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Prof. Vinícius Albuquerque Estudos Disciplinares História e a Temática Indígena em Sala de Aula UNIDADE II Objetivos desse Estudo Disciplinar: apresentar discussões, experiências e sugestões sobre a temática indígena em sala de aula de forma crítica e em perspectiva histórica; busca de ampliação de práticas alternativas em sala de aula com novos temas e problematizações; sugestão de práticas para aprofundar assuntos trabalhados nas diferentes disciplinas do semestre e apresentação de formas inovadoras de se trabalhar história em sala de aula. Temática indígena em sala de aula: objetivos do Estudo Disciplinar Qual a proposta desse Estudo Disciplinar? Oferecer um conjunto de discussões relacionadas ao tema. É necessário que você responda ao questionário com base na leitura de textos indicados pois isso constituirá subsídios para as problematizações nas unidades I e II. Estudos disciplinares: procedimentos para esta edição Como o aluno deve proceder? Assistir à videoaula da unidade II, com novos conteúdos a serem discutidos em suas principais ideias, contribuições e conclusões de cada um, correlacionando-os. Por fim, responder ao questionário. As questões se referem aos conteúdos, bem como à videoaula. Estudos disciplinares: procedimentos do aluno Texto III: Os índios na História e o ensino de História: avanços e desafios, de Edson Hely Silva – Unidade II Questão 9 da 8ª ONHB, 2016: “Quem chorou por Vítor, o bebê indígena assassinado com uma lâmina enfiada no pescoço?” Temática indígena em sala de aula: textos e conteúdos da Unidade II Texto III: Os índios na História e o ensino de História: avanços e desafios, de Edson Hely Silva. Disponível em: http://periodicos.unb.br/index.php/hh/article/view/20263/19222 Índios como sujeitos na História e não de uma história dos indígenas pensada como uma suposta história étnica, descolada dos processos históricos em que estão inseridos os diferentes grupos humanos, também e inclusive os índios. Os índios na História e o ensino de História – avanços e desafios Entre exotismos, folclorização desconhecimentos Índios? Onde estão os índios? Quem são os índios? Respostas para essas e outras questões sobre os “índios”, entre as pessoas em geral e mesmo ainda no meio acadêmico são, na maioria das vezes simplistas, com referências “à cultura”: o cocar, o colar, a dança, a religião. Desafio da superação de visões exóticas para abordagens críticas e aprofundadas sobre a história, as sociodiversidades indígenas e as relações dos povos indígenas com e na nossa sociedade, em nosso país. Os índios na História e o ensino de História – avanços e desafios O termo “índio” ou ainda “indígena”, por remeterem a equívocos históricos e também generalizações, nesse texto adotamos essas expressões como vêm sendo usadas por esses próprios atores para se definirem enquanto indivíduos, coletividades e também agentes sociopolíticos, como escreveu Gersem Baniwa: busca de novos sentidos a partir da década de 1970; o sentido pejorativo de índio foi sendo mudado para outro positivo, de identidade multiétnica de todos os povos nativos do continente. Os índios na História e o ensino de História – avanços e desafios https://pib.socioambiental.org/pt/po vo/baniwa https://pib.socioambiental. org/pt/povo/baniwa Diversidade de povos e desconhecimento: Como o olhar pejorativo pode aproximar grupos rivais? Os índios na História e o ensino de História – avanços e desafios https://pib.socioambiental.org/pt Índios como sujeitos na História Novas abordagens que refletem sobre os índios enquanto sujeitos históricos, inversamente às perspectivas anteriores, nas quais os indígenas foram pensados enquanto vítimas do processo colonial e colonizador. Apesar do racismo institucional, a necessidade de uma formação docente específica para a superação de visões genéricas e folclorizadas, a ausência de subsídios didáticos e de compreensão da presença indígena em contextos urbanizados, a efetivação da lei 11.645/2008. Os índios na História e o ensino de História – avanços e desafios Índios como sujeitos na História Reconhecimento da sociodiversidade: superando os discursos da mestiçagem. Século XIX – Romantismo e Indianismo: ideia de mestiçagem