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Psicomotricidade

Material sobre conceitos fundamentais da Psicomotricidade para aplicação em Educação Física; inclui módulos para definir a área, identificar elementos psicomotores (noção corporal, orientação espaço‑temporal, coordenação motora) e discutir os componentes psico/motricidade e regulamentação.

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DESCRIÇÃO
Os conceitos fundamentais da psicomotricidade importantes para aplicação na área de
Educação Física.
PROPÓSITO
Compreender os conceitos da Psicomotricidade para aplicação desses conhecimentos
estruturantes de sua prática no processo de estimulação e desenvolvimento de crianças à
idosos na área de Educação Física.
OBJETIVOS
MÓDULO 1
Definir os conceitos fundamentais de Psicomotricidade
MÓDULO 2
Identificar os elementos psicomotores voltados a noção corporal, orientação espaço-temporal e
coordenação motora
MÓDULO 1
 Definir os conceitos fundamentais de Psicomotricidade
O QUE É PSICOMOTRICIDADE?
É hábito das produções científicas apresentar o objeto de estudos intencionados, entretanto,
vamos iniciar nosso percurso com uma pequena conversa sobre Psicomotricidade.
Vamos compreender a Psicomotricidade em um contexto mais recente, uma vez que a
evolução tecnológica e científica, às quais estamos submetidos na contemporaneidade,
influenciam sobremaneira as práticas educativas, clínicas e terapêuticas. Uma das ciências que
mais tem apresentado crescimento nos últimos tempos são as Neurociências, que têm
orientado de forma significativa transformações nas práticas referidas. Inúmeras perguntas são
necessárias para a construção do nosso conhecimento, o qual, orientado por um princípio
definido pela própria Neurociência, se estrutura de forma mais eficiente a partir de
questionamentos, lacunas, dúvidas e curiosidade.
 
Fonte: Olga Strelnikova/Shutterstock
 O que é Psicomotricidade?
O crescimento conceitual da Psicomotricidade tem sido expressivo nos últimos tempos,
somado ainda ao fato de sua regulamentação ter sido alcançada em 03 de janeiro de 2019,
após uma grande luta. O recente reconhecimento e a consequente regulamentação da
Psicomotricidade como categoria profissional impulsionaram uma revolução significativa em
seu campo de conhecimento. Houve grandes avanços na estruturação de delimitações
importantes para a normatização de sua prática como:
Elaboração do currículo mínimo para a implantação de cursos de graduação
Validação de protocolos de avaliação
Definição dos campos de atuação de acordo com uma estrutura legislativa
Embora sua regulamentação seja recente, a Psicomotricidade é significativamente antiga como
abordagem de reabilitação, de terapia e educativa em âmbito mundial. É de conhecimento
geral a importância dessa prática aplicada à promoção do desenvolvimento humano nos
diversos ambientes.
O que é Psicomotricidade? De acordo com a ABP (2012), podemos apresentar sua definição
como:
[...] A CIÊNCIA QUE TEM COMO OBJETO DE ESTUDO
O HOMEM ATRAVÉS DO SEU CORPO EM MOVIMENTO
E EM RELAÇÃO AO SEU MUNDO INTERNO E
EXTERNO, BEM COMO SUAS POSSIBILIDADES DE
PERCEBER, ATUAR, AGIR COM O OUTRO, COM OS
OBJETOS E CONSIGO MESMO. ESTÁ RELACIONADA
AO PROCESSO DE MATURAÇÃO, ONDE O CORPO É A
ORIGEM DAS AQUISIÇÕES COGNITIVAS, AFETIVAS E
ORGÂNICAS.
Psicomotricidade, portanto, é um termo empregado para uma concepção de movimento
organizado e integrado, em função das experiências vividas pelo sujeito cuja ação é resultante
de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização (ABP, 2012). De maneira simples,
podemos organizar a definição de Psicomotricidade como:
Psicomotricidade é a ciência que tem por objeto de estudo o homem, por meio do seu corpo
em movimento, das relações consigo mesmo, com os objetos, com os outros e com o
ambiente, entendendo o corpo como a fonte das aquisições cognitivas motoras e afetivas,
assim como o meio que possibilita a expressão e a relação do sujeito.
Entendendo melhor essa definição, vamos trabalhar inicialmente com a compreensão de cada
conceito embutido nestas palavras. Iniciamos com a compreensão de que Psicomotricidade é
uma expressão complexa que contém dois componentes. De uma maneira intencional e
essencialmente didática, podemos identificar o componente mental (PSICO) e o componente
corporal (MOTRICIDADE). É importante ressaltar que a divisão apresentada entre PSICO e
MOTRICIDADE se estabelece unicamente para uma compreensão didática, uma vez que sua
concepção é a de que esses componentes são inseparáveis, indissociáveis.
COMPONENTE MENTAL (PSICO)
Refere-se aos aspectos mentais, portanto, cognitivos e afetivos da formação do ser humano.
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COMPONENTE MOTOR (MOTRICIDADE)
Refere-se aos aspectos orgânicos, portanto, biológicos e motrizes do sujeito.
 
Fonte: Portal de Educação a Distância
Ambos os componentes estão conectados a uma mesma expressão, o que fortalece a ideia de
que realmente são indissociáveis, ou seja, um indivíduo é constituído pela ação mútua entre
sua psiquê e seu corpo. Desse modo, o indivíduo é composto por uma psiquê dotada de
sensações, de reações biológicas, de movimento, de ações e por um corpo dotado de
subjetividade, de expressão, de comunicação e de emoções. Assim, podemos definir o sujeito
compreendido pela Psicomotricidade.
 Psico + Motricidade
A Psicomotricidade utiliza eminentemente a estrutura corporal para promoção do
desenvolvimento do sujeito, ou seja, o movimento corporal nas suas diversas características é
o principal instrumento de trabalho estruturado nessa prática. É importante ressaltar que o
movimento e a estrutura corporal especificamente não são entendidos de maneira isolada, e
sim compreendidos nas relações possíveis de serem estabelecidas com:
Outros indivíduos
O ambiente
Os objetos
Indivíduos
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Consigo mesmo
O corpo e o movimento estão presentes em um processo contínuo de relação com seus
componentes pessoais internos e com os elementos que pertencem ao ambiente externo.
Temos que ressaltar a especificidade de compreensão que a prática psicomotora possui a
respeito do corpo, como uma estrutura que capta todas as informações advindas do meio, ou
seja, todos os estímulos necessários para o seu desenvolvimento e, portanto, para o alcance
adequado das aquisições inerentes ao desenvolvimento humano. O processo de “maturação”
indicado na definição de Psicomotricidade apresentada anteriormente refere-se ao
desenvolvimento neurobiológico, das estruturas que possibilitam a organização cada vez mais
complexa das funções corporal, cognitiva e emocional.
 
