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BONS ESTUDOS!
Bons estudos!
Você sabe o que é a Neuropsicologia?
A Neuropsicologia é uma área de interface entre a Neurologia e a Psicologia. De um lado
há o estudo detalhado do sistema nervoso e do outro há a análise
do comportamento humano e dos processos psicológicos.
Quer saber mais sobre essa área? Neste artigo você encontrará informações importantes
sobre o que é a Neuropsicologia, como se tornar um profissional desse segmento e as
principais oportunidades identificadas no mercado de trabalho.
O que é a Neuropsicologia?
A Neuropsicologia é uma especialidade da psicologia que estuda e compreende como o
cérebro influencia em nossas funções cognitivas, como:
•Atenção;
•Memória;
•Raciocínio;
•Capacidade de julgamento;
•Comportamento;
•Emoções.
O Conselho Federal de Psicologia, na Resolução 002/ 2004, que institui a
Neuropsicologia como especialidade, define a área como aquela que:
Atua no diagnóstico, no acompanhamento, no tratamento e na pesquisa da
cognição, das emoções, da personalidade e do comportamento sob o enfoque
da relação entre estes aspectos e o funcionamento cerebral. Utiliza-se para
isso de conhecimentos teóricos angariados pelas neurociências e pela prática
clínica, com metodologia estabelecida experimental ou clinicamente.”
O foco e escopo de estudo da Neuropsicologia tem por objetivo entender qual o papel dos
sistemas cerebrais individuais em formas complexas de atividades mentais. Um dos mais
renomados autores da área, o psicólogo Alexander Lúria, diz que o propósito da
Neuropsicologia é:
https://blog.ipog.edu.br/saude/inspirando-carreiras-empresaria-psicologa-e-aluna-do-ipog-relata-sucesso-profissional-na-area-de-neuropsicologia/?utm_source=blogpost&utm_campaign=blogpost
https://blog.ipog.edu.br/desenvolvimento-do-potencial-humano/psicologia-positiva-pode-impactar/?utm_source=blogpost&utm_campaign=blogpost
https://blog.ipog.edu.br/saude/neuropsicologia-infantil-dificuldades-de-aprendizagem-diagnostico-e-intervencao/?utm_source=blogpost&utm_campaign=blogpost
https://blog.ipog.edu.br/desenvolvimento-do-potencial-humano/comportamentos-nas-organizacoes/?utm_source=blogpost&utm_campaign=blogpost
https://blog.ipog.edu.br/desenvolvimento-do-potencial-humano/aluna-ipog-conta-como-a-psicologia-positiva-ajudou-na-evolucao-da-sua-empresa/?utm_source=blogpost&utm_campaign=blogpost
Generalizar ideias modernas concernentes à base cerebral do funcionamento
complexo da mente humana e discutir os sistemas do cérebro que participam
na construção de percepção e ação, de fala e inteligência, de movimento e
atividade consciente dirigida a metas.” ( Luria,1981, p. 4).
Para entender melhor, podemos ver o início desta área científica, que
surge no final do século XIX (início do século XX), atendendo a uma
demanda emergente que era a de avaliar as lesões cerebrais e
alterações comportamentais, de raciocínio, memória e linguagem, dos
soldados que foram feridos durante a guerra.
Nasce fortemente com essa percepção a ideia de que o cérebro influencia diretamente
nestas funções. Compreendê-las também significaria pensar em melhores intervenções
para este público.
Desde então, tem sido fortemente crescente as pesquisas, contribuições e avanços nesse
segmento da psicologia. Profissionais de áreas multidisciplinar, percebem a relevância do
que é a neuropsicologia e ainda como a especialidade contribui para o melhor diagnóstico
e prognósticos de pacientes, que por algum sintoma necessitam ser avaliados.
Por exemplo, se um idoso ou familiar perceber que ele está tendo falhas de memória,
tremor nos membros, redução da capacidade de realizar tarefas, é muito importante
procurar a ajuda de um neuropsicólogo para investigar e avaliar se há alguma alteração
fora do esperado para a idade do idoso.
Outro exemplo bem comum é de pais que procuram tratamento para uma criança que
apresenta dificuldades de aprendizado na escola e relacionamento com os colegas.
O que um Neuropsicólogo faz?
Agora que você já sabe o que é a neuropsicologia, é hora de entender
sobre as atuações do profissional da área.
O Neuropsicólogo tem a função de avaliar, investigar e criar hipóteses para desenvolver
um plano de tratamento para o paciente juntamente com uma equipe multidisciplinar de
profissionais da saúde.
Há profissionais de neuropsicologia que trabalham como pesquisadores para o estudo do
cérebro associado ao desempenho cognitivo e comportamentais e também especialistas
que atuam no contexto clínico.
https://blog.ipog.edu.br/saude/para-que-serve-a-avaliacao-neuropsicologica/?utm_source=blogpost&utm_campaign=blogpost
https://blog.ipog.edu.br/saude/como-funciona-a-avaliacao-neuropsicologica-em-idosos/
Lesões cerebrais, demência, transtornos de aprendizagem, doença de Parkinson e
Alzheimer e qualquer deficiência cognitiva que interfira negativamente nos
relacionamentos interpessoais, na escola, trabalho e na rotina diária, são geralmente os
casos que precisam do acompanhamento de um Neuropsicólogo.
O relatório do perfil neuropsicológico do paciente é feito por meio de:
•Entrevistas com pacientes e familiares;
•Testes;
•Avaliações;
•Observação clínica e outros processos.
Com os resultados das avaliações, o médico ou outro profissional da saúde especializado
que solicitou a consulta com o neuropsicólogo, recomenda o tratamento adequado, seja
com medicação, terapia, reabilitação, etc.
É importante lembrar que o trabalho do neuropsicólogo é sempre multidisciplinar e não
cabe ao psicólogo prescrever medicamentos.
Quais as habilidades necessárias que um
Neuropsicólogo precisa ter?
Para desenvolver a sua carreira como especialista em Neuropsicologia é imprescindível
ter as seguintes habilidades:
•Ser ético;
• Ter interesse por pessoas;
•Escuta atenta;
•Capacidade de se conectar com os pacientes;
•Capacidade de analisar dados;
•Muita atenção;
•Grande capacidade de observação;
•Pensamento crítico;
•Estudar e pesquisar continuamente;
https://blog.ipog.edu.br/saude/avaliacao-neuropsicologica-infantil/?utm_source=blogpost&utm_campaign=blogpost
https://blog.ipog.edu.br/saude/transtorno-do-deficit-de-atencao-e-hiperatividade/?utm_source=blogpost&utm_campaign=blogpost
Mercado de trabalho da Neuropsicologia
O mercado de trabalho para profissionais especializados em Neuropsicologia é amplo e
vem crescendo bastante mundialmente. O atendimento pode abranger pessoas com ou
sem comprometimento, pois o intuito é a avaliação.
Geralmente as grandes demandas são de pessoas com traumas cerebrais, assim como
pacientes com distúrbio de aprendizagem, dificuldades na execução de rotinas diárias,
perda de memória, atenção ou outra função cognitiva.
O psicólogo com especialização em Neuropsicologia poderá atuar em instituições de
ensino, contribuindo com pesquisas relacionadas a grande área da Neuropsicologia,
assim como a área da Reabilitação Neuropsicológica.
Uma das maiores demandas do profissional está em Clínicas, Consultórios e Hospitais,
com foco tanto em Avaliação quanto em Reabilitação.
São casos encaminhados por outros profissionais da área da saúde (médicos psiquiatras,
neurologistas, pediatras, dentre outros), assim como encaminhados por professores e
outros profissionais da educação, ou mesmo uma busca realizada por iniciativa dos
familiares ou do próprio paciente. Há ainda a possibilidade de atuação em instituições
psiquiátricas e na realização de Perícia Forense.
Por envolver aspectos tão primordiais do funcionamento do ser humano, esta é uma área
indicada pelo Conselho Federal de Psicologia, como sendo uma das 11 possibilidades
que um psicólogo pode optar para adquirir o título de especialista.
Ainda sobre a área de atuação, o Conselho Federal de Psicologia, na resolução
002/2004, diz que:
Na interface entre o trabalho teórico e prático, seja no diagnóstico ou na
reabilitação, também desenvolve e cria materiais e instrumentos, tais como
testes, jogos, livros eprogramas de computador que auxiliam na avaliação e
reabilitação dos pacientes.”
https://blog.ipog.edu.br/educacao/geracao-y-carreira-profissional/?utm_source=blogpost&utm_campaign=blogpost
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Neuropsicologia
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1
Histórico e Fundamentos da Terapia Cognitivo-Comportamental.......................2
Erros Cognitivos e Pensamentos Automáticos Disfuncionais.............................6
Técnicas Básicas da TCC – RPD e Questionamento Socrático..........................9
Transtornos de Ansiedade com TCC.................................................................13
Transtornos de Humor com TCC – Depressão.................................................18
Transtornos de Humor com TCC – Bipolaridade...............................................21
Terapia Cognitivo-comportamental para Crianças e Adolescentes...................23
Estrutura da terapia...........................................................................................27
Princípios básicos e etiológicos.........................................................................30
Referências Bibliográficas.................................................................................32
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2
HISTÓRICO E FUNDAMENTOS DA TERAPIA
COGNITIVO-COMPORTAMENTAL
Terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma forma de psicoterapia que se
baseia no conhecimento empírico da psicologia. Ela abrange métodos
específicos e não-específicos (com relação aos transtornos mentais) que, com
base em comprovado saber específico sobre os diferentes transtornos e em
conhecimento psicológico a respeito da maneira como seres humanos
modificam seus pensamentos, emoções e comportamentos, têm por fim uma
melhoria sistemática dos problemas tratados.
Tais técnicas perseguem objetivos concretos e operacionalizados (ou seja,
claramente definidos e observáveis) nos diferentes níveis do comportamento e
da experiência pessoal (al. Erleben) e são guiadas tanto
pelo diagnóstico específico do transtorno mental como por uma análise do
problema individual (ou seja, uma descrição das particularidades do paciente;
ver mais abaixo).
Nesse contexto representa um papel importante uma análise aprofundada dos
fatores de vulnerabilidade (predisposições), dos fatores desencadeadores e
mantenedores do problema.
A combinação dessas duas vias permite atingir um relativo equilíbrio entre o
método padronizado (determinado pelo diagnóstico) e as características
individuais do paciente (que determinam a análise do problema). A terapia
cognitivo-comportamental encontra-se em constante desenvolvimento e exige
de si mesma uma comprovação empírica da sua efetividade.
A terapia cognitivo-comportamental possui tanto técnicas da terapia
cognitiva como da terapia comportamental, tendo demonstrado ser uma das
técnicas mais eficazes no tratamento de vários transtornos
como depressão e esquizofrenias.
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3
Jürgen Margraf oferece uma lista de dez princípios básicos que caracterizam
os diversos métodos conceituais da TCC:
TCC se orienta no conhecimento empírico da psicologia científica;
TCC se orienta no problema (sintoma) atual do paciente;
TCC baseia-se na análise dos fatores de vulnerabilidade
(predisposições), fatores desencadeadores e mantenedores dos
transtornos mentais;
Por se orientar no problema, a TCC é também orientada para um
objetivo definido (a modificação do comportamento problemático);
TCC é voltada para a ação e não apenas para a tomada de consciência
(ing. insight, al. Einsicht) e uma compreensão mais profunda do
problema;
TCC não se restringe à situação terapêutica, mas se estende à vida
diária do indivíduo;
TCC é transparente, tanto quanto a seus objetivos quanto a seus meios;
TCC procura ser uma ajuda para a autoajuda, ou seja, acentua a
responsabilidade do próprio paciente no processo terapêutico e
TCC se esforça por estar em desenvolvimento constante.
Tradicionalmente a TCC dedica-se especialmente aos fatores
mantenedores, sem no entanto perder de vista os demais fatores.
A estrutura da TCC pode ser descrita em uma série de cinco passos:
Apresentação do problema
Primeira orientação a respeito problemática - consiste na coleta e organização
dos dados relevantes para a compreensão do paciente e de seu problema:
dados pessoais, sintomática e seu desenvolvimento, objetivos do paciente,
esclarecimento das condições necessárias para o trabalho psicoterapêutico;
Definição do(s) problema(s) e diagnóstico - definição dos diversos problemas
envolvidos e da relação entre eles, esclarecimentos diagnóstico (ex. possíveis
causas fisiológicas do problema), diagnóstico provisório (segundo CID
10 ou DSM IV) e definição da indicação psicoterapêutica (ou seja, qual método
psicoterapêutico é o mais indicado);
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Escolha do(s) problema(s) a ser(em) tratado(s)
Análise do(s) problema(s)
Análise comportamental - escolha do comportamento problemático, análise da
sua incidência (em que situações, com que frequência, acompanhado de
que pensamentos, emoções, com que consequências);
Análise motivacional - análise do valor do comportamento problemático: que
objetivos são perseguidos com ele? Quais motivos influenciam a vida da
pessoa? O comportamento se origina de conflitos entre objetivos distintos?
Análise sistêmica - análise da pertinência do indivíduo a
diferentes sistemas sociais, com regras e exigências distintas e, por vezes
contraditórias e a influência dessa pertinência sobre seu comportamento;
Origem e desenvolvimento do problema: Anamnese, geração
de hipóteses sobre a origem do problema;
Condensamento do conhecimento ganho até então: geração de um
modelo etiológico individual.
Análise do objetivo
Pré-requisitos da mudança (de comportamento) - consideração dos lados
positivo e negativo do comportamento atual (problemático), definição da
motivação para a mudança, determinação dos fatores ambientais que auxiliam
a mudança e daqueles que a atrapalham;
Determinação dos objetivos - quais os objetivos perseguidos pelas partes
envolvidas (paciente, terapeuta, terceiros), formulação de objetivos e dos
passos necessários para alcançá-los;
Relacionamento paciente-terapeuta - o relacionamento entre paciente e
terapeuta é tal que permite um trabalho produtivo? Como mantê-lo (ou
modificá-lo)?
Análise dos meios
Pontos de partida: quais pessoas devem ser envolvidas na mudança? Com
quais situações, problemas, pessoas começar?
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Princípios da mudança - com base na análise do problema, quais passos
devem ser dados? Como? Explicação da lógica do tratamento (dos passos a
serem dados) ao paciente
Planejamento concreto da terapia - que novos comportamentos devem ser
aprendidos, em que situação? Como? Definir os parâmetros formais
(frequência das consultas, duração da terapia) e determinar se outros
tratamentos (ex. medicamentos) são necessários. Definir exatamente (de forma
observável) o que se considera "sucesso".
Teste e avaliação dos passos definidos
Realização dos passos tal qual definidos anteriormente, sempre levando em
conta de que as hipóteses sobre as quais elas se baseiam são provisórias e,
assim, modificáveis sempre que necessário. Avaliação permanente de cada um
dos passos e dos diferentes objetivos alcançados. Término da terapia.
Estudos científicos feitos por Aaron Beck(um dos fundadores da terapia
cognitiva) e vários de seus alunos demonstram a eficácia a longo prazo da
terapia cognitiva para depressão,transtorno de ansiedade
generalizada, transtorno do pânico, fobia social, TOC, agressão
sexual, esquizofrenia e transtornos internalizantes na infância. Nos casos de
depressão e pânico os resultados foram especialmente promissores e mais
duradouros.
A TCC também se provou eficaz no tratamento de transtorno
bipolar, TDAH aliado à medicação, anorexia nervosa, transtorno dismórfico
corporal, colecionismo patológico, jogo patológico, TEPT em crianças que
sofreram abuso, TOC em crianças e transtorno afetivo sazonal.
Estudos na área da psicologia da saúde também têm demonstrado a eficácia
da TCC no apoio psicológico perante condições médicas, incluindo doenças
coronarianas, hipertensão, câncer, dor de cabeça, dor crônica, dor lombar
crônica, síndrome da fadiga crônica, artrite reumatóide, síndrome pré-
menstrual e síndrome do cólon irritável.
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ERROS COGNITIVOS E PENSAMENTOS AUTOMÁTICOS DISFUNCIONAIS
É muito comum termos um pensamento automático diante de situações, sejam
elas positivas ou negativas. Este pensamento instantâneo fundamenta-se a
partir de nossa interpretação dos fatos e por meio de nossas percepções,
sendo o responsável absoluto pelo sentimento consequente do fato vivido e
influenciador de ações posteriores.
Para ficar mais claro, a razão pelo qual deixamos de iniciar um projeto, investir
em um relacionamento amoroso ou terminá-lo, empreender um negócio
próprio, ingressar na faculdade, fazer uma viagem dos sonhos é o pensamento
automático. Isso acontece devido a nossa tendência a acreditar em
nossos pensamentos e, desta forma, preservarmos o nosso controle e até a
nossa sobrevivência.
Graças à Psicologia e à Terapia Cognitiva Comportamental, existe o Método
Cognitivo-Comportamental, em cuja terapia ou processo de coaching estimula
as pessoas a identificar e avaliar seus pensamentos automáticos negativos
sobre as situações e, e desta forma, verificar e corrigir possíveis pensamentos
distorcidos que ele constrói devido a esta avaliação imediata, que estejam
alterando o seu humor e até prejudicando a realização dos seus objetivos.
Catastrofização
Neste caso, a pessoa prevê o futuro negativamente sem considerar outros
resultados mais prováveis. Exemplo: “meu filho ainda não chegou, deve ter
acontecido alguma coisa ruim. Esperarei mais um pouco, pois não conseguirei
dormir mesmo.” Outros exemplos: “meu namorado não atende o celular, deve
estar com outra. Tudo está bem entre nós, mas sei que logo começará a me
desapontar, pois não chegou ainda”.
Minimização do positivo
A pessoa diz para si mesmo que experiências, atos ou qualidades positivas
não contam. Exemplo: “eu fiz bem aquele projeto, mas isso não significa que
eu seja competente; eu apenas tive sorte.” A pessoa rejeita experiências
positivas insistindo que elas não contam. Desqualificar o positivo tira a alegria
da vida e faz a pessoa se sentir inadequada e não recompensada. Este é o
preço que a pessoa paga por não qualificar as coisas que acontecem em seu
cotidiano.
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Argumentação emocional
A pessoa pensa que algo deve ser verdade porque “sente” (em realidade,
acredita) isso da maneira tão convincente que acaba por ignorar ou
desconsiderar fatos e evidências.
Vitimização
A pessoa tende a se sentir vítima e não responsável pelas suas escolhas.
Percebe-se sem sorte ao invés de perceber que “quem faz para si faz!” e que
ela mesma é o “comandante do seu navio”, o “diretor da sua novela.” Por
exemplo, tende a culpar os outros por sua má sorte no trabalho ou no amor.
Personalização
Ocorre quando a pessoa guarda para si mesmo a inteira responsabilidade
sobre um evento que não está sob seu controle. Por exemplo: “eu não cuidei
bem do meu filho, por isso ele está internado no hospital”. “Meu namorado me
traiu porque eu estava estressada.” Esse tipo de distorção cognitiva gera muito
sofrimento psicológico, pois está embasado na emoção “culpa”.
Supergeneralização
A pessoa tira uma conclusão negativa radical que vai muito além da situação
atual. Exemplo: “nessa escola não tenho amigos, assim como era no colégio
anterior.” A pessoa vê um episódio negativo como uma rejeição amorosa e
estabelece um padrão de pensamento para situações similares. Outro exemplo
comum: “todos os meus namorados irão me trair”.
Pensamento dicotômico
É aquele pensamento preto-e-branco ou 8 ou 80, sabe? A pessoa vê uma
situação em apenas duas categorias em vez de em várias alternativas.
Exemplo: “se eu não for um sucesso total, eu serei um fracasso.” A pessoa
perfeccionista normalmente faz uso constante desse erro de pensamento e
isso faz com que se sinta inadequada e desvalorizada quando o sucesso
esperado não vem. Pensamentos dicotômicos tendem a contribuir para
episódios depressivos e separações conjugais.
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Quando estamos diante de uma situação, a primeira coisa que fazemos é
interpretar esta situação a partir das nossas percepções, nós temos um
pensamento automático sobre ela. Este pensamento automático vai determinar
que tipo de sentimento será despertado pela situação e influenciará qual o
comportamento que teremos.
Isso acontece devido a nossa tendência a acreditar em nossos pensamentos e
desta forma preservarmos o nosso controle e até a nossa sobrevivência.
Pensamentos podem ser automáticos e elaborados, positivos ou negativos,
verdadeiros ou falsos quanto à situação real.
Na TCC (Terapia Cognitivo Comportamental) o paciente é estimulado a
identificar e avaliar seus pensamentos automáticos negativos sobre as
situações. E desta forma, verificar e corrigir possíveis pensamentos distorcidos
que ele constrói devido a esta avaliação imediata, que estejam alterando o seu
humor e até prejudicando a realização dos seus objetivos.
De acordo com o CID 10 (2007, p.44), o transtorno de ajustamento refere-se ao
sentimento de opressão e de incapacidade de funcionamento, podendo haver
"sintomas físicos relacionados a estresse, como insônia, cefaleia, dor
abdominal, dor no peito, palpitações". Nesta classificação, cujo código o CID
denomina de F-43.2, são identificados os aspectos diagnósticos seguintes:
Reação aguda a evento estressante ou traumático recente.
Sofrimento extremo resultado de um evento recente ou preocupação com o
evento.
Os sintomas podem ser primariamente somáticos.
Outros sintomas podem incluir: humor deprimido; ansiedade; preocupação;
sentimento de incapacidade de funcionar. (CID 10, 2007, p. 44).
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TÉCNICAS BÁSICAS DA TCC – RPD E QUESTIONAMENTO SOCRÁTICO
As intervenções cognitivo-comportamentais mais empregadas no quadro ora
descrito são: a psicoeducação, a identificação dos pensamentos automáticos e
das emoções, a identificação das crenças centrais e intermediárias, a
reestruturação cognitiva, a resolução de problemas e a avaliação do processo.
A psicoeducação é um recurso importante no processo psicoterápico e deve
ser o pontapé inicial neste processo. O paciente deve ser informado sobre a
funcionalidade ou não das suas reações comportamentais. Segundo Barlow e
colaboradores (2009, p. 235), "os pacientes recebem informações em relação
às sequelas cognitivas, fisiológicas e comportamentais das reações emocionais
e como esses três componentes interagem".
O passo seguinte é identificar os pensamentos automáticos e as emoções,
avaliando-os posteriormente. Os pensamentos automáticos surgem em função
da interpretação dada a uma situação e ocorrem paralelamente a pensamentos
manifestos. Todos nós apresentamos pensamentos automáticos, porém, as
pessoas que não estão angustiadas normalmente costumam testá-los e
verificar sua disfuncionalidade,uma vez que elas enxergam a realidade como
ela realmente se apresenta. Beck (1997, p. 87) nos fala que "pessoas com
transtornos psicológicos [...], com frequência, interpretam erroneamente
situações neutras ou até mesmo positivas e, desse modo, seus pensamentos
automáticos são tendenciosos". Ao identificar tais pensamentos, examiná-los e
corrigir os seus erros, os pacientes podem se sentir melhor.
A atuação clínica da TCC se baseia bastante no questionamento socrático. Na
prática, isso significa que o terapeuta vai fazer uma série de perguntas com o
objetivo de ajudar o paciente a aprofundar sua compreensão sobre os próprios
pensamentos.
Como falamos, muitas pessoas se comportam de forma automática, sem
perceber os pensamentos e emoções que estão por trás disso. Na terapia, o
paciente é colocado diante de perguntas que aprofundam a reflexão e o fazem
pensar sobre as relações complexas que a mente dele estabelece. Assim, é
possível perceber e modificar distorções cognitivas.
A função do psicólogo não é oferecer respostas ou direcionar a forma como as
pessoas pensam e se comportam. Ao fazer perguntas, ele constrói
possibilidades para que os pacientes compreendam melhor seus pensamentos
e tomem suas próprias decisões. Com essa técnica, os elementos
disfuncionais podem ser questionados e colocados em xeque.
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Questionamento socrático (ou maiêutica socrática) é questionamento
disciplinado que pode ser usado para perseguir o pensamento ainda que em
muitas direções e muitos propósitos: explorar ideias complexas, para chegar
a verdade das coisas, abrir questões e problemas, descobrir suposições,
analisar conceitos, diferenciar o que nós sabemos e o que não sabemos,
seguir implicações lógicas do pensamento ou controlar a discussão.
A chave para diferenciar o questionamento socrático do questionamento em si
é que o questionamento socrático é sistemático, disciplinado, profundo e
usualmente foca em conceitos fundamentais, princípios, teorias, questões ou
problemas. Questionamento socrático é que se refere em lecionar, e tem
circulado como um conceito em educação, particularmente nas duas últimas
décadas. Professores, estudantes ou de fato qualquer interessado em explorar
o pensamento em um nível mais profundo pode e deve construir questões
socráticas e se empenhar nessas questões. Questionamento socrático e suas
variantes também tem sido extensivamente usadas em psicoterapia e
aconselhamento.
No ensino, professores podem usar questionamento socrático para pelo menos
dois propósitos:
Para sondar mais profundamente o pensamento do estudante, ajudar
estudantes a diferenciar o que eles sabem ou entendem do que eles não
sabem ou não entendem (e para ajuda-los a desenvolver humildade intelectual
no processo).
Para criar nos alunos a habilidade de perguntar questões socráticas, para
ajudar estudantes a adquirir poderosas técnicas de dialogo socrático, para que
então eles possam usar essas técnicas no dia a dia (por questionar a si
mesmos e outros). Com esse fim, professores podem modelar os
questionamentos estratégicos que eles querem que estudantes simulem
empreguem. Além disso, professores precisam ensinar diretamente aos
estudantes como construir e perguntar questões profundas. Além disso,
estudantes precisam melhorar suas habilidades de questionamento.
Questionamento socrático elucida a importância de questionar no aprendizado.
Esclarece a diferença entre o pensamento sistemático e fragmentado.
Nos ensina a escavar debaixo da superfície de nossas ideias. Nos ensina o
valor de desenvolver questionamento de nossas mentes em cultivar um
aprendizado mais profundo. Integrando questões socráticas da seguinte
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maneira na classe de aula ajuda a desenvolver aprendizes ativos e
independentes.
Fazendo com que estudantes esclareçam seus pensamentos
e.g., „Por que você diz isso?‟, „Você poderia explicar mais?‟
Desafiando estudantes sobre suposições
e.g., „Esse é sempre o caso?‟, „Por que você pensa que essa suposição entra
aqui?‟
Evidencia como uma base para argumentar
e.g., „Por que diz isso?‟, „Existe algum motivo para duvidar dessa evidência?‟
Pontos de vistas e perspectivas alternativas
e.g., „Qual é o contra argumento?‟, „Alguém pode ver isso de outra maneira?‟
Implicações e consequências
e.g., „Mas se... aconteceu, o que poderia resultar?‟, „Como... afeta...?‟
Perguntar sobre a questão
e.g., „Por que você acha que eu perguntei essa questão?‟, „Por que a questão
foi...?‟
A arte do questionamento socrático está intimamente conectada com
o pensamento crítico porque a arte de questionamento é importante para a
excelência do pensamento. O que a palavra “socrática” adiciona para a arte do
questionamento é sistematicamente profundo e um interesse permanente em
acessar a verdade ou plausibilidade das coisas.
Ambos pensamento crítico e questionamento socrático procuram o significado
e a verdade. O pensamento crítico fornece as ferramentas racionais para
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monitorar, acessar e talvez reconstituir ou redirecionar nosso pensamento e
ação. O questionamento socrático coa explicitamente em enquadrar o auto
direcionamento, disciplinar questões para atingir um objetivo.
Questionamento socrático também tem sido utilizado em terapia, mais
notavelmente como uma técnica de reconstrução cognitiva em terapia
cognitiva, Logoterapia e psicoterapia Adleriana clássica. O proposito aqui é
ajudar a revelar as suposições e evidencias que sustentam o pensamento das
pessoas e respeito de problemas. Um conjunto de questões socráticas em
terapias cognitivas para lidar com pensamentos automáticos que angustia o
paciente.
Revelando o problema: „Que evidencia sustenta essa ideia? E que evidencia
é contra ela sendo verdade?‟
Concebendo alternativas razoáveis: „O que poderia ser outra explicação ou
ponto de vista para a situação? Por que outra razão isto aconteceu?‟
Examinando várias consequências potenciais: „Quais são os piores,
melhores, suportáveis e o resultado mais realistas?‟
Avaliar aquelas consequências: „Qual é o efeito de pensar ou acreditar
nisso? O que poderia ser o efeito de pensar diferentemente e não mais segurar
nessa crença?‟
Distanciamento: „Imagine um amigo/membro familiar especifico na mesma
situação ou se eles visualizassem a situação desse modo, o que eu diria a
eles?‟
O uso cuidadoso do questionamento socrático permite ao terapeuta um desafio
recorrente ou isolando instancias de um pensamento ilógico de uma pessoa
enquanto mantem uma posição aberta que respeita a lógica interna para
mesmo o mais aparente pensamento ilógico.
