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FISIOLOGIA GERAL
E DO MOVIMENTO
PROFESSOR
Dr. Felipe Natali Almeida
2 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
DIREÇÃO UNICESUMAR
Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor de Administração 
Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva, Presidente 
da Mantenedora Cláudio Ferdinandi.
NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Diretoria Executiva de Ensino Janes Fidélis Tomelin Diretoria Operacional de Ensino Kátia Coelho, 
Diretoria de Planejamento de Ensino Fabrício Lazilha, Direção de Operações Chrystiano Mincoff, 
Direção de Polos Próprios James Prestes, Direção de Desenvolvimento Dayane Almeida, Direção 
de Relacionamento Alessandra Baron, Head de Produção de Conteúdos Celso L. Filho, Gerência de 
Produção de Conteúdo Diogo R. Garcia, Gerência de projetos especiais Daniel F. Hey, Supervisão 
do Núcleo de Produção de Materiais Nádila de Almeida Toledo, Coordenador(a) de Conteúdo Mara 
Cecilia Rafael Lopes, Projeto Gráfico José Jhonny Coelho, Editoração Humberto Garcia da Silva, 
Designer Educacional Ana Claudia Salvadego e Nayara Valenciano, Revisão Textual Felipe Veiga 
da Fonseca, Ilustração Bruno Cesar Pardinho Figueiredo, Gabriel Amaral Da Silva, Marcelo Yukio 
Goto, Marta Sayuri Kakitani, Fotos Shutterstock.
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; 
ALMEIDA, Felipe Natali.
Fisiologia Geral e do Movimento. Felipe Natali Almeida.
Maringá - PR.:Unicesumar, 2018.
160 p.
“Graduação em Educação Física - EaD”.
1. Fisiologia . 2. Sistema Esquelético . 3. Hormônios . 4. EaD. I. Título.
ISBN 978-85-459-1025-1
CDD - 22ª Ed. 612.04
CIP - NBR 12899 - AACR/2
NEAD 
Núcleo de Educação a Distância
Av. Guedner, 1610, Bloco 4 
Jd. Aclimação - Cep 87050-900 Maringá - Paraná
www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360
Impresso por:
Viver e trabalhar em uma sociedade global é um grande 
desafio para todos os cidadãos. A busca por tecnologia, 
informação, conhecimento de qualidade, novas 
habilidades para liderança e solução de problemas 
com eficiência tornou-se uma questão de sobrevivência 
no mundo do trabalho.
Cada um de nós tem uma grande responsabilidade: 
as escolhas que fizermos por nós e pelos nossos fará 
grande diferença no futuro.
Com essa visão, o Centro Universitário Cesumar assume 
o compromisso de democratizar o conhecimento por 
meio de alta tecnologia e contribuir para o futuro dos 
brasileiros.
No cumprimento de sua missão – “promover a 
educação de qualidade nas diferentes áreas do 
conhecimento, formando profissionais cidadãos que 
contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade 
justa e solidária” –, o Centro Universitário Cesumar 
busca a integração do ensino-pesquisa-extensão com 
as demandas institucionais e sociais; a realização 
de uma prática acadêmica que contribua para o 
desenvolvimento da consciência social e política e, por 
fim, a democratização do conhecimento acadêmico 
com a articulação e a integração com a sociedade.
Diante disso, o Centro Universitário Cesumar almeja 
ser reconhecida como uma instituição universitária 
de referência regional e nacional pela qualidade 
e compromisso do corpo docente; aquisição de 
competências institucionais para o desenvolvimento 
de linhas de pesquisa; consolidação da extensão 
universitária; qualidade da oferta dos ensinos 
presencial e a distância; bem-estar e satisfação da 
comunidade interna; qualidade da gestão acadêmica 
e administrativa; compromisso social de inclusão; 
processos de cooperação e parceria com o mundo 
do trabalho, como também pelo compromisso 
e relacionamento permanente com os egressos, 
incentivando a educação continuada.
Wilson Matos da Silva
Reitor da Unicesumar
boas-vindas
Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à 
Comunidade do Conhecimento. 
Essa é a característica principal pela qual a Unicesumar 
tem sido conhecida pelos nossos alunos, professores 
e pela nossa sociedade. Porém, é importante 
destacar aqui que não estamos falando mais daquele 
conhecimento estático, repetitivo, local e elitizado, mas 
de um conhecimento dinâmico, renovável em minutos, 
atemporal, global, democratizado, transformado pelas 
tecnologias digitais e virtuais.
De fato, as tecnologias de informação e comunicação 
têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, lugares, 
informações, da educação por meio da conectividade 
via internet, do acesso wireless em diferentes lugares 
e da mobilidade dos celulares. 
As redes sociais, os sites, blogs e os tablets aceleraram 
a informação e a produção do conhecimento, que não 
reconhece mais fuso horário e atravessa oceanos em 
segundos.
A apropriação dessa nova forma de conhecer 
transformou-se hoje em um dos principais fatores de 
agregação de valor, de superação das desigualdades, 
propagação de trabalho qualificado e de bem-estar. 
Logo, como agente social, convido você a saber cada 
vez mais, a conhecer, entender, selecionar e usar a 
tecnologia que temos e que está disponível. 
Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg 
modificou toda uma cultura e forma de conhecer, 
as tecnologias atuais e suas novas ferramentas, 
equipamentos e aplicações estão mudando a nossa 
cultura e transformando a todos nós. Então, priorizar o 
conhecimento hoje, por meio da Educação a Distância 
(EAD), significa possibilitar o contato com ambientes 
cativantes, ricos em informações e interatividade. É 
um processo desafiador, que ao mesmo tempo abrirá 
as portas para melhores oportunidades. Como já disse 
Sócrates, “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida”. 
É isso que a EAD da Unicesumar se propõe a fazer. 
Willian V. K. de Matos Silva
Pró-Reitor da Unicesumar EaD
Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está 
iniciando um processo de transformação, pois quando 
investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou 
profissional, nos transformamos e, consequentemente, 
transformamos também a sociedade na qual estamos 
inseridos. De que forma o fazemos? Criando 
oportunidades e/ou estabelecendo mudanças capazes 
de alcançar um nível de desenvolvimento compatível 
com os desafios que surgem no mundo contemporâneo. 
O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de 
Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo 
este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens 
se educam juntos, na transformação do mundo”.
Os materiais produzidos oferecem linguagem 
dialógica e encontram-se integrados à proposta 
pedagógica, contribuindo no processo educacional, 
complementando sua formação profissional, 
desenvolvendo competências e habilidades, e 
aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, 
de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, 
estes materiais têm como principal objetivo “provocar 
uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta 
forma possibilita o desenvolvimento da autonomia 
em busca dos conhecimentos necessários para a sua 
formação pessoal e profissional.
Portanto, nossa distância nesse processo de crescimento 
e construção do conhecimento deve ser apenas 
geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos 
que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. 
Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu 
Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos 
fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe 
das discussões. Além disso, lembre-se que existe 
uma equipe de professores e tutores que se encontra 
disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em 
seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe 
trilhar com tranquilidade e segurança sua trajetória 
acadêmica.
boas-vindas
Kátia Solange Coelho
Diretoria Operacional de Ensino
Janes Fidélis Tomelin
Diretoria Executiva de Ensino
Fabrício Lazilha
Diretoria de Planejamento de Ensino
autor
Professor Dr. Felipe Natali Almeida
Doutor em Fisiologia Humana pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Univer-
sidade de São Paulo - USP (2012). Mestre em Ciências Biológicas pela Univer-
sidade Estadual de Maringá - UEM (2008) e graduado em Educação Física pela 
mesma universidade(2005). Foi professor de Fisiologia Humana e do Exercício, 
Anatomia e Bioquímica em diversos cursos da área da saúde. 
Disponível em: <http://lattes.cnpq.br/8674351329205771>.
apresentação do material
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO
Felipe Natali Almeida
Prezado(a) aluno(a), com este livro entraremos no universo da fisiologia. A 
fisiologia é a disciplina que estuda as funções dos sistemas corporais. Ou seja, 
iremos entender como o organismo humano funciona e, mais do que isso, tam-
bém procuraremos compreender como ele funciona durante o exercício físico.
Num primeiro momento, trazemos de volta um conteúdo a pouco estudado 
por você anteriormente. Falaremos sobre métodos de obtenção de energia (em 
nosso tópico de bioenergética), ou seja, discutiremos os mecanismos anaeróbios 
e aeróbios de produção de ATP e traçaremos uma relação destes mecanismos 
com o exercício físico (em nosso tópico de metabolismo do exercício físico), 
ambos na Unidade I. Com base no conhecimento adquirido nesta unidade, 
podemos entender como conseguimos energia rapidamente para executar 
uma corrida de 100m e/ou atravessar uma rua correndo, assim como correr 
uma maratona.
Posteriormente, trabalharemos com dois sistemas fisiológicos de fundamental 
importância para a obtenção de oxigênio e remoção do gás carbônico em nosso 
organismo: o sistema cardiovascular e o sistema respiratório. O primeiro, respon-
sável por, através do sangue, distribuir o oxigênio a todos os tecidos corporais de 
acordo com a demanda e remover os dejetos metabólicos; o segundo, responsável 
por oxigenar o sangue e remover o gás carbônico. Ambos aumentando sua ativi-
dade em exercício físico.
8 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
Em geral, uma boa parte da energia produzida ao longo de um dia por meio dos 
processos aeróbios e anaeróbios tem por finalidade proporcionar a contração muscu-
lar, em especial quando estamos realizando algum exercício físico. Além de energia, 
uma integração entre o sistema nervoso central e o músculo esquelético é necessária 
para que a contração muscular venha a ocorrer e, na Unidade III, discutiremos os 
passos dessa interação.
Na unidade IV, entramos em contato com os hormônios. Durante nossa dis-
cussão sobre o sistema endócrino (nome que damos ao sistema que compreende 
os tecidos corporais envolvidos na liberação dos hormônios) observaremos o 
papel dos principais hormônios produzidos pelo organismo humano, além de sua 
relação com o exercício físico.
Finalizando, em nossa Unidade V, discutiremos sobre uma importante asso-
ciação: atividade física e o desenvolvimento da saúde. Devemos saber que saúde é 
muito mais do que ausência de doença, e engloba um completo bem-estar físico, 
emocional, mental e espiritual. A prática regular de exercícios físicos é um dos 
elementos fundamentais para uma saúde plena. Além desta relação, também dis-
cutiremos sobre a prática de exercícios para populações especiais como diabéticos, 
hipertensos, idosos entre outros. 
Espero que você aproveite ao máximo este material, extraia o máximo de in-
formação possível, se dedique e estude para que em um futuro próximo tenhamos 
profissionais diferenciados ingressando no mercado de trabalho. 
Um abraço.
sumário
UNIDADE I
BIOENERGÉTICA E METABOLISMO DO 
EXERCÍCIO FÍSICO: COMO O CORPO OBTÉM ENERGIA?
14 Demandas Energéticas
16 Substratos Energéticos
22 Bioenergética
34 Metabolismo do Exercício
39 Considerações fi nais
44 Referências
44 Gabarito
UNIDADE II
SISTEMAS FORNECEDORES DE OXIGÊNIO: 
SISTEMA CARDIOVASCULAR E RESPIRATÓRIO E SUA 
RELAÇÃO COM O EXERCÍCIO FÍSICO
50 Sistema Cardiovascular
60 Funcionamento do Sistema Cardiovascular 
em Exercício
66 Sistema Respiratório
72 Respostas do Sistema Respiratório ao Exer-
cício Físico
74 Considerações fi nais
79 Referências
79 Gabarito
UNIDADE III
SISTEMA MUSCULOESQUELÉTICO E A 
GERAÇÃO DO MOVIMENTO
84 O Sistema Nervoso e o Movimento
86 Grandes Vias Motoras
90 O Músculo Esquelético e sua Relação com o 
Movimento Humano
102 Considerações fi nais
108 Referências
108 Gabarito
UNIDADE IV
HORMÔNIOS E EXERCÍCIO FÍSICO
114 Visão Geral do Sistema Endócrino
118 Hormônios: Funções e sua Relação com o 
Exercício Físico
128 Considerações fi nais
133 Referências
133 Gabarito
UNIDADE V
FISIOLOGIA DA ATIVIDADE FÍSICA VOLTADA PARA A SAÚDE
138 Atividade Física e Saúde
142 Exercícios Para Populações Especiais
154 Considerações fi nais
159 Referências
159 Gabarito
160 Conclusão geral
Professor Dr. Felipe Natali Almeida
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta 
unidade:
• Demandas energéticas
• Substratos energéticos
• Bioenergética
• Metabolismo no exercício
Objetivos de Aprendizagem
• Compreender os elementos envolvidos no gasto 
energético.
• Discutir sobre os diferentes tipos de substratos 
energéticos.
• Entender o conceito de fosfato de alta energia.
• Abordar o conceito de bioenergética por meio da discussão 
sobre a produção anaeróbia e aeróbia de ATP.
• Discutir o metabolismo energético mediante a interação do 
uso das vias anaeróbias e aeróbias de ressíntese de ATP no 
repouso e nas diferentes fases do exercício.
BIOENERGÉTICA E METABOLISMO 
DO EXERCÍCIO FÍSICO: COMO O 
CORPO OBTÉM ENERGIA?
 unidade 
I
INTRODUÇÃO
O
lá, seja bem-vindo(a), caro(a) aluno(a). Trataremos nesta uni-
dade de um dos assuntos que nos dão a base para o entendi-
mento da fisiologia. Alguns conceitos abordados aqui já po-
dem ter sido apresentados inicialmente a você no módulo de 
bases biológicas e deverão ser trazidos novamente à mente nesta unidade. 
Iniciamos nosso estudo por meio de uma visão geral sobre as neces-
sidades energéticas para o funcionamento corporal e os substratos neces-
sários para isso, com os conteúdos abordados em nossas duas primeiras 
subunidades (demandas energéticas e substratos energéticos). Em adição 
à visão global do gasto energético, sabemos que milhares de reações bio-
químicas ocorrem em todo o corpo a todo o momento, sendo o conjunto 
destas reações químicas denominadas de metabolismo. Dentro do gran-
de grupo “metabolismo”, como todas as células necessitam de energia, 
não surpreende que as células sejam dotadas de vias bioquímicas capazes 
de converter alimentos em uma forma de energia biologicamente utilizá-
vel, processo este chamado de bioenergética. 
Sendo assim, para que possamos realizar nossas atividades cotidia-
nas, como se deslocar, escrever, digitar, pensar, assim como para reali-
zação de exercícios físicos, nossas células devem ser capazes de extrair 
a energia contida nos alimentos. Sem essa capacidade de extração da 
energia dos alimentos, limitaríamos nossa capacidade de resistir aos es-
forços e rapidamente teríamos que interromper as atividades, visto que 
para contração muscular, as fibras musculares precisam de uma fonte de 
energia contínua, sendo as reações envolvidas nesses processos descritas 
no tópico 3 intitulado de “Bioenergética”. Seguido esse assunto, no tópico 
4, realizamos uma abordagem voltada ao exercício físico, descrevendo as 
particularidades da bioenergética neste contexto. Em suma, dada a im-
portância da produção de energia celular durante todas as atividades di-
árias e, em especial, para realização de exercício físico, torna-se essencial 
um bom nível de conhecimento sobre esse assunto.
14 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
Por que nos alimentamos? Você já se fez esta pergunta? 
De uma forma geral, nos alimentamos (Figura 1), pois 
por meio desse ato obtemos, em primeiro lugar, mate-
riais que nos ajudam a construir ou renovar elemen-
tos do nosso corpo (como quando você se machuca e 
precisa produzir tecido para renovar a lesão ou quan-
do você treina e precisa de proteína para hipertrofi a 
muscular) e energia que possibilita ao corpo realizar 2 
tarefas (McARDLE; KATCH; KATCH, 2011): 
1. Construção do nosso corpo (crescimento dos 
tecidos, ganho e massa muscular, renovação 
das células, construção de organelas celulares 
entre outros).
2. Manutençãode um meio interno equilibrado 
(manter as funções vitais dentro de uma fai-
xa de normalidade compatível com a vida) e, 
depois que as necessidades basais (para ma-
nutenção de funções vitais) são preenchidas, 
a energia adicional pode ser canalizada para: 
• estoque (na forma do gordura corporal ou 
glicogênio hepático e muscular) e/ou 
• usada como combustível para uma ativida-
de extra como, por exemplo, um exercício 
físico, passear com o cachorro, lavar o car-
ro, entre outras atividades cotidianas.
Demandas Energéticas
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 15
Logo, para manter nosso organismo funcionan-
do, precisamos gastar energia e ao gasto energéti-
co ocorrido em 24 horas damos o nome de “gasto 
energético diário”. De uma forma geral, ele pode ser 
subdividido em quatro elementos (Figura 2):
a. Taxa metabólica basal (ou de repouso): 
energia necessária para manutenção dos sis-
temas corporais.
b. Efeito térmico dos alimentos: aumento do 
gasto de energia que segue a ingestão da 
comida e está associada à digestão, à ab-
sorção e ao metabolismo dos alimentos e 
de seus nutrientes.
c. Efeito térmico das atividades: gasto de ener-
gia associado à realização de movimentos 
espontâneos e de atividades musculares pla-
nejadas (incluindo aqui atividades cotidia-
nas, como lavar um carro e limpar a casa, por 
exemplo, assim como a realização de exercí-
cios físicos efetivamente).
d. Gastos com o crescimento.
Figura 1 - Alimentos consumidos cotidianamente formam a base ener-
gética para produção de ATP
Importante salientar que esses quatro elementos po-
dem ser influenciados, aumentando ou diminuin-
do sua participação no gasto energético diário total 
Figura 2 - Elementos do gasto energético diário
Fonte: adaptado de Maughan e Burke (2004).
(MAUGHAN; BURKE, 2004). A Figura 2 também 
apresenta os principais agentes influenciadores de 
cada um deles.
- Duração
- Intensidade
- Massa corporal magraGasto energético diário
Atividades físicas cotidianas
Exercícios
Crescimento
Atividade física
Efeito térmico 
dos alimentos
Taxa metabólica 
basal
- Dependente da fase do 
desenvolvimento do indivíduo
- Quantidade e tipo dos 
alimentos consumidos
- Genética
- Idade
- Sexo
- Massa corporal magra
- Área de superfície
- Níveis hormonais
- Atividade do sistema nervoso
16 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
Como vimos, o corpo gasta energia para se manter 
funcionando (gasto energético diário) e durante o 
processo de consumo alimentar, macro e micronu-
trientes devem fazer parte das refeições diárias e são 
de fundamental importância para que a homeostasia 
do corpo possa ser mantida. Carboidratos, gorduras 
e proteínas são os representantes dos macronutrien-
tes, elementos que entre outras funções são respon-
sáveis por produzir a energia a ser utilizada pelo cor-
po. Carboidratos e gorduras são os macronutrientes 
principais, enquanto as proteínas têm um papel se-
cundário na geração da energia utilizada, tanto em 
repouso quanto em exercício (McARDLE; KATCH; 
KATCH, 2011 e MAUGHAN; BURKE, 2004).
Para suprir a demanda por energia ao longo das 
24 horas do dia, poucos são os substratos energéti-
cos que podem ser utilizados. Dentre os substratos 
energéticos temos os carboidratos, as gorduras e as 
proteínas como seus representantes principais. Ini-
ciaremos nosso estudo pelos carboidratos. 
Substratos Energéticos
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 17
CARBOIDRATOS
Os polissacarídeos são os carboidratos comple-
xos que contêm pelo menos três monossacarídeos 
unidos. Eles podem ser moléculas pequenas (que 
contêm três monossacarídeos) ou moléculas muito 
amplas (que contêm centenas de monossacarídeos, 
incluindo várias ramificações de sua cadeia linear). 
Em geral, os polissacarídeos são classificados de 
acordo com sua origem, sendo possível a origem 
vegetal e a origem animal. As duas formas mais 
comuns de polissacarídeos de origem vegetal são a 
celulose e o amido. Os seres humanos não possuem 
as enzimas utilizadas para digerirem a celulose e, 
portanto, descartam a celulose como resíduo de 
material fecal e não conseguem obter energia dela. 
Por outro lado, o amido (encontrado no milho, na 
batata, em grãos, entre outros) é facilmente dige-
rido pelos humanos e constitui uma fonte impor-
tante de carboidratos da dieta alimentar. Depois 
de ingerido, o amido é quebrado para formar mo-
nossacarídeos (visto que no trato gastrointestinal 
só conseguimos absorver carboidratos na forma de 
monossacarídeos) e pode ser usado imediatamente 
como energia pelas células ou armazenado nestas 
(não como amido, mas sim como glicogênio) para 
atender necessidades futuras de energia (McARD-
LE; KATCH; KATCH, 2011).
O polissacarídeo armazenado no tecido animal 
é chamado de glicogênio, sintetizado nas células 
pela ligação de moléculas de glicose. Geralmen-
te, são moléculas amplas e ramificadas que podem 
conter de centenas a milhares de moléculas de gli-
cose unidas. As células armazenam glicogênio como 
uma forma de suprir as necessidades de carboidra-
tos como fonte de energia. Durante o exercício, por 
exemplo, as células musculares quebram o glicogê-
nio em glicose (processo chamado de glicogenó-
Figura 3 - Exemplos de carboidratos na alimentação cotidiana
Os carboidratos (Figura 3) são compostos por áto-
mos de carbono, hidrogênio e oxigênio. Quando 
armazenados, fornecem ao corpo uma forma de 
energia rapidamente disponibilizada, com 1g de 
carboidrato rendendo pouco mais de 4 kcal de 
energia. São encontrados em três formas: 1) mo-
nossacarídeos, 2) dissacarídeos e 3) polissacarídeos 
(DEVLIN, 2011).
Os monossacarídeos são os açúcares mais sim-
ples e como exemplos temos a glicose (que muitos 
conhecem pelo açúcar do sangue), a frutose (que 
seria o açúcar contido nas frutas) e a galactose (o 
açúcar contido no leite). Já os dissacarídeos são for-
mados pela combinação de dois monossacarídeos. 
Entre eles temos com importância bioenergética 
o açúcar de mesa, denominado quimicamente de 
sacarose, formado pela união de uma molécula de 
glicose e outra de frutose. Em adição, temos o dis-
sacarídeo extraído do leite, a lactose, formado pela 
união de uma molécula de glicose com uma de ga-
lactose, e também a maltose, açúcar presente na cer-
veja, nos cereais e em sementes em germinação, que 
é formada pela junção de duas moléculas de glicose 
(McARDLE; KATCH; KATCH, 2011).
18 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
lise) e usa esta glicose como fonte de energia para 
a contração muscular. Esse processo também pode 
ocorrer no fígado (local de maior armazenamento 
de glicogênio no corpo humano), porém a glicose é 
liberada na circulação e disponibilizada para todos 
os tecidos (DEVLIN, 2011).
Importante salientar que apesar do corpo hu-
mano poder estocar glicose na forma de glicogênio 
tanto no músculo esquelético quanto no fígado, es-
tas reservas são relativamente pequenas e podem 
ser depletadas em poucas horas, como resultado de 
um exercício prolongado, especialmente se estive-
rem associadas a uma dieta pobre em carboidrato 
(McARDLE; KATCH; KATCH, 2011).
GORDURAS
Embora as gorduras contenham os mesmos ele-
mentos químicos presentes nos carboidratos, a 
proporção carbono, oxigênio nas gorduras, é signi-
ficativamente maior do que aquela encontrada nos 
carboidratos. A gordura corporal armazenada é um 
bom combustível para o exercício prolongado, pois 
as moléculas de gordura contêm cerca de 9 kcal de 
energia a cada 1g, mais do que o dobro do conteúdo 
de energia de carboidratos ou proteínas. As gordu-
ras são insolúveis em água e podem ser encontra-
das tanto nos vegetais como nos animais. Em geral, 
podem ser classificadas em quatro grupos: 1) ácidos 
graxos, 2) triglicerídeos, 3) fosfolipídeos e 4) esteroi-
des (NELSON; COX, 2014).
Os ácidos graxos são o tipo primário de gordura 
usada pelas células (incluindo aqui as musculares) 
para obtenção de energia. São armazenados no cor-
po na forma de triglicerídeos, que são compostos 
por três moléculas de ácidos graxos unidos a uma 
molécula deglicerol (que não é gordura, mas um 
tipo de álcool). Embora o maior sítio de armazena-
mento de triglicerídeos seja a célula adiposa, essas 
moléculas também são estocadas em muitos tipos 
celulares, incluindo o músculo esquelético (deno-
minado de triacilglicerol intramuscular, geralmente 
presente em pequenas gotículas localizadas próxi-
mas às mitocôndrias dessas células). Em situações 
de necessidade, os triglicerídeos podem ser que-
brados, por um processo denominado de lipólise, 
e seus componentes (ácidos graxos e glicerol) são 
liberados e usados como substrato energético (o 
glicerol só é utilizado como substrato após ser con-
vertido em glicose no fígado, por gliconeogênese). 
Dessa forma, a molécula de triglicerídeo inteira 
pode ser usada como fonte de energia (McARDLE; 
KATCH; KATCH, 2011).
Os fosfolipídeos não são usados como fonte de 
energia (ao menos não como função primordial), 
são lipídeos combinados a diferentes moléculas de 
ácido fosfórico, responsáveis por formarem todas 
as membranas celulares de todas as organelas das 
células. Já os esteroides apresentam como elemento 
principal o colesterol, um componente de todas as 
membranas biológicas juntamente com os fosfo-
lipídeos, além de serem utilizados para síntese de 
todos os hormônios ditos “esteroides”, onde incluí-
mos os hormônios sexuais (estrogênio, progestero-
na e testosterona), os glicocorticoides (cortisol) e 
os mineralocorticoides (aldosterona). As gorduras 
nos alimentos são encontradas em diversas fontes, 
podendo ser consideradas nutricionalmente bené-
ficas ou maléficas (figura 4) (McARDLE; KATCH; 
KATCH, 2011).
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 19
PROTEÍNAS
As proteínas são macronutrientes compostos por 
unidades menores chamadas de aminoácidos. O 
corpo necessita de 20 aminoácidos para formar os 
diversos tipos de proteínas necessárias ao bom fun-
cionamento corporal. Existem nove aminoácidos, 
chamados de aminoácidos essenciais, que não po-
dem ser sintetizados pelo corpo e, dessa forma, pre-
cisam ser consumidos com os alimentos e incluem a 
fenilalanina, a histidina, a isoleucina, a lisina, a leu-
cina, a metionina, a treonina, o triptofano e a valina. 
Já os aminoácidos não essenciais, ou seja, aqueles 
que podem ser produzidos pelo organismo, são o 
aspartato, o glutamato, a alanina, a arginina, a aspa-
ragina, a cisteína, a glicina, a glutamina, a prolina, a 
serina e a tirosina (DEVLIN, 2011).
Um indivíduo típico de 70kg dispõe de um re-
servatório corporal de aproximadamente 12kg de 
aminoácidos, sendo que a grande maioria deles exis-
te na forma de proteína e uma pequena quantida-
de (cerca de 200g), na forma de aminoácidos livres. 
Durante o dia, acontece um processo constante de 
circulação das proteínas, envolvendo a ocorrência 
simultânea de sua quebra e síntese, e uma troca con-
tínua de aminoácidos entre os vários reservatórios. 
O sistema musculoesquelético responde pela maior 
reserva de proteínas do corpo e também por parte 
significativa dos aminoácidos livres (MAUGHAN; 
BURKE, 2004).
Novos aminoácidos podem entrar no reservató-
rio de aminoácidos livres provenientes de três fon-
tes: ingestão alimentar, quebra de proteína existente 
no corpo e nova síntese dentro do corpo (lembran-
do que alguns aminoácidos podem ser produzidos 
pelo organismo e outros devem ser obrigatoriamen-
te consumidos, conforme visto anteriormente). Por 
outro lado, a saída do reservatório de aminoácidos 
livres é via secreção no intestino, incorporação a no-
vas proteínas, oxidação como fonte de energia ou ser 
convertido em gorduras ou carboidratos (esta últi-
ma quando as proteínas são consumidas em exces-
so) (MAUGHAN; BURKE, 2004). A dinâmica desse 
processo é observada na Figura 5.
Figura 4 - Diferentes tipos de gorduras encontradas nos alimentos
GORDURAS
BOAS
GORDURAS
RUINS
abacates
salmão
nozes
azeite
carne
gorda
queijo
sorvete
comida
frita
GORDURAS BOAS vs GORDURAS RUINS
20 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
Como fonte de energia, as proteínas contêm cerca 
de 4 kcal por grama, mas devem ser quebradas em 
aminoácidos para poderem ser utilizadas com este 
propósito. Para fornecerem energia, ou deverão ser 
Proteínas da dieta
(aminoácidos)
intestino
Fezes
(C e N)
Nitrogênio
perdido na
urina ou suor
Convertido em
carboidratos e
gorduras
degradação
síntese
Proteínas
do tecido
absorção
excreção
Oxidado para
produção de
energia
Reservatório
de
aminoácidos
livres
Figura 5 - Ciclo dos aminoácidos no organismo
Fonte: o autor.
Além dos macronutrientes, os micronutrientes (vitaminas e minerais) também desempenham um papel 
chave na otimização da saúde e no desempenho do atleta. Em muitos casos, pode haver aumento na 
exigência de determinado micronutriente em consequência da prática de programa regular de exercícios. 
No entanto, não existem normas fixas para ingestão de vitaminas e minerais em atletas. Por enquanto, 
os estudos ainda não apresentam indícios de que a suplementação vitamínica aumente o desempenho 
no exercício, exceto nos casos em que havia deficiência preexistente. Entretanto, desperta interesse no 
que tange as vitaminas, um possível papel das antioxidantes na prevenção aos danos causados pela 
produção excessiva de radicais livres do oxigênio. Em relação aos minerais, sabe-se que alguns atletas 
correm um risco de fazer ingestões subótimas de ferro e cálcio, o que pode afetar negativamente o 
desempenho imediato ou a saúde a longo prazo. 
Fonte: Maughan e Burke (2004).
SAIBA MAIS
convertidas em glicose ou em algum intermediário 
das vias metabólicas (processo de gliconeogênese) 
(MAUGHAN; BURKE, 2004). 
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 21
FOSFATOS DE ALTA ENERGIA
A fonte de energia imediata para o funcionamento 
do corpo humano (incluindo aqui para a realização 
da contração muscular) é um composto de fosfa-
to de alta energia, o trifosfato de adenosina (ATP). 
Embora o ATP não seja a única molécula transpor-
tadora de energia na célula, é a mais importante. Na 
ausência de ATP em quantidade suficiente, a maio-
ria das células morrem rapidamente. Basicamente, 
a energia obtida dos alimentos e dos reservatórios 
celulares serve para manutenção dos estoques celu-
lares de ATP. Isso ocorre pelo fato de uma parte da 
energia contida nas ligações químicas das molécu-
las dos substratos energéticos serem armazenadas 
nas ligações químicas existentes entre os átomos do 
ATP e, ao desfazer estas ligações, a energia liberada 
será utilizada pelas células (McARDLE; KATCH; 
KATCH, 2011).
A estrutura do ATP consiste em três partes prin-
cipais: (1) uma porção adenina, (2) uma porção ri-
bose e (3) três fosfatos ligados (Figura 6). A forma-
ção de ATP ocorre a partir da ligação do difosfato 
de adenosina (ADP) com o fosfato inorgânico (Pi) e 
requer uma ampla quantidade de energia, sendo que 
uma parte dessa energia é armazenada na ligação 
química que une essas moléculas. Quando a enzima 
ATP quebra essa ligação, a energia é liberada e pode 
ser usada para realização de trabalho (exemplo: con-
tração muscular) (NELSON; COX, 2014).
Figura 6 - Estrutura do ATP 
Fonte: McArdle, Katch e Katch (2011, p. 140).
22 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
O termo bioenergética engloba as vias energéticas 
envolvidas no processo de síntese de ATP a partir 
de substratos energéticos, posibilitando a constante 
renovação dos estoques de ATP.
Vamos adotar como exemplo as células mus-
culares. As células musculares armazenam quan-
tidades limitadas de ATP. Assim, como o exercí-
cio muscular requer um suprimento constante de 
ATP para o fornecimento da energia necessária à 
contração (para que esta atividade não seja inter-
rompida por falta de ATP), a célula deve ter vias 
metabólicas capazes de produzir rapidamente 
ATP. Estas vias de renovação de ATP são subdivi-
didas em vias anaeróbicas (que não usam o oxigê-
nio) e vias aeróbicas (que usam o oxigênio), apre-
sentadas a seguir.
PRODUÇÃO ANAERÓBIA DE ATP
As vias anaeróbias para produção de ATP compre-
endem: 1) formação de ATP por quebrada fosfocre-
atina (PC) e 2) formação de ATP via degradação de 
glicose ou glicogênio (glicólise anaeróbia).
O método mais simples e, consequentemen-
te, mais rápido para produzir ATP envolve a doa-
ção da energia contida na PC ao ADP, para que ele 
possa se unir ao Pi e formar o ATP. Esta reação é 
catalisada pela enzima creatina quinase e consiste, 
primeiramente, na quebra da PC em creatina livre e 
Pi e, posteriormente, a utilização da energia liberada 
desta quebra para unir o ADP com o Pi (Figura 7) 
(MAUGHAN; GLEESON; GREEENHAFF, 2000).
Bioenergética
Figura 7 - Reação enzimática de ressíntese do ATP a partir da fosfocreatina
Fonte: o autor.
Esse sistema, chamado de sistema ATP-PC, fornece 
energia para contração muscular no início do exercí-
cio prolongado e durante o exercício de alta intensida-
de e curta duração (duração inferior a 30 segundos). 
Já para restaurarmos os estoques de fosfocreatina que 
foram utilizados devemos gastar ATP, porém isso só 
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 23
ocorrerá na fase de recuperação (ou seja, depois que 
acabou o exercício). Em atletas, a importância do sis-
tema ATP-PC pode ser apreciada considerando-se o 
exercício intenso e de curta duração, como uma cor-
rida de 50m-100m, uma prova de 50m de natação, 
um salto, um levantamento de peso, um arremesso, 
ou seja, todas atividades que requeiram poucos se-
gundos para serem concluídas e, assim, necessitam 
de um suprimento rápido de ATP (Figura 8) (MAU-
GHAN; GLEESON; GREEENHAFF, 2000).
Na glicólise, observa-se que as reações entre gli-
cose/glicogênio e piruvato podem ser subdivididas 
em duas fases distintas, uma fase de investimento de 
energia (primeiras cinco reações) e uma fase de ge-
ração de energia ou fase de lucro (últimas cinco re-
ações). As cinco primeiras reações constituem a fase 
de investimento de energia pelo fato de gastarmos 
duas moléculas de ATP para fosforilar os intermedi-
ários dessa via tornando a molécula energeticamente 
mais favorável. Já as últimas cinco reações da glicólise 
representam a fase de geração de energia da glicóli-
se na qual quatro moléculas de ATP são produzidas. 
Dessa forma, o ganho líquido da glicólise é igual a 
dois ATPs (Figura 9). A Figura 10 ilustra a glicólise 
completa, com suas dez reações juntamente com a 
conversão do piruvato, último intermediário da gli-
cólise, em lactato. Note que a glicólise envolve a con-
versão da glicose, que tem seis carbonos, em piruvato, 
que tem três carbonos. Por isso que cada molécula de 
glicose é capaz de formar duas moléculas de piruvato 
(MAUGHAN; GLEESON; GREEENHAFF, 2000). 
ATP ADP
ATPADP
Trabalho biológico
Mecânico
Químico
Transporte
PCr + Cr +
+ Pi + Energia
ATPase
creatinoquinase
Figura 8 - Papel da hidrólise da creatina-fosfato na geração de trabalho
Fonte: McArdle, Katch e Katch (2011, p. 142).
Uma segunda via metabólica capaz de produzir ATP 
rapidamente sem o envolvimento de O2 é denomina-
da glicólise. A glicólise envolve a quebra de glicose 
ou glicogênio para formação de duas moléculas de 
piruvato, que na ausência de oxigênio serão conver-
tidas em duas moléculas de lactato. De forma sim-
plificada, a glicólise é uma via anaeróbia usada para 
transferir energia das ligações existentes na molécula 
de glicose para unir a adenosina difosfato (o ADP) 
com o fosfato inorgânico (Pi) formando ATP. Esse 
processo envolve uma série de reações químicas (dez 
reações até piruvato, e uma última que converte pi-
ruvato em lactato) que ocorrem exclusivamente no 
citoplasma da célula e promove um ganho líquido de 
duas moléculas de ATP (NELSON; COX, 2014).
Figura 9 - Glicólise
Fonte: Powers e Howley (2014, p. 52).
24 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
Uma pergunta que você deve estar 
fazendo seria: se o ATP já foi pro-
duzido, por que formar o lactato? 
Sabemos que na via glicolítica, o 
transportador de elétrons NAD+ 
(nicotinamida adenina dinucleo-
tídeo) recebe elétrons e é reduzido 
à sua forma NADH (nicotinamida 
adenina dinucleotídeo reduzido) 
(reação 6 da glicólise), que, neces-
sariamente, deveria entrar na mito-
côndria e doar estes elétrons para a 
cadeia transportadora de elétrons, 
processo este que só ocorre na pre-
sença de oxigênio. Na ausência de 
oxigênio, para que não haja o acú-
mulo de NADH no citoplasma das 
células (que seria prejudicial/tóxico 
para a célula), o piruvato aceita os 
elétrons, sendo convertido em lac-
tato (Figura 11) (McARDLE; KAT-
CH; KATCH, 2011).
Como não há o envolvimento 
direto do oxigênio na glicólise, a 
via é considerada anaeróbia, entre-
tanto, na presença de oxigênio na 
mitocôndria, o piruvato pode par-
ticipar da produção aeróbia de ATP. 
Dessa forma, além de ser uma via 
capaz de produzir ATP sem oxigê-
nio, a glicólise pode ser considerada 
a primeira etapa da degradação ae-
róbia de carboidratos.
hexoquinase
fosforilase
fosfofrutoquinase
Glicogênio
H H
H
H
OH OH
OH
Glicose
Glicose 6-fosfato
frutose
6-fosfato
frutose 1,6-fosfato
3- fosfogliceraldeído
Aldose
3- fosfogliceraldeído
fosfato de
di-hidroxiacetona
glicose-fosfato
isomerase
HO
CH2OH
H
O
ATP
ADP
ATP
ADP
NADH +
NAD+
1
2
3
4
P P
triosefosfato
isomerase
5
ATP
ADP
NADH +
NAD+
ATP
ADP
ATP
ADP
ATP
ADP
gliceraldeído 3- fosfato
desidrogenase
6
fosfogliceratoquinase
7
fosfogliceromutase
8
enolase
9
piruvatoquinase
10
1,3- difosfoglicerato
3- fosfoglicerato
Para a cadeia
de transporte
de elétrons
Para a cadeia
de transporte
de elétrons
2- fosfoglicerato
fosfoenolpiruvato fosfoenolpiruvato
2- fosfoglicerato
3- fosfoglicerato
1,3- difosfoglicerato
Lactato Piruvato COO
-
C O
CH3
COO-
C OH
CH3
OH desidrogenase
láctica
Lactato PiruvatoCOO
-
C O
CH3
COO-
C OH
CH3
OHdesidrogenase
láctica
H
H
HO
OH
HO
CH2H2C
H20H20
Figura 10 - Visão geral da glicólise com suas 10 reações representadas 
Fonte: McArdle, Katch e Katch (2011, p. 150).
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 25
Figura 11 - Formação do lactato: passo final da glicólise anaeróbia
Fonte: McArdle, Katch e Katch (2011, p. 152).
26 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
PRODUÇÃO AERÓBIA DE ATP
A produção aeróbia de ATP ocorre dentro da mito-
côndria e envolve a interação de duas vias metabóli-
cas cooperativas: 1) o ciclo do ácido cítrico (antigo 
ciclo de Krebs) e 2) a cadeia transportadora de elé-
trons. A função primária do ciclo do ácido cítrico é 
completar a oxidação de carboidratos, gorduras ou 
proteínas, usando o NAD+ e o FAD como transpor-
tadores de elétrons que serão enviados para a cadeia 
transportadora de elétrons onde os doarão para os 
componentes dessa via. O oxigênio não participa das 
reações do ciclo do ácido cítrico e é utilizado ape-
nas na cadeia respiratória como o último aceptor 
de elétrons, sendo convertido em H2O (Figura 12) 
(McARDLE; KATCH; KATCH, 2011). 
Figura 12 - Integração das vias dos diferentes substratos energéticos no ciclo do ácido cítrico
Fonte: McArdle, Katch e Katch (2011, p. 148).
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 27
Figura 13 - Ciclo do ácido cítrico
Fonte: McArdle, Katch e Katch (2011, p. 155).
Ciclo do ácido cítrico
A entrada no ciclo do ácido cí-
trico requer a formação de uma 
molécula de dois carbonos de-
nominada Acetil-CoA, que pode 
ser formada a partir da quebra 
dos carboidratos, das gorduras ou 
proteínas (McARDLE; KATCH; 
KATCH, 2011). Dando um enfo-
que inicial sobre os carboidratos, 
sabemos que pela via glicolítica a 
glicose é convertida em piruvato. 
Este, na presença de oxigênio, ao 
invés de ser convertido em lactato 
(conforme visto anteriormente), 
será quebrado em Acetil-CoA, 
que, em seguida, se combinará 
com o oxaloacetato para formar o 
citrato, compreendendo a primei-
ra reação do ciclo do ácido cítrico. 
Posteriormente, um conjunto de 
sete reações será responsável por 
ressintetizar o oxaloacetato e ao 
mesmo tempo formar três molé-
culas de NADH, uma molécula de 
FADH2 e uma molécula de GTP 
(que será convertido em ATP). 
Para cada molécula de glicose que 
entra na glicólise, duas moléculas 
de piruvato sãoformadas, dando 
origem a duas moléculas de acetil-
-CoA que girará o ciclo do ácido 
cítrico duas vezes (figura 13) (DE-
VLIN, 2011).
28 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
Até aqui enfocamos o papel dos carboidratos na pro-
dução de acetil-CoA para a entrada no ciclo do ácido 
cítrico, porém, como as gorduras podem ser utiliza-
das? Se nos lembrarmos do tópico “substratos ener-
géticos”, recordaremos que um dos tipos de gordura 
presente no nosso corpo é o triglicerídeo. Este, após 
sofrer a ação de lipases (enzimas que quebram as 
ligações químicas existentes nos triglicerídeos), li-
bera moléculas de ácido graxo e de glicerol. Os áci-
dos graxos, após passar por um conjunto de reações 
químicas (beta-oxidação), resultará em moléculas de 
acetil-CoA que serão utilizadas tal qual o acetil-CoA 
proveniente do piruvato (Figura 14) (DEVLIN, 2011).
Figura 14 - Papel dos lípidos como fonte de energia
Fonte: McArdle, Katch e Katch (2011, p. 158).
Em relação às proteínas, conforme mencionado 
anteriormente, elas não são consideradas uma fon-
te de combustível importante durante o exercício, 
contribuindo para apenas 2-15% do combustível 
utilizado. As proteínas conseguem entrar nas vias 
bioenergéticas em diversos locais. Entretanto, a pri-
meira etapa é a quebra da proteína em aminoáci-
dos. Os eventos subsequentes dependem de quais 
aminoácidos estão envolvidos. Alguns aminoáci-
dos, por exemplo, podem ser convertidos em gli-
cose ou piruvato, enquanto outros são convertidos 
em acetil-CoA, e outros, ainda, em intermediários 
do ciclo do ácido cítrico (Figura 15) (MAUGHAN; 
GLEESON; GREEENHAFF, 2000).
Em resumo, o ciclo do ácido cítrico completa a 
oxidação dos carboidratos, gorduras ou proteínas, 
produz CO2 e fornece elétrons que serão passados 
pela cadeia de transporte de elétrons para forne-
cer energia destinada à produção aeróbia de ATP 
(Figura 15). As enzimas catalisadoras das reações 
do ciclo do ácido cítrico estão localizadas dentro 
das mitocôndrias.
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 29
Figura 15 - Papel dos aminoácidos como fonte de energia
Fonte: McArdle, Katch e Katch (2011, p. 164).
30 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
Cadeia transportadora de elétrons
A produção aeróbia de ATP é possível graças a um 
mecanismo que usa a energia potencial disponível 
nos transportadores de elétrons reduzido, como o 
NADH e o FADH2, para fosforilar o ADP em ATP. 
Os transportadores de elétrons reduzidos não rea-
gem diretamente com o oxigênio. Em vez disso, os 
elétrons removidos dos átomos de hidrogênio pas-
sam por uma série de proteínas (complexo I, II, III 
e IV) e ao final destes é doado ao O2 (Figura 16) 
(NELSON; COX, 2014).
Figura 16 - Cadeia transportadora de elétrons
Fonte: McArdle, Katch e Katch (2011, p. 154).
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 31
Como o ATP é formado? A resposta para isso é, 
atualmente, explicada por uma teoria chamada de 
teoria quimiosmótica. Essa teoria aponta que con-
forme os elétrons são passados de um complexo ao 
outro da cadeia respiratória, íons hidrogênio são en-
viados para o espaço intermembrana existente en-
tre a membrana mitocondrial interna e membrana 
mitocondrial externa. Com isso, cria-se um gradien-
te elétrico e um gradiente químico entre o espaço 
intermembranas e a matriz mitocondrial. Elétrico 
devido à carga positiva existente nos íons hidrogê-
nio, e a negatividade da matriz mitocondrial; quí-
mico devido a maior concentração de íons hidrogê-
nio presente no espaço intermembranas em relação 
à matriz mitocondrial. Após criado esse gradiente, 
quando os íons hidrogênios são devolvidos para a 
matriz mitocondrial, a energia cinética associada e 
este retorno é canalizada por uma proteína (deno-
minada de complexo V, ou complexo da ATP sinta-
se) e utilizada para unir uma molécula de ADP com 
uma molécula de Pi, formando o ATP (Figura 17) 
(DEVLIN, 2011; NELSON; COX, 2014). 
Tecido adiposo marrom: Você sabia que exis-
tem dois tipos de tecido adiposo no corpo 
humano? Muitos de nós conhecemos apenas 
o chamado tecido adiposo branco, constituído 
por células adiposas especializadas (entre 
outras funções) no armazenamento de ener-
gia excedente. Além deste, também apresen-
tamos um segundo tipo de tecido adiposo 
denominado de tecido adiposo marrom, que 
ao invés de acumular, gasta energia. Sabemos 
que esta capacidade é possível devido a uma 
grande quantidade de mitocôndrias que, ao 
invés de apresentarem o complexo V da ca-
deia respiratória, tem uma proteína chamada 
de UCP (uncoupling protein). Infelizmente, seus 
níveis em humanos são muito reduzidos em 
comparação aos demais mamíferos, espe-
cialmente na fase adulta, sendo seu papel de 
pouco signifi cado no gasto energético diário. 
Fonte: Nelson e Cox (2014).
SAIBA MAIS
32 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
Exemplificando, este acúmulo de H+ no espaço 
intermembranas é similar à energia potencial da 
água armazenada em uma barragem de uma repre-
sa. Quando abrem-se as comportas e giram-se as 
turbinas, a energia cinética da passagem da água 
através das turbinas é canalizada e convertida em 
energia elétrica.
De uma forma geral, cada elétron doado ao com-
plexo I pelo NADH cria um gradiente eletroquímico 
suficiente para produção de aproximadamente 2,5 
moléculas de ATP, enquanto cada elétron doado ao 
complexo II pelo FADH2 cria um gradiente eletro-
químico suficiente para produção de aproximada-
mente 1,5 moléculas de ATP (NELSON; COX, 2014).
Figura 17 - Teoria quimiosmótica
Fonte: Powers e Howley (2014, p. 59).
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 33
Então, por que o oxigênio é essencial à produ-
ção aeróbia de ATP? O propósito da cadeia trans-
portadora de elétrons é fazer os elétrons passarem 
por uma série de proteínas ao longo dos complexos 
que são reduzidas (quando recebem os elétrons) e 
oxidadas (quando passam esses elétrons adiante). Se 
a última proteína desse processo não fosse capaz de 
se oxidar, ou seja, não tivesse como passar o elétron 
adiante, não seria possível que essa proteína recebes-
se elétrons novamente e o processo seria interrom-
pido. Entretanto, na presença de oxigênio, o elétron 
é doado a este. Ou seja, o oxigênio que respiramos 
permite dar continuidade à cadeia transportadora 
de elétrons ao atuar como aceptor final de elétrons. 
Essa molécula aceita dois elétrons, reduzindo-se e, 
então, se liga a dois íons hidrogênio formando a mo-
lécula de água (H2O) (DEVLIN, 2011).
CÁLCULO DO ATP AERÓBIO
Hoje, é possível calcular a produção de ATP total 
decorrente da quebra aeróbia de glicose. Lembre-
se que a produção líquida de ATP da glicólise era 
de dois ATPs por molécula de glicose. Além disso, 
quando o oxigênio está presente, as duas moléculas 
de NADH produzidas na glicólise podem, então, 
ser transportadas para dentro da mitocôndria e re-
sultar em mais cinco moléculas de ATP. Ainda no 
processo de conversão de piruvato em acetil-CoA, 
forma-se mais um NADH para cada piruvato, to-
talizando 2 NADHs (pois temos 2 piruvatos pro-
venientes da glicose), levando a mais cinco molé-
culas de ATP formadas. Em adição, ao passar pelo 
ciclo do ácido cítrico, cada molécula de acetil-CoA 
forma três moléculas de NADH (como temos duas 
moléculas de acetil-CoA, teremos seis moléculas 
de NADH formadas, totalizando quinze ATPs), 
uma de FADH2 (logo, teremos duas moléculas de 
FADH2 formadas, resultando em três moléculas de 
ATP) e um GTP (no caso, um para cada acetil-CoA, 
totalizando duas moléculas de GTP que serão con-
vertidas em duas moléculas de ATP). Ao final do 
processo, teremos um montante de 32 moléculas 
de ATP para cada molécula de glicose oxidada, um 
valor 16 vezes maior do que o rendimento líquido 
da glicólise por via anaeróbia.
34 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
O exercício impõe um sério desafi o às vias bioe-
nergéticas da musculatura que trabalha. Durante o 
exercício intenso, o gasto energético corporal total 
pode aumentar 25 vezes acima do gasto observado 
em repouso, sendo a maior parte desse aumento 
usada no fornecimento de ATP para contraçãodos 
músculos esqueléticos, podendo aumentar o uso de 
ATP por estes em até 200 vezes em relação ao utili-
zado em repouso. Nesta etapa, iniciaremos com uma 
discussão sobre as necessidades energéticas do cor-
po em repouso, seguida do estudo destas necessida-
des após o início do exercício.
Metabolismo do Exercício
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 35
NECESSIDADE ENERGÉTICA DURANTE O 
REPOUSO
Em condições de repouso, o corpo humano saudável 
está em homeostasia e, dessa forma, a necessidade 
energética corporal é igualmente constante. Em re-
pouso, quase 100% da energia requerida para manter 
as funções corporais é produzida por metabolismo 
aeróbio. A isso sucede que níveis de lactato sanguí-
neo em repouso são estáveis e baixos, próximos a 1 
mmol/L de sangue (MAUGHAN; GLEESON; GRE-
EENHAFF, 2000).
Como a mensuração do consumo de oxigênio é 
um índice de produção aeróbia de ATP, a mensu-
ração do consumo de oxigênio em repouso fornece 
uma estimativa da necessidade energética basal cor-
poral. Em repouso, a necessidade energética total de 
um indivíduo é relativamente baixa. Um jovem adul-
to de 70kg, por exemplo, consome cerca de 3,5ml 
de oxigênio/kg de peso em um minuto (McARDLE; 
KATCH; KATCH, 2011).
TRANSIÇÃO DO REPOUSO AO EXERCÍCIO
Quando saímos da condição do repouso para a 
condição exercício, as necessidades energéticas 
também aumentam e com ela o consumo de oxi-
gênio. Porém, durante esta fase de transição, o au-
mento do consumo de oxigênio não é proporcional 
à nova demanda energética do organismo. Desta 
maneira, até o corpo atingir o estado estável (perí-
odo em que o corpo se readequou à nova demanda 
e é capaz de fornecer oxigênio de forma satisfa-
tória), as fontes de energia anaeróbia contribuem 
para geração de ATP no início do exercício (Figura 
18) (POWERS; HOWLEY, 2014).
De fato, as evidências sugerem que no início do 
exercício o sistema ATP-PC é a primeira via bioe-
nergética a ser ativada, seguida da glicólise e, por 
fim, a produção de energia por via aeróbia. A efe-
tividade das vias anaeróbias é tão grande que mes-
mo que o uso de ATP se torne muito elevado, com o 
início do exercício, os níveis de ATP na musculatura 
permanecem praticamente inalterados. Conforme 
o consumo de O2 em estado estável é alcançado, as 
necessidades de ATP no corpo vão sendo atendidas 
pelo metabolismo aeróbio.
O principal ponto a ser enfatizado em relação à 
bioenergética das transições do repouso ao traba-
lho (exercício) é o envolvimento de vários sistemas 
Figura 18 - Déficit de oxigênio
Fonte: Powers e Howley (2014, p. 69).
Dé�cit de
O2
VO2 no estado estável
Tempo (minutos)
0,5
-2
1
2
2,5
3
3,5
-2 -2 0 1 2 3 4 5
VO2 em pé
VO
2 
(L
 • 
m
in
-1
)
36 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
energéticos. Em outras palavras, a energia necessá-
ria ao exercício não é fornecida pela simples ativa-
ção de uma via bioenergética isolada, e sim por uma 
mistura de vários sistemas metabólicos que atuam 
com uma considerável sobreposição (McARDLE; 
KATCH; KATCH, 2011).
O termo déficit de oxigênio é aplicado ao atra-
so do consumo de oxigênio que ocorre no início 
do exercício. Especificamente, o déficit de oxigê-
nio é definido pela diferença entre o consumo de 
O2 nos primeiros minutos de exercício e um perí-
odo equivalente após o estado estável ser alcançado 
(POWERS; HOWLEY, 2014).
O que causa o atraso no consumo de oxigênio no 
início do exercício? Existem duas hipóteses para tal. 
Primeiro foi sugerido que, no início do exercício, o 
suprimento de oxigênio disponível para os múscu-
los em contração é inadequado. Isso significa que, 
pelo menos em algumas mitocôndrias, ao menos em 
uma parte do tempo é possível que não haja molé-
culas de oxigênio disponíveis para aceitar elétrons 
ao final das cadeias de transporte de elétron. Nitida-
mente, se isso estiver correto, a taxa de fosforilação 
oxidativa e, portanto, todo o consumo de oxigênio 
corporal, seria restrito. A segunda hipótese sustenta 
a ocorrência de um atraso, pois os estímulos para 
fosforilação oxidativa demoram algum tempo para 
atingir seus níveis finais e produzir totalmente seus 
efeitos em uma dada intensidade de exercício. Sa-
be-se que a cadeia transportadora de elétrons é es-
timulada por ADP e Pi e no começo do exercício as 
concentrações de ADP e Pi estão meramente acima 
dos níveis de repouso, uma vez que a concentração 
de ATP está sendo mantida pela PC e glicólise acele-
rada. No entanto, chega um momento que estes dois 
compostos começam a aumentar e passam a sinali-
zar para que a cadeia transportadora de elétrons se 
torne mais ativa (POWERS; HOWLEY, 2014). 
Os indivíduos treinados atingem o estado está-
vel do VO2 mais rápido do que os indivíduos sem 
treinamento (Figura 19) e, como consequência, 
apresentam um déficit de oxigênio menor. Qual a 
explicação para essa diferença? Teoricamente, isso 
decorre de adaptações cardiovasculares e/ou mus-
culares induzidas pelo treinamento de resistência. 
Em termos práticos, isso significa que a produção 
aeróbia de ATP está ativa antes do início do exercí-
cio e acarreta uma produção menor de lactato e H+ 
no indivíduo treinado, em comparação ao indivíduo 
sem treinamento (McARDLE; KATCH; KATCH, 
2011; POWERS; HOWLEY, 2014).
Figura 19 - Indivíduos treinados atingem estado estável mais rápido
Fonte: McArdle, Katch e Katch (2011, p. 170).
0
0
20
15
10
5
2
Duração do exercício (min)
Re
po
us
oCo
ns
um
o 
de
 o
xi
gê
ni
o 
(m
l/k
g/
m
in
)
4 5 8 10
VO2 no
ritmo estável
Treinados
Destreinados
Dé�cit de oxigênio treinados
Dé�cit de oxigênio destreinados
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 37
RESPOSTAS METABÓLICAS 
NA FASE DE RECUPERAÇÃO 
DO EXERCÍCIO
Da mesma forma que a taxa meta-
bólica não aumenta instantanea-
mente com o início do exercício, ao 
finalizar uma sessão de treinamento, 
a taxa metabólica não cai instanta-
neamente, mas continua alta por 
algum tempo, variando esse tempo, 
principalmente, pela intensidade do 
exercício realizado.
A este consumo elevado de 
oxigênio após a interrupção do 
exercício físico damos o nome de 
consumo excessivo de oxigênio 
pós-esforço, o EPOC (do nome em 
inglês excess post-exercise oxygen 
consumption) (Figura 20). Estudos 
apontam que o EPOC poderia ser 
dividido em duas partes: 1) parte 
rápida, imediatamente subsequente 
ao exercício (cerca de 2-3 minutos 
após o exercício) e 2) parte lenta, 
que persiste por mais de 30 minu-
tos após o exercício (POWERS; 
HOWLEY, 2014).
Figura 20 - Consumo de oxigênio pós-esforço. a) Alcançar o estado estável durante o exercício 
resulta num EPOC curto. b) Não alcançar o estado estável durante o exercício resulta um 
EPOC prolongado.
Fonte: Powers e Howley (2014, p. 72).
3
2,5
2
-4 -2
(a)
(b)
0 2 4 6 8 10 12 14
1,5
VO
2 
(L
 • 
m
in
-1
)
VO2 em
repouso basal
Tempo (minutos)
O suprimento
de ATP aeróbio
atende à demanda
VO2 em estado estável
Componente rápido
Componente lento
EPOC
1
0,5
Dé�cit de O2
3
4
5
2,5
3,5
4,5
2
-4 -2 0 2 8 10 14 16 20
1,5
VO
2 
(L
 • 
m
in
-1
)
VO2 em
repouso basal
VO2 mais
alto alcançavel
Necessidade de O2
Componente rápido
Término do exercício
Componente
lento
EPOC1
0,5
4 6 12 2218
Dé�cit de O2
38 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
A restauração das reservas de PC e de oxigênio no 
músculo (O2 ligado à mioglobina) e no sangue (O2 
ligado à hemoglobina) é concluída em 2-3 minutos 
de recuperação e compreendem a parte rápida. Em 
adição, a temperatura corporal elevada, a gliconeo-
gênese para converter lactato em glicose, os níveis 
elevados de adrenalina e noradrenalina e os valores 
acima da normalidade de frequência cardíaca e fre-
quência respiratória seriam os influenciadores da 
fase lenta do EPOC.
tizar que a transição do sistema ATP-PC para uma 
maior dependência da glicólise durante o exercício 
não constitui uma alteração abrupta e sim uma mu-
dança gradual de uma via para outra (MAUGHAN; 
GLEESON; GREEENHAFF, 2000).
Os eventos com duração superior a 45 segun-
dos usamuma combinação de todos os três sistemas 
de energia (ATP-PC, glicólise anaeróbia e vias ae-
róbias). Em geral, o exercício intenso com duração 
aproximada de 60 segundos usa uma proporção de 
produção de energia anaeróbia/aeróbia de 70%/30%, 
enquanto os eventos com duração de 2-3 minutos 
empregam vias bioenergéticas anaeróbias e aeróbias 
praticamente na mesma proporção (50%/50%), para 
suprir o ATP necessário (MAUGHAN; GLEESON; 
GREEENHAFF, 2000).
Já a energia necessária à realização do exercício 
prolongado (duração superior a 10 minutos) é forne-
cida, primariamente, pelo metabolismo aeróbio. Um 
consumo de oxigênio em estado estável geralmente 
pode ser mantido durante o exercício submáximo, 
de intensidade moderada. Entretanto, essa regra 
apresenta duas exceções: 1) o exercício prolongado 
realizado em ambiente quente e úmido acarreta uma 
tendência crescente de consumo de oxigênio, invia-
bilizando a manutenção do estado estável, mesmo 
que a taxa de trabalho seja constante; 2) o exercício 
contínuo a uma taxa de trabalho relativamente alta 
(>75% VO2máx) ocasiona uma elevação lenta do 
consumo de oxigênio com o passar do tempo. Nas 
duas situações, o grande problema está na maior 
produção de adrenalina e noradrenalina (visto que o 
bloqueio da ligação desses hormônios ao seu recep-
tor por fármacos possibilita a manutenção do estado 
estável) e no maior aumento da temperatura corpo-
ral (POWERS; HOWLEY, 2014).
O que emagrece mais, alta intensidade e curta 
duração ou baixa intensidade e longa dura-
ção? Ambas as respostas são verdadeiras. 
Correto será escolher a que melhor se ade-
quar ao indivíduo. Não existe receita pronta! 
REFLITA
RESPOSTAS METABÓLICAS AO EXERCÍ-
CIO: INFLUÊNCIA DA DURAÇÃO E DA IN-
TENSIDADE
A energia usada para realizar um exercício de cur-
ta duração e alta intensidade é fornecida primaria-
mente pelas vias metabólicas anaeróbias, porém se 
a produção de ATP é dominada pelo sistema ATP-
-PC ou pela glicólise, depende primeiramente da 
duração da atividade. Em geral, o sistema ATP-PC 
pode suprir quase todas as necessidades de ATP 
para realização de trabalho em eventos com duração 
de 1-5 segundos. O exercício intenso com duração 
superior a 5 segundos começa a usar a capacidade 
de produção de ATP por glicólise. É preciso enfa-
 39
considerações finais
N
esta unidade, focamos no metabolismo energético e na síntese da 
forma estocável de energia no corpo, o ATP. Abordamos assuntos 
relacionados ao gasto energético diário, que remeteram grande im-
portância para quatro elementos básicos que envolvem tal condição e 
falamos sobre alguns fatores que podem refletir em maior ou menor gasto ener-
gético diário, por influenciar direta ou indiretamente um destes quatro fatores. 
Refletimos também sobre o papel dos diferentes substratos energéticos, além 
de descrevermos com algum detalhe os sistemas básicos de geração de energia 
por via anaeróbia e aeróbia, o que possibilita ao nosso corpo manter o processo 
de contração muscular na presença ou na ausência de quantidades adequadas de 
oxigênio, assim como a relação destes mecanismos com a intensidade do exercí-
cio e a possibilidade de mantê-los por um tempo maior ou menor (com os exer-
cícios anaeróbios durando menos tempo que os aeróbios).
Somado a estes quesitos, abordamos o papel de cada via metabólica nas di-
ferentes fases de uma sessão de exercício (déficit de oxigênio, exercício propria-
mente dito e recuperação pós-exercício), demonstrando o importante papel das 
vias aeróbias durante o repouso, das vias anaeróbias durante a fase de transição 
do repouso para o exercício e a permanência desta via para a ressíntese de ATP 
até a exaustão em esforços de alta intensidade, ou a transição para as vias aeróbias 
durante a realização de exercícios de longa duração. Além disso, ainda durante as 
fases da sessão de exercício, visualizamos o papel das vias aeróbias durante a fase 
de recuperação, em que o corpo consome muito oxigênio para restaurar elemen-
tos desgastados durante a sessão de treino. 
Espero que você, caro(a) aluno(a), tenha extraído o máximo possível de in-
formação desta unidade, e nos vemos na próxima. 
40 
atividades de estudo
1. Ao dormir ou permanecer realizando uma atividade sentado ou deitado, ape-
sar do baixo gasto energético, nosso corpo ainda assim precisa de energia. 
Baseado nesta colocação, incluindo todas as atividades passíveis de serem 
realizadas em repouso, qual a principal via de fornecimento de energia 
que permite a manutenção da realização desta atividade? 
a) Via glicolítica anaeróbia e vias aeróbias.
b) Via aeróbia e fosfocreatina.
c) Fosfocreatina e glicólise.
d) Vias aeróbias.
e) Vias anaeróbias e glicose.
2. Durante a fase de transição do repouso ao exercício, o organismo se encontra 
em déficit de oxigênio. Quais as vias metabólicas utilizadas nesta fase?
a) Via glicolítica anaeróbia e vias aeróbias.
b) Via aeróbia e fosfocreatina.
c) Fosfocreatina e glicólise anaeróbia.
d) Vias aeróbias.
e) Via anaeróbia e fosfocreatina.
3. Indivíduos que realizam exercícios físicos regularmente também apresen-
tam uma fase de déficit de oxigênio toda vez que inicia seu treino. Porém, ao 
contrário do que ocorre em indivíduos sedentários, este período de tempo é 
menor. Sabendo disso, quais os fatores que fazem com que o período 
de déficit de oxigênio sejam menores nos indivíduos treinados em re-
lação aos não treinados?
a) Adaptações nos sistemas cardiovascular e muscular.
b) Adaptações nos sistemas renal e nervoso.
c) Adaptações nos sistemas imune e reprodutor.
d) Adaptações nos sistemas cardiovascular e respiratório.
e) Adaptações nos sistemas cardiovascular e renal.
4. Quando terminamos uma sessão de exercício, o nosso corpo continua con-
sumindo mais oxigênio e gastando mais energia em comparação ao repouso 
por um determinado período de tempo. Esta fase compreende o EPOC. O 
EPOC pode ser dividido em uma fase rápida e uma fase lenta. Sendo assim, 
que condições influenciam a porção rápida do EPOC?
a) Frequência cardíaca e respiratória elevadas, níveis dos hormônios adre-
nalina e noradrenalina elevados.
 41
atividades de estudo
b) Remoção do lactato, ressíntese do ATP e recuperação das reservas de O2.
c) Ressíntese da PC e recuperação das reservas de O2 na mioglobina e 
hemoglobina.
d) Temperatura elevada e remoção do lactato da circulação.
e) Remoção de lactato, ressíntese do ATP e temperatura elevada.
5. Por que indivíduos correndo em clima quente e úmido apresentam um qua-
dro de fadiga precoce em relação a indivíduos que não o fazem, porém estão 
correndo na mesma intensidade?
a) Sabe-se que fatores como temperatura e umidade elevada, assim como 
correr próximo do limiar do lactato (85% do VO2max) são fatores que 
impedem a manutenção do estado estável, levando a fadiga precoce.
b) Provavelmente o nível de condicionamento dos indivíduos são diferentes.
c) Pelo fato do calor aumentar a transpiração e desidratar o indivíduo que 
tem que parar devido a sede.
d) Ocorre uma menor produção de adrenalina e noradrenalina e uma au-
mento da temperatura corporal.
e) Pelo fato de que a energia necessária à realização do exercício prolon-
gado é fornecida, primariamente, pelo metabolismo anaeróbio.
6. Na célula, onde ocorrerá a reação da fosfocreatina, glicólise, o ciclo do ácido 
cítrico e a cadeia transportadora de elétrons, respectivamente?
a) Citosol, Citosol, Citosol, Mitocôndrias.
b) Citosol, Mitocôndria, Mitocôndria, Mitocôndria.
c) Mitocôndria, Citosol, Mitocôndria, Mitocôndria.
d) Citosol, Citosol, Mitocôndria, Mitocôndria.
e) Citosol, Citosol, Mitocôndria, Citosol.
7. Quais os substratos energéticos utilizados, principalmente, nas seguintes mo-
dalidades esportivas: corrida de 100m, corrida de 400m e corrida de 10000m?
a) Fosfocreatina, fosfocreatina e glicólise anaeróbia.
b) Fosfocreatina, glicólise anaeróbia e vias aeróbias.
c) Vias aeróbias, glicólise anaeróbia e fosfocreatina.
d) Glicólise anaeróbica, vias aeróbicase fosfocreatina.
e) Vias anaeróbias, glicólise anaeróbia e vias aeróbicas.
42 
LEITURA
COMPLEMENTAR
Fatores que infl uenciam no gasto energético em exercício
Foram poucas as pesquisas de base sobre o metabolismo energético humano que procura-
ram abordar as necessidades de energia durante o exercício, particularmente, a infl uência 
de tamanho corporal, idade, sexo e destreza. Porém, atualmente sabemos que esses fato-
res intercorrentes desempenham uma importante fi nalidade para a prescrição do exercí-
cio, assim como para estimar o dispêndio de energia a fi m de ajustar o balanço energético 
para a perda de peso corporal.
Mahadeva e colaboradores realizaram um dos primeiros estudos de larga escala sobre o 
custo energético e que chamou a atenção para o dispêndio energético em duas formas 
comuns de exercício: subida e descida de um degrau (step), que produzem um trabalho 
externo mensurável para elevar a massa corporal, e a caminhada em um plano horizontal 
com uma velocidade constante. Os pesquisadores fi zeram múltiplas observações em 50 
homens e mulheres com 13 a 79 anos de idade, com diversas etnias, cujo peso corporal 
variava de 48 a 110 kg. As mensurações incluíram a medida do metabolismo basal e os 
estudos com exercício adotaram as mensurações do consumo de oxigênio por meio de um 
espirômetro portátil, realizando um protocolo de subida e descida em um banco com 25,4 
cm de altura num ritmo previamente defi nido por um metrônomo durante 10 minutos e 
uma caminhada numa pista por 10 minutos a 4,8 km/h.
Este estudo pioneiro foi um dos primeiros a demonstrar que o gasto energético variava 
diretamente com o peso corporal do indivíduo, sendo maior conforme maior o peso do 
indivíduo em atividades no qual o deslocamento do corpo é necessário (como caminhar 
de um ponto “a” até um ponto “b” ou subir e descer um degrau). Somado a isto, também 
observou que fatores como idade, sexo, etnia e a dieta previa a sessão de exercício que 
contribuía pouco no sentido de prever o dispêndio energético. 
Desta forma, devido aos resultados encontrados por Mahadeva e seus colaboradores, po-
demos, atualmente, prever com maior exatidão o dispêndio de energia durante uma cami-
nhada em ritmo estável, uma corrida ou um exercício de subida e descida de escada (além 
de qualquer outro que envolva deslocamento) com base apenas no conhecimento da in-
tensidade do exercício e da massa corporal do indivíduo, não requerendo o conhecimento 
de outras variáveis. 
Fonte: Mahadeva K. et al. (1953, p. 121, 225). 
 43
material complementar
Fisiologia do exercício: nutrição, energia e desempenho humano
 Willian D. McArdle, Frank I. Katch, Victor L Katch
Editora: Guanabara koogan
Sinopse: este livro traz uma abordagem muito ampla sobre os aspectos relaciona-
dos à bioenergética e ao metabolismo e sua relação com a nutrição e o exercício 
físico. Para aqueles que desejam aprofundar seus conhecimentos na relação entre 
as áreas do conhecimento nutrição e exercício é de grande valia a sua leitura.
Indicação para Ler
: este livro traz uma abordagem muito ampla sobre os aspectos relaciona-
dos à bioenergética e ao metabolismo e sua relação com a nutrição e o exercício 
físico. Para aqueles que desejam aprofundar seus conhecimentos na relação entre 
44 
referências
gabarito
DEVILIN, T. M. Manual de bioquímica com correlações clínicas. São Paulo: 
Blucher, 2011.
MAHADEVA, K.; et al. Individual variations in the metabolic cost of standardi-
zed exercises: the e� ects of food, age, sex and race. J Physiol 1953; 121: 225.
McARDLE, W. D.; KATCH, F. I.; KATCH, V. I. Fisiologia do exercício: nutrição, 
energia e desempenho humano. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. 
MAUGHAN, R. J.; BURKE, L. M. Nutrição esportiva. São Paulo: Artmed, 2004.
MAUGHAN, R.; GLEESON, M.; GREEENHAFF, P. L. Bioquímica do exercício 
e do treinamento. São Paulo: Manole, 2000.
NELSON, DL; COX, MM. Princípios de bioquímica de Lehninger. São Paulo: 
Artmed, 2014.
POWERS S., HOWLEY E. T. Fisiologia do exercício. São Paulo: Manole, 2014.
1. D
2. C
3. A
4. C
5. A
6. D
7. B
UNIDADEUNIDADE II
Professor Dr. Felipe Natali Almeida
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta 
unidade:
• Sistema cardiovascular 
• Funcionamento do sistema cardiovascular em exercício
• Sistema respiratório
• Resposta do sistema respiratório ao exercício físico
Objetivos de Aprendizagem
• Fornecer uma visão geral da estrutura e da função do 
sistema cardiovascular.
• Discutir o funcionamento do sistema cardiovascular 
durante o exercício físico.
• Entender a estrutura e função do sistema respiratório.
• Discutir as adaptações sofridas pelo sistema respiratório 
em exercício.
SISTEMAS FORNECEDORES DE OXIGÊNIO: 
SISTEMA CARDIOVASCULAR E 
RESPIRATÓRIO E SUA RELAÇÃO 
COM O EXERCÍCIO FÍSICO
 unidade 
II
INTRODUÇÃO
O
lá, seja bem-vindo(a) a esta segunda unidade de nosso livro 
de Fisiologia geral e do movimento. Neste momento, após ter-
mos aprendido sobre a geração de energia pelo organismo em 
nossa primeira unidade, trataremos de um outro importante 
assunto: a obtenção de oxigênio pelos tecidos corporais. Para tanto, o sis-
tema cardiovascular e respiratório trabalham em sintonia para poderem 
suprir as demandas corporais deste gás, nos possibilitando gerar energia 
de forma aeróbia (conforme visto na unidade anterior), assim como para 
eliminar efetivamente o gás carbônico, mantendo a homeostasia (equilí-
brio) corporal.
Além dos desafios impostos a estes dois sistemas durante o repou-
so, sabemos que durante o exercício temos um grande incremento da 
demanda muscular por oxigênio, visto que a necessidade de geração de 
energia (ATP) é muito maior quando estamos correndo, nadando, pe-
dalando, na academia, ou realizando qualquer outro exercício físico ao 
comparar com o estado de repouso. Sabemos que durante o exercício 
intenso, a demanda pode se tornar 15-25 vezes maior do que no repouso.
Diante disso, veremos ao longo desta unidade que o principal pro-
pósito do sistema cardiorrespiratório é distribuir quantidades adequadas 
de oxigênio e eliminar os resíduos formados nos tecidos corporais. Além 
disso, o sistema cardiovascular também atua transportando nutrientes e 
ajuda a regular a temperatura, enquanto o sistema respiratório atua como 
auxiliar no equilíbrio de ácidos e bases do corpo. 
É importante lembrar que o sistema respiratório e cardiovascular atu-
am como uma “unidade conjunta”, visto que o sistema respiratório adi-
ciona oxigênio e remove dióxido de carbono no sangue, enquanto o siste-
ma cardiovascular é responsável pela distribuição do sangue oxigenado e 
dos nutrientes aos tecidos, de acordo com suas necessidades. 
50 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
Sistema Cardiovascular
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 51
Vamos começar a discutir as formas como o corpo 
mantém o equilíbrio dos gases (em especial, man-
tendo o fornecimento adequado de oxigênio e a re-
moção do gás carbônico), algo que requer o funcio-
namento em conjunto do sistema cardiovascular e 
respiratório. Neste primeiro momento, iniciaremos 
com uma visão geral do sistema cardiovascular em 
repouso e, posteriormente, analisaremos a forma 
como este sistema funciona em exercício. 
ORGANIZAÇÃO DO SISTEMA CARDIO-
VASCULAR 
O sistema cardiovascular consiste em um sistema 
fechado por meio do qual o sangue circula por to-
dos os tecidos corporais. Basicamente, consiste em 
uma conexão contínua de uma bomba, um circuito 
de distribuição de alta pressão, canais de permuta 
e o circuito de coleta e de retorno de baixa pressão. 
Se forem estendidos em uma única linha, os apro-
ximadamente 160.000km de vasos sanguíneos de 
um adulto de tamanho médio circundariam a Terra 
cerca de quatro vezes (McARDLE; KATCH; KAT-
CH, 2011). Como dito, a circulação sanguínea re-
quer a ação de uma bomba muscular, o coração, que 
cria a força propulsora necessária para movimentar 
o sangue ao longo do sistema de vasos. O sangue 
viajapelo corpo saindo do coração pelas artérias e 
retornando pelas veias. Este sistema é considerado 
fechado porque as artérias e veias permanecem em 
continuidade entre si por meio de vasos menores. As 
artérias ramificam-se extensivamente para formar 
uma rede de vasos menores denominados arterío-
las, que continuam se ramificando em vasos meno-
res denominados de capilares. Estes são os meno-
res e mais numerosos vasos sanguíneos do corpo. 
A partir deste ponto, o sangue passa a retornar em 
sentido ao coração por meio do reagrupamento dos 
vasos capilares em vênulas. Conforme as vênulas se-
guem de volta ao coração, aumentam de tamanho 
e transformam-se em veias. As veias principais es-
vaziam-se no coração (POWERS; HOWLEY, 2014).
Coração 
O coração proporciona o impulso para o fluxo de 
sangue. Localizado na parte mediana da cavidade 
torácica, cerca de dois terços de sua massa ficam à 
esquerda da linha média do corpo. Esse órgão mus-
cular pesa cerca de 310g para um homem adulto de 
tamanho médio e 255g para uma mulher de tama-
nho médio e bombeia cerca de 70mL em cada bati-
mento, totalizando, em repouso, cerca de 7.200L/dia 
(McARDLE; KATCH; KATCH, 2011).
Está dividido em quatro câmaras e, frequente-
mente, é descrito como sendo duas bombas em uma. 
O átrio e ventrículo direitos formam a bomba direi-
ta, enquanto o átrio e ventrículo esquerdos consti-
tuem a bomba esquerda. Estes lados são separados 
por uma parede muscular denominadas de septo 
interatrial (entre átrios direito e esquerdo) e septo 
interventricular (entre ventrículos direito e esquer-
do), evitando que o sangue presente em cada um dos 
lados se misture. Funcionalmente, as câmaras ocas 
que compreendem cada lado do coração apresentam 
funções distintas (McARDLE; KATCH; KATCH, 
2011; POWERS; HOWLEY, 2014):
52 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
Valva pulmonar
Veia cava
superior
Átrio direito
Valva tricúspide
Ventrículo direito
Ventrículo esquerdoSepto
Artéria pulmonar
Veia pulmonar
Átrio esquerdo
Valva mitral
Valva aórtica
Figura 1 - Visão simplificada do coração: observe aqui a localização das valvas entre os átrios e ventrículos e entre os 
ventrículos e os grandes vasos 
• “coração direito”: responsável por receber o sangue que retorna de todas 
as partes do corpo (especificamente o átrio direito) e por bombear o san-
gue para os pulmões, para que possa ser oxigenado (especificamente o 
ventrículo direito);
• “coração esquerdo”: lado que recebe sangue oxigenado proveniente dos 
pulmões (átrio esquerdo) e que bombeia o sangue para a aorta a fim de ser 
distribuído por todo o corpo (ventrículo esquerdo).
No coração, o sangue move-se dos átrios para os ventrículos e, a partir disso, para 
dentro das artérias. Para prevenir o movimento retrógrado do sangue, o coração 
conta com quatro valvas, as atrioventriculares (que impedem o movimento retró-
grado do sangue do ventrículo de volta para os átrios), a valva semilunar aórtica 
(que impede o retorno do sangue da aorta para o ventrículo esquerdo) e a valva 
semilunar pulmonar (que impede o retorno de sangue das artérias pulmonares 
para o ventrículo direito) (Figura 1) (POWERS; HOWLEY, 2014).
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 53
Outra particularidade do tecido que compõe o coração é sua parede, subdividida 
em três camadas, sendo, de dentro para fora, denominadas de endocárdio, mio-
cárdio e epicárdio (para uma noção geral das três camadas, conforme a Figura 2). 
O endocárdio é a camada interna composta por células endoteliais que atuam 
como uma barreira entre o sangue presente dentro das câmaras cardíacas e a pa-
rede cardíaca. O miocárdio é a camada intermediária formada por células mus-
culares, sendo responsável pela contratilidade do coração e capaz de se adaptar às 
exigências impostas a ele hipertrofiando. Já o epicárdio, a camada mais externa, 
funciona como uma capa protetora e que também minimiza o atrito do coração 
com estruturas externas a ele (McARDLE; KATCH; KATCH, 2011).
Figura 2 - A parede do coração e suas três camadas
Fonte: Powers e Howley (2014, p. 192).
54 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
Circulação pulmonar e sistêmica
Também conhecidas como pequena e 
grande circulação, a circulação pulmo-
nar e sistêmica (respectivamente) tem 
características distintivas entre elas. A 
circulação pulmonar é restrita ao coração 
e pulmão e tem por fi nalidade a oxige-
nação do sangue e a remoção do dióxido 
de carbono presente nessa circulação. O 
sangue que retorna ao átrio direito por 
meio das grandes veias passa para o ven-
trículo direito e é ejetado para as artérias 
pulmonares, que o direciona ao pulmão 
para realização das trocas gasosas. Após 
esta etapa, o sangue oxigenado retorna 
ao átrio esquerdo pelas veias pulmonares. 
Note que nesta circulação temos sangue 
desoxigenado circulando por artérias e 
sangue oxigenado circulando por veias. Já 
a circulação sistêmica ocorre entre o co-
ração e os demais tecidos do organismo. 
Inicia-se com o sangue oxigenado fl uindo 
do átrio esquerdo para o ventrículo es-
querdo que ejeta este sangue para a aorta 
que irá distribuí-lo a todos os tecidos do 
corpo (Figura 3) (KENNEY; WILMORE; 
COSTILL, 2013).
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 55
Artéria carótida
interna
Artéria carótida
externa
Artéria carótida
comum
Artéria
braquiocefálica
Artéria axilar
Artéria
vertebral
Artéria
subclávia
Arco
aórtico
Aorta
ascendente
Aorta
torácica
Artéria
coronária
Artéria renal
Artéria
gonádica
Artéria
ilíaca comum
Artéria
ilíaca interna
Artéria
ilíaca externa
Artéria femoral
Artéria poplítea
Artéria tibial
anterior
Artéria tibial
posterior
Arco dorsal
Artéria braquial
Artéria radial
Artérias digitais
Artéria ulnar
Palmar profunda
Palmar super�cial
Artéria mesentérica
superior
Artéria mesentérica
inferior
Tronco celíaco:
Artéria esplênica
Artéria gástrica esquerda
Figura 3 - Visão geral da circulação pulmonar e 
sistêmica, associado uma uma visão geral dos ra-
mos da aorta, responsáveis por distribuir sangue 
para os demais tecidos que não o pulmão
Fonte: McArdle, Katch e Katch (2011, p. 314).
Volume sanguíneo
Área corporal ml %
Coração 360 7,2
Pulmões
Artérias 130 2,6
Capilares 110 2,2
Veias 200 4,0
Sistênica
Aorta, grandes Artérias 300 6,0
Pequenas Artérias 400 8,0
Capilares 300 6,0
Pequenas veias 2,300 46,0
Grandes Veias 900 18,00
Total 5,000 100,00
Veias provenientes
da parte superior
do corpo
Veia cava
superior
Aorta
Rins
Pernas
Cabeça e braços Artérias para a parte
superior do corpo
Artéria pulmonar
Veia porta
Veias
hepáticas
Veia cava
inferior
Veias
provenientes
da parte inferior
do corpo
Artérias para
 a parte inferior
do corpo
Canal
alimentar
Átrio
esquerdo
Artéria hepática
Ventrículo
direito
Ventrículo
esquerdo
Átrio
direito
Veia pulmonar
Pulmão Pulmão
56 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
Ciclo cardíaco
O ciclo cardíaco refere-se ao padrão repetitivo de 
contração e relaxamento do coração. A fase de con-
tração é denominada sístole e o período de relaxa-
mento é chamado de diástole. Átrios e ventrículos 
se contraem e relaxam. A contração atrial ocorre 
durante a diástole ventricular, enquanto o relaxa-
mento atrial ocorre durante a sístole ventricular. O 
coração, portanto, exibe uma ação de bombeamen-
to em duas etapas: primeiro, os átrios contraem-se 
juntos, esvaziando o sangue atrial dentro dos ven-
trículos e, num segundo momento (cerca de 0,1s 
após a contração atrial), os ventrículos contraem-
-se e distribuem o sangue para dentro dos circui-
tos sistêmico e pulmonar. Em repouso, a contração 
ventricular durante a sístole ejeta cerca de 2/3 do 
sangue contido nos ventrículos, deixando cerca de 
1/3 ainda nos ventrículos. Esses, então, enchem-se 
de sangue durante a diástole seguinte (POWERS; 
HOWLEY, 2014).
Para termos uma noção do tempo necessário 
para realização de cada ciclo, se apresentarmos uma 
frequência cardíaca de 75 batimentos por minuto, 
isso significa que o ciclo cardíaco total terá uma 
duração de 0,8 segundos (60s dividido por75 ba-
timentos), sendo que 0,5 segundos corresponderá à 
diástole e 0,3 segundos à sístole. Se os batimentos 
por minuto aumentarem (por exemplo, para cerca 
de 180 batimentos por minuto), observa-se uma re-
dução no tempo total de cada ciclo cardíaco que, em 
especial, sofrerá diminuição no tempo de diástole (a 
diminuição no tempo da sístole é menor) (Figura 4) 
(POWERS; HOWLEY, 2014).
Durante o ciclo cardíaco também ocorre alteração 
de pressão dentro das câmaras. De uma forma geral, 
sabemos que o fluxo sanguíneo sempre se direciona 
de um ambiente de maior pressão para um ambien-
te de menor pressão. Desta forma, quando os átrios 
estão relaxados, a pressão em seu interior é baixa, o 
que possibilita a entrada de sangue a partir do siste-
ma venoso. Conforme vai se enchendo, sua pressão 
aumenta e torna-se superior à pressão nos ventrícu-
los, momento que o sangue direciona-se para esta 
câmara. Conforme o sangue vai se direcionando 
para os ventrículos, a pressão ali vai aumentando 
também, o que direcionará o sangue para as artérias 
(KENNEY; WILMORE; COSTILL, 2013).
Pressão arterial
O sangue exerce pressão ao longo de todo o sistema 
vascular, contudo esta pressão é mais intensa junto 
às artérias, onde, em geral, é medida. Logo, a pressão 
arterial consiste na força exercida pelo sangue con-
tra a parede das artérias, sendo influenciada pelos 
seguintes fatores: a) volume sanguíneo; b) frequên-
cia cardíaca; c) volume de ejeção; d) resistência vas-
cular periférica; e) viscosidade sanguínea. Todos os 
fatores são diretamente proporcionais aos valores da 
pressão arterial, ou seja, um aumento em qualquer 
um destes levará a um aumento na pressão arterial 
Sístole
Sístole
Diástole
Diástole
0,5 segundo0,3 segundo
0,13 segundo0,2 segundo
Repouso
Frequência cardíaca = 75 bpm
Exercício intenso
Frequência cardíaca = 180 bpm
Figura 4 - Tempo do ciclo cardíaco em repouso e exercício
Fonte: Powers e Howley (2014, p. 194).
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 57
e uma redução em qualquer um destes levará a uma 
queda na pressão arterial (HALL, 2012).
A pressão arterial pode ser estimada com o uso 
de um esfigmomanômetro. A pressão arterial nor-
mal de um homem adulto é de 120/80 mmHg (milí-
metros de mercúrio), enquanto a pressão de mulhe-
res tende a ser um pouco mais baixa (110/70mmHg). 
O número maior, em geral, refere-se à pressão arte-
rial sistólica, sendo a pressão gerada durante a sís-
tole ventricular. Durante o relaxamento ventricular 
(diástole), a pressão arterial diminui e representa a 
pressão arterial diastólica (geralmente o valor mais 
baixo) (POWERS; HOWLEY, 2014).
A regulação a curto prazo é realizada pelo sis-
tema nervoso simpático e, de uma forma resumida, 
ocorre da seguinte maneira: uma queda na pressão 
arterial (que pode ocorrer durante um quadro de 
desidratação, por exemplo, devido à diminuição do 
volume sanguíneo associada) será sinalizada ao sis-
tema nervoso central que ativará o sistema nervo-
so simpático, aumentando a frequência cardíaca, a 
força de contração do coração (aumentando o vo-
lume de ejeção) e a resistência vascular periférica, 
resultando no aumento da pressão arterial. Já um 
aumento na pressão arterial (resultante de um susto, 
ou durante o exercício, por exemplo) ao ser sinaliza-
do no sistema nervoso central, levará a um bloqueio 
do sistema nervoso simpático, reduzindo a pressão 
arterial. Em relação à regulação a longo prazo, ela 
é dependente dos rins, que regulam a pressão ar-
terial controlando o volume sanguíneo (POWERS; 
HOWLEY, 2014).
Quando estes mecanismos não são eficientes, 
a pressão arterial pode permanecer cronicamente 
alta (denominada hipertensão arterial), sendo ca-
racterizada, assim, com pressão arterial acima de 
140/90mmHg. A hipertensão é classificada em uma 
dentre duas categorias: 1) hipertensão primária ou 
essencial; 2) hipertensão secundária. A causa de hi-
pertensão primária é multifatorial, ou seja, existem 
vários fatores cujos efeitos combinados produzem a 
hipertensão. Constitui cerca de 90-95% de todos os 
casos relatados da doença. Já a hipertensão secun-
dária resulta de alguns processos patológicos com-
provados e, portanto, é secundária a outra doença 
e, ao contrário da hipertensão primária que não 
apresenta resolução (apenas controle), a hipertensão 
secundária é “curada” a partir do momento que se 
trata da doença que levou ao seu desenvolvimento 
(McARDLE; KATCH; KATCH, 2011).
Ao longo de um dia, a pressão arterial não perma-
nece igual, ou seja, ela apresenta oscilações de acor-
do com os eventos passados nas 24 horas. Sendo 
assim, como essas oscilações ocorrem? Conforme 
visto anteriormente, a pressão arterial é dependente 
de cinco fatores e variações, em qualquer um deles 
resultará em modificações na pressão. Porém, esta 
pressão não pode permanecer alta ou baixa durante 
todo o tempo. Para tanto, apresentamos mecanis-
mos de regulação da pressão arterial, denominados 
de mecanismos de regulação aguda (curto prazo) e 
de regulação a longo prazo. 
58 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
Atividade elétrica do coração
Não sei se você já reparou, mas você não precisa 
enviar um sinal consciente para o coração contrair 
e relaxar. Ele bate, acelera e desacelera sem o seu 
“consentimento”. Isso só é possível devido a um sis-
tema formado por células especializadas presente na 
constituição do coração, responsável pela geração da 
atividade elétrica que levará, ao final do processo, no 
batimento cardíaco.
No coração normal, a atividade elétrica espontâ-
nea limita-se a uma região específica localizada no 
átrio direito chamada de nodo sinoatrial (nodo SA), 
que atua como um marcapasso cardíaco. Quando o 
nodo SA atinge o limiar de despolarização e dispara, 
a onda de despolarização dissemina-se ao longo dos 
átrios e resulta na contração atrial. A onda de despo-
larização atrial não pode atravessar diretamente para 
dentro dos ventrículos, mas deve ser transportado 
por meio de um condutor especializado. Este tecido 
condutor irradia a partir de uma pequena massa de 
células denominada de nodo atrioventricular (nodo 
AV). Esse nodo distribui esta informação aos ventrí-
culos por um par de vias condutoras denominadas 
de ramos direito e esquerdo (é importante ressaltar 
que a passagem da atividade elétrica pelo nodo AV 
é retardada em cerca de 0,1 segundo, tempo neces-
sário para que os ventrículos se encham antes que a 
informação elétrica, que irá levá-lo à despolarização 
e contração, chegue). Ao chegarem nos ventrículos, 
estas vias condutoras se ramificam em fibras meno-
res denominadas de fibras de Purkinje, que espa-
lham a onda de despolarização por todo o ventrícu-
lo, levando à completa contração do coração (Figura 
5) (POWERS; HOWLEY, 2014).
A hipertensão arterial é definida como o au-
mento contínuo da pressão arterial acima 
dos valores de 140mmHg para pressão arte-
rial sistólica e 90mmHg para pressão arterial 
diastólica. Inúmeras são as estratégias farma-
cológicas para o seu tratamento, porém nós 
da área da educação física devemos entender 
o papel do exercício físico como um agente 
terapêutico. De uma forma geral, os efeitos 
benéficos do exercício físico envolvem, primei-
ramente, a prevenção da instalação da hiper-
tensão arterial e, após instalada, o tratamento 
inicial do indivíduo hipertenso, visando evitar 
o uso ou reduzir o número de medicamentos 
e de suas doses. Em indivíduos sedentários e 
hipertensos, reduções clinicamente significa-
tivas na pressão arterial podem ser consegui-
das com o aumento relativamente modesto 
na quantidade de atividade física realizada 
semanalmente. 
Fonte: Monteiro (2004). 
SAIBA MAIS
Nodo atrioventricular
Nodo 
sinoatrial
Ramo direito 
Fibras de Purkinje
ramo esquerdo
Feixe de His
Figura 5 - Sistema de condução elétrico do coração
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 59
Débito cardíaco
O débito cardíaco é o produto da frequência cardí-
aca (FC) pelo volume sistólico (VS - quantidade de 
sangue bombeada por batimento cardíaco). Desta 
forma,o débito cardíaco pode aumentar em decor-
rência da elevação da frequência cardíaca e/ou do 
volume sistólico. A Tabela 1 apresenta valores de 
débito cardíaco em repouso e exercício de pessoas 
sedentárias e treinadas.
Tabela 1 − Débito cardíaco: observe os valores de débito cardíaco entre indivíduos sedentário e treinados nas 
condições repouso e exercício e identifique as variações na FC e VS entre eles
Indivíduo FC (batimentos/min)
VS 
(mL/batimento)
Q 
(L/min)
Repouso
Homem sem treinamento 72 x 70 = 5,00
Mulher sem treinamento 75 x 60 = 4,50
Homem treinado 50 x 100 = 5,00
Mulher treinada 55 x 80 = 4,40
Exercício máximo
Homem sem treinamento 200 x 110 = 22,0
Mulher sem treinamento 200 x 90 = 18,0
Homem treinado 190 x 180 = 34,2
Mulher treinada 190 x 125 = 23,8
Fonte: Powers e Howley (2014, p. 201).
Basicamente, quando pensamos no controle das variá-
veis que influenciam no débito cardíaco, sabemos que 
a frequência cardíaca é influenciada principalmente 
pela atividade do sistema nervoso autônomo, no qual 
a porção parassimpática resulta numa diminuição e a 
porção simpática leva ao seu aumento (HALL, 2012). 
Já o volume sistólico depende de três fatores princi-
pais: 1) enchimento das câmaras ventriculares; 2) 
resistência à saída do sangue do coração; 3) força de 
contração do coração. De uma forma geral, sabemos 
que quanto maior o enchimento ventricular e maior 
a força de contração, maior será o volume sistólico e 
quanto menor for a resistência à saída do sangue do 
coração, maior será o volume sistólico (HALL, 2012).
60 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
Agora que já conhecemos o funcionamento do sistema cardiovascular em re-
pouso, trataremos das alterações ocorridas no momento em que começamos 
a nos exercitar, necessárias para suprir o organismo com a nova demanda de 
oxigênio e energia.
ALTERAÇÕES DO DÉBITO CARDÍACO EM EXERCÍCIO
O débito cardíaco aumenta durante o exercício de forma diretamente proporcional 
à taxa metabólica necessária à realização do exercício. De acordo com a Figura 6, 
podemos observar que a relação existente entre o débito cardíaco e o percentual de 
consumo máximo de oxigênio (representado pela diferença de oxigênio arterio-
venosa) é essencialmente linear. Isso signifi ca que quanto maior a necessidade de 
oxigênio pelo corpo, mais o sistema cardiovascular tem que trabalhar, aumentan-
do, assim, a frequência cardíaca, o volume sistólico e o débito cardíaco.
Funcionamento do Sistema
Cardiovascular em Exercício
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 61
sem treinamento ou moderadamente treinados, o 
volume sistólico não aumenta além de uma carga 
de trabalho de 40-60% do VO2máx. Portanto, em 
taxas de trabalho maiores de 40-60% do VO2máx, 
a elevação do débito cardíaco destes indivíduos se 
dá por meio de elevações apenas da frequência car-
díaca. Porém, é importante salientar que em indi-
víduos treinados não ocorre este platô (POWERS; 
HOWLEY, 2014).
O débito cardíaco máximo tende a diminuir de 
modo linear tanto em homens quanto em mulheres 
após os 30 anos de idade, e isto se deve principalmen-
te a uma diminuição da frequência cardíaca máxima 
que ocorre com o avanço da idade (representado 
pela fórmula de Karvonen = 220-idade) (McARDLE; 
KATCH; KATCH, 2011).
 ALTERAÇÕES NO CONTEÚDO ARTERIO-
VENOSO MISTO DE OXIGÊNIO DURANTE 
O EXERCÍCIO
A diferença arteriovenosa de oxigênio representa 
a quantidade de oxigênio captada de 100mL de 
sangue pelos tecidos durante uma viagem pelo 
circuito sistêmico (Figura 6). Um aumento des-
sa diferença durante o exercício decorre de um 
aumento da quantidade de oxigênio captado e 
usado pela produção oxidativa de ATP pelo mús-
culo esquelético. A relação existente entre o débi-
to cardíaco (Q) e a diferença arteriovenosa (a-v)
O2 e o consumo de oxigênio é dada pela equação 
de Fick (VO2= Q x (a-v)O2), que relata, de for-
ma simplificada, que o VO2 é igual ao produto 
do débito cardíaco pela diferença arteriovenosa, 
significando que um aumento de qualquer um 
dos dois levará a um aumento do VO2 (POWERS; 
HOWLEY, 2014).
Figura 6 - Relação entre frequência cardíaca, volume sistólico, débito 
cardíaco e diferença arteriovenosa de oxigênio
Fonte: Powers e Howley (2014, p. 207).
O aumento do débito cardíaco que ocorre duran-
te o exercício realizado em posição vertical é me-
diado por um aumento do volume sistólico e da 
frequência cardíaca. Entretanto, em indivíduos 
Pr
es
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o 
ar
te
ria
l
(m
m
H
G
)
240
200
160
120
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Sistólica
Média
Diastólica
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200
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50
25 50 75 100
Percentual de VO2máx
40~40% V% VOO2máx
Vo
lu
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e 
si
st
ól
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L/
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140
120
100
80
25 50 75 100
62 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
REDISTRIBUIÇÃO DO FLUXO SANGUÍ-
NEO NO EXERCÍCIO
Para atender a demanda aumentada por oxigênio 
dos músculos esqueléticos durante o exercício, é ne-
cessário aumentar o fluxo sanguíneo para o músculo 
e, ao mesmo tempo, reduzir o fluxo sanguíneo para 
os órgãos menos ativos, como fígado, rins e trato 
gastrointestinal (Figura 7). Durante um exercício 
máximo, 80-85% do débito cardíaco total é destina-
do ao músculo esquelético, sendo que em repouso 
fica em torno de 15-20% (HALL, 2012).
Figura 7 - Redistribuição de fluxo sanguíneo entre os tecidos na condição repouso e exercício
Fonte: Powers e Howley (2014, p. 210).
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 63
FASES DO EXERCÍCIO E A RESPOSTA CAR-
DIOVASCULAR
As alterações nas variáveis cardiovasculares que 
ocorrem durante o exercício refletem o tipo e a 
intensidade de exercício realizado, a duração e as 
condições ambientais na qual o exercício está sen-
do realizado.
Influência emocional
O exercício submáximo realizado em uma atmosfera 
emocionalmente carregada resulta em frequências 
cardíacas e pressões arteriais mais altas, em com-
paração ao observado quando o mesmo trabalho é 
realizado em um ambiente emocionalmente neutro. 
Esta elevação se dá pelo incremento na atividade 
simpática ocorrido (POWERS; HOWLEY, 2014).
Transição do repouso para o exercício
No início do exercício, há um rápido aumento da 
frequência cardíaca, volume sistólico e débito car-
díaco. Se a taxa de trabalho for constante e estiver 
abaixo do limiar do lactato, um platô de estado es-
tável em termos de frequência cardíaca, volume sis-
tólico e débito cardíaco é alcançado dentro de 2-3 
minutos. Essa resposta é similar à observada no con-
sumo de oxigênio no início do exercício (POWERS; 
HOWLEY, 2014).
Recuperação do exercício
A recuperação do exercício de baixa intensidade e 
curta duração geralmente é rápida, com todas as 
variáveis cardiovasculares voltando rapidamente 
aos níveis de repouso após este tipo de exercício. 
Porém, esta velocidade é variável de um indivíduo 
para outro, com potências de recuperação melhores 
em indivíduos mais bem treinados em comparação 
àqueles sem treinamento. Já a recuperação do exer-
cício prolongado é bem mais lenta, sendo particu-
larmente válido quando o exercício é realizado sob 
condições de calor e umidade, pois a temperatura 
corporal elevada retarda a queda da frequência car-
díaca durante a recuperação do exercício (POWERS; 
HOWLEY, 2014).
Exercício incremental
As respostas cardiovasculares ao exercício incre-
mental dinâmico envolvem incrementos em fre-
quência cardíaca e débito cardíaco em proporção 
direta ao aumento no consumo de oxigênio pelos 
tecidos, assim como o aumento no fluxo sanguíneo 
sendo direcionado para o tecido. Isso garante que, 
conforme a necessidade de sintetizar ATP aumen-
te, o suprimento de oxigênio que chega ao músculo 
também aumenta. Entretanto, tanto o débito cardí-
aco quanto a frequência cardíaca atingem um platô 
em 100% do VO2máx, representando o teto máximo 
de oxigênio capaz de ser disponibilizado para a mus-
culatura (POWERS;HOWLEY, 2014).
O óxido nítrico é produzido no endotélio das 
arteríolas e promove o relaxamento da mus-
culatura lisa arteriolar, resultando em vasodi-
latação, com consequente aumento do fluxo 
sanguíneo. Porém, é degradado muito rápido. 
Sendo assim, devemos ou não utilizá-lo como 
agente de melhora de performance? 
REFLITA
64 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
Exercício intermitente
Quando o exercício é descontínuo (ex.: treinos in-
tervalados), a extensão da recuperação da frequên-
cia cardíaca e da pressão arterial entre cada série de 
exercícios depende do nível de condicionamento 
do indivíduo, das condições ambientais e da dura-
ção e intensidade do exercício. Com a realização 
de um esforço relativamente leve em um ambiente 
frio, em geral, há recuperação completa entre as sé-
ries de exercício em poucos minutos. Contudo, se 
o exercício for intenso ou o trabalho for realizado 
em um ambiente quente/úmido, há um aumento 
cumulativo da frequência cardíaca entre os esforços 
(POWERS; HOWLEY, 2014).
A morte súbita é definida como uma morte inesperada, natural e não violenta que ocorre nas primeiras 
seis horas após o aparecimento dos sintomas. Podem ocorrer durante a realização do exercício físico 
ou após a realização de exercício físico, dentro de um período de uma hora. Em geral, principalmente 
quando relacionado ao exercício, é de origem cardiovascular, sendo em indivíduos com menos de 30 
anos, geralmente resultante de um defeito genético e em pessoas com mais idade estão associadas 
em sua maioria com doença aterosclerótica. Porém, sabe-se que a combinação de uma história médica 
adequada com um exame médico completo realizado por um médico qualificado pode, geralmente, 
identificar indivíduos com cardiopatia não detectada ou defeitos genéticos que os colocariam em risco 
de terem morte súbita durante a prática de exercícios. Desta forma, reflita sobre o papel da avaliação 
médica aos praticantes de atividade física regular e/ou em novos ingressantes, independente da idade. 
Fonte: Bronzatto, Silva e Stein (2001, p. 163-169).
SAIBA MAIS
Exercício prolongado
Durante um exercício prolongado, observa-se 
a manutenção do débito cardíaco em um nível 
constante ao longo de toda a duração do exercí-
cio. Entretanto, conforme a duração do exercício 
aumenta, o volume sistólico declina e a frequên-
cia cardíaca aumenta. Isto ocorre, geralmente, 
pela diminuição do volume plasmático durante o 
exercício prolongado, que levará a uma redução 
do volume sistólico e consequente compensação 
pelo aumento da frequência cardíaca (POWERS; 
HOWLEY, 2014).
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 65
66 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
Agora que já estudamos o sistema cardiovascular, iremos abordar a estrutura e 
função do sistema respiratório para compreendermos a importância deste siste-
ma no fornecimento de oxigênio e na remoção do gás carbônico. 
Sistema Respiratório
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 67
ESTRUTURA DO SISTEMA RESPIRATÓRIO
O principal propósito do sistema respiratório é fornecer um meio de trocas gaso-
sas entre o ambiente externo e o corpo. Ou seja, o sistema respiratório fornece ao 
indivíduo um meio de repor oxigênio e de eliminar dióxido de carbono.
Para a realização de tal função, o sistema respiratório humano é composto 
por um grupo de passagens que filtram e transportam o ar até os pulmões, onde 
ocorrem as trocas gasosas no interior de microscópicos sacos aéreos chamados 
alvéolos (para uma revisão das estruturas que compõem o sistema respiratório, 
Figura 8) (HALL, 2012).
Seio frontal
Cavidade nasal
Palato duro
Narinas
Cavidade oral
Laringe
Brônquio
Palato mole
Faringe
Epiglote
Esôfago
Traqueia
Pulmão direito Pulmão esquerdo
Figura 8 - Visão geral das vias aéreas
Fonte: Powers e Howley (2014, p. 220).
68 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
FUNCIONAMENTO DO SISTEMA RESPI-
RATÓRIO: VENTILAÇÃO PULMONAR
A ventilação pulmonar envolve o movimento do ar 
para dentro e para fora dos pulmões por meio de 
um gradiente de pressão existente entre o interior 
dos pulmões e a atmosfera. Logo, quando a pres-
são é maior no interior dos pulmões em relação à 
atmosfera, o ar sai (expiração) e quando a pressão na 
atmosfera é maior do que a pressão no interior dos 
pulmões, o ar entra (inspiração) (HALL, 2012).
Durante a inspiração, alguns músculos estão 
envolvidos na diminuição da pressão pulmonar 
por provocarem a expansão da caixa torácica. 
Estes músculos, ditos músculos inspiratórios, en-
volvem o diafragma (principal músculo inspirató-
rio), os músculos intercostais externos e, durante 
o exercício ainda são solicitados músculos inspi-
ratórios adicionais, como o músculo peitoral, es-
ternocleidomastoideo, levantador da escápula, es-
calenos, entre outros, que aumentam ainda mais a 
expansibilidade torácica (TORTORA; DERRICK-
SON, 2010).
Figura 9 - Subdivisão das vias aéreas em zona condutora e zona respiratória. Em a), visão geral e b), visão anatômica das estruturas envolvidas
Fonte: Powers e Howley (2014 , p. 222 ).
A passagem do ar ao longo do sistema respiratório está dividida em duas zonas 
funcionais (Figura 9): a) zona condutora, pela qual o ar apenas passa (incluem 
traquéia, árvore brônquica e bronquíolos); b) zona respiratória, local onde ocor-
rem as trocas gasosas (incluem os bronquíolos respiratórios e os sacos alveolares).
Nome dos ramos
Número
de tubos
no ramo
2
4
8
16
8 x 106
1Traqueia
Zo
na
 c
on
du
to
ra
Z o
na
 re
sp
ira
tó
ria
Brônquios
Bronquíolos
Bronquíolos terminais
Bronquíolos respiratórios
Ductos alveolares
Sacos alveolares
32
6 x 104
5 x 105
Zona condutora
N
úm
er
o
de
 ra
m
os
Traqueia
Brônquio
primário
Árvore
brônquica
Bronquíolos
terminais
Sacos
alveolares
(8 milhões)
Bronquíolos
respiratórios
(500.000)
Bronquíolo terminal
Alvéolo
(60.000)
(2)
(1)
Zona respiratóriaa) b)
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 69
Já a expiração durante o repouso é um processo passivo, ou seja, sem a ne-
cessidade de contração de nenhuma musculatura, ocorrendo apenas pelo rela-
xamento das musculaturas inspiratórias. Porém, durante situações forçadas, tal 
qual durante o exercício, observamos a contração de musculaturas auxiliares, 
incluindo os músculos reto abdominal, músculos oblíquos interno e externo e 
músculo transverso abdominal (TORTORA; DERRICKSON, 2010).
FUNCIONAMENTO DO SISTEMA RESPIRATÓRIO: DIFUSÃO 
DOS GASES
Além do processo de entrada e saída de ar dos pulmões, estes precisam adentrar 
na circulação sanguínea para poderem ser disponibilizados a todos os demais 
tecidos corporais. Para que esta troca ocorra, os gases são trocados por um pro-
cesso denominado de difusão.
A difusão é um processo de troca de compostos (no caso em questão, gases) 
por meio de uma membrana permeável a eles, sem a necessidade de um trans-
portador, a favor do gradiente de concentração (ou seja, do local mais concentra-
do para o menos concentrado) e sem gasto de energia (HALL, 2011).
Dois são os locais no organismo onde ocorre esta troca: a) na zona respirató-
ria pulmonar; b) nos demais tecidos que requerem oxigênio. Na zona respirató-
ria, o sangue que entra em contato com esta região apresenta-se ricamente con-
centrado em CO2 e com uma baixa concentração de O2. Em contrapartida, o ar 
que foi inspirado e que se encontra no interior desta estrutura apresenta-se rico 
em O2 e com uma baixa quantidade de CO2. Desta forma, durante o processo de 
difusão e troca, o O2, mais concentrado na zona respiratória, passa para a circula-
ção sanguínea e será direcionado aos demais tecidos, e o CO2, mais concentrado 
no sangue que chegou naquela região, passa para o interior da zona respiratória 
e será exalado durante a expiração. Já nos tecidos, o sangue que chega até eles é 
rico em O2 e pobre em CO2, enquanto que os tecidos apresentam-se com uma 
baixa quantidade de O2 (usado para produção de ATP) e uma alta quantidade de 
CO2 (produto do metabolismo oxidativo). Desta forma, a difusão e troca nesta 
região ocorre com a entrada de O2 do sanguepara os tecidos e a saída de CO2 dos 
tecidos para o sangue (Figura 10) (TORTORA; DERRICKSON, 2010).
70 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
Figura 10 - Trocas gasosas existentes entre o sangue e os alvéolos pulmonares e entre o sangue e os tecidos corporais
Fonte: Powers e Howley (2014, p. 224).
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 71
FUNCIONAMENTO DO SISTEMA RES-
PIRATÓRIO: TRANSPORTE DE O2 E CO2 
NO SANGUE
Dois gases de extrema importância para a manuten-
ção do correto funcionamento corporal envolve o 
oxigênio e o gás carbônico. Porém, para que seus ní-
veis estejam adequados e para que possam ser elimi-
nados quando em excesso ou fornecidos aos tecidos 
que precisam deles, necessitam ser transportados no 
sangue, sendo que cada qual apresenta mecanismos 
de transporte específicos descritos a seguir.
Transporte de O2
O oxigênio é transportado na circulação sanguínea 
de duas maneiras: a) difundido no plasma; b) ligado 
à hemoglobina. Cerca de 2% de todo o oxigênio cir-
culante, na condição de repouso, encontra-se livre na 
circulação, enquanto 98% está ligado à hemoglobina, 
que acelera o processo de deslocamento do oxigênio 
de uma região a outra no organismo. Porém, sabemos 
que para que a difusão ocorra, apenas o oxigênio livre 
no plasma tem a liberdade de realizar esta troca, ne-
cessitando que ele se desligue da hemoglobina. Assim, 
sabe-se que alguns fatores diminuem a afinidade da 
hemoglobina pelo oxigênio, sendo chamada de disso-
ciação da hemoglobina com o oxigênio (HALL, 2012).
Os fatores que influenciam esta ligação são: os ní-
veis de oxigênio livres na circulação, os níveis de CO2 
presentes no corpo, o pH e a temperatura. Atualmen-
te, sabemos que níveis elevados de CO2, temperatura 
corporal aumentada, redução do pH e níveis baixos de 
oxigênio circulante diminuem a afinidade da hemo-
globina pelo oxigênio, ficando mais fácil de ocorrer o 
desligamento destes dois componentes. O contrário é 
verdadeiro no que tange um aumento da afinidade da 
hemoglobina pelo oxigênio (HALL, 2012).
Uma particularidade do transporte de oxigênio 
trata-se de quando o oxigênio encontra-se dentro 
do músculo. Ao passar pela membrana plasmática 
da célula, o oxigênio precisa se deslocar até a mito-
côndria, organela celular que utiliza o mesmo para 
geração aeróbia de ATP. Este processo é realizado 
por uma proteína que possui estrutura semelhante 
à hemoglobina, chamada de mioglobina (POWERS; 
HOWLEY, 2014).
Transporte de CO2
Assim como o oxigênio, o dióxido de carbono também 
encontra-se livre no plasma (cerca de 3%). Em adição, o 
mesmo também pode ser transportado ligado à hemo-
globina (cerca de 27%), porém seu principal mecanis-
mo de transporte é na forma de bicarbonato, por meio 
da reação da anidrase carbônica. Quando os níveis de 
CO2 estão elevados na circulação, a anidrase carbônica 
catalisa a reação de junção da H2O com o CO2 forman-
do ácido carbônico, que rapidamente se dissocia em 
bicarbonato e H+ (Figura 11) (HALL, 2012).
Quando o sangue chega nos pulmões e os níveis de 
CO2 não são tão altos quanto nos tecidos, a reação 
ocorre na forma inversa, liberando CO2 que será di-
fundido para dentro dos alvéolos e será expirado.
Figura 11 - Reação da anidrase carbônica
Fonte: Powers e Howley (2014, p. 233).
72 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
Agora que estudamos o funcionamento do sistema 
respiratório em repouso, passaremos a verifi car as 
adaptações ocorridas no sistema respiratório em 
exercício.
TRANSIÇÃO DO REPOUSO AO EXERCÍCIO
Durante um exercício submáximo, observa-se que 
a ventilação expirada aumenta de forma abrupta no 
Respostas do Sistema Respiratório
ao Exercício Físico
início do exercício e, em seguida, há uma elevação 
mais lenta rumo a um valor de estado estável. Em adi-
ção, nesta fase também observamos um aumento da 
quantidade de CO2 no sangue arterial e uma diminui-
ção nos níveis de O2, o que nos indica que o aumento 
na ventilação não é tão acelerado quanto necessário 
neste início de exercício (isto é um dos fatores que 
explica a necessidade da realização de ressíntese 
anaeróbia de ATP durante esta fase de exercício).
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 73
EXERCÍCIO PROLONGADO EM AMBIEN-
TE QUENTE
Trabalhos comparando o exercício em tempera-
tura neutra e umidade relativa do ar média com 
exercício em elevada temperatura e umidade de-
monstram que o segundo tende a apresentar um 
aumento na ventilação pulmonar durante o exer-
cício prolongado, enquanto o primeiro apresenta 
valores estáveis de ventilação durante a realização 
do exercício.
OS PULMÕES SE ADAPTAM AO EXERCÍCIO?
Atualmente, foi demonstrado que os pulmões de 
indivíduos treinados em relação a indivíduos se-
dentários não apresentam grandes diferenças. Isto, 
teoricamente, vem do fato de a função pulmonar, 
na maioria das pessoas, já ser superior às necessi-
dades diárias de cada um e quando nos inserirmos 
em uma atividade que requeira um pouco mais do 
funcionamento do sistema respiratório, o pulmão 
já está apto para suprir esta nova demanda, não re-
querendo novas adaptações. Até mesmo em atletas 
de elite observa-se que o sistema respiratório não 
seria um fator limitante de performance na maioria 
deles. Salvo exceção para esforços superiores a 90% 
do VO2max, no qual adaptações específicas seriam 
necessárias e limitantes de uma boa performance, 
devido à ocorrência do que chamamos de fadiga 
muscular respiratória.
REGULAÇÃO DA VENTILAÇÃO DURAN-
TE O EXERCÍCIO
A ventilação pulmonar durante o exercício responde 
a dois sistemas principais, um deles dependente de 
quimiorreceptores periféricos e outro dependente 
de quimiorreceptores centrais. Os quimiorrecepto-
res periféricos são receptores que “sentem” os níveis 
de CO2, O2 e H
+ na circulação sanguínea e sinalizam 
o sistema nervoso central para que, entre outras coi-
sas, possa regular a ventilação pulmonar. Sabemos 
que quando os níveis de O2 reduzem e os níveis de 
CO2 e de O2 aumentam, tal qual durante o exercício, 
os músculos da ventilação recebem um sinal para 
aumentarem a frequência respiratória. Quando esta 
relação se inverte, reduzimos a frequência respirató-
ria (POWERS; HOWLEY, 2014).
Em adição, apresentamos os quimiorreceptores 
centrais, localizados no tronco cerebral, responsáveis 
por “sentir” a acidificação do líquido cerebroespinal. 
Este evento ocorre durante aumentos elevados nos 
níveis de CO2 no sangue. Este ultrapassa a barreira 
hematoencefálica e sofre a ação da enzima anidrase 
carbônica (visto mecanismo na figura 12) elevando 
os níveis de hidrogênio no líquido cerebroespinal. 
Com isso, temos o principal sinal para incrementos 
na frequência respiratória. Ao aumentarmos a ven-
tilação, reduzimos os níveis de CO2 no sangue e, em 
consequência, minimizamos a acidificação do líqui-
do cerebroespinal, reduzindo novamente a frequên-
cia respiratória (POWERS; HOWLEY, 2014).
74 
considerações finais
O
lá aluno(a), chegamos ao fim de mais uma unidade. Nesta segunda 
unidade, trabalhamos dois sistemas de grande importância para o 
bom funcionamento corporal: o sistema cardiovascular e o sistema 
respiratório. Focamos principalmente na forma como o corpo obtém 
o oxigênio e o distribui pelo organismo. Oxigênio este tão importante para a 
realização das vias aeróbias de produção de energia. Além disso, também aborda-
mos a mecânica da remoção do gás carbônico do organismo, que em quantidades 
elevadas é tóxico para o funcionamento corporal. 
Ao longo desta unidade, realizamos, inicialmente, o estudo do funcionamen-
to do sistema cardiovascular em repouso, mediante o conhecimento dos elemen-
tos constituintes do sistema cardiovascular (coração e vasos sanguíneos), a me-
cânica do batimento cardíaco por meio do entendimento do ciclo cardíaco e da 
atividade elétrica do coração, revisamos o conceito de pressão arterial e os fatores 
que a influenciam, assim como do débito cardíaco que é uma variável que reflete 
o trabalho cardiovascular. 
Posteriormente, passamos a analisar os efeitos do exercício físico sobreo sis-
tema cardiovascular. Em seguida, traçamos um paralelo com o sistema respira-
tório, mediante análise de seus elementos constituintes (vias aéreas superiores, 
traquéia, brônquios, bronquíolos e alvéolos) e de seu funcionamento através da 
subdivisão em três subtópicos: a ventilação pulmonar (tratando da forma como 
o ar entra e sai dos pulmões), a difusão dos gases (forma como o oxigênio e o gás 
carbônico passam através das membranas celulares) e o transporte dos gases no 
sangue. Encerrando esta unidade, trabalhamos as adaptações sofridas pelo siste-
ma respiratório na condição de exercício. 
Sendo assim, espero que você, caro(a) aluno(a), tenha extraído o máximo 
possível de informação desta unidade, e nos vemos na próxima. 
 75
atividades de estudo
1. Como sabemos, o coração é formado por mais de uma camada na consti-
tuição de sua parede, cada qual apresentando funções específicas. Sabendo 
disso, quais são as camadas da parede do coração?
a) Endotélio, endocárdio e epicárdio.
b) Endocárdio e miocárdio.
c) Epicárdio, miocárdio e endocárdio.
d) Epicárdio e endocárdio.
e) Endotélio e endocárdio.
2. A pressão arterial envolve a medida da força imposta pelo sangue na pa-
rede dos vasos sanguíneos. Alguns elementos influenciam diretamente em 
seu valor. Marque a alternativa que melhor representa os fatores que 
influenciam na resposta da pressão arterial. 
a) Débito cardíaco.
b) Resistência vascular periférica.
c) Volume sanguíneo.
d) Viscosidade sanguínea.
e) Todas estão corretas.
3. 3. Ao iniciarmos uma sessão de exercício físico algumas alterações em vários 
sistemas corporais são necessárias para conseguirmos realizá-lo. Entre estes 
sistemas que se adaptam, encontramos o sistema cardiovascular. Quais são 
as duas principais adaptações agudas sofridas pelo sistema cardio-
vascular em exercício?
a) Aumento de débito cardíaco e redistribuição de fluxo sanguíneo.
b) Aumento da resistência vascular periférica e da força de contração.
c) Aumento do volume sanguíneo e do volume cardíaco.
d) Aumento da pressão arterial e do volume sanguíneo.
e) Aumento da pressão arterial e volume cardíaco.
4. O oxigênio, assim como o gás carbônico, precisa ser transportados no sangue 
para correta distribuição entre os tecidos. Sabendo disso, de que maneira 
o oxigênio pode ser transportado na circulação?
a) Difundido no plasma e na forma de bicarbonato.
b) Ligado à hemoglobina e na forma de ácido carbônico.
c) Na forma de bicarbonato e ligado a mioglobina.
d) Difundido no plasma e ligados a hemoglobina.
e) Na forma de ácido carbônico e ligado a mioglobina.
76 
atividades de estudo
5. A hemoglobina é o principal transportador de oxigênio presente no orga-
nismo. Para que se possa realizar este transporte necessita ligar-se a este 
elemento. Sabemos, entretanto, que esta ligação pode ser influenciada por 
alguns fatores. Sendo assim, quais fatores influenciam na ligação da hemoglo-
bina com o oxigênio? Assinale a melhor alternativa.
a) Níveis de dióxido de carbono.
b) pH sanguíneo.
c) Temperatura corporal.
d) Níveis de oxigênio.
e) Todas estão corretas.
6. Assim como o oxigênio, o gás carbônico também pode ser transportado de 
diferentes maneiras na corrente sanguínea. Sobre estes mecanismos de 
transporte, assinale a alternativa que melhor representa as possibili-
dades de transporte que podem ser utilizadas por este gás.
a) Proteínas transportadoras específicas do dióxido de carbono.
b) Ligado à albumina e ligado a hemoglobina.
c) Livre no plasma, ligado à hemoglobina e na forma de bicarbonato.
d) Livre no plasma e ligado a mioglobina.
e) Na forma de bicarbonato e ligado a albumina.
7. Durante a prática de uma atividade física, percebemos que a frequência res-
piratória aumenta. Uma outra constatação é que este aumento na frequência 
respiratória não foi algo consciente, ou seja, não foi algo determinado direta-
mente por nós. Para tanto, nosso organismo apresenta mecanismos capazes 
de sentir alterações necessárias para estimular o aumento na ventilação pul-
monar. Entre estes mecanismos, temos um principal. Qual das alternativas 
a seguir apresenta o principal sinalizador para um aumento na venti-
lação pulmonar?
a) Queda nos níveis de oxigênio no sangue.
b) Aumento nos níveis de gás carbônico no sangue.
c) Acidificação do sangue.
d) Acidificação do líquido cerebrospinal.
e) Aumentos dos níveis de oxigênio.
 77
LEITURA
COMPLEMENTAR
Músculos respiratórios e exercício físico
Os músculos respiratórios são músculos esqueléticos funcionalmente similares aos 
músculos locomotores. A tarefa primária desses músculos é atuar sobre a parede to-
rácica para mover os gases para dentro e para fora dos pulmões e, assim, manter a 
homeostase do pH e dos gases no sangue arterial. A importância da função normal do 
músculo respiratório pode ser avaliada se considerarmos que a falha muscular respi-
ratória decorrente de doença ou lesão da medula espinal acarretaria na incapacidade 
de ventilar os pulmões e de manter níveis sanguíneos de gases e pH dentro da faixa 
considerada aceitável.
O exercício muscular ocasiona aumento da ventilação pulmonar e, portanto, a imposi-
ção de uma carga de trabalho maior aos músculos respiratórios. Antigamente, acredita-
va-se que os músculos respiratórios não sofriam fadiga durante o exercício. Entretanto, 
evidências crescentes indicam que tanto o exercício prolongado como o exercício de 
alta intensidade podem causar fadiga muscular respiratória. Essa fadiga afeta tanto os 
músculos envolvidos na inspiração (diafragma, mm. intercostais externos e mm. solici-
tados somente em inspiração forçada como m. esternocleidomastóideo, m. levantador 
da escápula, entre outros) como os músculos atuantes na expiração forçada (m. reto do 
abdome, m. oblíquo externo, oblíquo interno e transverso do abdome) e estes múscu-
los permanecem com sinais de fadiga por até 30-60 minutos após término do exercício. 
Porém, assim como os músculos esqueléticos locomotores, os músculos esqueléticos 
respiratórios são passíveis de adaptação. 
O treinamento físico de resistência regular aumenta a capacidade oxidativa do músculo 
respiratório e melhora a resistência muscular respiratória. Além disso, novas evidências 
indicam que o treinamento físico também aumenta a capacidade oxidativa dos múscu-
los das vias aéreas superiores. Isso é importante pelo fato destes músculos exercerem 
papel central na manutenção das vias aéreas abertas para diminuição do trabalho res-
piratório durante o exercício.
Fonte: McArdle, Katch e Katch, 2011. 
78 
material complementar
Fisiologia do esporte e do exercício
Kenney WL, Wilmore JH, Costill DL 
Editora: Manole 
Sinopse: considerado um dos grandes autores em fi siologia do exercício, traz uma 
excelente abordagem sobre o funcionamento dos sistemas cardiovascular e respi-
ratório, associado com importantes informações relacionando estes sistemas com 
o exercício físico. Defi nitivamente, uma obra que vale a leitura para aqueles que 
pretendem se aprofundar na área.
Indicação para Ler
: considerado um dos grandes autores em fi siologia do exercício, traz uma 
excelente abordagem sobre o funcionamento dos sistemas cardiovascular e respi-
ratório, associado com importantes informações relacionando estes sistemas com 
o exercício físico. Defi nitivamente, uma obra que vale a leitura para aqueles que 
 79
referências
gabarito
BRONZATTO H. A.; SILVA R. P.; STEIN R. Morte súbita relacionada ao exercí-
cio. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. v7, n5, 163-169, 2001.
HALL J. E. Guyton e Hall: tratado de fisiologia médica. 12 ed. Rio de Janeiro: 
Elsevier, 2011.
KENNEY W. L.; WILMORE J. H.; COSTILL D. L. Fisiologia do esporte e do 
exercício. 5 ed. São Paulo: Manole, 2013.
McARDLE W. D.; KATCH F. I.; KATCH V. E. Fisiologia do exercício: nutrição, 
energia e desempenho humano. 7 ed. Rio de Janeiro: Guanabara koogan, 2011.
MONTEIRO M. F.; SOBRAL-FILHO D. C. Exercício físico e controle da pressãoarterial. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. v.10, n.6, 513-516, 2004. 
POWERS S. K.; HOWLEY E. T. Fisiologia do exercício: teoria e aplicação ao 
condicionamento e ao desempenho. São Paulo: Manole, 2014.
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. princípio de Anatomia e Fisiologia 12. ed. 
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010.
1. C
2. E
3. A
4. D
5. E
6. C
7. D
Professor Dr. Felipe Natali Almeida
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta 
unidade:
• O sistema nervoso e o movimento
• Grandes vias motoras
• O músculo esquelético e sua relação com o movimento 
humano
Objetivos de Aprendizagem
• Compreender o papel do sistema nervoso na geração do 
movimento humano.
• Estudar as grandes vias nervosas envolvidas no movimento 
humano (vias motoras).
• Determinar os mecanismos ocorridos no músculo 
esquelético associados à geração do movimento.
SISTEMA MUSCULOESQUELÉTICO 
E A GERAÇÃO DO MOVIMENTO
 unidade 
III
INTRODUÇÃO
Olá, seja bem-vindo(a) a mais uma unidade deste livro. Nesta unidade, 
estudaremos a fisiologia do músculo esquelético e a sua relação com o 
sistema nervoso e com os ossos para a geração do movimento, algo fun-
damental para a vida do ser humano. 
O sistema nervoso fornece ao corpo um meio rápido de comunicação 
interna, que nos permite coordenar a atividade de bilhões de células. As-
sim, a atividade neural é essencialmente importante para a manutenção 
do bom funcionamento do organismo. Devido ao seu papel na geração 
do movimento, apresentaremos no início desta unidade uma visão geral 
do sistema nervoso, enfatizando seu papel no controle do movimento 
voluntário. De uma forma geral, a aplicação efetiva da força durante a 
realização de movimentos complexos aprendidos (saque no jogo de tê-
nis, lançamento de peso, balanceio no golfe, um lançamento num jogo 
de futebol, entre outros) depende de uma série de padrões neuromus-
culares coordenados, e não apenas na força muscular. O circuito neural 
no cérebro, na medula espinal e na periferia funcionam de uma maneira 
bastante semelhante a uma rede sofisticada de computadores. Em respos-
ta às mudanças nos estímulos internos e externos, centenas de milhões 
de bits de influxo sensorial são sincronizados automaticamente para o 
processamento quase instantâneo por parte de mecanismos centrais de 
controle neural. O influxo passa a ser devidamente organizado, orientado 
e transmitido com extrema eficiência para os órgãos efetores, que são os 
músculos esqueléticos. 
Após o sinal chegar ao músculo esquelético, ele irá se contrair e, pelo 
fato de estarem presos aos ossos por meio de um forte tecido conjuntivo, 
os chamados tendões, teremos a movimentação articular. 
Diante disso e considerando o papel dos músculos esqueléticos na de-
terminação do desempenho esportivo, um amplo conhecimento acerca 
de estrutura e função musculares é importante para todos aqueles envol-
vidos com o movimento humano.
84 
 
