Prévia do material em texto
A psoríase é uma dermatose pápulo-escamosa crônica de etiologia não completamente esclarecida. Consiste em placas avermelhadas com base eritematosa, por vezes pruriginosas, localizadas ou generalizadas. Incidência: 1 a 2% da população de todas as idades e de todos os grupos raciais. Etiologia e patogênese ➔ Predisposição genética evidente: relação com HLA-C. Doença mediada por linfócitos T CD4 ➔ Fator inicial provavelmente relacionado a superantígenos (toxinas de origem microbiana) que levariam à ativação de linfócitos T e de suas citocinas Placas eritematosas com distribuição simétrica. Localização: cotovelo, joelho, dorso, glande e couro cabeludo. Associação com artrites, distrofias ungueais e alopecia. Lesão: placas róseas bem delimitadas cobertas por escamas prateadas ou esbranquiçadas. Nesse caso, temos uma psoríase clássica, também chamada de “gutata”. A lesão mais comum é a forma gutata, que são placas isoladas. Mas também podemos ter variantes, com quadros morfológicos diferentes e com maior mortalidade. Por exemplo, temos a psoríase pustulosa (imagem ao lado), que forma pústulas, ou seja, lesões com secreção de pus. Temos também a psoríase eritrodérmica, que é uma vermelhidão difusa. Microscopia ➔ Acantose regular (espessamento da camada espinhosa) ➔ Paraceratose ➔ Microabcesso de Munro ➔ Ausência da granulosa ➔ Atrofia suprapapilar ➔ Vasos dilatados na derme superior Na imagem ao lado, vemos acúmulo de neutrófilos na camada córnea = microabcesso de Munro Ao lado, vemos a acantose regular – conseguimos traçar uma linha reta na base de todas as criptas. Entre as criptas, temos a derme papilar, onde podemos ver capilares sanguíneos proliferados e congestos. A epiderme possui poucas camadas de células, mostrando uma atrofia suprapapilar. O líquen plano é uma dermatose inflamatória de causa desconhecida. Trata-se de uma doença relativamente comum, que afeta igualmente ambos os sexos. Localização: superfícies flexoras e genitália. Acometimento da glande por placas esbranquiçadas. Em maior detalhe, vemos as placas esbranquiçadas, por vezes confluentes. Na figura não está bem evidente, mas há uma coloração esverdeada, ardosiada. No líquen plano, pode haver acometimento da pele e da mucosa oral. Na mucosa oral, normalmente, há lesões crônicas; vemos placas e pápulas poligonais, bem definidas, eritematosas com rendilhado esbranquiçado; podem evoluir para a formação de aftas. Também há o envolvimento de unhas (distrofia ungueal). Microscopia ➔ Aspecto microscópico bem específico que nos permite fazer um diagnóstico preciso ➔ Acantose irregular ➔ Hiperceratose sem paraceratose ➔ Hipergranulosa (espessamento da camada granulosa) ➔ Infiltrado linfocitário em faixa agredindo a junção dermoepidermica ➔ Corpos apoptóticos de Civatt Na figura, notamos a epiderme espessada, porém de forma irregular. Vemos a camada granulosa espessada, com várias camadas de células. Na derme papilar, vemos o infiltrado linfocitário (junção dermoepidermica). Também podemos ver alguns queratinócitos em degeneração (corpos de Civatt) O lúpus eritematoso discoide é uma dermatose crônica de etiologia autoimune. É mais comum em mulheres e no início da vida adulta. Com certa frequência, pode ser desencadeado pela gravidez. Localização: face e áreas expostas ao sol. Na fase aguda, as lesões se apresentam de forma mais eritematosa e descamativa. Elas evoluem para cicatrização, tendo aspecto atrófico, mais esbranquiçado e com borda hiperpigmentada. Nessa figura, podemos observar as lesões com maior detalhe. Lesões eritematosas em forma de máculas ou placas, discretamente infiltradas; atrofia cutânea (cicatriz); hiperpigmentação residual. Na face, acometem o nariz e regiões malares = lesão em asa de borboleta. Microscopia ➔ Microscopia bastante específica, que ajuda muito no diagnóstico ➔ Degeneração vacuolar da basal ➔ Atrofia da epiderme ➔ Hiperceratose ➔ Infiltrado linfocitário perianexial e perivascular Epiderme retificada, com poucas camadas de células = epiderme atrófica; possui só uma camada córnea mais espessada. Na camada basal, vemos vacúolos = degeneração vacuolar da camada basal. Além disso, há tampões córneos dilatando os infundíbulos foliculares. Também vemos infiltrado predominantemente linfocitário perianexial e perivascular – agride folículos pilosos e glândulas sebáceas. Há perda de pelos nas áreas de lesão. Doenças Vesicobolhosas Importante grupo de doenças que se iniciam de forma aguda e depois seguem um curso crônico na maioria das vezes. Podem ter vários agentes etiológicos e vários mecanismos de formação das vesículas e bolhas. Para o diagnóstico correto das doenças bolhosas, é necessário realizar a biópsia para estudo microscópico. Na microscopia, as bolhas são de 3 tipos: Esquema da epiderme, mostrando uma fenda acima da camada basal. No teto da bolha, há as camadas espinhosa e córnea. Na base da bolha, há a camada basal. Portanto, trata- se de uma bolha suprabasal. Nessa outra figura, observamos que toda epiderme se destaca. As papilas dérmicas ficam desnudas. Portanto, é uma bolha subepidérmica. Nessa outra figura, a fenda (bolha) se localiza em uma posição alta da epiderme → bolha subcórnea. Além da posição da bolha, há outros mecanismos de formação de bolhas que devemos saber: • Bolhas acantolíticas – quando há perda de desmossomos • Bolhas espongióticas – edema intraepitelial É o tipo mais comum de pênfigo. Envolve as mucosas e a pele (couro cabeludo, face, axilas, tronco), sendo mais comum em idosos. Em 100% dos casos, há envolvimento da mucosa oral. Podemos ver lesões bolhosas, com uma base bastante eritematosa. Às vezes, formam-se pequenas pápulas, que podem evoluir para lesões maiores. Normalmente, essas lesões se ulceram, criando uma crosta. Normalmente, as bolhas se iniciam grandes e flácidas. Depois elas se arrebentam e formam o aspecto mais eritematoso. Patogênese: no pênfigo vulgar, há defeitos nos desmossomos, estando relacionado à perda das pontes intercelulares. Também está relacionado à IgG e a uma proteína chamada desmoglein- 3, que leva à perda dos desmossomos. Microscopia ➔ Bolha acantolítica suprabasal (defeito nos desmossomos e acima da camada basal) ➔ Infiltrado linfocitário e eosinofílico perivascular ➔ Imunofluorescência direta: depósitos de IgG e C3 Vemos uma fenda/espaço, que, normalmente, contém plasma, acima da camada basal. Esse pênfigo é uma forma mais benigna e que, normalmente, acomete adultos jovens. São bolhas flácidas, frágeis e erosões; localizadas no tronco, nas dobras e nas extremidades proximais. Lesões eritematosas, ulceradas – muitas das bolhas se romperam, formando uma crosta. Aspecto descamativo. Microscopia ➔ Bolha acantolítica subcórnea (localização alta na epiderme) ➔ Espongiose eosinofílica ➔ Imunofluorescência direta: IgG e C3 Logo abaixo da camada córnea, há um espaço preenchido por restos celulares, células inflamatórias e plasma = espaço da bolha. Possui um melhor prognóstico que o pênfigo vulgar, onde a bolha é mais profunda. Doença vesicobolhosa de etiologia autoimune, caracterizada por bolhas tensas com fluido claro. Localização: face interna das coxas, antebraço, axila, virilha e abdome inferior. Geralmente, afeta indivíduos idosos. Podemos ver bolhas tensas contendo um líquido claro, às vezes, sobre uma base eritematosa. Patogênese: anticorpos dirigidos contra proteínas da junção dermoepidermica (lâmina lúcida da membrana basal). A bolha é subepidérmica. Microscopia ➔ Bolha infraepidérmica ➔ Derme desnuda ➔ Infiltrado inflamatório eosinofílico perivascular e intersticial na derme➔ Eosinófilos no interior da bolha Na figura, vemos a derme desnuda; presença de eosinófilos (núcleo bilobado).