no Brasil. Exaltação do mestiço, por Sílvio Romero, por superar o embranquecimento português. “Não quero dizer que constituiremos uma nação de mulatos; pois que a forma branca vai prevalecendo e prevalecerá”. A mestiçagem como condição transitória do branco em adaptação ao meio. Os índios na História e o ensino de História – avanços e desafios A diversidade indígena presente no Brasil deve ser trabalhada em sala de aula no sentido de: a) contribuir com informações para o Dia do Índio. b) demonstrar como, no caso, existiam mais índios. c) mostrar as contribuições linguísticas para a língua portuguesa. d) superar a visão folclórica e exótica para reconhecer o índio como sujeito histórico. e) mostrar como é essencial estudar o folclore para saber o que é o Brasil. Interatividade A diversidade indígena presente no Brasil deve ser trabalhada em sala de aula no sentido de: a) contribuir com informações para o Dia do Índio. b) demonstrar como, no caso, existiam mais índios. c) mostrar as contribuições linguísticas para a língua portuguesa. d) superar a visão folclórica e exótica para reconhecer o índio como sujeito histórico. e) mostrar como é essencial estudar o folclore para saber o que é o Brasil. Resposta As ideias expressas por Sílvio Romero foram retomadas em diferentes momentos na História do Brasil: com o Modernismo e a Semana de Arte Moderna, em 1922; na Década de 1930, nos debates sobre a identidade do Brasil; com o nacionalismo e desenvolvimentismo nos anos 1950; no período da Ditadura Civil-Militar a partir de 1964, por meio de narrativas que exaltavam a identidade monocultural do Brasil, assim, outras identidades e expressões socioculturais foram negadas, desconsideradas, omitidas. Os índios na História e o ensino de História – avanços e desafios O pesquisador negro jamaicano Stuart Hall, a partir da perspectiva gramsciana discutiu o conceito de hegemonia nas relações socioculturais. Construções dos símbolos, discursos e representações a respeito de supostas culturas e identidades nacionais hegemônicas que buscam apagar as diferentes expressões socioculturais As culturas nacionais são compostas não apenas de instituições culturais, mas também de símbolos e representações. Uma cultura nacional é um discurso – um modo de construir sentidos que influencia e organiza tanto nossas ações quanto a concepção que temos de nós mesmos. Os índios na História e o ensino de História – avanços e desafios Um conjunto de símbolos tornando o lugar agradável aos seus habitantes, o solo nativo que confere uma identidade a ser reafirmada publicamente. Ocorrendo ainda uma ênfase nas origens, na continuidade, na tradição e na atemporalidade. São reflexões pertinentes para análises da letra da música em discussão. Todavia, se faz necessário descontruir uma suposta identidade nacional ou outras afirmações tais como a regional, expressa em uma cultura hegemônica que nega, ignora e despreza as diferenças socioculturais. Os índios na História e o ensino de História – avanços e desafios As ideias de uma identidade e cultura nacionais escondem as diferenças, sejam de classes sociais, de gênero e étnicas, ao buscar uniformizá-las. Negando também os processos históricos marcados pelas violências de grupos politicamente hegemônicos. Observemos ainda que as identidades nacionais, além de serem fortemente marcadas pelo etnocentrismo, são também marcadas pelo sexismo: afirma-se o mulato, o mestiço, o pernambucano, acentuando-se o gênero masculino. Os índios na História e o ensinode História – avanços e desafios Faz-se necessário, portanto, problematizar as ideias e afirmações de identidades generalizantes, como a mestiçagem no Brasil, um discurso para negar, desprezar e suprimir a sociodiversidade existente no país. Reconhecer e afirmar os direitos às diferenças é, pois, questionar o discurso da mestiçagem como identidade nacional, discurso usado para esconder a história e as expressões socioculturais de índios/as e negros/as na História do Brasil. Os índios na História e o ensino de História – avanços e desafios História dos povos indígenas ou os povos indígenas na História? É possível falarmos da existência de uma história indígena? Com tal afirmação expressamos que os índios estão fora da História