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Práticas de ensino e avaliação de 
gramática
APRESENTAÇÃO
O processo de avaliação é de fundamental importância no ensino e deve ser condizente com a 
abordagem adotada pelo professor. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai refletir sobre o 
papel do professor e dos alunos nesse processo. Como podemos avaliar os alunos de uma 
maneira formativa que realmente colabore com sua aprendizagem? As grades de avaliação se 
constituem como ótimos instrumentos para se avaliar de forma adequada, desde que os critérios 
sejam construídos colaborativamente e de acordo com os gêneros do discurso trabalhados em 
sala de aula. Você vai, ainda, estudar a importância da avaliação como uma maneira de reflexão 
sobre o trabalho realizado em aula e discutir como a avaliação da aprendizagem de elementos 
gramaticais se encaixa dentro de uma concepção mais ampla de avaliação na abordagem de 
ensino de língua portuguesa com foco nos gêneros do discurso.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Descrever a importância da avaliação como ferramenta de diagnóstico da progressão dos 
alunos.
•
Analisar as diferentes maneiras de avaliação de gramática em sala de aula.•
Reconhecer práticas de ensino e avaliação de gramática variadas.•
INFOGRÁFICO
Para elaborar uma boa tarefa de reflexão linguística, há certos critérios que devem ser seguidos. 
No infográfico a seguir, você pode conferir oito deles.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
 
CONTEÚDO DO LIVRO
Como se desprender de uma avaliação hegemônica historicamente instaurada na escola? Como 
considerar a evolução dos alunos em suas produções textuais? Encontre as respostas para essas e 
outras perguntas no capítulo do livro. Inicie seus estudos em O espaço de reflexão linguística 
nas aulas de LP e continue lendo até Reflexão linguística e avaliação. 
Boa leitura!
LINGUÍSTICA
APLICADA AO 
ENSINO DO 
PORTUGUÊS
Juliana Battisti
Bibiana Cardoso 
da Silva
Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094
B336l Battisti, Juliana.
 Linguística aplicada ao ensino do português / Juliana 
 Battisti, Bibiana Cardoso da Silva. – Porto Alegre : SAGAH,
 2017.
 157 p. : il. ; 22,5 cm.
 ISBN 978-85-9502-062-7
 1. Linguística aplicada. I. Silva, Bibiana Cardoso da.
 II. Título. 
CDU 81’33
Linguistica_Aplicada_Iniciais_Impressa.indd 2 10/03/2017 13:13:36
Práticas de ensino e 
avaliação de gramática
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 n Descrever a importância da avaliação como ferramenta de diagnóstico 
da progressão dos alunos.
 n Analisar as diferentes maneiras de avaliação de gramática em sala 
de aula.
 n Reconhecer práticas de ensino e avaliação de gramática variadas.
Introdução
O processo de avaliação é de fundamental importância no ensino e 
deve ser condizente com a abordagem adotada pelo professor. Nesta 
unidade, vamos refletir sobre o papel do professor e dos alunos nesse 
processo. Como podemos avaliar os nossos alunos de uma maneira 
formativa que realmente colabore com sua aprendizagem? As grades 
de avaliação constituem ótimos instrumentos para se avaliar de forma 
adequada, desde que os critérios sejam construídos colaborativamente 
e de acordo com os gêneros do discurso trabalhados em sala de aula. 
Neste texto, você vai estudar sobre a importância da avaliação como 
uma maneira de reflexão sobre o trabalho realizado em aula. Vamos 
discutir como a avaliação da aprendizagem de elementos gramaticais 
se encaixa dentro de uma concepção mais ampla de avaliação na 
abordagem de ensino de língua portuguesa com foco nos gêneros 
do discurso.
O espaço da reflexão linguística nas aulas de LP
Nas aulas de Língua Portuguesa, há um espaço importante para a refl exão sobre 
o uso da linguagem. Essa refl exão é realizada através da análise e discussão 
Linguistica_Aplicada_U4_C03.indd 148 10/03/2017 10:37:06
de textos autênticos, pertencentes a diferentes gêneros do discurso, na busca de 
compreensão de determinados padrões que nos ajudem a circular em diferentes 
esferas do uso da língua. Esse espaço de refl exão acontece, basicamente, em 
dois momentos dentro da unidade didática planejada pelo professor: dentro 
da tarefa de leitura, na etapa de estudo do texto, e no processo de análise das 
produções dos alunos, fazendo parte da sequência de trabalhos para a reescrita. 
