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INTRODUÇÃO 
 
O nascimento da criminologia é devido aos grandes questionamentos da 
mente humana para os conflitos da sociedade e dos indivíduos. Individualmente, a 
criminologia crítica possui como natureza questionadora, os aspectos do sistema 
penal. 
Diretamente ligada ao Direito Penal, a criminologia é uma ciência caracteriza-
se por estudar os desvios das normas penais e sociais, o crime, o delinquente, a 
vítima e o controle social, agrupa conhecimentos a fim de contribuir com o 
enriquecimento da atividade científica e a compreensão da realidade atual, através 
da interdisciplinaridade (MOLINA; GOMES, 2006). 
Sendo assim, conseguimos definir os limites da caracterização da 
criminologia crítica e seu campo de estudo, que está claramente ligada aos conflitos 
do povo e dos seus representantes, Castro (2019) complementa: 
 
A Criminologia Crítica mostra que há uma seletividade nos 
presídios nacionais, com o encarceramento de um público de perfil 
específico. A grande maioria da população carcerária é composta 
por crimes de tráfico de drogas, roubo e pequenos furtos, e que ali, 
sujeitos que poderiam ser recuperados, acabam tornando-se 
raivosos e ansiosos por vingança contra um sistema desumano que 
lhes forneceu nada além de doenças por falta de higiene e 
precariedade generalizada. Isso sem contar os mal julgados e mal 
enquadrados, que nem em cárcere deveriam ser mantidos. 
 
O artigo tem como objetivo geral analisar de forma breve e objetiva os 
conceitos, críticas e pontos relevantes da Criminologia Crítica para o Estado, bem 
como o mapeamento de casos recentes que se caracterizam como a mesma. 
 
2. CRIMINOLOGIA CRÍTICA 
 
A Criminologia crítica tem fundamentos nos ensinamentos de Marx, que 
possui influência das escolas de Berkeley e Estados Unidos. O grupo de Berkeley 
questionada diretamente as medidas políticas tomadas na época, bem como os 
interesses do Estado, que deveriam fornecer condições básicas para sua 
população, como saúde e educação. 
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A criminologia crítica surgiu na Inglaterra, onde os grandes estudiosos 
entendiam que para reduzir significativamente os graus de criminalidade em suas 
regiões, eram necessário primeiramente erradicar o fim da "exploração econômica e 
da opressão das classes políticas”. (Castro, 2019). 
Por se apresentar como uma teoria marxista, ela criticava a criminalidade 
baseando-se no modelo econômico do capitalismo. Faz-se necessário lembrar que 
em países com o sistema comunista a criminalidade não deixou de existir. A China, 
sob o regime comunista, utiliza a pena de morte ao extremo com a finalidade de 
conter a criminalidade. (Castro, 2019). 
Segundo Juarez Cirino dos Santos (2008), a criminologia crítica, também 
conhecida como “criminologia radical”, “marxista”, “nova criminologia”, estuda a 
criminalidade como criminalização, explicada por processos seletivos de 
construção social do comportamento criminoso e de sujeitos criminalizados, como 
forma de garantir as desigualdades sociais entre riqueza e poder, das sociedades 
contemporâneas. 
A criminologia crítica ganhou espaço após o surgimento da teoria do 
etiquetamento, na qual entende que o crime vai além de um problema causador de 
prejuízo social, mas de uma etiqueta que os grupos dominantes estabelecem aos 
dominados, ou seja, conflitos decorrentes de classes antagônicas. (SANTOS, 
2008) 
Assim, a Criminologia Crítica veio para criticar a função legitimadora e 
conservadora que a criminologia entregava ao Estado, por não contestar ou sequer 
questionar os processos de criação de leis penais ou os processos de discriminação 
e seleção, ao reservar o endurecimento da lei às classes oprimidas (MOLINA; 
GOMES, 2006). 
Algumas teses chegam ao extremo de defender que não é o delinquente que 
pode ou deve ser ressocializado, e sim a sociedade que através de uma revolução 
deveria ser transformada (DIAS; ANDRADE, 1992). 
Atualmente, a criminologia crítica possui um papel fundamental na sociedade 
e na análise dos sistemas penais vigentes no Brasil. Roberto Lyra Filho deixou 
bastante claro que o objetivo da Criminologia Crítica deveria ser o abandono da 
“maneira de definir o crime” no prólogo dos tratados, uma forma idealista e burguesa 
de pensar” (LYRA FILHO, 1979, p. 15) 
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2. TEORIA DO CONFLITO 
 