O Sistema Nervoso e o 
Movimento
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 85
Todas as funções do corpo humano são, ou po-
dem ser, influenciadas pelo sistema nervoso. Os 
nervos formam uma rede pela qual virtualmente 
todas as partes do corpo enviam e recebem im-
pulsos elétricos. O encéfalo funciona como um 
computador central que integra todas as infor-
mações que chegam, selecionando uma resposta 
apropriada e, em seguida, instruindo as partes do 
corpo envolvidas para que executem uma ação 
apropriada. Assim, o sistema nervoso forma uma 
rede vital, permitindo a comunicação e a coor-
denação da interação entre os diversos tecidos e 
sistemas do corpo, assim como com o ambiente 
externo (KENNEY et al., 2013). 
Por ser um sistema de grande complexidade, 
não temos por objetivo nesta unidade nos aprofun-
darmos em cada elemento do sistema nervoso, mas 
sim apenas discutir uma base geral, para que, em se-
guida, possamos discutir o papel do sistema nervoso 
na geração/controle do movimento humano. 
De uma forma geral, o sistema nervoso é dividi-
do em sistema nervoso central (SNC) e sistema ner-
voso periférico (SNP). O SNC consiste no encéfalo 
e na medula espinal, enquanto o SNP é dividido em 
uma porção sensitiva ou aferente e uma porção de 
resposta ou eferente. A porção sensitiva/aferente é 
responsável por enviar informações ao SNC sobre o 
que está ocorrendo dentro e fora do organismo. Já a 
porção de resposta/eferente é responsável pelo envio 
de informações do SNC aos diversos tecidos, órgãos e 
sistemas do corpo em resposta aos sinais que chegam 
por meio da divisão sensitiva. A porção eferente do 
sistema nervoso periférico ainda é dividida em duas 
partes: o sistema nervoso autônomo (formado por 
neurônios que têm por função controlar/comandar 
todas as partes do corpo que não é músculo esquelé-
tico) e o sistema nervoso motor (formado por neurô-
nios que têm por função controlar/comandar apenas 
músculo esquelético) (HALL, 2011). Uma visão geral 
do sistema nervoso está apresentada na Figura 1.
Sistema Nervoso
Sistema Nervoso
Central
Sistema Nervoso
Autônomo
Sistema Nervoso
Motor
Sistema Nervoso
Periférico
Divisão Aferente Divisão Eferente
Figura 1 - Modelo esquemático de divisão do sistema nervoso
Fonte: o autor.
86 
 