Isso signifi ca que os conteúdos para a refl exão linguística partem dos textos 
trabalhados em aula, tanto dos textos trazidos pelo professor quanto dos textos 
produzidos pelos alunos.
Gêneros do discurso: tipos relativamente estáveis de textos (orais e escritos), que 
reconhecemos com base na nossa experiência com diferentes textos em determinadas 
áreas. Cada contexto de uso da linguagem (quem fala, com quem, com que objetivo, em 
que situação, em que lugar, através de qual suporte, etc.) determina as características 
do que é dito e de que forma é dito. Entretanto, há algumas características textuais 
que podemos dizer que se repetem em condições semelhantes de produção (RIO 
GRANDE DO SUL, 2009).
Na nossa experiência como professoras de Língua Portuguesa, partindo 
de uma perspectiva funcional de reflexão sobre a língua, percebemos que há 
um conjunto de conteúdos que podemos considerar importantes de incluir nos 
nossos planos de estudo para a reflexão linguística, pois auxiliam os alunos 
nas tarefas de leitura e produção textual. Podemos dizer que são conteúdos 
importantes para a reflexão linguística funcional, centrada nos usos em textos. 
O Quadro 1 é uma adaptação da listagem de conteúdos trazidas nos Referenciais 
Curriculares do Rio Grande do Sul (2009, p. 78-82):
Gêneros do 
discurso
Não apenas serão objeto de discussão e reflexão, 
mas principalmente serão objeto de trabalho, na 
leitura e na produção. Os gêneros são os conteúdos 
estruturantes das unidades, ou seja, o elenco de 
gêneros a ser estudado deve guiar a seleção de textos 
para leitura e de projetos para a produção de textos.
 Quadro 1. Listagem de conteúdos. 
(Continua)
149Práticas de ensino e avaliação de gramática
Linguistica_Aplicada_U4_C03.indd 149 10/03/2017 10:37:06
Fonte: Adaptado de Referenciais Curriculares do Rio Grande do Sul (2009, p. 78-82).
Vocabulário A extensão do vocabulário reconhecido, 
compreendido e usado por uma pessoa está 
sempre muito correlacionada à sua competência 
de leitura; portanto, esse é um dos aspectos 
de reflexão linguística a se tornar constante 
no cotidiano da aula de português.
Elementos 
da organização 
estrutural 
da língua
Relações de predicação e a estrutura de orações 
simples e complexas; funções sintáticas principais: 
distinção entre relações de complementação 
e relações de adjunção ou oposição; funções 
das principais classes de palavras; relações 
entre as formas de classes que se flexionam; 
relações entre estruturas de complementação 
dos verbos e padrões oracionais; funções dos 
tempos, aspectos, modos e vozes verbais.
Recursos para a 
coesão textual
Estabelecimento de continuidade referencial ao 
longo de textos; emprego de recursos como a 
repetição e a substituição para estabelecer conexões 
entre passagens de um texto; uso de estruturas 
sintáticas paralelas para garantir a coesão.
Tópicos de 
norma padrão
Estudo das variedades linguísticas. As variedades 
devem ser tópico de reflexão crítica não 
preconceituosa e de aprendizagem, para que os 
usos padrão passem a ser acessíveis aos alunos 
na leitura e se façam presentes em sua produção 
escrita sem que a capacidade expressiva dos 
usos não padrão seja mal compreendida. 
Convenções 
da escrita
Segmentação do texto em frases, períodos e 
parágrafos ou outras unidades conforme o gênero 
do discurso; representação da fala em diálogos 
escritos conforme o gênero do discurso; pontuação; 
ortografia oficial e, portanto, acentuação; uso do 
sinalde crase; uso de marcas gráficas; formatação 
do texto na página conforme o gênero do 
discurso; uso de maiúsculas e minúsculas; recursos 
para registro escrito em diferentes meios. 
Quadro 1. Listagem de conteúdos.