Fonte: Juan Aunion/Shutterstock
É importante ainda entender que a promoção do desenvolvimento harmônico do sujeito e do
seu autoconhecimento tem como essencialidade a capacitação do sujeito da percepção de si,
da ação deste no mundo e de expressão por meio de suas relações. A prática psicomotora
objetiva a realização intencional da ação dos indivíduos no mundo, entendendo que o ser
humano é composto segundo uma visão de globalidade.
Segundo Lapierre e Aucouturier (1984), o sujeito deve ser compreendido na dimensão psíquica
do seu corpo e na dimensão corporal do seu psiquismo, assim como devemos considerar a
relação mútua entre a atividade psíquica e a função motora desse indivíduo. A
Psicomotricidade compreende o movimento como uma atividade psíquica consciente,
considerando a contínua integração da motricidade elevada ao nível do “desejar” e do “querer
fazer”, ressaltando a intencionalidade do sujeito em sua ação por meio de seu corpo. A prática
psicomotora, em suas diversas vertentes de atuação, deve ser realizada por profissionais
devidamente habilitados, ou seja, exclusivamente por psicomotricistas. Entretanto, outros
profissionais como professor de Educação Física, pedagogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos,
psicólogos, entre outros podem fazer o uso de estratégias psicomotoras em sua prática, como
especialistas.
 ATENÇÃO
O psicomotricista é o profissional da área de saúde, terapia, reeducação e educação que
pesquisa, avalia, previne e trata do homem na aquisição, no desenvolvimento e nos transtornos
da integração somatopsíquico e da retrogênese (ABP, 2012).
 
Fonte: Shutterstock
 Os sentidos.
O público-alvo desta prática são crianças em fase de desenvolvimento, bebês de alto risco,
crianças com dificuldade/atrasosno desenvolvimento global, pessoas portadoras de
necessidades especiais: deficiências sensoriais, motoras, mentais e psíquicas, família e
terceira idade. Os ambientes de atuação podem ser: creches e escolas especiais, clínicas
multidisciplinares, consultórios, clínicas geriátricas, postos de saúde, hospitais e empresas
(ABP, 2012).
HISTÓRIA DA PSICOMOTRICIDADE
O berço da Psicomotricidade foi a França, sob influência das ciências biológicas como
Medicina, Psiquiatria, Neurologia, Neuropsiquiatria. Alguns personagens de tais ciências, como
Wernick, em 1807, organizaram a ideia de que as disfunções corporais estavam relacionadas a
causas psíquicas com o intuito de vencer um modelo anatômico e clínico. Iniciou então um
movimento conceitual na busca de estabelecer relação entre aspectos de ordem psíquica e de
ordem motora.
 
Fonte: Wikipedia
Ernest Duprè em 1907 começou a estabelecer uma relação estreita entre o psiquismo e a
motricidade, apontando uma relação entre a habilidade motora e a deficiência mental sem
causas neurológicas (paralelismo psicomotor).
 
Fonte: Wikipedia
Henri Wallon, em 1925, indicou uma relação entre comportamento tônico e os estados
emocionais, buscando explicar que esses estados interferiam na estruturação do caráter do
sujeito. Ele considerava o movimento como uma primeira relação do indivíduo com o meio.
 
Fonte: Wikipedia
Piaget, em 1936, entendia que o desenvolvimento infantil, organizado nos aspectos cognitivo,
afetivo e moral, se estruturava a partir das ações sensório-motoras realizadas pelas crianças.
 
Fonte: U.S. National Library of Medicine – Digital Collections
Em 1936, Arnold Gesell elaborou uma escala do desenvolvimento infantil em faixas etárias.
Tais conhecimentos foram sendo agregados de forma sensível ao que mais tarde seria o
campo de conhecimento da Psicomotricidade.
 
Fonte: CNAHES.
Temos ainda a contribuição de George Heuyer que, em 1925, em sua prática de Psiquiatria
infantil, usou o termo Psicomotricidade para apontar a relação entre o desenvolvimento da
motricidade, da afetividade e da inteligência.
Edouard Guilmain, por volta de 1935, criou o que foi denominado de exame psicomotor, com o
principal objetivo de estruturar os programas de terapia com a inclusão de exercícios que
desenvolviam a atenção, a educação sensorial e os trabalhos manuais.
 
Fonte: Wikipedia
Em 1911, Henry Head, estruturou trabalhos sobre o esquema corporal referenciados a partir de
uma visão fisiológica.
 
Fonte: Wikipedia
Paul Schilder em 1941 organizou a concepção de imagem corporal sob uma visão teórica da
Psicanálise.
 
Fonte: Wikiwand
Ajuriaguerra, em 1947, influenciado por Duprè, Wallon e Piaget, redefiniu os transtornos
psicomotores, interligando o movimento consciente, intencional, as praxias e a relação desses
com a ação do sujeito no mundo. Esse neuropsicólogo, na década de 50, com Diatkine e
Lebovici, estruturou técnicas educativas com o objetivo de tratar os distúrbios psicomotores.
Nesse período, no Hospital Henri-Rouselle, foi utilizada uma nova metodologia, onde foram
apontados os grandes eixos da Psicomotricidade:
Equilíbrio (esquerda/direita)
Coordenação visomotora
Organização espacial e temporal
Esquema corporal
Lateralidade
Domínio tônico
Em 1963, houve a oficialização da Psicomotricidade, com a certificação em reeducação
psicomotora e a seguir, Jean Bergès, Renè Diatkine, Lebovici, Launay, Jolivet Melanie Klein,
Donald Winnicott, René Spitz, Margaret Mahler, Willian Reich, Paul Schilder, Jacques Lacan,
Maud Mannoni, René Zazzo, Sami-Ali, Françoise Dolto, por volta dos anos 70, fortaleceram a
concepção do componente relacional da Psicomotricidade como fundamental na prática
terapêutica.
 SAIBA MAIS
Jean Bergès, neste período, criou uma técnica de diagnóstico e relaxação que promoveu uma
influência para além da Psicanálise: análise bioenergética, Gestalt-terapia e psicodrama. André
Lapierre, Bernard Aucouturier, Jean Le Boulch e Pierre Vayer, por volta dos anos 80, criaram a
corrente de reeducação psicomotora eclética proveniente da educação física. Françoise
Desobeau, Iann Beltz, Huget Bucher, Germaine Rossel, Fançoise Geromini e Giselle Soubiran
criaram as abordagens terapêuticas psicomotoras.
A partir dos anos 60, foi estabelecida uma relação estreita entre o corpo e o movimento na
reabilitação, onde deficiências motoras, sensoriais e mentais eram trabalhadas por meio da
integração corpo-mente com pouca referência ao termo Psicomotricidade. Foi constituída uma
formação específica para o atendimento de determinadas deficiências, com incentivo a
atividades eminentemente corporais, como: a ginástica rítmica, dança, jogos de dramatização e
educação gestual. Marly Fróes realizou cursos na Itália e na França, organizando a partir de
então atendimentos na ABBR e no Instituto Helena Antipoff, no Rio de Janeiro, oferecendo
atendimento a deficientes e excepcionais com auxílio de Martha Lovisaro.
 
