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UNIFACS - SALVADOR - CURSO: ENFERMAGEM DISCENTE: CELSIUS PALMEIRA TEMA: CASO CLÍNICO – RESPOSTA IMUNE A BACTÉRIAS E VIRUS Identificação: JAS, 8 anos, sexo masculino, escolar, natural e procedente de salvador. Informante: genitora. Queixa principal: “Febre e vômito há três dias”. HMA: Foi relatado pelo responsável que o paciente iniciou com febre de 38ºC, de início súbito e com maior frequência pela noite, associado ao quadro de vômito, com frequência de 2 vezes ao dia, com presença de alimentos, nega sangue e pus em sua constituição. O quadro foi iniciado logo após gritar bastante em brincadeira com amigos ao anoitecer. Afirmou presença de calafrios, náuseas, dor de garganta (7 em uma escala de 0-10) e tosse seca sem expectoração purulenta. Foi utilizado “Novalgina” com o intuito de diminuir a febre, mas, não houve melhora significativa. Nega cefaléia, rinorreia, conjutivite e diarréia. Antecedentes pessoais, nascido de parto cesárea, a termo, sem intercorrências neonatais. No que se refere aos antecedentes patológicos pregressa apresenta alergia a picada de insetos e nega alergia alimentar, apresentou quadros de resfriados recorrentes. EXAME FÍSICO Paciente encontra-se hipoativo, sonolento, lúcido, orientado em tempo e espaço, normopneico, normocárdico, estado febril 38,2°C normotenso. Medidas antropométricas estão dentro da normalidade. Cadeias de linfonodos cervicais pesquisadas palpáveis e dolorosas e tireoide não palpável. Ao exame de cabeça e pescoço apresenta ausência de hematomas, deformações, olhos e orelhas bem implantados e simétricos, nariz sem desvio de septo, na boca apresenta exsudato faríngeo com petéquias em palato. PONTOS PARA DISCUSSÃO DO CASO: 1. Qual o diagnóstico mais provável para o caso apresentado? Considerando que o paciente possui 8 anos, apresenta dor de garganta há 3 dias associado com febre sem sinais de melhoras, vômitos, náuseas, petéquias em palato, exsudato faríngeo, rash escarlatiniforme e linfonodos cervicais dolorosos. Além disso, indivíduo apresenta contato prévio com outras crianças da mesma idade o que favorece para um forte fator de risco. O diagnóstico provável para ele é a faringite estreptocócica que é uma infecção causada pela bactéria Streptococcus do grupo A. 2. Qual a definição de faringite aguda? A faringite aguda é considerada uma das doenças mais frequentes em crianças. A maioria é de origem viral, mas podendo ser de causa bacteriana, o estreptococo beta-hemolítico do grupo A é o agente etiológico bacteriano mais comum. É um tipo comum de dor de garganta. A etiologia estreptocócica ocorre em 20% a 30% das crianças, apresentando sinais e sintomas semelhantes, no qual dificulta diferenciar as duas etiologias apenas por aspectos clínicos. A faringite estreptocócica é mais comum em crianças e adolescentes com idade variando entre 5 e 15 anos e é rara em menores de 3 anos. 3. Quais exames laboratoriais podem ser solicitados para o diagnóstico laboratorial do quadro? A faringite, como já foi citado anteriormente, é caracterizada por ser uma doença que causa inúmeros sintomas, dessa maneira, é necessário realizar exames complementares para diagnosticar de forma rápida e eficaz, afim de tratar o paciente com medicamentos corretos e reverter o quadro clínico do indivíduo. Assim sendo, quando se quer confirmar a hipótese diagnóstica de faringite bacteriana, deve-se pedir a cultura de orofaringe (swab) é um teste de alta sensibilidade e especificidade para a Streptococcus pyogenes. Apesar do swab de orofaringe ser considerado padrão ouro, o resultado é demorado, por esse motivo, foi desenvolvido outro teste que é chamado de strep test, possui elevada especificidade, sensibilidade limitada, porém, se caracteriza por ter detecção rápida de antígenos estreptocócitos. 