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O sentido da audicao

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Capítulo 52 – O Sentido da Audição
A membrana do tímpano e o sistema ossicular
Condução do som a partir da membrana do tímpano até a cóclea
	Ao centro da membrana timpânica está ligado o cabo do martelo e este ponto de conexões é constantemente empurrado pelo músculo tensor do tímpano. Tal ação viabiliza a condução do som da membrana para o martelo pois mantém a membrana em estado de tensão.
	A outra extremidade do martelo está ligada a bigorna e esta ligação é feita por pequenos ligamentos que permitem que as duas estruturas se movimentem simultaneamente. A bigorna, por sua vez, se articula com o cabo do estribo, o que faz com que ele empurre o líquido do coclear quando o tímpano e o martelo se movem para dentro e puxe o líquido quando o martelo se move para fora.
	A platina do estribo situa-se de encontro à extremidade do labirinto membranoso da cóclea, na abertura da janela oval.
Ajuste da Impedância pelo sistema ossicular
	A membrana do tímpano e o sistema ossicular realizam o ajuste de impedância entre as ondas sonoras no ar e as vibrações no líquido da cóclea. Ainda que as ondas consigam se deslocar pelo ar do ouvido médio e assim chegar a cóclea , sem a atuação do sistema ossicular e da membrana do tímpano, a sensibilidade da audição é muito reduzida.
	O ajuste se dá por meio da atuação do sistema de alavanca ossicular formado pelo martelo e bigorna , que reduz a distância da movimentação do estribo mas aumenta a sua força. Aliado ao aumento da força de movimentação do estribo, está a área de atuação do estribo sobre o líquido da cóclea , que é nitidamente menor do que a área da membrana do tímpano que recebe as ondas do ar. Como resultado, temos uma pressão sobre o líquido da cóclea 22 vezes maior do que a pressão exercida pela onda sonora contra a membrana timpânica.
	O fato do líquido ter inércia muito maior do que o ar justifica a maior pressão necessária para causar vibração do líquido.
Atenuação do Som pela Contração dos Músculos Estapédio e Tensor do Tímpano
	A transmissão de sons de alta intensidade pelo sistema ossicular e depois para o SNC desencadeia um reflexo conhecido como reflexo de atenuação , que funciona da seguinte forma: o m. tensor do tímpano empurra o cabo do martelo para dentro e, de forma oposta, o m. estapédio puxa o estribo para fora. Essa oposição gera rigidez no sistema ossicular, o que diminui a capacidade de condução dos sons de baixa freqüência.
	Funções do reflexo: proteger a cóclea de vibrações agressivas, mascarar os sons de baixa freqüência nos ambientes com som intenso ( a diminuição do ruído de fundo favorece o entendimento da comunicação falada) e diminuição a sensibilidade da audição para a sua própria fala ( efeito ativado por sinais colaterais transmitidos para os músculos estapédio e tensor do tímpano ao mesmo tempo que o encéfalo ativa o mecanismo da voz)
Transmissão do som através do osso
	O fato de a cóclea (ouvido interno) estar localizado dentro de uma cavidade óssea no osso temporal (labirinto ósseo) permite que vibrações de todo o crânio possam causar vibrações do líquido dentro da cóclea. Por isso um instrumento como um diapasão especialmente quando colocado sobre o processo mastóide faz com que a pessoa ouça o som. Contudo, a energia disponível , mesmo no som de alta intensidade no ar, não é suficiente para causar audição pela condução óssea.
A Cóclea
Anatomia Funcional da Cóclea
A cóclea consiste em três tubos enrolados lado a lado: a rampa do vestíbulo e a rampa média, que são separadas pela membrana de Reissner ( ou membrana vestibular), cuja função é manter um líquido especial na rampa média, necessário para a função normal das céls ciliadas receptoras de som, e rampa do tímpano, que é separadas da rampa média pela membrana basilar. Na superfície dessa membrana está o Órgão de Corti, que contém as céls eletromecanicamente sensíveis, as céls ciliadas.