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TRANSTORNOS DE ANSIEDADE COM TCC
A ansiedade é uma emoção caracterizada por um estado desagradável de
agitação interior, muitas vezes acompanhada de comportamento nervoso,
como o de se embalar de trás para a frente.
É o sentimento desagradável de terror por eventos antecipados, tal
como a sensação de morte iminente.
Ansiedade não é o mesmo que medo. O medo é uma resposta a
uma ameaça real ou percebida, enquanto a ansiedade é a expectativa de uma
futura ameaça. A ansiedade é um sentimento de inquietação e preocupação,
geralmente generalizado e sem foco, como uma reação exagerada a uma
situação que é apenas subjetivamente vista como ameaçadora.
É muitas vezes acompanhada por tensão muscular, inquietação, fadiga e
problemas de concentração. A ansiedade pode ser apropriada, mas quando
experimentada regularmente, o indivíduo pode sofrer de transtorno de
ansiedade.
A Associação Americana de Psiquiatria criou o Manual de Diagnóstico e
Estatística dos Transtornos Mentais,e em sua 5ª edição, denominada DSM-5,
indica alguns critérios para definir o Transtorno de Ansiedade Social, sendo um
deles: “o medo ou ansiedade acentuadas acerca de uma ou mais situações
sociais em que o indivíduo é exposto a possível avaliação por outras pessoas”.
O Transtorno de Ansiedade Social é, portanto, um desconforto emocional
excessivo, que gera uma preocupação ou um medo que a pessoa tem de ser
avaliada negativamente pelos outros. É um medo de se expor ao olhar e ao
julgamento das outras pessoas, mesmo em grupos relativamente pequenos.
Este sentimento é desproporcional à ameaça real apresentada pela situação
social, e ocorre quase sempre de forma excessiva e exagerada, gerando um
quadro de ansiedade e muito desconforto.
Alguns exemplos de Transtorno de Ansiedade Social são situações em que o
indivíduo precisa falar em reuniões corporativas, apresentar trabalhos em sala
de aula, ser apresentado a pessoas novas em encontros sociais, comer em
público, entre outras situações.
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14
A ansiedade pode ser dividida em diversos tipos de transtornos, cada um com
uma causa e um sintoma diferente, não impedindo que ambos aconteçam
simultaneamente:
Transtorno de ansiedade generalizada (TAG)
É o mais comum. A pessoa passa praticamente o dia todo ansiosa e em alguns
momentos tem uns picos de ansiedade. Geralmente acontecem com um
nervosismo por uma situação que não aconteceu ainda, ou simplesmente por
receios.
Estresse pós-traumático
Acontece quando os sintomas de ansiedade começam a surgir após algum
ocorrido na vida da pessoa que a deixou traumatizada ou marcada. Pode ser
por uma perda muito grande, algum tipo de violência sofrida, por exemplo.
Esses pensamentos dos momentos ruins retornam a qualquer instante, até
mesmo em sonhos.
Síndrome do pânico
São períodos de crises intensas de ansiedade, que se desencadeiam por
algum tipo de trauma e medo agudo. É muito comum se evitar de ficar em
locais com pouco fluxo de pessoas, com medo de não conseguir ajuda durante
os ataques.
Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)
São pensamentos, ideias que estão constantes na cabeça da pessoa e ela não
consegue viver se não realizar a tarefa, como um ritual.
Fobias
São apresentações de ansiedades de maneira intensa, podendo ser elas
relacionadas a um objeto ou situação, por exemplo medo de baratas (tão
intenso de forma que a pessoa não pode nem sequer ver a imagem de uma
barata), ou também a fobias sociais, como medo descontrolado de falar em
público ou de estar no meio dele.
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O ser humano sempre pode apresentar algum comportamento diferenciado em
alguma parte de sua vida, é totalmente normal. Os sintomas da
ansiedade excessiva se apresentam quando você deixa de viver por causa de
preocupações ou por medos sem fundamento.
Esse tipo de problema psicológico não é algo que passa sozinho com o tempo,
ele deve ser tratado. Normalmente é necessário ajuda psicológica e terapêutica
para aprender a superar suas limitações e entender os seus traumas.
Se você conhece alguém com esse transtorno ou se você passa por esse tipo
de problema, procure por um especialista. A nossa mente pode ser o nosso
maior aliado ou o nosso pior inimigo, então não deixe de cuidar de sua saúde.
O tratamento é feito com psicoterapia e medicamentos, dentre os
quais ansiolíticos e antidepressivos. O tratamento é iniciado com ansiolíticos
como, por exemplo, os benzodiazepínicos. Logo após a estabilização do
paciente, o médico pode prescrever um antidepressivo para o controle da
ansiedade. Outra classe de medicamentos também utilizada são a dos
betabloqueadores. É sempre importante que o paciente consulte um médico,
pois esses medicamentos são normalmente controlados.
A terapia cognitivo-comportamental (TCC, REBT), mindfulness, meditação e
hipnose são formas de psicoterapia que trazem resultados através de
mudanças endógenas, transformando o indivíduo, sua personalidade e quadro
psicológico.
Uma revisão de estudos sugere que pessoas que experimentam sintomas de
ansiedade podem ser ajudadas tomando medidas para regular os
microrganismos em seu intestino usando alimentos e suplementos probióticos
e não-probióticos.
Há evidências crescentes de pesquisa de que, em algumas pessoas, o
envolvimento em qualquer religião está associado de forma transversal a uma
melhor saúde mental. Segundo o The Journal of Alternative and
Complementary Medicine, a eficácia da recitação do rosário para ansiedade
resulta de um estudo médico específico.
De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais
(DSM-IV), esse é um distúrbio que se caracteriza pela preocupação excessiva
ou expectativa apreensiva.
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Quais os principais sintomas do transtorno de ansiedade?
Preocupação Excessiva: A pessoa tende a se preocupar demais com as
mínimas coisas do dia a dia. E isso se torna algo recorrente e que persiste por
semanas e meses. A situação, além de interferir na rotina, traz um desgaste
físico, mental e emocional.
Dificuldades para dormir: Por mais que esteja cansada, a pessoa tem
dificuldades de descansar o corpo e a mente. Revira na cama, não consegue
se desligar de problemas e, quando finalmente dorme, tem sonos agitados e
que são interrompidos diversas vezes.
Dores musculares: Muitas vezes, o estresse e ansiedade são tão intensos
que se estendem para uma tensão muscular. Também é comum o chamado
bruxismo, que é aquele ranger forte dos dentes, que causa dores de cabeça e
na mandíbula.
Indigestão: Outros sintomas físicos da ansiedade aparecem no trato digestivo.
Algumas pessoas sentem dores de estômago, vontade de vomitar, cólicas,
inchaço, gases, constipação e diarreia.
Não é apenas a TAG que está ligada à ansiedade patológica. Outros distúrbios
que pessoas com esse transtorno podem apresentar:
Síndrome do Pânico: É marcada por diversos sintomas, como medo de morte,
angústia, medo de sair de casa, tremores, falta de ar, dor no peito, taquicardia,
entre outros. Essas manifestações podem durar cerca de 20 minutos ou até
serem mais longas. Não precisa de um motivo específico para a pessoa
desenvolver o pânico, pode surgir sem razão.
Agorafobia: Isso acontece em pessoas que já passaram por crises de
ansiedade ou fobia e vivem com medo e tensão de terem novas manifestações.
Isso faz com que o paciente evite lugares em que acredita que os sintomas
aparecem e pode causar um isolamento social.
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Estresse Pós- traumático: Ele se manifesta após um evento que causa
traumas, como assaltos, violência sexual, sequestro, acidentes, perdas
repentinas, entre outros. É comum que a pessoa sofra com flashbacks dessas
situações, o que causa sintomas de ansiedade.
TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo): Está ligado a pensamentos
obsessivos ligados à ansiedade e que geram comportamentos repetitivos,
como mania de limpeza, compulsão (seja por jogos, compras ou alimentar),
perfeccionismo, entre outros.
Fobias: É o medo irracional de diferentes coisas, como altura, voar de avião,
lugares fechados, animais, entre outros.
Uma mudança no estilo de vida também é essencial para combater a
ansiedade e inclui atividades físicas, alimentação rica e balanceada, contatos
sociais, momentos de lazer, entre outros.
Alimentos naturais que merecem entrar na dieta de pessoas que sofrem com
transtornos de ansiedade:
Oleaginosas - As castanhas, nozes e amêndoas são fontes ricas em magnésio,
mineral que bloqueia o NMDA, receptor que causa ansiedade e estresse.
Quinoa - Esse é um cereal rico em carboidratos complexos, que promovem a
saciedade e fornecem energia para o cérebroe o corpo ao longo do dia.
Arroz Integral - O arroz é fonte de aminoácidos essenciais, que reduzem a
ansiedade, depressão e estresse. Esse é também um cereal que é fonte de
melatonina, o hormônio do sono.
Chocolate - O cacau, principal ingrediente do chocolate amargo, ajuda a reduzir
os níveis de cortisol, hormônio que produz o estresse.
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TRANSTORNOS DE HUMOR COM TCC – DEPRESSÃO
Caballo (2003) traça algumas intervenções específicas para a preocupação.
Dentre elas, destaca-se e importa, neste estudo, o treinamento em solução de
problemas adaptado (TSP) - este treinamento diz respeito às preocupações
com problemas baseados na realidade, os quais podem ser modificados. Para
isso, devem-se utilizar dois tipos de estratégias:
1. Orientação em relação ao problema - envolve as reações cognitivas e
comportamentais do paciente ao problema. O paciente com transtorno de
ansiedade tem orientação deficiente em relação ao problema, o que dificulta a
aplicação das habilidades de solução de problemas, uma vez que ele
apresenta preocupação excessiva e sensação de falta de controle pessoal.
2. Habilidades de solução de problemas - referem-se aos comportamentos de
solução de problemas. Este componente compreende quatro passos:
a) definição do problema;
b) geração de soluções alternativas;
c) tomada de decisão; e
d) prática da solução escolhida e avaliação de seus efeitos.
O tratamento na abordagem cognitiva comportamental nos casos de
ansiedade, tanto de ajustamento quanto generalizada, requer um foco na
resolução de problemas e na habilidade de escolhas. Nessa proposta, os
ganhos do paciente se direcionam à autonomia, pois ele passa de uma atitude
passiva e evitativa em função do sentimento de impotência, de incapacidade e
do medo de tomar decisões, a uma postura menos rígida e consciente das
suas reais possibilidades de escolha.
A depressão é um problema médico grave e altamente prevalente na
população em geral. De acordo com estudo epidemiológico a prevalência de
depressão ao longo da vida no Brasil está em torno de 15,5%. Segundo a
OMS, a prevalência de depressão na rede de atenção primária de saúde é
10,4%, isoladamente ou associada a um transtorno físico.
De acordo com a OMS, a depressão situa-se em 4º lugar entre as principais
causas de ônus, respondendo por 4,4% dos ônus acarretados por todas as
doenças durante a vida. Ocupa 1º lugar quando considerado o tempo vivido
com incapacitação ao longo da vida (11,9%).
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A época comum do aparecimento é o final da 3ª década da vida, mas pode
começar em qualquer idade. Estudos mostram prevalência ao longo da vida em
até 20% nas mulheres e 12% para os homens.
Causas da depressão
Genética: estudos com famílias, gêmeos e adotados indicam a existência de
um componente genético. Estima-se que esse componente represente 40% da
suscetibilidade para desenvolver depressão;
Bioquímica cerebral: há evidencias de deficiência de substancias cerebrais,
chamadas neurotransmissores. São eles Noradrenalina, Serotonina e
Dopamina que estão envolvidos na regulação da atividade motora, do apetite,
do sono e do humor;
Eventos vitais: eventos estressantes podem desencadear episódios
depressivos naqueles que tem uma predisposição genética a desenvolver a
doença.
Humor depressivo
Sensação de tristeza, autodesvalorização e sentimento de culpa. Acreditam
que perderam, de forma irreversível, a capacidade de sentir prazer ou alegria.
Tudo parece vazio, o mundo é visto sem cores, sem matizes de alegria. Muitos
se mostram mais apáticos do que tristes, referindo “sentimento de falta de
sentimento”. Julgam-se um peso para os familiares e amigos, invocam a morte
como forma de alívio para si e familiares. Fazem avaliação negativa acerca de
si mesmo, do mundo e do futuro Percebem as dificuldades como
intransponíveis, tendo o desejo de por fim a um estado penoso. Os
pensamentos suicidas variam desde o desejo de estar morto até planos
detalhados de se matar. Esses pensamentos devem ser sistematicamente
investigados
A depressão pode ter cura, entretanto, como suas causas ainda não foram
totalmente esclarecidas, não existe uma fórmula, e sim, várias alternativas que
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podem ser usadas para cada caso, para modificar a resposta cerebral e
melhorar o humor.
Ela é um transtorno psiquiátrico, em que o humor deprimido e a perda de
vontade, associado a outros sintomas, como alterações do sono, do apetite,
cansaço e sensação de culpa, atrapalham o dia-a-dia da pessoa. Existem
fatores que influenciam o desenvolvimento da depressão, como
causas genéticas, ou hereditárias, e causas ambientais, como um momento
estressante da vida ou a perda de alguém importante, por exemplo. Para
entender melhor os sintomas e as causas da desta doença, veja como
diferenciar a tristeza da depressão.
Os antidepressivos são medicamentos usados para repor os
neurotransmissores no cérebro, como serotonina, dopamina e
noradrenalina que, normalmente, estão diminuídos na depressão. O uso de
remédios é indicado principalmente nos casos moderados e graves, devendo
ser usados com regularidade pois, caso contrário, pode ser muito difícil se
recuperar da doença.
Os remédios passam a fazer efeito em cerca de 2 a 6 semanas, e o tempo de
tratamento também pode variar de pessoa para pessoa, sendo, em alguns
casos, necessário por apenas um curto período, como 6 meses, como também
pode ser necessário por vários anos. O que irá ajudar o médico a determinar o
tempo de tratamento, a dose e o tipo do remédio é a melhoria dos sintomas e a
forma como a pessoa está reagindo ao tratamento.
Além disso, somente o uso de remédios pode não ser suficiente para curar
uma depressão, sendo importante que a pessoa trabalhe o seu lado
psicológico, através de conversas, sessões de psicoterapia e atividades que
estimulem auto-conhecimento, por exemplo.
A psicoterapia é feita por um psicólogo ou psicoterapeuta, e é importante para
ajudar na resolução de dificuldades emocionais, estimulando o auto-
conhecimento e a resolução de conflitos internos da pessoa. Ela
é fundamental, mesmo quando a pessoa já utiliza medicamentos, pois ajuda a
reorganizar os pensamentos e estimular sentimentos e sensações de alegria.
As sessões de psicoterapia costumam ser feitas 8, 4 ou 2 vezes por mês, por
exemplo, a depender da necessidade de cada pessoa.
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TRANSTORNOS DE HUMOR COM TCC – BIPOLARIDADE
A característica predominante neste transtorno envolve a presença de
oscilações de humor, entre episódios de mania ou hipomania e episódios
depressivos. Um episódio maníaco traz como principais sintomas, por pelo
menos uma semana: humor distintamente elevado, expansivo ou irritável,
autoestima inflada, agitação psicomotora, sensação de bem-estar e energia
intensos (SADOCK; SADOCK, 2007).
Os pacientes, durante esse episódio, costumam ficar mais excitados e com o
pensamento acelerado, comportando-se de modo inconveniente e
demonstrando pouca tolerância à frustração. É comum a esses pacientes
apresentarem um aumento da libido, uma perda da necessidade de dormir,
além de gastos com dinheiro mais elevados do que o normal. A fuga de ideias,
as alucinações e os delírios de grandeza também podem estar presentes,
especialmente no caso de episódios maníacos (SAFFI; ABREU; NETO, 2011).
O episódio hipomaníaco engloba os sintomas maníacos de forma mais branda,
visto que os mesmos não são severos o suficiente para produzir psicose. O
episódio depressivo tem como características: humor deprimido, melancólico,
“para baixo”, acompanhado de desânimo, falta de energia, diminuição da libido,alterações no apetite e no sono, agitação ou retardo psicomotor, sentimentos
de inutilidade ou culpa, ideias recorrentes sobre morte / tentativas de suicídio
(DELL‟AGLIO JÚNIOR et al., 2007; SADOCK; SADOCK, 2007; AMERICAN
PSYCHIATRIC ASSOCIATION, APA, 2014).
Pesquisas atuais apontam a existência de diversos modelos de tratamentos
psicoterápicos para o transtorno bipolar, de forma a abordar as variadas formas
de atenção à saúde, em seus aspectos bio-psico-socio-culturais. Caso
contrário, a abordagem utilizada estará sujeito ao fracasso (MATTA et al.,
2010; LOLICH et al., 2012; MENEZES; SOUZA, 2012). Uma das intervenções
psicossociais que mais contam com validade empírica para o transtorno bipolar
é a terapia cognitivo-comportamental (TCC) (GONÇALVES; SANTIN;
KAPCZINSKI, 2008; CORDIOLI, 2009; SAFFI; SAVOIA; NETO, 2008; LOLICH
et al., 2012).
O transtorno bipolar resulta de distúrbios na função dos neurotransmissores
cerebrais, e a psicoterapia clássica não mostrou benefício no tratamento dessa
doença, nos trabalhos já publicados. No entanto, novas abordagens têm
provado sua eficácia. Além disso, os especialistas em saúde mental devem
fornecer apoio psicológico adequado aos pacientes, pois isso é essencial no
tratamento dos mesmos, em todas as fases da doença.
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Fornecimento de informações ao paciente sobre a sua doença e as opções de
tratamento, ajudando-os a seguir o tratamento adequadamente;
Os profissionais têm papel importante em ajudar o paciente a se ajustar à
realidade da doença, entendendo as consequências de cada fase, mania e
depressão;
Fornecem apoio aos pacientes com relação aos seus sentimentos de culpa e
remorso, que costumam se seguir aos episódios de mania;
É importante a monitoração do paciente, de forma a intervir mais
precocemente, no início da crise. Isso reduz a gravidade da mesma;
Ajudam também o paciente a lidar com sentimentos de imperfeição e
desespero, ao compreenderem melhor sua doença.
A terapia cognitivo comportamental é um método estruturado, que ajuda o
paciente a reconhecer seus pensamentos negativos e seus padrões de
comportamento e a modificá-los.
O envolvimento dos familiares e dos parceiros é de extrema importância no
tratamento dos pacientes com transtorno bipolar. A terapia cognitivo-
comportamental também é útil, já que auxilia na aceitação da doença e da
necessidade do uso de medicamentos, bem como ensina aos pacientes como
proteger-se e precaver-se dos danos financeiros que podem advir dos
episódios de mania. Estudos mostram que, quando o(a) companheiro(a) está
envolvido no tratamento, a chance de seguimento da terapia proposta é maior.
O transtorno bipolar (CID 10 - F31) é uma doença que causa alterações no
comportamento e leva uma pessoa a oscilar entre momentos de felicidade
e depressão repentinamente. As chamadas "oscilações de humor" significam
alternâncias entre a mania (estado eufórico) para um estado depressivo. A
frequência é variada, assim como a intensidade do quadro que pode ser leve,
moderada ou grave.
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TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL PARA
CRIANÇAS E ADOLESCENTES
O terapeuta cognitivo da infância e adolescência deve exercer sua prática com
sensibilidade e criatividade, com a certeza de que cada criança é um ser único
e especial e que o trabalho na infância pode contribuir significativamente para o
enriquecimento clínico e pessoal do profissional.
Integrando aspectos teóricos e práticos e direcionada tanto ao tratamento como
à prevenção e à promoção de saúde, esta obra, que reúne capítulos de
destacados terapeutas e pesquisadores brasileiros e estrangeiros, aborda a
intervenção grupal em terapia cognitivo-comportamental com crianças e
adolescentes.
Ao apresentar desafios, demandas e intervenções viáveis, visa a contribuir
para a formação de estudantes em saúde mental, bem como para a
atualização e o aprimoramento dos profissionais que atuam na área.
Leitura complementar:
Terapia Cognitivo-Comportamental em Grupo
Para crianças e adolescentes
Editora: ARTMED
Autor: NEUFELD
Embora a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
com crianças e adolescentes esteja crescendo significativamente no contexto
das psicoterapias, atualmente ainda são poucos os profissionais que
têm conhecimento de como é realizada a terapia de crianças e adolescentes na
abordagem cognitivo-comportamental.
Ao apresentar um panorama geral sobre os aspectos teóricos e práticos da
TCC com crianças e adolescentes. São apresentadas as características da
TCC com crianças e adolescentes, assim como as principais diretrizes para a
avaliação da TCC na infância e adolescência e para o treino de pais. Ainda,
são descritas as principais intervenções cognitivas e comportamentais na
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infância e adolescência, de modo a desfazer mitos e confusões acerca da
aplicação das técnicas. Em seguida é apresentado o caso clínico de
uma criança atendida em TCC, de modo a servir como exemplo ilustrativo e
proporcionar um maior entendimento acerca do manejo e adequação
das técnicas aos objetivos da TCC com crianças e adolescentes.
A TCC com crianças é fundamentalmente semelhante, tanto na teoria quanto
na prática, à TCC com adultos. Fundamenta-se na suposição de que o
comportamento é adaptativo e de que existe interação entre os pensamentos,
sentimentos e comportamentos da pessoa. A TCC com crianças e
adolescentes é promissora no sentido de que reconhece explicitamente a
importância das variáveis cognitiva, comportamental, afetiva e socioambiental
na etiologia e manutenção de transtornos emocionais.
Fatores biológicos, genéticos, interpessoais e ambientais influenciam-se
reciprocamente. De forma similar, parece haver uma gama de fatores
interpessoais, cognitivos e sociais que cumprem uma função protetora e
diminuem tais riscos. O desafio do terapeuta consiste em tentar compreender a
forma pela qual todos esses fatores interagem na mediação do surgimento da
psicopatologia na infância.
Dessa forma, a TCC utiliza estratégias e sessões estruturadas, bem como
intervenções cognitivas e comportamentais para modificar comportamentos,
pensamentos e sentimentos. O modelo dá ênfase na influência das
contingências e dos modelos presentes no ambiente da criança,
simultaneamente enfatiza o aspecto central que o processamento individual da
informação e a experiência emocional têm no desenvolvimento e manutenção
dos problemas psicológicos.
A literatura sobre saúde mental infantil, ao contrário da literatura sobre
tratamento do adulto, é recente e pode ser identificada apenas desde o início
do século XX. Apenas no final do século XIX, a adolescência passou a ser vista
como um período distinto do desenvolvimento e, somente alguns anos mais
tarde, foram propostos os tratamentos psicoterapêuticos para problemas
comportamentais e emocionais de crianças e adolescentes.
As primeiras tentativas de aplicação da TCC para jovens focalizavam
problemas que incomodavam os adultos, como impulsividade na sala de aula,
problemas de comportamento e desatenção, hiperatividade. Somente após
alguns anos, o tratamento passou a ser aplicado para os chamados
“transtornos internalizados”, como depressão e ansiedade. Somente a partir do
que passaria a ser considerado a “segunda geração” da TCC para crianças e
adolescentes, o tratamento passou a ser aplicado para os chamados
“transtornos internalizantes” (como depressão e ansiedade). Jovens com
depressão e ansiedade, nessa ordem, passaram a constituir o próximo foco. A
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TCC para ansiedade, inicialmente, era aplicada para fobias específicas, tais
como medos noturnos.
Quando as respostas comportamentaise emocionais de uma criança ou
adolescente não são funcionais, ou seja, são inadequadas, causam sofrimento
e prejudicam de forma significativa sua adaptação social e acadêmica,
presume-se que estão faltando habilidades comportamentais mais adequadas
e/ou que existem conteúdos cognitivos disfuncionais e/ou a capacidade de
resolução de problemas está prejudicada9. A presença de um distúrbio
psicológico pode ser percebida quando um ou mais comportamentos se
afastam de uma norma social arbitrária e relativa, porque ocorrem com uma
frequência ou intensidade que os adultos significativos de seu meio julgam ser
muito alta ou muito baixa.
Para determinar se o comportamento de uma criança é problemático, é
necessário um entendimento das tarefas do desenvolvimento exigidas com que
elas se defrontam. Quando o comportamento da criança desvia-se
significativamente das expectativas do desenvolvimento, deve ser procurada
ajuda de um profissional para corrigir essas falhas. Dessa forma, orientar
crianças e suas famílias através desses desvios de desenvolvimento é
frequentemente um dos principais focos do tratamento.
A Terapia Cognitivo-Comportamental merece elogios, por sua sensibilidade
frente aos aspectos do desenvolvimento das crianças e adolescentes, bem
como por sua ênfase em validar a eficácia das intervenções que tiveram origem
no modelo. A sensibilidade às questões desenvolvimentais da criança é crucial
para o sucesso de um trabalho cognitivo-comportamental com estas.
Poucas crianças vêm para a terapia por conta própria. Elas são trazidas para
tratamento em geral, pelos pais ou responsáveis, devido a problemas que elas
podem ou não admitir que têm. Além disso, frequentemente as crianças são
encaminhadas para terapia porque suas dificuldades psicológicas criam
problemas em algum sistema, geralmente na família ou escola.
As crianças raramente iniciam ou terminam o tratamento. Podem gostar da
terapia e fazer progressos significativos, contudo, por várias razões, seus pais
ou responsáveis é que encerram o tratamento. Em outros casos, as crianças
podem até temer ou evitar o processo terapêutico, mas circunstâncias externas
(como por exemplo, determinação judicial, exigência da escola etc.) podem
forçá-las a fazer. Em nenhum caso, a criança controla o processo.
Para iniciar o tratamento, é necessário um bom diagnóstico, o qual inclui uma
ampla avaliação com informações de fontes diversas, como a família, a escola
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e caso haja outros profissionais que atendam a criança ou adolescente (por
exemplo, pediatra, fonoaudiólogo).
Além de diversificar as fontes, também é importante verificar os métodos, os
quais abrangem entrevista com os pais, observação do paciente na sessão, em
casa e na escola, desenhos, textos, redações, aplicação de inventários e
escalas e monitoramento das atividades diárias. Considerando-se que o meio
onde a criança ou adolescente estão inseridos é tão importante na concepção
comportamental de distúrbio psicológico, pode-se antecipar que a intervenção
será tanto mais efetiva quanto maior for a alteração nos elementos negativos
que atuam sobre estes (familiares, institucionais etc.). Consequentemente, a
família e/ou escola apoiando o trabalho do psicólogo, além da intervenção ser
mais eficaz, poderá também ser mais efetiva, isto é, alcançar mudanças mais
duradouras.
Educar o paciente e seus pais ou responsáveis sobre o modelo de tratamento é
um passo fundamental para desmistificar o processo terapêutico e incentivar
uma atitude colaborativa com o tratamento. Precisa-se descrever o processo
de forma simples e compreensível para ambos.
Embora a TCC deva ser adaptada para adequar-se as características
individuais das crianças e adolescentes, vários princípios originalmente
estabelecidos através do trabalho com adultos ainda se aplicam.
A estrutura da sessão pode ser flexivelmente aplicada com crianças, e tem um
formato de “contenção” para elas, pois fornece uma estrutura organizada para
a expressão e a modulação de seus pensamentos e sentimentos. Aumentar o
senso de controle da criança e diminuir seu senso de imprevisibilidade pode
levar a um maior envolvimento e participação no tratamento.
A TCC com crianças baseia-se em uma abordagem empírica, de “aqui agora”.
Visto que as crianças são orientadas à ação, elas aprendem com facilidade
fazendo. A ação na terapia é estimulante, pois a motivação das crianças
aumentará quando elas estiverem se divertindo7. Quanto mais as crianças
estão envolvidas e comprometidas com o processo, menos a terapia parece
um trabalho. O reforço é uma parte fundamental desse trabalho. As crianças
são reforçadas a arrumar seus brinquedos na sala de terapia, completar a
tarefa de casa, revelar seus pensamentos e sentimentos, e assim por diante.
As recompensas comunicam expectativas e correspondem a funções de
motivação, atenção e retenção6, ou seja, envolvem as crianças, dirigem-nas ao
que é importante e ensinam a elas o que devem lembrar.
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ESTRUTURA DA TERAPIA
Buscar um atendimento psicológico é muito comum e não precisa estar
associado diretamente com uma doença. Terapia é para todo mundo e, dentro
da psicologia, existem diversos tipos de abordagens terapêuticas. Entre elas a
Psicanálise Freudiana, a Psicologia Analítica ou Jungiana, a Psicanálise
Lacaniana, Analítico-Comportamental, Gestalt, Psicodrama e também a
Terapia Cognitivo Comportamental.
Dentro da psicologia, existem ainda diversas abordagens que podem
solucionar transtornos psicológicos de todos os tipos. Entre suas abordagens,
está a Terapia Cognitivo Comportamental ou TCC.
A Terapia Cognitivo Comportamental ou TCC é uma abordagem
da psicoterapia baseada na combinação de conceitos do Behaviorismo radical
com teorias cognitivas. A TCC entende a forma como o ser humano interpreta
os acontecimentos como aquilo que nos afeta, e não os acontecimentos em si.
Ou seja: é a forma como cada pessoa vê, sente e pensa com relação à uma
situação que causa desconforto, dor, incômodo, tristeza ou qualquer outra
sensação negativa.
