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1.1 O que é o conhecimento? Não podemos falar sobre os métodos de pesquisa, sem compreender o que é o conhecimento e suas respectivas características e tipologias. O conhecimento é a aquisição de uma noção nova ou original, sobre um fato ou fenômeno qualquer. Portanto, origina-se nas experiências que se acumulam em nossa vida cotidiana, nos relacionamentos interpessoais, nas leituras de livros e na consulta a fontes diversas (ALYRIO, 2009). A produção de conhecimento ocorre a partir de três razões principais (SANTOS; KIENEN; CASTIÑEIRA, 2015): questionamentos: os indivíduos questionam porque querem saber e não se contentam com respostas prontas; necessidades: a necessidade de sobrevivência levou os indivíduos a criarem ferramentas e mecanismos de produção de bens e sistemas de relações sociais; curiosidades: a curiosidade leva o indivíduo a explorar o desconhecido, a querer desvendar os mistérios da natureza. Para Aranha e Martins (1992), o conhecimento é a relação que ocorre entre um sujeito e um objeto. Nesse sentido, de acordo com a Figura 1, todo conhecimento pressupõe dois elementos, que estão vinculados e se influenciam mutuamente: o sujeito que quer conhecer e o objeto a ser conhecido. Imagem de um homem e um cubo, que demonstra a relação entre sujeito e objeto. O sujeito é aquele que quer conhecer e o objeto é algo a ser conhecido. Figura 1: Relação entre sujeito e objeto Como exemplo da relação apresentada na Figura 1, vamos pensar na seguinte situação: uma pesquisadora descobre que a babosa é uma planta medicinal e que poderá ser utilizada na indústria farmacêutica (transformação do sujeito); a babosa deixa de ser apenas uma “planta” e passa a ser considerada como um produto medicinal, com propriedade anti-inflamatória, analgésica e cicatrizante (transformação do objeto). Em suma, podemos definir o conhecimento como "um conjunto de saberes que uma pessoa construiu sobre um determinado objeto, coisa ou elemento, suficiente para identificar, manipular, transformar, questionar, afirmar, negar ou apresentar qualquer impressão a respeito dele, de forma consciente ou até mesmo intuitiva" (FRANZIN, 2013, p. 14). Depois de compreender o que é o conhecimento e as suas características, vamos identificar as suas tipologias? Os próximos tópicos descrevem os quatro tipos de conhecimento: o popular, o religioso, o filosófico e o científico. Referências ALYRIO, Rovigati Danilo. Métodos e técnicas de pesquisa em administração. Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2009. ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Temas de filosofia. São Paulo: Moderna, 1992. FRANZIN, Sergio Francisco Loss. Orientação para a prática profissional e pesquisa. Porto Velho: IFRO, 2013. SANTOS, Pedro Antonio dos; KIENEN, Nádia; CASTIÑEIRA, Maria Inés. Metodologia da pesquisa social: da proposição de um problema à redação e apresentação do relatório. São Paulo: Atlas, 2015. Fonte da Figura 1: elaboração própria. 1.1.1 O conhecimento popular O conhecimento popular também é chamado de conhecimento vulgar ou senso comum. Nessa tipologia, o sujeito desconhece as causas, motivos ou razões pelas quais um fenômeno ocorre. Portanto, os saberes são adquiridos na vida cotidiana, com base nas experiências (ALYRIO, 2009). O conhecimento popular também é construído a partir de tradições, ou seja, o sujeito desenvolve esse conhecimento a partir das experiências dos outros, sem avaliar os fundamentos ou a procedência das informações. O conhecimento popular apresenta algumas características (LAKATOS; MARCONI, 2019), que o tornam falível e inexato: superficialidade, pois conforma-se com a aparência. Geralmente, é justificado com expressões do tipo: “porque o vi”, “porque o senti”, “porque o disseram”, “porque todo mundo o diz”; subjetividade, considerando que é o próprio sujeito que organiza suas experiências e conhecimentos; padrão assistemático, uma vez que não há uma sistematização das ideias ou experiências, nem na forma de adquiri-las, nem na tentativa de validá-las; padrão acrítico, pois não há a pretensão de criticar os fenômenos. O conhecimento popular, embora seja considerado de nível inferior em relação ao conhecimento científico (que é sistemático e verificável), não deve ser menosprezado (ALYRIO, 2009). Precisamos lembrar que o conhecimento popular, em muitas situações, constitui a base do saber e pode originar o conhecimento científico. Vamos compreender melhor essa relação? Assista ao vídeo sobre os pesquisadores que desenvolveram medicamentos a partir da sabedoria popular dos indígenas. Nele, é possível identificar o vínculo entre o conhecimento popular e o conhecimento científico. Referências ALYRIO, Rovigati Danilo. Métodos e técnicas de pesquisa em administração. Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2009. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2019. 