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Direito Internacional Privado - Resumo

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dão via Protocolo de Las Leñas, por carta rogatória (como a carta rogatória já vem de uma autoridade, prescinde da consularização);
- Auxílio direito:
- conceito: modalidade de cooperação exercida através de uma autoridade central nacional apta a atender a demanda interna → no Brasil em regra o DNRCI, vinculado ao MJ; basicamente a autoridade ou interessado estrangeiro, encaminho esse pedido de auxílio direto, e o DNRCI faz a análise dos fatos e provas e encaminha para o legitimado para propor a ação judicial, que no caso do Brasil é o AGU para matérias civis e o MPF para matéria penal; no caso Sean uma peculiaridade foi o pedido de auxílio direto (no caso o pai);
- Cooperação administrativa: § 7ª da Resolução 9 do STJ;
- na cooperação administrativa não há, basicamente, necessidade de atuação do poder judiciário → o DNRCI encaminha diretamente para o MJ para tomar as providências; 
- Homologação de sentença estrangeira:
- conceito: instrumento destinado a dar eficácia em um Estado à sentença proferida por outro Estado; 
- toda e qualquer sentença estrangeira pode ser homologada no Brasil, salvo quando tratar-se de qualquer das hipóteses previstas no art. 89 do CPC, que é competência exclusiva; 
- competência: após a EC 45/04 é do STJ – Art. 105, i da CF;
- natureza jurídica: de ação → sentença constitutiva; uma vez homologada é expedida carta de sentença para a JF do local da execução;
- a parte interessada é que entra com o pedido de homologação; 
- Sistema ou juízo de delibação:
- sistema processual de contenciosidade limitada, no qual o STJ analisa o preenchimento dos requisitos formais (Art. 5º e 6º da Resolução 9) e se aquele ato ofende ordem pública, soberania e bons costumes → não há análise do mérito da decisão: apenas um juízo de delibação; 
- Exemplo: durante muito tempo não era concedido exequatur de citação para dívida de jogo em estado estrangeiro (o que não é admitido no Brasil), o que ofende a ordem pública, mas hoje isso mudou: se a dívida foi contraída lá licitamente, ao Brasil não cabe não conceder a citação; 
- pressupostos de homologabilidade (art.s 5º e 6º da Res) – requisitos formais:
1. tem que ter sido proferida ou prolatada por autoridade competente; 
2. no estrangeiro ter ocorrido a citação válida do réu ou ter verificado legalmente a revelia; 
3. trânsito em julgado daquela sentença estrangeira – Súm. 420 do STJ (prova do trânsito);
4. consularização e tradução (tradutor público juramentado) dessa decisão; 
- Procedimento:
1. a parte interessada entra com o pedido de homologação, e aí preenche todos os requisitos do CPC de uma petição inicial, além desses da resolução; é distribuída ao ministro presidente (competência), que possibilita a emenda, se vício sanável (por exemplo comprovação do trânsito); 
2. intimação da parte, para se querendo contestar no prazo de 15 dias; 
3. devidamente intimado e localizado e oferecida a contestação, o MPF, custos legis, opina no prazo de 10 dias → é distribuída a um ministro relator e julgada pela corte especial; 
- se a outra parte não for localizado há nomeação de um curador especial; opina o MPF em 10 dias e decide-se monocraticamente (Ministro Presidente), cabendo agravo regimental à corte; 
- Observações:
- todas as sentenças estrangeiras precisam de homologação do STJ: art. 483 do CPC; a homologação pode ser parcial: SE 4333 STF → pedido de homologação de divórcio: como na guarda dos filhos as partes já tinham ajuizado ação no Brasil;
- conteúdo econômico: tem-se que atribuir um valor à causa, como no Brasil → caso da homologação de um laudo arbitral de dois milhões cujo valor era de dez mil, a parte impugnou mas o STJ manteve o procedimento; 
31/10/11
- Obrigações no DIPRI
- Art. 9º da LNDB – trata de obrigações, que derivam do contrato e da lei (ex lege, extracontratuais);