A Terapia Cognitiva foi fundada no início dos anos 60 por Aaron Beck,
Neurologista e Psiquiatra norte-americano. Beck propôs, inicialmente, um
“modelo cognitivo da depressão” e que posteriormente evoluiu para a
compreensão e tratamento de outros transtornos.
Imagem: vittude.com/blog
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Entre as técnicas para mudanças de comportamento dentro da Terapia
Cognitivo Comportamental estão:
Reversão de hábitos para aumentar a percepção do paciente sobre cada
episódio que traz desconforto. Gerar a capacidade de interromper isso com
uma resposta mais adequada.
Aumentar a consciência para identificar os fatores desencadeantes e as
sequências de acontecimentos associados com determinado sintoma ou
comportamento.
Monitoramento e registro de cada ocorrência. Anota-se informações como dia e
hora, localização, pensamentos, sentimentos e emoções que podem ser úteis
ao tratamento.
Utilização de uma resposta adequada para controlar a reação.
Controle de stress, ensinando maneiras eficientes de respiração, relaxamento
muscular e técnicas cognitivas para ajudar o controle da angústia.
Prevenção de recaídas, ensinando o paciente a lidar com os fatores que
desencadeiam situações negativas.
Todos podem fazer a Terapia Cognitivo Comportamental: homens, mulheres,
crianças, adultos, pessoas com algum transtorno mental ou que estão
passando por qualquer tipo de conflito interno. Entretanto, a TCC é altamente
recomendada principalmente em casos de depressão, transtornos de
ansiedade, transtorno obsessivo compulsivo, síndrome do pânico, fobia social e
outras situações que possuem como base fundamentalos comportamentos,
pensamentos e emoções da pessoa com relação à vida.
A estrutura de uma sessão de terapia cognitiva é basicamente a mesma dentre
os diversos tipos de diagnóstico, mas as intervenções e as técnicas variam de
acordo com cada paciente.
No início da sessão é fundamental que o terapeuta estabeleça uma boa aliança
terapêutica com o paciente, checando seu o humor e os sintomas que ele
experimentou na última semana.
Em seguida, o terapeuta deve listar com o paciente quais os assuntos gostaria
de abordar naquela sessão. Estes assuntos podem ser eventos novos que
aconteceram naquela semana ou temas previamente abordados que estão
sendo trabalhados de forma direcionada.
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O terapeuta pergunta sobre as atividades que deixou prevista para o paciente
fazer, avaliando se o seu plano foi executado e se os resultados estão sendo
observados.
Ao longo da sessão o terapeuta irá colhendo os dados de cada assunto,
buscando a conceitualização cognitiva do que está sendo trazido pelo paciente.
O terapeuta investiga o que o paciente estava pensando, sentindo e fazendo
em cada determinada situação, a fim de estabelecerem um plano de ação,
considerando as estratégias de enfrentamento de forma colaborativa. As
estratégias incluem resolução objetiva de problemas, processo de tomada de
decisão, avaliação dos pensamentos de forma socrática, análise das crenças
internas, modificação de crenças nucleares, entre outras.
Ao final de cada sessão o terapeuta pede um feedback sobre o que trataram na
sessão a fim de avaliar se as estratégias estão sendo aproveitadas pelo
paciente.
O que dizem as pesquisas científicas sobre a eficácia da Terapia Cognitiva
Comportamental?
A TCC está em constante evolução pelo que é chamado de "evidência
empírica" ou "prática baseada em evidências”. Esta forma de psicoterapia é
constantemente alinhada com as últimas recomendações da pesquisa
sugerindo o que funciona melhor para cada tipo de diagnóstico.
Em um estudo importante de revisão sistemática (Hofmann et al, 2012), foram
identificados 269 pesquisas e encontrada uma amostra representativa de 106
meta análises, examinando TCC para diversos problemas.
As melhores evidências são para a aplicação da TCC nos transtornos de
ansiedade, transtornos somatoformes, bulimia, problemas de controle de raiva
e estresse geral. Onze estudos compararam as taxas de resposta entre a TCC
e outros tratamentos ou condições de controle, destes a TCC mostrou taxas de
resposta mais elevadas do que as outras abordagens em 7 destas revisões.
Em geral, a evidência da TCC é muito forte (Warwick at al., 2016; de Hullu et
al., 2016). No entanto, ainda são necessárias mais pesquisas para examinar a
eficácia da TCC em estudos randomizados controlados.
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PRINCÍPIOS BÁSICOS E ETIOLÓGICOS
A prática clínica da terapia cognitivo-comportamental (TCC) baseia-se em um
conjunto de teorias bem-desenvolvidas que são usadas para formular planos
de tratamento e orientar as ações do terapeuta.
A TCC é uma abordagem de senso comum que se baseia em dois princípios
centrais:
Nossas cognições têm uma influência controladora sobre nossas
emoções e comportamento; e
O modo como agimos ou nos comportamos pode afetar profundamente
nossos padrões de pensamento e nossas emoções.
Os componentes comportamentais do modelo de terapia cognitivo-
comportamental tiveram seu início nos anos de 1950 e 1960, quando
pesquisadores clínicos começaram a aplicar as idéias de Pavlov, Skinner e
outros behavioristas experimentais (Rachman, 1997). Joseph Wolpe (1958) e
Hans Eysenck (1966) foram pioneiros na exploração do potencial das
intervenções comportamentais, como a dessensibilização (contato gradual com
objetos ou situações temidos) e treinamento de relaxamento. Muitas das
abordagens iniciais ao uso dos princípios comportamentais para a psicoterapia
prestavam pouca atenção aos processos cognitivos envolvidos nos transtornos
psiquiátricos. Pelo contrário, o foco era moldar o comportamento mensurável
com reforçadores e em eliminar as respostas de medo através de exposição.
Foram identificados três níveis básicos de processamento cognitivo por Beck e
seus colegas (Beck et al., 1979; D. A. Clark et al., 1999; Dobson e Shaw,
1986). O nível mais alto da cognição é a consciência, um estado de atenção no
qual decisões podem ser tomadas racionalmente. A atenção consciente nos
permite:
Monitorar e avaliar as interações com o meio ambiente;
Ligar memórias passadas às experiências presentes;
Controlar e planejar ações futuras (Sternberg, 1996).
Na TCC, os terapeutas incentivam o desenvolvimento e a aplicação de
processos conscientes adaptativos de pensamento, como o pensamento
racional e a solução de problemas.
O terapeuta também dedica bastante esforço para ajudar os pacientes a
reconhecer e mudar o pensamento patológico em dois níveis de
processamento de informações relativamente autônomo: pensamentos
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automáticos e esquemas (Beck et al., 1979; D. A. Clark et al., 1999; Wright et
al., 2003). Pensamentos automáticos são cognições que passam rapidamente
por nossas mentes quando estamos em meio a situações (ou relembrando
acontecimentos).
Embora possamos estar subliminarmente conscientes da presença de
pensamentos automáticos, normalmente essas cognições não estão sujeitas à
análise racional cuidadosa. Esquemas são crenças nucleares que agem como
matrizes ou regras subjacentes para o processamento de informações. Eles
servem a uma função crucial aos seres humanos, que lhes permite selecionar,
filtrar, codificar e atribuir significado às informações vindas do meio ambiente.
Exercício:
Reconhecendo os pensamentos automáticos: Um registro de pensamento em
três colunas :
Desenhe três colunas em uma folha de papel e escreva em cada uma delas
“situação”, “pensamentos automáticos” e “emoções”.
Agora, relembre uma situação recente (ou uma lembrança de um evento) que
pareceu mexer com suas emoções, como ansiedade, raiva, tristeza, tensão
física ou alegria.
Tente se imaginar estando de volta na situação, exatamente como aconteceu.
Quais foram os pensamentos automáticos que ocorreram nessa situação?
Escreva a situação, os pensamentos automáticos e as emoções nas três
colunas do registro de pensamento.
Às vezes, os pensamentos automáticos podem ser logicamente verdadeiros e
podem ser uma percepção adequada da realidade da situação. Por exemplo,
poderia ser verdade que Martha estivesse em risco de perder seu emprego ou
que seu marido estivesse fazendo comentários críticos sobre seu
comportamento. A TCC não quer encobrir problemas reais. Se uma pessoa
estiver passando por dificuldades substanciais, métodos cognitivos e
comportamentais são usados para ajudá-la a enfrentar a situação. Contudo, em
pessoas com transtornos psiquiátricos, normalmente há oportunidades
excelentes de apontar erros no raciocínio e outras distorções cognitivas que
podem ser modificadas com as intervenções da TCC.
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Referências Bibliográficas
Sobre o autor:
Wikipédia, a enciclopédia livre.
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Thaisa.Psicóloga cognitivo comportamental.O que são erros cognitivos?
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http://psicologathaisa.blogspot.com/2013/03/o-que-sao-erros-cognitivos.html
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Maria Ines Santanade Oliveira. Revista Brasileira de Terapias
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Maria Inês Paton Ramos, psicóloga.CRP 06/48.803-2 – SP. Nossos
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Sobre o autor:
tatiana.barros.Transtorno de ansiedade: causas, sintomas e como tratar a
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Claudia Faria.Psicóloga.O que fazer para curar a depressão.
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https://www.tuasaude.com/depressao-tem-cura/
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Sobre o autor:
Fábio Riva, Sabrina Zancanella, Olga Iracema Canova, Janaina Mariuzzi,
Cristina Pilla Della Méa.Terapia Cognitivo-Comportamental no Transtorno
Bipolar
. Mostra de Iniciação Cirntífica IMED.
Disponível em:
https://www.imed.edu.br/
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Sobre o autor:
EQUIPE BOA SAÚDE.Equipe Editorial Bibliomed.Transtorno bipolar –
tratamento psicológico e recomendações.
Disponível em:
https://www.boasaude.com.br/artigos-de-saude/5287/-1/transtorno-bipolar-x-
tratamento-psicologico-e-recomendacoes.html
Pesquisa realizada em: 17/02/2020
Sobre o autor:
Redação.Redação Minha Vida.Transtorno bipolar: o que é, sintomas e
tratamentos.
Disponível em:
https://www.minhavida.com.br/saude/temas/transtorno-bipolar
Pesquisa realizada em: 17/02/2020
Sobre o autor:
Thais Machado. CRP 03/12331.Psicóloga pela Universidade Salvador –
UNIFACS e terapeuta cognitiva pelo Centro de Terapia Cognitiva (CTC).
Disponível em:
https://www.thaismachadopsicologa.com.br/single-post/2017/02/21/Terapia-
Cognitivo-Comportamental-com-crian%C3%A7as-e-adolescentes-FINAL
Pesquisa realizada em: 17/02/2020
Sobre o autor:
NEUFELD.Terapia Cognitivo-Comportamental em Grupo Para crianças e
adolescentes.Editora: ARTMED.
Disponível em:
https://www.booktoy.com.br/terapia-cognitivo-comportamental-em-grupo-8155
Pesquisa realizada em: 17/02/2020
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Sobre o autor:
Pureza, Juliana da Rosa; Ribeiro, Agliani Osório; Pureza, Janice da Rosa;
Lisboa, Carolina Saraiva de Macedo.Rev. Bras. Psicoter.
(Online).Fundamentos e aplicações da Terapia Cognitivo-Comportamental com
crianças e adolescentes. Biblioteca Virtual em Saúde.
Disponível em:
https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-847889
Pesquisa realizada em: 17/02/2020
Sobre o autor:
Elizeth Heldt – Enfermeira psiquiátrica, professora adjunta da Escola de
Enfermagem da UFRGS, mestre e doutora em Psiquiatria pela UFRGS.Luciano
Isolan – Médico psiquiatra, psiquiatra da infância e adolescência, mestre e
doutorando em Psiquiatria pela UFRGS.
Maria Augusta Mansur – Psicóloga, especialista em Psicoterapia Cognitivo-
comportamental, mestranda em Psiquiatria pela UFRGS.Rafaela Behs Jarros –
Psicóloga, mestranda em Psiquiatria pela UFRGS.TERAPIA COGNITIVO-
COMPORTAMENTAL NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA-por Elizeth Heldt,
Luciano Isolan, Maria Augusta Mansur e Rafaela Behs Jarros. In:
APRENDIZAGEM, COMPORTAMENTO E EMOÇÕES NA INFÂNCIA E
ADOLESCÊNCIA: UMA VISÃO TRANSDISCIPLINAR. Organização: Elisabete
Castelon Konkiewitz. Editora UFGD, Dourados, 2013.
Disponível em:
http://cienciasecognicao.org/neuroemdebate/?p=2962
Pesquisa realizada em: 17/02/2020
Sobre o autor:
Tainan Morena Baldivia Nogueira.Vittude Blog.Terapia cognitivo
comportamental: o que é, como funciona e quando devo procurar?
Disponível em:
https://www.vittude.com/blog/terapia-cognitivo-comportamental/
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Pesquisa realizada em: 17/02/2020
Sobre o autor:
Maria Alice Fontes, Psy. Ph.D. Plenamente.O que é Terapia Cognitiva
Comportamental?
Disponível em:
http://www.plenamente.com.br/artigo.php?FhIdArtigo=222
Pesquisa realizada em: 17/02/2020
Sobre o autor:
Jesse H. Wright, Monica R. Basco & Michael E. Thase.Aprendendo a terapia
cognitivo-comportamental. Princípios básicos da terapia cognitivo-
comportamental.
Disponível em:
https://www.larpsi.com.br/
Pesquisa realizada em: 17/02/2020
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1
A Psicomotricidade e o Desenvolvimento Humano.............................................2
Teorias e Movimentos da Psicomotricidade........................................................4
Vertentes da Psicomotricidade............................................................................5
Educação Psicomotora........................................................................................6
Desenvolvimento Cognitivo Inicial e da Primeira Infância...................................7
O Brincar na Construção do Desenvolvimento da Criança.................................8
Transtorno Global do Desenvolvimento - TGD TEA..........................................11
Filogênese da Motricidade Humana..................................................................12
Referências bibliográficas..................................................................................13
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2
A PSICOMOTRICIDADE E O DESENVOLVIMENTO HUMANO
O desenvolvimento humano, de acordo com o Programa das Nações Unidas
para o Desenvolvimento (PNUD), é aquele que situa as pessoas no centro do
desenvolvimento, promovendo a realização do seu potencial, o aumento de
suas possibilidades e o desfrute da liberdade de viver a vida que elas desejam.
O conceito de desenvolvimento humano, como bem sublinhou Amartya Sen,
tem as suas origens no pensamento clássico e, em particular, nas ideias
de Aristóteles, que acreditava que alcançar a plenitude do florescimento das
capacidades humanas é o sentido e fim de todo desenvolvimento. O conceito
de desenvolvimento humano tornou-se um conceito paralelo à noção
de desenvolvimento econômico, embora o primeiro seja mais amplo, pois,
ademais de considerar os aspectos relativos à economia e os ingressos,
integra aspectos como a qualidade de vida, bem-estar individual e social
e felicidade, inspirado no artigo 22 e seguintes da Declaração Universal dos
Direitos Humanos de 1948.
O desenvolvimento humano é o processo pelo qual uma sociedade melhora a
vida dos seus cidadãos através do aumento dos bens com os quais podem
satisfazer as necessidades básicas e complementares de todos, e a criação de
um entorno que respeite os direitos humanos. Também é considerado como a
quantidade de opções que tem um ser humano no seu próprio meio de ser e/ou
fazer oque deseja ser e/ou fazer. O desenvolvimento humano pode ser
definido como uma forma de medir a qualidade da vida humana no meio em
que se vive, sendo uma variável chave para a classificação de um país ou
região.
Em um sentido genérico, o desenvolvimento humano é a aquisição por parte
dos indivíduos, comunidades e instituições a capacidade de participar
efetivamente na construção de uma sociedade próspera tanto num sentido
material como imaterial (espiritual, relacional, individual, etc.).
O desenvolvimento humano, de acordo com o Programa das Nações Unidas
para o Desenvolvimento, integra aspectos de desenvolvimento relativos
ao desenvolvimento social, o desenvolvimento econômico (incluindo
o desenvolvimento local e rural) e o desenvolvimento sustentável.
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3
Psicomotricidade é a ciência que tem como objeto de estudo o homem através
do seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo.
Psicomotricidade, portanto, é um termo empregado para uma concepção de
movimento organizado e integrado, em função das experiências vividas pelo
sujeito cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua
socialização.” (Sociedade Brasileira de Psicomotricidade)
“A Psicomotricidade baseia-se em uma concepção unificada da pessoa, que
inclui as interações cognitivas, sensoriomotoras e psíquicas na compreensão
das capacidades de ser e de expressar-se, a partir do movimento, em um
contexto psicossocial. Ela se constitui por um conjunto de conhecimentos
psicológicos, fisiológicos, antropológicos e relacionais que permitem, utilizando
o corpo como mediador, abordar o ato motor humano com o intento de
favorecer a integração deste sujeito consigo e com o mundo dos objetos e
outros sujeitos.” (Costa,2002)
“Em razão de seu próprio objeto de estudo, isto é, o indivíduo humano e suas
relações com o corpo, a Psicomotricidade é uma ciência encruzilhada... que
utiliza as aquisições de numerosas ciências constituídas (biologia, psicologia,
psicanálise, sociologia, linguística...) Em sua prática empenha-se em deslocar
a problemática cartesiana e reformular as relações entre alma e corpo: O
homem é seu corpo e NÃO - O homem e seu corpo”. (Jean-Claude Coste,
1981)
A psicomotricidade pode também ser definida como o campo transdisciplinar
que estuda e investiga as relações e as influências recíprocas e sistémicas
entre o psiquismo e a motricidade.
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4
TEORIAS E MOVIMENTOS DA PSICOMOTRICIDADE
Na década de 1970 a Psicomotricidade, que já tinha sido introduzida no Brasil
através dos profissionais que traziam informações da Europa, desde o final da
década de 1960, eclode definitivamente. As práticas se voltavam para a
'Reeducação' e 'Educação' Psicomotora.
Em 1976, com a estada de Françoise Désobeau, introduziu-se uma nova ótica,
denominada 'Terapia Psicomotora'que propunha a substituição das técnicas
instrumentais por atividades livres, valorizando o jogo e o brincar.
Em 1980 é fundada a Sociedade Brasileira de Psicomotricidade, com apoio de
Françoise Désobeau, presidente da Sociedade Internacional de Terapia
Psicomotora, nesta época. Com os variados encontros e congressos, a SBP
proporcionou a disseminação da Psicomotricidade e o surgimento de um curso
de graduação e vários de pós-graduação.
A partir daí surgem linhas originais, desenvolvidas por profissionais brasileiros:
GACT (Beatriz Saboya); Terapia Psicomotora (Regina Morizot);
Psicomotricidade Sistêmica (Rosa Prista); Sociopsicomotricidade Ramain-
Thiers (Solange Thiers);Psicomotricidade Relacional (Leopoldo Vieira);
Psicomotricidade Relacional Somática (Daniel Benchimol e Marina Sá);
Transpsicomotricidade Educacional e Clínica (Eduardo Costa);
Psicomotricidade Aquática (Jocian Bueno); Psicomotricidade Agathon
(Ethelvina França e Vânia Belli); Psicomotricidade Heurística Educacional e
Clínica (Martha Lovisaro, também fundadora da Transpsimotricidade); Curumim
- Formação em Educação Psicomotora (Ricardo CLS. Alves e Sabrina Toledo),
Formação AIÓN de Psicomotricidade Educacional e Clínica( Marcelo Antunes),
quernaram formações.
Em abril de 2012, na XXXVI AGOE da Sociedade Brasileira de
Psicomotricidade (SBP), foi instituído o Dia do Psicomotricista no Brasil, 19 de
abril, data da fundação da SBP.
"Nada na criança mais que seu corpo como uma expressão de sua psique."
H. Wallon, Obra
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VERTENTES DA PSICOMOTRICIDADE
“A Psicomotricidade baseia-se em uma concepção unificada da pessoa, que
inclui as interações cognitivas, sensoriomotoras e psíquicas na compreensão
das capacidades de ser e de expressar-se, a partir do movimento, em um
contexto psicossocial. Ela se constitui por um conjunto de conhecimentos
psicológicos, fisiológicos, antropológicos e relacionais que permitem, utilizando
o corpo como mediador, abordar o ato motor humano com o intento de
favorecer a integração deste sujeito consigo e com o mundo dos objetos e
outros sujeitos.” (Costa,2002)
Há várias definições em torno do que seja a Psicomotricidade, desde o seu
surgimento, quando seguia uma vertente teórica, depois prática, até chegar ao
meio-termo entre as duas. Contudo, podemos dizer que a Psicomotricidade
tem como objeto de estudo o movimento humano, reunindo as áreas
pedagógicas e de saúde.
A Psicomotricidade envolve toda ação realizada pelo indivíduo; é a integração
entre o psiquismo e a motricidade, buscando um desenvolvimento global,
focando os aspectos afetivos, motores e cognitivos, levando o indivíduo à
tomada de consciência do seu corpo por meio do movimento.
O processo educativo não deve basear-se somente em teorias, mas também
na força das relações afetivas; quando as crianças vivem em um ambiente que
as compreende, elas se tornam mais autoconfiantes. Dessa forma, a qualidade
na relação entre professor e aluno é fundamental no processo pedagógico.
Há algum tempo, as crianças experimentavam de maneira espontânea, por
meio do brincar diário, atividades motoras suficientes para que adquirissem
habilidades motoras mais complexas. Os verbos brincar, aprender e crescer
eram indissociáveis.
A criança deve viver o seu corpo através de uma motricidade não
condicionada, em que os grandes grupos musculares participem e preparem os
pequenos músculos, responsáveis por tarefas mais precisas e ajustadas. Antes
de pegar num lápis, a criança já deve ter, em termos históricos, uma grande
utilização da sua mão em contato com inúmeros objetos (FONSECA, 1993, p.
89).
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6
EDUCAÇÃO PSICOMOTORA
A educação infantil é considerada a primeira etapa da educação básica e, de
acordo com a Lei nº 9.394/1996 (Lei Diretrizes e Bases da Educação Nacional -
LDB), tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança de até 5 anos
de idade “em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social,
complementando a ação da família e da comunidade” (Brasil, 1996, art. 29).
Portanto, esse nível de ensino necessita promover o desenvolvimento da
criança em todos os seus aspectos, de forma integral, constituindo-se alicerce
para o pleno desenvolvimento infantil.
A psicomotricidade, de acordo com Le Boulch (1992), se dá mediante ações
educativas de movimentos espontâneos e atitudes corporais da criança,
proporcionando-lhe uma imagem do corpo e contribuindo para a formação de
sua personalidade. É uma prática pedagógica que visa contribuir para o
desenvolvimento integral da criança no processo de ensino-aprendizagem,
dessa forma, ocupa um lugar importante na educação infantil, favorece os
aspectos físicos, mentais, afetivo-emocionais e socioculturais, e busca estar
sempre condizente com a realidadedos educandos. Nesse contexto, em
relação ao corpo, destacam-se o correr, o pular e as atividades corporais
amplas e finas, como recortar, escrever e outras produções psicomotoras que
se ocupam do corpo em movimento.
As atividades psicomotoras englobam tanto o motor quanto o afetivo e
cognitivo - elementos primordiais para o desenvolvimento infantil. Mattos e
Neira (2006) corroboram com essas informações ao dizerem que as atividades
psicomotoras trabalham os aspectos afetivos, motores e intelectuais.
Para Alves (2007), essas atividades oferecem aos alunos condições para
desenvolverem suas capacidades básicas em diversos aspectos do
desenvolvimento humano.
De acordo com De Meur e Staes (1989), definem-se como elementos da
psicomotricidade, também chamados de fatores psicomotores, o esquema
corporal, a lateralidade, a tonicidade, a orientação espacial e temporal, o
equilíbrio e a coordenação motora.
O esquema corporal é a porta de entrada para os outros elementos, pois de
acordo com Oliveira (1997, p. 47):
O corpo é uma forma de expressão da individualidade. A criança percebe-se e
percebe as coisas que a cercam em função de seu próprio corpo. Isto significa
que, conhecendo-o, terá maior habilidade para se diferenciar, para sentir
diferenças.
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7
DESENVOLVIMENTO COGNITIVO INICIAL E DA PRIMEIRA INFÂNCIA
Cognição é uma função psicológica atuante na aquisição do conhecimento e se
dá através de alguns processos, como a percepção,
a atenção, associação, memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento e li
nguagem.
A palavra Cognitione tem origem nos escritos de Platão e Aristóteles.
Inibição cognitiva é a diminuição da atuação de algum aspecto da cognição,
enquanto o sintomatizar é a sua transformação. A inibição cognitiva, nessa
ótica, é a diminuição dos processos cognitivos os quais a adaptação mobiliza, o
que é expresso na forma de sintoma, entendido como dificuldade de
aprendizagem. A inibição de um dos movimentos do processo de
equilibração impede a permanente reconstrução pessoal da modalidade a partir
dos quatro níveis (organismo, corpo, inteligência e desejo). O sintoma cristaliza
a modalidade de aprendizagem em um determinado momento, a partir daí, esta
perde a possibilidade de ir transformando-se e de ser utilizada para
transformar. O sintoma implica colocar em outro lado, jogar fora, atuar o que
não se pode simbolizar, enquanto a simbolização permite ressignificar, e a
ressignificação possibilita que a modalidade possa ir se modificando. Ao não
poder estabelecer este processo de ressignificação interno à própria
modalidade de aprendizagem, esta modalidade fica enrijecida, impedindo ou
dificultando a aprendizagem de determinados aspectos da
realidade. (Fernández, 1991 p.116)
A inibição cognitiva de fundo emocional, ou de ordem das relações, pode ser
questionada se o psicopedagogo não tiver a afetividade como variante no
processo de aprendizagem. Por esta razão, vale tomar como premissa a
afirmação de Paulo Freire sobre afetividade, quando diz que na verdade, é
preciso descartar como falsa a separação radical entre seriedade docente e
afetividade. Não é certo, sobretudo do ponto de vista democrático, que serei
tão melhor professor quanto mais severo, mais frio, mais distante e "cinzento"
me ponha nas minhas relações com os alunos, no trato dos objetos
cognoscíveis que devo ensinar. A afetividade não se acha excluída da
cognoscibilidade. (Freire, 1997).
Primeira infância é o nome dado aos primeiros anos de vida, em particular, os
cinco primeiros, de um ser humano, que são marcados por intensos processos
de desenvolvimento. É uma fase determinante para a capacidade cognitiva e
sociabilidade do indivíduo, pois o cérebro absorve todas as informações, as
respostas são rápidas e duradouras.
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O BRINCAR NA CONSTRUÇÃO DO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA
A definição a seguir é clássica criada dentro do modelo da psicologia
comportamentalista:
"Aprendizagem é o processo pelo qual uma atividade tem origem ou é
modificada pela reação a uma situação encontrada, desde que as
características da mudança de atividade não possam ser explicadas por
tendências inatas de respostas, maturação ou estados temporários do
organismo (por exemplo, fadiga, drogas, etc)'"
Essa definição inicial serve para que possamos fazer algumas importantes
diferença entre atividades de aprendizagem e outras que não são.
É de Piaget o postulado de que o pleno desenvolvimento da personalidade sob
seus aspectos mais intelectuais é indissociável do conjunto das relações
afetivas, sociais e morais que constituem a vida da instituição educacional. À
primeira vista, o desabrochamento da personalidade parece depender
sobretudo dos fatores afetivos; na realidade, a educação forma um todo
indissociável e não é possível formar personalidades autônomas no domínio
moral se o indivíduo estiver submetido a uma coerção intelectual tal que o
limite a aprender passivamente, sem tentar descobrir por si mesmo a verdade:
se ele é passivo intelectualmente não será livre moralmente. Mas
reciprocamente, se sua moral consiste exclusivamente numa submissão à
vontade adulta e se as únicas relações sociais que constituem as relações de
aprendizagem são as que ligam cada estudante individualmente a um
professor que detém todos os poderes, ele não pode tampouco ser ativo
intelectualmente. (Piaget, 1982)
O educador deve ser interlocutor do processo de criação. A presença das artes
visuais na Educação Infantil é reconhecida como manifestação espontânea e
autoexpressiva.
A expressão da arte poderá estar presente nas formas de arte como a
cerâmica, desenho, pintura, escultura, gravura, design, artesanatos, fotografia,
vídeo... E crianças precisam exercitar as suas capacidades e potencialidades
emocionais, sociais, físicas, motoras, cognitivas e a fazer exploração,
experimentação e descobertas.
A educação infantil consiste na educação de crianças, com idades entre 0 e 5
anos (entre 0 e 6 anos de idade para nascidos no segundo semestre), e é
nesta fase que são estimuladas através de atividades lúdicas, brincadeiras e
jogos. Neste período o ensino da arte é fundamental.
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Os educadores incentivam as atividades de artes visuais na educação infantil.
Muitos especialistas recomendam que o ensino da arte seja obrigatório tanto
na escola quanto em casa. Entenda a sua importância, para praticar e melhorar
a metodologia de artes visuais na educação infantil.