1.1.2 O conhecimento religioso O conhecimento religioso também é chamado de conhecimento teológico. Os fundamentos dessa tipologia de conhecimento são baseados em dogmas (crenças ou doutrina estabelecidas em uma religião) e ritos, aceitos pela fé. Além disso, por não poderem ser provados ou criticados, são considerados a única fonte da verdade (SILVA; RIBEIRO, 2014). O conhecimento religioso apoia-se em doutrinas com proposições sagradas, reveladas pelo sobrenatural. Logo, tais verdades são consideradas infalíveis e indiscutíveis (LAKATOS; MARCONI, 2019). O conhecimento religioso apoia-se em algumas características (SILVA; RIBEIRO, 2014): o conhecimento é relacionado a algo oculto ou um mistério; existe a figura de um revelador, ou seja, alguém que manifesta esse conhecimento e pretende desvendá-lo (próprio homem ou Deus); o indivíduo que recebe e aceita a manifestação tem fé humana. O conhecimento religioso também está expresso em alguns livros sagrados, tais como o Veda (hindus), o Alcorão (muçulmanos), Talmud (judeus) e a Bíblia (cristãos). Os textos são interpretados por diversas seitas religiosas, por profundos conhecedores e também por indivíduos com menor domínio sobre o conteúdo apresentado nos livros sagrados (SILVA; RIBEIRO, 2014). Para compreender melhor as características dessa tipologia de conhecimento, vamos assistir ao vídeo que apresenta conceitos introdutórios relacionados ao pensamento religioso. https://www.youtube.com/watch?v=ElW-wUBOijU tradução (transcrição) do vídeo Sejam bem-vindos ao canal Conhecimentos da Humanidade. Agora a gente vai começar uma série de vídeos sobre pensamento religioso e as principais religiões do homem. Não se tem uma data precisa de quando o homem começou a desenvolver o pensamento religioso. Sabe-se que existem vestígios arqueológicos de mais de 60 mil anos que indicam que o homem acreditava em alguma coisa além da matéria. Alguns desses achados arqueológicos eram sepulturas, elas já indicavam que existia um entendimento de que tinha alguma coisa além da morte. Essas pessoas que eram enterradas nestas sepulturas elas eram, por exemplo, enterradas em uma posição fetal, com o corpo voltado para o leste. Era muito comum também encontrar algumas sepulturas em que tinha um buraco voltado para o Oeste, chamado de buraco da alma. Os antigos acreditavam que quem morria, o espírito poderia sair por esse buraco e ele poderia transitar tanto para fora quanto para dentro da sepultura. O buraco era voltado para o oeste porque era o local onde o sol se punha. Existem muitas teorias sobre o surgimento do pensamento religioso, nenhuma delas prevalece, mas tem algumas que a gente pode comentar aqui. Uma delas é o animismo, elaborado por Edward Tylor. Segundo essa teoria todas as coisas são animadas por algo, esse algo seria a anima ou a alma de cada uma das coisas, como o homem, as plantas, os animais. Por isso o nome animismo. Essa teoria do animismo é uma teoria antiga. Hoje é mais correto afirmar que o psiquismo do homem primitivo é diferente do nosso psiquismo atual. O homem primitivoele acreditava muito mais que as coisas tinham espíritos. Os espíritos eram muito reais para o homem primitivo. Para esses homens, o mundo ao redor deles era mágico. Existe também uma teoria que envolve a magia, ou o que hoje entende-se de magia. mas a teoria diz que o pensamento religioso se desenvolveu a partir do momento em que homem tentou controlar a si mesmo e o seu meio copiando a natureza, confeccionando objetos e rituais para controlar os seres elementais da natureza. Essa teoria, esse pensamento religioso, venerava os aspectos naturais na natureza em si, e não tinha valores espirituais como um princípio universal. Com o crescimento da crença em um ser soberano, a religião tomou o lugar da magia, com os seus rituais prece e benção. A religião teria surgido para ensinar os povos a manter as tradições através de seus ritos e crenças. Uma das traduções mais conhecidas de religião é religare, que seria se religar com o divino, com o soberano. Enquanto a magia ela é usada para controlar a natureza, controlar os seres da natureza, a religião era o oposto. Ela era usada para pedir ou implorar algo para o Deus soberano. A gente pode também fazer uma analogia com a magia e com a ciência, que é uma tentativa do homem em controlar as forças da natureza. Talvez nunca saibamos exatamente quando se iniciou o pensamento religioso porque o homem primitivo sentiu essa necessidade de um pensamento religioso. Sabemos é que com o tempo, com o desenvolvimento da consciência do homem ao longo da história, e se espalhando pela terra, essas religiões foram se modernizando, foram evoluindo e é bem possível observar que quanto mais evoluída era uma civilização, mais organizado era o seu sistema religioso. Inicialmente as crenças e religiões eram muito próximas, que o homem ocupava um espaço muito pequeno da terra. A partir do momento que ele saiu da África, foi para a Europa, foi para a Ásia, depois para a América do Norte e desceu para América do Sul, as religiões, as crenças, eram muito diferentes umas das outras. Existem também várias teorias sobre qual seria o primeiro Deus, a primeira divindade que o homem teria adorado. A primeira delas, aparentemente, pode ter sido sol, que até hoje é adorado e reverenciado, mesmo que simbolicamente por trazer luz, por trazer a vida, vitalidade. Outras teorias ainda dizem que podem ter sido elementos da