Fonte: ABBR
A PRÁTICA PSICOMOTORA
As estratégias utilizadas na prática psicomotora se organizam por meio de abordagem
corporal, ou seja, as estratégias elencadas se utilizam da estrutura corporal para a promoção
do desenvolvimento do sujeito.
 ATENÇÃO
A prática psicomotora, portanto, utiliza o corpo em movimento para a promoção do
desenvolvimento humano.
Como apontado, a prática psicomotora pode ser aplicada em diversos ambientes:
AMBIENTE REEDUCATIVO
No ambiente reeducativo, a reeducação psicomotora atua na perspectiva de minimizar os
danos causados por uma lesão ou por um sintoma expresso. É uma prática que busca a
promoção de qualidade de vida por meio da atuação desse sujeito com mais expressividade,
autonomia e qualidade nas atividades de vida diária. Atua na busca de uma adaptação
qualitativa da funcionalidade desse sujeito aos hábitos de vida diária.
AMBIENTE TERAPÊUTICO
No ambiente terapêutico a terapia psicomotora desenvolve-se por meio de abordagem
corporal, buscando intervir nas instâncias psíquicas, nas elaborações psíquicas instaladas no
sujeito. Elas podem ser reestruturadas por meio da mobilização corporal. Na prática
terapêutica, faz-se uso de várias estratégias como manipulações, trabalho respiratório,
massagem, dramatizações, jogos espontâneos, estimulação sensorial, entre outros
mecanismos com a utilização da capacidade sensorial do corpo, na busca de uma associação
com as instâncias psíquicas do sujeito.
AMBIENTE EDUCACIONAL
Na esfera educacional, a educação psicomotora atua no viés preventivo, ou seja, objetiva a
construção do desenvolvimento harmônico do sujeito, com o intuito de evitar o surgimento de
determinados transtornos possíveis de serem contornados por meio de uma organização
psicomotora qualitativa e antecipatória. As estratégias utilizadas na prática educativa da
Psicomotricidade são estratégias que se organizam em torno de jogos de ações corporais
livres, atividade espontânea, jogos cognitivos, jogos corporais, jogos dramáticos, exploração do
ambiente, exploração do próprio corpo, exploração do corpo dos outros, exploração de objetos
e experimentação desses objetos.
 