 A teoria do conflito teve origem no séc. XIX, com a obra do alemão Karl Marx, 
geração anterior à de Èmile Durkheim, Marx viu a pobreza e o descontentamento 
produzidos pela Revolução Industrial e desenvolveu uma teoria generalizada sobre 
a maneira como as sociedades se desenvolvem. 
 Na teoria do conflito a argumentação social que decorre de força e coerção, 
criando assim uma relação argumentativa entre os grupos dominantes e dominados, 
não existe voluntariedade e consenso entre as partes para pacificação social, a 
imposição e a coerção ocorre uns sobre os outros, parecendo que a utopia 
divergente é que move todo o atuar desses personagens. (GOMES, 2020) 
 De acordo com os estudos de Karl Marx, a luta de classes é o móvel da 
sociedade moderna, de forma que os personagens brigam entre si buscando 
sempre uma imposição do seu modo de pensar, daí o nome “conflito” ser bem 
adequado para esse tipo de pensamento. (GOMES, 2020, p. 133) 
 Para Marx, o conflito entre as classes, no sentido de resistir e superar a 
oposição de outras classes, constitui a parte principal de suas ideias, sendo bem 
representada em uma de suas obras intitulada “O capital”, considerada um marco 
do pensamento socialista. (ARON, 1998) 
 
 As principais características da teoria do conflito são: 
 Sugere que a eliminação dos privilégios com o propósito de diminuir o grau 
de conflito e aumentará o bem-estar humano; 
 Concentram-se nas estruturas macrossociais, tais como "relações de classe" 
ou padrões de dominação, submissão e luta entre indivíduos de posição 
social alta e baixa; 
 Mostrar como os principais padrões de desigualdade na sociedade produzem 
estabilidade em certas circunstâncias e mudança em outras. 
 Enfatiza como a elite tenta manter suas vantagens, enquanto grupos 
explorados lutam contra a dominação. 
 
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Diante dessa análise, os que se encontram na base da pirâmide cometem 
crimes de colarinho-azul que estão ao seu alcance para subir até a próxima casta. 
Como exemplo, um menino que mora numa comunidade carente e que almeja ter 
um tênis de mil reais (modelo que os meninos da classe rica possuem) passa a 
praticar furtos para conseguir ter esse objeto de desejo. Essa é a sua forma de 
ascender na pirâmide social e tentar equiparar-se aos que estão no ápice dela. 
(GOMES, 2020) 
De outro lado, aqueles que estão no topo da pirâmide praticam delitos de 
colarinho-branco, uma vez que tais condutas estão ao seu alcance, para lá 
permanecerem. Lavagem de dinheiro, evasão de divisas e fraudes à licitação são 
comumente praticadas para manter o altíssimo padrão de luxo dos que estão 
desfrutando dos bens mais caros disponíveis socialmente. (GOMES, 2020) 
Analisando a criminologia crítica e a teoria do conflito, compreende-se que, 
a norma penal está a serviço da parcela social dominadora, detentora do poder 
político-econômico, passando então a ser a Justiça penal apenas administradora 
da criminalidade, devido à escassez de meios para combatê-la. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Referências: 
 
ARON, Raymond. As etapas do Pensamento Sociológico. (tradução Sérgio Bath). 
São Paulo: Martins Fontes, 1998. 
 
BRYM, Robert J. et. all. Sociologia: Sua Bússola para um Novo Mundo. São 
Paulo: Thomson, 2006. 
 
CALHAU, Lélio Braga. Resumo de criminologia. 5. ed. Niterói. Impetus, 2009. 
 
DIAS, Jorge de Figueiredo e ANDRADE, Manuel da Costa. Criminologia: o homem 
delinquente e a sociedade criminógena. Coimbra: Editora Coimbra, 1992. 
 
Gomes, C. G. Manual de Criminologia. São Paulo: Editora Saraiva, 2020. 
9786555591705.Disponível em: 
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786555591705/. Acesso em: 21 
Jun 2021. 
 
LYRA FILHO, Roberto. Carta aberta a um jovem criminólogo: teoria, práxis e 
táticas atuais. Revista de Direito Penal. Rio de Janeiro, v. 28, 1979, p. 05-25. 
 
MOLINA, Antonio García-Pablos de; GOMES, Luiz Flávio. 
Criminologia: introduções e seus fundamentos teóricos, introdução às bases 
criminológicas da lei 9.099/95 – Lei dos Juizados especiais criminais. 5. ed. São 
Paulo: Revista dos Tribunais, 2006. 
 
SANTOS, Juarez Cirino dos. A criminologia radical. 3. Ed. Rio de Janeiro: 
Lumen Juris, 2008.

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