natureza, como a pedra ou fogo. O fogo foi muito importante para eles, eles conseguiram trabalhar os alimentos, conseguiram se proteger com o fogo, iluminação de noite. O mesmo a pedra, que eles confeccionavam suas ferramentas, suas armas, e assim poderiam se proteger. Há registros de povos que adoravam os seus próprios guerreiros às vezes por terem conseguido um grande feito acabavam se tornando como se fossem semideuses para aquela tribo ou para aquele povo. Outros indícios ainda mostram que algumas tribos adoravam as forças da natureza, como o vento, os trovões, os raios, a chuva. Uma tradição dos povos primitivos era a adoração ao Deus Urso. Eles acreditavam que o urso era uma espécie de divindade na terra, eles caçavam o urso, matavam o urso e o guerreiro que matava o urso podia ingerir a carne do urso. Como a ingestão da carne dava muita energia para esses seres primitivos, eles acreditavam realmente que eles estavam imbuídos de uma força divina. Eles eram povos nômades, se deslocavam, e com o tempo iam à caça de outros ursos. Essa caça e morte do urso, era uma imolação ritual, era uma forma da divindade se sacrificar pela humanidade. Esses guerreiros que se alimentavam dessa carne do urso se tornavam invencíveis e daí vieram algumas lendas de homens ursos, homens lobos, que eram, na verdade, pessoas que se alimentavam dessa carne, que tinham essa ingestão a mais de energia. Bem, desses conceitos, o conceito de guerreiro invencível acabou gerando uma série de lendas nórdicas e germânicas, e esse conceito da divindade se sacrificar em nome da humanidade, ele acabaria influenciando futuramente as regiões babilônicas, incas, maias, celtas, e mais para frente ainda o judaísmo e o cristianismo. De forma geral a gente pode enumerar 3 tipos de pensamentos religiosos primitivos. O primeiro deles, então, como a gente já falou, o animismo. É a crença numa energia que anima todos os seres, incluindo animais, plantas, fenômenos, até inseto. O antropomorfismo, que é a crença na divindade com aspecto humano, cujos fenômenos estavam ligados ao seu humor. Tem também o mecanicismo, a crença de que todos os fenômenos são causados ou programados mecanicamente por Deus, não há nada que se possa fazer que não esteja ligado à vontade dele, como um processo mecânico de fatos. Com as tribos nômades começando a se fixar e o surgimento das primeiras civilizações o pensamento religioso acabou se organizando mais e ficando um pouco mais complexo. Vamos ver agora quais são os principais tipos de pensamento religioso. Primeiro é o teísmo. O Teísmo acredita em um Deus supremo, soberano, o criador de tudo. Ele está em oposição ao ateísmo. Existem três tipos de teísmo. O primeiro é o monoteísmo, com a crença em um único Deus. O segundo é o politeísmo, com a crença em vários deuses. E por último o henoteísmo, que é a crença em um deus supremo, aceitando a existência de outros deuses. Outro tipo de pensamento religioso é o deísmo, que é a crença que uma divindade fez o mundo, fez tudo que existe, mas simplesmente não intervém, nem tem princípios morais ou éticos que influenciam essa criação. Ele simplesmente fez e não intervém. É algo como "Deus fez a terra e caiu fora", tá fazendo outras coisas. Outro tipo de pensamento religioso é o panteísmo, onde pan significa tudo, e teos, Deus. É o pensando que diz que Deus está em tudo, está em todas as coisas. Ele é uma coisa só, ele é a natureza, ele é o cosmos, ele é o universo. Com essa introdução sobre o pensamento religioso inicial a gente vai agora falar sobre algumas religiões importantes, tanto as que existem hoje como algumas extintas. A gente vai começar a falar um pouco sobre o xamanismo. Encerramos aqui mais um vídeo do canal Conhecimento da Humanidade. Espero que você tenha gostado. Aproveita para dar um curtiu aqui embaixo do vídeo, se inscreva no canal, compartilhe com os seus amigos e até a próxima. Valeu! Referências LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2019. SILVA, Helânia Pereira da; RIBEIRO, Tereza Cristina de Farias Silva. Introdução à pesquisa. Macaíba: UFRN, 2014. 1.1.3 O conhecimento filosófico O conhecimento filosófico, também denominado de sistêmico, busca compreender as causas reais e profundas dos fenômenos, de forma global. Para tanto, deve ocorrer uma interação simultânea entre as diversas variáveis ou elementos, com o objetivo de se obter uma percepção global de uma ação (SILVA; RIBEIRO, 2014). Dentre as características do conhecimento filosófico, podemos destacar (LAKATOS; MARCONI, 2019): é valorativo e não verificável, uma vez que o seu ponto de partida são as hipóteses, que não poderão ser submetidas à observação, nem confirmadas ou refutadas; é racional, por contemplar um conjunto de enunciados logicamente correlacionados; é sistemático, uma vez que as hipóteses visam às representações coerentes da realidade, buscando compreender a sua totalidade; caracteriza-se pelo esforço da razão para questionar os problemas humanos e discernir entre o certo e o errado, recorrendo exclusivamente à razão humana. A partir dessas características, torna-se possível diferenciar o conhecimento popular e o conhecimento filosófico. Para