enquanto História da humanidade? Se nenhum grupo humano vive totalmente isolado sem estabelecer relações com outros grupos humanos, o que será mais cabível afirmarmos: uma História indígena ou discutirmos sobre os indígenas na História? Cada povo indígena, em sua singularidade e especificidade, está presente na História pensada como um campo de relações com e entre os diversos e diferentes situações, grupos sociais e atores sócio-históricos. Os índios na História e o ensino de História – avanços e desafios Nas escolas ainda se ensina uma visão tradicional de colonização, com os índios vitimados, em que os poucos sobreviventes estavam condenados ao desaparecimento. Os indígenas seriam engolidos pela marcha colonizadora, pelo progresso, e por meio da aculturação foram se integrando à sociedade. E as discussões sobre as resistências? Guerras, alianças, acomodações, adaptações. Exemplo de equívoco: separação simplista entre Tupi e Tapuia – isso esconde diversidades e dinâmicas essenciais. Os índios na História e o ensino de História – avanços e desafios Autores fundamentais: MONTEIRO, John M. Tupis, Tapuias e historiadores: estudos de história indígena e de indigenismo. Tese (Livre-Docência). Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas, Campinas/SP, 2001. CUNHA, Manuela Carneiro da. (Org.). História dos índios no Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 1998 Os índios na História e o ensino de História – avanços e desafios Questionar visões Uma vez questionadas as visões a respeito dos indígenas como “povos vencidos” e as ideias sobre o “genocídio” e o “etnocídio” enquanto total destruição física e cultural, por meio das novas abordagens vêm sendo estudadas as diferentes estratégias utilizadas pelos povos indígenas que traduziram, negociaram, adaptaram os códigos dos colonizadores para conviver no mundo colonial. Os índios na História e o ensino de História – avanços e desafios Os índios na História: novas abordagens Indígenas simularam derrotas e promoveram resistências invisíveis. Simulações de adesão ao cristianismo e manutenção de práticas ancestrais. Rebeliões e negociações. Mesmo não sendo “tupi”, “guarani” ou qualquer outro nome que tenham recebido dos colonizadores, quando necessário, os povos indígenas apropriaram-se dessas e de outras nomeações para estabelecer alianças, acordos, direitos, privilégios para as diversas formas de viver no mundo colonial. Os índios na História e o ensino de História – avanços e desafios Contudo, outras famílias indígenas conseguiram resistir às pressões nos seus tradicionais locais de moradia ou, às vezes, em lugares das cercanias, mas de difícil acesso. John Monteiro afirmou: “Importa recuperar o sujeito histórico que agia (age) de acordo com a sua leitura do mundo ao seu redor, leitura esta informada tanto pelos códigos culturais da sua sociedade como pela percepção e interpretação dos eventos que se desenrolavam”. Os índios na História e o ensino de História – avanços e desafios O professor, ao trabalhar a temática indígena, pode utilizar os questionamentos de Stuart Hall com objetivo de a) descobrir o que é verdadeiro nas imagens sobre os índios. b) problematizar a construção de sentidos e imagens nos países. c) mostrar aos alunos como o Dia do Índio é importante. d) incorporar o discurso da mestiçagem em nossa formação. e) perceber como no Haiti a situação social é pior do que no Brasil. Interatividade O professor, ao trabalhar a temática indígena, pode utilizar os questionamentos de Stuart Hall com objetivo de a) descobrir o que é verdadeiro nas imagens sobre os índios. b) problematizar a construção de sentidos e imagens nos países. c) mostrar aos alunos como o Dia do Índio é importante. d) incorporar o discurso da mestiçagem em nossa formação. e) perceber como no Haiti a situação social é pior do que no Brasil. Resposta Os índios na História e o ensino da temática indígena Enorme desafio de superar a cultura escolar arraigada. A escola difunde informações equivocadas sobre os índios. Dia do Índio – 19 de abril – na Educação Infantil. Discursos pretéritos, folclorizados, homogeneizadores e desinformados. Quais são os índios representados? Qual imagem ficará gravada na memória dos estudantes? Quais são as