Mas, o que é artes visuais na educação infantil? É a motivação necessária. Na
fase do desenvolvimento da criança, que ela vai apresentando suas
habilidades, através de atividades com pinturas, colagens, desenhos,
modelagens, entre muitos outros.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional garante o ensino obrigatório
em todas as escolas brasileiras. Artes Visuais Para Educação Infantil é uma
disciplina obrigatória. O decreto revela que o ensino da arte constituirá
componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de
forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos. E a Lei 13.278,
promulgada em 2016, coloca como parte essencial desse cronograma tanto as
artes visuais quanto a música, a dança e o teatro.
É válido pensar que todos os professores desenvolvam estratégias que deem
espaço para a arte na escola. Quem trabalha com educação infantil sabe que
começar a pensar nas melhores atividades de artes visuais na educação
infantil é investir em conhecimento.
Adentrando em nossas pesquisas podemos constatar que de acordo com os
Referenciais Curriculares Nacionais da Educação Infantil (RCNEI), do MEC, as
atividades de artes visuais na educação infantil envolvem desenho, pintura,
colagem,gravura, escultura, fotografia, desenho no computador, vídeo,
cinema, televisão e outros.
As Artes Visuais expressam, comunicam e atribuem sentidos a sensações,
sentimentos, pensamentos e realidade por vários meios, dentre eles: linhas
formas, pontos, etc. As Artes Visuais estão presentes no dia-a-dia da criança. A
criança cria e recria individualmente formas expressivas, integrando percepção,
imaginação, reflexão e sensibilidade. Enquanto desenham ou criam objetos
também brincam de “faz-de-conta”.
Concluimos que seja a exploração e aprofundamento das possibilidades
oferecidas pelos diversos materiais. Criação de desenhos, pinturas, colagens,
moldagens a partir da utilização dos elementos da linguagem das artes visuais:
ponto, linha, forma, cor, volume, espaço, textura e exploração utilização de
alguns procedimentos necessários para desenhar, pintar, e modelar.
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Brincadeira é a ação de brincar, de entreter, de distrair.
Pode ser uma brincadeira recreativa como brincar de "esconde-esconde".
O brincar em família pode ser a via privilegiada para se estabelecer, com o
filho, interação rica que favoreça um vínculo e que contribua para o seu
desenvolvimento afetivo.
A brincadeira contribui muito para o desenvolvimento da criança. Através dela,
o professor estimula a autonomia de cada indivíduo. Ainda, quando a criança
encontra-se no Pré-Operatório (caráter lúdico do pensamento simbólico),
segundo Jean Piaget, ela é extremamente egocêntrica, centrada em si mesma
e para tudo deve haver uma explicação. A brincadeira nessa etapa da
educação é fundamental, pois ela passa a ter de lidar com os diferentes pontos
de vista de seus colegas e tenta resolver diferentes problemas de diferentes
formas, sempre com o auxílio da professora e respeitando as
regras/combinados.
As brincadeiras recreativas distinguem-se por terem regras simples e flexíveis,
não se necessitando de quadras, tabuleiros, instruções, treinamento, peças ou
dispositivos especiais para delas se participar.
Na maioria das vezes, devido à sua simplicidade, as brincadeiras são feitas
por crianças. Somente algumas, como a mímica, são, ocasionalmente, feitas,
também, por adolescentes ou adultos.
A brincadeira, por ser livre de regras e objetivos pré-estabelecidos, é solta e
despreocupada, o que proporciona uma certa liberdade. As crianças brincam
para gastar energia e se divertirem. Na maioria das vezes, utilizam
um brinquedo em seus jogos. Este brinquedo é visto pelos adultos como um
objeto auxiliar da brincadeira, mas para a crianças isso vai além. Ela o vê como
uma fonte de conhecimentos e um "simulador da realidade". Como exemplo,
podemos citar a menina que brinca que a boneca é a sua filha.
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TRANSTORNO GLOBAL DO DESENVOLVIMENTO
Transtorno global do desenvolvimento (TGD) ou Distúrbio Abrangente do
Desenvolvimento (PDD, em inglês) é uma categoria que engloba cinco
transtornos caracterizados por atraso simultâneo no desenvolvimento de
funções básicas, incluindo socialização e comunicação. Os transtornos globais
do desenvolvimento são:
Autismo, o mais conhecido;
Síndrome de Rett;
Transtorno global do desenvolvimento sem outra especificação, que
inclui (ou também é conhecido como) autismo atípico.
Não há consenso entre os médicos sobre o uso do termo PDD.[1] Muitos
utilizam PDD como abreviação de PDD-NOS.[1] Outros usam o termo PDD por
ter sentido mais geral, hesitando em diagnosticar crianças muito novas com um
tipo mais específico de PDD, como autismo.[1] Ambas as abordagens
contribuem para que se faça confusão com o termo, porque o PDD na verdade
se refere a uma categoria de transtornos, não a um diagnóstico específico.
Em Língua Portuguesa, a sigla PDD possui três possíveis traduções:
Transtorno Global do Desenvolvimento;
Distúrbio Abrangente do Desenvolvimento;
Transtorno Invasivo do Desenvolvimento.
Frequentemente, o PDD-NOS é chamado apenas de "PDD", o que é incorreto.
O termo PDD se refere a uma classe de distúrbios, à qual pertence o Autismo.
O termo PDD em si não designa um diagnóstico, enquanto PDD-NOS sim.
Para complicar mais a questão, o PDD-NOS também pode ser chamado de
"desenvolvimento atípico de personalidade", "PDD atípico" ou "autismo atípico".
Por causa do "NOS", que em inglês significa "sem outra especificação", é difícil
dizer o que exatamente é o PDD-NOS, exceto que é uma desordem
do espectro autista (DEA). Algumas pessoas diagnosticadas com PDD-NOS
estão próximas do quadro de síndrome de Asperger, mas não se encaixam
perfeitamente. Outros têm algo próximo a um autismo completamente
desenvolvido, mas faltam alguns sintomas. O campo da Psicologia tem
considerado a criação de diversas subclasses dentro do PDD-NOS.
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FILOGÊNESE DA MOTRICIDADE HUMANA
Em biologia, filogenia (ou filogênese) é o estudo da relação evolutiva entre
grupos de organismos (por exemplo, espécies, populações), que é descoberto
por meio de sequenciamento de dados moleculares e matrizes de
dados morfológicos. O termo filogenética deriva dos termos gregos File (υυλή)
e Filon (υῦλον), denotando "tribo" e "raça", e o termo genético (γενετικός),
denotando "em relação ao nascimento", da gênese (γένεσις) "origem" ou
"nascimento". O resultado dos estudos filogenéticos é a história evolutiva dos
grupos taxonômicos, ou seja, sua filogenia.
A evolução é considerada um processo de ramificação, onde as populações
são alteradas ao longo do tempo e formam especiação em ramificações
separadas, hibridizam juntas ou terminam em extinção. Isto pode ser
visualizado em uma árvore filogenética.
Em geral, os organismos podem herdar genes de duas formas: transferência
vertical de genes e transferência horizontal de genes. Transferência gênica
vertical é a passagem de genes de pais para filhos e transferência horizontal de
genes ou transferência lateral de genes ocorre quando os genes saltam entre
organismos não relacionados, um fenômeno comum em procariontes, um bom
exemplo disso é a resistência adquirida aos antibióticos como resultado do
intercâmbio de gene entre algumas bactérias e o desenvolvimento de múltiplas
drogas resistentes para estas bactérias.
Transferência horizontal de genes tem complicado a determinação
da filogenia de organismos e inconsistências na filogenia foram relatadas entre
grupos específicos de organismos, dependendo dos genes usados para a
construção da árvore evolutiva.
Carl Woese surgiu com a teoria dos três domínios da vida (archaea,
eubactérias e Eucariotos) com base na sua descoberta de que os genes que
codificam o RNA ribossômico são antigos e seus ancestrais tranferiram genes
e houve transferência de genes com pouco ou nenhum horizontalidade.
Portanto, rRNAs são comumente recomendados como relógios moleculares
para reconstruir filogenias.
Isto é particularmente útil para a filogenia de microorganismos, para a qual o
conceito de espécie não se aplica e que são morfologicamente simples de
classificar com base em características fenotípicas.
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Referências Bibliográficas
Wikipédia, a enciclopédia livre.Desenvolvimento humano.
Disponível em:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Desenvolvimento_humano
Associação Brasileira de Psicomotricidade. O que é Psicomotricidade.
Disponível em:
https://psicomotricidade.com.br/sobre/o-que-e-psicomotricidade/
Educação Pública. Andreza Santiago Gottgtroy de Araujo. Graduada em
Pedagogia (FABEL).Eduardo Rodrigues da Silva.Mestre em Educação Física e
Cultura (UGF). As contribuições da Psicomotricidade na Educação Infantil.
Disponível em:
http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/comportamento/0116.htmlAna Luisa Sacchi.Andreia Cristina Metzner. A percepção do pedagogo sobre o
desenvolvimento psicomotor na educação infantil.
Disponível em:
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2176-
66812019000100096
Wikipédia, a enciclopédia livre.Cognição.
Disponível em:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cogni%C3%A7%C3%A3o
Wikipédia, a enciclopédia livre.Inibição cognitiva.
Disponível em:
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14
https://pt.wikipedia.org/wiki/Inibi%C3%A7%C3%A3o_cognitiva
Wikipédia, a enciclopédia livre.Primeira infância.
Disponível em:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Primeira_inf%C3%A2ncia
Wikipédia, a enciclopédia livre.Brincadeira.
Disponível em:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Brincadeira
Wikipédia, a enciclopédia livre.Transtorno global do desenvolvimento.
Disponível em:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Transtorno_global_do_desenvolvimento
Wikipédia, a enciclopédia livre.Wikipédia, a enciclopédia livre.
Disponível em:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Filogenia
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Neuropsicologia
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1
Doenças Psicossomáticas. ................................................................................. 2
Psicossomática e Somatização .......................................................................... 4
Concepção Psicossomática ............................................................................... 7
Das Neuroses Atuais à Psicossomática .......................................................... 10
Psicossomática Junguiana: Sintomas, Cura ou Morte .....................................12
A Psicossomática na Obra de Freud ................................................................20
Doenças Psicossomáticas: Uma Linguagem Corporal .................................... 27
Corpo, Mente e Emoções: Referenciais Teóricos da Psicossomática ............. 29
Referências Bibliográficas. .............................................................................. 31
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2
Psicossomatizar é um termo muito comum usado nos consultórios de
psicologia para definir sintomas físicos que surgem nos pacientes, causados
por situações emocionais que o paciente vive/ convive.
―Psicossomático‖ significa, no grego, ―alma‖ (psique) e corpo (soma), portanto: a
doença que tem origem na alma ou mente‖ e termina em se manifestar em
nosso organismo.
DOENÇAS PSICOSSOMÁTICAS
Corpo e mente estão interligados, isto já é comprovado. Isso é chamado de
doenças psicossomáticas. Leia o texto e entenda como isso funciona.
As chamadas doenças psicossomáticas, de acordo com os psicólogos e
psicoterapeutas, são aquelas patologias que possuem características e origem
comum: a mente.
Elas tornam-se manifestas no corpo sob diversas formas e geralmente
ocasionadas por questões emocionais não tratadas, distúrbios psíquicos,
fobias, depressão, entre outros.
Segundo os psicólogos, estes impulsos seriam como formas interpretativas que
o nosso organismo faz, referente ao sistema nervoso, à qual exerce função
imediata a todo o restante do corpo, como uma cadeia de informações. Um
contrapeso negativo pode levar a pessoa a condições nervosas propícias a
enfermidades.
Por exemplo, em situações de estresse, nosso organismo tende a bombardear
nosso corpo com hormônios afim de nos preparar para encarar a situação.
Quando essa situação é muito duradoura, desequilíbrios físicos começam a
surgir e nos deixar propício a desenvolver doenças psicossomáticas. Essa
situação vale para todo o tipo de sentimento, como fobias, tristeza etc.
No entanto, existem alguns graus de sintomas que se desencadeiam, ora de
forma violenta, ora estável, dependendo das condições psicossomáticas. O fato
é que tudo o que repercute em nosso corpo, anteriormente é registrado no
nosso inconsciente.
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Como essas doenças são manifestações do nosso inconsciente, precisamos
saber que tipos determinantes estão relacionados com quais doenças.
A presença de alguns sintomas ajuda ao profissional realizar uma avaliação
real do problema, assim como saber qual método poderá ser melhor indicado,
tanto para o estado emocional quanto para o processo já desencadeado.
Existem somatizações mais comuns, que vão desde a depressão, ansiedade e
estresse.
Muitas vezes, estas causas são originadas por múltiplos fatores, como bullying,
síndromes como de burnout, excesso de trabalho, traumas, fobias, violência
psicológica, vícios etc.
Para conseguir determinar a origem das doenças psicossomáticas, é preciso
considerar:
História de vida da pessoa e da família, rever traumas e questões não
resolvidas;
Autocrítica, cobrança consigo mesmo;
Depressão e ansiedade;
Fobias e agressividade
A partir destas causas é possível elencar as seguintes somatizações:
Aparelho digestivo: intestino preso, gastrite, problemas renais e úlcera;
Aparelho circulatório: pressão alta ou baixa, problemas cardíacos, varizes;
Aparelho respiratório: tosse, alergias, bronquite e asma;
Aparelho endócrino: obesidade, disfunções hormonais, problemas de pele;
Aparelho reprodutor: impotência, infertilidade e disfunções;
Aparelho locomotor: dores musculares, problemas nos ossos e tendões;
Sistema nervoso: dor de cabeça, enxaqueca e depressão.
Com isso temos um panorama das manifestações físicas relacionadas com
questões de sentimentos negativos, tensões e problemas psicoemocionais em
diferentes sistemas do corpo.
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4
A psicoterapia pode ajudar a identificar quais sintomas podem estar surgindo
por conta de questões emocionais.
PSICOSSOMÁTICA E SOMATIZAÇÃO
Doença psicossomática e Somatização se referem a aspectos diferentes do
mesmo ponto: a influência da mente sobre a saúde de nosso corpo.
Toda doença tem fundo emocional é que toda pessoa angustiada, nervosa,
preocupada, triste, irada, enfim com emoções negativas, poderão ter seus
sistemas imunológicos abalados. Com o sofrimento emocional e psicológico
nosso corpo pode produzir cortizol, o hormônio do stress e com a repetição
desta descarga hormonal seu organismo pode ir ficando cada vez mais
debilitado a ponto de adoecer. Mas o inverso também pode ser verdadeiro, ou
seja, toda vez que sua saúde física estiver abalada você poderá sofrer
consequências emocionais e psicológicas. Quando uma pessoa descobre que
tem câncer poderá se abalar emocional e psicologicamente.
Somatização de doenças ou doenças da mente como por ser conhecida
popularmente. Quando usamos o termo ―doença psicossomática‖ dizemos que a
causa é psicológica, mas a pessoa apresenta alterações clínicas detectáveis
por exames de laboratório, ou seja, o corpo da pessoa está tendo danos físicos
- chamamos de doença psicossomática. É uma doença física, verdadeira mas
com causa psicológica, ou seja, a doença apareceu no corpo, como uma
alergia por exemplo. Neste caso o ideal seria tratar tanto com o psicólogo como
com o médico.
Uma doença física provoca sofrimento mental além do sofrimento orgânico.
Uma pessoa que tenha uma doença que a debilite fisicamente, que a deixe
afastada dos outros pode iniciar uma depressão por exemplo. Nestes casos
deve receber tratamento médico e psicológico.
Cada pessoa terá suas características, podemos pensar em alguns exemplos:
Inabilidade social, dificuldade em expressar seus sentimentos e necessidades,
angústia, medos, raiva, depressão, ansiedade, fobias, enfim, todo sofrimento
emocional debilita a pessoa como um todo.
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Os sintomas inexplicáveis de transtornos somatoformes muitas vezes levam à
ansiedade geral de saúde; preocupação frequente ou recorrente e excessiva
com sintomas físicos inexplicáveis; crenças imprecisas ou exageradas sobre
sintomas somáticos; deficiência desproporcional; exibições de emoções fortes,
muitas vezes negativas em relação ao médico ou de âmbito pessoal;
expectativas irreais; e, ocasionalmente, a resistência ou não conformidade com
os esforços de diagnóstico ou tratamento. Estes comportamentos podem
resultar em visitas mais frequentes aos consultórios, exames laboratoriais ou
de imagem desnecessários ou procedimentos invasivos, caros e
potencialmente perigosos.
O atendimento psicológico pode ajudar, ou colaborar com o atendimento
médico, a identificar os sintomas físicos provenientes de causas emocionais ou
psicológicas. O tratamento pode ser em conjunto, médico e psicólogo, quando
os profissionais assim perceberem que poderá haver melhor prognóstico como
também o tratamento pode ocorrer apenas com o psicólogo quando for
necessário.
As causas podem ser identificadas ao longo do tratamento psicológico, cada
paciente apresentará sua historia de vida, situações significativas e outras
informações que podem ajudar o psicoterapeuta a identificar a origem destes
sintomas no trabalho com abordagem psicossomática.
A somatização é um transtorno psiquiátrico em que a pessoa apresenta
múltiplas queixas físicas, localizadas em diversos órgãos do corpo, como dor,
diarreia, tremores e falta de ar, mas que não são explicadas por nenhuma
doença ou alteração orgânica. Geralmente, uma pessoa com doença
psicossomática está frequentemente em consultas médicas ou pronto-socorros
devido a estes sintomas, e o médico costuma ter dificuldade em encontrar a
causa.
Esta situação também é chamada de transtorno de somatização, e é comum
em pessoas ansiosas e depressivas, por isso, para o adequado tratamento é
fundamental a realização de psicoterapia, além do acompanhamento com o
psiquiatra, que poderá indicar medicamentos como antidepressivos e
ansiolíticos para ajudar a aliviar o problema.
A pessoa com transtorno de somatização pode sofrer por muitos meses ou
anos com estes sintomas até que se descubra a causa. Confira mais
os sintomas que podem surgir nas doenças psicossomáticas.
Além disso, existem doenças que podem ser desencadeadas ou pioradas por
situações de estresse, principalmente doenças inflamatórias, como artrite
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reumatóide, ou doenças como fibromialgia ou síndrome do intestino irritável,
por exemplo.
O diagnóstico de uma doença psicossomática deve ser feito por um psiquiatra,
mas um clínico geral ou outro especialista podem apontar esta possibilidade,
porque excluem a presença de outras doenças através do exame físico e de
laboratório.
A presença dos principais sintomas ajudam a identificar o problema, e
são coração acelerado, tremores, boca seca, sensação de falta de ar e de nó
na garganta, e podem ser mais ou menos intensos de acordo com piora ou
melhora do estado emocional de cada pessoa. Para confirmar este transtorno,
o médico irá identificar na sua avaliação a existência de pelo menos 4
sintomas, sendo que os mais comuns são os gastrointestinais, os que imitam
doenças neurológicas ou que afeta a região íntima.
O tratamento para estas doenças pode envolver o uso de medicamentos como
analgésicos, anti-inflamatórios e anti-histamínicos para aliviar seus sintomas,
no entanto, é importante o acompanhamento de um psicólogo ou psiquiatra,
para aprender a controlar as emoções, e tratar a verdadeira causa do
problema.
Antidepressivos, como sertralina ou fluoxetina, e ansiolíticos, como
clonazepam, por exemplo, prescritos pelo psiquiatra, ajudam a acalmar e
diminuir a ansiedade, e sessões de psicoterapia são importantes para ajudar
na resolução de conflitos internos.
Algumas medidas simples e naturais também podem ajudar a lidar com os
problemas emocionais, como tomar chás calmantes de camomila e valeriana,
tirar férias para descansar a mente e procurar resolver um problema de cada
vez. Fazer algum tipo de exercício físico como caminhada, corrida, yoga ou
pilates também pode ajudar a promover o bem-estar.
O corpo vivo fornece o significado biográfico que é necessário para uma melhor
compreensão das doenças enquanto experiências pessoais passíveis de
intervenção psicoterapêutica. Finalmente, a complexidade das relações entre o
corpo e a subjetividade é demarcada.
Embora a Psicologia seja tradicionalmente encarada como a ciência da mente,
o corpo do indivíduo é alvo primordial das pesquisas psicológicas, considerado
o enraizamento de qualquer processo psíquico na materialidade corporal.
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Psicossoma
Gr. ψυχή (psykhé)= psico-mente, σομα (soma)= alma-corpo.
CONCEPÇÃO PSICOSSOMÁTICA
A psicossomática é uma ciência interdisciplinar que gera diversas
especialidades da medicina e da psicologia, para estudar os efeitos de fatores
sociais e psicológicos sobre processos orgânicos do corpo e sobre o bem-estar
das pessoas.
O termo também pode ser compreendido, tal como descreve Mello Filho, como
"uma ideologia sobre a saúde, o adoecer e sobre as práticas de saúde, é um
campo de pesquisas sobre estes fatos e, ao mesmo tempo, uma prática, a
prática de uma medicina integral".
Originariamente, exprime o conceito aristotélico de unidade
hilemórfica (matéria= corpo, forma = alma) que é o homem.
A palavra psicossomática, na visão dos profissionais de saúde que
compreendem o ser humano de forma integral, não pode ser compreendida
como um adjetivo para alguns tipos de sintomas, pois tanto a medicina quanto
a psicologia estão percebendo que não existe separação ideal
entre mente e corpo que transitam nos contextos sociais, familiares,
profissionais e relacionais.
Então, psicossomática é uma palavra substantiva que pode ser empregada
para qualquer tipo de sintoma, seja ele físico, emocional, psíquico, profissional,
relacional, comportamental, social ou familiar. No entanto, autores de suma
importância na história e contribuição ao conhecimento científico em
psicossomática relacional, como George Libman Engel da University of
Rochester School of Medicine a do Instituto Psicanalítico de Chicago sustentam
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que a palavra psicossomática deve ser empregada como um adjetivo, pois ela
qualifica uma ação, uma postura e abordagem bio-psico-social ao processo
saúde-doença. Importante assinalar que o Introductory Statement do primeiro
número do periódico Psychosomatic Medicine (1939), que é considerado o
marco fundante da psicossomática, assinala que são os objetivos da
psicossomática: estudar a inter-relação dos aspectos psicológicos com todas
as funções terapêuticas e integrar as terapêuticas somáticas e psicológicas.
Na visão junguiana ou da psicologia integral, todo sintoma é psicossomático e
pode ser um meio para que o processo do autoconhecimento possa acontecer.
Entre outras possibilidades de interpretação de conflito postuladas pela
corrente psicanalítica, que poderiam ser citadas, incluem-se as dificuldades de
dar (expelir) e reter (absorver) explicitadas por Alexander (Alexander e
Selesnick o.c.) nas doenças gastrointestinais; as concepções de que a mente,
por não conseguir resolver ou conviver com um determinado conflito emocional,
passa a produzir mecanismos de defesa com o propósito de deslocar a
dificuldade e/ou "ameaça" psíquica para o corpo, chegando mesmo a indução
de mutações físicas, oriundas do afeto doloroso. [carece de fontes] e os fatores
associados à depressão inicialmente interpretadas por Freud como associas à
perda do objetoamado e ao luto.
Segundo Mello Filho (2005 o.c.) a expressão doença psicossomática foi
utilizada inicialmente para referir-se apenas a certas doenças como a úlcera
péptica, asma brônquica, hipertensão arterial e colite ulcerativa onde as
correlações psicofísicas eram muito nítidas posteriormente foi-se percebendo
que tal concepção é potencialmente válida para todas as doenças.
Apesar dessa possível generalização já imaginada por Freud quando fez a
recomendação que todo médico além de sua especialidade deveria ser
treinado em psicanálise, o conceito de doença psicossomática persiste face à
evidente relação de algumas patologias com fatores emocionais ou
psicológicos como por exemplo:
Artrite;
Asma; Rinite;
Enxaqueca
Gastrite;
Úlcera péptica;
Obstipação / Colite ulcerosa
Impotência e outras disfunções sexuais;
Hipertensão arterial;
Fibromialgia.
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O sistema límbico é a unidade responsável pelas emoções no cérebro humano:
Imagem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
A demanda por intervenções psicológicas e estudos sobre causalidade por
fatores emocionais nas alergias doenças auto-imunes como psoríase e vitiligo
praticamente tem se constituído como uma nova especialidade ou ramo da
medicina psicossomática a psiconeuroimunologia. O mesmo tem acontecido
com o desenvolvimento das pesquisas sobre a multicausalidade de fatores
determinantes nas diversas formas de câncer e originado inter-disciplinas
como a psico-oncologia pediátrica ou simplesmente psico-oncologia.
Observe-se também que o surgimento dos sintomas psicossomáticos
dependem e variam com pelo menos três fatores interdependentes, tais fatores
estão diretamente ligados ao grande desafio de conceber, classificar e tratar
tais patologias, haja vista que os sintomas podem variar dependendo do estilo
de vida e idiossincrasias pessoais . Tal concepção acaba sendo a melhor
explicação de patologias nas quais não consegue-se definir e provar
cientificamente outra causa. São os referidos fatores:
Qualidade/ estilo de vida, incluindo hábitos alimentares, atividades físicas,
sedentarismo, etc.
Herança genética, que pode deixar os indivíduos mais predispostos para
desenvolverem alguns tipos de doenças. Fatores psicoafetivos de acordo com
o manejo das emoções, dos traumas e dos sentimentos de abandono, rejeição,
inclusão, culpa, etc.
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DAS NEUROSES ATUAIS À PSICOSSOMÁTICA
O termo psicossomática é definido como todo distúrbio somático que comporta
em seu determinismo um fator psicológico interveniente, não de modo
contingente, como pode ocorrer com qualquer patologia, mas por uma
contribuição essencial a origem da afecção (Jeamment, 1989).
Este termo foi introduzido pelo psiquiatra alemão Heinroth em 1908 para tentar
explicar a insônia. Este autor acreditava na influência das paixões sexuais
sobre algumas doenças, como o câncer, a tuberculose e a epilepsia. Uma outra
contribuição de Heinroth foi cunhar o termo somatopsíquico. De acordo com
ele, este fenômeno se verificava quando o fator corporal transformava o estado
psíquico.
Coloca-se a doença psicossomática como sendo aquela em que o indivíduo
queixa-se de uma dor ou incômodo físico, porém que não tem ou que não é
encontrada uma causa orgânica para tal enfermidade. Desta maneira, cito
somente para contextualizar, que no DSM IV TR os transtornos que estão
situados na fronteira mente-corpo são classificados como Transtornos
Somatoformes. Estes transtornos estão divididos em: Transtorno de
Somatização, Transtorno Somatoforme Indiferenciado, Transtorno Conversivo,
Transtorno Doloroso, Hipocondria, Transtorno Dismófico Corporal e Transtorno
de Somatização Sem Outra Especificação.
A expressão ―neurose atual‖ aparece pela primeira vez no trabalho de Freud
em ―A sexualidade na etiologia das neuroses‖, de 1898. Neste artigo, afirma
que a causa de toda neurose baseia-se na vida sexual do paciente, afirmação
esta que viria a constituir a base da psicanálise. Não obstante, ele alertou para
o fato de que o papel desempenhado pela sexualidade pode ser diferente de
acordo com a situação.
As neuroses, assim, estariam classificadas em dois grupos, de acordo com o
sintoma do paciente. Haveria o grupo da neurastenia ou neurose atual e o da
psiconeurose (histeria e obsessões), existindo ainda a ocorrência, muito
frequente, de casos em que os sintomas de ambos os grupos aparecem
combinados.
No caso da neurastenia, poderia alcançar a causa do sintoma com uma
entrevista inicial com o paciente. O sintoma da doença estaria associado com a
vida sexual do indivíduo. Então, na neurastenia ou neurose atual, a etiologia da
doença estaria relacionada a vida sexual atual do sujeito. É aí que se observa a
diferença para o que foi postulado para as psiconeuroses. As bases que
―sustentariam‖ este grupo de neurose seria a sexualidade infantil e o recalque.
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Freud alertou para o fato de que haveria duas formas bastante diferentes de se
processar a excitação psíquica: transformando-a diretamente em angústia -
resultariam sintomas predominantemente somáticos ou não simbolizados - ou
então procedendo-se à mediatização simbólica, na qual o resultado seriam
sintomas psíquicos. Desta maneira, o que delimitaria o campo das neuroses
atuais não seria apenas a relação de temporalidade (atualidade no tempo),
seriam também as características somáticas do estudo dos sintomas da
patologia.
Em um breve levantamento, pode-se dizer que Freud enfatizou, no caso das
neuroses atuais, aspectos tais como: a sintomatologia somática; o caráter atual
do fator etiológico; a não satisfação da libido como causa precipitante do
sintoma; e a transformação direta da causa em sintoma, sem a mediatização
simbólica do recalque.
Nas últimas décadas a palavra ―psicossomática‖ passou a ser usual tanto no
meio médico e psicológico quanto no meio da comunidade científica, sendo
que também já não era novidade no meio das sociedades psicanalíticas, que
desde as manifestações de conversão da histeria reveladas por Freud, no
início da forma do pensar psicanalítico, colocam os analistas frente às questões
do adoecimento do corpo.
