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Aula 8

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Aula 8: Atenção
Introdução
Apesar de pouco pensar sobre nosso estado de atenção, certamente você já se viu em alguma discussão sobre hiperatividade, seja falando de uma criança conhecida ou observando o comportamento agitado de alguém.
Geralmente tendemos a ver como um problema infantil, no entanto, muitos adultos convivem com essa realidade. Nesta aula vamos definir atenção, conhecer os processos ditos explícitos e implícitos e encerraremos analisando o déficit de atenção e a hiperatividade.
Lembra-se do filme Matrix? Aquela cena em que uma mulher de vermelho aparece e “rouba” a cena, selecionando a atenção para ela? Pois é... Não precisamos ser tão cinematográficos, exemplos cotidianos nos comprovam essa seletividade de nossa atenção o tempo todo. Faça um teste:
1) Pergunte a uma adolescente o que ela mais vê ao passear em um shopping. Sapatos, roupas e garotos devem estar na lista principal.
2) Pergunte a uma mulher que está tentando engravidar o que ela mais vê em um shopping. Certamente ela vê muitas grávidas e pais com seus filhos em carrinhos, colo, slings...
3) Pergunte o mesmo a uma avó e terá um pouco de tudo, além de avós com seus netos.
4) Um homem adulto verá principalmente as mulheres atraentes (pode ser que ele tenha dificuldade de admitir isso, explique que é uma investigação científica e que você precisa de uma resposta precisa) e, caso esteja procurando algo para comprar, focará nas lojas específicas.
Nossa atenção é selecionada por nosso cérebro, que pode pré-programar o sistema para procurar alvos que atendam nossos desejos.
Atenção:
A atenção está diretamente relacionada com a seletividade do processamento de informações, podendo estar correlacionada, por exemplo, com uma dada posição no espaço ou a uma característica física do ambiente: uma cor, som, odor, textura ou objeto interessante. 
Isso ocorre porque nós conseguimos sensibilizar áreas específicas de nosso cérebro que executam essa tarefa e acabam inibindo ou reduzindo a tarefa das demais. Esse processo é conhecido por atenção sensorial ou percepção seletiva. 
As neurociências têm obtido resultados interessantes em suas pesquisas, principalmente com a atenção visual.
Analise a seguinte situação:  
Você está esperando um amigo que chegará no metrô usando uma camisa vermelha e vê  que uma jovem está paquerando um rapaz também de camisa vermelha. Será que vocês dois utilizam o mesmo processo de atenção?
A resposta da pergunta é claramente não, pois, para paquerar o jovem é necessária a atenção explícita, já para procurar seu amigo você precisa é da atenção implícita.
Tipos de Atenção
Atenção Explícita
Aberta: você sabe exatamente o que está requisitando sua atenção.
 Automática: independe de sua escolha. O objeto de desejo atrai sua atenção.
O foco da atenção coincide com a fixação visual e com os movimentos oculares, no centro da fóvea.
Atenção Implícita
Oculta: você busca algo que sabe o que é, mas não está com o objeto de desejo focado. Voluntária: você direciona seu olhar para pontos específicos, por exemplo, na multidão, para procurar objetos vermelhos e com o formato de um boné.
A atenção está direcionada a buscar pelo objeto de desejo, não há fixação no centro da fóvea e, sim, em sua periferia ou no próprio campo visual. 
Atenção implícita
A figura abaixo é uma adaptação do modelo descritivo de Postner sobre a atenção implícita e pode nos ajudar a entender como ela funciona.
Considerando a etapa 1, em nosso exemplo, teríamos um objeto vermelho (um gorro de bebê, por exemplo) chamando nossa atenção, enquanto procuramos nosso amigo, logo percebemos que não é ele e continuamos nossa busca (2), encontramos outro objeto, desta vez um boné (3), será que é o amigo? (4). Ficaremos neste ciclo até encontrá-lo. 
Atenção
Podemos concluir que as vias da atenção estão diretamente relacionadas com a seleção de aspectos do cenário em que estamos inseridos. Essa sequência de eventos pode ser observada na ilustração a seguir. 