consequências da reprodução da desinformação sobre a diversidade étnica existente no país? Os índios na História e o ensino de História – avanços e desafios Oposições simplistas: etnocentrismo nos discursos e a ideia de civilização: o aldeamento e a selva; entre o ócio, a liberdade e o trabalho; entre o atraso e o progresso. Os índios conquistaram o (re)conhecimento, o respeito aos seus direitos específicos e diferenciados. A partir dessa perspectiva, o nosso país é a sociedade que vem se repensando e se vendo em sua multiplicidade, pluralidade e sociodiversidades expressas também pelos povos indígenas em diferentes contextos sócio-históricos. Os índios na História e o ensino de História – avanços e desafios O ensino da temática indígena e a lei 11.645/2008 (Re)conhecendo as sociodiversidades indígenas A efetivação da lei 11.645/2008, além de favorecer mudanças em antigas práticas pedagógicas equivocadas e preconceituosas, possibilitará novos olhares para a História e a Sociedade. A escola tem um papel privilegiado na formação humana e é um lócus onde, com a efetivação da lei, pode ser possível, no ambiente escolar, viabilizar “espaços que favoreçam o reconhecimento da diversidade e uma convivência respeitosa baseada no diálogo entre os diferentes atores sociopolíticos, oportunizando igualmente o acesso e a socialização dos múltiplos saberes”. Os índios na História e o ensino de História – avanços e desafios O ponto de partida para o ensino crítico da temática indígena é pensar sempre na atualidade dos povos indígenas. Enfatizando as sociodiversidades indígenas, desmistificando imagens genéricas do “índio”, da “cultura indígena”. Sociodiversidades definidas como as diferentes formas de organizações socioculturais expressas pelos povos indígenas. Bastante recomendável a participação de indígenas em cursos de formação sobre a temática indígena para docentes não índios, pois o conhecimento das experiências, dos ambientes onde vivem e das expressões socioculturais dos indígenas contribuirão para desmistificar visões equivocadas e folclorizadas. Os índios na História e o ensino de História – avanços e desafios Com a constatação pelo Censo IBGE/2010 da crescente urbanização das áreas indígenas, com o avanço das cidades sobre as terras habitadas pelos índios e a presença indígena no universo urbano, inclusive enquanto discentes nas escolas, um desafio a ser considerado é a vivência da interculturalidade. Na qual indígenas e não indígenas, em suas expressões socioculturais, busquem superar todas as formas de racismo, discriminação e preconceito, na construção de uma sociedade pluricultural, com o pleno (re)conhecimento das sociodiversidades indígenas. Os índios na História e o ensinode História – avanços e desafios O IBGE e os povos indígenas https://indigenas.ibge.gov.br/ A Funai e o Museu do Índio http://www.museudoindio.gov.br/ FUNARI, Pedro Paulo e PIÑON, Ana. A temática indígena na escola: subsídios para os professores. São Paulo: Contexto, 2016. Sugestão de leitura https://editoracontexto.com.br/media/catalog/product/cach e/1/image/9df78eab33525d08d6e5fb8d27136e95/c/a/capa _tematica_indigena_web.jpg Reconhecer os espaços de diversidade e convivência respeitosa em relação aos indígenas significa perceber: a) que o Brasil era dos índios e que discutir genocídio é coisa do passado. b) como é essencial ensinar o modo de vida tradicional dos povos nativos. c) como é interessante trabalhar sobre o folclore na sala de aula. d) diferentes atores sociopolíticos, oportunizando igualmente o acesso e a socialização dos múltiplos saberes. e) a discussão só existe porque o MEC obriga os professores a isso. Interatividade Reconhecer os espaços de diversidade e convivência respeitosa em relação aos indígenas significa perceber: a) que o Brasil era dos índios e que discutir genocídio é coisa do passado. b) como é essencial ensinar o modo de vida tradicional dos povos nativos. c) como é interessante trabalhar sobre o folclore na sala de aula. d) diferentes atores sociopolíticos, oportunizando igualmente o acesso e a socialização dos múltiplos saberes. e) a discussão só existe porque o MEC obriga os professores a isso. Resposta Questão 9 da 8ª ONHB, 2016 “Quem chorou por Vítor, o bebê indígena assassinado com uma lâmina enfiada no pescoço?” Disponível em: https://www2.olimpiadadehistoria.com.br/8-olimpiada/fases/index/51 Para resolver a questão é preciso ler o documento e analisar as imagens. 