Fonte: O autor.
 Área de atuação da Psicomotricidade.
VERTENTES DE ABORDAGEM DA
PSICOMOTRICIDADE
O conjunto da prática psicomotora reúne uma infinidade de ações corporais que venham a
proporcionar a descoberta de possibilidades para construção:
Da consciência do próprio corpo
Da consciência de si
De uma possibilidade de expressão por meio do seu corpo de forma harmônica
A tríade: consciência do próprio corpo, consciência de si e capacidade de expressão por meio
do seu corpo é construída de acordo com a estruturação denominada por Vitor da Fonseca de
noção de corpo.
NOÇÃO DE CORPO
É essencial para o desenvolvimento harmônico do sujeito porque é meio pelo qual o
indivíduo consegue perceber seu corpo como um todo e estar consciente de suas partes.
É por meio da noção de corpo ainda que este consegue realizar suas ações de interaçãocom o ambiente, com os outros, com os objetos e consigo mesmo. Por meio da ação e
relações referidas, o sujeito constrói a percepção e a consciência do próprio corpo, a
consciência de si, dos seus processos corporais e psíquicos e se torna capaz de
expressar os seus desejos, as suas intenções, as suas demandas e suas necessidades
em adequação ao ambiente e a sua individualidade.
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A prática psicomotora respeita alguns princípios básicos e fundamentais para a sua
estruturação, esses princípios são:
VALORIZAÇÃO DA ATIVIDADE ESPONTÂNEA
A Psicomotricidade compreende inicialmente que a atividade espontânea é fundamental para o
desenvolvimento da criança em seus aspectos formadores (cognição, motricidade e
afetividade).
GARANTIA DO PRAZER NA PRÁTICA CORPORAL
Parte do princípio de que a atividade espontânea, o prazer, o desejo e a individualidade são
elementos que devem coexistir continuamente na prática corporal com vistas ao
desenvolvimento integral, portanto, são concebidos como elementos indissociáveis na prática
corporal.
RESPEITO À INDIVIDUALIDADE
Segundo os princípios da Psicomotricidade, a prática corporal se estrutura a partir de uma
organização prévia, definida a priori, e possui uma idealização antecipatória. A partir dessas
ações, é possível observar o que o indivíduo possui enquanto demanda e necessidade.
Levando em conta os elementos trazidos pelo paciente/aluno, a prática é então efetivada.
INCENTIVO À EXPRESSÃO DO DESEJO DA CRIANÇA
A prática psicomotora é construída a partir de um momento de escuta da criança. São feitas
observações quanto aos seus desejos, às suas demandas, ao seu estado emocional, ao seu
estado corporal momentâneo, enfim, às suas necessidades. A partir dessa escuta, a proposta
psicomotora se constrói em plena comunhão de ideias, conhecimento teórico, técnico-
conceitual e de necessidades.
Como apontado, o desenvolvimento, segundo os conceitos psicomotores, é composto por uma
compreensão do indivíduo em todos os seus aspectos. Sendo assim, a proposta de
desenvolvimento oferecida a esse indivíduo se dá através do movimento, isto é, através de
uma abordagem corporal. No entanto, apesar de essa abordagem ser corporal, sua ação é
muito mais ampla, pois acaba envolvendo também elementos de ordem emocional e cognitiva.
E seu objetivo é a promoção do desenvolvimento harmônico do indivíduo.
A Psicomotricidade entende que o desenvolvimento psicomotor ocorre de maneira natural e
gradativa, e que sofre interferência de fatores que podem ser categorizados em externos e
internos, ou ainda em práxicos e subjetivos.
FATORES EXTERNOS
São fatores que interferem no processo de desenvolvimento psicomotor relacionados às
interferências do “outro” e do meio.
FATORES INTERNOS
São os que se relacionam com as necessidades afetivas, fisiológicas e intencionais do
indivíduo.
PRÁXICOS
De modo geral, são os movimentos, a manipulação de objetos.
SUBJETIVOS
São relacionados aos desejos e às relações do indivíduo.
O processo global do desenvolvimento psicomotor compõe-se de elementos pertencentes às
várias instâncias da formação do indivíduo, são eles:
Estrutural (neuroanatômicos)
Socioafetiva (relacionais/simbólicos)
Cognitiva (conceituais)
Esse desenvolvimento demanda estimulação para se estruturar de forma harmônica. Essa
estimulação, por sua vez, ocorre através de atitudes diversas na relação da criança com a
mãe, em seguida, com o pai, avós etc. e, posteriormente, nas suas experiências motoras e
afetivas com o mundo.
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Fonte: tartanparty/Shutterstock
 ATENÇÃO
O desenvolvimento psicomotor compreende todo o processo maturacional da estrutura
anatomoneurológica e emocional da criança, desde seu primeiro movimento reflexo, passando
por seus gestos, até os movimentos mais complexos e intencionais.
Os diferentes processos que integram o desenvolvimento psicomotor não são fenômenos
separáveis. Por conta disso, a maturação neurológica, o desenvolvimento do esquema e da
imagem corporal, os processos de lateralização, as coordenações, o equilíbrio, o ritmo, e, até
mesmo, o desenvolvimento cognitivo e da linguagem devem ser abordados em seu conjunto
(THOMPSON, 2000).
A prática psicomotora se organiza com base na exploração do corpo, dos objetos, do ambiente,
na descoberta, na provocação de curiosidade e no prazer. O momento inicial é estruturado em
um processo de escuta dos indivíduos envolvidos na prática, garantindo e valorizando uma
construção espontânea, onde a individualidade de cada sujeito envolvido é respeitada, a
criatividade é provocada, e o prazer é garantido.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. SÃO ELEMENTOS FUNDAMENTAIS PARA A PSICOMOTRICIDADE:
APRENDIZAGEM, EXPERIMENTAÇÃO CORPORAL, GESTO
ESPONTÂNEO, EXPRESSÃO CORPORAL. RESUMIDAMENTE, A
PSICOMOTRICIDADE:
A) Busca compreender o indivíduo de forma integral: cognição e afeto.
B) Entende o movimento como único elemento importante para o desenvolvimento.
C) Percebe o corpo como fonte de todas as aquisições inerentes ao desenvolvimento humano.
D) Observa o indivíduo de forma objetiva, onde a sua motricidade não estabelece relação com
a sua formação cognitiva ou afetiva.
E) Percebe o desenvolvimento humano de forma dissociada em relação ao dualismo
mente/corpo.
2. A EDUCAÇÃO PSICOMOTORA PROMOVE:
A) Readaptação funcional
B) Um trabalho individualizado na busca de elaborações psíquicas de elementos subjetivos
C) O desenvolvimento harmônico de acordo com uma perspectiva preventiva
D) O atendimento exclusivamente a crianças deficientes
E) Uma atividade que substitui as disciplinas formais da escola, pois desenvolve a cognição
GABARITO
1. São elementos fundamentais para a Psicomotricidade: aprendizagem, experimentação
corporal, gesto espontâneo, expressão corporal. Resumidamente, a Psicomotricidade:
A alternativa "C " está correta.
 
Esta afirmação é coerente com os pressupostos da Psicomotricidade. As demais alternativas
estão incorretas porque apresentam enganos. A opção “A” indica que a visão integral do
indivíduo é composta apenas de cognição e afeto, não apontando os aspectos social e afetivo.
A opção “B” aponta equivocadamente que a Psicomotricidade desmerece a aprendizagem dos
conteúdos em detrimento do movimento. A “D” é uma negação falsa. A “E” dissocia o indivíduo
que deve ser entendido de forma una.
2. A educação psicomotora promove:
A alternativa "C " está correta.
 
Apresenta uma afirmação correta de acordo com os pressupostos psicomotores. Dentre as
práticas psicomotoras, temos ainda: a reeducação psicomotora e a terapia psicomotora.
MÓDULO 2
 Identificar os elementos psicomotores voltados a noção corporal, orientação espaço-
temporal e coordenação motora
Na pratica psicomotora, o sujeito se percebe como autor da sua ação e da sua construção.
Essa ciência se preocupa com a construção da noção de corpo a partir das conquistas de
consciência corporal, consciência de si e expressão harmônica de si. A construção da
percepção do próprio corpo ocorre por meio da estruturação do que chamamos de organização
psicomotora, a qual é constituída por sua vez pelos aspectos psicomotores, que são: tônus,
equilíbrio, lateralidade, coordenação motora ampla, coordenação motora fina, noção de
espaço, noção de tempo, esquema corporal e imagem corporal.
Esses elementos constituem a base da movimentação corporal valorizada na prática
psicomotora. Os movimentos são realizados segundo a combinação desses aspectos.
 EXEMPLO
Quando uma criança corre, está realizando uma organização corporal que necessita e se utiliza
de: coordenação motora, equilíbrio, lateralidade, noção de espaço, noção de tempo, esquema
e imagem corporal. Coordenação motora porque ela precisa organizar os seus músculos de
forma harmônica e organizada em contração e relaxamento dos diferentes grupos musculares
para que a realização do movimento seja eficiente.
A criança também precisa percebero espaço necessário para deslocar o seu corpo durante a
realização do movimento que deve ser organizado em uma posição inicial, intermediária e final,
ou seja, é necessária uma sequência de posições para sua realização harmônica, uma
percepção espacial e temporal do movimento.
 