tanto, vamos considerar a seguinte situação, que exemplifica essa distinção (ALYRIO, 2009): você leu nos jornais, nos últimos tempos, notícias sobre a corrupção envolvendo políticos no Brasil; a partir da leitura, você pensou que a corrupção nunca vai acabar e que todos os políticos são corruptos. Nesse caso, você está apenas reproduzindo ideias no nível do senso comum (conhecimento popular); você também poderá lançarum olhar mais crítico sobre as informações, buscando o debate e alguns questionamentos, tais como: O que é corrupção? O que é ética? O que faz as pessoas tomarem tal postura?; nesse último caso, você estará ampliando o seu ponto de vista e aprofundando o tema, caracterizando, assim, a construção do conhecimento filosófico. Além de se diferenciar do conhecimento popular, o conhecimento filosófico também se diferencia do científico. Na visão filosófica, o objeto de análise são as ideias e suas relações, que não se resumem a realidades materiais e, portanto, não são passíveis de observação sensorial direta ou indireta. Já o conhecimento científico contempla fatos concretos e fenômenos perceptíveis pelos sentidos, com o emprego de técnicas e recursos de observação (LAKATOS; MARCONI, 2019). O próximo tópico caracterizará, com mais detalhes, o conhecimento científico. Referências ALYRIO, Rovigati Danilo. Métodos e técnicas de pesquisa em administração. Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2009. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2019. SILVA, Helânia Pereira da; RIBEIRO, Tereza Cristina de Farias Silva. Introdução à pesquisa. Macaíba: UFRN, 2014. 1.1.4 O conhecimento científico O conhecimento científico, também denominado de analítico, não aborda apenas os fenômenos na sua manifestação global, mas sim, as causas dos referidos fenômenos, bem como a análise, explicação, indução ou predição de eventos futuros (SILVA; RIBEIRO, 2014) Essa tipologia de conhecimento está vinculada à racionalidade testável e replicável, baseada em um conjunto de características, tais como o método, a lógica, a objetividade, a replicabilidade, a progressividade, a universalidade e a laicidade (SANTOS; KIENEN; CASTIÑEIRA, 2015). O conhecimento científico apresenta algumas características que o diferenciam dos demais tipos de conhecimento já abordados neste curso (MALDANER, 2015; GIL, 2019; LAKATOS; MARCONI, 2019): é racional e objetivo, uma vez que se alicerça em conceitos, juízos e raciocínios, com base na observação de fatos em detrimento de sensações, imagens, modelos de conduta ou caprichos do pesquisador; é fatual e real, porque parte e lida com os fatos e sempre volta a eles; é contingente, considerando-se que as proposições ou hipóteses têm sua veracidade ou falsidade conhecidas por meio da experiência; é verificável e aceito como válido, quando passa pela prova da experiência (ciências factuais) ou da demonstração (ciências formais); é geral, pois direciona-se, predominantemente, à elaboração de leis ou normas gerais, que explicam todos os fenômenos, de acordo com as suas tipologias; é metódico, pois contempla o planejamento das atividades a serem realizadas e o estabelecimento dos procedimentos para atingir os objetivos. Para tanto, deve basear-se em conhecimentos anteriores, em leis e princípios já estabelecidos e observar um método instituído previamente e a aplicação de normas e técnicas; é sistemático, por tratar de saberes ordenados logicamente, formando um sistema de ideias (teoria), em detrimento de conhecimentos dispersos e desconexos; é preditivo, uma vez que fundamenta-se em leis estabelecidas e em informações fidedignas sobre o estado ou o relacionamento dos fenômenos. Além disso, pela indução probabilística, pode prever ocorrências; é útil, por ser objetivo e buscar a verdade, criando ferramentas de observação e experimentação que permitem a conexão com a tecnologia; é falível, por não ser definitivo ou absoluto; é aproximadamente exato, ao se considerar que n ovas proposições e o desenvolvimento de técnicas podem reestruturar as teorias existentes. A partir das características citadas, percebe-se que o conhecimento científico não é algo “acabado”. Ao contrário, está sempre em construção, motivado por descobertas e discussões críticas (FRANZIN, 2013). A compreensão das características do conhecimento científico é importante, pois elas embasam o desenvolvimento dos métodos de pesquisa. Por isso, vamos reforçar a compreensão dessas características, assistindo ao seguinte vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=OJkWGX9QVh8 tradução (transcrição) do vídeo Olá, pessoal. Na aula de hoje nós veremos o conhecimento científico. Como eu falei na aula passada, o Homem tem uma necessidade, desde que ele se encontra no mundo, de explicar esse mundo em que ele vive. A ciência vai ser mais uma forma explicativa. Lembrando sempre: nós tivemos o mito como primeira forma, nós tivemos a filosofia surgindo no decorrer do tempo, e nós temos também o conhecimento científico. Hoje, que tanto se fala em ciência, que tanto se fala em descobertas científicas, que tanto se fala em inovação científica, cabe a gente se perguntar o que é a ciência? Como ela se formou? Fazer