4. Quais são os agentes etiológicos que podem causar a faringite? As causas de faringite podem ser infecciosas e incluem vírus respiratórios como o rinovírus e o adenovírus, além do coronavírus, influenza, parainfluenza e vírus sincicial respiratório, outros vírus importantes incluem o Ebstein-Barr, Coxsackie, HIV primário e Herpes simples. 5. Sobre a resposta imune contra bactérias extracelulares responda: a) Cite exemplos de doenças causadas por bactérias extracelulares Botulismo: causado pela bactéria Clostridium botulinum. Cólera: causada pela bactéria Vibrio cholerae. Febre maculosa: é causada pela bactéria Rickettsia rickettsii. Gonorreia: doença sexualmente transmissível causada pela Neisseria gonorrhoeae. b) Como atua a reposta imune inata contra esse patógeno Todas as células da imunidade inata participam da defesa contra bactérias, embora seja enfatizado principalmente o papel de neutrófilos e monócitos/macrófagos pela capacidade fagocítica dessas células. A resposta imune inata contra bactérias intracelulares é mediada principalmente por fagócitos e células natural killer (NK). Os fagócitos ingerem e tentam destruir as bactérias intracelulares patogênicas, mas elas são resistentes à degradação dentro de fagócitos. c) Como atua a resposta imune adaptativa contra esse patógeno A imunidade adaptativa, principalmente mediante os anticorpos, desempenha importante papel na defesa contra as bactérias extracelulares. Os anticorpos podem exercer suas ações de três maneiras: 1) opsonização, 2) ativando o sistema complemento, 3) promovendo a neutralização de bactérias ou de seus produtos. d) Quais são os mecanismos de evasão imunológica desenvolvido por esse patógeno Estão relacionados à resistência a peptídeos antimicrobianos (AMPs) e à morte fagocitária por leucócitos (DELEO et al., 2009). Na medida em que os neutrófilos são a principal defesa celular contra infecções por S Sobre a resposta imune contra vírus resp’onda: 6. Sobre a resposta imune contra vírus responda: a) Cite exemplos de doenças causadas por vírus AIDS; Herpes; Resfriado Comum; Gripe; Novo Coronavírus; Febre amarela; Hepatite; Dengue; b) Como atua a reposta imune inata contra esse tipo de patógeno Na resposta imune inata a principal arma imune é a degradação das células infectadas e o reconhecimento dos vírus pelos receptores das células imunes. Já na resposta imune adaptativa ocorre a produção de anticorpos neutralizantes e a produção de células específicas capazes de impedir a disseminação da infecção. c) Como atua a resposta imune adaptativa contra esse tipo de patógeno A imunidade adaptativa contra os antígenos virais ocorre com ativação de células TCD8+ que vão exercer citotoxicidade pelo reconhecimento de antígenos virais via MHC classe I nas células alvo, e conseqüente liberação de granzima e de perfurinas com lise das células infectadas e também dos vírus. d) Quais são os mecanismos de evasão imunológica desenvolvido por esse tipo de patógeno Para isso os vírus apresentam diversos mecanismos de escape contra a resposta imunológica. O reconhecimento de epítopos específicos é o ponto chave para desencadear uma resposta imunológica e uma das estratégias utilizadas pelo vírus para inibir esta resposta é ocultar estas estruturas do sistema imune. 7. Qual o quadro clínico dos diferentes tipos de faringite? A principal queixa é o desconforto ou dor na garganta, principalmente ao engolir, febre é presente principalmente em pacientes com faringite estreptocócica, mas podendo ocorrer em outras etiologias. Os pacientes podem ainda se queixar de mal-estar e cefaleia, além de edema em região cervical por aumento de linfonodos e dor em região cervical anterior. Quando os indivíduos apresentam tosse, coriza, rinite, rouquidão, diarreia, exantema viral e contato com pessoas com resfriado comum sugerem etiologia viral. Já uma faringite estreptocócica geralmente apresenta dor de gargantade início súbito, exsudato faríngeo ou hiperemia, febre, enantema petequial no palato, adenite cervical anterior, exantema escarlatiniforme, cefaleia, náuseas, vômitos, dor abdominal. 