Fonte: O autor
 Os aspectos psicomotores.
Ao correr, a criança precisa utilizar os dois lados do seu corpo de maneira harmônica
(lateralidade) para que o movimento seja eficiente. Precisa perceber o seu corpo e as suas
partes distintas (esquema corporal) para organizá-las na realização motora, precisa ainda se
perceber capaz (imagem corporal) de realizar a corrida, para efetivamente fazê-la. Por fim, a
criança deve organizar seu corpo em uma determinada postura dinâmica, portanto, em
equilíbrio para realização harmônica do movimento. Tudo isso se faz necessário para que o
movimento seja realizado. Estes são os aspectos psicomotores e, se pararmos para pensar, a
nossa realização corporal vista de uma forma mais ampla demanda continuamente e
incessantemente desses elementos para a atuação no mundo.
 
Fonte: Rawpixel.com/Shutterstock
Nada realizamos sem a participação do nosso corpo, é por meio dele que nossa existência é
possível.
É tácito o conhecimento a respeito da prática psicomotora quanto ao desenvolvimento integral
do sujeito. É importante ressaltar que essa prática mantém a especificidade de utilizar uma
abordagem que favoreça o desenvolvimento por meio da estimulação do conjunto de
receptores periféricos. Tais receptores são distribuídos por todo o corpo, são estruturas
capazes de captar estímulos sensoriais diversos, das diversas categorias existentes no corpo
como um todo.
 
Fonte: Tomsickova Tatyana/Shutterstock
Esta característica vai ser tratada de forma mais específica no próximo módulo, entretanto,
temos que compreender inicialmente a especificidade da prática psicomotora aos aspectos da
realização motora integrada ao aspecto cognitivo e ao aspecto afetivo. Cabe-nos perguntar
como organizamos o nosso movimento, o nosso pensamento e como produzimos os nossos
sentimentos a partir do processamento das nossas emoções. O que nos orienta para a
compreensão mais detalhada a respeito desse processo, que é organizado na integração dos
fatores responsáveis pelo desenvolvimento humano, as Neurociências.
 
Fonte: Monkey Business Images/Shutterstock
Temos de entender que a realização do movimento tem o seu controle em bases neurais,
assim como a cognição, que também apresenta controle neural para a sua organização, e a
expressão das emoções, que, de modo, semelhante depende da ativação das mesmas
estruturas neurais. Desse modo, podemos observar que esses três elementos estão
conectados a partir do centro de processamento de cada um deles: as áreas corticais
envolvidas no comando ou controle dessas expressões. São áreas comuns e isso pode ficar
mais claro quando entendemos que o movimento é realizado a partir de um processo de
percepção e planificação, a cognição depende de uma organização tônica para ser
constituída, e as emoções são presentes, uma vez que são ativados neuroquímicos
responsáveis por organizar nossos estados emocionais quando nos movimentamos e
utilizamos nosso pensamento.
A FUNÇÃO COGNITIVA E A FUNÇÃO
MOTORA
Trataremos da relação entre as funções cognitivas e as funções motoras. De um modo geral,
elas ocorrem segundo um mesmo roteiro. A captação do estímulo, que se dá na estrutura
corporal, é transmitida ao cérebro onde é processada e associada a uma informação
anteriormente adquirida e onde é programada uma nova resposta, habitualmente, efetuada
pelo corpo.
 ATENÇÃO
A estrutura corporal é um ambiente de trocas e composição com informações já existentes, não
é apenas um local de passagem. As mesmas estruturas envolvidas na percepção, no
movimento corporal ou na manipulação dos objetos são também responsáveis pela
conceitualização e pelo raciocínio.
Contamos com o fato de que o desenvolvimento do indivíduo se dá por meio do acúmulo dos
registros provenientes das vivências, deste modo, podemos compreender a experiência como
o conjunto de informações de natureza.
Perceptual
Motora
Emocional
Social
Linguística
Podemos apontar características mais específicas proporcionadas por tais experiências, como
a capacidade de desenvolvimento de esquemas imagéticos, mapas perceptuais, percepção de
deslocamento, equilíbrio, formas, construção de representações estruturais, orientações e
muitos outros.
 
Fonte: myboys.me/Shutterstock
O corpo deve ser compreendido e considerado como o centro de recepção das informações
necessárias para a construção dos circuitos organizadores da capacidade cognitiva que, por
sua vez, deve ser considerada como componente da estrutura corporal e da realização motora.
Portanto, o corpo deve ser considerado como o centro da experiência e da cognição humana.
De maneira inversa, a aprendizagem humana é consequência da experiência corporal e
motora. Aprendemos porque agimos, e agimos por meio de nossos pensamentos.
 ATENÇÃO
A ação humana é uma atividade de adaptação ao mundo que envolve o indivíduo, o que gera a
aprendizagem que decorre dos movimentos, dos pensamentos e das sensações.
A nossa motricidade representa um comportamento, uma ação intencional, planificada, e não
apenas um ato mecânico, ou seja, somos possuidores de uma motricidade voluntária que é
dependente de nossa vontade e de nossa antecipação. O movimento humano é decorrente de
uma organização biológica e de uma estrutura neurológica, que envolvem planejamento,
organização prévia, cálculo, portanto, cognição e efetivação do movimento, realização motora,
ação propriamente dita.
 
Fonte: DGLimages/Shutterstock
A evolução humana nos permitiu a aquisição de uma postura e de uma marcha denominada
bípede, ou seja, nós nos apoiamos e nos deslocamos sustentados verticalmente em relação ao
eixo central de nosso corpo. Nossa evolução enquanto espécie também nos possibilitou a
especialização de movimentos finos em partes específicas de nosso corpo, como em nossas
extremidades. Fomos dotados do que chamamos de motricidade fina, que são movimentos
com controle detalhado e minucioso que nos capacita à realização de movimentos delicados e
precisos. Tal motricidade é expressa em movimentos das mãos, dos pés, dos dedos, da língua,
da boca, da faringe e da laringe, o que nos permite uma manipulação dos objetos de modo
minucioso e preciso, além da capacidade de produção da linguagem oral.
 
