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APOSTILA BOLADA 2

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MICOBACTÉRIAS 
 
A visualização das micobactérias só é possível com a coloração de Ziehl-Neelsen, a qual só é útil 
para os bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR) – primeiramente utiliza-se o álcool e o ácido, e depois 
emprega-se o azul de metileno. 
 
Características do gênero Mycobacterium 
 Formado por bacilos aeróbios estritos, de crescimento lento, não-esporulados, que não possuem 
cápsula e que são álcool-ácido resistentes. 
 As espécies patogênicas para os humanos são: M. tuberculosis, M.leprae, M. bovis. De maneira 
geral, essas espécies se encontram apenas no indivíduo doente, e nunca no ambiente. 
 Por outro lado, outras espécies têm como habitat natural o solo, sendo algumas saprófitas e 
outras oportunistas. 
 Outra característica importante é o tempo de geração desses bacilos, que é longo. O tempo de 
geração é o tempo necessário para que ocorra divisão celular: para a M. tuberculosis, ele é de 15 horas, 
enquanto que para a M. leprae é de 12 dias. É por isso que M. leprae não cresce in vitro. 
 Considera-se que esses parasitas intracelulares têm uma virulência multifatorial, de modo então 
que o bacilo consegue resistir aos macrófagos ativados. Além disso, a própria resposta imune do 
hospedeiro contribui para ampliar as lesões apresentadas. 
 
Características do bacilo do gênero Mycobacterium 
 O bacilo é resistente ao descoramento álcool-ácido, sendo isso justificado pela grande 
complexidade da parede celular: há grande quantidade de lipídeos que, além de dificultar o descoramento, 
dificulta também o próprio coramento de tais bactérias. 
 Os bacilos desse gênero têm uma maior viabilidade (tempo de vida) que as bactérias Gram-
positivas e Gram-negativas. Isso ocorre por causa da grande quantidade de lipídeos e complexidade da 
parede celular. Sendo assim, as micobactérias são muito resistentes a agentes químicos, como 
desinfetantes. 
 
Tuberculose 
É uma doença de caráter mundial, de modo que muitas pessoas estão infectadas, mas destas apenas 
10% são efetivamente doentes (dentre os indivíduos imunocompetentes). O tratamento costuma ser bem 
efetivo, porém nem sempre há adesão de todos os infectados, seja por questões culturais, políticas, 
econômicas, etc. No Brasil, a incidência de tuberculose é maior no Rio de Janeiro. 
 
História natural da tuberculose 
Tuberculose infecção 
- Ocorre quando a resposta imune foi adequada e 
debelou a multiplicação do bacilo. Provavelmente 
há formação de pequenos granulomas. 
- Para saber se já tivemos infecção, fazemos o 
PPD. O sistema imune “enviará” linfócitos de 
memória para o local da inoculação da proteína. Se 
formar um nódulo em aproximadamente 48h, maior 
que 10mm, o teste é positivo → indicador de 
hipersensibilidade tuberculínica. 
 
Tuberculose doença 
- Também há reação granulomatosa porque há 
sistema imune, mas não há impedimento da 
multiplicação do bacilo. 
- Ao mesmo tempo, há liberação de fatores 
solúveis do organismo no parênquima pulmonar, 
os quais lesam o parênquima, determinando a 
necrose caseosa. O conteúdo desse foco 
necrótico é eliminado na tosse, com milhares de 
bactérias também. A saída desse conteúdo 
determina a formação da caverna. 
Transmissão 
A transmissão é inter-pessoal, pela grande liberação de bacilos de Koch pelos indivíduos doentes. 
O bacilo pode se manter por pouco tempo no ar em função das condições ambientais: umidade, 
temperatura e não há multiplicação no ambiente. Não ocorre transmissão por objetos pessoais, sendo ela 
apenas aerógena. 
A tuberculose é também chamada de “Peste Branca”, pois é uma doença crônica com formação 
granulomatosa e resposta imune para impedir a multiplicação do bacilo. 
 
Formas de tuberculose 
A principal forma da doença é a pulmonar, mas há também formas extra-pulmonares, em que há 
acometimento de SNC, osso, etc. 
Existem formas mais graves, como a meningite e a tuberculose miliar, que acometem 
principalmente crianças, devido a menor imunidade em comparação aos adultos; e a disseminada, 
associada aos pacientes com AIDS. 
A baciloscopia é positiva, de modo que em qualquer forma de tuberculose a contaminação é 
pulmonar. 
 
