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A entrevista e o contato com o paciente

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disponível para o outro naquele momento, e poder ouvi-lo sem a interferência de questões pessoais; 
ajudar o paciente a se sentir à vontade e a desenvolver uma aliança de trabalho;
facilitar a expressão dos motivos que levaram a pessoa a ser encaminhada ou a buscar ajuda;
A aceitação das recomendações ou a permanência no tratamento dependem do primeiro contato. Logo, a eficácia terapêutica é altamente dependente de um conjunto de competências do entrevistador, que além de estar bem fundamento nos seus conhecimentos teóricos deve possuir grandes habilidade interpessoais. 
As necessidades do psicólogo devem ser conhecidas e estar suficientemente atendidas, para que a ansiedade pessoal (principalmente as inconscientes que levam à resistência) não interfira na escuta e na identificação dos conteúdos latentes na fala do entrevistado. 
A atenção e a colaboração são essenciais para o rapport – identificação e desenvolvimento da aliança terapêutica que é marcada pela percepção de estar recebendo apoio e o sentimento de estar trabalhando em conjunto.
O entrevistador deve ser receptivo às dificuldades e objetivos do pacientes, demonstrando que o compreende e o aceita, que reconhece suas capacidades e seu potencial, auxiliando na mobilização da capacidade pessoal de auto-ajuda. Essa postura fortalece a relação e favorece uma atitude colaborativa e participativa.
Nem sempre os motivos reais são conhecidos, e se apresentam de maneira latente, porque podem estar associados a afetos ou idéias difíceis de serem aceitos ou expressos.
As resistências dificultam o processo (há medo de auto-exposição, de confrontar a própria ambiguidade, de ter que crescer e assumir escolhas e responsabilidade, de modificar o modo com que percebe a si próprio e aos outros): A entrevista traz benefícios, mas também tem suas ameaças.
As fantasias (relativas ao problema, à solução e ao próprio tratamento) – que não necessariamente se opõem à realidade – refletem a realidade interna, subjetiva, expressam os afetos associados e influenciam o comportamento de maneira decisiva.
Assim , cabe ao entrevistador desenvolver a capacidade de facilitar a expressão de experiências, sentimentos e pensamentos relevantes.
buscar esclarecimentos para colocações vagas ou incompletas;
gentilmente, confrontar esquivas e contradições;
tolerar a ansiedade relacionada aos temas evocados na entrevista;
reconhecer defesas e modos de estruturação do paciente, especialmente quando elas atuam diretamente na relação com o entrevistador (transferência);
compreender seus processos contratransferenciais;
assumir a iniciativa em momentos de impasse;
dominar as técnicas que utiliza. 
A aquisição e a preservação destas competência dependem da contínua atualização, da participação em grupos de estudo e supervisão e da própria psicoterapia
O Enquadramento
Como o campo da(s) entrevista(s) é dinâmico, as variáveis intervenientes devem ser reduzidas para serem focados e observados o funcionamento e as flutuações que ocorrem na personalidade do entrevistado. Assim, é necessário realizar o enquadramento da entrevista psicológica segundo os seus objetivos – consulta, diagnóstico, orientação vocacional, seleção, etc. O enquadramento transforma as variáveis intervenientes em constantes. No enquadramento inclui-se não só a caracterização explícita dos objetivos, como a atitude técnica, o papel do entrevistador, a fixação do horário, local, duração e honorários referentes à entrevista.