As grandes vias motoras põem em comunicação os 
centros suprassegmentares do sistema nervoso com 
os órgãos efetuadores, possibilitando a atividade dos 
músculos esqueléticos, permitindo a realização de 
movimentos voluntários ou automáticos, regulando 
ainda o tônus e a postura. O sistema motor é consti-
tuído pelos músculos estriados esqueléticos e todos 
os neurônios que os comandam, permitindo com-
portamentos variados e complexos por meio da ação 
coordenada de mais de 700 músculos. Um dos aspec-
tos importantes da função motora é a facilidade com 
que executamos os atos motores sem pensar sobre 
qual músculo contrair. Apenas geramos a intenção e 
o resto acontece automaticamente. Quando se quer 
mover o corpo ou parte dele, o cérebro forma a repre-
sentação do movimento, planejando a ação em toda a 
sua extensão antes de executá-la. Esta representação é 
chamada de programa motor, que especifica os aspec-
tos espaciais do movimento, ângulos de articulação, 
força, entre outros (MACHADO; HAERTEL, 2014). 
De acordo com Machado e Haertel (2014), as 
grandes vias motoras envolvem:
a. Tratos corticoespinais: unem o córtex ce-
rebral aos neurônios motores da medula. 
No nível das pirâmides bulbares, se divi-
dem em trato corticoespinal anterior, res-
ponsável pelo movimento voluntário da 
musculatura axial e trato corticoespinal 
lateral, que controlam a musculatura distal 
dos membros.
b. Trato corticonuclear: unem o córtex aos 
neurônios motores do tronco encefálico e 
não aos da medula espinal. Assim, este trato 
coloca sobre controle voluntário os neurô-
nios motores situados nos núcleos motores 
dos nervos cranianos, que, em sua maioria, 
apresentam fibras homolaterais, ou seja, que 
apresentam representação bilateral no cór-
tex motor, como aqueles que não podem ser 
contraídos apenas de um lado, tal qual a mus-
culatura da face, da mandíbula, motores do 
olho entre outros.
Grandes Vias Motoras
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 87
c. Trato rubroespinal: juntamente com o trato 
corticoespinal lateral, controla a motricidade 
voluntária dos músculos distais dos mem-
bros. Trata-se de uma via indireta que foi per-
dendo sua importância ao longo da evolução, 
para a via direta corticoespinal. Mas em casos 
de lesão da via corticoespinal lateral, pode 
exercer papel fundamental na recuperação 
do movimento das mãos. 
d. Trato tetoespinal: recebe fibras da retina e 
do córtex visual. Está envolvido em reflexos 
visuomotores, em que o corpo se orienta a 
partir de estímulos visuais.
e. Tratos vestibuloespinais: são dois, os me-
diais e os laterais, tendo por função levar 
aos neurônios motores informações necessá-
rias à manutenção do equilíbrio, além de se 
projetar para a medula lombar ativando os 
músculos extensores (antigravitacionais) das 
pernas.São feitos, assim, ajustes posturais, 
permitindo que seja mantido o equilíbrio 
mesmo após alterações súbitas do corpo no 
espaço. Por exemplo, durante uma tropeçada, 
por ação das fibras do trato vestibuloespinal, 
ocorre resposta reflexa extensora dos múscu-
los antigravitacionais para impedir a queda.
f. Tratos reticuloespinais: promovem a ligação 
de várias áreas de formação reticular com 
os neurônios motores da medula. A essas 
áreas chegam informações de setores muito 
diversos do sistema nervoso central, como o 
cerebelo e o córtex pré-motor. Os tratos reti-
culoespinais são dois: o trato reticuloespinal 
pontino, que aumenta os reflexos antigravita-
cionais da medula, facilitando os extensores 
e a manutenção da postura ereta e atua man-
tendo o comprimento e a tensão muscular; e 
o trato reticuloespinal bulbar, que tem o efei-
to oposto, liberando os músculos antigravita-
cionais do controle reflexo. 
VISÃO CONJUNTA DAS VIAS MOTORAS
As vias eferentes motoras estabelecem ligação entre as 
estruturas suprassegmentares relacionadas com o con-
trole da motricidade e os efetuadores, ou seja, os múscu-
los estriados esqueléticos. Na Figura 2 observa-se uma 
síntese das conexões dessas estruturas, assim como de 
suas vias de projeção sobre o neurônio motor, propor-
cionando uma visão conjunta das principais vias que 
regulam a motricidade somática. Ele mostra as prin-
cipais conexões do cerebelo com suas projeções para 
o córtex cerebral, via tálamo, e para o neurônio motor, 
via núcleo rubro, núcleos vestibulares e formação reti-
cular. Mostram também as conexões do corpo estriado 
e suas conexões com o córtex cerebral através do circui-
to córtico-estriado-talamo-cortical, e as projeções do 
córtex cerebral sobre o neurônio motor, diretamente 
por meio dos tratos corticoespinal e corticonuclear, ou 
indiretamente, por meio das vias corticorubroespinal, 
corticoreticuloespinal e corticotetoespinal. 
Entretanto, o fato mais importante que o esque-
ma mostra é que, em última análise, todas as vias 
que influenciam a motricidade somática convergem 
sobre o neurônio motor que, por sua vez, inerva a 
musculatura esquelética. Sabe-se que um neurônio 
motor da coluna anterior da medula espinal do ho-
mem pode receber 1500 botões sinápticos, o que dá 
uma ideia do grande número de fibras que atuam 
sobre ele, podendo ser excitatórias ou inibitórias. 
Além dessas fibras, o neurônio motor recebe tam-
bém fibras envolvidas nos reflexos integrados na 
medula. Assim, o neurônio motor constitui a via 
motora final comum de todos os impulsos que agem 
sobre os músculos estriados esqueléticos. Se ele dis-
para ou não um potencial de ação, vai depender do 
balanço entre os impulsos excitatórios e inibitórios 
que agem sobre ele (MACHADO; HAERTEL, 2014).
88 
 