A palavra psicossomática determina uma nova visão da abordagem das
doenças, as quais passam a ser entendidas como parte de um processo mais
amplo do que somente aos sintomas que se manifestam. Quando usamos a
expressão ―doença psicossomática‖ dizemos que a causa é psicológica, mas a
pessoa apresenta mudanças clínicas detectáveis por exames de laboratório, ou
seja, o corpo da pessoa está tendo danos físicos - chamamos de doença
psicossomática.
Em psicossomática, nas últimas décadas, os avanços da investigação
psicanalítica, e outros não psicanalíticos, tornaram de interesse para o
psicanalista não somente a contribuição da Psicanálise para a psicossomática,
mas também a desta para aquela. Estudos recentemente publicados
corroboram a eficácia terapêutica da Psicanálise e de tratamentos baseados na
teoria psicanalítica bem como sufragam a tese de que a psicoterapia, incluindo-
se a psicanaliticamente orientada, conquanto exija longo tempo do terapeuta,
não se revela dispendiosa em relação a outros tratamentos, se considerados
custos e benefícios.
As lesões psicossomáticas são caracteristicamente enigmáticas, pois tanto
podem aparecer como que ―do nada‖ e do mesmo modo que se apresentaram
vão embora. Ou, ainda, podem se agravar e colocar em risco a vida do sujeito,
como um agravamento do quadro ou até mesmo a morte.
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PSICOSSOMÁTICA JUNGUIANA - SINTOMAS, CURA OU MORTE
Carl Gustav Jung ( /ˈjʊŋ/; Kesswil, na Turgóvia, Suíça, 26 de julho de 1875—
Küsnacht, em Zurique, Suíça, 6 de junho de 1961) foi um psiquiatra e
psicoterapeuta suíço que fundou a psicologia analítica. Jung propôs e
desenvolveu os conceitos de personalidade extrovertida e introvertida,
arquétipo e inconsciente coletivo. Seu trabalho tem sido influente na psiquiatria,
psicologia, ciência da religião, literatura e áreas afins.
O conceito central da psicologia analítica é a individuação - o processo
psicológico de integração dos opostos, incluindo o consciente e o inconsciente,
mantendo, no entanto, a sua autonomia relativa. Jung considerou a
individuação como o processo central do desenvolvimento humano.
Ele criou alguns dos mais conhecidos conceitos psicológicos, incluindo
o arquétipo, o inconsciente coletivo, o complexo, e a sincronicidade.
A classificação tipológica de Myers Briggs (MBTI), um instrumento popular
psicométrico, foi desenvolvido a partir de suas teorias.
Via a psique humana como "de natureza simbólica", e fez, deste simbolismo, o
foco de suas explorações. Ele é um dos maiores estudiosos contemporâneos
de análise de sonhos e simbolização. Embora exercesse sua profissão como
médico e se considerasse um cientista, muito do trabalho de sua vida foi
passado a explorar áreas tangenciais à ciência, incluindo a filosofia
oriental e ocidental, alquimia, astrologia e sociologia, bem como a literatura e
as artes. Seu interesse pela filosofia e ocultismo levaram muitos a vê-lo como
um místico.
Estudante de medicina, decide dedicar-se à então obscura especialidade
de psiquiatria, após a leitura ocasional de um livro do psiquiatra Krafft-Ebing.
Em 1900, Jung tornou-se estagiário na Clínica Psiquiátrica Burgholzli, em
Zurique, então dirigida pelo psiquiatra Eugen Bleuler, famoso pela sua
concepção de esquizofrenia.
Seguindo o seu treino prático na clínica, ele conduziu estudos com a
associação de palavras. Já nessa época, Jung propunha uma atitude
humanista frente aos pacientes. O médico deveria "propor perguntas que
digam respeito ao homem em sua totalidade e não limitar-se apenas aos
sintomas". Desde cedo, ele já adiantava a ideia do que hoje está ganhando
força em todos os campos com o nome de "holismo", o ponto de vista do
homem integral. A seus olhos, "diante do paciente só existe a compreensão
individual". Por isso, evitava generalizar um método, uma panaceia para um
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determinado tipo de anomalia psíquica. Cada encontro é único e, sendo assim,
não pode incorrer em qualquer tipo de padronização.
Em 1902, deslocou-se a Paris, onde estudou com Pierre Janet, regressando no
ano seguinte ao hospital de Burgholzli, onde assumiu um cargo de chefia e
onde, em 1904, montou um laboratório experimental em que implementou o
seu célebre teste de associação de palavras para o diagnóstico psiquiátrico.
Neste ínterim, Jung entra em contato com as obras de Sigmund Freud (1856-
1939). Jung viu, em Freud, um companheiro para desbravar os caminhos da
mente. Enviou-lhe cópias de seus trabalhos sobre a existência do inconsciente,
confirmando conce(p)ções freudianas de recalque e repressão. Ambos
encantaram-se um com o outro, principalmente porque os dois desenvolviam
trabalhos inéditos em medicina e psiquiatria.
A partir de então, Freud e Jung passaram a se corresponder (359 cartas que
posteriormente foram publicadas entre 1906 a 1913). O primeiro encontro entre
eles, em 27 de fevereiro de 1907, transformou-se numa conversa de treze
horas ininterruptas. Depois desse encontro, estabeleceram uma amizade de
aproximadamente sete anos, período em que trocavam informações sobre
seus sonhos, análises, trocavam confidências e discutiam casos clínicos.
Porém, ao lado de tamanha identidade de pensamento, havia também algumas
diferenças fundamentais. Jung jamais conseguiu aceitar a insistência de Freud
de que as causas dos conflitos psíquicos sempre envolveriam algum trauma de
natureza sexual, e Freud não admitia o interesse de Jung pelos fenômenos
espirituais como fontes de estudo válidas em si.
Nos anos 1930, essa divergência atingiria seu auge, e o rompimento entre eles
foi inevitável. Posteriormente, os livros de Freud seriam proibidos e queimados
publicamente pelos nazistas, e o autor viu-se obrigado a deixar Viena pouco
depois da anexação da Áustria, exilando-se em Londres. No mesmo período,
Carl Jung tornar-se-ia uma das faces mais visíveis da psiquiatria alemã da
época.
Em 1914, Jung demite-se do seu cargo na API e organiza, junto com Alphonse
Maeder, as bases da chamada Escola de Zurique. Após a separação de Freud,
Jung sentiu o chão desmoronar-se sob os pés. O sentido da sua vida ficou em
primeiro plano. Seguiu-se uma série de sonhos e visões que forneceram
material para o trabalho de toda uma vida. Dir-se-ia que, se ele não houvesse
se empenhado na integração de todo aquele material que jorrou
qual lava derretida, teria, fatalmente, sucumbido a uma psicose. Mas algo nele
o impelia a ir adiante na compreensão de tudo que se originava naturalmente
de seu inconsciente. Em suas palavras, "Os anos durante os quais me detive
nessas imagens interiores constituíram a época mais importante da minha vida
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e, neles, todas as coisas essenciais se decidiram. (...) Toda a minha atividade
ulterior consistiu em elaborar o que jorrava do inconsciente naqueles anos (...)".
Foi durante essa fase de confronto com o inconsciente que ele desenvolveu o
que chamou de "imaginação ativa", um método de interação com o
inconsciente onde este se investe espontaneamente de várias personificações
(pessoas conhecidas e desconhecidas, animais, plantas, lugares,
acontecimentos etc.).
Na imaginação ativa, interagimos ativamente com elas, isto é, discordando,
quando for o caso, opinando, questionando e até tomando providências com
relação ao que é tratado, isso tudo pela imaginação. Ela difere da fantasia
passiva porque, nesta, não atuamos no quadro mental, de forma a
participarmos do drama vivenciado, mas apenas nos contentamos em assistir o
desenrolar do roteiro desconhecido.
Pela imaginação ativa, existe não só a possibilidade de compreensão do
inconsciente, mas também de interação com este, de forma que o
transformamos e somos transformados no processo. Um personagem pode
nos fazer entender falando explicitamente do motivo de, por exemplo, estarmos
com insônia. Esse enfoque trata a psique como uma realidade em si, de forma
tão literal interiormente, quanto uma maçã nos é real exteriormente, ao
contrário de Freud, que insistia em substituir uma determinada imagem por
outra de cunho sexual.
Em 1938, quando Freud saiu de Viena para Londres, a doutora Iolande Iacobi
também emigrou para Zurique, continuou seus estudos com Jung e,
posteriormente, foi uma das fundadoras do Instituto C. G. Jung, tendo escrito a
introdução às obras completas de Jung. Ainda nesse ano, a Universidade de
Oxford, na Inglaterra, concedeu-lhe o título de Doutor Honoris Causa.
Em 1939, Jung renunciou à presidência da Sociedade Médica Internacional
para Psicoterapia. Alegou que já tentara por duas vezes anteriores a renúncia,
tendo permanecido apenas devido a pedidos dos representantes britânico e
neerlandês, somente se retirando quando foram interrompidas as
comunicações internacionais e a sua permanência não era mais necessária.
Em 1946, em cerimônia realizada em Zurique, Winston Churchill pediu que o
doutor Jung compusesse a mesa e se sentasse a seu lado. Em abril desse
ano, Ernest Harms publicou um artigo cujo título era "Carl Gustav Jung –
Defender of Freud and the Jews" na Psychiatric Quarterly.
Alguns dos seus mais devotados pupilos – Erich Neumann, Gerhard
Adler, James Kirsch e Aniela Jaffé – eram Judeus.
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Carl Gustav Jung morreu a 6 de junho de 1961, aos 86 anos, em sua casa, nas
margens do lago de Zurique, em Küsnacht, após uma longa vida produtiva, que
marcou - e tudo leva a crer que ainda marcará mais - a antropologia,
a sociologia e a psicologia, e também, em outros campos como a arte,
a literatura e a mitologia.
Encontra-se sepultado no Cemitério da Igreja Protestante, em Küsnacht,
no cantão de Zurique, na Suíça.
Anterior mesmo ao período em que estavam juntos, Jung começou a
desenvolver um sistema teórico que chamou, originalmente, de "Psicologia dos
Complexos", mais tarde chamando-o de "Psicologia Analítica", como resultado
direto de seu conta(c)to prático com seus pacientes. O conceito de
inconsciente já está bem sedimentado na sólida base psiquiátrica de Jung
antes de seu conta(c)to pessoal com Freud, mas foi com Freud, real formulador
do conceito em termos clínicos, que Jung pôde se basear para aprofundar seus
próprios estudos. O conta(c)to entre os dois homens foi extremamente rico
para ambos, durante o período de parceria entre eles. Aliás, foi Jung quem
cunhou o termo e a noção básica de "complexo", que foi adotado por Freud.
Utilizando-se do conceito de "complexos" e do estudo dos sonhos e de
desenhos, Jung passou a se dedicar profundamente aos meios pelos quais se
expressa o inconsciente. Em sua teoria, enquanto o inconsciente pessoal
consiste fundamentalmente de material reprimido e de complexos,
o inconsciente coletivo é composto fundamentalmente de uma tendência para
sensibilizar-se com certas imagens, ou melhor, símbolos que constelam
sentimentos profundos de apelo universal, os arquétipos: da mesma forma que
animais e homens parecem possuir atitudes inatas, chamadas
de instintos ("fato" este negado por correntes de ciências humanas, como por
exemplo em antropologia o culturalismo de Franz Boas ), também é provável
que em nosso psiquismo exista um material psíquico com alguma analogia com
os instintos.
Jung sentia que a ênfase da psicanálise nos fatores eróticos era um ponto de
vista unilateral, uma visão reducionista da motivação humana e do seu
comportamento. Ele propôs que a motivação do homem fosse entendida em
termos de uma energia de vida criativa geral - a libido - capaz de ser investida
em direções diferentes, assumindo grande variedade de formas. A libido
corresponderia ao conceito de energia adotado na Física, a qual pode ser
interpretada em termos de calor, eletricidade, motricidade etc. As duas direções
principais da libido são conhecidas como extroversão (projetada no mundo
exterior, nas outras pessoas e objetos) e introversão (dirigida para dentro do
reino das imagens, das ideias, e do inconsciente). As pessoas em quem a
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primeira tendência direcional predomina são chamadas extrovertidas, e
introvertidas aquelas em quem a segunda direção é mais forte.
A sua necessidade em criar uma tipologia psíquica decorreu da questão que
nasceu em seu interior acerca de sua divergência com Freud e até com outros
profissionais. Ele poderia, assim, ter perguntado: "Por que divirjo de Freud?". A
resposta tomou forma na análise que fez das teorias psicológicas de seu
mestre e de Adler, também um ex-discípulo de Freud. Para este,
as neuroses derivavam de problemas com os instintos, para o outro do
próprio ego, no seu sentimento de superioridade ou inferioridade. Um, portanto,
extrovertido, e o outro introvertido. Jung também propôs que se poderia
agrupar as pessoas de acordo com o seu maior desenvolvimento em uma das
quatro funções psicológicas: pensamento, sentimento, sensação, ou intuição.
Transformações de libido de uma esfera de expressão para outra - por
exemplo, de sexualidade para religião - são realizadas por símbolos que são
gerados durante a mudança de personalidade.
A psicologia junguiana também merece outro destaque: o processo de
individuação. Conforme Nise da Silveira (2006), todo ser tende a realizar o que
existe nele, em germe, a crescer, a completar-se. Assim é para a semente do
vegetal e para o embrião do animal. Assim é para o homem, embora o
desenvolvimento de suas potencialidades seja impulsionado por forças
instintivas inconscientes, isso adquire um caráter peculiar: o homem é capaz de
tomar consciência desse desenvolvimento e de influenciá-lo. Precisamente no
confronto do inconsciente com o consciente, no conflito como na colaboração
entre ambos é que os diversos componentes da personalidade amadurecem e
unem-se numa síntese, na realização de um indivíduo específico e inteiro. Essa
confrontação "é o velho jogo do martelo e da bigorna: entre os dois, o homem,
como o ferro, é forjado num todo indestrutível, num indivíduo. Isso, em termos
toscos, é o que eu entendo por processo de individuação" (Jung).
O processo de individuação não consiste num desenvolvimento linear. É um
movimento de circunvolução que conduz a um novo centro psíquico. Jung
denominou esse centro de "Self" (si mesmo). Quando consciente e
inconsciente vêm ordenar-se em torno do Self, a personalidade completa-se. O
"Self" será o centro da personalidade total, como o ego é o centro do campo do
consciente. O conceito junguiano de individuação tem sido, muitas vezes,
deturpado. Entretanto, é claro e simples na sua essência: tendência instintiva a
realizar plenamente potencialidades inatas. Mas, de fato, a psique humana é
tão complexa, são de tal modo intrincados os componentes em jogo, tão
variáveis as intervenções do ego consciente, tantas as vicissitudes que podem
ocorrer, que o processo de totalização da personalidade não poderia jamais ser
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um caminho reto e curto, de chão bem batido. Ao contrário, será um percurso
longo e difícil.
Jung percebeu que a compreensão da criação de símbolos era crucial para o
entendimento da natureza humana. Ele, então, explorou as correspondências
entre os símbolos que surgem nas lutas da vida dos indivíduos e as imagens
simbólicas religiosas subjacentes e sistemas mitológicos e mágicos de muitas
culturas e eras. Graças à forte impressão que lhe causaram as muitas notáveis
semelhanças dos símbolos, apesar de sua origem independente nas pessoas e
nas culturas (muitos sonhos e desenhos de seus pacientes de variadas
nacionalidades exprimiam temas mitológicos longínquos), ele sugeriu a
existência de duas camadas da psique inconsciente: a pessoal e a coletiva.
O inconsciente pessoal inclui conteúdos mentais adquiridos durante a vida do
indivíduo que foram esquecidos ou reprimidos, enquanto o inconsciente
coletivo é uma estrutura herdada comum a toda a humanidade composta dos
arquétipos - predisposições inatas para experimentar e simbolizar situações
humanas universais de diferentes maneiras. Há arquétipos que correspondem
a várias situações, tais como as relações com os pais, o casamento, o
nascimento dos filhos, o confronto com a morte. Uma elaboração altamente
derivada destes arquétipos povoa todos os grandes sistemas mitológicos e
religiosos do mundo.
Definida desta forma, no entanto, a psique objetiva não constitui um
mecanismo capaz de justificar a ocorrência das sincronicidades, como um dos
conceitos fundamentais da psicologia de Carl Gustav Jung. Por isso, ao longo
de sua vida, Jung complexificou a noção de psique objetiva, ou inconsciente
coletivo, ampliando-a ao ponto de que pudessem ser, nela incluídos, tanto
arquétipos universais e conteúdos filogenéticos humanos, quanto criações
mentais mais recentes. A psique objetiva tornou-se integrada à vida em todos
os seus aspetos, dando conta dos muitos fenômenos integrativos da clínica
psicológica, que antes careciam de uma formulaçãoexplicativa consistente.
Justamente por força da dificuldade de elaboração deste conceito, Jung
acessou conhecimentos da física quântica de sua época, principalmente
através de Pauli e Einstein, o que influenciou decisivamente o desenvolvimento
posterior da psicologia analítica. O médico conheceu aspetos da teoria da
relatividade e da física quântica, especialmente o princípio da incerteza, da
complementaridade e da não localidade, por intermédio principalmente dos
físicos Wolfgang Pauli e Albert Einstein, e foi informado das pesquisas
em parapsicologia de Joseph Banks Rhine, na Universidade de Duke. Isso,
associado a experiências pessoais e de seus pacientes, o levou a sugerir que
as camadas mais profundas do inconsciente não dependem das leis
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de espaço, tempo e causalidade, produzindo fenômenos paranormais como
a clarividência e a precognição, que passaram a ser estudados pela psicologia.
A estas correspondências entre acontecimentos interiores e exteriores por meio
de um significado comum, ele deu o nome de sincronicidade, como estudada
hoje no contexto da linha de pesquisa Física e Psicologia. Além disso, fatos
ocorridos enquanto tratava seus clientes o fizeram crer que os acontecimentos
se dispunham "de tal modo, como se fossem o sonho de uma 'consciência
maior e mais abrangente, por nós desconhecida'".
Na qualidade de cientista altamente desapegado e desconfiado do
favorecimento que se dá a certas verdades, para ele materialismo e ciência
não eram sinônimos. O materialismo não passa do culto a um deus
exteriormente concreto por meio da razão, um tipo de fé nos princípios
limitadores das leis físicas. "A razão nos impõe limites muito estreitos e apenas
nos convida a viver o conhecido". Para sermos realmente justos, convém
recebermos igualmente os aspetos racionais e irracionais da vida. Assim foi o
caso da paciente que apresentava uma forte resistência à terapia. A monotonia
não escapava a nenhum dos dois, até o dia em que ela lhe relatou o sonho
com um escaravelho dourado. Mal acabara de contar-lhe a trama, quando
ouviram uma batida na vidraça. Jung, então, enxergou uma espécie de besouro
de coloração dourada muito rara naquelas paragens e naquela estação do ano.
Daí para diante, a análise deslanchou, ocasionando o renascimento daquela
personalidade. Besouro e renascimento... um símbolo egípcio muito antigo.
O termo "sincronicidade" é uma tentativa de encontrar formas de explicação
racional para fenômenos que a ciência de então não alcançava, tais como os
referidos acima, fenômenos não causais que não podem ser explicados pela
razão, porém são significativos para o indivíduo que os experimenta.
A construção do conceito de sincronicidade surgiu da leitura que Jung fez de
um grande número de obras sobre alquimia e o pensamento renascentista.
Jung chegou a possuir grande quantidade de textos alquímicos originais, que o
levaram também a usar a expressão Unus mundus em sua autobiografia, e a
ideia de anima mundi.
Uma interessante análise da contribuição da psicologia profunda de Freud–
Jung para a formação do pensamento ocidental, mostrando como Jung tinha
preocupações epistemológicas rigorosas, pode ser vista em Tarnas. Em função
disso, tais fenômenos puderam ser examinados, mas apenas como algo
psicológico, e não propriamente da natureza, resultando em algumas
distorções interpretativas, em inúmeros sentidos.
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A crítica de Richard Tarnas é pertinente, pois, embora Jung ressalte a
importância da religiosidade como qualidade intrínseca do ser humano, sua
teoria apenas valida a experiência religiosa como fenômeno psicológico, uma
posição paradoxalmente reducionista, que nega a compatibilidade entre razão
e experiência espiritual. Nessa linha, considerou insubstancial o movimento
esotérico moderno, como a teosofia e a antroposofia.
A partir da contribuição de Jung, vários desenvolvimentos em diferentes áreas
do conhecimento têm ampliado a compreensão da relação entre os processos
psíquicos e o mundo exterior. O conceito de inconsciente coletivo, por exemplo,
encontra ecos na física do holomovimento de Bohm, na ecopedagogia de
Capra, na transdisciplinaridade de Rocha Filho, na alma do mundo de
Goswami, nos campos morfogenéticos de Sheldrake, na psicologia profunda e
na ecopsicologia norte-americana.
Na terapia junguiana, que explora extensivamente os sonhos e fantasias, um
diálogo é estabelecido entre a mente consciente e os conteúdos do
inconsciente. A doença psíquica é tida como uma consequência da separação
rígida entre elas. Os pacientes são orientados a ficar atentos aos significados
pessoal e coletivo (arquétipo) inerentes aos seus sintomas e dificuldades. Sob
condições favoráveis, eles poderão ingressar no processo de individuação:
uma longa série de transformações psicológicas que culminam na integração
de tendências e funções opostas, e na realização da totalidade.
Jung trilhou a individuação, pois havia a necessidade imperiosa nele de ir ao
inferno e voltar para poder mostrar o caminho da volta àqueles que ficaram
perdidos pelo caminho da vida. Tornou-se, ele, uma resposta sincera e
corajosa ao nosso tempo. "Sou, eu próprio, uma questão colocada ao mundo, e
devo fornecer minha resposta; caso contrário, estarei reduzido à resposta que
o mundo me der".
No Brasil, Jung teve uma conhecida aluna, a doutora Nise da Silveira,
fundadora do «Museu de Imagens do Inconsciente».
www.museuimagensdoinconsciente.org.br. Ela escreveu, dentre outros, o livro
"Jung: vida e obra", publicado em primeira edição em 1968.
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A PSICOSSOMÁTICA NA OBRA DE FREUD
A teoria psicanalítica foi desenvolvida pelo neurologista austríaco Sigmund
Freud (1856-1939) e está intimamente relacionada a sua prática
psicoterapêutica.
É uma teoria que procura descrever a etiologia dos transtornos mentais,
o desenvolvimento do homem e de sua personalidade, além de explicar
a motivação humana. Com base nesse corpo teórico Freud desenvolveu um
tipo de psicoterapia. Ao conjunto formado pela teoria, a prática psicoterapêutica
nela baseada e os métodos utilizados dá-se o nome de psicanálise.
Freud imaginava a psique (ou aparelho psíquico) do ser humano como um
sistema de energia: cada pessoa é movida, segundo ele, por uma quantidade
limitada de energia psíquica. Isso significa, por um lado, que se grande parte
da energia for necessária para a realização de determinado objetivo (ex.
expressão artística) ela não estará disponível para outros objetivos (ex.
sexualidade); por outro lado, se a pessoa não puder dar vazão à sua energia
por um canal (ex. sexualidade), terá de fazê-lo por outro (ex. expressão
artística). Essa energia provém das pulsões (às vezes chamadas
incorretamente de instintos). Segundo o autor, o ser humano possui duas
pulsões inatas, a de vida (Eros) e a de morte (Tânato). Essas duas pulsões
opõem-se ao ideal da sociedade e, por isso, precisam ser controladas através
da educação, considerando que a energia gerada pelas pulsões não é liberada
de maneira direta. O ser humano é, assim, sexual e agressivo por natureza e a
função da sociedade é amansar essas tendências naturais do homem. A
situação de não poder dar vazão a essa energia gera no indivíduo um estado
de tensão interna que necessita ser resolvido. Toda ação do homem
é motivada, assim, pela busca hedonista de dar vazão à energia psíquica
acumulada.
O ser humano, no entanto, não se dá conta de todo esse processo de geração
e liberação de energia. Para explicar esse fato, Freud descreve três níveis de
consciência:
O consciente (al. das Bewusste), que abarca todos os fenômenos que em
determinadomomento podem ser percebidos de maneira consciente pelo
indivíduo;
O pré-consciente (al. das Vorbewusster), refere-se aos fenômenos que não
estão conscientes em determinado momento, mas podem tornar-se, se o
indivíduo desejar se ocupar com eles;
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O inconsciente (al. das Unbewusster), que diz respeito aos fenômenos e
conteúdos que não são conscientes e somente sob circunstâncias muito
especiais podem tornar-se. (O termo subconsciente é muitas vezes usado
como sinônimo, apesar de ter sido abandonado pelo próprio Freud.)
Freud não foi o primeiro a propor que parte da vida psíquica se desenvolve
inconscientemente. Ele foi, no entanto, o primeiro a pesquisar profundamente
esse território. Segundo ele, os desejos e pensamentos humanos produzem
muitas vezes conteúdos que causariam medo ao indivíduo, se não fossem
armazenados no inconsciente. Este tem assim uma função importantíssima de
estabilização da vida consciente. Sua investigação levou-o a propor que o
inconsciente é alógico (e por isso aberto a contradições); atemporal e a
espacial (ou seja, conteúdos pertencentes a épocas ou espaços diferentes
podem estar próximas). Os sonhos são vistos como expressão simbólica dos
conteúdos inconscientes.
Através da compreensão do conceito de inconsciente torna-se clara a
compreensão da motivação na psicanálise clássica: muitos desejos,
sentimentos e motivos são inconscientes, por serem muito dolorosos para se
tornarem conscientes.
No entanto esse conteúdo inconsciente influencia a experiência consciente da
pessoa, por exemplo, através de atos falhos, comportamentos aparentemente
irracionais, emoções inexplicáveis, medo, depressão, sentimento de culpa.
Assim, os sentimentos, sonhos, desejos e motivos inconscientes influenciam e
guiam o comportamento consciente.
Freud desenvolveu mais tarde, (1923) um modelo estrutural da personalidade,
em que o aparelho psíquico se organiza em três estruturas:
Id (em alemão: es, "ele, isso"): O id é a fonte da energia psíquica, a libido. O id
é formado pelas pulsões, instintos, impulsos orgânicos e desejos inconscientes.
Ele funciona segundo o princípio do prazer (Lustprinzip), ou seja, busca sempre
o que produz prazer e evita o desprazer. Não faz planos, não espera, busca
uma solução imediata para as tensões, não aceita frustrações e não conhece
inibição. Ele não tem contato com a realidade e uma satisfação na fantasia
pode ter o mesmo efeito de uma atingida través de uma ação. O id desconhece
juízo, lógica, valores, ética ou moral, sendo exigente, impulsivo, cego,
irracional, antissocial e dirigido ao prazer. O id é completamente inconsciente.
Ego (ich, "eu"): O ego desenvolve-se a partir do id com o objetivo de permitir
que seus impulsos sejam eficientes, ou seja, levando em conta o mundo
externo, por intermédio do chamado princípio da realidade. É esse princípio
que introduz a razão, o planejamento e a espera ao comportamento humano. A
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satisfação das pulsões é retardada até o momento em que a realidade permita
satisfazê-las com um máximo de prazer e um mínimo de consequências
negativas. A principal função do ego é buscar uma harmonização inicialmente
entre os desejos do id e a supervisão/realidade/repressão do superego.
Superego (Über-Ich, "super-eu", "além-do-eu"): É a parte moral da mente
humana e representa os valores da sociedade. O superego tem três objetivos:
(1) reprimir, através de punição ou sentimento de culpa, qualquer impulso
contrário às regras e ideais por ele ditados;
(2) forçar o ego a se comportar de maneira moral, mesmo que irracional; e,
(3) conduzir o indivíduo à perfeição, em gestos, pensamentos e palavras. O
superego forma-se após o ego, durante o esforço da criança de introjetar os
valores recebidos dos pais e da sociedade a fim de receber amor e afeição. Ele
pode funcionar de uma maneira bastante primitiva, punindo o indivíduo não
apenas por ações praticadas, mas também por pensamentos inaceitáveis;
outra característica sua é o pensamento dualista (tudo ou nada, certo ou
errado, sem meio-termo). O superego divide-se em dois subsistemas: o ego
ideal, que dita o bem a ser procurado, e a consciência (Gewissen), que
determina o mal a ser evitado.
Freud descreveu muitos mecanismos de defesa no decorrer da sua obra e seu
trabalho foi continuado por sua filha Anna Freud; os principais mecanismos
são:
Repressão é o processo pelo qual se afastam da consciência conflitos e
frustrações demasiadamente dolorosos para serem experimentados ou
lembrados, reprimindo-os e recalcando-os para o inconsciente; o que é
desagradável é, assim, esquecido;
Formação reativa consiste em ostentar um procedimento e externar
sentimentos opostos aos impulsos verdadeiros, indesejados.
Projeção consiste em atribuir a outros as ideias e tendências que o sujeito não
pode admitir como suas.
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Regressão consiste em a pessoa retornar a comportamentos imaturos,
característicos de fase de desenvolvimento que a pessoa já passou.