um mapeamento, fazer um breve histórico do que vem a ser a ciência, e como sempre, a melhor coisa a ser feita é etimologia. Etimologia é o estudo de como as palavras se formam, de onde elas vêm, é uma coisa muito importante na hora da gente fazer uma questão de vestibular, por exemplo, eu não sei o que significa aquilo ali, eu tô meio perdido na questão, mas eu tenho uma noção de etimologia, eu sei que essa palavra ou parte dessa palavra significa tal coisa. Então fica a dica, é importante ter a etimologia como um certo hobby. Etimologicamente a palavra ciência provém da onde? Do latim. Scientia = ciência que significa conhecimento ou sabedoria. Mas é um tipo específico de conhecimento como nós definimos a ciência hoje, numa terminologia mais contemporânea, digamos assim. É um tipo de conhecimento que procura compreender o mundo racionalmente e, até esse ponto, é muito similar ao pensamento filosófico com aquela ideia da incorporação do logos, da razão, e não mais a partir de elementos fantásticos. Aqui, pessoal, cabe uma reflexão importante também. Vocês lembram que na aula passada eu havia dito que os pré-socráticos, aqueles primeiros pensadores, abriram um caminho não só para a filosofia, mas também para a ciência ao incorporar a razão na observação do mundo? Então, aquela passagem do mito para a filosofia, de um conhecimento mítico para um conhecimento racional, significa justamente a procura para explicação, procura pela explicação do mundo, dentro do mundo, naquilo que a gente pode perceber, e naquilo que a gente pode observar, e não mais exatamente fora dele, procurar a natureza no natural e não mais no sobrenatural como faziam os mitos, as religiões mais antigas e etc. Então, esse mundo tem que ser mais compreensível para o homem, ele tem que ser mais previsível para o homem para que o homem consiga se situar nesse mundo, então a ciência vai ser um instrumento, vai ser uma ferramenta, vai ser uma forma de conhecimento que vai ajudar nesse sentido de um ponto de vista mais material daquilo que a gente observa, tal como Tales começou a fazer e outros seguiram por este caminho. O conhecimento científico, por outro lado, a gente também deve fazer uma reflexão. Que reflexão é essa? Ele não é infalível, ele não é inquestionável e uma prova disso é que, ao longo do tempo, ele vai se modificando, algumas teorias vão deixando de ter valor, algumas teorias vão deixando de ter a sua validade, melhor dizendo, e vão dando lugar a outras teorias que vão explicar a realidade de uma maneira melhor, até que uma outra teoria surja, apareça para derrubar aquela anterior, e assim sucessivamente. Isto é, existe uma progressão, existe um progresso na medida em que o homem vai conhecendo melhor o mundo vai criando instrumentos para conhecê-lo melhor. Portanto, pessoal, é difícil a gente dizer que a ciência possui uma verdade absoluta sobre as coisas, porque a basta que a gente pense que ela está nesse processo constante de modificação. Isso, fazendo esse tipo de raciocínio, nós evitamos também correr naquele mesmo preconceito de que eu falei na primeira aula: o mito é uma forma válida de explicação do mundo, assim como a filosofia e assim como a ciência. Não existe umaforma exatamente superior, melhor do que outra para a gente fazer essa explicação da realidade, certo? A ciência não é uma coisa pronta e acabada, ela está em progresso, ela está em transformação, e afinal de contas nós sabemos tudo sobre a realidade? A ciência, mesmo tendo esse aparato todo que nós percebemos hoje, conseguiu explicar tudo? Ainda não. Portanto não é tão inquestionável, tão infalível quanto algumas pessoas pensam. Na antiguidade, nós voltamos para Grécia, então sobretudo antiguidade grega, não havia uma distinção muito nítida, muito clara entre o que era filosofia e o que era ciência. Isso vai se passar na idade moderna, a partir do momento em que um pensador chamado Galileu Galileu, já no Renascimento, criará o método científico como nós veremos mais adiante. Então vai haver essa separação. Enquanto busca racional para explicar a realidade não havia muito na Grécia, na antiguidade em geral, essa distinção, ou seja, os pré-socráticos, procurando a substância que criava o mundo, que criava a realidade, estavam especulando, pensando filosoficamente, tanto quanto estavam observando para os fenômenos naturais, observando os fenômenos naturais. Então não havia essa distinção muito clara. Aristóteles, pensador da antiguidade grega também, vai ser o primeiro a classificar as ciências, fazer uma catalogação das ciências e fazer uma distinção entre elas, classificá-las de uma maneira geral. O pensamento aristotélico se caracteriza por fazer classificações de tudo que existe, catalogar, organizar a realidade para que a gente consiga conhecer ela melhor. Então por um lado nós temos as ciências teóricas, como ele denomina e a Física, Matemática, etc., são aquelas ciências que nos parecem, ainda hoje, mais abstratas, e no caso da Matemática bastante complicada aí para todo mundo, não é? E nós temos também as ciências práticas para ele. Que ciências são essas? Ciências, digamos assim, que o homem utiliza mais no seu cotidiano, que