ORGANIZAÇÃO DO MOVIMENTO 
VOLUNTÁRIO
Na organização do ato motor voluntário, distingue-se 
uma etapa de preparação, que termina com a elabo-
ração do programa motor, e uma etapa de execução. 
A primeira envolve áreas motoras de associação do 
córtex cerebral em interação com o cerebelo e o corpo 
estriado. A segunda envolve a área motora primária, 
a área pré-motora do córtex e suas ligações diretas e 
indiretas com os neurônios motores. Como parte da 
etapa de execução, temos também os mecanismos que 
permitem ao sistema nervoso central promover os ne-
cessários ajustes e correções no movimento já iniciado.
Para que se tenha uma visão integrada do papel 
dos diversos setores do sistema motor envolvidos na 
organização de um movimento voluntário delicado, 
imaginemos o caso de um cirurgião ocular prestes a 
fazer uma incisão na córnea de um paciente, o que 
envolve movimentos precisos dos dedos da mão que 
segura o bisturi. A intenção de realizar a incisão foi 
feita na área pré-frontal com base nas informações 
que ele tem sobre as características da incisão e sua 
adequação às condições daquele paciente. 
Essas informações são transmitidas para as áreas 
encarregadas de elaborar o programa motor: a zona 
lateral do cerebelo, por meio da via corticoponto-
cerebelar, o corpo estriado e a área motora suple-
mentar. Nessas áreas, é elaborado o programa motor 
que define quais músculos serão contraídos, assim 
como o grau e a sequência temporal das contrações. 
O programa motor é, então, enviado à área moto-
ra primária, principal responsável pela execução do 
movimento da mão. Desse modo, são ativados de-
terminados neurônios corticais que, atuando sobre 
os neurônios motores, via trato corticoespinal, de-
terminam a contração na sequência adequada dos 
músculos responsáveis pelo movimento da mão. As-
sim, o cirurgião pode executar os movimentos preci-
sos necessários à incisão na córnea. As vias mediais 
da medula são ativadas para ajustes posturais e da 
musculatura proximal, para aproximar o corpo do 
cirurgião do alvo. Informações sobre as caracterís-
ticas desses movimentos, detectados por receptores 
proprioceptivos, são levados à zona intermédia do 
cerebelo pelos tratos espinocerebelares. As informa-
ções obtidas antes do movimento, ou durante, antes 
de o bisturi tocar a córnea, permitem ajustes por an-
teroalimentação. O cerebelo pode, então, comparar 
as características do movimento em andamento com 
o programa motor e promover as correções neces-
sárias por anteroalimentação, agindo sobre a área 
motora por meio da via interpósito-tálamo-cortical. 
Figura 2 - Integração de todos os tratos neurais que influenciam neurô-
nios motores
Fonte: Machado e Haertel (2000, p. 315). 
CÓRTEX CEREBRAL
Tracto
vestíbulo-espinhal
Tracto
rubro-espinhal
Tracto
retículo-espinhal
Tracto
tecto-espinhal
Tracto
córtico-espinhal
Neurônio motor
Músculo estriado
esquelético
Via motora
�nal comum
Ponte
Tálamo Pallidum
Striatum
Substância
negra
Núcleo
subtalâmico
Formação
reticular Tecto
Núcleo
rubro
Núcleos
vestibulares
C
E
R
E
B
E
L
O
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 89
Após tocar o alvo, informações sensoriais pro-
prioceptivas, originadas no segmento onde ocorre o 
movimento, ou seja, no exemplo na mão do cirur-
gião, geram ajustes por retroalimentação quanto ao 
peso do bisturi e a força necessária ao procedimento. 
Ajustes posturais também são feitos por retroalimen-
tação. O trato reticuloespinal pontinho o mantém 
na postura ereta imóvel, atuando sobre a muscula-
tura antigravitacional. Toda a informação gerada na 
execução do movimento será usada para melhorar 
a execução de movimentos futuros semelhantes, por 
meio do aprendizado motor, a cargo principalmente 
do cerebelo (MACHADO; HAERTEL, 2014). 
LOCOMOÇÃO
que ela possa ser controlada automaticamente em 
nível medular. Experiências realizadas com ga-
tos, nos quais a medula e as raízes dorsais foram 
seccionadas, mostraram que os movimentos de 
locomoção são mantidos mesmo nas condições 
em que a substância cinzenta da medula perdeu 
todas as suas aferências sensoriais e supramedu-
lares. Surgiu, assim, o conceito amplamente con-
firmado de que a locomoção depende de um cen-
tro situado na medula lombar, capaz de manter 
o movimento automaticamente e sem qualquer 
aferência. Este centro contém circuitos neurais 
com neurônios capazes de disparar potenciais de 
ação espontaneamente, na ausência de quaisquer 
aferências (HALL, 2011).
Este centro, por sua vez, é comandado por ou-
tro centro locomotor situado no mesencéfalo, o 
qual exerce sua ação pelos tratos reticuloespinais, 
determinando o início, o fim e a velocidade da lo-
comoção. No homem, só muito raramente ocorrem 
movimentos automáticos de marcha depois da sec-
ção da medula. Entretanto há evidências de que na 
medula do homem existe também um centro que 
permite a locomoção automática. Crianças exibem 
a marcha reflexa logo após o nascimento, mesmo as 
anencefálicas. Acredita-se que estes circuitos sejam 
colocados sob controle supraespinal no primeiro 
ano de vida, quando o córtex cerebral passa a con-
trolar o centro locomotor do mesencéfalo. O fato 
de a locomoção humana ser bípede faz com que 
os controles do equilíbrioe da marcha sejam mais 
complicados e dependentes dos centros superiores 
(MACHADO; HAERTEL, 2014).
Durante a locomoção, ocorrem movimentos al-
ternados de flexão e extensão das pernas. O ca-
ráter rítmico e repetitivo da locomoção faz com 
90 
 