Fixação é um congelamento no desenvolvimento, que é impedido de continuar.
Uma parte da líbido permanece ligada a um determinado estágio do
desenvolvimento e não permite que a criança passe completamente para o
próximo estágio. A fixação está relacionada com a regressão, uma vez que a
probabilidade de uma regressão a um determinado estágio do desenvolvimento
aumenta se a pessoa desenvolveu uma fixação por este.
Sublimação é a satisfação de um impulso inaceitável através de um
comportamento socialmente aceito.
Identificação é o processo pelo qual um indivíduo assume uma característica
de outro. Uma forma especial de identificação é a identificação com o agressor.
Deslocamento é o processo pelo qual agressões ou outros impulsos
indesejáveis, não podendo ser direcionados à(s) pessoa(s) a que se referem,
são direcionadas a terceiros.
Freud descreve quatro fases distintas, pelas quais a criança passa em seu
desenvolvimento. Cada uma dessas fases é definida pela região do corpo a
que as pulsões se direcionam. Em cada fase surgem novas necessidades que
exigem satisfação; a maneira como essas necessidades são satisfeitas
determina como a criança se relaciona com outras pessoas e quais
sentimentos ela tem para consigo mesma.
A transição de uma fase para outra é biologicamente determinada, de tal forma
que uma nova fase pode iniciar sem que os processos da fase anterior tenha
se completado. As fases se seguem umas às outras em uma ordem fixa e,
apesar de uma fase se desenvolver a partir da anterior, os processos
desencadeados em uma fase nunca estão plenamente completos e continuam
agindo durante toda a vida da pessoa.
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Neurose é a existência de tensão excessiva e prolongada, de conflito
persistente ou de uma necessidade prolongadamente frustrada, é sinal de que
na pessoa se configurou uma neurose. A neurose determina uma modificação,
mas não uma desestruturação da personalidade e muito menos de perda de
valores da realidade.
Com o desenvolvimento da psicanálise, o conceito evoluiu, até finalmente
encontrar lugar no interior de uma estrutura tripartite, ao lado da psicose e
da perversão. Em consequência disso, do ponto de vista freudiano, classificam-
se no registro da neurose a histeria, a fobia e a neurose obsessiva, às quais é
preciso acrescentar a neurose atual, que abrange a neurose de angústia
e a neurastenia, e a psiconeurose, que abarca a neurose de transferência e a
neurose narcísica.
Costuma-se catalogar os sintomas neuróticos em certas categorias, como:
Histeria - Quando um conflito psíquico encontra saída através de conversões.
Nestetipo de neurose, a ideia conflitiva com o ego é convertida em sintomas
físicos, como cegueira, mutismo, paralisias, etc.; que não têm origens
orgânicas. Atualmente a histeria foi banida dos manuais psiquiátricos, o que
leva muitas pessoas da área de saúde, inclusive psicólogos, a acreditarem que
a histeria não existe mais. Porém, a histeria ainda existe e sempre existirá,
mesmo que os sintomas possam variar de acordo com a sociedade e o tempo
a que se refere. Algo bastante específico da histeria é sua referência ao corpo
e à sexualidade, especialmente com questão à "o que é uma mulher?".
Ansiedade (de angústia) - a pessoa é tomada por sentimentos generalizados
e persistente de intensa angústia sem causa objetiva. Alguns sintomas são:
palpitações do coração, tremores, falta de ar, suor, náuseas. Há uma
exagerada e ansiosa preocupação por si mesmo.
Fobias - uma área da personalidade passa a operar por respostas de medo e
ansiedade. Na angústia o medo é difuso e quando vem à tona é sinal de que já
existia, há longo tempo. Se apresenta envolta em muita tensão, preocupação,
excitação e desorganização do comportamento. Na reação fóbica, o medo se
restringe a uma classe limitada de estímulos e representações objetais.
Geralmente verifica-se a associação do medo a certos objetos, animais ou
situações.
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Obsessiva-compulsiva - a obsessão é um termo que se refere a ideias que se
impõem repetidamente à consciência. São por isto dificilmente controláveis. A
compulsão refere-se a impulsos que levam à ação. Está intimamente ligada a
uma desordem psicológica chamada transtorno obsessivo-compulsivo.
Se o conceito de neurose é parte integrante do vocabulário da psicanálise, o
da psicose aparece, a princípio, como um anexo proveniente do saber
psiquiátrico, pautada numa concepção do sujeito que se organiza em torno da
ideia de alienação e perda da razão.
O psicótico pode se encontrar em estado de depressão, de extrema euforia ou
de agitação. Em dado momento age de um modo e em outro se comporta de
maneira totalmente diferente. Houve uma desestruturação da sua
personalidade. O dado clínico para se aferir à psicose é a alteração dos juízos
da realidade. O psicótico passa a perceber a realidade de maneira diferente,
mas não menos real em sua percepção.
Por isso afirma com convicção que tem percepções que nos parecem irreais
não apoiadas nem justificadas na lógica e na razão. Nas psicoses, além da
alteração do comportamento, são comuns alucinações (alterações dos órgãos
dos sentidos: ouvir vozes, ver coisas, sentir cheiros ou toques) e delírios
(alterações do pensamento sob forma de conspirações, perseguição, grandeza,
riqueza, onipotência ou de predestinação). As Psicoses se manifestam como:
Esquizofrenia - apatia emocional, carência de ambições, desorganização geral
da personalidade, perda de interesse pela vida nas realizações pessoais e
sociais. pensamento desorganizado, afeto superficial e inapropriado,riso
insólito, bobice, infantilidade, hipocondria, delírios e alucinações transitórias.
(Consultar DSM-V ou CID 10 para mais subtipos)
Maníaca-depressiva – caracteriza-se por perturbações psíquicas duradouras e
intensas, decorrentes de uma perda ou de situações externas traumáticas. O
estado maníaco pode ser leve ou agudo. É caracterizado por comportamento
exacerbado, hipersexualidade. Os maníacos são cheios de energia, inquietos,
barulhentos, falam alto e têm ideias bizarras, uma após outra. O estado
depressivo, ao contrário, caracteriza-se por inatividade e desalento. Seus
sintomas são: apatia, pesar, tristeza, desânimo, crises de choro, perda de
interesse (embotamento afetivo) pelo trabalho, por amigos e família, bem como
por suas distrações habituais. Torna-se lento na fala, não dorme bem à noite,
perde o apetite, pode ficar um tanto irritado e muito preocupado.
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Paranoia – caracteriza-se sobretudo por ilusões fixas. É um sistema delirante.
As ilusões de perseguição e de grandeza são mais duradouras do que na
esquizofrenia paranoide. Os ressentimentos são profundos. É desconfiado,
agressivo, egocêntrico e destruidor. Acredita que os fins justificam os meios e é
incapaz de solicitar carinho.
Psicose alcoólica – é habitualmente marcada por violenta intranquilidade,
acompanhada de alucinações de uma natureza aterradora.
Os perversos, ao vivenciarem o Complexo de Édipo, se recusam a aceitar a
castração a eles imposta passando, então, há duas possibilidades:
1) aferir que para eles não existe castração, assim, não existem limites sociais
impostos às suas ações ou
2) são eles que impõe os limites proveniente da castração aos outros.
Atualmente são comumente relacionados às psicopatias, porém se relacionam
mais abrangentemente com todas as formas de ausência de empatia com o
Outro - pela ausência de atuação do Superego.
Essa estrutura favorece o aparecimento de outros sintomas, como
o fetichismo e relações que objetificam o Outro, em troca de obtenção de
prazer (parafilias).
Retomado por Sigmund Freud a partir de 1896, o termo perversão foi
definitivamente adotado como conceito pela psicanálise, que assim conservou
a ideia de desvio sexual em relação a uma norma. Não obstante, nessa nova
acepção, o conceito é desprovido de qualquer conotação pejorativa ou
valorizadora e se inscreve, juntamente com a psicose e a neurose, numa
estrutura tripartite.
O trabalho de Sigmund Freud foi continuado por sua filha Anna Freud e por
outros autores, que procuraram desenvolver a teoria, enfatizando outros
aspectos e procurando solucionar os pontos críticos, entre eles os que mais se
destacam são os psicanalistas Sándor Ferenczi, Melanie Klein, Donald
Winnicott, Jacques Lacan, Wilfred Bion, Erik Erikson e Heinz Kohut; os
humanistas Abraham Maslow e Carl Rogers; o fundador da psicologia do
desenvolvimento individual Alfred Adler; Karen Horney, Wilhelm Reich e o
fundador da psicologia analítica Carl Jung.
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DOENÇAS PSICOSSOMÁTICAS - UMA LINGUAGEM CORPORAL
Psicossomatização ou reação psicossomática é uma reação do corpo
temporária, desencadeada por um acontecimento muito marcante e/ou
traumático na vida do indivíduo e que tenha deixado-o em estado de choque,
ao ponto do organismo preparar uma resposta orgânica simbólica, ou seja,
adoecer. Essa resposta significa uma forma inconsciente de auto-proteção. A
doença, qualquer que seja ela, vai estar ―presa‖ ao corpo.
Quando ficamos doentes, de certa maneira, voltamos ou tendemos voltar para
condição de crianças; numa linguagem mais técnica, regredimos e precisamos
de atenção, consideração, cuidados, etc.
Quase sempre, ―procuramos‖ as doenças das quais somos portadores. Esse
procurar precisa ser compreendido, porque ele se mascara, escondendo-se
atrás de sintomas, emoções e sentimentos.
Psicossomática, é uma ciência que tem como objeto de estudo os mecanismos
de interação entre a dimensão mental e a dimensão corporal.
Em alguns países vêm surgindo há um tempo muitos questionamentos e
pesquisas sobre o Câncer enquanto doença cercada por questões afetivo-
emocionais, psicológica.
Existem Estudos que comprovam que pessoas mais fechadas, mais tensas e
chegadas ao isolamento tendem mais a desenvolverem quadros de tristezas,
depressões e pessimismos. Seus corpos ―sabem‖ o que as emoções lhes
pedem e respondem com ―obediência‖, dando como resposta uma cefaléia (dor
de cabeça), uma gastrite (dor no estômago produzida por inflamação) ou quem
sabe, uma doença do coração, ou hipertensão arterial.
Doenças dermatológica também podem ser psicossomáticas. A pele é um
órgão complexo, e as doenças de pele podem surgir pelo sistema nervoso,pois
o sistema nervoso origina-se no ectoderma do embrião. Alguns problemas são
causados por estresse, conflitos ligados aos sentimentos e impulsos
agressivos. Há situações em que o contato e a carícia foram insuficientes
provocando problemas dermatológicos.
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Psicomatismo é um termo usado para distinguir pessoas que tem o problema
de ler alguns sintomas e sentir.
As doenças dermatológicas que tendem a ter forte componente emocional são:
eczema constitucional, psioríase, dermatite de herpes, alopecia (queda de
cabelo em certas zonas), liquitose (pele de peixe).
Especialistas afirmam que trabalhar a emoção e o comportamento leva a um
processo de evolução e autoconhecimento capaz de trazer a cura para
problemas físicos e emocionais.
"Quando bem acolhidas, compreendidas e validadas, as manifestações do
corpo físico nos indicam o caminho certo a percorrer daquele ponto em diante.
Além de nos levar a analisar nossa própria história, nossas experiências,
mostrando em qual momento nos desviamos da rota principal".
Na terapia de leitura corporal as formas de tratamento são várias, entre elas a
prática de exercícios realizados com bolas, na água, massagens, receitas feitas
com nutrientes específicos e muito diálogo. "Tudo com o objetivo de promover
o bem-estar e a saúde, e conduzir ao entendimento dos conflitos que limitam o
prazer de viver".
Quando o organismo é agredido por um agente externo ou por alguma doença
nos órgãos internos, a temperatura do corpo tende a aumentar. Ou seja, a
febre é um indício de que existe algo fora do normal acontecendo em seu
corpo.
A febre pode não ser uma doença, mas ela é essencial para ajudar seu corpo a
combater diversas infecções. Além disso, ela costuma passar em questão de
dias. Mas, assim como as doenças, a febre também pode ter ligação com a sua
saúde emocional e aspectos psicológicos, principalmente em crianças.
Os pais precisam orientar seus pequenos adolescentes, no sentido de serem
cada vez melhores no que se refere à paz interior, compaixão e,
principalmente, mostrar-lhes formas amorosas de perdoar.
O mais importante, sobretudo, é que os pais aprendam a soltar e perdoar a
tudo e a todos para assim criarem um clima de comunhão e bem-estar no meio
familiar. Segundo Freud, tudo aquilo que você vê de errado no outro não passa
de uma projeção do que existe em si mesmo, embora inconscientemente.
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Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) - Saúde não é apenas a
ausência de doença, mas um bem estar, biopsicossocial e espiritual.
CORPO, MENTE E EMOÇÕES: REFERENCIAIS TEÓRICOS DA
PSICOSSOMÁTICA
O corpo é o nosso instrumento e objeto de trabalho no processo do cuidar,
consequentemente surge a impossibilidade de continuarmos negando a
importância dos afetos ligados às afecções corporais.
Por muito tempo acreditamos numa medicina cartesiana, que dividia o corpo e
a mente. Atualmente com todo progresso da medicina e da psicologia, já não
podemos negar a ligação que as nossas emoções provocam em nosso corpo e
vice-versa. Por meio de pesquisas sabemos que a depressão, estresse e a
ansiedade afetam diretamente o sistema imunológico e o quanto este é
importante no surgimento e manutenção da doença/saúde.
Nosso organismo, por natureza, procura manter o equilíbrio interno, para que
todos os órgãos trabalhem em harmonia. Deste modo, quando ocorre uma
experiência estressora, positiva ou não, como uma promoção no trabalho, uma
dificuldade financeira ou até uma doença, nosso corpo se esforça para se
adaptar à nova situação, liberando substâncias bioquímicas conhecidas como
hormônios (adrenalina e cortisol).
O desgaste orgânico ocorre se a produção destas substâncias for excessiva ou
prolongada (estresse crônico), gerando sérios problemas no organismo, como
por exemplo, queda do sistema imune.
A depressão é um termo comum que tem acompanhado o homem através de
sua história, é uma experiência universal, já que as emoções de tristeza e
pesar fazem parte da condição humana, e como toda doença, qualquer um
pode ser acometido por ela.
A depressão é, em geral, classificada como uma doença funcional, que pode
não ter causas físicas palpáveis, o que leva à suposição de uma origem
psicológica. Isto tem sido questionado porque dentro dos limites normais
reduziram-na a experiências subjetivas de desconforto, de sofrimento e de
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vulnerabilidade. Mas a falha desse mecanismo de defesa se relaciona
principalmente com a elevação da produção de cortisol.
Ansiedade, Ansia ou Nervosismo, é uma característica biológica do ser
humano, que antecede momentos de medo, perigo ou de tensão, marcada por
sensações corporais desagradáveis, tais como uma sensação de vazio no
estômago, coração batendo rápido, nervosismo, aperto no tórax, transpiração,
etc.
Ter ansiedade ou sofrer desse mal faz com que a pessoa perca uma boa parte
da sua auto-estima, ou seja, ela deixa de fazer certas coisas porque se julga
ser incapaz de realizá-las. No entanto, o termo ansiedade está de certa forma
interligado com o a palavra medo, sendo assim a pessoa passa a ter o medo
de errar quando da realização de diferentes tarefas, sem mesmo chegar a
tentar.
O corpo e a mente são uma unidade, então se o emocional de uma pessoa não
vai bem ela pode desenvolver as chamadas doenças psicossomáticas, que são
aquelas que possuem sintomas físicos e que não têm explicação médica. São
dores que não tem causa aparente, que aparecem sem que tenha havido
nenhuma razão conhecida e que não se curam nem como remédios, pois a
causa não é física, mas sim emocional, ou seja, provocada pela nossa mente.
A pessoa que sofre com alguma doença psicossomática acaba somatizando no
corpo os seus desequilíbrios emocionais e mentais e sofrendo com dores
terríveis. Estas por sua vez são provenientes de suas angústias, ansiedades e
depressões, o que desregula todos seus sistemas.
As chamadas doenças psicossomáticas são doenças que apresentam
sintomas físicos e que não têm origem ou causa identificada em exames. São
dores que não tem causa aparente ou que aparecem sem que tenha havido
nenhuma razão conhecida e que não se curam nem como remédios. Isso se dá
porque as doenças psicossomáticas não possuem causas físicas e sim,
emocionais.
Existem outras que podem acarretar em uma ou mais doenças
psicossomáticas:
Traumas de infância ou qualquer outro tipo de trauma;
Ansiedade e depressão;
Situações de violência (física ou psicológica);
Trabalho em excesso;
Autocobrança exagerada;
Entre outras causas.
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Referências Bibliográficas
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Rosimeri Bruno Lopes.Psicossomática e a Psicanálise.
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Daniela Costa.Encontro BH. Revista.O corpo fala.
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Pesquisa realizada em: 13/02/2020
Sobre o autor:
Eu Sem Fronteiras. Febre: Quais energias você está passando para seus
filhos?
Disponível em:
https://www.eusemfronteiras.com.br/febre-quais-energias-voce-esta-passando-
para-seus-filhos/
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Sobre o autor:
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Sobre o autor:
Alinny Rodrigues Lamas.Enéas Rangel Teixeira.A DIMENSÃO
PSICOSSOMÁTICA NO CUIDADO DE ENFERMAGEM.
Disponível em:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/57cbe/resumos/392.htm
Pesquisa realizada em: 13/02/2020
Sobre o autor:
Abrale. Emoções e Saúde - Ligação corpo e mente.
Disponível em:
http://abrale.org.br/emocoes-saude
Pesquisa realizada em: 13/02/2020
Sobre o autor:
José Roberto Marques.Blog.5 Doenças Psicossomáticas Mais Comuns e Seus
Sintomas.
Disponível em:
https://www.jrmcoaching.com.br/blog/5-doencas-psicossomaticas-mais-
comuns-e-seus-sintomas/
Pesquisa realizada em: 13/02/2020
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Apostila de
Neuropsicologia
PSI1824
Profa. Norma M. S. Franco
Aluno(a):_
http://bio-neuro-psicologia.usuarios.rdc.puc-rio.br/
http://bio-neuro-psicologia.usuarios.rdc.puc-rio.br/
NEUROPSICOLOGIA
É o campo do conhecimento que trata da relação entre a cognição (e
comportamento) e a atividade do sistema nervoso em condições
normais e patológicas. Sua natureza é multidisciplinar, tomando apoio
na anatomia, fisiologia, neurologia, psicologia, psiquiatria, etologia,
entre as mais importantes. A partir de uma respectiva médica, este
conhecimento visa ao tratamento dos distúrbios da cognição e do
comportamento secundário ao comportamento do Sistema Nervoso.
Ricardo Nitrini
Se não houver frutos, valeu a beleza das flores, se não houver flores,
valeu a sombra das folhas, se não houver folhas, valeu a intenção da
semente.....
Henfil
A apostila foi baseada em vários livros descritos na Bibliografia.
CENTRO DE TEOLOGIA E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE PSICOLOGIA
DISCIPLINA: PSI 1824 - NEUROPSICOLOGIA (4- 0- 0 ) – 4 CR
PRÉ-REQUISITO: PSI 1820 ou PSI 1020 (Currículo novo)
PROFESSORA: Norma Moreira Salgado Franco
PERÍODO:
Objetivos:
• Estudar a expressão cognitiva comportamental das lesões e disfunções cerebrais.
• Identificar os principais conceitos e informações relativas à organização neural dos processos mentais sob
o ponto-de-vista da neuropsicologia.
• Identificar as diversas neuropatologias do sistema nervoso.
Ementa: A história da neuropsicologia. As funções neuropsíquicas superiores. As patologias neuropsicológicas
do SN. Descrição e avaliação.
Avaliação: Categoria II – De acordo com a RESOLUÇÃO – 01/2005 de 15/06/2005
Programa:
A Neuropsicologia
1.1. Breve Histórico
1.2. Concepção da organização cerebral
1.3. Análise neuropsicológica das funções psíquicas superiores
1.3.1. Linguagem ( Afasias)
1.3.2. Agnosias
1.3.3. Apraxias
1.3.4. Memória
Avaliação Neuropsicológica
2.1. Traumatismo Crânio-Encefálico (TCE)
2.2. Demências
2.3. Depressão
2.4. Dependências Químicas
2.5. Acidente Vascular Encefálico (AVE)
2.6. Transtornos da Comunicação
2.7. Outros Transtornos
3. Casos Clínicos
Bibliografia Principal:
• DORETTO, D. Fisiopatologia Clínica do Sistema Nervoso. RJ: Atheneu,1996.
Bibliografia Complementar:
• GUYTON, A. C. Neurociência Básica. RJ: Guanabara Koogan, 1993.
• LURIA, A. R. Fundamentos de Neuropsicologia. SP: EDUSP, 1981.
• M ACHADO, A. Neuroanatomia Funcional. RJ: Atheneu,1986.
• SACKS, J. O Homem que confundiu sua mulher com um chapéu. RJ: Imago,1987.
• TAVARES, P. Fisiologia e Anatomia Humana. RJ: Atheneu, 1984.
SISTEMA DE AVALIAÇÃO - NEUROPSICOLOGIA
Profª. Norma Moreira Salgado Franco
G1 – Trabalhos em sala de aula valendo até 3,0 pontos e
prova individual sem consulta (com casos clínicos) valendo 7,0 pontos
G2 – Seminários (3,0 pontos) e Prova objetiva (7,0 pontos)
G2 – Seminário
Temas/Datas: Demências - / _/
Transtornos de Humor – / /
Transtornos de Ansiedade – / /
Transtornos Alimentares – _/ /
Epilepsia – / /
Fisiopatologias do Sono – / /_
Os Efeitos das Drogas no SNC – /_ /
Neoplasias – _/ /
Doença de Parkinson – _/ /
As entrevistas serão valorizadas nesse trabalho (apresentação oral)
Nº máximo de componentes por grupo: 03 (Três)
Pontuação do trabalho: de zero a 3,0 pontos – apresentação escrita
- resumo
de zero a 3,0 pontos – apresentação oral
(avaliação da turma e da professora) de zero a
3,0 pontos – presença nas apresentações e ter
participado da confecção do trabalho
Normas para a apresentação da parte escrita - Resumo
• O grupo entregará à professora o resumo do trabalho até 07 (sete) dias antes da
apresentação do mesmo. Esse resumo será entregue a toda a turma no dia da
apresentação oral.
O resumo deverá conter o nome da Instituição, nome da Disciplina, nome da
professora, nome do trabalho e o nome completo dos integrantes do grupo. O corpo do
trabalho com os itens desenvolvidos de forma resumida (digitado em espaço 1,0 fonte
“Arial” ou “Times New Roman”, tamanho da letra 12 e alinhamento justificado). Não
precisará constar no resumo as entrevistas clínicas, a conclusão do grupo, as referências
bibliográficas (estas deverão conter no trabalho expositivo em power point).
OBS: O trabalho não poderá ser cópia de livro(s) o ut ra s f on te s imp ressa s ou de
site s espe cia lizado s. Q U ALQ UE R it em p esqu isado de ve ter su a f on te inclu ída
n a p a rte de b ib lio graf ia se gund o as no rma s da AB NT.
• Todos os integrantes do grupo entregarão à professora, no dia da apresentação oral, uma
folha de avaliação (avaliação de 0-3 de cada componente do grupo, incluindo a sua
própria avaliação (auto-avaliação) – Anexo 01
Nome do aluno Avaliação Significado
0 Não participou
1 Teve pouca participação
2 Teve uma participação razoável
3 Teve uma participação efetiva
• A nota do resumo valerá até 3,0 pontos e será em função do desenvolvimentoda
pesquisa, clareza com que foi escrita e comparada com os outros trabalhos.
Critérios para a apresentação oral – Power Point (ou similar)
• No dia da apresentação oral do trabalho, a professora poderá escolher o aluno que
representará o grupo (se achar que não foi um trabalho em grupo).
• Ao final de cada apresentação a turma avaliará (numa escala de 0 a 3) a
apresentação do grupo (Anexo 02) , de acordo com os seguintes critérios:
Zero - apresentação ruim
1,0 - apresentação com pouco conteúdo
2,0 - apresentação com conteúdo razoável
3,0 - apresentação clara e com bom conteúdo
• Pontuação da apresentação oral: até 3,0 pontos (Critérios da professora)
Zero - aluno que não fez a parte escrita ou que faltou no dia da apresentação oral ou
que não conseguiu falar no dia da apresentação (por não ter participado)
1,0 - apresentação com pouco conteúdo sobre o trabalho
2,0 - apresentação razoável sobre o conteúdo do trabalho
3,0 - apresentação clara e com conhecimento do conteúdo do trabalho
• A Média da Pontuação Oral do Grupo (MPO) será calculada da seguinte forma: A média
de todos os alunos (MA) mais a avaliação da professora (AP) dividido por 02 (dois),
assim: MPO = MA+AP
2
IMPORTANTE : Os alunos que não obtiverem 3 na avaliação do grupo na parte escrita
terão a nota de apresentação oral equiparada à da sua participação no
trabalho.
Os alunos que faltarem no dia da apresentação oral do trabalho receberão
zero na parte de apresentação oral (caso não tenham uma boa justificativa).
Critérios para a nota de presença nas apresentações de outros
grupos
• Pontuação
3,0 – presença em todos os dias de apresentação de trabalho
2,0 – falta em apresentação de um trabalho
1,5 – falta em apresentação de dois trabalhos
1,0 - falta em apresentação de três trabalhos
zero – falta em apresentação de quatro trabalhos ou mais
OBS> As entrevistas serão valorizadas no trabalho oral
TRABALHO A SER REALIZADO EM SALA DE AULA
O Córtex cerebral – uma breve turnê
I - Classificação Anatômica do Córtex
Baseia-se na divisão do cérebro em sulcos, giros e lobos (frontal,
parietal, occipital, temporal e insular). Essa divisão é mais empregada
na prática médica para localização de lesões corticais.
II - Classificação Filogenética do Córtex (fig. 1 e 2)
- arquicórtex (parte mais primitiva - hipocampo répteis)
- paleocórtex (parte intermediária - Úncos e giro para-hipocampal
mamíferos)
- neocórtex (todo o resto do córtex - está ligado a percepção,
pensamento, linguagem, memória e ação planejada.)
III - Classificação Funcional do Córtex
- áreas de projeção(áreas Primárias) - Sensitivas
- Motoras
- áreas de associação - Secundárias (unimodais*) – Sensitivas
-Motoras
- Terciárias (supramodais**)
* Unimodais estão relacionadas indiretamente com áreas sensitivas
ou motoras primárias (projeção).
** Supramodais estão envolvidas com atividades psíquicas
superiores (memória, processos simbólicos e pensamento abstrato),
faz conexões com áreas unimodais ou com outras supramodais.
Lesões causam alterações psíquicas sem qualquer conotação motora
ou sensitiva.
Fonte: http://neuroenfermagem.blogspot.com.br/
Vista dos lobos e suas áreas de associação
Fonte: Sistema Nervoso.com:
http://www.sistemanervoso.com/pagina.php?secao=2&materia_id=464&materiaver=1
http://neuroenfermagem.blogspot.com.br/
http://www.sistemanervoso.com/pagina.php
Vamos usar vermelho, amarelo e azul?
Áreas corticais primárias (em vermelho), secundárias (em amarelo) e terciárias (em azul), em relação
com as áreas citoarquiteturais de Brodmann. Face súpero-lateral do cérebro
Áreas corticais primárias (em vermelho), secundárias (em amarelo) e terciárias (em azul), em relação
com as áreas citoarquiteturais de Brodmann. Face medial do cérebro
Figuras retiradas do livro: MACHADO, Angelo B.M. Neuroanatomia funcional. Rio de Janeiro: Atheneu, 1983.
A - Áreas de Projeção Primárias
1 - Áreas sensitivas (Mapa de Brodmann)
Áreas Somestésicas (áreas 3,2,1)
Função: temperatura,dor, pressão, tato e propriocepção
Somatotopia - Homúnculo Sensitivo de
Penfield
Lesões - perda da sensibilidade discriminativa
do
lado oposto à lesão. O paciente perde a estereognosia
mas mantém o tato não discriminativo e a
sensibilidade térmica e dolorosa (tálamo)
3
(Área Visual) Área 17
Função: Visão. A ablação bilateral desta área causa cegueira completa
na espécie humana.
(Áreas Auditivas) Áreas 41 e 42
Função: Audição. Lesões bilaterais causam surdez completa. Lesões
unilaterais causam déficits auditivos pequenos.
Áreas Olfatórias - Ocupa no homem uma pequena área situada na
parte anterior ao úncus e o giro para-hipocampal.
Área Gustativa (área 43) - localiza-se na porção inferior do giro pós-
central (próximo a ínsula). Lesões dessa área provocam diminuição da
gustação na metade oposta da língua.
2 - Área Motora
Área 4 - Ocupa a parte posterior do giro pré-central. Estimulação nesta
área determina movimenta. De grupos musculares do lado oposto .
B - Áreas de Associação (Secundárias e Terciárias)
1 - Áreas de Associação Secundárias
Recebem aferências primárias e repassam informações para as
áreas supramodais.