(Continuação)
Linguística aplicada ao ensino do português150
Linguistica_Aplicada_U4_C03.indd 150 10/03/2017 10:37:06
O Quadro 1 apresenta apenas sugestões de elementos que poderão compor 
o plano de estudos na aula de língua portuguesa, focalizando na ligação que 
há entre o trabalho com a leitura e a produção de textos e os conhecimentos 
sobre a gramática. É importante destacar que os elementos mencionados 
poderão aparecer mais de uma vez no plano. Muitos elementos precisam ser 
trabalhados inúmeros vezes até serem incorporados nos repertórios dos alunos. 
No momento da avaliação, é importante que o professor perceba a capacidade 
dos alunos de explorarem as funções desses elementos. A avaliação deve se-
guir se propor a analisar apenas o que foi apresentado ao aluno como critério 
avaliativo e como etapa a ser cumprida. Por isso que a prática de avaliação 
nessa perspectiva exige do professor uma postura flexível e democrática, pois 
ele precisa construir com os alunos a melhor forma de avaliá-los. A avaliação, 
aqui, não é algo misterioso, não é algo que só o docente deve saber. Por isso, 
pensar, também, na transposição didática desse avaliar é premissa fundamental 
para a reconfiguração das aulas de português.
O papel da avaliação na aula de língua 
portuguesa
Avaliador ou corretor? Que tipo de professor de língua portuguesa você quer 
ser? A resposta a essa pergunta está certamente relacionada a nossa concepção 
de linguagem e de ensino. Quando entendemos que o texto, em sua função 
dialógica, é o elemento central da aula de língua portuguesa, a nossa avaliação 
não pode ser apenas uma “correção” gramatical, afi nal, antes de sermos um 
avaliador daquele texto produzido por nossos alunos, somos seus leitores, 
seus interlocutores. Como leitores, temos atitudes responsivas ao textos que 
vão além de “corrigir”. É claro que o professor está sim permanentemente 
na posição de avaliador, e esse é um trabalho de imensa responsabilidade.
Provavelmente, todos nós já passamos pela seguinte experiência como 
alunos: escrevemos na aula de Língua Portuguesa um texto expressando alguma 
opinião ou sentimento, imaginando o que o professor, o único possível leitor 
daquele texto, pensaria daquilo. Contudo, ao recebermos o texto de volta, ele 
tem apenas marcações nos lugares nos quais deveríamos ter colocado uma 
vírgula e marcações nos nossos erros ortográficos. Nenhum comentário sobre 
nosso esforço de expressar a nossa opinião da melhor maneira possível, ou 
ainda sobre o que o professor pensa do que escrevemos. É um triste fim para 
um texto, que nasce para a interlocução, morrer sem nenhum leitor, sendo 
apenas um objeto de correção. Depois de repetidas experiências como essa, 
151Práticas de ensino e avaliação de gramática
Linguistica_Aplicada_U4_C03.indd 151 10/03/2017 10:37:06
acabamos escrevendo textos para serem corrigidos, nos preocupando cada vez 
menos com o sentido e a função social do texto. Isso pode ser um treinamento 
para o uso da variedade padrão, mas não forma de fato alunos capazes de usar 
diferentes gêneros do discurso em diversas situações da linguagem em uso.
Isso significa que não devemos corrigir os textos dos nossos alunos? Não, 
isso significa que a revisão gramatical é apenas uma parte na avaliação de uma 
produção textual. Assim como a reflexão sobre a linguagem tem um papel 
importante na análise dos textos lidos e produzidos pelos alunos e ajuda na 
reescrita dos textos, ela também faz parte da grade de avaliação, pois espera-
-se que os alunos incorporem novas estruturas e vocabulário ao seus textos 
a medida em que são trabalhados em sala de aula. Ou seja, a gramática faz 
parte do ensino e da avaliação na aula de LP, mas de maneira contextualizada, 
pois está relacionada diretamente às tarefas de leitura e de produção textual, 
que são o nosso principal foco. O interessante é que, quando o professor se 
posiciona como interlocutor dos textos dos alunos, os alunos passam a entender 
a escrita como uma possibilidade de manifestação pessoal: mesmo com o receio 
de escrever “errado”, os alunos arriscam-se mais (SCHLATTER; GARCEZ, 
2014). O objetivo é que os alunos não entreguem um texto com a “cara” que o 
professor quer, mas com marcas de autoria e que a formação dessa identidade 
autora vá se consolidando ao longo de suas vidas escolares.