Fonte: UvGroup/Shutterstock
Essas características demandam uma alta capacidade no que se refere ao controle e
execução. Portanto, é necessária uma maior integração entre a motricidade e a cognição
indicando uma capacidade sensorial, perceptiva e psicológica em plena conexão. Desse modo,
entendemos que a motricidade humana voluntária depende de nossa vontade e envolve
procedimentos motores e cognitivos em plena interação, como a identificação da situação
externa, a seleção de resposta, a intenção, a tomada de decisão, o planejamento da resposta,
a execução do movimento e a verificação e estimação das consequências e a reorganização
do movimento.
ELEMENTOS PSICOMOTORES SEGUNDO
FONSECA (2012)
Os fatores psicomotores estabelecem relação com o crescimento e desenvolvimento individual.
Veja, a seguir, as conexões existentes entre os fatores psicomotores e as unidades funcionais.
TÔNUS
FAIXA ETÁRIA DO DESENVOLVIMENTO DO
TÔNUS: DO NASCIMENTO AOS DOZE MESES
Tônus significa a tensão ativa em que se encontram os músculos nos indivíduos com
desenvolvimento típico, processando a ativação dos reflexos que asseguram as funções
adaptativas posturais.
 
Fonte: Tomsickova Tatyana/shutterstock.com
A tonicidade é a base fundamental da psicomotricidade, tendo um papel fundamental no
desenvolvimento motor, pois é responsável pelo estado de tensão permanente do músculo.
Tem a função de alerta e vigilância. É uma estrutura básica que prepara e guiaa atividade
osteomotora. O tônus é pano de fundo para o movimento e a postura está na base da
organização dos movimentos.
TIPOS DE TÔNUS
Podemos caracterizar, de forma didática, três tipos de tônus. São eles:
TÔNUS DE FUNDO, DE BASE OU POSTURAL
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É o responsável pela postura ortostática, pela manutenção da posição de um seguimento
corporal (contração isométrica) e está presente na função de amortecedor.
É avaliado por meio das manobras de passividade e de extensibilidade.
TÔNUS DE AÇÃO OU DE ATITUDE
É o ato motor propriamente dito (contração isotônica), quando um grupo muscular realiza uma
determinada ação.
TÔNUS DE FORÇA OU DE SUPORTE
É quando todo o corpo se dedica a uma única ação.
É claro que o tempo todo estamos flutuando entre os três tipos e um não existe sem o
outro. O que temos é, em determinadas situações, a prioridade de um sobre o outro.
Segundo Fonseca (2012) o fator da tonicidade na BPM compreende o estudo do tônus de
suporte e do tônus de ação. O tônus de suporte compreende os subfatores da
extensibilidade, da passividade e da paratonia. O tônus de ação compreende os subfatores de
extensibilidade, passividade, paratonia, diadococinesias e das sincinesias.
Como características principais de cada um desses subfatores, destacamos:
EXTENSIBILIDADE
Maior comprimento possível que podemos imprimir a um músculo, afastando as suas
inserções. Pode apresentar sinais de resistência ou flacidez, de hipertonia ou hipotonia.
PASSIVIDADE
Capacidade de relaxamento passivo dos membros e suas extremidades distais perante
estímulos introduzidos.
PARATONIA (GEGENHALTEN)
Forma de hipertonia, com resistência variável, durante um movimento involuntário passivo.
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DIADOCOCINESIAS
Realização de movimentos vivos, simultâneos e alternados perante estímulos introduzidos.
SINCINESIAS
Reações parasitas de imitação dos movimentos contralaterais e de movimentos peribucais ou
linguais.
EQUILÍBRIO
FAIXA ETÁRIA DO DESENVOLVIMENTO DO
EQUILÍBRIO: DE 1 A 2 ANOS
O equilíbrio significa a resposta motora vigilante e integrada, em face da força gravitacional,
que atua permanentemente sobre o indivíduo. A equilibração é o sentido que permite a
permanência em equilíbrio – em grande parte resultado da maturação dos neurônios
cerebelares. Está relacionada à aquisição da postura bípede, segurança gravitacional e
desenvolvimento dos padrões locomotores.
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Fonte: UvGroup/Shutterstock
O equilíbrio está relacionado ao órgão sensorial da audição. O aparelho vestibular e
labirinto detectam a posição e o movimento da cabeça no espaço pela integração das
informações dos receptores periféricos, localizados no ouvido interno. A função do sistema
vestibular é registrar os movimentos do corpo pelos receptores periféricos e enviar essas
informações ao cerebelo, região do cérebro que tem como função controlar os movimentos
voluntários, a postura, a aprendizagem motora, o equilíbrio e o tônus.
Fonseca (2012) diz que equilibração é uma condição básica da organização psicomotora,
pois envolve ajustamentos posturais antigravitacionais, que dão suporte a resposta motora.
Dentre eles, estão:
DESENVOLVIMENTO DOS PADRÕES LOCOMOTORES
DESENVOLVIMENTO DA POSTURA BÍPEDE
SEGURANÇA GRAVITACIONAL
Fonseca (2012) relata os sinais disfuncionais posturais a partir dos quais o fator de
equilibração pode ser observado através da BPM, compreendendo o estudo dos seguintes
subfatores:
IMOBILIDADE
É observada através da capacidade da criança em conservar o equilíbrio em diversas
situações, os ajustamentos posturais e as reações emocionais.
EQUILÍBRIO ESTÁTICO
O equilíbrio estático exige as mesmas capacidades da imobilidade com diferença das posições
que são exigidas.
EQUILÍBRIO DINÂMICO
É observada através da capacidade da criança em conservar o equilíbrio em diversas
situações de movimentação e o deslocamento.
LATERALIDADE
FAIXA ETÁRIA DO DESENVOLVIMENTO DA
LATERALIDADE: DOS 2 AOS 3 ANOS
Lateralidade significa a capacidade de integração sensório-motora dos dois lados do
corpo. A lateralidade é a predisposição à utilização preferencial de um dos lados do corpo
expressas nos níveis ocular, pedal, auditivo e visual, refletindo a dominância de um dos
hemisférios cerebrais. A lateralidade representa uma competência operacional que preside
todas as formas de orientação do corpo; é a integração sensorial, investimento emocional,
desenvolvimento das percepções difusas e dos sistemas aferentes e eferentes.
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Fonte: ImageFlow/shutterstock.com
Luria (1989) relata que a significação psiconeurológica da lateralização envolve a organização
progressiva do cérebro como órgão de trabalho e de comunicação. Primeiramente, organiza as
sensações e o movimento, depois organiza os símbolos. Por isso, a integração bilateral
antecede a especialização hemisférica.
 ATENÇÃO
O desenvolvimento do tônus e do equilíbrio é básico para aquisição de muitas funções
psíquicas superiores, como linguagem, leitura e escrita. A lateralização dá continuidade ao
processo de organização das funções psíquicas superiores. A relação esquerda e direita foi
fundamental à civilização, pois sem o domínio de uma direcionalidade, não haveria a
possibilidade de aprendizagem simbólica.
A lateralização traduz a capacidade de integração sensório-motora dos dois lados do corpo,
transformando-se em uma espécie de radar endopsíquico de relação e de orientação com
o mundo exterior. Em termos de motricidade, retrata uma competência operacional que
preside a todas as formas de orientação do indivíduo. Indica também uma conscientização
integrada da experiência sensorial e motora, um mecanismo de orientação intracorporal
(proprioceptiva) e extracorporal (exteroceptiva).
Segundo Fonseca (2012), os subfatores de cotação das tarefas da BPM visam determinar a
preferência dos telerreceptores (visão e audição) e dos proprioefetores (mão e pé), conforme
indicado a seguir:
SUBFATOR DE LATERALIZAÇÃO OCULAR
Dominância do olho direito ou esquerdo.
SUBFATOR DE LATERALIZAÇÃO AUDITIVA
Dominância do ouvido direito ou esquerdo.
SUBFATOR DE LATERALIZAÇÃO MANUAL
Dominância da mão direita ou esquerda.
SUBFATOR DE LATERALIZAÇÃO PEDAL
Dominância do pé direito ou esquerdo.
 