O corpo humano contém mais de 600 músculos 
esqueléticos, que constituem de 40-50% do peso 
corporal total. O músculo esquelético exerce três 
funções importantes: a) geração de força para lo-
comoção e respiração; b) geração de força para sus-
tentação postural; c) produção de calor durante os 
períodos de estresse frio. 
ESTRUTURA DO MÚSCULO ESQUELÉTICO
O músculo esquelético é composto por vários ti-
pos de tecido. Entre eles estão as próprias células 
musculares, tecido nervoso, sangue e tecido con-
juntivo. A Figura 3 apresenta uma visão geral des-
sa organização. 
O Músculo Esquelético e sua 
Relação com o Movimento Humano
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 91
Os músculos individuais estão separados uns dos 
outros e são mantidos na posição por um tecido 
conjuntivo chamado fáscia. No músculo esquelético 
existem três camadas separadas de tecido conjun-
tivo. A camada mais externa, que circunda todo o 
músculo, é denominada epimísio. De fora para den-
tro, a próxima camada de tecido conjuntivo é o pe-
rimísio, que circunda os feixes individuais de fibras 
musculares (cada feixe individual é chamado de fas-
cículo). Cada fibra muscular individual que compõe 
o fascículo é circundada por um tecido conjuntivo 
chamado de endomísio (KENNEY et al., 2014). 
Tendão
Osso
Fáscia
Músculo
Epimísio
Perimísio
Fascículo
Endomisio
Axônio do
neurônio motor
Fibras musculares
SarcoleomaMio�brilas
Filamentos
Retículo
sarcoplasmático
Núcleo
Vaso sanguínio
Figura 3 - Visão geral do músculo esquelético
Fonte: Powers e Howley (2014, p. 165).
92 
 
Apesar de seu formato exclusivo (nenhuma outra 
célula do corpo tem esta característica alongada), 
as fibras musculares apresentam a maioria das or-
ganelas presentes em todas as células corporais, 
ou seja, contêm lisossomos, mitocôndrias, retícu-
lo endoplasmático, complexo golgiense entre ou-
tros. Entretanto, uma característica que a difere da 
maioria das outras células é o fato de ser multinu-
cleada. Somado a isto, sua aparência microscópica 
estriada é outra marca registrada desse tipo celular. 
Essas estrias são produzidas por faixas claras e es-
curas que se alternam ao longo de toda a extensão 
da fibra (POWERS; HOWLEY, 2014). 
Cada fibra muscular individual consiste em 
um cilindro estreito e alongado, que geralmente se 
estende por todo o comprimento do músculo. A 
membrana celular que circunda a fibra muscular é 
denominada sarcolema. Localizado no espaço en-
tre as fibras musculares, existe um grupo de células 
precursoras musculares chamadas de células saté-
lite. As células satélite são células indiferenciadas 
que exercem papel central no crescimento e reparo 
musculares. Quando as fibras musculares são des-
truídas (por motivo de lesão ou doença) não po-
dem ser substituídas por divisão celular. Entretanto 
as células satélite também podem contribuir para 
o crescimento muscular durante o treino de força, 
ao se dividirem e fornecerem núcleos para as fibras 
musculares já existentes. O aumento do número de 
núcleos no interior das fibras musculares intensifi-
ca a capacidade das fibras musculares de sintetizar 
proteínas e, desse modo, auxilia o crescimento do 
músculo (POWERS; HOWLEY, 2014). 
Embaixo do sarcolema está o sarcoplasma (cito-
plasma), que contém as proteínas, as organelas celu-
lares e as miofibrilas. As miofibrilas são numerosas 
estruturas filamentosas, onde estão contidas as pro-
teínas contráteis. Em geral, as miofibrilas são com-
postas por dois tipos de filamentos principais: a) os 
filamentos grossos (constituídos de miosina) e b) os 
filamentos finos (constituídos de actina, troponina 
e tropomiosina). O arranjo desses filamentos confe-
rem ao músculo esquelético sua aparência estriada 
(Figura 4) (KENNEY et al, 2014).
A imobilização e seu efeito sobre o tecido 
conjuntivo: a imobilização, muitas vezes, é 
necessária como estratégia de reabilitação em 
muitas lesões. Porém, Tipton foi o responsável 
pela realização de um trabalho inovador que 
proporcionou a primeira confirmação experi-
mental de que os ligamentos de pernas imo-
bilizadas eram mais fracos e pesavam menos 
que os ligamentos dos controles normais de 
pernas exercitadas. O estudo gerou dúvidas 
também acerca da eficácia da imobilização 
após uma cirurgia ligamentar. Pelo contrário, 
o estudo apoia o treinamento com exercícios 
como a primeira linha de reabilitação após a 
cirurgia de tecidos moles.
Fonte: adaptado de Powers e Howley (2014).
SAIBA MAIS
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 93
Figura 4 - Organização macroscópica e microscópica do músculo esquelético
Fonte: McArdle, Katch e Katch (2011, p. 369).
94 
 
Conforme observado na Figura 4, as miofibrilas 
podem ser subdivididas em segmentos individu-
ais chamados de sarcômeros. Os sarcômeros estão 
separados uns dos outros por uma lâmina delga-
da de proteínas estruturais denominadas linha Z. 
Os filamentos de miosina estão localizados prin-
cipalmente na parte escura do sarcômero, que é 
denominada banda A, enquanto os filamentos de 
actina ocorrem, sobretudo, nas regiões claras do 
sarcômero, denominadas bandas I. No centro do 
sarcômero é encontrada uma parte do filamento 
de miosina que não está sobreposto aos filamen-
tos de actina, denominada de zona H (KENNEY 
et al., 2014). 
No interior do sarcoplasma do músculo, existe 
uma rede de canais membranosos que cerca cada 
miofibrila e segue paralelamente a ela. Esses canais 
são conhecidos como retículo sarcoplasmático e 
são os locais de armazenamento de cálcio (que irá 
apresentar um papel fundamental na contração 
muscular conforme visto posteriormente). Outro 
conjunto de canais membranosos, chamados de 
túbulos transversos ou T, estende-se do sarcolema 
para dentro da fibra muscular e atravessa totalmente 
a fibra, servindo como uma extensão da membrana 
para áreas mais internas da fibra muscular (também 
apresenta papel importante na contração muscular) 
(Figura 5) (McARDLE et al., 2015). 
Sarcolema
Mio�brilas
Banda A
Banda I
Linha Z
Núcleo
Tríade do retículo:
Cisternas terminais
Túbulo transverso
Mitocôndria
Retículo sarcoplasmático
Figura 5 - Retículo sarcoplasmático e túbulos transversos
Fonte: Powers e Howley (2014, p. 167).
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 95
JUNÇÃO NEUROMUSCULAR
Cada célula muscular esquelética está conectada a 
uma ramificação da fibra nervosa (motoneurônio). 
O local onde o motoneurônio e a fibra muscular se 
encontram é chamado de junção neuromuscular 
(Figura 6) e é semelhante a um ponto de conexão en-
tre dois neurônios. A extremidade do motoneurônio 
não está fisicamente em contato com a fibra muscu-
lar, mas sim separados por um espaço denomina-
do de fenda neuromuscular. Quando um impulso 
nervoso atinge a extremidade do neurônio motor, 
o neurotransmissor acetilcolina é liberado, difunde-
-se pela fenda sináptica (fenda neuromuscular) e se 
liga a sítios de receptores existentes na membrana 
da fibra muscular. Isso causa um aumento na per-
meabilidade ao sódio na fibra muscular, resultando 
em uma despolarização chamada potencial de placa 
terminal, que se for forte o suficiente, constituirá o 
sinal para iniciar o processo de contração muscular, 
processo este semelhante à sinapse química aprendi-
do no módulo de “bases neuromotoras” (McARDLE 
et al., 2015). 
Importante salientar que um motoneurônio 
inervará várias fibras musculares e, a esse conjun-
to de motoneurônio juntamente com todas as fibras 
musculares inervadas por ele, damos o nome de uni-
dade motora (McARDLE et al., 2015). 
Fibra nervosa motora
Ramos da �bra nervosa 
Núcleo da �bra muscular
Placa motora
Mio�brila da �bra muscular
Mitocôndrias
Vesículas sinápticas
Fenda sináptica
Sarcolema pregueada
Placa motora
Figura 6 - Junção neuromuscular
Fonte: Powers e Howley (2014,p. 168).
96 
 
 CONTRAÇÃO MUSCULAR
A contração muscular é um processo complexo que 
envolve certo número de proteínas celulares e siste-
mas de produção de energia. O resultado final deste 
processo é o deslizamento da actina sobre a miosina, 
com consequente encurtamento do músculo e de-
senvolvimento de tensão. Este processo é mais bem 
explicado pela teoria dos filamentos deslizantes da 
contração (Figura 7). 
As fibras musculares contraem por meio do en-
curtamento de suas miofibrilas, que se deve ao des-
lizamento da actina sobre a miosina. Isso resulta na 
diminuição da distância entre uma linha Z e outra. 
Microscopicamente, isso ocorre, pois as cabeças das 
pontes cruzadas de miosina estão orientadas na di-
reção da molécula de actina. Os filamentos de actina 
e miosina deslizam uns nos outros durante a contra-
ção muscular, em decorrência da ação de numero-
sas pontes cruzadas que se estendem como braços 
a partir da miosina e se prendem à actina. A liga-
ção da ponte cruzada de miosina à actina resulta em 
uma orientação de pontes cruzadas, de tal modo que 
estas conseguem puxar a actina de cada lado e levá-
-la em direção ao centro. Esse puxão da actina so-
bre a molécula de miosina ocasiona o encurtamen-
to do músculo e gera força (Figura 7) (POWERS; 
HOWLEY, 2014). 
Fadiga neuromuscular: a fadiga representa 
o declínio na capacidade de gerar tensão ou 
força muscular com a estimulação repetida ou 
durante um determinado período de tempo. 
Muitos fatores podem levar à fadiga, porém 
também observa-se fatores neurais envolvi-
dos nesse processo. A fadiga neuromuscular é 
aquela que ocorre no caminho da informação 
entre o sistema nervoso central e a fibra mus-
cular. Atualmente, sabe-se que a diminuição 
de neurotransmissores como a serotonina, 
a dopamina e a acetilcolina estão envolvidos 
neste tipo de fadiga, porém acredita-se que 
outros mecanismos estejam envolvidos, mas 
ainda não foram identificados.
Fonte: adaptado de Powers e Howley (2014).
SAIBA MAIS
a)
b)
c)
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 97
O termo acoplamento excitação-contração refere-se 
à sequência de eventos em que um impulso nervoso 
atinge a membrana muscular e causa encurtamento 
do músculo via atividade de ponte cruzada (o proces-
so todo pode ser acompanhado pelas Figuras 8 e 9). 
Segundo Powers e Howley (2014), a primeira 
etapa desse processo ocorre por meio da excitação, 
que engloba dois processos: 
1. a geração de um potencial de ação em um moto-
neurônio causa liberação de acetilcolina dentro 
da fenda sináptica da junção neuromuscular; 
2. a acetilcolina se liga aos receptores localiza-
dos na placa motora terminal, produzindo 
um potencial de placa terminal que acarre-
ta a despolarização conduzida ao longo dos 
túbulos transversos, profundamente, para 
dentro das fibras musculares. Essa despolari-
zação ocasiona a saída de cálcio de dentro do 
retículo sarcoplasmático.
Sequencialmente, ocorrem as etapas envolvidas na 
contração propriamente dita: 
1. no estado de repouso, as pontes cruzadas de 
miosina não estão conectadas à actina (não 
há geração de força);
2. quando a despolarização chega ao retículo 
sarcoplasmático, o Ca2+ é liberado no interior 
do sarcoplasma e se liga à troponina, causan-
do uma mudança na posição da tropomiosi-
na, liberando os sítios de ligação para que a 
miosina possa se ligar na actina. A quebra do 
ATP resulta na ligação da miosina a actina;
3. da quebra do ATP permanece ligado a mio-
sina, os produtos desta quebra (ADP e Pi) e 
após o desligamento do Pi, a ponte cruzada é 
energizada, ou seja, cria-se uma ligação forte 
entre a miosina e a actina;
4. o ciclo é completo pela liberação do ADP da 
miosina, resultando na movimentação com-
pleta da ponte cruzada;
5. neste ponto da contração, a miosina ainda 
continua ligada à actina. Esta ligação só é 
desfeita após a ligação de uma nova molécula 
de ATP na cabeça da miosina.
Figura 7 - Encurtamento do sarcômero durante o processo de con-
tração muscular 
Fonte: McArdle, Katch e Katch (2011, p. 376-377).
a)
b)
c)
98 
 
Quando os potenciais de ação cessam e o retículo sarcoplasmático remove o Ca2+ 
do sarcoplasma, e o processo de contração é interrompido.
CONTRAÇÃO
1
2
3
5
6
4
Potencial de ação
muscular propagado Membrana plasmática muscular
Túbulo transverso
Saco lateral
Ca2+
Ca2+ liberado
do saco lateral
A ligação do Ca2+
à troponina
remove a ação
bloqueadora da
tropomiosina
Tropomiosina
Ponte cruzada
de miosina
A ponte cruzada se moveATP
Filamento espesso
Actina
Troponina
Ca2+ é captado
A remoção do Ca2+ da
troponina restaura a ação
bloqueadora da tropomiosina
ATP ADP + Pi
Retículo
sarcoplasmático
RELAXAMENTO
Ca2+ Ca2+
Figura 8 - Primeira ilustração das etapas envolvidas na excitação, contração e no relaxamento muscular
Fonte: Powers e Howley (2014, p. 173).
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 99
Figura 9 - Segunda ilustração do processo de excitação, contração e relaxamento muscular
Fonte: McArdle, Katch e Katch (2011, p. 381).
100 
 
TIPOS DE FIBRAS MUSCULARES
O músculo esquelético humano pode ser dividido em classes principais, com 
base nas características histoquímicas ou bioquímicas das fibras individuais (o 
modo como estas fibras são “tipadas” está ilustrado na Figura 10). 
Durante o envelhecimento temos uma tendência à perda de massa mus-
cular, refletindo negativamente na realização das atividades da vida diária. 
Logo, conforme envelhecemos, necessitamos de exercícios para frear este 
processo. 
REFLITA
Figura 10 - Tipagem muscular: após o processo de biópsia muscular (A e B), as amostras serão preparadas para 
marcação imunohistoquímica
Fonte: McArdle, Katch e Katch (2011, p. 383).
De modo geral, as fibras musculares são classificadas em duas categorias gerais: 
a) fibras lentas tipo I e b) fibras rápidas tipo II. O músculo humano possui apenas 
um tipo de fibra muscular lenta do tipo I, porém, de uma forma geral, apresenta 
dois tipos de fibras rápidas do tipo II, as fibras do tipo IIa e as fibras do tipo IIx 
ou IIb (para mais informações sobre as diferenças entre estes três tipos de fibras, 
veja a Tabela 1). Embora alguns músculos sejam compostos predominantemente 
por fibras rápidas ou por fibras lentas, a maioria dos músculos do corpo contém 
uma mistura de tipos de fibras lentas e rápidas. 
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 101
O percentual dos respectivos tipos de fibras contidos nos músculos esquelé-
ticos pode ser influenciado pela genética, níveis hormonais e hábitos de exercício 
do indivíduo. Do ponto de vista prático, a composição de fibras dos músculos 
exerce papel importante no desempenho dos eventos que envolvem potência e 
resistência, ocorrendo diferenças nos tipos de fibras presentes nos músculos de 
velocistas, fundistas e sedentários, porém este não é o único determinante do 
sucesso esportivo (Tabela 2) (McARDLE et al., 2015). 
Tabela 1 − Diferenças entre os três tipos de fibras musculares
Fibras Rápidas Fibras Lentas
Característica Tipo IIx Tipo IIa Tipo I
Número de mitocôndrias Baixo Alto/Moderado Elevado
Resistência à fadiga Baixa Alta/Moderada Elevada
Sistema energético predominante Anaeróbico Combinação Aeróbico
Atividade da ATPase A mais elevada Elevada Baixa
Vmáx (velocidade de encurta-
mento)
A mais elevada Intermediária Baixa
Eficiência Baixa Moderada Elevada
Tensão específica Elevada Elevada Moderada
Fonte: Powers e Howley (2014, p. 179).
Tabela 2 − Percentual de fibras em diferentes atividades
Esporte % de Fibra Lentas (Tipo I) % de Fibras Rápidas (Tipos IIx e IIa)
Maratonistas 70-80 20-30
Velocistas 25-30 70-75
Não atletas 47-53 47-53
Fonte: Powers e Howley (2014, p. 179).
Como pudemos ver, o mecanismo de contração é algo de grande complexidade e 
requer uma série de passos entre sua geração no sistema nervoso central e a exe-
cução propriamente dita. Logo, o estudo em pequenas partes se faz necessário, 
mas lembrem-se que tudo ocorre numa grande velocidade e com sobreposição de 
alguns passos no funcionamentoreal.
102 
considerações finais
Nesta unidade, estudamos a fisiologia do movimento humano e pudemos per-
ceber que apesar de os movimentos serem realizados em uma grande veloci-
dade, existe uma grande quantidade de eventos que ocorrem desde o ato da to-
mada da decisão da realização do movimento até a ocorrência do movimento 
propriamente dito. 
Num primeiro momento, aprendemos que o sistema nervoso tem um papel 
fundamental para a geração do movimento, sendo o responsável por receber in-
formações diversas provenientes do ambiente interno e externo, integrá-las e, a 
partir disso, tomar a decisão de realizar o movimento. Passada esta etapa, teremos 
a elaboração de um esboço do movimento, seguido dos sinais para contração e 
relaxamento dos músculos específicos. Para finalizar, teremos a constante análise 
e correção do movimento em seu curso. Como vimos no início de nossa unidade, 
este é o papel do sistema nervoso na geração do movimento, que enviará todos 
estes sinais por meio de alterações no potencial elétrico dos neurônios. 
Em um segundo momento, vimos que com a chegada destes sinais aos mús-
culos, eles passam por um conjunto de eventos que culmina na interação entre a 
actina e a miosina, a aproximação das linhas “Zs” dos sarcômeros e a contração 
e produção de força, contração esta necessária para uma infinidade de ações, in-
cluindo os movimentos de locomoção, contração do diafragma para respiração, 
para manutenção da postura entre outros. 
Finalizando esta unidade, entramos em contato com a informação de que a 
palavra “músculo” engloba diversos tipos de fibras musculares (tipo I, tipo IIa e 
tipo IIx/IIb) que podem predispor ou favorecer a realização de um tipo de ativi-
dade em detrimento de outro, de acordo com a maior população de fibras mus-
culares presente. 
Desta forma, nos despedimos de mais uma unidade, espero que tenham ab-
sorvido o máximo de informação possível, nos vemos na próxima unidade.
 103
atividades de estudo
1. Sabemos que para comandar os músculos esqueléticos apresentamos di-
ferentes grandes vias motoras, cada qual com uma função e/ou caracterís-
tica específica. Sobre as grandes vias motoras, assinale a alternativa a 
seguir que indica a via motora que se divide em dois tratos no nível 
das pirâmides bulbares.
a) Trato corticoespinal.
b) Trato rubroespinal.
c) Trato reticuloespinal.
d) Trato vestibuloespinal.
e) Trato tetoespinal.
2. Uma importante via motora na geração do movimento corporal envolve o tra-
to corticoespinal lateral. Sobre ele, assinale a alternativa que representa 
a função do trato corticoespinal lateral.
a) Responsável direto pela movimentação da musculatura do abdome.
b) Responsável pelo controle da contração muscular de toda a musculatu-
ra da região axial do corpo.
c) Responsável pelo controle da contração de toda a musculatura distal 
dos membros inferiores e superiores.
d) Responsável por levar aos neurônios motores informações necessárias 
para a manutenção do equilíbrio.
e) Responsável pelos reflexos visuomotores, que orienta o corpo a partir 
dos estimulos visuais recebidos.
3. Sabemos que para controle dos movimentos das porções distais dos 
membros temos como principal via motora o trato corticoespinal late-
ral. Entretanto outra via pode auxiliá-lo nesta função. Assinale a alternati-
va a seguir que melhor representa esta(s) via(s) alternativa(s).
a) Trato tetoespinal.
b) Trato rubroespinal.
c) Trato corticoespinal medial.
d) Trato corticonuclear.
e) Trato vestibuloespinal.
104 
atividades de estudo
4. Para o processo de geração do movimento voluntário, observamos a realiza-
ção de várias fases que ocorrem em sequência. Aponte a assertiva a seguir 
que melhor representa as fases para geração do movimento voluntário. 
a) Subdividido em etapas de preparação, que termina com a elaboração 
do programa motor e a etapa de execução, propriamente dita.
b) Subdividido em três fases, o raciocínio, o pensamento do ato motor e 
a execução.
c) Subdividido em etapas de execução, que termina com a elaboração do 
programa motor e a etapa de elaboração, propriamente dita.
d) Subdividido em três fases, preparação, pensamento do ato motor e 
correção do movimento já iniciado.
e) Subdividido em etapa de preparação que corrige o movimento iniciado, 
e a etapa de execução, propriamente dita.
5. Para que a contração muscular possa ocorrer, nosso sistema nervoso deve 
comandar a musculatura mediante a liberação de um neurotransmissor es-
pecífico, que iniciará a sequência de alterações necessárias para que o pro-
cesso de deslizamento das fibras ocorra. Sabendo disso, qual o neurotrans-
missor utilizado para transmissão da informação do motoneurônio 
ao músculo esquelético?
a) Noradrenalina.
b) GABA.
c) Acetilcolina.
d) Glutamina.
e) Actina.
6. O sarcômero é a unidade contrátil do músculo esquelético e encontra em 
sua constituição os filamentos finos e os filamentos grossos de proteínas. 
Sabemos que estes filamentos são formados por proteínas específicas. 
Baseado nesta informação, quais proteínas principais formam os fila-
mentos finos do sarcômero?
a) Miosina.
b) Miosina e actina.
c) Actina, troponina e tropomiosina.
d) Troponina e tropomiosina.
e) Miosina e tropomiosina.
 105
LEITURA
COMPLEMENTAR
A discussão a seguir se baseia em um grande trabalho realizado por Tipton e colabora-
dores (1970), publicado em uma grande revista científi ca denominada American Journal 
of Physiology, na qual demonstrou o impacto dos exercícios sobre o tecido conjuntivo 
(tendões e ligamentos) até então com pouca evidência. 
Antes de 1970, a evidência que demonstrava que o exercício aprimorava a força do 
tecido conjuntivo provinha de estudos realizados em camundongos e ratos de labo-
ratório. O estudo pioneiro de Tipton e colaboradores proporcionou evidência expe-
rimental direta dos benefícios do treinamento com exercícios sobre a força dos liga-
mentos colaterais mediais intactos ou reparados cirurgicamente em cães. Esses dados 
proporcionaram uma importante base para justifi car a utilização terapêutica atual e 
aceita comumente do exercício, e não da imobilização, para reabilitar a lesão e o reparo 
cirúrgico dos tecidos moles.
Tipton estudou mais de 100 cães machos, com idade maior do que 1 ano para respon-
der várias questões, incluindo o efeito de 6 semanas de atividade física aumentada 
ou reduzida (por meio de treinamento com exercícios, imobilização, atividade normal 
e procedimento cirúrgico simulado) sobre a força dos ligamentos do joelho. Um se-
gundo objetivo consistiu em descrever os efeitos das variações no treinamento com 
exercícios, na imobilização e na atividade normal na jaula sobre a força dos ligamen-
tos reparados cirurgicamente, o que constitui uma questão de interesse primário na 
medicina do esporte. 
Em todas as avaliações da força dos ligamentos, os músculos plantar, gastrocnêmio 
e extensor longo dos dedos eram removidos (juntamente com os tecidos moles cir-
cundantes da articulação), deixando a cápsula e os ligamentos intactos. Um aparelho 
de teste fi xava o preparado representado por osso-cápsula-osso quando a tíbia era 
tracionada e afastada do fêmur com uma velocidade constante de 0,25mm/s. A força 
(kg) necessária para separar o ligamento do osso (mensuração do estresse-sobrecarga) 
representava a força de separação. A relação entre a força de separação para peso cor-
poral era ajustada para as diferenças dos animais em seu peso corporal. O treinamento 
com exercícios incluía a corrida na esteira rolante com velocidades, graus de inclinação 
e durações diferentes por um máximo de 6 dias por semana durante 6 semanas. O trei-
namento consistia em 3 dias de endurance e 3 dias de piques explosivos. Na semana 3 
os animais se exercitavam 1h diariamente. 
106 
LEITURA
COMPLEMENTAR
A imobilização consistia em fi xar uma das pernas traseiras com o joelho fl etido em 
60-80 graus com pinos colocados através do fêmur e um deles através da tibia.A se-
guir, um aparelho gessado de secagem rápida prendia a perna. O reparo cirúrgico do 
ligamento colateral medial esquerdo expunha o ligamento fazendo-se uma incisão 
através de suas porções superfi cial e profunda ao longo da interlinha articular, porém 
preservando o suprimento sanguíneo. Dois pontos de fi o de aço inoxidável reinseriam 
o ligamento em seu local de origem. As operações simuladas (sem cortar o ligamento) 
incluíam a introdução de pinos, a incisão da pele, a exposição do ligamento e o fecha-
mento da ferida.
Os resultados deste estudo nos mostraram que a força do ligamento intacto do joelho 
se relaciona ao nível de atividade física do animal, com a imobilização produzindo me-
nor nível de força (ou seja, a força de separação era menor) e 6 semanas de corrida em 
uma esteira rolante produzindo o mais alto nível de força (ou seja, a força de separação 
era maior). A força dos ligamentos reparados cirurgicamente dependia do intervalo 
de tempo antes do sacrifício e da quantidade de atividade realizada pela perna expe-
rimental. A localização da separação também variava entre os ligamentos intactos e 
reparados. Os ligamentos intactos se separavam de sua inserção tibial, enquanto os 
ligamentos reparados cirurgicamente se separavam no local do reparo.
De uma forma geral, este estudo interessante indica que a atividade física, além de in-
duzir adaptações específi cas das células musculares, aprimora profundamente a força 
dos ligamentos. Esses achados importantes confi rmaram que o tecido conjuntivo res-
ponde ao estresse mecânico do exercício. 
Fonte: adaptado de TIPTON et al. Infl uence of exercise on strength of medial collateral knee 
ligaments of dogs. Am J Physiol 1970; 218:894.
 107
material complementar
Guyton e Hall: Tratado de Fisiologia Médica
John E. Hall
Editora: Elsevier
Sinopse: livro de fi siologia humana que acrescenta detalhes ao estudo da fi sio-
logia do controle motor (capítulos 54, 55, 56 e 57) e a mecânica da contração 
(capítulos 6, 7 e 8).
Indicação para Ler
: livro de fi siologia humana que acrescenta detalhes ao estudo da fi sio-
logia do controle motor (capítulos 54, 55, 56 e 57) e a mecânica da contração 
108 
referências
gabarito
HALL J. E. Guyton e Hall: tratado de fi siologia médica. 12 ed. Rio de Janeiro: 
Elsevier, 2011.
KENNEY W. L.; WILMORE J. H.; COSTILL D. L. Fisiologia do esporte e do 
exercício. 5 ed. São Paulo: Manole, 2013.
McARDLE W. D.; KATCH F. I.; KATCH V. E. Fisiologia do exercício: nutrição, 
energia e desempenho humano. 7 ed. Rio de Janeiro: Guanabara koogan, 2011.
MACHADO A.; HAERTEL L. M. Neuroanatomia funcional. 2 ed. São Paulo: 
Atheneu, 2000.
MACHADO A.; HAERTEL L. M. Neuroanatomia funcional. 3 ed. São Paulo: 
Atheneu, 2014. 
POWERS S. K.; HOWLEY E. T. Fisiologia do exercício: teoria e aplicação ao 
condicionamento e ao desempenho. São Paulo: Manole, 2014.
TIPTON et al. Infl uence of exercise on strength of medial collateral knee liga-
ments of dogs. Am J Physiol 1970; 218:894.
1. A
2. C
3. B
4. A
5. C
6. C
UNIDADEUNIDADEIV
Professor Dr. Felipe Natali Almeida
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta 
unidade:
• Visão geral do sistema endócrino
• Hormônios: funções e sua relação com o exercício físico
Objetivos de Aprendizagem
• Conceituar sistema endócrino e hormônios.
• Conhecer as principais funções dos hormônios e sua 
relação com o exercício físico.
HORMÔNIOS E EXERCÍCIO FÍSICO
 unidade 
IV
INTRODUÇÃO
S
eja bem-vindo(a), aluno(a), para mais um unidade do livro de 
Fisiologia geral e do movimento. Neste momento, trabalharemos 
um assunto de grande importância para aqueles que buscam co-
nhecer o funcionamento do organismo humano e a forma como 
ele se organiza e se regula. Estamos falando do estudo do sistema endó-
crino, sistema este que juntamente com o sistema nervoso é o responsável 
por regular e coordenar o funcionamento do organismo humano.
Ao longo desta unidade, estudaremos os principais sistemas hormo-
nais que estão envolvidos em uma grande quantidade de funções, in-
cluindo o controle do fornecimento e do gasto de energia, controle do 
crescimento corpóreo, controle da osmolaridade corporal, controle da 
taxa de hidratação do corpo, regulação térmica, características sexuais 
secundárias masculinas e femininas, controle de íons, regulação da res-
posta de luta ou fuga, resposta ao estresse entre outras.
De uma forma geral, sabemos que o sistema endócrino é caracteri-
zado pela presença de células capazes de produzir e secretar substâncias 
químicas (os chamados hormônios), que tem por finalidade atuar em 
curtas ou longas distâncias em relação ao local onde foi secretada, com 
o intuito de alterar o funcionamento da célula-alvo após sua ligação ao 
receptor. Esta é uma definição mais atual sobre o que engloba este impor-
tante sistema e, ao longo do início da unidade, previamente a descrição 
específica do papel de cada hormônio, nos aprofundaremos um pouco 
mais nesta definição.
Bom, espero que aprecie esta unidade, pois ela é de suma importância 
para todos que desejam trabalhar com corpo humano e com a grande 
gama de pessoas envolvidas com prática de exercícios físicos, perguntas 
sobre funções hormonais são constantes, independente do ambiente de 
trabalho em que se está inserido.
SISTEMA 
ENDÓCRINO
Glândula adrenal Cérebro Testículo
Pâncreas Ovário
Timo Glândula pituitária Tiróide
SISTEMA 
ENDÓCRINO
Glândula adrenal Cérebro Testículo
Pâncreas Ovário
Timo Glândula pituitária Tiróide
114 
 