É muito difícil rompermos com o paradigma da avaliação hegemônica associada 
ao julgamento, enraizado no ensino há tantos anos. Essa avaliação se preocupa 
em saber o que o aluno sabe, o que ele não sabe, quais são os conhecimentos que 
ele “domina”. Ela exclui os alunos que não conseguem atingir as competências 
esperadas. Essa concepção de avaliação não é condizente com o nosso entendi-
mento de ensino, aprendizagem e linguagem. Para sermos coerentes com nossa 
abordagem de ensino, é necessário repensarmos a maneira como avaliamos nossos 
alunos e o nosso entendimento do que é avaliar. A prática de avaliar precisa ser 
discursiva, e isso quer dizer, segundo Marcuschi e Suassuna (2007, p. 6), que
[...] o diálogo precisa ocorrer o tempo todo: professor-aluno, alunos entre 
si, aluno com conhecimento. O professor precisa olhar, analisar o que o 
aluno está dizendo, o discurso que traz para escrita. Essa é uma construção 
processual. Dizemos isso há anos, e a dificuldade de enxergar discursi-
vamente o texto permanece. A força ainda está centrada na correção 
gramatical, que nem sempre é feita de maneira adequada.
Linguística aplicada ao ensino do português152
Linguistica_Aplicada_U4_C03.indd 152 10/03/2017 10:37:06
Marcuschi e Suassuna (2007) falam também sobre os comentários feitos 
pelos professores sobre os textos dos alunos, afirmando que eles são nor-
malmente vagos: “escreveu pouco, podia ter escrito mais”, “você podia ter 
desenvolvido mais o texto”. Ainda é muito comum a associação errônea do 
número de linhas à qualidade do texto. Muitos alunos escrevem textos curtos 
justamente porque estão tão preocupados com as correções gramaticais que 
querem se arriscar menos. O aluno percebe que, em algumas situações, o 
professor não está realmente interessado em saber o que o aluno tem a dizer 
sobre o assunto, ele apenas quer saber se ele “domina” as regras da variedade 
padrão da Língua Portuguesa. A consequência disso é que o aluno acaba 
desmotivado a realizar a tarefa, sem vontade de escrever e dizer sinceramente 
o que pensa, afinal, não terá um interlocutor. Por isso que a prática de avaliar 
é tão importante, pois pode fazer com que um aluno desista de escrever ou 
pode motivá-lo a engajar-se como um autor de diferentes textos.
Para saber mais sobre o assunto, leia Avaliação em língua portuguesa, organizado por 
Elizabeth Marcuschi e Lívia Suassuna (2007).
Reflexão linguística e avaliação
É fundamental lembrarmos que essas novas práticas de avaliação exigem 
muita leitura para rediscutir, replanejar o que se ensina. Enquanto a visão 
única de língua, a norma padrão, prevalecer como a única linguagem legítima, 
verdadeira e correta, será difícil mudarmos a maneira como enxergamos a 
avaliação na aula de Língua Portuguesa. Uma questão fundamental quando 
discutimos avaliação é a explicitação de critérios pelo professor. É importante 
que os alunos saibam como estão sendo avaliados e participem da elaboração 
dessa grade de avaliação. Segundo Elizabeth Marcuschi e Lívia Suassuna 
(2007), o conjunto de critérios é construído histórica e contextualmente. Os 
critérios precisam ser consistentes, estabelecidos e presentes desde o início 
do processo de produção de textos.
153Práticas de ensino e avaliação de gramática
Linguistica_Aplicada_U4_C03.indd 153 10/03/2017 10:37:06
Schlatter e Garcez (2012, p. 165) sugerem parâmetros de avaliação de 
leitura e escrita, conformevocê pode ver no Quadro 2.
 Fonte: Schlatter e Garcez (2012, p. 165). 
Parâmetros de avaliação de leitura e escrita – descritores
RESULTADO DESCRIÇÃO RECOMENDAÇÃO
3 – Cumpre a tarefa 
adequadamente
- Apresenta marcas da 
interlocução solicitada 
e realiza a(s) ação(ações) 
solicitada(s) pela tarefa.