1.1 - Áreas de Associação Secundárias Sensitivas
a) áreas somestésicas lobo parietal superior. Áreas 5 e 7
b) áreas visuais lobo occipital 18 e 19. Lobo temporal : 20, 21 e 37
c) áreas auditivas lobo temporal 22
OBS: Lesão nas áreas primárias causam deficiências sensoriais (ex. cegueira),
já nas áreas secundárias ocorrem as agnosias, apesar das áreas primárias
estarem intactas.
Distinguem-se agnosiasvisuais, auditivas e somestésicas (táteis). Um aspecto
importante relacionado às áreas secundárias é que do ponto de vista funcional elas
não são simétricas.
Por exemplo, lesão da área secundária auditiva (22) no Hemisfério esquerdo causa
uma afasia (dificuldade de compreensão de sons de linguagem). No hemisfério
direito causa uma amusia: dificuldade de compreensão dos sons musicais).
1.2 -Áreas de Associação Secundárias Motoras
a)áreas motora suplementar ocupa a parte mais alta da área 6, situada na
face medial do giro frontal superior. Do ponto de vista funcional relaciona-se com o
planejamento de seqüências complexos de movimentos.
b) área pré-motora localiza-se adiante da área motora primária e ocupa toda a
extensão da área 6. Lesões causam paresia(diminuição de força muscular.)
c) área de Broca localiza-se no lobo frontal
(giro frontal inferior), correspondendo à área 44 e parte da 45. A área de Broca é
responsável pela programação da atividade motora relacionada com a expressão
da linguagem. Lesões causam afasias.
2. Áreas de associação terciária.
Não se relacionam isoladamente com nenhuma modalidade sensorial. Recebem e
integram informações sensoriais já elaboradas por todas as áreas secundárias e
são responsáveis pela elaboração das diversas estratégias comportamentais.
a)Áreas Pré-frontais -Parte anterior não motora. No homem ocupa 1/4 da
superfície do córtex cerebral. É ligada ao sistema límbico.
b) Áreas Temporoparietal-Compreende todo o lóbulo Parietal inferior. Área 40
e 39. Estendendo-se também às margens do sulco Temporal superior. Esta área é
importante para a percepção Espacial.Outro quadro clínico comum é a Síndrome
denegligência ou Síndrome de inatenção, que se manifestam nas lesões do lado
direito, ou seja, no hemisfério mais relacionado com os processos visioespaciais.
Pode-se considerar um quadro de negligência em relação ao próprio corpo ou ao
espaço exterior.
c) Áreas Límbicas -Compreendem o giro cíngulo, o giro para-hipocampal,o
hipocampo, o ápice do lobo temporal e o córtex da superfície orbital do lobo frontal
ASSIMETRIA CORTICAL
Hemisfério Esquerdo:
Linguagem - 96% indivíduos destros
70% indivíduos canhotos ou ambidestros
Raciocínio matemático, organização do tempo e seqüência
Hemisfério Direito:
Desempenho de habilidades artísticas como música e pintura.
Percepção de relações espaciais. Reconhecimento da fisionomia das pessoas.
Visualização de imagens
Torna-se, portanto, a importância do corpo caloso em transmitir
informações entre os hemisférios. Quando seccionado os indivíduos não
tem distúrbios sensitivos ou motores evidentes, porém são incapazes
de descrever um objeto quando colocado em sua mão esquerda,
embora possam fazê-lo quando o objeto é colocado na mão direita
Córtex pré-frontal – CPF.
Direito > Sentimentos negativos (medo,agressividade)
Esquerdo > refreia essas emoções
Consequência:
“Derrame” no CPF E > Tendência a preocupações
“Derrame” no CPF D > Descontração
Plasticidade Cerebral
Plasticidade é a capacidade do sistema nervoso alterar o funcionamento
do sistema motor e perceptivo baseado em mudanças no ambiente.
Estudos comprovam a hipótese sobre o desenvolvimento Neural e a
aprendizagem na qual funções particulares de Processamento de
informação são controladas por grupos Especiais de neurônios, mas
quando uma dessas funções fica inutilizada, os neurônios associados a
ela passam a controlar outras funções. Por exemplo, se os neurônios
que normalmente recebiam estímulos do olho esquerdo pararem de
receber esses estímulos, eles se tornariam responsáveis pelos
estímulos do olho direito. O inverso também é verdadeiro, quando as
funções neurais são limitadas, os neurônios podem passar a controlar
novas funções. No entanto, nem sempre esse processo ocorre.
A plasticidade é mais comum em crianças.
TESTE LATERALIDADE - PARA CRIANÇAS (anexo 4)
Perspectiva Histórica
O estudo da afasia, até os nossos dias, constitui um campo complexo e questionável.
Hipócrates (400 AC)
Acreditava que o cérebro era o órgão onde os pensamentos ocorriam.
Franz Joseph Gall (1757-1828)
Assegurava que a personalidade do homem podia ser descrita pelas palpitações dos ossos da
cabeça.
Ernest Aurbutrin (1861)
Apresentou um estudo onde ele teorizava que a linguagem era localizada no lobo anterior do
cérebro.
Pierre Paul Broca (1824-1880)
Introduziu o termo afemia para o significado de perda de fala.
Carl Wernicke (1874)
Descreveu casos de afasia sensorial, e atribui a desordem a lesões da 1ª e 2ª circunvoluções
temporais do cérebro.
Paul Pierre Marie (1853-1940)
Chamou a atenção para a necessidade de serem construídos testes essenciais para uma
determinação mais precisa da sintomatologia afasia.
Hugligs Jackson (1835-1911)
Acentua a complexidade das funções nervosas que contribuem para a fala e a interdependência das
disfunções da fala e outras desordens compartimentais produzidas.
Henry Head (1926)
Identificou 4 classes de desordens afásicas
Kurt Goldstein (1879-1905)
Defendia que lesões em áreas centrais do cérebro, resultavam numa redução que afeta todos os
campos.
Áreas Corticais da Linguagem
1º - Giro frontal inferior (porção opercular - área 44) e parte das porções
triangular , orbitária e opercular.
2º - Córtex do lobo parietal inferior, compreendendo o córtex do giro
marginal e o córtex do giro angular (áreas 40 e 39).
3º - Região posterior situado do giro temporal superior (área 22).
4º - Córtex da metade posterior do giro temporal médio, corresponde à
metade posterior da área 21 e parte da área 37.
OBS. : As áreas anteriores funcionam integradas com outras áreas
corticais, salientando-se o “córtex interpretativo”de Penfield, situado na
região anterior do giro temporal superior, correspondente a porção anterior
da área 22 e parte da área 38.
Retirada do Livro: DORETTO, D. Fisiopatologia Clínica do Sistema Nervoso. RJ: Atheneu, 1996.
Áreas corticais da Linguagem
Propedêutica da Linguagem de Expressão Verbal
a) Linguagem espontânea –
b) Linguagem “automática”-
c) Linguagem “provocada” –
d) Linguagem “elaborada” –
Propedêutica da Linguagem de Compreensão Verbal
a) Prova de designação –
b) Prova da execução de ordens –
Propedêutica da Linguagem de Expressão Escrita
a) Escrita espontânea –
b) Escrita ditada –
c) Escrita copiada -
Propedêutica da Linguagem de Compreensão Escrita
a) Leitura em voz alta –
b) Execução de ordens escritas –
Quadro Clínico das Afasias
I ) Quadro Clínico das Afasias da Linguagem de Expressão Verbal.
a) Perífrase
b) Parafasia Verbal
• Parafasia Semântica -
• Parafasia Morfológica – .
c) Parafasia Fonêmica ou Literais –
d) Persistência Verbal ou Intoxicação pela Palavra –
e) Abolição Total; Agramatismo-
f) Jargonafasia –
II ) Quadro Clínico das Afasias da Linguagem de Compreensão Verbal.
a) Parcial
b) Surdez verbal
TRABALHO A SER REALIZADO EM SALA DE AULA
III) Quadro Clínico das Afasias da Linguagem de Expressão Escrita.
(Agrafias)
a) Paragrafia verbal
b) Paragrafia fonêmica ou literal
c) Persistência da escrita
d) Dissintaxias (distúrbios gramaticais)
OBS.: Os distúrbios são genericamente denominados de Agrafias. (manifestam mais
na escrita espontânea e ditada do que na copiada). A agrafia é exibida em ambas as
mãos. Os distúrbios são análogos aos da afasia de expressão verbal.
IV) Quadro Clínico das Afasias da Linguagem de Compreensão Escrita
(Alexias)
a) Alexia-agrafia (alexia afásica); paralexia
• Constata-se normalmente na prova de leitura de voz alta. Além do paciente
não entender o que leu, lê uma palavra por outra.
b) Alexia global (alexia literal e verbal)
• É a forma mais rara. Quando ocorre ausência no reconhecimento de letras e
de palavras; nestes casos a escrita espontânea e a ditada estão conservadas,
porém não conseguem ler o que escreveram.
Classificação das Afasias
1 ) Afasias Fluentes ou de Wernicke (afasias sensitivas de compreensão)
Caracterizadas pelos pacientes falarem bastante não ocorrendo déficits da
linguagem de expressão verbal.
2 ) Afasias Não-Fluentes ou de Broca (afasias motora de expressão)
Caracterizadas pela redução da fala, isto é, déficit da linguagem de
expressão verbal
1 ) Afasias Fluentes
Completa - caracteriza-se por um comprometimento acentuado em
todas as formas de linguagem.
a) Expressão Verbal - paciente pode apresentar logorréia, parafasias verbais,
semânticas, morfológicas e outras vezes destaca-se a presença de uma autêntica
jargonafasia.
b) Expressão Escrita - reproduz os distúrbios da expressão verbal (paragrafia
verbal, paragrafia fonêmica, persistência da escrita e dissintaxia - chegando a
uma jargonagrafia)
c) CompreensãoVerbal - sempre comprometida, em graus variados e em
formas mais severas o paciente entende apenas ordens extremamente simples.
d) Compreensão Escrita - exibe dificuldade na compreensão de uma ordem
escrita. Normalmente não a executa.
Localização da Lesão: Região Posterior do Giro Superior e Médio (Área de
Wernicke) e o Giro Supramarginal ,lesões têmporo-parietais no hemisfério esquerdo
→ Afasia de Wernicke Incompleta
a) Afasia de Condução - dificuldade de repetição de sílabas. Todos os fonemas de
uma palavra são trocados surgindo neologismo. Por outro lado, a linguagem de
compreensão verbal está preservada bem como a compreensão escrita (embora a
leitura do texto em voz alta exteriorizeas parafasias fonêmicas). Distúrbios da
linguagem escrita são frequentemente observados.
Localização da Lesão: Fascículo arqueado que interconecta as áreas de
Wernicke e de Broca. Em geral, decorre de lesão do giro supramarginal do lobo
parietal.
b) Afasia Amnésica - é uma forma clínica bastante frequente. Traduz-se por
perífrases. Assim ao entrevistar o paciente, a linguagem espontânea estará
ocorrendo normalmente, porém, com intervalos curtos.
Importante: este subtipo normalmente ocorre habitualmente no início de um
processo lesional progressivo (tumor), situado em qualquer região cortical
da linguagem.
2 ) Afasias Não-Fluentes
a) Afasia Total - Abolição total de todas as formas de linguagem.
Local da lesão: Abrange todo o córtex da linguagem.
b) Afasia de Broca - É marcante o déficit da linguagem oral. O paciente utiliza
apenas frases curtas e agramaticais; dificuldades na evocação de palavras e
persistência verbal são frequentes. Os distúrbios da linguagem de expressão escrita
são leves e discretos. Eventualmente ocorrem trocas de letras.
Local da lesão: Área de Broca, podendo ultrapassar os limites dessa área, tanto no
sentido anterior como no posterior.
Afasias Isoladas
Embora raras, as lesões podem exteriorizar-se clinicamente por afasia pura.
a) Afemia: lesão na área 44 (Broca). Alguns autores chamam de anartria cortical
(por causa do distúrbio de articulação da palavra)
b) Surdez Verbal: para alguns autores ela é apenas teórica, sendo uma fase de
regressão de uma afasia inicial bem mais ampla. Corresponde à área 42 de
Brodmann.
c) Alexia: é uma afasia pura de existência comprovada. A linguagem de expressão
escrita e verbal é preservada, porém o paciente é incapaz de ler o que escreveu
corretamente.
Outros Tipos de Afasias (todas com evoluções mais
favoráveis)
a) Afasia Talâmica ou subcortical: diminuição da linguagem de expressão, não
acompanhada de agramatismo ou persistência verbal.
b) Afasia na Infância: Crianças, acima de 5 anos de idade, submetidas à
hemisferectomia esquerda, apresentam afasia diferente dos adultos.
c) Afasia Cruzada: é a afasia em canhotos que apresentam lesões esquerdas.
ETIOLOGIA DAS AFASIAS
1 - AVE (transitórios ou não)
2 - Processos expansivos do lobo temporal esquerdo
3 - T.C.E. (como hematomas intracerebrais, no lobo temporal esquerdo)
4 - Abcessos temporais esquerdos
5 - Demências
TRABALHO EM SALA DE AULA
Apraxias e Agnosias (Apractoagnosias)
1- Apraxia: Incapacidade de executar movimentos aprendidos.
2 - Agnosia: Perda da capacidade de reconhecimento.
Obs.: Na prática médica diária é frequente um afásico também apresentar
apraxia e/ou agnosia.
1 - Apraxias
a) Apraxia ideomotora: Distúrbios de linguagem gestual.
Obs.: é observada em ambos os membros superiores.
Prova:
Local da lesão: Córtex Associativo parietal esquerdo. Frequentemente o
paciente apresenta uma afasia fluente (de condução)
b) Apraxia ideatória: Incapacidade de realizar certos movimentos sequenciais
na realização de um ato.
Prova:
Local da lesão: Acometimento bilateral do córtex associativo dos lobos parietal,
temporal e occipital.
b) Apraxia Construtiva: é a incapacidade de reproduzir ou copiar um modelo
visual apresentado, na ausência de distúrbios visuais, perceptivos ou motores.
Prova:
Lesão direita Lesão esquerda
Obs.: Neste tipo de apraxia, de acordo com o hemisfério lesado, ocorre uma pequena
diferenciação. Lesão direita - as cópias produzem erros traduzidos por falhas situadas à
esquerda do objeto copiado e pela nítida tendência a copiar ao lado direito do papel.
Lesão esquerda - as cópias assemelham-se às cópias de uma criança em idade pré-
escolar. Quando as lesões são intensas é Impossível o diagnóstico de localização direita
ou esquerda e quando há acometimento nos dois hemisférios o paciente perderá a
capacidade total de copiar.
Local da Lesão: Córtex Associativo parieto-temporal-occipital.
d) Apraxia do vestir-se: É um tipo de apraxia ideatória, sendo o objeto
representado pelas vestimentas.
e) Apraxia buco-linguo-facial : Dificuldade em projetar a língua para fora
(“estalar a língua”), reprodução mímica do riso, etc. Se apresenta associada a
afemia.
Etiologia das Apraxias
1 - AVE
2 - TUMORES
3 - TCE
4 - DEMÊNCIA SENIL E NA DOENÇA DE ALZHEIMER(Nesse caso ocorre sequencialmente na
seguinte ordem: apraxia construtiva, ideomotora e ideatória. A apraxia de vestir-se evolui, desde o
início).
5 - ALCOOLISMO CRÔNICO
6 - ARTEREOSCLEROSE CEREBRAL
7 -CASOS DE HIPOXIA PODEM PRODUZIR APRAXIA (Ex. Grandes Altitudes,
hipoventilação, etc). Obs.: neste tipo o quadro evolui favoravelmente, não
deixando nenhuma sequela.
2 - Agnosias (Ocorre lesão em áreas secundárias)
a) Agnosia Tátil ou (A Estereognosia: incapacidade de reconhecimento tátil.
• hiloagnosia dificuldade de reconhecer a textura do objeto.
• Amorfognosia perda do reconhecimento da forma do objeto.
• Assimbolia tátil não reconhece o objeto colocado na mão apesar de
reconhecer a textura e a forma. (córtex parietal superior, área 5 e 7)
b) Agnosia Auditiva: incapacidade de reconhecimento e distinção de sons na
ausência de qualquer déficits auditivos.
Local da lesão: Área 22 e parte da 21 no hemisfério cerebral direito
c) Agnosias Visuais: incapacidade de reconhecimento visual de objetos na
ausência de disfunções ópticas. Nestas agnosias há diferença no
comprometimento dos hemisférios cerebrais; assim lesões no hemisfério direito
ocorrem déficits em relação às funções visuoespaciais e o esquerdo no
reconhecimento de objetos.
c1) Agnosia Visuoespacial: desorientação espacial.
Prova:
c2) Agnosia Espacial Unilateral : trata-se de um algum acometimento no
campo visual direito. O paciente “esquece” o lado esquerdo. Normalmente esse
paciente apresenta também uma hemianopsia homônima esquerda.
Prova:
OBS.: Se o paciente também tiver uma agnosia espacial ele não demonstrará
nenhuma preocupação com relação à prática de tais movimentos.
c3) Prosopagnosia
Perda da capacidade de reconhecer fisionomias.
Obs.: Normalmente a lesão é no córtex associativo temporoparieto-occipital
direito (frequentemente vem associando com a apraxia construtiva).
c4) Agnosia para Cores : perda da capacidade de reconhecer cores.
Prova: Emparelhamento de cores semelhantes
Interessante: o paciente não desconhece as cores preto e branco.
Local da lesão: occipitotemporais esquerda e direita.
Distúrbios da SOMATOGNOSIA
Incapacidade de reconhecer o seu próprio esquema corporal.
• Anosognosia o paciente troca o “local são” pelo “local doente”
• Hemiasomatognosia o paciente não reconhece como seu o membro
paralisado (esquerdo)
Ocorrência: No hemisfério cerebral direito. Córtex associativo temporo-parieto-
occipital.
Etiologia das Agnosias (iguais os da afasia)
1- AVE (transitórios ou não)
2 - Processos expansivos do lobo temporal esquerdo
3 - TCE (por hematomas intracerebrais no lobo temporal esquerdo)
4 - Demências
TRABALHO EM SALA DE AULA
MEMÓRIA
Definição: É a capacidade de acumular e adquirir informações.
Localização: Córtex Cerebral, hipocampo e cerebelo.
Estágios: Codificação Armazenagem
Recuperação ou evocação
Para serem codificadas como memória pelas células cerebrais, as informações
devem ser apresentadas as estruturas encefálicas através da visão, audição ou
execução de movimentos.
Amnésia Quadro patológico de perda de memória.
Amnésia anterógrada Perda da memóriapara os fatos
ocorridos após a lesão do SN.
Amnésia retrógrada Perda da memória para os fatos
ocorridos antes da lesão do SN.
TRABALHO EM SALA DE AULA
MEMÓRIA
Auditiva Visual Cinestésica
A maioria do
armazenamento
• Hemisfério Esquerdo • Hemisfério Direito • Cerebelo
A maioria das
pessoas
20% 65% 15%
Os assimiladores
• captam com menos rapidez
• tem a mesma capacidade de
memorização que visual
• não confiam em suas memórias,
mesmo quando estão corretas.
• são melhores em compartimentar
um material complexo.
• captam com mais rapidez
• tem a mesma capacidade de memorização
que auditiva
• são mais seguros no que diz respeito a se
lembrarem do material que colheram
• se concentram mais no “quadro geral”, sem
entender bem seus elementos
distintos.
• colhem muitas informações irrelevantes
• tendem a confundir, portanto a ordem das
coisas
• captam com
menos rapidez
Duração Menor Menor Maior
Obs:
• Se a codificação for realizada utilizando os três tipos de memória, a assimilação
será muito melhor.
• A memória cinestésica parece ser a única forma e memória que funciona melhor
sem a ajuda da memória associada a outras partes do cérebro.
ATENÇÃO
Ato de manter o foco atentivo direcionado para certo estimulo.
Na atenção está explicito o caráter direcional e seletivo dos processos mentais
organizados como: estado de alerta, concentração, seleção e exploração.
Áreas responsáveis: Sistema límbico, formação reticular, estruturas corticais e
subcorticais ligadas a parte sensorial e motora.
Memória & atenção > interligação
Problemas de memória > problemas neurológicas e psiquiátricos.
MODULAÇÃO DA MEMÓRIA
A Emoção
Estados de alerta e atenção
A NEUROPLASTICIDADE
Aumento das ligações dendríticas, por meio de estímulos.
TIPOS E CARACTERÍSTICAS DA MEMÓRIA
Tipos e Subtipos Características
Quanto ao tempo de
retenção
• Ultra-rápida Dura de frações de segundos a alguns segundos; memória sensorial
• Curta duração Dura minutos ou horas, garante o sentido de continuidade do presente
• Longa duração Dura horas, dias ou anos, garante o registro do passado autobiográfico e dos conhecimentos do
indivíduo
Quanto à natureza
1- Explicita ou declarativa
a) Episódica
b) Semântica
2- Implícita ou Não-declarativa
a) De representação
perceptual
b) De Procedimentos
c) Associativa
d) Não Associativa
3-Operacional
Pode ser descrita por meio de palavras
Tem uma referência temporal; memória de fatos
sequenciados. Envolve conceitos atemporais; memória
cultural.
Não pode ser descrita por meio de palavras
Representa imagens sem significado conhecido; memória pré-consciente
Hábitos, habilidade e regras
Associa dois ou mais estímulos (condicionamento clássico), ou um estímulo a uma certa resposta
(condicionamento operante)
Atenua uma resposta (habituação) ou a aumenta (sensibilização) através da repetição de um
mesmo estímulo
Permite o raciocínio e o planejamento do comportamento
ANEXOS
27
ANEXO 01
FICHA PARA AVALIAÇÃO DO TRABALHO ESCRITO
28
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO
Disciplina: Neuropsicologia
Professora: Norma Moreira Salgado Franco
Nome do trabalho:
Data da apresentação: / /
Nome do aluno:
NOME DOS COMPONENTES
DO GRUPO
0
1
2
3
1 – AUTO-AVALIAÇÃO
2 –
3 –
4 –
5 –
Nota 0 (zero) = O componente não participou
Nota 1 (um) = O componente teve pouca participação
Nota 2 (dois) = O componente teve uma participação razoável
Nota 3 (três) = O componente teve uma participação efetiva em todas as etapas do
trabalho
IMPORTANTE: Esta folha deverá ser entregue somente à professora, no dia da
apresentação do trabalho e, ainda, antes da apresentação oral do
mesmo.
ANEXO 02
FICHA DE AVALIAÇÃO DA APRESENTAÇÃO ORAL – TURMA
35
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO
Disciplina: Neuropsicologia
Professora: Norma Moreira Salgado Franco
NOME:
NOME DO TRABALHO
DATA
0
1
2
3
01 - DEMÊNCIAS
/ /
02 – TRANSTORNOS DE
HUMOR
/ /
03– TRANST. DE ANSIEDADE
/ /
04 – TRANST. ALIMENTARES
/ /
05 – EPILEPSIA
/ /
06 – FISIOPATOLOGIA DO
SONO
/ /
07 – AS DROGAS NO SNC
/ /
08 – NEOPLASIAS
/ /
09 – DOENÇA DE PARKINSON
/ /
Nota 0 (zero) = Apresentação ruim
Nota 1 (um) = Apresentação com pouco conteúdo Nota
2 (dois) = Apresentação com conteúdo razoável Nota 3
(três) = Apresentação clara e com bom conteúdo
36
ANEXO 03
Homúnculo de Penfield
Parece estranho, mas essa é a forma com que nosso cérebro
interpreta nossas funções sensoriais e motoras e percebe nosso corpo.
Fonte: Esenza Pilates: http://esenzapilates.wordpress.com/2013/06/10/homunculo-sensorial-y-
motor/
Para mais informações. Visite: http://videolog.tv/292359
http://esenzapilates.wordpress.com/2013/06/10/homunculo-sensorial-y-
http://videolog.tv/292359
37
ANEXO 04
TESTE: LATERARILADE (Para crianças)
• LATERALIDADE DAS MÃOS.
1) Lançar uma bola.
2) Utilizar um objeto (tesoura, pente, escova, etc).
3) Escrever, pintar, desenhar, etc.
A criança está em pé, sem nenhum objeto ao
alcance de sua mão. O aplicador deverá demonstrar
como realizar tal movimento.
• LATERALIDADE DOS OLHOS.
1) Cartão furado – Cartão de 15cm x 25cm com um furo
no centro de 0,5cm (de diâmetro). O aplicador deverá
fazer uma demonstração. Com o cartão sustentado pelo
braço estendido vai aproximando-se lentamente o rosto.
Após a demonstração pede-se a criança que faça o
mesmo, “Fixe bem o seu olhar neste cartão, olhe pelo
furo que há nele.”
2) Telescópio (tubo longo de cartão) – O aplicador deverá
fazer uma demonstração de como ele vê um objeto
através do telescópio. Após a demonstração pede a
criança para fazer o mesmo.
• LATERALIDADE DOS PÉS.
1) Chutar uma bola – (Bola de 6cm de diâmetro). O
aplicador deverá dar a seguinte ordem: “Você irá segurar
esta bola com uma das mãos, depois irá soltá-la e irá lhe
dar um chute sem deixa-la tocar no chão”. Máximo de
Duas tentativas.
38
RESULTADOS:
LATERALIDADE Mãos Olhos Pés
D (Direito) 3 Provas
com a mão
direita
2 provas
com o olho
direito
2 chutes
com o pé
direito
E (Esquerdo) 2 Provas
com a mão
esquerda
2 provas
com o olho
esquerdo
2 chutes
com o pé
esquerdo
I (Indefinido) 1 ou 2
provas com
a mão
direita ou
esquerda
1 prova
com o olho
direito ou
com o olho
esquerdo.
1 chute
com o pé
direito ou
com o pé
esquerdo
PONTUAÇÃO GERAL
DDD Destro completo
EEE Sinistro completo
DED/EDE/DDE Lateralidade cruzada
DDI/EEI/EID Lateralidade indefinida
Fonte:
Manual de avaliação motora – Francisco Rosa Neto –Artmed. 2002.
39
Casos clínicos
Apresentaremos, para fins de ilustração, um resumo de caso verídico, publicado na
revista Arquivos de Neuropsiquiatria, Vol.27, em junho de 1969, pelo Prof. Dr.
Antonio Branco Lefêwre.
Caso 1:
“D.A.S., sexo feminino, 10 anos de idade, a paciente foi atingida em 2 de maio de
1967, acidentalmente, por uma bala de revólverque alojou-se no crânio, onde
radiografias revelaram estar o projétil alojado profundamente no hemisfério
cerebral esquerdo; a angiografia pela carótida interna esquerda resultou normal,
não havendo indicação cirúrgica para o caso. Foi internada na Clinica Neurológica
por 20 dias depois. O exame de linguagem e expressão verbal, através da
linguagem espontânea, mostrou acentuado déficit; mostramos 20 cartões com
gravuras de objetos conhecidos (sapato, casa, bola e etc) e quando solicitada a
dar o nome dos objetos respondia quase sempre “Isto é...não sei.”, ao
mostrarmos a figura de um pássaro, respondeu: “É menino...não...ah, sei mais eu
não falo.”. Algumas vezes usava palavras relacionadas com o que lhe era
perguntado ou emitia fonemas semelhantes ao da resposta correta; por exemplo,
carro – “caso”, sapato “pé”. Outras vezes podia dizer para que servia este ou
aqueles objeto, mas era incapaz de dar o seu nome (cachimbo: É de
fumar...”,bola “É de jogar...”). Quando solicitamos a dizer as vogais, fazia-o de
forma automática, repetindo sempre a mesma sequência “a, e, i, o, u”, mesmo
quando perguntávamos apenas uma. Pedimos que identificasse os números de 1
a 10, tendo a mesma mostrado impregnação pelo teste anterior, repetindo o
mesmo automatismo “a, e, i, o, u”. Examinamos a seguir a expressão pela
palavra escrita...”
Caso 2
S.D.S., sexo feminino, 53 anos, viúva, funcionária pública, depois sofrer um TCE
atingindo 40% do seu Hemisfério Esquerdo, após 2 meses de Internação na
Santa Casa de Misericórdia de Santa Catarina foi ao Setor de Neuropsicologia
fazer alguns testes: No meio do exame .... “ o neuropsicólogo mostrou figuras de
objetos conhecidos, nesta ordem: bola, sapato, faca, carro. Assim, ao ver as
figuras a paciente respondeu: “cola, pé, garfo e barro”.
Ao solicitar a paciente para apontar: a sua mão, o abajur da sala e a caneta do
testador ela só conseguiu apontar para o abajur. Ao pedir para escrever um
pequeno texto ditado pelo examinador (A mata pegou fogo por três dias) , ela
escreve da seguinte forma: “A lata jogou gorro os destes”. Ao solicitar para
copiar: O menino foi a escola de carro ela escreve: “o meno, voi na cola do
tomovel”. Ao receber do examinador uma folha com a ordem “ balance a cabeça
para frente” a paciente olhava o papel sem saber como deveria se portar....”