é o conhecimento a respeito da moral, da política, da lógica, para que a gente possa construir uma fala mais coerente, para que a gente consiga argumentar de uma maneira mais racional, de uma maneira mais eficiente, a moral para que a gente consiga se situar no mundo e conviver com os demais de uma maneira mais bacana, de uma maneira melhor seguindo certas regras, e a política também como uma espécie de desdobramento disso, como vai ficar claro nas próximas aulas. O importante aqui: há uma preocupação já com essa separação entre filosofia e ciência em Aristóteles que foi, digamos assim, o último grande pensador dessa antiguidade grega. Nós temos também um período que esse período se segue após a morte de Aristóteles. É o chamado período helenístico da história grega. Perguntem lá para o professor de História de vocês, ou melhor, assistam as aulas de História antiga, e vocês vão perceber que a Grécia é invadida pela Macedónia, etc., Felipe II, depois Alexandre o Grande vai suceder, Felipe II era seu pai, e nós entramos no chamado período helenístico, período em que a Grécia estava dominada pela Macedônia. Houve uma troca cultural muito interessante, já que Alexandre o Grande, especialmente, uniu a Grécia ao Oriente, de alguma maneira ocorreram intercâmbios ali, conhecimentos que provinham do oriente chegaram à Grécia e vice-versa. Então nós temos um grande desenvolvimento da Física, da ciência aqui nesse período, porque vários conhecimentos oriundos de várias partes do mundo se somaram, e aí nós temos o trabalho de pensadores como Arquimedes, já ouviram falar? Da Física, do barquinho, da flutuação dos corpos, da alavanca (dá-me uma alavanca e eu movo o mundo), por aí, é um tipo de conhecimento Físico que já vinha sendo elaborado aqui antes de Cristo ainda, assim como Aristarco calculando a distância entre a terra, o sol e a lua, distâncias entre os corpos celestes, de uma maneira bastante precisa, e isso nos impressiona até hoje, porque os recursos da época eram bastante parcos, bastante limitados, mas mesmo assim, utilizando a matemática, o pensamento racional lógico, ele conseguiu fazer cálculos desse tipo tal como Erastóstenes vai conseguir medir a circunferência da terra com um grau de acerto bastante admirável também para os dias de hoje. Aqui cabe uma outra reflexão, pessoal, porque quando nós percebemos o avanço da história, nós costumamos geralmente dizer que a idade média complicou um pouco essa questão do avanço do desenvolvimento científico. Geralmente a gente costuma colocar a culpa disso toda lá na Idade Média, em razão do teocentrismo, do conhecimento que vem dos sentidos, da nossa observação de mundo estar bastante desvalorizado nesse período, mas a gente esquece também que Roma era uma civilização mais militarizada e muito menos voltada para a produção de um conhecimento mais filosófico-científico como havia sido a Grécia. O que cabe a gente pensar de importante também a esse respeito? Se esse conhecimento produzido lá no período helenístico por Arquimedes, Erastóstenes, etc., não tivesse sofrido essa interrupção, que consistiu em milénios, se a gente somar Roma, somar a Idade Média, e essa forma de procurar o conhecimento só foi retomada muito tempo mais tarde no renascimento, caso não tivesse havido essa interrupção, estaríamos mais avançados hoje em termos de conhecimento científico? Provavelmente sim. Mas cabe uma outra pergunta dentro de isso tudo. O planeta existiria ainda? Não teríamos consumido já todos os recursos? Pensem nisso, é um bom tema de redação inclusive para fazer um treino a respeito daquilo que o Enem e vestibulares em geral vão pedir. Nós temos então depois, depois da idade média o período do renascimento, que como eu disse, retoma essa perspectiva de um conhecimento mais científico, porque o teocentrismo dá lugar ao antropocentrismo, nesse período aqui lá em História a gente percebe bastante isso, o antropocêntrico vai voltar a vigorar como maneira de ver o mundo, de entender o mundo, e ele quer dizer justamente o seguinte: o homem agora volta a ser considerado, tal como era lá na antiguidade grega, um ser capaz de obter conhecimento da realidade, e não mais apenas um conhecimento revelado por Deus como queria da idade média, como a idade média impunha sobre os homens. Então é por isso que no renascimento, a partir desse antropocentrismo, nós temos um desenvolvimento bastante amplo, uma retomada do conhecimento científico, uma retomada do seu desenvolvimento. Então muitos nomes vão figurar na lista de pensadores renascentistas, que vão aos poucos dando origem aquilo que a gente chama de ciência moderna. Aqui é o homem vitruviano, uma gravura, um desenho de Leonardo Da Vinci, que simboliza o renascimento. Quando a gente se depara com um material, com alguma coisa sobre o Renascimento, invariavelmente essa imagem vai está ali. Porque é um homem, o homem na sua plenitude, realizando movimentos, e etc. Então esse homem que é capaz de mover-se, que é capaz de entender a natureza, que é capaz de se mover por si, que é capaz de entender o mundo que vive. Aqui nós temos vários nomes importantes dentro disso tudo. Nós temos Nicolau Copérnico, que vai se