Dois dos principais sistemas fisiológicos envolvi-
dos no controle e na regulação das diversas fun-
ções corporais são os sistemas nervoso e endócri-
no. Ambos estão estruturados de modo a perceber 
as informações, organizar uma resposta apropriada 
e, em seguida, enviar uma mensagem até o órgão 
ou tecido correspondente. 
Frequentemente, os dois sistemas trabalham 
em conjunto para manter a homeostase, fazen-
do com que em alguns livros-texto se utilize a 
palavra neuroendrocrinologia para descrição e 
abordagem deste tópico. Apesar dos dois siste-
mas apresentarem um papel regulador, eles dife-
rem na emissão da mensagem, sendo o sistema 
endócrino por meio da liberação de hormônios 
(sinal endócrino) para que atinjam os tecidos-al-
vo, enquanto que o sistema nervoso faz isso por 
meio de neurotransmissores. Em adição a isto, 
outra importante diferença é a velocidade pela 
qual a mensagem é transmitida, sendo aquela for-
necida pelo sistema nervoso muito mais rápida 
(POWERS; HOWLEY, 2014).
Visão Geral do Sistema Endócrino
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 115
Partindo de nossa definição inicial dada na in-
trodução da nossa unidade, trabalharemos neste iní-
cio de unidade. Bom, conforme exposto, o sistema 
endócrino é caracterizado pela presença de células 
capazes de produzir e secretar substâncias químicas 
(os chamados hormônios) que têm por finalidade 
atuar em curtas ou longas distâncias em relação ao 
local onde foi secretada, com o intuito de alterar o 
funcionamento da célula-alvo após sua ligação ao 
receptor (AIRES, 2012).
Note que destacamos alguns pontos importantes 
na definição, ou no qual nos aprofundaremos um 
pouco mais neste momento.
GLÂNDULAS ENDÓCRINAS
A evolução da endocrinologia passou de uma vi-
são macroscópica para uma visão microscópica de 
acordo com o avançar da tecnologia. Isso fez com 
que num primeiro momento poucos foram os teci-
dos descritos que tinham a capacidade de secretar 
substâncias químicas com capacidade de alterar o 
funcionamento de células/tecidos corporais, e a es-
tes foi dada a terminologia de glândulas endócrinas 
(AIRES, 2012).
As primeiras glândulas endócrinas descritas fo-
ram: as gônodas (ovário e testículo), pâncreas, su-
prarrenal (glândula adrenal), tireóide, paratireóide 
e hipófise, sendo que nesses tecidos foram caracte-
rizadas as células secretoras dos hormônios (Figu-
ra 1). Verificou-se, também, que em uma mesma 
glândula, diferentes tipos celularespoderiam estar 
presentes e que, na maioria das vezes, cada tipo ce-
lular era responsável pela síntese e secreção de um 
hormônio específico, mas que em alguns casos um 
tipo celular poderia produzir mais de um hormô-
nio (HALL, 2011). 
Com o advento da tecnologia, foram caracterizadas cé-
lulas secretoras que se encontram dispersas em deter-
minados locais, sem formar um tecido especializado, 
e muito menos ainda um órgão (ou glândula). Como 
exemplo, temos células dispersas na glândula tireoide 
especializadas na síntese e secreção do hormônio cal-
citonina, importante na regulação dos níveis de cálcio 
no sangue. Além disso, à medida que evoluímos mais, 
observou-se que praticamente todos os tipos celulares 
do organismo são capazes de produzir um ou mais 
hormônios (como, por exemplo, o tecido adiposo, que 
secreta a leptina). Essa observação expandiu o sistema 
endócrino para muito além das clássicas glândulas en-
dócrinas, inicialmente caracterizadas (AIRES, 2012).
HORMÔNIOS
Os hormônios são substâncias químicas sintetizadas 
e secretadas pelos variados tipos celulares descritos 
anteriormente. De uma forma geral, todos têm por 
Figura 1 - Visão geral das glândulas endócrinas iniciais
116 
 
função modular a atividade de uma célula/tecido/
órgão e, como veremos mais a frente, vários são 
os hormônios presentes em nosso corpo (AIRES, 
2012). Diante desse fato, buscou-se classificá-los, 
sendo a afinidade deles por ambiente aquoso utili-
zado para tal finalidade. Dessa forma, classifica-se 
quimicamente os hormônios em hidrofílicos (aque-
les que têm afinidade por ambiente aquoso) e em hi-
drofóbicos (aqueles que têm aversão por ambientes 
aquosos) (HALL, 2011). 
Os hormônios hidrofílicos ou hidrossolúveis são 
a maioria e envolvem todos os hormônios que qui-
micamente são considerados peptídeos ou proteínas. 
Assim como todas as demais proteínas do corpo são 
constituídas de cadeias de aminoácidos que se ligam 
por ligações peptídicas, a composição desses hormô-
nios varia desde um único aminoácido modificado, 
até grandes proteínas (com centenas de aminoáci-
dos). Sua síntese depende de transcrição gênica, por 
não passarem livremente pela membrana, podem 
ficar estocados em vesículas na célula produtora até 
serem liberados e não obrigatoriamente precisam de 
proteínas transportadoras na circulação. Em geral, 
apresentam meia-vida curta (AIRES, 2012).
Em contrapartida, os hormônios hidrofóbicos ou 
lipossolúveis são derivados, em sua grande maioria, 
do colesterol, que sofre uma série de reações quími-
cas, dando origem aos variados hormônios chama-
dos de esteróides. Diferentemente dos hormônios 
hidrossolúveis, os lipossolúveis não são armazena-
dos em grânulos, sendo secretados por difusão na 
membrana plasmática à medida que são produzidos, 
não havendo estoque. Ao atingirem a circulação, por 
sua característica de “aversão à água”, necessitam de 
uma proteína com função de transporte, que facilita 
sua migração até a célula em que irá agir. Em geral, 
apresentam meia-vida longa (AIRES, 2012).
SISTEMAS HORMONAIS
Ao lermos na definição de sistema endócrino so-
bre a “atuação em curtas e longas distâncias” esta-
mos tratando dos chamados sistemas hormonais. 
Sistemas hormonais compreendem os meios pelo 
qual um hormônio atinge a célula-alvo (Figura 2). 
Antigamente, o único sistema hormonal descrito 
envolvia a ação chamada endócrina, caracteri-
zada pela ação do hormônio em uma célula-al-
vo distante, na qual ele chega através do sangue. 
Posteriormente a isso, foram descritos o sistema 
parácrino, no qual o hormônio se difunde pelo 
líquido intersticial (localizado entre as células) 
agindo em células vizinhas da célula secretora, 
não necessitando atingir a circulação sanguínea 
e o sistema autócrino, no qual o hormônio é se-
cretado e atua na própria célula que o secretou 
(HALL, 2011). 
Atualmente, outros sistemas hormonais foram 
descritos, tal como o criptócrino, o justácrino e o 
intrácrino, mas não se faz necessária a abordagem 
neste material de estudo. 
Baseado no conceito da palavra esteroide, 
ou seja, aquele que deriva do colesterol, de-
vemos refletir se todo esteroide induz ana-
bolismo (crescimento muscular) e se todo 
anabólico é esteroide. Esses conceitos estão 
se fundindo e muitos os usam como sinôni-
mos de forma incorreta.
REFLITA
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 117
RECEPTORES HORMONAIS
Quando escutamos que um hormônio desenvolve 
efeitos no organismo humano, tendemos a achar 
que é o hormônio propriamente dito que realiza esta 
ação. Como exemplo, ao entrarmos em contato com 
a informação que a insulina é responsável por redu-
zir a glicose do sangue, a imaginamos “pegando e 
lançando a glicose” para dentro das células. 
A ação hormonal é desencadeada por meio de sua 
ligação a receptores específicos de hormônios no órgão-
-alvo, ou seja, é por meio da ligação do hormônio ao seu 
receptor que se inicia uma cascata de eventos que cul-
mina com a ação propriamente dita (MOLINA, 2007). 
Fazendo uma analogia, o hormônio é só a primeira 
peça do dominó a cair em um efeito dominó (Figura 3).
De uma forma geral, a ligação do hormônio a um re-
ceptor segue um princípio chave-fechadura (Figura 
4), ou seja, cada determinado hormônio apresentará 
um ou vários tipos de receptores que são específicos 
ao hormônio em questão, impedindo que um hor-
mônio se ligue a receptores que não são específicos 
a ele (AIRES, 2012). 
Figura 2 - Principais sistemas hormonais
Fonte: Cavalcante (2015, on-line)1.
Figura 3 - Efeito dominó: analogia à forma como os hormônios atuam, 
iniciando uma série de eventos que resultará em seu efeito biológico final
Esses receptores podem, de uma forma geral, ser sub-
divididos em receptores de membrana celular e em 
receptores intracelulares (localizados no citoplasma 
ou no núcleo celular) (Figura 5). Em geral, hormônios 
capazes de atravessar a membrana plasmática (hormô-
nios lipossolúveis) apresentam receptores intracelula-
res. Em contrapartida, hormônios hidrossolúveis apre-
sentam receptores de membrana (MOLINA, 2007). 
Figura 4 - Hormônios se ligam a seus receptores num conceito de cha-
ve-fechadura
Figura 5 - Receptor de membrana celular e intracelular (citoplasmático 
e nuclear)
Fonte: o autor.
Insulina
Receptor de insulina
Importância da insulina
Canal de Glicose
Glicose
Célula
Receptor
no núcleo
Receptor
no citosol
Receptor na superfície 
da membrana celular
Molécula 
lipofílica
Molécula lipofílica 
ou lipofóbica
Células secretoras Células-alvo
adjacente
Autócrino Parácrino
Sinal extracelular
Receptor
Endócrino
Vasos sanguíneos
Células-alvo distantes
118 
 
Nesta seção, estudaremos as ações de hormônios es-
pecíficos e sua relação com o exercício físico.
HORMÔNIOS HIPOFISÁRIOS
A hipófise é uma glândula localizada na base do cé-
rebro, acoplada ao hipotálamo (Figura 6). A glân-
dula possui dois lobos: o lobo anterior (ou adenohi-
pófise), que é considerada uma glândula endócrina 
verdadeira e o lobo posterior (ou neurohipófise), 
que é o tecido nervoso que se projeta do hipotála-
mo. A hipófise anterior é responsável por secretar 
uma grande quantidade de hormônios (descritos 
adiante) e seu padrão de secreção hormonal é con-
trolado por hormônios estimuladores ou inibidores 
provenientes do hipotálamo que atingem a hipófise 
por meio de um conjunto de vasos sanguíneos deno-
minado de sistema porta hipotálamo-hipofisário. Já 
a hipófise posterior, libera dois hormônios que são 
produzidos no corpo celular de neurônios localiza-
dos no hipotálamo e que se dirigem até os terminais 
axônicos localizados na chamada neurohipófise, em 
que são secretados na corrente sanguínea quando 
necessários (HALL, 2011).
Hormônios: 
Funções e sua Relação 
com o Exercício Físico
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 119
A hipófise posterior é responsável pela secreção 
de dois hormônios, a ocitocina e o hormônio an-
tidiurético (ou vasopressina). A hipófise anterior 
é responsável por secretar o hormônio adrenocor-
ticotrófico(ACTH), o hormônio tireoestimulante 
(TSH), o hormônio folículo-estimulante (FSH), o 
hormônio luteinizante (LH), o hormônio de cres-
cimento (GH) e a prolactina (AIRES, 2012) (Figura 
7). Iniciaremos o estudo da hipófise pelos hormô-
nios da hipófise anterior.Figura 6 - Visão geral da hipófise 
Gonadotro�nas
Pele
Córtex 
adrenal
Seio
Rim
Ovário
TestítculoTireóideMúsculo
Osso
Prolactina
Ocitocina
HIPÓFISE
Figura 7 - Hormônios secretados pela hipófise
GLÂNDULA 
HIPÓFISE
HIPÓFISE 
ANTERIOR HIPÓFISE
POSTERIOR
HIPOTÁLAMO
GLÂNDULA HIPÓFISE
120 
 
Gonadotropinas (FSH e LH)
Os hormônios gonadotrópicos (FSH e LH) são sin-
tetizados e secretados por um conjunto de células da 
adenohipófise chamados de gonadotropos, em res-
posta à estimulação destas células por um hormônio 
proveniente do hipotálamo chamado de hormônio 
liberador de gonadotropinas (GnRH). O FSH e o 
LH exercem seus efeitos fisiológicos sobre múltiplas 
células do sistema reprodutivo (células da granulosa 
e da teca no ovário e células de Leydig e de Sertoli 
nos testículos) resultando na síntese dos hormônios 
sexuais (estrogênio e testosterona), espermatogêne-
se, foliculogênese e ovulação. 
Dessa forma, pode-se resumir o papel desses hor-
mônios em controle da função reprodutiva de ambos 
os sexos (MOLINA, 2007). Relatos inconsistentes 
descrevem as alterações a curto prazo no FSH e LH 
associadas ao exercício (McARDLE et al., 2015). 
Hormônio tireoestimulante (TSH)
O TSH é um hormônio liberado por células da hi-
pófise anterior chamadas de tireotropos em resposta 
a um hormônio estimulador proveniente do hipo-
tálamo, chamado de hormônio liberador de tireo-
tropinas (TRH). Ao cair na circulação, o TSH atinge 
a tireoide e estimulará o crescimento da glândula 
e a produção dos hormônios tireoidianos (HALL, 
2011). Devido ao papel dos hormônios tireoidia-
nos como reguladores do metabolismo, esperava-
-se efeitos mais pronunciados do exercício físico 
sobre os níveis de TSH, porém a resposta é incerta 
(McARDLE et al., 2015).
Hormônio adrenocorticotrófico (ACTH)
O ACTH é um hormônio liberado pela hipófise an-
terior, mais especificamente por células denomina-
das de corticotropos, estimulado por um hormônio 
hipotalâmico denominado de hormônio liberador 
de corticotropinas (CRH). O ACTH resulta de uma 
molécula proteica maior, denominada de proopio-
melacortina (POMC), após ser sintetizado e libera-
do é clivado em várias moléculas menores, incluindo 
o hormônio estimulador de melanócitos (que atua 
no controle da produção dos melanócitos na pele), 
as beta endorfinas (opioides endógenos) e o ACTH. 
Após sua liberação na circulação, o ACTH se dirige 
por meio do sangue até o córtex da glândula suprar-
renal e estimula a síntese e secreção de cortisol e, em 
menor grau, da aldosterona (AIRES, 2012).
Sobre sua relação com o exercício físico, acredita-
-se que as concentrações de ACTH podem aumentar 
proporcionalmente com a intensidade e a duração do 
exercício, desde que a intensidade seja superior a 25% 
da capacidade aeróbica (McARDLE et al., 2015). 
Prolactina
A prolactina é um hormônio secretado pelos lacto-
tropos da hipófise anterior. Os níveis de prolactina 
se mostram mais elevados na mulher do que no ho-
mem, sendo o papel deste hormônio na fisiologia 
masculina ainda pouco elucidado (MOLINA, 2007).
Seus principais efeitos fisiológicos consistem na 
estimulação do crescimento e desenvolvimento da 
glândula mamária, na síntese do leite e na manu-
tenção da secreção do leite, além de bloquear o eixo 
produtor de estrogênio quando presentes em quan-
tidades elevadas, tal qual ocorre no período pós-na-
tal (AIRES, 2012).
Estudos apontam que os níveis de prolactina 
aumentam com as altas intensidades do exercício 
e retornam ao nível basal dentro de 45 minutos 
após iniciada a recuperação. Em virtude de seu 
papel sobre o equilíbrio dos hormônios esteroides 
sexuais femininos, acredita-se que a liberação repe-
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 121
tida de prolactina induzida pelo exercício em atletas 
de alto rendimento possa ser uma das explicações 
da inibição da função ovariana e bloqueio do ciclo 
menstrual nestas mulheres (POWERS; HOWLEY, 
2014). Em geral, sabe-se que mulheres que correm 
sem utilizar roupa íntima que dê apoio às mamas 
(por exemplo, top ou sutiã) acentuam esta produ-
ção, assim como o jejum e o consumo de alimentos 
gordurosos. Este aumento de prolactina também é 
observado nos homens (McARDLE et al., 2015).
Hormônio do crescimento (GH) 
O GH é um hormônio liberado pelos somatotropos 
na adenohipófise em pulsos, sendo mais pronun-
ciado no período noturno, especialmente na fase 
de ondas lentas do sono. Sofre influência de fatores 
estimuladores (GHRH, dopamina, catecolaminas, 
aminoácidos, hormônio tireoidiano) e de fatores 
inibidores (somatostatina, IGF-1, glicose, ácidos 
graxos, cortisol) (HALL, 2011).
O GH induz efeitos fisiológicos sobre as células-
-alvo diretamente por meio da ativação do receptor 
de GH ou indiretamente por meio da estimulação 
da síntese e secreção do IGF-1. O principal efeito fi-
siológico do GH consiste em regular o crescimento, 
estimulando condrogênese e o alargamento da placa 
epifisária, seguido da deposição de matriz óssea. Em 
adição, estimula a captação de aminoácidos e síntese 
de proteínas musculares (efeito anabólico), lipólise, 
resistência à ação da insulina e manutenção da fun-
ção imune (MOLINA, 2007). 
Já o IGF-I estimula a formação óssea e a reabsor-
ção óssea, captação de glicose no músculo, sobrevi-
da dos neurônios e síntese de mielina. Atua ainda na 
inibição da degradação proteica e estímulo de sua 
síntese, além de estimular a síntese e inibir a degra-
dação de colágeno (MOLINA, 2007).
Sobre sua relação com o exercício físico, sabe-
mos que a atividade física estimula um aumento na 
amplitude dos pulsos e na quantidade de hormônio 
secretado em cada pulso. Somado a isto, estimula 
a liberação das isoformas de GH com meias-vidas 
mais longa, prolongando a ação do GH sobre os te-
cidos-alvo. Aparentemente, esta secreção é direta-
mente proporcional à dificuldade relativa do esforço 
físico. Dessa forma, beneficia o crescimento e remo-
delagem do músculo, osso e cartilagem, além de oti-
mizar a mistura de combustíveis durante a atividade 
física, reduzindo a captação de glicose (impedindo 
uma queda acentuada na glicemia, preservando-a 
para ser usada pelo sistema nervoso) e aumentando 
o uso das gorduras (McARDLE et al. 2015).
Ocitocina
A mama em fase de lactação e o útero durante a gravi-
dez constituem os dois principais órgãos-alvo dos efei-
tos fisiológicos da ocitocina. Na mama, durante a lac-
tação, a ocitocina estimula a ejeção do leite por meio 
da produção da contração das células mioepiteliais 
que revestem os alvéolos e ductos da glândula mamá-
ria. No útero gravídico, a ocitocina produz contrações 
rítmicas para induzir o trabalho de parto e a regressão 
do útero após o parto (AIRES, 2012). Os efeitos da ati-
vidade física sobre a ocitocina continua desconhecido. 
Hormônio antidiurético (ADH)
O ducto coletor dos néfrons no rim constituem o 
principal alvo da ação do ADH. A permeabilidade 
à água é relativamente baixa neste local, mas na pre-
sença do ADH, aumenta-se grandemente a perme-
abilidade (devido ao aumento na quantidade de ca-
nais de água nesta região) aumentando a reabsorção 
de líquidos com consequente diminuição no volume 
urinário formado (MOLINA, 2007). 
122 
 
A atividade física proporciona um poderoso es-
tímulo para a secreção de ADH. A maior liberação 
de ADH, estimulada provavelmente pela transpira-
ção, ajuda a conservar os líquidos corporais, parti-
cularmente durante a atividade física realizada em 
um clima quente e com desidratação concomitan-
te. Esse efeito do ADH, que consiste na conserva-
ção de água, contribui para manutenção do volume 
sanguíneo, preservando o trabalho cardiovascular 
(McARDLE et al., 2015). 
HORMÔNIOS TIREOIDIANOS
A glândula tireoide fica localizada na parte ante-rior do pescoço, em frente a traqueia (Figura 8). É 
constituída por dois lobos (direito e esquerdo), co-
nectados por um istmo. Apresenta como principal 
elemento constituinte as células foliculares, que da-
rão origem aos folículos produtores dos hormônios 
tireoidianos (triiodotironina, ou T3 e a tiroxina, ou 
T4). O T4 é o principal produto sintetizado e secre-
tado pela tireoide, porém, por ser a forma inativa do 
hormônio, necessita sofrer uma ação hormonal para 
conversão à forma ativa T3 (MOLINA, 2007).
Suas ações fisiológicas envolvem uma grande gama 
de tecidos. De uma forma geral, estimulam a termo-
gênese auxiliando na manutenção da temperatura 
corporal, estimula a formação de células adiposas, 
em excesso (como no caso do hipertireoidismo) esti-
mula a lipólise, aumenta a quantidade de receptores 
de catecolaminas no organismo, tornando-o mais 
suscetível à ação da adrenalina e noradrenalina (ele-
vando a frequência cardíaca e a força de contração do 
coração, por exemplo), atua na remodelação óssea, 
atua na eritropoese, é essencial para o crescimento e 
desenvolvimento normal da criança, assim como do 
desenvolvimento do sistema nervoso (AIRES, 2012).
Durante a atividade física, os níveis sanguíneos 
de T4 livre (tiroxina) aumentam em aproximada-
mente 35% (McARDLE et al., 2015) e este incremen-
to ocorre em decorrência de treinamento aeróbio, 
com o treinamento de força produzindo elevações 
não significativas (POWERS; HOWLEY, 2014).
Além dos hormônios tireoidianos, a tireoide 
apresenta um conjunto de células denominadas de 
células parafoliculares, envolvidas na produção de 
calcitonina, um hormônio que atua na regulação 
dos níveis de cálcio no sangue. De uma forma ge-
ral, a calcitonina age diminuindo a reabsorção ós-
sea e a absorção intestinal de cálcio com o intuito 
de minimizar os níveis de cálcio circulantes (MO-
LINA, 2007). Evidências atuais sugerem que a cal-
citonina não aumenta como resultado do exercício 
(POWERS; HOWLEY, 2014).
PARATORMÔNIO
A regulação dos níveis plasmáticos de Ca2+ é deci-
siva para a função normal das células, transmissão 
neural, estabilidade das membranas, estrutura óssea, 
coagulação sanguínea e sinalização intracelular. Essa Figura 8 - Visão geral da glândula tireóide
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 123
regulação baseia-se nas interações entre o parator-
mônio das glândulas paratireoides, a vitamina D da 
dieta e a calcitonina (da glândula tireoide) descrita 
anteriormente (HALL, 2011).
As glândulas paratireoides são glândulas do ta-
manho de uma ervilha, localizadas nos pólos su-
perior e inferior das bordas posteriores dos lobos 
laterais da glândula tireoide (Figura 9). O parator-
mônio, hormônio liberado por estas glândulas, tem 
por função estimular a reabsorção óssea e libera-
ção de cálcio na circulação. No rim, o paratormô-
nio promove a reabsorção de cálcio e a excreção de 
fosfato inorgânico na urina e a ativação da vitamina 
D (MOLINA, 2007). O paratormônio aumenta du-
rante exercícios intensos e prolongados (POWERS; 
HOWLEY, 2014).
A vitamina D ativa apresenta efeitos muito seme-
lhante ao do paratormônio, aumentando a absorção 
intestinal e a reabsorção renal de cálcio, além da re-
absorção óssea, sendo que todos estes efeitos levam 
ao aumento do cálcio plasmático (AIRES, 2012).
 CORTISOL
O cortisol é um hormônio esteroide, ou seja, deriva-
do do colesterol, sintetizado e secretado pelas glân-
dulas suprarrenais (ou adrenais) (Figura 10). Esta 
glândula é de extrema importância, visto que sua 
região central (conhecida como medula da suprar-
renal) é responsável pela síntese e secreção da adre-
nalina e sua região mais externa (córtex da suprar-
renal) é dividida em 3 porções: a zona glomerulosa 
(responsável pela secreção da aldosterona), a zona 
fasciculada (responsável pela produção de cortisol) 
e a zona reticular (responsável pela produção de an-
drogênios fracos, como a epiandrosterona e a dei-
droepiandrosterona) (HALL, 2011).
Figura 9 - Visão geral da paratireóide
glândula adrenal
Entre os seus efeitos fisiológicos, podemos dividi-los 
em metabólicos, hemodinâmicos e imunológicos. 
Os efeitos metabólicos incluem degradação de pro-
teína muscular, aumento na degradação de gorduras 
nos membros (lipólise periférica) e aumento na de-
posição de gordura central (lipogênese centrípeta), 
diminui a sensibilidade tecidual à insulina, estimula 
a glicogenólise e gliconeogênese hepática. Em rela-
Figura 10 - Visão geral da glândula adrenal
124 
 