8ª Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB) 8ª Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB) – Imagens https://www2.olimpiadadehistoria.com.br/8- olimpiada/documentos/documento/21 https://www2.olimpiadadehistoria.com.br/media/filter/documentos_inteira/i mg/572d9493ccb820.22050685.png Quem chorou por Vítor, o bebê indígena assassinado com uma lâmina enfiada no pescoço? Um menino de dois anos foi assassinado. Um homem afagou seu rosto. E enfiou uma lâmina no seu pescoço. O bebê era um índio do povo Kaingang. Seu nome era Vítor Pinto. Sua família, como outras da aldeia onde ele vivia, havia chegado à cidade para vender artesanato pouco antes do Natal. Ficariam até o Carnaval. Abrigavam-se na estação rodoviária de Imbituba, no litoral de Santa Catarina. Era lá que sua mãe o alimentava quando um homem perfurou sua garganta. Era meio-dia de 30 de dezembro. O ano de 2015 estava bem perto do fim. E o Brasil não parou para chorar o assassinato de uma criança de dois anos. Os sinos não dobraram por Vítor. 8ª Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB) – Documento Sua morte sequer virou destaque na imprensa nacional. Se fosse meu filho, ou de qualquer mulher branca de classe média, assassinado nessas circunstâncias, haveria manchetes, haveria especialistas analisando a violência, haveria choro e haveria solidariedade. E talvez houvesse até velas e flores no chão da estação rodoviária, como existiu para as vítimas de terrorismo em Paris. Mas Vítor era um índio. Um bebê, mas indígena. Pequeno, mas indígena. Vítima, mas indígena. Assassinado, mas indígena. Perfurado, mas indígena. Esse “mas” é o assassino oculto. Esse “mas” é serial killer. 8ª Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB) – Documento https://www2.olimpiadadehistoria.com.br/vw/1INoj4Y*qMDY_nMp5WB6yirN9poMkJx3csSE0MTg_ee5bb_ A fotografia que ilustrou as poucas notícias sobre a morte do curumim mostra o chão de cascalho e concreto da estação rodoviária. Um par de sandálias havaianas azul, com motivos infantis. Uma garrafa pet, uma estrelinha de brinquedo, daquelas de fazer molde na areia, uma tampa de plástico do que parece ser um baldinho de criança, uma pequena embalagem em formato de tubo, um pano florido amontoado junto à parede, talvez um lençol. É apresentada como “local do crime” ou como “os pertences do menino”. Os índios precisam ser falsos porque suas terras são verdadeiras – e ricas. Pertences do garoto permaneciam no local do crime na quarta (30). (Foto: Gabriel Felipe/ RBS TV) 8ª Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB) – Documento https://www2.olimpiadadehistoria.com.br/vw/1INoj4Y*qMDY_nMp5WB6yirN9poMkJx3csSE0MTg_ee5bb_ Essa foto é um documento histórico. Tanto pelo que nela está quanto pelo que nela não está. Nela permanece o descartável, os objetos de plástico e de pet, os chinelos restados. Nela não está aquele que foi apagado da vida. A ausência é o elemento principal do retrato. Os indígenas só podem existir no Brasil como gravura. Apreciados como ilustração de um passado superado, os primeiros habitantes dessa terra, com sua nudez e seus cocares, uma coisa bonita para se pendurar em algumas paredes ou estampar aqueles livros que decoram mesas de centro. Os indígenas têm lugar se estiverem empalhados, ainda que em quadros. No presente, sua persistência em existir é considerada inconveniente, de mau gosto. 8ª Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB) – Documento Há vários projetos tramitando no Congresso para escancarar suas terras para a exploração e o “progresso”. Há muitos territórios indígenas devidamente reconhecidos que o governo de Dilma Rousseff (PT) não homologa porque neles quer construir grandes obras ou porque teme ferir os interesses do agronegócio. Há uma Fundação Nacional do Índio (Funai) em progressivo desmonte, tão fragilizada que com frequência se revela também indecente. No passado, os índios são. No presente, não podem ser. Como diz o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, os indígenas são especialistas em fim de mundo, já que o mundo deles acabou em 1500. Tiveram, porém, o desplante de sobreviver ao apocalipse promovido pelos deuses europeus. 