- embora a boa fé do art. 422 do CC se aplique à fase pré e pós contratual, a fase pré não é contratual, o que existe são tratativas, negociações, o que não impede que algumas normas pertinentes ao contrato se aplique ao contrato; se fulano resolver ajuizar uma ação por má fé de beltrano na consecução do contrato, a lei pode ser uma ou outra, mas não existindo contrato formal será classificada como extracontratual, e o Art. 9º não distingue as obrigações, abrangendo tanto as obrigações do contrato quanto as extracontratuais; 
- o código civil francês define como contrato internacional o contrato que ponha em jogo questões/negócios do direito internacional → é uma definição muito abrangente; classicamente a definição de contrato internacional é definido pelo fato de as partes terem domicilio em países diversos, ou ser celebrado em um país estrangeiro em relação ao domicilio das partes ou ter a sua prestação a ser cumprida num país estrangeiro;
- enquanto o contrato interno nasce e se extingue sob o império de uma mesma lei, o contrato internacional se liga a mais de uma mesma lei, daí que precisamos de uma lei que diga qual a lei aplicável àquela relação jurídica;
- nos contratos nacionais normalmente as partes sujeitam-se a um mesmo grupo de regras e ou práticas comerciais, ou condutas derivadas de uma cultura; já nos contratos internacionais há conflitos culturais, como uma negociação entre árabes e outros, pois o direito islâmico proíbe juros de mora; 
- os problemas dos contratos internacionais podem ser processuais (problemas em virtude da lei e da vontade das partes, citação da parte contrária) e todas essas matérias são reguladas pela lei do foro (do juiz) e também há questão da arbitragem internacional eleita pelas partes; 
- se de um lado na maior parte dos países vigora a autonomia da vontade das partes, podendo estipular o conteúdo e a lei aplicável, aquelas normas que o estado reputa-se aplicável aplicam-se independentemente da vontade das partes; exemplo, em matéria de representação comercial ou agência o código civil de 2002 trouxe uma regulação para o contrato de agência, mas não revogou expressamente uma lei voltada para representação comercial editada em 1965, que estabelece o pagamento de um nº de meses do contrato ao representante que tenha o contrato rompido sem justa causa; há quem entenda que essa norma é imperativa, não adiantando no contrato de representação comercial se A contratasse B como representante comercial exclusivo no Brasil e os dois não poderiam afastar as normas relativas ao contrato por que são normas imperativas, ainda que elegessem a lei de Nova Iorque para reger todas as obrigações do contratos, ou seja, não afastaria a lei brasileira naquilo que rege sobre os contratos → exemplo: contrato de barriga de aluguel: no exterior pode ser oneroso, aqui no Brasil não; 
- outro assunto importante é a fragmentação do contrato: se falarmos de capacidade para contratar → Z tem 15 anos e vai contratar com Y: alguém poderia entrar como uma anulação por incapacidade: o art. 9º fala dos contratos, mas se a discussão for sobre capacidade, a disposição vai ser buscada no domicílio da pessoa, conforme o Art. 7º da LNDB = para um contrato podemos ter várias leis aplicáveis, dependendo do assunto;
- é comum também, mesmo em contratos de longa duração (ninguém tem “bola de cristal” para estipular todas as questões, existirão necessariamente lacunas, que serão estipuladas por normas externas ao contrato → índices, preço de bolsa etc e para além disso também há normas de renegociação de contrato, quando algum fato superveniente determine o desequilíbrio e a honerosidade excessiva (regras que regulam a onerosidade excessiva e a teoria da imprevisão reequilíbrio contratual);
- a 1ª lei de contratos internacionais foi a Lex Loci Contractus: Bartolo di Sassoferato → Escola dos Glosadores, século XIII = lei do lugar do contrato; a matéria não é pacífica na doutrina, mas também não é decidida na jurisprudência, até porque ela é tímida em afirmar a autonomia da vontade na eleição do direito; a única maneira de garantir que a lei eleita seja aplicada é a arbitragem = se se escolhe a arbitragem as partes podem livremente escolher as