Note que os estímulos do ambiente externo desencadeiam reações primárias, que são traduzidas como nosso registro sensorial de um estímulo; Esse evento levará a reações secundárias, quando identificado (análise perceptual) e, posteriormente, reações terciárias revelarão o seu significado para nós, de acordo com a experiência de cada um (codificação e análise do significado).
O registro e identificação determinam a seleção precoce de nossa atenção.
A identificação e significado levarão a uma seleção tardia. Da integração das seleções precoce e tardia construiremos nosso comportamento adequado a cada situação, considerando nossas experiências particulares, nossa habilidade cognitiva e envolvimento emocional. 
Déficit de atenção / Hiperatividade
Observe os cinco critérios principais que são considerados para a caracterização do TDAH:
1) É um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade, mais frequente e severo do que aquele tipicamente observado em indivíduos em nível equivalente de desenvolvimento. 
2) Alguns sintomas hiperativo-impulsivos que causam prejuízo devem ter estado presentes antes dos 7 anos, mas muitos indivíduos são diagnosticados depois, após a presença dos sintomas por alguns anos.
 3) Algum prejuízo devido aos sintomas deve estar presente em pelo menos dois contextos (por ex., em casa e na escola ou trabalho). 
4) Deve haver claras evidências de interferência no funcionamento social, acadêmico ou ocupacional apropriado em termos evolutivos. 
5) A perturbação não deve ocorrer exclusivamente durante o curso de um transtorno invasivo do desenvolvimento, esquizofrenia ou outro transtorno psicótico e não é melhor explicada por um outro transtorno mental.
Subtipos, curso e padrão familial:
A maior parte dos TDAH possui sinais de desatenção e de hiperatividade combinados, já em alguns portadores, ocorre apenas um ou outro.
Para o diagnóstico da condição atual de um indivíduo devem ser considerados os sintomas nos últimos seis meses. Ou seja, quando se está diagnosticando um pré-adolescente por exemplo, vale apenas seu comportamento nos últimos seis meses, ainda que as informações de suas atitudes desde bebê sejam relevantes para o fechamento do diagnóstico.
Caracterização :
1)TDAH, Tipo Combinado.
Este subtipo deve ser usado se :
• Seis (ou mais) sintomas de desatenção e seis (ou mais) sintomas de hiperatividade-impulsividade persistirem há pelo menos seis meses.
A maioria das crianças e adolescentes com o transtorno tem o Tipo Combinado. Não se sabe se o mesmo vale para adultos.
2) TDAH, Tipo Predominantemente Desatento
Este subtipo deve ser usado se:
• Seis (ou mais) sintomas de desatenção e menos de seis sintomas de hiperatividade-impulsividade persistirem há pelo menos seis meses.
3) TDAH, Tipo Predominantemente Hiperativo-Impulsivo.
Este subtipo deve ser usado se:
Seis (ou mais) sintomas de hiperatividade-impulsividade (mas menos de seis sintomas de desatenção) persistirem há pelo menos seis meses. A desatenção pode, com frequência, ser um aspecto clínico significativo nesses casos. O transtorno é muito mais frequente no sexo masculino, com as razões masculino-feminino sendo de 4:1 a 9:1, dependendo do contexto (isto é, população geral ou clínicas). A maioria dos pais observa pela primeira vez o excesso de atividade motora quando as crianças ainda estão engatinhando, frequentemente coincidindo com o desenvolvimento da locomoção independente. Entretanto, uma vez que muitos bebês hiperativos não desenvolvem o TDAH, deve-se ter cautela ao fazer este diagnóstico em uma idade muito precoce. Geralmente, o transtorno é diagnosticado pela primeira vez durante as primeiras séries, quando o ajustamento à escola está comprometido. 
Na maioria dos casos observados nos contextos clínicos, o transtorno é relativamente estável durante o início da adolescência. Normalmente, os sintomas atenuam-se durante o final da adolescência e idade adulta, embora uma minoria dessas pessoas vivencie o quadro sintomático completo até os anos intermediários da idade adulta.
Outros adultos podem reter alguns dos