ção a seus efeitos hemodinâmicos, temos que eles 
mantêm a integridade vascular e a reatividade, man-
têm a responsividade aos efeitos pressores das cate-
colaminas e mantêm o volume hídrico. Já os efeitos 
sobre o sistema imunológico, observamos uma ação 
anti-inflamatória aliada a uma diminuição da ativi-
dade do sistema imune (MOLINA, 2007). 
Sobre a relação do cortisol com o exercício físico, 
sabemos que o turnover do cortisol (taxa de renova-
ção, a diferença entre a produção e a remoção) exibe 
uma considerável variabilidade com a intensidade 
do exercício, o nível de aptidão, o estado nutricional 
e até mesmo o ritmo circadiano. A maior parte da 
pesquisa vigente demonstra aumento da produção 
do cortisol com a intensidade do exercício, o que 
acelera a lipólise, a cetogênese e a proteólise. Em 
relação ao volume de treino, observa-se níveis ex-
tremamente altos de cortisol após uma maratona. 
Até mesmo treinos moderados com duração mais 
prolongada elevam os níveis de cortisol. Importante 
salientar que este estado de hipercortisolismo per-
manece por até 2 horas após a interrupção da sessão 
de exercício (McARDLE et al., 2015). 
ALDOSTERONA
Como dito anteriormente, a aldosterona é um dos 
hormônios secretados pela glândula suprarrenal, 
mais especificamente na zona glomerulosa. Sua prin-
cipal função fisiológica consiste no estímulo para re-
absorção renal de sódio (e indiretamente de água) 
associado à excreção renal de potássio (HALL, 2011).
Durante o exercício, em resposta à maior ati-
vidade do sistema nervoso simpático, nota-se uma 
constrição das arteríolas aferentes renais, resultando 
na ativação de um sistema hormonal que culmina no 
incremento dos níveis de aldosterona. A este sistema 
chamamos de sistema renina-angiotensina-aldostero-
na, que auxilia na retenção de sódio e, indiretamente, 
de água durante o exercício (McARDLE et al., 2015). 
ADRENALINA
A adrenalina é um hormônio secretado pela região 
central da glândula adrenal conhecida como medula 
da suprarrenal. É de fundamental importância visto 
que potencializa a resposta do sistema nervoso sim-
pático em nosso corpo. Dentre suas ações, podemos 
citar o aumento da frequência cardíaca e da força de 
contração do coração, dilatação da pupila, broncodila-
tação, aumento na produção de calor, lipólise, glicoge-
nólise, relaxamento da musculatura lisa do intestino, 
bexiga e útero, aumento na produção de suor, maior 
atividade cerebral e estado de alerta (AIRES, 2012).
Por ser um hormônio fundamental para prepa-
rar o organismo para respostas de “luta ou fuga” e 
pelo fato de o exercício se enquadrar em atividades 
que simulem este estado, os estudos demonstram 
um incremento nos níveis de adrenalina, assim 
como nos níveis de noradrenalina (seu correspon-
dente liberado pelo sistema nervoso) em resposta 
diretamente proporcional à duração e intensidade 
dos exercícios. Seus efeitos principais, que potencia-
lizam a realização do exercício físico, englobam re-
distribuição de fluxo sanguíneo, potencialização do 
trabalho cardíaco (aumentando frequência cardíaca 
e força de contração cardíaca) e a mobilização dos 
substratos energéticos (McARDLE et al., 2015).
INSULINA
A insulina é um hormônio proteico produzido por 
um tipo celular específico do pâncreas (Figura 11) 
chamado de células beta. Liberada principalmente 
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 125
em resposta ao aumento nos níveis glicêmicos, têm 
como principal função remover o excesso de glicose 
do sangue e mantê-la em níveis consideradasade-
quados. Porém, seus efeitos metabólicos vão muito 
além de apenas remover a glicose da corrente san-
guínea. De uma forma geral, sabemos que a insulina 
é um hormônio anabólico, ou seja, estimula todas as 
vias de síntese e estoque de substratos energéticos 
no organismo e inibe praticamente todas as vias de 
degradação de substratos (MOLINA, 2007). 
Por ser um hormônio com características ana-
bólicas e o exercício físico ser uma atividade tipica-
mente catabólica, os estudos comprovam o que era 
esperado, ou seja, níveis de insulina inversamente 
proporcionais em relação à intensidade do esforço. 
Sendo assim, conforme incrementamos duração e 
intensidade do exercício, notamos uma queda nos 
níveis circulantes de insulina. Em parte, essa supres-
são na secreção de insulina é explicada pela ativi-
dade inibidora exercida pelo sistema nervoso sim-
pático nas células beta pancreáticas e também pelos 
níveis reduzidos na glicose circulante (McARDLE et 
al., 2015).
GLUCAGON
O glucagon é um outro hormônio sintetizado e 
secretado pelo pâncreas, porém por uma popu-
lação celular diferente das secretoras de insulina, 
denominadas de células alfa pancreáticas. Tem por 
finalidade principal impedir que a glicose sanguí-
nea atinja valores demasiadamente baixos (ação 
contrária a da insulina, por isso sua denominação 
de hormônio contrarregulador). Seus principais 
efeitos fisiológicos envolvem o fígado e incluem 
um estímulo para a glicogenólise e gliconeogênese 
hepática, duas vias metabólicas que têm por fina-
lidade aumentar a glicose na corrente sanguínea 
(MOLINA, 2007).
Por ser um regulador da glicemia, uma diminui-
ção nos níveis de glicose circulante induzida pelo 
exercício ou por um jejum prolongado estimula a 
liberação do glucagon. Entretanto o papel regula-
dor inicial para manutenção da glicemia durante o 
exercício é realizado pela adrenalina e pelo sistema 
nervoso simpático, com o glucagon tendo um papel 
mais tardio (McARDLE et al., 2015). 
Figura 11 - Visão geral do pâncreas
Sobre o metabolismo dos carboidratos, a insulina esti-
mula o transporte de glicose para o interior do tecido 
adiposo e do músculo esquelético, estimula a glicólise 
e a síntese de glicogênio no fígado e no músculo es-
quelético. Em adição, inibe a glicogenólise (hepática 
e muscular) e a gliconeogênese hepática. No metabo-
lismo dos lipídeos, é responsável por estimular a sín-
tese de ácidos graxos, de triacilglicerol e de colesterol 
e reduz a taxa de oxidação das gorduras e a síntese 
de corpos cetônicos. Em relação ao metabolismo das 
proteínas, estimula o transporte de aminoácidos para 
os tecidos e síntese de proteínas, inibindo a degrada-
ção protéica e a formação de ureia (AIRES, 2012).
126 
 