Fonte: Goami/shutterstock.com
NOÇÃO DO CORPO
FAIXA ETÁRIA DO DESENVOLVIMENTO DA NOÇÃO DE
CORPO: DOS 3 AOS 4 ANOS
A noção do corpo significa a noção do eu, a conscientização corporal, percepção corporal,
condutas de imitação. A noção de corpo visa estudar a percepção corporal que a criança
possui a partir de sua face dentro do parâmetro de espaço próprio, ou seja, todo o espaço
extracorporal imediato que é possível atingir com os movimentos do braço sem mover os pés.
Também trata do esquema corporal (noção topográfica) no qual a criança se organiza
corporalmente em estruturas, nomeando-as à imagem corporal, criando uma representação
mental de si mesma. Essa construção se dá a partir de um corpo que se constrói na relação
com o outro, que o nomeia, que o reconhece e reconhece a sua existência. Esse outro deve
ser entendido na figura do cuidador do bebê.
A noção de corpo possui quatro aspectos que a constituem:
NOMEAÇÃO DAS PARTES DO CORPO
LOCALIZAÇÃO DAS PARTES DO CORPO
CONSCIENTIZAÇÃO DAS PARTES DO CORPO
UTILIZAÇÃO DAS PARTES DO CORPO
A imagem do corpo é inconsciente, aqui podem nascer os transtornos da imagem do corpo.
Ajuriaguerra (1977) diz que a evolução da criança é sinônimo de conscientização e
conhecimento cada vez mais profundo do seu corpo. A criança é o seu corpo, pois é por meio
dele que vai elaborar suas experiências vitais e organizar toda sua personalidade.
 ATENÇÃO
A noção do corpo tem a contribuição particular dos fatores psicomotores tônus, equilíbrio,
lateralidade. É um fator polifatorial, que envolve a relação com o outro e adimensão
geocêntrica da linguagem. É também uma noção primeiramente intuitiva, da qual decorre uma
autoimagem sensorial interior. Posteriormente, ela passa a uma noção especializada
linguisticamente.
A noção de corpo resulta da projeção específica das áreas primárias, mas elabora-se e
armazena-se em construção gnósica corporal (somatognosia) nas áreas parietais secundárias.
Além de revelar a capacidade do ser humano de se reconhecer como um objeto no seu
próprio campo perceptivo, de onde resulta a sua autoconfiança e autoestima, o seu
autocontrole passa a ser resultado de uma integração sensorial cortical, a qual participa
na planificação motora de todas as atividades conscientes e, por meio dela, atinge a matriz
espacial das nossas percepções e ações.
Fonseca (2012) relata que a observação da criança deve ser realizada a partir de sinais
disfuncionais proprioceptivos, da apresentação e da representação do próprio corpo. Para
isso, na BPM, constam os seguintes subfatores:
SENTIDO CINESTÉSICO
Possibilita a percepção do movimento ou repouso do corpo. Ele fornece informações sobre as
posições relativas dos membros e outras partes do corpo durante os movimentos e sobre as
tensões musculares.
RECONHECIMENTO DIREITA- ESQUERDA
Representa o senso de direcionalidade.
AUTOIMAGEM
É a parte descritiva do conhecimento que o indivíduo tem de si próprio.
IMITAÇÃO DE GESTOS
Corresponde à reprodução dos gestos de outra pessoa.
DESENHO DO CORPO
Corresponde à capacidade de desenhar o corpo.
ESTRUTURA ESPAÇO-TEMPORAL
A estrutura espaço-temporal significa a integração cortical de dados espaciais,
relacionados ao sistema visual e dados temporais rítmicos, relacionados ao sistema
auditivo. É essencial que a criança tenha desenvolvido a noção do corpo para continuar o
processamento da segunda unidade funcional.
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Fonte: Navistock/shutterstock.com
Quanto à estrutura espacial, refere-se a uma orientação (aprendizagem dos conceitos) e
posterior organização (aplicabilidade dos conceitos aprendidos) no que se refere ao espaço.
Em relação à estrutura temporal, refere-se a uma orientação (aprendizagem dos conceitos) e
posterior organização (aplicabilidade dos conceitos aprendidos) no que se refere ao tempo.
O desenvolvimento da atenção seletiva, do processamento da informação, coordenação
espaço-corpo, proficiência da linguagem são da ordem da sensorialidade, da captação e
posterior processamento das sensações do meio. Do projeto a execução!
Segundo Fonseca (2012) os subfatores da BPM são:
ORGANIZAÇÃO
Relativo ato de organizar-se corporalmente para realizar uma tarefa.
ESTRUTURAÇÃO DINÂMICA
Tem como função estruturar dinamicamente os objetos, compondo os arranjos, conforme
visualizados.
REPRESENTAÇÃO TOPOGRÁFICA
Demarca a localização dos objetos, a partir de arranjos visualizados.
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ESTRUTURAÇÃO RÍTMICA
Repetição de intervalos sonoros, através do registro de estruturação rítmica estimulada.
FATORES PSICOMOTORES E SUAS
CONEXÕES
Agora, no vídeo a seguir, falaremos sobre cada fator e subfator psicomotor, suas conexões,
desenvolvimento e necessidade de acompanhamento e avaliação.
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VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. EM RELAÇÃO AOS ASPECTOS PSICOMOTORES:
A) Devem ser estimulados por meio de estratégias que os abordem isoladamente.
B) Podem ser estimulados por meio de estratégias que os abordem isoladamente.
C) São estimulados por meio de estratégias psicomotoras onde estes são abordados de forma
associada.
D) Os aspectos psicomotores podem ser estimulados de forma isolada ou associada.
E) Não há possibilidade de relacionar os aspectos psicomotores.
2. ASSOCIE OS TERMOS E OS CONCEITOS DA COLUNA 1 E DA COLUNA
2, ENUMERANDO-OS: 
 