As vibrações sonoras penetram na rampa do vestíbulo a partir da platina do estribo, que é ligada frouxamente a janela oval, permitindo movimentação do estribo: para dentro faz com que o líquido se desloque para o interior da rampa do vestíbulo e para fora, faz com que o líquido se desloque para trás.
 Membrana Basilar e Ressonância na Cóclea.
	A membrana basilar contém fibras basilares que se projetam do centro ósseo da cóclea ( o modíolo) , onde estão fixadas, em direção a parede externa. Em suas extremidades distais não estão fixadas, sendo livres para vibrar. Enquanto o comprimento das fibras aumenta desde a base da cóclea em direção ao helicotrema, o diâmetro e a rigidez diminuem nesse mesmo sentido. Como conseqüência, as fibras rígidas e curtas próximas da janela oval da cóclea vibram melhor nas altas freqüências e as fibras longas mais delgadas próximas do helicotrema vibram melhora com frequências mais baixas.
Transmissão das Ondas sonoras na Cóclea- A “onda viajante”
	Quando a platina do estribo move-se para dentro, contra a janela oval, a janela redonda projeta-se para fora, uma vez que a cóclea está delimitada por paredes ósseas por todos os lados, e a membrana basilar curva-se na direção da janela redonda. Dessa forma, é gerada uma tensão elástica nas fibras basilares que dará origem a uma onda líquida que “viaja” ao longo da membrana basilar em direção ao helicotrema,
Padrão de Vibração da Membrana Basilar para Diferentes Freqüências de Som
	No ponto da membrana basilar em que a mesma possui freqüência de ressonância natural, igual à respectiva freqüência do som, ela pode vibrar com tal facilidade que a energia da onda que “trafega” por ela é dissipada, levando a extinção da onda. A esse ponto chamamos ponto de ressonância. Para as ondas de alta freqüência, esse ponto encontra-se logo no início da membrana, para as ondas de média freqüência , na metade da distância e para as ondas de baixa freqüência, apenas no final da membrana. Um outro aspecto importante das ondas viajantes é que, devido ao alto coeficiente de elasticidade das fibras basilares próximas ao estribo e o coeficiente decrescente ao longo da membrana, a onda desloca-se rapidamente no início da membrana basilar mas progressivamente com mais lentidão no interior da cóclea, permitindo que as ondas de alta freqüência percorram a cóclea o suficiente para se dissiparem e se separarem uma das outras.
Padrão de Amplitude da Vibração da Membrana Basilar
	Fig 52.6
Função do órgão de Corti
	É o órgão receptor que gera os impulsos nervosos em resposta à vibração da membrana basilar e os seus receptores são de dois tipos de células nervosas chamadas células ciliadas: céls ciliadas internas, presentes em menor número e quase a totalidade delas faz sinapse com a rede de terminações nervosas da cóclea e céls ciliadas externas, que são mais abundantes. As fibras nervosas estimuladas pelas céls ciliadas levam ao Gânglio espiral de Corti ( centro da cóclea), que possui céls ganglionares que enviam axônios para o nervo coclear e depois para o SNC, no nível da porção superior do bulbo.
Excitação das Céls Ciliadas
	As céls ciliadas possuem esterocílios que se projetam para cima e estão envolvidos, ou pelo menos tocam, o material gelatinoso da membrana tectória. A extremidade dessas céls ciliadas estão fixadas numa placa plana, chamada lâmina reticular , sustentada pelos bastões de corti, que por sua vez estão fixados às fibras basilares, movendo-se como uma unidade rígida. O movimentação da lâmina reticular se dá de acordo com a movimentação das fibras ( fibra pra cima, lâmina para dentro / fibra pra baixo, lâmina para fora) e ela faz com que os cílios também se movam para cima e para baixo, de encontro a membrana tectórica, provocando a excitação das céls ciliadas.
Sinais Auditivos são transmitidos, principalmente, pelas céls. Ciliadas internas
	Apesar de as cels ciliadas internas serem as maiores responsáveis pela transmissão do sinal, se as céls ciliadas externas forem lesadas, ainda que o outro tipo permaneça, ocorre grande perda da audição. Foi proposto que as céls ciliadas externas exerçam algum