TESTOSTERONA
A testosterona é o principal hormônio esteroide an-
drogênico. Sintetizada principalmente pelas células 
de Leydig nos testículos (Figura 12) apresenta ações 
diretas ou moduladas pela sua conversão à diidrotes-
tosterona. Dentre essas funções, temos o direciona-
mento sexual embrionário, atividade secretora pós-
-púbere, crescimento puberal da laringe e mudança 
da voz, efeitos anabólicos sobre o músculo e ossos, 
eritropoiese, estimulação da espermatogênese e libi-
do. Também é responsável pelo crescimento penia-
no, calvície, desenvolvimento de pelos púbicos e axi-
lares e atividade da glândula sebácea (AIRES, 2012). 
Observa-se que a testosterona incrementa seus ní-
veis durante a realização do exercício (seja resis-
tido ou aeróbio) mantendo-se elevado por até 30 
minutos durante a recuperação. Esses incrementos 
são maiores quanto mais destreinado for o indiví-
duo, sendo que uma adaptação associada à melhora 
do condicionamento envolve incrementos cada vez 
menores nos níveis de testosterona durante os exer-
cícios (McARDLE et al., 2015). Este padrão de in-
cremento ocorre tanto em homens quanto em mu-
lheres, porém em valores absolutos diminuídos nas 
mulheres (visto que elas apresentam níveis de testos-
terona cerca de 10 vezes menores do que os homens 
(McARDLE et al., 2015).
ESTROGÊNIO
O estrogênio é o principal hormônio esteroide 
envolvido com a função sexual no sexo feminino. 
É produzido, principalmente, nas células da gra-
nulosa nos ovários (Figura 12), a partir de andro-
gênios produzidos nas células da teca. Tem como 
principais efeitos sistêmicos a influência sobre o 
humor, manutenção da densidade mineral óssea, 
crescimento e diferenciação dos órgãos sexuais 
femininos, crescimento e proliferação do tecido 
mamário, auxilia na manutenção do ciclo mens-
trual e fertilidade, estimula a produção de HDL e 
triglicerídeos e inibe a produção de LDL, aumenta 
a disponibilidade de fatores de coagulação e inibe 
a adesão plaquetária. 
Sobre o papel do exercício em seus níveis, a 
maioria dos trabalhos comprovam um aumento nos 
níveis circulantes de estrogênio com a realização do 
exercício físico (McARDLE et al., 2015).Figura 12 - Visão geral dos testículos e ovários
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 127
Como vimos, hormônios são fundamentais para 
o bom funcionamento corporal, com seus níveis 
oscilando dentro de uma faixa considerada ótima. 
Lembrem-se que qualquer alteração nestes níveis 
hormonais podem magnificar ou impedir o cor-
reto funcionamento corporal. Nenhuma alteração 
hormonal permanece por longos períodos sem al-
teração corporal.
O tecido adiposo é um órgão endócrino: o 
tecido adiposo era considerado apenas como 
o principal local de armazenamento para a 
gordura, sobretudo triglicérides. Quando a 
ingestão calórica excede o gasto, aumenta-
mos as reservas de gordura e o inverso se 
faz verdadeiro. Entretanto nas últimas duas 
décadas, essa visão sobre o tecido adiposo foi 
modificada em decorrência da comprovação 
que este tecido é capaz de secretar um con-
junto de hormônios.
Entre estes hormônios temos a leptina, hor-
mônio secretado de maneira diretamente 
proporcional à quantidade de massa adi-
posa e que tem por finalidade influenciar 
o apetite diretamente sobre os centros 
de controle de fome e saciedade no hipo-
tálamo. Estudos com camundongos sem 
a capacidade de produzir leptina observa-
ram que eles comem em demasia e ficam 
obesos. A adiponectina é outro hormônio 
secretado pelo tecido adiposo, tendo como 
função a melhoria da sensibilidade corpo-
ral a insulina. Entretanto seus níveis são 
incrementados quanto menores forem os 
estoques de tecido adiposo.
Fonte: adaptado de Powers e Howley (2014). 
SAIBA MAIS
128 
considerações finais
C
hegamos ao final de mais uma unidade na qual nos aprofundamos 
no universo dos hormônios. Inicialmente, entramos em contato com 
a parte conceitual e introdutória do tema, esclarecendo conceitos im-
portantes para uma boa base de estudo do sistema endócrino. Nesta 
primeira parte, chamo a atenção novamente para algo que trouxe na seção “refli-
ta” e envolve o conceito de esteroides. Há muito, a palavra esteroide vem sendo 
adotada como sinônimo para tratar todas as substâncias que simulam os efeitos 
anabólicos da testosterona. O conceito correto da palavra esteroide trata de hor-
mônios que derivam quimicamente do colesterol e não “substância que hipertro-
fia”. Vários são os esteroides presentes em nosso organismo e somente um deles, 
a testosterona, leva à hipertrofia. Portanto, cuidado no emprego desta palavra.
Num segundo momento, discutimos isoladamente os principais hormônios 
presentes no organismo, seguindo uma sequência de raciocínio que englobou os 
locais de produção no corpo humano, suas principais funções e sua relação com 
o exercício físico. Grande parte dos hormônios apontados neste material sofrem 
influência do exercício físico. Lembrem-se que não esgotamos o assunto, muita 
informação existe em literatura sobre a relação entre hormônios e exercício fí-
sico. Porém, este módulo servirá para atrair sua atenção e te proporcionar um 
conhecimento de base sobre o tópico.
Conforme abordado na introdução da unidade, o estudo dos hormônios é 
algo muito atrativo e muitas dúvidas os cercam,sendo que independente da área 
de atuação do profissional de educação física, os conceitos sobre hormônios de-
verão receber especial atenção e serão indagados pelo público-alvo do profissio-
nal. Portanto, espero ter atraído a atenção de vocês e que tenham aproveitado a 
oportunidade.
 129
atividades de estudo
1. Diversos hormônios circulam pelo nosso organismo realizando funções das 
mais variadas possíveis, necessárias para o bom funcionamento corporal. En-
tre estas funções temos o aumento na síntese proteica muscular. Sendo as-
sim, assinale a alternativa a seguir que melhor representa hormônios 
que tem por finalidade o crescimento muscular.
a) Testosterona e ocitocina.
b) Estrogênio e TSH.
c) GH e prolactina.
d) Testosterona e GH.
e) GH e cortisol.
2. A definição da palavra esteroides está atrelada a “um hormônio que deriva 
do colesterol”, uma definição muito diferente da ideia popular de que este-
roide representa “hormônio que estimula massa muscular”. Sabendo disso, 
assinale a alternativa a seguir que melhor representa que hormônios 
são considerados esteróides.
a) Testosterona e GH.
b) Estrogênio e ADH.
c) GH e TSH.
d) Estrogênio e testosterona.
e) Testosterona e TSH.
3. Durante uma corrida em um clima muito quente, experimenta-se um incre-
mento na temperatura corporal e consequente aumento na transpiração. 
Com o intuito de evitar uma perda acentuada de água corporal, o organismo 
libera qual dos hormônios a seguir?
a) Hormônio antidiurético.
b) Insulina.
c) Glucagon.
d) T4.
e) TSH.
130 
atividades de estudo
4. Sabendo que uma das funções da insulina é remover a glicose do sangue e 
levar para dentro da célula muscular e do tecido adiposo, esperamos que os 
níveis de insulina durante o exercício:
a) Aumente.
b) Diminua.
c) Aumente após os 20 minutos iniciais.
d) Aumente somente em exercícios de força.
e) Aumente após 2 horas de treinamento aeróbio.
5. Ao longo de um dia, nossa glicemia oscila entre aumentos (que ocorreram 
após as refeições) e quedas (que ocorreram durante períodos de jejum). Sa-
bemos que a queda da glicemia é extremamente danosa ao organismo, pois 
afeta o funcionamento do sistema nervoso, sendo assim, diante de uma 
situação de queda na glicemia, assinale a alternativa que melhor re-
presenta os hormônios que atuarão com o intuito de combater esta 
queda:
a) Insulina e estrogênio.
b) Glucagon e cortisol.
c) Adrenalina e testosterona.
d) Cortisol e aldosterona.
e) Glucagon e insulina.
 131
LEITURA
COMPLEMENTAR
Um excesso de hormônio do crescimento (GH) duran-
te a infância está ligado ao gigantismo, enquanto a 
secreção inadequada desse hormônio causa nanismo. 
Essa última condição exige a administração de GH (jun-
tamente com demais hormônios promotores do cres-
cimento) durante os anos de crescimento, para que 
a criança readquira sua posição normal no gráfi co do 
crescimento. Já em adultos defi cientes em GH, doses 
terapêuticas do hormônio provocam aumentos na oxi-
dação das gorduras, aumento no VO2 máx e na força 
e melhoram a composição corporal, reduzindo o per-
centual de gordura e aumentando a massa muscular. 
Originalmente o GH era obtido a partir da extração de 
hipófi se de cadáveres (algo difícil e dispendioso), mas 
atualmente podemos contar com GH recombinante.
Caso ocorra um excesso de GH durante a vida adulta, 
ocorrerá uma condição conhecida como acromegalia. O 
GH adicional na vida adulta não afetará o crescimento na 
altura, pois já se fecharam as placas de crescimento epi-
fi sárias nas extremidades dos ossos longos. Infelizmen-
te, o GH em excesso causa deformidades permanentes, 
conforme pode ser observado em um espessamento dos 
ossos da face, mãos e pés. Até recentemente, a causa 
habitual de acromegalia era um tumor de hipófi se ante-
rior que resultava em excesso de secreção de GH. Atual-
mente, este não é mais o caso. Em um impulso de tirar 
vantagem dos efeitos anabólicos do GH, adultos jovens 
com níveis normais desse hormônio estão injetando o 
GH humano, combinado a outros hormônios. 
O que esta administração leva? Aparentemente, os estu-
dos têm apontado para:
a. Adultos normais exibiram aumento de massa cor-
poral magra, mas isso se deve mais à retenção de 
água do que a um aumento na massa muscular;
b. Há mínimos ganhos em massa corporal magra e 
em força nos homens quando o GH é utilizado com 
o treinamento de resistência, em comparação com 
o uso exclusivo do treinamento de resistência;
c. Há diversos eventos adversos nos casos de uso de 
GH, e esses eventos dependem da dose. Os even-
tos adversos são: supressão do eixo GH/IGF, re-
tenção de água e edema, dores articulares e mus-
culares, bem como maior risco ligado à aplicação 
das injeções.
Além disso, estudos têm apontado que apesar de efeitos 
benéfi cos, em idosos saudáveis constatou-se um núme-
ro maior de efeitos adversos do que de benefícios, tendo 
sido recomendado que o GH não fosse usado como tera-
pia antienvelhecimento.
Portanto, apesar de ser consenso em muitos centros de 
treinamento do papel benéfi co do GH para performance, 
mais estudos devem ser realizados para tratar da relação 
benefícios versus malefícios de seu uso indiscriminado. 
Fonte: adaptado de Powers e Howley (2014).
132 
material complementar
Título: Fisiologia endócrina
Autor: Patricia E. Molina
Editora: Lange
Sinopse: livro inteiramente destinado ao estudo da fi siologia endócrina, trazen-
do informações de forma aprofundada a todos aqueles que querem incrementar 
seus conhecimentos.
Indicação para Ler
Sinopse: livro inteiramente destinado ao estudo da fi siologia endócrina, trazen-
do informações de forma aprofundada a todos aqueles que querem incrementar 
 133
referências
gabarito
AIRES M. M. Fisiologia. 4 ed. Rio de Janeiro: Guanabara koogan, 2012. 
HALL J. E. Guyton e Hall: tratado de fisiologia médica. 12 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.
POWERS S. K.; HOWLEY E. T. Fisiologia do exercício: teoria e aplicação ao condicionamento e ao desem-
penho. São Paulo: Manole, 2014.
McARDLE W. D.; KATCH F. I.; KATCH V. E. Fisiologia do exercício: nutrição, energia e desempenho huma-
no. 7 ed. Rio de Janeiro: Guanabara koogan, 2011.
MOLINA P. E. Fisiologia endócrina. Freguesia do Ó: Lange, 2007.
Referências on-line:
1 Em: <https://www.slideshare.net/felipecavalcante33/fisio-endcrino?ref=>. Acesso: 03 jul. 2017.
1. D
2. D
3. A
4. B
5. E
Professor Dr. Felipe Natali Almeida
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta 
unidade:
• Atividade física e saúde
• Exercícios para populações especiais
Objetivos de Aprendizagem
• Entender o conceito de atividade física voltada para saúde.
• Explanar sobre a prática de exercícios físicos para 
populações especiais.
FISIOLOGIA DA ATIVIDADE FÍSICA 
VOLTADA PARA A SAÚDE
 unidade 
V
INTRODUÇÃO
Olá aluno(a), seja bem-vindo(a) a nossa última etapa nesta escalada de 
conhecimentos. Nesta quinta e última unidade, discutiremos informações 
pertinentes à realização da prática de atividade física relacionada à saúde.
Por saúde muitos entendem como apenas a ausência de doenças, po-
rém saúde é algo bem mais amplo. De uma forma geral, saúde é definida 
como o completo bem-estar físico, mental e espiritual do indivíduo, com 
os três elementos colocados dentro de um continuum (continuum repre-
senta uma série de acontecimentos sequenciais e ininterruptos, fazendo 
com que haja uma continuidade entre o ponto inicial e o final) no qual ou 
você se aproxima do espectro “saúde” ou se aproxima do espectro “mor-
te”. Isso significa que todos os hábitos realizados por nós ao longo dos 
dias refletem positiva ou negativamente no nosso continuum, nos aproxi-
mando mais do polo saúde ou nos direcionando para o polo morte.
Diante deste fato, um dos pilares para nos aproximarmos mais do 
polo saúde engloba a realização de exercícios físicos. Entretanto diferen-
temente do direcionamento que temos que dar para atletas envolvidos em 
competiçõesesportivas com o intuito de vencer, os elementos envolvidos 
na realização de exercícios voltados para saúde são bem menos intensos e 
devem refletir, principalmente, na capacidade funcional do indivíduo, ou 
seja, nos elementos necessários para que tenham uma vida independente, 
ou o mais independente fisicamente possível. Somado a isto, a prática de 
exercícios físicos deve ser capaz de reduzir a predisposição à instalação 
de uma série de doenças associadas à falta de movimentação e, caso essa 
doença já esteja instalada, o exercício deve ser capaz de, juntamente com 
outras medidas, frear a evolução e servir como uma medida auxiliar ao 
tratamento. 
Sendo assim, trataremos inicialmente nesta unidade de conceitos re-
lacionados ao exercício físico voltado para a saúde, seguido da prática de 
exercícios em indivíduos acometidos por algumas doenças comuns em 
nossa sociedade. Espero que aproveitem este material.
138 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
Figura 1 - Vida urbana: marcada por comportamentos associados ao 
baixo nível de movimentação corporal
Atividade Física
 e Saúde
Os padrões de vida atuais direcionam o ser huma-
no para uma vida cada vez mais sedentária. Com a 
introdução das novas tecnologias, o homem mo-
derno transformou-se. Em um passado não tão dis-
tante, ele era um indivíduo do campo, fi sicamente 
ativo, que retirava seu sustento do trabalho braçal, 
mas com as ondas migratórias para as grandes ci-
dades passou a adotar um estilo de vida urbano, 
com um comportamento tipicamente sedentário 
(Figura 1) (STEIN, 1999).
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 139
Os seres humanos foram “construídos” para serem ativos. Do ponto de vista fisio-
lógico, não nos adaptamos muito bem a este estilo de vida sedentário, informação 
esta podendo ser comprovada mediante análise da grande quantidade de doen-
ças associadas ao sedentarismo e que tem crescido em incidência nas últimas 
décadas. Somado a isto, muitos são os estudos que demonstram que um estilo 
de vida mais ativo é de fundamental importância para uma boa saúde (Figura 2) 
(HAMER et al., 2014).
Não saudável Saudável
Figura 2 - Associação entre exercícios físicos e melhora da saúde
140 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
Dentro deste contexto, um campo específico do conhecimento é utilizado para 
estudar a associação entre atividade física e saúde e trata-se da epidemiologia da 
atividade física. Esta área aplica definições específicas para caracterizar os padrões 
comportamentais e as consequências. A terminologia relevante inclui o seguinte:
• atividade física: movimento corporal produzido pela contração muscular 
e que faz aumentar o dispêndio de energia;
• exercício: atividade física planejada, estruturada, repetitiva e intencional;
• aptidão física: atributos relacionados com a maneira pela qual se executa 
uma atividade física;
• saúde: bem-estar físico, mental, social e espiritual e não apenas ausência 
de doenças;
• aptidão física relacionada à saúde: componentes da aptidão física associados 
a algum aspecto de boa saúde ou à prevenção da doença.
Alimentação inadequada
Depressão
Diabetes
Doença cardíaca
Câncer
Estilo de vida sedentário
Alimentação saudável
Sensação de bem-estar
Saúde física
Ausência de doença
Atividades físicas
Relações interpessoais
Figura 3 - Associação entre exercícios com melhores hábitos de vida levam a um fenótipo mais saudável
Em literatura, segundo Stein (1999), ao exercitar-se o indivíduo assume uma pos-
tura positiva em relação a outros fatores de risco para saúde, procurando assumir 
um hábito de vida mais saudável. Podemos mencionar isto uma vez que existe uma 
relação inversa entre a prática de exercícios físicos e diferentes hábitos não reco-
mendáveis em se tratando de saúde. O exercício pode ter um impacto sobre o ta-
bagismo, sobre a ingestão de caloria inadequada, sobre o estresse exagerado, além 
de poder atuar sobre a dependência de álcool e de drogas psicoativas (Figura 3).
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 141
Desta forma, a atividade física torna-se um termo genérico que engloba pratica-
mente todo tipo de movimento. Já a saúde concentra-se num espectro que varia 
desde a ausência completa dos elementos (presentes num extremo de quase mor-
te) aos mais altos níveis de função do organismo. Já em relação à aptidão física, 
muitas são as variáveis mensuráveis que se enquadram neste elemento, porém 
quando tratamos de atividade física voltada à saúde, seus componentes mais im-
portantes envolvem o condicionamento aeróbio, a composição corporal, a força 
e resistência muscular e a flexibilidade (POWERS; HOWLEY, 2014).
De uma forma geral, os elementos relacionados ao exercício necessários para 
uma boa saúde estão explicitados na pirâmide a seguir (Figura 4).
REDUZIR
PELO MENOS 2
VEZES/SEMANA
PELO MENOS
3 VEZES/SEMANA
DIARIAMENTE
(COM A MAIOR FREQUÊNCIA POSSÍVEL)
• Tempo dedicado a assistir televisão
• Surfando na internet
• Leitura e uso de computador excessivos
 • golfe
 • jardinagem leve
 • atividades caseiras
• calistenia fácil
• ioga
• treinamento de resistência 
 leve-moderado
Flexibilidade e forçaAtividade de lazer-estilo de
vida (exercício aeróbico baixo)
• carregando os mantimentos
• subindo as escadas
• caminhando até o trabalho
• empurrando o cortador de grama
• caminhada
• trote
• natação
• pedalagem
• aeróbica
Exercício aeróbico
• tênis
• pedestrianismo
• raquetebol
• basquete
Exercício recreativo
PIRÂMIDE DE ATIVIDADE FÍSICA
Figura 4 - Pirâmide do exercício: exercícios para uma saúde adequada
Fonte: McArdle, Katch e Katch (2011, p. 867).
Diante de todos os benefícios proporcionados pela prática de exercícios 
físicos de forma regular, não existem informações pertinentes que respal-
dam a opção por não se exercitar. Estimule as pessoas a sua volta para o 
aumento no gasto energético com atividades físicas.
(Powers e Howley)
REFLITA
142 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
Ao nos atermos em exercícios específicos, muitas são as condições que reque-
rem um cuidado especial durante a realização. A seguir, trataremos de quatro 
condições, devido a sua grande presença no público que busca a realização de 
exercícios físicos.
Exercícios Para Populações 
Especiais
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 143
DIABETES
Diabetes tipo I
O diabetes tipo I (Figura 6), também chamado de 
insulino-dependente, ocorre principalmente em 
indivíduos mais jovens (abaixo dos 20 anos) e está 
associado a um ataque do corpo do indivíduo às 
células produtoras de insulina. Ou seja, o organis-
mo, por algum motivo, acredita que as células beta 
sejam agentes invasores (tal qual uma infecção por 
vírus ou bactérias) e direciona o sistema imune para 
combatê-las, resultando em sua destruição (AIRES, 
2012). Este tipo acomete cerca de 5-10% dos indiví-
duos diabéticos tipo I (POWERS; HOWLEY, 2014).
O diabetes (Figura 5) é uma doença caracterizada 
por níveis elevados de glicose na corrente sanguí-
nea de forma crônica. Duas são suas apresentações: 
o diabetes tipo I, caracterizado por uma reduzida/
ausente capacidade de secreção de insulina pelas 
células beta-pancreáticas; e o diabetes tipo II, ca-
racterizado pela reduzida capacidade de ação da 
insulina, ou seja, o corpo libera, mas o hormô-
nio não consegue agir de forma efetiva (Figura 6) 
(HALL, 2011).
Insulina Receptor de
insulina
Glicose
Saudável
Diabetes tipo I
Diabetes tipo II
Insulina Receptor de
insulina
Glicose
Insulina Receptor de
insulina
Glicose
Figura 5 - Diferença do pâncreas funcionando normalmente e em dia-
béticos tipo I e tipo II
144 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
Os sintomas iniciais envolvem urina frequente, 
muita sede, muita fome e emagrecimento. Por não 
produzirem insulina suficiente, esses indivíduos 
serão dependentes da administração de insulina 
para manter a glicemia dentro de valores normais 
(HALL, 2011).
Em relação à prática de exercícios físicos por in-
divíduos diabéticos tipo I, alguns cuidados devem 
ser tomados visto que, por serem dependentes de 
insulina e pelo fatoda dose de insulina ser ajustada 
com base nas atividades cotidianas do indivíduo e 
na alimentação, a inserção do exercício físico pode 
ser um agente dificultador do ajuste da dose de insu-
lina, facilitando o desenvolvimento de hipoglicemia. 
Porém, devido aos amplos benefícios da prática re-
gular de exercícios físicos, tal prática deve ser esti-
mulada em indivíduos portadores de diabetes tipo I 
(POWERS; HOWLEY, 2014). 
Antes do início da prática de exercícios físi-
cos, idealmente seria necessária a avaliação por um 
profissional médico, especialmente se o indivíduo 
apresenta mais de 40 anos, tem a doença a mais 
de 10 anos e permaneceu sedentário por todo este 
período; tem hipertensão arterial associada; fuma; 
apresenta níveis de lipídeos sanguíneos alterados ou 
problemas na retina ou no rim já instalados. Todos 
esses fatores são ditos fatores agravantes e requerem 
cuidados adicionais em relação à intensidade do 
exercício para evitar piora no quadro (POWERS; 
HOWLEY, 2014). 
Ao prescrever exercícios ao diabético tipo I, a 
principal preocupação reside em evitar a hipogli-
cemia. Isso pode ser conseguido se alguns cuidados 
forem tomados: 
1. monitorar a glicemia antes e depois dos exer-
cícios físicos;
2. evitar exercícios se os níveis de glicose de je-
jum estiverem superiores a 250mg/dL e/ou 
associado à cetose;
3. ingerir carboidratos se os níveis glicêmicos 
estiverem inferiores a 100mg/dL;
4. identificar quando há necessidade de mudança 
na dose de insulina ou na ingestão de alimentos;
5. aprender como a glicemia responde a dife-
rentes tipos de exercícios;
6. ingerir carboidratos conforme necessidade 
para evitar hipoglicemia;
7. alimentos com carboidratos devem estar dis-
poníveis durante e depois dos exercícios físicos.
Existe variabilidade no modo como um diabéti-
co tipo I responde ao exercício e à hipoglicemia. 
Em consequência disso, são essenciais a monito-
rização frequente e consistente da glicemia e um 
ajuste fino da dose de insulina e da ingestão de 
carboidratos, para que se obtenha sucesso prolon-
gado na prevenção da hipoglicemia (McARDLE 
et al., 2015).
A prescrição de exercício para o diabético tipo 
I também deve levar em consideração outros pro-
blemas associados a essa doença, como neuropa-
Figura 6 - Imagem representativa de um indivíduo com diabetes tipo I: 
observar aplicação da insulina em região abdominal
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 145
tia autonômica, neuropatia periférica, retinopatia 
e nefropatia. Indivíduos com disfunção do sistema 
nervoso autônomo podem exibir respostas anor-
mais da frequência cardíaca e da pressão arterial ao 
exercício. Pessoas com lesões nervosas periféricas 
podem sentir dor, comprometimento do equilíbrio 
e redução da propriocepção. A lesão de retina, algo 
frequente em diabéticos tipo I, pode ser agrava-
da pelo aumento da pressão arterial ou qualquer 
movimento rápido da cabeça. Finalmente, a lesão 
renal também é algo a ser considerado pela sua 
grande prevalência e probabilidade de ser agravada 
pelo aumento da pressão e redistribuição de fluxo 
sanguíneo durante o exercício. Por isso, não é de 
se surpreender que a prescrição do diabético deve 
levar em consideração a presença destes fatores 
(POWERS; HOWLEY, 2014). 
Portanto, acredita-se que embora não possa ser 
considerado como fator essencial para a manuten-
ção da glicemia na faixa normal (apesar de auxiliar), 
o fato de que diabéticos tipo I, que permanecem fisi-
camente ativos, sofrem menos complicações diabé-
ticas já seria a razão suficiente para continuar com 
uma vida ativa (KENNEY et al., 2013).
Diabetes tipo II
O diabetes tipo II, também conhecido como não in-
sulino-dependente, ocorre geralmente com maior 
lentidão, visto que hábitos do indivíduo vão tornan-
do o corpo do diabético deste tipo menos responsivo 
à insulina. Logo, surge, geralmente, em idade mais 
avançada do que o diabetes tipo I. No entanto, por 
estar relacionado, entre outras coisas, ao excesso de 
peso, pode ser observado em crianças e adolescen-
tes com excesso de peso. Cerca de 90-95% dos in-
divíduos diabéticos são diabéticos tipo II (Figura 7) 
(McARDLE et al., 2015).
Geralmente, esses pacientes exibem diversos fatores 
de risco para o desenvolvimento de doenças cardio-
vasculares além do diabetes, hipertensão, colesterol 
alto, obesidade e inatividade física são as mais fre-
quentes (AIRES, 2012).
Há evidência convincente de que o diabetes 
tipo II está ligado à falta de atividade física, inde-
pendente da obesidade. Além disso, pesquisas atu-
ais corroboram os benefícios do treinamento na 
prevenção e tratamento da resistência à insulina e 
do diabetes tipo II. Em comparação com o indi-
víduo diabético tipo I, cuja vida pode estar mais 
complicada quanto ao controle da glicemia no iní-
cio do programa do exercício, a prática de exercício 
é recomendação essencial para o diabético tipo II, 
tanto para ajudá-lo a enfrentar a obesidade (geral-
mente associada) como para ajudar no controle da 
glicemia (McARDLE et al., 2015).
A combinação de exercício e dieta pode ser su-
ficiente, eliminando a necessidade de insulina ou da 
medicação oral para estimular a secreção deste hor-
mônio (KENNEY et al., 2013). Em comparação com 
o diabético tipo I, o diabético tipo II não sofre as 
Figura 7 - Diabetes tipo II: em geral, apresenta como principal fator de 
risco o excesso de peso
146 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
mesmas oscilações na glicemia durante o exercício, 
contudo, pessoas que tomam medicação oral para 
estimulação da insulina talvez tenham que diminuir 
a dose para manter a glicemia normal durante o 
exercício (POWERS; HOWLEY, 2014). 
Como ocorre com todos os programas de 
exercícios para indivíduos descondicionados, é 
mais importante fazer menos do que demais no 
início do programa. Ao começar com uma ativi-
dade física moderada, aumentando gradualmente 
a duração, os exercícios podem ser feitos todos os 
dias. Essa estratégia permite aprender como deve 
ser mantido um controle adequado da glicemia, 
ao mesmo tempo que minimiza a probabilida-
de de uma resposta hipoglicêmica. Além disso, 
ajuda a formar o “hábito” da prática do exercício 
regular, condição crucial para obtermos benefí-
cios que perdurarão a longo prazo (POWERS; 
HOWLEY, 2014).
HIPERTENSÃO ARTERIAL
A hipertensão arterial é caracterizada pelo au-
mento crônico da pressão arterial acima dos va-
lores considerados normais para o repouso (Fi-
gura 8). As diretrizes atuais consideram valores 
acima de 140/90mmHg para pressão arterial sis-
tólica e diastólica, respectivamente, como classi-
ficação de hipertensão arterial. A pressão arterial 
considerada normal envolve valores abaixo de 
120/80mmHg e os valores presentes entre estas 
duas escalas considera o indivíduo como pré-hi-
pertenso (entre 120-139mmHg para pressão ar-
terial sistólica e entre 80-89 para pressão arterial 
diastólica) (AIRES, 2012). 
Indivíduos hipertensos devem tomar medicação 
para controle da pressão arterial e, geralmente, este 
uso perdurará por toda a vida, evitando assim o 
desenvolvimento de problemas associados à eleva-
ção da pressão (Figura 9). O fato da pressão arte-
rial estar controlada na presença da medicação não 
permite a retirada do medicamento, visto que esta 
atitude (sem o consentimento de um profissional 
médico) geralmente desregulará a pressão arterial 
novamente. Aliado à medicação, recomenda-se o 
uso de medidas conhecidas como não farmacoló-
gicas para o controle da pressão arterial e incluem, 
principalmente, o controle do peso corporal, con-
trole alimentar e prática regular de exercícios físicos 
(KENNEY et al., 2013).
Figura 8 - Método de aferição da pressão arterial
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 147
A recomendação dietética para o controle da pres-
são arterial é a redução da ingestão de sal e de calo-
rias. Acredita-se que a redução no consumo do sal 
reduza, em média, 5 e 3mmHg para pressão sistó-
lica e diastólica, respectivamente, enquanto a per-
da de 1kg de peso corporal leve a uma reduçãode 
cerca de 2mmHg para pressão sistólica e diastólica 
(POWERS; HOWLEY, 2014).
Já a relação com o exercício físico, sabe-se que tan-
to o condicionamento físico como o exercício físico re-
gular estão inversamente relacionados com a possibili-
dade de ocorrência de hipertensão arterial. Acredita-se 
que o exercício de resistência aeróbia reduza cerca de 
5-7mmHg os valores de pressão arterial em repouso 
do indivíduo hipertenso. Associada a isso, a prática re-
gular de exercícios levam a mudanças no organismo 
que diminuem o risco de doença coronariana, mesmo 
em casos que a pressão arterial não diminui. 
OBESIDADE
A obesidade (Figura 10) é caracterizada pelo acú-
mulo de gordura corporal acima de valores conside-
rados normais, no qual em resposta a variados mo-
tivos a ingestão energética ultrapassa cronicamente 
o dispêndio de energia. São relatados como causas 
as influências genéticas, ambientais, metabólicas, fi-
siológicas, comportamentais, sociais e, talvez, raciais 
(POWERS; HOWLEY, 2014).
Complicações da hipertensão
Danos aos vasos sanguíneos
Falência renal
Dores de cabeça
Infarto agudo do miocárdio
Cardiomiopatia
Falência cardíaca
Ataque cardíaco
Acidente vascular cerebral
Demência
Desordens neurologicas
Retinopatia
Figura 9 - Problemas associados à hipertensão arterial
Figura 10 - Excesso de gordura corporal
148 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
Esta ruptura no equilíbrio energético começa com 
frequência na infância e, quando chega a ocorrer a 
probabilidade de obesidade na vida adulta, aumen-
ta consideravelmente. Como exemplo, sabemos que 
crianças obesas entre os 6 e 9 anos de idade com-
portam uma probabilidade de 55% de se tornarem 
obesas quando adultas (um risco cerca de 10 vezes 
maior que aquele apresentado por crianças com 
peso normal) (McARDLE et al., 2015).
Apesar disso, é entre os 25 e 44 anos que temos 
o período mais perigoso em relação ao desenvolvi-
mento da adiposidade excessiva. Estudos com norte-
-americanos apontam que entre os 20 e 40 anos eles 
ganham, em média, cerca de 900g por ano (McAR-
DLE et al., 2015). E, apesar dos relatos de influên-
cias genéticas serem de suma importância para este 
grande incremento no peso corporal, os pesquisa-
dores apontam que alterações genéticas por si só não 
podem ser a única explicação e relatam que o estilo 
de vida sedentário associado a uma grande disponi-
bilidade de alimentos saborosos e ricos em lipíde-
os e calorias servidos em porções cada vez maiores 
continuam sendo os principais culpados (Figura 11) 
(KENNEY et al., 2013).
Tratando especificamente da relação da atividade fí-
sica com o desenvolvimento do excesso de gordura 
corporal, temos que a atividade física regular, tanto 
por meio da recreação quanto da ocupação profis-
sional, dificulta efetivamente o aumento do peso e 
as alterações adversas na composição corporal. Esse 
efeito frustra a tendência em recuperar o peso per-
dido e contraria uma variação genética comum que 
torna a pessoa mais propensa a ganhar um peso ex-
cessivo. Os indivíduos que conseguem manter a per-
da de peso ao longo do tempo mostram uma maior 
força muscular e participam em mais atividade físi-
ca que os congêneres que recuperam o peso perdido 
(POWERS; HOWLEY, 2014).
Os estilos de vida fisicamente ativos reduzem 
o padrão “normal” de aumento de gordura na vida 
adulta. Para homens jovens e de meia-idade que se 
exercitam regularmente, o tempo gasto na ativida-
de física relaciona-se inversamente com o nível de 
gordura corporal. Corredores de longa distância de 
meia-idade continuam sendo mais magros que seus 
congêneres sedentários (McARDLE et al., 2015). 
Mas o que torna a adiposidade excessiva um 
problema? Diversos estudos comprovam que ela 
está associada a uma deterioração da saúde e qua-
lidade de vida do indivíduo. De uma forma geral, 
observa-se um prejuízo na função cardíaca; uma 
associação com desenvolvimento de hipertensão 
arterial; acidente vascular cerebral e trombose ve-
nosa profunda; resistência à insulina e diabetes; 
doença renal; apneia do sono; restrição ventilató-
ria; osteoartrite; dores articulares devido à sobre-
carga excessiva; gota; câncer de endométrio; da 
mama, da próstata e do cólon; níveis anormais de 
lipídeos sanguíneos; irregularidades menstruais; 
alterações psicológicas; entre outros (Figura 12) 
(KENNEY et al., 2013).Figura 11 - As escolhas de vida levam ao fenótipo obeso
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 149
Em números, utiliza-se o percentual de gordura ou 
o Índice de Massa Corporal (IMC) para caracterizar 
o indivíduo como obeso. Em relação ao percentual 
de gordura, estima-se que homens jovens são con-
siderados com padrões de adiposidade excessiva 
acima de 20% de gordura corporal (com homens 
mais velhos aceitando até 25-30%), enquanto em 
mulheres estes valores devem ser superiores a 30% 
(McARDLE et al., 2015).
Tratando-se do IMC, sabemos que segundo a 
Organização Mundial de Saúde, os valores e sua clas-
sificação correspondentes seguem a tabela a seguir.
Tabela 1 - Índice de Massa Corporal (IMC), calculado 
pela divisão do peso (Kg) pela altura (m) ao quadrado
Valores de IMC Classificação
<18,5 Baixo peso
18,6-24,9 Normopeso
25-29,9 Sobrepeso
30-34,9 Obesidade grau I
35-39,9 Obesidade grau II
>40 Obesidade grau III (mórbida)
 Fonte: Diretrizes Brasileiras de Obesidade, 2009.
Além do excesso de adiposidade, também devemos 
levar em consideração a distribuição da gordu-
ra corporal (Figura 13), visto que este fator altera 
os riscos para a saúde em crianças, adolescentes e 
adultos. O maior risco para a saúde envolve a de-
posição da gordura na área abdominal (obesidade 
central ou andróide), visto que ela, em compara-
ção com a obesidade ginóide (aquela onde a de-
posição de gordura ocorre na região do quadril e 
coxa), aumenta a propensão para doença cardíaca, 
hiperinsulinemia, intolerância à glicose, diabetes 
tipo II, câncer de endométrio, hipertrigliceride-
mia, dislipidemias, hipertensão e aterosclerose. De 
uma forma geral, utiliza-se os valores de circunfe-
rência de abdome de 102cm para homens e 88cm 
para mulheres como limítrofe em relação aos riscos 
(McARDLE et al., 2015). 
COMPLICAÇÕES MÉDICAS DA OBESIDADE
Doença
coronariana
Catarata
Acidente 
vascular cerebral
Doenças pulmonares
Doença hepática
gordurosa não alcoólica
Distúrbios da
vesícula biliar Câncer
Figura 12 - Distúrbios associados à adiposidade excessiva
Figura 13 - Acúmulo de gordura na região central (andróide) ou na re-
gião de quadril e coxas (ginóide)
Em relação à redução ou controle do peso corporal, 
as recomendações partem de algo a muito descrito 
em literatura: a primeira lei da termodinâmica, que 
postula que a energia pode ser transferida de um 
sistema a outro, mas não pode ser criada nem des-
150 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
truída. Em termos de peso corporal, significa que se 
a ingesta calórica for igual ao gasto, o peso corporal 
não modificará. Caso a ingesta seja maior do que 
o gasto, o peso corporal aumenta e, se o gasto for 
maior do que a ingesta, o peso corporal tenderá a 
reduzir (Figura 14) (KENNEY et al., 2013).
Para isso, um dos primeiros passos para estimular 
o indivíduo é colocar metas atingíveis, para evi-
tar grandes frustrações que podem desencadear 
danos psicológicos que levariam o indivíduo a 
abandonar o programa de emagrecimento. Atual-
mente, estimula-se a estabelecer como meta ini-
cial uma perda de peso de 5-15% do peso corporal 
(McARDLE et al., 2015).
IDOSOS
As pessoas idosas perfazem o seguimento de cres-
cimento mais rápido da sociedade na maioria dos 
países (Figura 15). Há 30 anos, o marco de 65 anos 
representava o início da velhice. Porém, os geron-
tólogos consideram agora 85 anos como a demar-
cação de “mais velho-velho” e a idade de 75 anos 
como o “jovem-velho”. Isso se torna um desafio, de-
vido ao declínio físico-funcional destes indivíduos, 
associado à maior prevalência de doenças, fazen-
do com que a vitalidade e não a longevidade seja 
o principalelemento a ser almejado (POWERS; 
HOWLEY, 2014).
Figura 14 - Balança representando o equilíbrio entre o dispêndio e a 
necessidade energética
Três maneiras desequilibram a equação do equilíbrio 
energético de forma a produzir uma perda de peso:
1. reduzindo a ingesta calórica abaixo das ne-
cessidades energéticas diárias;
2. mantendo a ingesta calórica e aumentando o 
dispêndio de energia por meio de uma ativi-
dade física adicional acima das necessidades 
energéticas diárias;
3. reduzindo a ingesta calórica diária e aumen-
tando o dispêndio diário de energia.
Importante salientar que o processo de perda de 
peso corporal parece ser simples quando descrito, 
porém requer muita perseverança do indivíduo 
tanto durante o processo de redução quanto pos-
teriormente, para manutenção do peso corporal. 
Figura 15 - Grupo etário que mais cresce, especialmente em países de-
senvolvidos
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 151
De uma forma geral, pesquisadores esperam atual-
mente que uma grande parte da deterioração fisio-
lógica considerada previamente como “envelheci-
mento normal” possa ser reflexo do estilo de vida 
adotado pela pessoa ao longo dos anos, com o en-
velhecimento bem-sucedido, incluindo quatro ele-
mentos, de acordo com McArdle et al. (2015):
1. saúde física;
2. espiritualidade;
3. saúde emocional e educacional;
4. satisfação social.
Sendo que, de acordo com os mesmo autores, a ma-
nutenção e até mesmo o aprimoramento das fun-
ções físicas e cognitivas, o engajamento pleno nas 
atividades vitais e a participação em atividades pro-
dutivas e relações interpessoais contribuem para a 
concretização desses objetivos.
Em relação às adaptações fisiológicas, observa-
-se alterações em:
1. força muscular: homens e mulheres alcan-
çam seus níveis de força mais altos entre os 20 
e os 40 anos, declinando a partir da meia-i-
dade. Esta velocidade de perda é diretamente 
proporcional à mobilidade e estado de apti-
dão do indivíduo;
2. redução de massa muscular: ocorre por atro-
fia muscular por desnervação, uma degene-
ração irreversível das fibras musculares, par-
ticularmente das fibras do tipo II;
3. função neural: um declínio de quase 40% no 
número de axônios medulares e outro de 10% 
na velocidade de condução nervosa refletem 
os efeitos cumulativos do envelhecimento so-
bre a função do sistema nervoso central. Essas 
modificações contribuem provavelmente para 
a redução relacionada com a idade no desem-
penho neuromuscular avaliado pelos tempos 
de reação. Ao dividir o tempo de reação em 
tempo de processamento central e tempo de 
contração muscular, o envelhecimento afeta 
mais negativamente o tempo necessário para 
identificar um estímulo e processar a infor-
mação de forma a produzir a resposta;
4. alterações endócrinas: basicamente, as alte-
rações na função endócrina afetam 3 eixos 
hormonais: a) eixo hipotálamo-hipófise-gô-
nodas, sentido especialmente pelas mulheres 
que apresentam uma queda nos níveis de es-
trogênio, adentrando na menopausa. O de-
clínio da testosterona também ocorre, porém 
os efeitos são mais pronunciados nos homens 
somente por volta da sétima década de vida; 
b) córtex suprarrenal, porém seus efeitos 
acometem principalmente a produção dos 
androgênios fracos (DHEA e DHEA sulfata-
do); c) eixo GH/IGF, observando diminuição 
na amplitude média dos pulsos, a duração e a 
fração do GH secretado. Reflete também em 
uma diminuição paralela nos níveis circulan-
tes de IGF-I;
5. função pulmonar: ocorre uma deterioração 
da função pulmonar estática e dinâmica;
6. função cardiovascular: o VO2 máximo apre-
senta um declínio entre 0,4 e 0,5 ml/kg a cada 
ano em homens e mulheres adultos, sendo 
este mais acentuado em pessoas sedentárias. 
Adicionalmente, observa-se uma redução na 
frequência cardíaca máxima, no débito car-
díaco, complacência das grandes artérias e na 
capilarização muscular;
7. composição corporal: estudos indicam que 
após os 18 anos, homens e mulheres ganham 
progressivamente peso e gordura corporal até 
a quinta ou sexta década de vida, época em 
que se evidencia uma queda no peso corporal;
8. massa óssea: observa-se uma redução de 
massa óssea aproximada de 30-50% nas pes-
soas acima de 60 anos de idade.
152 
FISIOLOGIA GERAL E DO MOVIMENTO 
Sobre a relação entre o envelhecimento e a prática de 
exercícios físicos, pesquisas mostram que a partici-
pação em atividades atléticas na condição de adulto 
jovem não garante uma boa saúde e longevidade nas 
fases subsequentes da vida. Em contrapartida, a ma-
nutenção de níveis mais altos de atividade física e de 
aptidão durante a vida inteira, proporciona benefí-
cios significativos em termos de saúde e longevidade 
(KENNEY et al., 2013).
Além disso, surgiram gradientes inversos de 
risco por meio das categorias de aptidão baixa, mo-
derada e alta, com uma taxa de morte mais baixa 
entre os indivíduos moderadamente aptos em com-
paração com os grupos de baixa aptidão. Homens 
e mulheres menos aptos comportavam uma proba-
bilidade quase 2 vezes maior de virem a morrer em 
virtude de todas as causas do que seus congêneres 
mais aptos durante um acompanhamento de 8 anos 
(McARDLE et al., 2015).
Dessa forma, algumas orientações são específi-
cas para o idoso em relação à prática de exercícios 
físicos. Recomenda-se que os idosos devam reali-
zar ao menos 150 minutos semanais de atividade 
física de intensidade moderada, porém se o ido-
so não puder realizar devido à alguma condição 
crônica, deverá ser tão ativo quanto o permitirem 
suas habilidades e condição. Em adição, o idoso 
deve realizar exercícios que melhorem o equilí-
brio (contudo, eles tendem a ser mais vantajosos 
no idoso pré-frágil em relação ao já fragilizado), 
fortalecimento muscular e flexibilidade. Somado 
a isso, o idoso com algum problema crônico deve 
ter conhecimento de como sua condição afeta a ca-
pacidade de praticar atividade física em segurança 
(McARDLE et al., 2015). 
CRIANÇAS
Há ainda muitas questões pendentes em relação às 
respostas fisiológicas da criança saudável a vários ti-
pos de exercício. Isso se deve ao número limitado de 
pesquisas envolvendo este público.
Dentre as poucas informações observadas, uma 
delas envolve as características do sistema cardiopul-
monar. Acreditava-se que o coração da criança não 
resistiria tão bem à sobrecarga imposta por exercí-
cios aeróbios de longa duração, chegando a levantar 
a hipótese de que treinamentos de alta intensidade 
em crianças e adolescentes resultaria em lesões ir-
Exercício e morte súbita: muito se comenta 
sobre a probabilidade de sofrer uma morte 
súbita ao realizar um esforço físico. E real-
mente, mesmo com a taxa de morte durante 
o exercício declinando no transcorrer dos úl-
timos 30 anos (apesar do aumento global da 
participação de exercícios), sabemos que o 
esforço físico intenso comporta um pequeno 
(porém maior) risco de morte súbita (uma 
morte súbita por 1,51 milhões de episódios 
de esforço) durante a atividade, em compa-
ração com o repouso por período de tempo 
equivalente, particularmente para pessoas 
sedentárias. 
Porém, estudos comprovam que este risco é 
particularmente elevado se você não realiza 
esforços com frequência. Dados mostram que 
pessoas que treinam cinco vezes semanais 
correm um risco de morte súbita cerca de sete 
vezes menos do que aqueles que se exercitam 
apenas uma vez por semana. 
Fonte: adaptado de McArdle et al. (2015).
SAIBA MAIS
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
 153
reversíveis neste sistema. Porém, relatos científi cos 
atuais demonstram que crianças inseridas em trei-
namento aeróbio de longa duração podem apresen-
tar evolução física semelhante ao do adulto sem de-
monstrar índice de lesão (McARDLE et al., 2015).
Em adição, outra dúvida referente ao impacto 
de programas e treinamento sobre crianças tratava 
do défi cit de crescimento que viria associado à trei-
namento de alta intensidade em crianças. Porém, 
atualmente sabe-se que o crescimento e o desenvol-
vimento tanto de meninos quanto de meninas não é 
afetadoadversamente por programas de treinamen-
to bem orientados. Mais ainda, espera-se que um 
programa de treinamento bem orientado seja capaz 
de estimular e otimizar o crescimento. Somado a 
isso, sabemos também que crianças envolvidas em 
programas bem elaborados de treinamento de força 
não apresentam qualquer prejuízo ósseo, muscular 
ou cartilaginoso e que seu ganho de força é obtido, 
em sua grande maioria, por mudanças que ocorrem 
no sistema nervoso, associado a uma limitada hiper-
trofi a (McARDLE et al., 2015).
154 
considerações finais
B
om aluno(a), chegamos ao fim desta quinta e última unidade, na qual 
discutimos conceitos relacionados à fisiologia da atividade física e saú-
de. Num primeiro momento, abordamos tópicos relacionados ao tema 
proposto de uma forma geral, mediante abordagem de terminologias 
e o impacto da realização do exercício físico para manutenção de uma saúde 
adequada no presente e a longo prazo, visto que os efeitos obtidos pelo exercício 
físico não são infinitos. Ou seja, os benefícios estão presentes enquanto estamos 
inseridos numa rotina cotidiana de exercícios.
Ressalto novamente, nesta parte final, que o exercício é um dos elementos 
necessários para uma boa saúde, visto que o conceito atual de saúde é muito mais 
amplo do que apenas bem-estar físico (elemento realmente trabalhado pelo exer-
cício, apesar de possuir influências sobre a esfera mental e social). Logo, uma boa 
alimentação, bom sono, convívio social satisfatório, espiritualidade, entre outros 
também tem seu impacto positivo e devem fazer parte de uma rotina diária.
Posteriormente, entramos em conceitos mais específicos sobre cuidados a se-
rem tomados em condições especiais. Muitas são estas condições presentes em 
grande parte da população atualmente, mas demos um enfoque em quatro mais 
prevalentes: diabetes, hipertensão, obesidade e idosos. De uma forma geral, à 
exceção do diabetes tipo I e o envelhecimento (que ocorrerá com todos), os de-
mais são passíveis de prevenção com a escolha de hábitos saudáveis de vida. Até 
mesmo a forma como nos apresentamos na velhice reflete os hábitos realizados 
na maior parte de nossas vidas. Sendo assim, procuramos esclarecer informações 
básicas acerca destes quatro quesitos, incluindo definições, fatores de risco, male-
fícios associados e a relação com o exercício físico. 
Diante disso, espero ter contribuído com informações pertinentes à sua atu-
ação profissional, parta deste livro e se aprofunde mais, conhecimento nunca é 
demais. Abraços.
 155
atividades de estudo
1. Quando tratamos da elaboração de programas de exercícios físicos, devemos 
nos ater aos objetivos do indivíduo. De uma forma geral, podemos dividir a práti-
ca regular de exercícios em voltados para a saúde e voltados ao alto rendimento. 
Sendo assim, assinale a seguir a alternativa que melhor representa ele-
mentos envolvidos na aptidão física voltada para a saúde.
a) Potência.
b) Resistência aeróbia.
c) Força.
d) Mais de uma está correta.
e) Nenhuma está correta.
2. Diabetes é definido como a manutenção da glicemia cronicamente acima de va-
lores considerados dentro da normalidade (>126mg de glicose/dL de sangue). 
Além disso, o diabetes pode ser subdividido em diabetes tipo I e diabetes tipo II. 
Diante do exposto, marque a assertiva a seguir que melhor representa a 
definição de diabetes tipo I.
a) O organismo humano nasce sem os órgãos do trato gastrointestinal, in-
cluindo o pâncreas.
b) O organismo humano promove um ataque das células beta pancreáticas 
por meio de seu sistema imune.
c) Está associado a uma inabilidade do corpo em responder a insulina pro-
duzida por ele.
d) Devido a um quadro de obesidade e hipertensão, o corpo produz uma 
insulina com características químicas diferentes.
e) O organismo humano não produz insulina o suficiente, devido a um qua-
dro obesidade e hipertensão.
156 
atividades de estudo
3. O Índice de Massa Corporal (IMC) é uma medida antropométrica amplamente 
utilizada para definir padrões de acúmulo de peso corporal, devido a sua fácil 
mensuração por meio de medidas relativamente simples de obter (peso e esta-
tura). Sabendo disso, dentre os valores de IMC a seguir, assinale a alternativa 
que representa um indivíduo com obesidade grau I.
a) 34,2.
b) 29,8.
c) 35,1.
d) 39.
e) 43.
4. A hipertensão arterial é caracterizada pela manutenção da pressão arterial acima 
de 140/90mmHg cronicamente. Sabe-se que muitas são as doenças associadas 
a ela. Sobre a hipertensão arterial, marque a alternativa que melhor repre-
senta doenças associadas.
a) Acidente vascular cerebral e obesidade.
b) Infarto agudo do miocárdio e diabetes tipo I.
c) Doença renal e diabetes tipo II.
d) Infarto agudo do miocárdio e doença renal.
e) Obesidade e diabetes tipo I.
5. Durante o processo de envelhecimento, podemos observar algumas alterações 
fisiológicas importantes associadas ao declínio da funcionalidade corporal, algo 
previsto para ocorrer com o avançar da idade, mas não está relacionado propria-
mente dito com o desenvolvimento de doenças. A respeito destas alterações, 
leia as assertivas a seguir e, em seguida assinale a alternativa correta.
I - Redução do débito cardíaco.
II - Redução da frequência cardíaca máxima.
III - Diminuição da densidade mineral óssea.
IV - Redução de massa muscular.
a) Apenas I e II.
b) Apenas I e III
c) Apenas II e IV
d) Apenas I, II e III.
e) I, II, III e IV.
 157
LEITURA
COMPLEMENTAR
Um dos maiores desafi os da educação física escolar envol-
ve a compreensão de que o aluno é um ser composto de 
corpo e mente. Logo, enquanto o corpo precisa de exercí-
cios físicos, movimentos e experiências corporais, a men-
te precisa de exercícios lógicos, raciocínios e experiências 
mentais. Impossível separar um do outro. Sendo assim, a 
saúde e bem-estar do escolar depende de uma refl exão 
sobre a prática pedagógica do currículo educacional atual, 
para que o aluno desenvolva plenamente corpo e mente.
A Educação Física tem por proposta promover a saúde 
escolar e o estilo de vida ativo, porém, para que isto pos-
sa ocorrer, devemos superar a ideia de que Educação 
Física é somente uma prática esportiva, pois por suas 
características competitivas acaba por excluir alguns alu-
nos. Esta, por sua vez, deve envolver todos os exercícios 
físicos atribuídos pela escola, desenvolvendo comporta-
mento ativo e permanente no escolar. 
Logo, a educação está ligada à saúde por meio das práti-
cas inovadoras aderidas pelas escolas, no sentido de in-
centivar os escolares, por meio da Educação Física, para 
terem compromisso com a saúde corporal e mental, pra-
ticando exercícios regulares para a manutenção e a pro-
moção da saúde, bem-estar e qualidade de vida ao longo 
de toda sua vida. Os Parâmetros Curriculares Nacionais 
preconizam que a Educação Física, além da valorização e 
do cuidado com o corpo, bem como o desempenho das 
técnicas e habilidades, deve ainda valorizar o sociocultu-
ral do escolar, pois muito além de um corpo, existe um 
ser que precisa ser alicerçado na vida política, social, cul-
tural, profi ssional, dentre outros e, assim, ter um desen-
volvimento pleno, abrangendo todo o contexto (saúde). 
Importante destacar ainda que a Educação Física Escolar 
proporciona às crianças e aos adolescentes a viabilização 
da cultura que envolve corpo e movimento, de forma que 
suas práticas e experiências sejam caminhos abertos para 
uma vida saudável e prazerosa. A interação em brincadei-
ras, jogos, danças, atividades físicas, lutas e modalidades 
esportivas diversas cria um vínculo de respeito, coopera-
ção e afeto. Portanto, o ambiente escolar deve se adequar 
para a nova proposta pedagógica que visa estimular o es-
colar para a cooperação, a participação e o respeito, num 
clima de descobertas, brincadeiras, exercícios e atividades 
físicas e outros, uma maior valorização de sua cultura, seu 
conhecimento e suas experiências. Comumente, o exer-
cíciofísico estimula no escolar a capacidade de construir 
potencialidades físicas, limites, superações, expectativas, 
possibilidades e outros fatores importantes para a sua 
formação humana, que permitem avaliar a si mesmo na-
quilo que é capaz de enfrentar para seu conhecimento, 
aprendizado, sucesso, valorização cultural, social, acadê-
mica e profi ssional. Isso signifi ca envolver e respeitar os 
escolares nas suas aptidões e limitações físicas. 
Assim, percebemos que para a manutenção da saúde e 
da qualidade de vida do escolar, faz-se necessário esti-
mular os alunos para a adoção de atitudes saudáveis, 
ou seja, que valorizem a saúde. Para esta intervenção, a 
prática regular e permanente de exercícios físicos é o pri-
meiro passo para o desenvolvimento integral do escolar.
Fonte: ALVES, Marta Teixeira; ALVES, Queila de Jesus; PA-
GANI, Mario Mecenas; GODOI JUNIOR, Fernando Cesar 
de Maio. O Exercício Físico na Melhoria da Saúde do Es-
colar. [2017]. Disponível em <https://www.inesul.edu.br/
revista/arquivos/arq-idvol_32_1421771721.pdf>. Acessa-
do em: 15 fev. 2018.
158 
material complementar
Atividade Física, Saúde e Qualidade de Vida
Markus V. Nahas
Editora: Midiograf
Sinopse: a intenção deste livro é veicular as informações mais recentes ligadas 
ao tema de Atividade Física, Saúde e Qualidade de Vida, numa linguagem menos 
técnica, com sugestões para autoavaliações e ações que possam ser incluídas no 
dia a dia da maioria das pessoas.
Indicação para Ler
: a intenção deste livro é veicular as informações mais recentes ligadas 
ao tema de Atividade Física, Saúde e Qualidade de Vida, numa linguagem menos 
técnica, com sugestões para autoavaliações e ações que possam ser incluídas no 
 159
referências
gabarito
AIRES M. M. Fisiologia. 4 ed. Rio de Janeiro: Guanabara koogan, 2012. 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA ESTUDO DA OBESIDADE E SÍNDROME 
METABÓLICA. Diretrizes brasileiras de obesidade 2009/2010, 2009. 
ALVES, M. T.; ALVES, Q. J.; PAGANI, M. M.; GODOI-JUNIOR, C. M. O exercí-
cio físico na melhoria da saúde do escolar. Disponível em: <https://www.inesul.
edu.br/revista/arquivos/arq-idvol_32_1421771721.pdf>. acesso em: 22 set. 2017.
HAMER M.; LAVOIE K. L.; BACON S. L. Taking up physical activity in later life 
and healthy ageing: the English longitudinal study of ageing. Br J Sports Med, 2014.
HALL J. E. Guyton e Hall: tratado de fisiologia médica. 12 ed. Rio de Janeiro: 
Elsevier, 2011.
McARDLE W. D.; KATCH F. I.; KATCH V. E. Fisiologia do exercício: nutrição, 
energia e desempenho humano. 7 ed. Rio de Janeiro: Guanabara koogan, 2011.
POWERS S. K.; HOWLEY E. T. Fisiologia do exercício: teoria e aplicação ao 
condicionamento e ao desempenho. São Paulo: Manole, 2014.
STEIN, R. Atividade Física e Saúde. Rev Bras Med Esp, v.5, n;4, 1999.
KENNEY, W. L,; WILMORE, J. H., COSTILL, D. L. Fisiologia do Esporte e do 
exercício. 5. ed. São Paulo: Manole, 2013.
1. D
2. B
3. A
4. D
5. E
conclusão geral
Caro(a) aluno(a), neste livro entramos em contato 
com uma série de informações sobre mecanismos de 
funcionamento corporal. Discutimos na Unidade I 
sobre mecanismos de obtenção de energia anaeróbia 
(por meio da quebra da creatina fosfato e da glicose) 
e aeróbia (por meio da oxidação da glicose, gorduras 
e proteínas mediante atividade do ciclo do ácido cí-
trico e da cadeia respiratória) e formas de obtenção 
de oxigênio e remoção do gás carbônico por meio da 
integração do funcionamento do sistema cardiovas-
cular e respiratório (Unidade II).
Tratamos também do papel do sistema nervo-
so como gerador dos sinais que levarão o múscu-
lo esquelético ao ciclo contrátil. Descobrimos que 
existem áreas cerebrais específicas para geração de 
padrões de movimento e vias específicas de controle 
de determinados músculos em áreas do organismo 
humano. Sabemos que por meio da junção neuro-
muscular o neurônio motor envia o sinal que irá al-
terar elementos das células musculares que levarão à 
contração muscular (Unidade III). 
Posteriormente (Unidade IV), passamos a discu-
tir o papel do outro sistema de grande importância 
para o comando e controle do corpo humano: o sis-
tema endócrino, um sistema dotado de hormônios 
produzidos por glândulas endócrinas com o intuito 
de alterar o funcionamento de determinadas regiões 
do corpo. Lembrem-se que muitos deles alteram seus 
níveis circulantes em resposta ao exercício físico. En-
cerrando nosso módulo (Unidade V), trabalhamos 
com o conceito de atividade física e saúde e a relação 
do exercício físico com algumas das doenças mais 
prevalentes na sociedade atual, assim como em ido-
sos e crianças. 
Espero que tenha aproveitado os conteúdos tra-
balhados em cada unidade, e tenha compreendido a 
importância desta disciplina em sua formação pro-
fissional. Há muitos anos eu tive meu primeiro con-
tato com a fisiologia e até hoje me surpreendo com 
a importância dela na formação de um profissional 
bem capacitado na área.
Um grande abraço.

Mais conteúdos dessa disciplina