- Usa recursos expressivos 
adequados para a situação 
de comunicação proposta. 
Inadequações linguísticas 
não comprometem o 
cumprimento da ação.
- Usa informações 
de maneira coerente 
e autoral.
REESCRITA para 
aperfeiçoar e/ou ampliar 
os recursos expressivos; 
submeter texto reescrito 
a colegas para reação 
e comentário.
2 – Cumpre a tarefa 
parcialmente
- Interlocução ou ação 
solicitada não está clara.
- Inadequações no uso 
de recursos linguísticos 
dificultam a realização 
da ação proposta.
- Informações incoerentes 
ou trechos confusos.
REESCRITA para explicitar 
marcas de interlocução ou 
a ação solicitada; adequar 
ou utilizar maior variedade 
de recursos expressivos; 
reformular ou refazer 
trechos problemáticos 
para entendimento 
do interlocutor.
1 – Não cumpre 
a tarefa
- Escreve outro texto, 
diferente do solicitado.
- Inadequações linguísticas 
impedem a realização 
da tarefa solicitada.
- Cópia ou produção 
insuficiente para o 
cumprimento da tarefa.
REESCRITA para 
realizar novamente 
a tarefa solicitada. 
 Quadro 2. Parâmetros de avaliação de leitura e escrita. 
Linguística aplicada ao ensino do português154
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Na avaliação da redação do ENEM, um dos critérios usado para avaliação dos alunos é o 
domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa, variedade mais adequada 
para esse gênero do discurso: redação escolar. Observe, no quadro abaixo, os níveis 
e as descrições das competências. O texto do aluno é considerado nível 0 quando 
o aluno demonstra desconhecer a modalidade escrita formal da língua portuguesa, 
e nível 5 quando demonstra excelente domínio, não só da modalidade formal, mas 
também da escolha de registro – ou seja, o aluno tem a competência de saber qual a 
variedade mais adequada para aquele gênero do discurso específico. 
 Fonte: ENEM.
155Práticas de ensino e avaliação de gramática
Linguistica_Aplicada_U4_C03.indd 155 10/03/2017 10:37:07
Dentre os critérios estabelecidos conjuntamente com os alunos, alguns 
estarão relacionados com questões gramaticais, ou seja, partirão das reflexões 
linguísticas desenvolvidas em aula. É fundamental que os alunos saibam que 
o uso dos elementos gramaticais relevantes que surgem a partir dos textos 
lidos e a análise dos textos produzidos será considerado na avaliação. Na 
grade, pode-se pensar em critérios específicos para um elemento gramatical 
trabalhado (p. ex., uso dos pronomes para evitar repetição do personagem) ou 
em um critério mais geral relacionado ao uso da variedade mais apropriada 
para aquele gênero do discurso. O mais importante é que o professor saiba 
relacionar a prática de avaliar dentro da perspectiva do ensino de língua baseada 
no uso da linguagem. Saber avaliar, saber circular pela prática avaliativa é 
um movimento importante para a reconfiguração das aulas de português em 
uma escola que precisa ser mais democrática e aberta à heterogeneidade do 
mundo da escrita e dos sujeitos que participam dela para aprender mais sobre 
esse objeto cultural tão valorizado em nossa sociedade grafocêntrica.
1. Sobre a avaliação dos 
textos dos alunos:
a) Não devemos corrigir 
a gramática.
b) Devemos corrigir 
apenas a gramática.
c) Devemos ler o texto como 
leitores interessados, 
não apenas como 
simples avaliadores.
d) Devemos corrigir todos os erros 
que os alunos cometem.
e) Os alunos devem seguir todas 
as sugestões de melhoria 
apontadas pelo professor.
2. A reflexão sobre o uso da 
linguagem acontece:
a) Somente na análise das 
produções dos alunos.
b) Acontece na etapa de 
leitura dos gêneros.
c) Por meio da reflexão sobre 
como usar a gramática.
d) Por meio da discussão 
de textos autênticos 
pertencentes a diferentes 
gêneros do discurso.
e) Por meio da análise linguística.
