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Perda da posse e Propriedade

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Já no direito brasileiro, o registro no RGI causa sim presunção de propriedade, porém essa presunção é relativa – o registro pode ser anulado ou desconstituído.
São princípios que norteiam o registro: 1) a fé pública (o registro dá a presunção relativa de propriedade); 2) obrigatoriedade (é obrigatório o registro do título – antes do registro, o alienante permanece sendo proprietário, conforme o artigo 1.245); 3) a continuidade (o registro deve ser contínuo: para registrar um título, deve-se sempre ter aquele que o antecedeu – a certidão de ônus reais do imóvel relata essa continuidade).
O RGI só registrará o título caso a continuidade seja devidamente observada. Isso faz com que surjam, na prática, várias exigências – a qualificação, como estado civil que mudou de casado para divorciado, por exemplo, pode gerar exigência. Um nome escrito errado ou um número de CPF errado também gera exigências. A divisão do imóvel (desmembramento) também deve ser registrado no RGI. Também pode ocorrer o remembramento (ocorre quando dois imóveis antes separados passam a ser um só). 
Antes da transcrição no registro de imóveis ocorre a prenotação, que se trata unicamente do protocolo do título. A prenotação é importante porque revela quem tentou registrar primeiro o título, no caso de dois ou mais títulos relacionados ao mesmo imóvel. O artigo 1.246 fala dos efeitos da prenotação. 
Pode ocorrer o caso em que o oficial de registro de imóvel fica com dúvida quanto ao registro ou não de determinado título. Nesse caso, ele deve entrar (enquanto oficial de registro) com um processo de dúvida. Isso ocorre em casos em que se suspeita, por exemplo, de fraude. A dúvida, nesse caso, pode ser julgada procedente ou improcedente pelo juiz. 
O artigo 1.247 fala da ação judicial que visa anular o registro. No caso de uma escritura falsa, por exemplo, o interessado pode pleitear a anulação. Diante da anulação de um registro, todos os registros posteriores a ele irão cair. Até o Código de 2002, protegia-se o terceiro adquirente de boa fé (por exemplo, aquele que compra o imóvel de alguém que o obteve por meio de uma escritura falsa). Assim, a anulação de registro não surtiria efeito sobre os terceiros adquirentes de boa fé. Por outro lado, existe também o interesse daquele que foi vítima da falsificação originalmente. No sistema do Código anterior, o adquirente de boa fé era protegido. Já pelo parágrafo único do artigo 1.247, temos que o atual Código Civil poderá reivindicar o imóvel independentemente da boa fé – o direito de sequela poderá ser exercido inclusive contra terceiros adquirentes de boa fé. 
Por outro lado, apesar dessa evidente proteção ao proprietário, o Código também fez surgir uma modalidade de usucapião com prazo reduzido (de 5 anos caso o possuidor de boa fé tenha adquirido o imóvel fundado no registro e nele estabeleceu sua moradia). Devemos lembrar que o tempo de posse pode ser somado com o de seu antecessor, que também estava de boa fé, para que se gere a usucapião (caso aquele que falsificou o título tenha vendido para alguém de boa fé e esse alguém tenha vendido para outro terceiro de boa fé).