COLUNA 1: 
1) TÔNUS 
2) EQUILÍBRIO 
3) LATERALIDADE 
4) PRAXIA GLOBAL 
 
 
COLUNA 2: 
( ) DOMINÂNCIA DE UM HEMISFÉRIO CEREBRAL SOBRE O OUTRO. 
( ) TENSÃO DOS MÚSCULOS. 
( ) ESTADO DE UM CORPO, QUANDO FORÇAS DISTINTAS SE
ENCONTRAM SOBRE ELE, COMPENSAM-SE E ANULAM-SE
MUTUAMENTE. 
( ) É DEFINIDA COMO A COLOCAÇÃO EM AÇÃO SIMULTÂNEA DE
GRUPOS MUSCULARES DIFERENTES, COM VISTAS À EXECUÇÃO DE
MOVIMENTOS AMPLOS E APRENDIDOS.
A) 3; 4; 1; 2.
B) 3; 1; 2; 4.
C) 1; 4; 2; 3.
D) 1; 3; 2; 4.
E) 2; 3; 1; 4.
GABARITO
1. Em relação aos aspectos psicomotores:
A alternativa "C " está correta.
 
Apresenta uma afirmação correta e completa a respeito da forma como devem ser trabalhados
os aspectos psicomotores. As demais alternativas estão erradas por apresentarem
inconsistência conceitual em suas afirmações: A alternativa “A” está errada na medida em que
afirma que os elementos psicomotores devem ser trabalhados de forma independente, a
alternativa “B” está errada na medida em que afirma que os elementos psicomotores podem
ser trabalhados de forma independente, a opção “D” faz uma afirmação sem sentido e a
alternativa “E” indica que os elementos psicomotores são dissociáveis.
2. Associe os termos e os conceitos da coluna 1 e da coluna 2, enumerando-os: 
 
COLUNA 1: 
1) TÔNUS 
2) EQUILÍBRIO 
3) LATERALIDADE 
4) PRAXIA GLOBAL 
 
 
COLUNA 2: 
( ) Dominância de um hemisfério cerebral sobre o outro. 
( ) Tensão dos músculos. 
( ) Estado de um corpo, quando forças distintas se encontram sobre ele, compensam-se
e anulam-se mutuamente. 
( ) É definida como a colocação em ação simultânea de grupos musculares diferentes,
com vistas à execução de movimentos amplos e aprendidos.
A alternativa "B " está correta.
 
Conhecer conceitual e funcionalmente as características dos fatores psicomotores contribui
para uma intervenção psicomotora adequada.
CONCLUSÃO
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Tendo visto os conceitos aqui apresentados, estamos de posse do conjunto inicial de
conhecimentos a respeito da Psicomotricidade. Traçamos um percurso onde foram
apresentados o conceito desta ciência e seu roteiro de surgimento enquanto prática.
Compreendemos do que se trata a Psicomotricidade em seu universo terapêutico, educacional
e de reabilitação.
De modo simples, entendemos que a Psicomotricidade é uma ciência que tem como objetivo o
atendimento ao ser humano, compreendendo sua estrutura psíquica e corporal de maneira
integrada.
AVALIAÇÃO DO TEMA:
REFERÊNCIAS
ABP, O que é psicomotricidade. In: Psicomotricidade. Consultado em meio eletrônico em: 19
ago. 2020.
AJURIAGUERRA, J. Manual de psiquiatria infantil. Rio de Janeiro: Masson, 1977.
FONSECA, V. Manual de observação psicomotora. Rio de Janeiro: WAK, 2012.
LAPIERRE, A.; AUCOUTOURIER, B. Fantasmas Corporais e Prática Psicomotora. São
Paulo: Manole, 1984.
LURIA, A.R. O cérebro em ação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1989. 
THOMPSON, R. Desenvolvimento Psicomotor e Aprendizagem. In: Psicomotricidade da
Educação Infantil à Gerontologia: Teoria e Prática. FERREIRA, C. A. (Org.) São Paulo: Lovise,
2000.
EXPLORE+
Para saber mais sobre as abordagens emergentes da Psicomotricidade, leia o livro
Psicomotricidade: abordagens emergentes, de Jorge Manuel Gomes De Azevedo
Fernandes e Paulo Jose Barbosa Gutierres Filho.
Para saber mais sobre a importância da Psicomotricidade, leia o artigo A Psicomotricidade
como ferramenta Inclusiva da Criança Autista na Educação Infantil, de Odete Varelo
Bezerra e demais colaboradores.
Leia o trabalho de conclusão de curso de Maria Verônica Silva de Queiroz, cujo título é A
formação pessoal em psicomotricidade.
Procure saber sobre a Associação Brasileira de Psicomotricidade, em cujo site você pode
encontrar artigos e matérias sobre a temática.
Procure os artigos
Psicomotricidade: uma visão pessoal, de Vitor da Fonseca.
Contribuições da Neuropsicologia de Alexsandr Romanovich Luria para o debate
contemporâneo sobre relações mente-cérebro, de Izabel Hazin et al.
CONTEUDISTA
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