8ª Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB) – Documento Ainda que centenas de milhares tenham sido exterminados, sobreviveram à extinção total. E porque sobreviveram continuam sendo mortos. Quando não se consegue matá-los, a estratégia é convertê-los em pobres nas periferias das cidades. Quando se tornam pobres urbanos, chamam-nos de “índios falsos”. Ou “paraguaios”, em mais um preconceito com o país vizinho. No passado, os índios são alegoria. “Olha, meu filho, como eram valentes os primeiros habitantes desta terra.” No presente, são “entraves ao desenvolvimento”. “Olha, meu filho, como são feios, sujos e preguiçosos esses índios fajutos.” Os índios precisam ser falsos porque suas terras são verdadeiras – e ricas. A morte dos curumins não muda nenhuma política, as fotos de sua ausência não comovem milhões. 8ª Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB) – Documento Vítor já não estraga nenhum cartão postal. Dele não há nem mesmo um rosto. A foto de sua ausência não comoverá milhões pelo planeta como aconteceu com o menino sírio trazido pelas ondas do mar. A morte dos curumins não muda nenhuma política. Se Vítor era um entrave, esse entrave foi removido. Por isso essa foto é um documento histórico. Se houvesse alguma honestidade, é ela que deveria estar nas paredes. Dizem que 2015 é o ano que não acaba. Ou que 2013 é que não chega ao fim. Para os indígenas é muito mais brutal: o ano de 1500 ainda não terminou. 8ª Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB) – Documento Questão 9 da 8ª ONHB, 2016 “Quem chorou por Vítor, o bebê indígena assassinado com uma lâmina enfiada no pescoço?” Os documentos fazem referência a dois episódios de 2015, sendo um deles de grande repercussão e o outro praticamente ignorado. O garoto sírio, um refugiado que foi encontrado morto na costa da Turquia, e um indígena assassinado na rodoviária de Imbituba (SC) em dezembro de 2015.A comparação entre os dois episódios indica que: Alternativas a) A pouca repercussão do assassinato do curumim é associada ao modo como os grupos indígenas são tratados na sociedade brasileira, e discutir o crime é uma forma de debater as questões da demarcação de terras indígenas e das condições de vida do povo Kaingang, temas que não interessam à grande imprensa ou ao Estado. b) A maior repercussão no caso do garoto Aylan Kurdi é diferente da de Vítor Pinto; uma está num conflito internacional e o outra é um episódio de violência isolada contra uma criança. (continua) c) Os episódios são comparáveis à medida que mostram duas crianças mortas em situação de exclusão. Uma dessas mortes sensibilizou as sociedades ocidentais para a fragilidade da situação de refugiados vítimas de um conflito armado; a outra, quase ignorada, expressa o modo como a sociedade brasileira aborda a população indígena. d) Uma morte está associada às variações da “Guerra ao Terror” e a outra ao modo de apagamento de populações indígenas, que foi sendo incorporado na sociedade brasileira, onde se valoriza, no máximo, o passado, mas não o presente desses povos. Resposta: a) 4 b) 0 c) 1 d) 5 Comparando as maneiras como o caso das mortes das crianças foram tratados, podemos perceber que, no Brasil: a) a questão indígena ainda é muito mal elaborada e marcada por preconceitos. b) o papel da imprensa é ter neutralidade em suas opiniões. c) não se pode dizer que existam apagamentos uma vez que, por lei, a questão deve ser tratada na escola. d) a imprensa é livre e não comprometida, como comprovam as reportagens. e) na atualidade a questão indígena não é muito importante. Interatividade Comparando as maneiras como o caso das mortes das crianças foram tratados, podemos perceber que, no Brasil: a) a questão indígena ainda é muito mal elaborada e marcada por preconceitos. b) o papel da imprensa é ter neutralidade em suas opiniões. c) não se pode dizer que existam apagamentos uma vez que, por lei, a questão deve ser tratada na escola. d) a imprensa é livre e não comprometida, como comprovam as reportagens. e) na atualidade a questão indígena não é muito importante. Resposta ATÉ A PRÓXIMA!