8. Qual seria a conduta diagnóstica para o caso? Sobre o diagnóstico, ele não é exclusivamente clínico, porém, é essencial a realização de uma anamnese bem elaborada, em que o paciente relata a presença dos sintomas característicos da faringite e o exame físico confirma algumas queixas e anormalidades. Nessa perspectiva, o quadro clínico será suspeito de faringite aguda viral ou bacteriana.Para conseguir fechar o diagnóstico é necessário realizar a cultura de orofaringe ou o streptest. No entanto, se o teste rápido for negativo, mesmo tendo alta probabilidade de não ser infecção estreptocócica é importante esperar o resultado do swab de orofaringe para confirmação bacteriana. 9. Qual seria a conduta terapêutica para o paciente pediátrico de faringite? Para o tratamento viral será utilizado medicamentos para diminuir a sintomatologia do paciente, sendo assim, é indicado o uso de Ibuprofeno em gotas de 6 em 6 horas, 1gota/kg, máximo de 20 gotas por dose. Além disso, extrato de própolis em spray, de 6 em 6 horas, e Hexomedine, de 4 em 4 horas e é contraindicado para menores de três anos. Quando se tem a confirmação de faringite aguda bacteriana é necessário o uso de antibiótico, os mais indicados são os beta-lactâmicos, dessa maneira, deve-se utilizar amoxicilina, durante dez dias, de 8 em 8 horas sendo de 20 – 40 mg/kg/dia, ou então, penincilinabenzatina com dose única. Por fim, quando se trata de pacientes com alergia a beta-lactâmicos pode ser utilizado clindamicina, eritromicina ou claritromicina. A tonsilectomia só será indicado em casos específicos, primeira opção, quando o paciente apresentou de sete a mais casos de episódios graves durante um ano; segunda opção, paciente apresentou mais de cinco episódios graves por ano durante dois anos consecutivos; terceira opção, paciente apresentou mais de três episódios graves por ano durante três anos consecutivos. 10. Quais os principais prognósticos para o caso? Os prognósticos serão divididos em supurativos e não supurativos. Discorrendo sobre os supurativos, o abscesso peritonsilar é caracterizado por ter um quadro clínico de intensificação da dor de garganta, trismo e intensa disfagia, o exame de orofaringe apresenta abaulamento inflamatório unilateral e a úvula terá desvio contralateral à massa cervical palpável, sendo assim, a conduta terapêutica será constituída de internação, antibioticoterapia venoso e drenagem. Em relação ao abscesso retrofaríngeo, que também é uma complicação bacteriana supurativa, apresenta como quadro clínico a presença de febre, dificuldade de deglutição, rigidez cervical ou torácica e irritabilidade, podendo apresentar dificuldade respiratória e estridor, no exame físico, verifica-se abaulamento local e o diagnóstico será por exames de imagens, podendo ser solicitado o Raio X e o TC cervical, em relação a conduta será indispensável a internação da criança, iniciar antibiótico venoso e só será realizado a drenagem se houver obstrução das vias aéreas ou se o tratamento não for resolutivo. No que se refere às complicações supurativas, a glomerulonefrite pós-estreptocócica (GNPE) é caracterizado por ser auto-imune e acomete o sistema renal, mesmo se a criança fizer o tratamento precoce não será possível a prevenção desse quadro, pois, se trata de uma cepa de Strptococcus nefritogênica, em contrapartida, a febre reumática também se trata de uma doença auto-imune, porém, ela pode ser prevenida se iniciar a antibioticoterapia de forma precoce, podendo acometer o coração, articulações, pele e cérebro.