groppalli, podem ser regulados por um
sistema próprio de normas, mas estas somente serão consideradas como ordens jurídicas válidas apenas
no âmbito interno, pois, consideradas do lado de fora, isto é, do ponto de vista da ordem estatal, ficam
imediatamente privadas de autonomia, pois, se forem contrárias à ordem jurídica estatal, serão eliminadas.
Mesmo uma quadrilha bem organizada, denominada societas sceleris, pode apresentar uma hierarquia
com especificação de "direitos" e "deveres", e suas normas podem, até, ser análogas a normas do Estado,
mas nunca serão idênticas, pois não são verdadeiras; autênticas normas jurídicas, pelo contrário, são o
contrário disso. Seus membros agem em aberto contraste com a ordem jurídica que tutela um
determinado conjunto de valores sociais.
 Aliás, prossegue Groppali, somente tendo como referência o direito estatal é que podemos qualificar
como ajurídicas, antijurídicas ou jurídicas as várias