contrapor a um conhecimento que já vinha de muito tempo, o conhecimento de Aristóteles, um conhecimento de Ptolomeu, e que a Igreja Católica se utilizou muito, se utilizou bastante disso na Idade Média, que é uma teoria, segundo a qual a terra seria o centro do universo ou seja, o geocentrismo. Nicolau Copérnico vai ser um Física, Astrofísico, Astrônomo moderno, etc., que vai se contrapor e vai trazer para nós o heliocentrismo, isto é, o sol é o centro do universo, se não do universo, do sistema solar, os planetas giram, gravitam, ao redor dele, e assim eles se contrapõem a uma verdade que tava já instituída há muitos séculos. Johannes Kepler vai utilizar o cálculo matemático para medir os movimentos dos planetas, vai descobrir que os planetas fazem movimentos também elípticos, e tal. Galileu Galilei, como eu mencionei antes, ele vai de alguma maneira comprovar o heliocentrismo deCopérnico e ele vai também criar o método científico. Então nós costumamos dizer que a Galileu que, criando o método científico, opera a verdadeira separação entre filosofia e ciência, isto é, filosofia tal como nós vemos hoje, como nós vemos a partir daqui, é um conhecimento mais especulativo sobre o mundo, mais abstrato sobre o mundo, é conhecimento também, ao passo que a ciência é um conhecimento, digamos assim, mais prático, mais racional, mais empírico. Isaac Newton, bom acho que todo mundo sabe ou quase todo mundo sabe, a lei da gravidade, leis de Newton, etc., ele vai fundar praticamente a física moderna e vai ter fã-clubes aí pelo mundo até hoje. Isso tudo nos leva a um certo conflito. O primeiro grande conflito que nós tivemos na história do pensamento filosófico foi aquele que nós vimos aula passada, entre mobilismo e imobilismo, isto é, entre Heráclito e Parmênides. Tudo está se movendo, tudo está mudando, ou tudo tá parado. Aqui quando nós chegamos à idade moderna nós teremos também um conflito de ideias. Que conflito é este? Temos de um lado os racionalistas e temos de outro lado os empiristas. Os empiristas acreditam que o conhecimento verdadeiro, que a melhor forma de buscar conhecimento do mundo são os sentidos, é aquilo que a gente percebe e depois a nossa mente pega esses dados que nós captamos pelos sentidos e elabora esses dados para nos dar um conhecimento, organiza esses dados. Já os racionalistas pensam o contrário, o processo do conhecimento é este, quer dizer, nós podemos perceber as coisas pelos sentidos mas a mente faz o papel principal, e além de tudo, nós trazemos conhecimentos já dentro da mente que não são sentidos que nos trazem. Quem funda o racionalismo? Um pensador chamado René Descartes. No Empirismo terá outros nomes na história da filosofia, como John Locke, como David Hum, e como George Berkeley, como Francis Bacon, e por aí vai. Então é um conflito que vai se fazer presente, muita gente vai pensar a respeito dele aqui nesse período, e ele vai começar a ser solucionado lá na virada do século 18 para o século 19 quando há uma certa síntese entre essas duas correntes feita por um filósofo chamado Emanuel Kant, isso nós veremos depois. Quando nós chegamos ao século 19, o século 19 é marcado pelo "Triunfo da ciência", por uma valorização da ciência, por uma glorificação da ciência como forma de explicação de mundo. Nós vimos: a ciência não é melhor nem pior do que outras formas de explicação de mundo, de conhecimento da realidade, mas no século 19 as pessoas em geral não vão pensar assim, vão colocar a ciência na ponta desse desenvolvimento de conhecimento humano, e nesse sentido nós teremos o Augusto Comte, que é o fundador de uma corrente chamada positivismo, que muita gente conhece, que vai influenciar bastante o Brasil, a política brasileira lá no século 19, vejam esse nas aulas de História do Brasil, na Proclamação da República está bastante presente, mas esse pensamento além do lado político ele tem um lado científico também. Por que positivismo? Por que que esse nome é dado a essa corrente? Por que Augusto Comte da esse nome a essa corrente? Positivismo porque é ISMO, tudo que é ISMO equivale a crença, a gente traduz por crença, é a crença no positivo. Que positivo? Nas ciências positivas, as ciências em geral, quando a gente observa a realidade, quando a gente parte de um conhecimento da observação da realidade, bem científico como nós definimos hoje, nós falamos que é um conhecimento positivo, obtido assim concretamente a partir da realidade, ou seja, o positivismo seria uma crença na superioridade das ciências positivas, dessas que partem da observação e da experimentação como forma de conhecimento válida e principal da humanidade. Assim como Aristóteles havia feito lá na antiguidade, Augusto Comte vai fazer também uma classificação das ciências, sendo uma classificação mais ou menos de caráter evolutivo, que vai das ciências mais simples, no entender dele é claro, para ciências mais complexas, então ele fala que a Matemática é a ciência mais simples de todas, vocês concordam com isso? Aí eu acredito que não, principalmente na hora de fazer a prova, mas ele acha que ela é a mais simples também por uma questão de ordem cronológica no tempo. Ela foi a primeira a