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DIREITO DE FAMÍLIA E SUCESSÕES – VT 2021-2 NOME: Marcela Vieira Coimbra 1) VALOR 3,0 Eduardo e Mônica, sem que tivessem feito pacto antenupcial, casaram-se em 10/02/1999 e amealharam, durante a relação conjugal, patrimônio equivalente a R$500.000,00, sendo certo que João já tinha um imóvel adquirido em 15/01/1997, avaliado em R$ 1.000.000,00 e este bem, único imóvel da família, servia de domicílio para o casal. Da união nasceram Bernardo e Renato, casados, respectivamente, com Denise e Soraia, pelo regime da comunhão parcial de bens. Falecendo Eduardo, ab intestato, em 25 de setembro de 2020, queira esclarecer como ficará a sua sucessão. Abordando a totalidade de direitos de cada um. R: Sem o pacto antenupcial, Eduardo e Mônica se casaram com o regime de comunhão parcial de bens. No que tange ao patrimônio individual quanto comum, o primeiro deve ser dividido igualmente entre a viúva e os filhos e o segundo será partilhado de forma que a viúva receba metade e o restante pertencerá aos filhos. Desta forma, cada um receberá 1/3 do patrimônio individual (imóvel adquirido antes do casamento) e 1/4 do patrimônio comum (patrimônio adquirido durante a relação conjugal), tendo em vista que a viúva terá 1/3 do patrimônio individual e 50% do comum. 2) VALOR 3,0 Mariana, que trabalha com grupos de apoio a mulheres vítimas de violência doméstica, casou-se, após três meses de namoro, com pessoa que conhecera na faculdade. Passados quatro meses da celebração do casamento, nada perturbava a vida harmoniosa do casal, até que Mariana soube que seu marido já havia sido condenado por lesões corporais graves causadas a uma antiga namorada bem como tramitavam, contra ele, duas ações penais em que era acusado da prática de estupro e atentado violento ao pudor contra a mesma pessoa. Em razão desse fato, Mariana pretende pôr fim a seu casamento. Em face dessa situação hipotética, indique a solução jurídica adequada à pretensão de Mariana, destacando não só o direito material aplicável à espécie como também o meio adequado de encaminhamento do pedido a ser realizado. R: O desconhecimento da prática de crime pelo cônjuge leva ao Erro Essencial autorizador da ação de anulação do casamento conforme O inciso II do art. 1.557 do Código Civil: “Art. 1.557. Considera-se erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge: II – a ignorância de crime, anterior ao casamento, que, por sua natureza, torne insuportável a vida conjugal;” O casamento produzirá efeitos para o cônjuge do boa-fé e não produzirá efeitos para o cônjuge de má-fé. No pertinente à partilha, só o consorte inocente terá direito à meação assim como direito à herança se o cônjuge culpado falecer antes do trânsito em julgado da ação anulatória do casamento. 3) VALOR, 4,0 Henrique e Natália, casados sob o regime de comunhão parcial de bens, decidiram se divorciar após 10 anos de união conjugal. Do relacionamento nasceram Gabriela e Bruno, hoje, com 8 e 6 anos, respectivamente. Enquanto esteve casada, Natália, apesar de ter curso superior completo, ser pessoa jovem e capaz para o trabalho, não exerceu atividade profissional para se dedicar integralmente aos cuidados da casa e dos filhos. Considerando a hipótese acima e as regras atinentes à prestação de alimentos, assinale a afirmativa correta. A) Uma vez homologado judicialmente o valor da prestação alimentícia devida por Henrique em favor de seus filhos Gabriela e Bruno, no percentual de um salário mínimo para cada um, ocorrendo a constituição de nova família por parte de Henrique, automaticamente será minorado o valor dos alimentos devido aos filhos do primeiro casamento? R: A constituição de uma nova família não é condição para redução de valores fixados de alimentos devido aos filhos do primeiro casamento. A redução dos alimentos pode ocorrer quando houver alteração do trinômio necessidades do favorecido, possibilidades financeiras do obrigado e proporcionalidade entre os dois extremos, conforme o artigo 1.699 do Código Civil e o artigo 15 da Lei 5.478/68. B) Caso Natália descubra, após dois meses de separação de fato, que espera um filho de Henrique, serão devidos algum tipo de alimentos ou somente após o nascimento com vida da criança? R: Demostrando indícios de que o suposto pai é realmente pai do nascituro, pode-se requerer, mediante ação na justiça, o pagamento dos alimentos gravídicos desde a concepção do nascituro, até o nascimento da criança, conforme artigos 2º e 6º da Lei 11.804/2008