40
Caso 3
C. B. D., sexo masculino, 10 anos de idade. O paciente foi atingido em 06 de
outubro de 1997, por uma bala que alojou-se no crânio. As radiografias revelaram
que o projétil está situado profundamente no hemisfério cerebral esquerdo. A
angiografia pela carótida interna esquerda resultou normal, não havendo
indicação cirúrgica para o caso. Foi internado e após 23 dias foram feitos alguns
testes: O Neuropsicólogo perguntou ao C. B. D: .: “Como está o dia?” Ele
respondeu: “ ...om..”
Quantos anos você tem? É...deees” Você gosta de chocolate? “Gos.....tar”
Em seguida, mostrou a figura de uma casa e logo pediu ao paciente para nomeá-
la e C.B.D. respondeu “a..sa”.
Mostrando a figura de um carro, o paciente responde: “...om..”
Pediu-se ao paciente para apontar com o dedo indicador o seu relógio, a caneta do
neuropsicólogo e o seu sapato esquerdo, o que o paciente fez sem problemas.
O neuropsicológo pede ao paciente para escrever no papel a sua brincadeira
favorita.
Ele escreve: “ pular amarelina”.
Os casos clínicos deverão ser respondidos na "folha resposta” que estão nos
anexos. As folhas deverão ser destacadas e entregues a professora ou ao (a)
monitor(a) responsável.
41
Disciplina: Neuropsicologia – PSI1824
Profa: Norma M. S. Franco
Aluno(s):
Leitura Dirigida dos textos: (disponíveis no site http://bio-neuro-
psicologia.usuarios.rdc.puc-rio.br/):
• Avaliação Neuropsicológica – Aspectos históricos e situação
atual.
• O papel do neuropsicologia na prática do psicólogo.
Responda:
1) O que á “Neuropsicologia”?
2) Relate(m), resumidamente, a história da neuropsicologia.
3) Nos dias atuais, no Brasil, como se faz a avaliação neuropsicológica? E o que
Kevin Walsh acha disso?
4) Por que, habitualmente, a avaliação neuropsicológica é realizada em equipes
multidisciplinares?
5) Por que é tão importante o papel da Neuropsicologia na pratica do psicólogo?
http://bio-neuro-/
Obs: Use o verso da folha se for necessário.
42
Disciplina: Neuropsicologia – PSI1824
Profa: Norma M. S. Franco
Folha resposta (Caso 1).
Aluno(s):
1) Quais as propedêuticas utilizadas quando testada a linguagem de
expressão verbal?
2) O que foi encontrado dentro do quadro clinico das afasias de expressão
verbal?
Obs: Use o verso da folha se for necessário.
43
Disciplina: Neuropsicologia – PSI1824
Profa: Norma M. S. Franco
Folha resposta (Caso 2).
Aluno(s):
1) Quais as propedêuticas utilizadas? Exemplifique.
2) Qual(is) o(s) quadro(s) clínico(s) apresentado(s)? Exemplifique.
3) Como podemos classificar essa afasia?
Obs: Use o verso da folha se for necessário.
44
Disciplina: Neuropsicologia – PSI1824
Profa: Norma M. S. Franco
Folha resposta (Caso 3).
Aluno(s):
1) Quais as propedêuticas utilizadas? Exemplifique.
2) Qual(is) o(s) quadro(s) clínico(s) apresentado(s)? Exemplifique.
3) Como podemos classificar essa afasia?
45
Proposta Especialidade
NEUROPSICOLOGIA
segundo os critérios da CBO e outros
CATECE
Comissão de Análise de Títulos de
Especialistas e Cursos de Especialização
Neuropsicologia
• Área interdisciplinar voltada para o estudo
das relações entre o cérebro e a cognição.
Fundamenta-se em contribuições de
diversos campos, como as Neurociências,
a Psicologia Cognitiva, a Neurolinguística
e a Psicolinguística.
Funções Neuropsicológicas
Entre as funções neuropsicológicas estão
atenção, percepção (auditiva, táctil, visual),
orientação temporal e espacial, linguagem
oral e escrita, memória, funções motoras,
praxias, raciocínio, cálculos e funções
executivas (como planejamento,
organização e inibição).
Funções Neuropsicológicas e
Comunicação Humana
Modelos cognitivos e estudos de
neuroimagem demonstram que não apenas
funções consideradas exclusivamente
linguísticas, mas habilidades
extralinguísticas como memória e funções
executivas desempenham papéis
fundamentais na comunicação humana.
Atuação do Neuropsicólogo
• Atua tanto com crianças como com adultos
que apresentam alterações cognitivas
decorrentes de disfunções do SNC por
desenvolvimento atípico ou disfunções
adquiridas.
Prevenção em Neuropsicologia
Propõe intervenções que se antecipem a
problemas cognitivos (como por exemplo,
os déficits cognitivos em idosos sem
demência) e orienta a criação de condições
adequadas para o bom funcionamento da
cognição.
Avaliação Neuropsicológica (AN)
- Instrumentos de AN têm lógicas de construção e de interpretação
completamente diferentes daquelas dos instrumentos da avaliação
psicológica (o diagnóstico é neuropsicológico e não psicológico);
- Instrumentos têm base em modelos da Neuropsicologia Cognitiva;
- Em geral os processos de construção ocorrem de forma
interdisciplinar;
-Instrumentos utilizam-se de critérios psicolinguísticos para a
construção de itens verbais (maior parte das tarefas são verbais);
- Dados gerados são quantitativos e qualitativos (tipos de erros e
estratégias); buscam-se por dissociações entre funções e tarefas e
pelo perfil neuropsicológico (habilidades preservadas versus
deficitárias),sendo estes dados base para a intervenção.
Reabilitação em Neuropsicologia
Pode visar tanto a restituição funcional, que baseia-se no
conceito de neuroplasticidade, como o aproveitamento de
habilidades e estratégias cognitivas preservadas no
treinamento de funções deficitárias.
Busca a generalização dessas habilidades para a vida
cotidiana com tarefas ecológicas. Pode ter foco na
orientação do paciente e da família, gerenciamento e
manutenção de habilidades cognitivas por maior tempo
possível, como ocorre no caso das demências.
Transversalidade da Neuropsicologia
em Fonoaudiologia
• Aplicação nas diversas áreas da
Fonoaudiologia
Transversalidade da Neuropsicologia
em Fonoaudiologia
• Aplicação nas diversas áreas da
Fonoaudiologia
Transversalidade da Neuropsicologia
em Fonoaudiologia
• Aplicação nas diversas áreas da
Fonoaudiologia
Transversalidade da Neuropsicologia
em Fonoaudiologia
• Aplicação nas diversas áreas da
Fonoaudiologia
Transversalidade da Neuropsicologia
em Fonoaudiologia
• Aplicação nas diversas áreas da
Fonoaudiologia
Apoio da Sociedade Brasileira de
Neuropsicologia
Histórico da Neuropsicologia
Histórico da Neuropsicologia
A neuropsicologia, enquanto uma área do conhecimento surgiu a partir do interesse em
compreender a localização anatômica das funções mentais e suas primeiras evidências
enquanto ciência são oriundas de estudos conduzidos com indivíduos acometidos por danos
cerebrais.
Contudo, desde a antiguidade, busca-se identificar que parte do corpo humano seria a sede de
controle da mente, das emoções e do comportamento. Existem evidências de que técnicas de
trepanação eram praticadas desde a pré-história e umas das hipóteses, dentre as várias
existentes, para explicar esta prática é a de que, na antiguidade, acreditava-se que ao fazer
orifícios no crânio criava-se uma saída para os maus espíritos e assim era possível curar
transtornos mentais e dores de cabeça.
O papiro egípcio chamado de Papiros de Edwin Smith (1600 A.C) é considerado o documento
mais antigo com relatos da localização das funções mentais nele consta a descrição de 48
indivíduos com lesões cerebrais.
O coração também já foi tido como o centro da mente ou da alma humana. Essa ideia ficou
conhecida como hipótese cardíaca. Ainda hoje, ouvimos popularmente expressões coerentes
com esta ideia, como, por exemplo, quando dizemos “fazer o que o coração manda”.
No período grego clássico, muitos filósofos buscaram explicar a relação corpo e alma. Platão
(428-348 a.C.) explicava que o corpo era a instância material, perene, e mutável do homem
enquanto a alma era a imaterial, a eterna, imutável. Aristóteles (384-322 a.C.) explicava a
atividade mental dividindo-a em diversas capacidades (pensar, julgar, imaginar, etc.), mas
todas tinham o coração como sede anatômica (HAMDAN et al., 2011).
As ideias, baseadas na hipótese cardíaca, enfrentaram críticas dos adeptos da chamada
hipótese cerebral, que viam o cérebro como o responsável pela atividade mental.
A hipótese cardíaca foi definitivamente abandonada a partir das confirmações da hipótese
cerebral. Entre essas confirmações encontram-se os achados de Galeno (130-201 a.C.)
obtidos a partir da dissecação do cérebro de animais e cadáveres que contribuíram para teoria
ventricular. Segundo esta teoria, os ventrículos cerebrais eram a sede da mente e os
resultados de Galeno descreviam com precisão estas estruturas anatômico-fisiológicos.
Nesta época, os ventrículos causavam grande interesse entre os anatomistas porque se
destacam na aparência gelatinosa que o cérebro não fixado apresentava. Segundo a teoria
ventricular, haveriam três ventrículos, o primeiro associado as sensações, o segundo
associado a razão e o pensamento e o terceiro seria a o responsável pela memória.
A Igreja reconhecia a explicação de Galeno de que o fluido que circulavam nos ventrículos
seriam os espíritos e que estes determinavam os comportamentos. Com apoio da Igreja, que
tinha que forte influência sobre as ideias da época, a teoria ventricular perdurou até boa parte
da Idade Média.
O filósofo francês René Descartes (1596-1650), baseado nos princípios do dualismo
cartesiano, defende, no final do século XVII, a ideia de que a mente e o corpo seriam entidades
separadas e elas interagiam a partir de uma estrutura encontrada no corpo humano, a glândula
pineal. Esta glândula era vista como a sede do espírito no corpo e por meio dela eram
controlados os comportamentos (HAMDAN et al., 2011).
A hipótese cerebral tornou-se a ideia predominante e debate passou a ser quanto à
organização e o funcionamento do órgão de comando. Entre os estudiosos que defenderam a
hipótese cerebral estavam os holistas e os localizacionistas que apesar de concordarem sobre
o cérebro como a sede do funcionamento mental discordavam sobre a forma como esse
controle era possível. Para os holistas, o cérebro atuaria como um todo comandando as
funções mentais e o comportamento enquanto os localizacionistas acreditavam em um
funcionamento fragmentado, de forma que cada uma de suas regiões cerebrais teria uma
função específica (COSENZA et al., 2008).
Entre os localizacionistas, teve grande influência a frenologia - teoria de Franz Joseph Gall
(1757-1828), difundida por seu aluno, Johann Gaspar Spurzheim (1776-1832). Estes
estudiosos afirmavam que o cérebro estava organizado em aproximadamente 35 funções
específicas (ver figura 2) e acreditavam ser possível por meio da análise do crânio descrever a
personalidade de uma pessoa. Esta técnica foi chamada de personologia anatômica.
Segundo Consenza et al. (2008) os pressupostos básicos da frenologia podem ser resumidos
da seguinte forma:
1) cada região cerebral pode ser entendido como um “órgão” que comanda determinada
atividade mental ou comportamental específica;
2) a superfície craniana poderia ser moldada a partir do desenvolvimento de cada região
cerebral;
3) uma região cerebral bem desenvolvida pode crescer em volume e resultar em um
crescimento visível no crânio.
Outras evidências contribuíram de forma significativa para a neuropsicologia como a
conhecemos na atualidade, como a divulgação do caso do funcionário americano Phineas
Gage (1823-1860) que, em decorrência de uma explosão, teve o cérebro perfurado por uma
barra de metal.
A barra atingiu o olho esquerdo e atravessou a parte frontal do cérebro. Apesar disto, Phineas
sobreviveu, aparentemente, sem sequelas motoras e cognitivas, mas com alteração
significativa em sua personalidade, comportando-se de forma opostos ao que costumava fazer
antes do acidente. Esta sequela tão específica em uma lesão tão agrave gerou interesse dos
estudiosos em neurociências.
Na atualidade, a neuropsicologia superou esta necessidade de estabelecer a localização das
funções mentais como sua prioridade. A discussão localizacionismo versus holismo foi
superada com o surgimento das modernas técnicas de neuroimagem que hoje são as
principais ferramentas para fins de localização de regiões lesionadas.
Isso não quer dizer que uma avaliação neuropsicológica não mantenha este objetivo, mas este
propósito é prioritário, exclusivamente, em casos de patologias cujos sintomas manifestam-se
antes, ou independente, das alterações cerebrais alcançarem um nível detectável pelos
procedimentos de neuroimagem.
A HISTÓRIA DA NEUROPSICOLOGIA COGNITIVA.
A espécie humana é, aparentemente, a única que está apta a pensar em si mesma como uma
entidade dual, composta por uma parte física, finita e concreta, o corpo, e uma abstrata e
transcendental, a mente. Através da última, os homens procuram no corpo as provas que
justifiquem a existência da mente, e na mente, os recursos que possibilitam o conhecimento do
corpo.
Procurando localizar a atividade mental no corpo, egípcios e gregos apontaram,alternadamente, o coração e o cérebro como possíveis residências da mente. O médico
romano Galeno (130-200), depois de constatar que os ferimentos cefálicos dos gladiadores
produziam alterações comportamentais, decidiu que a mente só poderia estar situada no
cérebro.
Dois mil anos mais tarde, psicólogos cognitivos e estudiosos das neurociências dedicam-se
ainda a localizar no cérebro as diferentes funções mentais. Saber se cada função mental esta
relacionada à ativação de uma determinada área ou estrutura cerebral, ou se, indiferentemente
da função mental, o cérebro se ativa como um todo, são os principais problemas das teorias
“localizacionistas”, para as quais as “faculdades mentais podem ser localizadas em diferentes
áreas do cérebro, e das teorias “holísticas”, para as quais o atividade cerebral é indiferenciada.
Em 1500, Leonardo da Vinci conclui que todas as informações sensoriais se dirigem para um
mesmo local do cérebro: o “senso communis”, morada do pensamento e do julgamento. Um
pouco mais tarde, René Descartes (1596-1650) relaciona corpo e mente ao declarar que a
mente influência o corpo da mesma forma como o corpo influência à mente. Embora em 1800
já se discutissem a origem e a localização dos fenômenos psicológicos a possibilidade de se
realizarem estudos cerebrais experimentais não eram cogitada. Com a publicação em 1850, da
“Origem das Espécies”, de Charles Darwin se acirra a problemática da condição cognitiva dos
homens.
Quando surgem, no século XIX, as primeiras evidências anatomo-fisiológicas de um cérebro
constituído por múltiplas estruturas e funções, a crença em uma mente humana, abstrata e
transcendental, constituída à imagem e semelhança de um deus único, eterno e absoluto, não
mais se sustenta. A pretensão de Franz Joseph Gall (1758-1828) de conhecer os instintos e as
faculdades intelectuais humanas através de uma estratégia objetiva, a Frenologia (do grego
phrên, inteligência), ou seja, avaliando o formato craniano dos homens, foi considerada, na
época, uma ousadia materialista. Embora rapidamente desacreditada, a Frenologia serviu
como base para o surgimento de duas diferentes correntes teóricas, uma, formada por aqueles
que, como Gall, consideravam a mente humana um limitado e heterogêneo conjunto de
estruturas e funções materialmente localizáveis; e outra, formada por aqueles que acreditavam
ser a mente uma entidade homogênea, indivisível e transcendental. Como o termo
transcendental, que caracterizava a mente, se referia a um limite após o qual nada mais
poderia ser inteligível e/ou conhecido, a sua investigação ontológica permanecia sujeita a
critérios metodológicos, muitas vezes, pouco objetivos e quantificáveis. Permitindo que se
englobasse ou se assimilasse algo considerado plural a algo considerado singular, muitos a um
único, a transcendência era um conceito mais adequado às teorias cosmológicas que
explicavam a origem do universo do que as que procuravam explicar a origem e o
funcionamento mental dos homens.
Em 1825, Jean-Baptiste Bouillaud é duramente criticado depois de ter tido a ousadia de
localizar a linguagem em uma determinada região do córtex cerebral frontal. Como a ativação
de um pedacinho de massa cefálica poderia gerar o divino dom da fala humana? Apesar de
todas as correntes oposicionistas, e muito mais cauteloso do que Bouillaud, Paul Broca (1824-
1880), em 1861, identifica como responsável pela linguagem, uma região cortical do lobo
temporal esquerdo. Porém, ele declara que a pequena área do lobo temporal esquerdo
respondia apenas pelo aspecto exterior e mecânico da linguagem, uma vez que o seu aspecto
mental, o seu conteúdo lingüístico, este sim, passível de ser considerado divino, ninguém ainda
localizara. Pouco tempo depois, em 1874, Carl Wernick (1848-1905) identifica, na superfície
superior do lobo temporal esquerdo, a região cortical responsável pelo reconhecimento
semântico das palavras, área esta que mais tarde passa a ser conhecida como a área de
Wernick.
No início do século XX, constatações tais como: o variável número de camadas constituintes
do córtex cerebral, a diversidade das respostas comportamentais frente à estimulação, a lesão
ou extirpação de regiões ou estruturas cerebrais possibilitaram que o neuroanatomista alemão
Korbian Brodmann elaborasse um complexo mapa cerebral no qual cada área do córtex
recebeu um número de acordo com a sua citoarquitetura. Desta forma, a “área 17” referente a
depressão do lobo occipital era uma área visual , a “area 4”,localizada na parte anterior do
sulco central do lobo frontal, motora, e assim por diante, até se completarem 52 áreas.
Entretanto, o caráter ambíguo das teorias que, por um lado, defendiam uma mente localizável e
fragmentada, e por outro uma mente, indivisível, imortal e transcendental, persistia.
No início dos anos 50, o behaviorismo, teoria psicológica que privilegiava o estudo das
expressões corporais observáveis em detrimento do estudo da mente, dominou a psicologia
americana. Em 1956, um professor da Universidade de Harvard quebrou aquela hegemonia
publicando um livro intitulado A Study of Thinking. Em vez de se interessar, como a maioria de
seus pares, pelos comportamentos observáveis, J.S. Bruner e colaboradores procuraram
desvendar as estratégias mentais utilizadas pelos sujeitos frente a determinadas tarefas, como,
por exemplo, a classificação de cartas. Desta forma, eles tentavam compreender a seqüência
das operações mentais que levavam a resolução de tais problemas. Em 1956, G. Miller, um
jovem psicólogo da Universidade de Harvard, tenta atrair a atenção de seus colegas para os
limites do psiquismo humano com o enigmático título de seu artigo: “O número mágico 7, mais
ou menos 2”. Através deste trabalho, Miller pretendeu demonstrar que a memória imediata era
limitada, incapaz de reter uma lista constituída com mais de sete elementos, e que para
superar esta dificuldade, os sujeitos costumavam reagrupar os elementos da lista a ser
memorizada em pequenos grupos. Isto só acontecia, segundo Miller, porque o cérebro é
dotado de uma estrutura própria e limitada, não podendo, como pretendiam os behavioristas,
ser comparado a um recipiente vazio. Ao contrário do corpo, a mente para Miller era a única
parte do homem capaz de dar um “tratamento lógico” as informações captadas no mundo
externo.
Naquela mesma época, Noam Chomsky defendeu, em seu trabalho de 1957, que a humana,
era uma espécie dotada de uma aptidão lingüística capaz de construir frases associando
palavras segundo certas regras gramaticais. Ao tentar englobar, em 1970, os aspectos corporal
e mental da condição humana numa única teoria, Jerry Fodor criou os conceitos de módulo
(entidades periféricas, anatomicamente localizáveis), e o de “administrador central”, (entidade
hierarquicamente mais elevada e isótropa, responsável pela preservação do espírito e da
consciência). Desta forma, Fodor recria o antigo dualismo existente entre funções cerebrais
anatomicamente localizáveis e uma função mental superior não corporalmente localizável. Em
1980, o inglês Tim Shallice localizou o “administrador central” de Fodor no lobo frontal e
ressuscitando uma problemática infinita na qual um famoso homunculus ocupa um lugar de
destaque. Segundo esta problemática, existiria no cérebro uma espécie de homenzinho
responsável pelas funções cerebrais o qual seria, ele mesmo, dirigido por um outro
“homenzinho”, que seria dirigido por um outro, e assim por diante.
Defendendo uma teoria um pouco diferente da anterior, Wolf Singer de Frankfort propõe que
um processo de sincronização temporal, e não mais um “administrador central”, responderia
pela seleção do um conjunto de neurônios, portanto módulos localizáveis, que seriam ativados
frente a uma determinada tarefa. Desta forma, uma rede neural momentânea emergiria,
atraindo a atenção, a consciência, e todos osprocessos necessários à realização de uma
determinada tarefa. Assim a mente, como uma entidade única, seria o resultado da associação
transitória de módulos especializados e não mais de um “administrador central”,
hierarquicamente superior, como anteriormente proposto por Fodor.
O desenvolvimento de técnicas de observação do cérebro, como o registro da atividade elétrica
dos neurônios, o exame por scanner das lesões cerebrais de pacientes vivos e, mais
recentemente, a imagem do cérebro em ação, vieram reforçar a proposta localizacionista.
Entretanto, até os anos 70, o termo “ciências cognitivas” não era utilizado. A partir de 1975,
surge um “paradigma cognitivo” em torno do modelo simbólico de Fodor. Na mesma época
uma fundação americana de caráter privado, a Fundação Sloan, decide, não só, a financiar
pesquisas nesta área do conhecimento, como também a financiar uma revista, Cognitive
Science, cujo primeiro exemplar apareceu em 1977. Em 1978, também sob os auspícios da
mesma fundação, uma primeira visão a respeito do estado das ciências cognitivas e das
disciplinas que delas participam é publicada. Dentre elas, a Filosofia, a Inteligência Artificial, a
Lingüística, as Neurociências e a Antropologia.
O desenvolvimento de técnicas de observação do cérebro, como o registro da atividade elétrica
dos neurônios, o exame por scanner das lesões cerebrais de pacientes vivos e, mais
recentemente, a imagem do cérebro em ação, vieram reforçar a proposta localizacionista.
Entretanto, até os anos 70, o termo “ciências cognitivas” não era utilizado. A partir de 1975,
surge um “paradigma cognitivo” em torno do modelo simbólico de Fodor. Na mesma época
uma fundação americana de caráter privado, a Fundação Sloan, decide, não só, a financiar
pesquisas nesta área do conhecimento, como também a financiar uma revista, Cognitive
Science, cujo primeiro exemplar apareceu em 1977. Em 1978, também sob os auspícios da
mesma fundação, uma primeira visão a respeito do estado das ciências cognitivas e das
disciplinas que delas participam é publicada. Dentre elas, a Filosofia, a Inteligência Artificial, a
Lingüística, as Neurociências e a Antropologia.
No início dos anos 80, multiplicam-se os manuais, os trabalhos de introdução e os livros de
divulgação. Nesta mesma ocasião, não só, David Hubel e Torsten Wiesel ganham o prêmio
Nobel por identificarem as áreas do sistema nervoso central implicadas na visão como também
o ganha, Roger Sperry, por definir o papel que cada um dos hemisférios cerebrais desempenha
nos processos cognitivos superiores. Por esta mesma época, Wilder Penfild mapeia as funções
cerebrais do cérebro e Robert McLean descreve os três cérebros do homem. Em 1983 Jean
Pierre Changeux publica o livro O Homem Neuronal. Nele, Changeux apresenta os avanços
das ciências do cérebro e a pretensão de desvelar os segredos do pensamento. Em 1985, o
psicólogo Howard Gardner publica a primeira História da Revolução Cognitiva com o sugestivo
sub-título Uma nova ciência da mente. Dois anos mais tarde, na França, sob o título Nova
Ciência da Mente, a revista Le Debat publica uma edição especial sobre o mesmo tema. No
mesmo ano um colóquio é organizado em Cerisy.
Os anos 90 recebem a denominação de “década do cérebro”. Sob o mesmo nome
inaugurasem, sob a direção de Marc Jeannerod, em Lyon, na França, um instituto de ciências
cognitivas.
Mas, sem dúvida, foram as técnicas de imagem cerebral, surgidas a partir dos anos 80, que
possibilitaram aos neurocientístas a realização de um antigo desejo: observar, em tempo real
ou quase, a atividade cerebral de pessoas durante a execução de determinadas tarefas.
Embora, as primeiras pesquisas em neuroimagem, realizadas pelo sueco David H. Ingvar,
tenham evidenciado uma hiper atividade nos lobos frontais de sujeitos que se esforçavam para
não pensarem em nada, pesquisas mais recentes evidenciaram que quando os sujeitos
realizam tarefas como o reconhecimento do sentido de palavras, fazem cálculos matemáticos,
memorizam localizações espaciais ou se preparam para desempenhar atividades motoras, o
córtex cerebral não age como um “administrador central”, uma entidade única que se ativa em
bloco, mas sim, como um “mosaico” cujas peças se ativam independentemente uma das
outras, dependendo da tarefa solicitada. As técnicas em neuroimagem também possibilitaram
que se soubesse que a identificação de objetos conhecidos não ativa as mesmas áreas que
são ativadas quando se olha para formas abstratas desprovidas de significação. O
reconhecimento da atividade neural em forma de rede também foi uma conquista destas
técnicas. Através delas constatou-se que a área 10 do córtex pré-frontal, a área 40 do parietal
e a 23 do córtex cingulado participam de múltiplas tarefas cognitivas. Se, em um determinado
momento elas fazem parte de uma determinada constelação neural, em outros, elas fazem
parte de uma outra. Também através da neuroimagem observou-se que as alucinações
mentais decorrem da ativação das mesmas áreas que se ativavam frente à estimulação
sensorial externa. Com isso, concluiu-se que perceber objetos reais ou imaginários é,
essencialmente, a mesma coisa. Entretanto, mesmo com todos estes avanços tecnológicos
ainda pouco se sabe sobre as relações que a parte mais física, finita e concreta do homem, o
seu cérebro, estabelece com a sua parte mais abstrata e transcendental, a sua mente.
Conceitos lingüísticos como “significado” e “significante” definem bem o momento atual das
neurociências. Embora a neurociência disponha dos recursos necessários para detectar os
“significantes” sensoriais e motores que caracterizam a parte corporal dos homens até hoje não
se dispõe de técnicas capazes de desvendar os “significados” psicológicos que caracterizam a
sua parte mental.
É neste sentido que a união dos saberes psicológicos cognitivos com os neurológicos é sempre
fértil. A denominada “cognição motora” tem surgido como um novo e rico campo e pesquisas.
Através dela um cérebro em permanente ação se impõe. A frase: “Antes de ser executada, a
ação deve ser planificada, programada” se refere à crença de que dois universos excludentes e
restritos: um mental, representacional e outro corporal, motriz convivem. Nesta antiga
concepção, uma prévia “planificação” e “programação” mental da ação antecede e termina,
invariavelmente, em uma movimentação corporal. Entretanto, na nova abordagem “cognitiva
motora” uma alternativa para esta dualidade filosófica é apresentada. Em 1994, o fundador do
Instituto de Ciências Cognitivas de Lyon, Marc Jeannerod comprovou que a simples
representação mental do ato de correr, sem o esboço de qualquer movimento corporal e sem
consumação de oxigênio ao nível muscular, faz com que o homem altere os seus sistemas
cardíaco e respiratório. Na mesma época, Giacomo Rizzolatti descobre um tipo de neurônio
que se ativa tanto quando o indivíduo executa um movimento, quanto quando ele observa
visualmente o mesmo movimento ser executado por um outro sujeito, às mesmas células que
se ativam durante as duas situações cognitivas ele deu o nome de “neurônios espelho”.
Trabalhos como estes evidenciaram que o cérebro representa da mesma forma, ações
executadas e não executadas. Ao se propor explorar os “estados mentais”, as “representações”
e as “estratégias mentais”, as ciências cognitivas preparam o terreno para o estudo da
consciência. Uma série de trabalhos a respeito dos comportamentos de imitação e de
simulação já esta sendo realizada. Se, os mesmos neurônios ou zonas cerebrais se ativam
quando um sujeito executa um gesto e quando ele vê um outro sujeito executá-lo, como
poderia ele distinguir a sua ação da ação de um outro?
Desde os anos 90, uma enorme quantidade de artigos filosóficos, neurobiológicos e
psicológicos vem se ocupando destes temas. Perguntas como estas, envolvendo diferentes
ramos do conhecimento, constituemos maiores desafios da neuropsicologia cognitiva. Um
outro debate, de natureza filosófica, se refere às relações corpo/mente. Seria possível reduzir a
atividade representacional (pensamento, linguagem, imaginação, sonhos) à simples atividade
neural? Para a maior parte dos neuropsicólogos cognitivos a atividade representacional
pressupõe substratos neurais (daí a necessidade de estudá-los), mas tanto esta atividade,
quanto os substratos neurais que a sustentam dependem, para se desenvolver, dos fatores
socio/culturais.
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