3. A avaliação das variedades 
linguísticas adotadas pelo aluno 
na escrita do seu texto:
a) Deve seguir a norma culta.
b) Deve ser a variedade linguística 
utilizada pelos alunos.
c) Deve ser a variedade que 
o professor orienta os 
alunos a utilizarem
d) Deve ser a definida por 
todos a partir da análise 
dos gêneros do discurso.
e) Deve ser a mais formal possível, 
pois estamos falando de escrita.
Linguística aplicada ao ensino do português156
Linguistica_Aplicada_U4_C03.indd 156 10/03/2017 10:37:09
MARCUSCHI, B.; SUASSUNA, L. (Org.). Avaliação em língua portuguesa. Belo Horizonte: 
Autêntica, 2007.
RIO GRANDE DO SUL. Referenciais curriculares do Estado do Rio Grande do Sul. Porto 
Alegre: Secretaria de Estado da Educação, 2009.
SCHLATTER, M.; GARCEZ, P. M. Avaliar a escrita é ser interlocutor do texto. Na Ponta do 
lápis - Almanaque do Programa Escrevendo o Futuro, São Paulo, n. 24, p. 38-43, maio 2014.
SCHLATTER, M.; GARCEZ, P. M. Línguas adicionais na escola: aprendizagens colaborativas 
em inglês. Erechim: Edelbra, 2012.
4. Ao elaborar os critérios 
para avaliação de um texto, 
o professor deve:
a) Definir quais são os critérios 
de avaliação logo no início da 
produção, não os modificando 
até o fim do projeto
b) Considerar somente os aspectos 
da língua padrão, pois é ela que 
vai definir a qualidade da escrita.
c) Construir sozinho, sem a ajuda 
dos alunos, pois é o professor 
que estudou e sabe como avaliar.
d) Considerar a constituição 
do gênero do discurso que 
está sendo lido e produzido 
e elaborar os critérios junto 
com seus alunos para que 
todos os sujeitos estejam 
a par de como a prática 
avaliativa está acontecendo.
e) Deve considerar os critérios 
exigidos em grandes exames 
nacionais, pois o aluno deve 
estar acostumado quando tiver 
de fazer esse tipo de prova.
5. A avaliação hegemônica 
é aquela que:
a) Considera a progressão do aluno.
b) Preocupa-se em avaliar 
somente o que aluno sabe 
em determinado momento 
do processo educacional.
c) É sinônimo de avaliação 
formativa.
d) Considera as práticas de 
uso da linguagem.
e) É discursiva.
157Práticas de ensino e avaliação de gramática
Linguistica_Aplicada_U4_C03.indd 157 10/03/2017 10:37:09
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
Conteúdo:
DICA DO PROFESSOR
Quais são os métodos de avaliação existentes? Como eu defino qual é melhor para o meu grupo 
e meus objetivos? Nesta videoaula você vai conhecer os aspectos que envolvem a avaliação 
formativa e a quem esse processo interessa.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
 
NA PRÁTICA
Você é avaliador das redações do ENEM e precisa avaliar o texto da candidata Julia com relação 
à competência 1 do quadro abaixo. Para atribuir uma pontuação à aluna, você precisa identificar 
a presença ou não de inadequações dentro do esperado pela norma padrão do Português 
Brasileiro.
Pensando na relação da reflexão linguística com a produção de textos, observe a primeira 
competência avaliada na redação do ENEM. Observe, no segundo quadro, que os candidatos são 
avaliados, não só por terem o domínio da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa, mas 
também por terem a competência de escolherem o registro mais adequado.
 
 
 
Essa é uma avaliação que tirou nota máxima. Sobre a primeira competência, a participante 
demonstra que tem excelente domínio da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa, tanto 
pelas estruturas linguísticas construídas, como pela seleção lexical e pela escolha de registro. 
Não há erros de convenções da escrita. Como única inadequação, aponta-se, no terceiro 
parágrafo, o emprego do verbo permanecer (em vez de continuar), no trecho “conforme 
permanece a ser reproduzida”.
SAIBA MAIS
Para ampliaro seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Avaliação em língua portuguesa - Parte I
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Avaliação em língua portuguesa - Parte II
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Avaliação em língua portuguesa - Parte III
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Avaliação em língua portuguesa - Parte IV
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