Vacina BCG 
É dada ao nascimento. Não previne as formas pulmonares comuns, mas previne as formas graves 
mais comuns em crianças: meningite e tuberculose miliar. Além disso, como a vacina é composta por 
bacilos atenuados, não deve ser administrada em pacientes com AIDS. 
 
 A imunidade contra a tuberculose é celular; a humoral não é eficiente. 
 
Diagnóstico laboratorial 
 Baciloscopia = é feita coloração de Ziehl-Nielsen. A baciloscopia é rápida e barata, mas não é 
muito sensível. Permite o diagnóstico e acompanhamento do tratamento da tuberculose pulmonar. 
*A baciloscopia pode ser negativa e o paciente ter tuberculose; entretanto, a lesão deve aparecer na 
radiografia de tórax. 
*No caso de uma baciloscopia positiva (>10000 bacilos/ml de escarro), já se começa o tratamento. 
 
 Cultura = terá resultado positivo quando houver de 10 a 100 bacilos/ml. Necessita de 
processamento prévio em espécimes clínicos naturalmente contaminados e longo tempo de incubação. O 
processamento consiste na administração de desinfetantes para eliminar outra flora. A cultura é muito mais 
sensível, permitindo diagnóstico de formas extra-pulmonares e também a realização de antibiograma. 
 
Resistência a antibióticos e Tratamento 
Tal resistência ocorre por causa da alta taxa de mutação cromossômica desses bacilos, de modo 
que o M. tuberculosis é naturalmente muito resistente. 
O tratamento da tuberculose é feito com uma poliquimioterapia de longa duração, o que contribui 
com o aparecimento de novas cepas resistentes devido à alta taxa de abandono do tratamento. O principal 
esquema de tratamento (esquema 1) é: Isoniazida, Rifampicina e Pirazinamida (RIP). 
 
Prevenção 
A quimioprofilaxia, ou seja, uso de antibióticos antes do aparecimento da doença, é feita em 
pacientes com AIDS, imunossuprimidos com PPD positivo de viragem recente, etc. Também deve-se tratar 
os doentes (principalmente os bacilíferos), fazer diagnóstico precoce e vacinação de BCG. Também é 
importante a pesquisa de contactantes. 
 
Hanseníase 
O M. leprae tem tropismo por nervos periféricos, atuando na bainha de mielina. O grande sinal da 
doença é uma mancha hipocrômica na pele, havendo também perda da sensibilidade nas lesões e, quando 
não tratada, pode levar a lesões irreversíveis aos olhos, mucosas, etc. 
O período de incubação da doença é longo, podendo variar de 5 a 20 anos. A transmissão é inter-
pessoal, mas a hanseníase não é altamente contagiosa. 
De acordo com o número de lesões, a hanseníase pode ser multibacilar ou paucibacilar, e as 
formas clínicas variam de acordo com a resposta imune do paciente: 
- TT: tuberculóide tuberculóide; 
- TB: tuberculóide bordeline; 
- BB: bordeline bordeline; 
- BL: bordeline lepromatosa; 
- LL: lepromatosa lepromatosa. 
 
Formas clínicas 
 Tuberculóide Lepromatosa 
Histologia Granuloma 
(indica resposta imune) 
Célula de Virshow 
macrófago com muitos bacilos dentro se 
replicando 
(não tem resposta imune efetiva) 
Bacteriologia Negativa 
(tem poucos bacilos) 
Positiva 
(tem muitos bacilos) 
Teste de Mitsuda 
Injeção de bacilos mortos 
Positivo Negativo 
(não há resposta imune efetiva) 
 
Tratamento 
Faz-se uma poliquimioterapia ou MDT, também para avaliar a resistência. A transmissão cessa 
com a primeira dose de MDT. 
Para a forma multibacilar, usa-se: Dapsona, Rifampicina e Clofazimina por 1 ano. 
Para a forma paucibacilar usa-se: Rifampicina e Dapsona por 6 meses. 
 
Prevenção 
Diagnóstico e tratamento dos pacientes. Vacinação BCG para os contactantes negativos. 
Realização de campanhas esclarecedoras: “como reconhecer a hanseníase”, “saber que a doença tem cura”. 
CÓLERA 
 
 Família vibrionaceae, gênero: vibrio 
 Vibrio cholerae 
 Bacilos gram negativos 
 Oxidase positivos 
 Fermentadores 
 Bactéria dispersa na natureza (não há perspectivas de erradicação)