surgir, na opinião dele, depois vem astronomia, depois vem a física, sempre crescendo em complexidade, depois vem a química, vocês acham que física ou química é mais complexo, mais difícil? Ou é tudo a mesma coisa? Para ele a química era mais difícil, mais complicada ainda, depois vem a biologia, e por último vem a sociologia, que é uma ciência que ele mesmo cria, que estaria aí para compreender o homem, os fenômenos sociais humanos e tal, e a gente vai ver isso mais adiante. Esse século 19, por essa crença toda na ciência, gerou sérios problemas para nós, ou seja, já era uma espécie de paradoxo, já era uma espécie de contradição, uma contradição que está aí até hoje, e que nós vamos dar o nome de mito do cientificismo. Por que que é importante a gente fazer essas distinções de filosofia, ciência, mito, mas não colocar essas formas de conhecimento em ordem hierárquica. Isto porque a gente acaba cometendo uma certa ilogicidade ao colocar a ciência como digamos assim, a parte mais elaborada do pensamento humano do conhecimento humano, porque a gente passa de alguma maneira ter fé na ciência. Não é verdade? Por exemplo, a ciência não descobriu isto ainda. Quem não pensa assim? Então a gente acredita que a ciência se não descobriu, vai descobrir. Mas qual é a garantia concreta de que a ciência vai descobrir, ou que vai descobrir tudo, como muitos entusiastas pensam, ou como no século 19, não só Augusto Comte, muita gente pensava. Isto é, nós chamamos essa crença na ciência de mito do cientificismo, isto é, a gente passa paradoxalmente a ter uma espécie de fé na ciência, quando a gente acredita que se ela ainda não descobriu, se ela ainda não deu a chave de compreensão do mundo, ela vai dar porque ela vem no movimento crescente evolutivo. Será que isso é tão verdadeiro assim? Será que um dia a ciência será capaz de realmente nos dar conta de toda a realidade, compreender tudo? É uma pergunta que fica. Aqui está Augusto Comte, temos um retrato dele, e por hoje era isso pessoal, um beijo pra todo mundo e até a próxima aula. Agora que você já assistiu aos vídeos e realizou as leituras sobre o conhecimento popular, religioso, filosófico e científico, acesse o próximo tópico, que apresentará um quadro comparativo entre essas tipologias. Referências FRANZIN, Sergio Francisco Loss. Orientação para a prática profissional e pesquisa. Porto Velho: IFRO, 2013. GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2019. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2019. MALDANER, Jair José. Comunicação Científica. Cuiabá: UFMT, 2015. SANTOS, Pedro Antonio dos; KIENEN, Nádia; CASTIÑEIRA, Maria Inés. Metodologia da pesquisa social: da proposição de um problema à redação e apresentação do relatório. São Paulo: Atlas, 2015. SILVA, Helânia Pereira da; RIBEIRO, Tereza Cristina de Farias Silva. Introdução à pesquisa. Macaíba: UFRN, 2014. 1.1.5 Comparativo entre os tipos de conhecimento Até agora, em nosso curso, foram abordados quatro tipos tradicionais de conhecimento: popular, religioso, filosófico e científico. Veja, no Quadro 1, um resumo das principais diferenças entre essas classificações. Descrição das características dos quatro tipos de conhecimento - popular: Valorativo Reflexivo Assistemático Verificável Falível Inexato; religioso: Valorativo Inspiracional Sistemático Não verificável Infalível Exato; filosófico: Valorativo Racional Sistemático Não verificável Infalível Exato; científico: Real (factual) Contingente Sistemático Verificável Falível Aproximadamente, exato Quadro 1: Tipologias do conhecimento e suas características Para auxiliar no comparativo e na diferenciação entre os tiposde conhecimento, vamos analisar alguns exemplos. O médico Luiz Henrique acordou cedo, pois precisava realizar atendimentos em um hospital da cidade de Bela Vista. Ele aproveitou o tempo, durante o café da manhã, e realizou leituras de revistas especializadas em medicina, nas quais conheceu as últimas informações sobre as pesquisas de novos medicamentos para o tratamento de doenças reumáticas. Antes de sair para o trabalho, Luiz Henrique leu algumas páginas da Bíblia e decidiu que, antes de chegar ao hospital, iria até a igreja do bairro, para fazer uma oração. No caminho entre a igreja e o trabalho, o médico passou por uma livraria e um livro da vitrine chamou a sua atenção. Ele entrou no estabelecimento e, após folhear a obra "A república, de Platão", decidiu comprá-la. Por fim, ao pagar o livro, recebeu R$ 13,00 de troco. O caixa comentou que Luiz Henrique deveria se cuidar, porque 13 é o número do azar. Realizando uma análise, percebemos exemplos de situações relacionadas ao conhecimento científico (item 1), ao conhecimento religioso (item 2), ao conhecimento filosófico (item 3) e ao conhecimento popular (item 4). Se você ficou com alguma dúvida, em relação às informações disponíveis no Quadro 1 ou nas situações descritas acima, retome as leituras sobre os tipos de conhecimento. Nelas, como você deve ter percebido, constam as explicações sobre as características de cada tipologia. Referências LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2019. Fonte do Quadro 1: adaptado de Lakatos e Marconi (2019).